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JÁ NO PRIMEIRO ANO, PAULO – COM TODA EXPERIÊNCIA POLICIAL, ELEITO PARA DESCOBRIR E BUSCAR CASOS DE IRREGULARIDADES ADMINISTRATIVAS E CORRUPÇÃO DO PASSADO – PODERÁ TER A SUA PRIMEIRA CPI CONTRA O GOVERNO PELO MESMO SUPOSTO DEFEITO. O VELHO SISTEMA VEM PROVANDO SER MAIS FORTE E O ENQUADRANDO. FOGO AMIGO O ENVOLVE E O ARREMATA IMPRESSIONANTEMENTE CONTRA A SUA PRÓPRIA IMAGEM

Depois de macular o empresário – que nunca  foi político e não tinha nada parecido no seu currículo de décadas de sucesso -, Nelson Mário Küstner, secretário de Desenvolvimento, Renda e Turismo – que pediu para sair por não aguentar a exposição, acusação e pressão -, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, e Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, está preste a deixar na chuva e colar a mesma pecha, na educadora, empresária, ex-vereadora e ex-candidata a prefeito, Andreia Symone Zimmermann Nagel, PL, secretária de Educação (foto acima), a de maior Orçamento no papel e que é superada pela Saúde pelos remanejamentos para atender do saco sem fundo chamado Hospital de Gaspar.

Nelson – assessorado por todo o sistema burocrático e de controle da prefeitura criados na estrutura da prefeitura exatamente para que fatos de que foi acusado não aconteçam – alugou temporariamente um transformador e o instalou cinco dias antes da efetiva licitação pelo vencedor, para suportar um evento na maior festa tradicionalista feita por aqui na Arena Multiuso Francisco Hostins. Esclareci isto em várias notas e artigos. O último em “UMA VIDA NÃO QUESTIONADA NÃO MERECE SER VIVIDA”. “MUITOS ODEIAM A TIRANIA APENAS PARA QUE POSSA ESTABELECER AS SUAS”

Andreia, segundo uma “notícia de fato” que foi levada a todos os 13 vereadores na semana passada, bem escrita, argumentada e colecionada com documentos – ato que bem demonstra o pleno conhecimento técnico e jurídico do autor, ao mesmo tempo deixa claro com a atitude que tomou e priorizou de que confiar na imprensa e nas instituições de fiscalização e apurações como o Ministério Público, Polícia e Tribunal de Contas do Estado. Preferiu a publicidade via a Câmara.

UM PROCEDIMENTO SOB QUESTIONAMENTO

O referido documento mostra que a secretaria de Educação comprou, com supostas irregularidades, uma parte de um terreno, em duas matrículas, da Edifika na Rua São Bento, para a construção de uma “nova” escola na localidade do Gaspar Mirim. E pior do que isso, foram feitos pagamentos antecipados aos que estavam expressamente contratados. O valor era de R$2.279.669,68, divididos em oito parcelas.

A secretária, para os seus, se diz surpreendida, principalmente porque ela alega em seu favor, de que tudo foi feito ouvindo e com o aval dos técnicos e titulares da procuradoria geral do município, secretaria de Planejamento e principalmente da secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, que no caso da liberação dos pagamentos teria dado aval. Além disso, nada teria sido feito sem o conhecimento da chefia de gabinete, de parcela da base na Câmara e do próprio prefeito.

O que pega, sendo uma armadilha ou não? No final, ela é a ordenadora das despesas, mesmo orientada a fazê-la.

O que está claro? Que há erros. O que está claro?Que na contínua falta de transparência, tem gente bisbilhotando com profissionalismo o governo de Paulo e Rodrigo e o governo ainda não se deu conta disso. O que está claro? Que está falhando o compliance. O que está claro? De que estão sendo contrariados interesses políticos, poder e o governo frouxo, demorou para acuar e enquadrar o passado, o qual ganhou corpo para pelo menos empatar o jogo. O que está claro? De quem não está no núcleo de mando interno e externo do governo de Paulo e Rodrigo, está sendo expurgado, e pior, manchado com o propósito de atingir a imagem do policial Paulo. O que está claro? Que o governo, não tem controle sobre o fogo amigo e está enfraquecido, por conta disso, na Câmara.

OS PROBLEMAS TÉCNICOS COMEÇAM NA AVALIAÇÃO TÉCNICA DO TERRENO

O documento levado aos vereadores mostra  problemas nos Estudos Técnicos Preliminares, Análise de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental, bem como à falta da elaboração do Mapa de Riscos e Gestão de Riscos, de Sondagem de Solo e Estudos Geotécnicos.Pior, no decreto de desapropriação assinado por Paulo não foi fixado o valor indenizatório, laudo de  avaliação por técnico habilitado, além do que diz a mesma denúncia, que já havia um outro terreno escolhido para esta escola.

Um parêntesis. Andreia confrontou até remover o engenheiro fiscal do tempo governo anterior, Ricardo Paulo Bernardino Duarte. E na secretaria ele tinha o domínio técnico de todas estas situações. Mudou. E isso tem um preço. Não se protegeu adequadamente.

Como se vê, o próprio a falta de uma equipe qualificada e de confiança está no centro do problema. Isto deixa todos desprotegidos no ambiente técnico e permite vazamentos de pontas mal amarradas pelos que estão lá na secretaria e outras por muitos anos e conhecem muito bem como se amarra, expõem e desamarra estes nós. Sobre as antecipação parcial dos pagamentos, o problema está que este dinheiro ficando no caixa da prefeitura para ser desembolso no tempo aprazada, causou prejuízos na aplicação financeira. 

Como se vê resumidamente, faltam controles, conhecimento, medições do custo benefício das consequências com suas mitigações possíveis. 

Aproveitando esta situação, os antigos donos do poder em Gaspar, estão agindo para demonstrar que os atuais governantes são tão iguais aos anteriores e por isso não possuem legitimidade para posar de vestais. Mais. Estão usando como alvos preferenciais gente com suposta reconhecida idoneidade e com pouco amparo em esquemas políticos para a desmoralização do governo que também não tem esta experiência e jogo de cintura para perceber onde está medido. E o governo, sem liderança, cedendo. E entregando as cabeças técnicas.

UM JOGO POLÍTICO COM CARTAS MARCADAS

E tudo acontece às vésperas do governo de Paulo e Rodrigo remeter à Câmara, uma reforma administrativa bem cara – seja na concepção bem como nos custos para os cofres públicos se aprovada. Ela, entre outras, vai propor reajustes nos vencimentos dos cargos comissionados, e poderá vir com o aumento dos salários dos vereadores para a próxima legislatura, bem como o acerto do guloso PP – José Hilário Melato e Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos – como linha de apoio do governo de Paulo e Rodrigo. Esta fidelidade foi testada ontem na principal votação polêmica de ontem à noite. 

Para abrir uma CPI bastam cinco votos. E eles existem se o governo decida resistir. E será desta vez, contra Paulo e Rodrigo, e não contra Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.

Se não tem nada a esconder, Paulo deveria aceitar a CPI e com autoridade virar a página. 

Ao mesmo tempo, deveria olhar para fora das secretarias de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, bem com a Educação. Deveria olhar para quem ele escolheu para lhe proteger e seus secretários. Foram eles, que nos dois casos falhando, seguidamente, não exatamente contra os secretários, mas contra o próprio governo. Afinal, repito, pela enésima vez aqui, a quem interessa Paulo nas cordas e por quê

Paulo deveria olhar ao mesmo tempo para os bruxos que ele não nomeou, mas que mandam e desmandam no governo. Paulo deveria olhar para o fogo amigo que alimenta tudo isso, inclusive na Câmara. Paulo deveria tomar o partido, o que está ausente de tudo, n~çao exerce a liderança que está obrigado e lhe deixa com o pincel na mão, a toda hora. Ainda voltarei ao tema. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Quem melhor entendeu logo de cara o governo de Paulo Norberto Koerich, PL e Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, foi o educador e ex-vereador Charles Roberto Petry, PL. Convidado e nomeado para a Fundação Municipal de Esportes e Lazer, logo entendeu que seria peça decorativa e exposto.

Pediu, educadamente o boné, publicamente alegando outros assuntos prioritários. Ele sabia, que a FMEL estava prometida a outro e que cedo ou mais tarde, por desgastes e falta de recursos, a sua imagem seria maculada. Agora, assiste tudo de camarote.

Perguntar não ofende: quantos dos primeiro escalão já foram embora no atual governo de Gaspar que não completou sequer um ano de exercício? Sintomático.

A compra de um terreno sem destinação da massa falida da Olymalhas, ainda vai render. Se não sair logo da secretaria, o demissionário Nelson Mário Küstner ainda terá que ir a Câmara dar explicações sobre o caso. 

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19 comentários em “JÁ NO PRIMEIRO ANO, PAULO – COM TODA EXPERIÊNCIA POLICIAL, ELEITO PARA DESCOBRIR E BUSCAR CASOS DE IRREGULARIDADES ADMINISTRATIVAS E CORRUPÇÃO DO PASSADO – PODERÁ TER A SUA PRIMEIRA CPI CONTRA O GOVERNO PELO MESMO SUPOSTO DEFEITO. O VELHO SISTEMA VEM PROVANDO SER MAIS FORTE E O ENQUADRANDO. FOGO AMIGO O ENVOLVE E O ARREMATA IMPRESSIONANTEMENTE CONTRA A SUA PRÓPRIA IMAGEM”

  1. Pingback: VOTAÇÃO DE SIMPLES REQUERIMENTO NA CÂMARA DE GASPAR REVELA A SELADA DEPENDÊNCIA DO PL AO PP, A RUPTURA DO VICE E TESTA VOTOS PARA PASSAR A CARA - NA ELABORAÇÃO E NAS CONSEQUÊNCIAS PARA QUEM NÃO DIZ TER CAIXA - E ATRASADA REFORMA ADMINISTRATIVA - O

  2. Caro Herculano

    Metas, cruzeiro, mil grau?

    Alguém leu algo neste arautos gasparense?

    O mini vereador Pinscher implacável.

    Será q é medo de perder as verbas da prefa e do governador?

    1. Aqui não há verba de ninguém. Mas, este não devia ser o critério, porque não é verba, são migalhas. E por fim, nos tradicionais estão obrigados à notícia e não exatamente à análise os fatos. Neste espaço é sob um ponto de vista (o meu, que pode também não ser o mais apropriado para quem o lê. Simples assim!). E é isto que eu faço, há anos, com décadas olhando a maré, do mesmo ângulo, pois quem muda, de verdade, é a maré, não o local de vigia. Tanto que o Pincher já rosnou muitas vezes. E eu continuo olhando a maré dele também

  3. DIREITA COMPLICA A SI MESMA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    A disputa política em torno do “marco legal do combate ao crime organizado” é a evidência mais recente da falta de direção das correntes políticas de direita. Possuem o que é necessário: o abrangente e candente tema da segurança pública, no qual o governo perde e elas ganham. Mas o necessário é suficiente?

    Em menos de uma semana essas correntes “perderam a mão” depois da euforia causada pelas pesquisas indicando enorme apoio popular à megaoperação contra o CV no Rio. Auxiliadas ainda pela soberba de Lula, que afrontou essa onda.

    Foram ao Congresso dispostas a enfiar goela abaixo do governo seus postulados, seguras de que tinham consenso, votos, a razão e o apoio popular. Terminaram esse primeiro esforço adiando o que diziam ser inadiável, que é a aprovação de vastas alterações em leis.

    A “costura” política no Congresso ficou a cargo de um “técnico”, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, com pouquíssima experiência nesse tipo de operação e confiando num presidente da Câmara que nada controla. O “consórcio” de governadores de direita soa bem no papel, mas foi esse mesmo consórcio que na prática deixou o relator articulador falando sozinho.

    A questão evidentemente é de liderança, coordenação e inteligência tática. O contingente eleitoral associado a Bolsonaro projeta uma sombra paralisante. Os possíveis nomes da direita assumem como ponto pacífico que não conseguiriam seguir adiante sem ele, mas também não conseguem ir com ele. Como líder político, Bolsonaro está sendo apenas Bolsonaro: indeciso, sem estratégia, focado apenas em si mesmo.

    Assim, vão se sucedendo as “oportunidades perdidas” nas quais figuras de potencial projeção na direita surgem como hesitantes (é ou não é candidato?), equivocadas nas reações (caso do tarifaço) e com dúbia sabedoria política em táticas como apoiar PEC da blindagem, projetos de anistia e, agora, um “marco legal” em cima de um texto mal preparado e articulação política idem. Começam a criar um vazio político, em vez de ocupar o espaço.

    Apesar dos presentes políticos dados pela oposição, Lula experimenta enormes dificuldades em parecer “estadista” e enterrou qualquer pretensão de formar uma coligação ampla não só para ganhar as eleições, mas, principalmente, para governar depois. Os mais recentes levantamentos reiteram barreiras estruturais profundamente preocupantes para seu projeto de permanecer no poder (e exercê-lo).

    Mesmo assim, permanece altamente competitivo em termos eleitorais, não só em função das ferramentas clássicas de quem está no poder (a capacidade de praticar bondades à custa do erário e premiar aliados políticos). Em boa parte, é em função de seus adversários.

  4. O crime já está organizado. A sociedade a que está refém e sendo castigada, por seus representantes, que quer o combate contra a crueldade, riqueza e tomada de territórios dos faccionados, desorganizada

    MUITA LAMBANÇA, POUCA SUBSTÂNCIA, por Malu Gaspar, no jornal O Globo

    A saga de Guilherme Derrite (PP-SP) e suas diferentes versões do relatório para o marco legal da segurança pública na Câmara dos Deputados serve bem como parábola do jeito brasileiro de lidar com problemas complexos. Diante de uma crise, logo surge uma nova lei criada às pressas como se fosse a solução mágica que faltava. A partir daí, todo o debate sobre o que realmente importa fica em segundo plano, quando não interditado.

    Desde que a operação da polícia do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) escancarou o fosso em que nos encontramos no combate ao crime organizado, estamos presos nessa espiral. O açodamento e o tumulto em torno de cada versão do texto só azedaram ainda mais o ambiente.

    Aflito para mostrar liderança e alguma realização que melhore a imagem da Câmara pós-PEC da Blindagem, seu presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que aprovaria quanto antes uma proposta para atacar as organizações criminosas.

    O governo Lula, que cozinhou em banho-maria por meses a PEC da Segurança Pública, enviou finalmente o texto ao Congresso. E a oposição, que há tempos busca uma forma de se pendurar em Donald Trump, pôs na roda seu Projeto de Lei que transforma facções criminosas e milícias em terrorismo.

    Ao escolher como relator o secretário de Segurança Pública de São Paulo e figurinha carimbada do bolsonarismo, Motta tentou pegar carona no amplo apoio popular à operação mais letal da história do Rio.

    Em duas horas, Derrite já havia protocolado um projeto completo, com justificativa e modificações que, além de igualar o crime organizado ao terrorismo, também tiravam toda a autonomia da PF. Mas nenhum deles contava com a forte reação do governo, do Senado Federal, do Supremo Tribunal Federal (STF) e até da própria direita, incluindo os governadores que perceberam o tamanho da confusão que a nova lei provocaria.

    Ficou claro que, no afã de produzir uma proposta de impacto, nenhum dos envolvidos avaliou a sério as consequências. Não pensaram que tirar da PF a capacidade investigativa deixaria ainda mais vulneráveis várias regiões do país onde a polícia estadual não tem recursos, inteligência ou mesmo idoneidade para atuar.

    Impediria, ainda, qualquer apuração sobre a infiltração do crime na política — como a que mostrou que um ex-deputado estadual, um secretário e um ex-subsecretário do governo Cláudio Castro (PL) andaram negociando “cobertura política” com um integrante do CV.

    A solução foi recuar até não sobrar quase nada do texto inicial. Ainda assim, o substitutivo de Derrite continua provocando mais incerteza que alento. Ao endurecer as penas e dificultar a progressão de regime, a lei deverá aumentar a quantidade de presos, mas até agora não se tem ideia do impacto sobre a lotação e os custos de manutenção do sistema prisional.

    A lei também determina que os líderes de facções criminosas sejam enviados a penitenciárias federais — isso já é possível, tanto que sete chefões do CV do Rio foram transferidos nesta quarta-feira para a prisão de segurança máxima de Catanduvas (PR).

    Mas, ao não discriminar que tipo de líder deve ser transferido nem a quem caberá a definição, abre-se a possibilidade de os estados passarem a enquadrar como líderes os presos de que queiram se livrar e acabarem superlotando também o sistema federal.

    A sensação de improviso só aumenta quando se observa que há iniciativas funcionando dentro do Brasil mesmo, sem que se tenha alterado nenhuma lei nem criado uma guerra de narrativas.

    No Rio Grande do Sul, quando se constata que a ordem para um determinado homicídio partiu de um líder de facção, o executor, os mandantes e as lideranças são enviados para um presídio estadual tão ou mais restrito que os federais, onde são acompanhados de perto. Se já estiverem presos, recebem novas punições.

    Bastidor: O climão no governo Lula com proposta para reagir à operação no Rio

    Leia também: O cronograma das operações de Castro contra o Comando Vermelho no Rio

    Do lado de fora, imediatamente se aciona uma operação para “saturar” de policiais a região mais lucrativa para os criminosos, ao mesmo tempo que começa uma ofensiva para fechar os canais de lavagem de dinheiro ainda existentes.

    Batizado “Dissuasão Focada”, o programa tem vara judicial exclusiva e é tocado por um grupo de que participam policiais civis, militares, agentes penais, promotores e juízes que de fato compartilham toda a informação disponível. Ajudou a reduzir pela metade a taxa de homicídios desde 2017.

    É apenas um exemplo, entre muitos, a provar que as soluções são conhecidas e não dependem de invenções mirabolantes, e sim de visão de longo prazo, da integração entre autoridades de segurança pública e da vontade real de combater o crime. Tudo o que não se viu até agora em Brasília.

  5. POLITIZAÇÃO NÃO PODE PREJUDICAR COMBATE A FACÇÕES, editorial do jornal O Globo

    Não resta dúvida de que o Projeto de Lei (PL) Antifacção que tramita no Congresso é vital para a sociedade brasileira. Por isso tem sido lamentável e deletéria a politização que cerca a proposta, com oposição e governo medindo forças em busca de dividendos eleitorais. Nem todas as desavenças foram superadas, mas é essencial que sejam.

    A tramitação começou mal, quando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), escolheu para relatar o projeto o deputado linha-dura Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Segurança licenciado de São Paulo. Era previsível que a escolha acirrasse os ânimos. As primeiras versões propostas por Derrite continham equívocos, como a tentativa de equiparar facções criminosas a grupos terroristas e de engessar a autonomia da Polícia Federal (PF). A reação do Planalto foi descabida. Representantes do Executivo cogitaram até recorrer ao Supremo. Governo e oposição se esgrimiam para as respectivas claques nas redes sociais, esquecendo que o inimigo é outro. Motta e Derrite apresentaram uma versão corrigindo as principais distorções, mais próxima da proposta original, mas o Planalto continuou insatisfeito.

    No geral, o PL preserva autonomia e atribuições da PF, não altera a Lei Antiterrorismo, não equipara facções a grupos terroristas, aumenta penas para crimes cometidos por organizações criminosas e unifica bancos de dados estaduais e nacionais. Tudo isso representa avanço. Para o governo, porém, havia sobreposição com outras leis; corte de recursos da PF e problemas no confisco de bens. Derrite apresentou outra versão do texto tentando levar isso em conta— e a votação foi adiada.

    É imperativo adaptar a legislação a uma realidade aterradora, em que o crime organizado se expande pelo território nacional com poderio bélico e sofisticação militar crescentes. Pelo menos 64 facções atuam no Brasil. Dados da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) mostram que três delas têm abrangência nacional e 31 afetam a segurança de um estado inteiro.

    A lei em vigor não oferece ao Estado os instrumentos adequados para combater tais grupos com eficácia. É preciso integrar e alinhar todas as forças de segurança no combate ao crime organizado; usar inteligência e capacidade de investigação para asfixiar financeiramente as quadrilhas; reprimir a lavagem de dinheiro e a infiltração no mercado formal; garantir bloqueio e confisco ágeis dos bens obtidos com o crime e revertê-los aos cofres do Estado; retomar os territórios ocupados pelas facções com ação em conjunto das forças da lei; e lá assegurar policiamento e a prestação contínua de serviços públicos como escolas, centros esportivos e culturais, bancos ou correios.

    Diante dessa realidade, é uma lástima que projeto de tamanha importância para o Brasil tenha provocado tanta celeuma, servindo de ringue para oposição e governo travarem disputas com vista a 2026. Espera-se que doravante o interesse da sociedade não fique em segundo plano. A lei contra facções deve ser encarada como projeto de Estado, e não como trampolim para disputas eleitoreiras. As propostas precisam ser discutidas do ponto de vista técnico, sem contaminação ideológica. Não é tão difícil obter consenso nessa área prioritária, hoje maior preocupação dos brasileiros. Congresso e governo têm uma oportunidade ímpar de dar uma contribuição inestimável ao Brasil. Não podem desperdiçá-la.

  6. Interessante
    800 mil reais pagos antecipadamente com uma aplicação mínima de 100% CDI
    Oportunizam ao empresário um lucro de 40 mil reais…

    Erro ou culpa da secretaria?

    Única certeza este dinheiro deveria estar na conta da prefeitura…

    Este povo não era modelo de competência e honestidade?

  7. Antonio Carlos Dalsochio

    Aquele que os ‘conservadores’ Gasparenses escolheram/elegeram para prender aqueles que causaram mal uso do dinheiro público e supostas corrupções na gestão anterior, trilha pelo mesmo caminho?
    Estamos no mato sem cachorro, como dizia os mais antigos…

    1. Vão culpar a gestão anterior, criar cortinas de fumaça. Esta história precisa morrer, quem negociou a compra do terreno foram os dois prefeitos o de fato é o de direito…

      1. Não há aposta. Tem trabalho bem articulado dentro da prefeitura contra a Andreia. É só olhar quem armou e se saiu bem no caso do Nelson Mário Küstner. O PP companheiro de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e os sem empregos de Mário Hildebrandt, PL, de Blumenau, candidato a deputado estadual, precisam de empregos em Gaspar.

  8. Gostaria de saber como uma pessoa que fica pulando de Prefeitura em Prefeitura sempre no primeiro escalão e cheia de dividas na Prefeitura da sua cidade, Gaspar pega pra trabalhar.

    1. Os conceitos mudaram muito. Pular de emprego em emprego, hoje em pode revelar maturidade, aquisição de múltiplas experiências e capacidade de resolução. Em alguns casos, problemas. Mas, como em Gaspar as escolhas são criteriosamente técnica pelo corpo político e o de bruxos de técnicos que suportam o governo, mas não respondem por ele…

  9. Enquanto isso, pode-se dizer que o “novo” vereador Giovano Borges está incorfomado com as últimas decisões do atual governo. “Novo” vereador pois não se parece o Giovano dos 8 anos do governo Kleber, inclusive seu ex-assessor João e ex colega de partido, estava em um cargo comissionado na imprensa/gabinete, e agora nomeado para assessoria da vereadora Alyne. A cobra vai fumar, ou será que já esta fumando?????? Até quando terá pulmão?????

    1. Isto demonstra e reforça duas coisas que a cidade inteira sabe, fala-se no escurinho e nos aplicativos de mensagens: o fogo amigo corre solto e já é uma marca da direita e do bolsonarismo nacional, estadual e local, bem com o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, está mal acompanhado, principalmente de quem apita de fora sem ter o ônus que os secretários levados a erro pela sua própria equipe estão tendo e sangrando em praça pública. Quem está sangrando, se Paulo não percebeu, é ele próprio.

  10. O GOLPE DO VOTO DISTRITAL, por Elio Gaspari, nos jornais Globo e Folha de S. Paulo

    O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu articular, com o apoio do Centrão, a adoção do modelo de voto distrital misto a partir da eleição de 2030. Ele traria a vantagem de barrar candidatos ligados a organizações criminosas.

    Trata-se de uma patranha. O voto distrital, simples ou misto, teria a mesma influência que os anéis de Saturno para conter o avanço do crime organizado na política. O que ele pretende, na proposta atual, é eleger candidatos sem voto, patrocinados pelas caciquias partidárias ou por quem quer que seja.

    O professor Delfim Netto ensinava que aquilo que não foi conseguido na vigência do Ato Institucional nº 5 (1968-1978) jamais acontecerá. Por exemplo, a cobrança de anuidades nas universidades públicas ou o voto distrital. Ele ronda a política há mais de meio século.

    À primeira vista, essa modalidade de voto aproxima os eleitos de seus eleitores. Ele divide os estados em distritos, e cada um deles elege um deputado. Beleza, o sistema funciona na Inglaterra e nos Estados Unidos, mas fica uma pergunta: quem desenhará os distritos? Tomando o mapa eleitoral do Rio, pode-se criar um distrito em que a Rocinha seria engolida pela Barra da Tijuca. Com outro desenho, a Barra seria engolida pelo eleitorado da Cidade de Deus.

    Essa é a dificuldade do voto distrital simples, como o americano. Mas o pessoal do Centrão quer um sistema misto em que surge a figura da lista fechada, elegendo parte da bancada a partir de escolhas feitas pelas caciquias.

    Se o crime organizado consegue se infiltrar no sistema atual, salta aos olhos que sua vida será facilitada com a novidade. A questão da segurança pública virou um terreno baldio onde jogam-se ideias malucas. Afinal, quando se chama uma matança de “megaoperação”, tudo pode acontecer.

    O voto distrital simples é coisa séria e merece ser discutido. O modelo misto carrega perigosas vulnerabilidades, pois com as listas seriam eleitos candidatos sem voto. Na teoria, elas elegeriam personalidades que têm muito valor e pouco voto. Na prática, poderão eleger consiglieri de facções criminosas, sem valor nem voto.

    Hoje, os senadores têm suplentes, muitas vezes escolhidos entre os financiadores de campanhas. Em julho passado, o empresário Breno Barbosa Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), sofreu o constrangimento de ver-se envolvido numa investigação da Polícia Federal. Em 2018 foi preso o empresário Joel Malucelli, ex-suplente do senador Alvaro Dias. Se a farra das suplências ensinou alguma coisa, serviu para expor o perigo de eleger quem assina cheques.

    O projeto que cria o sistema distrital misto foi aprovado no Senado em 2017 e dorme desde então numa comissão da Câmara. Trata-se de acordá-lo, pautando-o para uma eventual aprovação. Tudo no escurinho de Brasília, com o poder de fogo do Centrão.

    O projeto aprovado em 2017 teve autoria do então senador José Serra. Candidato a deputado na eleição de 2022, ele obteve 89 mil votos, mas não se elegeu.

  11. O PERIGO DO JORNALISMO MILITANTE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O escândalo que derrubou o diretor-geral da BBC (British Broadcasting Corporation), Tim Davie, foi mais que um tropeço editorial. A emissora manipulou falas do presidente americano, Donald Trump, num documentário para fazê-las parecer um apelo direto à violência. O episódio somou-se à revelação de que um programa sobre a guerra em Gaza fora narrado, sem aviso ao público, pelo filho de um ministro do Hamas. A BBC, criada há mais de um século para ser sinônimo de imparcialidade, violou a sua razão de ser: a credibilidade. O erro, grave em qualquer redação, é duas vezes pior em uma custeada pelos cidadãos. Quando uma emissora pública mente, o cidadão paga em dobro – com a confiança e com o bolso. E quando a mentira vem de quem se proclama modelo de excelência, ela contamina todo o ecossistema informativo.

    O memorando interno do ex-conselheiro editorial da BBC Michael Prescott, divulgado pelo jornal inglês The Telegraph, expôs a anatomia do vício: uma cultura de resistência à crítica, de autocensura e vetos condicionados a tabus progressistas sobre gênero ou raça. A redação tomou o partido da virtude e esqueceu o dever da verdade. A neutralidade é vista como omissão, e a objetividade, como conformismo. A reportagem virou proselitismo. A pauta ambiental virou cruzada, a economia é narrada como denúncia e o noticiário internacional opera sob a convicção de que o Ocidente é sempre o culpado. Da cobertura de Gaza ao aquecimento global, a BBC já não descreve o mundo – evangeliza o público.

    Seria reconfortante tratar o episódio como desvio isolado. Mas ele só expõe, em escala nacional, um tumor que vem degenerando o jornalismo no Ocidente. Redações se notabilizam cada vez mais como trincheiras morais onde alguns repórteres atuam como militantes e editores, como curadores da pureza ideológica. O resultado é um jornalismo menos interessado em compreender o mundo e mais empenhado em doutriná-lo. Em amplas camadas, o jornalismo deixou de ser uma busca compartilhada da verdade para se tornar uma catequese da tribo ilustrada.

    Há veículos grosseiramente enviesados à direita. Mas a assimetria é gritante. A hegemonia progressista nas redações se disfarça de consciência coletiva. Segundo pesquisa do Reuters Institute, no Reino Unido 77% dos jornalistas se identificam como de esquerda e apenas 11% de direita. No Brasil, segundo pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina, a desproporção é ainda maior: 80,7% à esquerda, ante 4% à direita. Um levantamento da The Economist revelou que 17 dos 20 principais veículos dos EUA mimetizam predominantemente o vocabulário do Partido Democrata. A nova ortodoxia editorial não é imposta por governos, é cultivada nas redações.

    Quando a imprensa se imagina consciência moral da sociedade, deixa de ser seu espelho e age como seu juiz. Ao invés de serem cronistas do real, muitos jornalistas tornaram-se missionários de suas idealizações. E quanto mais pregam, menos convencem. Em todo o Ocidente, cresce o abismo entre elites midiáticas e público. Uma democracia sem uma imprensa confiável é um corpo sem sistema nervoso. Se a sociedade não confia no jornalismo, torna-se incapaz de distinguir verdade de ruído, informação de propaganda.

    Dia após dia, o jornalismo profissional é desafiado a manter seu papel de guardião da verdade factual em meio à torrente de distorções que capturam a atenção no mundo inteiro. Com seu exemplo de antijornalismo, a BBC ajudou a minar a confiança na imprensa, tal como desejam os inimigos das sociedades abertas.

    Para recuperar a confiança e cumprir sua missão, o jornalismo precisa de humildade – isto é, precisa voltar a duvidar de si mesmo, e não apenas dos outros. A tarefa da imprensa independente não é salvar o mundo, é apenas descrevê-lo com honestidade. A verdade não pertence a um partido nem a uma causa, pertence ao público. E o jornalismo só o serve enquanto se lembra disso. Porque uma imprensa livre não se degrada quando é atacada por governos, mas quando blinda suas próprias certezas. Não morre quando é silenciada, mas quando deixa de escutar.

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