Este artigo e título foram corrigidos, alterados e revisados às 16h56min desde dia 10 de janeiro de 2026. Um artigo que não poderia esperar e diante do quadro meteorológico deste final de semana e vendo a Defesa Civil se virando nos trinta, por conta da incúria do passado e salvadores da pátria do presente que só olham os votos do futuro. Até iniciei na área de comentário do artigo de ontem UM “CASE” EMBLEMÁTICO DE COMO PERDER O PALANQUE E O DISCURSO EM TÃO POUCO TEMPO E ALIMENTAR A OPOSIÇÃO COM O PRÓPRIO ARGUMENTO QUE O ELEGEU E DEU ESPERANÇAS DE QUE ENFIM, TUDO MUDARIA. Mas, é preciso se alongar mais neste assunto.
A “reconciliação” com São Pedro, começa por não pedir milagres, mas, antes de tudo, deixar de improvisar, fazer mal o óbvio nas obras e beneficiar, ou aprovar o erro de engenharia, de prevenção, de manutenção, de subdimensionamento – tudo para baratear os custos que mais tarde nos cobram várias vezes o economizado-, e de licenciamentos e permissão ilegais – normalmente para gente que manda na cidade há décadas nas áreas de obras, drenagens contenções – e que viram desastres e mais despesas para o poder público, sustentando pelos pesados impostos dos gasparenses.
Nem mais, nem menos. Estamos crescendo. Estamos ampliando densidade populacional. E estamos improvisando e desdenhando os reflexos da incúria não apenas estatal, mas também dos que no fundo pagam a conta e ainda tomam os prejuízos nos seus próprios bolsos.
Como se vê, a maioria das consequências, repito, consequências dos eventos climáticos adversos que testemunhamos nos últimos dias – e em maior quantidade do que em anos anteriores num mesmo período de tempo – possui a nossa omissão e o nosso erro como marcas indeléveis e indesculpáveis. A exceção da micro explosão aí do Bela Vista, os deslizamentos, invasão de casas por águas das chuvas e pior, de esgotos represados e até aquela cena da cachoeira nas escadarias da Igreja Matriz de São Pedro, são coisas dos homens, não de Deus, de São Padre e da Natureza em fúria.
Vamos a um exemplo tosco e prático. Vamos desenhar não para você leitor ou leitora que acha ser tudo apenas da Natureza indomável, mas para os bruxos, “entendidos” e “çábios” contratados e pagos para nos colocar a salvo disso tudo, diante de tanta obviedade repetida quer que você pense assim. Tudo para livrá-los da culpa como gestor na obviedade técnica e paliativos que deveriam já ter sido aplicados em favor da cidade, da comunidade e dos comunitários.
Ora, se o seu estabelecimento comercial começa a ser procurado por mais gente, ou você limita a entrada desses clientes e perde negócios, ou amplia e melhora para acolhê-los, para dar satisfação aos seus cliente e você como recompensa, ganhar mais. Nem isso político percebe: se atende, faz a parte dele, cumpre a promessa que fez, é recompensado com credibilidade e votos. Nem mais.. Nem menos.
Se o clima está mudando e o histórico mostra que os eventos climáticos severos são e serão mais frequentes e piores, Charles Robert Darwin (1809/88) – que estudou a transmutação e a evolução natural dos animais para a sua adaptação às mudanças de ambientes e da natureza e que teve aqui entre nós, o naturalista alemão Fritz Muller, seu disciplinado discípulo –já nos ensinava, naqueles tempos do século XIX – estamos no XXI – que a nossa inteligência mínima, manda nos adaptar ao novo normal: a severidade climática. É uma questão de sobrevivência pela adaptação. A “engenharia natural” foi, por milênio, mais eficaz com os inteligentes de ontem do que os inteligentinhos de hoje. É prácabá.
SE COMNHECEM A TEORIA, DESDENHAM-NA

Em Gaspar, as autoridades, sem saber quem foi Darwin, sem saber o que se tem de conhecimento recente sobre esta área de engenharias, geologia, recursos hídricos, ambiental – e até de legislação em vigor que se ignora propositadamente, ou se confronta na Justiça – por especialistas, se transformou numa cidade em que os gestores públicos juram que a querem “inteligente”.
Todavia, ao mesmo tempo, ainda tratam tudo isso contra ela, seus cidadãos e cidadãs, como acidente eventual, repito, eventual, contrariando dados, literatura e especialistas.
E no silêncio na burocracia, dos interesses e dos segredos guardados em reuniões e gabinetes, aprovam e licenciam obras públicas, mas principalmente particulares, sem considerar o “novo” normal.
Também não reestuda, não refaz, não sugere alternativas de baixo custos, ou complexas, ao que já não dá conta desta nova situação climática com eventos severos.
Nem Plano Diretor atualizado temos; querem-no assim, remendado, maltratado, cheio de buracos, exatamente para passar as exceções aos amigos e aos poderosos. E, no fundo, tudo contra a cidade, os cidadãos e cidadãs que fica mais vulnerável aos eventos extremos, gera mais custos, deixa as pessoas insegura e conspira contra os investidores receosos sobre os retornos.
Zé Ruelas, com diplomas e ao mesmo tempo com discursos de vítimas de que a malvada natureza e a apatia de São Pedro, nosso padroeiro, de que eles estão contra nós. Estes Zé Ruelas – incluindo especialistas vindos de fora para se empregar por aqui por padrinhos políticos -, que escolhemos ontem e hoje, que por votos diretos de confiança, querem, diante dos fatos, omissões e prejuízos passar incólumes, levar vantagens e ganhar com a desgraças dos outros.
Estamos elegendo supostas lideranças tiktokers, viajantes de diárias e populistas -, que ao invés de olhar a cidade de forma holística no seu futuro são oportunistas e suscetíveis aos que lhes pressionam por interesses ultrapassados ou altamente rentáveis por canta disso. No fundo tudo resulta na desproteção da população no pressente e no futuro. Como no exemplo acima da loja, estão nos excluindo do mercado.
Esta gente, está silenciosamente, num círculo de amizade e de interesses comuns nos Conselhos, na Câmara, nas sociedades organizadas representativas do atraso, nas secretarias municipais e no gabinete do prefeito. Acima, uma foto dos que avaliaram os “estragos” entre nós nesta semana.
Perceberam que todos, com cara amarrada. Pareceria um velório. É como se estivessem sido pegos de surpresa ou não tivessem a solução. Depois dela, só restou ações operacionais corretivas e repetidas, que vão se repetir na semana que vem, no mês seguinte e quiçá nos outros anos.
Nenhuma estratégica do tipo: de hoje em diante aqui em Gaspar, doa a quem doer, a legislação será seguida a risca por todos e vamos considerar rever, o dimensionamento da drenagem bem como da ocupação do solo em áreas que ficam isoladas a qualquer enxurrada, ou área que se tornam perigosas para ir e vir ou então para a população morar. A prevenção, revisão e manutenção será a palavra de ordem.
Como esta decisão não está verbalizada, agendada e tornada uma palavra de ordem, teremos fotos repetidas como as do artigo de hoje. Conformação. Afinal como me disse um deles: “não temos controle da natureza”. Parecem que nem sabem o que ela é capaz aos relapsos
Voltando.
Este conjunto de círculos de amizades e “conselhos”, no fundo, trabalha contra a população mais vulnerável e que tinha a falsa promessa – como se configura agora – dessa gente a suposta proteção enquanto buscava-se os votos fáceis. Hoje, mais, uma vez, são vitimas> Parece-me que amanhã, também. Ou seja, o que mudou mesmo? Agora, poder de plantão, como antes, esta gente não está prometendo soluções. De verdade? Não as têm. Nem meter a mão no bolso para refazer o Plano Diretor querem. Nem estão afim de discutir os parâmetros que protegerão os cidadãos, cidadãs e a cidade na mudança de comportamento das tempestades cada vez mais severas. Tratam-na como exceção, coisa de São Pedro, dos técnicos e fiscais do meio ambiente…
Esta gente, de forma manjada, está posando de vítima do erro passado e principalmente, da ira celestial. E na desgraça, no prejuízo a particulares – e ao setor público também – esta gente já pedindo votos – não para serem os executores das soluções, mas para outubro deste ano, ela continuar no altar dos desastres. Credo. São Pedro também já está cansado. E a natureza, com seus avisos, cada vez mais imprevisível e mais dura com os lenientes. Muda, Gaspar!
TRAPICHE

Esta ponte conhecida como sendo a da Sociedade Alvorada, no entroncamento das ruas Itajaí, Aristiliano Ramos e industrial José Beduschi, no Centro de Gaspar e uma das mais antigas da cidade, a sua cabeceira leste que dá no ribeirão Gasparinho está num processo de colapso. Falta de aviso não foi com até polêmicos debates há anos na Câmara. E isso faz anos. Ou seja, era uma desgraça anunciada por técnicos e leigos.
Autoridades e técnicos especialistas, ou curiosos ou puxa-sacos do poder de plantão quando deveriam fazer valer o diploma e o conhecimento, desdenharam, ao ouvirem outros afirmarem de que o enrocamento que se fazia à margem oposta ao problema de hoje, para proteger barranca do lado de lá, mas avançando para o leito da foz do Ribeirão Gasparinho na ampliação da largura da Rua José Schwartz – que dá acesso ao Hospital – provocaria o que está provocando na outra margem. Querem que busque todos os meus escritos e as atas dos discursos na Câmara?
E agora? Qual a explicação enrolada essa gente vai dar para a cidade? De verdade, faltou monitoramento; faltou prevenção; faltou manutenção. Em resumo: faltou responsabilidade. Se tudo isso fosse feito de forma técnica, programada e responsavelmente, mitigaria os problemas e custos de hoje. Eles serão altos para a recuperação, isto sem falar no transtorno que este trabalho acarretará no trânsito local do Centro e daquela região, mais uma vez. Quem olha só para o umbigo não enxerga o seu próprio corpo definhando.
Pode dizerem o que quiserem. Gaspar é a cidade das narrativas ao sabor dos que querem livrar de suas culpas. Quem passava por ali a pé, via este processo de deterioração se dar de forma lenta e contínua. As recentes chuvas foram apenas a cereja do bolo sobre o relaxo das autoridades, naquilo que por anos estavam obrigados a prevenir e evitar pela cidade e as pessoas.
Basta olha bem para a foto e perceber – do lado esquerdo – abaixo daqueles canos – que uma tubulação de largo diâmetor para a descarga pluvial – e esgotos – no Ribeirão Gasparinho. Isto acelerou a erosão de terra arenosa. Bastaria, como prevenção e correção contra a natureza, um enrocamento naquela barranca. Atenuaria a erosão pelas forças da água daquela tubulação contra a barranca. Todos viram. Menos os técnicos da prefeitura e secretários pagos para isso. Mesmo quando avisados, a burocracia fica paralisada diante da solução urgente, óbvia e necessária. O resultado está aí. O milagre, mais uma vez não veio. Parece até proposital.
Quem mesmo cuida da cidade? Muita fofoca, muita vingança, muita gente mudando no primeiro escalão. Então falta tempo para o essencial. Observação final sobre a luz no final do túnel. A NSC Blumenau esteve aqui cobrindo a “tragédia” natural. E pela primeira vez, entrevistou apenas quem deveria entrevistar: o Superintendente da Defesa Civil de Gaspar, o sargento Bombeiro Militar, Rafael de Araújo Freitas e o secretário de Proteção e Defesa Civil do estado, Mário Hildebrandt, PL. Foram bem melhores dos estranhos vestidos de colete laranja e que se enrolam nas explicações e não possuem autoridade no assunto. Muda, Gaspar!
16 comentários em “GASPAR PRECISA URGENTEMENTE SE RECONCILIAR COM SÃO PEDRO, SEU PADROEIRO, E COM A REALIDADE CLIMÁTICA. JÁ OS POLÍTICOS E GESTORES PÚBLICOS SÓ PRECISAM ALÉM A COMPETÊNCIA, VERGONHA NA CARA”
A CIDADE NÃO ALAGA POR CAUSA DA CHUVA. ALAGA POR CAUSA DO JEITINHO.
Chuva forte, enchente, deslizamento. Isso existe desde que o mundo é mundo.
O que não é “natural” é a cidade fingir surpresa todo verão, como se o problema fosse o céu e não o chão que a gente escolheu pisar.
Gaspar virou a cidade dos puxadinhos.
E o puxadinho mais caro não é o da obra. É o do Plano Diretor.
Anos e anos de “ninguém mexe” porque mexer dói. Aí ele vai sendo remendado com permissões duvidosas, exceções convenientes e aquele carinho especial pelos amiguinhos.
Resultado: problema crônico, transtorno diário, e o morador pagando a conta em alagamento, trânsito travado e risco onde não precisava existir.
Dito isso, tem que reconhecer: o prefeito atual pelo menos está tentando encarar um novo Plano Diretor. Isso é ponto positivo, sim.
Mas Plano Diretor não é peça de propaganda. É cirurgia.
Na teoria, todo mundo posa de responsável. Na prática, o “CEO” da cidade precisa ter coragem de perder voto para ganhar futuro.
Precisa cortar privilégio, enfrentar lobby e dizer “não” onde sempre disseram “dá um jeitinho”.
E é aí que mora minha preocupação.
Do lado do prefeito tem muita gente que já esteve nas gestões anteriores, os mesmos ambientes, os mesmos hábitos, os mesmos operadores dos puxadinhos. Tem também empresário querendo o melhor para o próprio negócio, o que é normal.
O anormal é a prefeitura virar balcão e chamar isso de planejamento.
Se esse novo plano nascer com nódulos e tumores, vai ser só mais um remendo com capa bonita. Se nascer limpo, olhando vinte anos à frente, aí sim começa a reduzir dano de evento climático.
Porque o desastre não começa na chuva. Começa no “foi exceção”.
Coragem não é discurso. É renúncia.
Cirúrgico. Todos enxergam. Todos em negação ao óbvio e necessário, quanto urgente. Coincidência. O Artigo inédito de amanhã já está pronto. E o título é NADA MUDOU. TEMPESTADES – MESMO AS MODERADAS – MOSTRAM DUAS FACES DISTINTAS DAS AUTORIDADES DE UM ÚNICO PROBLEMA. AOS PEQUENOS O RIGOR DA LEI. AOS GRANDES, A CONTINUADA COMPLACÊNCIA INSTITUCIONAL DA PREFEITURA DE GASPAR
É certo. Coragem não é discurso; é renúncia. E eu sei o que é isto, na pele
TRUMP: A LEI SOU EU, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
Donald Trump tem certeza de que é o dono do mundo — e age com base nessa convicção —, mas parece não ter conhecimento de questões cruciais envolvendo desde petróleo até armas nucleares. Dentro de um mês, expira o último e mais amplo acordo nuclear entre Estados Unidos e Rússia. Com isso, as duas potências estarão livres para aumentar (e eventualmente usar) seus arsenais sem qualquer restrição. Jornalistas do New York Times perguntaram a Trump, em entrevista na semana passada, como ele se preparava para essa situação. Ele respondeu vagamente:
— Se vai expirar, vai expirar.
Os jornalistas ficaram com a nítida impressão de que Trump simplesmente não estava a par do assunto. Tanto que acrescentou, sem dar qualquer detalhe:
— Faremos um acordo melhor.
Disse que incluiria a China nesse novo tratado, mas parou por aí. Nada sobre negociações, prazos, metas. Trump também parece ignorar algumas questões essenciais sobre o mercado global de petróleo, que pretende controlar. Ele estava triunfante quando afirmou que, em breve, os Estados Unidos receberiam de 30 milhões a 50 milhões de barris da Venezuela, de imediato, para reforçar os estoques das refinarias americanas. Ora, 50 milhões de barris não afetam em nada o mercado mundial, nem o americano. Os Estados Unidos produzem 14 milhões por dia — ou mais de 50 milhões em apenas quatro dias.
A China é, quer dizer, era a maior compradora de petróleo venezuelano até a semana passada, quando Trump anunciou que todo o óleo da Venezuela seria então destinado aos Estados Unidos. Fará falta aos chineses? Nem de longe. Segundo dados da revista Economist, a China tem um estoque de 1,2 bilhão de barris, volume equivalente a quatro meses de importação. E sempre pode comprar de outras fontes, como o Brasil, que produz 4 milhões de barris por dia e já tem a China como principal cliente.
A propósito, cabe aqui uma observação local: se o Brasil pretende mesmo explorar o petróleo da Margem Equatorial, deve se apressar. Se demorar muito, encontrará um mercado com sobra de óleo, a preço muito baixo e com consumo em queda. O mesmo argumento vale para a Venezuela. Tutelando o país sul-americano, os Estados Unidos ficarão em posse da maior reserva de óleo do mundo, nada menos que 300 bilhões de barris. O problema é como explorar essa riqueza.
Depois de anos de chavismo, uma mistura de ditadura, incompetência e roubalheira, falta tudo na indústria venezuelana: infraestrutura, capital e mão de obra. Para recuperar plenamente a produção de óleo, seriam necessários investimentos de mais US$ 100 bilhões, por vários anos. Trump garantiu que as grandes companhias americanas estão prontas para a tarefa — mas nenhuma delas manifestou disposição. Pelas mesmas razões: há petróleo suficiente no mercado, o preço não está bom. E uma outra dúvida, crucial: Trump tem mais três anos de governo. O que acontecerá depois dele?
Noutras partes do mundo, a preocupação é o inverso: o que acontecerá durante o governo Trump. Na mesma entrevista ao NYT, os jornalistas perguntaram se ele admitia que seu poder dependia do respeito às leis internacionais. Respondeu:
— Depende da definição de lei internacional.
Quem faz essa definição? Acertaram: ele mesmo.
— Não preciso de lei internacional — acrescentou —, porque não pretendo machucar ninguém.
Mas não tem limites? Respondeu:
— Meus critérios morais, meu discernimento (em tradução livre).
E por aí foi. Ele sabe que os Estados Unidos já têm o direito de construir bases militares na Groenlândia. Mas insistiu que era importante “ter a propriedade” da ilha. Dá mais conforto, explicou, mesmo que crie uma crise com a Otan, aliança militar ocidental.
Finalmente, questionado se sua ação na Venezuela não autorizava a China a fazer a mesma coisa com Taiwan, garantiu que não. Disse que Taiwan não manda “imigrantes e bandidos” à China, como a Venezuela mandava para os Estados Unidos. E acrescentou ter dito a Xi Jinping que não ficaria feliz com a invasão de Taiwan. Arrematou: eles, os chineses, não farão isso “enquanto eu for presidente”.
MASTER ERA UM MORTO-VIVO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo. Continuidade do artigo de ontem, publicado abaixo.
O Master foi liquidado por “profunda e crônica crise de liquidez” que comprometeu a “capacidade para satisfazer seus compromissos”. Por “grave e reiterado descumprimento de normas”, em “particular quanto à manutenção dos níveis regulamentares de recolhimentos compulsórios” e gestão de riscos de crédito e liquidez. Por “prática de ilícitos graves no âmbito de operações de cessão de ativos a terceiros”. É o que escreveu o Banco Central em esclarecimentos prestados ao TCU (Tribunal de Contas da União) em 18 de dezembro de 2025.
Um ministro do TCU, Jonathan de Jesus, questionou a atuação do BC e requisitou informações. Até a semana passada, estava no ar a hipótese de que esse ministro do TCU quereria cancelar a intervenção do BC no Master (inviável) ou dar razão à queixa do Master (o que poderia render indenização). Depois da reação aos lobbies pró-Master e ao vazamento de mais indícios de crimes do banco, a ofensiva foi contida.
O escândalo federal, suspeitas sobre as ligações políticas de Daniel Vorcaro e do Master, lobbies, guerra digital etc. são relevantes, cruciais, talvez, para saber do tamanho da corrupção no país. Mas é preciso lembrar do “filme que deu origem à série”. O Master era um morto-vivo ao menos desde 2024.
Para resumir em linhas uma história de páginas, note-se o seguinte. Um banco tem haveres (ativos que rendem fluxos de dinheiro, como empréstimos, que também podem ser vendidos). Tem deveres (pagar empréstimos que tomou para financiar suas atividades, como CDBs, e depósitos de clientes, por exemplo). Os ativos do Master não rendiam o bastante ou dificilmente poderiam ser vendidos logo, a bom preço e baixo custo (como precatórios), se não eram fictícios. No passivo, tinha os célebres CDBs que rendiam juros exorbitantes.
Não entrava dinheiro bastante, passou a sair muito. A partir de 2024, o banco passou a “captar” (tomar mais dinheiro emprestado) em quantidade que era apenas fração do planejado. A partir de novembro de 2024, não conseguia rolar (renovar) o total de CDBs para pagar CDBs que venciam. “Além disso, foram registrados diversos episódios de recolhimento insuficiente de depósitos compulsórios”, escreveu o pessoal do BC.
O banco parou então de conceder empréstimos a empresas, a vender créditos, a procurar interessados em comprá-lo. Em abril de 2025, o BC disse que as providências eram insuficientes para diminuir o problema de liquidez (mais dinheiro saindo do que entrando) —nem conseguia depositar o compulsório. Pede então dinheiro ao Fundo Garantidor de Crédito (fundo bancado por bancos para cobrir perdas de clientes até certo limite). De maio a setembro, captou R$ 90,2 MILHÕES em operações garantidas pelo FGC; recebeu R$ 4,3 BILHÕES do FGC.
A partir de maio, Vorcaro passa a vender partes do banco e de seus bens: a KOVR (seguros, previdência, por R$ 418 milhões), parte dos próprios bens para o BTG (R$ 954 milhões), o fundo Itaminas (R$ 401 milhões). A conta não fechava. Em abril de 2025, o conglomerado Master deixava de recolher cerca de R$ 500 milhões em compulsórios (dinheiro que bancos têm de deixar estacionado no BC); em agosto, “devia” R$ 2,5 bilhões. Em 2025, era um zumbi, com dinheiro que não tinha, valor de capital superestimado por irregularidades, ativos fictícios ou de nenhuma liquidez; quando foi liquidado, estava sem carteira de crédito que rendesse dinheiro, além do “problema” do crédito fictício. Fim.
GOVERNO IMPOTENTE CONTRA GARIMPO E FACÇÕES, editorial do jornal Folha de S. Paulo
A atividade de garimpo, por si só, já impacta a segurança, a subsistência e a saúde de povos indígenas. Quando o crime organizado é adicionado à equação, cai-se numa espiral funesta de violência.
Desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a gestão petista enfrenta dificuldades em conter a mineração nesses territórios, tendo sido até instada pelo Supremo Tribunal Federal, em novembro de 2023, a apresentar um plano de desintrusão (expulsão de não indígenas).
A história agora se repete na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, que teve uma das maiores taxas de invasão por garimpeiros em 2023, conforme mostrou uma série de reportagens da Folha. Não à toa, a área constava do plano de desintrusão apresentado pelo governo em janeiro de 2024, atendendo à ordem do STF.
Na atual situação, o controle da mineração pela facção Comando Vermelho agrava o problema.
Em dezembro, a Justiça Federal determinou prazo de 45 dias para a entrega de um plano de expulsão dos invasores. Segundo a decisão, o governo não deu prioridade à crise e houve “omissão grave” em relação ao avanço da organização criminosa.
Documento da Funai de outubro relata ameaças a lideranças indígenas, uso de estradas que levam à aldeia dos nambikwaras e cooptação de indígenas para ocultar equipamentos. Cita, ainda, que os grupos atuam como milícias e usam armamento pesado restrito, como fuzis.
A violência aumenta com disputas entre integrantes da facção e guardas montadas por garimpeiros. Segundo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foram registrados 46 homicídios na Terra Sararé entre 2022 e 2024.
Facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital há anos vêm diversificando seus negócios ilícitos para além do tráfico de drogas, com atuação nos setores de combustíveis, extração de madeira e ouro.
O fenômeno é conhecido e exige integração entre governos e forças de segurança, inclusive com rastreamento de operações financeiras, para ser contido.
O Ministério dos Povos Indígenas alega que operação recente liderada pelo Ibama na Terra Sararé resultou na destruição ou apreensão de 650 acampamentos, 170 escavadeiras, 500 motores e 90 mil litros de combustível.
Trata-se, porém, de mais uma medida pontual, enquanto o garimpo precisa ser combatido com atuação contínua de longo prazo, que fortaleça a fiscalização e aumente a presença do Estado, com infraestrutura, inteligência investigativa e segurança.
Boa Tarde, concordo com o amigo Elias quando diz que essa administração tem muitos caciques para poucos índios, o problema é que os caciques não tem competência, a nomeação é só política a maioria de outras cidades que nem conhecem Gaspar, não têm nenhuma afinidade com a cidade e suas demandas no final sobra tudo pra os poucos índios resolverem.
Bom, esta observação revela um defeito de origem.
O cabeça do governo é gasparense da gema – até nasceu em Blumenau, mas sempre que trabalhou fora, aqui morou. Então quem está falhando é o maior cacique de todos, Paulo Norberto Koerich, PL, seus amigos externos – todos daqui – que interferem no governo dele e quem está dentro – todos daqui.
E isto sim, é um problema grave, mesmo que seja apenas de percepção. Percepção é a que vale.
Aonde está o crônico e é mais antigo dos problemas de todos em Gaspar que come dinheiro em montanhas e não traz retorno para os cidadãos e cidadãs? A Saúde Pública de Gaspar, incluindo-se o Hospital. Esta área é tocada por um daqui, efetivo, que alegou nunca ter sido ouvido nas soluções que propôs por outros governos. Hoje é intocável. Está protegido. E pelo PP que tinha candidato concorrente, que se não interferiu em todas as outras administrações, deu apoiou político. Então…
TRUMP E O CARTEL DE LOS SOLES, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
Entre as acusações dos EUA contra Nicolás Maduro estava a de liderar o Cartel de los Soles no tráfico de drogas e no terrorismo. Ela foi denunciada pelo Departamento de Justiça em 2020 e reiterada em 2025.
O Cartel de los Soles nunca traficou drogas nem praticou atentados. Na verdade, nunca foi um cartel. Tratava-se de uma criação de jornalistas para designar o coração do chavismo.
A atribuição de traficâncias e atentados ao Cartel de los Soles era algo como associar a Banda de Música da União Democrática Nacional, a velha UDN, a atividades culturais, como concertos.
A Banda de Música da UDN foi uma criação da imprensa na segunda metade do século passado para designar um grupo de parlamentares aguerridos que faziam oposição aos governos de Getulio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart.
Depois do sequestro de Maduro, o governo americano reescreveu a acusação, definindo o cartel como um grupo corrupto e clientelista do chavismo. Apesar disso, o secretário de Estado Marco Rubio voltou a repisar a acusação no último dia 4.
Trapalhadas desse tipo dificilmente alterarão o julgamento de Maduro nos Estados Unidos. Ele será condenado, ponto.
TIGRE DE PAPEL
O comportamento dos hierarcas da ditadura venezuelana depois do sequestro de Nicolás Maduro mostrou que o chavismo era um tigre de papel. Numa linguagem mais clara, um tigre atrás de boquinhas.
O lado americano da intervenção na Venezuela embute um sinal para as burocracias civis e militares latino-americanas.
TURMA DO MASTER SUBIU O TOM
Desde o século passado, quando a autoridade monetária liquidava um banco, seus proprietários batalhavam dentro das quatro linhas da legislação. Daniel Vorcaro e a turma do Master mudaram o patamar do litígio.
Na tentativa de anular a legítima intervenção do Banco Central, fulanizaram a questão, puseram um ministro do Supremo no mesmo jatinho do advogado do Master, obtiveram a blindagem das investigações e trouxeram o Tribunal de Contas para o debate. O TCU tem tanto a ver com a liquidação do Master quanto a escola de samba da Mangueira. Até aí, pode-se dizer que foi uma estratégia agressiva, mas era o jogo jogado.
A barreira da legalidade foi rompida quando se viu que 46 perfis de redes sociais fizeram um bombardeio digital com ataques simultâneos contra o Banco Central e investigadores no caso Master.
Segundo a Febraban, no dia 27 de dezembro o bombardeio incluiu 4.560 posts contra o Banco Central, seus diretores e investigadores do caso. Esse tipo de conduta é crime, e a defesa de Vorcaro custou cerca de R$ 2 milhões e mudou o patamar do litígio.
O TCU SABE ONDE SE METE
O presidente do Tribunal de Contas da União quer meter a instituição na omelete do banco Master.
Em 2017, o TCU meteu-se nas investigações de irregularidades praticadas na Petrobras e bloqueou os bens de seis membros do Conselho de Administração da empresa.
Tudo bem. Numa extensa decisão do relator Vital do Rêgo, listou suas vítimas. Antonio Palocci era ministro do Planejamento, Dilma Rousseff era chefe da Casa Civil, dois outros eram empresários e assim estavam qualificados. A quinta vítima chamava-se Gleuber Vieira. Foi mencionado três vezes, sem que fosse revelada sua profissão. Geólogo? Fonoaudiólogo? Vidente?
Gleuber Vieira (1933-2025) era general de quatro estrelas, havia sido comandante do Exército de 1999 a 2003, com 50 anos de serviço, sem nódoa.
O TCU sabe com quem se mete. O bloqueio dos bens dos conselheiros acabou suspenso.
BURRO É O PLANALTO
Lula criou o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente e aproveitou a oportunidade para reclamar da espera a que foi submetido em 2024 quando sofreu uma queda e teve de aguardar três horas por um avião.
O doutor trocou as bolas. Em outubro de 2024 ele levou um tombo no banheiro do Alvorada, foi atendido na unidade de Brasília do Sírio-Libanês e voltou para o palácio. A falta de avião só aconteceu dois meses depois, quando Lula deixou de fazer um exame, teve fortes dores de cabeça e foi necessária a sua transferência para São Paulo.
Esse episódio nada teve a ver com inteligência ou burrice médica. O avião da Presidência demorou três horas porque Lula é chefe de um governo e ocupante de um palácio onde trabalhavam cerca de 3.500 servidores, sem que existisse um protocolo para a hipótese de o presidente vir a precisar de atendimento médico de emergência e de transferência para São Paulo.
A criação de um Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente não resolve o problema. A falta de inteligência não foi médica, foi logística, no seu quadrado.
O SONO DE BOLSONARO
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que não tem condições técnicas para reduzir o barulho do equipamento de ar refrigerado que, segundo Bolsonaro, o impede de dormir.
Mesmo admitindo-se que a situação nada tem a ver com uma premeditação, deve-se lembrar que a supressão do sono era o método da Stasi, o serviço de segurança da Alemanha comunista para quebrar a vontade dos presos.
Sistemas de refrigeração barulhentos são coisa comum. A questão pode ser transferida para médicos especializados em controle do sono de pacientes. Se Bolsonaro passar pelo exame, o Supremo fica diante de outra questão.
VETO DE LULA DEVE CAIR
Pelo andar da carruagem, o Congresso derrubará o veto de Lula ao projeto de redução das penas de 179 pessoas que estão presas pelas badernas e pela trama golpista de 2022/2023.
TRUMP NA GROELÂNDIA
A ideia trumpista de uma intervenção militar na Groenlândia está fadada ao fracasso, porque seria a desmoralização da aliança militar da Otan e da consequente porteira livre para a Rússia.
Já o capilé de 100 mil dólares para cada habitante do pedaço apoiar a anexação do território será outra conversa.
Com um cheque desse tamanho, a população de vários países preferiria ser anexada aos Estados Unidos.
O PODER DE CIRO NOGUEIRA
O senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, prevaleceu sobre os argumentos do ministro Fernando Haddad e emplacou Otto Lobo na presidência da Comissão de Valores Mobiliários.
Nogueira tem um pé no caso do banco Master e há ainda pegadas de petistas nas trilhas de Daniel Vorcaro.
CENTRAIS RECLAMAM
Cinco centrais sindicais protestaram contra a sanção, por Lula, da lei que proíbe descontos automáticos nos benefícios administrados pelo INSS.
Desde quando se percebeu que havia quadrilhas roubando o dinheiro dos aposentados, nenhuma dessas centrais reclamou.
Assim como não reclamam dos sindicatos a elas filiados que cobram a Contribuição Sindical e não prestam serviço algum às vítimas.
PISTAS DE QUEM FICOU COM O DINHEIRO NO FIM DA CIRANDA DO MASTER, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo
O Banco Master emprestava dinheiro a empresas. Essas empresas investiam em fundos. Por exemplo, fundos administrados pela Reag, aquela gestora investigada pela polícia por administrar dinheiros do PCC ou também de outras empresas criminosas. Ou também em fundos que tinham relações com negócios e propriedades de Daniel Vorcaro.
Esses fundos compravam voluntariamente gato magro por lebre, superfaturados. Isto é, compravam títulos (direitos e dinheiros a receber), como se relatava nestas colunas e como detalhado por colegas desta Folha.
Quem vendia o gato magro a preço de lebre de ouro tinha ganho grande, aplicado em outro fundo, com outros haveres. Quem são os donos finais desses haveres? Laranjas de Vorcaro, suspeitam as instituições oficiais envolvidas na investigação. Ou quem mais? Para onde iria esse dinheiro? Para investimentos imobiliários ou hoteleiro ou de outros serviços de políticos e amigos poderosos? Para empresas de cônjuges dos poderosos? Outras iniciativas financeiras e empresariais, por assim dizer?
Essa é uma questão que, diz o lugar-comum, “tira o sono dos políticos em Brasília” (e de outras capitais, aliás). Outra é saber quem incentivou fundos de aposentadoria de servidores a comprar títulos do Master. Ainda outra, das três maiores é saber por que o BRB, o banco estatal do Distrito Federal, comprava um frango fantasma achando que era uma galinha de ovos de ouro. Isto é, comprava créditos, direitos quaisquer a receber, como o de empréstimos, que não existiam, segundo suspeita que Banco Central levou ao Ministério Público. Enfim, o BRB parecia escalado para engolir um banco fantasma, evitar a bancarrota do dono e apagar os rastros das bandalhas.
Por ora, essa é a parte maior dos indícios de crime. Por isso, tanto se teme que Vorcaro se veja obrigado a fazer delação premiada a fim de escapar de cadeia longa (e, talvez, para preservar um dinheiro, em um processo que pretende condenar o BC por irregularidades). O alto risco de rolo federal, com gente graúda envolvida, motivou a onda de plantação (“fake”) e vazamento (real) de notícias, lobby pesado de advogados, campanhas pagas pelas redes de influenciadores etc. Por tudo isso, é intrigante a atitude de Dias Toffoli, do STF, e de Jhonatan de Jesus, do TCU, aquela investida agressiva contra o BC seguida de recuo quando passaram a aparecer indícios graves de bandalha.
O BC continua a analisar o efeito dessas transações na saúde financeira do BRB. Polícia Federal e Ministério Público aprofundam a investigação das denúncias enviadas pelo BC. Mas a bola está também com a Comissão de Valores Imobiliários. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de indicar um novo presidente para a CVM, Otto Lobo, conhecido por decisões controversas na instituição. A intriga engrossa —governo e cúpula da oposição e do Congresso tentam dar um jeito de evitar uma CPI.
Esse escândalo político federal é muito importante e, de resto, rende fofoca animada. Mas se esquece do “filme que deu origem à série”: o Master era um morto-vivo pelo menos desde o início de 2025, um zumbi, tanto por irresponsabilidade financeira como por seus haveres fictícios. Para entender o caso e muito mais, é crucial entender como o Master estava quebrado. Assunto para a coluna de amanhã
COMO PROSPERAM PARENTES DE MINISTROS DO STF, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Ser indicado a uma das 11 cadeiras do Supremo Tribunal Federal gera um aumento significativo na demanda por serviços dos escritórios de advocacia de parentes dos nomeados. Tal efeito nunca foi exatamente um segredo, mas o economista Bruno Carazza, em coluna no jornal Valor Econômico , levantou números para ilustrá-lo.
Carazza selecionou nove advogados que são cônjuges ou filhos de ministros do STF e comparou o número de processos que eles tinham no Supremo e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) antes e depois das respectivas posses.
No agregado, as ações dos parentes saltaram de 80 para 170 no STF e de 278 para 1.394 no STJ. Note-se que esses resultados tendem a ser conservadores, já que não são considerados os sócios nas firmas de advocacia dos familiares dos magistrados.
É importante ressaltar que a multiplicação das causas não implica cometimento de irregularidades —as motivações que levam um cliente a escolher determinado profissional do direito não constituem ilícito em nenhum país do mundo civilizado.
Entretanto é difícil afastar a ideia de que quem contrata um advogado parente de ministro da mais alta corte constitucional mira não somente a excelência dos serviços jurídicos prestados, mas também a influência do magistrado, o que erode a própria credibilidade do Judiciário.
O problema não é novo e já foi jocosamente chamado de “filhotismo”. Nos últimos anos, porém, somou-se ao crônico noticiário sobre luxuosos eventos jurídicos no exterior, aos quais ministros acorrem financiados por empresas com interesses no Supremo, e às revelações sobre relações entre magistrados e partes que ultrapassam os limites da moralidade exigida para o cargo.
São os casos da viagem de Dias Toffoli com advogado ligado ao Banco Master em jato de empresário e do contrato de astronômicos R$ 129 milhões entre a mesma instituição financeira, sobre a qual pesam gravíssimas suspeitas, e o escritório de advocacia da esposa de Alexandre de Moraes.
O conjunto da obra desencadeou um movimento da sociedade para que o STF adote um código de conduta, a exemplo do que já fizeram cortes máximas de outros países, como Alemanha e Estados Unidos. A proposta, embora tenha sido lançada pelo próprio presidente do Supremo, Edson Fachin, e conte com apoio de alguns ministros mais discretos, encontra forte resistência no tribunal.
Trata-se de postura altamente danosa para o Judiciário. A legitimidade das decisões do STF depende de que elas sejam percebidas pela população, se não sempre como justas e imparciais, ao menos como não enviesadas. E jamais parecerão assim se os ministros não zelarem pela integridade de sua imagem.
Sem código de conduta e no cenário de acirramento político atual, é possível que surjam projetos de lei para regular essas questões. E será cada vez mais difícil considerá-los desnecessários.
Então… o que me incomoda e muito é saber que ainda temos educandários com forro de PVC. Eu nem gosto de imaginar uma situação dessas, com crianças nestes espaços?!?🤦♀️🤦♀️Construir espaços em que o nosso bem maior estarão neles, no mínimo, deveriam pensar antes em segurança (situações climáticas e demais acontecimentos).
1) Defesa Civil em Gaspar ou em qualquer dos 5.200 municípios do Brasil não tem resposta rápida ao caos meteorológico; isso é um fato. Todos estamos reféns de uma calamidade, assim aconteceu com RS no ano passado. Brasil, ou ministério das cidades, interior ou qual for não tem recursos para atender respostas imediatas.
2) Conservação, ridículo as conservação de qualquer coisa publica em Gaspar, a ponte e negligência, pois ninguém dá secretaria de obras faz vistorias, a ponte chegou nesta situação devido sim a s chuvas, mas há quanto tempo? Creio que poderia ser evitado.
3) Nessa gestão esse executivo tem muito cacique para pouco índios, acho que bem preciso explicar o resto.
Lamento pelo povo gasparense que se equivocou na escolha desse péssimo gestor
Não podemos esquecer que a Câmara é o retrato da cidade e dos eleitores: um circo.
Muita gente preocupada em aparecer na internet do que fazer o seu papel na vereança,
A propósito, maldito instituto aquele da reeleição. Algo que precisa ser extirpado do país o quanto antes, para todo e qualquer cargo.
Correto, o instituto da reeleição, inclusive para o legislativo, deve ser repensado. Mas, se formos olhar bem e para Gaspar, está se mudando de nomes, mas não está se mudando quem manda nos eleitos e na forma de produzir resultados diferentes dos que os velhos testas de ferro dos verdadeiros donos continuam a produzir contra a cidade, seus cidadãos e cidadãs, por décadas. O retrato está aí para quem quiser conferir. Está sem retoques
PARA QUE SERVE A IMPRENSA, por Thaís Oyama, no jornal O Globo
A jornalista Malu Gaspar, do GLOBO, revelou que influenciadores da internet receberam ofertas de até R$ 2 milhões para fazer um servicinho em favor do encrencado banqueiro Daniel Vorcaro. O job consistia em divulgar nas redes sociais, como quem nada quer, que a liquidação do Banco Master havia sido uma precipitação do Banco Central — e não resultado de uma sequência de fraudes financeiras que lesaram mais de um 1,5 milhão de investidores. No dia seguinte à publicação da reportagem do GLOBO, a Folha de S.Paulo mostrou que ao menos 42 perfis nas redes sociais passaram a atacar investigadores envolvidos na liquidação do Master. Os ataques foram simultâneos, e a grande maioria dos perfis não era especialista em assuntos financeiros, como revelam seus nomes prosaicos — Futrikei, Divas do Humor e Festa da Firma. Assim, é de supor que, se uns poucos influenciadores optaram por denunciar a proposta, feita por agências de marketing, de alugar seus teclados para lustrar a emporcalhada imagem de Vorcaro, muitos outros a aceitaram.
A maioria dos brasileiros se informa pelas redes sociais — 51,8%, segundo pesquisa do instituto Ipespe. “Informar-se pelas redes sociais” significa, basicamente, saber o que acontece no mundo lendo reportagens (ou, quase sempre, seus títulos) feitas pela imprensa profissional e repostadas no WhatsApp e afins. Ou, então, assistir no YouTube, TikTok e Instagram a resumos e comentários de notícias, feitos por jornalistas independentes, políticos, militantes, diletantes e franco-atiradores de toda sorte — chamados de “influenciadores”. Trata-se de uma categoria que, pela natureza diversa e propósitos idem, já há algum tempo vem despertando o interesse de setores do poder. O governo Dilma Rousseff fez largo uso dessa mão de obra. Em 2014, ano de eleição presidencial, só Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil gastaram quase R$ 10 milhões em patrocínios para sites amigos e comentaristas dispostos a elogiar o governo ou difamar seus inimigos. Dos “blogueiros progressistas”, como eram chamados à época, aos influenciadores de aluguel, a distância é curta — nada de novo sob o sol.
“Mas é o roto falando do rasgado” — dá para ouvir daqui os comentários de leitores. É fato que a própria imprensa ajudou a construir a percepção de que também ela mente, também ela manipula e também ela é parcial. Quando parte do jornalismo profissional opta pelo moralismo militante em detrimento dos fatos, a corrosão da confiança pública é uma consequência previsível. Daí não decorre que roto e rasgado se igualem no erro.
Ao contrário dos influenciadores da internet, jornalistas trabalham com um sistema de regras, em que a lógica da redundância impõe camadas de supervisão, edição, revisão e checagem do texto. Esse circuito reduz não só as chances de equívocos, como as de desonestidades individuais. Aos que se deixam levar por um ou outro, as consequências vão do dano reputacional à responsabilização jurídica, ou ainda o olho da rua.
Da mesma forma, é menos a virtude do que outro pilar da imprensa profissional — sua independência financeira — aquilo que lhe permite ser autossuficiente e, portanto, livre para fiscalizar o governo. E também para escavar alianças subterrâneas entre o poder público e ricos representantes do setor privado, quando se juntam para repartir benesses, dividendos e blindagens. Injusto exigir os mesmos padrões de produção de influenciadores avulsos da internet.
Quem estiver interessado em saber até onde vai a cumplicidade entre o poder público e Vorcaro terá de continuar contando com a imprensa — do tipo profissional, não a de fundo de quintal. Mesmo porque, da parte de outras instituições, segue indisfarçável o desejo de enterrar o assunto quanto antes.
O ESSENCIAL DIREITO A PALAVRA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A liberdade de expressão não é acessória na democracia. Tampouco uma concessão do Estado aos cidadãos. Trata-se de um pilar estruturante do regime democrático, condição indispensável para o debate público e para a fiscalização do exercício do poder. Não por acaso, a Constituição a consagrou de forma enfática, vedando a censura prévia e estabelecendo que eventuais restrições só podem ocorrer em situações excepcionais, claramente delimitadas e justificadas.
É com esse espírito que deve ser lido o Relatório especial sobre a situação da liberdade de expressão no Brasil, publicado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) no final do ano passado. O documento reconhece que o País dispõe de “instituições democráticas fortes e eficazes” e não ignora a gravidade dos ataques à ordem constitucional que culminaram no 8 de Janeiro. Contudo, a CIDH alerta para o uso reiterado de medidas judiciais de caráter excepcional e seus potenciais efeitos corrosivos sobre a liberdade de expressão.
A convite do governo federal, a delegação da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da CIDH, chefiada por Pedro Vaca Villarreal, esteve no Brasil em fevereiro de 2025 e ouviu políticos de diferentes matizes ideológicos, magistrados e representantes da sociedade civil. O diagnóstico é claro: a defesa da democracia não pode servir de pretexto para restrições desproporcionais que desbordam em censura. Ao mesmo tempo, a liberdade de expressão tampouco pode ser instrumentalizada para acobertar crimes. O desafio está justamente em equilibrar esses dois imperativos sem sacrificar garantias e direitos fundamentais dos cidadãos.
O relatório reconhece o papel central desempenhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na reação institucional aos ataques às sedes dos Poderes e às tentativas de deslegitimação do processo eleitoral. Mas não fecha os olhos para a concentração excessiva de poder na Corte e para a transformação de medidas emergenciais em mecanismos permanentes de controle do debate público. Precedentes criados em contextos excepcionais, lembra a CIDH, podem ser utilizados no futuro por governos ou maiorias circunstanciais menos comprometidos com os princípios democráticos.
Esse risco se materializa de forma particularmente preocupante no interminável inquérito das fake news, instaurado em 2019 para apurar ameaças e ataques ao STF, a seus ministros e familiares. Prestes a completar sete anos, o inquérito segue aberto por tempo indeterminado, concentrando poderes investigativos, acusatórios e decisórios nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, sem balizas claras e sem perspectiva concreta de encerramento. Trata-se de uma anomalia institucional em tudo incompatível com o devido processo legal e com a segurança jurídica que se espera de qualquer democracia madura.
A CIDH chama a atenção, ainda, para a necessidade de distinguir com clareza condutas ilícitas de críticas legítimas aos Poderes, sobretudo quando estão em jogo manifestações políticas e a atuação de jornalistas profissionais. Restrições cautelares à liberdade de expressão e de imprensa, como já impôs o STF, devem ser proporcionais e temporárias, quando indispensáveis. O prolongamento indefinido de investigações não raro sigilosas alimenta a incerteza e fragiliza a confiança nas instituições democráticas, em particular no próprio STF.
Especial preocupação recai sobre as restrições impostas ao uso de redes sociais, que incluem remoção de conteúdos, bloqueio de contas, proibição de novas publicações – o que configura censura prévia – e até a vedação à criação de novos perfis por cidadãos. Medidas desse jaez, por óbvio, só podem ser admitidas em situações extremas, com fundamentação rigorosa, transparência e garantia do contraditório. Em muitos casos, não é o que se observa no País.
A democracia brasileira já demonstrou resiliência diante de graves ataques. Justamente por isso, não se pode aceitar como normal o prolongamento indefinido de expedientes excepcionais sob quaisquer pretextos. A liberdade de expressão, como lembra a CIDH, deve ser ainda mais protegida em tempos de crise, não menos. Defender a democracia implica, necessariamente, respeitar seus fundamentos – e nenhum deles é mais essencial do que o direito à palavra.