O governo de Paulo Norberto Koerich, PL (foto abaixo), de Gaspar, finda o primeiro ano como terminou o de 2024,quando era apenas o vencedor das eleições de outubro com 52,98% dos votos válidos contra outros quatro adversários, sendo um deles um prefeito de três mandatos [Pedro Celso Zuchi, PT] e um repetido candidato, desta vez pela continuidade dos dois mandatos [Kleber Edson Wan Dall, MDB], Marcelo de Souza Brick, PP, não fazendo à mínima e obrigatória lição de casa, em pontos cruciais que prometeu entrega-los aos gasparenses. Era preciso mudar. Por enquanto, não mudou nada.

No ano passado, o governo eleito foi para a segunda época na infeliz e preguiçosa transição – como se demonstrou claramente como reflexo desta lição mal feita em 2024 ao longo deste ano. Isto, obrigou-o a pegar no tranco. Já era um mau sinal. Advertido, Paulo desdenhou. Dizia, com ranço, que era choro dos adversários, dos que ele deixou pelo caminho – algo que vai se tornando uma marca do seu governo – e dos invejosos.
E desde que venceu, o “novo” governo mostrou um outro lado ainda pior do que a mal feita transição.
Ele não tinha um time de linha de frente – apenas bruxos entupindo nos bastidores – com opiniões e interesses diferentes – a aprofundá-lo na confusão perante à comunidade. Não tinha planos. Não tinha comunicação. Não tinha transparência. Não tinha estratégia e discurso coerente ou afinado. Não tinha objetivos de curtíssimo prazo – este salvo parcialmente por mutirões nas roçadas feito por piedosos pela situação e a cidade -, médio e longo prazo.
A falta de objetivo articulado no médio prazo ficou estampado na inconcebível, até então, derrota, do PL 100/2025 na sessão extraordinária do dia 16 de dezembro na Câmara. Vários artigos e notas aqui anunciaram o resultado de tudo isto. A sucessão de erros era o prenúncio do resultado que o PP tentou salvar para Paulo. Era tarde.
Esta derrota, no encerramento do ano, é uma consequência da falta de planejamento, liderança e na montagem – como mencionei anteriormente – da sua equipe operacional de governo e cuja metade dela, já trocou de mãos em tão pouco tempo, imitando neste quesito, Kleber e queimando a língua – que é o chicote do dono, segundo o ditado popular – do palanque eleitoral. Aliás, ainda vou comentar com nomes e números – que tanto o governo invoca em vão para se auto desmoralizá-lo – este tema.
Nada, todavia, é mais emblemático da sua desproteção quanto as escolhas da sua equipe de articulação política: Pedro Inácio Bornhausen, PP, para a chefia de gabinete, naquilo que ele foi no governo Kleber, o que se queria ver no fogo do inferno durante a campanha, bem como a escolha de Alexsandro Burnier, PL, para a presidência da Câmara, no primeiro ano crucial de governo quando se sabia que estaria em minoria. Zuchi, por exemplo, fez barba, cabelo, bigode e sovaco com apenas um terço da Câmara.
O CHEQUE EM BRANCO DA TAXA DE LIXO. DA ARROGÂNCIA A DERROTA. E A RESSACA E O JOGO DO SETE ERROS

No dia seguinte a derrota com os pregos do caixão do seu primeiro ano de mandato, quarta-feira, dia 17 de dezembro, Paulo Norberto Koerich, PL, subiu o morro e foi dar com Paulo Flores e Joel Reinert, dono na rádio 87,9FM. Estava programado. Era para ser uma comemoração. O prefeito desperdiçou quase 15 minutos para explicar a cidade o inexplicável e lançar culpas para todos, menos para ele. E tudo ficou no ar no tal papo reto, mas desta vez, engolindo o fel.
Primeiro erro. Quem disse para o Paulo Norberto Koerich, PL, é um comunicador?
Mais uma vez foi verboso, pleonástico, dono da razão e sem entregas das expectativas. Vive do passado. E ruim. A comunicação do seu governo é péssima. É centralizada por ele. É burocrática. É antiga. E claramente, não é estratégica e não possui irradiadores de credibilidade. A oposição deita e rola. Os críticos agradecem. Nas redes sociais, os mesmos de sempre que devem favores ou estão obrigados à fidelidade a aplaudi-lo. Enganoso pela segunda vez. Triste.
Segundo erro. Foi derrotado?
Ser derrotado é do jogo, em primeiro lugar. Mas, evitar derrotas também, bem como tirar lições disso tudo é do jogo jogado. Paulo, na entrevista jurou que tinha ou possui um Plano B à derrota. Já escutei esta parte da entrevista pelos menos uma dúzia de vezes. E quem encontrar o tal Plano B dito, aclarado e declarado por ele, eu faço uma errata. A oposição já tem um Plano B e nele está incluso o Ministério Público. Ela só está só esperando a canetada do “novo” preço da taxa de lixo e que ele tem poder pela caneta para isso. É só ele aumentar a taxa do lixo no ano que vem além do razoável. A fogueira da então adormecida e tímida oposição, desta vez, será alimentada pela insatisfação popular.
Terceiro erro. Paulo falou que nada foi feito de surpresa.
Vamos tomar isto como verdade. Então qual a razão para colocar este assunto no último dia de sessões da Câmara – a tal ponto de se precisar de uma sessão extraordinária – se isto era tão crucial para a cidade, os cidadãos, cidadãs e o governo? Já havia um sinal claro no ar de que a Câmara estava em ebulição com o Refis dos produtores rurais levados a confessar dívida que já foram pagas ou permutadas e que não há documentos oficiais para cobranças. E o “novo” governo como o antigo que condenou na campanha eleitoral, resolveu dobrar a aposta em mesmo pacote de surpresas natalinas?
Quarto erro. Na entrevista, Paulo disse que havia ganhado o aval dos empresários – via as entidades – que iriam pagar a maior parte desta conta do aumento da Taxa de Lixo.
Realmente a Acib, CDL e Ampe fizeram a toque de caixa e pró forma, um documento. Ele, todavia, é algo de bastidores. Ele não integrou oficialmente o processo na Câmara. Chegou “atrasado”. Mas, este não é o problema neste jogo. E sim, esta proximidade dele com entidades patronais em assuntos de interesses populares. É um veneno. Alguém precisa avisá-lo o quanto antes. É isto que está contaminando, por exemplo, a “revisão” do Plano Diretor. Isto não é alquimia. É bruxaria.
Quinto erro. Paulo perdeu para ele mesmo, nas armações dele e de seus bruxos.
Quando rompeu com o vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos depois de rifado no PL, Paulo e os seus deveriam saber as consequências disso e estar preparado para isso. E não estou discutindo sobre necessidade desse rompimento, mas a oportunidade e os reflexos dele. Quem não deu o que Paulo queria foi exatamente Thymoti Thiago Deschamps, União Brasil, vereador da base e orientado por Rodrigo. Agora, ambos estão no centro de uma atabalhoada vingança e das caças as bruxas na prefeitura. Agora é ver aonde isto vai dar. Pode sanear, mas não com gente desarticulada no ambiente estratégico e político.
Sexto erro. Sem alternativa, jogar o governo do PL como refém do PP de Kleber e contar com o voto de misericórdia de Ciro André Quintino, MDB, que se elegeu presidente e deu cara e votos ao governo passado.
Nada contra, se o governo de Paulo tivesse realmente um estrategista e um articulador político. Não possui. Paulo passa longe O governo de transição em 2024 e o governo de 2025 provaram isso. Tudo tende a ficar pior diante dos interesses das eleições de outubro deste ano e que ainda não estão bem claras no Brasil e em Santa Catarina. Meu Deus!

Sétimo erro. Paulo disse que este assunto estava sendo estudado desde 2024 e que todos sabiam.
Eu, por exemplo, não. Os que consulto, também não. Ouviram falar. Cita como credibilidade a Agir -Agência Intermunicipal de Regulação de Serviços Públicos do Médio Vale do Itajaí – e ligada a AMVE – Associação de Municípios do Vale Europeu. Mas, não foi esta agência que está no centro da dúvidas e contradições do caso do esgoto em Blumenau e teria levado ao também delegado Egídio Maciel Ferrari, PL, ao erro, com a diferença de que lá ele voltou rapidamente atrás quando viu que algo fedia?
E se é coisa antiga, qual a razão do estudo dela, só apareceu aqui para os vereadores em dezembro quando a água batia no nariz e se tinha maus pressentimentos confirmados na votação? Ou seja, é ou não goela abaixo que o governo de Gaspar insiste em desqualificar quem assim rotula para justificar a incompreensão desse procedimento errático?
Se era coisa antiga, por que não houve o debate com a sociedade organizada e com a população? Como acreditar que 70% dos gasparenses vão pagar menos pelo lixo recolhido. Se era, porque no final do dia 15, véspera da sessão extraordinária do dia 16, um documento oficial do Samae, explicativo ao ofício 61/2025 assinado pelo novo secretário adjunto da Fazenda e Administração Pública [mudaram? não é Gestão Administrativa] André de Moura da Cunha, no lugar da titular Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha e cujo quadro comparativo crucial reproduzo acima?
Os fatos, por enquanto, se sobrepõe as versões e entrevistas recheadas de enrolações. Por derradeiro, perguntar não ofende: o que é feito do ex-vereador combativo, que pedia transparência em tudo, o servidor efeito com 30 anos de casa e hoje diretor presidente do Samae, Cicero Giovani Amaro, PL? Está sumidinho. Agora, a Taxa do Lixo em Gaspar para 2026 virou um problemão. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Não será Eduardo Pedrini o novo titular da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, como queriam as entidades empresariais de Gaspar, nem o suplente de vereador Pablo Ricardo Facchini, como queria o mais longevo dos vereadores e presidente do PP, José Hilário Melato, que definitivamente já está dando as cartas no governo de Paulo Norberto Koerich, PL, para lhe garantir votos e a governabilidade mínima na Câmara.
Será Katiani Zimmermann. Ela própria e a família dizem isso sem qualquer segredo pela cidade. Ela é identificada com Gaspar e estava morando em Lages. E a escolha dela é pessoal do entorno familiar de Paulo Norberto Koerich, PL. E esta escolha está ligada à influência e aos apoios da família de Katiani à campanha eleitoral vencedora do ano passado.
O “pedido de demissão” do ex-titular da pasta, o empresário Nelson Mário Küstner, revelou acima de tudo, à sua ingenuidade neste mundo político e administrativo até então desconhecido para ele. Orientado, permitiu que se colocasse um transformador alugado na Arena Multiuso para um rodeio particular, altamente rentável para os organizadores, antes da licitação deste transformador por quem o instalou por antecipação.
Denunciado, num primeiro instante, tanto Nelson Mário Küstner como todos, repito, todos, na prefeitura foram para os desmentidos, respostas enroladas, abafa de praxe e ao mesmo tempo, numa repetição do modo Kleber Edson Wan Dall, MDB, de governar, e que juraram que mudariam, acusações contra quem estava atrás de esclarecimentos, principalmente dois vereadores: Giovano Borges, PSD, e Dionísio Luiz Bertoldi, PT.
Numa acareação feita em reunião na Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização, presidida por José Hilário Melato, PP, Nelson Mário Küstner, caiu na armadilha de Giovano Borges, PSD. Nelson viu que era o fim da linha, até porque na prefeitura todos que o meteram nesta fria já tinham abandonado Nelson. E ele, que não precisa desse tipo de boquinha, deu dele cabeça para encurtar a história e livrar o governo de problemas ainda maiores.
Esta é uma característica do atual governo. E este modo de ser tem nome e sobrenome de quem arma para os outro e sai ileso, com Paulo Norberto Koerich, PL, lavando as mãos para ter proteção jurídica. Nelson Mário Küstner não foi o primeiro neste tipo de armadilha da esperteza que ainda vai comer o dono dela. Também não será o último. Nelson está e ficará calado. Outros, que estão se sentindo usados, dizem que não vão quietos. Hum!
Começou cedo. Avisado a há tempos do problema estavam. Apostando que todos os gasparenses estarão na praia neste calorão onde a demanda por água é superior à média dos períodos do ano, o Samae e a prefeitura de Gaspar, escolheram esta sexta-feira dia 26 para consertar uma infiltração na Avenida Duque de Caxias com a Rua Isidoro Correia.
A falta de água vai do Centro ao Santa Terezinha passando pelo Sete de Setembro até zona sul que agora está interligada ao sistema. Este conserto, pode precipitar um colapso do sistema de abastecimento devido a demanda, via o enchimento das caixas vazias dos consumidores após o conserto na religação do sistema.
O “bom” velhinho em Gaspar, pelo jeito, continua em campanha. Em mensagem de Natal recomendou o perdão como sinal desse tempo santo para os cristãos. Invocou a luz como guia de um caminho de Justiça e realizações. Pelo jeito, o próprio lampião está apagado. Quem mesmo orienta o “bom” velhinho em mensagens tão clichês quanto desacreditadas?
O ácido “Diarinho”, de Itajaí, foi claro e certeiro mais vez no “Destaque do Ano JC”. Camboriú mostrou experiência faz a diferença referindo a Leonel Arcanjo Pavan, PSD. Itajaí provou que gestão rápida pode resgatar uma cidade inteira, referindo-se a Robison José Coelho, PL. Já Balneário Camboriú está procurando com Juliana Pavan von Borstel, PSD. Para o “Diarinho”, política municipal não é concurso de popularidade, mas é gestão, equipe e decisão. Alô Gaspar!
A Câmara de Gaspar empenhou dos R$14,5 milhões que tem direito no duodécimo do orçamento municipal anual em 2025, R$9,2 milhões, sendo que R$7 milhões com despesas de pagamentos verbas de representação política dos vereadores, salários e encargos sociais de assessores, funcionários e estagiários. As diárias não estão inclusas nesta rubrica. Ulalá.
Ainda sobre o Refis dos supostos devedores de serviços na secretaria de Agricultura e Aquicultura de Gaspar, algo chama atenção. Teve gente que pagou – e declarou a “comissão” que está apurando os fatos – que permutou a sua dívida arrumando uma concha de uma PC e o assoalho da área de carga de um caminhão da secretaria.
Quem são os Correios num mundo de logística e entregas por aplicativos? Minha família faz pequenas compras na Amazon como rotina. Ela sempre a entrega num sistema terceirizado e sob rastreio na palma da mão. É pago mensalmente, tendo ou não entrega, incluindo outros benefícios dos produtos da Amazon, como o streamming Prime.
Não me lembro de problemas nas entregas. Se não encontram ninguém no endereço para receber a encomenda, voltam, entram em contato pelo aplicativo, Alexa ou o próprio entregador terceirizado, ativo, pois ganha pelo que entrega entra em contato e combina o melhor momento para isso. Sempre deu match.
No mês de novembro, entre as compras, uma delas, a Amazon resolveu dar uma forcinha para os Correios. O carteiro veio no endereço, bateu, não encontrou ninguém. A Alexa e o aplicativo da Amazon avisaram os familiares. Esperaram por novas notícias. Nada!
Dias depois, quando se dava por perdida a entrega, os Correios, na surdina, deixaram um papelinho. Era para buscar a encomenda na agência, com um monte de orientações burocráticas, com horário restritíssimo de serviço público, sob pena de devolução. Entenderam a diferença que o PT, Lula e a esquerda do atraso querem perpetuar sob intensos prejuízos bilionários pagos por nós e alegando, que esse prejuízo se dá apenas devido pela distribuição de cartinhas lá no interior da Amazônia.
15 comentários em “O FEDOR DO LIXO SE TORNA UM PROBLEMA PARA O GOVERNO GASPARENSE NAQUILO QUE SE ARMOU EM 2025, DEU-SE MAL NA COMUNICAÇÃO, NO JOGO POLÍTICO E FINALMENTE, NA FALTA DE VOTOS NA CÂMARA PARA DAR UM CHEQUE EM BRANCO PARA O PREFEITO AUMENTAR A TAXA DE LIXO”
Aviso aos leitores e leitoras. Haverá pelos menos dois artigos inéditos esta semana. Já estão prontos.
Quem é cego no Brasil? A Justiça ou os senadores. Foram engolidos achando-se imunes. A vez deles está chegando. A dos brasileiros comuns, já faz tempo com conta cegueira fingida.
JUÍZES AFASTADOS, NO CHILE, por Carlos Alberto Sanderberg, no jornal O Globo
Três ministros da Suprema Corte do Chile foram afastados de seus cargos no curto período entre outubro do ano passado e dezembro último. Em dois casos, os juízes foram destituídos pelo Senado. No terceiro caso, a magistrada Angela Vivanco foi afastada pelos seus próprios colegas de tribunal. As penalidades foram as mesmas: perda do cargo e inabilitação de cinco anos para exercício de qualquer cargo público.
Os casos foram diferentes, mas com vários pontos de contato. Os parâmetros que se formaram ao longo dos processos ficaram claros: para afastar um magistrado não é necessário provar que ele praticou corrupção (vendendo sentenças, por exemplo), nem que tomou decisões com o objetivo explícito de favorecer parentes ou amigos. Basta a aparência de parcialidade, além da existência de relações familiares ou pessoais impróprias.
O primeiro caso, de outubro de 2024, foi a destituição de Angela Vivanco, que havia sido vice-presidente da Suprema Corte. Ela foi apanhada em um escândalo envolvendo o advogado Luis Hermosilla, um dos mais importantes do país, conhecido por manter boas relações com todos os governos, fossem de esquerda, fossem de direita. É considerado o maior escândalo político e jurídico desde a democratização do Chile.
Numa investigação cujo alvo era evasão fiscal, em novembro de 2023, a polícia topou com áudios que mostravam conversas mais do que impróprias do advogado com autoridades diversas – dos tribunais, do governo e dos meios políticos.
A juíza Vivanco era assídua interlocutora de Hermosilla. Falavam de tudo: andamento de casos, posições de outros magistrados, nomeações.
Em áudios com outras autoridades, Hermosilla falava mesmo de subornos a funcionários públicos e providências para abafar investigações.
Angela Vivanco não foi apanhada negociando diretamente qualquer decisão. Mas o tribunal considerou inadmissível sua relação com o advogado, que permitia a este saber de tudo que se passava no tribunal. Advogados foram presos, acusados de diversos crimes.
O segundo caso foi de Sergio Muñoz, este afastado pelo Senado, sob “acusação constitucional”. Nome de prestígio nos tribunais, juiz conhecido por suas fortes posições na defesa dos direitos humanos e questões ambientais e regulatórias, foi punido numa votação apertada.
Também aqui não se tratou de demonstrar desonestidade. O problema foi de outra natureza: relações familiares. Sua filha, advogada, trabalhava justamente para empresas em grandes questões econômicas, inclusive de regulação.
Não houve qualquer prova de que Muñoz estivesse ajudando a filha. Foi punido por não ter esclarecido essa situação e por não ter declarado seu impedimento em certos casos. Foi o afastamento mais polêmico. Muñoz afirmou que sua destituição foi uma revanche política.
O terceiro caso, também por “acusação constitucional” foi do juiz Diego Simpértigue, afastado pelo Senado em 22 de dezembro último, por unanimidade de votos.
Havia um longo e custoso contencioso envolvendo uma multinacional e a estatal Codelco, produtora de cobre, a principal fonte de riqueza do Chile. Essa multinacional fornecia equipamentos pesados e foi processada pela Codelco por falta de cumprimento do contrato.
De seu lado, a multinacional argumentava ter sido vítima da quebra de contrato e da consequente perda de centenas de milhões de dólares. O caso passou por várias instâncias judiciárias até chegar na Suprema Corte. E o voto de Simpértigue foi favorável à multinacional.
Houve ainda um outro caso, envolvendo a construtora Fundamenta. A empresa tinha diversos processos judiciais – e caros. Chegaram na Suprema Corte foram a votação e Simpértigue não se declarou impedido, apesar de manter relações pessoais com advogados da empresa.
Além disso, a imprensa flagrou Simpértigue e sua esposa num cruzeiro no Mediterrâneo, na companhia de advogado daquela multinacional. Soube-se depois que não era a primeira viagem.
Durante os debates, os senadores deixaram claro que não estava na mesa o teor dos votos do magistrado, mas o fato de ele não ter se declarado impedido.
O SUFOCO DAS EMPRESAS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Mais de 94% dos 8,7 milhões de CNPJs inadimplentes em outubro pertencem a micro, pequenas e médias empresas, como destacou o indicador do Serasa divulgado pelo Estadão. A proporção esmagadora é uma amostra inequívoca do lado da corda que arrebenta primeiro diante da persistência da política de gastos do governo federal, que empurra os juros às alturas, tornando o crédito mais difícil e sufocando a capacidade de renegociação de dívida das empresas menores.
Desde que a pesquisa começou a ser apurada, em março de 2016, o calote nunca foi tão representativo, alcançando o total de R$ 204,8 bilhões. Este ano, o total de inadimplentes aumentou continuamente mês a mês, e em outubro já acumulava 1,8 milhão de empresas a mais em relação a dezembro do ano passado. São negócios atingidos em cheio pela combinação de fatores que têm à frente a alta de juros – num período em que a taxa básica, Selic, estacionou em 15% – e a inflação, que atravessou quase todo o ano acima do limite máximo de 4,5% para uma meta de 3% ao ano.
Os juros exorbitantes encarecem o crédito e prejudicam principalmente as empresas menores, que dispõem de menos mecanismos de financiamento. A inflação aumenta os custos operacionais e pressiona as margens de lucro. Ambos, juros e inflação, são consequência direta da política fiscal expansionista adotada desde o início deste terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Essa política, que marca as gestões petistas, faz agora um estrago maior em razão da tensão geopolítica global, que tem derrubado as cotações das commodities, nosso principal produto de exportação.
À expansão dos gastos públicos, o governo Lula adiciona medidas de incentivo ao consumo e contribui para engrossar o caldo da inadimplência, que atinge não apenas as empresas, mas também as pessoas físicas. Dados de novembro, de outra pesquisa da Serasa Experian, mostrou que há 80,6 milhões de endividados, o maior contingente de toda a série histórica, que registrou 11 meses consecutivos de alta.
Em janeiro de 2023, o Brasil contava 70,1 milhões de endividados, de acordo com a série da Serasa. Lula assumiu prometendo retirar todos da inadimplência. A meta populista do programa Desenrola, lançado em julho daquele ano, era zerar as dívidas em atraso de 70 milhões de pessoas. Ele foi oficialmente encerrado em maio de 2024, com o governo divulgando a adesão de 15,5 milhões ao programa. Hoje, tanto o total de pessoas como o volume das dívidas estão maiores.
Isso mostra que, por mais bem intencionadas que sejam iniciativas para a redução da inadimplência, o endividamento não será resolvido por medidas pontuais. Pessoas físicas e jurídicas estão inadimplentes em despesas correntes, operacionais, o que expõe a necessidade de uma mudança estrutural. O governo precisa criar as condições para a queda da taxa de juros, buscando a redução da inflação, esse fantasma que assombra empresas e consumidores. Espremido entre inflação e juros altos, o batalhão de endividados continuará a crescer.
MAIS CENTRO, MENOS CENTRÃO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Eis uma agenda imprescindível para o Brasil: recuperar a força perdida de um centro político democrático, moderado e estável. Esteio do eleitor que tradicionalmente privilegia a moderação e o equilíbrio pragmático de ideias, valores e expectativas, coube ao centro servir de fiador da governabilidade, moderador de impulsos autoritários e barreira contra aventuras populistas periódicas que contaminam nossa tradição política.
Foi com o centro democrático que se preservou a convicção de que o Brasil precisava – e precisa – de previsibilidade, responsabilidade fiscal e respeito às regras, virtudes decisivas para navegar crises econômicas e transições políticas sensíveis. Essa tendência é corroborada por diversas pesquisas internacionais, que identificam no eleitorado de centro a aversão a riscos institucionais e uma maior sensibilidade à responsabilidade na formulação de políticas públicas. Os partidos centristas atuam como amortecedores contra polarizações destrutivas.
No caso brasileiro, durante a Nova República, especialmente depois da Constituição de 1988, siglas posicionadas no centro desempenharam papel decisivo na construção da governabilidade. O PMDB (e depois o MDB) foi o principal arquiteto das coalizões presidenciais, estabilizando governos de diferentes matizes ideológicas – de José Sarney a Fernando Henrique Cardoso, de Luiz Inácio Lula da Silva a Michel Temer – e servindo como salvaguarda institucional nos momentos mais críticos.
O centro tradicional, no entanto, foi aos poucos cedendo espaço a algo muito distinto no Brasil: o chamado Centrão, um agrupamento cuja unidade não está em projetos nacionais, mas na habilidade de extrair vantagens imediatas do governo de ocasião. Como este jornal já sublinhou nesta página, o Centrão não é bom nem ruim; apenas é o que o presidente, o governo ou as principais forças políticas de ocasião querem que seja.
Tradicionalmente, o termo carrega uma conotação pejorativa, indicando o grupo de congressistas ideologicamente invertebrados, em especial os deputados do “baixo clero”, que se organizam para se aproximar do governo de turno e angariar vantagens, verbas e cargos para seus redutos paroquiais. Em outras palavras, a encarnação do clientelismo, do corporativismo e do patrimonialismo. Por outro lado, por necessidade ou conveniência, foi o Centrão o fiador das principais reformas e políticas públicas da Nova República, seja em políticas sociais (como o Bolsa Família), sanitárias (SUS), ambientais (Código Florestal) ou educacionais (novo Fundeb).
O problema hoje é outro: o que antes era o ponto de equilíbrio virou um sistema de intermediação de interesses particularistas, blindado contra responsabilidades e avesso a compromissos de longo prazo. Quando a política vira balcão, decisões passam a obedecer a lógicas patrimonialistas. Quando coincide com o interesse público, é por acaso, não por projeto.
Falta ao Brasil uma força moderadora, capaz de combinar responsabilidade fiscal e sensibilidade social, de reconhecer as limitações do presidencialismo de coalizão sem transformá-lo em captura orçamentária, e de conter extremismos sem se submeter à lógica oligárquica. Falta ao País reconstruir esse espaço, como faltam lideranças que compreendam que governabilidade não é submissão, que negociar é democrático e que transformar negociação num fim em si mesmo é sua distorção. Isso exige, ainda, um Executivo capaz de pautar prioridades nacionais – um atributo igualmente faltante neste terceiro mandato de Lula – e um Congresso disposto a resgatar sua função republicana.
“Mais centro, menos Centrão” não é um capricho retórico, e sim uma necessidade estrutural para que a democracia brasileira volte a produzir estabilidade, projeto e horizonte. Sem um centro programático robusto, prosperam os extremos, o desequilíbrio institucional e a deterioração da política. O Brasil precisa, novamente, de um centro que seja centro – não de um Centrão que ocupe tudo.
O TAMANHO DA DIREITA, por Elio Gaspari, no jornal O Globo e Folha de S. Paulo
Vem aí 2026 com sua eleição e um presságio trazido pelo Datafolha: 35% dos entrevistados identificaram-se com a direita e 22% com a esquerda. Nada de novo sob este céu de anil. Em agosto de 2006, uma pesquisa semelhante registrou que a direita tinha 47% contra 30% para a esquerda. Em 2010, Dilma elegeu-se.
Com a diluição de rótulos como esquerda e direita essas classificações perderam eficácia. A direita tem presa ao pé a bola de ferro da família Bolsonaro. Já a esquerda tem duas: a incapacidade de patrocinar uma agenda para a segurança pública e a má vontade com o agronegócio.
Há alguns anos criou-se a imagem de uma bancada do BBB, ou seja: do boi, da Bíblia e da bala. Quem menosprezava o potencial político dos três bês esquecia-se de que o B de boi era o agronegócio, o B de Bíblia referia-se ao livro mais vendido no país e o B de bala juntava políticos que seguem a máxima segundo a qual “bandido bom é bandido morto”.
A esquerda tem um comportamento dúbio diante do B de bala. Quando a polícia do Rio mata 122 “suspeitos” na Penha e o governador Cláudio Castro é bafejado por uma brisa de popularidade, Lula não hesitou ao chamar a operação de “matança”.
Quando o prefeito petista de Maricá (RJ), Washington Quaquá, diz que “lugar de bandido em Maricá é na vala”, Lula e os petistas fazem-se de desentendidos.
Essa dubiedade decorre da falta de uma política de segurança sem valas nem matanças. Quando o ministro Ricardo Lewandowski apresentou seu pacote para a segurança pública, seus conselheiros sopraram-lhe a ideia de bombar a Polícia Rodoviária Federal, feudo de Flávio Bolsonaro.
Lula entrará em 2026 com a bandeira do fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso. A direita ficará contra, como ficou contra a Lei do Ventre Livre, a Abolição, a jornada de oito horas e o 13º salário.
Resta saber se uma direita que produziu um presidente que militou contra as vacinas durante uma epidemia terá jogo de cintura para dar racionalidade aos seus argumentos contra a nova escala.
PELUSO QUER CÓDIGO DE CONDUTA
Desde outubro, quando subscreveu um estudo da Fundação Fernando Henrique Cardoso, avaliando o Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro Antonio Cezar Peluso defende a adoção de um código de conduta para os magistrados do STF.
Assim, são oito os ex-presidentes que defendem publicamente a mudança, mais o ministro Edson Fachin, atual presidente da Corte, e a ministra Cármen Lúcia.
Aos nomes dos demais: Rosa Weber, Ayres de Britto, Marco Aurélio Mello, Carlos Velloso e Celso de Mello. Todos aposentados.
Os presidentes do STF chegam à cadeira por um sistema de rodízio. Três ministros (Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes) estiveram na função e continuam no tribunal, mas não se manifestaram. Luís Roberto Barroso aposentou-se há pouco e também está calado.
Nenhum deles é obrigado a assumir uma posição, mas a proposta de Fachin é combatida em silêncio. Contra, em público, só Alexandre de Moraes, numa fala de 2024.
Estranho silêncio, para um tribunal que começou 2025 mostrando que condenou 371 pessoas pelas badernas golpistas do 8 de Janeiro.
OS TRAIDORES E MICHELLE
Não se pode saber que ventos sopram na família Bolsonaro, mas o barraco natalino, com Michelle falando em “traição de pessoas mais próximas” e Flávio Bolsonaro divulgando, em mensagem manuscrita, o patrocínio do pai à sua candidatura, indica que a coisa irá longe.
CLINTON E EPSTEIN
Como era de se esperar, o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) caiu na roda de saliências criminosas do ricaço tarado Jeffrey Epstein.
Fala-se mal de Donald Trump (beneficiário do círculo de relações sexuais de Epstein) e da inflexão irracional do partido Republicano. Valeria a pena buscar no casal Bill-Hillary a nascente da crise do partido Democrata.
GALÍPOLO E O MASTER
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está numa sinuca de bico com o caso do banco Master.
Se contar tudo o que sabe, muda a essência da relação do BC com bancos a caminho da quebra, mas, em tempos de festas e do Especial de Roberto Carlos, faz um milhão de inimigos.
Até agora, Galípolo não foi convincente sobre o que tratou em seus contatos com o ministro Alexandre de Moraes.
O ESTILO DE LEÃO XIV
As roupas dos Papas são um indicador de suas políticas. Desde sua entronização, em 2005, Bento XVI (2005-2013) fez uma opção pelos tesouros do Vaticano e abandonou o báculo de aço, com um Cristo sofrendo, trazido por Paulo VI (1963-1978) e mantido por João Paulo II (1978-2005). Além disso, tornou famosos seus sapatos vermelhos.
O argentino Bergoglio teria dito que “acabou o carnaval” e Francisco atravessou seu pontificado de 2013 a 2025 com enormes sapatos pretos.
Leão XIV mostrou uma queda pelo luxo, sem a pompa de Bento XVI, tirou do armário a peça de aço, mas usa também báculos dourados com fina ourivesaria.
Até agora, está mais parecido com Francisco do que com Bento.
A Igreja Católica começou a mudar em 1958, quando João XXIII começou a dispensar o trono em que era carregado nos ombros de 12 homens vestidos de preto. Anos depois, João Paulo I mandou-o para o depósito.
MALU GASPAR DISSE TUDO
A repórter Malu Gaspar disse tudo:
“O ano de 2025 vai terminando amargo para muita gente que acreditou nos julgamentos dos vândalos golpistas do 8 de Janeiro e dos articuladores da intentona para impedir a posse de Lula como salvação da democracia.
Tudo por causa do enredo que começa no contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o banco Master, prevendo o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos por serviços até agora desconhecidos, e segue com a pressão do ministro sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pela aprovação da venda do Master ao BRB, banco estatal de Brasília.”
LIBERDADE SEM CHANCE DE ERRO NÃO É LIBERDADE, por Fernando Schüller, no jornal O Estado de S. Paulo
Retratações públicas por “incorreção política” são uma espécie de marca universal das autocracias. Nos tempos duros da União Soviética, uma crítica a Stalin rendia uma expiação pública, e depois coisa pior. Em Cuba, nos anos setenta, ficou famosa a “retratação” do poeta Heberto Padilla, por suas críticas à ditadura castrista, que levou a ruptura de tantos intelectuais com Fidel, como Llosa e Octavio Paz.
Me lembro disso quando vejo o País bizarro em que vamos nos convertendo. País que exige uma retratação pública de uma cantora de Axé, a Claudia Leitte, por cantar “meu rei Yeshua”, ao invés de “rainha Iemanjá”, na música “Caranguejo”, num show de verão. Retratação e multa de 2 milhões.
Claudia trocou as palavras por sua religiosidade. Porque fazer isso é um direito seu, garantido pela Constituição. Se os autores quisessem mover um processo de direitos de autor, ok. Mas não o Estado. O Brasil não tem religião oficial, e nem o Estado um mandato para se intrometer nas escolhas religiosas das pessoas.
Este caso vai em linha com a ação movida pela AGU contra uma produtora de vídeos pelo documentário sobre o julgamento de Maria da Penha. Cidadãos são livres para produzir suas interpretações sobre a história. O próprio Supremo foi nesta linha quando garantiu a liberdade para as biografias. É evidente que qualquer pessoa que se sentir ofendida pode mover um processo. São os crimes contra a honra. O absurdo é o Estado congelar uma visão da história, num exercício à la Orwell, no 1984, e mandar punir qualquer desviante.
Se a moda pega, qualquer releitura histórica seria um crime em potencial. Que tal contar a história de Tiradentes de um jeito pouco respeitoso? E um filme satirizando Carlota Joaquina? Alguém se lembra de uma coisa dessas? De um País irreverente, em que mesmo a sátira politicamente incorreta fazia algum sentido?
Caso similar ocorreu no sul do País. A Universidade de Caxias, privada, fez um memorial com um acervo do ex-presidente Geisel. Não era proselitismo político, mas uma exposição histórica, na biblioteca. Adivinhem? Ação do Ministério Público para proibir, multa de R$ 1 milhão e obrigação de colocar no lugar uma mostra sobre as vítimas da ditadura. Muita gente acha ótimo estas coisas. Um leviatã gigante pairando sobre o País, higienizando nossa cultura de tudo que é coisa ruim. A história errada, palavra errada, piada errada, exposição errada, filme errado, religião errada. Um belo país, vamos nos tornando. O País da liberdade sem erro. Do Estado tutor da nossa cabeça.
Como gosto de história, me lembrei da França de Luiz XIV, depois de Fontainebleau. O catolicismo oficial, os reformados e outros errados celebrando seu culto às escondidas. Quem sabe seja nosso destino. Cantar o “Caranguejo” baixinho, do jeito que se deseja, à luz de velas, pra ninguém notar.
De minha parte, quero distância desse destino. Liberdade sem a chance do erro não é liberdade. Que a gente possa refletir sobre isso são meus votos, neste quase 2026.”
Herculano
No ritmo que vai, digo o ritmo dos rolos e dos mal contados, é bom o Rodrigo Altof manter um terno alinhado, pode ser escalado para ser prefeito a qualquer momento. Dr. Paulo não termina o mandato.
Quando ao ritmo das ações do governo, difícil falar é imperceptível. Tão intenso quanto um coração em catalepsia.
Ao Macedo
Particularmente, acho que ele termina. Resta saber como. Um ano ele já perdeu e ainda não sabe diferenciar gabinete de delegacia do da prefeitura. Além de dificuldades como gestor para escolher prioridade – pois tudo não é possível ser feito – para construir uma marca, ter discurso e deixar um legado, claramente ele não tem equipe, plano, estratégia, articulação, comunicação, transparência, resultados e principalmente, estômago coisa que só líderes que lideram, gestores eficazes (incluindo no setor privado) e políticos raízes possuem. Ufa!
A FANTASIA DA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
A esquerda teve mau desempenho nas eleições municipais do ano passado, conquistando o menor número de capitais desde a redemocratização. Mas descobriu, ao menos, uma bandeira potencialmente eficaz nas urnas do Rio de Janeiro.
Na cidade, o neófito Rick Azevedo, à época perto de completar 31 anos de idade, tornou-se o vereador mais votado do PSOL e o 12º entre os que disputaram as 51 vagas na Câmara Municipal. O sucesso inesperado se deveu a uma campanha na internet pela redução da jornada de trabalho —em particular, contra a escala de seis dias de labuta e uma folga semanal permitida por lei.
O filão foi logo explorado, antes de qualquer debate ou estudo técnico. Em fevereiro deste ano, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou uma proposta de emenda constitucional (PEC) para reduzir a carga máxima de trabalho a 36 horas semanais, em vez das 44 fixadas na Constituição, e impondo três dias de folga por semana.
No Senado, saiu do limbo uma PEC de teor semelhante apresentada dez anos atrás por Paulo Paim (PT-RS), decano da demagogia parlamentar. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a proposta neste mês.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tratou o assunto com certa cautela inicial, defendendo apenas que ele fosse examinado. Já em seu pronunciamento natalino desta semana, disse que o fim da jornada 6×1 é uma “demanda do povo” que precisa ser transformada em realidade —”sem redução de salário”, claro.
Ora, é justo e correto que, entre todos os mercados, o de trabalho seja o mais regulado, dada a frequente assimetria de poder econômico entre empregadores e empregados. É fantasioso, porém, imaginar que leis sejam capazes de criar vagas e remunerações nas condições desejadas.
Fosse assim, o menor salário do país seria de R$ 7.000 mensais (calculados pelo Dieese para atender as determinações da Constituição), homens e mulheres teriam os mesmos rendimentos, pagamentos em 13 parcelas ao ano, em vez de 12, fariam trabalhadores brasileiros mais ricos —e os próprios limites hoje existentes para a jornada de trabalho seriam cumpridos por todos.
Regulações irrealistas, instituídas por boas intenções ou oportunismo político, muitas vezes resultam em informalidade, que aqui ronda elevadíssimos 38% dos ocupados, segundo dados do IBGE. Em outros casos, são simplesmente contornadas, dado que o poder público não tem como fiscalizar a rotina de toda a população ativa. Nas piores hipóteses, geram queda de renda.
Sabe-se que políticos das mais variadas orientações hesitarão em questionar uma proposta de apelo popular imediato, ainda mais no ano eleitoral prestes a começar. Não é pequeno o risco de um debate pouco fundamentado que venderá ilusões à sociedade, enquanto problemas econômicos muito mais prementes são deixados de lado.
Para ser lido. Não é um mero comentário fácil de entender. Não há ranço ideológico. É uma realidade reportada. Está à disposição de qualquer um com olhar holístico a fatos diários e movimentos estratégicos. É algo que já faz parte da história das civilizações
ADEUS SÉCULO XX, por Jamil Chade, na revista Carta Capital
O ano de 2025 colocou fim ao século XX, ao menos na estrutura de poder, nas regras, alianças, acordos e tarifas desenhadas. Desde sua posse, em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desmontou as instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial e que garantiam a hegemonia norte-americana. Trump suspendeu os financiamentos às Nações Unidas e obrigou suas agências a demitir centenas de funcionários e a fechar programas de auxílio. A partir de decretos presidenciais ou rupturas abruptas, colocou um fim ao direito internacional como conhecíamos, relativizou o conceito de soberania, ameaçou invadir territórios estrangeiros, chantageou, deportou, impediu a entrada de refugiados, rasgou as regras internacionais do comércio, do direito humanitário e adotou o nacionalismo econômico e industrial como base de seu modelo de crescimento. Alianças de segurança que pareciam inabaláveis estão em ruínas. Parcerias de 80 anos foram suspensas e a maior máquina militar do mundo agora tem um Departamento da Guerra, não de Defesa.
Para o republicano, a velha ordem não estava apenas obsoleta. Tornou-se um obstáculo às suas ambições de poder. E, portanto, precisava ser desmontada. Não há loucura alguma, ainda que a vulgaridade prevaleça. Trata-se de um plano muito bem traçado e a fome por retomar a influência econômica e militar no planeta, a qualquer custo.
Num recente artigo na revista Foreign Affairs, o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, confirmou o choque que líderes vivem ao ter de lidar com os acontecimentos que se multiplicam. “O mundo mudou mais nos últimos quatro anos do que nos 30 anteriores”, escreveu. “Nossos noticiários estão repletos de conflitos e tragédias. A Rússia bombardeia a Ucrânia, o Oriente Médio ferve e guerras assolam a África. À medida que os conflitos aumentam, as democracias, ao que parece, estão em declínio. A era pós-Guerra Fria acabou. Apesar das esperanças que se seguiram à queda do Muro de Berlim, o mundo não se uniu para abraçar a democracia e o capitalismo de mercado. De fato, as forças que deveriam unir o mundo – comércio, energia, tecnologia e informação – agora o estão fragmentando.”
Não existe mais dúvida de que o mundo vive a forma do mundo multipolar, com norte-americanos, russos e chineses desenhando o que será a nova ordem. Todos sabem que ela está em construção. Ninguém ousa dizer, porém, que formato ela tomará. Fato: nenhum continente foi poupado. A conquista de território voltou a ser uma prioridade, num momento em que o mundo digital se transforma num poder paralelo.
Como jogadoras de xadrez, as diplomacias das potências atuam para resguardar seus interesses e ampliar suas zonas de influência. Trump, por exemplo, aproveitou o vácuo deixado pela Rússia no Irã, Síria e Venezuela para agir. Teerã, desprotegida, foi abalada por ataques aéreos. Na Síria, Bashar Al-Assad foi escorraçado do poder, enquanto em Caracas paira no ar a ideia de que a América Latina voltou a ser considerada o quintal dos EUA.
Os choques foram inevitáveis. Ainda no início do segundo mandato, o presidente dos EUA manteve uma conversa tensa com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. Motivo? O magnata queria anexar a Groenlândia, território estratégico na disputa pelo Ártico e as rotas comerciais com a China. “Quando se exige a anexação de parte do território do Reino da Dinamarca, quando somos pressionados e ameaçados pelo nosso aliado mais próximo, em quem podemos acreditar no país que admiramos há tantos anos?”, perguntou Frederiksen.
A tensão também chegou a um ponto de ebulição entre o norte-americano e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. O ucraniano Volodymir Zelensky foi humilhado publicamente, enquanto os europeus descobriram que nem sequer fazem parte da mesa de negociação quando o assunto é o destino de seu próprio território.
A China sai de 2025 mostrando sua força, tanto por conta de um saldo positivo na balança comercial de 1 trilhão de dólares quanto por ter confrontado os norte-americanos com tarifas e suspensão de encomendas. Suas exportações ao mercado dos EUA caíram 30%, mas aumentaram em 6% para o resto do planeta, revelando a resiliência e capacidade de transformação de sua pauta exportadora.
Se 2025 foi o ano do choque, tudo indica que 2026 promete ser o início de um processo no qual veremos os primeiros contornos desse novo equilíbrio de poder no planeta. Será o período da transição para a multipolaridade, fortemente moldado pelas ações de Trump para reestruturar a ordem econômica e geopolítica global e recolocar os EUA na disputa pela hegemonia em cada um dos setores estratégicos. Mas 2026 vai ser moldado também a partir de como o resto do mundo vai reorganizar-se para conter a ambição norte-americana, mitigar esses riscos ou aproveitar novas oportunidades. A Europa terá de decidir quem é no mundo, como se defenderá e quem serão seus novos parceiros. De fato, em sua estratégia de defesa nacional, o republicano não fez qualquer referência ao caráter autoritário da China ou da Rússia. Mas colocou em xeque a democracia europeia e fez questão de atacar os valores da UE. O aviso está dado.
O próximo ano ainda será de testes para o movimento de extrema-direita mundial, com eleições decisivas em Israel, Hungria e mesmo nos EUA, com a renovação de parte do Congresso. Nesse contexto, a América Latina vive dias que podem definir seu destino. Rachada e balcanizada, a região vai acompanhar com atenção máxima as disputas na Colômbia e no Brasil. Um eventual retorno da extrema-direita ao poder em Brasília terá repercussões para muito além das fronteiras nacionais, fortalecendo a postura de Trump no hemisfério e abrindo caminho para um aprofundamento do alinhamento do continente aos interesses estratégicos dos EUA.
Este 2025 encerra, portanto, uma ordem internacional. Na melhor das hipóteses, 2026 pode ser o ano da desordem controlada, típica dos momentos de transição. Mas que carrega em si os riscos de um cenário no qual a perda de controle acidental ou deliberada é uma opção. E, com ela, um desastre global.
Correção: a manutenção do samae nas ruas Duque de Caxias x Isidoro Corrêa foi remarcada, ainda sem data.
Normal. Todos tontos. Obrigado pela atualização
Não se trata aqui de polarização política — não é uma questão de progressistas ou conservadores, direita ou esquerda. É apenas a opinião de um contribuinte comum, talvez tão pequeno quanto um mosquito na crina do cavalo, mas ainda assim com o direito de expressar o que pensa, afinal, vivemos — ainda que de forma relativa — em uma democracia.
Desde que venho participando desta coluna *Olhando a Maré* e fazendo minhas análises, cheguei a uma conclusão: este governo é um engano. Um erro do acaso, um deslize do destino. Fraco, pífio, composto em grande parte por vereadores despreparados. Não cabe citar nomes, mas é evidente que Gaspar está muito mal assessorada.
Do ponto de vista do Executivo, não posso negar o currículo do Delegado — sua trajetória na segurança pública é longa: Delegado, Secretário de Segurança, um profissional experiente nesse campo. No entanto, como gestor, demonstra ser bastante limitado.
FORÇA RELATIVA DE LULA, FRAGILIDADE DA ESQUERDA, editorial do jornal Folha de S. Paulo
A polarização que marca a política nacional nos últimos anos sobrevive aos reveses de seus líderes —ou talvez até se acentue com eles.
Preso em 2018, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve capital eleitoral suficiente para mandar o correligionário Fernando Haddad ao segundo turno da disputa pelo Planalto. Com as condenações por corrupção anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, ressurgiu vitorioso em 2022 e hoje, mesmo desgastado, lidera as pesquisas sobre o próximo ano.
Cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro (PL) preserva o protagonismo. Segundo levantamento recém-concluído pelo Datafolha, 34% dos brasileiros aptos a votar se identificam com o bolsonarismo, parcela não muito diferente dos 37% verificados em julho, antes da condenação pelo STF.
Declaram-se mais próximos ao petismo 40% dos entrevistados, cifra similar aos 39% de julho. Tudo somado, três quartos dos brasileiros mantêm a preferência por um dos polos; no quarto restante, 18% se dizem neutros, 6% não apoiam o PT nem Bolsonaro e 1% não soube responder. Não por acaso, candidaturas presidenciais competitivas de centro não estão no horizonte.
Há razões para acreditar que a modesta vantagem petista na sondagem está mais associada à força relativa de Lula do que a inclinações partidárias ou ideológicas do eleitorado. Afinal, não mais do que 22% dos brasileiros se declaram de esquerda, e mais 7%, de centro-esquerda.
Nessa comparação, a direita leva vantagem considerável, escolhida por 35% dos votantes, além de 11% que marcam a centro-direita. Posicionam-se ao centro outros 17% dos entrevistados. Eleições legislativas, estaduais e municipais corroboram historicamente opções mais conservadoras da população.
No plano nacional, o movimento direitista mais recente foi outra aposta na polarização: o lançamento da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, que, se levada adiante, terá o potencial de inibir outros postulantes do mesmo campo político. Há dúvidas, de todo modo, quanto a essa hipótese.
Uma eventual disputa entre Lula e Flávio, opondo pela terceira vez consecutiva petismo e bolsonarismo puro-sangue, seria também um duelo de rejeições. Segundo o Datafolha, 44% declaram não votar no atual presidente em nenhuma hipótese, enquanto 38% disseram o mesmo sobre o senador —percentual que tende a se aproximar dos 45% atribuídos ao pai.
É uma situação que convém a ambos, cada qual podendo se amparar na repulsa ao oponente, porém problemática para a governabilidade. De um lado, uma revanche de radicais justamente condenados por golpismo rechaçado pela sociedade e pelas instituições; de outro, uma esquerda minoritária que cada vez mais se agarra a um populismo orçamentário insustentável.
“GASPAR, DESEJA CRESCER DE QUE FORMA, PARA ONDE E QUANDO?”, por Adilson Luiz Schmitt, médico veterinário, ex-prefeito de Gaspar (2005/08), autor do primeiro e único Plano Diretor do Município, sem partido, mas cabo eleitoral de Paulo Norberto Koerich, PL. O artigo foi publicado nas redes sociais do autor no dia 23 de dezembro de 2025.
Gaspar, Cidade Coração do Vale, com destaque no empreendedorismo, no crescimento sem grandes preocupações com o futuro, uso indevido do solo, sem respeito as normas gerais de organização legal de seu Plano Diretor, muito menos respeitando o Estatuto das Cidades.
Mas os desrespeitos às lições históricas continuam desafiando as boas normas de exemplos clássicos de aproveitar os erros e acertos dos anos vividos.
O município de Gaspar, já se disse inúmeras vezes ocupa uma posição geográfica invejável. Rio a cortá-la, Estradas carroçáveis transformadas em opções para a nova modalidade de transporte, vide os exemplos da Rodovia Jorge Lacerda e Ivo Silveira, além de outras que nos unem as cidades deste Vale. Hoje vivemos a saga da duplicação da BR 470, abrindo um leque de oportunidades.
Vamos parar um pouco para refletir. Vamos olhar Gaspar num tempo em que Gaspar não dispunha de pontes para vencer a travessia no Rio Itajaí. de usarmos e compartilharmos a nossa histórica Rua Coronel Aristiliano Ramos, com todos para servir de passagem entre o Oeste e Leste de Santa Catarina. A transformação das Rodovias Ivo Silveira SC 108 e Jorge Lacerda SC 412, em pistas simples, mas asfaltadas e retificadas. Mas parece que a História não serve de balizamento para decisões necessárias e impactantes.
Vamos abordar algumas:
A duplicação da BR-470, coloca as entidades de classe, para discutirem e ter os devidos cuidados de planejamento. Não se vê uma discussão séria sobre a ocupação séria dos solos limítrofes, seu uso como atividades econômicas, ocupação por moradias e a própria mobilidade desta nova realidade a ser implantada. Precisamos ter um Plano de implantação de redes de águas pluviais e de esgoto, captação, tratamento e distribuição de águas para a nova realidade.
Outro exemplo atual é a discussão da mobilidade de Gaspar entre seus diversos Bairros, cidades do Vale e além de nosso Estado. Graças a visão de alguns Ex-Prefeitos, tivemos a ousadia de começar opções de liberação da referida Rua Coronel Aristiliano Ramos em etapas iniciadas nos longínquos anos setenta. Infelizmente, mais alguns cuidados, não foram tomados, há exceções, com o dimensionamento dos espaços necessários para implantar novos vetores de deslocamento. Hoje existe, graças a visão do Plano Diretor de 2006, feito a luz do Estatuto das Cidades, Lei Municipal 2.803 de 10 de outubro de 2006, projeto de construção de opções entre Bairros e cidades já referidas. Que agora em 2025, o atual Prefeito teve a coragem de iniciar os trabalhos de Revisão e Atualização do Plano Diretor.
Volto a lembrar a história. Quando Gaspar soube conviver com as autoridades estaduais e federais tivemos ganhos consideráveis. Cito tão somente dois: Ponte Hercílio Deeke com a visão futurista do Prefeito Dorval, inaugurada em 19/06/1960 e a Ponte do Vale Prefeito Dorval Rodolfo Pamplona, inaugurada em dezembro de 2016, preparando Gaspar para usufruir das vantagens da tão esperada duplicação da BR 470.
Exemplos teríamos aos montes. Mas alguns saltam aos olhos de todos e por teimosia e ou desconhecimento teimam em desafiar o bom Planejamento. Que São Pedro do alto da colina inspire e aconselhe os de plantão eleitos e pagos pelo Povo. Gaspar continuará com erros e acertos. O amanhã a nós pertence, basta querer e usar o bom senso e o passado histórico de realizações para seguirmos em frente. Os Agentes Públicos que foram eleitos, no último pleito tem a responsabilidade de capitanear estas discussões e aprovar as ações ouvindo a comunidade gasparense.
Chega de Planejamento meia boca, interesses atendidos de alguns poucos protegidos e pensar numa Gaspar global, usando como exemplos os trabalhos coletivos das comunidades. Vamos pensar grande, olhar regionalmente, pensando numa Gaspar, Cidade de Futuro!!
Volto a indagar: “GASPAR, DESEJA CRESCER DE QUE FORMA, PARA ONDE E QUANDO?”