Este texto foi revisado e ampliado às 18h18min deste 09.03.2026. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, desde antes da sua indicação oficial como candidato a prefeito de Gaspar em 2024, vinha flertando – como Pedro que negou conhecer Jesus – com o perigo. Falta de sinais e advertências, não faltaram. Paulo, eleito e se achando imune, preferiu os embalos de gente que mais parece o querer exposto do que realizador.
Este teimoso e continuado flerte se tornou, outra vez, um problema anunciado na sessão de terça-feira passada da Câmara, quando um aliado da campanha, mas que não serviu mais no mandato, o vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil (foto abaixo), resolveu apenas fazer um dos papéis básicos de um vereador, o de fiscalizador do Executivo.

O vereador Thimoti entornou o caldo com o próprio veneno que Paulo – e seus palanqueiros de oportunidade – arrumou para os adversários que bem derrotou com 52,98% dos votos válidos naquele outubro de 2024.
Uma CPI, a do capim seco (foto de abertura), foi criada como espetáculo – daquilo que já estava bem apurado na polícia especializada contra a corrupção, de Blumenau – para ser uma cortina de fumaça às queixas dos eleitores e eleitoras pela falta de números, ações e resultados e que um ano e três meses depois, ainda não se tem à bancada bolsonarista na Câmara – a um custo aos gasparenses de mais de R$100 mil de despesas, sendo a metade disso, com uma empresa de consultoria para conferir as medições e cobranças irregulares das roçadas no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.
Com a métrica e método da consultoria e da CPI, o vereador Thimoti causou um mal estar e até, uma “surpresa” à base governista e principalmente, à líder de governo, a policial e relatora da CPI, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Mostrou que em menor proporção, e com outra empresa contratada pelo novo governo, tudo continuava o mesmo: errado. Espantoso.
FALTA DE FARO OU NARIZES TAMPADOS?

Volto ao título. Investigadores, repórteres e políticos, entre outros, mas principalmente neste quadro de análise, precisam de faro para se diferenciarem na mediocridade de seus pares e com isso, serem reconhecidos.
O investigador de fama Paulo (foto ao lado), a política-policial Alyne e os escolhidos a dedo para a proteção do governo – incluindo os que tinham a obrigação de fiscalizar estes relatórios e pagamentos, pois sabiam que tinham mexido com um ninho de maribondos de fogo quando armaram a CPI -, falharam neste básico cautelar. Impressionante.
Eu sabia deste assunto na semana anterior da denúncia. E, preventivamente, aguardava os documentos e não apenas dicas de números e fatos que terceiros me passaram.
Ora, se eu sabia disso, é impossível que Paulo, o investigador de fama de mais de 30 anos e o seu entorno de confiança que ele nomeou para lhe proteger no governo, não sabiam. Igualmente, a líder de governo que frequenta a Câmara onde este assunto já tinha subido no telhado.
REAÇÃO TORTA

A melhor reação veio no calor da denúncia em plenário.
Os vereadores do PL que se manifestaram, constrangidos e sem outra alternativa diante dos documentos, reafirmaram – e não poderia ser diferente – a busca de esclarecimentos e punições a quem tiver responsabilidade nos fatos relatados e documentados por Thimoti.
A líder do governo, Alyne, ao final da sessão, transmitiu a mesma posição de Paulo. Os “novos” governistas do PP, calados (José Hilário Melato, presidia a sessão na saída antecipada de outro governista, Ciro André Quintino, MDB).
Mas, o governo Paulo – e sua comunicação torta que está na terceira titular em um ano e três meses de governo – apostou no esquecimento do assunto. E diante da pressão que tomava conta cidade via redes sociais e principalmente aplicativos de mensagens, não restou outra alternativa e Paulo apareceu na sexta-feira no jornal matinal da 89 FM comandado pelo dono dela, Joel Reinert e o repórter Paulo Flores.
Outra vez, Paulo estava soltando fogo pelas ventas, como se ele fosse vítima e não parte do problema. Se dizia limpo no passado e presente.
Ora, isto não está em discussão neste momento e ninguém ousou colocar a honra de Paulo em jogo, mas a correção de um erro, ou algo pior: a perpetuidade do erro. Simples assim! Paulo quer punição, o que é certo, mas tardia, pois era evitável, e na comunicação pouco clara, deixa transparecer vingança, incluindo aos que divulgam ou cobram soluções do seu governo. E é aí que começa outro erro.
Paulo, precisa entender e principalmente, compreender, que ele foi desmoralizado não por adversários, mas por aliados que ele descartou – por agir com o fígado e por maus conselhos e péssimas avaliações táticas – e dentro do próprio governo que permitiu este – e tem muitos outros – erro, o qual a cidade já tinha rejeitado amplamente nas urnas em outubro de 2024, quando o elegeu. Inacreditável.
PAULO PRECISA REINVENTAR O GOVERNO

Na entrevista à 89 FM, Paulo disse que ficou indignado por não ter recebido antes no gabinete dele estas denúncias para que ele próprio tomasse as providências que o caso exige.
Cômico. Lembram-se do piti da secretária de assistência Social, Neusa Pasta Fillizeti? Pois é. O piti dela deu resultados para ela. Espera-se que o piti da roçada denunciado pelo vereador Thimoti – um braço político do alijado vice-prefeito, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, também promova mudanças urgentes e que estão na cara de todos em Gaspar, em todo o governo e para Paulo, principalmente.
Investigador, repórter e político que se preza, precisa sentir o faro.
Quem fechou o gabinete do prefeito? O próprio Paulo. A própria líder do governo, Alyne, policial há 28 anos, diz – em plenário e está gravado – que não tem acesso ao gabinete e informações, imagina-se outros vereadores.
A reclamação é igual de outros vereadores da base governista bolsonarista. Imagina-se aos adversários. E em coisas que deviam estar explícitas, atualizadas no Portal da Transparência e que é um deboche sem par para a cidade e seus cidadãs e cidadãs pagadores de impostos. O gabinete embarriga vergonhosamente nos prazos e conteúdos os requerimentos com pedidos de informações dos vereadores e mesmo assim na entrevista Paulo fala em canal aberto e transparência? Credo!
E a quem entregou Paulo a chave do gabinete dele? A Pedro Inácio Bornhausen, PP, ex-chefe de gabinete de Kleber Edson Wan Dall, MDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP. Pode não ser, mas é o melhor sinal de continuidade do atraso. Isto é imagem. Isto é percepção. A cidade inteira acha que isso é dessa forma e proposital.
E é Pedro (foto ao lado) quem comanda, em nome de Paulo, com o grupo de Blumenau, indicado pelo ex-prefeito de lá, e secretário estadual de Defesa Civil e Proteção, candidato à Assembleia Legislativa, Mário Hildebrandt, PL, um núcleo duro de decisões com Michael Jackson Schoenfelder Maiochi (Planejamento Territorial) Júlio Augusto de Souza Filho (Procuradoria Geral) e Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha (Fazenda e Gestão Administrativa) onde tudo é decidido, sem que haja qualquer integração intra-equipe, minimamente obrigatória em qualquer gestão, seja ela pública ou privada. Tudo trava. Tudo é segredo.
É aí que está o nó górdio. Aliás, já expliquei o que é isto e como se resolve, ou na mitologia, foi resolvido.
Paulo perdeu o faro, ou tamparam o nariz dele. A exposição e demissão (“a pedido”) do empresário gasparense idôneo Nelson Mário Küstner, da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, foi o sinal trocado que levou a este – denunciado por Thimoti – e outros erros que ganharam os ouvidos e narizes da cidade.
O corte da cabeça de Nelson salvou de responsabilidade um processo viciado que se fazia ao tempo de Kleber, que não construído por Nelson, mas avalizado como “sempre foi feito assim”. Nelson foi instruído e levou a culpa sozinho. E Paulo, não fez até agora, à assepsia dos verdadeiros culpados. Continua, por isso, vulnerável. E vem mais.
Se Paulo insistir naquilo que já o expôs, de forma repetida e tentar se vingar em quem esclarece tudo isso, o novo escândalo já está contratado. Quem mesmo orienta Paulo, ou ele não se deixa orientar? Investigador, repórter e político precisam de faro para sobreviverem e se livrarem das mesmices. Muda, Gaspar! Boa semana a todos.
TRAPICHE
Deboche. A publicação pessoal do sub-secretário de Fazenda e Gestão Administrativa de Gaspar, André Moura da Cunha, sobre esta semana de desafios, dá o tom dos importados do governo de Paulo Norberto Koerich, PL.
Não chamem para a mesma, os amigos de partido e tramas políticas, o presidente do Samae (funcionário efetivo) e ex-vereador, Cicero Giovane Amaro, PL (estava no PSD) e o presidente do PSD, o vereador Giovano Borges.
Saiu, finalmente, há dez dias da comemoração dos 92 anos de emancipação de Gaspar de Blumenau, a programação. Pobrinha. Reflete um ano de governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Sintomático.
Treta. A secretaria de Obras e Serviços Urbanos informou aos vereadores que se interessaram pelo assunto, de que a contenção de enchentes do Sertão Verde não possui projetos e verbas. Projeto, pode até não ter e isto reflete um problema comum e recorrente. Verba? pelo menos R$400 mil arrumados pela vereadora Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos. Muda, Gaspar!
5 comentários em “INVESTIGADOR, REPÓRTER E POLÍTICO PRECISAM DE FARO PARA SE DIFERENCIAREM DA MEDIOCRIDADE NO QUE FAZEM. SE TAMPAM OS NARIZES, CORREM O ALTO E SÉRIO RISCO DE SEREM PARTE DO MAU CHEIRO”
Investigador ou garganteador?
Assédio moral tá perto heim
E Melhor é ver os vereadores tik tok tendo que fazer propaganda comercial da loja da esposa, da pitaya, da cascata, do bar.
Por que não tem resultados para mostrar e não podem fiscalizar. E ficam chateados com os que estão fiscalizando. E se dizem contra a corrupção, de direita.
VORCARO PRESO; AS INSITUIÇÕES FUNCIONAM, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
A foto de Daniel Vorcaro — sem barba, cabelos aparados, visto de frente e de perfil — divulgada pela polícia é a prova de que as instituições estão funcionando. O homem elegante que esbanjava luxo, riqueza e ostentava ligações com autoridades dos três Poderes está isolado numa cela de 9m2, num presídio federal de segurança máxima em Brasília. Sua rede de negócios fraudulentos foi desmantelada, capangas e cúmplices estão presos.
Não foi sem percalços. Numa democracia, num Estado de Direito, os cidadãos e a própria sociedade têm sempre acesso a um último recurso, os tribunais. Ocorre que estes podem falhar — e vinham falhando até a quarta-feira da semana passada, quando Vorcaro foi preso pela segunda vez, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Este último desenvolvimento do caso decorreu do funcionamento da outra instituição da democracia, a imprensa independente, que revelou fatos graves até então mantidos sob sigilo por certas autoridades. Essas autoridades continuam em seus postos — e esse é o nó a desfazer.
O que a polícia e os órgãos de fiscalização apanham segue para os tribunais. Nestes, há um percurso passando pelas várias instâncias, e sempre é possível que os equívocos (ou a má-fé) de umas sejam corrigidos pelas superiores. E aí caímos no Supremo, de onde não há mais recursos. Quando o STF erra — como se diz —, erra por último. Pode acontecer de o próprio STF se corrigir — o que ocorreu nesse caso, parcialmente e por obra da imprensa.
Sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, o sigilo era regra. Ele tomou várias medidas que embaraçaram as investigações da Polícia Federal (PF), dificultando seu acesso a celulares de Vorcaro que a própria PF havia apreendido. Até que a imprensa encontrou as relações de Dias Toffoli com Vorcaro. O ministro, por meio de uma empresa laranja, a Maridt, havia recebido dinheiro de Vorcaro, indiretamente. Toffoli havia vendido sua participação no resort Tayayá a um fundo ligado a Vorcaro, num tipo de transação para não deixar rastros.
O ministro Gilmar Mendes ainda tentou salvar o companheiro, pondo sob sigilo as atividades da empresa Maridt. Piorou a situação. Mostrou que havia algo a esconder. A posição de Toffoli tornou-se insustentável. Havia dois caminhos: ele declarar-se impedido de relatar e julgar o caso; ou o próprio STF declarar esse impedimento.
Corporativistas, os ministros saíram pela tangente. Toffoli se afastou do caso, mas recebendo uma nota de bom comportamento dos colegas. Redistribuído, o caso caiu no gabinete do ministro André Mendonça, que devolveu a investigação à PF, sem restrições — e aí tudo andou mais depressa.
E colocou na berlinda mais um ministro do STF, Alexandre de Moraes. Ele já estava complicado desde que a jornalista Malu Gaspar, do GLOBO, pescou um contrato do Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Fora de todos os padrões da advocacia, o Master se comprometeu a pagar R$ 130 milhões, em três anos, para que o escritório tratasse das questões do banco nos tribunais e em diversas instituições, como o Banco Central.
Procurando nessas instituições, a jornalista não encontrou uma só peça do escritório atuando na defesa ou na assessoria do Master. Mas, tendo acesso ao teor de um celular de Vorcaro, encontrou várias trocas de mensagens entre o ex-banqueiro e, segundo a jornalista, Alexandre de Moraes.
A PF apanhou as mensagens de Vorcaro. São nove mensagens trocadas ao longo do dia 17 de novembro, data da primeira prisão de Vorcaro. Na penúltima mensagem, o ex-banqueiro, que tentava se livrar da prisão que sabia iminente, pergunta:
— Conseguiu bloquear?
Na última, diz montar uma operação de venda “com os gringos” para tentar evitar a liquidação de seu negócio. A resposta deixa uma pista: um sinal de positivo, um joinha.
Moraes, como Toffoli, faz parte da última instância. Têm explicações a dar. Na sexta-feira à noite, Moraes divulgou nota dizendo que ele não era o destinatário das mensagens de Vorcaro. Não encerra o caso. No mínimo, tem o contrato milionário para explicar.
STF E AS ALMÔNDEGAS, por Diogo Schelp, no jornal O Estado de S. Paulo
Em dezembro de 2021, Ann-Christine Lindeblad, juíza da Suprema Corte da Suécia, foi flagrada tentando sair de um supermercado, sem pagar, com um pacote de almôndegas, um presunto natalino, salsichas e queijos. Foi aberta uma investigação policial e, menos de dois meses depois, Lindeblad renunciou ao cargo que exerceu por quase vinte anos. Posteriormente, ela foi punida com multa (uma decisão anterior da própria Suprema Corte considerou de menor gravidade furtos a lojas com valores abaixo de 1.250 coroas suecas, algo como R$ 710).
O episódio das almôndegas, um escândalo raro na Suécia, foi tratado com transparência e sem a condescendência dos colegas de Lindeblad. Essas são características comuns nos tribunais superiores dos países escandinavos – e a maneira como elas são reforçadas por códigos de conduta e por mecanismos de prestação de contas poderia servir de inspiração para o nosso Supremo Tribunal Federal (STF).
A credibilidade da corte brasileira vem sendo abalada por sua própria “almôndega”: uma mistura composta por transações comerciais, viagens em jatinhos, honorários milionários para familiares e supostas trocas de mensagens informais com um investigado, formando um bolo cuja liga é dada por um único ingrediente, o Banco Master. No centro da crise estão dois ministros do STF. É cedo para tirar conclusões sobre suas relações com o banqueiro Daniel
Vorcaro. Não há dúvida, porém, de que faltou transparência por parte deles e sobrou complacência de seus pares.
Dois exemplos vindos da Noruega poderiam ajudar a evitar situações como essa. O primeiro é a exigência de que todos os juízes, inclusive os da Suprema Corte, divulguem suas atividades paralelas em um registro público de empregos secundários. Ali, descobre-se de quais associações e conselhos os magistrados fazem parte, em que empresas aparecem como sócios ou investidores e quando recebem pagamentos por qualquer trabalho extra, como cursos, arbitragens e edições de livros. O segundo é o “dever de intervenção”, contido no 15.º princípio ético da Associação de Juízes do país, segundo o qual o magistrado que tome conhecimento de um desvio de conduta cometido por um colega “deve tratar do assunto de forma apropriada e intervir se a violação for significativa”.
O Brasil está longe de ser uma Suécia ou uma Noruega, mas a transparência total e o desestímulo ao corporativismo são dois bons pontos de partida para a recuperação da imagem do STF.
Bom dia.
As verbas de deputados e vereadores são papelinhos servem só pra fazer pipa em período eleitoral.
Ano retrasado a mesma vereadora Mara apareceu com PAPELINHO pra fazer uma UBS no Bateias.
Nem um telhado pra proteger a fila dos pacientes da UBS do Barracão foi erguido..
Igual também o PAPELINHO do vereador Ciro e o seu deputado Jerry Comper,
pra cobertura da quadra da Escola Marina Leal, no Barracão.
Essa fotografia já tá até AMARELA e nada da cobertura chegar.
Será que quebrou o caminhão e não tem peça pra REPOSIÇÃO?
Tem horas que penso ser os políticos o CÂNCER da Nação…😥
Olha, esta definição é muito próxima do diagnóstico real. Mas, o remédio e o veneno somos nós, com os nossos votos. Mas, parece que também somos parte desse câncer e que se agrava celeremente. É só olhar para Brasília onde esta doença maligna saiu do ambiente político e contaminou a Justiça, a que justamente deveria nos proteger e nos ajudar na erradicação do mal pela aplicação, pura e simples da lei, do devido processo legal, que ela Justiça, ignora ou subverte para os seus.