Segunda-feira. Ressaca moral. Derrota justa no futebol do Brasil para a Noruega. Era uma crônica anunciada. A achamos que sorte ou milagres superam a nossa desorganização. Voltaremos à realidade da corrupção, da incompetência, do crime organizado, dos escândalos e da falta de visão de futuro, transparência e ética (não confunda com moral). A seleção era cortina de fumaça que adiava o debate.
E na nossa aldeia? A foto de abertura deste artigo retrata mais um continuado um faz-de-conta. É uma das centenas bocas-de-lobo de Gaspar em igual situação. Deplorável. Assim estão as valas e ribeirões. Com tudo isso, o clima está tenso A cidade está metida numa cilada diante das previsões de adversidades climáticas severas para as próximas semanas. O clima está tenso também para os políticos da situação e os gestores no paço municipal.
Trago três fatos que retratam atualmente o governo de Paulo Norberto Koerich, PL. A bancada de apoio do governo na Câmara – a que sai cedo das sessões porque justifica ter outros compromissos que marca exatamente no mesmo horário da única sessão semanal e que dura sempre menos de duas horas – se coça em explicações. O fogo amigo, incluindo os novos alinhados, arde. Estes “alinhados” sempre estiveram em qualquer governo desde Adilson Luiz Schmitt, MDB (2005/08) saído do PL e hoje sem partido, emprestando ao poder de plantão a tal governabilidade na Câmara. Mesmo não sendo governo, todavia eles usufruem como poucos do poder e seus jeitinhos.
São os que sempre levam mais vantagens. Empregam os cabos eleitorais e possuem, ao mesmo tempo, preferências nos pedidos para si e os seus. E desta vez, mais cedo do que se esperava, aninhados estão nervosos, incomodados, mandando recados, sem qualquer disfarce à medida que se aproxima a eleição de outubro.
“DESCOBRIRAM” QUE SIMPLES E NECESSÁRIOS BUEIROS ESTÃO ENTUPIDOS
No início da semana, depois de ser “surpreendido” pela chuvarada pré “El Niño”, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, viu que alagaram as mesmas ruas e locais da cidade. Repetiram-se os mesmos problemas de anos, e o povo, atingido e ameaçado pelas águas, ao mesmo tempo, também “alagou” as redes sociais esculhambando o governo, feito de gente que não conhece a cidade, não mora aqui, não ouve as reclamações, não conhece a hidrologia e suas gambiarras, autorizadas no passado pelos técnicos da prefeitura. Sobra para os ouvidos vereadores. E eles estão cansados.
Continuando. Esta cena que reproduzo abaixo é patética e diz muito sobre o atual governo de Gaspar. Este vídeo, oficial de Paulo Norberto Koerich, PL, com o impressionante aval da sua área de comunicação do século passado da prefeitura – a terceira que trocou em um ano -, mostra ele acompanhando um simples desentupimento de boca-de-lobo sendo feito por funcionários da secretaria de Obras e Serviços Urbanos. Precisou antes, levar muito pau no lombo pelas redes sociais, aplicativos de mensagens, ouvintes das rádios e ser pressionando por seus próprios vereadores para “descobrir” o óbvio.
Paulo e a secretaria – que tem um titular importado que precisa de GPS para andar pela cidade, depois que o primeiro não respondia às exigências práticas – tiveram um ano e meio para fazer o que fizeram neste vídeo. Este vídeo mostra todos assinando, em público, a incapacidade e a incompetência gerencial e administrativa para resultados.
E olha que temos uma montoeira de bueiros inteligentes, caros, jogados em algum lugar, comprados ao tempo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, que poderiam mitigar esta situação ridícula. Mas, não foram implantados, exatamente devido à sabida falta de rotineira manutenção que eles exigiriam para não serem entupidos e inúteis. Só “descobriram” isso depois da gastança com o dinheiro dos impostos dos gasparenses. E até hoje, ninguém foi atrás dos responsáveis por isto.
Aonde deveria estar Paulo Norberto Koerich, PL? Fora deste vídeo, cobrando e demitindo quem o fez passar por tal vexame e vergonha pública. Mas, não. Preferiu, por escolha própria, passar a mão na cabeça dos seus e por outro lado, culpar os gasparenses por entupir valas, ribeirões e principalmente os bueiros, todos eles, devidamente marcados para limpeza há meses e há anos. Quem não varre a cidade, quem não recolhe o lixo com regularidade, quem não faz campanha de conscientização à cidadania, reclama, gasta mais e fica mais exposto. Simples assim.
UMA CÂMARA NERVOSA. CANDIDATOS DESESPERADOS
Na Câmara de vereadores, por sua vez, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PL, com oito mandatos nas costas, saiu do prumo no discurso e na interrupção de um colega de governo e rival na busca de votos. Melato, o que ensina, quebrou o Regimento Interno ao deselegantemente para marcar terreno e sua irritação com o governo, e bateu boca fora de hora com um par da base. Na mesma linha de agressividade e inconformismo com o atual governo a quem empresta apoio i condicional, mas desta vez, apenas na tribuna, foi o presidente da Casa e campeão de diárias, Ciro André Quintino, MDB. Sintomático. Não precisa ir adiante para esclarecer, o que já está esclarecido. Estão brigando por espaços, migalhas e poder.
Eles, pressionaram, negociaram e manobraram durante meses, para emprestar apoio ao governo na Câmara e nos seus círculos de influência política em troca de vantagens políticas e emprego para seus cabos na máquina da prefeitura. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, cedeu, entrou em rota de colisão com o vice, engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, que deixou o PL para estar no satélite, Republicano. Tudo para formar uma suposta frágil maioria e com ela dar governabilidade a Paulo Norberto Koerich, PL. Agora, desesperados, estão cobrando a fatura que achavam que vinha de mão beijada: os resultados da administração de Paulo e do PL para serem padrinhos e usufrutuários. Estão colhendo queixas.
Neste momento, obrigados pelo calendário eleitoral, os vereadores estão andando pela cidade atrás de votos para si ou os seus candidatos paraquedistas para as eleições de outubro deste ano. E os moradores, moradoras, eleitores e eleitoras de Gaspar, esperançosos, ou enganados, feitos de bobos mais uma vez, estão cobrando deles os resultados prometidos pelos eleitos e no poder de plantão.
E os que pedem o voto de confiança agora, nas eleições de 2024 muitos deles, foram fiadores ou são portadores de juras de promessas não cumpridas até hoje. A água da leve enxurrada da semana passada e o medo do que está por vir, segundo as previsões – não uma certeza absoluta -meteorologicas, bateu no nariz para afogar eleitores, eleitoras, cabos eleitorais e candidatos. Todos estão com medo. Seus sonhos estão em jogo diante de uma realidade social, política, financeira – é só olhar as dívidas de cada um – e econômica – juros e inflação altos – adversa. Simples assim.
José Hilário Melato, PL, foi mais duro no discurso porque não só este quadro, que só ele escolheu, conspira contra a armação política aos seus candidatos a deputado Federal e Estadual, mas também afeta os seus interesses de investidor que vieram não resolvidos do governo Kleber Edson Wan Dall, MDB. Eles não estão “andando” como o prometido e esperado no atual governo, tanto no Corpo de Bombeiros, como na Defesa Civil. Então, Melato resolveu dar pau neles. É a lei do retorno para quem no tempo do governo do PT ajudou a mudar o zoneamento para desqualificar imóveis de quem o criticava e principalmente o governo de plantão a que servia. Então, estou prestando bem a atenção, como ele recomenda nos vídeos sem conteúdo dele.
GENTE QUE PERDE TEMPO E SE DESGASTA COM O FOGO AMIGO AO INVÉS DE CONSTRUIR SOLUÇÕES
Retomando mais uma vez. Não é a primeira vez que escrevo aqui de que a líder de governo, a policial bolsonarista Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, se perde na incoerência. Antes de prosseguir, não custa lembrar que ela já foi ferrenha defensora do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, hoje no Podemos, coligado na onda bolsonarista, como ela, e Marcelo de Souza Brick, PSD, hoje no PP, e igualmente igualmente surfando a mesma onda. Alyne, foi suplente pelo PSD e assumiu a vaga na Câmara para defender a turma de Kleber. Na foto abaixo, um dos muitos encontros entre ambos. O registro é dela no gabinete do ex-prefeito.
Antes, porém, veja o vídeo abaixo e volto mais adiante.
Aparentemente, com grosso dinheiro dos cofres municipais e que continuará, bem como uma generosa ajuda do governo de Jorginho Mello, PL, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, se nenhum escândalo estourar na área jurídica, está se livrando da bomba Hospital de Gaspar, criada na intervenção marota de Pedro Celso Zuchi, PT e que o governo de Kleber usufruiu como poucos na incompetência, falta de transparência, dúvidas e rios de dinheiro que fluíram, cada vez mais volumosos para não produzir retorno para a cidade, os cidadãos e cidadãs mais vulneráveis.

“Aliviada” das críticas que está terceirizado para o Hospital Santo Antônio e antes que o problema possa voltar, Alyne está usufruindo. Ela voltou com a carga toda para a mesma área da Saúde. Esta área – como tantas outras essenciais – está um desastre desde que Paulo Norberto Koerich, PL, foi empossado e escolheu o funcionário de carreira Arnaldo Gonçalvez Munhoz Júnior para ser o secretário da Saúde. Arnaldo cuidava exatamente dos postinhos, sempre um caos na administração de Kleber, onde também, foi um dos 12 secretários efetivos e interinos de Saúde.
Ninguém pode reclamar que não é de Gaspar e que não possui experiência.
Na época da nomeação de Arnaldo, até perguntei ao eleito a razão da escolha e se isto não era um risco – a associação com o antigo governo de Kleber desastrado nesta área da Saúde. A resposta, arrogante, ou ingênua, era de que se tinha boas recomendações. A justificativa na ponta da língua era: o time de Kleber não deixou Arnaldo fazer o que entendia como poucos e sabia fazer. Alyne está lavando a minha alma mais uma vez. E não deve fazer isso por conta própria, diante de outras escorregadas semelhantes. Deve ter aval expresso de Paulo Norberto Koerich, PL.
O que aconteceu? A Saúde Pública em Gaspar continua um caos como antes. O Hospital poderá ser página virada, mas os postinhos, a policlínica, e as enormes filas de exames e consultas com especialistas represadas, não. E estamos em tempo de caça a votos. E os doentes, com a faca nos dentes, dor e sofrimento. Uns gastando o dinheiro que não têm. Outros vendo as doenças agravando-se, quando não a própria morte.
Pelo jeito, Arnaldo já cumpriu o seu papel: o de ser testa de ferro no demoradíssimo e secreto processo de transição do Hospital de Gaspar para o Hospital Santo Antônio, de Blumenau. E estão arrumando um pé para ser descartado e o rearranjar as forças políticas no governo. Ele é indicação do PP e apadrinhado pelos vereadores José Hilário Melato e Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos. Agora, entrou na mira dos políticos naquilo que os políticos sabiam dele há muito tempo atrás. Injusto.
Outra. Até porque o posto de Saúde que Alyne mostra no vídeo, foi entregue no final da gestão de Kleber. Se o posto não funciona adequadamente, se está mal cuidado, é porque o governo Paulo Norberto Koerich, PL, não cuidou, ou não foi atrás de quem o construiu para repará-lo dentro do prazo de garantia, igualzinho o que acontece na enrolação de mais de um ano e meio com a busca da reparação de quem fez as obras do pasto do Jacaré.
Então. Esta gente está culpando quem, sem não ela própria pelos erros que teima em repeti-los e não quer vê-los expostos? As redes sociais e os aplicativos de mensagens perderam o medo das “otoridades”. As rádios estão abrindo os microfones até então tão controlados. E esta marca está colando contra um governo que jurou mudanças e virou uma filial de gente que não funcionou em Blumenau, não conhece Gaspar, não mora em Gaspar, não tem compromisso com o governo e os gasparenses.
E quem está levando a culpa, porque aceita tudo isso dessa forma, é Paulo Norberto Koerich, PL. Quem mesmo o orienta? Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Como funciona I. Inconformados com o jornalismo de resultado, bandidos “ofereceram” à jornalista Malu Gaspar, de “O Globo” suborno milionário e coação para ela silenciar os artigos e comentários sobre o Banco Master. A investigação da Polícia Federal – e não Malu – revelou que Daniel Vorcaro e seu sócio Thiago Miranda tentaram calar a jornalista com um contrato que incluía “luvas” de R$ 1,5 milhão e salário de R$ 120 mil.
Como funciona II. Este tipo de bandido existe em todo lugar. Primeiro, tenta um acordo, afinal todos tem um preço e um tipo de medo. Quando não consegue, desmoraliza vasculhando o passado, inventa, arma, processa, desacredita, prejudica, rouba patrimônio, inferniza para tentar continuar roubando os particulares e os pesados impostos cada vez mais altos e on line do povo. Na área de comentários, reproduzido “É bom observar o espanto de um estrangeiro com o que ocorre no Brasil e no STF“, de Fernando Schüller, na Veja. Um perigoso espanto.
Perguntar não ofende. Os candidatos a deputado Estadual e a Federal com domicílio eleitoral em Gaspar realmente estão fazendo campanha para a Assembleia e a Câmara Federal, ou a Câmara de Gaspar? Se não conseguem sair nem de seus bairros, lidando com problemas bem caseiros, vão se eleger por uma cidade ou região? Credo.
Terminaram (dia primeiro de Julho) as entrevistas para os candidatos deste outubro nas rádios sem a supervisão da Justiça Eleitoral com o mesmo espaço. Acabou (quatro de julho) a farra das inaugurações com candidatos presentes e discursando se dizendo pai das coisas mal feitas, ou mal explicadas.
Se o “El Niño” estacionar as “cumulus nimbos” sobre o Vale do Itajaí como no inverno de 1983 e 1984, estará estabelecida outra tragédia além das enchentes: o afogamento dos votos dos políticos ligados ao governo de Jorginho Mello, PL. O governo do estado mobilizou a máquina de propaganda para esconder e desmentir.
Entretanto, as redes sociais furaram as bolhas oficiais. A barragem Norte de José Boiteux está comprometida para diminuir em até dois metros do nível do Rio Itajaí Açú em Indaial, Timbó, Blumenau e Gaspar. Pior, os índios depois de dois anos, ainda não receberam as casas deles como parte do acordo com o governo Federal e Estadual. Impressionante.
Grande obra. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, anunciou uma grande conquista. A Celesc acaba de fazer um favor e abrir cinco vagas de estacionamento no seu posto de atendimento em Gaspar. Credo.
Um ano e meio depois, com gente candidata, ninguém na Câmara de Gaspar cedeu sua vaga a suplentes.
Uma cena gasparense. Contrataram um maquinário para limpar valas na região Sul da cidade. Uma parte dos proprietários permitiu, a outra não. Quem perde? Todos. E ninguém com autoridade para obrigar ou convencer os teimosos. Pior. O operador da máquina nunca havia feito antes este tipo de serviço. Um desperdício, também. Então quem errou mais uma vez? Muda, Gaspar!
Aviso: esta semana, terei dificuldades na produção de novos artigos. Seguem apenas a atualização da área de comentários do meu espaço e do Miguel Teixeira, direto de Brasília.
25 comentários em “A CATÁSTROFE ADMINISTRATIVA E POLÍTICA DEVIDO À FALTA DE RESULTADOS PROMETIDOS E ESPERADOS, CHEGOU A GASPAR DEPOIS DE UM ANO E MEIO DA GESTÃO. ELA JUROU NOS PALANQUES IA MUDAR A CIDADE. E ESTA TORMENTA VEIO COM MUITA INTENSIDADE, ANTES MESMO DO IMPREVISÍVEL E TEMIDO “EL NIÑO”. E NO RADAR ESTÁ A PRESSÃO DAS ELEIÇÕES. AO INVÉS DE DISCURSOS COMEMORATIVOS SÓ EXPLICAÇÕES, JUSTIFICATIVAS E MUITO FOGO AMIGO”
Pingback: ESTOU DE ALMA LAVADA, MAS PREOCUPADO. "REPENTINAMENTE" A SAÚDE PÚBLICA EM GASPAR VIROU A GENI. ESTÃO ATIRANDO PEDRAS NELA. E QUEM FAZ ISTO? A PRÓPRIA BASE DO GOVERNO PAULO. EU APONTEI ESTE CAOS CONTRA OS GASPARENSES MAIS VULNERÁVEIS O ANO P
Quando o conhecimento perde espaço para o espetáculo
Uma das maiores preocupações de qualquer sociedade democrática não é a divergência de opiniões, mas o momento em que o conhecimento deixa de orientar as decisões públicas e passa a ser substituído pelo espetáculo, pelo engajamento fácil e pela retórica vazia.
Ao longo da história, civilizações prosperaram quando valorizaram a educação, a competência técnica, o planejamento e a capacidade de aprender com os erros. Da mesma forma, entraram em declínio quando passaram a premiar a popularidade acima da capacidade, o aplauso acima da razão e a conveniência acima da responsabilidade.
A imagem do incêndio de Roma permanece viva no imaginário coletivo não apenas pelo fato histórico, mas pelo simbolismo que representa. O fogo tornou-se uma metáfora para períodos em que instituições enfraquecem, o debate público se empobrece e a busca pela verdade é substituída pela busca por aprovação imediata.
O problema não está na discordância. O contraditório é essencial à democracia. O problema surge quando argumentos deixam de ser avaliados por sua consistência e passam a ser medidos apenas por sua capacidade de mobilizar emoções ou gerar repercussão. Nesse cenário, especialistas são tratados como obstáculos, dados são ignorados e decisões públicas passam a ser orientadas por interesses de curto prazo.
O poder público possui uma responsabilidade especial nesse contexto. Governantes e agentes públicos administram recursos, serviços e políticas que afetam diretamente a vida da população. Por isso, espera-se deles compromisso com a verdade, respeito às instituições, transparência e capacidade de fundamentar suas decisões em evidências e não apenas em conveniências políticas.
Quando hospitais apresentam dificuldades, quando a mobilidade urbana se deteriora, quando o acesso à moradia se torna cada vez mais difícil e quando a população percebe uma distância crescente entre discurso e realidade, torna-se legítimo questionar se as prioridades da administração pública estão realmente alinhadas com as necessidades da sociedade.
A crítica responsável não busca destruir instituições. Pelo contrário: busca fortalecê-las. Questionar governantes, fiscalizar decisões e exigir coerência são deveres de uma cidadania consciente. O silêncio diante dos erros não produz estabilidade; produz acomodação.
A história ensina que sociedades não se enfraquecem apenas por crises econômicas ou conflitos externos. Muitas vezes, o declínio começa quando a competência deixa de ser valorizada e a superficialidade passa a ocupar espaços que deveriam ser preenchidos pelo conhecimento, pela responsabilidade e pelo compromisso com o interesse público.
Defender a razão, a ética e a boa gestão não é uma posição ideológica. É uma exigência fundamental para qualquer sociedade que pretenda construir um futuro mais justo, eficiente e democrático.
Excelente. Obrigado. Hoje há artigo inédito, que vai no mesmo sentido, mas dando nome a alguns desses personagens que se acham intocáveis e parecidos deuses a serem adorados
TRUMP PRECISAVA APARECER NA FESTA DO FUTEBOL, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo
O presidente americano Donald Trump deu um jeito, arrumou uma encrenca com o árbitro brasileiro Raphael Claus e virou personagem da Copa do Mundo. Puro Trump. Afinal, ele continua dizendo que ganhou a eleição de 2020. É verdade que parou de falar que Barack Obama nasceu na África. No primeiro mandato, produziu 30.573 mentiras ou falsidades, 21 por dia. De volta à Casa Branca, seguiu na mesma toada, porque esse é seu estilo, e a encrenca com Claus é um estudo de caso de sua essência.
Na quarta-feira passada, o centroavante Folarin Balogun pisou no tornozelo do zagueiro Muharemovic, da seleção da Bósnia. Depois de ver o vídeo no VAR, o árbitro Claus expulsou-o do campo. (Balogun disse que aceitava a decisão.) Trump contou que, até então, não sabia o que significava a apresentação de um cartão vermelho, com a consequente suspensão para o jogo seguinte, contra a Bélgica.
Até aí, seria o jogo jogado, com um torcedor contestando um árbitro. No dia seguinte, o presidente dos Estados Unidos decidiu ligar para Gianni Infantino, presidente da Fifa, pedindo que anulasse a suspensão. Novamente, jogo jogado, pois cartolas adoram pressões de poderosos, e Infantino deu a Trump um inédito Prêmio da Paz depois que ele, com suas guerras, foi esquecido para o Nobel. Conseguiu. De lambuja, estendeu a encrenca às federações de futebol europeias.
Na segunda-feira, na Casa Branca, Trump assumiu seu estilo. Avançou no tornozelo do árbitro. Sustentou que não houve falta e que, pelos antecedentes, Claus é “muito suspeito”. Puro Trump. Fez a acusação sem uma migalha de argumento.
Mais: mobilizou janízaros da Casa Branca para contestar a honorabilidade de Claus. Não se discute mais a falta de Balogun, nem se exibe o vídeo.
Roy Cohn, o temível litigante dos tribunais americanos, mentor do jovem empresário Donald Trump, ensinava:
— Não me diga o que diz a lei. Diga-me quem é o juiz.
Os juízes, àquela altura, eram Infantino e alguns cartolas da Fifa. Bingo. (Em setembro, chega às livrarias americanas uma biografia de Cohn, com o seguinte título: “Um canalha americano”.)
A realidade paralela, que Trump cultiva e manipula, explica a encrenca. O mundo vive a festa de uma Copa. A cerimônia inaugural do certame teve mais audiência que a ida do presidente ao sopé do Monte Rushmore, onde estão esculpidos na rocha os rostos de quatro de seus antecessores. Ele precisava entrar naquela festa.
Entrou defendendo um atleta negro e admirado, parte de uma seleção festejada. Com o Brasil eliminado, falou-se mais de Trump que da malcriação de Neymar com o goleiro norueguês. Trump não sabia o que significava um cartão vermelho, não tem noção do que vem a ser um impedimento e talvez ache que a meia-lua da grande área seja um enfeite, onde poderiam pôr seu retrato. Conseguiu entrar na festa da Copa, por poucos dias.
Na noite de segunda-feira, sem telefonemas, os deuses do futebol decidiram. Com Balogun em campo, a seleção americana foi mandada para casa.
Futebol, jogado dentro das quatro linhas, ainda é coisa séria.
DELÍRIO FISCAL, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Os principais economistas e especialistas em contas públicas preveem que o País terá de fazer um brutal choque de gastos no ano que vem para evitar o colapso das contas públicas semelhante ao que vimos em 2015 e 2016, durante o governo Dilma Rousseff. Mas o esperançoso ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, garantiu ao Estadão que o País vai atingir um superávit primário em 2027, sem que para isso seja preciso aumentar impostos ou promover um drástico corte de despesas.
Não parece algo minimamente crível, mas é exatamente o que diz o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) que o governo enviou ao Congresso Nacional em abril. E será com base nele que o Executivo pretende apresentar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) em agosto.
A julgar pela entrevista de Moretti, tudo será diferente a partir de agora, e o Executivo, enfim, perseguirá o centro de meta em 2027 – o que nunca fez desde que propôs e aprovou o arcabouço fiscal – e alcançará um saldo positivo de R$ 73,22 bilhões entre receitas e despesas, o equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Para chegar a esse resultado – insuficiente para estabilizar a trajetória da dívida pública, mas ambicioso para o padrão fiscal dos governos lulopetistas –, bastarão “instrumentos” de gestão do Orçamento, como gatilhos para conter gastos com pessoal e benefícios tributários, assegurou o ministro.
Difícil acreditar nas previsões do ministro quando o próprio Tesouro Nacional trabalha com um cenário bem diferente. Na edição mais recente do Relatório de Projeções Fiscais, o órgão prevê que o País encerrará o ano de 2027 com déficit de 0,1% do PIB, e só conseguirá atingir o piso da meta, de 0,25%, considerando todas as despesas que podem ser excluídas do cálculo, como precatórios.
Se o objetivo for cumprir o centro da meta, ou seja, 0,5% do PIB, será preciso adotar medidas adicionais para aumentar a arrecadação ou contingenciar despesas equivalentes a 0,2% do PIB, de acordo com as projeções do Tesouro Nacional. Não é algo trivial, mas, para o período entre 2028 e 2030, esse esforço teria de ser ainda maior, da ordem de 1,2% do PIB, diz o relatório.
O otimismo de Moretti é calculado – afinal, números dizem qualquer coisa, sobretudo quando eles vêm da Junta de Execução Orçamentária em um ano eleitoral. A questão é que as variáveis macroeconômicas e fiscais com as quais o Executivo trabalha parecem boas demais para ser verdade, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado.
De acordo com o Relatório de Acompanhamento Fiscal da IFI, “isso influenciaria as projeções futuras de despesas e receitas, gerando um cenário de resultados primários pouco factíveis sem ajustes fiscais relevantes, afetando, consequentemente, as estimativas para a dívida pública”. Para estabilizá-la, calcula a IFI, seria necessário gerar um superávit de 2,1% do PIB, a cada ano.
Moretti prefere tapar o Sol com a peneira a reconhecer que o governo não tem feito um esforço fiscal compatível para esse objetivo. “Nosso papel é demonstrar a potência dessa agenda, demonstrar como nós vamos evoluir no processo de consolidação fiscal até para trazer a valor presente uma confiança capaz de afetar os preços dos ativos financeiros”, disse.
A equipe econômica do governo Lula defende a meta fiscal como se ela fosse um fim em si mesmo e culpa as taxas de juros pelo aumento da dívida. De fato, é mais fácil assumir essa tese do que admitir que a política fiscal foi expansionista desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito e antes mesmo que ele tomasse posse.
“Não concordo que a gestão fiscal seja o ponto central ou o único ponto para explicar o juro elevado”, afirmou o ministro, que prefere atribuir a piora das expectativas de inflação a questões climáticas, à expectativa do El Niño e ao choque do petróleo causado pela guerra no Oriente Médio. A verdade é que nem os números nem o discurso do ministro convencem. E se Lula for reeleito e insistir nessa tese, o País terá de se preparar para tempos ainda mais difíceis.
INTERVENÇÃO DO BEM NO RIO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Edson Fachin marcou para 19 de agosto a retomada do julgamento sobre como será – seria – a eleição para mandato-tampão de governador no Rio de Janeiro. Seria; porque não será. Palhaçada teatral destinada a cumprir, como se sob rito legal, o que foi decisão autoritária tomada no instante em que Cláudio Castro renunciou ao Guanabara, em março. Haverá eleição suplementar nenhuma, direta ou indireta. E todo mundo sabe disso.
Haverá eleição suplementar nenhuma, qualquer que seja a decisão do Supremo, porque, àquela altura, a deflagração de pleito extra treparia no processo eleitoral regular, cuja votação será em 4 de outubro. Não haveria tempo. Sobraria insegurança jurídica. Escassezes de tempo e de segurança jurídica forjadas pela maneira como Flávio Dino geriu um pedido de vista feito em 9 de abril.
Ao pedir vista, o placar marcava 4 a 1 pela eleição indireta, na Alerj, condição em que Douglas Ruas, deputado estadual e pré-candidato ao governo pelo PL, venceria – e governaria o Estado eleição ordinária de outubro adentro. O STF não queria. Dino pediu vista.
Naquela ocasião, prometeu que devolveria a matéria à deliberação quando da publicação do acórdão, pelo TSE, relativo ao julgamento que condenara Castro à inelegibilidade. O acórdão foi divulgado em 23 de abril, ocasião em que disse que esperaria pela apreciação dos recursos, cujo produto teve publicação em 16 de junho. O ministro devolveu a vista em 30 de junho, véspera do recesso do Judiciário.
Haverá eleição suplementar nenhuma, direta ou indireta. E todo mundo sabe disso. O STF não quer. Tampouco quer – e todo mundo sabe disso – que o presidente da Alerj assuma a cadeira de governador que lhe caberia, considerada a linha sucessória estadual. Não permitirá que Douglas Ruas, olha ele aí de novo, da turma que sustentava Castro, governe e se cacife como adversário competitivo de Eduardo Paes. O STF quer mudança. Porque – você sabe – o eleitor fluminense vota mal…
O Rio está sob intervenção do Supremo. Escrevo a respeito pela terceira vez neste jornal. Não é algo popular de se dizer, porque a interposição do Judiciário alijou do poder, no ano eleitoral, o grupo político bolsonarista, o mesmo de Ruas, que pilhara o Estado nos últimos anos e sobre o qual o cronista só tem certezas. A população desprezava Castro e seus bacelares – e ora celebra a moralização tocada por um juiz salvador da pátria.
Intervenção, portanto, virtuosa; ao que se somará, como cartaz, o trabalho de saneamento promovido pelo governador-desembargador-interventor Ricardo Couto, presidente do TJ. Um herói, cujo período artificialmente alongado de heroísmo planta vários precedentes. (Como se sabe, os precedentes só viram problema quando usados contra os nossos.)
Para que fique claro: o STF determinou que Couto passará a faixa (tudo o mais constante) a Paes, em janeiro. Até lá, encene esse teatro quem quiser.
Este editorial, trata de um assunto específico. Entretanto, ao ser lido, ele responde muito a razão por que a atual administração de Gaspar, patina. Estamos limpando bueiros, entupidos há anos, por falta de simples manutenção e negação aos apelos da própria comunidade. Basta olhar as milhares indicações de anos dos vereadores. Não estamos discutindo o futuro e como inserir no mundo de competitividade e oportunidades de um tal Vale Europeu, liderado e saturado, por Blumenau, ou o Litoral de Itajaí e Navegantes. Até a revisão do Plano Diretor, atrasado em anos, é para atender a interesses não coletivos, mas de uma casta de negociadores do solo em prejuízo de outros.
COMPETITIVIDADE NÃO SE IMPROVISA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Durante décadas, a pecuária brasileira acostumou-se a disputar mercados internacionais com a convicção de que produzir bem e barato bastaria. Novas exigências sanitárias ou ambientais eram frequentemente recebidas como barreiras protecionistas, sob a expectativa de que a negociação política acabaria prevalecendo sobre elas. O impasse com a União Europeia mostra que esse tempo acabou.
A partir de setembro, a União Europeia poderá deixar de comprar carne bovina, aves, pescado e mel brasileiros porque o País não apresentou garantias suficientes de cumprimento das novas regras sobre o uso de antimicrobianos. Essa resolução não é de hoje. É de 2023. O governo, que se movimentou apenas a partir de 2025 para tratar do tema, tenta reverter a decisão por meio de negociações diplomáticas e de um novo protocolo de certificação. A iniciativa deve ser saudada. O problema é que ela chega tarde e dificilmente será suficiente para evitar os custos produzidos pelo atraso.
Como resumiu o especialista no setor Pedro de Camargo Neto, em entrevista ao Estadão, “não interessa se é protecionismo ou não”. Quem pretende disputar os mercados mais exigentes precisa estar preparado para cumprir suas regras enquanto continua negociando para modificá-las. Ao tomar conhecimento das normativas de 2023, outros países do Mercosul, como Argentina, Uruguai e Paraguai, se movimentaram rapidamente para adequar a cadeia produtiva e seguem como fornecedores ao bloco europeu.
No Brasil, para contornar a situação, o governo está implementando um protocolo que acompanha todo o ciclo da cadeia produtiva para atender a essa exigência e a outras que já circulam pelos mercados mais restritivos. O problema é que nem toda demora pode ser corrigida por decreto. Na pecuária, a própria biologia impõe um limite que nenhuma negociação diplomática consegue acelerar.
Um frango completa seu ciclo produtivo em pouco mais de 40 dias. Um boi pode levar de 24 a 36 meses entre o nascimento e o abate, isso quando criado dentro de excelentes padrões tecnológicos. Isso significa que dois anos perdidos de preparação não podem ser recuperados em dois meses de força-tarefa. O novo protocolo pode ser tecnicamente adequado, mas seu efeito necessariamente será lento. Na bovinocultura, o tempo também é um insumo de produção.
Há ainda uma lição mais ampla. O agro acostumou-se a ser tratado com enorme condescendência pelo Estado brasileiro e parece ter imaginado que encontraria a mesma tolerância no mercado internacional. Não encontrou.
Compradores globais exigem cada vez mais rastreabilidade, transparência e capacidade de demonstrar conformidade. O Brasil continua sendo uma potência agropecuária e, justamente por isso, já passou da hora de agir como tal antecipando tendências, preparando-se para mercados cada vez mais exigentes e deixando de tratar previsíveis mudanças regulatórias como se fossem surpresas de última hora.
Carregar uma Bíblia nas mãos nunca foi salvo-conduto para a prática da pior espécie de maldade. A fé verdadeira se revela nas atitudes, não na aparência. A investigação sobre o suposto esquema de propina envolvendo contratos de segurança após a tragédia da creche de Blumenau mostra que até momentos de dor podem ser explorados por pessoas sem escrúpulos. Quem instrumentaliza a religião para encobrir corrupção trai tanto a lei quanto os princípios que diz defender.
Carregar uma Bíblia não é salvo-conduto para a prática da pior espécie de maldade. Da mesma forma, ser delegado ou ex-delegado não é salvo-conduto para qualquer conduta antiética nem para se cercar de pessoas investigadas por envolvimento em esquemas de corrupção.
Nenhum cargo, profissão ou símbolo religioso coloca alguém acima da lei. O caráter é demonstrado pelas atitudes, não pelo discurso, pelo cargo ou pela Bíblia que se carrega nas mãos.
Eu se fosse você, não publicarias o link, acredito que vá se incomodar, mas é perfeitamente compreensível nas mãos de quem a cidade esta
Correto. Nenhuma profissão, nenhuma formação profissional, nenhuma prática religiosa é atestado de conduta ética, porque depende, exclusivamente, de quem a possui, nem é sinal prévio de capacidade resolutiva, inovadora e de liderança, pois dependem de atualização, oportunidade e principalmente das habilidades individuais.
Quanto ao link, exclui não pelos motivos óbvios que você cita, mas porque o citado, não tem nada a ver com o resultado atual em Gaspar, mesmo que a lembrança e a comparação possa suscitar reflexões.
DA TELA À REALIDADE, pelo torcedor e eleitor [de Gaspar], Aurélio Marcos de Souza
Vivemos a era em que um celular vale mais do que um currículo. Em que curtidas parecem substituir competência, seguidores são confundidos com credibilidade e viralizar virou sinônimo de mérito.
A sociedade brasileira está ajudando a fabricar políticos, celebridades e até jogadores muito mais famosos nas redes sociais do que eficientes na vida real. O palco digital transformou a imagem em produto e a popularidade em certificado de qualidade. O resultado? Aplaudimos quem sabe aparecer e depois nos perguntamos por que faltam resultados quando a realidade cobra desempenho.
No esporte, na política e na vida pública, o roteiro se repete. Enquanto o algoritmo distribui fama, o trabalho silencioso perde espaço. Enquanto o marketing vende narrativas, a competência deixa de ser prioridade. E quando chega o momento da verdade , uma ELEIÇÃO, uma CRISE ou uma COMPETIÇÃO, a tela se apaga e sobra apenas a realidade.
A culpa não é apenas de quem vive para aparecer. É também de quem consome sem questionar. Cada curtida, compartilhamento e idolatria cega fortalece essa cultura em que a aparência vale mais do que a entrega.
Está na hora de inverter essa lógica. Seguidores não governam cidades. Likes não vencem campeonatos. Reels não substituem preparo. Stories não entregam resultados.
Chega de eleger influenciadores para funções que exigem competência. Chega de transformar fama em mérito. O BRASIL PRECISA VOLTAR A ADMIRAR QUEM TRABALHA, ESTUDA, PRODUZ E ENTREGA RESULTADOS, e não apenas quem domina o algoritmo.
Seguidores medem alcance. Competência se mede quando a vida real entra em campo.
Herculano, talvez e somente talvez, você consiga me esclarecer?
A culpa é de quem?
Beira o pastelão a atuação dos nossos nobres vereadores. Talvez venha daí a calmaria com que o governo Paulo desfila sua notória “incompetência”: com uma oposição e uma base dessas, quem precisa de eficiência?
Uma rápida passada pelas redes sociais dos nossos edis escancara o óbvio: eles não fazem a menor ideia de quais são seus reais atributos constitucionais. É um misto de desconhecimento com pura falta de vocação para a coisa pública.
Quando leem que sua função precípua é **fiscalizar**, a maioria imagina que o trabalho consiste em calçar botas, correr atrás de buracos no pavimento e apontar para bueiros entupidos em vídeos de trinta segundos. Viraram fiscais de asfalto com mandato eletivo.
A coisa é tão patética que, nas últimas sessões a própria líder do governo verbalizou o absurdo: reclamou que tem colega cobrando a solução de buracos sem sequer ter aberto um protocolo avisando a prefeitura. Ora, façam-me o favor! Não é função do vereador avisar a prefeitura sobre o cotidiano da cidade, e, doa a quem doer, muito menos é função de parlamentar acordar cedo para caçar crateras na rua. Para isso existe o aplicativo de ouvidoria e o cidadão comum.
O papel de um vereador que se preze é macro, não micro.
Eles deveriam estar debruçados sobre:
* A legalidade das licitações e as pegadinhas dos editais;
* A execução dos contratos e a idoneidade dos pagamentos;
* A farra das dispensas de licitação e as contratações camaradas de escritórios de advocacia.
Mas fiscalizar o dinheiro grosso dá trabalho, exige neurônios e, pior, corta o canais de fisiologismo. Eles preferem — ou talvez só tenham capacidade cognitiva para isso — focar nos bueiros.
Enquanto a Câmara se apequena no varejo da politicagem barata, o prefeito segue com o tanque cheio e total liberdade para dirigir a cidade em marcha ré.
Maria Paula
O que posso respondê-la se você já bem diagnosticou e já respondeu, naquilo que não nasceu hoje e é persistente há mais de um ano e meio?
Os culpados? Na minha avaliação são os eleitores e eleitoras. Escolheram errado, o que é possível. Mas, não reagem à decepção e ao circo dos que cercam o poder de plantão e que vem de outros governos há várias décadas. Se reagissem, o próprio Paulo Norberto Koerich, PL, e seu entorno, já teriam se contorcido em explicações, mudanças e resultados.
E estes mesmos eleitores e eleitoras estão sendo iludidos e vão votar nos mesmos que elegeram e não estão produzindo resultados para eles e a cidade. Triste.
O problema não é exatamente culpa do eleitor pela escolha errada, mas na cartela de candidatos que nos empurram goela abaixo como “opção”, todos com contrato de fidelidade PARTIDÁRIA com o capeta, donos das siglas e senhores do seu destino.
Junte-se aí o fato que é muito fácil ao ser humano se acostumar com o que é bom; o difícil é retroceder,pra que todas as melancias se acomodem na caçamba..
Se as candidaturas avulsas fossem permitidas, e se o voto não fosse obrigatório, talvez o POVO tivesse mais controle sobre o resultado das suas escolhas.
Sobre a nossa omissão no exercício pleno da cidadania, são resquícios da época da ditadura, quando quem questionava as ações do governo ia parar na masmorra, ou simplesmente “sumia”.
👏👏👏
A vereadora Alyne que nem conhecia, lavou a alma nossa aqui da Policlínica… pois ninguém fala da real situação da saúde de Gaspar
Credo. A vereadora Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, lavou a sua alma? Ela é a líder do governo desde que Paulo Norberto Koerich, PL, escolheu antes de se instalar na prefeitura o secretário de Saúde Arnaldo Gonçalves Munhoz Júnior. Desde então, só queixas. Nada de melhoria. E um ano e meio depois, após a cidade inteira se queixar e sofrer, ou seja, muito tardiamente, ela reconheceu o que o povo reclama e o que este espaço sempre relatou, denunciou e escreveu sob ataque do governo? E vira sua heroína? Hum. Parece desespero pré-campanha na busca de votos para os políticos que ela apoia para a eleição deste ano. Outra cortina de fumaça.
Sou servidora publica da Policlínica tenho uma convicção, precisamos tirar o Arnaldo (secretário), Sandro (Superintendente de saúde) e Eliane (coordenadora dos postos) eles trabalham a 17 na Policlínica nunca foram conhecer a realidade dos postos de saúde está na hora deles irem conhecer… votamos no delegado achando que isso iria acontecer, no dia que o Arnaldo foi anunciado como secretário, choramos de raiva… mas uma vez fomos enganados pelo sistema
Perfeito e continuado prefeito. Estão cegos, há um ano e meio o prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, e o grupo que ele delegou para mandar na cidade e burocratizar a prefeitura contra a própria imagem que nele tinha: o chefe de Gabinete, Paulo Inácio Bornhausen, PP; a secretária de Administração e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha e outros de um clubinho bem particular do atraso. Este depoimento é forte e lava a minha alma e as dezenas de artigos que escrevi até agora, e que não são lidos por ninguém, segundo estes mesmos poderosos de plantão.
AS REFORMAS SÃO NECESSÁRIOS, MAS FALTA LIDERANÇA, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
‘Hoje nós temos uma convicção muito grande de que a República está podre. Hoje os Poderes estão contaminados com ineficiência, e isso acaba abalando a confiança da sociedade brasileira na República.’ O diagnóstico, contundente, é de Gilberto Kassab, presidente do PSD. Foi enunciado na semana passada, quando o político assumiu a posição de vice na chapa do ex-governador Ronaldo Caiado, pré-candidato a presidente. Caiado não deixou por menos. Disse que a política brasileira está tomada por práticas de corrupção, negociatas e acordos ilegais e imorais. A imprensa registrou, o mundo político tomou conhecimento… e ficou por isso mesmo.
Não que as denúncias sejam infundadas. As operações da Polícia Federal têm apanhado figuras dos três Poderes, envolvidas em práticas “imorais e ilegais”. Se não é toda a República que está podre, pode-se dizer que há muita podridão em muitas esferas do poder. A imprensa independente tem colocado nas manchetes essas operações. Por que não fez o mesmo com as denúncias de Caiado e Kassab? Por um motivo simples: fatos valem mais do que declarações. E a chapa do PSD mal passa dos 3% nas pesquisas.
Há, no entanto, uma explicação mais interessante do que a aritmética eleitoral. É uma espécie de lei das campanhas presidenciais: quanto menos pontos tem o candidato, mais contundente é seu programa. O corolário é igualmente confiável — quanto mais ele sobe nas pesquisas, mais prudente se torna.
Caiado e Kassab estão livres para dizer o que pensam precisamente porque ninguém espera que cheguem ao segundo turno. Nenhum dos dois, registre-se, foi apanhado em qualquer malfeito — mas talvez o eleitorado, cansado, esteja mesmo em busca de gente nova, e isso já baste para explicar o desinteresse.
Em circunstâncias normais, essa prudência crescente é até positiva. Melhor um moderado que um radical. Ocorre que o Brasil não vive um momento normal — e é aí que a lei das campanhas vira armadilha. Ignorar o mensageiro, desta vez, tem um custo: não invalida a mensagem. O Estado é disfuncional: gasta mais do que arrecada; gasta mal; é ineficiente na maior parte de suas políticas. E a velha política segue tomada por práticas imorais e ilegais.
Dito de outro modo: os dois, Caiado e Kassab, podem estar isolados nas pesquisas e, ainda assim, estar certos. Têm razão, inclusive nas propostas: reforma administrativa para eliminar privilégios e rever subsídios; corte de despesas correntes; mais investimentos públicos; e nada de aumento de impostos.
Eis onde estamos: o país precisa de reformas, especialmente na economia e, mais especialmente ainda, na Previdência. Mas não se vê no horizonte nenhuma liderança capaz e com vontade de comandá-las. Entre economistas independentes, circula o entendimento de que as reformas fiscais serão necessariamente feitas no ano que vem, impostas pela realidade.
Os dados são eloquentes. Há uma tendência de aumento do gasto público, que tem sido pago com elevação de impostos e dívida pública. E uma inflação que tem sido controlada com juros muito altos, asfixiando empresas e famílias. Se essa tendência não for invertida, o futuro não distante aponta para outro período de recessão com inflação — como visto na gestão de Dilma Rousseff.
Sim, é grave assim.
Nada disso aparece nas campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, os ponteiros nas pesquisas. O governo Lula aumentou os gastos todos os anos e acelerou neste momento eleitoral. Mais: o presidente não perde oportunidade de criticar quem sugere políticas de ajuste fiscal. Flávio é herdeiro de um governo Bolsonaro que também aumentou os gastos no ano eleitoral, além de ter cometido pecados ainda mais graves no período da pandemia e na tentativa de golpe. Além disso, a polarização impede a abertura de um debate consistente.
A criação do Real foi mais difícil. Mas havia FH para liderar a inédita e brilhante reforma monetária. O problema atual é mais simples do que liquidar a hiperinflação. Todo mundo sabe o que é um ajuste fiscal. Mas falta a liderança.
MAIS FUZIS DO QUE PÁS NA VENEZUELA, por Demétrio Magnoli, no jornal O Globo
Não faltou ajuda internacional. No socorro às vítimas dos terremotos na Venezuela, engajaram-se 17 países com equipes de resgatistas, especialistas, equipamentos, hospitais de campanha. Mas, diante de tragédias naturais de grandes proporções, nenhuma operação humanitária externa substitui eficientemente os recursos internos. À medida que passavam as horas e os dias, ficou patente o colapso estatal venezuelano.
O regime chavista dilapidou sistematicamente os bens públicos ao longo de anos. Na hora da catástrofe, as vítimas foram deixadas à própria sorte por uma camarilha habituada apenas a roubar e reprimir. Faltou tudo, inclusive combustível, num país que se jacta de possuir as maiores reservas petrolíferas do planeta.
Em Los Corales, no litoral caribenho, a menos de 40 quilômetros de Caracas, o operador de uma retroescavadeira governamental não apareceu na cena, de modo que os residentes fizeram uma vaquinha para remunerar um substituto.
— Havia pessoas respondendo sob as ruínas quando as chamamos, mas agora estão mortas — testemunhou Rosalia Bustamante, moradora local.
Lá, mais de uma dúzia de cadáveres foram recuperados de um edifício destroçado. Na ausência de sacos apropriados, terminaram embrulhados em plásticos de lixo e começaram a se decompor sob o sol dos trópicos.
Centenas de voluntários deslocaram-se em motos de Caracas a Cátia La Mar, em La Guaira, para auxiliar os resgates. Uma barreira policial tentou bloquear-lhes o trajeto.
— Aqui, há mais fuzis que pás, irmão! — gritou um deles aos homens armados.
O general reformado Antonio Rivero registrou que o governo poderia ter convocado as Forças Armadas com seus caminhões, geradores e sensores, mas não convocou. Ángel Rangel, ex-chefe da agência de defesa civil, explicou:
— Eles estão preparados para distúrbios sociais, não desastres naturais.
Terremotos implodem ditaduras cleptocráticas. Na Nicarágua, depois da catástrofe de dezembro de 1972, o roubo descarado da ajuda internacional pelo tirano Anastasio Somoza impulsionou a guerrilha sandinista que acabaria por derrubá-lo sete anos mais tarde.
Na Venezuela, do desespero, tristeza e desalento brotou uma indignação sólida. Autoridades foram vaiadas nas ruas e insultadas nas redes. O terremoto abalou as fundações do plano da Casa Branca de reforma da ditadura venezuelana.
A extração de Nicolás Maduro e sua substituição por Delcy Rodríguez (na prática, pelo novo homem forte, o ministro do Interior Diosdado Cabello) assinalaram uma brusca reorientação geopolítica. Os Estados Unidos converteram a Venezuela em protetorado informal, trocando acordos petrolíferos e minerais pela sustentação do regime falido. A ideia era deflagrar um ciclo de recuperação econômica, por meio da reativação da indústria do petróleo, a fim de estabilizar a ditadura reinventada como governo títere. Mas as ramificações políticas da tragédia ameaçam demolir o plano.
María Corina Machado, a líder opositora que concentrou as esperanças do povo, ganha nova oportunidade. Em janeiro, ao apoiar o sequestro de Maduro, imolou o princípio da soberania nacional na expectativa frustrada de um retorno triunfal patrocinado pelos Estados Unidos. Depois, acomodou-se às conveniências do governo Trump, curvando-se à vaga promessa de uma transição adiada. A crise aberta pelo desastre natural a coloca numa encruzilhada.
Dias atrás, uma dura advertência americana barrou seu ensaio de voltar clandestinamente ao país, via Curaçao. Segundo alega a Casa Branca, seria preciso evitar tensões políticas no pós-terremoto. Delcy Rodríguez invocou o mesmo álibi para impor a exigência de autorização oficial à chegada de voos internacionais a Caracas. Fuzis, em lugar de pás. A segurança da camarilha no poder, não o auxílio às vítimas, é a prioridade absoluta do governo.
Há indícios de que o terremoto servirá como pretexto, tanto em Caracas como em Washington, para enterrar a perspectiva de eleições livres. Corina Machado encara uma escolha decisiva: permanecer alinhada a Trump, à custa de sua liderança popular, ou empunhar a bandeira da democracia, correndo os riscos do retorno.
Governo Paulo é fraco como foi ele secretário estadual. Tanto que não durou. Só conversar com o pessoal da segurança pública pra confirmar. Infelizmente é medroso, rancoroso e só quer ser bajulado como salvador da pátria, onde na verdade peca pela omissão ou….
De início a culpa era governo anterior; depois falta de recursos; depois os vereadores; depois o vice; depois o El Nino. Então já sabemos quem erra teimosamente ou intencionalmente.
Obs.: se chover ferrou.
Não temos secretários capacitados, muito amadorismo. Vereadores boca alugadas, provavelmente a mais fraca dos últimos tempos.
Conclusão: brincam de gestão e o tempo passa. Mas o legado ficará, e não é nada positivo.
Interessante. Quanto mais escrevo, para ninguém ler, mais sinto o tamanho da decepção de quem votou – de quem torceu para o sucesso, como eu, confesso – em Paulo Norberto Koerich, PL. Impressionante. E isto está dentro da própria equipe.
Mas não são pagos para ler. Porém, deveriam. Porque não enxergam o óbvio.
Diz o ditado:
Pior cego é aquele que não quer ver.
Ou pra Gaspar: “Cego que guia outro cego, ambos caem no buraco”. E por aqui, também se afogam.
Mariano,
Não custa relembrar e republicar a advertência que aparece de vez em quando por aqui, aos meus não leitores e leitoras segundo os poderosos de plantão e donos da política e da cidade
Este blog não é e nunca foi impulsionado, não montou nenhum grupo de WhatsApp – ou em outros aplicativos de mensagens – para dar volume de acessos – apesar de ousadas propostas neste sentido – , não é e nunca foi monetizado pelos acessos que recebe, não é e nunca foi patrocinado por particulares, empresas, dinheiro público ou de políticos, também nunca “pediu ajuda de custos” a políticos e empresários para se manter.
Acrescento: não monta premiações, não “cria” agências para disfarçadamente intermediar negócios de comunicação aos interesses dos poderosos “amigos” do poder de ou no plantão, não “vende selos” de suposta competência, transparência ou comunicação chapa branca e também, não dá assessoria privada de qualquer tipo para qualquer político local.
O ESTRANGEIRO
É BOM OBSERVAR O ESPANTO DE UM ESTRANGEIRO COM O QUE OCORRE NO BRASIL E NO STF, por Fernando Schüller, na revista Veja
“É estarrecedor, mas também revelador”, escreveu o jornalista Glenn Greenwald, sobre o ministro “permanecer no STF, continuar julgando e prendendo pessoas”. Ele se referia às revelações dos diálogos da esposa do ministro diretamente no WhatsApp de Vorcaro, mandando o tal contrato de R$ 129 milhões. Glenn diz que não conhece escândalo judicial pior, mundo afora, na última década. E que “mesmo assim ele permanece impassível, com o mesmo imenso poder sobre o País”.
Glenn é americano. Diz o que pensa. Critica figuras de poder, não poupa esquerda ou direita, a partir de suas convicções. E por isso incomoda. Ele faz isso, entre muitas coisas, porque sabe que tem sua liberdade garantida por um País que há 235 anos consagrou seu Bill of Rights. E garante que as pessoas possam fazer exatamente isto: dizer o que pensam.
Greenwald diz que o ministro não deveria mais estar no STF. Pode-se concordar ou não com ele, mas a verdade é que há uma pergunta anterior a fazer. E muito mais simples: alguma coisa será investigada? Alguma iniciativa da PGR? Alguma ação no Congresso? De minha parte, penso que a resposta já foi dada. Por muitas razões, nos tornamos um estranho tipo de república feita de um núcleo de poder inimputável. Fora do sistema de controles republicanos, que converte em um estranho tipo de ofensa a mera ideia de que algo possa ser suspeito.
E não se trata apenas deste caso. O caso Master traz um componente ético crucial, mas o tema central do Brasil dos últimos anos é o desrespeito à regra do jogo. A longa cauda de flexibilizações legais praticada no País, nos anos recentes. Quem duvidar poderia procurar saber do destino de Eduardo Tagliaferro. O destino de um cidadão comum que deveria constranger o Brasil. O país que, diante de informações graves e incômodas, parece ter escolhido não apenas empurrar tudo para debaixo do tapete, mas converter o denunciante em réu. E logo o silêncio.
Cada um pode ter sobre isso a sua visão. Nós nos convertemos em um País em que você pode denunciar, a Malu Gaspar pode escrever 243 colunas, com fatos novos, aparecerem os contatos, os prints, os valores sem parâmetro de mercado, o que for. A única coisa que sabemos, no fim do dia, é que dificilmente alguma investigação chegará ao núcleo do poder. E que, se você for um “jornalista independente”, ou sem um bom pedigree, é melhor tomar cuidado. Desconfio que ninguém saiba disso melhor do que Vorcaro e suas equipes de defesa. E por isso procrastinam sua delação e fazem troça com o País há mais de três meses. Porque sabem de nosso incrível retrospecto e conseguem imaginar o que poderia resultar de uma delação “completa” sobre tudo que aconteceu.
O ponto central da frase indignada de Glenn é o estranhamento. O que ele está dizendo é o seguinte: vocês, brasileiros, foram se acostumando. Vocês são como aquele sapo na panela, que foi relaxando, enquanto a água ia esquentando, até serem devidamente cozinhados.
Isto aconteceu por muitas razões. A primeira delas foi o apoio de boa parte da sociedade, que por muitos anos aplaudiu nosso estado de exceção tropical, de fio a pavio, porque era importante “salvar a democracia”. Isto inclui boa parte de nossa “mídia profissional”, que só ligou o modo indignação depois do caso Master. E que hoje denuncia o absurdo brasileiro sobre o que, até há pouco, solenemente silenciava.
Outro ingrediente é o poder de fato. A proatividade ou a indiferença de um núcleo de poder que realmente parece acreditar que flutua acima dos constrangimentos da república. E fazem isso com razão. Porque, de fato, muita gente boa aceitou, no Brasil dos últimos anos, a premissa de que o que vale por aqui não é propriamente a lei ou a Constituição, mas o que um conjunto de autoridades diz que é a lei e a Constituição. De modo que não se pode praticar a censura prévia. Mas pode. Deve-se respeitar a instância devida. Ou não, a depender do contexto e da interpretação.
Agora mesmo está prestes a virar réu no Supremo um brasileiro que disse alguns impropérios a um ministro, em Coimbra, dois anos atrás. Um brasileiro comum, sem “foro”, mas está lá, processado no STF. Alguém preocupado com isso? O relator do processo é ao mesmo tempo vítima e juiz. Alguém preocupado?
Ninguém, sejamos sinceros. O medo cumpre uma função, aí, e é um sentimento legítimo. Se um jornalista foi banido, por que não aconteceria com muitos outros? Se Cleber Cabral, da Unafisco, terminou na Polícia Federal, após uma crítica, por que não aconteceria com outros dirigentes associativos? Se um deputado é processado por um discurso na Câmara, como os demais deveriam se comportar? É por estas razões que fomos deslizando. Aceitamos que se criasse uma lógica de exceção no País, que agora anda por conta própria.
Nunca me esqueço das lições de Bertrand de Jouvenel: o poder é como um organismo. Uma vez posto em movimento, não recua. E daí a obsessão moderna com os limites, com os pesos e contrapesos. Com tudo isso que assistimos ir perdendo força, no transe brasileiro recente.
De modo que é bom, vez ou outra, observar o espanto de um estrangeiro. Ele pode conhecer um pouco sobre o Brasil, mas nos enxerga à distância. Quem sabe como a justiça italiana e espanhola nos enxergaram, por estes tempos, negando extradições por razões que nos deveriam fazer pensar. O olhar do estrangeiro tem esta vantagem. Suas palavras, sabe-se lá, nos dão uma pista sobre coisas com as quais não deveríamos, definitivamente, ter nos habituados em nossa vida republicana.”