COP 30 mostra a hora de agir. Só belas declarações não bastam, por Cláudio Oliveira, no jornal Folha de S. Paulo. Ele retratou, no traço sutil e inteligente como poucos são capazes, que do jeitinho brasileiro e que não cola mais em lugar nenhum do mundo, passamos a ser enroladores e dissimulados, com mania de grandeza em tudo, mas latindo que nem vira-latas quando alguém, mundo afora, aponta os nossos defeitos, os quais juramos nunca tê-los.
- By Herculano
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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCIX
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67 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCIX”
“Governo vive mau momento no Congresso com atrito na Câmara e no Senado”
– Indicação de Messias para o STF azedou relação de Lula com Alcolumbre; Motta criticou Planalto por desgastar imagem na Casa com PL Antifacção.
(Eduarda Teixeira, Poder360, 25/11/25)
A lua de mel entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-Brasil-AP), parece ter chegado ao fim, num momento já difícil para o Planalto dentro da Câmara. A indicação do ministro da AGU (Advocacia-geral da União) Jorge Messias para o lugar deixado por Roberto Barroso no STF (Supremo Tribunal Federal) abriu um racha na relação entre os 2.
Alcolumbre ficou irritado por não ter sido consultado por Lula antes do anúncio da decisão. O chefe da Casa Alta queria emplacar o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O amapaense considera que prestou muitos serviços ao petista e, por isso, teria direito de impor o nome de Pacheco para a vaga no STF.
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+em: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/governo-vive-mau-momento-no-congresso-com-atrito-na-camara-e-no-senado/
“Governo irá ao STF se aposentadoria para agentes de saúde avançar”
– O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, também indicou haver espaço para veto do presidente Lula à proposta; impacto é de R$ 24,72 bilhões em 10 anos, segundo dados da Previdência…
(Houldine Nascimento, Poder360, 25/11/25)
O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta 2ª feira (24.nov.2025) haver espaço para que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vá ao STF (Supremo Tribunal Federal) se avançar o projeto de lei complementar 185 de 2024, que regulamenta a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. O projeto foi pautado pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e deve ir ao plenário do Senado na 3ª feira (25.nov).
“Caso uma matéria desse tipo com esse tamanho de impacto avance, vamos ser obrigados a fazer o veto. Se o veto cair, seremos obrigados a ir ao Supremo”, disse a jornalistas. A declaração foi dada ao comentar o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 5º bimestre, elaborado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento em conjunto com o Ministério da Fazenda.
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+em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/governo-ira-ao-stf-se-aposentadoria-para-agentes-de-saude-avancar/
“Em derrota para o governo, Senado aprova projeto com impacto de R$ 24,7 bi”
– Texto regulamenta a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde; apesar dos apelos do Planalto para que a medida fosse rejeitada, a proposta teve apoio de todos os partidos, incluindo o PT…
(Thayz Guimarães, Poder360, 25/11/25)
O Senado aprovou por unanimidade nesta 3ª feira (25.nov.2025) o PLP (projeto de lei complementar) 185 de 2024, que regulamenta a aposentadoria especial dos agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias. O texto segue para a Câmara dos Deputados. O governo é contra a medida por seu impacto orçamentário, que pode chegar a R$ 24,7 bilhões nos primeiros 10 anos, e falta de previsão sobre de onde sairá o dinheiro para arcar com o novo gasto. O Planalto deve acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) contra o projeto, caso ele seja aprovado pelos deputados.
O projeto foi colocado em votação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada por Roberto Barroso no STF (Supremo Tribunal Federal), na 5ª feira (20.nov.2025). Alcolumbre queria emplacar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Diante da decisão, se sentiu preterido pelo petista.
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+em: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/em-derrota-para-o-governo-senado-aprova-projeto-com-impacto-de-r-24-bi/
“STF anula cobrança automática de ‘contribuições’ sindicais”
– Corte impede cobrança retroativa e reforça direito de oposição.
(Arthur Gomes Souza, Diário do Poder, 25/11/25)
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para impor limites e anular a cobrança automática de “contribuições” sindicais, sejam assistenciais e outras taxas obrigatórias impostas inclusive a trabalhadores não filiados.
O relator, ministro Gilmar Mendes, defendeu três restrições principais: proibição de cobrança retroativa, garantia de que o direito de oposição seja livre e sem barreiras, e exigência de que os valores fixados sejam razoáveis e compatíveis com as necessidades reais do sindicato.
Segundo o voto de Gilmar, sindicatos e empregadores não poderão adotar práticas que dificultem a recusa do trabalhador, como exigências burocráticas ou prazos restritivos. A decisão também veta qualquer tentativa de descontar valores referentes a períodos anteriores, evitando insegurança jurídica e preservando a confiança dos trabalhadores.
A maioria dos ministros acompanhou o relator, com exceção parcial do ministro André Mendonça. Ele concordou com os limites, mas defendeu que o desconto só pode ocorrer mediante consentimento prévio e expresso do empregado, reforçando que a oposição não pode ser apenas formal. A posição majoritária, porém, mantém a possibilidade de cobrança futura, desde que respeitadas as condições estabelecidas pelo Supremo
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/stf-anula-cobranca-automatica-de-contribuicoes-sindicais)
Ooops. . .
Nas postagens abaixo, extraídas de O Globo, onde se lê 24, leia-se 25.
Surtei!!!
Mas, não usei soldador elétrico,
pois não uso tornozeleira eletrônica,
componente da indumentária de
muitas “otoridades”.
“Cabral não chegou ao Brasil por Porto Seguro? Nova pesquisa indica outro local de chegada do português ao país”
– Trabalho cruza dados da carta de Caminha com simulações de navegação e provoca revisão de hipótese histórica.
(Por O GLOBO — Rio de Janeiro, 24/11/25)
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“Uma pesquisa recente publicada no Journal of Navigation sugere que o desembarque inicial de Pedro Álvares Cabral no Brasil ocorreu no Rio Grande do Norte, não em Porto Seguro, Bahia, como tradicionalmente acreditado. Físicos da UFRN e UFPB basearam suas conclusões em simulações de navegação e análise da carta de Caminha. Embora a hipótese enfrente resistência, ela destaca a importância do diálogo interdisciplinar na revisão de eventos históricos.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/epoca/noticia/2025/11/25/cabral-nao-descobriu-o-brasil-em-porto-seguro-nova-pesquisa-indica-outro-local-de-chegada-do-portugues-ao-pais.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Sorteio da Copa do Mundo 2026: Brasil está no pote 1 e será cabeça de chave”
– Evento que definirá os grupos da competição será realizado no dia 5 de dezembro, em Washington D.C.
(Por O Globo, 24/11/25)
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“O sorteio da Copa do Mundo de 2026 ocorrerá em 5 de dezembro em Washington D.C., com 42 das 48 seleções já classificadas. O Brasil está no pote 1, sendo cabeça de chave. O evento seguirá o ranking da Fifa, distribuindo as seleções em quatro potes. Após os anfitriões México, Canadá e EUA serem sorteados, os potes 1 a 4 definirão os grupos, com limite de duas seleções europeias por grupo.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2025/11/25/sorteio-da-copa-do-mundo-2026-brasil-esta-no-pote-1-e-sera-cabeca-de-chave.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Momento é histórico e é hora de o Brasil criar uma vacina contra o golpismo”
(Por Míriam Leitão, O Globo, 24/11/25)
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“O Brasil vive um momento histórico com a prisão de generais e do ex-presidente Bolsonaro, condenados por tentativa de golpe de Estado. Este marco levanta a necessidade de criar uma “vacina contra o golpismo”, promovendo um novo começo para a República e redefinindo a relação entre militares e poder civil. O Exército rejeita ser local de cumprimento da pena de Bolsonaro, que enfrenta também acusações de indignidade militar.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2025/11/momento-e-historico-e-e-hora-de-o-brasil-criar-uma-vacina-contra-o-golpismo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Prisão de generais golpistas é marco na história do Brasil”
– Justiça rompe tradição de impunidade ao mandar Heleno, Paulo Sérgio e Garnier para o xadrez.
(Por Bernardo Mello Franco, O Globo, 24/11/25)
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“A prisão dos generais Heleno, Paulo Sérgio, Garnier e Braga Netto marca um ponto decisivo na história do Brasil, rompendo com a tradição de impunidade para militares golpistas. Pela primeira vez, oficiais que violaram a Constituição enfrentam penas, sinalizando um avanço na justiça brasileira. O caso enfatiza a necessidade de fortalecer a formação democrática nas Forças Armadas para erradicar o golpismo.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/blogs/bernardo-mello-franco/coluna/2025/11/prisao-de-generais-golpistas-e-marco-na-historia-do-brasil.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Sem clima: família não consegue criar onda por anistia”
– Deputados e senadores dizem que não há ambiente no fim do ano do Congresso para reiniciar discussão sobre perdão para Bolsonaro e aliados.
(Por Vera Magalhães, O Globo, 24/11/25)
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“Deputados e senadores afirmam que não há clima no Congresso para discutir anistia ou alteração das penas de Bolsonaro e aliados. A prisão do ex-presidente não gerou comoção suficiente para impulsionar a pauta. Hugo Motta celebra a aprovação de leis contra facções, enquanto o Centrão foca em outros projetos. O silêncio da direita e o desgaste com o STF indicam que o tema não avançará.”(Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/blogs/vera-magalhaes/post/2025/11/sem-clima-familia-nao-consegue-criar-onda-por-anistia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (I)
(Por Gabriel Cariello, 24/11/25)
GOLPISTAS PUNIDOS
O ministro Alexandre de Moraes rejeitou os últimos recursos do núcleo principal da trama golpista, declarou o fim do processo e determinou a prisão dos condenados. O ex-presidente Jair Bolsonaro será mantido preso (1) na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde está desde sábado. A defesa de Bolsonaro criticou a decisão e afirmou que vai insistir em um novo recurso (2).
► Condenado a 27 anos de prisão, Bolsonaro ficará em uma sala privativa, com frigobar e ar-condicionado, e terá acesso a atendimento médico em tempo integral. Veja vídeo do local (3).
► Os ex-ministros Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira foram presos e levados para o Comando Militar do Planalto (4). O almirante Almir Garnier ficará na Estação Rádio da Marinha (5), e o ex-ministro Anderson Torres vai para a Papudinha (6).
► O deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) está foragido. Ele fugiu para os Estados Unidos. Moraes determinou a perda do mandato (7).
► Além da prisão, o STF impôs outras punições (8) aos condenados, incluindo a perda de direitos políticos, possível exoneração de cargos públicos e indenização de R$ 30 milhões (9).
(TRPCE)
(1) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/bolsonaro-permanece-na-carceragem-da-pf-para-o-cumprimento-da-pena.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(2) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/defesa-do-bolsonaro-critica-decisao-de-moraes-sobre-fim-do-julgamento-e-diz-que-vai-apresentar-novos-recursos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(3) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/sala-onde-bolsonaro-vai-ficar-preso-tem-cama-de-solteiro-frigobar-e-12-metros-quadrados-veja-video.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(4) https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2025/11/heleno-e-paulo-sergio-sao-presos-e-levados-para-comando-militar-do-planalto.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(5) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/garnier-e-levado-para-fortaleza-da-marinha-a-30-quilometros-do-plano-piloto-de-brasilia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(6) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/ex-ministro-da-justica-de-bolsonaro-anderson-torres-e-levado-preso-para-a-papupinha.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(7) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/moraes-determina-que-camara-seja-comunicada-da-perda-de-mandato-de-de-alexandre-ramagem.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(8) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/alem-da-prisao-stf-impos-outras-punicoes-a-bolsonaro-e-aliados-entenda.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(9) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/bolsonaro-e-outros-condenados-da-trama-golpista-irao-dividir-multa-de-r-30-milhoes-com-demais-responsabilizados-pelo-8-de-janeiro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (II)
(Por Gabriel Cariello, 24/11/25)
O CAMINHO DE MESSIAS
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), agendou para 10 de dezembro (*) a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado ao STF. O senador Weverton Rocha (PDT-MA) será o relator na Comissão de Constituição e Justiça. A proximidade da data eleva a pressão sobre o governo (**), uma vez que encurta o período para a campanha do escolhido de Lula. Alcolumbre pressionava pela indicação de Rodrigo Pacheco à Corte. Messias precisa do voto de 41 senadores.
(TRPCE)
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/davi-alcolumbre-marca-sabatina-de-messias-para-10-de-dezembro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/prazo-curto-imposto-por-alcolumbre-eleva-pressao-sobre-governo-para-aprovar-messias-no-stf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (III)
(Por Gabriel Cariello, 24/11/25)
ATRITOS NO CONGRESSO
A fuga de Alexandre Ramagem (PL-RJ) para os EUA foi o pano de fundo da ruptura pública entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder do governo, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Petistas insinuaram que Motta seria “cúmplice” do bolsonarista. As queixas, porém, começaram durante a tramitação da PEC da Blindagem.
(TRPCE)
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/25/fuga-de-ramagem-para-os-eua-foi-pano-de-fundo-para-rompimento-de-motta-com-lindbergh-entenda-a-escalada-de-tensao-na-camara.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (IV)
(Por Gabriel Cariello, 24/11/25)
TRANSAÇÕES INVESTIGADAS
O Banco Central realiza uma auditoria em ativos do Banco Master repassados ao BRB após ordem para reverter uma operação de R$ 12,2 bilhões questionada pelo órgão e pela Polícia Federal. Em audiência no Senado, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que não cabe à autoridade monetária investigar as motivações do BRB: “Esfera da PF, do MPF e da Justiça”, declarou.
(TRPCE)
+em: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/11/25/galipolo-diz-que-bc-faz-auditoria-no-brb-para-avaliar-ativos-repassados-por-master.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (V)
(Por Gabriel Cariello, 24/11/25)
SUSPEITAS NO ENEM
Mensagens no WhatsApp indicam que o universitário Edcley Teixeira pode ter tido acesso prévio a outras duas questões do Enem , além das três que foram anuladas pelo Ministério da Educação. O estudante repassou informações sobre questões de matemática oito meses antes da prova, segundo o G1. “Pode marcar sem medo de ser feliz, nem leia”, escreveu em um grupo. Ele nega irregularidades e disse que participava de pré-testes realizados pelo Inep.
(TRPCE)
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2025/11/25/enem-2025-mensagens-indicam-que-universitario-teve-acesso-previo-a-outras-2-questoes-nao-anuladas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
Folha 105 (018)
“Drummond defendeu yanomamis quando pouco se sabia deles”
– ‘Não se pede muito nem se pede o indevido’, escreveu ao pedir criação de parque indígena em 1979.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
Depois das inúmeras tragédias vividas por comunidades indígenas (1) é impossível nunca ter ouvido falar dos yanomamis (2). Mas em 1979, Carlos Drummond de Andrade teve de apresentá-los.
“Talvez você nunca tenha ouvido falar”, disse o escritor na coluna publicada na Folha. Naquela época, eram 8.400 brasileiros vivendo na fronteira com a Venezuela, e estavam morrendo.
A abertura da Perimetral Norte, como é conhecida a estrada BR-210, sem cuidados sanitários, levou gripe, sarampo, tuberculose. Das 13 aldeias mapeadas em 1970, restavam “míseros grupinhos de doentes à beira da estrada”.
Garimpeiros (3) subtraíram dos yanomamis mais de 150 toneladas de cassiterita. Houve conflito, mortes. E a Vale do Rio Doce se preparava para explorar o mesmo minério. Drummond foi direto: a empresa “devia ficar quieta em Itabira, Minas, cuidando de seus interesses locais”.
A Funai reconhecera aos yanomamis apenas 31 áreas nanicas, “autênticas ilhas perdidas na terra que sempre ocuparam”. Um grupo de antropólogos, juristas, médicos e jornalistas propunha a criação do Parque Indígena Yanomami. Drummond abraçou a causa.
“Não se pede muito. Nem se pede o indevido”, disse o poeta. “Pretende-se tão-só conseguir que essa gente humilde continue a caçar, pescar e levar a vida, dentro de seus padrões tradicionais.”
O Parque Yanomami (4) só seria criado em 1992, 13 anos após a crônica de Drummond.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (5), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Não deixem acabar com os yanomami (2/8/1979)
Yanomami. Talvez você nunca tenha ouvido falar nesse nome. Pois saiba que é o nome genérico de cerca de 8.400 brasileiros, gente boa que vive em 203 cabanas, no interior da floresta tropical, bem na fronteira com a Venezuela. Formam 14% da população de Roraima e encontram-se ainda no Amazonas.
Os yanomamis correm no momento um grande risco e estão precisando de você. Não é necessário voar até lá para ajudá-los. Basta, primeiro, que você tome conhecimento da existência deles, do modo de viver que lhes é peculiar, e da situação que enfrentam, sem garantias e sem possibilidade de autodefesa. De posse desses dados, cabe a você interessar-se pelo projeto de um grupo de antropólogos, juristas, médicos e jornalistas, que visa a proteger a vida pacífica dos yanomamis, nos locais que habitam e dentro do tipo de cultura que é tradicionalmente o deles.
Este projeto, ou anteprojeto, pois é obra séria de particulares, foi encaminhado ao ministro do Interior, Mário Andreazza, no último dia 28 de julho. Precedido de rigoroso estudo científico do problema, propõe ele a criação do Parque Indígena Yanomami em área comum ao Território de Roraima e ao Estado do Amazonas, onde vivem esses brasileiros.
Esta é a única maneira de salvar a comunidade social e cultural desses homens, mulheres e crianças que desde 1974 vêm sofrendo as consequências do processo de expansão econômica da Amazônia em sua parte negativa, sem se beneficiar com suas possíveis vantagens.
A abertura da Perimetral Norte, BR-210, sem os necessários cuidados de saúde, levou àquela região gripe, sarampo, tuberculose, moléstias de pele e doenças venéreas.
Nos primeiros cem quilômetros do trecho Caracaraí-Içana, 13 aldeias indígenas mapeadas em 1970, e registradas em 1974 por levantamento aéreo-fotográfico do Projeto Radam-Brasil, reduziram-se a míseros grupinhos de doentes à beira da estrada, segundo levantamento da Funai em 1977. Missionários em atividade atenderam a 4.596 enfermos durante 38 meses, antes da chegada dos primeiros trabalhadores da estrada. Em igual período, após o avanço da rodovia, o número subiu a 18.488. Em três anos, as infecções virais multiplicaram-se por oito.
O garimpo irrompeu como outra modalidade da doença, subtraindo dos yanomamis mais de 150 toneladas de cassiterita. Os índios reagiram, houve conflito e as autoridades fizeram recuar os garimpeiros, interrompendo-se as obras da Perimetral Norte. De tudo isso resultou saldo da morte de vários indígenas.
Em 1978, é a Cia. Vale do Rio Doce, que devia ficar quieta em Itabira, Minas, cuidando de seus interesses locais, que se apresta para extrair a cassiterita, antes explorada ilegalmente pelos garimpeiros. Anuncia-se a próxima chegada de 300 funcionários da empresa, sem que se cogite a vacinação prévia dos 3.800 yanomamis. E a Perimetral Norte vai prosseguir, fornecendo espaço à colonização. Topógrafos percorrem o território yanomami, demarcando lotes em terras insofismavelmente pertencentes aos índios.
A Funai, por meio de quatro portarias (ministro Beltrão: que não fique nas cidades a sua guerra à burocracia) reconhece aos yanomamis o direito de viver em 31 áreas esparsas e diminutas, autênticas “ilhas” perdidas na terra que sempre ocuparam. 2/3 dessa terra, em forma de corredores, cercam e ameaçam as pobres áreas onde se refugiam os 3.800 donos do solo. O esfacelamento da unidade territorial, com destruição do ambiente ecológico, acaba praticamente com o grupo étnico, sujeitando-o a inúmeras pressões e vexames de toda sorte.
Única maneira de compatibilizar interesses econômicos e tribais é a criação do Parque, em área aproximada de 6,4 milhões de hectares, mantendo-se a integridade econômica, social e cultural dos yanomamis.
Não se pede muito. Nem se pede o indevido. Pretende-se tão-só conseguir que essa gente humilde continue a caçar, pescar e levar a vida, dentro de seus padrões tradicionais, direito que lhe é reconhecido pelo Estatuto do Índio, ao estabelecer:
“Considera-se posse do índio ou silvícola a ocupação efetiva da terra, que, de acordo, com os usos, costumes e tradições tribais detém, onde habita ou exerce atividade indispensável à sua subsistência ou economicamente útil”. Entenda-se que o índio precisa renovar o potencial vegetal na imediações das malocas, rapidamente esgotado; cuidar do reaproveitamento periódico de roças velhas, para colheita de produtos de ciclo longo, e finalmente desloca-se das aldeias após certo tempo. É da natureza deles, e não se pode confiná-los em faixas estreitas e insubstituíveis de terra.
Há inúmeros argumentos em favor da criação do parque; não caberiam nessa coluna. Mas a consciência dos brasileiros há de reconhecer facilmente que os yanomamis têm o direito de viver sua própria vida onde estavam, sem perturbar o desenvolvimento nacional e sem serem perturbados por ele. Você ajudará esse povo interessando-se pelo problema e juntando sua voz aos que pedem ao governo uma decisão sábia, humana e legal. Os yanomamis são uma gente alegre, irrequieta, vida espiritual rica (um princípio vital, nos ossos do indivíduo e um princípio imortal dentro do homem, libertado pela cremação e ascendendo à terra das almas). Cláudia Andujar, que os conhece bem, pois conviveu com eles longo tempo, recolhendo lindas imagens fotográficas, pode falar com autoridade sobre eles. Yanomami é gente como a gente, vamos forçar para que não acabem com esse irmão nosso em nome do progresso.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/drummond-defendeu-yanomamis-quando-pouco-se-sabia-deles.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/indigenas/
(2) https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2022/05/30-apos-demarcacao-terra-yanomami-ve-crescimento-de-garimpo-e-destruicao.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/garimpo/
(4) https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2023/01/territorio-yanomami-tem-quase-10-milhoes-de-hectares-e-abriga-mais-de-28-mil-indigenas.shtml
(5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
A traira do PanTanal em seu elemento!
“No Senado, Tebet atacou impostos; no governo, é fiadora dos aumentos”
– Ela fazia a defesa do teto de gastos, no governo Temer, já no governo Lula passou defender drible em certos limites.
(Redção Diário do Poder, 24/11/25)
No seu primeiro discurso na tribuna do Senado, em 23 de fevereiro de 2015, Simone Tebet (MDB-MS) fez duras críticas à carga tributária brasileira, então em torno de 32% do PIB (ver vídeo abaixo).
Em mais de meia hora, atribuiu a desaceleração da indústria ao peso dos impostos, especialmente os que incidiam sobre a folha de pagamento, segundo lembrou reportagem de Larissa Arruda, do site MSemBrasília.
“É preciso enfrentarmos de frente (sic) a carga tributária. É preciso impedir essa desindustrialização. Sei que estou na contramão do discurso do governo federal, mas é importante diminuirmos a carga tributária”, declarou.
Tebet também destacou o papel do agronegócio na sustentação da economia: “Hoje, quem sustenta o Brasil é o agronegócio, é o homem do campo, é o produtor rural, é o pecuarista”.
Mudou de ideia
Nove anos depois, já como ministra do Planejamento e uma das responsáveis pelo grande rombo nas contas públicas do governo Lula (PT), adotou discurso oposto. Passou a defender a criação e o aumento de alíquotas em diversos tributos.
Em 2024, a carga tributária chegou a 32,3% do PIB — o maior patamar em 15 anos — sob um governo do qual ela faz parte.
“O que deu um certo equilíbrio é a reinserção do PIS/Cofins nos combustíveis, que tinham sido tirados na pandemia. Voltaram aos cofres públicos algo em torno de R$ 31 bilhões. De alguma forma, equilibra alguns outros subsídios que demos”, afirmou a ministra, em agosto, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Como senadora e, depois, candidata à Presidência em 2022, Simone Tebet era uma das vozes mais firmes em defesa do teto de gastos, criado no governo Michel Temer (MDB).
Já no governo Lula, a ministra passou a sustentar a necessidade de excluir certas despesas do limite, além de cortes de incentivos fiscais, como forma de tentar recompor o equilíbrio das contas públicas, desajustadas há pelo menos dois anos.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/politica/ttc-politica/no-senado-tebet-atacou-impostos-no-governo-e-fiadora-dos-aumentos)
“Bolsonaro preso, mas a página não foi virada”
– Um espectro sempre acompanhou o bolsonarismo, o de que a força pode se impor sobre as instituições.
– Realisticamente, contudo, ele ainda detém uma carta poderosa: a escolha de seu sucessor em 2026.
(Joel Pinheiro da Fonseca, FSP, 24/11/25)
Foi um anticlímax. Veio num momento em que ninguém esperava, cedo da manhã do sábado, dias antes do aguardado “transitado em julgado”. Flávio Bolsonaro conclamara os militantes para uma vigília, uma “luta” espiritual pedindo ao “Senhor dos Exércitos” que corrija os erros da Justiça humana. Mas não deu tempo de colocar as tropas em posição. As câmeras da mídia também não estavam prontas. A prisão de Jair Bolsonaro em nada lembrou o espetáculo da prisão de Lula em abril 2018 na sede dos metalúrgicos, quando uma multidão veio defender o ex-presidente e dificultar o trabalho da polícia.
A ordem de Alexandre de Moraes foi correta. A aglomeração de defensores fora do condomínio poderia gerar tumulto e violência. Além disso, Bolsonaro tentou violar a tornozeleira com um ferro de solda. Não está claro se houve algum plano mirabolante ou se —o que é mais provável— foi puro fruto de um surto psiquiátrico. Seja como for, o mais seguro para todos os envolvidos —especialmente Bolsonaro— é o que aconteceu: sua transferência para a superintendência da PF com o devido acompanhamento médico constante.
Um espectro sempre acompanhou o bolsonarismo: o de que a força pode se impor sobre as instituições brasileiras. Congresso não cooperava? O povo nas ruas e nas redes haveria de enquadrá-lo. O Supremo barra decretos do governo? Ameaças aos ministros há de amedrontá-los. O TSE dá a vitória a Lula? As Forças Armadas podem virar a mesa. O poder passou de mãos? Quem sabe um ato revolucionário do povo desperta a caserna. Bolsonaro é julgado? As ameaças de Trump intimidariam a Justiça. Bolsonaro foi condenado e será preso? Mais uma vez, o sonho desesperado de que uma multidão (e uma ajudinha de Deus?) possa inviabilizar o cumprimento da ordem judicial.
Em todos os casos, o desfecho foi o mesmo: o bolsonarismo teve que engolir a derrota. Agora com a prisão do ex-presidente, quem sabe sua legião de seguidores possa finalmente entender: o Brasil tem instituições sólidas; elas podem errar, mas há caminhos legítimos internos a elas que permitem a correção dos erros. Tentar derrubá-las pela força das armas ou das multidões é uma estratégia fadada ao fracasso e que cobra um preço alto de quem tenta.
A prisão preventiva neste momento só piora as chances de Bolsonaro conseguir a transferência para a prisão domiciliar uma vez que comece a cumprir a pena. Caso se verifique que sua saúde segue estável na cela, será um motivo para mantê-lo lá. O exemplo recente de bolsonaristas fugitivos —Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem— também pesa sobre a credibilidade de nosso Judiciário.
Que Bolsonaro cumpra sua pena em paz e consiga sua progressão de regime no tempo certo. Minha torcida pessoal é que a direita brasileira vire essa página e busque outras lideranças. Realisticamente, contudo, ele ainda detém uma carta poderosa: a escolha de seu sucessor em 2026. Todos os acontecimentos contra si e contra seus filhos só aumentam nele o veio paranoico, que o leva a se fechar no único núcleo duro em que confia: seus familiares, os mesmos que o empurram cada vez mais fundo no abismo. Os eleitores de direita seguirão abraçados a ele?
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joel-pinheiro-da-fonseca/2025/11/bolsonaro-preso-mas-a-pagina-nao-foi-virada.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
“Saga de Bolsonaro é quase um manual de estupidez política”
– É como se proclamasse, orgulhoso: ‘Nenhum fato me vai derrotar!’.
– Ele sempre teve opções, mas fatos não demovem ‘cabeças blindadas’.
(João Pereria Coutinho, FSP, 24/11/25)
Acompanho a saga de Jair Bolsonaro com fascínio quase filosófico: o que leva um homem a agir, de forma tão consistente, contra seus próprios interesses?
A pergunta surgiu durante o seu governo, continuou com sua reação à pandemia , aprofundou-se com a tentativa de golpe —e encontra agora um desfecho teatral com a prisão preventiva depois de tentar arrancar a tornozeleira eletrônica.
Por “curiosidade”, justificou ele.
A vigília convocada pelo filho é apenas mais uma prova de que genética não perdoa.
Alguns dirão que essa tendência antecede a política e já vem dos quartéis —o que talvez autorize a piada “de soldado a soldador” que anda circulando por aí.
Mas o assunto é sério: como explicar a estupidez na política?
O tema raramente recebe a devida atenção. Hannah Arendt, em análise célebre, afirmou que Adolf Eichmann representava a “incapacidade de pensar” que define a “banalidade do mal”. Eichmann seria estúpido —e sua estupidez foi instrumentalizada no Holocausto.
Erro evidente: Eichmann pensava, sim. Era um nazista convicto, até “sofisticado” —digamos assim—, como se soube mais tarde pelas gravações de áudio.
Sua maldade não era banal.
Robert Musil, outro autor de língua alemã, tentou ir um pouco mais longe. Há dois tipos de estupidez, disse ele na conferência de 1937. O primeiro é uma limitação intelectual natural, inocente, sem maldade — o “bobo da aldeia” (*), em sua versão literária clássica.
O segundo tipo é mais perigoso: o ato de deformar o pensamento por orgulho, vaidade ou cegueira moral. O sujeito sabe pensar, mas não quer pensar. Essa forma de estupidez não é cognitiva, mas moral. É um vício de caráter.
Não creio que Bolsonaro se encaixe perfeitamente em qualquer uma dessas categorias. A estupidez de suas ações não nasce da inocência; mas a deformação deliberada do pensamento exige um tipo de inteligência que ele também não possui.
O que há ali é aquela rigidez mental que a historiadora Barbara Tuchman dissecou no clássico “A Marcha da Insensatez”, do original “The March of Folly”. A própria palavra “folly” já sugere essa rigidez, irmã gêmea da loucura.
Nas palavras de Tuchman, a história foi pródiga em momentos de estupidez: eles surgem quando governantes seguem políticas que, longe de beneficiá-los, aceleram sua própria ruína.
Curiosamente, Tuchman concorda com Carlo Cipolla, para quem o sujeito estúpido é aquele que prejudica os outros e a si próprio, sem obter benefício algum.
Mas há critérios para que a estupidez seja propriamente política, avisa Tuchman. Primeiro, a conduta tem de ser reconhecida como estúpida em seu próprio tempo, não apenas retrospectivamente.
Segundo, deve haver uma alternativa viável e mais sensata —a estupidez só é estupidez quando age sem necessidade.
Por fim, o governante estúpido apresenta o que Tuchman chama de “wooden-headedness” —algo como “cabeça oca”, que talvez traduzíssemos melhor como “cabeça blindada”: o governante estúpido só consegue interpretar a realidade a partir de noções pré-concebidas e fixas, ignorando ou rejeitando qualquer evidência contrária. É como se proclamasse, orgulhoso: “Nenhum fato me vai derrotar!”.
Na obra de Tuchman, os exemplos de cabeças blindadas se sucedem: os troianos com o cavalo de madeira; o comportamento de Roma antes da revolta protestante; a obstinação de Jorge 3º ao tentar submeter as colônias britânicas a impostos; e, já no século 20, a aventura suicida dos submarinos alemães contra a Marinha americana ou o ataque japonês a Pearl Harbor —dois atos que, ironicamente, trouxeram os Estados Unidos para guerras que arrasaram seus autores.
Em todos esses casos, havia alertas; havia alternativas; mas os fatos não demoveram as cabeças blindadas.
Guardadas as proporções de escala e importância, a conduta de Bolsonaro é quase um manual de estupidez política.
Na pandemia, teria sido possível mais competência e empatia —mas o homem “não era coveiro”.
No golpe, havia sempre a opção de simplesmente não o cogitar —e, quem sabe, aguardar na oposição outra eleição, já que a derrota de 2022 foi por margem mínima. Mas isso implicaria admitir que o PT venceu o pleito, uma heresia para os bolsonaristas.
E, na comédia da tornozeleira, a suposta tentativa de fuga jamais compensaria o risco. Cumprir a pena —ou parte dela— teria trazido mais vantagens que desvantagens; mas aprender com o caso de Lula seria outra heresia.
Que os seguidores de Bolsonaro discordem dessas premissas não surpreende. No fim das contas, eles seguem o “mito” por alguma razão.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2025/11/saga-de-bolsonaro-e-quase-um-manual-de-estupidez-politica.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
(*) Esse tipo de estupidez não nos remete ao. . .vocês sabem que!
“Ferro quente na direita”
(Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 24/11/25)
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL) e a gravação em que o ex-presidente admite a tentativa de violar sua tornozeleira eletrônica mexeram com a teia de interesses políticos que une o centrão à direita bolsonarista (*). Os dois grupos ainda exibem inclinações semelhantes, mas as forças e tensões que os mantêm unidos passam por algumas mudanças.
O principal movimento envolve uma disputa pelo domínio da direita em 2026. Embora o desfecho do processo da trama golpista já estivesse sacramentado, a confirmação de que o ex-presidente ficará preso despertou nos políticos da centro-direita a impressão de que eles poderão dar as cartas e escolher a candidatura que vai representar esse campo político, reduzindo a influência do bolsonarismo nesse processo.
Com Bolsonaro enfraquecido, o centrão passou a enxergar uma janela de oportunidade para acelerar a definição de uma candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), com um nome de fora do bolsonarismo como vice. O ex-presidente, por essa lógica, teria que emprestar seu apoio à chapa, sem força para fazer muitas exigências.
Além disso, as avaliações feitas pelo centrão desde o último sábado (22) levam em conta o fato de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi peça central na decretação da prisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o que poderia fragilizar o filho do ex-presidente na tentativa de se posicionar como o principal líder da direita.
As cenas dos últimos dias mudaram também a disposição do centrão em fazer acenos mais significativos ao bolsonarismo, como a aprovação de uma anistia ou redução de penas de condenados pela trama golpista. Depois do vídeo em que Bolsonaro admite ter usado um ferro de solda para abrir sua tornozeleira eletrônica, a cúpula da Câmara passou a dizer que seria quase impossível falar do assunto por enquanto.
(*) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/centrao-ve-nova-janela-para-chapa-presidencial-com-apoio-de-bolsonaro-mas-sem-bolsonaros.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
“Mapa do poder”
– O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber
1 – Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) respondeu com uma nota à tentativa de aproximação de Jorge Messias, indicado ao STF. O presidente do Senado, que defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que a indicação será analisada “no momento oportuno”, sem nem citar o nome de Messias.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/apos-elogio-de-messias-alcolumbre-diz-que-senado-analisara-indicacao-no-momento-oportuno.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
2 – A Primeira Turma do STF referendou ainda na manhã desta segunda (24) a decisão de Alexandre de Moraes que determinou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro (PL). O relator foi acompanhado por Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Moraes afirma que o ex-presidente violou tornozeleira “dolosa e conscientemente”.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/primeira-turma-do-stf-faz-sessao-extra-para-referendar-prisao-preventiva-de-bolsonaro.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
3 – O presidente Lula (PT) afirmou que empresas estrangeiras precisam industrializar o Brasil se quiserem explorar minerais críticos no país. O petista disse que o país precisa aproveitar oportunidade e não deixar “países de sempre cavarem buracos e levarem minérios”. A declaração foi dada durante visita oficial a Moçambique.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/se-quiserem-mineirais-criticos-terao-que-industrializar-nosso-pais-diz-lula.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(TRPCE)
E por aqui, “otoridades” se esmeram em produzir colunas de fumaças para encobrir suas maldades!
“Vulcão na Etiópia entra em erupção pela primeira vez em quase 12 mil anos.
– Colunas de cinzas do Hayli Gubbi alcançam 14 km de altitude e avançam em direção ao Iêmen e a Omã; autoridades locais dizem que não há vítimas.
(Por O Globo e agências internacionais — Afar, 24/11/25)
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“O vulcão Hayli Gubbi, na Etiópia, entrou em erupção pela primeira vez em quase 12 mil anos, lançando cinzas a 14 km de altitude em direção ao Iêmen e Omã. Não há vítimas, mas a erupção afeta comunidades locais. Situado no Vale do Rift, o vulcão é parte de uma região geologicamente ativa. Autoridades alertam para os impactos na subsistência dos moradores devido à cobertura de cinzas.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/11/24/vulcao-na-etiopia-entra-em-erupcao-pela-primeira-vez-em-quase-12-mil-anos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Previsão de resultado fiscal piora em 13 estatais e situação agrava contas da União”
– Em nota, MGI afirmou que não se pode confundir déficit com prejuízo operacional das empresas.
(Por Thaís Barcellos — Brasília, O Globo, 24/11/25)
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“A piora nas previsões fiscais de 13 estatais, incluindo os Correios, agravou as contas da União, aumentando o déficit projetado de R$ 5,5 bi para R$ 9,2 bi. A União compensou com R$ 3 bi, afetando o orçamento. Destaques negativos incluem Petrobras e Infraero. O alerta do Tesouro e o TCU destacam riscos de aumento da dívida pública. Apesar disso, o Ministério da Gestão afirma que muitas estatais registram lucros.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/11/24/previsao-de-resultado-fiscal-piora-em-13-estatais-e-situacao-agrava-contas-da-uniao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Bolsonarismo e lulismo em vertigem”
– Os dois polos da política brasileira apodrecem em praça pública, e se tornarão cada vez mais danosos ao Brasil.
(Rodolfo Borges, O Antagonista, 24/11/25)
Jair Bolsonaro já foi preso duas vezes, antes mesmo do trânsito em julgado de sua condenação pela trama golpista. Mas isso não serve exatamente de consolo para Lula.
A primeira detenção preventiva, domiciliar, foi decretada após o ex-presidente se apresentar como negociador do tarifaço de Donald Trump e participar de manifestação remotamente (1), em agosto.
A segunda ocorreu no sábado, 22, diante do risco de fuga (2).
O contexto
Ao contrário do que dizem seus apoiadores, o risco de fuga não se configurou apenas pela tentativa de abrir a tornozeleira eletrônica.
A vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez as autoridades temerem por um tumulto que poderia favorecer uma fuga.
Além disso, o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) admitiu que viajou para os Estados Unidos para escapar da Justiça brasileira (3).
Carla Zambelli também já tinha ido se refugir na Itália, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mantém seus desafios à Justiça brasileira direto dos Estados Unidos.
Foi nesse contexto que Bolsonaro foi parar em um quarto na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, como resultado do que a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) chamou de “estratégias ruins” (4).
E o Lula?
A queda em desgraça de Bolsonaro e de boa parte de seus aliados não permite a Lula e seus apoiadores celebrar a situação do petista, contudo.
O presidente acabou de levar mais uma bela rasteira na Câmara, onde seus aliados tiveram de votar contra o PL Antifacção, apresentado para salvar sua pele na pauta da segurança pública.
Lula está longe de provocar o medo de outras épocas e se apega a medidas eleitoreiras e irresponsáveis para manter seu governo vivo.
Não fosse pelo auxílio do Supremo Tribunal Federal (STF) (5), aliás, a situação do petista, que optou por se cercar dos aliados mais fiéis (6), estaria ainda pior.
Para piorar, como destacou o cientista político Leonardo Barreto, colunista de Crusoé, a saída de Bolsonaro da arena pública tira aquele que parece ser o único trunfo de Lula: evitar um novo governo Bolsonaro (7).
Os dois polos da política brasileira apodrecem em praça pública, mas isso não quer dizer que eles vão sumir. A única certeza é que cheiram mal e se tornarão cada vez mais danosos ao país.
Leia mais: Um governo sem barricadas
https://oantagonista.com.br/analise/um-governo-sem-barricadas/
(Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/bolsonarismo-e-lulismo-em-vertigem/?utm_medium=email&utm_campaign=newsletter_-_resumo_da_manha_2411&utm_source=RD+Station
(1) https://oantagonista.com.br/brasil/moraes-decreta-prisao-domiciliar-de-jair-bolsonaro/
(2) https://oantagonista.com.br/brasil/pf-prende-preventivamente-jair-bolsonaro/
(3) https://oantagonista.com.br/brasil/e-logico-que-eu-nao-ia-ficar-no-brasil-diz-ramagem-apos-fugir-do-stf/
(4) https://oantagonista.com.br/analise/prisao-familiar/
(5) https://crusoe.com.br/noticias/pendurado-no-stf/
(6) https://oantagonista.com.br/brasil/senado-cumprira-seu-papel-sobre-indicacao-de-messias-ao-stf-diz-alcolumbre/
(7) https://crusoe.com.br/diario/familia-bolsonaro-sai-de-cena-e-o-jogo-muda/
É ou não a MPMRSSPO? (*)
O atual presidente, ex presidiário, quer tomar diesel para provar aos alemães que entre os similares, o da PeTrobras é o menos poluente (**)
O ex presidente, atual presidiário, tomou medicamento sem receituário, para criar coragem e fugir do país (**)
(*) Maldição da 1ª Missa Realizada em Solo Sagrado dos Povos Originários.
(**) Matérias abaixo replicadas.
“Equipe médica diz que Bolsonaro tomou remédio sem seu conhecimento”
– Médicos do ex-presidente afirmam que ele usou Pregabalina, que interage com Gabapentina e clorpromazina, prescrita por outra médica…
(Poder360, 24/11/25)
Médicos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declararam, em relatório produzido neste domingo (23.nov.2025), que a combinação dos medicamentos consumidos por ele pode ter causado um quadro de “confusão mental” e “alucinações”. Esses efeitos teriam provocado o surto que levou Bolsonaro a violar a tornozeleira eletrônica, após interpretar que havia uma escuta instalada no aparelho, conforme argumento apresentado pelo próprio durante a audiência de custódia.
Segundo os médicos, o uso de Pregabalina – medicamento para tratamento de dores – em combinação com Clorpromazina e Gabapentina, remédios utilizados pelo ex-presidente para tratar episódios de soluço, “tem como efeitos colaterais reconhecidos a alteração do estado mental, com possibilidade de confusão, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtorno de equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos”.
De acordo com a equipe médica, Bolsonaro usou a Pregabalina “sem o conhecimento ou consentimento” dos especialistas. Além dos 3, Bolsonaro também faz uso do antidepressivo Sertralina.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-saude/equipe-medica-diz-que-bolsonaro-tomou-remedio-sem-seu-conhecimento/
+1 fora da casinha!
“Lula diz que biodiesel da Petrobras “dá até para beber”
-Presidente quer testar o produto na Alemanha em 2026 para provar menor emissão e convencer o setor automotivo a adotá-lo…
(Lara Brito, Poder360, 24/11/25)
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta 2ª feira (24.nov.2025), em Moçambique, que o diesel refinado pela Petrobras com biodiesel está tão puro que “dá até para beber“. A fala foi durante uma cerimônia empresarial em Maputo, onde o petista buscou reforçar o potencial brasileiro em biocombustíveis.
“Ela [Petrobras] está agora refinando o biodiesel já misturado 100% com o diesel. Sai um diesel melhor do que qualquer outro. Dá até para beber. Os carros bebem, e bebem muito“, disse Lula.
O presidente anunciou que pretende testar o produto na Alemanha em abril de 2026: “Quero ir lá, na feira de Hannover, para provar. Qual é o óleo diesel que emite menos CO₂ no planeta Terra? Quero provar que é o brasileiro”.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-diz-que-biodiesel-da-petrobras-da-ate-para-beber/
“COP30 colecionou flops que foram além do documento final”
– Conferência do clima das Nações Unidas em Belém teve ausência de líderes globais, problemas de infraestrutura e até incêndio…
(Poder360, 24/11/25)
A COP30 (30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima) chegou ao fim no sábado (22.nov.2025), depois da aprovação do texto final da cúpula, denominado “Mutirão Global”. Leia a íntegra do texto(*)(PDF – 163 kB, em inglês).
O resultado ficou aquém do que esperavam muitos governos, especialistas e cientistas. Mas o evento em Belém, no Pará, colecionou outros flops. Uma série de problemas logísticos e ausências importantes de líderes globais marcaram a realização da conferência.
. . .
Veja as “flops” da COP e constate que o 7 a 1 foi de bom tamanho:
https://www.poder360.com.br/cop30/cop30-colecionou-flops-que-foram-alem-do-documento-final/
(*) https://static.poder360.com.br/2025/11/COP30-texto-final.pdf
Folha 105 (017)
“Glauber Rocha levou aos textos a radicalidade do cinema novo”
– ‘A lyteratura moderna é jornalysmo’, escreveu o cineasta em crônica experimental.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
Glauber Rocha escreveu como filmava: revolucionando a forma. Em crônica publicada na Folha em 1978, o cineasta baiano inventou uma grafia tropicalista delirante para celebrar a literatura brasileira dos anos 1970.
“A lyteratura moderna é jornalysmo”, escreveu Glauber. Não era frescura: era revolução estética, digamos, cinema novo em forma de texto.
O cineasta viu Mario Pedrosa (“um dos maiores genyuz nacionais”) comprando pão no Rio e se comoveu. Chamou Paulo Francis de “meu líder”. Descreveu o Rio como “cidade selvagem, dangerous city”. E anunciou três romances que sintetizavam dez anos de história brasileira: “Reflexos do Baile” (Antonio Callado), “Cabeça de Papel” (Paulo Francis) e “Terror e Êxtase” (José Carlos Oliveira).
Sobre este último, Glauber foi categórico: tratava-se de “obra-prima” que a crítica machadiana não estava sabendo ler. Um romance “prá lá de Marrakech” que “eletriza a cidade”.
O texto era puro Glauber: caótico, genial, urgente. Citou ainda “Sargento Getúlio”, “Zero”, “A Pedra do Reino” e um tal João Gramiro de Matos, “gênio subterrâneo” ainda não descoberto.
E anunciou: estava escrevendo suas últimas crônicas. Iria “às caatingas do sertão, onde se vive cem anos”. Morreu três anos depois, aos 42, sem ir para o sertão.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão, que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Terror e êxtase (19/8/1978)
Devo esperar os jornais de quarta-feira para escrever sem gramática uma carta aos Leitores, sem gryfuz, os Ys…, Tupy — sagrações nacionalistas — eis meu destino de poeta solitário nú mundo projetado ao catalatuddo apacapocatpelto azmtyhuikuyuzina.
Vi Mario Pedroza cruzando a rua Visconde de Pirajá (Rio) no crepúsculo — ia um dos maiores Genyuz nacionais comprar pão, ali, homem com a idade de meu pai, Deuz, se estivéssemos na Grecya.
Helio Fernandes é jornalista de estraçalhante coragem. Prova que existe liberdade de imprensa no Brazyl. Concordando ou não com Helio — ele é jornalista que faz do Estylo seu Tema, um autor que leio no café da manhã, com Zoyzmo e Nelson Motta.
Disse ao Gilberto Vasconcellos que Paulo Francis era meu líder. Líder de uma geração. Liderança não ritualizada. Mítica.
No momento, Carlinhos, estou escrevendo minhas últimas crônicas porque decidi abandonar a vida intelectual e ir às caatingas do sertão, onde se vive cem anos, adquirindo-se o equilíbrio vital através do Potassyo. “Broome-me o sábio trêmulo e solitário com uma gastrite e ninguém prá lhe dar o chá na boca — meu amigo! não somos íntimos, sempre o admirei a distância, leitor fiel e relapso dêste cronista do Rio de Janeiro cada vez menos provinciano e mais Multinacional (Gato Barbieri está no Copacabana Palace esperando que a Censura libere “O Último Tango em Paris”).”
O Rio não é cidade de “meus caros amigos”, o Rio é cidade selvagem, nada de princesinha dos trópicos, o Rio é barra pesada, dangerous city!
“Reflexos do Baile”, de Antonio Callado, é o telejornal joyceano do Brazyl 68 sob o impacto dos sequestros descodificados pelo trama estético, político, sentimental, Kataklyzma mergulhado pelo Padre Nando no final de “Quarup”. As letras de Callado, como as ferraduras dos cavalos dos Heuroyz, riscam fogo na fronteira Histórica: 68, o Brazyl florescia na sua breve mas fecunda (ETERNA) Tropykalha.
Depois dos “Reflexos” (iluminados, reveladôres…) foi o primeiro romance de Paulo Francis, “CABEÇA DE PAPEL”, corteno Bôlo sagrado da inteligência jangüística que caiu em 1964, um “journal” (também joyceano — atravessando por Freud, Godard) — a forma “mais” sofisticada de Pzyko-Analyze que é a FREAKAÇÃO, ou FRYKAZAÕ — um romance, êste “Cabeça de Papel”, prá lá de Marrakesh, refletido por Callado, como se a escrita de cada um se completasse na Epyka Brazylika vista do Rio na Decada do Terror.
A crítica, ainda Machadiana, ficou se perguntando 40 anos depois de John dos Passos, se “Ficção não era jornalismo”, ou vice-versa, sem sacar que a Lyteratura Moderna é Jornalysmo — Francis e Callado são grandes jornalistas porque grandes escritores, múltiplos, como Drumond ou José Carlos Oliveira, autor de “Terror e Êxtase”, romance (que prossegue a Trylogya Karyoka, complementando a literatura moderna), sobretudo a yankee, com igual desejo e realização de João Gilberto.
Trata-s de “Obra-Prima”, e advirto porque a comercialização do sucesso pode arquivar como “obra menor”, uma peça fundamental da literatura contemporânea, indispensável para o desenvolvimento da Pzykanalyze, remontagem do caos linguístico na visão do Jovem Filózofó.
“Reflexos do Baile”, “Cabeça de Papel”, “Terror e Extase”, três romances criativos em todos os sentidos que sintetizam dez anos de nossa História — o desenvolvimento temático marca os três livros dos três grandes romancistas de uma cidade nuclear como o Rio de Janeiro.
A ficção mundial não produziu nos anos 70 Romances Políticos como os citados, considerando-se o RIO como TeatrodaModernidadeBrazyleyra e ainda me lembro de outros revolucionários como “Sargento Getúlio”, de João Ubaldo Ribeiro, “Zero”, de Ignacyo de Loyola, “A Pedra do Reino”, de Ariano Suassuna, ou OS TEXTOS dêste gênio subterrâneo que é João Gramiro de Matos, Gramirão ão… ão… cujo “A Conspiração dos Búzios”, ainda não foi descoberto pela crítica e pelo público.
A forma sofisticada de Pzyko-Analyze que é a FREAKAÇÃO, ou FRYKAZAÕ — um romance, êste “Cabeça de Papel”, prá lá de Marrakesh, com todas chaves do banquete refletido por Callado, como se escrita de cada um se completasse na Epyka Brazylika vista do Rio na Década do Terror.
Apesar de ter 39 anos, tenho saudades dos rodapés literários de Álvaro Lins. Do tempo que se publicava muita crítica de livros. O Templo Lyteraryo caiu. Carlinhos é candidato tranquilo à Academyya Brazyleyra de Letras porque, mesmo rebelde, maldito, existencialista, surrealista e udigrudi já nasceu feito, clássico, não tem jeito, é caso indiscutível d’explendor literário!
Carlinhos escreve crônicas com a densidade de Platão, o “espírit” (sempre) de Albert Camus, o equilíbrio biliár que rege o desespero e produz flores belas letras “au delà” das Flores do Mal. Escrevendo crônicas, Carlinhos é herculaniano, garretiano, eciano, proustiano, não tem nada a ver com Machado de Assiz. Escrevendo o romance “Terror e Êxtase” (não li “O Pavão Desiludido”), Carlinhos é Rimbaud, Godard, Chandler, (toujors) Camus. Borroughe é — Suprema Glória — é Jorge Amado. Como se recebesse os Feiticeiros e os cozinhasse no estertor, no som e na fúria de Faulkner.
São impressões do curtidor cultural. O leitor leigo encontrará Carlinhos. Existe me possuí, além das sugestões que não são “influências” e inspira meus sonhos assaltados por Mil e Um, Heleninha e meu lado, noite trágica, campuz da magia quando o Autor eletriza a Cidade com Romance que responde às Questões do Século num Bar do Leblon no Apé que não se descobre. (FYM)
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/glauber-rocha-levou-aos-textos-a-radicalidade-do-cinema-novo.shtml)
“O país do improviso e do desperdício de oportunidades”
– Enquanto autoridades insistem em agir com base no improviso e na gambiarra, Brasil segue perdendo oportunidades de melhorar sua imagem perante o mundo.
(Nuno Vasconcellos, Empresário luso-brasileiro, Último Segundo, iG, 23/11/25)
Algumas situações dos últimos dias confirmaram uma verdade que, embora evidente, é cada vez mais incômoda: planejamento não é o ponto forte do Brasil. Ou, dito de outra forma, os fatos demonstram que o Brasil carrega um mapa genético dominado pelo cromossomo do improviso. Ou, ainda, pela mania de se tirar conclusões sem procurar conhecer a verdade por trás dos fatos e, a partir daí, escolher caminhos que levam ao fracasso. A impressão que se tem é a de que, quando mais importante e visível é a situação em foco, mais as propostas de solução dos problemas são marcadas pelo improviso, pela gambiarra e pela busca do atalho fácil.
Exemplos dessa realidade sobraram durante a COP30 — a conferência das Nações Unidas sobre o clima, realizada nas últimas semanas, em Belém (PA). Muitos fatos desagradáveis (todos evitáveis) aconteceram durante o evento e acabaram atraindo mais atenção dos que os temas debatidos nas plenárias — que, por sinal, expuseram a falta de acordo dos delegados em relação à pauta ambiental. Há posições divergentes em relação ao fim do uso de combustíveis fósseis, ao financiamento das ações ambientais e à falta de avanços nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês), que são os compromissos de redução das emissões de carbono assumidos por cada país.
Se nos pontos relacionados com a pauta ambiental o clima no final do encontro é de impasse, a impressão no que diz respeito à realização do evento, imaginado para contar pontos para melhorar a imagem do Brasil, é do mais retumbante fracasso. Nenhuma autoridade brasileira deveria ter sido surpreendida por qualquer situação.
Há mais de dois anos que já se sabia que a COP30 aconteceria em Belém. Se algo saiu errado não foi, portanto, por falta de tempo para se evitar o pior. Nem de dinheiro. Os gastos do governo com a COP, considerando as obras de infraestrutura realizadas em Belém, superaram R$ 5 bilhões, conforme informação divulgada pelo ministro do Turismo, Celso Sabino, nos dias da abertura do evento.
A convicção de que sediaria uma conferência internacional, que atrairia toda atenção do mundo, deveria ter sido tratada pela organização com a certeza de que, se algo desse errado, a culpa recairia sobre o anfitrião. Todos os problemas capazes de atingir as instalações projetadas e construídas especialmente para sediar os debates deveriam ter sido previstos. O incêndio que consumiu parte das instalações, na tarde de quinta-feira passada, foi apenas a cena final de uma peça mal escrita, mal encenada e mal dirigida.
Não importa a causa do fogaréu. Um sistema de eletricidade capaz de suportar a sobrecarga de demanda durante o encontro, a fim de se evitarem os curtos-circuitos, era o mínimo que se esperava numa obra tão cara. Também era óbvia a necessidade de telhados e de um sistema de escoamento de águas pluviais que suportassem as chuvas pesadas que caem nesta época do ano desde que a Amazônia é a Amazônia.
Um serviço de coleta que evitasse o acúmulo visível de lixo pela cidade poderia ter sido pensado. Medidas básicas de segurança para proteção dos participantes e dos visitantes dentro e fora dos pavilhões eram obrigatórias. A despeito da obviedade dessas providências, tudo o que poderia falhar, falhou. E, quando isso aconteceu, as autoridades foram as primeiras a manifestar surpresa diante dos incidentes.
Rigor contra os fora-de-lei
Uma situação de outra natureza, mas que também chamou atenção pela forma improvisada, quase amadora, com que foi conduzida pelos “articuladores” políticos do governo envolveu a tramitação do Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. Mesmo sendo tão previsível quanto os temporais que desabam sobre Belém nesta época do ano, o embate entre governo e oposição em torno de um tema tão delicado e importante como esse era mais do que provável. E a vantagem da oposição nesse embate era visível. Mesmo assim, o resultado da votação parece ter surpreendido os “articuladores” políticos do Planalto.
Para se ter uma ideia da aceitação da proposta de endurecimento no combate aos crimes violentos cometidos pelas facções, basta olhar para o resultado da votação realizada no plenário da Câmara dos Deputados na noite de terça-feira passada. O relatório do deputado Guilherme Derrite (PP/SP), que modificou o Projeto de Lei Antifacções, encaminhado pelo governo ao Congresso no dia 31 de outubro, foi aprovado por 370 votos a 110. Isso significa que a ideia de endurecer o tratamento dado aos integrantes das facções criminosas teria sido aprovada ainda que se tratasse de uma Proposta de Emenda Constitucional — e não de um Projeto de Lei.
O relatório de Derrite jamais alcançaria uma vitória tão acachapante se a sociedade brasileira não estivesse cobrando de seus representantes medidas mais rigorosas contra os fora-da-lei que têm transformado a vida de muita gente num inferno. Mesmo assim, os líderes do governo reagiram ao resultado como se tivessem sido vítimas de manobras sub-reptícias por parte da oposição.
Copa do Mundo
Essas duas atitudes — ou seja, a reação diante dos problemas apresentados durante a COP e a resposta dos “articuladores” do Planalto à surra fenomenal que levaram na votação da lei Antifacções — são frutos da mesma árvore. Quem reparar direito notará que tanto um como o outro são apenas mais um exemplo do improviso e da falta de planejamento que se tornaram uma rotina cansativa no Brasil. Há centenas de outros, obviamente.
As obras que deveriam ter sido entregues antes da Copa do Mundo de Futebol de 2014 são outra prova desagradável dessa verdade. Até hoje, onze anos depois, algumas delas ainda não ficaram e outras jamais ficarão prontas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza e Cuiabá. Se tivessem sido planejadas e executadas com o necessário rigor técnico e financeiro, não teriam consumido tanto dinheiro, tempo e paciência da sociedade.
O fato é que uma série de decisões importantes tomadas no país parece carregar a marca da improvisação. O caso da COP de Belém e de tudo o que aconteceu do início ao fim da conferência é exemplar — não só no que diz respeito às falhas na estrutura montada para a realização do evento. A crítica cabe, também, à principal proposta apresentada pelo Brasil durante a conferência. Trata-se da criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, da sigla em inglês).
Ideia engenhosa
A ideia foi apresentada pelo governo brasileiro com o objetivo de financiar as políticas de preservação das florestas tropicais por meio de mecanismos mais modernos e atrativos do que a doação pura e simples. A proposta, à primeira vista, é engenhosa e poderia ter apresentado resultados muito mais consistentes do que apresentou caso tivesse sido elaborada com mais zelo pela delegação brasileira.
Ao aderirem ao TFFF, os governos e as empresas que tiverem interesse em destinar recursos para a causa ambiental não farão uma doação a fundo perdido, como sempre aconteceu. Ao invés disso, farão um investimento. TFFF, que ficará sob cuidados do Banco Mundial, remunerará os investidores com juros, o que torna a ideia de destinar recursos à causa ambiental mais atrativa do que tem sido até aqui.
Na teoria, a ideia é excelente. Só que havia tantos pontos imprecisos na proposta original que muitos países se sentiram desestimulados em colocar dinheiro no TFFF. Tempo para corrigir as falhas, também houve. A ideia foi apresentada pela delegação brasileira pela primeira vez na COP28, em Dubai, há dois anos. Desde então, a proposta hibernou como se tivesse sido esquecida.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou do TFFF logo na sessão de abertura da COP30 e o ministro da Fazenda Fernando Haddad teve a oportunidade de explicar o projeto em detalhes para jornalistas do mundo inteiro em uma entrevista coletiva horas depois. Haddad, no entanto, não deu explicações convincentes. Apenas se limitou a repetir o argumento de que os países ricos devem pagar a conta da preservação das florestas que, de um modo geral, se localizam em países pobres do “Sul Global” — que é a expressão “woke” usada para se referir ao que antes se chamava de Terceiro Mundo.
Ou seja, insistiu, durante a COP, no mesmo argumento que defende toda vez que tenta explicar sua insistência em aumentar impostos no Brasil. A conta, segundo ele, deve ser paga pelos ocupantes do “andar de cima”, ou seja, pelos países ricos. É aí que está a questão! A princípio, nenhuma liderança sensata, com poder de decisão, discorda das ideias de Haddad. A questão é que, independentemente das razões que motivaram a criação do TFFF, o governo brasileiro, que é o pai da ideia, deveria ter se cercado de cuidados para que a iniciativa não fosse prejudicada pela falta de clareza.
O intervalo de dois anos entre a COP28 e a COP30 representou um tempo mais do que suficiente para que os especialistas do Ministério da Fazenda esmiuçassem a estrutura do TFFF e eliminassem toda e qualquer dúvida que, porventura, dificultassem sua aceitação. Só que não. Tanto assim que, dos US$ 10 bilhões que eram esperados em aportes dos países ricos durante a COP30, pouco menos de US$ 6 bilhões foram prometidos (incluindo-se aí o investimento de US$ 1 bilhão feito pelo próprio Brasil).
E mais: um dos países que, por seu histórico, era dado como certo na lista de investidores do TFFF, mas que não se manifestou a respeito até a tarde de sexta-feira, foi a Alemanha. Que, por sinal, foi envolvida por políticos e jornalistas brasileiros num debate estéril, quase infantil, que apenas serviu para fazer barulho e desviar o debate em torno da conferência ambiental do ponto que realmente interessa.
Pois bem. Na segunda-feira passada, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, durante um Congresso Empresarial, em Berlim, ao elogiar seu país, disse palavras que soaram como ofensa grave a Belém e magoaram as autoridades brasileiras:
“Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo”, disse o chanceler, referindo-se à Alemanha. E prosseguiu: “Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta-feira para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos”.
Nem bem ele terminou a frase e a turma começou a se queixar — como se essas palavras tivessem o efeito de uma declaração de guerra. Teve gente que perdeu o prumo e dirigiu a Merz palavras como nazista, xenófobo e outras ofensas que não deveriam se aplicar a alguém que se limitou a dizer o que qualquer comparação superficial entre as condições de Berlim e Belém expõe sem qualquer dificuldade.
Desperdício de oportunidade
Existe alguma dúvida em relação à superioridade estrutural da capital da Alemanha em relação à capital do Pará? Experimente, então, comparar as estatísticas de saneamento, criminalidade, infraestrutura, saúde pública, mobilidade urbana e qualquer outro indicador de qualidade de vida. Quem procurar qualquer sinal de dejetos humanos nas águas do rio Spree, que corta do centro de Berlim, dificilmente encontrará. Quem fizer o mesmo no igarapé Piraíba, em Belém, ficará nauseado pelo mau cheiro e pelas imagens desagradáveis de sujeira boiando nas águas.
Em qualquer indicador de qualidade de vida, Berlim, sem dúvida e sem demagogia, muito dá de 7 a 1 na capital paraense — que, ao sediar a COP30, acabou se expondo ao julgamento geral. Se quisesse ouvir apenas elogios, que se esforçasse para merecê-los.
A reação correta diante da crítica seria admitir que há muito a ser feito para melhorar as condições de vida na cidade. Mas não. No final, a impressão que fica da COP30 é que o Brasil desperdiçou uma oportunidade e tanto de deixar claro para o mundo o potencial indiscutível que o setor privado nacional tem para liderar a corrida pela transição energética e pela descarbonização do planeta. E de se firmar como o protagonista de um debate que, no final das contas, acabou contaminado por questões que em nada contribuem para melhorar a atratividade do país para investidores e líderes mundiais.
Penetra na festa
A propósito, o desperdício de oportunidades é outra situação que o Brasil esbanja perante o mundo. E que se aplica não só à COP30, mas também ao outro acontecimento de destaque da semana — a votação do relatório de Derrite. Se o tema continuar sendo reduzido pelo governo a uma mera queda de braços com oposição, a lei que endurece o tratamento aos integrantes das facções criminosas pode acabar perdendo força e se desviando dos objetivos cobrados pela sociedade. E o país perderá uma oportunidade de estabelecer critérios para a punição de bandidos com o rigor que a gravidade de seus crimes exige.
Não é segredo para ninguém que o governo chegou atrasado ao debate sobre a segurança pública e só entrou na discussão depois que as pesquisas de opinião expuseram o risco de pagar caro por essa omissão nas eleições de 2026. O problema é que, ao entrar tarde na pista, o governo quis atrair para si os holofotes de uma festa em que entrou como penetra.
Isso mesmo. O projeto de Lei Antifacções elaborado pela equipe do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e encaminhado à Câmara dos Deputados em caráter de urgência não passou de uma tentativa de buscar protagonismo num debate que a oposição domina há anos. A impressão foi a de que, para o governo, mais importante do que o conteúdo da matéria, era ter reconhecida a paternidade de um projeto que, mais adiante, renderá muitos dividendos eleitorais. No final, porém, o pai da criança acabou sendo Derrite.
No calor da reação à derrota, os articuladores do governo demonstraram que não deram a batalha por perdida e que ainda contam com o Senado para cravar o nome de Lewandowski na certidão de nascimento da proposta. Chega a ser uma contradição. Afinal, o ministro se mostra mais à vontade como defensor de penas brandas para os criminosos do que no de paladino na luta contra o crime.
Seis versões
Nesse esforço, os “articuladores” do governo — que conseguiram atrair para seu lado apenas o PT e os partidos de esquerda e de extrema-esquerda que integram a linha auxiliar de apoio ao governo — adotaram um caminho que mais ajuda a explicar a derrota do governo na votação do que a ampliar as possibilidades de reverter a situação quando o projeto, caso venha a ser alterado no Senado, retornar à Câmara para nova discussão. Eles criticaram, por exemplo, a quantidade de versões — foram cinco, antes da que viria a ser aprovada — que o relatório teve antes de ser aprovado pelo placar acachapante de 370 a 110.
É aí que está o xis da questão. Ao invés de um defeito, a quantidade elevada de versões refletiu a disposição do relator para consultar juristas, pedir opiniões, ouvir críticas, acatar sugestões e corrigir as imperfeições que foram detectadas nos poucos dias que teve para realizar seu trabalho. Derrite negociou com todos os setores da Câmara. Menos com os líderes do governo que, apegados à missão de aprovar o texto de Lewandowski, custasse o que custasse, não quiseram conversa. E que, depois da derrota consumada, saíram dizendo que foi Derrite que não quis lhes dar ouvidos.
No final, o líder do PT, Lindbergh Farias (PT/RJ), atribuiu ao texto aprovado a intenção de blindar políticos contra investigações e frear as ações da Polícia Federal. Só não explicou como isso poderá acontecer. A ministra das relações institucionais Gleisi Hoffmann classificou o texto como “lambança jurídica”. E o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a lei, caso fique como está, dificultará o acesso da Justiça “ao andar de cima do crime organizado”.
O projeto que saiu da Câmara pode, sim, ser aperfeiçoado no Senado. Mas tentar ressuscitar o texto original de Lewandowski, como o governo vem fazendo, é jogar no lixo a possibilidade de ter uma lei que não concede regalias aos condenados por crimes bárbaros. E que aumenta as punições previstas para esses crimes. Será que não vale a pena deixar de combater o crime com as soluções improvisadas propostas por Lewandowski e planejar um caminho diferente? É isso que a sociedade deseja.
(Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/nuno-vasconcellos/2025-11-23/o-pais-do-improviso-e-do-desperdicio-de-oportunidades.html)
“. . .a credibilidade não é um bem estático, guardado em cofres blindados, mas um organismo vivo, que exige manutenção constante, vigilância institucional e disposição permanente para corrigir erros antes que se transformem em fissuras irreparáveis.”. . .
“As saias de filó da verdade”
(Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, Coluna Visto, lido e ouvido, Blog do Ari Cunha, CB, 23/11/25)
Com o avanço vertiginoso da era digital e a difusão irrestrita de plataformas que permitem a qualquer cidadão produzir conteúdo de aparência jornalística, consolidou-se um ambiente em que a antiga guarda da imprensa, antes protegida pelo rigor institucional e pela solidez de seus procedimentos editoriais, perdeu a oportunidade crucial de afirmar sua autoridade moral e reconstruir, tijolo por tijolo, a confiança que deveria sustentar sua própria razão de existir, já que a multiplicação de vozes sem curadoria tornaria ainda mais valioso um jornalismo comprometido com a precisão, a responsabilidade e a transparência.
Em vez desse movimento natural, verificou-se um processo curioso de erosão interna, no qual veículos, historicamente reconhecidos por sua firmeza ética, foram, gradualmente, cedendo às pressões políticas, às disputas de narrativas e às tentações do espetáculo, abrindo espaço para que sua reputação fosse questionada justamente quando o mundo mais necessitava de um norte confiável.
Contextualizar esse fenômeno demanda revisitar a trajetória da British Broadcasting Corporation, fundada em 1922 como British Broadcasting Company e transformada, dois anos depois, em uma corporação pública orientada pelo princípio de servir ao interesse coletivo por meio de informação responsável, educação crítica e entretenimento de qualidade, alicerces que permitiram, à instituição, ao longo do século XX, consolidar uma credibilidade quase inabalável, baseada na convicção de que a informação não pertence a governos, corporações ou grupos de pressão, mas ao público que confia na imprensa para iluminar zonas de sombra e revelar complexidades que discursos simplificados tentam frequentemente ocultar. A solidez dessa reputação sustentou a BBC em guerras, crises econômicas e turbulências políticas, transformando-a em símbolo global de seriedade e rigor jornalístico.
Situação distinta, porém, parece caracterizar os últimos anos, período em que a corporação passou a enfrentar questionamentos judiciais relacionados tanto a conteúdos considerados enganosos, quanto a práticas editoriais vistas como incompatíveis com seus próprios padrões históricos. Relatórios internos e documentos parlamentares do Reino Unido registram que dezenas de processos por difamação e danos reputacionais foram movidos contra a BBC na última década, alguns envolvendo alegações de edições descontextualizadas, que teriam alterado o sentido original de pronunciamentos públicos, outros referentes a programas investigativos, cuja agressividade metodológica, embora tradicional no jornalismo de denúncia, ultrapassou limites éticos e resultou em indenizações e retratações. Somam-se, a isso, episódios graves como o caso Savile, que revelou omissões internas, lentidão investigativa e falhas de supervisão que, somadas ao impacto social do escândalo, abalaram a confiança institucional e revelaram tensões profundas entre autonomia editorial e dever de proteção ao público.
Reações a essas crises não se limitaram à retórica de reparação, pois a corporação, reconhecendo a gravidade dos abalos, promoveu uma revisão estrutural conduzida por Sir Nicholas Serota, cuja trajetória no setor cultural britânico é marcada por integridade intelectual, habilidade de diagnosticar fragilidades institucionais e compromisso inequívoco com padrões éticos elevados. A chamada revisão Serota percorreu documentos internos, séries de entrevistas e diagnósticos minuciosos sobre a cultura organizacional da BBC, identificando pontos cegos que permitiram que erros se acumulassem sem resposta imediata, revelando também que parte do problema derivava de uma hierarquia excessivamente dependente de processos burocráticos, que retardava a apuração de denúncias internas e, ao mesmo tempo, criava um ambiente em que o receio de abalar a reputação institucional se sobrepunha à necessidade de reconhecer falhas.
Recomendações resultantes dessa análise levaram à criação de canais independentes de denúncia, ao fortalecimento de comitês editoriais, à reformulação de procedimentos de verificação e à ampliação de mecanismos de transparência, com o objetivo de reconstruir, por dentro, os alicerces que sustentam a credibilidade pública. Esses ajustes demonstram que a credibilidade não é um bem estático, guardado em cofres blindados, mas um organismo vivo, que exige manutenção constante, vigilância institucional e disposição permanente para corrigir erros antes que se transformem em fissuras irreparáveis. Compreender a importância desse processo exige reconhecer o papel singular de Serota, cuja intervenção não apenas delineou uma espécie de cartografia ética da corporação, mas também consolidou a percepção de que a saúde institucional depende menos da ausência absoluta de falhas e mais da capacidade de enfrentá-las com franqueza, profundidade e coragem. A cultura de responsabilização iniciada a partir de seu relatório criou condições para que a BBC buscasse recuperar padrões que a haviam distinguido de tantos outros veículos, permitindo que a instituição tivesse força interna para admitir, publicamente ,equívocos e produzir reparações compatíveis com a gravidade das falhas cometidas.
Nada disso, entretanto, resolve o dilema maior que assombra o jornalismo contemporâneo: a luta cotidiana pela verdade. A proliferação de narrativas concorrentes, a competição por atenção, o imediatismo das redes e a tendência crescente de transformar opinião em fato criam um ambiente em que a verdade parece vestir múltiplas camadas, como se necessitasse de inúmeras saias de filó para proteger sua essência mais frágil da voracidade do mundo.
A frase que foi pronunciada:
“Os lugares mais quentes do inferno são reservados para aqueles que permaneceram neutros durante tempos de grandes provações morais.”
(Dante Alighieri)
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/as-saias-de-filo-da-verdade/)
O camaleão PeTezuelano!
“Lula sobre Merz: “Problema de experiência política””
– Segundo o presidente brasileiro, o chanceler alemão “veio para o Brasil mas a cabeça dele ficou em Berlim”.
(Redação O Antagonista, 23/11/25)
O presidente Lula deu detalhes sobre sua conversa com o chanceler alemão Friedrich Merz (foto) durante a Cúpula do G20 em Joanesburgo, na África do Sul.
Ao responder a perguntas de jornalistas neste domingo, 23, o petista contou sobre o que teria falado com Merz em uma reunião bilateral.
“Eu apenas contei uma história para o primeiro-ministro alemão. Eu disse para ele que a nossa cabeça pensa onde os nossos pés pisam“, afirmou Lula.
“Como possivelmente ele não tenha saído à noite. Não tenha comido a maniçoba. Não tenha comido um filhote e não tenha dançado um carimbó, ele veio para o Brasil mas a cabeça dele ficou em Berlim“, disse.
“Então ele não conseguiu conhecer Belém. Eu disse isso para ele. E eu disse para ele que, quando eu vou para Berlim, embora eu goste muito do Brasil, quando eu chego na Alemanha eu como chucrute, como joelho de porco. Como linguiça e salsicha nas carrocinhas. Eu não vou viajar para outro país para ficar querendo comer feijoada“, afirmou Lula.
“Acho que é um problema de experiência política. Na próxima vez que ele viajar ao Brasil, acho que ele vai aprender a gostar do Brasil.”
COP30
Após passar 20 horas em Belém para participar da Conferência das Partes da ONU para o Clima, a COP30, o chanceler alemão falou com jornalistas de seu país.
“Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos“, disse Merz.
Sem desculpas
Na quarta, 19, o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, afirmou que Merz não irá se desculpar pela declaração sobre Belém.
Kornelius destacou que a fala de Merz foi tirada de contexto e “dizia essencialmente respeito ao desejo da delegação de voltar para casa após um voo noturno muito cansativo e um longo dia em Belém.”
“O Brasil certamente também está entre os países mais bonitos do mundo. Mas, o fato de o chanceler alemão estar fazendo uma pequena distinção aqui, não me parece algo condenável”, disse o porta-voz.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/politica/lula-sobre-merz-problema-de-experiencia-politica/)
“Daily Mail fecha acordo para comprar o Telegraph por US$ 655 milhões”
– O acordo criará um dos mais poderosos grupos de mídia de direita da Grã-Bretanha.
(Por Bloomberg — Londres, O Globo, 22/11/25)
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“A Daily Mail & General Trust Plc (DMGT) anunciou a compra do Telegraph Media Group por £ 500 milhões, criando um poderoso grupo de mídia de direita na Grã-Bretanha. Este movimento ocorre em meio ao crescente apoio ao partido populista Reform UK. A DMGT garantiu a independência editorial do The Daily Telegraph, enquanto se prepara para as submissões regulatórias. A RedBird Capital Partners havia retirado sua oferta anterior devido a reações internas e questões regulatórias.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/11/22/daily-mail-fecha-acordo-para-comprar-o-telegraph-por-us-655-milhoes.ghtml
“Espaço se torna a última fronteira para os data centers. Será a solução?”
– Com centros de dados para IA demandando volume de eletricidade gigantesco, mentes poderosas da corrida tecnológica miram no sol como fonte ilimitada de energia.
(Por Filipe Vidon — São Paulo, O Globo, 23/11/25)
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“Empresas de tecnologia, incluindo OpenAI, Amazon e SpaceX, exploram data centers no espaço para reduzir o consumo de energia dos centros terrestres. A ideia visa aproveitar energia solar contínua e resfriamento natural no vácuo espacial. Apesar de viável tecnicamente, desafios econômicos e de infraestrutura persistem. A iniciativa reflete a crescente demanda energética dos sistemas de IA e busca soluções sustentáveis.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/11/23/espaco-se-torna-a-ultima-fronteira-para-os-data-centers-sera-a-solucao.ghtml
“Entrevista: Paulo Artaxo vê ‘vitória do lobby do petróleo’ na COP30 e defende abandono da obrigação de consenso para decisões”
– Cientista acredita que a conferência ‘trabalhar’ com a busca por uma maioria traria melhores resultados nas negociações.
(Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro, O Globo, 23/11/25)
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“Na COP30, o cientista Paulo Artaxo critica a influência do lobby do petróleo e a ausência de um plano concreto para eliminar combustíveis fósseis no texto final. Ele defende mudanças nos processos decisórios da ONU, sugerindo que decisões sejam tomadas por maioria ao invés de consenso, para facilitar avanços climáticos. Segundo Artaxo, o Brasil teve acertos ao priorizar medidas de ação, mas enfrenta desafios devido à resistência de interesses econômicos.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/23/entrevista-paulo-artaxo-ve-vitoria-do-lobby-do-petroleo-na-cop30-e-defende-abandono-da-obrigacao-de-consenso-para-decisoes.ghtml
“Entrevista: ‘COP30 não foi a mais importante da história por ter omitido os combustíveis fósseis’, avalia Carlos Nobre”
– Cientista entende que a conferência ‘não avançou de forma muito importante’ e prevê que a iniciativa da presidência brasileira de buscar um ‘mapa do caminho’ paralelo para combate ao desmatamento e ao uso de fósseis encontrará resistência até a COP31.
(Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro, O Globo, 23/11/25)
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“Carlos Nobre critica a COP30 por omitir combustíveis fósseis, um tema crucial na luta contra mudanças climáticas. Apesar dos esforços do Brasil em criar um “mapa do caminho” para desmatamento e fósseis, a resistência de países como China e Arábia Saudita impediu avanços significativos. Nobre destaca a importância de insistir nesse debate na COP31 e acredita no fortalecimento da ciência nas próximas conferências.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/23/entrevista-cop30-nao-foi-a-mais-importante-da-historia-por-ter-omitido-os-combustiveis-fosseis-avalia-carlos-nobre.ghtml
Cada vez “se-chafurda-se” mais!
“Eduardo Bolsonaro defende fuga de condenados e diz que ‘vale a pena lutar pela liberdade'”
– Deputado afirma que Ramagem e condenados do 8 de Janeiro deveriam deixar o país.
(Por O GLOBO — Rio de Janeiro, 23/11/25)
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“Eduardo Bolsonaro defendeu a fuga de condenados relacionados à trama golpista de 8 de janeiro, incluindo Alexandre Ramagem, alegando injustiça nas decisões do STF. Ele afirmou que “vale a pena lutar pela liberdade”. As declarações ocorreram após a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, que tentou burlar a tornozeleira eletrônica. Ramagem estaria em Miami, não informando às autoridades sobre sua saída do país.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/22/eduardo-bolsonaro-defende-fuga-de-condenados-e-diz-que-vale-a-pena-lutar-pela-liberdade.ghtml
“Do ‘mau militar’ à prisão junto com generais: linha do tempo do GLOBO mostra principais momentos da carreira de Jair Bolsonaro”
– Com trajetória marcada por insubordinação e entrada na política, capitão que chegou à Presidência da República tornou-se condenado por tentativa de golpe de Estado.
(Por Caio Sartori — Rio de Janeiro, O Globo, 23/11/25)
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“A trajetória de Jair Bolsonaro, de “mau militar” a presidente do Brasil, culminou em sua prisão por tentativa de golpe de Estado. Condenado ao lado de generais e outros oficiais, Bolsonaro foi detido por risco de fuga e violação de tornozeleira eletrônica. Eleito em 2018, reconfigurou a política nacional e criou o “bolsonarismo”, mas sua imagem deteriorou-se, resultando em fracasso na reeleição e investigações criminais.’ (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/23/do-mau-militar-a-prisao-junto-com-generais-linha-do-tempo-do-globo-mostra-principais-momentos-da-carreira-de-jair-bolsonaro.ghtml
“Encruzilhada à direita: prisão amplia dúvidas sobre força do bolsonarismo e sucessão nas urnas em 2026”
– Cientistas políticos e antropólogos que estudam a evolução do fenômeno desde 2018 afirmaram ao GLOBO que a maior privação de liberdade pode afetar o papel de Bolsonaro como cabo eleitoral e fragmentar seu campo.
(Por Bernardo Mello e Caio Sartori — Rio de Janeiro, O Globo, 23/1/25)
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“A prisão preventiva de Jair Bolsonaro pode fragmentar o bolsonarismo e impactar sua influência eleitoral em 2026, segundo especialistas. A ausência de um sucessor definido ameaça a continuidade do movimento. A perda de apoio e menções ao ex-presidente nas redes já é visível. A pauta de segurança pode ganhar destaque político, enquanto o uso estratégico de IA tenta manter sua imagem viva.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/23/encruzilhada-a-direita-prisao-amplia-duvidas-sobre-forca-do-bolsonarismo-e-sucessao-nas-urnas-em-2026.ghtml
E bota zeros à esquerda nisso!
“Ações de filhos justificaram derrotas jurídicas e prisão de Bolsonaro nos últimos meses; relembre”
– Convocação de vigília, vídeo, fuga e publicações nas redes sociais pelos três filhos de Bolsonaro já foram citadas por Moraes em decisões nos últimos meses.
(Por Dimitrius Dantas — Brasília, O Globo, 23/11/25)
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“As ações dos filhos de Jair Bolsonaro foram determinantes para suas recentes derrotas jurídicas e prisão preventiva. Decisões dos filhos, como a convocação de vigílias e a fuga para os EUA, justificaram a conversão da prisão domiciliar em preventiva, segundo o ministro Alexandre de Moraes. Publicações nas redes sociais também foram citadas como tentativas de obstrução de justiça e riscos de fuga.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/23/acoes-de-filhos-justificaram-derrotas-juridicas-e-prisao-de-bolsonaro-nos-ultimos-meses-relembre.ghtml
Nicho eleitoral!
“6 Estados têm mais trabalhadores informais do que formais”
– Todos estão nas regiões Norte e Nordeste; Maranhão lidera com taxa de informalidade de 57%.
(Hamilton Ferrari, Poder360, 22/11/25)
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que 6 Estados do Brasil têm mais trabalhadores informais do que formais: Maranhão, Pará, Piauí, Amazonas, Bahia e Ceará. Todas as unidades da Federação do Norte e do Nordeste registram taxa de informalidade acima da média nacional, que é de 37,8%.
Os percentuais são do 3º trimestre de 2025 e constam na Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
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+em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/6-estados-tem-mais-trabalhadores-informais-do-que-formais/
2 X e meia a população de Gaspar!
“Como Bolsonaro, Brasil tem 200 mil presos em celas sem condenação final”
– Ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF, mas processo ainda não foi finalizado; decisão de Moraes é preventiva…
(Rafael Barbosa, Poder360, 23/11/25)
O Brasil tem 200.464 presos em celas físicas cujos processos ainda não foram finalizados. Essa situação é semelhante à do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de 70 anos, que está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília de forma preventiva, desde sábado (22.nov.2025), por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Bolsonaro foi condenado, em 11 de setembro deste ano, a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe. A decisão foi tomada pela 1ª Turma do STF. Entretanto, o processo contra ainda não foi concluído, está na análise da última etapa de recursos possíveis.
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+em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/como-bolsonaro-brasil-tem-200-mil-presos-em-celas-sem-condenacao-final/
Folha 105 (016)
“Lourenço Diaféria preferiu sargento morto a Duque de Caxias e foi preso pela ditadura”
– ‘O povo urina nos heróis de pedestal’, escreveu o cronista em texto que irritou militares.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
O sargento Sílvio pulou no poço das ariranhas (1) para salvar um garoto de 14 anos que estava sendo dilacerado pelos bichos. O menino sobreviveu. O sargento morreu. Lourenço Diaféria (2) escreveu sobre ele em crônica publicada na Folha, em 1977. E não teve dúvida: “Prefiro esse sargento herói ao Duque de Caxias” (3).
“O Duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua”, escreveu o cronista paulistano. “O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal.”
Diaféria contrapôs o sargento morto aos heróis de bronze, “irretocáveis e irretorquíveis, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar”. O povo, segundo ele, queria “o herói sargento que seja como ele: povo”.
O cronista via no gesto do sargento uma lição para o país: “Ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos”.
O artigo gerou uma crise com os militares. No dia 15 de setembro daquele ano, Diaféria foi preso em sua casa e levado para um prédio da Polícia Federal na rua Piauí, em Higienópolis. Foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional.
A Folha reagiu já no dia seguinte, num ato que tornou ainda mais pesado o clima com os militares. Além de anunciar a prisão no alto da primeira página, tomou a atitude inédita de deixar em branco o espaço dedicado à coluna do colaborador preso.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (4), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Herói. Morto. Nós (1/9/1977)
Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos.
O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.
Que nome devo dar a esse homem?
Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.
Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim, o herói -como o santo- é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.
O herói redime a humanidade à deriva.
Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major.
Está morto.
Um belíssimo sargento morto.
E todavia.
Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias.
O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel -onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer- oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.
O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.
No instante em que o sargento -apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher- salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos.
Esse sargento não é do grupo do cambalacho.
Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar. Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais.
É apenas um homem que -como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem- não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa.
O povo prefere esses heróis: de carne e sangue.
Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais.
É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo. A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos. O herói e o santo é o que derrama seu sangue. Esse é o preço que deles cobramos.
Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas -como você tirou o menino de catorze anos- mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar.
Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos.
E este é o nosso grande remorso: o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/lourenco-diaferia-preferiu-sargento-morto-a-duque-de-caxias-e-foi-preso-pela-ditadura.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2018/08/apos-serem-quase-extintas-ariranhas-retornam-a-rios-na-amazonia.shtml
(2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2021/01/pacato-lourenco-diaferia-publicou-cronica-que-gerou-crise-com-militares.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/11/idolo-de-bolsonaro-duque-de-caxias-tem-aura-ambigua.shtml
(4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
Será MeuBomJe?
Nesse momento, o “Parmera” está em campo, contra o Tricolor carioca, usando um uniforme verde-amarelo-azul e branco!
Homenagem ao seu torcedor símbolo, o capitão zero zero, que está guardado na PF em Brasília?
A força do Cristianismo!
“As maiores estátuas de Jesus Cristo do mundo em escala de comparação 3D”
Veja uma comparação em 3D impressionante das maiores estátuas de Jesus Cristo do mundo! Numa escala de comparação, este vídeo mostra suas alturas reais, estrutura e escala visual em uma animação 3D fácil de entender.
Fonte: https://obutecodanet.ig.com.br/as-maiores-estatuas-de-jesus-cristo-do-mundo-em-escala-de-comparacao-3d/
Vídeo: https://youtu.be/nvZFclYDZEQ
“Oportunidade perdida”
(Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, Coluna Visto, lido e ouvido, Blog do Ari Cunha, Correio Braziliense, 22/11/25)
Quando a lona do circo finalmente pegou fogo, não havia mais dúvida: a COP30 em Belém do Pará se confirmou como a tragédia anunciada que tantos já previam. Os problemas vinham desde cedo com improvisações, sinalizações precipitadas e um governo mais preocupado com a vitrine do que com a substância, e as várias críticas acumuladas ao longo da preparação agora explodem em cinzas. Em primeiro lugar, a crise de hospedagem que dominou os bastidores do evento foi um escândalo. A ONU, por meio do secretário-executivo da Convenção do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, chegou a recomendar a redução das delegações devido à falta de acomodações e ao custo exorbitante em Belém. Hotéis cobraram tarifas com diárias muito acima do que a estrutura da ONU considera aceitável, com exigência de estadia mínima um modelo que fragiliza a participação de países mais pobres e compromete a credibilidade da conferência. Para diplomatas do Panamá, por exemplo, os valores eram “insanos e insultuosos”.
Essa situação gerou forte “caldo negativo de confiança” e alimentou a narrativa de que a COP30 foi pensada para impressionar, não para produzir. Além disso, as críticas levantadas por lideranças indígenas e do Ministério Público Federal foram contundentes. No estande do MPF, a promotora Eliane Moreira denunciou que menos de 1% dos recursos globais de financiamento climático chega verdadeiramente às comunidades de base enquanto os mecanismos de mercado, como o REDD+, funcionam como “licenças para corporações continuarem poluindo”, mercantilizando territórios e naturalizando violações de direitos. A Convenção 169 da OIT, segundo essas lideranças, tem sido ignorada: há relatos de ausência de Consulta Prévia, Livre e Informada, além de contratos de longo prazo (30 a 50 anos) com cláusulas sigilosas, que colocam populações indígenas em situação de vulnerabilidade e cooptação. Na arena política, a COP30 também sofreu ataques internos: parlamentares de 47 países aprovaram 25 diretrizes durante a conferência, exigindo transição energética justa, adaptação climática e proteção dos povos indígenas, denunciaram que o modelo atual de financiamento climático é falho e exigiram mais participação democrática nos compromissos.
Por trás dos discursos de celebração, muitos viam uma conferência divorciada das bases, mais espetáculo do que ação concreta. E como se não bastasse, veio o incêndio: uma chama real tomou a chamada Zona Azul onde ocorrem as negociações, obrigando a evacuação de delegados num momento crucial de fechamento de acordos. Treze pessoas foram tratadas por inalação de fumaça. O fogo, segundo relatos, teria começado por falha elétrica (possivelmente um gerador ou até um micro-ondas) e se espalhou rapidamente por tendas fabricadas para o evento. Esse episódio simboliza, de maneira dramática, o colapso logístico e a fragilidade estrutural desta COP: uma conferência internacional que organizou tendas improvisadas para receber os grandes povos do mundo, mas não garantiu segurança mínima. O fato de a ONU ter já enviado alertas em carta ao governo brasileiro, mencionando portas defeituosas e infiltrações de água nas estruturas, apenas reforça que os riscos eram conhecidos. Há uma clara dissonância entre o discurso de “COP da Amazônia” e a realidade de uma infraestrutura montada às pressas, sem o devido controle.
Somemos a isso os protestos: indígenas e ativistas invadiram a conferência, denunciando que a Amazônia estava sendo usada como cenário de marketing, enquanto prioridades locais, como saúde, saneamento, educação e proteção territorial, eram negligenciadas. Para muitos desses grupos, a COP30 se tornou um palco vazio com simbolismo, mas sem justiça real. Esse cenário é ainda mais grave quando se considera a natureza política do encontro: a união entre o governo federal e lideranças locais do Pará tem sido vista como parte de uma engrenagem de poder que explora a Amazônia para ganhos simbólicos e eleitorais.
A escolha de Belém não seria apenas um gesto ambiental, mas uma manobra para mostrar força diplomática, mas o espetáculo se revelou cada vez mais frágil e disfuncional.
Quando a construção é superficial feita para a imagem, não para a ação, o risco é alto: a máscara cai, o palco pega fogo, e quem mais paga a conta são os mais vulneráveis. Belém, com todo o seu potencial simbólico, deveria ter sido palco de uma virada climática. Mas virou exemplo de desorganização, despreparo e desrespeito com desvios do foco. Que essa COP sirva de alerta: compromissos ambientais precisam de infraestrutura, competência, responsabilidade e participação, não apenas de discursos e posturas.
Frase que foi pronunciada:
“Deveria nos alarmar que veremos nossos primeiros trilionários em poucos anos, enquanto quase metade da humanidade ainda vive na pobreza. Ao mesmo tempo, está mais claro do que nunca que a emergência climática é uma crise de desigualdade”.
(Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Cyril Ramaphosa e Pedro Sánchez no Financial Times)
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/oportunidade-perdida/)
“A ética perdida”
(Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, Coluna Visto, lido e ouvido, Blog do Ari Cunha, Correio Braziliense, 21/11/25)
Criada na Grécia antiga pelos filósofos Sócrates, Platão e, principalmente, Aristóteles, a ética sempre foi entendida como um eixo orientador da vida humana, um critério para a virtude, para a justiça e para a convivência social pautada pelo bem comum. Não por acaso, transformou-se em disciplina própria dentro da filosofia, justamente porque estabelece o fundamento do que deve ser uma vida virtuosa, pacífica e feliz. Quando se observa esse legado, percebe-se que ética e moral são indissociáveis, sobretudo nas relações sociais e políticas, pois ali se decide não apenas o destino de instituições, mas de gerações inteiras.
Na política, ética não é um ornamento teórico; é condição de governança. Envolve honestidade, transparência, responsabilidade, justiça e respeito aos direitos humanos. Sem esses princípios, qualquer governo, por mais robustas que sejam suas estruturas, transforma-se em mero simulacro de poder, incapaz de promover desenvolvimento real ou estabilidade institucional. O Brasil conhece bem esse processo corrosivo. Há décadas, a população assiste, perplexa e cada vez mais descrente, ao desfile contínuo de escândalos de corrupção que corrói a confiança no Estado e fere de morte a própria democracia.
Do Mensalão à Operação Lava Jato, passando agora pelos casos de desvios bilionários que atingem aposentados, justamente o grupo mais vulnerável e que deveria ser protegido, o país revela, repetidas vezes, uma ferida que nunca cicatriza. A cada novo escândalo, a sensação é de que a ética se tornou presença rara, quase exótica, no exercício da política nacional. E o mais grave: enquanto a sociedade clama por integridade e justiça, o Estado e seus representantes demonstram uma surdez seletiva, incapaz de ouvir a demanda mais básica de um povo que deseja apenas ser governado com decência.
É preciso reconhecer um fato incômodo: a corrupção, no Brasil, não é fenômeno difuso ou espontâneo. É, por excelência, um produto gerado pelo próprio Estado e por seus agentes eleitos ou não. Nasce onde há concentração de poder, baixa transparência, impunidade crônica e estruturas burocráticas que facilitam o desvio, o superfaturamento e o uso privado do dinheiro público.
Ao longo do tempo, isso produziu uma cultura institucional que normaliza a imoralidade, que tolera o ilícito como método administrativo e que recompensa quem deveria ser punido. Os efeitos são devastadores. A corrupção drena recursos essenciais para a educação, a saúde, a segurança pública e a infraestrutura. Impede investimentos estratégicos, retarda o crescimento econômico, afugenta empresas sérias e desestimula qualquer tentativa de planejamento de longo prazo. Pior ainda: consolida uma pedagogia perversa para as novas gerações, ensinando, pelo exemplo dos poderosos, que vantagem pessoal vale mais do que o interesse coletivo.
Não há futuro possível para um país que cresce desconectado da ética. As crianças e jovens que hoje assistem ao noticiário e veem governantes, gestores públicos e empresários envolvidos em tramas criminosas aprendem que o Estado pode ser capturado, que a lei é maleável e que a impunidade é quase garantida. Esse aprendizado tácito destrói a confiança social e amplia o cinismo político, abrindo caminho para novas formas de autoritarismo e para o descrédito completo das instituições democráticas.
Por isso, o debate sobre ética na política não pode mais ser adiado. Trata-se de uma urgência nacional, de uma agenda civilizatória. O país precisa recuperar a centralidade da virtude na vida pública, reconstruir mecanismos de controle, fortalecer órgãos de fiscalização, proteger denunciantes e punir com rigor quem trai o interesse público. Mais do que isso: precisa reafirmar que o Estado existe para servir ao cidadão, e não o contrário.
Sem ética, nenhuma nação se sustenta. O Brasil já pagou caro demais pelo distanciamento da moralidade pública. Persistir nesse caminho é condenar as próximas gerações a um futuro reduzido, injusto e moralmente desabitado. A reconstrução ética do país é, portanto, a única obra verdadeiramente inadiável porque dela dependem todas as demais. A escola, a família e a comunidade precisam assumir um compromisso explícito com a construção de valores como honestidade, responsabilidade, respeito, empatia, justiça e valores que, quando enraizados na infância, tornam-se a base sólida de uma sociedade íntegra.
Educar eticamente não significa impor doutrinas, mas oferecer às crianças ferramentas para discernir o certo do errado, compreender as consequências de seus atos e reconhecer que o bem comum depende da ação de cada indivíduo. Ensinar ética às crianças é, portanto, uma estratégia de longo prazo para a transformação do país. É formar cidadãos capazes de rejeitar práticas imorais, pressionar por governos íntegros e participar da vida democrática com consciência e coragem. Se quisermos que as futuras gerações vivam em um Brasil mais digno, precisamos começar pelo óbvio: ensinar ética enquanto ainda estamos moldando o caráter de quem irá herdar este país. Sem isso, continuaremos reféns da mesma engrenagem que, há décadas, corrói nossa democracia e compromete nossos sonhos coletivos.
A frase que foi pronunciada:
“Não há dúvida de que, à medida que a ciência, o conhecimento e a tecnologia avançam, tentaremos realizar coisas mais significativas. E não há dúvida de que sempre teremos que ponderar essas ações com ética.”
(Ben Carson)
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/a-etica-perdida/)
“A bela árvore da educação”
(Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, Coluna Visto, lido e ouvido, Blog do Ari Cunha, Correio Braziliense, 20/11/25)
Na publicação do best seller “The beautiful tree” (*), do pesquisador James Tooley, foi aberta e exposta ao mundo uma ferida antiga e muito mal cicatrizada, relativa ao debate sobre a qualidade da educação nos países em desenvolvimento, sobretudo aquela ministrada nas escolas públicas. O pesquisador britânico demonstrou, por meio de um rigoroso trabalho de campo em diferentes continentes, algo que muitos governos tentam sistematicamente ocultar: que as populações mais pobres, cansadas da ineficiência crônica do Estado, estão criando suas próprias soluções educacionais, financiando com grande sacrifício pequenas escolas privadas de baixo custo que, embora invisíveis à narrativa oficial, produzem resultados superiores aos da rede pública.
Essa revelação foi recebida com desconforto justamente porque expôs a distância entre o discurso paternalista dos governos e a realidade enfrentada pelas famílias que vivem nas margens das estatísticas. No Brasil, essa realidade não é apenas semelhante: é ainda mais gritante. Há décadas, o país convive com um sistema educacional que consome volumes colossais de recursos públicos, mas entrega resultados medíocres, quando não desastrosos.
Ano após ano, as avaliações nacionais reiteram a incapacidade estrutural do Estado de garantir alfabetização plena, proficiência mínima em matemática ou mesmo um ambiente escolar seguro. Em vez de avanços sólidos, o que se vê são sucessivas reformas anunciadas com pompa, planos estrondosos, metas que expiram sem nunca terem sido alcançadas e, ao final, milhões de estudantes que concluem etapas escolares sem aprender o básico. Essa realidade é conhecida, debatida, lamentada, mas raramente enfrentada com honestidade. E enquanto governos discutem comissões, diretrizes e marcos regulatórios, famílias pobres brasileiras buscam alternativas.
Nas periferias urbanas, nos sertões e nas áreas ribeirinhas, florescem discretamente pequenas escolas comunitárias, creches improvisadas, instituições confessionais de baixo custo e iniciativas independentes sustentadas por mensalidades modestas, pagas com enorme esforço. Elas não contam com subsídios estatais, não são celebradas em conferências internacionais, tampouco aparecem nas estatísticas oficiais. No entanto, são procuradas porque oferecem algo essencial: ensino efetivo, disciplina, controle social direto e, principalmente, a sensação de que existe ali um compromisso real com o aprendizado das crianças.
Assim como Tooley registrou em suas viagens pela Índia ou pela África, o Brasil também tenta invisibilizar essas experiências. A burocracia estatal, ao mesmo tempo em que falha em entregar qualidade, cria barreiras para que essas iniciativas prosperem. Exige-se delas um nível de regularização estrangulador, muitas vezes incompatível com sua realidade material, ao mesmo tempo em que se tolera a precariedade estrutural da própria escola pública. O paradoxo é evidente: cobra-se excelência administrativa de quem está tentando suprir uma ausência do Estado, mas aceita-se, como inevitável, o baixo desempenho de escolas cuja manutenção consome bilhões. Trata-se de uma inversão de prioridades que revela mais sobre a proteção de interesses políticos do que sobre uma preocupação genuína com a educação de crianças pobres.
Reconhecer sua eficácia significaria admitir que o problema da educação brasileira não é, prioritariamente, falta de recursos, mas sim de gestão, accountability, responsabilidade e visão de longo prazo. Significaria aceitar que a liberdade de escolha das famílias pode produzir resultados mais sólidos do que estruturas burocráticas incapazes de se reformar. A verdade é que o Brasil vive hoje uma contradição profunda: dispõe de um dos maiores orçamentos educacionais do mundo em valores absolutos, mas entrega índices de aprendizagem comparáveis aos de países muito mais pobres.
É um esforço silencioso, invisível, doloroso, mas que revela uma fé inabalável na educação como caminho de ascensão social. O Brasil precisa encarar essa realidade com maturidade. Ignorar ou perseguir iniciativas independentes não resolverá o fracasso estrutural da educação pública. Pelo contrário, apenas ampliará o fosso entre a retórica estatal e a experiência concreta das famílias. Se o objetivo nacional é garantir aprendizagem real, então o país deve reconhecer, apoiar e estudar esses modelos alternativos, não para substituírem o Estado, mas para ensinarem ao Estado como reconstruir sua própria credibilidade.
The Beautiful Tree traz a lição de que não é que o Estado deva desaparecer. É que, quando ele falha reiteradamente, a sociedade encontra caminhos. E no Brasil, como em tantos outros lugares, a árvore bonita já começou a brotar entre os escombros da negligência oficial. Cabe aos governantes decidir se continuarão a arrancá-la, em nome de uma narrativa que não se sustenta, ou se finalmente permitirão que ela cresça, iluminando caminhos que há muito tempo deixamos de percorrer.
A frase que foi pronunciada:
“Se uma nação espera ser ignorante e livre, em um estado de civilização, ela espera o que nunca existiu e nunca existirá.”
(Thomas Jefferson)
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/a-bela-arvore-da-educacao/)
(*) “A Bela Árvore: Uma jornada pessoal sobre como as pessoas mais pobres do mundo estão se educando (Edição Kindle)”
– Após seu lançamento há alguns anos, “A Bela Árvore” foi imediatamente aclamado e elogiado por indivíduos e organizações em todo o mundo. A extraordinária habilidade de James Tooley em entrelaçar experiência pessoal, ação comunitária, coragem individual e devoção familiar levou os leitores ao âmago da educação. Este livro acompanha Tooley em suas viagens, desde a maior favela da África até as montanhas de Gansu, na China, e das crianças, pais, professores e empreendedores que lhe ensinaram que os pobres não estão à espera de esmolas educacionais. Eles estão construindo suas próprias escolas e aprendendo a se salvar. Agora em edição de bolso com um novo posfácio, “A Bela Árvore” não é mais um livro lamentando o que deu errado em algumas das comunidades mais pobres do mundo. É um livro sobre o que está dando certo e demonstra, de forma poderosa, como o espírito empreendedor e o amor dos pais por seus filhos podem ser encontrados em todos os cantos do planeta.
+em: https://www.amazon.com/Beautiful-Tree-personal-educating-themselves-ebook/dp/B00ELPRLC0
“A IA será o fim do Google? Veja por que não se deve esperar que ela desafie o monopólio do buscador”
– Em episódio recente de um podcast, capitalistas de risco argumentaram que o lançamento do Bard, o chatbot da gigante de busca, foi na verdade uma ‘benção disfarçada’.
(Por Leah Nylen, Em Bloomberg, O Globo, 22/11/25)
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“Em um episódio do podcast Acquired, capitalistas de risco discutem o impacto do lançamento do chatbot Bard do Google e a decisão judicial que considerou o monopólio de busca da empresa. Apesar das ameaças da IA, um juiz concluiu que o Google não precisaria mudar muito suas práticas. Livros recentes destacam como a falta de concorrência pode levar à estagnação e degradação dos serviços, enquanto a nova competição de IA pode não ser suficiente para desbancar o domínio do Google.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2025/11/22/a-inteligencia-artificial-sera-o-fim-do-google-nao-espere-que-desafie-o-monopolio-de-busca-da-big-tech.ghtml
“Toda a revolução tecnológica é liderada pela potência hegemônica da sua época:
a Inglaterra liderou a Revolução Industrial, e
os EUA, a revolução da computação e da internet.”
“Quais as chances de o Brasil participar da maior revolução tecnológica da História?”
– País pode se posicionar na transformação da IA de forma propositiva, mas isso demanda vontade, criatividade e ousadia de quebrar limitações e paradigmas.
(Por Tony Volpon, O Globo, 22/11/25)
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“O Brasil pode se posicionar de forma propositiva na revolução da inteligência artificial (IA), mas isso exige vontade, criatividade e ousadia para romper limitações. Com EUA e China liderando, o Brasil pode atuar como fornecedor de energia renovável e minerais raros, além de fomentar uma indústria local de aplicações de IA. É crucial adotar uma abordagem mais agressiva e holística para atrair investimentos e criar um ecossistema competitivo.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/economia/tony-volpon/coluna/2025/11/quais-as-chances-de-o-brasil-participar-da-maior-revolucao-tecnologica-da-historia.ghtml
“Elevador de 180 metros causa revolta em praia de Bali; moradores dizem que obra de R$ 37 milhões ‘desfigura’ a paisagem”
– Intervenção realizada por empresa chinesa divide comunidade local e levanta questionamentos sobre impacto ambiental.
(Por O Globo — Bali, 22/11/25)
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“Um elevador panorâmico de 182 metros em construção na Praia de Kelingking, Bali, está gerando controvérsia entre moradores e turistas. A estrutura, orçada em R$ 37 milhões e iniciada por uma empresa chinesa, visa facilitar o acesso à praia, mas enfrenta críticas por desfigurar a paisagem natural e levantar preocupações ambientais. A construção foi suspensa para revisão de licenças, refletindo a divisão entre desenvolvimento e preservação.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2025/11/22/elevador-de-180-metros-causa-revolta-em-praia-de-bali-moradores-dizem-que-obra-de-r-37-milhoes-desfigura-a-paisagem.ghtml
“Sem os EUA, Lula deverá criticar tarifaço e desinteresse por aquecimento global em cúpula do G20”
– Cúpula em Joanesburgo tem pauta complexa e pode acabar sem declaração final; apesar de ausentes, americanos assumirão presidência rotativa.
(Por Eliane Oliveira — Brasília, O Globo, 22/11/25)
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“Na cúpula do G20, sem a presença dos EUA, o presidente Lula criticará tarifas e desinteresse americano pelo aquecimento global. O evento em Joanesburgo, com pauta complexa, pode não gerar declaração final. Lula defenderá o multilateralismo e criticará sanções unilaterais, barreiras comerciais e medidas que fragilizam a governança global. A ausência dos EUA, em protesto a alegações de “racismo” na África do Sul, marcará as discussões.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/11/22/sem-os-eua-lula-devera-criticar-tarifaco-e-desinteresse-por-aquecimento-global-em-cupula-do-g20.ghtml
“Quaest: COP30 tem 35% de menções negativas nas redes, contra 20% de postagens positivas””
– Duelo de narrativas marcou a discussão do evento: se, por um lado, um grupo o defendia pela oportunidade de vitrine amazônica para o mundo, por outro, houve críticas à infraestrutura de Belém
(Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro, O Globo, 22/11/25)
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“Um estudo da Quaest revelou que 35% das menções à COP30 nas redes sociais brasileiras foram negativas, superando as positivas, que somaram 20%. A conferência gerou um duelo de narrativas: foi vista como uma vitrine para a Amazônia e símbolo de protagonismo ambiental, mas também enfrentou críticas à infraestrutura de Belém e à logística. O ativismo indígena se destacou no debate, enquanto o cenário internacional foi mais neutro, valorizando lideranças climáticas e acordos diplomáticos.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/21/quaest-cop30-tem-35percent-de-mencoes-negativas-nas-redes-contra-20percent-de-postagens-positivas.ghtml
A farra dos “amigos do rei” com recursos financeiros públicos!
“Governo Lula gasta mais e rombo nas estatais aumenta”
– Déficit nas empresas estatais cresce R$3 bilhões puxado pelos Correios.
(Redação Diário do Poder, 22/11/25)
O governo Lula (PT) decidiu liberar R$ 644 milhões em despesas que estavam congeladas neste ano. Com isso, a contenção de gastos no Orçamento de 2025 cai de R$ 8,3 bilhões para R$ 7,7 bilhões. Isso permite que o governo gaste esses recursos como quiser, em despesas obrigatórias ou discricionárias (não obrigatórias).
A liberação só não foi maior porque o governo passou a colocar fora da meta fiscal gastos na área de Defesa. Além disso, houve aumento na projeção de déficit nas estatais, que estava com previsão de R$6,2 bilhões e o rombo subiu para R$9,2 milhões, em razão do rombo continuado nos Correios.
Com isso, o governo volta a prever que as contas fecharão o ano no limite da meta, ou seja, em cerca de R$ 31 bilhões de déficit.
A decisão foi publicada no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 5º bimestre de 2025, divulgado na noite desta sexta-feira (21). O documento atualiza a projeção para c asontas públicas até o fim do ano. A liberação foi causada pela redução na projeção de despesas esperadas para os dois últimos meses de 2025.
A meta fiscal de 2025 é de déficit zero – equilíbrio entre gastos e despesas, desconsiderando os precatórios. No entanto, o governo tem uma margem que flexibiliza o centro da meta, permitindo até um déficit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o que equivale a R$ 31 bilhões.
O detalhamento oficial de quais ministérios e políticas serão contemplados com a liberação de gastos será divulgado até o fim deste mês. O detalhamento oficial de quais ministérios e políticas serão contemplados com a liberação de gastos será divulgado até o fim deste mês.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/dinheiro/ttc-dinheiro/governo-lula-gasta-mais-e-rombo-nas-estatais-aumenta)
PLANTÃO DA NOTIXA.
“Bolsonaro foi preso.”
(TixaNews, 22/11/25)
Bolsonaro já estava preso em casa. Mas agora foi para a superintendência da Polícia Federal. A decisão foi do Xandão e não é por conta da condenação do golpe. Motivo: a convocação de Flavitcho para uma vigília na frente da casa do nosso ex.
E hoje é sábado, caso alguém esteja perdido.
E se você caiu aqui nessa news de gaiato e ainda não se inscreveu é só clicar aqui:
https://tixanews.substack.com/subscribe?utm_medium=email&utm_source=post&utm_content=179635788&utm_campaign=email-checkout&next=https%3A%2F%2Ftixanews.substack.com%2Fp%2Fplantao-da-notixa-bolsonaro-foi-preso&r=6qeomv
Este tipo de confusão está no DNA dos Bolsonaros. Fazem do Brasil, um quintal de quinta. Jair Messias Bolsonaro, PL, foi incapaz a disciplina do quartel. Saíram com ele e erraram em arregar. Virou capitão da reserva. E como capitão, botou os generais a fazerem bobagens para ele e contra o processo democrático em nome de um livramento que usou falsamente, religião, família e pátria. O gado trouxa, se tornou adorador de bezerro de ouro falso. Está aí uma mancha para o conservadorismo, a direita e até os liberais. Enfilerou traições. O oportunismo é uma marca, como essa do Jair Renan, o vereador zero plantado em Balneário Camboriú querer e ANULAR uma das 16 vagas, das 20 que SC tem direito e os Bolsonaros não as salvaram naquilo que diz a Constituição, bem como o vereador zero da miliciana e faccionada Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, PL, que também quer ANULAR uma das três vagas ao Senado, sendo que uma delas, já é de Jair Messias, com o carioca, Jorge Seif Júnior, PL. Ele está lá para defender os Bolsonaros e não exatamente SC onde não possui identificação com a saga e valores barriga-verde
Folha 105 (015)
“Plínio Marcos foi censurado, mas prometeu voltar quando o sol raiasse”
– ‘Não vou me sujeitar a fazer ensaio geral na delegacia de Lorena’, escreveu o dramaturgo em 1977.
– Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.
A censura (1) não quis fornecer o alvará para Plínio Marcos (2) apresentar seu show “Humor Grosso e Maldito das Quebradas do Mundaréu” em Cruzeiro (SP). Exigiram que ele fizesse uma première para o censor em Lorena (SP), cidade vizinha. Outros artistas haviam se apresentado na cidade sem essa exigência.
“Claro que nem o distinto público, nem ninguém deve encarar esse fato como perseguição à minha pessoa”, escreveu o dramaturgo com ironia em crônica publicada na Folha, em 1977.
Plínio relatou que teria que alugar um teatro em Lorena por conta própria, convidar o censor local para assistir às suas piadas e torcer para ser aprovado. “Ou então talvez, com boa vontade, eu conseguisse que o censor de Lorena permitisse que eu fizesse ensaio na própria delegacia”, disse.
O dramaturgo perdeu o cachê que reforçaria o sustento dos três filhos. Mas não se abalou: “Ano passado me deixaram sete meses sem trabalhar e nem por isso me afobei. Sei que afobado come cru ou queima a boca”.
E relembrou episódio ainda pior: em 1968, em Goiânia, foi convocado por um chefe da Polícia Federal (3) que estava “sentado, de cueca, em cima de uma mesa” com um revólver ao lado. “Você não vai fazer espetáculo aqui”, disse o policial. “Porque você é comunista, cigano, artista, amigo dos estudantes e dos homossexuais e eu não gosto de nenhuma dessas raças.”
O texto terminou com promessa e desafio: “Não é dessa vez que vou a Cruzeiro. Fico devendo uma, até de graça farei, no dia em que o Sol raiar”.
Três meses depois, Plínio foi intimado pela Polícia Federal por causa dessa crônica e enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Não chegou a ser preso, mas foi afastado do ofício na Folha por alguns meses.
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (4), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Quando o sol raiar de novo, irei a Cruzeiro (2/5/1977)
Respeitável público de Cruzeiro, o meu show “Humor Grosso e Maldido das Quebradas do Mundaréu” não vai ser apresentado aí na terça-feira, por motivo de força maior. Aliás, de força muito maior: a Censura. Eles não quiseram fornecer o programa-alvará pra minha apresentação. Eles queriam que, mesmo o show sendo em Cruzeiro e eu morando em São Paulo, eu fosse fazer a avant-première pro Vale do Paraíba na cidade de Lorena, para o censor local. E aí eles decidiram se eu podia ou não realizar o espetáculo em Cruzeiro. Claro que nem o distinto público, nem ninguém deve encarar esse fato como perseguição à minha pessoa, muito embora Lima Duarte, Karim Rodrigues, Armando Bogus, Zé Rescedos têm também se apresentado em Cruzeiro sem ter que fazer ensaio geral em Lorena. Não, nem de leve podemos chamar isso de perseguição pessoal.
Podemos é usar isso o nome do cidadão que me “consultou” dos elevados da Polícia Federal. E eu até que estava disposto a cooperar. Mas, como iria fazer? Eu deveria ir por conta e risco até Lorena, alugar uma casa de espetáculos e então convidar o censor local pra me ver contar umas anedotas. Aí, ele assistiria a tudo e provavelmente não gostaría e não deixaria eu fazer o show em Cruzeiro. Ele, só ele, sabe o que o povo de Cruzeiro pode ou não assistir. Ou então talvez, com boa vontade, ou conseguísse que o censor de Lorena permitisse que eu fizesse ensaio na própria delegacia. Nesse país se resolve tudo com boa vontade. Naturalmente, seria uma novidade. O censor, pra ver os espetáculos, costuma ir ao teatro, nunca o teatro é feito na delegacia. Não sei se é feio esse negócio de censor ir assistir ao espetáculo ou deve censurar no teatro. Às vezes eles mudam tanto que nem sei quando é 50 ou 100%.
Mas, se é costume e imagem, se tivéssemos que levar um peça de trinta personagens, com cenário e tudo, pra ensaiar na delegacia? Não dava, né? Mas, vá lá. Eu sou especial e a Censura até facilitária pra mim, que moro em São Paulo e queriam fazer um show em Cruzeiro? Permítido que meu ensaio fosse feito na delegacia de Lorena. Mas, isso é mêlo constrangedor. Eu sei lá, de repente conto minhas piadinhas, não agrado e já fico lá. Não dá pra mim essas coisas. Sou muito tímido. Mas, também não vou reclamar. Mesmo porque, não sei com quem. E não daria tempo de resolver até terça-feira esse caso. Conheço bem os vagaros da burocracia da Censura. E também sei que uma instância lá da Polícia Federal sempre confirma o determinação da outra. Por exemplo: levou uns quatro ou cinco dias pra Censura confirmar a necessidade desse ensaio em Lorena. Eu só vim a saber na sexta-feira à tarde. Por isso, respeitável público de Cruzeiro, não fará o show anunciado aí na vossa cidade.
Perco o prazer de estar com vocês, que segundo os artistas que aí estiveram, são calorosos e vosso carinho e nos nossos aplausos. Perco também o cachê, que era bom, que ia ser bom reforço no guardarume dos meus três filhos, que estão também na escola. E que eu não ando mais ganhando isso que eles merecem e nessas coisas tem que a vida anda custando os olhos da cara). Mas, também não há de faltar. Ano passado me deixaram sete meses sem trabalhar e nem por isso me afobei. Sei que afobado come cru ou queima a boca. São essas coisas que fazem de mim um imortal, eu e os operários da Ford, que estão sendo despedidos. Nós somos imortais, não temos onde cair mortos.
Porém (e sempre tem um porém), eu ainda tenho esse emprego nas Folhas, o que me faz dar graças a Deus, porque hoje em dia, trabalhar é um favor pessoal que fazem pro trabalhador. Estou com sorte, ainda ganho meu sustento. Mas, se amanhã esse sustento me for tirado eu me conto que, já dizia Bertold Brecht, um dia eu sabia que o dia ia chegar de um lado.
O que quero contar é que é difícil sustentar a esperança na virilidade espiritual e encarar as coisas com decência e honra que se é obrigado por ter que honrar idéias. Eu, não. Sou brasileiro e acho que a Censura é tanta que nós não podemos mais ter esperança de ver essa violência que oprime todos nós brasileiros. Basta olhar que a censura permite que apareça tudo nos filmes estrangeiros que infestam a televisão (cento e setenta por semana). Nessas películas, são tratados superficialmente problemas de droga, suborno, homossexualismo, assassinatos dos mais violentos e os nossos artistas são impedidos até de dizerem que um desquitado namora uma desquitada. E isso quando tem até político escapista propondo plebiscito para aprovar ou não o divórcio.
Enfim, não é dessa vez que vou a Cruzeiro. Fico devendo uma idéia, até de graça farei, no dia em que o Sol raiar. Mas, não vou me sujeitar a fazer ensaio geral na delegacia de Lorena. Não sou calouro. Conheço as mumunhas do poder. Não tenho aquele potencial que os deêm o poder. Cheguei até a ver um dia a procramação da Independência do Estado de Goiás, por um chefe de polícia.
Fui a Goiânia levar minha peça “Dois Perdidos Numa Noite Suja”, no ano de 68. E logo que botei o pé lá, fui convidado gentilmente a ir até a presença dum chefão da Polícia Federal local. Ele estava sentado, de cueca, em cima de uma mesa e a seu lado tinha um revólver. Aí, ele me disse:
— Você não vai fazer espetáculo aqui.
Eu perguntei humildemente:
— Por quê não?
E ele não fez cerimônia em explicar:
— Porque você é comunista, cigano, artista, amigo dos estudantes e dos homossexuais e eu não gosto de nenhuma dessas raças.
Eu até tentei argumentar, mesmo achando que corria o risco de levar um tiro:
— Mas, doutor — quando me sinto com as costas no parede do fuzilamento, chamo todos doutor. — Meu alvará permite fazer espetáculo em todo o território nacional.
Aí, o zeloso censor bradou:
— Então Goiás não é mais território nacional.
E eu não pude mesmo fazer espetáculo em Goiânia, assim como não vou poder fazer agora em Cruzeiro
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/plinio-marcos-foi-censurado-mas-prometeu-voltar-quando-o-sol-raiasse.shtml)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2025/11/estudo-revela-que-90-dos-docentes-sofreram-presenciaram-ou-souberam-de-perseguicao-e-censura.shtml
(2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2021/08/plinio-marcos-escreveu-cronicas-da-quebrada-para-folha-dos-anos-1970.shtml
(3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/policia-federal/
(4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
“Alcolumbre não rompeu (só) com o líder do governo”
– Indicação de Jorge Messias gera crise entre Planalto e Senado, casa onde os projetos de Lula eram mais bem tratados do que na Câmara.
(Por Matheus Pichonelli, Último Segundo, iG, 21/11/25)
Lula (PT) e Davi Alcolumbre (União) tinham motivos para manter, no Senad o, uma relação mais amistosa do que aquela observada na Câmara liderada por Hugo Motta (Republicanos).
Alcolumbre tem interesses profundos nas incursões da Petrobras na Foz do Amazonas, localizada em seu estado, o Amapá.
Vê ali a oportunidade de jorrar em breve petróleo, votos e dinheiro em seu reduto.
Até pouco tempo, Lula tinha no Senado uma espécie de corretor automático das ousadias de deputados. Os integrantes da Casa mataram no peito e sepultaram projetos como a PEC da Blindagem. E preparavam as tesouras para aparar o PL Antifacção, que chegou por lá todo estrunchado devido às intervenções de Guilherme Derrite (PP), relator do projeto.
Isso tudo pode ir para o vinagre com a declaração de guerra de Alcolumbre a Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.
A razão é a indicação de Jorge Messias para a vaga de Luis Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal.
Alcolumbre preferia que o nome fosse Rodrigo Pacheco, senador que ele instalou na presidência do Senado quando seu mandato se encerrou. Não rolou. E ele agora diz que não tem mais relação nem institucional nem pessoal com o senador petista.
A não ser que Wagner tenha dado a ele a certeza de que convenceria Lula a mudar de ideia, a reação de Alcolumbre parece (e é) um tanto desproporcional.
Fica parecendo que escolha de ministro para o STF é como esperar a vez de assumir o controle do videogame e ser passado para trás. Não é assim que funciona.
Tudo indica que existem outras razões para a bronca. Algumas inconfessáveis.
Em Brasília, o que se comenta é que metade do mundo político anda em polvorosa com a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e suspeito de liderar uma das maiores fraudes (*) em uma instituição bancária no país. Quando o mundo político se revolta contra a PF, o alvo é quase sempre quem manda na PF. No caso, o Ministério da Justiça. Logo, o Governo Federal, que pode criar pressão pela troca dos delegados escolhidos para postos-chave. O diretor, por exemplo.
E a pressão sobre Lula está pesada. Basta lembrar que toda vez que Flávio Dino, indicado do presidente ao Supremo, mexe nas emendas parlamentares, é a orelha dele que queima.
Eduardo Cunha, quando presidia a Câmara, rompeu com o governo antes de levantar na unha o impeachment contra Dilma Rousseff (PT).
Motta já indicou de que lado está.
E Alcolumbre começa a se pintar para a guerra.
Todo mundo sabe que romper com o líder do governo significa, na prática, um rompimento com o próprio governo.
E, a não ser que a turma do “deixa disso” (**) entre em campo logo, a história de rompimentos do tipo nunca acaba bem.
(Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2025-11-21/alcolumbre-nao-rompeu-so-com-o-lider-do-governo.html)
(*) Na PeTezuela, cada novo escândalo, supera o imediatamente anterior, que já era tido o maior da história.
(**) Leia-se: “di$$o”. . .
“O alimento chave que as pessoas que vivem mais de 100 anos em Okinawa, no Japão, comem”
– Numa remota ilha japonesa, a expectativa de vida desafia os limites conhecidos, e um tubérculo ancestral se ergue como pilar fundamental de sua dieta.
(Por La Nacion, O Globo, 21/11/25)
. . .
“Em Okinawa, Japão, a longevidade excepcional de seus habitantes, muitos com mais de 100 anos, é atribuída à dieta rica em inhame-doce (batata-doce), especialmente a variedade roxa “beni imo”. Este tubérculo, rico em fibras, vitaminas A e C, é um dos pilares alimentares que sustentam a vitalidade física e mental dos okinawenses, que evitam laticínios e óleos processados, optando por uma alimentação natural e nutritiva.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2025/11/21/o-alimento-chave-que-as-pessoas-que-vivem-mais-de-100-anos-em-okinawa-no-japao-comem.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“O Exército e a prisão iminente de Bolsonaro”
(Por Lauro Jardim, O Globo, 21/11/25)
Alexandre de Moraes tem tido conversas fora de agenda sobre a prisão de Jair Bolsonaro, que ocorrerá em algum dia da semana que vem. Uma delas foi com o comandante do Exército, Tomás Paiva, numa reunião na noite de segunda-feira em que estava presente também o ministro José Múcio Monteiro.
Paiva não entrou no mérito de qual regime prisional Moraes deveria determinar ao ex-presidente, se domiciliar ou fechado — até porque não cabia.
Mas disse que mandá-lo para o presídio da Papuda talvez fosse excessivo para um ex-presidente. E, em seguida, ofereceu algumas possibilidades em instalações militares (*) no país, se a decisão de Moraes for pelo cumprimento da pena em regime fechado.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2025/11/o-exercito-e-a-prisao-iminente-de-bolsonaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)
(*) Lembro-me que no 23ºBI em Blumenau, tinha algumas celas voltadas para o “Morro do Quartel”, apelido popular da Rua Itapu´, ondei, segundo consta, vive o querido Gervasio Tessaleno Luz, que, carinhosamente, recebeu o título de “Barão de Itapuí” (**).
Já imaginaram o capitão zero zero hospedado na cela do 23º BI e o Tessaleno entrevistando-o?
(**) https://www.touchelivros.com.br/maximas-do-barao-de-itapui-cronicas-e-apopntamentos/
“Resumão, O Globo” (I)
(Por Gabriel Cariello, 21/11/25)
DEPUTADO PROCURADO
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prisão do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) (*). Condenado a 16 anos e um mês de prisão por tentativa de golpe de Estado, Ramagem deixou o país e está nos Estados Unidos. A Polícia Federal investiga se o parlamentar atravessou a fronteira de carro em Roraima. A Câmara disse que não foi comunicada da viagem ao exterior.
► A defesa de Jair Bolsonaro pediu ao STF a concessão de “prisão domiciliar humanitária” (**) ao ex-presidente. Os advogados tentam se antecipar a eventual decisão de Moraes que pode levar Bolsonaro para o Complexo da Papuda.
(TRPCE)
(*) “Moraes determina prisão de Alexandre Ramagem, que está nos Estados Unidos”
– Deputado federal saiu do país antes do STF determinar cumprimento da pena.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/21/moraes-determina-prisao-de-alexandre-ramagem-que-esta-nos-estados-unidos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) “Defesa de Bolsonaro pede ao STF ‘prisão domiciliar humanitária’ às vésperas de decisão de Moraes”
– Advogados apresentaram laudos médicos e afirmaram que ida à prisão pode representar ‘risco à vida’.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/21/defesa-de-bolsonaro-pede-ao-stf-prisao-domiciliar-humanitaria-as-vesperas-de-decisao-de-moraes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (II)
(Por Gabriel Cariello, 21/11/25)
O CAMINHO DE MESSIAS
O advogado-geral da União, Jorge Messias, precisará buscar apoio na oposição e no Centrão para ter a indicação ao STF aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Parlamentares afirmam que, até o momento, ele tem cinco votos “garantidos” entre os 27 integrantes da CCJ. Levantamento do GLOBO (*) mostra quem é a favor, contra ou indeciso.
► Um dia após ser indicado pelo presidente Lula, Messias foi recebido (**) pelo ministro André Mendonça, com um abraço, em visita à Assembleia de Deus.
(TRPCE)
(*) “Messias chega à CCJ do Senado sem maioria diante de resistências na base e precisará da oposição por votos ao STF, indica levantamento”
– Indecisão de senadores de partidos como MDB e PSD força busca em legendas mais distantes do Planalto.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/21/messias-chega-a-ccj-do-senado-sem-maioria-diante-de-resistencias-na-base-e-precisara-da-oposicao-por-votos-ao-stf-indica-levantamento.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) “Messias é abraçado por André Mendonça em visita à Assembleia de Deus após indicação ao STF; vídeo”
– Encontro ocorreu na Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira, em São Paulo.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/21/um-dia-apos-indicacao-ao-stf-jorge-messias-visita-assembleia-de-deus-e-e-abracado-por-andre-mendonca-video.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (III)
(Por Gabriel Cariello, 21/11/25)
DILEMAS EM BELÉM
A presidência brasileira da COP30 apresentou, na madrugada, um esboço (1) de declaração final, e a ausência de um “mapa do caminho” para abandonar os combustíveis fósseis provocou reações (2). Cientistas apontaram “traição”. Mais de 30 países ameaçaram (3) não apoiar o texto. A União Europeia exigiu a inclusão do tema (4). Colômbia, Chile e países-ilha também estão na campanha.
► O tema é prioridade para o Brasil, mas ainda não atingiu o consenso necessário. A Colômbia anunciou a realização de uma “COP paralela” (5) para discutir o mapa do caminho.
► A Polícia Federal assumiu a investigação das causas do incêndio (6) na Zona Azul da COP30. Seis pessoas permanecem internadas (7).
(TRPCE)
(1) “Brasil apresenta esboço do texto final da COP30 sem plano para reduzir combustíveis fósseis”
– Oposição de países produtores de petróleo travou consenso. Tema não estava na agenda formal da COP, mas é pioridades do governo Lula. Mais de 30 países ameaçam não apoiar o documento.
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/21/brasil-apresenta-esboco-do-texto-final-da-cop30-sem-plano-para-reduzir-combustiveis-fosseis.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(2) “‘Fraco e omisso’, dizem ambientalistas sobre rascunho de texto final da COP30”
– Presidência brasileira apresentou esboço sem qualquer referência à redução de combustíves fósseis e gera críticas. Texto pode mudar ao longo do dia.
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/21/roteiro-de-abandono-ambientalistas-reagem-a-ausencia-de-plano-para-reduzir-combustiveis-fosseis-em-texto-da-cop30.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(3) “Mais de 30 países ameaçam não apoiar texto final da COP sem mapa do caminho contra combustíveis fósseis”
– Grupo formado por delegações como Alemanha, Bélgica, Colômbia, França e Reino Unido enviaram uma carta conjunta à Presidência da conferência.
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/21/mais-de-30-paises-ameacam-nao-apoiar-texto-da-cop-sem-mapa-do-caminho-contra-combustiveis-fosseis.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(4) “UE bate pé em querer o mapa do caminho e tem um argumento forte”
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2025/11/ue-bate-pe-em-querer-o-mapa-do-caminho-e-tem-um-argumento-forte.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(5) “Colômbia anuncia COP ‘paralela’ para discutir fim dos combustíveis fósseis”
– ‘Precisamos enfrentar o problema encarando-o nos olhos’, diz ministra Irene Velez na COP30. Tema é prioridade para governo brasileiro, mas não é mencionado no rascunho do documento final.
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/21/colombia-anuncia-cop-paralela-para-discutir-fim-dos-combustiveis-fosseis-com-80-paises.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(6) “Polícia Federal assume investigação das causas do incêndio na COP30”
– Peritos especializados foram enviados de Brasília e chegam nesta sexta-feira a Belém para finalizar o laudo.
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/21/policia-federal-assume-investigacao-das-causas-do-incendio-na-cop-30.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(7) “Após incêndio na COP 30, seis pessoas permanecem internadas por inalação de fumaça e crise de ansiedade”
– Houve 27 atendimentos em razão do incidente na quinta-feira, na Zona Azul.
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/21/apos-incendio-na-cop-30-seis-pessoas-permanecem-internadas-por-inalacao-de-fumaca-e-crise-de-ansiedade.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (IV)
(Por Gabriel Cariello, 21/11/25)
TARIFAÇO EM REVISÃO
O recuo de Donald Trump no tarifaço sobre o Brasil fez cair de 36% para 22% o percentual de produtos brasileiros submetidos à sobretaxa de 50%. O presidente dos EUA isentou da tarifa de 40% uma lista de 238 itens (*). O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou otimismo para a continuidade das negociações.
► Mesmo com a ampliação de itens isentos, 62,9% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas a algum tipo de tarifa (**), aponta estudo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI).
(TRPCE)
(*) “Alckmin diz que 22% dos produtos brasileiros exportados para os EUA seguem com taxa de 50%: ‘Estamos otimistas'”
– Trump isentou da tarifa de 40% uma lista de 238 produtos brasileiros, em sua maioria agrícolas, entre os quais café, carne bovina, tomate, banana e açaí.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/11/21/apos-ampliacao-de-isencoes-ao-tarifaco-de-trump-22percent-dos-produtos-brasileiros-seguem-com-taxa-de-50percent-diz-alckmin.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) Mesmo com isenções ao tarifaço, 63% das exportações brasileiras aos EUA ainda pagam taxas”
– Hoje, 32,7% das vendas do Brasil aos EUA estão sujeitas à tarifa máxima, ainda de acordo com o estudo.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/11/21/mesmo-com-isencoes-ao-tarifaco-63percent-das-exportacoes-brasileiras-aos-eua-ainda-pagam-taxas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (V)
(Por Gabriel Cariello, 21/11/25)
SUSPEITAS EM NÍVEL MASTER
O Banco Central encontrou indícios de que o Banco Master vendeu ao BRB as mesmas carteiras de crédito duas vezes (*). Os títulos teriam sido adquiridos sem pagamento e, logo em seguida, cedidas ao banco público com pagamento imediato. Segundo investigação da Polícia Federal, o BRB transferiu ao Master R$ 12,2 bilhões em operações suspeitas.
(TRPCE)
(*) “Banco Central cita indícios de que Master vendeu mesma operação para o BRB duas vezes”
– Instituição financeira do Distrito Federal não se manifestou, mas disse na quinta que sempre atuou em ‘conformidade com as normas de compliance e transparência’.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/11/21/banco-central-cita-indicios-de-que-master-vendeu-mesma-operacao-para-o-brb-duas-vezes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
Atora ou canastrona?
Atriz, jamais!
“Tenho trabalhado muito para colocar as mulheres na centralidade da agenda climática. Mais do que participantes, nós somos atoras principais da mudança climática”.
“Janja fala errado outra vez, em entrevista na COP30”
– Primeira-dama erra o termo ‘atrizes’ e causa repercussão nas redes sociais.
(Arthur Gomes Souza, Diário do Poder, 21/11/25)
Durante a COP30, a primeira-dama Janja Lula da Silva, que se apresenta como “socióloga”, ofendeu o vernáculo mais uma vez, falando errado, ao afirmar que “somos atoras”, em vez de “somos atrizes”.
No momento, ela defendia a importância de colocar a pauta de gênero como central nas discussões sobre mudanças climáticas, reforçando que a participação feminina deve ter protagonismo.
Janja foi nomeada enviada especial para Mulheres na conferência climática. Durante a fala em uma entrevista ao vivo para a CNN, ela afirmou:
“Tenho trabalhado muito para colocar as mulheres na centralidade da agenda climática. Mais do que participantes, nós somos atoras principais da mudança climática”.
Em 2024, ela usou “cidadões globais” em vez de “cidadãos globais”. No mesmo ano, em discurso na Universidade Columbia, ela disse “abrido” no lugar de “aberto”: “tinha abrido aquele caminho”.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/janja-fala-errado-outra-vez-em-entrevista-na-cop30)
“Lula atrapalha desfecho da COP30, avaliam negociadores”
(Ana Carolina Amaral, Colunista de Ecoa/UOL, 21/11/25)
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A visita de Lula à COP30 foi considerada um erro por ministros e chefes de delegação de países em desenvolvimento, que apoiam a proposta dele, mas discordam da estratégia adotada.
Após o discurso de Lula sobre o mapa dos fósseis, países como China, Índia e Arábia Saudita criticaram a abordagem, já que o tema não foi negociado previamente.
O Itamaraty prefere evitar riscos na COP30, enquanto Lula e Marina Silva buscam um legado climático; mais de 70 países são contra o mapa dos fósseis.
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+em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/ana-carolina-amaral/2025/11/21/lula-atrapalha-desfecho-da-cop30-avaliam-negociadores.htm
Matutando sobre a charge. . .
. . .e, belo exemplo!