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VOTAÇÃO DE SIMPLES REQUERIMENTO NA CÂMARA DE GASPAR REVELA A SELADA DEPENDÊNCIA DO PL AO PP, A RUPTURA DO VICE E TESTA VOTOS PARA PASSAR A CARA – NA ELABORAÇÃO E NAS CONSEQUÊNCIAS PARA QUEM NÃO DIZ TER CAIXA – E ATRASADA REFORMA ADMINISTRATIVA

A notícia que todos deram: vereadores impedem a criação de emendas parlamentares impositivas em Gaspar. Elas, supostamente, beneficiariam eles mesmos pela indicação na aplicação delas em suas comunidades ou currais eleitorais. 

O que ninguém não esclareceu – mas no bastidor político da cidade, todavia, este assunto ferve com diferentes interpretações – é que toda esta encenação não passou de um teste do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, para ver como as melancias se ajeitaram neste caminhão de mudanças da vitória, até agora perneta com rodrigo Boeing Althoff, recém saído do PL para o Republicanos, de outubro do ano passado. 

Está constituída e devidamente enquadrada uma estreitíssima majoritária fidelidade dos cinco vereadores do PL e os dois do PP – com o mais longevo de todos, José Hilário Melato, bem como a reeleita Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos. No teste, eles deram os seis votos, e o presidente Alexandro Burnier, PL, desempatou (sete a seis, conforme registra foto acima), contra tudo o que pregou em 2021 parte dos votantes. 

Naquele ano, chegou-se a gastar recursos públicos com cursos e diárias de vereadores e assessores da Câmara, em Florianópolis, para  se conhecer e propor o que o governo passado não queria e que se enterrou neste, na terça-feira, na Câmara.

A VOZ E OS VOTOS DO PP

Nem vou repetir, o que sempre fui contestado. Com a eleição de Alexsandro Burnier, PL, para a presidência da Casa, o governo de Paulo que era dependente de um voto de fora do seu “ninho”, passou a depender de dois votos. Bingo. Estou de alma lavada, mais uma vez.

Agora, o governo de Paulo está mais precisado de votos, com a “independência” pontual do vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, aliado do deserdado do titular, o vice Rodrigo. Ou seja, noves fora, o governo de Paulo ficou mais necessitado do PP de Melato, Luiz Carlos Spengler Filho e outros.

O PP já comanda o governo a partir do prefeito de fato, o chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP (foto ao lado), e que já teve igual função no início do primeiro mandato do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. 

E este desarranjo está cobrando um preço alto dentro do atual governo como se vê nas rotineiras frituras, substituições e exposições de secretários. Na verdade, é um jogo orquestrado nos bastidores do jogo de poder político, para forçar as trocas e se dar lugar ao senso de poder do PP – o original berço da família de Paulo -, o novo fiel da balança dessa estreita governabilidade.

E há até ingredientes de humilhação. Pois nas manobras, sob a alegação de não saber de onde está vindo o tiro, está se atingindo justamente os secretários que foram escolhidos no passado pelo próprio Paulo, alegando critérios técnicos e de confiança.

A MEIA VOLTA E INCOERÊNCIAS

Por outro lado, a votação de terça-feira, mais uma vez, mostrou à cidade, cidadãos e cidadãs, explicitamente, a incoerência dos políticos. Eles mudam de opinião, argumentação e votação ao sabor de qualquer brisa de interesses, que não é bem da sociedade. Tratam seus eleitores e eleitoras como esquecidos e com falta de memória ao que disseram pouco tempo atrás. 

Sem argumentos mais sólidos e convincentes, houve quem falasse em ver no resultado daquela votação de terça-feira quem realmente “tinha palavra”, quem “era homem ou menino”, sendo que nos 13 votantes, quatro são mulheres. 

Não aconteceu nem uma, nem outra coisa.

Venceu quem tinha votos e a obrigação de salvar uma causa: a nova aliança de poder. Simples assim! Faltaram até argumentos mais sólidos ao experiente Melato para defender o que estava sendo questionado pela suposta minoritária oposição que reuniu numa mesma balaia o PT, MDB, PSD e o União Brasil para bater chapa com a nova composição governamental, por exemplo.

O BEZERRO DE OURO E O COVEIRO

Antes de prosseguir duas pontuações. 

Essa tal Emenda Parlamentar Impositiva, que em Gaspar seria de 1,5% do Orçamento Anual, ou em torno de R$480 mil ano, o que é uma merreca e há divergências nesses cálculos, sabe-se como começa e não se sabe como termina. 

Basta olhar para o Congresso Nacional que sequestrou R$50 bilhões do Orçamento por ano em emendas, muitas delas, para suprir a corrupção, como vem bem tem demonstrando os inquéritos da Polícia Federal e as análises do Supremo Tribunal Federal, via o ministro Flávio Dino. 

Segundo, não há legislação clara, mesmo que em outros municípios catarinenses, as Câmaras já tenham aprovaram tal mecanismo. Fez bem o governo gasparense em abortar esta tentativa de se abrir a porteira, que a cada ano, na negociação pela governabilidade, vai, como acontece com estados e a União, aumentando a gula dos parlamentares pelo dinheiro público sob a alegação que estão destinando a obras para o povo. Esta é uma prerrogativa do Executivo. A do Legislativo, é fiscalizar essa aplicação ou até, alterar o Orçamento na sua confecção – a margem de manobra é pequena – ou até nas propostas de Anula e Suplementa vindas do Executivo.

Quem queria esta este tipo de lei para criar emendas aos vereadores era Alexsandro quando na oposição a Kleber, entre tantas bandeiras nas redes sociais para se tornar o campeão de votos nas eleições de outubro do ano passado e cacifar com isso, a presidência da Câmara. Fez vídeo e tudo vendendo-a como uma coisa essencial para a comunidade. Gastou dinheiro público para se inteirar melhor e liderar o assunto. Virou governo, também virou coveiro da ideia. E foi confrontado pelo colega de bairro, Giovano Borges, PSD. Alexsandro, o pai do Vale Marmita aos vereadores, lembrado por isso por Giovano, não gostou. E se seguiu a quebra do regimento. Eu ainda vou escrever sobre isto. O sensato nesta história, foi Dionísio Luiz Bertoldi, PT.

O “COFRE VAZIO”

O governo de Paulo, convencido de que havia possibilidade deste projeto passar, foi na Câmara choramingar e negociar. Alegava para isso, de que faltava dinheiro em caixa neste momento e concordava em começar a pagar as tais emendas a partir do Orçamento de 2027. 

Houve reuniões com secretários e técnicos da pasta da Fazenda e Gestão Administrativa na Câmara. Quando o Projeto apareceu com esta possibilidade ele começar em 2027 como o combinado entre o Executivo e parte dos vereadores, duas Comissões, uma delas, inclusive presidida por Melato, aprovaram-na. Na principal Comissão, a de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação, presidida pela líder de governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, o Projeto foi enterrado.

E foi aí que entrou na parada o vereador Giovano, o que rivaliza com Alexsandro no Bela Vista. Giovano está pontualmente enquadrando o governo de Paulo diante de tantos erros primários e contradições que vem produzindo desde que assumiu em janeiro. 

Como permite o Regimento Interno da Câmara, Giovano fez um requerimento para a matéria voltar a tramitar no Plenário. Foi um teste e nova exposição ao governo de Paulo e dos que estão obrigados a defendê-lo. 

O requerimento de Giovano e mais quatro vereadores foi derrotado na terça-feira por sete a seis, com os votos de Alyne, Mara, Carlos Eduardo Schmitt Sobrinho, PL, Sandra Mara Hostins, PL, Elizete Amorim Antunes, PL e o minerva do próprio Alexsandro [ele só vota em caso de empate]. E sendo uma sessão normal, com quatro vereadores ausentes do debate porque só participaram virtualmente só das votações (Thimoti, Alyne, Mara e Elizete), este assunto tomou tempo e tornou a sessão como uma das mais longas do ano.

Espremendo tudo? O governo do PL e de Paulo ficou sem defesa e quebrou a palavra dada nas conversas que teve com os vereadores sobre este tema. Ficou exposto. E o PP contribuiu para isso tudo. Degastaram-se. E a um preço alto no presente e no futuro. Na imprensa local e regional, notas de rodapés. E olha que esperei quase uma semana para não ter que fazer este textão de esclarecimentos. No primeiro teste da reforma administrativa que que o governo vai mandar de afogadilho nos últimos dias de votações na Câmara, ele mostrou que pode ter votos para tal. O que pega? O aumento das verbas dos vereadores para a próxima legislatura. Todos querem. Mas, não querem deixar a impressão digital na busca de votos no ano que vem. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

As eleições presidenciais deste domingo no Chile terá observadores internacionais. Entre eles, o advogado gasparense especialista em Direito Eleitoral, João Pedro Sansão (foto ao lado), membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral. João Pedro já está no Chile e não é a primeira vez que participa como observador eleitoral. Na bagagem, um livro da história de Gaspar para a biblioteca nacional do chile, autografado pelo prefeito de Gaspar, Paulo Norberto Koerich, PL.

Em poucos dias haverá mais uma disputa do pai da criança. É pela verba da Defesa Civil que fez a galeria da Estrada Geral da Lagoa sair finalmente do papel. A obra foi projetada para colocar um ponto final na sucessiva séries de improvisos que, ou interrompiam a estrada, ou causavam alagamentos na região. Uma conquista técnica em função técnica, do Superintendente de Defesa Civil de Gaspar, o sargento bombeiro militar, Rafael de Araújo Freitas.

Quatro vereadores de Gaspar passaram a maior parte da semana em Brasília. Nas redes sociais, afirmaram Alyne Karla Serafim Nicoletti, Elizete Amorim Antunes, ambas do PL, Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP e Ciro André Quintino, MDB, que foram atrás de recursos, a maioria via emendas parlamentares que pelo menos três dos quatro viajantes negaram aos vereadores de Gaspar na votação de terça-feira no requerimento de Giovano Borges, PSD.

As fotos mostram as vereadoras e o vereador com papelinhos dos pedichos e muitos assessores de gabinetes atendendo-os. Os deputados e senadores podem ser encontrados por aqui, mais facilmente e com menos custos. E em tempo de pedir votos, estes deputados e senadores deviam estar aqui nos redutos eleitorais dos vereadores oferecendo e distribuindo a montoeira de emendas parlamentares a que tem direito. Antes, todavia, é verdade, a prefeitura precisa ter projetos prontos e qualificados para dar entrada nos gabinetes de senadores, deputados e ministérios via os bons padrinhos políticos.

Em diárias, a Câmara de Gaspar já empenhou este ano R$198.054,00. Um recorde. O campeão em diárias continua sendo Ciro André Quintino, MDB, com R$19.994,00. O segundo que mais gastou em diárias, até agora, é o presidente da Casa, Alexsandro Burnier, PL, com R$18.200,00. Na sequência vem Roni Jean Muller, MDB, com R$17.797,00; Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP, com R$15.276,00 e Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, com R$13.571,00. 

Estes valores se ampliam muito mais quando se agregam os respectivos assessores dos gabinetes, usados para projetá-los, com vídeos e fotos, nas redes sociais.

O vereador Alexsandro Burnier, PL (foto ao lado), foi a tribuna da Câmara de Gaspar para defender o governo em licitação, com toda a cara de ter cartas marcadas, ou em outra armadilha foi publicamente dar pistas e combustível para mais incriminações contra a empresa fornecedora de serviços e materiais a prefeitura de Gaspar? E tudo está gravado. 

O que está em jogo, por enquanto, é como e por que o transformador alugado foi instalado antes da licitação na Arena Multiuso Francisco Hostins para uma festa tradicionalista que gera milhões em lucro para os organizadores. O que estava em questão até então, não era exatamente o preço desse aluguel e que poderia até ser outro, se houvesse efetiva concorrência. Agora, com a intervenção do vereador, está. Gente feita para complicar ainda mais o que está todo complicado e com gente do pecado querendo tirar de si esse pecado e colar em quem disse que era santo, e faria da prefeitura um altar sagrado. Credo!

Segundo o vereador Alexandro Burnier, PL, com ilustração e tudo, a empresa já participou de igual aluguel em anos e governo anteriores e cobrou muito mais. E não só isso, participou com regularidade de outras licitações para atender as compras municipais. 

Ora se ela cobrou mais nos anteriores – supostamente pelo mesmo serviço -, a coisa só piora. Se é contumaz fornecedora, não tinha porque errar em algo tão básico, ou então não deveria estar mais na lista de fornecedores da prefeitura. Duas conclusões: a primeira é que com defensores deste tipo, o atual governo só se complica ainda mais; e que um ditado popular pode explicar muita coisa, ou seja, “o rato vai tanto ao moinho que um dia, descuidado e auto-confiante pela falta do gato, deixa o focinho“.

É impressionante a rapidez como se cria cortinas de fumaça para se desfiar o foco das dúvidas e questionamentos. Isto mostra a atual força coordenada do PP e de como o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, tornou refém de situações criadas no ajuntamento que está fazendo em Gaspar com PP. E isto está, ao mesmo tempo, consolidando uma oposição que até então não havia tão claramente na Câmara.

Tão logo saiu à praça a denúncia que estava escondida em um decreto assinado pelo prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, ou seja, com todo cuidado e orientação técnica, para desapropriar, sem destinação, o caro terreno que mingou no leilão judicial da massa falida da Olymalhas e numa prefeitura que diz não ter caixa, apareceu aos 13 vereadores da Câmara, um dossiê bem montado juridicamente e com dados técnicos que só se acessa em ambientes restritos da prefeitura. No falho, difícil de navegar Portal da Transparência, por exemplo, quem tentar estas mesmas informações, na maioria do que foi revelado, não as encontrará.

O dossiê levado à Câmara, mostrou com documentação robusta, problemas na escolha, compra e pagamentos antecipados de um outro terreno. Este feito pela prefeitura via a secretaria de Educação. Todos os envolvidos, obrigados às explicações, por enquanto, afirmam que são apenas coincidências. A bruxa não está solta. Ela foi criada. Na cidade, descobre-se com esta denúncia, o quanto está vulnerável o governo de Paulo Norberto Koerich, PL. O quanto está refém do PP. E o quanto ele incomodou na CPI do Capim Seco, mesmo não revelando quase nada mais do que a polícia especializada em corrupção de Blumenau já tinha apurado.

Como disse Giovano Borges, PSD, na última sessão da Câmara, comparando o atual governo em apenas dez meses ao enfraquecimento nos últimos anos do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, do qual Giovano fez parte como um dos membros da Bancada do Amém: “tudo piorou depois que Kleber se tornou relutante aos conselhos dos que o cercavam [para ele não ficar refém de Jorge Luiz Purcino Pedreira, PSSB] ou não estavam no poder de fato; quando não admitia críticas e quando rachou o governo expurgando o vice [Marcelo de Souza Brick, então no PSD e depois aninhado do PP]. A história parece estar se repetindo. E exatamente por quem jurou que mudaria tudo isso.

Sobre novo babado de dúvidas do governo Paulo Noberto Koerich, PL, na compra do terreno – cuja terraplanagem já começou, do Gaspar Mirim para a construção de uma escola municipal em tempo integral, a Aninha Pamplona Rosa e que tem R$12 milhões em caixa do governo Federal para construí-la – querem que a secretária da Educação, profissional da área, empresária da área, ex-vereadora e ex-candidata a prefeito, Andreia Symone Zimmermann Nagel, PL, assuma, como sendo um erro somente dela como relatei em JÁ NO PRIMEIRO ANO, PAULO – COM TODA EXPERIÊNCIA POLICIAL, ELEITO PARA DESCOBRIR E BUSCAR CASOS DE IRREGULARIDADES ADMINISTRATIVAS E CORRUPÇÃO DO PASSADO – PODERÁ TER A SUA PRIMEIRA CPI CONTRA O GOVERNO PELO MESMO SUPOSTO DEFEITO. O VELHO SISTEMA VEM PROVANDO SER MAIS FORTE E O ENQUADRANDO. FOGO AMIGO O ENVOLVE E O ARREMATA IMPRESSIONANTEMENTE CONTRA A SUA PRÓPRIA IMAGEM

A compra do terreno para a escola passou por todos os trâmites técnicos (secretaria do Planejamento Territorial, Procuradoria Geral do Município, Comissão de Avaliação e secretaria de Educação), por todos os políticos chaves como o próprio prefeito Paulo Norberto Koerich, PL e o seu prefeito de fato, o chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP. Eles, inclusive, foram no local e aprovaram-no. Então não é coisa inventada apenas na secretaria. Era um ato de consenso dentro governo de Paulo.

Entretanto, há um erro grave neste processo: o pagamento antecipado de parcelas ao dono do terreno, um investidor imobiliário, empresário do ramo de terraplanagem e apoiador da campanha eleitoral vencedora. Ao que consta, até aqui, ele não tem culpa alguma neste procedimento. E isto já está sendo apurado.

Com dotação orçamentária para a liquidação das parcelas, uma assessora novata e que ficou no lugar do guardião da secretária, Adalberto Demmer, preparou a papelada para o pagamento das parcelas, com aval da secretária. Quem devia barrar e já barrou outras iniciativas deste tipo, mas não agora, foi a secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, da experiente (Gaspar, Blumenau e Indaial) Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha, onde está também lotada uma experiente tesoureira de décadas nesta função em Gaspar.

Mais. Quem devia ter questionado e barrado, baseado em contrato em vigor, que é parte da análise do empenho para liquidação, seria a controladoria geral, subordinada ao próprio gabinete do prefeito. É só recuperar o depoimento bomba e fundamental na CPI do Capim Seco dado pelo ex-controlador geral do governo passado, Ernesto Hostin. O depoimento é claro, está fresco e é didático. E está no resumo do relatório lido na sessão de terça-feira da Câmara e disponível à sociedade.

Por outro lado, fez bem, a educadora e vereadora, Sandra Mara Hostins, PL, olhando o dossiê que recebe como os demais vereadores, não perdendo tempo, enviando um requerimento, também robusto, à secretaria de Educação questionando todos os pontos levantados pelo dossiê e pedindo explicações. A secretária deve isto não só aos vereadores, mas também à sociedade.

Perguntas que precisam ser respondidas: por que faltou este filtro na secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa e na Controladoria Geral? Por que o dossiê que ganhou as ruas via a denúncia anônima bem elaborada, tanto no aspecto técnico e como na linguagem jurídica, foi levada no fim do expediente da Câmara na sexta-feira? Nenhuma câmera registrou quem foi o portador dos 13 envelopes? Cheira, como no caso do transformador, fogo amigo, de uma prática que não se estancou, mas quer estancar as mudanças. Motivos de sobra não faltam.

A secretária Andreia Symone Zimmermmann Nagel, PL, é linha dura e obstinada. Mas, já perdeu anéis.

Logo que chegou denunciou a compra de livros aos montes sem utilidade no apagar das luzes do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB; fechou a tal “fábrica” no ginásio Gilberto Sabel, por orientação da secretária de Assistência Social, Neusa Pasta Fillizetti, PL,a que viu enrosco legal com o uso indevido de verbas do Fundo Municipal da Infância da Adolescência; abortou o “Google for Education” que era o xodó do ex-prefeito e do ex-secretário; bateu duramente de frente com o engenheiro fiscal da secretaria Ricardo Paulo Bernardino Duarte; tentou, mas teve que recuar por pressão política da própria base na Câmara, na implantação do zoneamento escolar, pedido pelo Ministério, mas que os governos de Pedro Celso Zuchi, PT, e Kleber Edson Wan Dall, MDB, não fizeram… 

E não será implantado também no governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Em Gaspar havia defasagem de 32 salas de aulas e 18 de creches; não há turno integral. Estas discussões levam ao atraso e consequentemente a novas cobranças, como se o cachorro estivesse correndo atrás do próprio rabo. Quem perde? O governo. Quem ganha? Quem quer o quanto pior melhor e contra a educação. Não bastam o caos na saúde pública, a vulnerabilidade do Samae, o travado Planejamento Territorial? Muda, Gaspar!

Trocando de assunto. Ao mesmo tempo que, depois de onze meses de “novo” governo, a prefeitura de Gaspar lança Serviço busca facilitar a comunicação entre os cidadãos e o poder público pelo número (47) 3091-2000, ele falha nos canais que já possui, como a Ouvidoria. 

O ex-prefeito, o médico veterinário Adilson Luiz Schmitt, sem partido – mas estava no PL até pouco tempo atrás e nele ajudou a eleger Paulo Norberto Koerich, PL -, como cidadão gasparenses, está há meses, penando na busca de informações sobre prestações de contas e serviços feitos por anos seguindo nos governos passados com ou não cobranças pela secretaria de Agricultura e Aquicultura ao produtores rurais.

Adilson Luiz Schmitt teve que voltar a Ouvidoria para obter as mesmas informações que lhe foram repassadas por links eletrônicos. Ele alega comprometimento na abertura de tais links e comprovou esta precariedade digital. Ele os quer impresso ou em planilhas. Desta vez, também protocolou tal pedido no gabinete do prefeito, para que da sua intenção de esclarecimentos não restasse nenhuma dúvida se precisar ir a Justiça.

Resultados. Por conta desta ação de esclarecimentos feita por Adilson Luiz Schmitt e da atuação de Ofélia Campigoto no Conselho de Desenvolvimento Rural, o prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, mandou um Refis Rural pelo PLC 8/2025 para aprovação na Câmara, exatamente para solucionar as pendências dos produtores rurais gasparenses apontadas pelo ex-prefeito. Dois teimosos diante de tantas evidências.

Exemplo que vem de Itajaí. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina, condenou a devolver aos cofres públicos, por simularem concorrência em dispensa de licitação de limpeza e serviços, dois empresários de Gaspar (Garra e Sentor) e uma suplente de vereadora de Itajaí, Christiane Stuart, Republicanos.

A fraude, segundo o julgado, acarretou um prejuízo ao erário público devido ao sobrepreço praticado nos contratos. De acordo com o Ministério Público, os valores pagos por servente eram, em média, 44% a 46% maiores que a média praticada pelo Município em licitações regulares.

Pois é. O governo de Santa Catarina, por meio da secretaria de Infraestrutura e Mobilidade, tocada pelo deputado estadual Jerry Comper, MDB, anunciou a implantação de cinco trevos denominados de alemães, na Rodovia Jorge Lacerda. Em pontos, segundo a secretaria, são considerados críticos. Já em Gaspar, como a maior parte dela é municipalizada, o perigo aumenta cada dia.

Na semana que vem, este espaço terá apenas um artigo. Ufa. Os espaços de comentários serão atualizados constantemente, incluindo as anotações do Miguel Teixeira. Boa semana a todos.

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7 comentários em “VOTAÇÃO DE SIMPLES REQUERIMENTO NA CÂMARA DE GASPAR REVELA A SELADA DEPENDÊNCIA DO PL AO PP, A RUPTURA DO VICE E TESTA VOTOS PARA PASSAR A CARA – NA ELABORAÇÃO E NAS CONSEQUÊNCIAS PARA QUEM NÃO DIZ TER CAIXA – E ATRASADA REFORMA ADMINISTRATIVA”

  1. APOSTANDO NA IMPUNIDADE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) derrubou na quinta-feira passada a punição imposta ao jogador Bruno Henrique, do Flamengo, por manipulação de apostas esportivas. Ao impor apenas uma sanção pecuniária insignificante, a Justiça Esportiva na prática sinalizou que fraudes nas chamadas bets são desimportantes.

    É um desastre sob diversos aspectos. Em primeiro lugar, isso lança uma nuvem de dúvidas sobre o futebol brasileiro. Ao não punir de forma adequada quem comprovadamente desvirtuou o jogo para auferir ganhos pessoais, o STJD estabeleceu jurisprudência que incentiva outros jogadores a delinquir. Ninguém saberá ao certo, nem torcedores nem apostadores, se o que está acontecendo no jogo é resultado de uma disputa limpa ou se se trata de armação.

    Flagrado em investigações da Polícia Federal (PF) combinando com o próprio irmão, para o fim de apostas esportivas (bets), forçar um cartão amarelo em uma partida de 2023 contra o Santos, Bruno Henrique vinha atuando normalmente pelo Flamengo por força de um efeito suspensivo.

    Num primeiro julgamento, em setembro passado, o STJD suspendeu o atleta por 12 partidas. Agora, Bruno Henrique foi absolvido da acusação prevista no artigo 243-A do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que dispõe sobre condutas contrárias à ética esportiva com a intenção de alterar o resultado de partida ou competição.

    Apesar da contundência das mensagens divulgadas pela PF (em certo momento, o irmão de Bruno Henrique fala em “guardar o dinheiro” para garantir o que classificou de “investimento com sucesso”), o STJD reformou sua decisão anterior, liberando o jogador para atuar.

    O STJD puniu Bruno Henrique apenas com uma multa irrisória de R$ 100 mil, com base em artigo que prevê sanções para quem descumpre ou dificulta o cumprimento de regulamentos de torneio.

    A falta de critério do STJD salta aos olhos. Em 2023, Eduardo Bauermann, então zagueiro do Santos, foi banido do futebol por 360 dias e impedido de jogar em qualquer lugar do mundo por combinar que levaria um cartão amarelo num jogo do Campeonato Brasileiro para favorecer uma quadrilha que manipulava apostas. E o zagueiro nem chegou a cumprir o combinado com os bandidos. Embora os casos sejam idênticos, Bauermann e Bruno Henrique foram punidos de forma totalmente diferente. Não se pode condenar quem suspeite de que tenha havido leniência em favor do Flamengo em razão de seu poderio econômico e social.

    Não bastasse ser ruim, a decisão do STJD ocorre com um atraso inexplicável. Entre apelações, arquivamento, reabertura e pedidos de vista, o caso de um cartão amarelo forçado em novembro de 2023 só foi concluído dois anos depois.

    Enquanto isso, em outros países, o vínculo entre apostas esportivas e cartões amarelos suspeitos tem provocado discussões bastante relevantes. Na Austrália, por exemplo, jogadores pediram à confederação de futebol local que apostas esportivas relacionadas a cartões amarelos fossem proibidas, algo em que o Brasil faria bem em se inspirar.

    O motivo é óbvio: jogadores podem provocar deliberadamente situações de jogo que são passíveis de advertência com cartão amarelo. Logo, não são eventos aleatórios, mas provocados, o que é claramente passível de manipulação.

    Esse é um dos tantos aspectos problemáticos da indústria de apostas esportivas que se instalou no Brasil e é onipresente no futebol e na publicidade. Este jornal desde sempre se posicionou contra a liberação das bets no País, por ser danosa para o bolso e a saúde mental dos cidadãos e por abrir uma avenida para a lavagem de dinheiro do crime organizado. Uma vez que a jogatina foi liberada, que ao menos seja objeto de dura regulação.

    Não é isso o que se vê, contudo. Além de promover modalidades de apostas que são sujeitas a manipulação, as bets são taxadas em irrisórios 12%. Quando o governo quis elevar a alíquota para 18%, o Congresso rejeitou, mostrando a força do lobby das apostas online.

    Tudo isso deixa claro como o Brasil ainda está longe de ter um arcabouço jurídico e tributário adequado para lidar com o fenômeno corrosivo das apostas esportivas. A punição risível a Bruno Henrique amplia a sensação de que, nesse esporte, quem joga conforme as regras é bobo

  2. O QUE JOÃO PEDRO VAI TESTEMUNHAR

    O advogado gasparense, João Pedro Sansão, especialista na área eleitoral, mesmo sendo jovem é entre outras um ativista de longa data para o PT que tem o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi (o único com três mandatos por aqui) vai testemunhar nas eleições presidenciais de hoje no Chile, o possível enfraquecimento e o encaminhamento para a derrota da esquerda (que governa o Chile) e com chance de algum populista de direita ganhar. O texto abaixo é de Augusto Franco no X. Ele analisa sob outro ângulo: o perigo que corre a democracia chilena se a vitória for de um populista.

    Sabe-se pouco dos últimos movimentos do eleitorado porque lá é proibido divulgar pesquisas nos 15 dias anteriores à eleição.

    O fato é que Boric não conseguiu montar uma coalizão democrática expressiva. Sua candidata (do partido comunista), que tinha por volta de 30% dos votos nas últimas pesquisas, parece que não vence no primeiro turno e perde para todos os concorrentes no segundo turno. O diabo é que o Chile, uma das poucas democracias liberais da América Latina (juntamente com Costa Rica e Uruguai), vai entrar em risco de decair para democracia apenas eleitoral no curto prazo e no médio prazo as consequências podem ser piores.

    Isso não tem nada a ver com esquerda ou direita. É só olhar o histórico das eleições chilenas: Aylwin foi substituído por Frei, que foi substituído por Lagos, que foi substituído por Bachelet, que foi substituída por Piñera, que foi substituído novamente por Bachelet, que foi substituída novamente por Piñera, que foi substituído por Boric. E o Chile continuou sendo uma democracia liberal. Agora essa saudável alternância dentro dos marcos da democracia liberal pode estar ameaçada com a vitória de algum candidato populista.

  3. DERRITE CONTRA POLÍCIA FEDERAL, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    Se Guilherme Derrite fosse um transeunte laçado na Praça dos Três Poderes para redigir um projeto de combate ao crime organizado, teria sido compreensível a barafunda que ele produziu com as várias versões de seu relatório para o projeto de lei contra as facções criminosas.

    Infelizmente, Derrite é um veterano policial e secretário de Segurança do governador Tarcísio de Freitas, possível candidato a presidente da República. Mais: Derrite é um deputado federal e provável candidato ao Senado em nome do que seria um desejo do eleitorado por mais segurança. Foi laçado pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, para relatar o projeto de lei contra as facções criminosas.

    Com quatro versões, Derrite produziu um monstrengo revelador dos interesses estabelecidos na máquina da segurança do país.

    Tome-se como exemplo a limitação que Derrite quis impor à Polícia Federal (PF). Seu primeiro relatório estabelecia que a PF só poderia investigar depois de ter havido uma solicitação do governador do estado. Gracinha. Existem crimes federais, como o tráfico de armas e de drogas, mas a PF dependeria de uma licença dos governadores.

    Se esse sistema existisse nos Estados Unidos do século passado, teriam continuado as execuções de ativistas que lutavam contra a bandidagem racista de estados do Sul. Quem viu o filme “Mississippi Burning” sabe do que se trata. A bandidagem racista operava com o apoio de governadores, juízes e policiais. Foi a Polícia Federal quem desarmou as tramas.

    Lá, a Federal chama-se Federal Bureau of Investigation, o FBI. Foi dirigido de 1924 a 1972, quando morreu, por J. (de John) Edgar Hoover. Sujeito detestável, grampeava inimigos, chantageava políticos e presidentes. Solteirão misógino foi um mau exemplo, mas criou uma instituição, robusta e honesta (à sua maneira). Hoover foi um mau exemplo, mas criou e protegeu uma instituição exemplar.

    Com esse nome, a Polícia Federal brasileira surgiu em 1967. Desde então, ela se tornou, de longe, a mais respeitada instituição policial do país. Derrite queria que ela pedisse licença aos governos estaduais para desempenhar suas funções. O deputado-secretário é capitão da reserva da PM paulista, onde fez fama na tropa de elite da Rota.

    O Primeiro Comando da Capital (PCC) operava sua rede de postos de gasolina, empresas e fintechs de São Paulo há décadas. Graças à Operação Carbono Oculto, do Ministério Público e da Polícia Federal, parte dessa máquina foi desmontada, isso sem um só tiro. A Operação Escudo da polícia de Tarcísio e Derrite matou 28 pessoas num só mês de 2023. Quase todos pretos pobres e moradores da periferia.

    Com sua proposta de emasculação da Polícia Federal, Derrite mostrou que, enquanto o crime está organizado, o governo de São Paulo tornou-se, na melhor das hipóteses, uma bagunça.

    BOLSONARO, LULA E PÉTAIN

    Em 2018 discutia-se onde Lula deveria cumprir sua condenação. Deram-lhe uma solitária-light na Polícia Federal de Curitiba. Ficava sozinho numa sala com cama, mesinha e banheiro. Não podia deixá-la e para se comunicar com os carcereiros devia bater na porta.

    Passaram-se sete anos, Lula foi exonerado pelo Supremo Tribunal, elegeu-se presidente da República e tem dois palácios em Brasília, e o assunto renasceu, com a prisão de Jair Bolsonaro. Ele está em prisão domiciliar, condenado a 27 anos de cárcere pelo STF.

    O ministro Alexandre de Moraes parece disposto a testar o prisioneiro, um septuagenário de saúde e nervos abalados. Ele iria para uma ala-light da penitenciária da Papuda. Não se faz isso com um ex-presidente. Para quem detesta Bolsonaro, uma ala-light seria demais. Para quem gosta do ex-capitão, ele deveria cumprir a pena em casa como faz o ex-presidente Fernando Collor.

    Em qualquer caso, como o de Lula, o Brasil deveria olhar para o exemplo que a França deu ao mundo ao encarcerar o ex-presidente Phillipe Pétain. Ele era um marechal octogenário que em 1940 assumira poderes ditatoriais depois da invasão alemã, em 1940. Caso clássico de traição nacional, estava condenado à morte. Foi colocado numa fortaleza, onde recebeu um quarto, com uma pequena sala anexa. Lá, Pétain morreu de causas naturais, em 1951.

    Bolsonaro é um ex-presidente da República, levado ao poder pelo voto popular. Quando ele arrisca ser mandado para uma rotina semelhante à de um marechal usurpador e colaboracionista, alguma coisa está errada.

    FLÁVIO CANDIDATO

    Flávio Bolsonaro é candidato a presidente da República. Como sucede a todos os candidatos da bancada oposicionista, seu principal adversário é o governador paulista Tarcísio de Freitas, que diz preferir a reeleição.

    … SE STEFANUTO FALAR

    Com a prisão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, alguns hierarcas de Brasília perderam horas de sono.

    A PF diz que o doutor recebia uma mesada de R$ 250 mil da quadrilha que roubava aposentados. Ele não seria o único felizardo a receber mimos. Nenhuma quadrilha paga R$ 250 mil mensais a uma só pessoa.

    KEN BURS FEZ MAIS UMA

    O documentarista americano Ken Burns, mago que recontou a história da Guerra Civil e da Guerra do Vietnã, pôs no ar sua história da Revolução Americana, que terminou com a criação dos Estados Unidos.

    São seis episódios filmados em 169 lugares. Com 26 entrevistas, Burns recolheu 18 mil imagens e 1.900 mapas.

    Ele começa colocando George Washington num pedestal mais modesto.

    A 4 de julho de 2026 a Declaração da Independência dos EUA completará 250 anos numa festa de grandiloquência trumpista. Dando voz a negros, índios e mulheres, Burns chegou antes, com mais equilíbrio.

    VITÓRIA DOS DEMOCRATAS

    Depois de Nova York, Seattle elegeu a ativista Katie Wilson, de 43 anos, prefeita da cidade.

    Ela nunca havia disputado uma eleição.

    MILEI PROMETEU E CUMPRIU

    O presidente argentino Javier Milei prometeu se afastar do Mercosul e cumpriu. Está detonando a instituição e aproximando-se dos Estados Unidos.

    Nos anos 1990, durante o governo de Carlos Menem, a chancelaria argentina anunciou sua disposição de manter uma “relação carnal” com Washington.

    Deu na ruína da dolarização.

  4. “EMENDA PANETONE” É A NOVA FASE DA DESFAÇATEZ PARLAMENTAR, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    A proximidade do Natal mexeu com os congressistas. Considerando pouco dinheiro os mais de R$ 50 bilhões reservados no Orçamento de 2025 para emendas parlamentares, eles passaram a negociar com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um presente de final de ano.

    A discussão, conduzida à boca pequena na Comissão Mista de Orçamento do Legislativo, envolve verbas extras de R$ 3 milhões para cada membro desse colegiado, chegando a R$ 5 milhões no caso dos relatores setoriais. Nos bastidores, há quem chame o mimo de “emenda panetone”.

    Embora a reportagem da Folha tenha confirmado a existência das tratativas com oito parlamentares, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República negou, até com bastante ênfase, que esteja em curso uma combinação dessa natureza.

    Tomara. Mas, no atual arranjo entre os Poderes, governos com bases frágeis precisam ceder ao Congresso Nacional mais do que gostariam de admitir. Desde 2015, quando as emendas parlamentares se tornaram obrigatórias, o Legislativo avança com voracidade sobre os recursos do contribuinte.

    Do ponto de vista teórico, não chega a ser problemático que deputados e senadores escolham o destino de uma parcela das verbas orçamentárias. Seus olhos, mais atentos às demandas paroquiais, poderiam perceber necessidades prementes jamais contempladas no plano federal.

    A explosão dessa rubrica a partir de 2020, contudo, criou uma situação descabida e sem nenhum paralelo no mundo desenvolvido. As cifras associadas às emendas parlamentares drenam recursos dos ministérios e provocam variadas distorções.

    Dentre elas, as mais graves são a falta de planejamento, com consequências desastrosas para a qualidade dos gastos, e a ausência de fiscalização e transparência na execução dos projetos.

    Diante dos óbvios abusos, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu critérios básicos para o uso das verbas, e a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal ampliaram os mecanismos de supervisão das despesas.

    Os congressistas, porém, não se dão por vencidos nem conhecem limites para sua desfaçatez. As “emendas panetones”, nos termos relatados à reportagem, seriam executadas no Orçamento do governo, configurando um drible nas tentativas de controle.

    Parece mais fácil esperar o Papai Noel descer pela lareira do que ver os parlamentares aceitarem, de bom grado, a implementação de princípios republicanos no trato dos recursos públicos.

  5. Este é o retrato de um continuado desgoverno. Defende a democracia, mas adula autocratas e ditadores. Oferece oportunidade a investidores, mas vive aumentando impostos e defendendo a intervenção estatal, criando cada vez mais altos impostos para a negação de se colocar a casa em ordem, condena pessoas ricas e investidores como se fossem pragas, defende o verde mas, desmata, perfura mais poços de petróleo em áreas ecologicamente sensíveis segundo ele próprio e dá incentivos a usinas termo elétrica, incluindo as super-poluidoras a carvão, negligencia os custos Brasil devido à falha infraestrutura, abençoa bandidos cruéis em organizações paralelas de milícias e narcotraficantes os quais quando não tomam seus bens, os fazem de reféns em serviços públicos e privados, os pobres e trabalhadores, na política de direitos humanos quer esvaziar cadeias enquanto criminaliza forças de segurança e legislação punitiva… É uma lista infindável de incoerências que o próprio governo petista de Lula e da esquerda do atraso, teima em não enxerga-las ou então dourá-las.

    PUXÃO DE ORELHA DA ONU É VERGONHOSO PARA O BRASIL, editorial do jornal O Globo

    Foi constrangedora a carta enviada ao governo brasileiro por um alto funcionário da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, na quarta-feira, cobrando um plano imediato para lidar com as falhas de segurança e infraestrutura durante a COP30, em Belém. Prover segurança e infraestrutura é o mínimo que se espera dos organizadores de discussões sobre o futuro do planeta.

    Depois da crise de hospedagem que dominou o noticiário antes da COP, é lamentável constatar problemas básicos que deveriam ter sido previstos. Houve reclamações sobre goteiras e alagamentos de áreas da conferência. Ora, chuvas frequentes na capital paraense são tão previsíveis quanto o calor, e a montagem das estruturas deveria levar isso em conta. Geraram queixas também a falta de água em banheiros e falhas nos sistemas de refrigeração. Belém, como todos sabem, é uma cidade escaldante. Uma das imagens mais frequentes da conferência são estrangeiros e brasileiros se abanando com leques.

    Termômetros nas alturas não são impedimento para abrigar um megaevento. Obviamente, não é o caso de erguer instalações suntuosas, mas é uma vergonha o Brasil ser incapaz de oferecer condições confortáveis aos visitantes. Já fez isso várias vezes como anfitrião de grandes eventos.

    A insegurança também é inaceitável. Na terça-feira, cerca de 150 manifestantes invadiram facilmente as instalações da conferência, chegando à Zona Azul, onde ocorrem as negociações climáticas. O episódio foi visto pela ONU como “grave violação da estrutura de segurança”, levantando preocupações sobre o cumprimento das obrigações pelo anfitrião. Entre as vulnerabilidades, estão efetivos insuficientes, porta sem segurança e nenhuma garantia de que autoridades federais e estaduais responderiam às invasões. Durante o protesto, um segurança ficou ferido, e estruturas foram danificadas.

    Protestos não devem ser tratados com truculência pela polícia, mas precisam seguir regras, ou tudo vira bagunça. É inacreditável que manifestantes consigam invadir áreas restritas da conferência. O desleixo é ainda mais preocupante, pois Belém é ponto nevrálgico numa região acossada por facções criminosas. O plano de segurança deveria ser impecável. O governo chegou a decretar operação de Garantia de Lei e da Ordem (GLO) para obter apoio das Forças Armadas. Só esqueceu o básico.

    O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou na quinta-feira que todas as questões citadas na carta foram “completamente sanadas”. “Tivemos problemas técnicos, e acredito que estão sendo solucionados”, afirmou. Mas isso não apaga o vexame. Era previsível que Belém não tinha estrutura para sediar um evento dessa magnitude. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva insistiu em mantê-la como sede, enfatizando o simbolismo de fazer uma COP na Amazônia. Espera-se que na reta final não haja mais “problemas técnicos”, para que a ONU e os negociadores possam se preocupar com questões menos comezinhas e se dedicar ao que importa: conter o aquecimento global que ameaça a humanidade.

  6. UM PROCESSO ABSURDO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Nenhum país se torna autocrático do dia para a noite. A degeneração institucional é um processo gradual, em que medidas “excepcionais”, no início incômodas, passam a ser aceitas como rotina. No Brasil, esse processo ganhou rosto e método. Sob o pretexto de defender a democracia, o Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou uma forma de poder que dissolve os freios e contrapesos constitucionais. O caso de Eduardo Tagliaferro – o ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes transformado em réu pelo próprio ministro que ele denunciou – é o retrato mais nítido de uma Corte que se julga infalível, e por isso se permite tudo. É um tribunal que, em vez de corrigir abusos, os institucionaliza.

    Segundo Tagliaferro, havia uma estrutura paralela dentro do Tribunal Superior Eleitoral, usada para monitorar críticos e produzir relatórios “sob medida” que justificavam censuras e bloqueios. A ordem, segundo mensagens atribuídas ao gabinete de Moraes e divulgadas pela Folha de S.Paulo, era explícita: “Use a criatividade”. Quando o denunciante expôs o suposto desvio, foi acusado de violar o sigilo funcional e passou a ser julgado pelo mesmo magistrado cujas irregularidades apontara. No Brasil de hoje, quem denuncia o abuso vira réu, e o juiz do caso é o acusado de praticar o abuso.

    A perversão jurídica é tão evidente quanto constrangedora. Moraes atua, simultaneamente, como vítima, investigador e julgador – e o tribunal age como cúmplice passivo. A Procuradoria-Geral da República, em vez de apurar as denúncias feitas pelo ex-assessor, preferiu denunciá-lo. O processo tramita em foro indevido, e a decisão que tornou Tagliaferro réu por, entre outras acusações, “abolição violenta do Estado Democrático de Direito” foi tomada no plenário virtual, sem sustentação oral presencial e contraditório efetivo. Mensagens entre Tagliaferro e seu advogado chegaram a ser tornadas públicas, violando o sigilo profissional. Em nenhum Estado de Direito isso é justiça. É abuso de autoridade.

    O escândalo não é circunstancial. O que está em jogo é a mutação da exceção em sistema. As mesmas violações se repetem com metódica naturalidade: inquéritos secretos, elásticos e intermináveis, censura prévia, mandados de busca por opiniões, prisões preventivas que se eternizam, decisões monocráticas que suspendem leis e calam vozes. A reação à barbárie do 8 de Janeiro degenerou num regime de tutela permanente. O “Estado de exceção” virou expediente administrativo; o poder de julgar, instrumento para intimidar; e a toga, um salvo-conduto ao arbítrio.

    Essa lógica moralista substitui o Direito por cruzadas de salvação. A toga transformou-se em armadura, e o juiz, em parte interessada do próprio veredito. A imparcialidade virou fraqueza; a prudência, álibi dos que se calam. O Supremo já não age como intérprete da Constituição, mas como seu substituto, convencido de que encarna o bem e pode combater o mal à base de canetadas judiciais. O STF, afinal, parece ter descoberto o moto-perpétuo da moralidade: julga, absolve a si mesmo e aplaude a própria virtude. É a liturgia do poder travestida de zelo cívico.

    Os ministros precisam fazer uma autocrítica, reafirmando o devido processo, a separação entre acusar e julgar e a humildade de absolver quando há dúvida, pois a autoridade da Justiça nasce da forma, não da força. A democracia não precisa de guardiões armados de exceção, mas de juízes capazes de obedecer às suas regras. Só quem compreende seus limites pode exercer legitimamente o poder. E é esse senso de limite que o STF parece ter pulverizado.

    O caso Tagliaferro não é um acidente, é um sintoma. É o espelho de uma Corte que, a pretexto de salvar a República, decidiu que está acima dela. Não se defende a democracia traindo os princípios que a definem. Não se preserva a liberdade por meio da censura, nem a Constituição por meio da violação de suas garantias. Quando a exceção se torna método, a lei deixa de proteger o cidadão e passa a proteger o poder. E nenhuma democracia sobrevive muito tempo a essa impostura, sobretudo quando ela se traveste de virtude e fala em nome da lei.

  7. A INCOMPETÊNCIA DE LULA 3 NO INSS, por Vinicius Torres Freire, no jornal folha de S. Paulo

    A Polícia Federal diz que tem mais político no listão da propina de uma das gangues da roubança no INSS. Suponha-se, por hipótese, que uma bancada de parlamentares ou figurões oposicionistas apareça com a boca na botija, com mala de dinheiro ou com notas no fundilho das calças, por assim dizer, esse clássico anacrônico da corrupção nacional (rouba-se com Pix). Ainda assim, vai ser difícil que Luiz Inácio Lula da Silva escape de perder pontos nas pesquisas.

    O massacre do Rio e a campanha do “mata, prende e arrebenta” da direita já pareciam conter o breve inverno de recuperação de Lula 3 (julho a setembro). A maré vira. Assim foi também porque o governo e esquerdas oficiais quase nada têm a oferecer em planos e resultados de contenção do crime, menos ainda no caso de facções.

    A roubança do INSS vinha de longe, passou por três governos. Mas ainda engordou por mais de dois anos de Lula 3. Assim foi porque este governo não se ocupou de fazer varredura e reforma no INSS, instituição envelhecida, piorada sob Jair Bolsonaro, desaparelhada, mal administrada e incapaz. Mesmo sem corrupção grossa, o INSS seria um escândalo, com sua fila de 2,6 milhões de pessoas à espera do benefício, para ficar no problema mais gritante.

    Não ter programa, não ter ou chamar quadros competentes, não fazer reforma, dá nisso. Por exemplo, o governo dá chance para o azar no setor elétrico. O Brasil consegue ter oferta de energia de sobra, eletricidade cara e risco de apagão em horário de pico, tudo ao mesmo tempo, o que não faz sentido algum em um mundo normal. Encomenda uma crise financeira de empresas do setor, por falta de planejamento, subsídios ruins, porcarias aprovadas por lobbies no Congresso e uma confusão de décadas. Talvez alguém acorde no dia em que vier um apagão nacional daqueles, de horas ou dia inteiro. Até lá, não tem reforma, nem ao menos plano. O sistema sobrevive no fio da navalha devido à competência das agências que o operam.

    Politicamente, o problema do INSS floresceu. A PF acusa do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, de levar R$ 250 mil por mês. O governo, flutuando na estratosfera da ilusão ou da negação, animou-se com o fato de que a polícia colocou uma tornozeleira em José Carlos Oliveira, presidente do INSS e ministro do Trabalho e Previdência sob Jair Bolsonaro. Dado o tamanho da imundície no INSS, de que Lula 3 não se ocupou até abril deste ano, quem vai ligar?

    Havia indícios de roubança já sob o governo das trevas de Bolsonaro, ao menos desde 2019; sinal de rolo desde 2016. Em 2024, o Tribunal de Contas apontou o problema de descontos indevidos nos benefícios; a CGU apontou rolo grosso e omissão do INSS. O governo titubeou para demitir Stefanutto; enrolou para tirar Carlos Lupi (PDT) do cargo de ministro da Previdência. Do “estrutural” ao “circunstancial”, o governo foi omisso e incapaz.

    Assim, se roubaram bilhões do povo que recebe benefícios do INSS. Assim se rouba a paciência e o bem-estar de quem é infernizado pelo atraso nos benefícios. Assim aparecem precatórios aos montes, que desorganizam ainda mais o planejamento e as contas públicas. O que sobra agora é fazer mágicas e milagres a fim de evitar danos nas pesquisas. Nem ao menos programa de reforma apareceu. Pode ter mais. Vejam os Correios. E o governo queria a Eletrobras de volta, sem ligar para o risco de ter um “eletrolão” nas costas. Não aprende.

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