O preço mensal do lixo vai aumentar. E muito muito mesmo. O quanto não se sabe, ainda. Imagina-se. E isto é um problema grave. Nesta foto acima, no Centro, lixo industrial é recolhido como doméstico, em todas as passadas. Não se sabe se isto vai mudar ou ficará disfarçadamente na conta do pequeno.
Voltando.
Na sessão extraordinária de hoje à noite da Câmara, com um amontoado de projetos surpresas para dar o menor ruído, está este PLC do aumento exagerado do preço do lixo. Este projeto dará um cheque em branco ao atual prefeito, Paulo Norberto Koerich, PL, mas também a outros que o sucederem – e aí que mora o perigo -, por canetaço via decretos numa cidade que não possui estruturas e entidades autônomas que defendam o consumidor, colocar preço no lixo de Gaspar.
Pelo texto, esta readequação, quem mais sofrerá com este aumento, como sempre escrevi, serão as empresas de todos os tipos. Elas estavam quietas. Até ontem.
Mas, diante da pressão política vinda da prefeitura – se não são parceirias de projetos de poder, dependência na boa vontade para seus encaminhamentos -, uma nota prolixa com extensa justificativa, enterrou o assunto em três linhas. Na conclusão dele a Acig, Ampe e CDL de Gaspar deram apoio explícito e irrestrito, sem ressalvas, ao projeto que está na Câmara, “reconhecendo sua importância para a modernização, transparência, sustentabilidade dos serviços de manejo de resíduos sólidos urbanos“.
O documento é importante. Só saiu ontem a noite. Tratavam, os autores, a muitas mãos e divergências, de aparar as arestas nas minudências para não ferir suscetibilidades. Se o documento fosse para valer de verdade, deveria ter sito protocolado na sexta-feira na Câmara. Vai hoje, circula entre os vereadores. Talvez, como em alguns casos, o Regimento Interno se tornou peça decorativa, alguém o inclua para leitura na sessão de hoje a noite.
Fim de papo. Vereadores! Vão ao voto unânime, pois como disse num anúncio – um dos poucos que fez e obrigado pelo volume de questionamentos e também sob pressão dos vereadores de batatas quentes nas suas mãos – incluindo os da sua base agora ampliada com o PP e o MDB – o prefeito Paulo, das 24 mil unidades residenciais, somente dez mil terão aumento.
O vídeo do prefeito, também prolixo e de comunicação amarrada, sem detalhes e convencimento, mostra três coisas além da falta de transparência por este tempo todo: a primeira é de que o prefeito – o que centraliza e emperra – teve sair do conforto; o segundo e grave é de que este assunto está na mesa dele – como ele próprio confirmou – desde o primeiro dia do seu governo neste ano. É que o estudo que ele usa para o canetaço foi produzido pela Agir – Agência Intermunicipal de Regulação da Associação dos Municípios do Vale Europeu – em 2024 e que o Samae de Gaspar é um enrolador nas decisões que está obrigado para salvar a si, seu orçamento e ordenamento administrativo.
Noves fora e para encerrar este comentário desta terça-feira. Primeiro: quem disse que a Agir está acima de qualquer suspeita? Estão terceirizando uma responsabilidade e lavando as mãos por aqui como se a Agir fosse um Deus neste assunto. Blumenau, acaba de provar que isto não é bem assim. Uma CPI cabulosa do Esgoto na Câmara de lá, mostra que a Agir falhou, clamorosamente, e por pouco, ela por papelório, manobras e burocracia, enterraria dúvidas tenebrosas e silenciosamente, passaria, mais uma vez, a pesada conta disso tudo para o povo consumidor de água, esgoto e lixo.
Noves fora, um ano se passou do atual governo e tudo parece ser tão igual – ao menos naquilo que não sai do lugar e se estabelece em desculpas de dificuldades – ao de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, PP. No governo passado, ao menos a comunicação fluía e protegia o governante de plantão, inclusive nos piores e duvidosos momentos dele. Muda, Gaspar!
TRAPICHE

O artigo de sábado aqui causou a primeira vítima: a razão. E eu fiquei espantado ao mesmo tempo: os meus artigos não são só lidos apenas por mim que os escrevo como todos os poderosos e atingidos que por aí dizem isso sempre para me desqualificar. Excepcionalmente, neste de sábado, gerou até uma forte e malcriada “nota de repúdio”. Então eu agora influencio, principalmente quando divirjo da turminha de ontem e hoje que está no mesmo barco? Hum!
A líder da Equipar, a produtora rural, a política que já se candidatou pelo PT (2016) e o PR em outra oportunidade, candidata com poucos e frustrados votos para se eleger, a batalhadora comunitária e empresarial, e agora, presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, Ofélia Campigotto, se sentiu “traída” no árduo trabalho que fez para a “regularização” das supostas dívidas dos produtores rurais, que se pressupõe, eles terem na secretaria de Agricultura e Aquicultura, tomada de porteira fechada pelo PP nos dois governos de Kleber Esdon Wan Dall, MDB.
Interpelado por aplicativo de mensagens, respondi para Ofélia Campigotto. Ela não gostou e nem deu bola. “Respeito o seu ponto de vista, o seu esforço e a sua decisão à frente do Conselho [CMDR]. Mas, tenho outra visão sobre o assunto. Tudo em Gaspar se repete“. E esclareci mais.
“Os pequenos produtores vão pagar o que devem, ou que já quitaram sem documentação porque são honestos, porque acreditaram em gente que vive de política e foram levados ao erro, enquanto isso, os grandes, os que usaram e abusaram da estrutura da Secretaria [Agricultura e Aquicultura] por amizade privilegiada ou alimento político partidário, vão escapar, mais uma vez“
Do que nós dois pontuávamos. Sobre o meu artigo AS CASAS DO ESPANTO. GASTOU-SE MAIS DE UMA HORA NA CÂMARA PARA DISCUTIR A REGULARIZAÇÃO DAS DÍVIDAS DOS AGRICULTORES COMO SE GASPAR FOSSE ESSENCIALMENTE RURAL. O GOVERNO PAULO EMPURROU COM A BARRIGA A OBRIGATÓRIA LIÇÃO DE CASA E FOI ESCORREGAR NA CASCA DE BANANA LANÇADA A QUILÔMETROS DELE. E O PP ENVOLVIDO NESTAS DÚVIDAS ATÉ O NARIZ CONSEGUIU FINGIR QUE NÃO ERA COM ELE PARA CONTINUAR A DAR AS CARTAS NO PODER DE PLANTÃO
É clara a nossa divergência especificamente sobre este assunto, porque em outros já lhe dei razão. Ofélia Campigotto acha que fez tudo via o CMDR para conciliar, colocar panos quentes e regularizar uma situação em que a maior parte dos produtores rurais, da qual ela representa, não deu causa, levando-os a reconhecer uma dívida que não está escriturada e inscrita em dívida ativa no município, fundamento angular pela lei, para alguém (física ou juridicamente) se beneficiar de um Refis, como está sendo aprovado na Câmara.
O que irritou de verdade Ofélia Campigotto, foi a luz e a dúvida que se colocou sobre isto? Quando os produtores, sem saída, e ainda pressionados pela necessidade deles em ter ajuda da prefeitura e a secretaria, terão que assinar papelinhos precários. Neles, confessam a dívida, inclusive a já mal paga por terem sido levados a erro. E aí, tudo vira documento de dívida ativa e passível de cobrança ou judicialização. Nem mais. Nem menos. Assim, é Gaspar. No tempo em que Ofélia era uma militante, este assunto não passaria como ela quer e me pragueja hoje por divergir e esclarecer meu ponto de vista.
Abaixo, na área de comentários, a Nota de Repúdio da dona Ofélia Campigotto – orientada. A Nota é ode a minha importância que ela mesma diz que não tenho, mas ao mesmo tempo, incrivelmente, sem argumentos, dando pistas de que posso estar certo nesta divergência. O Olhando a Maré, existe. Muda, Gaspar!
Se faltou, mas não estava em evento paralelo com os velhinhos do bairro Lagoa onde mora, como se explicou, depois de postagem com esta insinuação nas suas redes sociais, o vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, não também não esteve, numa das raras reunião do colegiado sob a orientação de Paulo Norberto Koerich, PL, com cheiro de confraternização de despedidas de 2025. Ela aconteceu no Restaurante Questão de Gosto. Para não errar, peço ao Rodrigo para confirmar se ele estava convidados. Os convivas juram que não. Alguns até com orgulho. Muda, Gaspar!
3 comentários em “O FEDOR DO LIXO. TARDIAMENTE ACONTECERAM DUAS COISAS. AS ENTIDADES EMPRESARIAIS ASSINARAM UM DOCUMENTO EM QUE CONCORDAM QUE O SETOR PAGUE MAIS NO NOVO MODELO E O PREFEITO VEIO A PÚBLICO DIZER QUE – COMO EM OUTROS ASSUNTOS – LEVOU UM ANO PARA RESOLVER O QUE JÁ SABIA DOCUMENTADO ANTES DA SUA POSSE E QUE FUNDAMENTOU A SUA DECISÃO SÓ AGORA. COM ESTE AVAL EMPRESARIAL NÃO HÁ COMO NÃO APROVAR O PROJETO HOJE NA CÂMARA”
A ESTRATÉGIA ANTIESQUERDA DO PARTIDO DE BOLSONARO PARA 2026, por Malu Gaspar, no jornal O Globo
O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, divulgará aos filiados uma resolução interna que proíbe alianças com partidos de esquerda nas eleições de 2026. Entre as siglas vetadas estão PDT, PSB, PT, PSOL e PCdoB. A medida valerá para a disputa presidencial e também para as coligações nos estados, envolvendo candidaturas aos governos estaduais e ao Senado Federal.
O texto da resolução está em fase final de elaboração e deve ser submetido aos filiados pelo presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. A proposta estabelece que o PL não poderá firmar coligações ou apoiar candidaturas em parceria com legendas de esquerda.
O veto não deve causar problemas internos em estados mais bolsonaristas. Mas, em unidades federativas do Nordeste e do Norte, o PL conta com lideranças mais próximas do governo Lula e que votam com a base do Palácio do Planalto no Congresso.
O gesto repete a medida adotada nas eleições municipais de 2024 pelo PL. Na época, o PT permitiu alianças com o partido de Bolsonaro, mas a legenda do ex-presidente rechaçou coligações à esquerda.
Contudo, na avaliação que lideranças do partido fizeram na semana passada, numa reunião de diretórios regionais, a proibição foi decidida próximo ao pleito, quando parte dos acordos regionais já havia sido feito, e por isso não foi integralmente cumprida. A proposta de editar a resolução até o final deste ano visa evitar novos impasses e desobediências.
‘Falsos sujeitos’
Nas eleições passadas, o então vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) criticou a filiação de um bolsonarista ao PCdoB em Olinda (PE) para disputar a eleição na chapa encabeçada pelo PT e alertou para o risco de alianças fora do bolsonarismo.
“Existem destes aos montes nos mais de 5.000 municípios do Brasil. Cabe a cada um de nós nos aprofundarmos além de fotografias e vídeos de poucos segundos gravados, para que todos nós qualifiquemos nossos votos, pois falsos sujeitos são mais comuns do que pessoas verdadeiras”, escreveu Carlos nas redes sociais em julho de 2024.
Mas o caso mais notório ocorreu no Maranhão, onde o PL integrou a chapa de Duarte Júnior (PSB) para a prefeitura de São Luís (MA). Ele perdeu as eleições para o prefeito Eduardo Braide (PSD), que foi reeleito.
Na ocasião, como a aliança já estava definida quando a resolução saiu, o veto à coligações acabou ignorado no Maranhão, onde o PL é comandado por Josimar Maranhãozinho. Bolsonaro chegou a pedir a expulsão de Josimar, mas Valdemar manteve o aliado no partido.
Na Paraíba, alianças do PL com partidos de esquerda foram sustadas antes da eleição.
A nova resolução para 2026 prevê que o diretório nacional poderá intervir em eventuais alianças com partidos esquerdistas e submeter os responsáveis pelos acordos partidários a punições internas, o que pode levar à exclusão dos quadros da legenda.
No ano que vem, o PL tem entre suas principais metas a eleição de uma ampla bancada no Senado para viabilizar o quórum necessário para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na esfera nacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem se colocado como pré-candidato à presidência no espólio de seu pai, preso em Brasília.
A HORA DE LIRA, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Lança-se hostil o 2026 de Arthur Lira; para Arthur Lira. Já este Natal de 2025 trouxe presente-revés para o ex-presidente da Câmara. A cassação de Glauber Braga lhe era objetivo pessoal. Foi derrotado, via censor Motta – talvez mesmo constante, no contrato que firmou pela ascensão de Huguinho, a cláusula-compromisso sobre o mandato do deputado psolista. Nada a ver com a agressão física geradora do processo. O menino não entregou. Perderam. Perdeu. (Aborrecido com a fraqueza do afilhado, o tutor Lira largou-lhe a mão.) Será a menor das derrotas.
A Operação Transparência, da Polícia Federal, projeta-lhe um futuro ameaçador. Ao autorizar buscas e apreensões contra uma ex-assessora de Lira, Flávio Dino preparou o campo, inscreveu os fundamentos, para agir contra ele diretamente. Questão de tempo, se a investigação for séria, se não for apenas mais uma investida para reafirmar o poder do STF sobre o Congresso. Não é ex-assessora qualquer. Nem ex-assessora será, ora lotada no gabinete da liderança do PP na Câmara. Ninguém é bobo.
Mariângela Fialek é Arthur Lira, gestora da obra de engenharia que transformou emenda parlamentar em orçamento secreto; que fez o esquema mudar de superfície sem prejuízo da causa, da emenda de relator à emenda de comissão; que perverteu parcela bilionária do Orçamento em propriedade privada, “direito adquirido”, de deputados e senadores; que transtornou bilhões de reais em espécie de fundo eleitoral paralelo que, disparado sem controle e fiscalização, seria também paraíso para enriquecimentos nas pontas; que erigiu modalidade autoritária de exercício de poder por meio da qual os donos do Parlamento, Lira entre esses poucos, controlam a formação de maiorias controlando a distribuição do dinheiro – controlando-escolhendo quem terá emendas para chamar de suas.
São investigados os crimes de peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso e corrupção envolvendo emendas parlamentares. Segundo o procurador-geral da República, Fialek – que é Lira – trabalhava em benefício de uma “provável” organização criminosa que praticava delitos contra a administração pública. Dino autorizou a operação com base em depoimentos de deputados – entre os quais Glauber Braga – e dados extraídos de telefones celulares.
No despacho, o ministro – que às vezes confunde controle de constitucionalidade com tesouraria de emendas parlamentares – informou que “tais circunstâncias evidenciam fortes indícios de que a representada integra uma estrutura organizada voltada ao indevido direcionamento de emendas parlamentares, supostamente atuando sob ordens diretas da antiga presidência da Câmara dos Deputados, exercida pelo deputado Arthur Lira, fato que ainda está em apuração”.
Lira não é investigado. Ainda.
CONSELHO MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO RURAL DE GASPAR – CMDR
Gaspar, 15 de dezembro de 2025
NOTA DE REPÚDIO
Sobre a nota publicada em 15/12/2025 – “Olhando a Maré”
Nós, do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de Gaspar (CMDR), conforme o Decreto nº 12.529/2025, que publicou e nomeou os conselheiros deste Conselho, representando os agricultores, aquicultores e entidades atuantes e ligadas ao setor rural do município, vimos a público manifestar nosso repúdio à matéria publicada.
A referida publicação demonstrou falta de respeito aos conselheiros, que atuam de forma voluntária em prol da Agricultura e da Aquicultura de Gaspar, além de distorcer fatos e julgar pessoas de maneira leviana e maldosa, com críticas que em nada contribuíram para o debate ou para a construção de soluções.
Esclarecemos que o CMDR realizou reuniões, diálogos, escutas das partes envolvidas, bem como consultas jurídicas, dedicando tempo e esforço para compreender os fatos e buscar soluções de forma coletiva e responsável.
Conforme os Editais de Convocação do CMDR nº 03/2025 e nº 04/2025, devidamente divulgados e publicados, com reuniões realizadas nas datas de 07/07/2025 e 08/09/2025, cujas súmulas foram aprovadas pelos conselheiros (documentos anexos), informamos que, diante da “Carta da Diretoria do CMDR” (anexa), referente à denúncia envolvendo a Patrulha Mecanizada, este Conselho procedeu à devida análise e buscou os esclarecimentos necessários.
Foram ouvidos(as) os(as) conselheiros(as), levantadas informações por diferentes meios — jurídicos, reuniões e conversas com diversas entidades — e acatadas sugestões, resultando em decisões tomadas em comum acordo por todos os membros do CMDR.
Ressaltamos, ainda, que todos os conselheiros encontram-se regularmente nomeados, conforme o Decreto nº 12.529, já publicado.
Informamos também que o CMDR recebeu da Câmara Municipal de Gaspar o Ofício nº 250/2025, datado de 06/11/2025, referente ao Projeto de Lei Complementar nº 08/2025 (REFIS Agrícola). Em resposta, este Conselho encaminhou seu parecer por meio do Ofício CMDR nº 02/2025, datado de 10/11/2025, entregue presencialmente em reunião de esclarecimentos aos vereadores, realizada em 13/11/2025, com a vereadora Sra. Sandra Mara Hostins.
Em relação ao Ofício Legislativo nº 52/2025, referente ao Projeto de Lei Complementar nº 08/2025 (REFIS Agrícola), solicitamos a alteração do prazo para adesão até o dia 27/02/2026, bem como a ampliação do número de parcelas mensais de 24 para até 36 meses.
O CMDR reafirma seu compromisso com a transparência, o diálogo, o respeito institucional e a defesa dos interesses dos agricultores e aquicultores de Gaspar.
Presidente CMDR – Ofélia Maria Campigotto