Se você é leitor ou leitora habitual deste espaço, então você já leu esta observação abaixo, MUITAS outras vezes. Vou repeti-la pela SÉTIMA vez neste ano – em tão curto espaço de tempo -, ou refrescar à memória dos “esquecidos”, ou, tornar claro para os novos por aqui, os quais inventam e encontram nas entrelinhas, “interesses” outros naquilo que publico. Hoje, mais que antes, é importante esta repetição. Parte desta necessidade, está no TRAPICHE
AVISO NECESSÁRIO E REPETIDO MAIS UMA VEZ: este blog não é e nunca foi impulsionado, não montou nenhum grupo de WhatsApp – ou em outros aplicativos de mensagens – para dar volume de acessos – apesar de ousadas propostas neste sentido – , não é e nunca foi monetizado pelos acessos que recebe, não é e nunca foi patrocinado por particulares, empresas, dinheiro público ou de políticos, também nunca “pediu ajuda de custos” a políticos e empresários para se manter.
Acrescento: não monta premiações, não “cria” agências para disfarçadamente intermediar negócios de comunicação aos interesses dos poderosos “amigos” de plantão e também, não dá assessoria privada para políticos locais.
Se você quer republicar os artigos, por favor, só na íntegra para não descontextualizar a análise, comentário ou à crítica. E ao final de cada artigo, há botões facilitadores para replicar estes artigos via aplicativos de mensagens, e-mails e redes sociais. Estes botões fazem isso automaticamente para você. Há também espaço para a sua opinião, correções e contraponto.
Os políticos – e amigos e patrocinadores desses políticos – querem que os artigos esclarecedores como o abaixo, em novo governo que veio para mudar, sejam banidos, estão se articulando, desacreditando e farão de tudo para isso. Até poucos dias, aplaudiam-me, porque eram os beneficiados diretos com a minha clareza. E no fundo, essa forma dessa gente aplaudir quando na oposição, sufocar, desacreditar, perseguir e até processar é contra você e a cidade.
Então, exatamente por causa deles, é que este espaço é de vigia e continuará “olhando a maré” para o descontentamento dos políticos sustentados por nossos pesados impostos, cada vez mais altos e on line – ou os que manipulam à sombra do poder, descaradamente. E falsamente, ainda pregam a transparência dos atos deles; dizem que vão desnudar os dos outros, mas tudo, de verdade, que querem é que se escorra mansamente para debaixo do tapete do esquecimento eterno.
VAMOS COMEÇAR O ARTIGO DESTA SEGUNDA-FEIRA?
Texto das notas do TRAPICHE foi revisado, modificado e ampliado às 9h05min deste 08.07.2025. Sempre atribuí à falta de transparência, à incompetência para a gestão de crise – e das brabas pois sou testemunha pessoal dessas entranhas desde 1983 -, às disputas políticas aos nacos de poder por gente curiosa de algo que está, incrivelmente, em pleno velório, bem como à incapacidade de se liderar uma solução estruturada ao estado vegetativo em que vive o Hospital de Gaspar.
Sempre fui duro, porque entendia e entendo que, quem mais perde com isso, são pessoas doentes, vulneráveis e esperançosas por acolhimento, tratamento e cura.
Mais, nunca estive longe nos tempos que pude estar perto e propor soluções. Fui até, e já escrevi várias vezes, vice-presidente da Comissão que reconstruiu fisicamente o Hospital de Gaspar. E não fui a inauguração dessa obra de anos, porque era uma encenação. O Hospital estava recuperado na sua estrutura física, mas não na sua sustentabilidade econômica, financeira e técnica. Não tinha futuro. Não estava vocacionado e protegido. Fui voto vencido. E a comissão de reconstrução, por questões que não vou me alongar, resolveu passar por este item essencial. Deu de “presente” ao prefeito que entrava Pedro Celso Zuchi, PT. E de lá para cá, por conta disso, estamos metidos numa enrascada sem fim. E contra a cidade. Vamos adiante.
É PRECISO QUEBRAR ALGUNS CRISTAIS PARA SALAVAR A CRISTALEIRA
Nunca quis enevoar a imagem da instituição Hospital. Ao contrário, sempre tive em muitas contas que era e é fundamental ele dar certo. Mas, para isso, ele precisa, obrigatoriamente, estar dos políticos no poder de plantão, de curiosos e caridosos na sua gestão e controle. O Hospital precisa de gente que entende do riscado. Um hospital não é uma empresa. É mais que isso. Contudo, não pode ser, por outro lado, uma máquina de prejuízos, segredos, empreguismos de apaniguados, curiosos e um local de dúvidas. Com esse olhar gerencial e visto sob o ângulo de resultados, ganha a cidade e principalmente, os menos afortunado, hoje submetidos à uma roda da fortuna. Simples assim.
As pessoas com dinheiro, planos de saúde, ou temendo o pior, diante de uma simples dor de barriga se mandam para Blumenau, Brusque e Itajaí. Isto é uma vergonha não só para Gaspar. É um desastre na imagem para o próprio o Hospital, seu corpo clínico, funcionários, a sua imagem e o seu futuro. ´}E agonia perpétua pedindo socorro. Uma afronta a ideia, dinâmica e realização de Frei Godofredo. Será que toda essa gente no poder de plantão não percebeu este desastre está sendo feito a várias cabeças e mãos?
E não vou longe. Um dia, a própria líder na Câmara do atual governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, deu nome a quem possivelmente era o maior problema na burocracia do Hospital. O que aconteceu? Então…
Retomando.
O que mais se faz então no Hospital e principalmente na prefeitura de Gaspar – de ontem e hoje, ressalte-se – é esconder uma realidade, lutar contra ela e mandar para a Justiça, pedindo punições e indenizações – os que pedem mudanças ou denunciam os sucessivos descasos. Inclusive eu, o jornal Cruzeiro do Vale – o mais antigo em circulação entre nós – que já foi um dos veículos de comunicação que me permitiram ter voz de análise dessas mazelas. Os poderosos – disfarçados de salvadores da pátria – detestam serem eles expostos. Incrível!
PRONTO ATENDIMENTO NÃO SEGUE PROTOCOLO. MANDA PARA CASA PACIENTE COM BRAÇO QUEBRADO. DOR E SOFRIMENTO

Quem esteve na Câmara na semana passada, mais uma vez, lavando a minha alma, contra a infelicidade de mais uma vítima visível – há tantas outras silenciadas e conformadas – do Hospital de Gaspar? O vereador Ciro André Quintino, MDB.
Ele por linhas tortas, devido à incapacidade tática dos vencedores de outubro do ano passado, está alinhado com a atual gestão de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. Nem mesmo este alinhamento o fez refém e calado do repetido descalabro. Incrível foi ver como os demais vereadores se contorciam diante do relato, queixa e desabafo público. Isto não pode ser algo normal. E depois, essa gente poderosa vive me acusando de exagerado.
Veja e ouça o vereador Ciro em vídeo que ele próprio publicou nas suas redes sociais e está gravado no site oficial da Câmara. Ou seja, não é invenção minha, como sempre dizem, juram e espalham por aí os poderosos de plantão de ontem e hoje, para me desqualificar, constranger e pedir punição. É que eu não dependo social e monetariamente dessa gente. Ela que já me puniu – inclusive “roubando” parte do meu patrimônio pessoal -, repete ameaças e eu, mesmo assim, para desespero dela, não desisto na luta pela transparência que a cidade precisa e merece. Faço isso há décadas. Não chantageio. Não faço trocas. Simples assim.
Voltando. Vereador: o senhor sabe o que é empatia? A sua assessoria já lhe esclareceu sobre este termo da nossa língua? Segundo os dicionários, ter empatia significa se colocar no lugar do outro, sentir o que outra pessoa sentiria, caso estivesse na situação vivenciada por ela, e tentar compreender experiências e visões de mundo diferentes das suas.
É certo que empatia não pode faltar a qualquer parte de um Hospital. Estou 100% de acordo. Mas, o que o senhor está denunciando e testemunhando é outra coisa bem diferente. A empatia não é à essência de um Hospital. Ali é um local técnico, com técnicos, com protocolos e se faz resultados para as pessoas que o procuram com ciência, conhecimento e tecnologia, além da tal empatia para acolher, diagnosticar, medicar, proceder, aliviar, curar física e emocionalmente, ou salvar pessoas. Ou não, vereador? Conteste-me se tiver melhores argumentos, por favor.
POR QUÊ LIVRAR OS CULPADOS DE SEMPRE?

Diferente da mão que tenta afagar, o Hospital de Gaspar – como instituição – tem culpa sim, e em tudo isso, vereador. O senhor quer passar o pano em quem? Se é assim, então prepare-se para uma nova denúncia de um novo desastre anunciado.
A prefeitura de Gaspar, por ser interventora, é tão solidária tanto quanto o Hospital nesta culpa. Que história, é essa, vereador, de livrá-los das responsabilidades que eles são os únicos portadores – incluindo a própria Câmara e os vereadores – pelos resultados que causam a si (Hospital) e a outrem (pacientes, funcionários e a cidade)? E ambos (Hospital, secretaria de Saúde e prefeitura) são feitos por pessoas, susceptíveis às falhas, mas não às repetições tão rotineiras e grotescas. Incompreensível tudo isso. Conteste-me se tiver melhores argumentos, por favor.
O que faltou neste caso do seu discurso, vereador, além de empatia, foi o Hospital ter exercido, essencialmente, a função dele: com diligência técnicas salvar pessoas. Simples assim. E mais uma vez. E se não fez, é porque falta ser, vereador, um Hospital, um Pronto Atendimento caro e quase inútil nos maus resultados que produz para a sociedade.
NÃO É O PRIMEIRO. NÃO SERÁ O ÚLTIMO

Este não é o primeiro caso. Não será o último enquanto o culpado para os poderosos, Hospital, prefeitura, secretaria de saúde, advogados do Hospital e os procuradores municipais, for quem reclama e quem pede mudanças, como eu – ou a vítima, ou os parentes e amigos da vítima emocionalmente constrangida e traumatizada, sequelada quando não morta. Não será o último enquanto o culpado é a própria vítima que procura seus direitos, inclusive o de reclamar e ser ressarcida. Muda, Gaspar!
Ou o senhor, vereador, já esqueceu o penúltimo discurso que o senhor fez na mesma Câmara no dia 13 de maio deste ano? É recente. Recentíssimo. E de gravidade semelhante. Ou o senhor não se lembra do menino estudante da Marina Vieira Leal, Guilherme Luiz Dalbosco (foto ao lado), de onze anos que morreu no dia oito de maio esperando por uma ambulância que o levasse a um Hospital para uma cirurgia, mesmo tendo o Hospital de Gaspar Centro Cirúrgico de primeira e UTI para uma emergência que se apresentava naquele caso? Para salvar vidas, na guerra opera-se no meio da rua. Já aqui…
Vou relembrá-lo. Está na Câmara o seu discurso indignado. Está nas redes, a indignação da sua mulher que lhe moveu a sair da inércia do conformismo. Está aqui o que escrevi no dia 16 de maio ANTES DA SUPOSTA NEGLIGÊNCIA MÉDICA VIERAM OS LONGOS ANOS DE POLITICALHA, CENSURA, GESTÃO TEMEROSA, FALTA DE TRANSPARÊNCIA, OMISSÃO DOS POLÍTICOS E ADMINISTRADORES PÚBLICOS. CRIOU-SE A ROTINA DA ACEITAÇÃO. QUEM MESMO ESSA GENTE QUER CULPAR SE NÃO ELA PRÓPRIA? É só clicar para reler.
A MUDANÇA SÓ NO DISCURSO, POR ENQUANTO. PREVALECE A MARCA KLEBER E UM JEITO REPROVADO
Todos estes dois casos – e muito mais que rolam das redes sociais – foram no atual governo de Paulo e Rodrigo, ambos do PL. Eles estão há seis meses na prefeitura. Tiveram condições para mudar todo esse quadro caótico. Ao contrário. Nem sinais. E o que mudou de lá para cá? Nada! Nadinha de Nada. Nas redes sociais, as queixas e denúncias se avolumam tanto quanto antes.
Então há culpados por esta situação, vereador? Há! E o senhor sabe bem quem são.
E isso começa pelo prefeito Paulo. Foi ele quem resolveu kleberizar o governo dele, o mesmo que na campanha eleitoral jurava que seria bem diferente de Kleber, Marcelo de Souza Brick e Luiz Carlos Spengler Filho, ambos do PP.
E foi por causa dessa jura que Paulo e Rodrigo deram uma sova nas urnas a quem queria continuar como estava antes com Kleber e Marcelo. E na hora da verdade, Paulo e o sistema, para nada mudar, escolheram o funcionário efetivo da Saúde de larga experiência saúde e que foi um dos de uma dúzia de ex-secretários de Saúde nomeados em oito anos do governo de Kleber, Arnaldo Gonçalvez Munhoz Júnior. E quem apoiou, e está gravado na Câmara? Os vereadores do PP e do seu MDB, os que mandavam e desmandavam no governo Kleber.
O que mudou desde a posse Paulo e Rodrigo para cá no caso da Saúde?
A prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan Von Borsten, PSD, deu um nó e se livrou, num acerto com o governador Jorginho Melo, PL, – criador da dupla Paulo e Rodrigo – do Hospital Ruth Cardoso. E numa cidade dormitório como Gaspar, ficamos com um Hospital que não se sabe bem de quem é, sob intervenção marota, comendo mais de R$50 milhões por ano. Verba que representa quase 10% do orçamento anual, e que deveria estar em outras ações prioritárias no município ou nos postinhos que também vivem em agonia. Estranho mesmo, é o silêncio das entidades empresariais. Entre elas, a Ampe. Afinal, quem está na rua da amargura com esses casos são os que trabalham nas micro e pequenas empresas. Muda, Gaspar!
JUSTIÇA RECONHECE ERRO E OBRIGA HOSPITAL INDENIZAR VÍTIMA
Pior. Esta falta de “empatia”, senhor vereador Ciro, avoluma-se em caras indenizações requeridas na Justiça. Elas aumentam as dívidas do Hospital e da prefeitura. E todas elas são pagas por todos os gasparenses naquilo que está na cara de todos nós: a falta de dinheiro para o mínimo.
Uma delas, o jornal Cruzeiro do Vale noticiou esta semana. É de um caso de 2004 ( o primeiro dos três governo de Pedro Celso Zuchi, PT). Foi por estas e outras que Conselho resolveu fechá-lo para colocar a casa tecnicamente em dia e que o ato ( o fechamento para reforma ao tempo do prefeito Adilson Luiz Schmitt, MDB e hoje sem partido) foi usado na politicalha pelos poderosos de plantão contra a reeleição de Adilson, que os enfrentava e achava que iria colocar tudo no lugar certo. Foi engolido.
De 2004 para cá, quantos prefeitos passaram por vários mandatos? Zuchi, o inventor da intervenção marota do Hospital e que recebeu ele novinho em folha dos empresários – majoritariamente da Fundação Bunge, diga-se, por Justiça – mais duas vezes, Kleber Edson Wan Dall, MDB. Mas, dos que conheci, a agonia de hoje era igual nos governos de Tarcísio Deschamps, PSD, Francisco Hostins, PDC, Luiz Fernando Poli, PFL, Bernardo Leonardo Spengler, MDB e Andreone Cordeiro dos Santos, PTB. Uau!

E quantos processos há de lá para cá? Sobre este caso veja a reprodução da reportagem do Jornal Cruzeiro do Vale ao lado. Ela é auto-explicativa. E na prefeitura todos inconformados com a publicação da notícia. O que afinal querem esconder? Aliás, este tipo de acontecimento deveria ascender um debate público para estancar não as indenizações e punições, mas o que está antes delas: o erro, a negligência, a omissão, a falta de transparência e a busca coletiva de resultados para a cidade, a gestão e as pessoas que precisam de um Hospital confiável e referência.
Aqui está o link da notícia do Cruzeiro do Vale: Hospital e Prefeitura de Gaspar são condenados a pagar R$2,5 milhões por morte de paciente – Jornal Cruzeiro do Vale.
Aos leitores e eleitoras, peço desculpas, por não diversificar hoje os assuntos. Estou aproveitando e embrulhando um problema num único pacote. É necessário. É preciso mostrar como resistimos as mudanças, ao debate da cidade pela cidade, seus cidadãos e cidadãs. A imprensa não é um problema. Nem a solução, é claro. Mas, ela pode impedir que a falta de debate agrave tudo que já está grave entre nós. Abaixo no TRAPICHE mostro como o ato de calar a imprensa é comparsa do erro e do agravamento dos problemas do Hospital (e outros da cidade contra as pessoas).
TRAPICHE

No dia 24 de junho deste ano, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, por unanimidade, proferiu um acordão a favor deste escriba e do jornal Cruzeiro do Vale – pois este espaço, na época dos fatos que foram questionados na Justiça, era parte da publicação on-line dele. É que o Hospital de Gaspar para me constranger, calar-me ao tempo, ser indenizado e com o conluio bem armado pelo grupo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, resolveram pedir punições de toda a sorte contra mim e o Cruzeiro – o jornal impresso mais longevo em circulação contínua na cidade e arredores.
Era sobre algo que lateralmente classifiquei de forma amena como “mais vexame do Hospital” (internaram um paciente com supostamente Covid na UTI emergencial sem ele ter Covid). Entretanto, curiosamente, o tema central daquele artigo on line, vejam só, era um comentário totalmente diferente ao do Hospital: as graves dúvidas das obras de drenagem da Rua Frei Solano, no Gasparinho, ao tempo de Jean Alexandre do Santos (secretário de Obras e Serviços Urbanos), PSD e MDB na época, e do vereador licenciado e de oito legislaturas, José Hilário Melato, PP, (então presidente do Samae). Todas as dúvidas daquela polêmica obra – que inclusive foi parar no TCE na forma de contratação e obrigado a mudá-lo – foram enterradas numa CPI, bem armada na Câmara Municipal de Gaspar. Essa gente não coloca pregos em barcos sem a devida estopa. Usaram uma bala, para matar duas caças de uma só vez.
Quem defendeu o Jornal e a mim do começo ao fim? Os advogados Aurélio Marcos de Souza e seu sócio, Ênio César Muller. Eles dispensam qualificações. Aurélio já foi procurador geral do município (2005 a 2009). O advogado Aurélio postou um artigo sobre o caso e a liberdade de expressão na área de comentários. Também não vou me estender naquilo que o juiz da segunda vara da Comarca de Gaspar, Yuri Lorentz Violante Frade bem argumentou e fundamentou, tecnicamente, para nos absolver (Cruzeiro e eu), nem naquilo que o relator desembargador da 3ª Câmara de Apelação Cível, Saul Steil, e os votos acompanhantes dos desembargadores André Carvalho e Gerson Cheren II no TJ, referendaram a decisão do juiz Yuri.
Vou me ater a quatro pontos para não me alongar em algo repetido pelos poderosos de plantão e ao mesmo tempo de cunho técnico-jurídico. O primeiro dele é a forma como o Kleber Edson Wan Dall, MDB, e seus “cábios”, em tempo de campanha à reeleição (2020) quiseram, usando o Hospital que ele desconcertou como poucos, para punir o Cruzeiro e eu. Qual o objetivo tático poderosos? Abafar um caso grave de dúvidas em outra área que não podiam combater na Justiça: os meus questionamentos nas obras da drenagem no Gasparinho, pois se fizessem isso, corriam o alto risco de se enrolarem ainda mais. Tentaram me calar liminarmente. Não conseguiram. Agora, viram o revés completo (podem ainda recorrer, mas…). No fundo, é também um aviso. Não exatamente para eles que não tem mais interesse no resultado proferido, mas para o atual governo.
Este é o segundo ponto. A decisão de primeiro grau – aqui em Gaspar – saiu agora em pleno governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. O Hospital diante de uma sentença tão bem fundamentada, vinda de birra de outro governo que dizem não terem nada com ele; sem dinheiro para nada, com o Hospital sob a intervenção da prefeitura – ou seja, é a prefeitura quem manda nele – resolveu, nos últimos minutos, perto da meia noite, apelar, trocar de advogados, e gastar mais dinheiro dos gasparenses e daquilo que eles próprios reclamam à cidade de que está escasso? Não há ingenuidade. Foi um teste. Um recado. Pensado. Orquestrado. Porque o atual governo é a continuidade piorada do antigo. Nem mais, nem menos.
O acórdão do TJ, é um aviso não exatamente para Kleber Edson Wan Dall, MDB e seus “çábios” que ainda inspiram e estão em todos os cantos do “novo” governo, mas para o “novo” governo em si, o que veio para mudar, mas está com o mesmo espírito de vingança que não deu certo no anterior e atrasou a cidade. O que disse o TJ no Acordão? “A matéria jornalística não extrapolou os limites do direito constitucional de liberdade de expressão e informação, configurando exercício regular da liberdade de imprensa, sem excesso ou intuito difamatório, e sem abuso do direito”.
O terceiro ponto, é que nunca fui e não pretendo ser o dono da verdade: sou instigador do debate na comunidade. Sou o contraponto do silêncio, do medo. O que chacoalha. E como ser humano, sou falível e posso até ser enganado, ou estar equivocado. Nunca neguei aqui o espaço do contraditório aos com outras posições, informações fáticas e inconformados. Mas, a maioria dos espertos não querem usar dessa prerrogativa e espaço gratuito. Prefere remoer, engolir, esperar a hora do bote, ou então, tentar saltos twists carpados na Justiça para me constranger, criar embaraços, criar despesas, gerar contínua descredibilidade e me manter acuado, amedrontado e na defesa.
Todo o contraponto que pode – me deveria – ser apresentado, sabem esses “çábios, poderosos, políticos, se não reconhecido como inconteste e explicitamente, promoverá novo esclarecimento e debate. E isto não interessa aos poderosos de Gaspar e de outro qualquer lugar. E esta gente possui notória dificuldade de me pegar. E por que? Porque sabe que não dependo financeiramente deles nas migalhas ou interesses que colocam aos outros como coleira para tê-los presos e domados. E aí, eu solto, torno-me um problemão. Nem mais. Nem menos.
O quarto ponto eu considero como o principal. É que eu não dou a notícia. Eu comento a notícia sob o meu ponto de vista. E a chance de eu errar é pequena. É como num jogo de futebol: o narrador narra e não pode fugir da realidade do jogo jogado. Os comentaristas, vendo o mesmo jogo, da mesma cabine, explicam as táticas, as performances e os resultados do seu ponto de vista do conhecimento. É isto que faço: esclareço, explico, vou aos bastidores, espreito, abro portas mal trancadas. E é isto que incomoda os políticos e gestores públicos daqui: mostrar o que se (ou eles) esconde, o que eles manipulam, o que mal se gerencia ou se não produz resultados para a sociedade que os sustentam. Simples assim!

E os políticos, os gestores públicos se incomodam porque são entes públicos. Como entes públicos, estão expostos a questionamentos, críticas e elogios. E é assim podem e devem ser cobrados por seus eleitores e eleitoras, pela imprensa de uma forma geral.
Mas, eleitos os agentes políticos, ou escolhidos os agentes públicos, querem todos calados, aplaudindo-os. Eles se encastelam em suas verdades – o que pode até ser aceitável – e sua incompetências que não as querem questionadas. Pior mesmo é rever os discursos deles na campanha eleitoral. Juravam que seriam diferentes, que fariam tudo às claras. E juravam isso, porque sabiam e sabem que é isso que a maior parte da população da cidade quer. Simples assim!
Ou alguém acha que o Hospital, de Gaspar está assim porque é bem gerenciado e tudo foi amplamente debatido com a sociedade? Parte de estado de miserabilidade é dos políticos e gestores públicos. Uma outra ponderável é das entidades de fiscalização, das entidades comunitárias e da imprensa, a intimidada. Aliás, onde está o tal Observatório Social, criado com tanta pompa? E a Acig e a Ampe cujos empregados de seus associados estão expostos no Hospital? Muda Gaspar!
A grande obra dos primeiros seis meses de governo de Paulo Norberto Koerich, PL: o novo perfil dele na rede social. Sintomático, para quem patina nesta área, já trocou de titular neste período e ficou quase dois meses sem um gestor de comunicação. Ela não é estratégica. Pudera não possui fatos da mudança para anunciar à cidade. E o erro continua. Ainda, ele e a área de comunicação o qualifica Paulo como delegado. Mas, ele não se candidatou e se diz prefeito de Gaspar?
Eu exagero? As redes sociais resolveram anunciar e fazer enquetes sobre os seis primeiros meses do governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. Nos comentários abertos, um desastre. Descobriu-se que o que mais se fez nesta administração foi trocar neste curto período de tempo, seus gestores; de que há a kleberização do atual governo e que os vereadores da própria base, para não apanhar mais tanto, fingem ser oposição mostrando a incapacidade do governo até para tampar simples buracos herdados da antiga administração. Triste. Muda, Gaspar.
Suplente de deputado Federal é recebido com tapete vermelho em Gaspar. Enfim, uma aposta alta num suposto futuro. Já os com mandatos, continuam longe daqui. Interessante esta escolha.
Finalmente, tem vereador de Gaspar do partido do governador Jorginho Melo, PL, que descobriu que ele está fazendo falta no desenvolvimento do turismo da sua própria base eleitoral. Então. Esta tal de “Estrada Boa”, incluindo a Rural, é muito boa para a propaganda na tevê, rádios e nas redes sociais. Muda, Gaspar!
9 comentários em “O HOSPITAL DE GASPAR SE PERDEU NA POLITICALHA E INCOMPETÊNCIA. VIROU UM CASO SÉRIO DE POLÍCIA. QUEM O QUER ASSIM, MORIBUNDO E CONTRA A CIDADE, CIDADÃOS E CIDADÃS? A ATUAL GESTÃO KLEBERIZOU AINDA MAIS O QUE AS URNAS E OS ELEITORES JÁ HAVIAM CONDENADO.”
Reforma de mesa de pingue pongue… anunciada no Instagram da prefeitura…
Uma grande obra pra um governo medíocre..
Impressionante. Quem mesmo orienta essa gente? Falta noção, inclusive de que está exposta ao ridículo
SOBRA DINHEIRO PARA A COMPANHEIRADA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O governo deveria ser “do povo, pelo povo, para o povo”, conforme a célebre definição de Abraham Lincoln para a democracia. No Brasil, contudo, esse conceito está sendo pervertido por um projeto de poder que aparelha a máquina pública e destina recursos do contribuinte a entidades controladas por aliados, para fins flagrantemente partidários.
No terceiro mandato de Lula da Silva, os repasses federais a ONGs bateram recordes, saltando de R$ 6 bilhões em 2022 para R$ 13,9 bilhões em 2024. O crescimento não seria preocupante se viesse acompanhado de critérios rigorosos, metas claras e governança robusta. Mas numerosos indícios apurados pelo Estadão mostram o oposto: uma engrenagem informal de financiamento público a estruturas politizadas ligadas ao PT e seus satélites, afrontando os princípios constitucionais de legalidade, impessoalidade e eficiência.
O caso da ONG Unisol é exemplar. Ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, berço político de Lula, ela firmou oito convênios, totalizando R$ 19,1 milhões. Um deles, de R$ 15,8 milhões, previa a remoção de lixo em terra yanomami, a 3 mil quilômetros de distância da sala de 40 metros quadrados no subsolo do sindicato onde está sediada a ONG. O dinheiro foi transferido em parcela única, antes mesmo do início das atividades. A avaliação técnica que aprovou o projeto foi contestada por divergências entre pareceristas. O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu os repasses.
As suspeitas se multiplicam. O Programa Cozinha Solidária, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, destinou R$ 5,6 milhões a uma ONG chefiada por um ex-assessor dos irmãos Tatto (PT-SP). Relatórios sugerem que entidades subcontratadas – também ligadas a petistas – assinaram recibos por milhares de marmitas não entregues. Empresas do próprio presidente da ONG e de seu sobrinho foram contratadas com verba pública, em flagrante conflito de interesse.
No Amazonas, o Iaja – fundado por Anne Moura, secretária nacional de Mulheres do PT – foi autorizado a receber R$ 1,2 milhão para capacitação de jovens. Uma auditoria do Ministério do Trabalho revelou o uso indevido de 97% da verba, ausência de cotação de preços e contratos vagos, sem critérios de fiscalização. Em áudio revelado pelo Estadão, Moura afirma que a ONG serviria à sua campanha a vereadora. A Mídia Ninja, rede ativista de esquerda, opera projetos com ONGs dirigidas por militantes e ex-assessores de políticos, que já receberam R$ 4 milhões do governo.
As digitais do lulopetismo estão por toda parte. Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, o Planalto alterou a regra que exigia a devolução de bens adquiridos por ONGs em caso de desvio de finalidade. A cláusula, presente há 15 anos, funcionava como salvaguarda patrimonial. Mesmo em meio a denúncias e alertas técnicos para riscos à moralidade e à eficiência, o Executivo optou por flexibilizar os controles em vez de fortalecê-los.
É um padrão coerente com a velha estratégia do PT: governar como se a vitória nas urnas lhe concedesse não só o comando do Executivo, mas a posse do Estado – uma visão instrumental do poder que rompe princípios republicanos e impõe uma hegemonia travestida de justiça social. Seja ao distribuir cargos em estatais, seja ao criar “comitês culturais” sob direção de militantes petistas, seja ao financiar ONGs “companheiras”, o objetivo é sempre o mesmo: aparelhar estruturas públicas para consolidar poder.
O projeto é declarado. Em evento no ano passado, Lula afirmou que os comitês de cultura servem para “enraizar aquilo que a gente acredita”. Seminários da Unisol, bancados com R$ 400 mil da União, promovem a tese de que o impeachment de Dilma Rousseff foi um “golpe”. Outra verba, de R$ 200 mil, enviada por emenda do deputado Nilto Tatto (PT), financiou uma “feira de esquerda, pela esquerda, para a esquerda”.
O País precisa de freios institucionais a esse modelo. O Congresso deve restabelecer as cláusulas protetivas surrupiadas da LDO. O TCU deve seguir firme na vigilância e na responsabilização. A sociedade civil, a imprensa e os partidos de oposição devem denunciar os abusos. É preciso reafirmar que, na república brasileira, o governo deve ser do povo – não de uma facção.
DE BRUXAS E BRUXARIAS, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo
Quem atira a primeira pedra? Se Donald Trump, presidente dos EUA, está errado – e está – ao chamar os processos contra Jair Bolsonaro no Supremo de “perseguição” e “caça às bruxas”, o que dizer de Lula, presidente do Brasil, que visitou Cristina Kirchner e tirou foto com o cartaz “Cristina libre” em plena Buenos Aires?
Trump, que se sente imperador dos EUA e age como dono do mundo, ficou mal-humorado com o Brics no Rio e ameaça impor tarifas adicionais a países que se alinharem com o bloco, que tem China, Rússia e agora Irã. De quebra, se meteu também com a Justiça brasileira, ao defender e dizer que Bolsonaro só queria o bem do povo brasileiro (?). Julgou, absolveu e anunciou sua sentença ao mundo.
O STF – onde o alvo de trumpistas e bolsonaristas é Alexandre de Moraes – não reagiu, mas Lula disparou pelas redes que “o Brasil tem soberania” e “não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja”. Tem toda razão, mas, e se Javier Milei respondesse no mesmo tom à visita, ao cartaz e à decisão de Lula que, como Trump, julgou, absolveu e anunciou sua sentença ao mundo ou, ao menos, à América Latina?
Os dois ex-presidentes fazem oposição aos atuais mandatários, a diferença está nos processos pelos quais Bolsonaro pode ser condenado e Cristina Kirchner já foi. Ela sucumbiu diante de uma enxurrada de provas de corrupção, o que remete aos dissabores do próprio Lula com a Lava Jato.
Já Bolsonaro foi indiciado, denunciado e virou réu, também por uma enxurrada de provas, mas por tramar um golpe de Estado contra a posse do presidente eleito, inclusive com prisão ou até a morte de Lula, o que remete a Trump atiçando a invasão do Capitólio após a derrota contra Joe Biden. Ao defenderem Kirchner e Bolsonaro, Lula e Trump estariam se autodefendendo?
Nem Trump tem o direito de se meter em assuntos internos do Brasil, nem Lula nos da Argentina. São gestos voluntariosos, arrogantes, contrários a regras internacionais e à política de boa convivência entre países. E no pior momento, com guerras, conflitos e autocratas por toda parte e Trump brincando de embaralhar o comércio e desprezar a civilidade, dentro e fora dos EUA, sob a impotência de ONU, OMC e do multilateralismo que os EUA construíram e agora se empenham em destruir.
Será que Trump não tem mais com que se preocupar do que com o julgamento de um presidente derrotado no Brasil? E Lula, não estaria melhor e sendo mais útil trabalhando pelo equilíbrio fiscal, uma relação produtiva com o Congresso e a aprovação de projetos de interesse nacional, do que confraternizando com uma condenada por corrupção, em outro país?
LIBERDADE DE IMPRENSA, INTERESSE PÚBLICO E O DEVER DE SUPORTAR A CRÍTICA: UMA DECISÃO QUE HONRA A DEMOCRACIA, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc. Este artigo, aclara e complementa uma decisão favorável da Justiça ao jornal Cruzeiro do Vale e este escrita, relatado no artigo principal do blog nesta segunda-feira
Como cidadão, pagador de impostos, leitor atento, e alguém que já foi personagem de matérias jornalísticas inclusive sob críticas posso afirmar, com a serenidade de quem conhece a máquina pública e com a firmeza de um democrata convicto, que a decisão judicial que favoreceu Herculano Domício e o Jornal Cruzeiro do Vale é um marco relevante para o Estado Democrático de Direito. Ela não apenas trata de um conflito entre honra e imprensa como se fosse mais um caso corriqueiro, mas reafirma princípios fundantes da nossa República: liberdade de expressão, de crítica e de imprensa, que não podem ser relativizados ao sabor de interesses circunstanciais ou da suscetibilidade de agentes públicos.
A importância dessa decisão transcende o caso concreto. Ela sinaliza com clareza que a imprensa não pode ser chamada apenas para aplaudir. Quando há motivo para elogios, convoca-se uma coletiva, envia-se uma nota oficial, promove-se publicidade institucional. Mas quando algo sai dos trilhos quando há suspeitas, falhas, omissões ou irregularidades é dever do jornalismo apurar, investigar e divulgar. E é exatamente nesse momento que a imprensa mostra sua verdadeira razão de existir: fazer o que é desconfortável, mas necessário.
É aqui que entra uma GRAVE CONTRADIÇÃO que precisa ser denunciada com todas as letras: há quem clame, dia após dia, que o Supremo Tribunal Federal ou qualquer outro tribunal está censurando o direito à liberdade de expressão no Brasil. Fazem-se mártires da democracia, pregando aos quatro ventos que o direito de opinar está sob ataque. Porém, ironicamente, muitos desses mesmos personagens, ao se verem alvos de reportagens críticas, correm ao Judiciário pedindo indenizações milionárias e tentando calar jornalistas e veículos de imprensa, com o claro objetivo de intimidar e silenciar.
É o retrato da hipocrisia. Quando a liberdade de expressão serve aos seus próprios discursos, ela deve ser irrestrita. Mas quando a crítica os atinge, principalmente por meio de veículos de imprensa independentes, rapidamente invocam a tutela judicial para censurar o outro lado, sufocar a crítica legítima e instrumentalizar o Judiciário como ferramenta de vingança moral. Isso é inaceitável em qualquer democracia que se leve a sério.
Essa decisão, felizmente, resiste a esse movimento perigoso. Ao rejeitar uma pretensão indenizatória baseada em críticas veiculadas pela imprensa, o Judiciário reafirma que liberdade de imprensa não é privilégio, é dever institucional. O jornalismo, quando trata de temas de interesse público — como a gestão de um hospital sob intervenção municipal — não pode ser acossado por temores judiciais. A crítica pode ser dura, a linguagem pode ser forte, mas o conteúdo é protegido pela Constituição quando está lastreado em fatos e contexto de interesse coletivo.
Sei do que falo. Quando assumi a Procuradoria, tinha plena ciência de que minha figura passaria a ser pública. E como tal, estaria sujeita a elogios, sim, mas também a críticas algumas justas, outras nem tanto, algumas duras, outras até mal formuladas. Mas compreendi, com o tempo e com a leitura atenta, que mesmo palavras que inicialmente pareciam ofensivas, na verdade, faziam parte do processo legítimo de formação da opinião pública. Era notícia. Era crítica. Era jornalismo.
Essa é a democracia real. Aquela em que ninguém gosta de ser criticado, mas todos têm o dever de suportar a crítica quando ela é exercida dentro dos limites legais e constitucionais. O desconforto com a exposição pública não pode ser convertido em censura judicial. Especialmente quando se trata da fiscalização de serviços públicos, do uso de recursos públicos e da atuação de agentes públicos.
E aqui reside um ponto vital: o interesse público. Quando falamos de um hospital que presta serviços essenciais e está sob intervenção do poder público, estamos falando da saúde da população, do uso do dinheiro dos contribuintes, da responsabilidade de gestores. O direito da sociedade de ser informada sobre isso é absolutamente inegociável.
A decisão judicial reconheceu isso e fez a ponderação correta entre dois direitos fundamentais: de um lado, a honra e a imagem; de outro, a liberdade de informar, criticar e opinar. A jurisprudência brasileira e especialmente a do Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido clara: EM CASOS DE INTERESSE PÚBLICO EVIDENTE, A LIBERDADE DE IMPRENSA DEVE PREVALECER, DESDE QUE NÃO HAJA DOLO OU ABUSO CLARO.
Portanto, como cidadão, jurista, leitor e defensor da democracia, vejo essa decisão como um verdadeiro manifesto em defesa da imprensa livre. Ela protege o espaço da crítica, impede o uso distorcido do Judiciário como instrumento de censura e fortalece os pilares do debate público.
Em resumo: Quem exerce função pública deve estar preparado para a luz dos holofotes inclusive QUANDO ELA REVELA O QUE NÃO SE DESEJA VER. E quem defende a liberdade de expressão não pode fazê-lo apenas quando convém. A crítica jornalística não é confortável, mas é essencial. Silenciá-la é golpear o coração da democracia.
MAIS UMA BOMBA PREVIDENCIÁRIA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Criado no final de 2008 com o objetivo de ampliar a formalização de pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos, o contrato de Microempreendedor Individual (MEI), popularmente conhecido como “pejotização”, deve gerar um déficit de R$ 1,9 trilhão, nas próximas sete décadas, no já combalido Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Essa é a estimativa do economista Rogério Nagamine Costanzi, que em análise detalhada para o Observatório de Política Fiscal da Fundação Getulio Vargas (FGV) esmiúça por que o programa, por mais bem intencionado que seja, agrava o já tenebroso desequilíbrio financeiro da Previdência e carece de reformulação.
Como explica Costanzi, o que começou mal conseguiu ser piorado com o tempo. Num primeiro momento, bastava uma contribuição de 11% do salário mínimo e contribuições simbólicas para ICMS (R$ 1) e ISS (R$ 5) para que o MEI tivesse direito a benefícios tais como aposentadoria por idade, invalidez ou incapacidade permanente, pensão por morte, auxílio-doença (incapacidade temporária) e salário-maternidade. Contudo, uma medida provisória posteriormente convertida na Lei 12.470/2011 reduziu a já baixa alíquota de contribuição previdenciária para 5% do salário mínimo.
Na prática, criou-se todo um contingente de potenciais beneficiários, sem que houvesse correspondente aumento de receitas. O número de trabalhadores inscritos no programa saltou de 44 mil, no final de 2009, para cerca de 16,3 milhões no final de 2024, enquanto a participação do MEI no regime geral da Previdência subiu de 1,6% em 2011 para quase 12% em 2023.
Não bastasse o crescimento acelerado de beneficiários que contribuem muito pouco para desfrutar de uma série de direitos, Costanzi também chama a atenção para a forte inadimplência previdenciária dos “pejotizados”. Em 2023, apenas um em cada três MEIs contribuía para a Previdência.
Insustentável como está, o MEI pode, mais uma vez, mudar para pior. Debate-se no Congresso a possibilidade de se ampliar o teto do MEI dos atuais R$ 81 mil de faturamento anual para R$ 130 mil. O ministro do Empreendedorismo, Márcio França, entende que o teto atual está defasado e precisa ser atualizado.
Em tese, a ampliação do teto viria acompanhada de uma tabela progressiva de contribuição para a Previdência. Mas é difícil acreditar que Executivo e Legislativo cheguem a bom termo em relação a isso, não só porque vivem às turras quando se trata de responsabilidade fiscal, como porque já há no Congresso quem defenda elevar o teto do MEI para além de R$ 130 mil.
Não bastasse o efeito devastador sobre o sistema previdenciário, o MEI também está muito longe de promover aquilo para o que foi concebido: a formalização do trabalhador de baixa renda.
Ao cruzar dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2023 com o total de trabalhadores por conta própria com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), Costanzi estimou que “82,2% dos MEIs estavam entre os 50% mais ricos da população, considerando a renda domiciliar per capita, e apenas 17,8% estavam entre os 50% mais pobres”.
Trata-se de uma séria distorção de uma política pública que deveria oferecer proteção social àqueles que historicamente não contam com ela, caso de trabalhadores como vendedores ambulantes.
Na realidade, porém, o perfil do MEI é muito similar ao de um profissional com carteira assinada (CLT) com ensino médio ou superior completo e que, justamente por isso, não deveria ser objeto de políticas de proteção social quase não contributivas, como corretamente argumenta Costanzi.
Tudo isso deveria estar no radar tanto do Executivo, agora tão cioso do abismo entre ricos e pobres, quanto do Legislativo, que deveria resistir a lobbies que podem ampliar ainda mais os problemas do MEI.
Tal como está, o MEI é mais um exemplo de política pública que não cumpre, a contento, o objetivo de incluir quem realmente precisa de proteção social e, além disso, é estruturalmente inviável do ponto de vista previdenciário. Posto de outra forma, é uma bomba-relógio de amplo alcance.
O FARDO DOS JUÍZES DE PRETO, por Demétrio Magnoli, no jornal O Globo
Ao declarar a inconstitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, o STF conferiu poderes censórios ilimitados às plataformas de redes sociais. De agora em diante, elas terão a obrigação de excluir postagens que poderiam, hipoteticamente, ser definidas como ilegais por um juiz. Os juízes de capa preta imaginam-se regulando a liberdade de expressão de milhões de brasileiros. De fato, terceirizam a robôs decisões delicadas sobre crimes de palavra.
Um trecho do voto de Cármen Lúcia esclarece o argumento dos oito juízes que formaram a maioria:
— A censura é proibida constitucionalmente, mas não se pode permitir que nós estejamos numa ágora em que haja 213 milhões de pequenos tiranos soberanos. Soberano é o Brasil, soberano é o direito brasileiro.
Os cidadãos são, então, “pequenos tiranos” — bárbaros ou crianças irresponsáveis. Cabe ao “direito brasileiro” — ao soberano STF — conter a massa ignara, restaurando o primado da civilização.
A função precípua do STF é interpretar a Constituição. Luís Roberto Barroso, presidente da Corte, sonha com algo mais transcendental. Nas suas palavras, ao tribunal cabe um “papel iluminista” de, servindo à “causa da humanidade”, “empurrar a História”. Messiânico, almeja deixar como herança a “total recivilização do país”. Soberania popular? Executivo e Congresso escolhidos pelo voto? Não: os bárbaros — 213 milhões menos 11 juízes supremos — serão recivilizados ou reeducados pelos sábios da capa preta. Quem são, efetivamente, os tiranos?
Haveria fortes razões para a responsabilização das plataformas por conteúdos impulsionados ou monetizados, pois, no fim, é esse o fundamento da corresponsabilização dos veículos de imprensa. Mesmo tal iniciativa, porém, deveria partir do Congresso, não de uma interpretação judicial missionária da Constituição.
A alegação dos que defendem a intervenção do STF é que o Congresso nega-se a regulamentar a internet. Falso: o Marco Civil foi aprovado pelos parlamentares em 2014. Em sua sentença genérica e subjetiva, a maioria “iluminista” do STF emite um julgamento universal sobre todas as postagens — e criminaliza a mera opinião. Uma ilustração é a determinação de remoção de posts com “ataques à democracia”, um recipiente conceitual elástico em que é possível encaixar incontáveis conteúdos. Em tese, o crime poderia abranger frases recorrentes de Lula (celebrando a “democracia” venezuelana) ou de Bolsonaro (expressando saudade da ditadura militar).
Pela esquerda ou pela direita, quase tudo converte-se em alvo legítimo de proibição. Vale elogiar o sistema político cubano? E o tirano salvadorenho Bukele? A decisão, segundo os magistrados “civilizatórios” compete ao Google, à Meta, ao X ou ao TikTok — aos proprietários bilionários de empresas privadas estrangeiras. Eis aí o “soberano direito brasileiro” invocado por Cármen Lúcia.
Obviamente, guiados por seus escritórios de advocacia, as plataformas optarão pela via mais segura para seus negócios. Preventivamente, formularão algoritmos destinados a excluir qualquer coisa que possa, hipoteticamente, enquadrar-se nos extensos critérios de criminalização dos juízes iluminados. Tempos estranhos, de uma polarização política que conduz ao abandono de princípios básicos. Existem até jornalistas defendendo a censura robótica dos cidadãos comuns, agora qualificados como uma horda de bárbaros. O que dirão esses jornalistas cúmplices quando o impulso “recivilizatório” alcançar a imprensa profissional — eles mesmos?
Lá atrás, no século IV a.C., Platão profetizou que “até que os filósofos sejam reis, ou os reis e príncipes deste mundo tenham o espírito e o poder da filosofia, as cidades nunca terão descanso de seus males”. O sonho da República governada por filósofos, limpa das impurezas das massas incultas, é tão antigo quanto a pólis. Os oito cavaleiros andantes da censura nas redes o retomam, mas de um jeito bem ibérico, pelo qual os juízes de capa preta declaram-se filósofos e assumem o fardo de “recivilizar” a plebe de “pequenos tiranos”.
PROUNI REVELA MAIS UMA ESTATÍSTICA DO ATRASO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
O Ministério da Educação divulgou a lista de ofertas de 211 mil bolsas de estudo do Prouni em faculdades particulares. Encabeçam a relação os cursos de Administração (13,8 mil vagas), Direito (13,2 mil), Pedagogia (11,3 mil) e Educação Física (9 mil).
Atrás vêm 8,2 mil bolsas para estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Engenharia Civil (8,6 mil). Disso resulta que algum dia o ProUni terá produzido 22 mil advogados ou professores de Educação Física e 16,8 mil engenheiros civis e desenvolvedores de sistemas. Tudo bem para quem sonha com um país de gente litigante e musculosa.
O Censo de 2022 mostrou que o Brasil tinha 2,5 milhões de advogados para 518 mil engenheiros. A China tem 6,7 milhões de estudantes de Engenharia, número superior aos quatro milhões de brasileiros matriculados em toda a sua rede de ensino superior, pública e privada.
O Prouni é uma das joias da coroa do governo Lula 1.0 e, em 20 anos, beneficiou 3,4 milhões de estudantes. Ele se compara, em ponto menor e com critérios diferentes, à legislação GI Bill do presidente Franklin Roosevelt. Essa iniciativa bancou as matrículas em universidades dos soldados que serviram na Segunda Guerra Mundial. Beneficiou 25 milhões de jovens, entre os quais dois futuros presidentes (Gerald Ford e George Bush I). Deveu-se à GI Bill o surgimento de uma poderosa classe média nos Estados Unidos.
Quando a GI Bill começava a dar seus frutos, o presidente Getulio Vargas criou em 1950 o Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o ITA. Era um tempo de sonhos, e esse era o projeto do brigadeiro Casimiro Montenegro. O ITA produziu gerações de engenheiros, a Embraer e o polo industrial de São José dos Campos.
Felizmente, Lula 3.0 criou um campus do ITA em Fortaleza, mas os números dos cursos de Engenharia do Brasil apontam para um país que marcha em direção ao atraso. Ninguém pode obrigar um jovem a ser engenheiro ou a entrar no mundo da computação, mas é possível incentivá-lo. Nesse aspecto, o governo faz menos do que é preciso e a iniciativa privada pouco faz. Deixando-se de lado a China que a cada dia faz mais, os Estados Unidos viraram um colosso porque, entre outras coisas, no século XIX, seus empresários criaram institutos de tecnologia na Califórnia e em Massachusetts.
TRUMP SAIU DO TEATRO
No início de junho, de caso pensado ou não, o presidente americano Donald Trump pôs sua marca na diplomacia internacional. Abruptamente, ele deixou a reunião dos chefes de Estado do G-7, no Canadá, e voltou para Washington, onde precisava cuidar da vida.
O G-7 reúne Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Japão e a União Europeia. Suas reuniões ecoam as conferências de Yalta e Potsdam, de 1945, quando os Três Grandes — Franklin Roosevelt (EUA), Winston Churchill (Inglaterra) e Stalin (União Soviética) — redesenharam o mapa da Europa.
Passou o tempo, os Três são sete e as reuniões de chefes de Estado viraram arroz de festa, dando aos governantes agendas irrelevantes, jantares e fotografias. Pior: aqui e ali realizam-se reuniões da cúpula disso ou daquilo.
Na semana passada reuniram-se em Buenos Aires os chefes de Estado do Mercosul. Mal ela terminou, começou no Rio a reunião de cúpula dos Brics. Deveria reunir os chefes de Estado de 28 países, entre os quais estariam a China, Rússia, Egito, México e Turquia. Os governantes desses países e mais uns dez anunciaram que não viriam à reunião. Como Trump, ele têm mais o que fazer.
O teatrinho das reuniões de cúpula pode estar ainda na moda.
OS GOLPISTAS NO PLENÁRIO DO STF
Pelo andar da carruagem, o ministro Alexandre de Moraes poderá dar um jeito para que as condenações dos envolvidos pela trama golpista de 2022/23 acabem confirmadas pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.
Na Primeira Turma, onde votam cinco ministros, a descida da lâmina é coisa certa. Para não ficar dúvida, o caso irá ao pleno, com seus 11 votos.
REAÇÃO JECA
Lula 3.0 reagiu a um artigo da revista The Economist com uma carta do chanceler Mauro Vieira falando bem de Lula, na qual afirmou que sua “autoridade moral” é “indiscutível”. Indiscutível não é, tanto que a revista discutiu-a.
Cartas desse tipo são coisas de jecas e quase sempre sopradas pelo Palácio do Planalto, afagando o ego dos presidentes. (Uma seleta das cartas de chanceleres e embaixadores brasileiros defendendo a ditadura fazem vergonha ao Itamaraty.)
A reação epistolar mostra que Lula 3.0 acalmou-se em relação ao Lula 1.0. Em 2004 ele reagiu a um artigo do correspondente do New York Times Larry Rohter cancelando seu visto de permanência no Brasil.
Salvou-o do vexame o ministro Márcio Thomaz Bastos, que estava na Suíça e apagou o incêndio ao retornar a Brasília.
O PATRONO DAS FAKE NEWS
Enquanto o Brasil procura um caminho para controlar a circulação de notícias falsas nas redes, um curioso listou a relação de Pindorama com a propagação de fake news.
O Brasil fica na América, continente batizado por um cartógrafo alemão em homenagem ao Américo Vespúcio. Como se sabe, quem primeiro chegou ao Novo Mundo foi Cristóvão Colombo, em 1492. Vespúcio só passou por aqui nove anos depois. Enquanto Colombo acreditava que tinha chegado à Índia, ele percebeu a massa continental da América do Sul.
Vespúcio esbaldou-se com a narrativa de suas passagens pela chamada Terra dos Papagaios, a partir de 1501. Descreveu a costa do Brasil em cartas que viraram um livro, o “Mundus novus”, traduzido em pelo menos sete idiomas com cerca de 60 edições. Inventou (ou alguém inventou em seu nome) que viu leões, ursos e gigantes. Disse que por aqui as pessoas viviam até 150 anos.
Naquele paraíso terrestre do navegador florentino, os nativos “não fazem nenhuma troca ou comércio para comprar ou vender, bastando-lhes o que a natureza oferece: desprezam ouro, pedras preciosas, joias que na Europa consideramos riquezas.”
BACELLLAR TEM PRESSA
Pelos seus planos, o governador do Rio, Cláudio Castro, deixa o Palácio Guanabara, candidatando-se ao Senado, entre fevereiro de março de 2026.
Pelos planos de seu substituto, o deputado Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia, ele deverá renunciar em dezembro.
Bacellar é uma das vigas mestras de Jair Bolsonaro na política fluminense.
ORÇAMENTO MILITAR
Durante a campanha eleitoral, Lula prometia aos militares uma política de investimentos nas três Forças e de dinamização da conturbada indústria de defesa nacional. Passaram-se mais de dois anos e as restrições orçamentárias deixaram as promessas no papel.
Os militares aceitam viver com pouco dinheiro, mas seus brios profissionais são feridos quando congelam-se iniciativas modernizadoras para seu reequipamento.
É FRAUDE, É ROUBO, É A FALTA DE SEGURANÇA, por Celso Ming, no jornal O Estado de S. Paulo
As pessoas sentem medo por falta de segurança. É fator que explica a origem do estado, como ensinou Thomas Hobbes. Quando não oferece segurança aos membros da tribo ou aos cidadãos dos seus países, o estado entra em crise.
O mundo mudou, o Brasil mudou. Política de segurança pública não é apenas prender bandido ou impedir a invasão de piratas ou de potências inimigas fronteira adentro, como no passado. São os efeitos dessa transformação que o governo Lula parece não levar em conta.
Nesta primeira semana de julho, o noticiário apontou um ataque hacker que desviou cerca de R$ 800 milhões do sistema que liga bancos ao Pix. Foi o que se soube. E o que acontece e a gente não fica sabendo?
As tentativas de fraude aumentaram 21,5% nos três primeiros meses de 2025, na comparação anual, para 3,4 milhões de casos – um a cada 2,2 segundos, apontam dados da Serasa Experian. São centenas de milhares de manobras ilícitas pelas quais os fraudadores invadem contas correntes bancárias para surrupiar recursos ou forjar empréstimos não requeridos.
É enorme a facilidade com que os criminosos utilizam engenharia social para driblar a segurança dos sistemas digitais e transferir recursos para contas laranja. Todas têm endereço, CPF cadastrado, número de conta bancária e tal. Mas as autoridades não mostram disposição para devassá-las e coibi-las.
Quem já não foi vítima de roubo de celular? Grande parte dos aparelhos é rastreável. De vez em quando, a polícia estoura depósito com milhares de aparelhos roubados. As devoluções são insignificantes.
Em relatório recente, a Interpol denunciou o aumento do tráfico de pessoas para exploração em centrais especializadas em golpes digitais.
O PCC, o Comando Vermelho e outras organizações criminosas estão infiltradas em praticamente todos os setores da economia. Como financiam campanhas, assumem secretarias de pequenas e grandes cidades. Lavam dinheiro, contrabandeiam armas, comandam o narcotráfico e, pior que tudo, criam um poder paralelo que sabota o estado. A disseminação da Inteligência Artificial facilitou em grande escala a execução desses crimes, porque permite imitação de voz e cópia de traços faciais.
O governo Lula já vinha convivendo com uma dificuldade original. Entendia que a principal origem da insegurança era a condição de pobreza e de desigualdade. Daí porque, conclui esse tipo de raciocínio, a prioridade é combater a pobreza e não a bandidagem. Continua sem saber como lidar com os desvios da era da tecnologia digital. Por isso, se omite diante do alastramento da insegurança pública – e vai perdendo votos.