Pesquisar
Close this search box.

ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXVIII

A Imagem do ano. O Ministério Público defende a sociedade brasileira, não a da mulher de um ministro da mais alta corte do judiciário em favor de um cliente arrombado por todos os lados (by Herculano)

Compartilhe esse post:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
LinkedIn
Email

27 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXVIII”

  1. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (056)

    “Marcelo Rubens Paiva lembrou da São Paulo ‘fria e calada'”
    – ‘Espere. Isso não faz mil anos. Eu tenho só 42. O que deu errado?’, indagou o escritor.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    Marcelo Rubens Paiva (1) descreveu uma São Paulo (2) que parecia outra cidade (3). “São Paulo era uma cidade fria e calada, como uma sóbria senhora conservadora”, escreveu, antes de listar cenas de uma rotina que hoje soa distante.

    Falou de ônibus (4) “azul-marinho e branco”, de motoristas “polidos” e sem pressa, de uma cidade em que “entrava-se num ônibus por trás” e em que “durante o dia, havia muita vida na rua”. Havia babás de uniforme, sorveteiro de corneta, algodão-doce, carroceiros de melancia e a carrocinha que “catava cachorros inocentes”.

    O texto, publicado na Folha, em 2001, reuniu lembranças que funcionavam como uma espécie de mapa afetivo. “Havia um avião na praça 14 Bis, uma árvore na praça da Árvore”, escreveu, e também “uma grande paineira na Eusébio Matoso”. Na estrada para Santos, depois da Volks, “não havia nada além de mata”.

    Paiva disse que a cidade “ficava deserta à noite” e também nos fins de semana, quando todos desciam para o litoral. Falou de “muitas árvores”, de leite deixado na porta, de pão na janela, e de casas com quintal — na dele, “havia uma jabuticabeira”.

    Ele também lembrou os carros, os cinemas (5), os salões no Anhembi e a sensação de infância em bairros que ainda eram “um matagal”. E terminou com uma pergunta que mudou o texto de tom: “Espere. Isso não faz mil anos. Eu tenho só 42. O que deu errado?”

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (6), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Aquela São Paulo (14/8/2001)

    São Paulo era uma cidade fria e calada, como uma sóbria senhora conservadora. A cidade era úmida. O sol demorava para atravessar a névoa matinal.

    Seus ônibus eram azul-marinho e branco. Tinham listras, como um pijama. Os motoristas usavam camisas azuis, calças azuis, tom sobre tom. Eram polidos, paravam no ponto e não tinham pressa. Eram funcionários públicos, com estabilidade. Entrava-se num ônibus por trás. E eles demoravam a chegar…

    Durante o dia, havia muita vida na rua. As babás tinham uniforme. Nós nos encontrávamos nas praças. O sorveteiro tocava corneta. Havia algodão-doce e carroceiros que vendiam melancia e abacaxi. A carrocinha, nossa inimiga, catava cachorros inocentes.

    Havia um avião na praça 14 Bis, uma árvore na praça da Árvore, uma grande paineira na Eusébio Matoso que recepcionava quem vinha do sul. Na estrada para Santos, depois da fábrica da Volks, não havia nada além de mata.

    São Paulo ficava deserta à noite. Deserta ficava também aos fins de semana, quando todos desciam para o litoral, congestionando suas pensões e ruas, desfilando na orla.

    Havia muitas árvores em São Paulo. O padeiro deixava o leite na porta e o pão na janela.

    As casas tinham quintais. Na minha, havia uma jabuticabeira. Na da tia Renê, na rua da Consolação, havia um cafeeiro, cujo fruto é doce. Havia muitas casas com cerquinha de madeira branca. Os Gasparian moravam numa delas. A Danda Prado também. Era muito chique morar na avenida Brasil. A gente brincava na sua calçada.

    Os táxis eram carros americanos, pretos e grandes. Nós nos sentávamos no banco de trás, em que havia uma cordinha para nos apoiarmos durante a corrida. Os motoristas eram descendentes de espanhóis ou de portugueses. Tinham sotaque, luvas e camisas brancas engomadas.

    São Paulo era uma grande classe média. Os pais tinham Simca ou Aero-Willys. As mães tinham DKW. As tias mais avançadas dirigiam Karmann-Ghia vermelho. Os tios balofos e engraçados quase não cabiam em suas Romisetas. No Natal, todos iam ver a decoração da rua Augusta. Num deles, acarpetaram-na. Lá se compravam sapatos.

    Eu me lembro da primeira lanchonete. Era estranho o cardápio, com palavras novas, como sundae, milk-shake e hambúrguer.

    Os cinemas eram enormes. Havia sempre alguém com uma lanterna para orientar a platéia. Vendiam-se pirulitos em forma de cone enfiados num tabuleiro. Havia dois programas imperdíveis, o Salão do Automóvel e o Salão das Crianças, ambos no Anhembi. Ganhavam-se muitos brindes.

    O Alto de Pinheiros era um matagal. Eu me perdi lá uma vez, porque fui atrás de um sorveteiro, e chorei muito. Caio Graco me chamava de “sorvete” por causa disso. Uma vez, fugi de casa com uma irmã e armei a minha cabana de índio na praça. Ninguém atrapalhou a minha primeira aventura.

    Meus avós moravam na avenida São Luís. Brinquei muito na praça da República com a minha irmã menor. Não havia favelas em São Paulo. Os operários moravam em casinhas de tijolos. Os muito pobres moravam em cortiços. Os Matarazzo eram os mais ricos da cidade. Moravam na Paulista.

    No Pacaembu, Pelé era o maior ídolo. As torcidas se misturavam. Não se via polícia no estádio. Espere. Isso não faz mil anos. Eu tenho só 42. O que deu errado?

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/01/marcelo-rubens-paiva-lembrou-da-sao-paulo-fria-e-calada.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/marcelo-rubens-paiva/
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/sao-paulo/
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/blogs/sao-paulo-antiga/
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/transporte-publico/
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2024/11/quais-sao-os-cinemas-mais-antigos-do-brasil-que-lutam-contra-a-decadencia-urbana.shtml
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  2. Miguel José Teixeira

    Atenção, atenção!

    “Governo Lula começa 2026 tomando dinheiro dos trabalhadores informais”
    (Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 02/01/26)

    Após dedicar seu terceiro governo a gastar sem olhar o amanhã e esfolar quem trabalha e produz, criando três dezenas de impostos abusivos, Lula (PT) começou nesta quinta-feira, primeiro dia do ano, a tomar dinheiro dos informais, que nem sequer sabem disso. Mas logo saberão, quando passarem a ser atormentados pela Receita Federal. Assim, trabalhadores autônomos como cabelereira, pedreiro, personal trainer, pintor, professor particular, eletricista ou faxineira, por exemplo, são obrigados a pagar ao governo petista um quarto do que faturam.

    No CPF, 25% no ralo
    Todos estão obrigados a emitir a nota fiscal eletrônica no próprio CPF, estabelecendo o pagamento de 25% de impostos.

    Esconde, esconde
    Como aposta na desinformação, o governo Lula não divulga que, se a nota for emitida no CNPJ, essa taxação quase desaparece.

    MEI virou salvação
    Se o autônomo abrir MEI (microempresa individual) tem chance de pagar só o DAS (Documento de Arrecadação do Simples), à volta de 80 reais.

    Estado ladrão
    Isso tudo faz lembrar a sentença do presidente argentino Javier Milei: “imposto é roubo”. Considerando valores e personagens, faz sentido.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/governo-lula-comeca-2026-tomando-dinheiro-dos-trabalhadores-informais)

    Com a palavra. . .
    os Senhores Contabilistas!

    1. E vai piorar. É só o começo do governo gulão, que diz tirar dos ricos – na verdade a classe média baixa e média – para dar aos pobres, que os mantém com esmolas e preguiça institucionalizada, sem falar na corrupção que corre solta nestes programas sociais

  3. Miguel José Teixeira

    A toga nossa de cada dia!
    Na calada da noite, eles agem para proteger os poderosos.
    Enquanto processos dos menos assistidos, dormitam aos milhares nos seus escaninhos!

    “Ministros do TCU preparam reação a possível liminar de colega a favor do Master”
    (Por Malu Gaspar e Johanns Eller, O Globo, 02/01/26)

    Em pleno recesso, a articulação de integrantes do Tribunal de Contas da União (TCU) para reagir a uma eventual liminar do ministro Jhonatan de Jesus para reverter a liquidação do Master pelo Banco Central (BC) ganhou corpo. A costura, que atravessou o recesso da Corte e até mesmo o Natal, se intensificou com a proximidade da acareação determinada por Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Isso porque o ministro, relator do caso no Tribunal, não conta com o apoio da maioria dos nove ministros para desfazer a liquidação do Master. Mas uma liminar durante o recesso provocaria uma reviravolta que, na prática, restabeleceria o funcionamento da instituição financeira até o retorno das atividades do plenário, em fevereiro de 2026, com consequências imprevisíveis.

    Daí a ideia de fazer uma reunião extraordinária para deliberar sobre uma liminar, conforme informou o colunista Lauro Jardim. Nesse caso, deliberar e derrubar, segundo ficou acordado entre parte dos ministros. Alguns deles, ouvidos sob reserva pela equipe do blog em “constrangimento” em relação às diligências determinadas pelo colega.

    O Master foi liquidado em novembro passado depois que o Banco Central e a Polícia Federal (PF) desvendaram uma fraude de R$ 12,2 bilhões na aquisição de papeis sem lastro do Master pelo Banco BRB, que tentou comprar a instituição em meio a um intenso lobby político e teve o pleito rejeitado pelo BC em setembro passado.

    ‘Medida extrema’
    A queda do Banco Master entrou na mira do Tribunal de Contas da União no último dia 19, quando Jhonatan de Jesus determinou que o BC explicasse, sob pena de sanções administrativas, os critérios técnicos e a cronologia das decisões que levaram à liquidação do banco.

    O ministro chegou a falar em “precipitação na adoção de uma medida extrema” por parte do Banco Central, o que levantou temores de interferência na autonomia da instituição.

    O BC também foi instado a esclarecer se outras alternativas menos gravosas previstas em lei, processos de reorganização societária, foram consideradas e as razões pelas quais não foram adotadas, e a informar ao TCU se houve divergências nas áreas técnicas do regulador.

    Na última segunda-feira (29), o BC entregou ao tribunal documentos sobre o processo de liquidação. O material será analisado pela ala técnica do órgão e, na sequência, encaminhado ao relator. A exemplo do processo do Master no Supremo, o caso corre em sigilo no Tribunal por determinação de Jhonatan.

    Apesar disso, magistrados avaliam que, diante da repercussão do caso e da possibilidade de ser , o relator pode optar pela cautela diante da possibilidade de ter uma liminar derrubada pelo plenário. Um dos principais fatores que pesariam contra Jhonatan nesse cenário é que, em caso de derrota, o regimento do TCU prevê que a relatoria do processo seja distribuída para outro ministro.

    Indicado para o TCU em 2023 na cota da Câmara dos Deputados, o ministro foi deputado federal de Roraima pelo Republicanos e é filho do senador Mecias de Jesus (RR), também filiado ao partido. Sua nomeação foi apadrinhada pelo então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que incluiu a vaga aberta pela aposentadoria da ministra Ana Arraes no rol de propostas de sua campanha pela recondução no comando da Câmara naquele ano.

    O suspense no tribunal se somava à expectativa em torno da acareação entre Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do BC Ailton de Aquino Santos, que atuou no processo de liquidação do Master e não é investigado, por determinação de Toffoli. O confronto de versões ocorreu na última terça entre o banqueiro e Paulo Henrique – Ailton foi dispensado pela PF após uma série de desentendimentos entre o gabinete de Toffoli, o BC e a Polícia Federal, como mostramos no blog.

    Embora nenhum depoimento tenha ocorrido até agora, o ministro do STF negou pedidos da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do próprio BC para suspender a acareação, instrumento usado para confrontar versões entre investigados, testemunhas e vítimas apresentados com o argumento de que não havia o que acarear.

    Só na véspera do procedimento foi divulgado que Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa prestarão depoimentos à Polícia Federal imediatamente antes da acareação, conforme antecipou o Valor Econômico.

    O caso Master inicialmente tramitou na Justiça Federal de Brasília, mas “subiu” para o STF em um despacho monocrático de Dias Toffoli.

    O ministro acatou uma tese defendida pelos advogados do banco de Vorcaro de que a menção ao deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) nas investigações da PF tornavam o Supremo o foro competente para o caso em função do foro privilegiado.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/01/ministros-do-tcu-preparam-reacao-a-possivel-liminar-de-colega-a-favor-do-master.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)

  4. Miguel José Teixeira

    “O império da dor”
    – Uma simples dor de dente pode enlouquecer o homem mais poderoso e mais rico do mundo. Imagine outras piores. Assim, uma família fez fortuna nos EUA com um analgésico poderoso, que provocou milhares de mortes.
    (Por Nelson Motta, O Globo, 02/01/26)
    . . .
    “”O Império da Dor”, de Patrick E. Keefe, explora a ascensão da família Sackler, que enriqueceu nos EUA com a venda do OxyContin, um analgésico poderoso e viciante. Prometido como seguro, o medicamento causou dependência e milhares de mortes. A série na Netflix detalha a corrupção e marketing agressivo que sustentaram esse império, refletindo uma crise maior de opioides no país.” (Irineu)
    . . .
    +em:https://oglobo.globo.com/cultura/nelson-motta/coluna/2026/01/o-imperio-da-dor.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  5. Miguel José Teixeira

    Venezuela em fuga para a PeTezuela!

    “Brasil olha para suas fronteiras”
    – Estimativas apontam que mais de 500 mil venezuelanos vivem atualmente no Brasil, número que poderia aumentar.
    (Por Janaína Figueiredo, O Globo, 02/01/26)
    . . .
    “O Brasil está em alerta diante da tensão entre EUA e Venezuela. Com mais de 500 mil venezuelanos no país, o governo teme um aumento expressivo desse número em caso de conflito. Lula e Maduro discutiram a possibilidade de um ataque americano, o que preocupa especialmente as fronteiras brasileiras. A Operação Acolhida, em Roraima, enfrenta cortes de recursos, agravando a situação. O governo brasileiro busca manter o diálogo e evitar escalada de tensões.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/blogs/janaina-figueiredo/post/2026/01/brasil-olha-para-suas-fronteiras.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    Oremos então. . .
    para que junto não venham o PeloTão de narcotraficantes maduros!

  6. Miguel José Teixeira

    “Criamos uma polícia do discurso que define quem são os virtuosos”
    – A estratégia consiste em cercar certas políticas com um cordão sanitário.
    (Por Pablo Ortellado, O Globo, 02/11/25)
    . . .
    “O artigo aborda a crescente “polícia do discurso” que, ao associar certas políticas aos direitos humanos, impede debates legítimos sobre sua eficácia. Ao sacralizar temas como cotas raciais e segurança pública, críticos são silenciados e considerados imorais, entregando o debate aos radicais. Isso resulta em uma esfera pública polarizada, onde o cidadão comum se sente excluído do diálogo civilizado.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/opiniao/pablo-ortellado/coluna/2026/01/criamos-uma-policia-do-discurso-que-define-quem-sao-os-virtuosos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    Ou seja:
    Criando novos e belos invólucros para envolver a incapacidade de resolver!

  7. Miguel José Teixeira

    “Maior Copa do Mundo de todos os tempos e muito mais: confira o calendário esportivo de 2026”
    – Seleção brasileira vai tentar o hexacampeonato nos Estados Unidos, México e Canadá; Brasileirão começa em janeiro.
    (O Globo, 02/01/26)
    . . .
    “Em 2026, a Copa do Mundo será o destaque esportivo, ocorrendo pela primeira vez com 48 seleções em três países: Estados Unidos, México e Canadá. A seleção brasileira buscará o hexacampeonato. Além disso, atletas brasileiros competirão em diversas modalidades, como surf, tênis e atletismo, prometendo um ano repleto de emoção e conquistas esportivas.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2026/01/02/maior-copa-do-mundo-de-todos-os-tempos-e-muito-mais-confira-o-calendario-esportivo-de-2026.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    Portanto. . .
    Comece a economizar já, para comprar uma “TV maió pra assisti a copa”!

  8. Miguel José Teixeira

    Já “se-dizia-se” nas antigas:
    “quem quer muito, traz de casa!”

    “Mega da Virada: valeu a pena? Saiba quanto faturaram os grupos que apostaram R$ 500 mil e R$ 13 milhões”
    – Bolões no Rio Grande do Sul e em Goiás não levaram a sena, mas somaram dezenas de quinas e milhares de quadras; em um dos casos, retorno ficou abaixo do valor investido.
    (Por O GLOBO — Rio de Janeiro, 02/01/26)
    . . .
    “Dois bolões milionários chamaram a atenção na Mega da Virada 2025, no Rio Grande do Sul e Goiás. Investindo R$ 500 mil e R$ 13 milhões, respectivamente, nenhum acertou a sena. O grupo gaúcho conseguiu retorno positivo com quinas e quadras, mas o goiano, apesar de acertos expressivos, teve prejuízo. A Mega da Virada arrecadou R$ 3 bilhões e distribuiu o maior prêmio da história, R$ 1,09 bilhão.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/01/02/mega-da-virada-valeu-a-pena-saiba-quanto-faturaram-os-grupos-que-apostaram-r-500-mil-e-r-13-milhoes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  9. Miguel José Teixeira

    Seguramente, seguro::
    maracutaias a menos!

    “Quase metade dos ministros de Lula sairá para disputar eleição, e petista aposta em abrir espaço a ‘números 2’ de pastas”
    – Petista definiu a estratégia para evitar que haja uma quebra no ritmo de entregas de obras e projetos, o que poderia gerar uma paralisia do governo.
    (Por Sérgio Roxo — Brasília, O Globo, 02/01/26)
    . . .
    “Quase metade dos ministros de Lula sairá para disputar eleições, levando o governo a planejar substituições com secretários-executivos, que têm um perfil técnico. A medida visa evitar paralisia nas entregas de obras e projetos. Ministros como Fernando Haddad e Ricardo Lewandowski já discutem suas saídas, enquanto nomes como Marina Silva e Simone Tebet podem disputar vagas no Senado.”
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/01/02/quase-metade-dos-ministros-de-lula-saira-para-disputar-eleicao-e-petista-aposta-em-abrir-espaco-a-numeros-2-de-pastas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  10. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (055)

    “Millôr Fernandes ironizou a obrigação de opinar sobre temas graves”
    – ‘Mais cedo ou mais tarde todo articulista decente tem que falar da eutanásia’, escreveu.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    O desenhista, jornalista, dramaturgo e escritor Millôr Fernandes (1) disse que havia temas que pareciam inevitáveis para quem assina uma coluna. “Mais cedo ou mais tarde todo articulista decente tem que falar da eutanásia” (2), afirmou.

    Ele disse que a própria palavra tinha um apelo performático. “De saída é uma palavra tão bonita que, se a pronunciamos contra o céu azul do colocar-do-sol (antigo pôr-do-sol) de um dia de domingo”, escreveu em coluna publicada na Folha, em 2001.

    O desenhista seguiu pela sátira e tratou o assunto como quem desmonta um discurso sério por dentro. “A eutanásia (3), inventada no ano de 1200 por Sir Lawrence Olivier Lancelot”, escreveu, teria virado moda entre médicos “que tinham pressa em receber as contas das viúvas”.

    O texto também brincou com a linguagem e com o pânico ao redor do tema. “Outrossim (que eliminou da língua o outronão), é muito fácil saber se você contraiu eutanásia”, escreveu, antes de empilhar referências históricas e contemporâneas que iam do “fim de herói russo no período comunista” ao “Carandiru” (4).

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (5), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Da eutanásia (12/8/2001)

    Mais cedo ou mais tarde todo articulista decente tem que falar da eutanásia, razão pela qual eu custei tanto a me decidir. De saída é uma palavra tão bonita que, se a pronunciamos contra o céu azul do colocar-do-sol (antigo pôr-do-sol) de um dia de domingo, qualquer pessoa, por menos poética que tenha a alma, percebe imediatamente que somos muito cultos e lidos. De qualquer forma não é necessário esperar o domingo para usar a eutanásia, já que nos dias comuns essa palavra também pode ser empregada, embora só em legítima defesa.

    Porém, que é a eutanásia? A eutanásia, inventada no ano de 1200 por Sir Lawrence Olivier Lancelot, tornou-se imediatamente muito popular entre médicos que tinham pressa em receber as contas das viúvas. Aplicada aos doentes, ela dá excelentes resultados, curandoos completamente dessas tola mania de chamar médicos quando está doente. Médicos só devem ser chamados quando se está vendendo saúde. Por exemplo, aos 18 anos, fazendo surfe no Arpoador.

    Outrossim (que eliminou da língua o outronão), é muito fácil saber se você contraiu eutanásia: basta olhar pro canto e ver se a junta médica está falando em voz baixa. Se estiver, é porque você acabou de ser convocado para fim de herói russo no período comunista ou pra doador de órgãos na China atual. Isso, no Brasil do século XIX, ainda não se chamava eutanásia, se chamava “Voluntários da Pátria”.

    Na Idade Média (aproximadamente 40 anos) essa ciência chegou a ser muito praticada, principalmente em Caxias, no Rio, tendo até mesmo o Sr. Tenório Cavalcanti publicado um livro sobre as melhores maneiras de se empregar a referida Euterpe com metralhadora Lurdinha. Floresceu muito, também, entre os Médicis de Florença e só não floresceu mais porque Florença temeu a concorrência e juizes severos praticaram a eutanásia na eutanásia, tendo ela embarcado para a França, onde apareceu num filme de André Cayatte e posso garantir que estava mais bonita do que nunca.

    Mas o local onde crescem as maiores eutanásias que já tive oportunidade de saborear, é no 2o. pavilhão para tratamento psicológico, no Carandiru.

    Olha, explico melhor –no tempo em que o cavalo de Tróia ainda era potro, já a eutanásia tinha dado duas voltas ao mundo, usada muitas vezes por pessoas que não tinham a mínima experiência e tentavam apagar alguém praticando a eutanásia e acabavam liquidando sem que a eutanásia sequer desse as caras. (Aqui conviria falar de Hiroshima e Nagasaki, mas eu agora estou sem vontade de me meter na guerra fria, pois acho que essa era até bem quente. Prefiro chuveiro. A propósito, alguém ai tem cinco notas de dez, dessas elásticas estou precisando lavar dinheiro).

    Isso é a eutanásia, em suma. Quem souber mais e melhor que me diga, sendo que a bibliografia a respeito é muito rica, estando mesmo Trotsky preparando um grosso volume sobre o assunto quando Stalin praticou a eutanásia nele. E mais não digo porque, aqui pra nós, estou com eutanásia de assunto.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/01/millor-fernandes-ironizou-a-obrigacao-de-opinar-sobre-temas-graves.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2023/08/millor-que-faria-100-foi-individualista-indomavel.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/09/eutanasia-e-questao-de-liberdade-individual.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/11/pais-deve-se-inspirar-nos-transplantes-para-avancar-no-direito-a-morte-assistida-diz-drauzio-varella.shtml
    (4) https://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2013/04/1259090-48-acreditam-na-versao-da-pm-para-massacre-do-carandiru.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  11. Miguel José Teixeira

    “O poste de Jair Bolsonaro”
    – Flávio Bolsonaro iniciou sua pré-campanha à Presidência tentando se descolar do pai, mas começa 2026 fundido ao ex-presidente.
    (Rodolfo Borges, O Antagonista, 01/01/26)

    Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou sua pré-campanha à Presidência da República tentando se descolar do pai. O senador disse que tomou vacina contra Covid (1) e que é o Jair Bolsonaro “moderado” que tanto demandavam os críticos do ex-presidente.

    Mas o herdeiro eleitoral projetado por Bolsonaro começou o ano com uma imagem na qual divide ao meio o rosto com o pai (foto), publicada (2) ao desejar “feliz 2026” e prometer “resgatar o nosso Brasil!”.

    Horas antes, ao postar sua mensagem de Ano Novo, o senador compartilhou um vídeo (3) que termina com o ex-presidente se metamorfoseando no filho, com a mensagem de que “o legado continua”.

    As imagens indicam o cuidado de o senador não se distanciar tanto do pai, apesar de ter indicado a preocupação de disputar o eleitorado de centro, aquele que de fato define a eleição.

    Postes
    Os apoiadores da família Bolsonaro chegaram a dizer, com calculada empolgação (4), que Flávio é até melhor do que o pai, num esforço para consolidar a pré-candidatura do senador, mas estava claro desde o início que Flávio só poderia desempenhar o mesmo papel de Fernando Haddad em 2018.

    Assim como o atual ministro da Fazenda foi o poste de Lula naquela eleição, vencida por Bolsonaro, Flávio se encaminha para ser o poste de Bolsonaro, e perder a eleição para o petista.

    A melhor chance que o senador tem, como já indicaram as pesquisas de intenção de voto (5), é superar os adversários à direita no primeiro turno.

    Não conseguir nem isso seria a derrocada do bolsonarimo. Mas o PSD de Gilberto Kassab parece acreditar que é possível enfrentá-lo.

    Jogo
    Ou tudo isso, tanto a pré-candidatura de Flávio quanto a perspectiva de candidatura do governador do Paraná (6), Ratinho Jr. (PSD), não passam de jogo político, e o candidato de fato será mesmo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    Até que as candidaturas sejam formalizadas, trata-se ao mesmo tempo de tudo isso, vontade e projeção, mas a desejo dos envolvidos pode ter de se dobrar às condições eleitorais que se apresentarem e também às necessidades, inclusive judiciais.

    A carta de Bolsonaro lida por Flávio (7) antes das cirurgias do pai indicou que o filho precisava de mais um empurrão. Mas, na verdade, como expõem as últimas postagem de Flávio, o filho precisa ser o pai. É o máximo que Flávio pode almejar hoje, e algo que está destinado a não conseguir.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/o-poste-de-jair-bolsonaro/)

    (1) https://oantagonista.com.br/analise/um-bolsonaro-que-toma-vacina/
    (2) https://oantagonista.com.br/analise/um-bolsonaro-que-toma-vacina/
    (3) https://x.com/FlavioBolsonaro/status/2006504535116906903
    (4) https://oantagonista.com.br/analise/flavio-reanima-o-bolsonarismo/
    (5) https://oantagonista.com.br/brasil/flavio-aparece-a-frente-de-tarcisio-contra-lula-em-pesquisa-quaest/
    (6) https://oantagonista.com.br/brasil/kassab-exibe-o-presidenciavel-ratinho-jr/
    (7) https://oantagonista.com.br/brasil/leia-na-integra-a-carta-aos-brasileiros-de-jair-bolsonaro/

  12. Miguel José Teixeira

    Pois é. . .
    “Não existe porto seguro para quem está sem rumo”!

    “Meta fiscal, promessas e ficção no governo Lula”
    – Poder Executivo trata arcabouço fiscal como regra maleável, abre exceções e leva o país para uma rota negativa quando se trata de controlar as contas públicas.
    (Editorail do Poder360, 31/12/25)

    A principal pauta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso no início de seu 3º mandato foi a criação do novo marco para controlar as contas públicas. Substituiu o sistema anterior, mais simples e também mais rígido, que fixava um teto de gastos.

    O novo instrumento recebeu o nome de arcabouço fiscal. O modelo adotado permitiu limites de despesas mais frouxos do que o teto de gastos que havia sido criado durante a Presidência de Michel Temer (MDB), de meados de 2016 até o fim de 2018. O sistema de teto máximo de gastos foi mantido durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), de 2019 a 2022, ainda que a pandemia da covid (2020/21) e a guerra na Ucrânia (no início de 2022) tenham sido eventos disruptivos globais que impediram o cumprimento das regras de maneira plena.

    A flexibilidade adotada pelo governo Lula facilitou a adoção de medidas de investimento e de incentivo ao crescimento. A agenda expansionista do petista teve solo fértil para prosperar. Houve pouco ou nenhum incentivo, entretanto, para promover a contenção de gastos e frear a expansão da dívida pública.

    Sem a rigidez do modelo anterior, o governo estabeleceu metas que acomodariam deficits até 2024. Equilíbrio com zero deficit em 2025 (algo que só será alcançado com muitas exceções) e a promessa do 1º superavit primário desde 2022, só em 2026.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/editorial-do-poder360/meta-fiscal-promessas-e-ficcao-no-governo-lula/

  13. Miguel José Teixeira

    “Lula consegue “petizar” até meu sonho com Mega da Virada”
    – O lulopetismo é tão ruim que nem uma simples (sim, é apenas mais um sorteio de loteria) Mega-Sena consegue organizar.
    (Ricardo Kertzman, O Antagonista, 01/01/26)

    Quando você, amigo leitor, amiga leitora vai a um restaurante e a comida está ruim, o que faz? Liga para o dono e reclama? Vai até a cozinha e xinga o chef? Ou simplesmente chama o garçom e manda na lata: “A comida está fria”. “Não foi o que pedi”. “Esse peixe está com gosto de podre”?

    Pois é. Por isso, não adianta reclamar, dizer que é perseguição, má vontade, antipetismo, nazismo, fascismo ou sei lá qual rótulo a turma do amor queira me imputar. O fato é: o lulopetismo é tão ruim, tão incompetente, tão incapaz de um governo eficiente, sem aparelhamento, sem cabides de empregos inúteis – que, claro, prejudicam os serviços – que nem uma simples (sim, é apenas mais um sorteio de loteria) Mega-Sena consegue organizar. Ou seja: a culpa é do Lula, sim.

    “Ah, Ricardo, o movimento foi recorde. Zilhões de apostas simultâneas”. Uma ova! Todos os anos é. Não há novidade nenhuma nisso. Senão não seria a Mega da Virada. O prêmio não seria gigante e milhões de brasileiros não passariam horas, senão dias sonhando em se tonar o novo Elon “Fuck You” Musk bananeiro. Muito menos se disporiam a ficar horas e horas em filas presenciais e… virtuais!

    PT sendo o PT
    Isso mesmo. A encrenca começou bem antes do sorteio adiado, com o próprio site da Caixa – que parecia o da Fifa em final de Copa do Mundo – mais travado que o meu (já precário) inglês em viagem. As pessoas ficavam mais de uma hora em uma fila virtual e, quando chegava a vez, a conexão caía ou a plataforma informava erro. Culpa do mordomo digital, ou seja, do “sistema”.

    O governo Lula quebrou um recorde histórico recentemente: torrou mais de 7 bilhões de reais cobrindo prejuízos de estatais. Os Correios talvez sejam o melhor e maior exemplo da incompetência. Quebrados, precisam de 20 bilhões de reais para não fechar as portas. Conseguiram apenas a metade. Ninguém quer emprestar dinheiro para um poço de ineficiência, administrado pela companheirada.

    Não. Não é a primeira vez que isso ocorre em administrações lulopetistas. Ao contrário. Dilma Rousseff, nossa eterna estoquista de vento, que o diga. E o petrolão, por mais que Dias Toffoli e Gilmar Mendes tentem apagar das nossas memórias, também. Se tem PT, tem confusão.

    O jeito, agora, é torcer para o “melhor presidente da história desse país” dar um jeito nas bolhinhas da sorte o quanto antes, pois já fiz todas as contas da minha gastança bilionária e preciso retirar meu prêmio o quanto antes. Até porque, o Taxad está de olho grande, para não variar.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/lula-consegue-petizar-ate-meu-sonho-com-mega-da-virada/)

  14. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (054)

    “Fernando Gabeira alertou sobre agonia do rio São Francisco”
    – ‘Ele está doente, anêmico, e vamos fazer uma transfusão de sangue’, escreveu o jornalista.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    Fernando Gabeira (1) visitou a nascente do São Francisco (2) e encontrou um rio fragilizado. Em dezembro de 2000, o jornalista escreveu na Folha sobre o projeto de transposição (3) que o governo preparava: “O Velho Chico é um rio doente, anêmico, comparado com sua pujança anterior. E o que vamos fazer é uma transfusão de sangue”.

    A visita à serra da Canastra (4), em Minas Gerais, revelou a fragilidade do “rio da unidade nacional”. “A impressão que ele nos dá, descendo cristalino pela montanha, é de um frágil filete de água que precisa de muita ajuda para cruzar todo o país”, observou.

    Gabeira citou o exemplo do rio das Velhas, afluente que agonizava. “Dizem que no museu de Sabará há uma âncora de quase dois metros, que era utilizada no antigo rio das Velhas. Hoje em dia é possível atravessá-lo com água pelo joelho”, escreveu. A história incluía alertas sobre desastres ecológicos de transposições, como o mar de Aral na Rússia.

    O colunista via um aspecto positivo no debate: forçar o Brasil a pensar sobre escassez hídrica (5). “Poucos sabem que 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com escassez de água. Nos próximos 25 anos, se nada for mudado, dois entre três habitantes do planeta enfrentarão a escassez”, alertou. O São Francisco, ironizava, precisava ele próprio de “uma transfusão, talvez de um afluente do Tocantins, o rio do Sono”.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (6), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    São Francisco, um rio da polêmica nacional (11/12/2000)

    Todos ouvimos falar do São Francisco na escola. É o rio da unidade nacional, tão castigado, coitadinho. Castro Alves, o poeta, falava de suas águas cristalinas e o chamava de Nilo brasileiro.O Velho Chico deverá voltar ao noticiário este ano.

    O governo parece determinado a transplantá-lo, na altura da cidade de Cabrobó, em Pernambuco, para atender às regiões mais secas do Nordeste. A obra deve custar R$ 3 bilhões e já existe até dinheiro no orçamento para realizar o trabalho. Como para tudo no Brasil, existe uma comissão onde se discute o problema.

    Também como em muitos outros casos, participo dessa comissão, não só para debater a transposição, mas, também, na esperança de conhecer melhor esse rio, simbolicamente tão importante para nós.

    O primeiro passo foi conhecer a nascente na serra da Canastra, em Minas Gerais. O rio nasce no alto do morro, e o prefeito nos esperava com a mesinha com toalha branca, café e o famoso queijo da Canastra, um queijo-de-minas mais duro, ou mais curado, como se diz por lá.

    Não dá para imaginar um rio soberbo, com águas turvas que descem lentas e peregrinas, como nos versos de Castro Alves.

    A impressão que ele nos dá, descendo cristalino pela montanha, é de um frágil filete de água que precisa de muita ajuda para cruzar todo o país, abastecendo famílias, irrigando campos.

    O local onde nasce o São Francisco é um parque nacional controlado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). No entanto os fiscais, no momento em que o visitamos, não tinham dinheiro para a gasolina dos carros e, portanto, não podiam controlar toda a área, que começa a ser visitada por gente que quer conhecer as origens do São Francisco e fazer um piquenique às suas margens.

    Se você desce um pouco com o rio e se mantém ainda nos limites de Minas Gerais, é possível perceber como ele está ameaçado a médio prazo.

    O projeto Manuelzão, dirigido por Apolo Heringer, um antigo militante da esquerda brasileira, tenta, por exemplo, recuperar o rio das Velhas, um afluente que também foi majestoso, mas que hoje está agonizando.

    Dizem que no museu de Sabará há uma âncora de quase dois metros, que era utilizada no antigo rio das Velhas. Hoje em dia é possível atravessá-lo com água pelo joelho.

    São indícios de que, visto no conjunto, o rio São Francisco é um rio doente, anêmico, comparado com sua pujança anterior. E o que vamos fazer é uma transfusão de sangue.

    Esse caminho, de transpor o rio, teria mais sentido no bojo nacional para recuperá-lo.

    A história moderna conta com algumas transposições bem-sucedidas, mas também com alguns desastres ecológicos que comprometem a racionalidade no século 20, como é o caso do mar de Aral, na Rússia.

    Escassez de água

    Há um aspecto interessante no debate sobre o São Francisco. Mesmo anêmico e ameaçado, ele pode levar o Brasil a pensar num problema que nunca existiu para nós: o problema da água.

    Poucos sabem que 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com escassez de água. Nos próximos 25 anos, se nada for mudado, dois entre três habitantes do planeta enfrentarão a escassez.

    Imaginem a quantidade de conflitos, o sofrimento que pessoas e animais podem enfrentar nos próximos anos.

    Mesmo no Brasil, onde temos muita água, ela está concentrada mais para o norte. Milhões de brasileiros ainda vivem com uma cota de água menor do que a desejável para manter uma existência digna.

    Equacionar adequadamente os problemas de abastecimento de água é um grande desafio.

    O Velho Chico pode impulsionar o debate sobre a questão, mas dificilmente pode resolver o problema. Ele mesmo, coitado, está precisando de uma transfusão, talvez de um afluente do Tocantins, o rio do Sono.

    O debate sobre o São Francisco vem desde o século passado. O debate sobre a escassez de água no planeta é mais recente. Ambos dariam para preencher toneladas de papel. No momento, é importante conhecer o rio São Francisco, antes que ele mude de leito.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/01/fernando-gabeira-alertou-sobre-agonia-do-rio-sao-francisco.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2021/09/gabeira-cobriu-morte-de-chico-mendes-e-abertura-do-leste-europeu.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/turismo/2016/06/1784400-fotos-registram-a-foz-do-sao-francisco-onde-a-agua-do-rio-e-salgada.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/04/entenda-a-transposicao-do-sao-francisco-e-por-que-ela-gera-duvidas.shtml
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/turismo/2023/06/rio-sao-francisco-ainda-jovem-e-limpo-recebe-quem-vai-a-serra-da-canastra.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mauricio-portugal-ribeiro/2025/11/um-novo-marco-regulatorio-para-tempos-de-escassez-hidrica.shtml
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

    1. Nem pode perder a esperança. O que mais fazemos é pular ondas a cada maré. Obrigado por ocupar este espaço, com pitacos essenciais e geniais. Que venha 2026

  15. Miguel José Teixeira

    PlinT, PlinT. . .

    ““Globo” recebeu 49% da verba de publicidade de Lula na TV”
    – Grupo líder de audiência ganhou R$ 462 milhões com anúncios do governo federal (administração direta) desde 2023, mais que o dobro do que teve nos primeiros 3 anos de Bolsonaro; “Record”, “SBT” e “Band” perderam espaço.
    (Rafael Barbosa e Lara Brito, de Brasília, Poder360, 31/12/25).

    Os canais do Grupo Globo ganharam quase metade (49,4%) do valor gasto em publicidade via televisão pela administração direta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste 3º mandato até agora.

    As verbas são de anúncios da Secom (Secretaria de Comunicação Social) e dos ministérios e alguns órgãos controlados exclusivamente pelo Poder Executivo, o que se chama de administração direta. Não são divulgados pelo governo os gastos de empresas estatais federais.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-midia/globo-recebeu-49-da-verba-de-publicidade-de-lula-na-tv/

  16. Miguel José Teixeira

    “Minha mensagem nada efusiva de ano novo”
    – Se eu fosse dar conselho a alguém, apenas diria: não espere mudanças onde não existem e não acredite em milagres.
    (Ricardo Kertzman, O Antagonista, 31/12/25)

    Dizem que o fim do ano, especialmente o último dia, é tempo para refletir, pensar e repensar a vida, olhar para trás e perceber os erros e acertos, fazer planos, enfim.

    Eu, particularmente, não vejo e não sinto qualquer diferença entre o 31 de dezembro e o 1 de janeiro.

    Durmo e acordo com os mesmos problemas, as mesmas alegrias, as mesmas dores – emocionais e físicas – e não me sinto nem mais velho nem mais renovado. Apenas, a depender da quantidade de bebida e comida ingeridas na noite anterior, com mais ou menos ressaca e indigestão.

    Não me escutem e curtam a tradição
    Mas, ok. Respeito incondicionalmente quem pensa diferente. Aliás, até sinto uma certa inveja de quem, genuinamente, acredita que irá trocar de emprego, economizar dinheiro, ganhar na loteria, encontrar o amor da vida.

    Por alguma razão que desconheço – e não é cultural nem fruto da minha criação -, sou primordialmente cético, não raro, pessimista.

    Não creio no poder do curtíssimo prazo (um dia após o outro) como transformador. No máximo, em planos e projetos de médio e longo prazos, desde que a disciplina e a sorte prosperem.

    Feliz 2026
    Por isso, se eu fosse dar conselho a alguém, apenas diria: não espere mudanças onde não existem e não acredite em milagres. Toque a vida com o máximo de juízo e racionalidade, e torça para que a maior parte dela dê certo, porque não irá faltar o que dê errado ao longo da jornada.

    Aos queridos leitores de O Antagonista, meus sinceros votos de uma noite especial e – vá lá! – um novo ano repleto de alegrias, saúde e realizações.

    Eu, aqui do meu cantinho, continuarei igual. Rabugento com a vida e afetuoso com quem merece.

    Forte abraço!

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/minha-mensagem-nada-efusiva-de-ano-novo/)

  17. Miguel José Teixeira

    E. . .segue a premiação da Coluna do Cláudio Humberto:

    O Diabo Veste Master 2025
    O vencedor, com folga, é o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pelo incrível talento de contratar o escritório de advocacia certo, do tipo capaz de apontar o caminho do céu para quem merece o inferno.

    Troféu ‘Bye, bye, Brasil’
    Para as pesquisas mostrando que, decepcionados, ao menos 40% dos brasileiros gostariam de deixar seu País.

    Óleo de Peroba 2025
    Lula ganha em todas as categorias, a começar com a decretação de sigilo eterno sobre atividades que decidiu esconder dos brasileiros, das viagens de Janja aos negócios dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

    Taça Mico Dourado
    Vai para a COP30, conferência na qual Lula nos fez gastar suspeitos R$500 milhões para bancar a organização pífia que não atraiu qualquer autoridade relevante e na qual as propostas do anfitrião foram ignoradas.

    Avestruz de Lata
    Com todos os deméritos, o prêmio vai para a OAB Nacional, por desrespeitar a própria reputação de bravura, em vários momentos da nossa História, e optar pela mais constrangedora omissão dos covardes.

    Prêmio Massa de Padeiro
    Após anos de torcida em redações de jornalões, a prisão decretada do Jair Bolsonaro por Alexandre de Moraes não mudou nada nas pesquisas: o ex-presidente continua em alta junto ao eleitorado.

    Cadeira Elétrica 2025
    Vai para o governo Lula, que perdeu oito ministros só este ano, quase todos enrolados em denúncias de irregularidade, das Comunicações à Previdência, ministério que deixou os aposentados serem roubados.

    Sincerão do Ano
    O chanceler alemão Friedrich Merz deixou ambientalistas e petistas ainda mais raivosos ao afirmar que nem ele e nem jornalistas que o acompanhavam apreciaram a viagem a Belém para a COP30.

    Palma de Surpresa
    A surpresa do ano foi o número maior de pedidos de impeachment contra ministros do STF do que contra o presidente da República, apesar do “governo em consórcio” que formam. Sem surpresa, nada andou.

    Volta dos que Não Foram
    O grupo empresarial dos irmãos Joesley e Wesley Batista (J&F, JBS, Banco Original, Âmbar Energia etc. etc.) voltou quase onipresente aos corredores da Praça dos Três Poderes. Especialmente nos Palácios…

    Medalha Juiz Real
    O ministro Luiz Fux, o único juiz de carreira da Primeira Turma, que teve a coragem de votar contra o que estava combinado: condenações em série por suposta tentativa de “golpe” sem tropas nas ruas e sem armas.

    Substituto na goela
    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganha o destaque com sua escolha, pelo pai, como candidato da presidente em 2026, pegando de surpresa até Tarcísio de Freitas (Rep-SP), que já amarrava as chuteiras.

    Pensando bem…
    …na verdade, 2026 começou há quase quatro anos.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/zero-surpresa-em-2025-governo-do-pt-escandalos-de-corrupcao-em-serie)

  18. Miguel José Teixeira

    Previsivelmente, previsível!

    “Zero surpresa em 2025: governo do PT, escândalos de corrupção em série”
    (Tiago Vasconcelos, Coluna CH, DP, 31/12/25)

    Foram tantas graves denúncias em torno dos poderosos este ano, que 2025 terá de ser lembrado como o retorno dos escândalos em série no País. O ano mal havia começado e um ministro petista pediu para sair acusado de usar verba pública para ajudar uma fazenda da família. Foi só um gostinho. O prato principal foi servido na forma da fraude ao INSS, que tungou ao menos R$10 bilhões dos aposentados, o maior roubo da História do Brasil, maior até que o famoso Petrolão, desvendado pela Lava Jato, também enterrada este ano. Isso sem nem entrar nos empréstimos consignados, universo de R$90 bilhões. Foram tantos os enrolados nessa avalanche, que até Lulinha, filho do presidente, voltou às manchetes acusado de receber mesada de R$300 mil do operador do esquema. Pouquíssimo tempo depois, o liquidado Banco Master revelou ligações da mais alta cúpula do Judiciário com interesses nada republicanos. Mas, para Paulo Gonet, novo Engavetador-Geral da República, não há nada demais. Surpresa zero.

    Esculacho de Lata
    O troféu vai para o Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2025 não parou de demonstrar seu desapreço pelo Congresso Nacional, que, sem reagir, viu suas prerrogativas e decisões anuladas em escala industrial.

    Destaque ‘Isso boia’
    Antes desconhecido, Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, emergiu das profundezas do submundo para boiar em águas revoltas, como personagem-símbolo do roubo bilionário aos velhinhos do INSS.

    Troféu ‘Quem Mandou?’
    Para Eduardo Tagliaferro, ex-assessor que denunciou abusos do ministro Alexandre de Moraes e acabou experimentando o inferno com o qual colaborou, agora acusado de participar da suposta “tentativa de golpe”.

    Taça ‘Eu avisei’
    Para a advertência dos brasileiros de bem de que não tinha o menor perigo de dar certo a escandalosa decisão do STF autorizando ministros a julgarem processos de interesse de seus próprios familiares.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/zero-surpresa-em-2025-governo-do-pt-escandalos-de-corrupcao-em-serie)

    Perguntar não ofende!
    Alguém ai esperaria algo melhor com a corja vermelha no poder?

  19. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (053)

    “Scliar ironizou destruição de tênis falsos em carta fictícia à Nike”
    – ‘Tudo em minha vida é falsificado, moro num barraco mas chamo de casa’, escreveu em 2000.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    Moacyr Scliar (1) transformou uma notícia sobre a destruição de 45 mil tênis Nike falsificados (2) em literatura. Em agosto de 2000, o escritor gaúcho publicou na Folha uma carta fictícia endereçada à empresa americana (3), assinada por um homem pobre que implorava: “Reservem um par, um único par desses tênis que serão destruídos”.

    O narrador da carta confessava ser “pobre como um rato”, sem dinheiro sequer para o selo — um vizinho bondoso escrevia e enviaria a missiva. Mas a pobreza não impedia de sonhar: “Eu sempre sonhei com um tênis Nike. Os senhores não têm idéia de como isso será importante para mim. Meus amigos, por exemplo, vão me olhar de outra maneira”.

    A ironia de Scliar alcançava seu ápice quando o personagem revelava sua relação com o falso (4): “A mim não importa que o tênis seja falsificado, que ele leve a marca Nike sem ser Nike. Porque, vejam, tudo em minha vida é assim”. Morava num barraco que chamava de casa, usava camiseta de universidade americana encontrada no lixo, com dizeres em inglês que não entendia.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (5), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    A glória do falso (14/8/2000)

    Prezados senhores : uns amigos me falaram que os senhores estão para destruir 45 mil pares de tênis falsificados com a marca Nike e que, para esse fim, uma máquina especial já teria até sido adquirida. A razão desta cartinha é um pedido. Um pedido muito urgente.

    Antes de mais nada, devo dizer aos senhores que nada tenho contra a destruição de tênis, ou de bonecas Barbie, ou de qualquer coisa que tenha sido pirateada. Afinal, a marca é dos senhores, e quem usa essa marca indevidamente sabe que está correndo um risco. Destruam, portanto. Com a máquina, sem a máquina, destruam. Destruir é um direito dos senhores.

    Mas, por favor, reservem um par, um único par desses tênis que serão destruídos para este que vos escreve. Este pedido é motivado por duas razões: em primeiro lugar, sou um grande admirador da marca Nike, mesmo falsificada. Aliás, estive olhando os tênis pirateados e devo confessar que não vi grande diferença deles para os verdadeiros.

    Em segundo lugar, e isto é o mais importante, sou pobre, pobre e ignorante. Quem está escrevendo esta carta para mim é um vizinho, homem bondoso. Ele vai inclusive colocá-la no correio, porque eu não tenho dinheiro para o selo. Nem dinheiro para selo, nem para qualquer outra coisa: sou pobre como um rato. Mas a pobreza não impede de sonhar, e eu sempre sonhei com um tênis Nike. Os senhores não têm idéia de como isso será importante para mim. Meus amigos, por exemplo, vão me olhar de outra maneira se eu aparecer de Nike. Eu direi, naturalmente, que foi presente (não quero que pensem que andei roubando), mas sei que a admiração deles não diminuirá: afinal, quem pode receber um Nike de presente pode receber muitas outras coisas. Verão que não sou o coitado que pareço.

    Uma última ponderação: a mim não importa que o tênis seja falsificado, que ele leve a marca Nike sem ser Nike. Porque, vejam, tudo em minha vida é assim. Moro num barraco que não pode ser chamado de casa, mas, para todos os efeitos, chamo-o de casa. Uso a camiseta de uma universidade americana, com dizeres em inglês, que não entendo, mas nunca estive nem sequer perto da universidade -é uma camiseta que encontrei no lixo. E assim por diante.

    Mandem-me, por favor, um tênis. Pode ser tamanho grande, embora eu tenha pé pequeno. Não me desagradaria nada fingir que tenho pé grande. Dá à pessoa uma certa importância. E depois, quanto maior o tênis, mais visível ele é. E, como diz o meu vizinho aqui, visibilidade é tudo na vida.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/12/moacyr-scliar-ironizou-destruicao-de-tenis-falsos-em-carta-ficticia-a-nike.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2021/02/moacyr-scliar-fantasiava-realidade-em-cronicas-inspiradas-em-noticias-da-folha.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0908200015.htm
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/10/recuperacao-da-nike-ganha-forca-mas-ceo-alerta-que-ainda-ha-muito-trabalho-pela-frente.shtml
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/07/na-mira-dos-eua-por-pirataria-e-contrabando-25-de-marco-ignora-trump.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  20. Miguel José Teixeira

    “Dicionário para entender 2025”
    – Este foi o ano da blindagem, mas também teve FLOP30, um papa agostiniano e muita creatina para aguentar o tranco.
    (Duda Teixeira, Crusoé, 30/12/25)

    Pelo quarto ano seguido, Crusoé seleciona as principais palavras e expressões que se destacaram ao longo do ano.

    Algumas são velhas conhecidas que ganharam novos significados, como Camisa 10, blindagem e caneta.

    Outras surgiram do nada, frutos de geração espontânea, como adultização e faccionados.

    E há sempre aquelas formadas da junção de outros termos, como os neologismos narcoterrorismo e FLOP30.

    Com edições publicadas em 2022 (1), 2023 (2), 2024 (3) e, agora, 2025, o “Dicionário para entender o ano” de Crusoé se consolida como um registro bem-humorado e didático de uma época em constante transformação.

    Adultização
    Ato de tratar crianças e adolescentes como adultos precoces, expondo-os de maneira indevida nas redes sociais. Embora a hipersexualização de crianças seja uma tradição da televisão brasileira, o termo ganhou força após a publicação de um vídeo com denúncias feitas pelo influenciador Felca.

    Agostiniano
    Relativo a Santo Agostinho. A palavra ganhou notoriedade com a nomeação do americano Robert Prevost para papa, tornando-se Leão XIV. “Como agostiniano, nós nos unimos com os nossos momentos de ansiedade, escuridão e dúvida. E, como Agostinho, através da graça de Deus, nós podemos descobrir o amor verdadeiro e a cura verdadeira”, afirmou o papa em uma mensagem de vídeo. “Vamos construir uma comunidade em que o amor seja visível.”

    Antibunker
    Bombas americanas GBU-57 capazes de perfurar rochas e concreto para explodir no subsolo. Foram lançadas contra instalações nucleares do Irã, em junho.

    Ata da Gleisi
    Publicação recorrente da secretária de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, nas redes sociais, imediatamente após a divulgação da taxa básica de juros. Gleisi sempre reclama dos juros altos e nunca fala sobre sua verdadeira causa: a gastança sem freios do governo.

    Atora
    Sinônimo de atriz, segundo a primeira-dama Janja. “Somos atoras principais da mudança climática”, disse ela na COP30, em Belém. O correto seria “atrizes”.

    Barricada
    Obstáculo colocado em vias públicas por membros do crime organizado, mostrando até onde vai a soberania do Estado e onde começa o reino das facções.

    Blindagem
    Ato de proteger a si próprio de ameaças reais ou imaginárias. Deputados tentaram aprovar uma PEC da Blindagem, sem sucesso. Quem conseguiu mesmo se blindar foram os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Gilmar Mendes atropelou a Constituição para dificultar o impeachment de ministros da Corte. Dias Toffoli chamou para si e botou sigilo na investigação sobre o banco Master.

    Capivara (capybara)
    O animal com fama de tranquilo virou estrela de vídeos na internet e tema de diversos produtos, como bichos de pelúcia, pijamas, luminárias, mochilas e chaveiros.

    Camisa 10
    O rei Pelé deu fama mundial para a camisa da Seleção com o número dez. Em 2025, o símbolo ganhou outra conotação. Agora vale para os políticos que são craques em ajudar o adversário. Vale principalmente para Eduardo Bolsonaro, que tem brilhado no campo da aprovação do presidente Lula.

    Caneta
    Medicamentos injetáveis como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Saxenda. Reduzem o apetite e aumentam a saciedade. Por serem eficientes, deixaram os médicos que fazem cirurgias de redução do estômago sem fila de pacientes.

    Careca do INSS
    Apelido dado para o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, epicentro do esquema de desvios de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social. A existência da alcunha foi negada pelo seu portador. “Jamais fui esse personagem fictício, o chamado Careca do INSS. Esse rótulo foi criado pelo senhor Eli Cohen, que induziu pessoas de bem, veículos de comunicação respeitados, profissionais de imprensa e toda a sociedade a acreditar em uma narrativa fantasiosa”, afirmou o Careca do INSS.

    Cidadões
    Sinônimo de cidadãos, segundo a primeira-dama Janja e o vereador Jair Renan Bolsonaro. O correto é “cidadãos”.

    Creatina
    Suplemento alimentar usado para ganhar força e resistência muscular. Se o leitor não começou a tomar creatina em 2025, ao menos ouviu alguém falar que começou a usar.

    Dosimetria
    Ato de recalcular as penas de pessoas condenadas. Usado em substituição à palavra “anistia”.

    Escala 6X1
    Seis dias de trabalho na semana para um de folga. Estratégia dos parlamentares de esquerda para ganhar o apoio do trabalhador, a despeito das ameaças de demissões que poderiam vir com a proibição dessa prática.

    Estadunidense
    Sinônimo de “americano” para a esquerda situacionista.

    Excelente química
    Boa relação, entrosamento. O presidente americano Donald Trump usou a expressão para falar sobre seu encontro fortuito com Lula antes do discurso na Assembleia-Geral da ONU.

    Faccionados
    Membro de organização criminosa armada, facção. O substantivo ganhou popularidade após a Operação Contenção contra o Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, em outubro.

    Ferro de solda
    Equipamento usado por Jair Bolsonaro após um surto de curiosidade, de paranoia, de confusão mental ou de delírio medicamentoso. “Meti um ferro quente aí”, afirmou o ex-presidente.

    Filho do rapaz
    Em mensagem apreendida pela Polícia Federal, Antônio Camilo, o Careca do INSS, pede que se faça um pagamento de 300 mil reais para “o filho do rapaz”. O valor foi enviado para a RL Consultoria e Intermediações, de Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís, filho do presidente Lula. (ler verbete Careca do INSS)

    FGC
    Sigla para Fundo Garantidor de Crédito. Letras usadas como propaganda do Banco Master para vender CDBs. Boia de salvação em que muitos brasileiros se agarraram após naufragarem no escândalo do Banco Master.

    FLOP30
    Termo criado após o fracasso da Conferência das Partes para o Clima da ONU (COP30), em Belém. O verbo “flopar” costuma ser usado quando algo não alcança o resultado esperado. O evento teve incêndio, obras sem licenciamento ambiental, invasão de índios e um casal de turistas estrangeiros caindo no esgoto a céu aberto.

    Fora da meta
    Para cumprir formalmente com a meta fiscal, o governo Lula usou a artimanha de não contabilizar gastos, considerando-os como “fora da meta”. Entre eles estão pagamentos para estatais e obras públicas, um pacote de socorro a empresas exportadoras e um plano para modernizar o setor de Defesa.

    Frei Chico
    O irmão mais velho e comunista do presidente Lula, José Ferreira da Silva, voltou às manchetes por ser vice-presidente de um sindicato envolvido nos desvios do INSS. Parlamentares governistas, como Paulo Pimenta e Eliziane Gama, conseguiram barrar seu depoimento na CPMI. Os dois também inventaram explicações para a origem do apelido, falando de uma suposta moral religiosa. “Ele leva o nome de Frei Chico não por ser padre, não por estar ligado a uma atividade específica da Igreja Católica, mas pela sua trajetória franciscana. Pela sua visão e pela sua postura que é totalmente desprendida a materialismo, a patrimonialismo”, afirmou Eliziane. A alcunha, contudo, deve-se unicamente ao fato de seu cabelo ser parecido com o de um frade franciscano.

    Inflação dos alimentos
    Pesadelo de Lula, que ajudou a arranhar a aprovação do governo no primeiro semestre e pode voltar a atuar no ano que vem.

    Justiça tributária
    Subterfúgio usado pelo governo Lula para aumentar os impostos sem ter de se preocupar com corte de gastos.

    Labubu
    Personagen colecionável criado pelo artista Kasing Lung, de Hong Kong. É dentuço e tem orelhas pontudas. Febre nas redes sociais, virou acessório de bolsas e vai ganhar filme.

    Lulômetro
    Tracking diário de aprovação do governo Lula feito pela Real Time Big Data, em parceria com O Antagonista e Crusoé.

    Magnitsky
    Sobrenome de Sergei Magnitsky, advogado russo que denunciou fraudes do governo. Foi torturado e morto na Rússia, em 2009. Nome da lei usada pelo governo dos Estados Unidos para pressionar grandes violadores dos direitos humanos no exterior, podendo ser até mesmo um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Sinônimo de maravilhoso, espetacular: “Que dia magnitsky”.

    Mapa invertido
    Expediente pago com dinheiro do contribuinte usado pelo presidente petista do IBGE, Marcio Pochmann, para bajular o presidente Lula e fazer o Brasil todo passar vergonha.

    Metanol
    Solvente tóxico e inflamável inserido clandestinamente nos tanques dos carros e nos drinques dos brasileiros.

    Missão
    Novo partido fundado pelo Movimento Brasil Livre, o MBL. Usado como substantivo feminino, para evitar “omissão”.

    Monitoramento do Pix
    Tentativa do governo Lula de obrigar mais brasileiros a pagarem o imposto de renda. Depois que deu muito errado, o presidente passou a tratar o Pix como um símbolo de orgulho nacional.

    Morango do amor
    Doce instagramável em que a fruta é coberta por açúcar caramelizado e tingido de vermelho, como uma maçã do amor. Fez a festa de muitas confeitarias.

    Narcoterrorismo
    Neologismo entre as palavras “narcotraficante” e “terrorismo”. Usado pelo presidente americano Donald Trump como desculpa para bombardear lanches no Caribe, não prosperou entre os parlamentares brasileiros do Centrão.

    Oitenta (80)
    Idade do presidente Lula, que tornou-se um octogenário.

    Patriota EAD (deputado EAD)
    Sujeito que escolhe o autoexílio para supostamente lutar pelo seu país, como Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem e Carla Zambelli.

    Pequenos tiranos
    Para a ministra do STF Cármen Lúcia, pequenos tiranos são os brasileiros comuns que manifestam suas opiniões na internet. “A grande dificuldade está aí: censura é proibida constitucionalmente, eticamente, moralmente, e eu diria até espiritualmente. Mas também não se pode permitir que estejamos numa ágora em que haja 213 milhões de pequenos tiranos soberanos”, afirmou a juíza. Autora de outra frase célebre sobre o tema (“Cala a boca já morreu”), Cármen entende que a censura não pode, mas também pode. Se for para os outros.

    POV
    Ponto de vista (de point of view). A sigla passou a ser colocada em redes sociais para mostrar vídeos feitos sob o “ponto de vista”, ou a perspectiva, de alguém.

    Racismo ambiental
    Conceito que o governo Lula conseguiu fazer progredir na COP30, mas de difícil explicação.

    Reborn
    Renascido, em inglês. Moda de bonecas caras e hiper-realistas que gerou muita indignação na população e muitos projetos de lei no Congresso, com efeito nulo. Quando se fala do presidente Lula como bebê reborn, também se usa a expressão “rouborn”.

    Sapatênisfobia
    Aversão ao sapatênis. A expressão surgiu após o deputado Gilson Marques, do partido Novo, ser acusado de “bolsonarismo de sapatênis”.

    Soberania
    Lema que ajudou a melhorar a aprovação do governo Lula na época em que Donald Trump pressionava o Brasil com tarifaço e Lei Magnitsky. Assim como nos demais eventos conhecidos como “rally ‘round the flag”, que estimulam o patriotismo durante perigo externo, o impacto não durou muito.

    Superfederação
    União de partidos em busca de mais tempo de televisão e verbas públicas. Em 2025, União Brasil e Progressistas criaram a União Progressista.

    Tarifaço
    Aumento de impostos de importação nos Estados Unidos para produtos brasileiros. Foi revogado para evitar inflação nos supermercados americanos.

    Traficante também é vítima
    Ao ser provocado a falar sobre a Operação Contenção contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, o presidente Lula afirmou: “Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também”.

    Trama golpista
    Julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

    TRI (Teoria de Resposta ao Item)
    Modelo estatístico que corrige provas de múltipla escolha, como o Enem, que faz com que o número de acertos não determine a nota final.

    Tsunami de dados
    Liberação de gigantescas quantidades de informação durante um prazo exíguo para prejudicar a defesa dos réus no STF. Sinônimo de avalanche de dados ou “data dump”.

    (Fonte: https://crusoe.com.br/noticias/dicionario-para-entender-2025/)

    (1) https://crusoe.com.br/edicoes/243/dicionario-para-entender-2022/
    (2) https://crusoe.com.br/secao/reportagem/dicionario-para-entender-2023/
    (3) https://crusoe.com.br/noticias/dicionario-para-entender-2024/

  21. Miguel José Teixeira

    “Toffoli desgovernado”
    – Condução errática e sigilosa do caso do Banco Master desmoraliza o ministro e aprofunda o esgarçamento institucional do STF.
    (Rodolfo Borges, O Antagonista, 30-/12/25)

    Dias Toffoli (foto) assustou o Brasil por dias com uma acareação sem previsão em lei (1). E recuou na véspera do encontro marcado para esta terça-feira, 30, entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor do Banco Central Ailton de Aquino Santos.

    Depois de peitar a Procuradoria Geral da República (PGR), que era contra a acareação e nem sequer chegou a ser consultada antes da decisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu delegar à Polícia Federal (PF) a decisão sobre o assunto (2).

    Por que Toffoli não delegou a questão à PF desde o início? Por que agendou a acareação em pleno recesso judicial? Por que não consultou o Ministério Público antes de despachar?

    Essas são apenas três das perguntas que se impõem diante da forma esquisita como o ministro, que viajou com um dos advogados que atuam no caso, vem conduzindo o processo do Master.

    Pode isso?
    O caso, aliás, não foi parar no STF por conta da liquidação do banco, mas teme-se que a decisão do BC contra o banco poderia vir a ser revertida por Toffoli — sabe-se lá como.

    Para Hélio Telho, procurador da República em Goiás, “legal e constitucionalmente, Toffoli não está autorizado” a reverter a liquidação.

    “O ministro é relator de um inquérito policial, cujo objeto legal é investigar crimes atribuídos aos administradores do banco. Trata-se um procedimento de natureza criminal. A liquidação extrajudicial é uma medida de natureza administrativa e só pode ser legalmente questionada via ação de natureza cível”, analisou o procurador em seu perfil no X (3), completando:

    “O ato da autoridade financeira que decretou a liquidação não está constitucionalmente sujeita à competência constitucional originária da Suprema Corte. O questionamento cabível é da competência de um juiz federal de 1º grau. Mesmo que o caso chegasse em grau de recurso ao Supremo, o caso criminal sob relatoria de Toffoli não o faz prevento para julgar o recurso cível.”

    “Mas nada é simples com o Supremo”
    Telho termina sua análise entre revoltado e resignado com o STF, como grande parte da população brasileira: “Mas nada é simples com o Supremo”.

    O mesmo STF mudou, também pelas mãos de um único ministro, as regras para impeachment dos juízes do tribunal. O decano Gilmar Mendes modulou sua decisão depois de conseguir gerar uma relação do Congresso Nacional.

    Foi também um único ministro que recolocou de pé, após derrubada no Congresso, parte do aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), ajudando o governo Lula a bater recordes de arrecadação.

    O STF tem hoje 10 ministros, porque Lula partidarizou mais uma indicação ao escolher Jorge Messias para substituir Luís Roberto Barroso, mas três deles atuam corriqueiramente por conta própria, sem submeter suas decisões ao pares, desgastando a instituição.

    O presidente Edson Fachin tenta segurar o tribunal pelas rédeas, com um código de conduta (4), mas enfrenta a resistência (6) de quem se considera ainda mais supremo do que o próprio STF.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/toffoli-desgovernado/)

    (1) https://oantagonista.com.br/brasil/codigo-nao-preve-acareacao-entre-o-investigador-e-o-investigado/
    (2) https://oantagonista.com.br/brasil/toffoli-autoriza-pf-a-decidir-sobre-acareacao-em-inquerito-do-banco-master/
    (3) https://x.com/HelioTelho/status/2005677270522831205
    (4) https://oantagonista.com.br/brasil/fachin-menciona-codigo-de-conduta-para-o-stf-ao-fechar-2025/
    (5) https://oantagonista.com.br/brasil/os-resmungos-anonimos-dos-ministros-do-stf/

  22. Miguel José Teixeira

    Matutando sobre a charge. . .

    E. . .se alguém levantar a toga?
    Já imaginaram o que poderá ser encontrado embaixo dela?
    PeTezuela: o supremo império!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não é permitido essa ação.