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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXII

Um retrato real para nada comemorar do Dia da Proclamação da República. Impressionante traço, inteligência e comparação. É para reflexão fácil de todos nós. Vamos eleger deputados e senadores no ano que vem com este ânimo egoísta e destruidor do estado. Esta praga desorganiza as prioridades e drena irresponsavelmente o Orçamento que exige de nós cada vez mais altos impostos impositivamente on-line e aprovados pelos mesmos congressistas. Sem contar que estas emendas parlamentares alimentas uma rica rede criminosa de corrupção como vem provando Polícia Federal e STF. Além disso, deixa sem função executiva o próprio Governo, todavia, continua com o ônus de gerir o Orçamento como se o tivesse por completo e sendo cobrado pela sociedade naquilo que não entrega de retorno aos impostos e promessas. Esta barbaridade já se espalha por estados e municípios. Gaspar acaba vetar o início de algo parecido (by Herculano). No Congresso, o céu é o limite. Além dos R$50 milhões, congressistas querem mais grana para emendas parlamentares (by Claudio Oliveira, autor da charge, no jornal Folha de São Paulo). Mamata (by Miguel José Teixeira)

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67 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXII”

  1. Miguel José Teixeira

    “Onda conservadora”
    – A prevalência do grupo direitista no Chile fecha um ciclo de renovada onda conservadora na América do Sul.
    (Por Merval Pereira, O Globo, 18/11/25)

    A provável vitória do candidato de ultradireita José Antonio Kast no segundo turno do Chile, onde cerca de 70% dos votos do primeiro turno foram dados para partidos de direita, desenha-se de maneira semelhante à situação atual brasileira. A direita chegou ao segundo turno desunida, mas imediatamente passou de segunda colocada para primeira no fim do primeiro turno. A esquerda estava unida, mas não teve força para obter nem mesmo o mínimo de 30% de votos esperados, embora tenha chegado em primeiro lugar.

    A prevalência do grupo direitista no Chile fecha um ciclo de renovada onda conservadora na América do Sul, já governada pela direita na Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador. Na Colômbia, existe a perspectiva de uma vitória da direita, embora o presidente Gustavo Petro, que não pode se reeleger, ainda tenha força política respeitável. Desde a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos, há uma tendência de união em torno dele do que os críticos já chamam de “internacional reacionária”.

    Além da proximidade ideológica que tem tudo a ver com o bolsonarismo brasileiro, existe uma visão comum entre eles sobre equilíbrio fiscal e contenção de gastos para garantir o desenvolvimento econômico. Essa tendência faz com que a esquerda queira se diferenciar aumentando investimentos sociais, o que pode levar a problemas econômicos em curto prazo. A confusão entre desequilíbrio fiscal e gastos sociais, como se fossem antagônicos, leva a esquerda usar o populismo fiscal para se contrapor à direita, exacerbando o perigo de descontrole.

    A tendência direitista é vista como reação a crises econômicas, desemprego e à frustração com a gestão de governos anteriores, aguçando a polarização política, com visões diferentes sobre desenvolvimento, papel do Estado e relações internacionais. No caso do Brasil, mesmo com crescimento econômico razoável e taxa de desemprego no nível mais baixo, o fantasma de uma crise econômica no médio prazo, como aconteceu com o governo Dilma Rousseff, continua assustando a população. A necessidade de manter uma taxa de juros tão alta quanto a brasileira para garantir que a inflação não se desgarre das metas oficiais traz problemas para o cotidiano da população. A insegurança pública é outro fator fundamental na região, e a campanha de Trump contra o que chamam de “narcoterrorismo” fortalece a direita.

    A polarização política também leva a conflitos ideológicos acirrados, especialmente quando se recorda a “onda rosa” que levou, durante o segundo governo Lula, a região a ser dominada por governos de esquerda. A pressão militar de Trump para forçar a derrubada do governo de Nicolás Maduro na Venezuela faz o debate ideológico dominar as campanhas presidenciais, com tendência favorável à direita. Uma importante alteração é quanto à inexistência de líderes personalistas nesses países, com exceção do Brasil, onde Lula e Bolsonaro continuam se contrapondo.

    Uma política Sul-Sul leva, em algumas ocasiões, à tomada de decisões equivocadas, como no caso do Brics, quando o Brasil assume posições favoráveis a posturas como as da Rússia contra a Ucrânia e se coloca como simpatizante da China na disputa com os Estados Unidos. O tarifaço imposto ao Brasil pelo governo Trump obrigou o governo brasileiro a aproximar-se do americano, mas ainda não houve resultado prático.

    O conceito de gestão competente, maior arma do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem prevalecido na região, notadamente com a vitória de Javier Milei na Argentina. Governos de direita na América do Sul tendem a favorecer ajustes fiscais, desregulamentação, privatização e maior alinhamento com o Ocidente, enquanto a esquerda concentra-se mais no papel do Estado, na distribuição de renda e na autonomia regional. Os prejuízos sucessivos das estatais brasileiras, reforçados pela crise dos Correios, aumentam a pressão contra o governo Lula.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/merval-pereira/coluna/2025/11/onda-conservadora.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)

  2. Miguel José Teixeira

    “Uso de IA muda o jogo da espionagem”
    – Talvez os chineses tenham sido os primeiros. Talvez. O truque, agora, é conhecido. Quem pode já está usando.
    (Pedro Doria, O Globo, 18/11/25)
    . . .
    “A espionagem com ferramentas de inteligência artificial está se tornando uma prática comum, com a China possivelmente na vanguarda dessa tendência. O uso dessas tecnologias para coleta de informações e vigilância está em expansão, e muitos países que possuem capacidade tecnológica já estão adotando essas práticas para obter vantagens estratégicas.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/opiniao/pedro-doria/coluna/2025/11/uso-de-ia-muda-o-jogo-da-espionagem.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  3. Miguel José Teixeira

    “Uma aventura pela COP30 em Belém”
    – Há muitas questões na Amazônia que continuam insolúveis .A presença do crime organizado é uma delas.
    (Fernando Gabeira, O Globo, 18/11/25)
    . . .
    “A COP30 em Belém destaca desafios críticos na Amazônia, com foco na persistência do crime organizado na região. A conferência busca soluções para problemas ambientais e sociais, enfatizando a necessidade de ação global e local. A presença do crime organizado complica a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável, exigindo uma abordagem integrada e urgente.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/opiniao/fernando-gabeira/coluna/2025/11/uma-aventura-pela-cop30-em-belem.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  4. Miguel José Teixeira

    Em fim de festa. . .

    “COP30: ciência alerta que Amazônia pode estar entrando em trajetória irreversível”
    – Pesquisas mostram avanço de áreas que emitem CO2, seca extrema ligada ao Atlântico aquecido e incêndios devastadores em florestas alagadas; especialistas pedem que negociadores façam ‘mapa do caminho para a vida’.
    (Por Ana Lucia Azevedo, O Globo, 18/11/25)
    . . .
    “Na COP30, cientistas alertam que a Amazônia pode estar em um caminho irreversível de degradação devido ao desmatamento e emissões de CO2. Estudos indicam que a floresta, antes absorvedora de CO2, está se tornando emissora, agravada por secas extremas e incêndios, especialmente em florestas alagadas. Especialistas pedem ações urgentes para reverter essa trajetória e destacam a importância de zerar o desmatamento.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/18/cop30-ciencia-alerta-que-amazonia-pode-estar-entrando-em-trajetoria-irreversivel.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    Só pra PenTelhar. . .
    Será que o luxuoso barco-hotel, utilizado
    pelo casal imperial PeTezuelano, durante a COP do 7 a 1,
    que consumiu 135 litros de óleo diesel por hora,
    contribuiu para para a emissão de CO2?

  5. Miguel José Teixeira

    Abastecendo os cofres das campanhas eleitorais!

    “Com Margem Equatorial ainda distante, Petrobras e outras petroleiras intensificam descobertas na costa do Sudeste”
    – Estatal encontra óleo no bloco Sudoeste de Tartaruga Verde. Foi a quarta vez este ano que a petroleira achou petróleo na Região Sudeste.
    (Por Bruno Rosa — Rio, O Globo, 18/11/25)
    . . .
    “A Petrobras encontrou petróleo no bloco Sudoeste de Tartaruga Verde, na Bacia de Campos, marcando a quarta descoberta na Região Sudeste este ano. Enquanto o setor foca na Margem Equatorial, a estatal intensifica descobertas no Sudeste, que responde por 95% da produção nacional. Com o barril a US$ 60, empresas priorizam projetos rentáveis. A Petrobras planeja investir US$ 23 bilhões na Bacia de Campos até 2029.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/11/18/com-margem-equatorial-ainda-distante-petrobras-e-outras-petroleiras-intensificam-descobertas-na-costa-do-sudeste.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  6. Miguel José Teixeira

    “Soluções que aproximam”,
    cada vez mais distantes!!

    “Correios: dívidas judiciais crescem quase 460% em 2 anos. Nova gestão quer fazer radiografia dos processos”
    Empresa busca empréstimo para poder pagar dívidas deste ano
    Por Thaís Barcellos — Brasília, O Globo, 18/11/25)
    . . .
    “Os Correios enfrentam um aumento de 458% em precatórios nos últimos dois anos, totalizando R$ 2,05 bilhões. Com dívidas a serem pagas até o fim de 2023 e em 2026, a estatal busca um empréstimo de R$ 10 bilhões para equilibrar as contas e financiar um plano de reestruturação. Além disso, a nova gestão planeja uma análise detalhada dos processos judiciais, visando entender causas e fortalecer práticas contábeis.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2025/11/18/correios-dividas-judiciais-crescem-quase-460percent-em-2-anos-nova-gestao-quer-fazer-radiografia-dos-processos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    Mas bah, tchê!
    Que churrasco indigesto!

  7. Miguel José Teixeira

    Mas atenção:
    não é, ainda,
    o tão esperado
    acordão!

    “STF publica acórdão de julgamento que mantém condenação de Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe”
    – Possibilidade de recurso é limitada, e prazo para prisão em regime fechado começa a contar.
    (Por Daniel Gullino e Mariana Muniz — Brasília, O Globo, 18/11/25)
    . . .
    “O STF publicou o acórdão que mantém a condenação de Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe. O documento oficializa o julgamento e abre prazo para novos recursos. A Primeira Turma negou, por unanimidade, os embargos de declaração. Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão; recursos podem ser apresentados em até 15 dias. Dos condenados, apenas Mauro Cid, que fez delação, não recorreu.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/18/stf-publica-acordao-de-julgamento-que-mantem-condenacao-de-bolsonaro-e-aliados-por-tentativa-de-golpe.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  8. Miguel José Teixeira

    “Contra desfecho esvaziado, COP30 adota modo turbo e ‘fatia’ discussões para tentar driblar impasses”
    – Previsão é que os encontros terminem na sexta-feira, e os movimentos da organização são vistos como uma tentativa de evitar um resultado sem conclusões significativas.
    (Por Janaína Figueiredo e Rafael Garcia — Belém, O Globo, 18/11/25)
    . . .
    “Na COP30, a presidência brasileira adotou uma estratégia inovadora para contornar impasses: dividiu as discussões em dois blocos e ativou uma força-tarefa para acelerar as negociações, que podem se estender até a madrugada. A medida visa evitar um desfecho sem conclusões significativas. A estratégia, embora ousada, recebeu apoio positivo, mas o tempo é curto para concretizar um acordo robusto.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/18/contra-desfecho-esvaziado-cop30-adota-modo-turbo-e-fatia-discussoes-para-tentar-driblar-impasses.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    E quem jogou a pá de cal?
    – O pensamento da corja vermelha, expresso pelo dep.fed. Rogério Correia, PeTralha mineiro:
    “Mas, da Alemanha e dos demais países ricos, nós queremos mais o dinheiro para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre do que propriamente a sua presença aqui.” (Metrópoles)

  9. Miguel José Teixeira

    Teria o projeto de lei antifacção,
    elaborado por uma facção,
    virado cortina de fumaça?

    “Motta insiste em votação de projeto Antifacção, e governo e oposição se mobilizam para alterar texto”
    – Bolsonaristas preferiam adiar análise, mas declararam que vão aceitar decisão de Motta.
    (Por Lauriberto Pompeu — Brasília, O Globo, 18/11/25)
    . . .
    “A Câmara dos Deputados votará o projeto de lei Antifacção nesta terça-feira, apesar das divergências entre governo e oposição. O presidente da Câmara, Hugo Motta, insiste na votação, enquanto bolsonaristas planejam influenciar o texto. O relator, Guilherme Derrite, enfrenta pressões para classificar facções como terroristas, mas encontra resistência. O governo busca evitar derrotas e critica a falta de técnica legislativa no relatório.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/18/motta-insiste-em-votacao-de-projeto-antifaccao-e-governo-e-oposicao-se-mobilizam-para-alterar-texto.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    Bom!

    O epitáfio da COP do 7 a 1 já foi cravado
    pelo dep.fed. Rogério Correia, PT/MG:

    “Mas, da Alemanha e dos demais países ricos, nós queremos mais o dinheiro para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre do que propriamente a sua presença aqui.”

    Portanto. . .

    uma nova cortina de fumaça é imprescindível,
    já que na PeTezuela,
    governar é criar cortinas de fumaça!

  10. Miguel José Teixeira

    Será que não é melhor
    tirar logo todas as despesas do
    lula decaído, janja calamidade & a$$ociado$
    do teto fiscal?

    Governo admite minoria na Câmara na pauta da Segurança e agora avalia área fora da meta fiscal
    Lula discute caminhos para imprimir sua marca na Segurança Pública, vista por aliados e adversários como um dos principais focos de desgaste junto ao eleitorado
    (Por Ivan Martínez-Vargas e Lauriberto Pompeu — Brasília, O Globo, 18/11/25)

    “O governo de Lula enfrenta desafios na Câmara com a pauta de Segurança Pública, em meio à pressão sobre o projeto Antifacção. O ministro da Justiça, Lewandowski, reconheceu a minoria governista no Congresso e sugeriu retirar despesas de Segurança do teto fiscal. Divergências incluem a tipificação de facções criminosas e financiamento policial. A votação do projeto, marcado por relatórios controversos, ocorre sob debates intensos e oposição ativa.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/18/governo-admite-minoria-na-camara-na-pauta-da-seguranca-e-agora-avalia-area-fora-da-meta-fiscal.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  11. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (011)

    “Fernando Sabino narrou como mulher de sueco calou delegado xenófobo”
    – ‘Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques’, disse ela ao revelar ser filha de general.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    A bola de meia dos filhos do sueco (1) caiu no carro do general. O militar (2), antipático, perdeu a paciência e mandou o delegado do bairro resolver o problema.

    O sueco — tímido, mal vestido, mas na verdade um importante industrial — foi intimado a comparecer à delegacia com a esposa. Lá, ouviu calado o delegado soltar sua xenofobia (3).

    “O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer?”, perguntou o policial, reclinado na cadeira. “Sei como tratar gringos feito o senhor.”

    Fernando Sabino (4) narrou o episódio em crônica publicada na Folha da Manhã, nos anos 1950.

    No início dos anos 1960, o jornal se fundiria com a Folha da Tarde e a Folha da Noite para dar origem à Folha.

    O sueco pediu licença para se retirar. Foi quando sua mulher reagiu. “Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques”, disse. E revelou ser brasileira, filha de um general da ativa.

    O delegado engoliu em seco. “Da ativa, minha senhora?”, balbuciou. Ao ouvir a confirmação, virou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado: “Da ativa, Motinha! Sai dessa…”

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (5) que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    A mulher do sueco (31/12/1958)

    Contaram-me que na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército morava (ou mora) também um sueco, cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e, um dia, o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro para dar um jeito nos filhos do sueco.

    O delegado resolveu passar uma chamada no homem e intimou-o a comparecer à delegacia.

    O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e, pelo aspecto, não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era.

    Obedecendo à ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte:

    — O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.

    Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:

    — Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?

    O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.

    — Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, e FILHA DE UM GENERAL! Morou?

    Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciou humildemente:

    — Da ativa, minha senhora?

    E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:

    — Da ativa, Motinha! Sai dessa…

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/fernando-sabino-narrou-como-mulher-de-sueco-calou-delegado-xenofobo.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/suecia/
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/militares-do-brasil/
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/xenofobia/
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/10/fernando-sabino-100-ergueu-sua-literatura-popular-da-cronica.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  12. Miguel José Teixeira

    “Verba da Secom para governo Lula se promover supera a de campanhas de utilidade pública”
    – Secretaria nega uso político e diz que publicidade serve para dar transparência a ações do Executivo.
    – Fatia destinada a campanhas de utilidade cai a 43% do orçamento, após ter dominado 70% em 2015.
    (Mateus Vargas, FSP, 16/11/25)

    Na véspera do ano eleitoral, o governo Lula (PT) ampliou o dinheiro destinado a divulgar slogans e programas da gestão petista, como “Brasil Soberano” e Gás do Povo (1). Descrita no orçamento como comunicação institucional, esse tipo de verba agora ocupa 57% da rubrica para publicidade federal.

    Os 43% restantes custeiam as chamadas ações de utilidade pública, que incluem desde campanhas de vacinação do Ministério da Saúde e a divulgação das regras do saque-aniversário (2) do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

    Os percentuais marcam uma mudança na distribuição do orçamento de comunicação, que chegou a destinar 70% dos recursos para campanhas de utilidade pública em 2015. No último ano de Jair Bolsonaro (PL) na Presidência, em 2022, a outra fatia, que prioriza a propaganda do governo, alcançou 50,6% dos recursos, o pico na gestão passada.

    A gestão Lula manteve uma divisão quase igual entre as duas ações. Durante o ano de 2025, porém, o governo ampliou o orçamento da Secom (3)(Secretaria de Comunicação Social) da Presidência em mais de R$ 116 milhões e consolidou o avanço da verba de divulgação das bandeiras do governo.

    O levantamento considerou valores reservados para as duas ações de comunicação social do governo, que somam R$ 1,54 bilhão. Desse valor, a publicidade de utilidade pública tem R$ 661,6 milhões distribuídos entre diversos ministérios, incluindo uma pequena parcela na Secom.

    Já a ação orçamentária para a comunicação institucional, que banca somente as propagandas da secretaria da Presidência, alcança R$ 876,8 milhões.

    Em nota, a Secom nega uso político da publicidade federal. A pasta diz que o único objetivo é “garantir o acesso da população beneficiada às informações relacionadas a esses serviços e entregas” por meio da comunicação institucional.

    O novo cenário coincide com a chegada de Sidônio Palmeira ao comando da secretaria. A Secom passou a direcionar mais recursos para propaganda na internet, além de apostar na contratação de influenciadores digitais (4).

    A pasta ainda planeja gastar mais R$ 100 milhões por ano com novo contrato de comunicação digital. Os documentos da licitação das agências, que está em fase final, mostram que o governo deseja produzir cerca de 3.000 vídeos por ano para as redes sociais, sendo que apenas os 576 vídeos “com apresentador” devem custar R$ 12,3 milhões no ano.

    O novo contrato ainda deve incluir a criação de podcasts e videocasts, entre outros produtos. Na disputa, as agências tiveram de apresentar uma proposta de “estratégia criativa e eficaz de comunicação” para aumentar o engajamento e alcance das mensagens do governo nas redes em temas como Pé-de-Meia, Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida.

    Uma publicação feita no fim de setembro nas redes “gov.br” ilustra o novo tom adotado pelo governo nas propagandas. No vídeo, o apresentador João Kléber transporta o seu “teste de fidelidade” —quadro que visava provocar e “flagrar” eventuais adúlteros— para a disputa entre os governos Lula e Donald Trump.

    O plano de turbinar a comunicação ainda se espalha pela Esplanada. O Ministério da Fazenda busca um aporte de R$ 120 milhões para contratar serviços de assessoria de imprensa, além de publicidade e comunicação nas redes.

    A pasta comandada por Haddad hoje não tem uma estrutura própria de publicidade. No pedido pela verba, a Fazenda afirma que deseja divulgar as suas ações, “entre as quais a reforma tributária, o Plano de Transformação Ecológica e as apostas de quota fixa”.

    A estratégia atual de comunicação contrasta com a orientação de Paulo Pimenta (PT), que deixou a Secom em janeiro. Ele defendia aumentar(5) o investimento em rádios para alcançar a população mais pobre e distante das capitais.

    Sidônio também nomeou Mariah Queiroz para a Secretaria de Estratégias e Redes. Ela trabalhava na comunicação do prefeito de Recife, João Campos (PSB), um dos políticos de maior projeção nas plataformas digitais (6).

    Em nota, a Secom afirma que as ações de utilidade pública “devem ter caráter educativo” para mobilizar ou alertar a população a adotar comportamentos que melhorem sua qualidade de vida, “como campanhas de vacinação”.

    Já as ações de comunicação institucional têm um escopo mais amplo, segundo a pasta. “Elas contemplam, por exemplo, ações para divulgação de políticas públicas, de direitos dos cidadãos e dos serviços colocados à sua disposição; campanhas para estimular a participação da sociedade no debate da formulação de políticas públicas e disseminação de informações sobre assuntos de interesse público, entre outros.”

    A Secom disse ainda que as ações de comunicação institucional visam dar transparência para as entregas do Poder Executivo. “Portanto, têm um caráter claro de prestação de contas à sociedade, não havendo qualquer relação com período eleitoral.”

    (Gráficos e fonte em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/verba-da-secom-para-governo-lula-se-promover-supera-a-de-campanhas-de-utilidade-publica.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/10/governo-define-precos-para-o-botijao-do-gas-do-povo-veja-o-valor-em-cada-regiao.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/10/regras-de-emprestimo-do-saque-aniversario-do-fgts-mudam-a-partir-de-1o-de-novembro-entenda.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/governo-lula-infla-verba-de-comunicacao-antes-de-ano-eleitoral-e-vai-na-contramao-de-cortes.shtml
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/10/lula-amplia-propaganda-nas-redes-a-1-ano-da-eleicao-e-foca-soberania-ir-e-influenciadores.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2024/03/jornal-nacional-lidera-verba-de-publicidade-em-primeiro-ano-de-lula-3.shtml
    (6) https://datafolha.folha.uol.com.br/monitoramento-digital/2024/09/campos-ignora-rivais-e-engaja-8-vezes-mais-que-eles.shtml

  13. Miguel José Teixeira

    “As sete vidas do projeto antifacção”
    (Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 17/11/25)

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu dobrar a aposta no projeto de lei que endurece o combate ao crime organizado. Governo e oposição continuam muito distantes de um consenso sobre o texto do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), mas Motta confirmou que a proposta será votada nesta terça-feira (18).

    O anúncio sugere que o presidente da Câmara ainda vê chances de conseguir um bônus político com a proposta, apesar do desgaste provocado pelos erros de cálculo do relator e pelo embate em torno do conteúdo da proposta. Essa tentativa ficou clara numa frase em tom de propaganda publicada por Motta nas redes sociais: “É a resposta mais dura da história do Parlamento no enfrentamento do crime organizado”.

    O sucesso dessa operação política ainda vai depender de um arranjo de última hora para definir qual será o texto levado a votação. O governo quer retomar boa parte da proposta original, enviada à Câmara antes da repaginação feita por Derrite –mas pode não ter o apoio do centrão para isso. Já a direita cobra uma proposta mais dura, com menos impressões digitais do Palácio do Planalto –e pode conseguir atropelar os governistas no plenário.

    (*) +em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/11/motta-afirma-que-pl-antifaccao-sera-votado-pela-camara-nesta-terca-feira-18.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

    (**) +em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/11/governo-ve-problema-estruturante-e-quer-mudancas-em-texto-de-derrite-diz-secretario-de-ministerio.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

    “Mapa do poder”
    – O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber

    1 – A relação entre os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), esfriou, e aliados falam em afastamento desde que os senadores derrubaram a PEC da Blindagem. A situação está longe de um rompimento, mas tem afetado o andamento de propostas, levando à paralisação de pautas após a aprovação por uma das Casas.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/11/relacao-entre-motta-e-alcolumbre-esfria-e-congresso-vive-embates-sob-novas-gestoes.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

    2 – As multas aplicadas contra o agronegócio por descumprimento do piso mínimo do frete dos caminhoneiros cresceram, até outubro, em dez vezes em relação a todo o ano passado. Por trás do aumento está a maior fiscalização da ANTT sobre a tabela para o transporte rodoviário de cargas. Com a escalada, produtores recorreram ao STF em uma tentativa de derrubar a regra.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/multas-contra-o-agro-por-calote-em-frete-de-caminhoes-crescem-dez-vezes-em-um-ano-e-setor-apela-ao-stf.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

    3 – O Brasil e o Paraguai acordaram a retomada das negociações sobre a revisão do Tratado de Itaipu na primeira quinzena de dezembro de 2025. O trecho em discussão trata das bases financeiras e de prestação dos serviços de eletricidade da Usina. O anúncio foi feito após Mauro Vieira (Relações Exteriores) prestar esclarecimentos ao governo paraguaio sobre as ações da Abin relativas ao país vizinho.
    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/brasil-e-paraguai-retomam-negociacao-de-itaipu-apos-explicacoes-sobre-espionagem-da-abin.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

    (TRPCE)

  14. Miguel José Teixeira

    “MP junto ao TCU também quer investigar “farra” das viagens na ANTT”
    – Diretores da ANTT realizaram passaram mais de 100 dias fora do país, em viagens internacionais, nos últimos anos.
    (Tácio Lorran, Metrópoles, 17/11/25)

    O subprocurador Lucas Furtado pediu que o Tribunal de Contas da União (TCU) também investigue a “farra” de viagens de diretores da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

    Conforme revelou a coluna nesta segunda-feira (17/11), a ANTT tem realizado viagens sem justificativas nem planejamento (*). Entre 2023 e 2024, a agência gastou R$ 16,7 milhões com passagens e diárias, em meio a um contexto de restrições orçamentárias.

    Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta ainda que diretores da ANTT passaram mais de 100 dias fora do país e que a agência tem, inclusive, copiado e colado relatórios de viagens.

    Furtado pede que o TCU apure eventuais indícios de desvio de finalidade e, caso as irregularidades sejam confirmadas, adote medidas para responsabilizar os gestores envolvidos. A medida se estende ao ex-diretor geral Rafael Vitale, que, segundo a CGU, teria apresentado informações falsas à Embaixada da China no Brasil para levar duas servidoras terceirizadas, às margens de um processo seletivo, em uma viagem ao país asiático.

    Procurada, a ANTT informou que a atual gestão do órgão, iniciada em fevereiro, tem aplicado medidas para reduzir a quantidade de viagens internacionais.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/mp-junto-ao-tcu-tambem-quer-investigar-farra-das-viagens-na-antt)

    (*) “CGU faz devassa na ANTT e aponta “farra” de viagens internacionais”
    – Diretoria da ANTT realizou viagens para fora do país, sem justificativa nem planejamento. Ex-diretor-geral passou 191 dias no exterior.
    +em: https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/cgu-faz-devassa-na-antt-e-aponta-farra-de-viagens-internacionais

  15. Miguel José Teixeira

    Cala a boca, magdo!

    “Lula diz que ministra era “desastre” ao falar e agora parece candidata. Vídeo (*)”
    – Em evento no Palácio do Planalto, Lula afirmou que a ministra da Cultura tem desenvoltura de quem “parece até querer ser candidata”.
    (Milena Teixeira, Metrópoles, 17/11/25)

    O presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (17/11) que a ministra da Cultura, Margareth Menezes, era um “desastre” para falar, mas melhorou a desenvoltura e parece “até querer ser candidata”.

    A declaração do petista foi dada em discurso durante a cerimônia de lançamento do “Plano Nacional de Cultura” 2025-2035, no Palácio do Planalto, evento do qual a ministra participou.

    Lula disse que Margareth tinha muita dificuldade para falar em público no começo do governo, mas que evoluiu significativamente — a ponto de, segundo ele, parecer “querer ser candidata”.

    “Chegou aqui uma mulher muito inibida. (…) É engraçado: a gente acha que artista sabe lidar com microfone. Eles sabem para cantar, mas, para falar, são um desastre. Ela tinha muita dificuldade. Vocês já perceberam que ela está com uma desenvoltura que parece até querer ser candidata a alguma coisa”, afirmou.

    Como a coluna antecipou, o PT convidou Margareth para se filiar ao partido durante jantar em agosto. A ministra tem o apoio de Lula e da primeira-dama Janja para disputar uma vaga na Câmara em 2026.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/igor-gadelha/lula-diz-que-ministra-era-desastre-ao-falar-e-agora-parece-candidata)

    (*) https://youtu.be/0-6J0HlNQCE)

  16. Miguel José Teixeira

    “Lula não foi para penitenciária; se Bolsonaro for, será por vingança”
    – No caso de Bolsonaro, ater-se ao que diz literalmente o texto legal ou ao que determina a jurisprudência mais restritiva será vingança.
    (Mario Sabino, Metrópolkes, 17/11/25)

    Petistas têm prazer orgástico nas redes sociais ao antecipar que Alexandre de Moraes mandará trancafiar Jair Bolsonaro na Papuda.

    Dizem que o ex-presidente da República, condenado por golpismo, é cidadão comum e que, portanto, não tem direito a privilégio nenhum, muito menos o de começar a cumprir pena em prisão domiciliar.

    Afirmam que milhares de idosos como Jair Bolsonaro, com a saúde abalada como ele, estão presos em penitenciárias, padecendo agruras idênticas aos de presos jovens e saudáveis, sem merecer nenhum tipo de atenção especial da Justiça.

    Curiosamente, os petistas se esquecem de que o seu chefão, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, não viu o sol nascer quadrado de uma cela de penitenciária. Lula ficou preso em uma sala da Polícia Federal, em Curitiba, com banheiro privativo e outras benesses distantes das reservadas a prisioneiros comuns.

    Outro presidente da República, Fernando Collor, também condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, foi inicialmente encaminhado para uma penitenciária alagoana, onde permaneceu em cela individual, com banheiro próprio.

    Collor, no entanto, foi hóspede de penitenciária durante apenas sete dias, até o STF lhe conceder o direito a prisão domiciliar por motivo de idade e de doença.

    Por que Collor não foi diretamente para a prisão domiciliar? A justificativa transitou entre a lei de execução penal não permitir, a jurisprudência dizer que ela só poderia ocorrer em casos excepcionalíssimos e o lenga-lenga de ser uma discussão complicada e coisa e tal.

    Como se sete dias de cana em penitenciária satisfizesse qualquer preceito legal, francamente, e não somente à hipocrisia de mostrar, veja só, meu povo, que a lei de execução penal é para todo mundo.

    A verdade é que, em caso de prisão de ex-presidentes da República e de outros peixes graúdos, reina a discricionariedade, não nos limites da legalidade absoluta, mas nas larguezas das interpretações de ocasião, que são a marca do nosso Judiciário.

    Ater-se ao que está escrito literalmente no texto legal ou ao que determina a jurisprudência mais restritiva será, assim, tratamento dispensado a inimigo.

    Se Jair Bolsonaro for para uma penitenciária e lá permanecer por mais de uma semana não será porque a lei vale para todos no Brasil, e na mesma medida, cascata evidente, ou porque golpismo (controverso) é crime mais grave do que roubalheira (comprovada), como se alega desde já. Será por vingança.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/lula-nao-foi-para-penitenciaria-se-bolsonaro-for-sera-por-vinganca)

  17. Miguel José Teixeira

    “Economia brasileira cai 0,2% em setembro, diz Banco Central”
    – Considerado a prévia do PIB, o IBC-Br mostrou uma queda de 0,9% no 3º trimestre ante o 2º, na série com ajuste sazonal.
    (Hamilton Ferrari, Poder360, 17/11/25)

    Considerado a prévia do PIB (Produto Interno Bruto), o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) do BC (Banco Central) divulgado nesta 2ª feira (17.nov.2025) registrou queda de 0,2% em setembro ante agosto, na série com ajuste sazonal. A economia brasileira recuou 0,9% no 3º trimestre em relação ao trimestre anterior, a 1ª queda em 2 anos.

    O Banco Central disse que houve um recuo generalizado em todos os setores pesquisados no 3º trimestre em comparação com o 2º:
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/economia-brasileira-cai-02-em-setembro-diz-banco-central/

  18. Miguel José Teixeira

    “Volta ao mundo em menos de uma hora? Conheça a nova geração de jatos que prometem cruzar oceanos em minutos; imagens”
    – De projetos experimentais a aviões comerciais, indústria aposta em aeronaves capazes de cortar continentes em pouco tempo — enquanto tenta evitar os erros do Concorde.
    (Por O Globo — São Paulo, 17/11/25)
    . . .
    “A indústria aeroespacial está em fase de reinvenção com o desenvolvimento de jatos supersônicos e hipersônicos, prometendo viagens intercontinentais em minutos. Projetos como o X-59 da NASA e o SR-72 da Lockheed Martin buscam reduzir ruídos e aumentar a velocidade, enquanto conceitos civis como o A-HyM Hypersonic Air Master visam viagens ultra-rápidas. Aprendendo com os erros do Concorde, a nova geração de aeronaves busca equilíbrio entre inovação e viabilidade comercial.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2025/11/17/volta-ao-mundo-em-menos-de-uma-hora-conheca-a-nova-geracao-de-jatos-que-prometem-cruzar-oceanos-em-minutos-imagens.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  19. Miguel José Teixeira

    “Ultradireita no Chile será como a do Brasil e Argentina?”
    – José Antonio Kast, admirador do ditador Augusto Pinochet, deve vencer com folga o segundo turno das eleições em dezembro.
    (Por Guga Chacra, O Globo, 27/11/25)

    A Argentina é governada pela direita. O Paraguai é governado pela direita. A Bolívia é governada pela direita. O Peru é governado pela direita. O Equador é governado pela direita. Em breve, o Chile provavelmente será governado pela direita (1). Mais do isso, por uma ultradireita e não pela centro-direita que esteve no poder em outros momentos em Santiago. O Brasil de Lula (*) estará, portanto, circundado por governos direitistas hostis a alguns temas da agenda do brasileiro. As únicas exceções seriam o Uruguai e a Colômbia, por enquanto.

    José Antonio Kast, um ultraconservador (2) admirador do ditador Augusto Pinochet, deve vencer com folga o segundo turno das eleições chilenas, embora tenha ficado na vice-liderança no primeiro turno, atrás da candidata governista Jeannette Jara, do Partido Comunista, mas representando uma aliança de esquerda ligada ao presidente Gabriel Boric.

    Apesar de terminar líder com 26% dos votos, ela deve ficar isolada no segundo turno. Já Kast, com 24%, tende a contar com o apoio de uma série de candidatos da direita. Somados, todos os direitistas chegam a 70% dos votos. É quase impossível a esquerdista conseguir reverter esse cenário.

    José Antonio Kast, um ultraconservador admirador do ditador Augusto Pinochet, deve vencer com folga o segundo turno das eleições chilenas, embora tenha ficado na vice-liderança no primeiro turno, atrás da candidata governista Jeannette Jara, do Partido Comunista, mas representando uma aliança de esquerda ligada ao presidente Gabriel Boric.

    Apesar de terminar líder com 26% dos votos, ela deve ficar isolada no segundo turno. Já Kast, com 24%, tende a contar com o apoio de uma série de candidatos da direita. Somados, todos os direitistas chegam a 70% dos votos. É quase impossível a esquerdista conseguir reverter esse cenário.

    O Chile (3) tem uma tendência nas últimas duas décadas de pêndulo entre esquerda e direita. Sem reeleição seguida, o país foi governado por uma aliança de centro-esquerda até 2010, pela centro-direita entre 2010-2014 com Sebastian Piñera, de novo pela centro-esquerda entre 2014 e 2018 com Michelle Bachelet, retornou com Piñera entre 2018-2022 e mais uma vez com a esquerda de Gabriel Boric até agora.

    Kast, no entanto, não é um conservador tradicional e pragmático como o ex-presidente Piñera, morto em acidente no ano passado (4). É de uma linhagem mais próxima da extrema direita, com uma série de posições radicais e uma idolatria por Pinochet. A dúvida é se adotará uma postura mais extremistas como o húngaro Viktor Orbán, ou mais pragmática, como a Italiana Giorgia Meloni.

    — Acho que não será como o Piñera (que adotou uma agenda quase de centro-esquerda depois do eclosão social em 2019), mas está se posicionando menos no extremo do que (Javier) Milei e (Jair) Bolsonaro. De personalidade, também é muito diferente e o contexto institucional no Chile é bem peculiar. Avalio que será mais como a Meloni — explicou jornalista Roberto Simon, autor do premiado livro “O Brasil contra a democracia – A ditadura, o golpe no Chile e a Guerra Fria na América do Sul”.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/guga-chacra/post/2025/11/ultradireita-no-chile-sera-como-a-do-brasil-e-argentina.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)

    (1) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/11/16/com-40percent-dos-votos-apurados-jara-e-kast-se-enfrentarao-no-segundo-turno-das-eleicoes-presidenciais-do-chile-aponta-imprensa.ghtml
    (2) https://oglobo.globo.com/mundo/quem-jose-antonio-kast-ultraconservador-catolico-que-radicalizou-direita-do-chile-1-25325377
    (3) https://oglobo.globo.com/tudo-sobre/pais/chile/
    (4) https://oglobo.globo.com/mundo/especial/ex-presidente-do-chile-sebastian-pinera-morre-em-acidente-de-helicoptero-diz-jornal.ghtml

    (*) E como prestará contas aos seus titeriteiros vermelhos?

  20. Miguel José Teixeira

    Então, não tem escapatória!
    As “metas ambiciosas” do picolé de chuchu
    “se-derreter-se-ão-se”!

    “COP 30: Alckmin fala de metas ambiciosas para o Brasil, mas está nas mãos de Lula impedir um retrocesso. Entenda”
    (Por Míriam Leitão, O Globo, 17/11/25)
    . . .
    “Na COP 30, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou metas ambiciosas do Brasil, como triplicar a energia renovável até 2030. Porém, a continuidade do subsídio ao carvão, prorrogada até 2040 por decisão do Congresso, ameaça esse compromisso. Cabe ao presidente Lula vetar essa decisão para evitar um retrocesso e alinhar o discurso climático com ações concretas, essencial para a política energética do país.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2025/11/cop-30-alckmin-fala-de-metas-ambiciosas-para-o-brasil-mas-esta-nas-maos-de-lula-impedir-um-retrocesso-entenda.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  21. Miguel José Teixeira

    Faveco rachadjinha & edu bananinha e a visita quase meio institucional!

    “Flávio e Eduardo Bolsonaro viajam para El Salvador, mas não serão recebidos pelo presidente”
    (Por Lauro Jardim, O Globo, 17/11/25)

    Flávio Bolsonaro viaja hoje para El Salvador. Mas não vai se encontrar com o presidente Nayib Bukele, o presidente extremista que se tornou símbolo da extrema direita na América Central.

    Sua audiência (ao lado do irmão Eduardo, que viajará a partir dos EUA) será com o Ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador desde 2021, Héctor Gustavo Villatoro Funes, que tem recebido os políticos brasileiros de direita que desde o ano passado têm visitado o país para discutir o tema segurança pública.

    Presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado, Flávio apresentou no dia 4 de novembro um requerimento para fazer uma “visita institucional” a Bukele.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2025/11/flavio-e-eduardo-bolsonaro-viajam-para-el-salvador-mas-nao-serao-recebidos-pelo-presidente.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)

  22. Miguel José Teixeira

    “Chanceler alemão diz ter ficado feliz ao ir embora de Belém”
    – Friedrich Merz comparou o Brasil com a Alemanha; relatou que perguntou a jornalistas quem gostaria de ficar na cidade da COP30 e “ninguém levantou a mão” .
    (Poder360, 17/11/25)

    O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, comparou o Brasil à Alemanha durante um discurso no Congresso Alemão do Comércio, realizado na 5ª feira (13.nov.2025), em Berlim, capital alemã. Relatou uma conversa que teve com jornalistas que o acompanharam ao Brasil durante a Cúpula de Líderes da COP30, em Belém, realizada nos dias 6 e 7 de novembro. Segundo ele, todos teriam ficado “contentes” em retornar à Alemanha após o encerramento do evento.

    “Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de 6ª para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos”, afirmou.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/chanceler-alemao-diz-ter-ficado-feliz-ao-ir-embora-de-belem/

    1. Miguel José Teixeira

      “Chanceler Merz tem razão? Como Belém se compara a Berlim em 4 estatísticas”
      – “Todos ficaram felizes por termos voltado, principalmente por sair daquele lugar”, disse chanceler alemão Friedrich Merz sobre Belém.
      (Andre Shalders, Metrópoles, 17/11/25)

      O chanceler alemão Friedrich Merz, da União Democrata-Cristã, criou polêmica ao dizer nesta quarta-feira que “todos ficaram felizes por termos voltado, principalmente por sair daquele lugar”, referindo-se à participação do seu país na COP30 em Belém do Pará.

      A fala de Merz foi criticada por políticos de esquerda e influenciadores brasileiros nas redes sociais.

      “Não tem como levar a sério um líder que fala em proteção climática, mas demonstra incômodo ao pisar na maior floresta do planeta. Belém não é desconforto; desconforto é a arrogância europeia fantasiada de diplomacia”, escreveu a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG).

      “Merz, obrigado pela visita em Belém, na COP30. Mas, da Alemanha e dos demais países ricos, nós queremos mais o dinheiro para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre do que propriamente a sua presença aqui (*). Estamos aguardando alegres. Abraço ao povo alemão!”, escreveu o deputado Rogério Corrêa (PT-MG).

      “Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, especialmente daquele lugar onde estávamos”, afirmou o chanceler Friedrich Merz, ao defender que os alemães vivem “em um dos lugares mais bonitos e livres do mundo”.

      Apesar da grosseria, Merz estaria amparado por estatísticas de qualidade de vida, longevidade e renda, se desejasse realmente comparar Berlim, na Alemanha, com Belém do Pará.

      Veja abaixo como as cidades se comparam em alguns indicadores sociais e econômicos.

      1 – Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
      Em Belém, o índice de desenvolvimento humano municipal (IDHM) foi calculado em 2010 em 0,746. Considerado alto, porém ainda abaixo de outras capitais brasileiras.

      Para Berlim, o IDH foi calculado em 0,965 em 2019, considerado muito alto. O valor é um pouco acima da média da Alemanha, de 0,942.

      2 – Renda per capita
      O PIB (Produto Interno Bruto) per capita de Belém do Pará é de R$ 22.216,33 em 2021, segundo o IBGE, o que coloca a cidade mais ou menos na metade da distribuição de renda do país.

      Já o Estado de Berlim, onde está a capital, tinha um “produto doméstico regional bruto” (ou GRDP, na sigla em inglês) per capita de 53,9 mil USD em 2022.

      É o equivalente a R$ 278.738,00 anuais. É um dos mais elevados da Alemanha e da Europa como um todo, e mais de 12 vezes a renda de Belém.

      3 – Expectativa de vida
      No estado do Pará como um todo, a expectativa de vida em 2020 era de 69 anos para os homens e 77 anos para as mulheres, ou seja, 73 anos em média.

      Já em Berlim, a expectativa de vida é bem mais alta: 78 anos para os homens e 83 anos para as mulheres. A média geral era de 80,8 anos, segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

      4 – Saneamento básico
      Belém possui alguns dos piores indicadores de saneamento básico entre as capitais brasileiras. Cerca de 77% da população possui água tratada, mas só 17% conta com coleta de esgoto, segundo levantamento do Trata Brasil. E, do esgoto que é coletado, só 3% a 4% é tratado. No Pará como um todo, 91% da população não conta com coleta de esgoto.

      Já em Berlim, quase a totalidade da população de 3,8 milhões de pessoas é atendida pela Berliner Wasserbetriebe (“Companhia de Águas de Berlim”), segundo a própria empresa.

      (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/chanceler-merz-tem-razao-como-belem-se-compara-a-berlim-em-4-estatisticas)

      (*) Sacaram?
      Provavelmente é pensamento do chefe da quadrilha PeTralha!

  23. Miguel José Teixeira

    “A semana começa como qualquer outra: o Brasil é “podre””
    – Saber o que vai acontecer amanhã, apenas olhando para ontem, é de uma previsibilidade cruel.
    (Ricardo Kertzman, O Antagonista, 17/11/25)

    Em agosto de 2022, em pleno governo Jair Bolsonaro, provando que incompetência e/ou picaretagem oficiais são apartidárias e não têm ideologia política, uma instrução normativa começou a vigorar no INSS, possibilitando que menores de idade pudessem contrair empréstimos consignados sem a devida autorização judicial.

    Com tal medida, qualquer pessoa poderia assinar e autorizar descontos para o pagamento dos débitos – até bebês e crianças com deficiências raras foram vítimas de esquemas fraudulentos. Estima-se que mais de 12 bilhões de reais tenham sido liberados, desde então, em nome de mais de 760 mil crianças por todo o país.

    Segundo a Controladoria Geral da União (CGU), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) torrou, apenas em dois anos auditados, mais de 16 milhões de reais em viagens internacionais. Sua diretoria realizou dezenas de viagens sem justificativa ou planejamento. Apenas o ex-diretor geral passou 191 dias no exterior.

    Poço sem fundo
    Já o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), do vice-presidente Geraldo Alckmin, informou que gastou cerca de 345 mil reais com o evento “Brasil, Criativo por Natureza”, no Café de L’Homme, em Paris, organizado pela APEX-Brasil em junho de 2025, durante visita da primeira-dama Janja da Silva.

    Além do desfile de moda, houve ainda a realização de uma “experiência sensorial gastronômica”, comandada pela chef brasileira Morena Leite, amiga pessoal de Janja. A missão à França custou, no total, cerca de 2.5 milhões de reais. As informações foram solicitadas pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO).

    Essas notícias são de hoje, segunda-feira, 17, após uma rápida passada de olhos no feed de notícias da minha timeline no Instagram. Não fiz pesquisa nem muito menos procurei outras. É um brevíssimo resumo do que acontece diariamente, há décadas – senão séculos – nesse triste pedaço de chão esquecido por Deus e bonito por natureza.

    O que será amanhã?
    O Brasil não é pobre, corrupto, violento, desigual e sujo por acaso. É obra de muitas mãos, de muitos homens e muitas mulheres desprovidos de ética, moral e senso coletivo. São porcos-humanos, ou humanos porcos que, uma vez empoderados, usam e abusam de seus cargos e servem-se do trabalho e dinheiro alheios.

    O presidente Lula da Silva, em seu terceiro mandato não consecutivo – o quinto do PT desde 2002 -, insiste em culpar os empresários e os banqueiros pelas mazelas do país. Para ele e seu grupo, basta tributar com ainda mais voracidade os ricos e os “super-ricos”, para que o Brasil se torne uma espécie de Suécia dos trópicos.

    Ao olhar pela janela, vejo um início de semana frio e chuvoso, prenúncio de que as notícias que acabei de ler são apenas a realidade “molhando o bico”. Saber o que vai acontecer amanhã, apenas olhando para ontem, é de uma previsibilidade cruel – e a certeza de que, no Brasil, em matéria de podridão, somos incorrigíveis.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/a-semana-comeca-como-qualquer-outra-o-brasil-e-podre/)

  24. Miguel José Teixeira

    “Ex-presidentes presos deveriam envergonhar o país”
    – Em pouco tempo, o brasileiro acostumou-se a votar para presidente e a acompanhá-los depois no curioso reality da pré-prisão.
    (Miguel de Almeida, O globo, 17/11/25)

    Até o Natal, deveremos ter dois ex-presidentes presos. Collor, por corrupção; Bolsonaro, por tentativa de golpe contra a democracia. Desde a redemocratização, já houve outros dois: Lula por corrupção e Michel Temer, sob acusação de maracutaias diversas e cabeludas. A Presidência só perde para o cargo de governador do Rio. Já passaram pela cadeia Moreira Franco, Cabral, Pezão, Garotinho, Rosinha, Witzel, enquanto Castro dá seus tiros para mostrar resistência.

    De todos, Bolsonaro é o mais lamuriento. À beira da cela, comporta-se sem heroísmo. Seus parceiros plantam notícias da decadência de seu estado de saúde para angariar empatia. Compungido, o ex-ministro José Dirceu, uma de suas nêmesis, defende que ele cumpra a pena em prisão domiciliar. Este parece ser o tema a dominar as conversas de bar sob a atual primavera sem personalidade — onde Bolsonaro estará nos próximos anos?

    Em pouco tempo, o brasileiro acostumou-se a votar para presidente e a acompanhá-los depois no curioso reality da pré-prisão. É uma profissão conturbada. Antes de seguir para Curitiba, Lula discursou bastante em diferentes lugares, em tom de despedida. Logo, inventou o road show do encarceramento. Temer foi interceptado sem esperneio durante um telefonema, e Collor mostrou-se rapidamente adoentado — até apneia! Mestre. O troféu de pior performance ainda está com Anthony Garotinho. O ex-governador, num misto de pastelão e drama, jogou-se no chão aos gritos. Nota para o desempenho: 1. A França subiu a régua do reality carcerário. O ex-presidente Sarkozy não deu um pio antes de chegar a pé até o presídio. Francês tem classe.

    Difícil um encontro entre amigos em que não haja palpites técnicos e jurídicos sobre a próxima casa de Bolsonaro. Passamos pela dosimetria, estamos nos embargos (de declaração e infringentes) e às vésperas de seu degredo. Discute-se a idade do condenado, sua saúde, histórico médico (facada, soluços, vômitos…). Tenho dúvidas sobre a sinceridade das preocupações de seus correligionários, e até de seus filhos. A situação sugere jogo de cena para externar empatia e ficar com seus votos, sua herança. A política tem dessas coisas: por poder, entregam a mãe.

    No clássico “Guerra e paz”, Tolstói, que foi soldado do Exército czarista, narra a bênção em dar a vida por seu país. Há um desejo manifesto pela morte em batalha, para engrandecer a vida. Por seu currículo de homem público, Bolsonaro não brilharia nas páginas épicas do escritor russo. Seu perfil biográfico encaixa-se melhor no romance “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, em que o personagem é acusado e preso por traição ao presidente Floriano Peixoto. Spoiler: como ocorria naqueles tempos, ele termina executado.

    Cioso com os seus, um Bolsonaro precavido trata de deixar a família em boa situação. Vai saber como serão os próximos anos. Para a mulher, deseja o emprego de senadora pelo Distrito Federal. Flávio parece encaminhado a buscar a reeleição no Rio, com a plataforma de chamar os americanos até a costa carioca. Carluxo pode ficar com a capitania de Santa Catarina, enquanto Jair Renan, o mais articulado de todos, continuará em Camboriú. A incógnita financeira se dá com Eduardo, certamente impossibilitado de concorrer a novo mandato de deputado por razões alheias à sua vontade. Como futuro ex-parlamentar, pode reivindicar aposentadoria antecipada. Não ficará na chuva!

    No balanço familiar de resultados, Bolsonaro demonstra ser um patriarca zeloso, valendo-se do patrimonialismo que lhe contamina o ser. Começou no Exército, foi aposentado, tornou-se parlamentar, depois presidente. Criou família grande, passou por vários casamentos, numa dinâmica bancada pelo contribuinte. Preso, seja na Papuda ou em casa, continuará sem preocupações previdenciárias. É um bom trajeto, mesmo agora manchado pela prisão. Situação confortável se comparada com a maioria dos brasileiros, com aposentadoria rala e incapazes de indicar sinecuras aos filhos ou à mulher.

    Há o outro lado da moeda.

    Haver dois ex-presidentes presos, à primeira vista, pode deixar o brasileiro envergonhado. É como falar do cunhado extremista. Não deveria. Pelo contrário, mostra uma democracia com viço. Revela um país que olha no espelho e não pisca, que deseja ser outra coisa, e não um esbulho. Os livros de História usarão os episódios como exemplo do momento em que o Brasil finalmente não dobrou a espinha.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/opiniao/miguel-de-almeida/coluna/2025/11/ex-presidentes-presos-deveriam-envergonhar-o-pais.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)

  25. Miguel José Teixeira

    “Insegurança tem custo alto”
    – Empresas evitam o país ou certas regiões, não apenas pelos gastos com segurança, mas também para não expor seus funcionários.
    (Carlos Alberto Sardenberg, O Globo, 17/11/25)
    . . .
    “A insegurança no Brasil gera um alto custo econômico e social, levando empresas a evitarem o país ou certas regiões. A violência é a principal preocupação dos brasileiros, superando a economia. Empresas e famílias gastam com segurança, enquanto o crime organizado impacta negativamente o investimento e o desenvolvimento. A corrupção e a desigualdade ampliam o problema, exigindo soluções eficazes e integradas.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/opiniao/carlos-alberto-sardenberg/coluna/2025/11/inseguranca-tem-custo-alto.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  26. Miguel José Teixeira

    No Chile, JJ X JK!

    “Jara e Kast se enfrentarão no segundo turno das eleições presidenciais do Chile”
    – Votos do terceiro lugar, o populista Franco Parisi, do Partido Popular, serão decisivos; primeira volta foi marcada por temores relacionados à criminalidade, que a maioria da população associa à imigração.
    (Por O Globo e agências internacionais — Santiago, 17/11/25)
    . . .
    “Jeannette Jara e José Antonio Kast disputarão o segundo turno das eleições presidenciais do Chile, após um primeiro turno marcado por temores de criminalidade associados à imigração irregular. Jara obteve 26,69% dos votos, enquanto Kast, 24,15%. A surpresa foi Franco Parisi, com 19,32%, superando candidatos de extrema direita. As eleições refletem preocupações com segurança e o avanço da extrema direita.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/11/16/com-40percent-dos-votos-apurados-jara-e-kast-se-enfrentarao-no-segundo-turno-das-eleicoes-presidenciais-do-chile-aponta-imprensa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  27. Miguel José Teixeira

    Sambando na avenida
    com o dinheiro de todos!

    “União entre Freixo e Alcolumbre faz Amapá destinar R$ 10 milhões a enredo da Mangueira”
    – Valor corresponde ao terceiro maior termo de fomento firmado pela gestão Clécio em 2025.
    (Por Bernardo Mello, O Globo, 17/11/25)
    . . .
    Uma articulação política entre Davi Alcolumbre e Marcelo Freixo resultou em um patrocínio de R$ 10 milhões do governo do Amapá para o enredo da Mangueira no Carnaval de 2026, que homenageará o estado. O valor é um dos maiores termos de fomento da gestão Clécio Luís. Freixo intermediou o contato, mas não discutiu patrocínio, enquanto Alcolumbre apoiou a escolha do enredo.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/17/uniao-entre-freixo-e-alcolumbre-faz-amapa-destinar-r-10-milhoes-a-enredo-da-mangueira.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    “100 Anos de Liberdade, Realidade Ou Ilusão?”
    . . .
    “Será, será
    Que já raiou a liberdade
    Ou se foi tudo ilusão?
    . . .
    https://youtu.be/1SS0ac7-EiM

  28. Miguel José Teixeira

    Enquanto nossas “otoridades”
    só cuidado do marketing
    para suas reeleições. . .

    “Marketing do crime: quadrilhas usam redes sociais para se promover e recrutar jovens”
    – Empresas responsáveis por plataformas afirmam remover perfis que divulgam conteúdos ligados à criminalidade.
    (Por Felipe Grinberg e Vera Araújo — Rio de Janeiro, O Globo, 17/11/25)
    . . .
    “Quadrilhas no Rio de Janeiro estão usando redes sociais para promover o crime e recrutar jovens, destacando-se o Comando Vermelho (CV). Perfis exibem armas, drogas e ostentação, atraindo simpatizantes e novos membros. A polícia monitora essas atividades e remove conteúdos ilegais, mas enfrenta desafios para conter a influência dessas ações nas plataformas digitais. Especialistas alertam sobre a necessidade de vigilância parental e intervenção social.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2025/11/17/marketing-do-crime-quadrilhas-usam-redes-sociais-para-se-promover-e-recrutar-jovens.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  29. Miguel José Teixeira

    Então,
    acertou em cheio
    Tarcisão!

    “Indicação de Derrite para relatoria do PL Antifacção abala confiança do Planalto em Motta e amplia lista de atritos”
    – Episódio se soma à derrubada, em junho, do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
    (Por Sérgio Roxo, O Globo, 17/11/25)
    . . .
    “A confiança do Planalto em Ricardo(*) Motta foi abalada após um revés no caso Derrite, ampliando as tensões com a Câmara dos Deputados. Esse episódio se soma a uma série de atritos entre o Executivo e a Casa Legislativa, destacando desafios nas relações políticas e a necessidade de estratégias para superar os conflitos e manter a governabilidade.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/17/indicacao-de-derrite-para-relatoria-do-pl-antifaccao-abala-confianca-do-planalto-em-motta-e-amplia-lista-de-atritos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    (*) Coisas da IA!

  30. Miguel José Teixeira

    Fazendo cortesia com o chapéu alheio!

    “Câmara amplia despesa com servidor em R$ 22 bilhões nos próximos três anos”
    – Medidas que aumentam benesses ainda precisam de aval do Senado, mas vão na contramão da proposta de Reforma Administrativa.
    (Por Bernardo Lima — Brasília, O Globo, 17/11/25)
    . . .
    “A Câmara dos Deputados aprovou um aumento de R$ 22 bilhões em gastos com funcionalismo público para os próximos três anos, incluindo reajustes para servidores do Judiciário e adicionais de qualificação. As medidas, que ainda dependem de aprovação do Senado, contrariam a proposta de Reforma Administrativa que enfrenta resistência. O impacto financeiro e o efeito cascata dessas decisões são preocupações, especialmente em ano pré-eleitoral.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2025/11/17/camara-amplia-despesa-com-servidor-em-r-22-bilhoes-nos-proximos-tres-anos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

  31. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (010)

    “Sérgio Buarque viu em Drummond o poeta da vida que ‘não presta'”
    – Autor de ‘Raízes do Brasil’ escreveu que mineiro tinha pessimismo radical, sem romantismo.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    Quando Carlos Drummond de Andrade (1) completou 50 anos, Sérgio Buarque de Holanda (2) escreveu sobre o poeta mineiro (3) um ensaio que ia além do óbvio. O historiador não via apenas humor e ironia — via o drama da vida moderna, onde gestos e palavras perderam “o calor primitivo”.

    “O artifício dos intercâmbios, das acomodações de superfície, do espetáculo diário e convencional, envolvendo e procurando a todo instante sobrepujar o que na vida há de mais vivo, mais íntimo: esse é o tema constante de Carlos Drummond de Andrade”, escreveu em artigo publicado na Folha da Manhã, nos anos 1952.

    No início dos anos 1960, o jornal se fundiria com a Folha da Tarde e a Folha da Noite para dar origem à Folha.

    O autor de “Raízes do Brasil” (4) identificou em Drummond um pessimismo radical, sem romantismo. A desumanização que o poeta registrava.

    Buarque de Holanda notou ainda a obsessão drummondiana por palavras que evocavam o mineral no orgânico: unhas, dentes, pestanas. Elementos que, na poesia, se associavam aos “artigos mecânicos que contribuem para minar a carne e o ritmo natural da vida”.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (5), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    O mineiro Drummond (13/11/1952)

    A mesma paisagem que emudeceu diante de Cláudio Manuel da Costa, sempre enleado com as ninfas do Mondego, e que Alphonsus povou de santos, de sinos, de hinos mais medievais do que barrocos ou rococós, reservou-se intacta do outro grande poeta de Minas Gerais. Não é, entretanto, a presença física ou simplesmente decorativa da paisagem mineira o que importa em Carlos Drummond de Andrade, mas alguma coisa de mais fundamental que, esquivando-se, embora, a qualquer tentativa de descrição e definição, pôde impor-se já aos seus primeiros leitores.

    A ação daquela terra itabirana onde o poeta nasceu há meio século – “Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação” – não seria tão absorvente se não significasse, por sua vez, a presença de um passado continuamente vivo e atenuante. A fidelidade implacável, ainda que nem sempre visível, à imagem doméstica, emergindo “da névoa, das memórias, dos baús atulhados, da monarquia, da escravidão, da tirania familiar”, irá compor, em verdade, a trama essencial de toda a sua obra.

    Até aqui, porém, nada há de verdadeiramente dramático. O drama principia onde, sobre esse fundo ancestral e íntimo, se projetam os imperativos de uma existência aparentemente conversável, mas onde as palavras, os gestos, as práticas perderam o calor primitivo e tendem, cada vez mais, a mecanizar-se, burocratizar-se, num automatismo quase inumano.

    Para uma tal existência, aquela obstinada fidelidade aos velhos ritos terá o efeito de uma tara congênita, de um pecado original irremissível. O contraste resolve-se, sem dúvida, em poesia, mas poesia onde todos os antagonismos permanecerão indenes. Nada tão ilusório como esperar-se uma fuga no passado ideal, no sonho, na fantasia, na “poesia”, de quem certa vez chegou a confessar: “O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes…”

    O traço próprio desta obra está precisamente em que ela não se insere em nenhuma das categorias estáveis, a do “poético”, por exemplo, ou a do prosaico; a do sério ou a do frívolo, que servem, quando muito, para os classificadores e os críticos, mas guarda em si, ao contrário, os mais díspares elementos. Todos estes elementos – a livre emoção, tanto quanto o falsete e a reserva irônica, a “piada” assim como o mais puro lirismo – representam, na verdade, partes necessárias, inseparáveis de um mesmo conjunto e que, reunindo-se, não se temperam ou se confundem, antes se destacam e se valorizam por obra do seu mesmo contraste.

    O artifício dos intercâmbios, das acomodações de superfície, do espetáculo diário e convencional, envolvendo e procurando a todo instante sobrepujar o que na vida há de mais vivo, mais íntimo, mais isento de compromissos externos, e que parece vir do fundo dos tempos: esse é o tema constante de Carlos Drummond de Andrade. Falou-se demasiado no humor do poeta e não sei, de fato, quem, melhor do que ele, saiba exprimir, interpretada com alguma liberalidade, a definição célebre: “o mecânico implantado, colado sobre o vivo”, “du mécanique plaqué sur le vivant”.

    Em certas aparências mais grosseiras que a fala do anjo torto no pórtico de um dos seus livros não deixa de sugerir, ele ainda faria evocar aquelas outras palavras do filósofo sobre a obstinação dos que, sujeitos a um só e invariável ritmo, ficam desamparados diante do menor obstáculo.

    “Une pierre était peut-être sur le chemin. Il aurait fallu changer d’allure ou tourner l’obstacle…
    [Havia uma pedra no caminho. Seria preciso alterar o passo, ou contornar o obstáculo…]”

    Contudo, essas formas de inibição e timidez, se representam, talvez, um ingrediente necessário na obra, em toda a personalidade de Drummond, estão longe de dar acesso aos seus aspectos mais significativos. Seria preciso acrescentar-lhes, notou o Mário de Andrade, uma sensibilidade e uma inteligência apuradíssimas, virtudes que o absolveriam de todos os pecados da timidez. Eu diria sobretudo que ele trouxe consigo de nascença ou – quem sabe? – de seu mundo itabirano, o veneno e também o antídoto da timidez: essa autocrítica implacável, espécie de inteligência da sensibilidade, que impede a menor manobra em falso. Mesmo a timidez, no sentido corrente da palavra, não sei se explicaria muita coisa desta poesia. Em realidade toda timidez descansa naturalmente sobre o sentimento da própria precariedade, e sabemos que nada há de um tal sentimento os romantismos de todos os tempos.

    Mas Drummond é em muitos pontos, neste particularmente, o contrário de um romântico. Ele não quer comprazar-se no malogro, nem se lamenta sobre as dores do mundo, nem –salvo por exceção– chega a sonhar com algum paraíso futuro. Seu pessimismo radical não se detém ao menos nas experiências pessoais ou nas formas contingentes. Talvez remediáveis. A desumanização dos homens prisioneiros, cada vez mais, dos gestos públicos e mecânicos em que se submerge a personalidade será apenas em suas formas mais acerbas um mal dos nossos tempos; a verdade, porém, é que só se destina a melhor patentear o segredo que todos sabem: “que esta vida não presta”.

    Não são somente aquelas dentaduras mecânicas, “engenhos modernos, práticos, higiênicos”, que servem para mastigar a “carne da vida”, como não é só o cimento armado das casas de apartamento, fechando famílias em células estanques que justifica a notação do poeta:

    “O elevador sem ternura
    expele, absorve
    num ranger monótono
    substância humana.

    Entretanto de há muito
    se acabaram os homens.
    Ficaram apenas
    tristes moradores.”

    Pois é bem pouco provável que os mesmos homens se acomodariam tão docilmente à mudança, se já não andassem, por natureza, divididos de si, se não fossem portadores, no espírito e na carne, das marcas do mal.

    Não é, talvez, por acaso, se entre as palavras-chave desta poesia ocupam tão largo espaço as que podem evocar tudo quanto, no orgânico, tem aparência menos orgânica, mais “mineral”: as unhas, os dentes, as pestanas, os bigodes. As unhas principalmente, equiparáveis e associáveis, não raro, pelo efeito ou posição no contexto, a esses mesmos artigos mecânicos que contribuem para minar a carne e o ritmo natural da vida: “pensando com unha, plasma, fúria, gilete…” (“O Mito”); “sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas” (“Morte no Avião”); “os olhos no relógio, fascinados, ou as unhas brotando em dedos frios” (“Visão 1944”); “cortaremos o piano em mil fragmentos de unha?” (“Onde Há Poucas Palavras”)…

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/sergio-buarque-viu-em-drummond-o-poeta-da-vida-que-nao-presta.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2024/11/drummond-registrou-paixao-pelo-cinema-ao-longo-de-60-anos.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/07/1905065-texto-raro-narra-influencia-de-taunay-sobre-sergio-buarque-de-holanda.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/minas-gerais-estado/
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/08/1799285-edicao-critica-celebra-80-anos-de-raizes-do-brasil.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  32. Miguel José Teixeira

    EsbanJANJAnjê aLULAlê!

    “Governo pagou R$ 344 mil para evento de moda com Janja em Paris”
    – Ministério divulgou gastos após pedido de informação do deputado Gustavo Gayer.
    (Poder360, 16/11/25)

    O Ministério da Indústria e Comércio informou no sábado (15.nov.2025) que gastou R$ 344.462,40 no evento “Brasil, Criativo por Natureza”, realizado em junho de 2025 no Café de l’Homme, em Paris. A resposta foi enviada depois do requerimento do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), segundo o portal Metrópoles.

    O desfile, organizado pela ApexBrasil, contou com a presença da primeira-dama Janja e foi realizado durante missão oficial à França.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/governo-pagou-r-344-mil-para-evento-de-moda-com-janja-em-paris/

  33. Miguel José Teixeira

    “Por que os filmes ficam de pé”
    – Se você não aplicar a suspensão da descrença, todo o cinema é absurdo.
    – Como seria Mia Farrow trocando as fraldas molhadas de seu bebê filho do Diabo?
    (Ruy Castro, FSP, 15/11/25)
    Por vários motivos, andei escrevendo sobre Alfred Hitchcock nas últimas semanas e, ao falar de “Psicose”, um leitor apontou algo que o incomodava no filme. Ele queria saber: quem cuidava do Motel Bates, ou seja, varria, espanava, passava o aspirador? Para ele, não era possível que Tony Perkins fizesse sozinho a faxina do motel e mais a da casa da colina onde ele morava com a mãe, ligeiramente inválida por estar morta. É uma dúvida razoável —se você não aplicar a todos os filmes a que assistir a “suspensão de descrença”, princípio criado pelo poeta Coleridge em 1817.

    Sem essa suspensão, nenhum filme ficará de pé. Em “Quanto Mais Quente Melhor” (1959), como Marilyn Monroe pode não perceber que Jack Lemmon, disfarçado de mulher e espremido contra ela num beliche, é na verdade um homem? Em “West Side Story” (1961), Natalie Wood e Richard Beymer namoram aos sussurros na escada de incêndio para não acordar os pais dela e, de repente, desatam a cantar como na ópera. E, em “O Rei dos Reis” (1961), ao ver o Cristo vivido por Jeffrey Hunter pendurado na cruz de braços abertos, como não reparar em suas axilas perfeitamente depiladas? Era uma imposição de Hollywood, mas não parecia estranho um Cristo de sovacos tão glabros?

    Em “O Bebê de Rosemary” (1968), o filme termina com Mia Farrow dando à luz o filho do Diabo. Como seria se a história continuasse? Ela amamentaria o bebê demoníaco? Teria de trocar-lhe as fraldas molhadas? Levá-lo-ia a passear de carrinho na praça? E, em “O Pecado Mora ao Lado” (1955), a mesma Marilyn se refresca com o vento que sai do buraco do metrô e levanta suas saias. Mas, pelo menos em Nova York, o vento do metrô é um bafo quente, que poderia até cozinhar suas intimidades.

    Quem resumiu tudo foi o diretor John Ford. Quando lhe perguntaram por que, na infernal sequência da perseguição à diligência no deserto, em “No Tempo das Diligências” (1939), os índios não atiravam nos cavalos, Ford foi direto:

    “Porque, se eles fizessem isso, o filme acabava.”

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/11/por-que-os-filmes-ficam-de-pe.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

  34. Miguel José Teixeira

    “O teatro das cúpulas climáticas”
    – O planeta não será salvo por resoluções. Será salvo, se o for, por indivíduos livres, dotados de responsabilidade real.
    (Dennys Xavier, Crusoé, 14/11/25)
    . . .
    Ato I — A inauguração solene
    Abrem-se as cortinas da infâmia e dos ritos teatrais.

    Em cena, um auditório reluzente, repleto de líderes mundiais, jornalistas, consultores, ONGs, investidores verdes, índios em vestes festivas aos borbotões e um número cada vez maior de adolescentes indignados, todos treinados em linguagem emocional e slogans pré-fabricados.

    Estamos em mais uma edição da COP, aquela nobre cerimônia anual em que os poderosos do mundo se reúnem para anunciar que desta vez, sim, agora é sério: “O planeta não pode esperar”.

    Cada edição tem seu figurino próprio: há ternos éticos, gravatas sustentáveis, painéis sobre ancestralidade, indígenas digitalmente convidados, e uma profusão de hashtags, bandeiras coloridas e palavras que tentam unir o mundo pela gramática da urgência moral: justiça climática, transição energética, fundo verde, colaboração intersetorial.

    Até desfile de personagens patéticos travestidos de animais tivemos. Atores pagos com dinheiro de impostos sobem ao palco com semblante grave, embora as cifras de seus fundos de carbono sejam sorridentes.

    A plateia aplaude. Os flashes brilham. E como no teatro ritual dos antigos, não importa se o texto é repetido todos os anos: ele ainda comove. Ou ao menos entretém.
    . . .
    (Fonte: https://crusoe.com.br/noticias/o-teatro-das-cupulas-climaticas/)

  35. Miguel José Teixeira

    “O teatro das cúpulas climáticas”
    – O planeta não será salvo por resoluções. Será salvo, se o for, por indivíduos livres, dotados de responsabilidade real.
    (Dennys Xavier, Crusoé, 14/11/25)
    . . .
    Ato II — A tragédia do papel timbrado
    Durante semanas, os delegados das nações negociam a redação de um documento final. As reuniões são intensas, exaustivas, emocionalmente performáticas.

    Discute-se não o problema real, qual seja: a ausência de um sistema eficiente de incentivos, a má definição de propriedade e a manipulação estatal dos mercados energéticos; mas as palavras com que o problema será descrito.

    É imprescindível, dizem os participantes, que o texto contenha termos como redução progressiva, compromissos escalonados, responsabilidades históricas e financiamento climático.

    A palavra “eliminação” é considerada “colonialista”, enquanto “redução gradual” soa inclusiva.

    A ideia de crescimento econômico é mantida, desde que precedida por verde, justo ou resiliente. O objetivo não é a clareza, mas a ambiguidade moralmente carregada.

    Ao fim, produz-se uma declaração triunfal (nem sempre se chega a isso, é verdade… mas o triunfo está lá), cuja virtude principal é ser inofensiva, inócua, meio abobada.

    Ninguém se compromete demais, ninguém perde prestígio, e todos podem voltar para casa dizendo que “fizeram sua parte”.

    É a encenação da solução. Como se o papel, uma vez timbrado pela ONU (ou qualquer outra dessas organizações inúteis), pudesse mudar o regime dos ventos ou a direção das correntes marítimas.
    . . .
    (Fonte: https://crusoe.com.br/noticias/o-teatro-das-cupulas-climaticas/)

  36. Miguel José Teixeira

    “O teatro das cúpulas climáticas”
    – O planeta não será salvo por resoluções. Será salvo, se o for, por indivíduos livres, dotados de responsabilidade real.
    (Dennys Xavier, Crusoé, 14/11/25)
    . . .
    Ato III — O banquete dos cúmplices
    Com os discursos encerrados e os compromissos vagamente assumidos, inicia-se o verdadeiro coração da conferência: os coquetéis, os jantares, as festas.

    Empresários do setor de energias renováveis brindam com secretários de meio ambiente.

    Governadores regionais vendem biomas. Bancos de investimento lançam pacotes de ESG bonds. Influenciadores digitais posam com garrafinhas reutilizáveis e legendas inspiradoras.

    Enquanto isso, as emissões de CO₂ da conferência superam as de pequenas cidades.

    A frota de jatinhos que levou os participantes ao evento precisaria de uma floresta de três gerações para compensar o carbono emitido.

    Mas ninguém se incomoda. O importante é parecer verde. Ser verde mesmo, bem … isso poderia comprometer acordos comerciais, subsídios e prestígio acadêmico. Ninguém oferece o que não tem.

    O evento termina como começou: com entusiasmo coreografado. Declara-se que o próximo ano será “decisivo”.

    E os olhos voltam-se, esperançosos, para o local da próxima COP. O ciclo se renova. O mundo não.
    . . .
    (Fonte: https://crusoe.com.br/noticias/o-teatro-das-cupulas-climaticas/

  37. Miguel José Teixeira

    “O teatro das cúpulas climáticas”
    – O planeta não será salvo por resoluções. Será salvo, se o for, por indivíduos livres, dotados de responsabilidade real.
    (Dennys Xavier, Crusoé, 14/11/25)
    . . .
    Ato IV – O silêncio das florestas
    Longe dos holofotes, as florestas e os animais queimam.

    As bacias hidrográficas são sufocadas por políticas públicas mal desenhadas, e o ar se torna irrespirável não pelo aquecimento global (talvez também por ele), mas pela corrupção local.

    As comunidades que vivem dos recursos naturais seguem ignoradas, exceto quando são úteis à estética da “inclusão”.

    E os mecanismos econômicos que poderiam promover preservação (direitos de propriedade bem definidos, livre mercado e descentralização) seguem excluídos do debate, pois ferem a lógica centralizadora que alimenta o espetáculo climático.

    Enquanto isso, os cidadãos comuns são bombardeados com campanhas de culpa moral: se você não recicla seu plástico ou deixa a torneira aberta, você está matando o planeta.

    Os verdadeiros destruidores de recursos, corporações blindadas por governos, burocracias ambientais ineficientes e parasitas políticos, seguem ilesos.

    É o teatro da inversão: os culpados posam de redentores; os impotentes são tratados como culpados.
    . . .
    (Fonte: https://crusoe.com.br/noticias/o-teatro-das-cupulas-climaticas/)

  38. Miguel José Teixeira

    “O teatro das cúpulas climáticas”
    – O planeta não será salvo por resoluções. Será salvo, se o for, por indivíduos livres, dotados de responsabilidade real.
    (Dennys Xavier, Crusoé, 14/11/25)
    . . .
    Epílogo — O delírio da salvação por decreto
    A farsa das cúpulas climáticas é eficaz em um ponto: ela cria a ilusão de que o problema é complexo demais para ser resolvido fora das mãos de especialistas, técnicos, negociadores, secretários-gerais e fundos internacionais.

    Ela convence as massas de que, sem as cúpulas, o mundo entraria em colapso, ignorando o fato de que, com elas, o colapso continua avançando com verniz de civilidade.

    As cúpulas não são o remédio, mas o sintoma: mostram que a civilização contemporânea prefere parecer virtuosa a ser livre.

    Não busca resolver o problema da sustentabilidade, mas administrar a narrativa da crise.

    São congressos de indulgência moral, onde o vício é reciclado em virtude, o cinismo se disfarça de compaixão, e a impotência ganha nome de protocolo.

    Rios e rios de dinheiro público, tirado à força do cidadão comum, bancam a farra.

    Mas o planeta não será salvo por resoluções.

    Será salvo, se o for, por indivíduos livres, dotados de responsabilidade real e não de retórica delegada.

    Por homens que vivem da terra e por ela respondem, não por tecnocratas que a observam de um lounge climatizado.

    Por comunidades que cuidam de seus rios, seus pastos e seus filhos, não por conferências globais onde o cuidado é discurso e o futuro, pretexto.

    (Fonte: https://crusoe.com.br/noticias/o-teatro-das-cupulas-climaticas/)

  39. Miguel José Teixeira

    “Festa na floresta”
    – Palanque de Lula na COP30 não funciona: seu legado serão os memes.
    (Duda Teixeira e João Pedro Farah, Crusoé, 14/11/25)

    As Conferências das Partes para o Clima da ONU, as COPs, foram criadas para estimular os países a tomarem iniciativas para evitar um aumento maior da temperatura do planeta.

    Nas suas últimas edições, as COPs já tinham perdido muito da credibilidade inicial, com críticas de que os jatinhos privados dos participantes emitem muitos gases de efeito estufa. Se é assim tão urgente fazer algo pelo meio ambiente, não seria melhor uma videoconferência remota?

    Além disso, os eventos são patrocinados por países e empresas que lucram com a queima de combustíveis fósseis, em uma tentativa de limpar a própria imagem.

    Com a COP30, o Brasil conseguiu avacalhar aquilo que já estava capenga.

    O presidente Lula tentou transformar a COP30 em um palanque político, especialmente depois de sua frase infeliz sobre traficantes que seriam vítimas da sociedade, mas nem isso ele conseguiu.

    Pesquisa da Real Time Big Data, feita a pedido de Crusoé, apontou que 62% dos brasileiros não sabiam que a COP30 estava acontecendo em Belém.

    Somente 38% estavam informados sobre o encontro. Mas o brasileiro não está muito otimista: 70% não acham que a COP30 será capaz de trazer resultados práticos e uma ação mundial efetiva.

    O tema, na verdade, nem é levado muito a sério. Somente 4% dos brasileiros acham que o meio ambiente deveria ser uma prioridade neste governo.

    Os dias de COP30 ainda tiveram desfile de pessoas rastejando com roupas de camelo e urso polar, obras sem licenciamento ambiental, Janja passando a camisa de Lula no iate e mais um mapa invertido IBGE.

    O evento só funcionou como indústria de memes e piadas, que foram muitos.

    Brasil não é exemplo
    No acordo de Paris, em 2015, 197 países se comprometeram a definir metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Menos de 20 cumpriram suas promessas.

    Entre os que decepcionaram está o Brasil, que definiu suas metas durante o governo da petista Dilma Rousseff.

    “O Acordo de Paris, como o próprio Brasil de Lula atesta, é conversa para inglês ver. Gostaria de saber qual seria o posicionamento do Lula para explicar por que o Brasil não atingiu suas metas nacionalmente determinadas para este ano de 2025. Foi no governo do PT que o Brasil adotou tal compromisso”, diz Eduardo Lunardelli, ex-secretário de Clima e Relações Internacionais do Ministério do Meio Ambiente.

    Sem licenciamento ambiental
    Em um evento cujo propósito é preservar o planeta, seria de se esperar cuidado com as normas ambientais.

    Mas uma nota técnica da Transparência Internacional – Brasil, publicada no início do mês, apontou que as obras realizadas para a COP30 não divulgaram informações sobre licenças ambientais.

    “No caso do Pará, somente quatro dos 22 contratos possuem licenças ambientais em seus anexos na lista divulgada pela SEOP/PA. Desses, três apresentam a mesma licença, vencida em 2022, e, apenas um possui licença vigente, com validade até 2027”, diz a nota.

    Óleo de petróleo na cara de Marina Silva
    Duas semanas antes da COP30, o Ibama autorizou a pesquisa para exploração de petróleo pela Petrobras na Margem Equatorial da Foz do Amazonas. O petróleo e seus derivados são a maior fonte de emissão de gases de efeito estufa.

    Na segunda, 10, a ministra do Meio Ambiente Marina Silva passou pano para a exploração, em entrevista ao jornal O Globo.

    Para ela, tudo bem investir no petróleo, porque no final das contas dá para pegar o lucro e investir em energias renováveis.

    “Foi importante o presidente Lula dizer, na cúpula de líderes, que precisamos acabar com a dependência dos combustíveis fósseis. Não basta querer sair da dependência, temos que criar as bases para isso. É preciso usar parte do lucro do petróleo para investir na transição energética. Investir em hidrogênio verde e energia eólica e solar. O Brasil está disposto a fazer isso pela justiça climática”, disse Marina.

    Em outra pirueta retórica, ela afirmou: “Não é possível abandonar combustíveis fósseis por decreto, porque haveria um colapso energético global”.

    A volta de Raoni
    Quem também apareceu para criticar a exploração de petróleo pela na Foz do Amazonas foi o cacique Raoni Metuktire. Adorado por Emmanuel Macron e pelos franceses, Raoni subiu a rampa do Planalto ao lado do petista, em janeiro de 2023.

    Fundo Florestal
    Lula inventou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). O objetivo era arrecadar bilhões e deixar com o Banco Mundial.

    Os rendimentos anuais seriam dados para países que mantêm suas florestas de pé e para comunidades e povos indígenas. O TFFF arrecadou 5,5 bilhões de dólares, a metade do que era esperado para este ano.

    O Reino Unido, que participou da elaboração do fundo, preferiu ficar de fora. Não há clareza sobre como esses recursos serão efetivamente distribuídos.

    Pesquisa da Real Time Big Data mostrou que os brasileiros são céticos em relação ao fundo: 74% não acham que essa é uma estratégia eficaz.

    Preços impopulares
    Antes mesmo da COP30, os países participantes já criticavam os preços exorbitantes em hospedagens, que chegavam a 4,4 mil reais por noite.

    Mas os altos valores não se limitaram às instalações. Em um evento com pretexto de inclusão, a água mineral de 350 ml custava 25 reais.

    Uma coxinha, 30 reais. Ao passar na frente dos jornalistas, a primeira-dama Janja debochou: “Já compraram a coxinha?”.

    Triplex flutuante
    Lula e Janja se hospedaram no iate Iana 3, com três andares. Rapidamente, nas redes sociais, uma foto apareceu com o nome “Triplex Estrela do Mar” na lateral do barco. “Com certeza ele não viu o nome antes de embarcar”, dizia uma mensagem.

    Era falso, uma montagem. Mas a piada ficou.

    O Palácio do Planalto decretou sigilo para não revelar o valor do contrato com a hospedagem flutuante.

    A diária da embarcação normalmente custa 2,6 mil reais. A Marinha chegou a oferecer uma embarcação, mas que não agradou a Lula.

    Janjismo ambiental
    A primeira-dama Janja protagonizou momentos constrangedores. Ela foi flagrada fazendo uma dancinha a bordo do Iana 3.

    Em seguida, divulgou um vídeo passando uma camisa de Lula e cantando música de Lô Borges, em uma tentativa de aparentar simplicidade.

    Para uma primeira-dama que prometeu ressignificar seu papel, valorizando o papel da mulher, ficou parecendo um gesto machista.

    Até o coquetel oferecido pela primeira-dama aos chefes de Estado fracassou. Apenas o presidente do Chile, Gabriel Boric, compareceu.

    Para fechar, Janja cunhou o termo “pobreza energética”, afirmando que a questão impacta a vida das mulheres com violência.

    Alguns brincaram que Janja estava inaugurando a “autoajuda ecológica”.

    Catastrofismo que não convence
    O mote de todas as COPs é que o mundo vai acabar se não forem tomadas medidas urgentes, custe o que custar. Lula, claro, entrou na onda.

    “Segundo o Mapa do Caminho Baku-Belém, as perdas humanas e materiais serão drásticas. Mais de 250 mil pessoas poderão morrer a cada ano. O PIB global pode encolher até 30%”, disse o presidente em seu discurso de abertura. “A janela de oportunidade que temos para agir está se fechando rapidamente.”

    Lula se baseou nas previsões mais pessimistas para assustar o público e ganhar aplausos.

    Mas a verdade é que as mortes pelo clima caíram 96% em 100 anos, como apontaram dois outdoors colocados em Belém (abaixo) pelo escritor Leandro Narloch, autor do Guia Politicamente Incorreto do Meio Ambiente.

    Comic Con na Amazônia
    O Curupira, escolhido para ser o mascote da COP30, tem uma tocha de fogo no cabelo. Nada mais apropriado para um país que bota fogo em tudo, incluindo na mata.

    Em um dos espaços da conferência, pessoas fantasiadas de animais desfilaram, rastejando pelos corredores. Era o Cordão da Bicharada.

    Entre os fantasiados, havia bichos de outros lugares, como urso polar, girafa e elefante. “Tá ruim o dia? Pelo menos você não é um animal de pano da COP30”, dizia um dos memes.

    “COP30 ou Comic Con?”, perguntou um internauta, em referência aos eventos de cosplay.

    Alguns argumentaram que alguns bichos eram, sim, da fauna brasileira: o camelo está no jogo do bicho e a zebra na loteria esportiva. Só faltou o tigrinho.

    O povo do Boulos
    O secretário Geral da Presidência Guilherme Boulos foi para Belém prometendo “uma das COPs com maior participação popular da história”.

    Seu objetivo era juntar gente para fazer propaganda para o governo, uma vez que não há muito o que o povo possa fazer na COP, a não ser visitar estandes e escutar palestras.

    As reuniões sobre as metas de emissão de gases para conter o aquecimento global acontecem entre os representantes dos países, em espaços reservados.

    Quando o povo tentou participar, houve violência.

    Na terça, 11, organizações próximas do governo Lula, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligado ao Ministério da Saúde, e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), uma autarquia federal, fizeram a Marcha Global da Saúde pelo Clima.

    Depois do ato, integrantes invadiram a COP30. Quatro seguranças ficaram feridos.

    Lacração geográfica
    Empolgado com a COP30, o petista Márcio Pochmann, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), produziu mais um mapa invertido, agora com Belém no centro do mundo.

    Pochmann virou especialista em usar recursos públicos para fazer propaganda do governo Lula, sem produzir qualquer coisa que mude a vida dos brasileiros, a não ser obrigar todos a passarem vergonha.

    FLOP30
    Pochmann botou Belém no centro do mundo, mas o mundo não ligou para Belém. Participaram apenas 28 chefes de Estado ou de governo.

    Na COP29, em Baku, no Azerbaijão, o número foi mais que o dobro: 59. Em Dubai, em 2023, foram 139.

    Este ano, o presidente dos Estados unidos, Donald Trump, e o da Argentina, Javier Milei, preferiram ficar de fora.

    O evento chegou até a ganhar um apelido: FLOP30, porque “flopou”.

    (Fonte: https://crusoe.com.br/noticias/festa-na-floresta/)

  40. Miguel José Teixeira

    Alma do negócio!

    “É matemática”
    A conta é do senador Ciro Nogueira (PP-PI): O PT já gastou 1,4 bilhão em publicidade este ano. Esse valor é quatro vezes maior do que o gasto em todo o sistema prisional brasileiro.
    (Coluna CH, DP, 16/11/25)

  41. Miguel José Teixeira

    Paraiba siborra!

    “Um presidente fraco”
    As quatro versões do projeto anticrime não decorrem de insegurança do relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), mas da fraqueza do presidente da Câmara, Hugo Motta, que não aguenta pressão. “Ele se borra todo quando Lula telefona”, ridiculariza um deputado PT da Bahia.
    (Coluna CH, DP, 16/11/25)

  42. Miguel José Teixeira

    “Governo Lula já torrou R$1,53 bilhão com viagens”

    Sem incluir as viagens do presidente, da primeira-dama e outras 45 autoridades que desfrutam do luxo de jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB), cujas despesas são protegidas por sigilo, o governo Lula (PT) admite já ter consumido mais de R$1,53 bilhão este ano com passagens e principalmente diárias pagas a funcionários. Até 3 de novembro, data da última atualização do Portal da Transparência, o governo petista torrou R$927,3 milhões com diárias e R$598,5 milhões com passagens.

    Sempre tem mais
    O governo do PT também gastou mais R$7,7 milhões com “outros gastos” como taxas de agenciamento, restituições etc.

    Centenas de milhões
    As viagens internacionais dos funcionários de Lula custaram R$206,8 milhões aos pagadores de impostos, até agora, em 2025; 13% do total.

    Histórico recente
    Em 2023, Lula bateu recorde de despesas com viagens (R$2,3 bilhões). Em 2024, renovou o recorde: R$2,4 bilhões. Em 2022, foram R$1,55 bi.

    (Coluna CH, DP, 16/11/25)

  43. Miguel José Teixeira

    “Facções ameaçam serviços públicos e impedem interrupção de serviços ilegais em pelo menos quatro estados”
    – Relatórios policiais detalham como domínio territorial em Rio, São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso bloqueiam agentes privados e do Estado.
    (Por Patrik Camporez e Sarah Teófilo — Brasília, O Globo, 16/11/25)
    . . .
    “Facções criminosas impedem a interrupção de serviços ilegais e ameaçam agentes públicos em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Mato Grosso. Relatórios da Polícia Federal destacam a expansão do crime organizado e suas barreiras a operações de fiscalização, enquanto o governo federal busca alternativas para garantir a segurança pública e a execução de serviços básicos.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/16/faccoes-ameacam-servicos-publicos-e-impedem-interrupcao-de-servicos-ilegais-em-pelo-menos-quatro-estados.ghtml

  44. Miguel José Teixeira

    “Auxiliares usam pesquisas para tentar fazer Lula seguir script após declarações sobre segurança pública repercutirem mal”
    – A menos de um ano da eleição, o comportamento acendeu um alerta no governo, que tem demonstrado preocupação com as escorregadas do titular do Palácio do Planalto.
    (Por Sérgio Roxo — Brasília, O Globo, 16/11/25)
    . . .
    “A menos de um ano das eleições, auxiliares de Lula usam pesquisas para tentar alinhar suas declarações após repercussões negativas, como no caso da operação policial no Rio. A espontaneidade do presidente, embora uma força, tem gerado preocupações no governo devido a sua influência na popularidade e avaliação do governo. A recente fala sobre a operação no Rio ter sido “desastrosa” foi mal recebida, afetando índices de aprovação.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/16/auxiliares-usam-pesquisas-para-tentar-fazer-lula-seguir-script-apos-declaracoes-sobre-seguranca-publica-repercutirem-mal.ghtml

  45. Miguel José Teixeira

    “Deputados que se dividem com outros cargos levam a alta de pedidos de licença e ‘mandatos express’”
    – Parlamentares que alternam função na Câmara com outros cargos planejam retornos estratégicos para influenciar votações relevantes.
    (Por Dimitrius Dantas — Brasília, O Globo, 16/11/25)
    . . .
    “Deputados federais têm utilizado licenças para assumir outros cargos, como secretarias e ministérios, resultando em “mandatos express” na Câmara. Em três anos, foram 128 licenças, superando as 108 do período anterior. Tal prática permite influenciar votações estratégicas, relatar projetos e indicar emendas. Casos como o de Guilherme Derrite, relator de projeto antifacção, ilustram a tendência. Críticas apontam que essa prática, embora prevista, enfraquece a atuação parlamentar contínua e efetiva.” (Irineu)
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    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/16/deputados-que-se-dividem-com-outros-cargos-levam-a-alta-de-pedidos-de-licenca-e-mandatos-express.ghtml

  46. Miguel José Teixeira

    “‘A única coisa estável no Brasil é a instabilidade’, diz Bernado Mello Franco, que lança livro sobre governo Bolsonaro”
    – Colunista do GLOBO lança ‘Arquitetura da destruição’, diário da era Bolsonaro, no dia 19.
    (Por Felipe Gelani, O Globo, 16/11/25)
    . . .
    “Bernardo Mello Franco lança “Arquitetura da destruição”, um diário sobre a era Bolsonaro, cobrindo de 2018 até a tentativa de golpe em 2023. O livro relata a escalada autoritária, desde a campanha de 2018 até a pandemia e a “sequestro” de símbolos nacionais. Mello Franco destaca o cerco à imprensa e a visão de Bolsonaro de “desconstruir” o Brasil, afirmando que a instabilidade é a única constante no país. O lançamento ocorrerá no Rio, com eventos em outras capitais.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/11/16/a-unica-coisa-estavel-no-brasil-e-a-instabilidade-diz-bernado-mello-franco-que-lanca-livro-sobre-governo-bolsonaro.ghtml

  47. Miguel José Teixeira

    “Chile vive primeira eleição com voto obrigatório desde o retorno à democracia”
    – Participação deve dobrar neste domingo em pleito marcado por polarização, oito candidatos e possível segundo turno em 14 de dezembro.
    (Por O Globo — Santiago, 16/11/25)
    . . .
    “O Chile realiza sua primeira eleição com voto obrigatório desde 1990, marcando um pleito polarizado com oito candidatos e possibilidade de segundo turno em 14 de dezembro. A participação deve dobrar, influenciada por debates sobre segurança, imigração e economia. Candidatos como Jeannette Jara e José Antonio Kast lideram, enquanto o país busca fortalecer a representatividade em meio a intensos debates políticos e sociais.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/11/16/chile-vive-primeira-eleicao-com-voto-obrigatorio-desde-o-retorno-a-democracia.ghtml

  48. Miguel José Teixeira

    “Protagonismo da segurança após operação no Rio reativa debate: economia ainda basta para um presidente ganhar eleição?”
    – Pautas de costumes e de ‘lei e ordem’ passaram a ser mais recorrentes no jogo nacional; mesmo com bons indicadores econômicos, Lula viu melhora na aprovação estagnar.
    (Por Caio Sartori, O Globo, 16/11/25)
    . . .
    “O recente foco na segurança pública no Brasil reacendeu o debate sobre se a economia é suficiente para garantir a aprovação presidencial. Apesar de bons indicadores econômicos, a aprovação de Lula estagnou, destacando a crescente relevância de temas como “lei e ordem”. Analistas discutem se questões não econômicas podem superar a economia como principal fator de sucesso eleitoral.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2025/11/protagonismo-da-seguranca-apos-operacao-no-rio-reativa-debate-economia-ainda-basta-para-um-presidente-ganhar-eleicao.ghtml

  49. Miguel José Teixeira

    “Em qual Brasil o eleitor vai acreditar?”
    – Governo Lula leva temas econômicos, como isenção do IR, para a disputa eleitoral, enquanto a oposição tenta puxar o debate para a segurança pública
    (Por Renato Meirelles (*), O Globo, 16/11/25)
    . . .
    “O artigo discute a disputa eleitoral no Brasil, focando na economia e segurança pública. O governo Lula aborda temas como a isenção do Imposto de Renda para atrair eleitores, enquanto a oposição enfatiza a segurança. Percepções econômicas variam conforme a afiliação política. O Instituto Locomotiva, em parceria com O GLOBO, utiliza o Rali (***) para analisar dados e entender como a economia influencia o voto.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2025/11/artigo-em-qual-brasil-o-eleitor-vai-acreditar.ghtml

    (*) Presidente do Instituto Locomotiva (**)
    (**) https://ilocomotiva.com.br/
    (***) https://oglobo.globo.com/politica/rali/

  50. Miguel José Teixeira

    “O sonho acabou: chilenos vão às urnas neste domingo sob o signo do medo”
    (Luiz Carlos Azedo, Na entrelinhas, Correio Braziliense, 16/11/25)
    – O governo Boric chega enfraquecido ao fim do mandato. Sua agenda de reformas — tributária, previdenciária e trabalhista — esbarrou no Congresso conservador.

    Como aconteceu com as últimas eleições na Bolívia, no Equador e na Argentina, o Chile vota neste domingo polarizado entre a esquerda e a ultradireita. Jeannette Jara (Partido Comunista do Chile), apoiada pelo presidente Gabriel Boric, e José Antonio Kast (Partido Republicano, pinochetista), lideram a disputa.

    Durante décadas, o país alternou presidências de esquerda e de direita moderadas, tornando-se um “case” de crescimento alto, estabilidade macroeconômica, redução da pobreza e instituições sólidas. Governos de centro-esquerda e centro-direita partilharam o mesmo “sonho chileno”: transformar o país em desenvolvido até 2020. Esse ciclo ruiu com o tsunami social de 2019, que expôs os limites do modelo: desigualdade social, serviços públicos precários, sistema de pensões privatizado e endividamento das famílias.

    A resposta institucional foi ousada: um acordo para redigir uma nova Constituição, aprovado por 78% dos eleitores em 2020. Mas o processo terminou em frustração. Em 2022, o texto progressista da Convenção Constitucional foi rejeitado por 62%. Em 2023, caiu também o projeto conservador elaborado por um conselho dominado pela direita. O país permaneceu, assim, com a Constituição herdada da ditadura de Pinochet, reformada, porém incapaz de simbolizar um novo pacto social.

    O eleitorado chileno está cansado de promessas de “refundação”, desconfiado das elites e preso ao que especialistas classificam como “crise de países de renda média”: expectativas muito altas, crescimento fraco e um sistema político fragmentado, incapaz de produzir reformas estruturais. Nada muito diferente do que ocorre no Brasil. Nesse vazio, um tema ocupou o centro da campanha: segurança pública.

    A preocupação com criminalidade, assaltos, roubos e crime organizado cresceu, sobretudo entre os mais pobres. A presença de gangues estrangeiras – com destaque para redes vinculadas à migração venezuelana – e casos de sequestro e homicídios violentos alimentaram a sensação de que “o país não é mais o mesmo”.

    É esse Chile amedrontado que escuta José Antonio Kast, cuja campanha promete um “governo de emergência”, militarização de fronteiras, barreiras físicas no Norte e deportações em massa. Kast inspira-se explicitamente em Trump, Bukele e Orbán, combinando discurso de lei e ordem com conservadorismo moral. Ele é o candidato mais competitivo em cenários de segundo turno. Por quê?

    É que o governo Boric chega enfraquecido ao fim do mandato. Sua agenda de reformas – tributária, previdenciária e trabalhista – esbarrou no Congresso conservador e fortalecido após o fracasso constitucional. A deterioração da segurança e a percepção de avanço do crime organizado reduziram sua popularidade para cerca de 30%. O pleito deste domingo funciona como um referendo informal sobre Boric.

    Duas agendas

    Kast explora isso de forma incessante: “Jara é Boric e Boric é Jara”. Além disso, parte da antiga centro-esquerda da Concertación nunca aceitou a hegemonia do novo eixo Frente Amplio-Partido Comunista, consolidado por Boric. A candidatura de uma militante comunista aprofundou essa divisão e expôs fissuras entre moderados e a nova esquerda.

    Pomo da discórdia, Jeanette Jara, 51 anos, advogada, ex-ministra do Trabalho e de origem popular, é a primeira postulante comunista competitiva desde a redemocratização. Responsável pelo aumento histórico do salário-mínimo para 500 mil pesos, pela reforma das pensões e pela jornada de 40 horas, construiu um discurso voltado aos trabalhadores de baixa e média renda.

    Defende um “salário vital” de 750 mil pesos, controle de preços de medicamentos, creche universal, mais investimento em saúde e uma Empresa Nacional do Lítio. Ao mesmo tempo, adotou tom pragmático: compromisso com responsabilidade fiscal, distância de regimes autoritários de esquerda e prioridade para a segurança com foco em investigação financeira e policiamento de proximidade.

    José Antonio Kast, 59 anos, advogado, líder do Partido Republicano, disputa sua terceira eleição presidencial. Rejeita aborto em qualquer circunstância, casamento igualitário, avanços de gênero e defende políticas migratórias e penais extremamente rígidas. Não esconde sua admiração pelo ditador Augusto Pinochet.

    Na economia, propõe cortes de gastos, redução de impostos e ampliação de parcerias público-privadas. Seu núcleo eleitoral é composto por homens, jovens de baixa renda, moradores de áreas periféricas e segmentos evangélicos, todos impactados pela sensação de desordem e perda de controle estatal.

    As últimas pesquisas (AtlasIntel) mostram Jara à frente no primeiro turno, com 32,7%, seguida por Kast (20,1%), Evelyn Matthei (13,8%), Johannes Kaiser (13,4%) e Franco Parisi (13,2%). A projeção aponta um segundo turno entre Jara e Kast, no qual a candidata da esquerda perde em todos os cenários testados. No duelo direto, Kast venceria por 47% a 39%.

    A conferir.

    (Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/o-sonho-acabou-chilenos-vao-as-urnas-neste-domingo-sob-o-signo-do-medo/)

    Substituindo o vinho pela cachaça. . .
    “O eleitorado chileno está cansado de promessas de “refundação”, desconfiado das elites e preso ao que especialistas classificam como “crise de países de renda média”: expectativas muito altas, crescimento fraco e um sistema político fragmentado, incapaz de produzir reformas estruturais. Nada muito diferente do que ocorre no Brasil.”

  51. Miguel José Teixeira

    Lula & a$$ociado$ atacam novamente!

    “Alvo da PF, ex-nora de Lula visitou gabinete de ministro da Educação”
    – Investigação aponta atuação de Carla Ariane Trindade para liberar recursos do MEC a empresa suspeita de desvios.
    (Redação O Antagonista, 16/11/25)

    A Polícia Federal (PF) deflagrou na última quarta-feira, 12, a Operação Coffee Break para apurar suspeitas de fraudes em licitações no interior de São Paulo. Entre os alvos está Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula. A investigação aponta que ela teria atuado para liberar recursos do Ministério da Educação (MEC) para a empresa Life Tecnologia Educacional, suspeita de desvios milionários.

    Carla foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho da ex-primeira dama Marisa Letícia, que foi adotado por Lula ainda na infância.

    De acordo com registro divulgado pelo jornal O Globo via Lei de Acesso à Informação (LAI), a ex-nora de Lula entrou no gabinete do ministro Camilo Santana em julho de 2024. No documento, consta a inscrição “Presidente Lula” no campo cargo/função (*), apesar de Carla não ter cargo oficial no governo.

    No mesmo horário, também foram registradas as entradas do ex-deputado George Lima e de Fernando Moraes, identificado como secretário educacional e investigado pela PF. A agenda oficial do ministro não menciona encontros nesse período, apenas a visita a um hospital da Universidade de Brasília.

    Esquema de superfaturamento e desvios
    Segundo a PF, a Life Educacional teria movimentado mais de R$ 125 milhões com contratos para fornecimento de livros e kits de robótica a prefeituras de Sumaré, Limeira, Morungaba e Hortolândia.

    Parte do dinheiro teria sido desviada para empresas de fachada e contas pessoais, enquanto os contratos eram superfaturados.

    O delegado Guilherme Alves Siqueira afirmou: “Geralmente não havia concorrência, e quando havia era simulada”.

    Entre os produtos, livros comprados por até R$ 5 eram revendidos por até R$ 80. A PF estima que a empresa lucrou pelo menos R$ 50 milhões com a venda a prefeituras.

    Ao todo, cinco pessoas foram presas preventivamente e uma continua foragida. A operação cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná e Distrito Federal, incluindo a apreensão de R$ 2,1 milhões em dinheiro.

    Viagens a Brasília
    A investigação indica que Carla teria viajado pelo menos duas vezes a Brasília com passagens custeadas pelo dono da Life, André Mariano.

    Segundo decisão da 1ª Vara Federal de Campinas, “Carla parece ter ou alega ter influência em decisões do governo federal” e teria atuado para defender os interesses privados de Mariano junto a órgãos públicos.

    O inquérito aponta ainda que a ex-nora de Lula teria contato com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao MEC. A PF busca determinar se ela conseguiu favorecimentos à empresa.

    A defesa de Carla afirmou que solicitou acesso aos autos e se manifestará após o conhecimento integral da investigação. O Ministério da Educação e a Life Tecnologia Educacional não comentaram o caso.

    Pagamentos e desvios em prefeituras
    Em Sumaré, no interior de São Paulo, a PF aponta que entre 2021 e 2023 foram repassados cerca de R$ 52 milhões à Life, parte com recursos do Fundeb. Os pagamentos continuaram em 2024.

    A investigação aponta crimes como fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, superfaturamento e tráfico de influência.

    A ex-nora de Lula estava em Campinas quando a PF cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência, por volta das 6h de quarta-feira. O passaporte, um celular, computador e um caderno de anotações foram apreendidos.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/alvo-da-pf-ex-nora-de-lula-visitou-gabinete-de-ministro-da-educacao/)

    Só pra PenTelhar. . .
    (*) Depois da “presidentA por osmose” o governico de lula decaído, janja calamidade & a$$ociado$ criam o cargo/função “nora do presidente lula”!

  52. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (009)

    “Lygia Fagundes Telles disse em crônica ter ‘poucas certezas nesta vida incerta'”
    – ‘Grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho’, escreveu a autora de ‘As Meninas’.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    Em uma igreja arruinada na Bahia (1), Lygia Fagundes Telles (2) conheceu um padre tão velho que parecia “feito de cinza, de teia, de bruma” mais do que de carne e osso. Ele lhe mostrou tesouros guardados na sacristia: um mural esgarçado pelo tempo, uma Nossa Senhora de mãos carunchadas, dois anjos que poderiam ser de Aleijadinho (3).

    Ao final da visita, despediu-se com um “até logo”, que soou estranho. Lygia pensou consigo: “Então, adeus!” — palavra que ele deveria ter dito.

    A escritora sabia que não voltaria. “Tenho poucas certezas nesta incerta vida. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: jamais o verei”, escreveu em crônica publicada na Folha da Manhã, nos anos 1952.

    No início dos anos 1960, o jornal se fundiria com a Folha da Tarde e a Folha da Noite para dar origem à Folha.

    Naquela mesma noite, um toque leve no ombro durante um jantar. Lygia se virou. O padre estava ali, sorrindo. “Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.” O sorriso agora parecia malicioso, como se ele soubesse exatamente o que ela havia pensado na despedida.

    Quando um convidado perguntou se ela partiria no dia seguinte, a escritora olhou para a passagem na bolsa e sorriu para o velhinho: “Ah, não sei… Antes eu sabia, mas agora já não sei”.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (4), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Então, adeus! (8/6/1952)

    Isto aconteceu na Bahia, numa tarde em que eu visitava a mais antiga e arruinada igreja que encontrei por lá, perdida na última rua do último bairro. Aproximou-se de mim um padre velhinho, mas tão velhinho, tão velhinho que mais parecia feito de cinza, de teia, de bruma, de isopor do que de carne e osso. Aproximou-se e tocou o meu ombro:

    “Vejo que aprecia essas imagens antigas”, sussurrou-me com sua voz débil. E descerrando os lábios murchos num sorriso amável: “Tenho na sacristia algumas preciosidades. Quer vê-las?”.

    Solícito e trêmulo foi-me mostrando os pequenos tesouros da sua igreja: um mural de cores remotas e tênues como as de um pobre véu esgarçado na distância; uma Nossa Senhora de mãos carunchadas e grandes olhos cheios de lágrimas; dois anjos tocheiros que teriam sido esculpidos por Aleijadinho, pois dele tinha a inconfundível marca nos traços dos rostos severos e nobres, de narizes já carcomidos…

    Mostrou-me todas as raridades, tão velhas e tão gastas quanto ele próprio. Em seguida, desvanecido com o interesse que demonstrei por tudo, acompanhou-me cheio de gratidão até a porta.

    “Volte sempre”, pediu-me.

    “Impossível”, eu disse. “Não moro aqui, mas, em todo caso, quem sabe um dia…”, acrescentei sem nenhuma esperança.

    “E então, até logo!”, ele murmurou descerrando os lábios num sorriso que me pareceu melancólico como o destroço de um naufrágio.

    Olhei-o. Sob a luz azulada do crespúsculo, aquela face branca e transparente era de tamanha fragilidade que cheguei a me comover. Até logo? … “Então, adeus!”, ele deveria ter dito. Eu ia embarcar para o Rio no dia seguinte e não tinha nenhuma ideia de voltar tão cedo à Bahia. E mesmo que voltasse, encontraria ainda de pé aquela igrejinha arruinada que achei por acaso em meio das minhas andanças? E mesmo que desse de novo com ela, encontraria vivo aquele ser tão velhinho que mais parecia um antigo morto esquecido de partir?!…

    Ouça, leitor: tenho poucas certezas nesta incerta vida, tão poucas que poderia enumerá-las nesta breve linha. Porém, uma certeza eu tive naquele instante, a mais absoluta das certezas: “Jamais o verei”. Apertei-lhe a mão, que tinha a mesma frialdade seca da morte.

    “Até logo!”, eu disse cheia de enternecimento meu seu ingênuo otimismo.

    Afastei-me e de longe ainda o vi, imóvel no topo da escaderia. A brisa agitava-lhe os cabelos ralos e murchos como uma chama prestes a extinguir-se. “Então, adeus!”, pensei comovida ao acenar-lhe pela última vez. “Adeus”.

    Nesta mesma noite houve clássico jantar de despedida em casa de um casal amigo. E, em meio de um grupo, eu já me encaminhava para a mesa, quando de repente alguém tocou o meu ombro, um toque muito leve, mais parecia o roçar de uma folha seca.

    Voltei-me. Diante de mim, o padre velhinho sorria.

    “Boa noite!”

    Fiquei muda. Ali estava aquele de quem horas antes eu me despedira para sempre.

    “Que coincidência…”, balbuciei afinal. Foi a única banalidade que me ocorreu dizer. “Eu não esperava vê-lo… Tão cedo.”

    Ele sorria, sorria sempre. E desta vez achei que aquele sorriso era mais malicioso do que melancólico. Era como se ele tivesse adivinhado meu pensamento quando nos despedidmos na igreja e agora então, de um certo modo desafiante, estivesse a divertir-se com a minha surpresa. “Eu não disse até logo?”, os olhinhos enevoados pareciam perguntar com ironia.

    Durante o jantar ruidoso e calorente, lembrei-me de Kipling. “Sim, grande e estranho é o mundo. Mas principalmente estranho…”

    Meu vizinho da esquerda quis saber entre duas garfadas:

    “Então a senhora vai mesmo nos deixar amanhã?”

    Olhei para a bolsa que tinha no regaço e dentro da qual já estava minha passagem de volta com a data do dia seguinte. E sorri para o velhinho lá na ponta da mesa.

    “Ah, não sei… Antes eu sabia, mas agora já não sei.”

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/lygia-fagundes-telles-disse-em-cronica-ter-poucas-certezas-nesta-vida-incerta.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/bahia-estado/
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/paineldoleitor/2025/09/personagens-de-as-meninas-representam-o-que-e-ser-mulher-no-brasil-diz-lucia-telles.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/06/aleijadinho-tem-autoria-de-obra-confirmada-por-pesquisadores-em-minas.shtml
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  53. Miguel José Teixeira

    Pois é. . .
    Não é só o mapa mundi
    que está virado
    de cabeça para baixo!

    “IBGE mostra brasileiros com sobrenomes Picanha, Arroz, Pizza e Frango”
    – Levantamento do IBGE revela os sobrenomes inspirados em comida, como Picanha, Churras, Cervas, Arroz, Pizza e Frango.
    (Gabriela Francisco, Metrópoles, 15/11/25)

    Um levantamento (1) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe algumas curiosidades sobre os sobrenomes mais diferentes do Brasil. Alguns deles foram inspirados em comidas, como Picanha, Churras, Cervas, Arroz, Pizza e até Frango.

    De acordo com os dados do Censo Demográfico de 2022, há 24 pessoas com o sobrenome Churras e 32 com Picanha, além de 175 indivíduos registrados como Cervas e 135 com o sobrenome Farofa. Tem ainda Pizza (948), Calabresa (84), Atum (37) e Marguerita (62).

    Não para por aí. Os sobrenomes Arroz (33), Feijão (mais de 3 mil), Fritas (mais de 1,4 mil), Salada (59), Bife (511), Frango (495) e Peixe (3.831) também aparecem no levantamento do IBGE.

    Nomes diferentes
    O Brasil tem 4.309 nomes diferentes utilizados por até 20 pessoas (2), de acordo com os dados do IBGE. Entre os nomes incomuns estão: Abao, Beck, Cea, Ie, Protassio e Xuane.

    O site Nomes do Brasil (3) foi lançado com a segunda edição do levantamento de nomes mais frequentes no Brasil, atualizados pelo Censo Demográfico 2022. A novidade deste Nomes no Brasil é a inclusão dos sobrenomes.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/gastronomia/ibge-mostra-brasileiros-com-sobrenomes-picanha-arroz-pizza-e-frango)

    (1) “Maria, José, Ana, João… veja lista de nomes mais usados no Brasil”
    – Maria e José, Silva e Santos são os nomes e sobrenomes mais comuns do Brasil, segundo divulgado nesta terça-feira (4/11) pelo IBGE.
    +em: https://www.metropoles.com/brasil/maria-jose-ana-joao-veja-lista-de-nomes-mais-usados-no-brasil

    (2) “Brasil tem mais de 4 mil nomes usados por apenas 20 pessoas”
    – Segundo dados do IBGE, existem cerca de 4 mil nomes usados por pouquíssimas pessoas, tornando-os quase únicos.
    +em: https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/brasil-tem-mais-de-4-mil-nomes-usados-por-apenas-20-pessoas

    (3) https://censo2022.ibge.gov.br/nomes

  54. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (008)

    “Oswald de Andrade viu na Guerra da Coreia a ‘constante antropofágica’ do homem”
    – ‘Quem foi que começou? Foi você! Foi você! E os dois se pegam de gosto’, ironizou o escritor paulista.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    Quando a Guerra da Coreia estourou, em 1950, Oswald de Andrade não se surpreendeu. Para o criador do “Manifesto Antropófago”, o conflito era apenas mais uma prova de que a humanidade permanecia primitiva, presa em sua “constante antropofágica”.

    “Quanta gente estará exultando por causa dos primeiros arreganhos da guerra! Quanta gente estará chorando!”, escreveu Oswald em artigo publicado na Folha da Manhã, nos anos 1950, dias após o início do conflito.

    No início dos anos 1960, o jornal se fundiria com a Folha da Tarde e a Folha da Noite para dar origem à Folha.

    O escritor paulista via na guerra um padrão que se repetia desde sempre. Sarajevo, Gdansk ou Seul eram apenas estopins. “‘O Lobo e o Cordeiro’, a fábula de La Fontaine, servia como epitáfio perfeito: ‘Quem foi que começou? Foi você! Foi você! E os dois se pegam de gosto, hoje ou amanhã’.”

    O autor concluiu com ironia amarga: “A Coreia nos afirma que ainda e sempre estamos na caverna ancestral”.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão, que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    3 linhas e 4 verdades (2/7/1950)

    Quanta gente estará exultando por causa dos primeiros arreganhos da guerra! Quanta gente estará chorando! O homem continua dentro de sua constante antropofágica. E se fosse escolhido um epitáfio para este vale de lágrimas, devia ser aquela fabulosa fábula de La Fontaine, “O lobo e o cordeiro”. Quem foi que começou? Foi você! Foi você! E os dois se pegam de gosto, hoje ou amanhã. O cordeiro de hoje será o lobo de amanhã.

    Sarajevo, Dantzig ou Seul são apenas estopins. E assim vai o mundo. Para onde? Uma teoria do astrônomo Lemaitre, que por sinal é padre, afirma que o mundo está em expansão e que, mais tarde ou mais cedo, seu fim é estourar como uma bola de sabão no horizonte sem fim das galáxias. Esta teoria é confirmada pelas maiores capacidades da astrofísica, entre as quais Einstein.

    Antes, porém, de irmos para o inferno ou para o nada, peguemos bem as nossas taponas atômicas no inimigo visível e gritemos alto que a razão está conosco e a justiça e todos os demais argumentos morais de nosso arsenal ideológico.

    Nessa confusão há uma luz que ilumina o futuro humano. É a força da História. Os que se colocarem a favor da força da História serão vencedores, mesmo que fiquem vencidos nos campos de batalha. É o sentido de “Marco Zero”. O dominicano Ducatillon já escreveu um livro intitulado “A Guerra, esta Revolução”. O que importa é a transformação do mundo. Porque não pode continuar como notava, já no século 16, aquele índio de Rouen, esta civilização onde existem porões, casebres, feudos e palácios.

    De que modo se transformará o mundo? Pelo trabalhismo inglês? Pelo sovietismo russo? Pela Revolução dos Gerentes? Pelo liberalismo progressista?

    De qualquer maneira, chegou o momento de gritar pela paz. Chega de tolice armada! Uma velha caricatura inglesa faz ver dois trogloditas numa corrida, empunhando suas maças na direção do conflito que estourou na vizinhança: Vamos! Esta vai ser a última guerra!

    A Coreia nos afirma que ainda e sempre estamos na caverna ancestral.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/oswald-de-andrade-viu-na-guerra-da-coreia-a-constante-antropofagica-do-homem.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/756207-ha-60-anos-iniciava-a-guerra-da-coreia-conheca-a-historia.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2024/10/mostra-conta-como-oswald-de-andrade-revolucionou-toda-a-arte-feita-no-brasil.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  55. Miguel José Teixeira

    Alô, Caiadão!

    “Entenda o decreto do governo Lula que pode beneficiar o MST”
    – Medida estabelece plano de proteção a “defensores do campo” com foco em áreas rurais e de conflito; plano será detalhado até 5 de dezembro.
    (Poder360, 15/11/25)

    O decreto 12.710 de 2025, publicado em 5 de novembro pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), institui o Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos e pode beneficiar integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). O texto inclui “defensores do campo”e “agricultores familiares” entre os grupos prioritários de proteção, categorias nas quais o movimento se enquadra.

    O plano também determina ações como: regularização fundiária, acesso à terra e medidas de segurança em áreas de conflito –temas diretamente ligados à atuação do MST. O objetivo, segundo o texto, é articular políticas, programas e ações de proteção integral a pessoas, grupos e comunidades que atuam na defesa de direitos humanos.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/entenda-o-decreto-do-governo-lula-que-pode-beneficiar-o-mst/

    O Decreto: https://static.poder360.com.br/2025/11/plano-nacional-de-protecao-direitos-humanos.pdf

  56. Miguel José Teixeira

    Apanhando mais do que couro de pandeiro!

    “Operação Contenção de Danos”
    – É uma missão quase impossível para o governo Lula tentar se livrar da justa fama de ser leniente com o crime, que impulsionou o tumultuado PL Antifacção.
    (Rodolfo Borges, O Antagonista, 15/11/25)

    Brasília passou a semana debatendo a melhor forma de combater facções criminosas. O problema existe há décadas, mas o governo Lula (à direita na foto) só acordou para ele porque foi emboscado numa mata no Rio de Janeiro junto com 117 membros do Comando Vermelho em 28 de outubro.

    Os lulistas reagiram mal à Operação Contenção. Plantaram desconfiança e aguardam até hoje indícios de irregularidades cometidas pelos policiais que arriscaram as próprias vidas naquele dia para evitar que o crime organizado expandisse ainda mais seus territórios no estado.

    Encurralados pelo fato de que os criminosos enfrentaram a polícia longe das moradias, os governistas se apressaram em apresentar o PL Antifacção, numa espécie de Operação Contenção de Danos, já que o presidente tinha tratado os traficantes como vítimas dias antes da megaoperação no Rio e sua proposta de PEC da Segurança Pública não avançou no Congresso.

    Contenção de danos
    A tentativa de escapar dessa armadilha, montada pela perspectiva torta com que o governo Lula olha para a segurança pública, sofreu um revés quando o PL Antifacção foi parar nas mãos de um adversário — e não qualquer um.

    O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) deixou momentaneamente o comando da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo para relatar o projeto. O estado é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto como o potencial maior adversário (elegível) de Lula em 2026.

    Derrite alterou o projeto apresentado pelo governo, cujo esperneio levou o relator a apresentar uma quarta versão do texto. Os lulistas acusam Derrite de trabalhar em prol dos criminosos, numa clara tentativa de se livrar da fama de ser leniente com o crime. É uma missão difícil, quase impossível.

    Missão impossível
    A esquerda brasileira cultiva a percepção do crime como consequência da pobreza e da desigualdade, sem dar atenção às questões morais envolvidas. Uma pesquisa AtlasIntel deixou a situação mais clara: 87% dos moradores de favelas do Rio de Janeiro apoiaram a megaoperação policial.

    Ou seja, a maioria dos pobres não opta pelo crime. Eles podem viver mal do ponto de vista do saneamento, da educação, da mobilidade urbana e dos direitos trabalhistas, entre tantas outras debilidades, mas mantêm a consciência tranquila enquanto trabalham muito e ganham pouco.

    E eles não têm pena do traficante ou do ladrão de celular, como Lula. Porque eles são as principais vítimas do traficante e do ladrão de celular, e sabem que a “falta de oportunidade”, como voltou a dizer o petista, não justifica a opção de entrar para a vida do crime.

    São esses brasileiros mais pobres que mantêm contato cotidiano com a consequência da política de desencarceramento propagandeada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski (à esquerda na foto).

    Leniência
    O crime organizado se adequou e tira o melhor proveito das boas intenções de Lewandowski.

    As contravenções são cometidas sob medida, nos frouxos limites da lei, para que o criminoso não permaneça preso caso seja flagrado e possa voltar a delinquir o mais breve possível — as “saidinhas”, projetadas para ajudar na ressocialização, também acabaram entrando no fluxo do crime.

    “Eu, inclusive, já prendi um marginal da lei com 30 passagens”, disse, em entrevista ao Papo Antagonista, a policial Munique Busson, que participou da Operação Contenção e criou um canal, como já fizeram vários de seus colegas, para contrapor o discurso dos “especialistas” em segurança.

    Além de tudo isso, o governo Lula resiste a equiparar atos das facções criminosas, como fechamento de vias e do comércio, ao terrorismo, por receio de acabar criminalizando atos de movimentos sociais como o MST e sob o argumento furado de não incentivar uma fantasiosa intervenção americana.

    Torcida
    Em meio ao debate acalorado, até a Polícia Federal se sentiu confortável para participar, tomando o lado do governo Lula, como era de se esperar, e derrubando mais um tijolo da desgastada institucionalidade brasileira na tentativa de manter o protagonismo do governo no PL Antifacção.

    O que está claro, para quem assiste ao desenrolar da questão atentamente, é que, mais uma vez, o governo Lula atua para tentar resolver os problemas do próprio governo Lula, e não do Brasil.

    E o máximo que os brasileiros podem fazer é torcer para que saia algo de bom dessa história.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/operacao-contencao-de-danos/)

    . . .
    “Um dia lá no morro pobre de mim
    Queriam minha pele para tamborim
    Apavorado desapareci no mato
    . . .
    O Rei, Roberto Carlos: https://www.youtube.com/watch?v=u_JL0JXzaWk

  57. Miguel José Teixeira

    TixaNews/UOL:

    “Foi só sair um anúncio de que Donald J. Trump (J de João, juro) ia reduzir as tarifas de carne, café e banana para que a galera do governo Lula saísse comemorando, dizendo que era graças à química e sei lá mais o quê. Só que não, BRASEW. A Black Friday do Trump era fake. Tudo pela metade do dobro.
    O decreto do governo americano promoveu uma redução generalizada das tarifas de 10%, impostas meses atrás para vários países. E o motivo da redução basicamente foi porque os EUA começaram a sofrer com a alta dos preços dos alimentos. Só o café subiu quase 20%. E isso significa o quê para o Brasil? Que seguem as tarifas de 40%. Ou seja, se teve uma coisa que não rolou foi a química até agora.

    A Gleisi Narizinho Hoffmann, que faz as relações institucionais do governo, foi a primeira a comemorar o gol antes de bater na rede:

    “Vitória do Brasil! Donald Trump suspende as tarifas sobre café, carne, banana e açaí do Brasil. Lula sabe o que faz, e quem ganha é o Brasil!”

    Aff.

    O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, também saiu para a comemoração antes do gol:

    “Isso reflete a retomada das boas relações entre Estados Unidos e Brasil, as duas maiores economias das Américas. E não poderia ser diferente. Foi deixada de lado a fake news, a fofoca plantada por adversários do Brasil… Quando os dois presidentes [Lula e Trump] sentam à mesa, as coisas começam a andar.”

    Digamos que isso reflete que é sempre bom olhar direitinho o que o Trump escreve.
    . . .
    (TRPCE)

  58. Miguel José Teixeira

    Chupando picolé de chuchu!

    “Denúncia no Senado”
    Após denúncia do Diário do Poder sobre uso eleitoral da ABDI, órgão vinculado ao Ministério da Indústria, pelo seu presidente Ricardo Cappelli (PSB), a senadora Damares Alves (Rep) cobrou explicações do ministro (e vice-presidente) Geraldo Alckmin. Ele tem 30 dias para se explicar.
    (Coluna CH, DP, 15/11/25)

    Dizem as más línguas que. . .
    o palito que sustenta o picolé de chuchu é feito do galho da goiabeira. . .

  59. Miguel José Teixeira

    Abastecendo a gigante mamadeira!

    “Lula bate recorde de emendas pagas em um mês”

    O governo Lula (PT) conseguiu bater mais um recorde de gastos em 2025: a administração petista pagou, apenas no mês de outubro, R$6,8 bilhões em emendas parlamentares, segundo dados do Tesouro Nacional. É o maior valor distribuído pelo governo, este ano, para pagar emendas individuais e de bancada do Congresso. No total, Lula e cia. já pagaram R$22,3 bilhões em emendas, apenas entre janeiro e outubro.

    Disparou
    Em relação a setembro (R$5,15 bilhões), o valor de emendas parlamentares paga pelo governo Lula em outubro cresceu 32%.

    Assustador
    Em relação a outubro do ano passado (R$91,5 milhões) o pagamento de emendas cresceu mais de 70 vezes para chegar a R$6,8 bilhões.

    Maior do ano
    O valor pago por Lula a título de emendas parlamentares em outubro é o maior desde dezembro de 2024, quando foram pagos R$7,92 bilhões.

    (Coluna CH, DP, 15/11/25)

  60. Miguel José Teixeira

    Segundo o Cláudio Humberto, em sua Coluna de hoje no Diário do Poder:

    “O Palácio do Planalto negou que a conversa tenha ocorrido, mas a única testemunha, Noam Chomsky, mantém-se em silêncio sobre registros contidos em mais de 20 mil páginas de e-mails e agendas, revelando que Jeffrey Epstein, predador sexual que se matou 2019, conversou ao telefone com Lula (PT) quando o atual presidente estava preso por corrupção e lavagem de dinheiro em Curitiba. O caso foi divulgado por um comitê da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.”

    Daí, surge a pergunta do dia:

    Afinal, lula era ou não cliente do Epstein?

  61. Miguel José Teixeira

    Água no chopp dos apressadinhos!

    “Lulistas celebram antes da hora e erram sobre recuo de Trump”
    – Presidente norte-americano retirou apenas a tarifa recíproca de 10% para carne, café e frutas, mas manteve as tarifas adicionais de 40% para esses produtos…
    (Poder360, 15/11/25)

    Integrantes do governo e congressistas aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comemoraram a redução de tarifas sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), nesta 6ª feira (14.nov.2025). Atribuíram a decisão do norte-americano às negociações em curso entre autoridades dos 2 países. Mas a medida, além de não ser específica para o Brasil, derrubou apenas a tarifa recíproca de 10% imposta em abril (no caso, para produtos brasileiros). Não muda a taxa extra de 40%, que passou a vigorar em agosto em retaliação ao que o republicano chamou de “caça às bruxas” pelo processo no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na prática, houve apenas uma redução de 50% para 40% de taxas aplicadas aos produtos selecionados.

    A medida dos EUA afeta preços de carne, café e frutas brasileiras e passa a valer de forma retroativa desde as 2h01 (horário de Brasília) da 5ª feira (13.nov). Eis a íntegra (PDF – 91 kB). Deve favorecer países exportadores de commodities, como o Brasil –maior produtor mundial de café e 2º maior de carne bovina, atrás apenas dos EUA, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).

    Leia abaixo algumas das repercussões de aliados:

    +em: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/lulistas-celebram-antes-da-hora-e-erram-sobre-recuo-de-trump/

    “Táfeioószóio” da PeTralhada:
    > Não conseguem fazer um gol.
    > Comemoram aLULAdamente uma bola na trave.
    > E agora, consideram um impedimento um “quase gol”. . .

    1. A manchete certa é: Trump lista produtos e tira os 10% de tarifas no mundo todo e mantém a penalização de 40% nestes mesmos produtos para o Brasil

  62. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (007)

    “Rachel de Queiroz viu discos voadores como prenúncio do fim dos tempos”
    – ‘Tenho medo. Que será de nós quando eles do céu se despencarem aos cachos?’, escreveu a autora de ‘O Quinze’.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    Rachel de Queiroz (1) viu os discos voadores cruzando os céus do mundo — da Califórnia ao Amazonas (2), de Maceió ao Uruguai — e não teve dúvidas: a invasão alienígena estava próxima e traria o fim da humanidade.

    A escritora acreditava em tudo: nos discos de 15 metros de diâmetro feitos de metal desconhecido, nos homúnculos macrocéfalos de meio metro que os pilotavam, no rastro fosforescente que deixavam pelo céu. “Eu por mim acredito. Por que não acreditaria?”, escreveu a autora de “O Quinze” em uma coluna publicada na Folha da Noite, nos anos 1950.

    No início dos anos 1960, o jornal se fundiria com a Folha da Tarde e a Folha da Manhã para dar origem à Folha.

    A escritora cearense rejeitava os céticos que chamavam os avistamentos de ilusão coletiva. “Se tanta gente tem visto discos voadores, é porque há discos voadores”, disse. Para ela, os discos eram espiões de criaturas evoluídas que preparavam uma invasão —”os olheiros deles, os quintas-colunas”.

    O tom apocalíptico dominou o texto: “Quem tiver os seus pecados trate de ir-se arrependendo que a hora chegou e chegou feia. O mundo vai acabar-se. Pelo menos o nosso mundo”.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão, que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Discos voadores (8/5/1950)

    Eu por mim acredito. Por que não acreditaria? Nada vejo que justifique a descrença. Acredito em tudo. Que têm 15 metros de diâmetro, que são feitos de um metal desconhecido, brilhante como prata polida, que se compõem de três círculos concêntricos dos quais só um — o do meio — gira, fazendo o engenho mover-se; acredito que deixam um rastro luminoso por onde andam — decerto a poeira fosforescente dos mundos siderais que percorreram. E acredito, principalmente, que sejam pilotados por homúnculos de meio metro de estatura, macrocéfalos, horrendos, vindos sabe Deus de que planeta, Marte, Vênus ou Saturno.

    Ah, acredito. Por que não seria verdade? Todo o mundo os tem visto, no Oriente e no Ocidente, no Pacífico e no Atlântico, nas costas da Califórnia, no Peru e no Amazonas, em Maceió, no Uruguai; e até mesmo aqui no Rio teve um cavalheiro que os viu durante 45 minutos; viu-os com os seus olhos que a terra há de comer, se me permitem a expressão, e por sinal chamou a radiopatrulha, no que se mostrou homem muitíssimo avisado.

    Ilusão coletiva uma conversa. Também a bomba voadora dizia-se que era ilusão coletiva. O povo sabe muito bem onde põe os olhos e os jornais contam muito mais verdades do que supõe o ingênuo público, viciado a acreditar em desmentidos. Se tanta gente tem visto discos voadores, é porque há discos voadores. E afinal de contas, neste mundo de aparência, quem é que pode distinguir da realidade a dita aparência, e até onde se pode afirmar que uma coisa é concreta ou é ilusão dos sentidos? Arco-íris também é ilusão dos sentidos e neste mesmo instante lá está um, brilhando no céu, entre as nuvens molhadas, luminoso e autêntico como um corpo vivo.

    Eu creio nos discos e tenho medo deles. Sei muitíssimo bem que são o sinal positivo do fim do mundo. Se até está nos livros, se foi profetizado há muito tempo! E por que não seria o fim do mundo? Quais são os nossos méritos assim tão grandes para nos defenderem da catástrofe? Os dez justos que faltaram a Sodoma, com razão ainda maior, nos faltariam a nós.

    Quem tiver os seus pecados trate de ir-se arrependendo que a hora chegou e chegou feia. Quem não viu o que tinha de ver, procure olhar e fartar os olhos; quem não amou ame depressa, quem não se vingou se vingue. O tempo urge — faça-se o que é mister ser feito, que o relógio já bateu. O mundo vai acabar-se.

    Pelo menos o nosso mundo. Outro pode nascer dos nossos destroços, mas há de ser um mundo diferente, povoado sabe Deus por quem — só o não será pelos nossos netos, que esses não chegarão sequer a formar-se nas entranhas das nossas filhas. E estas estarão mortas conosco, belas, inocentes e malfadadas, perdendo a chama da vida antes de a poderem passar adiante.

    O mundo que virá depois há de ser deles, que já nos vigiam e já preparam o caminho. Então vocês não compreendem, irmãos, que esses discos misteriosos que pairam no alto, librando-se no ar como um gavião peneirando em cima da presa, pairam no alto e depois vão-se embora são os olheiros deles, são os quintas-colunas, os esculcas das multidões de homenzinhos de cabeça grande que estão destinados a ser os nossos senhores? Depois dos observadores, chegarão os exércitos com armas tão assombrosas que, perto delas, a bomba de hidrogênio do presidente Truman é como uma ronqueira de São João. E que idade terão atingido eles, se já minguaram assim no tamanho e cresceram tanto a cabeça?

    Como hão de estar apurados, refinados, 90% de matéria bruta — e não tão bruta assim, já que pode ser tão pouca? Que poderemos nós contra eles, lerdos gigantes microcéfalos, mal saídos da grosseira idade do ferro e gatinhando ainda na infância da era atômica?

    Que pensarão de nós, vendo-nos tão atrasados, tão primitivos, tão irremediavelmente presos à carne e às suas misérias, divertindo-nos barbaramente com guerras de selvagens, usando engenhos grosseiros de metal rude e brutas explosões de pólvora e nitroglicerina?

    Ah, tenho medo, tenho medo. Que será de nós quando eles do céu se despencarem aos cachos, tão estranhos e terríveis, implacáveis na convicção cega do divino direito da sua sobrevivência à custa da nossa? De que modo nos irão destruir ou de que meios usarão para nos escravizar — como animais de força bruta ao seu serviço? E como serão eles — transparentes, gelatinosos, todo o músculo e osso apurado em matéria nobre, cérebros andantes, quase sem vísceras, talvez libertos das baixas necessidades da comida e do repouso? E terão um peito capaz de piedade, terão olhos capazes de ver além da nossa grotesca feiúra, da nossa maldade e da nossa imperfeição?

    Quem sabe são anjos; e virão destruir como os anjos destroem, sem ódio, sem prazer na carnificina, apenas cumprindo ordens mais altas, com a sua espada de fogo, coração feito de diamante, que nada empana, mas nada amolece. Contudo, também podem ter evoluído apenas na direção da besta, e como bestas na quinta-essência do aperfeiçoamento serão ferozes e implacáveis — serão os próprios descendentes do Leviatã.

    Cuidado que eles estão chegando. Primeiro foi o aviso, mas em breve já não haverá avisos. Hão de baixar aos milhares e aos milhões, pequeninos e atrevidos, hão de conhecer todos os segredos, decerto se multiplicam em massa, ao sabor das vãs necessidades, produzem guerreiros e chefes ao seu gosto, terão aprendido o processo de reduzir a infância a apenas alguns meses, produzindo por sistema adiantadíssimo adultos temporões de corpo transparente e cabeça grande, no mesmo espaço de tempo que nós gastamos para fabricar um automóvel.

    Ah, os que não acreditam! Ah, os que zombam! Ah, os sábios que espiam nos seus estúpidos telescópios e negam o que o olho nu enxerga! Medem as estrelas com suas réguas, e depois vêm-nos dizer que não há perigo, que nos assustamos com simples meteoro. Isso mesmo deviam declarar os pajés das tribos americanas aos guerreiros assustados que pela primeira vez avistaram as asas das caravelas subindo no horizonte. São pássaros, são raios de sol — são sonhos dos olhos! E assim os brancos chegaram, e acharam os guerreiros desprevenidos e inermes. O mesmo sucederá conosco. É mais cômodo duvidar, é muito mais fácil afirmar que tudo é engano e mentira.

    E, enquanto isso, os discos voadores partem aos milhares das suas bases de céu além, e cortam zumbindo o éter vazio, e escolhem para o seu pouso o que há de mais bonito e mais sedutor no mundo — a Califórnia, o golfo do México, a Itália, as praias amenas do Atlântico Sul…

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2025/11/rachel-de-queiroz-viu-discos-voadores-como-prenuncio-do-fim-dos-tempos.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2025/07/livros-da-fuvest-caminho-de-pedras-de-rachel-de-queiroz-entrelaca-amor-e-critica-politica.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/amazonas-estado/
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  63. Miguel José Teixeira

    Ooops. . .

    “Amotação” não é uma palavra comum na língua portuguesa; provavelmente se refere a anotação ou averbação, que significam fazer uma nota ou registro em um texto, documento ou registro.

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