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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXIV

Um exemplo clássico de que quando se arruma um pau mandado para ocupar cargos e funções de relevância em qualquer ambiente político e privado, o resultado pretendido pode ficar fora do controle dos que armaram a jogada manter o controle. Com a caneta pode ficar entre extremos: com articulação e a liderança cresce o autoritarismo e independência aos que criaram. E quando se torna um banana, só serve para ser amassado e ser servido como papa aos esfomeados (by Herculano).

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31 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXIV”

  1. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (037)

    “Antonio Callado relembrou mortos da ditadura e criticou anistia”
    – ‘As Forças Armadas preferem varrer tudo para baixo do tapete’, escreveu o autor.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    José Carlos Mata Machado (1) jantou na casa de Antonio Callado (2) numa noite em 1973. Era alegre, mas “de repente alguma sombra o fazia interromper uma frase no meio: era o medo de morrer”. Dias depois, morreu. A versão oficial: traíra amigos no Recife (3), morrera em tiroteio. Callado nunca acreditou.

    O escritor contou essa e outras histórias em texto publicado na Folha, em 1995. Eram “recordações dos anos de chumbo”.

    Outra memória: Eunice Paiva (4) nadando até a lancha em Búzios, em 1971. Subiu a bordo, cara alegre. Acabara de falar com ministro que garantiu que seu marido, Rubens Paiva (5), voltaria para casa em dois dias. Dois dias depois, a notícia nos jornais: Rubens fora sequestrado por guerrilheiros. A família nunca mais teve notícias. “A cara de Eunice continuou molhada e salgada. A água é que não era mais do mar.”

    Callado lembrou do padre João Bosco Penido Burnier, morto por tiro da polícia ao pedir satisfações sobre prisioneira espancada. “Atiraram no padre errado, deve ter pensado o ministro Falcão.”

    E encerrou: “Nossas Forças Armadas preferem varrer tudo para baixo do tapete de chapa blindada que chamam anistia. Que insolência é essa de civil brasileiro pedir explicação a militar?”

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão, que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Recordações chegam da casa dos mortos (12/8/1995)

    Numa noite de fins de 1973 jantou conosco, aqui no apartamento onde moro até hoje, José Carlos Mata Machado, filho do professor e advogado Edgar da Mata Machado. Poucos dias depois soubemos que José Carlos tinha morrido “em Recife, no meio de um tiroteio”.

    Vejo, agora, num livro a sair a seu respeito, de autoria de um jornalista, Samarone Lima, que José Carlos teria morrido no Rio. A impressão que me ficou, que nos ficou em casa, é que ele teria morrido em São Paulo, para onde foi ao sair do jantar. E que a causa da morte teria sido tortura.

    Que José Carlos foi diretamente de minha casa para São Paulo é fato fora de qualquer dúvida. Ele não veio nos ver como filho de Edgar, que aliás não era amigo meu, pessoal, mas fraterno amigo de dois amigos meus, pai e filho, Marcio Mello Franco Alves e Marcito Moreira Alves.

    Veio como amigo de meus filhos Tessy e Paulo. Uma irmã de José Carlos, recém-casada à época, como minha filha era também, morava num apartamento que fora parte de uma antiga casa de Santa Teresa, e Tessy morava num outro, na mesma casa.

    Paulo também conhecia José Carlos, que assim nos procurou como amigo dos jovens da família. Era inteligente, simpático, alegre, mas de repente alguma sombra o fazia interromper uma frase no meio: era o medo de morrer. José Carlos era militante de esquerda e sabia que as forças de segurança, que já haviam liquidado companheiros seus, estavam no seu encalço.

    Assim, com uma amiga, foi dar a carona ao hóspede. Mas durante todo o percurso do Leblon à Rodoviária Paulo viu como aumentava o nervosismo de José Carlos. Resolveu, então, fazer a carona completa. Tocou para São Paulo. Só deixou José Carlos exatamente na esquina paulistana em que o amigo lhe disse: “Muito obrigado. Aqui estou seguro”.

    Eu, que já estava mais do que inquieto com a longuíssima ausência de Paulo, ouvi a história quando ele reapareceu horas depois e respirei aliviado. A notícia que tivemos, dias mais tarde, foi a história pouco verossímil (em relação ao caráter de José Carlos e ao itinerário que sabíamos que ele havia tomado) de que ele traíra amigos, ia levando seus guardas, em Recife, ao esconderijo em que estavam, e que morrera baleado no tiroteio que se travara entre guardas e “subversivos”.

    O que sempre me pareceu é que José Carlos, como temia, tinha sido pego em São Paulo ao chegar e morrido a seguir, sob tortura. Era exatamente o que ele temia. Era o que fazia com que às vezes interrompesse uma frase no meio ao ver diante dos olhos o fim de vida que tão próximo sentia.

    Outra recordação que me ficou nítida liga-se a Búzios. Ali fui, num fim-de-semana de 1971, hóspede de Renato Archer. Saíra com ele, Maria, Maurício Roberto e outros amigos para um passeio de lancha. Quando paramos, ao voltar, a uns 100 metros da praia, vimos alguém, uma moça, que nadava firme em nossa direção.

    Minutos depois subia a bordo, cara alegre, molhada do mar, Eunice Paiva, mulher do deputado Rubens Paiva, amigo de Renato, amigo meu, de todos nós, um dos homens mais simpáticos e risonhos que já conheci.

    Eunice andara preocupada. Rubens fora detido pela Aeronáutica dias antes e nenhuma notícia sua tinha chegado à família. Mas agora Eunice, que fora também presa mas em seguida libertada, podia respirar, tranquila, podia nadar em Búzios, tomar um drinque com os amigos, pois acabara de estar com o ministro da Justiça, ou da Aeronáutica, que lhe havia garantido que Rubens já tinha sido interrogado, passava bem e dentro de uns dois dias estaria de volta a sua casa.

    Dois dias depois, isto sim, os jornais recebiam uma notícia tão displicente que se diria que seus inventores não faziam a menor questão que fosse levada a sério: Rubens estaria sendo transferido de prisão, num carro, quando guerrilheiros que tentavam libertá-lo tinham atacado e sequestrado o prisioneiro.

    O que correu pelo Rio, logo que se suspeitou de sua morte, é que ele morrera às mãos, ou pelo menos de tortura diretamente comandada pelo brigadeiro João Paulo Penido Burnier, aquele mesmo que queria fazer explodir o gasômetro do Rio para pôr a autoria do crime na conta dos comunistas.

    A família Paiva nunca mais teve notícias oficiais de Rubens. Nunca se encontrou a cova onde o terão atirado depois do assassinato. A cara de Eunice continuou molhada e salgada durante muito tempo, tal como naquela manhã de Búzios. A água é que não era mais do mar.

    Guardo outra recordação dos anos de chumbo que parece querer redimir da desonra o nome da família Penido Burnier: a do meu primeiro encontro com esse admirável Pedro Casaldáliga, bispo de São Felix do Araguaia.

    As forças da repressão, e sobretudo o então ministro Armando Falcão, tudo fizeram para arrancar Casaldáliga da Amazônia, do Brasil, para deportá-lo como tinham conseguido fazer com o padre Francisco Jentel: todos aqueles que, no Brasil, defendiam índio e caboclo contra fazendeiros e empresários viravam indesejáveis.

    Mas onde pessoas como Casaldáliga deitam raízes de vida não há quem consiga desarraigá-las depois. A coragem, a energia espiritual de Casaldáliga é da mesma espécie que animava aqueles primeiros missionários de quem Unamuno disse que abriam seu caminho na selva “a cristazos”.

    Conheci Casaldáliga na Amazônia em 1976, quando fui assistir ao comovente enterro sertanejo do padre salesiano João Bosco Penido Burnier. O tiro que a Polícia gostaria de ter dado em Casaldáliga tinha matado o padre Burnier.

    O padre foi à delegacia pedir satisfações porque ouvira da rua os gritos de uma prisioneira espancada. O soldado respondeu a bala. Atiraram no padre errado, deve ter pensado o ministro Falcão.

    Aí ficam estas notas breves, que talvez algum dia virem não sei o quê. O Brasil imita uma porção de bobagens que os americanos fazem. Mas uma bela virtude militar americana nossas Forças Armadas detestam: a coragem com que se miram com dureza e registram, em respeito à verdade, mesmo as atrocidades que hajam cometido.

    As nossas preferem varrer tudo para baixo do tapete de chapa blindada que chamam anistia. Seja como for, que insolência é essa de civil brasileiro pedir explicação a militar?

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/12/antonio-callado-relembrou-mortos-da-ditadura-e-criticou-anistia.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2025/08/viuvademorto-pela-ditadura-recebe-r-590-mil-de-indenizacao-apos-52-anos-do-assassinato.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq290132.htm
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/recife/
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/12/eunice-paiva-lutou-incansavelmente-por-memoria-verdade-e-justica-conheca-sua-historia.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2025/03/rubens-paiva-continua-aqui.shtml
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  2. Miguel José Teixeira

    “Com vitória de Kast, América do Sul dá outro passo à direita”
    – Eleição no Chile iguala o número de países governados por cada espectro político na região; veja mapa político do continente.
    (João Vitor Castro, Poder360, 14/12/25)

    Com a vitória de José António Kast (*) (Partido Republicano, direita) na eleição presidencial realizada neste domingo (14.dez.2025) no Chile, a direita reverteu sua desvantagem para a esquerda e igualou o número de países governados na América do Sul. Serão, a partir de 11 de março de 2026, quando Kast toma posse, 6 países governados pela esquerda e 6 pela direita na região.

    Até 10 de outubro, a desvantagem da direita para a esquerda no continente era de 6 países. Em 9 dias, caiu para 2, com a destituição (**) de Dina Boluarte (***) (sem partido, esquerda) no Peru –que foi substituída por José Jerí (****) (Somos Peru, centro-direita) – e a eleição (*****) de Rodrigo Paz Pereira (******)(Partido Democrata Cristão, centro-direita) na Bolívia.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/com-vitoria-de-kast-america-do-sul-da-outro-passo-a-direita/

    (*) https://x.com/joseantoniokast
    (**) https://www.poder360.com.br/poder-internacional/congresso-do-peru-aprova-destituicao-de-dina-boluarte-da-presidencia/
    (***) https://x.com/presidenciaperu
    (****) https://x.com/josejeriore
    (*****) https://www.poder360.com.br/poder-internacional/rodrigo-paz-pereira-e-eleito-presidente-da-bolivia/
    (******) https://x.com/rodrigo_pazp

  3. Miguel José Teixeira

    “Kast derrota candidata comunista e será o novo presidente do Chile”
    – Palácio La Moneda voltará a ser ocupado pela direita após quatro anos de governo do esquerdista Gabriel Boric.
    (Redação O Antagonista, 14/12/25)

    José Antonio Kast (foto) (*), líder do partido Republicano, confirmou seu favoritismo neste domingo, 14, e foi eleito presidente do Chile, após derrotar a candidata governista Jeannette Jara, do Partido Comunista.

    Com o resultado, o Palácio La Moneda voltará a ser ocupado pela direita após os quatro anos de governo do esquerdista Gabriel Boric.

    “A democracia falou alto e claro. Acabei de falar com o presidente eleito, José Antonio Kast, para desejar-lhe sucesso para o bem do Chile.

    Àqueles que nos apoiaram e foram chamados por nossa candidatura, saibam que continuaremos trabalhando para construir uma vida melhor em nosso país. Juntos e firmes, como sempre.”

    As pesquisas de intenção de votos já indicavam uma grande vantagem para o candidato do Partido Republicano, especialmente após ele conseguir conquistar o apoio dos demais candidatos de direita derrotados no primeiro turno.

    Kast, que fundou o Partido Republicano há cinco anos, se apresentou como uma alternativa mais rígida frente à direita tradicional do Chile, a qual ele considerava “morna”.

    José Antonio Kast, de 59 anos, é um advogado, católico devoto, e pai de nove filhos.

    Sua trajetória política foi marcada por derrotas eleitorais, sendo a mais recente nas eleições de 2017, quando ele perdeu para o atual presidente Gabriel Boric.

    Nas eleições deste ano, ele se mostrou mais conciliador e até moderou suas posições, tentando agradar uma base eleitoral mais ampla, especialmente diante de uma candidata do Partido Comunista, como Jeannette Jara.

    Desafios
    O novo presidente terá como principais desafios recolocar o país como um dos mais seguros da América Latina, acelerar o crescimento da economia, combater a imigração descontrolada e buscar consenso com os setores adversários no Congresso.

    Em vídeo publicado nas redes sociais, o direitista chegou a lançar um ultimato (**) aos imigrantes ilegais e fez uma contagem de dias para que eles deixassem o país voluntariamente.

    A imigração em massa e a segurança pública são as principais preocupações dos chilenos. A taxa de homicídios, embora inferior em comparação com outros países latino-americanos, subiu nos últimos anos.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/mundo/kast-derrota-candidata-comunista-e-sera-o-novo-presidente-do-chile/)

    (*) https://x.com/joseantoniokast
    (**) https://crusoe.com.br/diario/kast-da-ultimato-e-promete-deportacao-em-massa-no-chile/

  4. Miguel José Teixeira

    Já possou da hora de copiarmos bons exemplos do exterior!

    “Proposta de Fachin para o STF e outros tribunais superiores, código de conduta é comum no exterior; veja exemplos”
    – Medida é respaldada por casos internacionais, como Alemanha e EUA.
    (Por Caio Sartori, O Globo, 14/12/25)

    O código de conduta que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pretende criar para ministros de tribunais superiores vai na linha do que existe nas maiores economias ocidentais. Principal inspiração, o Tribunal Constitucional da Alemanha é o que conta com regras mais detalhadas, mas há também exemplos de diretrizes específicas para ministros nos Estados Unidos e na França. No Reino Unido, apesar da validade jurídica ser reduzida, um guia da Suprema Corte orienta os magistrados.

    Na semana passada, a ideia do presidente do STF veio à tona depois que o colunista Lauro Jardim revelou que Dias Toffoli viajou para a final da Libertadores, no Peru, no mesmo jatinho que um advogado do Banco Master, investigação da qual é relator. Pouco depois, ele impôs sigilo sobre o caso.

    O código alemão demonstra bastante preocupação com a imagem da Corte ao abordar a presença dos integrantes em eventos, um dos pontos sobre os quais Fachin quer se debruçar. Diz que os juízes só podem aceitar remuneração por palestras e participações em eventos se isso não prejudicar a reputação do tribunal e não suscitar dúvidas sobre a “independência, imparcialidade, neutralidade e integridade de seus membros”.

    Também na Alemanha, há sinalizações sobre a postura que integrantes do tribunal podem adotar em entrevistas, tomando cuidado para que “o conteúdo e o formato de suas declarações estejam em conformidade com suas funções, com o prestígio do tribunal e com a dignidade do cargo”.

    — O movimento é muito positivo, os episódios recentes mostram a importância. Já aguardamos há muito tempo um código de conduta. É mais que necessário para a sociedade ter clareza do que é permitido e cobrar os ministros quando fizerem algo fora do código — afirma Oscar Vilhena, diretor da FGV Direito SP. — Considero o modelo alemão uma ótima referência. São 16 dispositivos, é um código simples e com regras muito claras.

    Estudo entregue a Fachin
    Junto com Sergio Fausto e Ana Laura Barbosa, Vilhena coordenou um estudo no âmbito da Fundação Fernando Henrique Cardoso que foi entregue a Fachin quando o ministro tomou posse como presidente. O documento conta ainda com outros signatários de peso, como o ex-ministro do STF Cezar Peluso e os ex-ministros da Justiça José Carlos Dias, Miguel Reale Júnior e José Eduardo Cardozo.

    Um dos três eixos da pesquisa chama-se “Fortalecimento da reputação pública do tribunal”, e é nele que são citados possíveis caminhos envolvendo a conduta dos juízes. Como exemplos internacionais pincelados, aparecem a Alemanha, os EUA e a França.

    O caso americano chama atenção porque, tal qual no Brasil, teve como gatilho exemplos concretos relacionados a um magistrado. Após o site ProPublica trazer revelações sobre o juiz Clarence Thomas, ligado ao Partido Republicano, a Suprema Corte adotou pela primeira vez, em 2023, um código de conduta. As reportagens expuseram atividades políticas e presentes não declarados recebidos por Thomas.

    Entre os pontos de destaque, o texto dos EUA diz que “um ministro não deve discursar ou participar de reunião organizada por um grupo se souber que esse grupo tem interesse financeiro substancial no desfecho de um caso que está em tramitação no tribunal ou que provavelmente será apreciado por ele em futuro próximo”.

    Indica ainda que, “ao decidir se deve falar ou comparecer perante qualquer grupo, um ministro deve considerar se tal conduta poderia criar, na percepção de parte razoável do público, uma aparência de impropriedade”.

    Na França, também manifesta-se preocupação com as “aparências”. O Código de Conduta do Conselho Constitucional destaca a necessidade de levar em conta a “prevenção de situações que possam suscitar uma dúvida legítima — ainda que apenas sob a ótica das aparências — quanto à independência ou à imparcialidade dos membros da jurisdição administrativa”.

    O Reino Unido, segunda maior economia da Europa — atrás da Alemanha e à frente da França —, também tem um guia, o “Guide to Judicial Conduct”. A despeito de não estar incluído na legislação, o texto lista princípios que devem reger o trabalho dos ministros.

    “Cada juiz procurará evitar atividades extrajudiciais que possam fazer com que tenha que se abster de participar de um caso devido a uma percepção razoável de parcialidade ou devido a um conflito de interesses que surgiria da atividade”, diz um dos artigos.

    Em outros países, o modelo é parecido com o atual do Brasil, que tem a Lei Orgânica da Magistratura: os ministros estão contemplados por orientações que servem para os juízes como um todo, sem levar tanto em conta as especificidades de tribunais superiores. É assim na Itália e na Argentina. No vizinho sul-americano, alguns dos valores destacados pelo código incluem a “exemplaridade” dos magistrados e a “confiança pública”.

    Na visão do professor da FGV Rubens Glezer, um dos signatários do documento apresentado a Fachin, a experiência internacional é válida, mas o código formulado agora no Brasil é pautado em diagnósticos próprios do país.

    — Não se trata de uma tentativa de transplantar uma solução estrangeira para cá. É um diagnóstico que a academia brasileira produz há décadas sobre o Supremo, os diversos problemas que o Supremo tem, e que foram se agudizando ao longo das últimas décadas — opina. — É pautada também na percepção de que existe um dano reputacional causado à instituição pela conduta individual de alguns ministros. A má reputação individual se alastra, contamina o tribunal.

    Exemplos pelo mundo
    Alemanha – Com 16 diretrizes sucintas, o código de conduta do Tribunal Constitucional tenta preservar a “independência, imparcialidade, neutralidade e integridade” da Corte. Impõe regras para participação em eventos e entrevistas, além de determinar quarentena dura para quem deixa o tribunal.

    Estados Unidos – Mais recente, o texto que guia a conduta da Suprema Corte foi feito após revelações sobre o juiz Clarence Thomas. Entre os pontos, destaca que ministros devem evitar participar de eventos em que há grupos com “interesse financeiro substancial” em um caso, por exemplo.

    França – Por lá, há preocupação com a “aparência” do tribunal. O código determina que se leve em conta “a prevenção de situações que possam suscitar uma dúvida legítima — ainda que apenas sob a ótica das aparências — quanto à independência ou à imparcialidade dos membros”.

    Reino Unido – Também tem um guia, o “Guide to Judicial Conduct”. A despeito de não estar incluído na legislação, o texto lista princípios que devem reger o trabalho dos ministros. Pelo código, os juízes devem evitar atividades extrajudiciais que possam levar a eventuais conflitos de interesse.

    Argentina – Assim como ocorre hoje no Brasil, o código de conduta argentino serve para a magistratura como um todo, sem levar em conta especificidades dos tribunais superiores. Destaca a “exemplaridade” e a “confiança pública” como pilares para juízes.

    Itália – No país europeu, também não existe algo de caráter oficial voltado especificamente para tribunais superiores. Leis e textos de associações englobam toda a categoria, a exemplo da Lei Orgânica da Magistratura que existe no Brasil.

    (Fonte:https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/14/proposta-de-fachin-para-o-stf-e-outros-tribunais-superiores-codigo-de-conduta-e-comum-no-exterior-veja-exemplos.ghtml)

  5. Miguel José Teixeira

    Só agora?

    “Sem querer, Toffoli expôs urgência de código de conduta no Supremo”
    – Ao voar em jatinho de empresário para ver jogo no exterior, ministro mostrou que Fachin tem razão ao defender regras éticas nos tribunais.
    (Por Bernardo Mello Franco, O Globo, 14/12/25)

    Dias Toffoli gosta de bola. Em 2024, foi a Londres assistir à final da Champions League. Viu a partida no camarote do investidor Alberto Leite, dono da FS Security. No mês passado, o ministro foi a Lima ver a final da Libertadores. Viajou no jatinho de Luiz Osvaldo Pastore, dublê de empresário e suplente de senador.

    Toffoli voou ao lado de Augusto de Arruda Botelho, advogado de um diretor do Banco Master. Os dois são palmeirenses e amargaram de perto o tetracampeonato do Flamengo. Para o Master, a viagem deu mais sorte. De volta a Brasília, o ministro decretou sigilo sobre o inquérito que levou à prisão de Daniel Vorcaro. Depois ainda proibiu a CPI do INSS de analisar dados bancários e fiscais do banqueiro.

    O amor pelo esporte bretão não é problema. O que espanta em Toffoli é a falta de cerimônia para aceitar favores e benesses de endinheirados. A recente viagem ao Peru, revelada pelo colunista Lauro Jardim, produziu um exemplo cristalino de conflitos de interesses. Sem querer, o ministro deu razão ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que tenta impor um código de conduta à cúpula do Judiciário.

    Não será fácil. Na composição atual da Corte, Fachin e Cármen Lúcia parecem ser os únicos a dispensar as bocas-livres. A maioria dos togados não demonstra incômodo em confraternizar no exterior com empresários, banqueiros e gentis patrocinadores de campanhas. Os ministros estrelam tertúlias, banquetes e convescotes no circuito Elizabeth Arden. O pretexto é discutir os grandes temas da República — sempre em língua portuguesa e a milhares de quilômetros do Brasil.

    O mais conhecido desses eventos é o Gilmarpalooza, formalmente batizado de Fórum Jurídico de Lisboa. Organizado pelo ministro Gilmar Mendes, o evento dá verniz acadêmico a uma típica atividade de lobby. Só neste ano, promoveu o encontro de autoridades com sócios e diretores de grupos como Vale, Cosan, BRF, Bradesco, SulAmérica, Light, Meta e iFood — todos com causas julgadas ou a julgar no Supremo.

    No mês passado, Gilmar disse não se importar com as críticas à falta de publicidade sobre os gastos milionários com transporte, hospedagem e pagamento de cachê. “Acho engraçado. É um case de sucesso. Falar até mal do fórum para nós é ótimo”, ironizou o supremo ministro à BBC Brasil.

    A proposta de Fachin se inspira no código de conduta do Tribunal Constitucional da Alemanha. Mais que baixar proibições, o texto impõe padrões de transparência. Os magistrados precisam divulgar todo ganho extra com publicações, palestras e eventos.

    O ministro aposentado Celso de Mello afirma que a adoção de normas semelhantes no Brasil é “moralmente necessária e institucionalmente urgente”. “Em democracias consolidadas, a confiança na Justiça exige não apenas juízes honestos, mas regras claras, que impeçam qualquer aparência de favorecimento, dependência ou proximidade indevida com interesses privados e governamentais”, escreveu, há poucos dias.

    Ele acrescentou que um código não reduz a independência dos ministros. “Ao contrário, protege-a, afastando suspeitas, prevenindo constrangimentos e fortalecendo a autoridade moral das decisões da Corte.”

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/bernardo-mello-franco/coluna/2025/12/sem-querer-toffoli-expos-urgencia-de-codigo-de-conduta-no-supremo.ghtml

  6. Miguel José Teixeira

    Pois é, Ruy Barbosa!

    “Movimento subversivo”

    Secretário do Interior de Minas Gerais nos anos de chumbo de 1970, Ovídeo de Abreu adorava usar palavras difíceis. Certa vez, às vésperas de um pequeno tremor de terra em Bom Sucesso, ele telegrafou ao prefeito:
    – “Movimento sísmico previsto essa região. Provável epicentro movimento telúrico sua cidade. Obséquio tomar as providências cabíveis”.
    A resposta do prefeito chegaria quatro dias depois, também por telegrama:
    – “Movimento sísmico debelado. Epicentro preso, incomunicável, cadeia local. Desculpe demora. Houve terremoto na cidade”.

    (Poder sem pudor, Coluna CH, DP, 13/12/25)

  7. Miguel José Teixeira

    Huuummm. . .

    “Lula make-up”
    Rogério Marinho (PL-RN) acionou o TCU contra mudança no cálculo do PIB potencial. O senador explica: é uma manobra que tenta encobrir a deterioração das contas públicas em ano pré-eleitoral.
    (Coluna CH, DP, 13/12/25)

  8. Miguel José Teixeira

    (*) Felizmente. . .

    ““Desde 2014 o Brasil tem déficits ano a ano” observa Pestana, “mas não estamos numa situação (*) como Venezuela ou Argentina pré-[Javier] Milei”.”

    “IFI: faltam R$70 bilhões para o Orçamento 2026”
    (Coluna CH, DP, 13/12/25)

    O ex-deputado federal e ex-secretário estadual Marcus Pestana, atual diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, estima que faltam R$70 bilhões para o Orçamento brasileiro de 2026. Em entrevista ao podcast Diário do Poder, que pode ser vista no YouTube (@diariodopodertv), o economista aponta os perigos do descontrole das contas públicas, das peças orçamentárias fictícias e metas sempre flexíveis. “Tem que ter um rearranjo”, alerta Marcus Pestana.

    Ainda não
    “Desde 2014 o Brasil tem déficits ano a ano” observa Pestana, “mas não estamos numa situação como Venezuela ou Argentina pré-[Javier] Milei”.

    Despesa é gasto
    Pestana critica manobras do governo Lula de retirar despesas do teto de gastos, como precatórios e gastos militares, e fingir que não existem.

    Controle
    A IFI, órgão vinculado ao Senado, monitora contas públicas e produz análises técnicas sobre a gestão do dinheiro do pagador de impostos.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/pt-se-anima-e-quer-haddad-candidato-ao-senado

  9. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (036)

    “Telê Santana disse que tetra do Brasil em 1994 foi merecido”
    – ‘Já era hora de mostrarmos que temos um futebol ganhador’, escreveu o técnico após final.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    Telê Santana (1) escreveu sobre o tetra (2) um dia após a final contra a Itália (3). O técnico que perdera duas Copas (4) nos anos 1980 celebrava a vitória alheia com generosidade.

    “O Brasil é, merecidamente, o primeiro tetracampeão da história. Uma conquista da técnica e, acima de tudo, do coração”, começou em texto publicado na Folha, em 1994.

    Telê reconheceu limites táticos: o time jogou da mesma maneira do primeiro ao último minuto. Mas elogiou: “Técnica e fisicamente, a seleção foi a melhor das 24 que aqui estiveram. Já era hora de mostrarmos que temos um futebol ganhador”.

    Elegeu Aldair como melhor jogador. “O mais regular, o mais consciente. Claro, Romário foi o brilho, decidiu na maior parte das vezes, mas Aldair foi o melhor.”

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (5), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Era hora de mostrar nosso futebol campeão (18/7/1994)

    O Brasil é, merecidamente, o primeiro tetracampeão da história. Uma conquista da técnica e, acima de tudo, do coração. Pelo que sei, os jogadores estiveram muito unidos. Pudemos constatar isso em todos os momentos, especialmente na hora dos pênaltis. O time era um só.

    Foi mesmo uma vitória da técnica, da qualidade individual dos nossos jogadores. Taticamente, a seleção brasileira encerrou sua participação na Copa devendo alguma coisa. Jogou da mesma maneira, do primeiro ao último dos 660 minutos disputados.

    Técnica e fisicamente, porém, a seleção foi a melhor das 24 que aqui estiveram. Já era hora de mostrarmos que temos um futebol (6) ganhador. Aos títulos mundiais de Santos, Flamengo, Grêmio e São Paulo, se soma mais esta Copa ganha.

    A Itália valorizou muito a conquista brasileira. Foi sua melhor partida. Defesa segura, marcando em cima, como é seu estilo, mas desta vez com um contra-ataque muito perigoso, veloz de passes rápidos. Ainda bem que tínhamos Aldair, Márcio Santos e Mauro Silva.

    Falando em Aldair, foi, para mim, o melhor jogador brasileiro na Copa. O mais regular, o mais consciente de suas funções. Claro, Romário (7) foi o brilho, decidiu na maior parte das vezes, mas Aldair foi o melhor.

    A Itália valoriza a conquista também por sua elegância. Terminado o jogo, enquanto os brasileiros comemoravam, os italianos acompanhavam de longe. Uns chegaram a aplaudir, dignos vice-campeões.

    Ótima a entrada de Viola. Uma opção que poderia ter sido usada mais vezes. Deu vida à seleção. Levantou a torcida. Chegou a criar jogadas de muito perigo. Um campeão.

    E finalmente nos livramos da maldição dos pênaltis. Depois do susto com Márcio Santos, Romário, Branco e Dunga cobraram com uma categoria que faltou aos italianos, entre eles, por ironia, Roberto Baggio.

    Imagino que o povo esteja comemorando muito no Brasil. E com razão. Ganhamos uma Copa que merecemos muito.

    Que o povo festeje. Esta é das raras horas em que somos todos iguais, o homem de arquibancada e o presidente da República torcendo. Um milagre que devemos ao futebol. Ao futebol tetracampeão do Brasil.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/12/tele-santana-disse-que-tetra-do-brasil-em-1994-foi-merecido.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/9/04/esporte/12.html
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/blogs/o-mundo-e-uma-bola/2024/07/30-anos-do-tetra-memorias-restantes-de-um-jornalista.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/italia/
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/copa-do-mundo/
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/futebol/
    (7) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/romario/

  10. Miguel José Teixeira

    “O 7×1 de Lula e Trump no clã Bolsonaro”
    – Coitado dos “mitos”. Acharam mesmo que o laranjão era brother.
    (Ricardo Kertzman, O Antagonista, 13/12/25)

    Uma coisa é a ignorância, que é perdoável. Outra coisa é a burrice, que não é perdoável, e pior ainda quando advém da arrogância, da prepotência, da mania de achar que todos são estúpidos e só ele – justamente o burro – é o único iluminado a caminhar pelo planeta.

    Quando Dudu Bananinha se mandou para os EUA com os bolsos cheios do dinheiro do papis, ou melhor, dos idiotas úteis que cantam hino nacional para pneus e enviam sinais luminosos pelo celular aos ETs, a fim de conspirar contra o país, mal sabiam ele, Jair e os demais zeros o que estava por vir.

    Em lives semelhantes às dos terroristas do Oriente Médio, com estética brega, palavras chulas e ameaças do fim do mundo, Eduardo Bolsonaro, o camisa dez de Lula, jactava-se pelo tarifaço trumpista imposto ao Brasil, pelas sanções diplomáticas contra ministros do STF e pela aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane – aquela do contrato de 129 milhões de reais com o Banco Master; aquele do rombo bilionário devidamente blindado por Dias Toffoli.

    Gol da Aelmanha
    Mais ainda: ele e o outro comparsa aloprado, Paulo Figueiredo, sempre ecoados pelos bolsonaristas radicais – da família ou não – passaram a autoproclamar-se interlocutores íntimos de Donald Trump.

    Eram bravatas e ameaças diárias, repetidas com fervor pela bolha da extrema direita e comemoradas como um gol do clube de coração.

    Tornou-se praxe, em Banânia, após a goleada acachapante da Alemanha sobre o Brasil, na Copa de 2014, comparar o placar do jogo – sonoros 7×1 para os chucrutes – com fracassos retumbantes.

    Contem comigo
    Com a química entre o chefão petista e o bufão cor de laranja em grau de ebulição, o Brasil assistiu, quase incrédulo, às tarifas extras serem retiradas e, agora, pela primeira vez desde a sua criação, à lei que sanciona severamente criminosos mundo afora ser revista em favor do casal xandônico.

    Pois é. Jair Bolsonaro foi preso preventivamente, e o Brasil não se transformou em um campo de batalha como prometiam os incautos, como, por exemplo, Nikolas Ferreira, o deputado TikToker mineiro. Ou seja, 1×0 e contando.

    O mesmo patriarca do clã das rachadinhas e das mansões milionárias foi condenado a mais de 27 anos de prisão pela trama golpista. Anotem aí: 2×0.

    Reveillon na Disney
    Ato contínuo, cumpre pena não mais em sua casa, em um condomínio de classe média alta de Brasília, mas numa cela improvisada, com pouco mais de 10 metros quadrados, na Polícia Federal do DF. Placar: 3×0.

    Com tudo isso acontecendo, o pai do Ronaldinho dos Negócios, que estava praticamente morto, mas não enterrado, eleitoralmente falando, estanca a trajetória de queda de sua aprovação e passa a ser melhor avaliado, segundo as pesquisas de opinião. Atenção, não perca as contas: 4×0.

    Daí Trump elogia Lula publicamente e manda Jair Bolsonaro para o limbo: 5×0. Em seguida, revoga as tarifas – 6×0 – e libera Moraes e sua esposa-advogada-prodígio para visitarem o Mickey e o Pateta, ou até mesmo virar o ano na Times Square, em Nova York. Chegamos no 7×0.

    Um de lambuja
    “Mas e o 1, Ricardo? O gol de honra dos Bolsonaro?”

    É o infame PL da Dosimetria, uai. Ainda que seja um gol impedido, aos 54 do segundo tempo, sob a análise do VAR.

    Coitado dos “mitos”. Acharam mesmo que o laranjão era brother.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/o-7×1-de-lula-e-trump-no-cla-bolsonaro/)

  11. Miguel José Teixeira

    . . .”Se quisermos preservar o legado grego da razão, o romano do direito e o judaico-cristão da dignidade humana, será necessário reafirmar, com rigor e coragem, que nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, pode ocupar o lugar da consciência moral.”. . .

    “Quando as Máquinas Tocam a Alma do Ocidente”
    (Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, Coluna Visto, lido e ouvido, Blog do Ari Cunha, CB, 10/12/25)

    É possível que, num futuro não tão distante, a inteligência artificial não apenas transforme a economia, o trabalho e a comunicação, mas também provoque um abalo tão profundo nos fundamentos filosóficos do Ocidente, que suas colunas históricas – o humanismo, a ética, a dignidade da pessoa humana, a noção de responsabilidade moral -, deixem de sustentar a vida coletiva da mesma maneira que o fizeram por milênios. A hipótese, que até pouco tempo parecia restrita à ficção científica, volta agora a frequentar o debate público com crescente inquietação, sobretudo porque a velocidade das inovações supera largamente a capacidade das instituições, das leis e até mesmo da consciência social de acompanhar o impacto desse novo ator que emerge, silenciosamente, nas engrenagens digitais do mundo contemporâneo.

    Desde seus primórdios, o Ocidente construiu-se sobre bases que não eram meramente técnicas ou utilitárias. A invenção da filosofia na Grécia, a codificação do direito em Roma, a moralidade hebraico-cristã, a redescoberta da razão no Iluminismo e a consagração do indivíduo na modernidade compõem o alicerce cultural que fez, da liberdade, do debate racional e da responsabilidade pessoal, valores inegociáveis. Esse edifício, embora frequentemente contestado, mostrou extraordinária capacidade de resistência diante das guerras, das revoluções, do totalitarismo e até das mudanças tecnológicas que marcaram os últimos séculos. Mas, agora, ele se depara com um desafio inédito: a presença de máquinas capazes não apenas de executar comandos, mas de simular processos de pensamento, orientar decisões e apresentar interpretações do mundo que competem com aquelas tradicionalmente elaboradas pelos seres humanos.

    Se a técnica sempre foi um instrumento subordinado ao discernimento moral, a IA inaugura uma zona cinzenta em que a fronteira entre instrumentalidade e autonomia se torna difusa. Nunca foi tão fácil delegar à máquina tarefas que vão muito além da eficiência operacional e penetram no território sensível das escolhas humanas, da formação de opinião, da organização social e até das narrativas culturais pelas quais compreendemos a nós mesmos. O risco não está apenas no mau uso ou na manipulação, mas na possibilidade de que sistemas algorítmicos opacos, impessoais e programados para otimizar resultados tornem-se lentamente árbitros silenciosos das decisões que, por tradição, exigiam prudência, intencionalidade e consciência ética.

    Enquanto o humanismo, visão que coloca a pessoa no centro da vida social, pressupõe limites que impedem que qualquer mecanismo, seja ele político, econômico ou tecnológico, reduza o homem a um dado estatístico, a IA, movida por uma lógica de processamento e eficiência, tende a enxergar o humano não como fim, mas como variável. E essa mudança sutil, quase imperceptível no cotidiano, pode ter consequências profundas: ao transferirmos, às máquinas, o trabalho de julgar, decidir e até interpretar comportamentos, corremos o risco de atrofiar as virtudes que sustentaram a civilização ocidental, como a responsabilidade, o discernimento, a intuição moral e a capacidade de dizer “não” às imposições externas. O verdadeiro perigo não está no momento em que a IA se tornar mais inteligente que o homem em termos computacionais, mas naquele instante silencioso em que começamos a aceitar que seus critérios substituam os nossos, que suas inferências se tornem mais confiáveis do que nossa consciência, que sua lógica interna construída nos meandros de linhas de código passe a orientar a vida pública com a autoridade de um novo oráculo digital.

    Civilizações não colapsam apenas por violência ou catástrofes repentinas; muitas sucumbem pela erosão lenta de suas referências simbólicas, pela perda de confiança no próprio legado, pela substituição de seus valores por sistemas abstratos que prometem eficiência, mas cobram o preço da alma coletiva, é o que nos mostra a história.

    Hoje, o Ocidente vive uma tensão que ainda não foi compreendida em toda a sua gravidade. Enquanto governos e corporações aceleram a integração da IA ética, que deveria orientar os rumos da tecnologia, parece cada vez mais pressionada a adaptar-se a ela, como se princípios milenares pudessem ser reescritos de acordo com a conveniência de sistemas digitais treinados sobre bases de dados, cujo conteúdo não obedece a nenhum critério moral universal. Esse cenário não exige medo irracional, mas vigilância lúcida. A inteligência artificial não precisa e talvez nunca precise tornar-se consciente para remodelar profundamente a civilização; basta que nos acostumemos a terceirizar para ela as decisões difíceis, os julgamentos morais, as responsabilidades coletivas e até a formulação das narrativas que organizam nossa percepção do mundo. O perigo maior não é que as máquinas nos oprimam deliberadamente, mas que nós, fascinados por sua precisão e comodidade, abramos mão de exercer aquilo que sempre definiu a condição humana: a capacidade de escolher, de ponderar, de errar, de refletir, de assumir a autoria de nossas ações e de sustentar uma ética que transcende qualquer cálculo.

    Nem condenado, nem garantido está o nosso futuro. Se quisermos preservar o legado grego da razão, o romano do direito e o judaico-cristão da dignidade humana, será necessário reafirmar, com rigor e coragem, que nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, pode ocupar o lugar da consciência moral. A civilização sobreviverá se recordar que os algoritmos não têm alma, não sofrem, não erram por compaixão, não assumem culpa, não pedem perdão e não amam. E é precisamente nessas imperfeições humanas que residem a força, a beleza e a responsabilidade que moldaram o Ocidente ao longo de dois milênios. Cabe a nós decidir se a herança recebida será preservada, transformada ou simplesmente substituída por uma racionalidade do tipo “maquinicista” que, por mais eficiente que seja, jamais compreenderá o que significa ser humano e sua história até o presente.

    A frase que foi pronunciada:
    “Um país onde tudo é dirigido pela vilania.”
    (Leopoldina (do livro de Rodrigo Trespach, Histórias não Contadas (*), pág.128)

    (Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/quando-as-maquinas-tocam-a-alma-do-ocidente/

    (*) Sugestão do Matildo: https://www.amazon.com.br/Cole%C3%A7%C3%A3o-Hist%C3%B3rias-Contadas-Rodrigo-Trespach/dp/655511648X

  12. Miguel José Teixeira

    “Vamos abrir o corpo eleitoral de 2026 numa mesa fria”
    – O que o sistema pede é simples: paz eleitoral em 2026 e previsibilidade.
    (Roberto Reis (*), Crusoé, 12/12//25)

    Enquanto o varejo da internet discute se Flávio Bolsonaro é candidato, se Michelle vai sair para alguma coisa, se o PT renasce ou morre, o atacado do sistema fez outra coisa bem mais séria: desenhou um projeto de país.

    O projeto é simples e eficiente:

    • STF se protege e pacifica o cenário
    • Congresso garante dosimetria e anistia fatiada
    • Centrão segura a chave do cofre
    • Bolsonarismo vende a alma em troca de sobrevivência
    • Tarcísio vira embalagem limpa e bonita para tudo isso

    Quem ficou de fora, simbolicamente, é o PT. Não sobrou nada para esse beta.

    Serve como espantalho, como contra plano moral, como fantasma do passado.

    A costura toda se deu em noventa dias de muita negociação.

    Durante três meses, o que se viu em público foi gritaria da família Bolsonaro, balão de ensaio, blefes, narrativa de perseguição, soluço, live dramática, micareta de direita e de esquerda.

    Nos bastidores, o movimento era outro.

    O Congresso entrou com a dosimetria.

    O Supremo acenará com o regime domiciliar.

    O bolsonarismo sentou para negociar seu próprio destino.

    A progressão de pena, a conversa sobre domiciliar, a dosimetria discutida em praça pública não são obra do acaso. São parte do mesmo pacote: reduzir a temperatura, tirar a figura de Bolsonaro da cadeia como símbolo de guerra e colocá-lo em um cativeiro confortável, juridicamente controlado, politicamente neutralizado.

    Em troca, o que o sistema pede é simples: paz eleitoral em 2026 e previsibilidade.

    O papel do bolsonarismo: vender caro para acabar aceitando barato.

    Flávio Bolsonaro foi apresentado como candidato da família. Isso não é um projeto de poder. É um cartaz de “preço sugerido”.

    A mensagem do bolsonarismo para a direita era clara: “Quem manda aqui ainda somos nós. Se querem os votos bolsonaristas, vão ter de passar pela nossa cancela”.

    Primeiro movimento: reafirmar a liderança do pai, mostrar que o mito ainda escolhe, ainda unge, ainda batiza.

    Segundo movimento: subir o preço da mesa de negociação, pedir anistia ampla, geral e irrestrita, sabendo que não vai acontecer.

    Terceiro movimento: usar as pesquisas como arma.

    Mas quando os números mostrarem que Flávio não empolga, não cresce, não assusta Lula e não encanta o centro, o preço cai. O cartaz de “Bolsonaro ou nada” vira “Bolsonaro aceita conversar”. E é o que já está acontecendo.

    O que vem depois desse teatrinho necessário: o nome competitivo, palatável para o centro, digerível para o mercado e aceitável para o Supremo já está pronto faz tempo.

    Chama oTarcísio.

    STF, Centrão e o instinto de sobrevivência
    O sistema não está interessado em vingança infinita. Está interessado em controle.

    Quer uma eleição sem ruptura, sem acampamento em quartel, sem invasão de prédio público, sem data marcada para nova tentativa de golpe.

    Para isso, precisa:

    • de um bolsonarismo menos armado e mais domesticado.
    • de um candidato viável que não transforme 2026 em guerra santa.
    • de um acordo com o Congresso que diminua o risco de revanche.

    O Congresso, por sua vez, quer previsibilidade orçamentária, acesso ao cofre, ministérios, verbas, silêncio institucional.

    O Centrão não tem ideologia, tem fluxo de caixa.

    Nesse arranjo, o PT é problema. Polariza, radicaliza, acorda os extremos.

    Tarcísio, ao contrário, organiza.

    Ele fala com o mercado, conversa com militares, não assusta o eleitor do meio, não bate de frente com o Supremo, não mexe em feridas que o sistema não quer mais ver abertas. É o produto perfeito de uma elite que cansou de aventura e agora quer lucro com estabilidade.

    Onde Bolsonaro entra nisso tudo?

    Bolsonaro já abriu mão de ser candidato e falará isso em breve.

    Ele vale mais como ativo negociado do que como nome na urna.

    Serve como:

    • fiador de Tarcísio para a base radical.
    • moeda de troca em qualquer desenho de anistia ou alívio penal.
    • totem emocional para manter a direita mobilizada sem colocar fogo no país inteiro.

    A narrativa que precisa ser construída agora é uma só: “Eu, Jair, abro mão da minha candidatura pelo Brasil, pelo projeto maior, pela direita unida.”

    Por trás do discurso patriótico vem o pacote real: dosimetria ajustada, domiciliar garantido, família com mandato, pedaço do governo para o campo conservador e Tarcísio na cabeceira da mesa.

    O único excluído estrutural.

    Quem sobrou para fora dessa costura é o PT.

    Não por falta de votos, mas por excesso de desgaste.

    Lula ainda é recorrentemente competitivo, mas é exaustivo para o sistema. Gera conflito permanente, mobiliza ressentimentos, mantém Bolsonaro vivo como sombra e empurra o Supremo de volta para o centro do palco.

    O projeto de país que está sendo escrito não quer mais isso.

    Quer:

    • direita domesticada.
    • centro turbinado.
    • esquerda usada como referência negativa, não como protagonista.

    Todos felizes, ninguém inocente.

    No final dessa arrumação, o desenho ideal para o sistema é mais ou menos assim:

    • Congresso entra com a dosimetria que salva a cara de boa parte da direita radical.
    • STF entrega um domiciliar que tira Bolsonaro da cadeia sem devolvê-lo ao campo de batalha.
    • bolsonarismo aceita indicar Tarcísio, posa de estadista e chama isso de união da direita.
    • Centrão mantém a mão na torneira.
    • Mercado ganha previsibilidade.
    • E o eleitor comum acredita que escolheu tudo isso sozinho na urna.

    Bolsonaro já abriu mão de ser candidato, mas ainda falta contar essa história de um jeito que a tropa aceite sem quebrar o altar.

    Enquanto isso, Tarcísio segue sendo apresentado como opção técnica, gestor, nome sereno, produto limpo para um país cansado de circo.

    O projeto de 2026 está praticamente pronto.

    Falta só o detalhe menos importante para o sistema e mais importante para o cidadão comum: avisar o eleitor. Essa é outra história que contarei mais a frente.

    Basta esperar.

    O Brasil vai chegar em 2026 achando que decidiu, quando, na verdade, só assinou embaixo do que já estava costurado (**).

    (*) Roberto Reis é estrategista eleitoral
    X: @RobertoReis
    Instagram: robertor.eis

    (**) Será que não tem sido sempre assim?

  13. Miguel José Teixeira

    Faz sentido!

    “À imagem e semelhança”
    Em “homenagem” a Lula (PT), foi batizado de Brachycephalus lulai (*), um minisapo descoberto em Santa Catarina. O animal laranja já nasce sapo (nunca é girino), só existe no Brasil e tem… número reduzido de dedos.
    (Coluna CH, DP, 13/12/25)

    (*) https://www.metropoles.com/ciencia/sapo-batizado-de-anfibio-lula

    E se descobrirem em Santa Catarina uma nova especie de roedor seu nome será rodentia carluxai?

    1. Não só roedor, mas algo parecido como Chupim, pois nem ninho e nem alimentar a sua prole são capazes. A sua existência e perpetuação da espécie, só há e está ligada à misericórdia (ou burrice) dos outros.

  14. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (035)

    “Clovis Rossi alertou que o Brasil não podia se recolher após Collor”
    – ‘Eliminou-se apenas uma excrescência histórica’, escreveu o colunista após impeachment.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    A festa foi bonita, mas não bastava. Clovis Rossi (1) escreveu, no dia seguinte à aprovação do impeachment de Fernando Collor (2) na Câmara, que todos os problemas continuavam vivos. “Eliminou-se apenas uma excrescência histórica que jamais deveria ter acontecido na história da República.”

    O texto foi publicado na Folha, em 1992. E Rossi foi direto: não dava para falar em nova época. O país caminhava “sempre de mistura em mistura”.

    Havia algo de novo, disse. Itamar Franco (3) era “o primeiro presidente surgido da oposição ao ciclo militar que dominou o país desde 1964”. Sarney (4) fora presidente do partido do regime militar. Collor era “produto típico do regime militar, do mecanismo de nomeações”. Itamar viera do PTB de Juiz de Fora, do MDB da resistência.

    Mas não bastava. “As circunstâncias fazem com que Itamar esteja cercado de um heterogêneo grupo de aliados. Alguns também da oposição ao ciclo militar, outros filhos diletos deste e terceiros que são governo seja qual for o governo.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (5), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Para não perder a vitória (30/9/1992)

    Foi bonita a festa, pá, mas todos os problemas que existiam antes de Fernando Collor de Mello continuam aí, vivos e gozando de boa saúde. Eliminou-se apenas (e assim mesmo provisoriamente, do ponto de vista formal) uma excrescência histórica que jamais deveria ter acontecido na história da República.

    Seria bom, muito bom, se se pudesse, de fato, falar em nova época, um novo começo, um país diferente — expressões que frequentam a retórica destes dias de fervor cívico. Há, no governo Itamar Franco, um dado histórico relevante que está passando ignorado. É o primeiro presidente surgido da oposição ao ciclo militar que dominou o país desde 1964.

    José Sarney era presidente do partido de sustentação do regime militar até pouco tempo antes de bandeira-se para a oposição. Fernando Collor é um desses produtos típicos do regime militar, do mecanismo de nomeações, em vez de eleições, que fortaleceram oligarquias regionais.

    Itamar era do PTB, de um PTB de Juiz de Fora cujo grande nome foi Clodsmide Riani (*), um sindicalista que na época como “subversivo”. Foi do MDB da resistência. Há, portanto, algo de novo na Presidência da República. Mas não basta.

    As circunstâncias fazem com que Itamar esteja cercado de um heterogêneo grupo de aliados. Alguns também da oposição ao ciclo militar, outros filhos dileitos deste e terceiros que são governo seja qual for o governo. O Brasil parece eternamente condenado a não romper de vez um ciclo histórico para iniciar outro. Caminha sempre de mistura em mistura.

    Mudar essa situação depende de você, que foi às ruas agora. Se a sociedade se recolher de novo, tchau e bênção. Esqueça essa bobagem de que todo político é corrupto, que nenhum presta, que todos são iguais. A crise mostrou que não é assim. Um punhado de gente decente levantou-se na primeira hora e, aos poucos, foi virando votos até o resultado de ontem.

    Mas só o conseguiram porque havia gente na rua. Se ficarem de novo sozinhos, os decentes perderão sempre. Se os espertalhões perceberem que não há gente, talvez alguns até digam as coisas muito mesmo e não apenas na superfície. Como diria a agência que faz os anúncios do Gelol, não basta votar, é preciso participar. De repente, pode ser até muito gostoso, como foi ontem.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/12/clovis-rossi-alertou-que-o-brasil-nao-podia-se-recolher-apos-collor.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/06/clovis-rossi-decano-da-redacao-da-folha-morre-aos-76.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/dezdias/re20.htm
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/02/habilidade-politica-de-itamar-franco-contribuiu-para-sucesso-do-plano-real.shtml
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/03/fui-um-presidente-marcado-para-ser-deposto-diz-sarney.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

    (*) https://pt.wikipedia.org/wiki/Clodesmidt_Riani
    https://grokipedia.com/search?q=Clodesmidt%20Riani%20

  15. Miguel José Teixeira

    “Togas voadoras”
    – Abusos motivaram Facchin a propor um código de conduta, sob forte reação dos amantes da boca-livre. eles se acham acima de todos nós.
    (Por Nelson Motta — Rio de Janeiro, O Globo, 12/12/25)

    Não há outra conclusão possível: eles se acham acima de todos nós, não devem satisfação a ninguém, se consideram supremos merecedores de todos os privilégios. No caso, ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Dias Toffoli, e por outros motivos, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

    Gilmar e Alexandre ao menos são professores de Direito, Dias Toffoli sequer passou em concurso para juiz, e se tornou supremo pela suprema vontade de Lula de premiar não um grande jurista de notório saber jurídico, mas um advogado do PT, disposto a fazer a vontade do chefe e subir na vida.

    Mas Lula acabou sendo uma grande vítima da covardia e carência de caráter do nomeado, quando os ventos mudaram, e ele negou a Lula, preso, autorização para acompanhar o enterro de seu neto. Lula nunca o perdoou, ninguém perdoaria, e ele se desdobra em tentar limpar sua barra com o chefe. É difícil que esse ânimo não interfira em suas decisões, com a imparcialidade que exige a função.

    Depois, com uma decisão monocrática, absoluta, suprema, acabou com todo o trabalho da PF na Lava-Jato que havia revelado uma massa colossal de provas sobre a corrupção endêmica no governo, com culpados confessos pagando multas bilionárias. Claro, os abusos dos falsos moralistas Sergio Moro e Deltan Dallagnol deram oportunidade para, por motivos fúteis, tecnicismos, Toffoli anular tudo e ponto final. Ele só não disse o que fazer com os empresários que confessaram seus crimes e pagaram R$ 6 bilhões em multas. O Brasil sendo Brasil, é possível que, com alguma manobra jurídica nas mãos de um juiz compreensivo, recebam tudo de volta com juros. Hoje ninguém lembra disso, só a biografia do ministro.

    Com uma canetada e um poder que nenhum dos poderes da República tem, puxou para si e parou todas as investigações, perícias, depoimentos, sobre a quebra do Banco Master, que lesou milhares de pessoas e instituições.

    Ele, mas não só ele, adora viagens internacionais para fóruns que poderiam ser realizados em qualquer lugar do Brasil, em resorts turísticos fabulosos, onde encontram advogados, clientes, políticos, em torno de boa mesa e palestras chatas. Mas Londres e Lisboa são as favoritas das togas turísticas. Eles têm o maior salário da República para viajar quando quiserem, às próprias custas. Mas quem resiste a uma boca-livre no Brasil?

    O mais irritante é que eles sempre se acham acima de qualquer suspeita, com arrogância máxima.

    Toffoli, singelamente, diz que não há conflito de interesses porque não conversou sobre o caso com os dois advogados que, por mero acaso, o acompanharam no “voo da vitória” palmeirense para Lima no jatinho de um empresário, nem no voo da derrota, do Palmeiras e de Toffoli.

    São abusos de poder como esse que motivaram o ministro Edson Facchin a propor um código de conduta para os magistrados, sob forte reação dos viajantes e amantes da boca-livre, que dizem que esses luxos não interferem em suas decisões nem na credibilidade da Justiça. Quem acredita nisso?

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/nelson-motta/coluna/2025/12/togas-voadores.ghtml)

  16. Miguel José Teixeira

    “Manual de desorientação”
    – O GPS promete destinos; o livro oferece desvios. Um quer levar-nos ao lugar certo; o outro, a todos os lugares incertos.
    (Por José Eduardo Agualusa, O Globo, 13/12/25)

    Nasci com um extraordinário sentido de desorientação. Em todo o lado me extravio — pequenas cidades, aeroportos, inclusive em casa.

    Ao longo dos anos aprendi a adaptar-me. Sabia que precisava sair muito antes dos horários combinados, prevendo os desvios inevitáveis. Depois chegaram os celulares com GPS. Os mapas adaptaram-se à pequena tela, as rotas tornaram-se linhas luminosas, e deixei de me perder. “Daqui a 200 metros vire à direita.” Eu, obediente, viro. “Siga em frente durante os próximos 300 metros.” E eu sigo.

    A minha vida tornou-se um pouco menos complicada. Mas também muito mais chata. O milagre da tecnologia estreitou a possibilidade do espanto. Perder-me era, naquela época remota, um exercício da arte de encontrar. Lembro-me de um pequeno café onde entrei numa manhã de inverno, em Amsterdã, para me aquecer, depois de uma hora à deriva entre canais; sentado a uma das mesas reencontrei um velho amigo angolano. Abraçamo-nos, aos gritos e gargalhadas, para escândalo dos contidos holandeses — e eu, por alguns instantes, esqueci o frio.

    Numa outra ocasião, tendo-me equivocado no endereço, entrei, convicto, na festa errada. Fui tão bem acolhido que só duas horas mais tarde, perguntando pelo aniversariante, descobri o desacerto. Já não saí. Continuei ali até de madrugada, escutando histórias que desconhecidos íntimos me contavam para, logo depois, pedirem conselhos, como se eu fosse uma espécie de confessor ou de psicanalista.

    Vez por outra, visitando uma grande cidade, abandono o celular no hotel, escolho um livro e saio com ele para o desconhecido. Perder-me é a minha última forma de resistência. Uma breve insurgência contra a ditadura do trajeto curto e do destino garantido. Gosto de pensar que ao desencaminhar-me atraso um pouco o mundo. Forço-o a esperar por mim. Dou-lhe trabalho. E, enquanto isso, devolvo-me a mim mesmo um certo arcaísmo essencial: o medo leve, a curiosidade afiada, a atenção aos pormenores. Tudo volta a ser sinal. Tudo volta a ser pista. Tudo fala comigo.

    Levo um romance como quem agita uma bandeira rebelde. O mundo, hoje, divide-se entre aqueles que, nas ruas e praças, seguram um livro e os que caminham com a cabeça curvada sobre um celular. Os que olham o celular — talvez seguindo uma rota programada, “daqui a 200 metros vire à direita” — estão, quase sempre, cheios de pressa. Não dispõem de tempo para conversar. Os que seguram livros, regra geral, estão mais disponíveis para partilhar histórias.

    Nos transportes públicos as pessoas que carregam livros cumprimentam-se com um sorriso cúmplice — reconhecem-se. São pessoas que têm tempo, a mais preciosa forma de luxo.

    O GPS promete destinos; o livro oferece desvios. Um quer levar-nos ao lugar certo; o outro, a todos os lugares incertos. Se me perder o suficiente — com método, com a elegância possível —, talvez alguma coisa boa me encontre. Até lá vou caminhando, guiado pelos livros e por essa argúcia distraída a que chamamos acaso.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2025/12/manual-de-desorientacao.ghtml)

  17. Miguel José Teixeira

    “Era para ser dia de só se falar da Magnitsky ou da operação da Polícia Federal mexendo nas emendas do orçamento secreto. Mas eis que chega a notícia do Supremo Dias Toffoli proibindo a CPI do INSS de ter acesso aos dados da movimentação bancária, às trocas de mensagens e aos dados fiscais de Daniel Vorcaro. Ah, ok. Mas a decisão seguiu. Só uma pessoa no Congresso Nacional poderá ter acesso ao material. Quem? Quem? Quem? Davi Alcolumbre. Ah, não, cê não mandou essa, Toffoli!!!! Socorro, BRASEW!”

    “Toffoli protegendo os fundos do Alcolumbre”
    (TixaNews, Dez 13)

    Se você chegou agora aqui na Tixa e não está sabendo o que anda acontecendo com o Master, eu te conto. O banco do Daniel Vorcaro tem mil ligações com políticos do Centrão. Governos como o do Rio de Janeiro, Distrito Federal e Amapá, por exemplo, botaram um dinheirão nos fundos do banco ou no próprio banco. Mesmo depois de já se saber que a situação não era boa.

    O do Rio investiu bilhões por meio da previdência dos servidores. O do Distrito Federal, uns R$ 12 bi por meio do BRB, em empréstimos que foram considerados fraudulentos. E o do Amapá, cerca de meio bilhão também pelo fundo de previdência. Ah, do Amapá foi pouco, né? Not. Proporcionalmente, o fundo do Amapá foi um dos que mais investiu no Vorcaro, digo, nos fundos do Vorcaro, digo, nos fundos do Master. E esses fundos são administrados pelos governos do Estado. E o governador do Amapá é aliado de quem? Sim, do Davi Alcolumbre.

    Ahã. E ainda tem mais um detalhe: o irmão do Alcolumbre também é da administração do tal fundo. Mas, por decisão do Supremo Toffoli, somente Alcolumbre terá acesso ao sigilo bancário do Vorcaro.

    A propósito, o Toffoli é aquele que estava num avião privado para assistir à final da Libertadores em Lima com um dos advogados de um dos presos na operação do caso Master. Sim, eu sei, darling, tô aqui te respondendo em voz alta enquanto escrevo.

    E Toffoli nem é a ponta mais problemática na teia de aranha do Master. Descobriu-se agora, recentemente, que havia, em um dos celulares apreendidos na operação contra Vorcaro, um documento que apontava um contrato do banco Master com o escritório da esposa de Xandão. Um contrato de 36 meses que renderia R$ 129 milhões. Mas, até agora, Xandão ou a esposa não falaram sobre o caso. Vai que nem tem o contrato. Agora podemos ligar para o Alcolumbre e perguntar.

    Para os perdidos: o Master está na CPI do INSS porque é um dos bancos líderes em reclamação de aposentados com créditos consignados.

    Mas então vamos ao caso Magnitsky

    Os Bolsonaros são esmagados por Trump
    O que foi isso de o Trump tirar a Magnitsky do Xandão assim, de repente, não mais que de repente? (Mas a Tixa estava ligada, hein? Falamos disso na quarta.) A norma americana permite aplicar sanções a indivíduos ligados à corrupção ou violação dos direitos humanos. Basicamente, a pessoa fica sem acesso a qualquer cartão de crédito que tenha bandeiras de empresas americanas ou mesmo bancos que, de alguma forma, negociam com os EUA (todos?). Xandão e sua esposa estavam enquadrados no rolê e agora estão livres para gastar. E, a propósito, foi um presente de niver adiantado para o Xandão que apaga velinhas amanhã, dia 13 de dezembro.

    O Dudu fez uma cartinha lamentando e, mesmo tendo tomado uma bem no meio da fuça, ainda elogiou o presidente americano.

    O blogueiro Allan dos Santos, foragido nos EUA, fez um tuíte dizendo que a culpa era do PL da Dosimetria (aprovado pelos próprios bolsonaristas), que não dá anistia para ninguém e só confirma que os crimes foram crimes. É que um dos secretários do Departamento de Estado publicou ontem que o Brasil estava melhorando a democracia com a aprovação da redução de penas do caso do 8 de janeiro. Sim, BRASEW, o PL da dosimetria foi o fato político usado como desculpa por gente do governo Trump para meio que explicar por que Xandão podia ficar de fora da Magnitsky. E a lei nem foi aprovada no Senado ainda.

    Mas o melhor mesmo foi o Flavitcho Bolsonaro, que deve ter fumado um maço de brócolis e escreveu que a decisão do Trump era uma vitória para a direita, porque era um gesto gigantesco para incentivar que o Brasil aprove a anistia na semana que vem. Oi? Esse é o filho que quer ser presidente?

    “Então eu fiquei muito feliz com essa notícia. Esperamos que não existam vaidades, esperamos que exista responsabilidade, para que possamos resolver os nossos próprios problemas aqui no Brasil. E começar finalmente a retomar alguma normalidade institucional e democrática em nosso país.”

    Quem está feliz mesmo, Flavitcho, é o Lula com a lambança que os próprios Bolsonaros fizeram e que beneficia sua candidatura para 2026.

    Lula abraçou a bandeira do Brasil enquanto os Bolsonaros abraçavam a bandeira americana. Resolveu a questão das tarifas com Trump enquanto Dudu vibrava que o Brasil sofria com as tarifas. Lula foi lá e pediu para tirar o Xandão da listinha da lei do céu de Magnit e conseguiu. E agora ainda é o melhor amigo do Laranja. (Fora que está com o Congresso na mão com essa história de Master e Vorcaro e Refit e PCC na Faria Lima e emendas do Orçamento Secreto. Aff.)

    E as tretas das emendas
    E a Polícia Federal bateu hoje na porta da Câmara dos Deputados para fazer busca e apreensão nas salas da assessoria especial da Presidência da Câmara e no gabinete da liderança do PP. Tudo com autorização do Supremo Dino. A polícia foi lá atrás da secretária da presidência, de apelido Tuca, que era a pessoa que, durante a presidência de Lira — sim, nosso Arthurzito —, liberava bilhões em emendas para todo mundo, com destino e sem remetente. O Supremo Dino diz que, supostamente, ela atuava a mando de Lira. No pedido feito pela PF foram anexados depoimentos de vários parlamentares que ligam Lira ao esquema.

    Esse era aquele orçamento secreto em que se pegava dinheiro do orçamento público para que parlamentares usassem sabe Deus para quê.

    Deputados e um senador relataram à PF um suposto esquema de direcionamento de emendas, com pressão política e planilhas sem identificação que concentravam decisões sobre bilhões em recursos.

    O deputado José Rocha (União Brasil da Bahia) disse ter recebido documentos prontos indicando R$ 1,125 bilhão em emendas, sem autoria ou detalhamento, e que reteve parte após identificar valores suspeitos. A retenção teria gerado um singelo telefonema de Arthur Lira dizendo que ele estava atrapalhando as coisas e poderia perder a comissão, segundo o próprio Rocha.

    A chapa do Lira esquentou, BRASEW.

    Nos preparemos para a última semana antes do recesso. Lá vamos nós.

    (TRPCE)

  18. Miguel José Teixeira

    “129 milhões de motivos para deixar Zambelli pra lá”
    – Não vou me deixar levar pelo caso de Carla Zambelli: o que importa é a história do contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o Master.
    (Mario Sabino, Metrópoles, 12/12/25)

    Não vou me deixar levar pelo caso de Carla Zambelli: deputados foram malcriados; Alexandre de Moraes lhes puxou a orelha. Ponto final.

    O que importa é a história do contrato da advogada Viviane Barci de Moraes com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O contrato que previa o pagamento total de espantosos R$ 129 milhões de reais ao escritório da mulher do ministro.

    Há três dias perguntei (*) qual era a causa que justificaria tamanho preço. Ontem, a jornalista Malu Gaspar (**) publicou o que o contrato previa: “a organização e a coordenação de cinco núcleos de atuação conjunta e complementar — estratégica, consultiva e contenciosa — perante o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Judiciária, órgãos do Executivo (Banco Central, Receita Federal, PGPN, Cade e Legislativo (acompanhamento de projetos de interesses do contratante)”.

    À exceção da atuação contenciosa, as outras duas previstas no contrato — atuações estratégica e consultiva — parecem estranhas a um escritório de advocacia tradicional. Definição de estratégias junto a poderes da República e acompanhamento de projetos na área política são atividades geralmente associadas a lobby.

    É um contrato bastante curioso, para não dizer extravagante, e chama muito a atenção que o escritório da mulher de Alexandre de Moraes tenha sido contratado para atuar também perante o Ministério Público e a Polícia Judiciária. Ou seja, a Procuradoria-Geral da República, no caso do MPU, e a Polícia Federal.

    O órgão e a corporação trabalham em estreita ligação com o STJ e o STF (***), o tribunal no qual o ministro dá expediente, e são na PGR e na PF que ocorrem investigações que resultam em operações contra peixes grandes.

    Como o contrato fala em atuação estratégica e consultiva, é forçoso perguntar o que Daniel Vorcaro, peixe grande, esperava do escritório de Viviane Barci de Moraes em relação aos dois braços investigativos do Estado brasileiro.

    Ele esperava, por exemplo, saber com antecedência o que ia pela PGR e pela PF para precaver-se? Mas como um escritório de advocacia poderia ter esse tipo de informação sem recorrer a uma fonte privilegiada?

    Será que Daniel Vorcaro nutria a ilusão de que, ao lançar mão dos serviços da mulher de Alexandre de Moraes, ele estaria escudado contra a ação de procuradores e policiais federais? Ele teve a ilusão perdida quando foi preso no aeroporto internacional de São Paulo ao tentar viajar para Dubai?

    De qualquer forma, a suposta ilusão do dono do Banco Master era proporcional aos R$ 129 milhões que ele se propôs a pagar a Viviane Barci de Moraes. Ela era tão extraordinária, a suposta ilusão, que vamos lembrar que Daniel Vorcaro dava prioridade ao pagamento pontual dos R$ 3,6 milhões mensais previstos no contrato.

    O contrato milionário foi assinado no início de 2024. Seria natural que, desde então, Viviane Barci de Moraes e equipe estivessem à frente de várias ações envolvendo o banco. No entanto, os advogados pagos a peso de ouro só aparecem em único processo banal de calúnia, injúria e difamação.

    Os meus colegas jornalistas que me perdoem, mas há 129 milhões de motivos para deixar Carla Zambelli pra lá.

    PS: Deveria causar estupor o fato de o ministro Alexandre de Moraes não sentir a menor obrigação de dar explicação sobre o assunto. É padrão entre os ministros do STF, infelizmente: aponte-se o dedo também para Dias Toffoli em relação ao processo contra o Banco Master.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/129-milhoes-de-motivos-para-deixar-zambelli-pra-la)

    (*) https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/daniel-vorcaro-e-a-pergunta-de-r-129-milhoes
    (**) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2025/12/contrato-da-mulher-de-alexandre-de-moraes-com-o-master-previa-defesa-de-interesses-junto-ao-bc-receita-e-congresso.ghtml
    (***) https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/o-stf-e-um-trem-descarrilado

  19. Miguel José Teixeira

    Não é nada,
    não é nada e,
    seguramente,
    não sairá do nada!

    “CPMI do INSS quebra sigilo de Vorcaro e encontra contato de Moraes e esposa”
    – Banco Master, de Vorcaro, manteve contrato de R$ 129 milhões com escritório da esposa de Alexandre de Moraes
    (Tácio Lorran e Manuel Marçal, Metrópoles, 12/12/25)

    A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS começou a receber o sigilo telemático do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

    Entre os números da lista de contato de Vorcaro está o do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, revela documento obtido pela coluna.

    A esposa de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, foi contratada pelo Banco Master por R$ 3,6 milhões ao mês, em um total de R$ 129 milhões, conforme revelou a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. O acordo previa a defesa de interesses junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.

    O número de Viviane de Moraes também consta na lista de contatos de Vorcaro.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/cpmi-do-inss-quebra-sigilo-de-vorcaro-e-encontra-contato-de-moraes-e-esposa)

  20. Miguel José Teixeira

    “Resumão”, O Globo” (I)
    (Por Gabriel Cariello, 12/12/25)

    MORAES FORA DO ALVO

    Os Estados Unidos retiraram o ministro Alexandre de Moraes, do STF, sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o instituto da família da lista de sanções da Lei Magnitsky (1). O Departamento do Tesouro não explicou a decisão. Moraes se tornou alvo do governo Donald Trump em julho pela condução do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    ► Integrantes do governo comemoraram. O Palácio do Planalto esperava a retirada das sanções (2) e credita a decisão à melhora do diálogo entre o presidente Lula e Donald Trump.

    ► Articulador das sanções contra Moraes e o Brasil, o deputado Eduardo Bolsonaro lamentou e atribuiu o recuo à falta de unidade política (3) de aliados.

    ► O fim das sanções traz alívio para o setor financeiro (4), conta Fabio Graner. Os bancos, sobretudo o Banco do Brasil, temiam ser sancionados por operarem contas de Moraes.

    (TRPCE)

    (1) “Estados Unidos retiram Moraes e esposa da lista de sanções da Magnitsky”
    – Relator da ação penal da trama golpista no STF foi incluído no rol de sancionados em julho.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/12/estados-unidos-retiram-moraes-e-esposa-da-lista-de-sancoes-da-magnitsky.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (2) “Planalto avalia que retirada de sanções a Moraes é fruto de diálogo entre Lula e Trump”
    – Gleisi afirma que recuo do governo americano é uma ‘derrota’ da família Bolsonaro.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/12/planalto-avalia-que-retirada-de-sancoes-a-moraes-e-fruto-de-dialogo-entre-lula-e-trump.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (3) “Eduardo Bolsonaro atribui retirada de sanções a Moraes à falta de unidade política e diz: ‘Deus abençoe a América'”
    – Apesar do recuo, deputado agradece apoio de Trump durante ‘grave crise de liberdades’ no Brasil.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/12/eduardo-atribui-retirada-de-sancoes-a-moraes-a-falta-de-unidade-politica-e-diz-deus-abencoe-a-america.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (4) “Retirada de Moraes da Magnitsky é alívio para setor financeiro, em especial BB”
    – Instituições estavam com medo de serem sancionadas por manterem ativos de ministro.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/fabio-graner/noticia/2025/12/12/retirada-de-moraes-da-magnitsky-e-alivio-para-setor-financeiro-em-especial-bb.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  21. Miguel José Teixeira

    “Resumão”, O Globo” (II)
    (Por Gabriel Cariello, 12/12/25)

    NO RASTRO DAS EMENDAS

    A Polícia Federal realizou buscas contra Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira (PP-AL), em operação contra supostos desvios de emendas parlamentares (1) do Orçamento Secreto. Segundo o ministro Flávio Dino, do STF, Mariângela operava os repasses por ordem de Lira (2). O ex-presidente da Câmara não é alvo das investigações.

    ► Depoimentos de parlamentares, que embasam a investigação, detalham um suposto esquema de direcionamento irregular dos recursos. Veja trechos (3).

    ► O deputado José Rocha (União-BA) contou à PF ter recebido de Mariângela minutas e planilhas prontas para assinatura sobre repasses de R$ 1,125 bilhão (4). Glauber Braga (PSOL-RJ) afirmou que a lista de emendas priorizava Alagoas, o estado de Lira.

    ► Líderes da Câmara vincularam a operação à tentativa de cassar Glauber (5), desafeto de Lira.

    (TRPCE)

    (1) “Ex-assessora de Arthur Lira é alvo de operação da PF que apura suspeitas de direcionamento de emendas”
    – Ação foi batizada de Transparência e tem o objetivo de apurar irregularidades na destinação de recursos públicos.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/12/pf-operacao-emendas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (2) “Dino diz que ex-assessora de Lira atuava sob ordens em suposto esquema de direcionamento indevido de emendas”
    – Mariângela Fialek foi alvo de operação da PF, que realizou buscas e apreensões em seu enredeço; deputado não é alvo das investigações.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/12/dino-diz-que-ex-assessora-atuava-sob-ordens-de-lira-em-suposto-esquema-de-desvio-de-emendas-do-orcamento-secreto.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (3) “Atuação de ex-assessora de Lira com emendas parlamentares foi detalhada em depoimentos de parlamentares; veja trechos”
    – Ex-presidente da Câmara não é investigado; caso está sob a relatoria de Dino no STF.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/12/saiba-o-que-parlamentares-relataram-a-pf-sobre-esquema-de-emendas-que-motivou-operacao-contra-ex-assessora-de-arthur-lira.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (4) “‘Segurei uma remessa de R$ 320 milhões para Alagoas’, disse deputado à PF em investigação que mira ex-assessora de Lira”
    – Ex-presidente da Câmara não é investigado; caso está sob a relatoria de Dino no STF.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/12/segurei-uma-remessa-de-r-320-milhoes-para-alagoas-disse-deputado-a-pf-em-investigacao-que-mira-ex-assesora-de-lira.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (5) “Líderes da Câmara ligam operação que mira ex-assessora de Lira à tentativa de cassar Glauber Braga”
    – PF cumpriu mandados de busca e apreensão em investigação sobre emendas parlamentares.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/12/lideres-da-camara-ligam-operacao-que-mira-ex-assessora-de-lira-a-tentativa-de-cassar-glauber-braga.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  22. Miguel José Teixeira

    “Resumão”, O Globo” (III)
    (Por Gabriel Cariello, 12/12/25)

    A RESPOSTA DO SUPREMO

    O Supremo Tribunal Federal confirmou a cassação (*) da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Em sessão extraordinária no plenário virtual, a Primeira Turma referendou a ordem do ministro Alexandre de Moraes para anular a decisão da Câmara que tentou preservar o mandato da parlamentar. Moraes também determinou a posse do suplente em 48 horas. Zambelli foi condenada pelo STF a dez anos de prisão e está presa na Itália.

    (TRPCE)

    (*) “Caso Zambelli: STF confirma decisão de Moraes que mantém cassação de deputada e anula votação na Câmara”
    – Despacho de Moraes está sendo apreciado em plenário virtual, em sessão extraordinária que foi convocada por Dino.
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/12/moraes-vota-para-anular-decisao-da-camara-e-confirmar-cassacao-de-zambelli-em-julgamento-virtual-no-stf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  23. Miguel José Teixeira

    “Resumão”, O Globo” (IV)
    (Por Gabriel Cariello, 12/12/25)

    CAOS EM SP

    O governo federal avalia liberar voos comerciais (*) no Aeroporto de Catarina, em São Roque (SP), após o caos no setor aéreo durante forte vendaval, com mais de 400 voos cancelados nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas e impactos sobre a operação de outros terminais do país. O Aeroporto Internacional de Olímpia, com obras previstas para o próximo ano, também é citado como alternativa.

    ► São Paulo ainda tem 650 mil imóveis sem energia elétrica. A chuva nesta sexta-feira agravou o cenário (**). A Enel afirma que os danos são complexos (***) e não fixa prazo para o restabelecimento do serviço.

    (TRPCE)

    (*) “Com ‘efeito cascata’ após ventania, governo avalia liberar voos comerciais em Aeroporto de Catarina, na Grande SP”
    – Os fortes ventos que atingiram a capital entre quarta e quinta-feira provocaram mais de 400 cancelamentos nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos e suspensões também em outros terminais do país.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/12/12/com-efeito-cascata-apos-ventania-governo-avalia-liberar-voos-comerciais-em-aeroporto-de-catarina-na-grande-sp.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (**) “Chuva atinge São Paulo e número de imóveis sem luz volta a subir”
    – Capital concentra a maior parte dos desligamentos, enquanto cidades da Grande São Paulo seguem com índices elevados e sem previsão de normalização.
    +em: https://oglobo.globo.com/brasil/sao-paulo/noticia/2025/12/12/chuva-atinge-sao-paulo-e-numero-de-imoveis-sem-luz-volta-a-subir.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

    (***) “Após 48 horas, falta de energia ainda afeta mais de 600 mil imóveis em SP”
    – Capital concentra a maior parte dos desligamentos, enquanto cidades da Grande São Paulo seguem com índices elevados e sem previsão de normalização.
    +em: https://oglobo.globo.com/brasil/sao-paulo/noticia/2025/12/12/apos-30-horas-falta-de-energia-ainda-afeta-mais-de-700-mil-imoveis-em-sp.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  24. Miguel José Teixeira

    “Resumão”, O Globo” (V)
    (Por Gabriel Cariello, 12/12/25)

    A CRISE DOS CORREIOS

    Os Correios e o Tesouro Nacional analisam uma proposta de empréstimo de R$ 12 bilhões feita por um grupo de cinco bancos. A estatal, que buscava R$ 20 bilhões, aguarda reforço ao caixa até a semana que vem. A taxa de juros, motivo de recusa do Tesouro em negociação anterior, deve ficar em 120% do CDI ao ano. O empréstimo é condicionado a um plano de reestruturação dos Correios.

    (TRPCE)

    (*) “Correios recebem proposta para empréstimo de R$ 12 bilhões de cinco bancos, após entrada da Caixa nas negociações”
    – Nova oferta está sob análise da estatal e do Tesouro Nacional, que deve entrar como avalista.
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/12/12/nova-proposta-de-emprestimo-para-os-correios.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  25. Miguel José Teixeira

    “Trump descarta Bolsonaro de forma humilhante”
    – Cabe aos lulistas, agora, dar a entender que jogaram com Trump, como se também não estivessem sendo usados como brinquedos pelo presidente. americano.
    (Rodolfo Borges, O Antagonista, 12/12/25)

    No mesmo dia em que Carlos Bolsonaro publicou um vídeo antigo (*) para indicar que seu pai sofre de crises de soluço durante o sono na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o governo americano retirou Alexandre de Moraes e esposa da lista (**) nde sancionados pela Lei Magnitsky.

    A decisão joga pelo ralo as esperanças dos bolsonaristas de alguma interferência do governo americano em favor de Jair Bolsonaro, alimentada por meses pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) dos Estados Unidos, onde o filho 03 de Jair está auto-exilado desde fevereiro.

    Quem lê O Antagonista já desconfiava, desde o anúncio do tarifaço de Donald Trump, em julho, do interesse do presidente americano no destino de Bolsonaro, mesmo diante do fato de que o republicano mencionou diretamente o alegado aliado brasileiro no anúncio.

    Nós avisamos
    Análise intitulada Família Bolsonaro abraça a tarifa de Trump (***), publicada dois dias após o anúncio do tarifaço, alertava para o risco que os Bolsonaros corriam ao surfar a onda e dizia o seguinte:

    “Das duas, uma: ou Trump impôs a tarifa por causa de Bolsonaro e, portanto, o ex-presidente brasileiro poderia, sim, interferir de alguma forma na questão; ou o presidente americano apenas usou o aliado como um dos vários pretextos para justificar a medida, e Bolsonaro, de fato, não pode fazer nada.

    A segunda opção é a que faz mais sentido. Bolsonaro aparece na carta enviada a Lula como um detalhe, junto com a alegada preocupação com as redes sociais. Vai tudo a reboque do fantasioso déficit comercial americano com o Brasil, que, na verdade, é superávit há mais de 15 anos.”

    Desde então, Trump só falou de Bolsonaro em público quando provocado por repórteres brasileiros, e foi amenizando as tarifas de acordo com suas próprias necessidades, como sempre.

    Brinquedos
    Os lulistas celebram, agora, uma “vitória da diplomacia” (****), mas a verdade é que tudo pode mudar amanhã, na próxima semana ou mesmo daqui a algumas horas, a depender da vontade do presidente dos Estados Unidos, como ocorreu mais de uma vez com a Ucrânia de Volodymyr Zelensky.

    Cabe agora aos governistas, contudo, assim como coube aos bolsonaristas durante o ápice do tarifaço, dar a entender que participam do jogo de Trump, como se não estivessem todos eles sendo usados como brinquedo pelo presidente americano.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/trump-descarta-bolsonaro-de-forma-humilhante/)

    (*) https://crusoe.com.br/diario/carluxo-apela-a-video-de-bolsonaro-solucando-ao-dormir/
    (**) https://crusoe.com.br/diario/moraes-e-viviane-sao-retirados-de-lista-de-sancoes-dos-eua/
    (***) https://oantagonista.com.br/analise/familia-bolsonaro-abraca-a-tarifa-de-trump/
    (****) https://oantagonista.com.br/brasil/vitoria-da-diplomacia-diz-lider-do-pt-apos-moraes-deixar-lista-de-sancoes/

  26. Miguel José Teixeira

    “Documento, por favor.”
    (Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 12/12/25)

    O veículo ainda não foi homologado pelas autoridades para circulação, mas, caso aconteça, será obrigatório ter uma CNH (Carteira Nacional de Habilitação) na categoria B para conduzi-lo.

    Mais uma.
    O mercado local está dominado por empresas chinesas com veículos elétricos e híbridos. Já são quase 20 marcas com operação oficial no Brasil, presença que marcou o último Salão do Automóvel de São Paulo (*).

    Além das que já comercializam em território nacional, novatas estrearam recentemente (**) por aqui: MG, Jetour, Leapmotor e Changan.

    Por quê o Brasil?
    O país tem um dos maiores mercados de automóveis do mundo (***). Além disso, no exterior, governos criaram barreiras comerciais mais rígidas para os carros chineses do que aqui:

    A União Europeia adotou, no ano passado, uma regulamentação para aplicar tarifas adicionais, de até 35,3%, sobre veículos elétricos importados.

    O continente é o principal alvo da ofensiva mundial chinesa de exportação de veículos (****), o que está assustando empresas ocidentais.

    No México, o Senado aprovou o aumento das tarifas de importação (*****) sobre a China e outros países. As taxas, de até 50%, impactam os automóveis.

    (TRPCE)

    (*) “Montadoras asiáticas dominam primeiro dia do Salão do Automóvel 2025; veja imagens”
    – Prévia do evento reúne empresas da China, da Coreia do Sul e do Japão.
    – Renault é a única europeia no primeiro dia do evento, que é voltado à imprensa.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/montadoras-asiaticas-dominam-primeiro-dia-do-salao-do-automovel-2025-veja-imagens.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (**) “Novas marcas de carros chineses chegam ao Brasil em novembro; conheça os lançamentos”
    – MG, Jetour e Leapmotor estreiam com modelos híbridos ou 100% elétricos.
    – Changan deve aparecer como surpresa no Salão do Automóvel de São Paulo.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/10/novas-marcas-de-carros-chineses-chegam-ao-brasil-em-novembro-conheca-os-lancamentos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (***) “China inunda Brasil com carros elétricos baratos, provocando reações contrárias”
    – Grupos pressionam o governo a antecipar aumento do imposto de importação de 10% para 35%.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/china-inunda-brasil-com-carros-eletricos-baratos-provocando-reacoes-contrarias.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado;utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (****) “BYD intensifica expansão e mais que dobra opções de modelos na Europa”
    – Em dois anos, montadora chinesa salta de seis para 13 modelos de carros no continente.
    – Xpeng e Zhejiang Leapmotor Technology também acompanham movimento da compatriota.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/09/byd-intensifica-expansao-e-mais-que-dobra-opcoes-de-modelos-na-europa.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (*****) “Congresso do México aprova aumento de tarifas contra Brasil, China e outros países”
    – Medida afeta 1.463 classificações tarifárias em 17 setores, sendo que 316 deles não têm impostos hoje.
    – Setores brasileiros que podem ser afetados ainda buscam informações para calcular impacto.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/12/congresso-do-mexico-aprova-aumento-de-tarifas-contra-brasil-china-e-outros-paises.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado;utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

  27. Boa tarde.
    O brasileiro viverá a democracia plena quando o mesmo direito de ELEGER for dado para DEPOR os políticos que não cumprirem as promessas feitas em cima dos palanques eleitorais.
    Esse negócio de sustentar tubarão obeso por QUATRO longos anos sem nenhuma contrapartida aos seus REPRESENTADOS tem que ACABAR.

    Plano de governo tem que ser CUMPRIDO, não empurrado com a BARRIGA.

  28. Miguel José Teixeira

    “Hugo Motta, o atual dono da Câmara frigorífica, fez a egípcia quando o Supremo condenou Zambelli, terminou o julgamento de vez e determinou que a Mesa da Câmara deveria registrar o fim do mandato da deputada. O que fez Huguito? Levou o caso para o Plenário da Casa. O que fez o Plenário da Casa? Manteve o mandato da deputada, que, diga-se de passagem, está presa na Itália.”

    “Xandão manda, Huguito ignora, Xandão manda de novo”
    (TixaNews, dez 12)

    Agora o Xandão resolveu subir o tom e dizer mais ou menos assim: ô Huguito, meu rei, o negócio é o seguinte, eu mandei encerrar o mandato da deputada. Não deu pra entender, não? Então eu vou esclarecer. O mandato da deputada já acabou. Vou, então, anular essa sessão aí de votação que manteve o mandato dela e já determino aqui que o suplente assuma em 48 horas. (Mas, claro, as palavras supremas foram outras, eu só dei uma floreada.)

    Pensa na treta suprema. E agora, Huguito? Huguito sempre costuma dizer que decisão judicial se cumpre. Não cumpriu a primeira. Vai cumprir a segunda?

    E, claro que, com isso, se instala mais uma crise com a Câmara. Esse povo adora um caos. E parece que, no fim das contas, eles fazem isso só para fechar acordos enquanto a gente está aqui olhando o circo pegar fogo.

    Só sei que o Huguito está desagradando até o Arthur Lira, o ex-dono da Câmara frigorífica que ungiu ele como o novo açougueiro. É que ontem Huguito botou o PL da dosimetria para votar e a cassação do mandato de Glauber Braga e Zambelli. Carlita se salvou, mesmo condenada e presa, e Glauber levou só uma suspensão. Foi então que Lira andou dizendo no zap da galera o seguinte, de acordo com o G1:

    “Tem que reorganizar a Casa. Está uma esculhambação.”

    E o Motta rebateu em entrevista dizendo que a Câmara não é lugar de revanchismo.

    Agora vamos ver o que acontece com o PL Antifacção, aprovado por unanimidade ontem no Senado. O texto aprovado se aproxima mais do que o governo Lula propôs do que da colcha de retalhos do Derrite, o ex-secretário de Segurança Pública do Tarcísio.

    Beijo, me liga.
    Lula agora é o ligador oficial da República.
    Agora a novidade é que ele teve uma conversa secretíssima por telefone com Maduro, o ditador da Venezuela. Foi a primeira vez que Lula falou com Maduro neste ano. Eles estavam meio de mal porque o Lula não reconheceu a eleição. Enfim, Lula quer ser negociador da questão com Trump. Te cuida, Joesley.

    Olha o Carluxo aí, SC!!!
    Os catarinenses que se preparem. Carluxo renunciou hoje ao cargo de vereador do município do Rio para mudar para Santa Catarina e ser candidato a senador. Se vai mudar mesmo, não sabemos. Moro falou que tinha se mudado para São Paulo, no fim, não tinha e teve que ir concorrer em Curitiba. Só sei que a música já tá pronta pro Carluxo: Nóis vai descer, vai descer, descer para BC no finalzinho de ano, litoral tem muito trânsito, não dá pra ir.

    Kassab não quer Bolsonaro. E ponto.
    Kassab, um dos maiores caciques do Centrão, dono do PSD, que tem mais prefeituras que formiga em formigueiro, disse que o Flávio não. Não vai dar. Que ele quer o Tarcísio e que, se não der o Tarcísio, vai de Ratinho. E já tem jornalista dizendo que ele está convencido a ir de Ratinho e Zema (o governador de Minas). Mas em 20 minutos tudo pode mudar.

    Eu não me surpreenderia se Kassab daqui a pouco anunciasse que Ratinho vai ser o vice de Lula. Como assim, Tixa?????????????? Seria o novo Alckmin, darling! Pelo que mostram as pesquisas, só falta isso para Lula sair disparado na disputa. Depois, se eu acertar, vocês voltam aqui para me dar os parabéns!

    Veja o Pacheco, que é pupilo de Kassab e também é do PSD. Ele queria ser ministro supremo. O Lula disse que quer que ele seja candidato a governador de Minas. Pacheco saiu dizendo que sairia da vida pública. Hoje o discurso já mudou e Pacheco já veio com a história de “chegarmos a bom termo”. É que o Lula declarou hoje que não desistiu do Pacheco.

    “Eu disse pro Pacheco: ‘Cara, eu tô te pedindo pra você me ajudar a ganhar as eleições para a Presidência da República. Você será governador do segundo estado mais importante do Brasil. Você pode fazer a diferença nesse processo eleitoral.’ Ele relutou, relutou, mas ele pensa que eu desisti. Eu não desisti.”

    Já o Haddad anunciou aposentadoria.
    Brincadeira, darling, ele anunciou em entrevista ao O Globo que é bem provável que deixe de ser ministro da Fazenda para fazer a campanha do Lula, mas que não será candidato.

    Chega, vou tomar banho enquanto ainda tem luz por aqui.

    (TRPCE)

  29. Miguel José Teixeira

    “Crusoé (*): Problema supremo”
    – Caronas em jatinhos, blindagem de ministros e sigilo de investigações enterram a ética no STF. E mais: O plano Jair Livre e Balão de ensaio.
    (Redação O Antagonista, 12/12/25)

    Está lá, na resolução nº 60, de 19 de setembro de 2008, que institui o Código de Ética da Magistratura Nacional, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mais precisamente em seu artigo 17: “É dever do magistrado recusar benefícios ou vantagens de ente público, de empresa privada ou de pessoa física que possam comprometer sua independência funcional”.

    Mas, o que acontece quando esse dispositivo vira letra morta quando se fala de integrantes da Suprema Corte?

    Qual é a mensagem que os principais juízes do país passam quando, do nada, são flagrados tomando carona em jatinhos, ao lado de advogados que militam na Corte onde eles atuam?

    E quando um deles resolve, de uma hora para outra, blindar os colegas na maior cara de pau e sem o menor pudor, antecipando um cenário eleitoral que nem se sabe se acontecerá de fato?

    São questionamentos válidos, ainda mais quando o próprio presidente do STF, ministro Edson Fachin, resolve, do nada, tentar colocar um freio de arrumação na libertinagem de seus colegas ao vislumbrar um código de conduta dos tribunais superiores.

    Pelo jeito, nem o próprio Fachin sabe que existe o tal Código de Ética da Magistratura, instituído pelo órgão que ele preside atualmente, diz Wilson Lima em “Problema supremo”, a reportagem de capa da edição desta semana de Crusoé.

    Outros destaques de Crusoé
    Na matéria “O plano Jair livre” (2), Wilson Lima conta que expectativa da bancada bolsonarista é tomar controle do Congresso para que a anistia “ampla e irrestrita” vire realidade.

    Em “Balão de ensaio” (3), Guilherme Resck diz que o senador Flávio Bolsonaro é presidenciável, mas Planalto, Centrão e mercado duvidam com razão da sua força para superar Lula.

    Na reportagem “Crime e corporativismo” (4), João Pedro Farah mostra como a votação na Alerj que blindou Rodrigo Bacellar reforça autoproteção do Legislativo fluminense e mina combate ao crime organizado.

    Colunistas
    Privilegiando o assinante de O Antagonista+Crusoé, que apoia o jornalismo independente, também reunimos nosso timaço de colunistas.

    Nesta edição, escrevem Dennys Xavier (Os pósteros terão pena de nós) (5), Anne Dias (Erika Hilton: a mulher do ano?) (6), Clarita Maia (O Estado não pode normalizar o terrorismo) (7), Bruno Soller (Agenda social derrota republicanos em Miami) (8), Luiz Gaziri (As pessoas se tornam radicais sem perceber?) (9), Roberto Reis (Vamos abrir o corpo eleitoral de 2026 numa mesa fria) (10), Magno Karl (A semântica da segurança pública) (11), Márcio Coimbra (Os muros invisíveis do protecionismo europeu) (12), Gustavo Nogy (Mainardi não vai para o céu) (13), Josias Teófilo (Música humana e música inumana) (14) e Rodolfo Borges (E o pacto de Abel?) (15).

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/crusoe-problema-supremo/)

    (1) https://crusoe.com.br/noticias/problema-supremo/
    (2) https://crusoe.com.br/noticias/o-plano-jair-livre/
    (3) https://crusoe.com.br/noticias/balao-de-ensaio/
    (4) https://crusoe.com.br/noticias/crime-e-corporativismo/
    (5) https://crusoe.com.br/noticias/os-posteros-terao-pena-de-nos/
    (6) https://crusoe.com.br/noticias/erika-hilton-a-mulher-do-ano/
    (7) https://crusoe.com.br/noticias/o-estado-nao-pode-normalizar-o-terrorismo/
    (8) https://crusoe.com.br/noticias/agenda-social-derrota-republicanos-em-miami/
    (9) https://crusoe.com.br/noticias/as-pessoas-se-tornam-radicais-sem-perceber/
    (10) https://crusoe.com.br/noticias/vamos-abrir-o-corpo-eleitoral-de-2026-numa-mesa-fria/
    (11) https://crusoe.com.br/noticias/a-semantica-da-seguranca-publica/
    (12) https://crusoe.com.br/noticias/os-muros-invisiveis-do-protecionismo-europeu/
    (13) https://crusoe.com.br/noticias/mainardi-nao-vai-para-o-ceu/
    (14) https://crusoe.com.br/noticias/musica-humana-e-musica-inumana/
    (15) https://crusoe.com.br/noticias/e-o-pacto-de-abel/

    (*) https://crusoe.com.br/

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