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FAZ O “P”. KLEBER SAIU DO GOVERNO NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE 2024. NÃO FEZ SUCESSOR.  QUASE DOIS ANOS DEPOIS,  TEM GENTE QUE ACHA QUE PIOR DO QUE ESTAVA NÃO PODIA FICAR. E FICOU.

Bastou uma chuvarada mais forte na madrugada de terça-feira e outra na desta quarta-feira para que os mesmos problemas de anos em Gaspar, agravados pela falta reiterada de manutenção e prevenção, aparecessem. E a população correu para as rádios, redes sociais e aplicativos de mensagens em ampliadas queixas e acusações.

Enquanto isso, está cheio de político na praça vestido de candidato e ilusionista em soluções que nunca chegam de fato ao cidadão e cidadã. Um de Florianópolis, com diária do povo, falando pelas redes que está preocupado. E aqui, seus eleitores e eleitoras, com água pelas canelas, quando não dentro de casa e pelas canelas. Não se sabe se o político está com a cidade ou com os votos. Eles já eram minguados e podem estar sendo dragados para os apoiadores da atual gestão – os originários e os que se agregaram achando que estavam abraçando uma nova onda favorável – se os fatos não mudarem urgente. E urgência não é uma palavra que está, por enquanto, no dicionário de Paulo Norberto Koerich, PL.

Se tantas e todas essas reclamações são públicas, mas principalmente antigas, nota-se por outro lado, que a paciência está no limite e por isso, o próprio eleitor e eleitora de Paulo, do bolsonarismo e do PL já perdeu o medo da autoridade gestora. E por quê? Porque é uma realidade que não se resolve de verdade, que traz não só insatisfação, mas prejuízos reais ao cidadão, cidadãs, empreendedores e por quem tem a obrigação trazer a solução. Um gasparense da gema, atingido pelo alagamento, arrependido no voto me disse: “resta-nos fazer o P”, numa alusão ao “L” de Lula, quando se quer mostrar como uma gestão trabalha contra a própria sociedade. A que ponto chegamos!

A DEFESA CIVIL É CULPADA? SERÁ?

Também o que queriam os eleitos, importando tanta gente enlameada em casos de corrupção em Blumenau, ou que para andar em Gaspar só faz isso com GPS, daria em que resultado, mesmo? Os políticos à cata de votos estão expiando a sua própria indecência, colocaram um bode na sala e estão culpando a Defesa Civil de Gaspar e talvez São Pedro, o nosso padroeiro, que serviu de pano de fundo neste final de semana para os políticos se fartarem de santos.

Vamos tirar o Santo dessa estória para boi dormir. Milagres até acontecem, para quem acredita e possui fé. Mas, não para os reiteradamente relapsos. A Defesa Civil é um ente  técnico acessório, normativo e coordenador de ações. Não é o executor. Diante disso, falham, clamorosamente, a secretaria de Obras e Serviços Urbanos, a secretaria de Agricultura e Aquicultura (a maioria das valas são de sua reponsabilidade mantê-las limpas e desobstruídas, a secretaria de Planejamento Territorial, a secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, a chefia de Gabinete do Prefeito e o tal grupo de decisão que Paulo criou para terceirizar e lavar as mãos das decisões que deveriam ser dele.

Nem reunião dos secretários para todos falarem a mesma linguagem e elegerem as prioridades acontece. São raras desde que Paulo Norberto Koerich, PL, tomou posse. E quando se faz, todos saem dela, brigados, desconfiados e salvando a própria pele. Nas secretarias, os comissionados estão amedrontados e “cansados”. Não há perspectivas de entregas reais. Não há objetivos claros. Os efetivos assistindo algo que nunca viram antes, mesmo em períodos bem “quentes”, como os de Adilson Luiz Schmidt (2005/08), eleito pelo MDB, que já esteve com Paulo no PL, mas está bem longe disso tudo.

A Defesa Civil liberou desde meados do ano passado a limpeza de 95 quilômetros de valas e ribeirões. Foram feitos até agora, algo em torno de 15 quilômetros. Também listou 90 pontos de recorrentes alagamentos por diversas origens, mas a maioria solucionáveis por simples desentupimento e desobstrução, ou avaliação para dimensionamento tubular ou estudos.

No Obras e Serviços Urbanos, mesmo com a troca de secretário, tudo para. As vezes, até por falta de operador de máquinas recém compradas. O Planejamento Territorial não faz os projetos. E a secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, quando o Planejamento funciona, ela trava na burocracia de licitações, concorrências etc.

E a culpa é da Defesa Civil? É de São Pedro? Ou dos adoradores de santos e festas de igrejas votados ou contratados para encontrarem soluções à cidade, cidadãos e cidadãs. Falta um elo de coordenação. Ou seja, no fundo, falha o prefeito e seu chefe de gabinete. E mais. A chuvarada, por falta de manutenção e prevenção, aumenta ainda mais os problemas decorrentes dela. Andar por algumas partes mal asfaltadas de Gaspar virou um problema sério.

Até uma comporta no Bela Vista “travou”, porque um cabo de aço, com dois anos de uso, rompeu. Ninguém viu que ele estava sendo carcomido pelo tempo, e agora, por uma desconfiança de que a vala que a comporta trava, é um coletor de químicos que desembocam no Rio Itajaí Açú e aceleraram o processo de desgaste do suposto aço? Meu Deus!

Com a palavra Paulo Norberto Koerich, PL. Quando chegar os possíveis danos do “El Niño”, a coisa será bem mais complicada. E a eleição do pessoal que vive de discursos fantasiosos, estará bem mais comprometida. Ontem à noite, estavam todos nervosos na Câmara. Eles sabem aonde isso vai doer em outubro deste ano. Pois esse pessoal é parte do problema, não por ser a causa, mas por não dar a solução que prometeu e todos acreditaram nessas promessas. Resta fazer o “P” uma letra que pode bem comportar outros adjetivos e substantivos. Impressionante. E tão cedo. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Até Nossa Senhora do Perpétuo Socorro desistiu de nós. Hoje, começa a ser reescrita – e espero sinceramente por isso além da simples troca de nome na fachada – pois acompanho este drama desde 1983 quando o conselho num Natal passava o pires para o 13º dos funcionários, um fato recorrente – a história do Hospital de Gaspar criado pelo filantropo mais visionário que Gaspar já teve: o alemão Frei Godofredo. Há marcas visíveis e incontestáveis da coragem, resoluções e entregas dele para a sociedade gasparense.

O hospital passa a ser chamado de Hospital Santo Antônio, de Gaspar, uma filial, do bem recomendado, do que deu a volta por cima, o Hospital Santo Antônio, de Blumenau, uma referência nacional. Espero, que a gestão afaste os políticos e principalmente a politicagem. De que a gestão e eficiência sigam a eficiência técnica no âmbito clínico, inovação, atendimento, administrativo e financeiro. Haverá dores.

O lixo é um caso sério. Trocou-se de empresa. Inventou-se o saco amarelo. No final, o lixo está indo para bueiros, valas e ribeirões, obstruindo complicando ainda mais o que já está complicado. Vergonha.

A comunicação em Gaspar é outro fator que trabalha contra a própria administração. Ela não chegou no século XXI e na  Inteligência Artificial. Está como nos tempos de Gutemberg. Gaspar tem um aplicativo Alerta Gaspar. Poucos sabem e poucos usam. E perguntar não ofende: o que é feito do R$1,7 milhão tirado da Expofeira que iria para as ações de mitigação do El Niño? Transparência zero. Uma marca do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, e do amoitado vice, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos. Muda, Gaspar!

Pois é. O pessoal das Águas Negras começa a entender a razão pela qual o empreendimento imobiliário de ricos de lá se chama em língua estrangeira Seehauss. O lago (tradução de See do alemão) fica com eles. E a Haus (tradução para casa ou lar do alemão) com os que vão morar lá no condomínio. Isto sempre foi tema aqui. O lago de problema está fora do empreendimento. E isto sempre irritou os empreendedores, os políticos e os corretores. A chuvarada destes dois dias, mostrou porque esta gente toda está ouriçada com o espaço deste blog.

Um caminhão coletor de esgotos não venceu o morro do Hospital. Empacou e derramou parte da fedida e poluída carga que foi dar nas ruas, bueiros e ribeirão. Houve quem dissesse que se tratava do descarrego do último dia de gestão do Hospital de Gaspar pelos gasparenses. Tomara.

Perguntar não ofende. Flavio Bolsonaro, PL, vai se eleger presidente só com os votos dos homens “alfa”? Copio uma observação de Carlos Tonet, de Blumenau. “É impressionante como a máquina de assassinar reputações do bolsonarismo parece ter mais prazer em atacar e trucidar os seus do que os adversários de esquerda

O bolsonarismo pode estar ficando órfão. Não possui projeto de Brasil. Fingiu ser de direita, de conservadorismo e principalmente do antilulismo. É projeto de poder de uma família. Mas, muito estranha. A atual mulher de Jair Messias Bolsonaro, PL, a Michelle, não é da família. Está evidente. E não precisa entender de política. Com a palavra as bolsonaristas catarinenses eleitas. Meu Deus!

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22 comentários em “FAZ O “P”. KLEBER SAIU DO GOVERNO NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE 2024. NÃO FEZ SUCESSOR.  QUASE DOIS ANOS DEPOIS,  TEM GENTE QUE ACHA QUE PIOR DO QUE ESTAVA NÃO PODIA FICAR. E FICOU.”

  1. BENJAMIM FRANKLIN VEM POR AÍ, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    Ontem, há 250 anos, o Ocidente começou a percorrer uma de suas maiores mudanças. Reunidos na pequena cidade de Filadélfia (menos de 40 mil habitantes, como o Rio, enquanto Beijing tinha 1 milhão), representantes das 13 colônias inglesas da América do Norte assinaram a Declaração da Independência de um país que viria a se chamar Estados Unidos da América. Naqueles dias, não sabiam quantos eram, como ganhavam a vida, nem se poderiam ser autossuficientes. Eram mais ricos, mais altos que os europeus (de 5 a 8 centímetros) e mais férteis.

    Hoje esse é um texto sacralizado, mas só começou a ser festejado depois de 1812.

    Mais de 20 anos depois, em 1789, um volume com uma coletânea de documentos dos “americanos ingleses” foi encontrado com o alferes Joaquim José da Silva Xavier e encorpou as provas da militância sediciosa que levaria Tiradentes ao patíbulo.

    No Federal Hall, a nove quilômetros do estádio onde a seleção francesa enfrentou a do Paraguai, 56 pessoas discutiam um texto.

    Desde o início de junho, perto dali, numa pensão, Thomas Jefferson, o caçula da assembleia, de 33 anos, trabalhava no texto da Daclaração. Com ele estava Robert Hemings, seu criado escravizado de 14 anos, filho natural de seu sogro, pai de sua falecida mulher. Era irmão de Sally com quem mais tarde Jefferson teria quatro filhos.

    A ida desse texto para a caneta do caçula teve a mão do acaso. Benjamin Franklin figura de muito maior relevância declinou da oferta informando que, por norma, não escrevia textos que viriam a ser discutidos e mudados por plenários. Ademais, padecia de crises de gota. John Adams, outro sedicioso, pressentiu a importância do documento, mas escreveu só o preâmbulo de outra resolução.

    No dia 21 de junho, Jefferson mandou seu rascunho a Franklin. Ela dizia que “nós consideramos verdades sagradas e inalienáveis que todos os homens são criados iguais e independentes…” O revisor riscou o “sagradas” porque sentiu um ranço de carolice, pois o sagrado vem de Deus.

    Daí saiu o célebre “we hold these truths to be self-evidents” (“nós consideramos estas verdades evidentes por si mesmas”, ao pé da letra.) Por exemplo: É uma verdade evidente por si mesma que a soma dos ângulos internos de um um triângulo somam 180 graus.

    Jefferson entregou o primeiro projeto no dia 28 de junho e sofreu 85 revisões. Caiu fora, por exemplo, a condenação do tráfico de negros. Assinada no dia 4 de julho, a Declaração foi lida na cidade no dia 8.

    John Adams já implicava com Jefferson quando ele ganhou a fama de ter redigido a Declaração. Jefferson sonhava com uma utopia rural e Adams com uma nação mais comercial e industrial. Elegeu-se vice-presidente em 1789 e presidente em 1797. Em 1801, quando seu rival foi eleito, saiu de Washington à la Bolsonaro, para não lhe dar posse.

    Numa trapaça da História, Adams e Jefferson morreram no mesmo dia 4 de julho de 1826, o dos 50 anos da Declaração da Independência.

    ELEIÇÃO AMERICANA

    Por mais que uma parte do mundo acredite que Donald Trump perderá a eleição de novembro, cravar esse resultado pode ser apenas um desejo. Essa análise é de Kyle Kondik, editor da newsletter Sabato’s Crystal Ball.

    Olhando pelo retrovisor, a derrota dos republicanos é provável. Nos últimos 58 anos, só dois presidentes aumentaram a bancada na Câmara na eleição da metade do mandato: Clinton em 1998, com duas cadeiras, depois de ter perdido 54 dois anos antes, e Bush filho, em 2002, ganhando oito assentos, para perder 30 dois anos depois.

    Em 2018, no seu primeiro mandato, Trump perdeu 40 cadeiras. (Obama perdeu 63 cadeiras em 2014, tomando a maior sova do período).

    Depois do ataque ao Irã, a popularidade de Trump entrou num viés de queda. Ele tem 57% contra e 39% a favor. Afinal, a gasolina estava a US$ 3,20 o galão (3,378 litros), chegou a US$ 4,30 e está a US$ 3,85.

    Trump já indicou que pretende cavalgar as festas dos 250 anos da assinatura da Declaração da Independência como se ele a tivesse redigido e a estivesse a reescrever. (Esse documento foi a espoleta da revolução que terminou, anos depois, com a independência.)

    Em 1976 os marqueteiros do presidente Gerald Ford fizeram-no cavalgar as festas dos 200 anos da independência, supondo que, sentindo-se bem haveriam de reelegê-lo. As festas foram lindas, mas Jimmy Carter ganhou a eleição.

    REFORMA DO JUDICIÁRIO

    Quem conhece o Judiciário garante: a magistratura passará por uma grande reforma em 2029.

    Por muitos motivos, inclusive porque do jeito que as coisas estão, não podem continuar.

    Noves fora os penduricalhos e as farofas com que grandes litigantes mimam magistrados, a judicialização perdeu a racionalidade.

    BOA NOTÍCIA

    As coisas boas também acontecem. Em três anos, 47 cartórios habilitados pela Polícia Civil de Minas Gerais emitiram 102.208 carteiras de identidade. Como? Valendo-se da capilaridade dos cartórios, dos serviços da Corregedoria-Geral de Minas e da ajuda do Sindicato dos Oficiais de Registro Civil e da Polícia Civil do Estado.

    Em alguns casos os cartórios atendem aos sábados. Em outros, 102 ofereceram cursos para qualificar servidores e 47 já emitem as carteiras. O cartório de Congonhas já passou dos 10 mil documentos emitidos. (Quando é o caso, ele atende a domicílio).

    A carteira de Identidade Nacional (CIN) tem validade federal e está interligada aos bancos de dados da Justiça Eleitoral e da Receita Federal.

    A primeira CIN é gratuita e a segunda via custa R$ 115,80.

    Esse tipo de operação nasceu na Corregedoria Nacional de Justiça, entregando escrituras para moradores de comunidades, inclusive do Morro do Alemão, no Rio, onde o poder público aparece em muitos casos para matar gente.

    O segredo de iniciativas desse tipo está na valorização do ensinamento da canção Maria Moita:

    “Botar pra trabalhar quem nunca trabalhou.”

    EUA VAI AO PCC

    O governo dos Estados Unidos impôs sanções a dois finórios e de suas empresas, suspeitos de manter conexões com o PCC num esquema de lavagem de dinheiro, inclusive valendo-se do guarda-chuva da jogatina. Os americanos estão entrando na questão pelas bordas, ou, como dizia Leonel Brizola, “costeando o alambrado”.

    Todos os sancionados eram fregueses da polícia paulista e do Ministério Público. Mas na terra das palmeiras, onde canta o sabiá, as coisas iam devagar.

    Foram congelados todos os bens da turma nos Estados Unidos.

    Vem mais chumbo por aí.

  2. Para não perder votos e declarar que vai aumentar impostos e ferrar mais uma vez o bolso e a vida dos brasileiros, tirando dinheiro param sustentar os p0esadosm impostos cada vez mais altos e on line, o governo Lula esconde o que deveria ser público para todos terem consciência daquilo que arma mais uma vez o governo contra o povo para sustentar a ineficiência, o empreguismo, a corrupção…

    MÁS RAZÕES ATRASAM O IMPOSTO DO PECADO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    A reforma tributária do consumo enfrenta dificuldades na reta final da regulamentação do Imposto Seletivo, que incidirá sobre certas categorias de produtos nocivos à saude ou ao meio ambiente —daí ser chamado de imposto do pecado.

    O atraso do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em enviar ao Congresso Nacional o projeto que estipula suas alíquotas decorre de fortes pressões setoriais e da resistência do Planalto em lidar com o tema em ano eleitoral.

    O Imposto Seletivo será uma espécie de sobretaxa, adicional à tributação geral a que estarão sujeitos os bens e serviços, incidente sobre artigos como fumo, bebidas alcoólicas e açucaradas, apostas, veículos poluentes, embarcações, aeronaves e alguns tipos de minerais.

    O imposto do pecado terá função arrecadatória, mas também visa desestimular o consumo desses produtos, que terão incorporados custos sociais e ambientais aos preços. O tributo substitui parte da arrecadação do IPI federal a partir de janeiro de 2027.

    O calendário original previa a definição das alíquotas em 2025, sempre com a premissa de manutenção da carga agregada atual, mas o processo permanece travado —dos 50 projetos de lei para alterar a reforma tributária, 70% miram o Imposto Seletivo.

    A indústria de bebidas resiste ao enquadramento de bebidas açucaradas, o setor automotivo pede adiamento ou tratamento especial para elétricos.

    Dado que produtos como cerveja, refrigerante e automóvel têm grande apelo popular, o governo evita o debate para não municiar a oposição nas eleições.

    A preferência do Planalto é por uma estratégia de transição que mantenha, em 2027, carga tributária similar à atual e deixe a definição dos ajustes para depois. O impasse, porém, traz dificuldades de planejamento e insegurança jurídica para as empresas.

    Ademais, qualquer atraso tem impacto fiscal. Sem o IS no início de 2027, estima-se uma perda de cerca de R$ 10 bilhões na arrecadação federal nos primeiros meses, na falta de contrapartida à desoneração do IPI. Alternativas para manter a coleta sem essa definição implicariam aumento da cobrança geral sobre o consumo.

    Décadas de debates resultaram numa legislação que, mesmo com lacunas, reduz distorções, melhora a competitividade e torna a tributação do consumo mais transparente.

    A definição das regras do Imposto Seletivo é uma das últimas grandes pendências da reforma, que não pode ficar refém de lobbies setoriais e conveniências políticas de curto prazo.

  3. No Brasil dos hipócritas, concursados, acima de qualquer suspeita e a serviço do mecanismo para encher as burras dos poderosos. Nem mais disfarces usam. No Brasil, a escolha de raposas é proposital para proteger os ovos dos galinheiros com poedeiras férteis

    AS CONTAS E A “REPUTAÇÃO ILIBADA”, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

    O sr. Jhonatan de Jesus é um exemplo pronto e acabado do derretimento das instituições no Brasil e provoca uma pergunta que já embute a resposta: como é possível esse cidadão virar ministro, justamente, do Tribunal de Contas da União (TCU)?

    Ninguém fora do Congresso sabia quem ele era, até virar relator do processo no TCU sobre a liquidação do Banco Master e atuar descaradamente a favor dos interesses de Daniel Vorcaro e contra o Banco Central. O que, aliás, pode ser tudo, menos surpresa. Basta dar uma olhada nos seus mandatos na Câmara dos Deputados.

    A defesa ferrenha do Master e de Vorcaro (por que será?) combina à perfeição com o sumiço das emendas parlamentares de Jhonatan. Quando deputado, ele indicou R$ 42 milhões para Roraima e esses milhões viraram pó, ou melhor, mantiveram o pó.

    A estrada que seria construída continua de terra e esburacada, sem um fiapo de asfalto. Onde seriam feitas 300 casas populares, só há uma, no meio da terra seca, cercada pelo mato. E o dinheiro, para onde foi?

    Médico, Jhonatan foi eleito deputado aos 28 anos e mudou para o TCU no início do quarto mandato. Tal pai, tal filho. Seu pai, exsenador Mecias de Jesus (a família usa grafia criativa nos nomes), é conselheiro do TCE-RR.

    Quem indicou Jhonatan foi o então presidente da Câmara, Arthur Lira, que lhe garantiu a grande maioria dos votos, sem problemas. O passado? O currículo? Experiência com gestão? Nada disso. Valeu a força de Lira, Republicanos (seu partido) e Centrão.

    E o que é o TCU? Não é um dos cinco tribunais superiores (STF, STJ, TST, TSE, STM), mas, sim, o braço do Legislativo para fiscalizar as contas do Executivo. Logo, um órgão que exige a famosa e desprezada “reputação ilibada”.

    Mas Jhonatan não é exclusividade, ele e seu pai foram apenas beneficiados por um sistema de escolha que mistura interesses políticos, pessoais e até familiares.

    Pelo menos oito atuais ou exgovernadores emplacaram suas mulheres nos TCEs de seus Estados: Waldez Goes (AP), Renan Filho (AL), Wellington Dias (PI), Wilson Martins (PI), Rui Costa (BA), Helder Barbalho (PA) Antonio Denarium (RR) e Camilo Santana (CE).

    Cinco foram ministros do governo Lula e todos os oito são de Norte e Nordeste. Duas dúvidas: Jhonatan de Jesus era ideal para o TCU? Mulher de governador e ex-governador é adequada para fiscalizar as contas do governo estadual?

    Coisas do Brasil, onde ministros do Supremo se colocam e são colocados acima da Constituição, não precisam dar explicações, de um lado, e as investigações andam a passos lentos, de outro. Mas os penduricalhos do sistema estão garantidos! •

  4. O QUE NÃO SERÁ INVESTIGADO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    As relações de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro serão – têm de ser – investigadas. As condições estão postas, designado já o relator, André Mendonça, que agora espera a manifestação da PGR. Vai andar. Aquele troço cheira mal, configurado o padrão vorcárico – investidor dedicado na advocacia, no cinema e na hotelaria nacionais – para o fazimento de amizades: a constituição do que parecem fachadas, no Brasil e nos EUA, para a remessa e o recebimento dos milhões de dólares. Foram os dinheiros do banqueiro integralmente destinados à produção do filme Dark Horse?

    Com as apurações acerca dos fluxos entre os Bolsonaro e a rede vorcárica tendo afinal trilhos formais sobre os quais avançar, uma questão se impõe: qual será hoje a única porção do escândalo Master – dos trânsitos de Vorcaro e seus zetteis pelos Poderes da República – sem qualquer encaminhamento para que haja investigação? Aquela relativa a ministros do STF.

    O gilmarmendismo se impôs para que o garantismo seletivo produzisse o fechamento do estreito de ormuz por meio do qual altas autoridades seriam investigadas. Passaram os barcos – as cabeças já ofertadas – de Ciro Nogueira, Jaques Wagner, Cláudio Castro, Ibaneis Rocha… Até aí vai a República. O nosso limite histórico – que, desafiado, dispara o bote das nulidades. É com o que conta Vorcaro: ser beneficiado pelo esforço por salvar as mais togadas entre as altas autoridades.

    Dias Toffoli, ex-sócio da rede vorcárica, foi relator do caso Master por meses e tomou providências sobre a custódia de provas que o implicavam. Lembremos da relatoria paralela que Gilmar Mendes constituiu de modo a impedir que os sigilos da empresa do colega fossem quebrados. Desde então, e com a ajuda engavetadora de Fachin, é como se o episódio não existisse.

    O contrato do escritório da família de Alexandre de Moraes com o Master não apenas existiu, como teve a minuta enviada por Viviane Barci de Moraes a Vorcaro diretamente, por mensagem. Era janeiro de 2024. Em abril, o banqueiro bancaria a versão londrina de seu clube do uísque, aquela da degustação de Macallan, presentes, entre outros hugosmottas, Xandão, Dias Toffoli e – para você que crê em delação do provedor – a dupla Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, respectivamente procurador-geral da República e diretor-geral da Polícia Federal.

    Avançamos até 20 de março de 2025 e à mensagem de Vorcaro para a noiva: “(…) acabou chegando hugo e ciro aqui pra falarem com alexandre”. E terminamos em 17 de novembro, com o zap em que – infiltrado no sistema da Justiça Federal – pergunta ao ministro Moraes, aquele que tinha derrubado o X, sobre se conseguira bloquear algo. Pílulas do calendário no curso do qual, mensalmente, o escritório Barci de Moraes receberia R$ 3,6 milhões.

    No Brasil em que o gilmarmendismo garante o Direito Xandônico, investiga-se somente o vazador do contrato etc. Nunca o conteúdo vazado.

  5. Este retrato não é só do Rio de Janeiro, um estado degenerado e tomado pelo que há de pior na política e agora associada as ganges do crime organizado, bicheiros, milícias e os malandros que no passado faziam fama pela esperteza brasileira. Quem paga tudo isso (roubo, corrupção, empreguismo, ineficiência e acertos), são brasileiros, não só os fluminenses, com os cada vez mais altos pesados impostos on-line. Milhões, para sustentar os bilhões para poucos que nós mesmos por ignorância, radicalismos, medo ou até a falta de vergonha na cara, elegemos e até nomeamos como heróis. E o jornalismo de O Globo é parte deste enredo, apesar de posar de paladino estarrecido

    FUNCIONÁRIOS FANTASMAS NOS RIO SÃO UM ACINTE, editorial do jornal O Globo

    São estarrecedores os resultados da auditoria na folha do funcionalismo determinada pelo governador interino do Rio, Ricardo Couto. Praticamente um em cada três funcionários em cargo comissionado no estado — aqueles que devem seu emprego a uma indicação política — recebia sem trabalhar. Constatou-se, ainda, que a prática de pagar salário a quem nem aparece no trabalho, os proverbiais fantasmas, se estendia a todos os 77 órgãos da administração fluminense. É um acinte para o cidadão que trabalha arduamente para pagar suas contas em dia. E um alerta para todo o país.

    Desde março, Couto mandou exonerar 4.283 funcionários comissionados, ou 30% do total de 14.340, segundo o Caderno de Recursos Humanos do estado. O abuso resulta em grande parte do loteamento de cargos por deputados da Assembleia Legislativa do Rio. Indicação política importa mais que competência técnica ou serviço prestado — quando prestado. Como se não bastassem os fantasmas, o Rio ainda tem proporção maior de comissionados na comparação com outros estados: 7,9% dos 181 mil servidores ativos, ante 1,3% em São Paulo, 0,8% em Santa Catarina e 6,3% no Distrito Federal. É verdade que há estados que extrapolam ainda mais, mas isso só mostra que a administração pública brasileira precisa de um choque de austeridade.

    A apuração da Controladoria-Geral do Estado expôs situações inacreditáveis. Na Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade, foram encontrados 128 “funcionários” apenas no gabinete do secretário, 86% dos quais nunca haviam acessado o sistema. Na pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação, havia registro de 150 em cargos de comissão, mas apenas 90 tinham estações de trabalho. Entre as secretarias com maior corte de comissionados estão Trabalho (78,6%), Esporte e Lazer (75,6%) e Turismo (73,3%). Sem eles, é evidente que não haverá prejuízo algum ao serviço sofrível prestado à população, já que não faziam nada mesmo.

    Repórteres do GLOBO flagraram situações constrangedoras. Um dos exonerados da Secretaria de Ambiente alegou fazer trabalhos “majoritariamente em campo” em visitas a praças e locais públicos, mas foi incapaz de lembrar o nome de seu chefe. “Era tipo um supervisor”, disse. Pelo “trabalho”, recebia quase R$ 11 mil. Detalhe relevante: ele é filho de um ex-vereador e ex-funcionário comissionado, indicado por um ex-secretário da pasta. Outro exonerado, que recebia R$ 6 mil, também alegou trabalhos externos, mas não conseguiu especificar suas atribuições.

    Pela estimativa, as exonerações proporcionarão economia de R$ 355 milhões em um ano, valor nada desprezível para um estado cujas finanças estão em frangalhos. Mas não se trata apenas de questão financeira. É um despropósito que o Rio ou qualquer outro estado pague salário a quem não trabalha e só está ali por indicação de políticos que mantêm seus feudos na administração estadual. Não surpreende que cidadãos estejam sempre insatisfeitos com a qualidade do serviço público.

    A subversão do uso do Estado é uma preocupação que deve nortear governadores e candidatos que passarão pelo teste das urnas em outubro. Auditorias precisam ser regulares e abrangentes, pois o problema não é exclusivo do Rio. É inadmissível que não haja controle sobre quem recebe sem trabalhar. Ou é inépcia, ou má-fé. A máquina pública sustentada pelo contribuinte não pode virar cabide de empregos.

  6. Ao observar a realidade do município, fica difícil não perceber a sensação de continuidade administrativa. Embora o governo estadual e a prefeitura pertençam ao mesmo grupo político, muitos problemas continuam sem solução efetiva.

    A situação da saúde é um exemplo. O hospital foi entregue à administração de uma organização de fora da cidade, enquanto a população ainda enfrenta dificuldades para acessar diversas especialidades médicas. Na mobilidade urbana, o transporte público segue sendo alvo de reclamações constantes, sem que haja uma melhora significativa percebida pelos usuários.

    Na área da habitação, o cenário também preocupa. O valor dos aluguéis aumentou consideravelmente, chegando a situações em que um simples quarto é oferecido por cerca de R$ 1.200, valor que muitos consideram incompatível com a realidade econômica de grande parte dos trabalhadores. Isso gera uma percepção de exploração em um momento em que o custo de vida já pressiona as famílias.

    Além disso, episódios envolvendo servidores públicos e investigações que resultaram até mesmo no uso de tornozeleiras eletrônicas por alguns envolvidos acabam contribuindo para o desgaste da confiança da população nas instituições.

    Diante desse contexto, cresce entre alguns cidadãos a impressão de que a atual gestão representa mais uma continuidade do governo anterior do que uma mudança de rumo. Para esses críticos, o prefeito Paulo estaria apenas dando sequência ao projeto político de seu antecessor, Kleber, sem apresentar transformações significativas na condução da cidade. Com isso, figuras que antes eram alvo de críticas acabam sendo vistas de forma mais branda por parte da população, simplesmente porque os problemas que motivaram as reclamações permanecem sem solução.

    Naturalmente, essa é uma avaliação política e sujeita a diferentes interpretações. Há quem enxergue avanços na administração atual e há quem considere que as mudanças prometidas ainda não se concretizaram.

  7. Já foi publicado o decreto extinguindo a comissão interventora do hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro?
    Quem vai administrar o espólio milionário a sociedade civil ou a prefeitura via Cezar Botelho?

  8. Eles gastam abusivamente para se manter no poder, sustentar corrupção estrutural, propina, desvios, sub-faturamento, aditivos à rodo, absolvições de ladrões, leis mais brandas, incompetência e má gestão. E nós, pagamos esta abusiva e criminosa conta sem o devido retorno para a sociedade com os cada vez mais altos impostos on line. Simples assim. E quem dá aval a tudo isso? Deputados Federais, Senadores, Deputados Estaduais e Vereadores. E todos pedindo os nossos votos novamente. A reeleição dessa gente, deveria ser proibida..

    UM PRÊMIO BILIONÁRIO À MÁ GESTÃO DOS ESTADOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O novo programa de calote legalizado da dívida dos estados com a União vai custar R$ 347 bilhões nos próximos 30 anos, em valores atuais.

    A estimativa do Tesouro Nacional, revelada pela Folha, mostra quanto o governo federal vai deixar de receber por causa do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag), aprovado pelo Congresso Nacional no final de 2024. Equivale a cinco anos do investimento produtivo da União.

    O Propag permite que a taxa de juros da dívida de estados com a União seja reduzida de 4% anuais para zero. Dos 22 estados que aderiram, 18 passaram a pagar nenhum juro, 1 arcará com 1%, 1, com 2%, e 2 deles não têm dívidas (vão receber cota menor de benefício do programa).

    Com a redução da receita financeira federal, a dívida do Tesouro Nacional cresce ainda mais rapidamente, enquanto os estados podem elevar outras despesas.

    Quanto maior a dívida, maior tende a ser a taxa de juros paga para cobrir déficits e refinanciar compromissos que vencem. O Propag, na prática, faz com que a situação do endividamento público se torne mais agoniante.

    A União se tornou a grande credora dos governos estaduais no final dos anos 1990, quando assumiu passivos de administrações quebradas por má gestão ou corrupção, refinanciando-os por prazos longos e juros menores. De tempos em tempos, governadores incapazes demandam novas renegociações, apoiados por Congresso e Judiciário.

    A campanha do calote recomeçou em 2023, impulsionada por Minas Gerais, com dívida equivalente a 157% da receita, a terceira maior entre as unidades da Federação. O líder teratológico é o Rio de Janeiro, com 219%, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 172%.

    São Paulo está em quarto, com 116%, mas tem contas mais confortáveis. Os demais estados têm taxa menor do que 66%, e os quatro líderes em passivos vão ficar com 92% do benefício do Propag.

    Entre as contrapartidas exigidas estão a destinação do investimento estadual para áreas selecionadas, controle de despesas e entrega de ativos à União. Historicamente, os grandes devedores descumprem tais obrigações. Na iminência de serem punidos, vão à Justiça, ameaçam fazê-lo ou pedem ajuda ao Congresso.

    São décadas de desfaçatez. Empilham-se programas de renegociação, sempre burlados, num círculo vicioso tolerado ou promovido pelos três Poderes. Com isso, governadores são estimulados a conceder benefícios tributários e reajustes salariais ao funcionalismo acima das capacidades das contas dos estados.

    A dívida pública cresce sem limite —já passou dos 80% do PIB. Elevam-se as taxas de juros, deprime-se o investimento e degrada-se a distribuição de renda. A situação fiscal se aproxima de um nível crítico em que os compromissos financeiros serão pagos apenas por meio de ajuste gravemente recessivo ou inflação. Os Poderes fazem piruetas irresponsáveis perto da crise.

  9. A prova de como os corruptos e bandidos que movimentam milhões têm vida fácil nos sistemas de controle financeiro do estado e da Receita brasileiros, e os miúdos, os trabalhadores, são pegos por supostos tostões mal declarados, ou até sonegados. Impressionante como a máquina arrecadatória dos pesados impostos cada vez mais altos e on line, bem como os de controle são descompensados contra os mais frágeis, que não possuem dinheiro, contadores e advogados hábeis ou de relações com o poder de plantão.

    UM BAQUE NOS COFRES DO PCC, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A decisão do Departamento do Tesouro dos EUA de sancionar dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia portuguesa por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) é excelente para o combate ao crime organizado, independentemente das disputas políticas e conceituais que envolvem a recente classificação da facção como “organização terrorista” pelo governo americano. Ao fim e ao cabo, trata-se de uma medida concreta de asfixia financeira de uma máfia – e isso é bom tanto para os EUA quanto para o Brasil.

    Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), Victor Henrique de Oliveira Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos oriundos do tráfico de drogas por meio de criptomoedas adquiridas nos EUA. De lá, o dinheiro era transferido para o Brasil. Shimada também é acusado de ser o elo entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais. A outra sancionada é Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, assim como empresas ligadas a ambos. Com o bloqueio de seus bens e a proibição de negociarem com cidadãos e companhias americanas, o Ofac cortou o oxigênio financeiro que permite ao PCC expandir suas operações para além das fronteiras brasileiras.

    É consenso entre especialistas em segurança pública que a asfixia financeira é uma das formas mais eficazes de combater organizações criminosas de estrutura mafiosa, como são o PCC e o CV, também designado como “organização terrorista” pelos EUA. Prender líderes dessas facções e apreender drogas e armas é mandatório, mas tem efeito limitado enquanto o dinheiro oriundo do crime continuar circulando livremente pelo sistema financeiro para bancar novas ilicitudes.

    Chama a atenção, ainda, o fato de que as investigações que levaram às sanções tocam, mesmo que indiretamente, o caso “Vaidebet”, que apura desvio de recursos ligados a um contrato de patrocínio do Corinthians. Uma das empresas de Shimada, a Victory Trading, aparece como intermediária de recursos que teriam sido repassados à UJ Football, também denunciada pelo Ministério Público de São Paulo. Isso reforça algo que este jornal tem apontado frequentemente: o crime organizado não se limita mais ao tráfico de drogas e ao controle territorial, infiltrando-se nas instituições e na economia formal, incluindo o futebol, um dos setores mais populares e menos fiscalizados do País.

    Dito isso, é preciso reconhecer que há riscos inerentes às sanções aplicadas pelo Ofac. Por partir do Executivo americano, sem o crivo do Judiciário, a medida, em tese, abre espaço para interferências políticas ou uso indevido dos poderosíssimos instrumentos de constrição financeira à disposição da Casa Branca para fins político-diplomáticos. Não é o caso dos sancionados agora, cujos indícios de envolvimento com o PCC são robustos e bem documentados, inclusive no Brasil. Mas, como o País está em ano eleitoral e a relação entre Brasília e Washington tem sido marcada por tensões, é prudente que as autoridades brasileiras e a sociedade civil permaneçam atentas a eventuais desvios de finalidade em sanções futuras.

    Nesse sentido, as instituições financeiras brasileiras precisarão redobrar o rigor de seus mecanismos de compliance, sob pena de também serem alvo de sanções americanas caso suas operações se cruzem, ainda que involuntariamente, com negócios do PCC ou do CV. Os grandes bancos do País já são mundialmente bem reputados por suas sólidas políticas de controle, mas a designação do PCC e do CV como “organizações terroristas” impõe padrões de conformidade legal ainda mais rigorosos.

    Por fim, cabe notar a reação do ministro da Fazenda às sanções americanas. Dario Durigan disse o óbvio ao reafirmar que a responsabilidade pela segurança pública no Brasil é do próprio País, defendendo que a cooperação com os EUA se restrinja à troca de informações. Que o Estado brasileiro, então, exerça essa responsabilidade com mais vigor, aprofundando o combate ao poderio bélico e financeiro das facções e à sua infiltração nas instituições e em negócios legítimos.

    O combate ao PCC e ao CV exige, sim, protagonismo brasileiro como afirmação da soberania nacional. Mas isso não interdita parcerias internacionais pautadas pela boa técnica investigativa, não por bravatas eleitoreiras.

        1. Não são todos os vereadores da base que estão genuinamente revoltados. Há os que se aproximaram, como se aproximaram do governo Kleber Edson Wan Dall, eleito pelo MDB, como se aproximaram dos governos de Pedro Celso Zuchi, PT, por interesses de seus negócios e investimentos imobiliários. Como as coisas não “fluíram” no resultado que pretendiam, estão acuando, mesmo como montanhas de cargos que preencheram. Esta é a realidade de parte dos reclamões, que sabem que além dos seus interesses, o governo está patinando como poucos. Então é mais fácil afundá-lo no lamaçal onde está metido, por incompetência, arrogância e teimosia.

          1. Se não fosse um grande teatro para buscar vantagens. Mais um cargo para o Vereador Melato; mais um projeto que tenho alguém para articular. Simples troca. Mas com habilidade para tal, seria de bom tom se o prefeito delegado tivesse a ombridade de reconhecer suas limitações e passar o bastão para o Melato mesmo. Junto do Bornhausen teríamos um pouco mais de celeridade, mesmo que tudo errado como sempre.

          2. Os donos da cidade de sempre, operando, ensacando e desmoralizando gente que disse estar capacitada para mudar. E por quê? São velhas farinhas do mesmo saco furado.

  10. URNAS VÃO JULGAR POLÍTICOS ANTES DO STF, por Carolina Brígido, no Jornal O Estado de S. Paulo

    As urnas vão definir, antes do Supremo Tribunal Federal (STF), quem são os culpados e os inocentes no escândalo do Banco Master. A Polícia Federal poderá concluir a investigação sobre o esquema de Daniel Vorcaro antes de outubro. O ritmo das apurações será mais ágil após a rejeição de duas propostas de delação premiada do ex-banqueiro, com expectativa de acontecer o mesmo com a terceira tentativa.

    Ainda assim, não haverá tempo hábil para a Corte encerrar o processo judicial até lá. Finalizada a parte da PF, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar ou não denúncias ao Supremo contra os eventuais indiciados. Nos bastidores, a expectativa é de que Paulo Gonet não tenha pressa para fazer isso, especialmente no meio do processo eleitoral.

    Em caso de denúncia, se os ministros da Segunda Turma do STF concordarem em abrir ação penal, vai ser iniciada uma nova fase de apurações. Somente com o encerramento desta fase o tribunal julgaria os réus. Os prazos fixados na legislação penal devem empurrar a conclusão do processo para 2027.

    Ou seja: quando a classe política for julgada pelo STF, não haverá mais pressão eleitoral.

    Sobre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que foram citados por relações próximas com Vorcaro, o mais provável é que nem sequer sejam alvo de denúncia da PGR.

    Nas campanhas, o clima é de tensão. Mais do que o risco de condenação judicial, os candidatos temem agora o impacto das próximas operações da PF sobre as campanhas.

    O primeiro candidato diretamente atingido foi Flávio Bolsonaro, com a descoberta de que Vorcaro teria financiado o filme sobre Jair Bolsonaro. O caso pode gerar novas frentes de apurações na PF. Entretanto, fontes do Supremo apostam que haja maior potencial para subtrair votos do filho do ex-presidente do que para gerar condenação penal.

    A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva também foi alvejada com a revelação de que o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu dinheiro e vantagens de Vorcaro. Assim como a situação do oponente, Lula deve sofrer revés maior nas urnas do que nos tribunais.

    Passada a eleição presidencial, a tendência é de que o escândalo do Master perca tração no Supremo – mesmo porque a pressão da opinião pública em torno do caso provavelmente terá diminuído. A exemplo do que aconteceu com outros esquemas de corrupção do País, o julgamento final dos réus será realizado depois de silenciado o clamor social. E, por isso mesmo, com um cenário de menor probabilidade de condenações de poderosos.

  11. RECEITA CRESCE; GASTO SOBE MAIS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    As contas públicas registraram um rombo de R$ 53,2 bilhões em maio, uma piora expressiva em relação ao resultado de abril, quando houve superávit de R$ 25,1 bilhões. Os principais motivos desse desempenho foram o pagamento das emendas parlamentares e o esforço do governo federal em reduzir a fila de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ambos antecipados por motivos eleitorais.

    Ao aprovar o Orçamento deste ano, além de reservar um valor recorde para as emendas parlamentares, o Congresso teve o cuidado de impor um calendário para concentrar o desembolso no primeiro semestre. Foi uma forma descarada de driblar a legislação que impede transferências nos três meses que antecedem a eleição – ou seja, a partir de 4 de julho – e de assegurar que deputados e senadores tivessem algo para apresentar ao eleitorado durante a campanha.

    O governo Lula não ficou atrás. Nomeado para corrigir falhas internas que facilitaram a fraude dos descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, o então presidente do INSS Gilberto Waller Jr. não chegou a completar um ano no cargo. Foi demitido após os pedidos de benefícios represados no órgão baterem recorde de 3,1 milhões em fevereiro, um problema e tanto para um presidente que tentará a reeleição e que prometeu zerar a fila na campanha de 2022.

    A nova chefe do INSS, Ana Cristina Silveira, entendeu o recado, e em dois meses na função fez com que o número de requerimentos em análise caísse para 1,9 milhão em junho – o menor desde outubro de 2024, segundo o jornal Folha de S.Paulo. O resultado, por óbvio, foi um aumento de gastos da ordem de R$ 42,7 bilhões na Previdência Social entre janeiro e maio deste ano na comparação com o mesmo período de 2025, considerando, também, o pagamento de precatórios e o impacto do aumento do salário mínimo, piso dos benefícios.

    Em maio, as despesas totais subiram 9,4% acima da inflação, enquanto as receitas aumentaram 5,5%. E essa diferença não é trivial, sobretudo quando se considera que o País registrou uma arrecadação recorde de R$ 266,8 bilhões em maio, a maior para o mês de toda a série histórica da Receita Federal, iniciada em 2000.

    De janeiro a maio, o déficit primário foi de R$ 44,3 bilhões, o pior desde 2020, e a dinâmica não foi muito diferente. Os gastos subiram 13% em termos reais, e a arrecadação aumentou 4,3%. Mas, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, está tudo dentro do esperado, e a tendência é de que o crescimento das despesas perca força no segundo semestre – ou seja, a meta fiscal não está comprometida.

    A meta, no entanto, é uma abstração. A previsão do governo é de um superávit de R$ 34,3 bilhões entre receitas e despesas, mas a margem de tolerância permite que o objetivo seja cumprido mesmo que o saldo seja zero. Além disso, até R$ 64,4 bilhões em gastos poderão ser excluídos dessa conta. Um resultado fiscal mais robusto depende necessariamente da contenção de gastos e de reformas estruturais. Não será pela via da arrecadação que a trajetória da dívida pública será estabilizada.

  12. Previsão do Tempo

    A Defesa Civil informa que: … gestão combinada com o fenômeno El Niño, aumenta significativamente o risco de enchentes.

    Já a Defesa Política alerta para outro fenômeno, ainda mais persistente: o governo continua olhando para as gavetas do passado enquanto a água sobe nas ruas do presente.

    A previsão é de muita lama. Parte dela trazida pela chuva. Outra, pelos discursos.

    Os moradores recomendam que, além de botas e guarda-chuvas, cada cidadão carregue um retrovisor. Afinal, na Prefeitura ninguém parece conseguir olhar para a frente.

    Segundo os institutos de meteorologia, a chuva deve passar.

    Já a tempestade administrativa segue sem previsão de dissipação.

    Há, porém, uma boa notícia: toda previsão tem prazo de validade. Inclusive as políticas. Em casos semelhantes, sem reeleição.

    1. Excelente comparação

      O governo de Gaspar que com a experiência policial não conseguiu enxergar preventivamente os indiciados que MP, polícia e Gaeco enquadraram, não terá condições para acreditar em previsões que todos os gasparenses enxergam no horizonte deste outubro ou em outubro de 2028. É preciso dar um cavalo de pau e urgente

      1. Adilson Luis Schmitt

        Aproveito o dia 01 de julho para dar as boas vindas ao Hospital Santo Antônio de Gaspar, que assume oficialmente a Gestão desta Casa de Saúde. Desejo sucesso nas suas ações.

        Mas quero lembrar a necessidade, de se manter a história do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que foi fundado em 12/02/1956 e teve a inauguração do seu Hospital em 18/05/1970. Muitas famílias fizeram doações e colaboraram durante todos estes anos. Fica o meu pedido, pois o Frei Godofredo Siebert foi um visionário.

        Dar os parabéns a todos os envolvidos nesta transição e que ao final a população, seja muito bem assinada e atendida.

        Adilson Schmitt
        Ex Prefeito de Gaspar

  13. FLÁVIO TEM FORÇA, NA CASA BRANCA, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    Adélio Bispo de Oliveira esfaqueou Jair Bolsonaro no dia 6 de setembro de 2018. Ninguém pode garantir que a facada de Juiz de Fora tenha decidido a eleição, mas, um mês depois, Bolsonaro conseguiu 46% dos votos no primeiro turno. Fernando Haddad ficou com 29%. A eleição estava decidida, e no segundo turno o ex-capitão correu para o abraço, com 55% dos votos.

    Não foi Bolsonaro quem ganhou, foram Haddad e o PT que perderam. Lula estava preso em Curitiba, o juiz Sergio Moro e os procuradores da Operação Lava-Jato faziam o que queriam. Nada disso estará no pano verde na eleição de outubro.

    Lula terá governado por quatro anos sem maiores sobressaltos, e quem está preso é Bolsonaro. As tensões que ele espargiu, insultando um ministro do Supremo Tribunal Federal, opondo-se a um programa de vacinação durante uma pandemia que matou mais de 700 mil pessoas, viraram má lembrança.

    A eleição de 2018 foi o apogeu do antipetismo. Em 2026, lida-se com o antibolsonarismo. Assim como, em 2018, a soberba petista detonou Haddad, agora a soberba bolsonarista poderá detonar Flávio Bolsonaro, e as pesquisas apontam nessa direção. A candidatura do senador tem um sabor dinástico, agravado pelo deserto de ideias de seu campo. Sem a facada de Juiz de Fora e as turbinas da Lava-Jato, como a divulgação da delação do ex-ministro Antonio Palocci às vésperas do primeiro turno, o antipetismo não dá caldo.

    A essas adversidades somou-se a autofagia bolsonarista. A mulher de Bolsonaro fez um estudado vídeo, em que o sujeito oculto de suas críticas é Flávio. Qual é a raiz dessa quizília? A política cearense e a preterição de uma vereadora que aspirava a disputar o Senado. É pouco para tanto barulho.

    O repórter Luis Felipe Azevedo mostrou que, na Bahia, em Pernambuco, Ceará e Maranhão, os candidatos do arco oposicionista evitam partilhar palanques com a campanha de Flávio. Tratando-se do principal reduto lulista, essa ausência é mau presságio. Os erros da famiglia certamente explicam em parte esse movimento. Contudo o principal fator está além deles. O antipetismo, cimento da vitória de 2018, dissolveu-se no ar, abrindo espaço a um novo anti, o antibolsonarismo.

    Flávio é forte na Casa Branca, fraco em Pindorama. A ideia de jactar-se da imposição do primeiro tarifaço de Donald Trump foi um caso raro de um só tiro acertando os dois pés. Naquele tarifaço, a patrulha bolsonarista acampada em Washington pode ter exercido alguma influência. No próximo, a despeito da carta de Flávio ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo que o Brasil seja poupado, essa janela de oportunidade encolheu.

    O tarifaço de 2025 foi concebido com o voluntarismo da Casa Branca. Basta lembrar a tarifa imposta a uma ilha de pinguins. Desta vez, o novo tarifaço será essencialmente técnico. Enviesado, porém com verniz técnico.

    Novas tarifas virão, transformando-se numa bola de ferro amarrada a um pé dos Bolsonaros. Eles cometeram o mesmo erro que o bilionário Elon Musk, que em poucos meses passou de gênio a maluco e acabou defenestrado da Casa Branca. Em sua fase de delírio, Musk tentou morar na Casa Branca.

  14. FLÁVIO REBAIXA O BRASIL ANTE O EUA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, na qual implorou que o governo dos EUA desista de impor novas tarifas ao Brasil e prometeu que, caso seja eleito, colocará à disposição da Casa Branca sua “equipe de transição” para discutir um “amplo acordo de comércio e investimentos”. Ou seja, na desesperada tentativa de se desvincular da punição tarifária americana ao Brasil, pela qual seu irmão Eduardo Bolsonaro tanto trabalhou, Flávio Bolsonaro ofereceu aos americanos a possibilidade de palpitar sobre a transição de governo no Brasil – um acinte que, se concretizado, equivaleria a rebaixar o País à condição de colônia americana.

    Por razões que deveriam ser evidentes por si mesmas, a Lei 10.609/2002, que disciplina a transição de governo no Brasil, estabelece que o processo ocorre apenas entre o governo que deixa o poder e o que assume. Não há a menor hipótese de que o governo de um país estrangeiro participe. Além de ser um assunto exclusivamente interno, a transição envolve acesso a dados sensíveis do País, como, por exemplo, a situação das contas públicas, o estado de políticas em andamento ou planejadas e informações de inteligência.

    Ademais, por pior que já seja ver um postulante à chefia de Estado flertando com uma ilegalidade explícita antes mesmo de ser eleito, há algo ainda mais perturbador: a oferta de Flávio sintetiza a opaca visão de mundo do bolsonarismo, que certamente prevalecerá sob seu eventual governo.

    O Brasil tem muito a ganhar com uma relação próspera e equilibrada com os EUA. As duas maiores democracias das Américas têm laços econômicos, culturais e históricos que remontam ao reconhecimento de nossa independência. Ninguém que pensa com seriedade no melhor interesse nacional pode, em sã consciência, ser contra entendimentos com Washington. A questão de fundo, porém, não é negociar com os norte-americanos, são as condições dessa negociação.

    Eis por que a carta de Flávio a Rubio diz tudo o que os eleitores precisam saber do pré-candidato. Não há, no texto, nenhuma menção às assimetrias que qualquer acordo precisa eliminar, às salvaguardas que protegeriam nossa indústria, nosso agro, nosso mercado financeiro. Em vez disso, há uma disponibilidade praticamente incondicional, retrato fiel da sabujice do clã Bolsonaro aos EUA e ao presidente Donald Trump, em particular.

    Atribui-se a Juracy Magalhães, embaixador brasileiro em Washington durante o governo Castello Branco, a célebre frase “o que é bom para os EUA é bom para o Brasil”. Se é verdade que o alinhamento automático com Washington fazia sentido no contexto da guerra fria – um outro mundo, orientado por outro equilíbrio de forças –, esse tipo de política externa não tem mais lugar no contexto geopolítico do século 21.

    O Brasil tem interesses comerciais e geopolíticos que vão da China à União Europeia, dos países africanos aos nossos vizinhos sul-americanos. Temos uma relação mais sólida a ser construída com países asiáticos. Ademais, a Constituição fixa os princípios norteadores da política externa brasileira, e certamente entre eles não está a primazia de uma nação estrangeira sobre as demais. Ignorar tudo isso não é pragmatismo, é um retrocesso de seis décadas.

    Como dissemos, a relação com os EUA importa, e muito, para o Brasil. Mas importa como relação entre dois Estados que têm interesses, não afinidades pessoais entre seus governantes. O que Flávio ofereceu a Rubio não é parceria, é submissão.

    Também não se pode ignorar a dimensão familiar desse posicionamento. O clã Bolsonaro tem devoção quase religiosa a Trump. Além disso, Trump tem poder sobre o destino de todos os bolsonaristas que fugiram para os EUA a fim de evitar responder por seus crimes no Brasil. Diante disso, não é improvável que, num eventual governo Flávio Bolsonaro, interesses muitíssimo particulares se sobreponham aos interesses nacionais na relação com Washington.

    O Brasil merece um chefe de Estado que entenda que subserviência disfarçada de “alinhamento estratégico” ainda é subserviência, que comércio internacional é um jogo de interesses, não de lealdades pessoais, e que a relação com os EUA, por mais relevante que seja, é apenas uma entre muitas.

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