Esta imagem acima é do perigoso – ontem houve mais um acidente grave lá – e confuso trevo da Parolli, no entroncamento das Avenidas Francisco Mastella, Frei Godofredo e Rio Branco. A cachorrada vadia dos bairros Centro, Santa Terezinha e Sete de Setembro, vira e mexe, está lá à vista de todos, distraindo ou atrapalhando ainda mais o trânsito daquele local. Uma delícia. A imagem é da conta do Instagram, Gaspar Mil Graus. E é da semana passada. Quem a fez, contou onze animais.
É, entre muitos, um retrato atual da cidade e da sua governança.
Nas campanhas eleitorais local, não raro, os políticos estão abraçados a animais desamparados se dizendo amigos, salvadores, protetores deles e prometendo políticas públicas – pois se trata antes de tudo, uma questão de saúde – ampará-los, mesmo diante de outras graves falhas e prioritárias do poder público a favor dos humanos eleitores seus ou não, como no caso de Gaspar a saúde pública, com suas imensas filas para simples atendimento de exames, consultas e cirurgias, isto sem falar no saco sem fundo chamado Hospital de Gaspar que ninguém sabe o que se passa nele juridicamente.
DOIS EXEMPLOS DESPROPOSITADOS

Voltando. A “causa animal” é antes de tudo uma causa. E causa, também. Ela lida com e manipula sentimentos. Lida por outro lado, com a irresponsabilidade humana. É uma expiação das nossas culpas modernas. É uma onda. É uma cortina de fumaça aos votos fáceis e exposição de dramas ao que não se resolve de fato ao necessário e que à vista de todos na cidade. Recentemente, o Paulo Norberto Koerich, PL, por exemplo, apareceu “salvando” um filhote de cachorro abandonado lá no Morro da Fumaça e prometendo o “peso da lei” ao malvado que o abandonou. Tudo apropriado e oportunista. Nada de concreto.
E por quê? Enquanto isso, seus marqueteiros corriam para se explicarem o que não pode ser entendido por ser incoerente e contravertido ao mesmo tempo ao “gesto salvador”.
É que nas dependências da secretaria de Obras e Serviços Urbanos aqui no Centro e perto do gabinete do prefeito, cachorros de rua “adotados” – o que mostra o real tamanho de um problema antigo da cidade – naquela repartição, estavam infestados de pulgas. Os servidores piedosos e se coçando pelas picadas dos sifonápteros sugadores de sangue, mesmo havendo na prefeitura a tal Diretoria da Causa Animal, foram atrás de “doadores” de repelentes para o controle mínimo dos parasitas que injuriavam não só os cães da secretaria, mas os trabalhadores e passantes de lá, com risco de transmissão de doenças. Meu Deus!
Este problema, o da falta de atuação e de uma política pública de simples mitigação – e conscientização – é tão grave em Gaspar, quanto à falta de coleta e tratamento de esgoto, o improviso na Saúde, as dúvidas sobre compras de terrenos desnecessários numa prefeitura que alega não ter caixa, licitação depois do transformador efetivamente instalado, à falta de um Plano Diretor atualizado, o abastecimento de água que ameaça entrar em colapso etecétera e tal.
É um retrato. Ora, se em algo aparentemente tão simples se falha e não se corrige, imagina-se nos complexos deixados no legado de desleixos os quais exigem imediata ação corretiva, diferente quebrando velhos vícios ou inovadora.
A TEORIA É UMA COISA. A PRÁTICA, OUTRA BEM DIFERENTE
Gaspar, no papel, possui uma Diretoria de Bem-Estar Animal. Ela no próprio site da prefeitura diz ser “responsável por coordenar e implementar políticas públicas que promovem o cuidado com os animais. Suas atividades incluem ações educativas e eventos de conscientização sobre a importância do bem-estar animal, além de gerenciar recursos para a área e garantir o cumprimento da legislação vigente“. Então, em tese estamos bem servidos. Não há como e razões para preocupação.
Mais. Esta diretoria é ocupada por alguém que é do ramo, ao menos sempre se apresentou com uma ativista desta causa: Bruna Bueno Moter Pereira. Ela é a segunda suplente na Câmara, do União Brasil, com os 305 votos obtidos nas urnas do ano passado. Bingo. Então, mais uma vez, ninguém deveria se preocupar. Estamos a salvo e por gente do ramo.
Todavia, a par da foto que abre este artigo e que é o retrato da causa animal em Gaspar nos dias de hoje – pois o que se passa nos bairros é pior do que o retrato do Centro -, dos discursos e propaganda dos governantes de plantão, no fundo, a realidade que se escamoteia é bem outra.
E quem desnudou dura e claramente isto, mais uma vez, foi o vereador Giovano Borges, PSD, em suas redes sociais. Eu reposto abaixo, sem cortes, para a avaliação dos meus não leitores e leitoras, pois segundo os poderosos de plantão de hoje como os de ontem, ninguém me lê, a não ser eu mesmo. Registro, apenas para provar, mais uma vez, de que Gaspar neste assunto nada mudou, porque quem move a administração pública de plantão, são os mesmos de décadas. Eles hipnotizaram e tomaram novamente o poder de plantão, que em campanha, jurava que lideraria esta mudança, com os 52,98% dos votos válidos nas urnas de outubro do ano passado.
O CORAÇÃO BOM QUE CONSPIRA CONTRA A SOLUÇÃO
Falha o Ministério Público. E a esta falha, mais uma vez, alimenta-se à incúria do poder público que vive de cobranças e vigilância contínuas. De um lado, os representantes do poder público, por seus eleitos e obrigados à solução fazem propaganda falsa nas redes sociais como “salvadores” dos bichanos. De outro, lavam às mãos naquilo que são obrigações governamentais, daquilo que estão em falta na promessa que fizeram em campanha eleitoral. E se isso fosse pouco, ainda dobram as apostas na propaganda falsa.
Se o poder público finge não é da sua obrigação, sempre aparece uma alma boa para salvá-lo, direta ou indiretamente.
E é aí está que se mantém, se alimenta problema de verdade. Mais do que isso, não se cria a óbvia solução para a cidade, cidadãos e cidadãs.
Um veterinário da cidade, atendendo ao apelo desesperador de uma vítima sem voz no poder público, mas na voz do vereador Giovano que ao final posou de herói, gratuitamente, deu calmantes às feras enjauladas e acorrentadas. Já outro, também, gratuitamente, castrou os bichanos sem fazer as tais correntes de Pix para cobrir os custos e que virou febre, ou negócios para alguns. Noves fora, o problema continuou, mas de alguma forma menos feroz para o tutor e perigoso para a comunidade.
E assim, diante de corações bons e gestos de cidadania de profissionais, a causa animal em Gaspar continuará sendo uma peça política, publicitária e de promoção para alguns em Gaspar, e não uma política de governo para dar responsabilidade aos irresponsáveis que o ex-delegado diz que os maus tutores “sentirão o peso da lei”. Mas, não só eles. Os gestores públicos em falta com esta resposta para a sociedade, também deveriam sentir o peso da lei e serem proibidos de usaram este discurso na próxima campanha eleitoral.
Por enquanto, a causa animal em Gaspar, depende de almas bondosas. Elas, apesar do gesto nobre que se fez neste e outros casos vem contribuindo há tempos para se chegar até aqui sem causa alguma. Estes gestos só ampliam o problema e não fez os mandatários, até o momento, se estabelecer nas responsabilidades deles e sentir o tal “peso da lei” com as suas promessas vãs e obrigações de governantes a que estão obrigados. Muda, Gaspar!
TRAPICHE

Proporcionalmente, Gaspar possui uma das maiores (e não é de hoje) e organizadas comunidades pretas do Vale Europeu. A Câmara fez uma sessão solene em alusão do Dia da Consciência Negra e homenageou 23 pessoas pretas por serem destaque em 2025 em Gaspar. O presidente da Câmara, Alexsandro Burnier, PL, esteve ausente. Paulo Norberto Koerich, PL, presente.
Entre tantos homenageados, estava um dos servidores públicos municipais mais presentes às sessões da Câmara de Gaspar, Luiz Carlos Rodrigues dos Santos, foto ao lado. Impressionante. E isso, ele faz quase que religiosa e pontualmente há anos. Não sai cedo com muitos dos vereadores eleitos para ficarem lá na única sessão de menos de duas horas por semana. Talvez este nome soe estanho, mas Luiz Carlos é conhecido como Pixe, o que poderia dar uma conotação racista. Para ele, é uma marca.
O alegre Luiz Carlos Rodrigues dos Santos, o Pixe, já teve filiação partidária e já foi vereador: em Clevelândia, no interior do Paraná. Decepcionou-se com a política de lá. Veio para Gaspar. Fez concurso e é funcionário público. Mas, a política e a Câmara, nunca sairam dele. Tanto, que as terças à noite, mesmo não tendo nada a ver com a Câmara, a não ser como cidadão que mora e vota há muitos anos em Gaspar, ele está lá, faça frio, calor ou tempestade, batendo o ponto.
É uma pessoa de lida fácil, discreto, é dado à assertivas “previsões”. Engano de quem pensa serem elas “previsões”. Pixe apenas é um bom observador do previsível cenário político gasparense. Antenado e escolado neste ambiente, com boas relações e informações que possui dos bastidores, apenas palpita. Da lição de vereador lá em Clevelândia, Pixe aprendeu a ficar “neutro” e ser respeitado.
Quer ver como a cidade está ruim naquilo que é mínimo? Estamos há um mês da Câmara fechar este ano. Além das diárias, mais um recorde já foi batido de há muito. Estamos como 1.731 indicações apresentadas pelos 13 vereadores. Nesta época no ano passado, eleitoral, todos querendo mostrar serviço, estavam em 1.015 indicações. Um recorde também. Foram ao total 1.047 em 2024 contra 865 em 2023. Um gestor atento, sabe que a soma de pequenos problemas não resolvidos se tornam um grande de imagem. Aqui, tenta-se contrariar esta velha e imutável lógica.
Os leitores e leitoras sabem o que contém em 95% destas indicações feitas pelos vereadores? Coisa banais, da manutenção simples da cidade. Exemplo? Nas três últimas indicações que estavam ontem no site da Câmara, uma quer o “reparo da infiltração na calçada perto do úmero 495 da Rua Dom Daniel Hostins, na Coloninha“; a outra era para “providenciar a limpeza da boca de lobo da Rua Aurora na altura do número 22“; e a terceira pedia a “colocação de grelha na boca de lobo, na altura do número da Rua Ernesto Censi, Barracão“. Beira à falta de iniciativa, planejamento e prioridades para os resultados a favor da cidade, das pessoas e principalmente a imagem do governo que se diz especialista em gestão.
Bateção de cabeças. Em outubro, a Câmara aprovou as férias coletivas de 22 de dezembro deste ano a 11 de janeiro do ano que vem para os funcionários públicos de Gaspar. Ela virou lei no dia 31 de outubro. Quinze dias depois o que bateu na Câmara? A modificação da recente promulgada lei e de algo rotineiro no ambiente administrativo interno.
A lei excluiu a secretaria da Educação, que se alegou teria orientação própria. Agora, os burocratas em fazer leis na prefeitura de Gaspar descobriram que a secretaria da Educação não é só feita de professores e de gente que dá suporte em sala de aulas, mas também de administrativos tão igualzinhos a outros setores da prefeitura. É uma atrás da outra nesta área legislativa. E isto não é exceção. É só acompanhar o vai-e-vem das correções frequentes da prefeitura que aportam na Câmara para aclarar e modificar os seus próprios Projetos de Lei.
Impasse para a substituição do ex-secretário de de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda de Gaspar, empresário Nelson Mário Küstner que foi mal orientado na secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa e Chefia de Gabinete numa licitação, mas está pagando a conta sozinho. As entidades estão indicando Eduardo Pedrini para substituí-lo.
No paço municipal este nome visto como ligado ao ex-vice prefeito e candidato a prefeito derrotado nas eleições do ano passado, Marcelo de Souza Brick, PP, oriundo do PSD e de laços com o vereador opositor Giovano Borges, PSD. Cada vez mais o atual governo tem a cara do que foi derrotado.
O Samae de Gaspar acaba de licitar R$1,5 milhão de asfalto para a operação de tapa buracos dos seus serviços. Haja buracos. O pacote inclui o recorte e pintura das áreas afetadas.
A comunicação de Gaspar inaugurou mais um avanço estratégico nos vídeos para as redes sociais oficiais. O prefeito fala daquilo que não conhece, sem ânimo e os entendidos, com melhor comunicação do que ele, ficam de adorno dele. Credo. Quem mesmo orienta esta gente?
A maior tragédia ambiental severa – além das enchentes, é claro – que Gaspar e Ilhota conheceram com dezenas de vítimas completaram na semana passada 17 anos. Ela já está no providencial esquecimento no trauma, mortes, danos, mas principalmente, quanto avisos e ameaças da revoltada e furiosa natureza para as vulnerabilidade dos solos constatada na época.
É que muitos políticos, gestores públicos, proprietários e investidores – contrariando técnicos e ambientalistas – torcem para este esquecimento coletivo seja prevalente à prudência. Aos poucos trabalha-se por leis – e novos Plano Diretores -, para liberar o que estava interditado para a ocupação das pessoas. Aprendizado e dor zeros.
A cara – na estruturação técnica e na implementação – Reforma Administrativa do atual governo de Paulo Norberto Koerich, PL e Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, nem chegou a Câmara. Só virá ao apagar das luzes dos trabalhos legislativos para evitar debates e desgastes político e popular para o trâmite à jato, igualzinho como se fez no passado.
Se ela não chegou à Câmara, nos corredores da prefeitura, já se fala abertamente nas danças das cadeiras e não exatamente nas entregas das prioridades. Ano novo, caras novas para atender não exatamente à melhoria da gestão e da prestação de serviços à comunidade, mas os ajeitamentos de campanha vindos de Jorginho Melo, PL, e do ex-prefeito de Blumenau, secretário de Proteção e Defesa Civil, Mário Hildebrandt, PL.
Quer dizer que Gaspar que não consegue conscientizar a si próprio e a população sobre os cães de ruas sob o seu alcance, agora, vai conscientizar os gasparenses sobre o mal das apostas e jogos on line e do qual não possui nem dinheiro e domínio para tal? Pulga só mesmo em cachorros magros. E agora, em cachorros gordo. Credo!
Cena gasparense. O advogado especialista na área eleitoral, João Pedro Sansão (à esquerda, na foto abaixo) foi um dos observadores internacionais no primeiro turno das eleições chilenas. Após, ele manteve na embaixada brasileira no Chile, contato com o embaixador Paulo Roberto Soares Pacheco. Na oportunidade, deixou ao Instituto Guimarães Rosa, responsável por fomentar a língua portuguesa e a cultura brasileira no Chile, um livro sobre a história de Gaspar, autografado por Paulo Norberto Koerich. O instituto mantém a biblioteca Cecília Meireles, onde o livro será catalogado para disponibilização.

11 comentários em “QUANDO A CAUSA ANIMAL É UM PRETEXTO POLÍTICO DE SE DAR BEM NUMA ONDA, QUEM PERDE DE VERDADE É A SOCIEDADE NA SOLUÇÃO DAS SUAS PRÓPRIAS MAZELAS E IRRESPONSABILIDADE DOS GESTORES”
AGORA É FLÁVIO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Jair Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica. Ato individual objetivo. E admitido. Meteu-lhe um ferro quente. Descumprimento de medida cautelar. Razão para que a prisão preventiva fosse decretada. A razão. A única incontroversa. Razão que é marginal na decisão de Alexandre de Moraes, merecedora de parágrafo en passant, inserido improvisadamente na sequência de um “além disso”, à décima-quarta página de um documento com dezessete. A referência à fuga do deputado Ramagem – como exemplo do “perigo da liberdade” – leva mais atenção.
O ex-presidente seria preso preventivamente no sábado ainda que com o aparelho intacto, prisão que tem como centro a convocação de vigília pelo senador Flávio Bolsonaro; e que se dá nos termos do 8 de Janeiro permanente, o fundamento mantenedor – a ameaça golpista constante – dos inquéritos xandônicos. Prisão, de Jair, que tem como agente o filho Flávio, “the next”, cujo chamamento ao “Senhor do Exércitos” para salvar o Brasil de “ladrões, bandidos e ditadores” – ação-discurso de um terceiro – materializou o descumprimento de cautelar pelo pai.
A tese – da PF ou de Xandão, sendo já difícil distinguir os delegados: a vigília poderia ter “grande dimensão” e ocorrer “por muitos dias”, ademais “nas imediações da residência” de Bolsonaro, “de forma semelhante às manifestações estimuladas” às portas dos quartéis. Evento – do lado de fora do condomínio, a quase quilômetro da casa – com o “condão de gerar um grave dano à ordem pública” e inviabilizar o cumprimento de medidas em decorrência do trânsito em julgado (que se aproxima) da ação penal em que o ex-presidente foi condenado.
Moraes considerou a “vigília”, entre aspas, como um disfarce – para que os apoiadores de Bolsonaro, cuja residência era permanentemente vigiada por policiais, obstruíssem “a fiscalização das cautelares e da própria prisão domiciliar”. Seria a repetição da prática da “organização criminosa liderada” por Jair: a instrumentalização de “manifestações populares criminosas” – conceito em que tudo caberá – em prol de vantagens pessoais.
A vigília, um tumulto forjado, representaria risco à ordem pública e à efetividade da lei penal – e criaria as condições, um “ambiente propício”, para tentativa de fuga a uma embaixada ou ao exterior. De acordo com Moraes, mesmo com a condenação pela tentativa de golpe, a organização criminosa “articulou” a evasão de Alexandre Ramagem e intencionaria “reviver os acampamentos ilegais que geraram o deplorável dia 8/1/2023”.
Xandão atualizou a sua agenda-foco sobre os zeros de Bolsonaro: primeiro, desde os EUA, Eduardo “articula criminosamente e de maneira traiçoeira contra próprio País”; e agora Flávio, “insultando a Justiça de seu país, pretende reeditar acampamentos golpistas e causar caos social no Brasil”. A fila anda. Já andou. •
A NOVA POLÍTICA MONROE E O PT, por Rubens Barbosa, no jornal O Estado S.Paulo
O ministro da Guerra dos EUA chamou as Américas de “quintal dos EUA” e o presidente Trump disse que “os países da região terão de optar entre os EUA e a China”.
No início de seu mandato, o presidente dos EUA ameaçou ocupar o Canal do Panamá e renomeou o Golfo do México como Golfo da América. Nos últimos meses, medidas de força e de favorecimento, como o apoio a Javier Milei, na Argentina, têm indicado o crescente interesse de Washington sobre a região. Na semana passada, três medidas confirmaram a mudança da política e da estratégia dos EUA em relação às Américas.
O anúncio de novas rebaixas tarifárias sobre produtos agrícolas e pecuários, sem produção ou com pequena produção local, para reduzir os custos no mercado norte-americano – foram isentos das tarifas recíprocas (10%), mas continuaram a ser cobradas outras tarifas que incidem sobre esses produtos. Ao mesmo tempo, foi anunciada a conclusão de acordos comerciais com a Argentina, Equador, Guatemala e El Salvador. A recente redução dos 40% de tarifas para 238 produtos brasileiros elimina parcialmente a discriminação contra o Brasil, mas não afasta a necessidade de negociar os que ainda estão submetidos àquelas altas tarifas. No caso da Argentina, foi negociado um amplo acordo de comércio e investimentos, que, em uma primeira análise, não se choca com as regras do Mercosul.
No recente encontro com Marco Rubio, Mauro Vieira entregou uma nova proposta para dar início às negociações comerciais. Segundo informado, Vieira esperava a marcação de data para os encontros técnicos para o início da semana passada, o que não aconteceu. As últimas medidas anunciadas por Trump foram determinadas por interesse direto norte-americano, sem negociação bilateral. Lula insiste em negociar a agenda comercial das big techs e política (Lei Magnitsky). A prisão de Bolsonaro, criticada pela embaixada dos EUA, poderá ter impacto nas negociações sobre a retirada das sanções.
O governo norte-americano anunciou que, em breve, dará início à operação “Lança do Sul”, grande ação militar para combater o narcoterrorismo. O presidente Trump mencionou publicamente que já tinha tomado a decisão sobre o que fazer em relação à Venezuela. O governo norte-americano tem duas opções, tendo em vista a grande mobilização naval e de soldados no Caribe: atacar com mísseis alguns alvos militares ou de narcotraficantes em território venezuelano e colombiano ou executar uma operação de comando para derrubar e sequestrar o presidente Maduro, para o que teriam de contar com a divisão das Forças Armadas venezuelanas e o apoio de parte delas para chegar a Maduro. Além disso, para combater os narcoterroristas, o presidente norte-americano declarou não descartar atacar o México.
A política externa de Washington para a região reflete as mudanças que estão ocorrendo no mundo e a perspectiva da criação de áreas de influência entre os EUA, a China e a Rússia. Representa um reconhecimento de que o domínio da região fortalece a posição global dos EUA e oferece benefícios como acesso a recursos naturais, posições estratégicas de segurança e um mercado de 300 milhões de pessoas, além de buscar conter a crescente presença da China. Ficaram para trás o benign neglect e a retórica da defesa da democracia e do livre comércio.
A mudança de foco da política externa pode ser atribuída, em larga medida, à crescente influência de Marco Rubio com ação ideológica de direita do Departamento de Estado contra os governos de esquerda na região. Em vista do apoio ostensivo de Washington, cresce o número de países governados pela direita na América do Sul: Argentina, Paraguai, Equador, Bolívia e Chile. Os governos de esquerda estão sendo pressionados ou sancionados por Trump, como Venezuela, Colômbia e Brasil.
Essa nova atitude de Washington para com as Américas cria grandes desafios para a política externa do PT. Ao longo dos 20 anos em que o partido ocupou o poder no Brasil, os sucessivos governos de Lula e Dilma sempre manifestaram um forte viés antiamericano, defendendo que a maior potência global estava em declínio. A busca de aproximação com o que chamam de Sul Global e com a China caracterizou todo o período de governo petista. A resistência em estabelecer um canal direto com a Casa Branca nos primeiros dez meses de governo republicano em Washington é o exemplo mais recente da atitude em relação aos EUA, apesar dos prejuízos para as empresas nacionais, do agro e da indústria pela imposição das tarifas mais altas do mundo impostas ao País.
A política em relação ao Brasil não mudou. A demora na marcação do início das negociações comerciais pode ser um sinal do que virá pela frente.
Até o final do governo Lula em 2026, o Brasil estará pressionado por Washington, por sua dependência da China, pela presença no Brics e pela resistência à intervenção norte-americana em assuntos internos brasileiros. Isolado na América do Sul, é possível prever que, por muitas vezes, ocorrerão contradições entre a ideologia do PT e os interesses nacionais.
Definidos os interesses brasileiros na nova conformação global, o Brasil deveria manter uma posição de equidistância, acima de ideologia ou partidarismo, sem alinhamento com qualquer país ou grupo de países.
Caro Herculano
Considerando que o atual governo venceu com discurso de perfeição e máximo grau de perfeição e puritanismo…
Vão expurgar alguém do governo para manter o discurso mesmo após começar ser exposto nu na negociata do terreno da escola integral?
Quem vai ter a cabeça exposta?
Se prevalecer o que aconteceu com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, Nelson Mário Küstner, vai sobrar para quem o mecanismo e o sistema levou a erro e o quer longe para os mesmos de décadas nadarem de braçadas. Com a palavra a Ana Karina Schramm Matuchescki Cunha (que acumula a secretaria do que teve que bater em retirada para salvar os que armaram contra ele), Pedro Bornhausen e Júlio Augusto de Souza Filho
A compra do terreno da Olymalhas, sem objetivo e jurando que não há dinheiro em caixa, para a manobra dos que sempre manobraram, é o pior retrato disso tudo
Ela sabia muito bem apontar os dedos quando vereadora, mas agora virou telhado e de vidro, por não fazer parte da turma dos indicados pelo JP Kleinubing, o Mário Hildelbrand e o ex-todo poderoso do Kleber, seu primeiro secretário da fazenda.
Daqui a pouco vem mais alguém de Blumenau assumir a educação, tudo pra fazer campanha para a dupla de ex-prefeitos de lá no ano que vem.
Herculano Domicio
Venho colaborar com a sua Coluna
Sou Médico Veterinário há 35 anos. Trabalho como Clínico Geral de Pequenos e Grandes Animais, mas não posso deixar passar esta oportunidade de colocar minha posição.
Referente a questão de abandono e maus tratos de Animais, a Cidade de Gaspar precisa urgentemente reestruturar a Diretoria do Bem-Estar Animal, quer seja com Profissionais, quer seja com dotações orçamentárias, quer ser com a realização de convênios com ONGs e bem como, a contratação de Clínicas Veterinárias. Pois não podemos nós Profissionais Médicos Veterinários, estarmos sempre tendo que fazer voluntariado. Chegamos num ponto que vai ficar difícil, esta situação.
Política Pública para resolver a questão do Bem-Estar Animal, caso contrário teremos um grande problema social. Assim o Poder Executivo, Poder Legislativo, Poder Judiciário e o Ministério Público precisam se unir, definir metas, responsabilidades, recursos necessários. Senão continuamos e continuaremos enxugando gelo.
Porque responder de que não dá e não pode, já não cola mais. Mãos à obra, ainda mais que no próximo ano de 2026, o orçamento foi idealizado pelo atual Governo.
Adilson Luis Schmitt
Médico Veterinário
Acredito que o Eduardo Pedrini tenha ligação mais forte com o MDB, pois foi candidato a vereador em 2020.
Então. O que mudou do que não daquilo que a décadas não dá certo?
CASO MASTER DEIXA LIÇÕES, por Carlos Alberto Sardenberger, no jornal O Globo
Está no documento da Polícia Federal que levou à liquidação do Banco Master: as letras financeiras (LFs) dessa instituição “não eram atrativas a investidores privados”. O Master oferecia aos compradores dessas letras uma rentabilidade de encher os olhos: 130% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). E qualquer pessoa mais ou menos informada sobre o mercado financeiro sabe como é difícil bater o CDI. Por que então esse tipo de papel era rejeitado por investidores privados? Três motivos: o prazo excessivo, dez anos; a falta de credibilidade do emissor; e a falta de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Fazia anos que, no mercado financeiro, se sabia da insustentabilidade das operações do Master. Havia pelo menos um caso exemplar, tornado público pela colunista Malu Gaspar, em seu blog no GLOBO, em 12/7/24. O blog contava que a Caixa havia desistido de aplicar R$ 500 milhões em letras financeiras do Master. Dizia:
— Em parecer sigiloso de 19 páginas obtido pela equipe da coluna, a área de renda fixa da Caixa Asset, o braço de gestão de ativos do banco estatal, desaconselhou enfaticamente a operação, considerada “atípica” e “arriscada”.
A Caixa, seu dono — o governo federal — e os clientes se livraram de um mau negócio, mas os técnicos que desaconselharam a operação pagaram um preço: perderam seus cargos, segundo informava Malu Gaspar. A direção da Caixa, controlada pelo Centrão, pretendia mesmo comprar as tais letras. É o que se deduz do afastamento dos gerentes que condenaram a operação. De todo modo, fica aí demonstrado que as LFs do Master não deveriam ser “atrativas” nem para o investidor público.
Entretanto, entre 2023 e 2024, o Master conseguiu colocar LFs no valor de R$ 2,3 bilhões. Desse total, três fundos previdenciários estaduais e 15 municipais compraram R$ 1,87 bilhão, ou 81% do total. O Rioprevidência, fundo de 230 mil servidores civis e militares, foi o maior comprador: R$ 970 milhões, ou 42% dessa carteira do Master.
O segundo nessa lista é o Amapá Previdência (Amprev), que alocou R$ 400 milhões. Esse fundo, como quase tudo no Amapá, está sob o guarda-chuva do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Houve protestos de conselheiros do Amprev, ignorados pelo presidente do fundo, Jocildo Lemos, indicado por Alcolumbre.
A direção do BRB, o banco estatal do governo do Distrito Federal, sabia de tudo quando se meteu em negócios com o Master. Operações sobre as quais a Polícia Federal aponta suspeitas de fraudes estimadas em espantosos R$ 12,2 bilhões.
Como investimentos rejeitados pelo investidor privado tornaram-se tão atraentes para o investidor público? É porque, nesse caso, trata-se de outro tipo de negócio, com outro tipo de rendimento, em benefício de políticos. Negócio sem risco — pelo menos até o momento em que aparece a Polícia Federal. Está aí, aliás, o motivo que leva muitos parlamentares a tentar reduzir a capacidade de ação dessa PF, que tem estado muito ocupada.
Parte do setor privado também não sai sem manchas dessa história do Master. Plataformas de investimentos distribuíram durante anos os CDBs do Master, anunciando os fabulosos rendimentos de até 140% do CDI. Não corriam risco algum. Essas plataformas não adquiriam os papéis, apenas faziam a corretagem, pela qual ganhavam gordas comissões.
Esses CDBs até o valor de R$ 250 mil serão resgatados pelo Fundo Garantidor de Créditos, formado basicamente com dinheiro dos maiores bancos. O cliente final desse produto não perderá, mas fica a mancha para parte do mercado — oferecer papéis podres, jogando o risco para o FGC. Esse FGC não foi criado para facilitar lucros com papéis podres, mas para garantir a estabilidade do setor financeiro.
A principal lição do episódio está aqui: empresas e instituições financeiras públicas são geridas conforme múltiplos interesses políticos, muito distantes do interesse público. Não é de hoje, mas parece que agora perderam qualquer pudor. E medo. Pegaram até dinheiro dos aposentados do INSS.
PSEUDOCIÊNCIA COMO NEGÓCIO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O Estadão trouxe a público uma informação estarrecedora: alguns dos médicos mais estridentes na cruzada antivacina contra a covid no País agora lucram com cursos, consultas e tratamentos voltados a uma tal de “spikeopatia”– uma síndrome inventada. Passados quase três anos desde o fim da pandemia, esse comportamento expõe a persistência de um padrão leviano. Profissionais que colocaram em risco a saúde pública durante a maior tragédia sanitária em mais de um século seguem espalhando desinformação, mas agora como negócio.
O imunologista Roberto Zeballos, o infectologista Francisco Cardoso e o neurologista Paulo Porto de Melo são os grandes propagadores da novidade pseudocientífica. Nas redes sociais, onde somam mais de 1,6 milhão de seguidores, eles defendem a existência de uma intoxicação que seria causada por vacinas de RNA mensageiro, com sintomas semelhantes aos da covid longa – esta, sim, reconhecida pela ciência. Mas a suposta “síndrome pós-spike”, o outro nome que deram para a criação, não resistiu ao rigor do método científico: na literatura especializada, nada há que corrobore os “achados” dos médicos, menos ainda sua relação com os imunizantes que foram decisivos para conter o avanço do coronavírus.
Um estudo publicado pelos três médicos na revista IDCases, e posteriormente retratado pela Editora Elsevier, deixou isso claro. Ao retirar o artigo de circulação, a editora reconheceu que, de fato, não havia evidências empíricas que sustentassem qualquer relação entre a “síndrome pós-spike” e as vacinas mRNA. O texto, baseado em cinco relatos de caso, não passava de mera especulação travestida de achado clínico para lustrar a venda de cursos, consultas e tratamentos por seus autores.
Apesar da fragilidade do tal estudo, Zeballos, Cardoso e Porto de Melo trataram de monetizá-lo. Cursos oferecidos pelos três chegam a custar R$ 685, e consultas particulares ultrapassam R$ 3,2 mil. Trata-se de uma reedição da lógica que marcou a atuação destes mesmos médicos ao longo da pandemia: difundir teses infundadas, gerar pânico e vender placebos. Não faltam exemplos. Os médicos citados colecionam dezenas de publicações corrigidas pelo Estadão Verifica e pelo Comprova contendo informações falsas ou distorcidas sobre covid, vacinação e medidas de prevenção contra a doença.
Se a conduta dos doutores é moralmente reprovável por si só, quiçá criminosa, torna-se ainda mais grave por afrontar o Código de Ética Médica de forma tão desabrida. O artigo 113 do código é inequívoco ao proibir a divulgação, fora da esfera científica, de terapias sem reconhecimento por órgão competente. Contudo, isso não impediu que os médicos recorressem às redes sociais, sobretudo o Instagram, para promover um tratamento fajuto para uma síndrome que não existe no mundo dos fatos, ou seja, no mundo da ciência.
Diante desse descalabro, uma pergunta se impõe: onde estão o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e o Conselho Federal de Medicina (CFM)? O papel dessas instituições é zelar pela integridade da prática médica no Estado e no País, além de proteger a sociedade de condutas que atentem contra a boa técnica e a saúde pública. No entanto, a leniência parece ser a regra. Durante a pandemia, a omissão dessas guildas diante do desserviço prestado por médicos alinhados politicamente ao governo de Jair Bolsonaro, um notório negacionista, abriu espaço para a proliferação de “protocolos” sem base científica, desde o “kit covid” até a difusão de falsos riscos associados às vacinas. É ocioso relembrar aqui todas as sandices veiculadas naqueles tempos perturbadores.
A tolerância com condutas que distorcem os fatos, geram pânico e exploram financeiramente a angústia da população corrói a credibilidade da Medicina. É imperativo que o Cremesp e o CFM cumpram seu papel de repreender a conduta desses médicos. A sociedade já pagou caro demais pela desinformação durante a pandemia e não pode continuar sendo vítima de quem insiste em fazer do charlatanismo sua mercadoria. Nesse contexto, o silêncio corporativista das conselhos profissionais não é apenas constrangedor, é inaceitável.
MASTER É UM BANCO POLÍTICO, por Demétrio Magnoli, no jornal O Globo
Tudo o que ronda o escândalo do Banco Master é estranho, do ponto de vista dos analistas econômicos. Nada no caso, porém, provoca genuína estranheza entre os analistas políticos.
A operação de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) foi anunciada em março, mas apenas em setembro barrada unanimemente pelo BC. Há tempos, o radar detectava objetos estranhos no céu. O banco de Daniel Vorcaro cresceu, ao longo dos últimos anos, oferecendo CDBs com taxas de juros muito superiores às dos concorrentes.
— O Master vinha apresentando problemas desde o ano passado, pois tinha ativos incertos e passivos certos. O BC realmente dormiu no ponto e só acordou agora — registra o ex-diretor do BC Carlos Eduardo de Freitas.
Por que a demora, diante da pilha de evidências do esquema de alavancagem radical?
“É a economia, estúpido!”, ensinava James Carville, estrategista de Bill Clinton em 1992, para concentrar o foco dos operadores da campanha presidencial. No caso Master, a advertência certa aponta rumo diferente: é a política, estúpido! A pirâmide financeira ergueu-se sobre as ramificadas conexões de Vorcaro nas elites política, empresarial e jurídica.
A lista de investidores públicos no Master deveria ser interpretada pela PF como um “mapa do caminho”. Institutos previdenciários de estados e municípios aplicaram quase R$ 2 bilhões no banco alavancado. Quatro prefeituras colocaram ali mais de 10% de seus fundos totais. O governo estadual do RJ aplicou 10,5%.
Sabia-se o que se fazia. O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro apontou “risco de investimento” no aporte de R$ 970 milhões do Rioprevidência no Master. A conta do prejuízo segue, agora, para os contribuintes. A investigação — haverá? — precisa separar os gestores corruptos dos meramente incompetentes.
Os deputados do Distrito Federal aprovaram lei autorizando a compra da caixa-forte de ativos podres do Master pelo BRB. O governador Ibaneis Rocha (MDB) sancionou-a em tempo recorde. O Conselho Administrativo de Direito Econômico (Cade) avalizou aquilo que singelamente descreveu como “operação simples”.
— Nós, como acionistas majoritários de um banco público, passamos a ter mais dividendos para investir nas obras necessárias para a cidade — declarou o sábio governador na ocasião, proclamando “um dia de festa” para celebrar sua decisão.
Vorcaro tinha motivos para promover uma “festa” privada bem mais extensa. Na operação, ficaria com 36% do BRB, além da presidência de um projetado “BRB Participações”, estrutura autônoma paralela ao banco público, destinada a captar recursos para investir em empresas privadas. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), “parça” político de Ibaneis, padrinho da indicação do presidente do Cade, construiu as pontes entre o governador e o banqueiro.
O Master vendia seus CDBs alardeando a segurança proporcionada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Coincidentemente, Ciro Nogueira chegou a apresentar, em 2024, projeto de elevação do teto de garantia do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Dois gerentes da Caixa foram destituídos em julho após barrarem a compra de R$ 500 milhões de ativos fedorentos do banco de Vorcaro. A PF já tem bússola e GPS. Seguirá o rastro dos “negócios do Brasil”?
O Falcon 7X, jatinho de R$ 200 milhões, não era o bem mais valioso no patrimônio de Vorcaro. O lugar de honra cabe a um item nada original de uma “cartilha de princípios” que ele citava em palestras: escolher criteriosamente as pessoas “com quem se conectar nessa jornada”.
O Brasil é um país de portas giratórias. O banqueiro patrocinava, oficial ou informalmente, eventos dos grupos de lobby Esfera Brasil, Lide e Voto, que reúnem empresários e políticos, além do IDP, fundado por Gilmar Mendes e pelo PGR Paulo Gonet. Os convescotes em Paris (2023), Roma e Londres (2024) contaram com as presenças ilustríssimas dos ministros Gilmar, Toffoli, Barroso e Moraes, do STF, além de Lewandowski (Justiça) e Gonet. Gente fina é outra coisa.
CPI do Banco Master? Esqueça. No Congresso, ninguém solta a mão de ninguém.