Texto do TRAPICHE revisado, alterado e ampliado, incluindo as fotos às 8h13min deste 08.11.2025. Eu poderia, nesta sexta-feira, ser repetitivo e comentar desta vez, como a CPI do Capim Seco da Câmara de Gaspar, além de gastar mais dinheiro grosso dos cidadãos e cidadãs gasparenses, só chegou aonde chegou as apurações policiais de gente especializada em corrupção em Blumenau há mais de um ano. E ainda não deu em nada contra os envolvidos, desde sempre.
Eu poderia comentar de que o que se levantou nesta CPI e deu publicidade para ganhos eleitorais a alguns políticos e prejuízos a outros, há grandes chances disso tudo não dar nada para buscar – o que seria natural e o mínimo para a sociedade que bancou tudo isso – os supostamente desviados R$20 milhões dos R$25 milhões do contrato e realmente era devido à Ecosystem. E por que?
A CPI não se rastreou – e por isso não ofereceu caminhos, fatos, documentos e indícios a própria Polícia, Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado e a Justiça – o dinheiro equem ficou com esta montanha de dinheiro.
No relatório da CPI, como mostrei em NUM CONTRATO DE R$25 MILHÕES DA ROÇADA, PELO MENOS R$20 MILHÕES NO GOVERNO KLEBER, DOCUMENTA A CPI DA CÂMARA E QUE DÁ NOMES, FORAM DEVIADOS. A POLÍCIA E O MINISTÉRIO PÚBLICO SABIAM DISSO DESDE 2022. POR MUITO MENOS, PREFEITOS, SERVIDORES, INTERMEDIÁRIOS E EMPRESÁRIOS FORAM INDICIADOS, PRESOS E PERDERAM MANDATOS EM VÁRIOS MUNICÍPIOS, EM OPERAÇÕES QUE GANHARAM MANCHETES ESTADUAL escondeu-se até gente grande que já não estava na apuração policial. Alegação: faltou quem os denunciasse nos depoimentos. Ignorou-se fatos e documentos.
Não vou escrever hoje – mas, em outro artigo – sobre o que os cidadãos e cidadãs que perderam o medo e já estão se expressando nas redes sociais e aplicativos de mensagens, majoritariamente, de que tudo isso, bem armado, caminha para a culpa de bagrinhos se a coisa apertar de verdade.
É gente que, notoriamente, nem possui patrimônio e dinheiro aparentes; aparentemente também, não enriqueceram nas funções que lhes foram dados como empregos de favores eleitorais, por falta de capacidade ou oportunidade melhor.
Essa gente bagrinha, dependente de empregos merrecas, nem podia – se quisesse ou tivesse capacidade – nem fiscalizar, nem denunciar e nem esclarecer, como ficou patente dos seus depoimentos.
E por quê? Ora, se o próprio controlador geral, Ernesto Hostin, como provou a CPI, que quando quis por cumprir o seu papel funcional foi calado, ameaçado, constrangido, anulado e está com medo pela vida dele, imagina estes bagrinhos que vão se tornar, em nome dos peixes grandes que os empregou em locais estratégicos, tornarem-se os principais culpados.
ITAJAÍ FARÁ SEU CONTORNO. EMPRESÁRIOS BANCAM O PROJETO
Retomo ao tema do artigo de hoje. Trata de um exemplo que nos negamos a replicá-lo, exemplo que fez Santa Catarina ser diferente dos demais estados até aqui. Há milhares e por séculos. E do nosso lado
Vou escrever, sobre uma iniciativa – não tão ousada, mas fora da curva por buscar resultados fora da curva em ambiente político-administrativo – de um prefeito, unido a empresários com iniciativas e visão; um prefeito que não se amarra e espera pela burocracia torná-lo um gestor fraco e refém cotidianamente das desculpas esfarrapadas de que, não há dinheiro em caixa e de que os trâmites legais o faz ser um tartaruga.
Antes é preciso sonhar. Depois ousar. E então liderar, ter crédito e agir.
Em Itajaí, o prefeito Robison José Coelho, PL, (eleito com 50,66% dos votos válidos entre quatro candidatos, o de Gaspar, Paulo Noberto Koerich, PL, teve 52,88% entre cinco candidatos) na Amfri – Associação de Municípios da Foz do Rio Itajaí – recebeu do “Instituto Mais Itajaí”, hoje presidido pelo empresário da construção civil (Lotisa), Fábio Imturn (na foto de abertura do artigo, ele está ao centro com o prefeito com o documento compromisso) a promessa de que por inciativa de um instituto com mais de 60 empresários, pluripartidários, fará o projeto do Contorno Oeste. Uau!
Este Contorno ligará as rodovias estaduais Antônio Heil (que vem de Brusque para Itajaí) e a Jorge Lacerda (que vem de Ilhota). Quem vai bancar isto? O Instituto Mais Itajaí ao preço de R$3 milhões e promete entregá-lo em seis meses para o poder público, para ele aí sim, bucar recursos e executá-lo? É a Prosul. Uau, mais uma vez!
A DIFERENÇA ENTRE A ESPERA E A INICIATIVA
Entenderam a diferença na busca de resultados reais para o desenvolvimento de uma cidade e uma região diante de dificuldades para superar realidades cada vez mais complicada pelo crescimento que exigem ações comuns da sociedade (privado e público) para superá-las?
Entenderam o que é olhar o futuro, olhando o presente e se ter um projeto de cidade e não apenas de governo, partido ou prefeito?
Entenderam como a sociedade organizada, com alguns setores bem “nutridos” ao invés de chupinhar o poder público para se dar bem, algumas vezes, diante das dificuldades legislativas e normativas vigentes, pode ajudar o poder público a criar soluções e superar o tempo da burocracia? Quem ganha com esta ação cidadã? Todos.
Este estudo e projeto se fosse licitado pela prefeitura de Itajaí, além de possivelmente bem mais caro, levaria no mínimo, e aceleradamente, dois anos. Pela promessa do Instituto Mais Itajaí, os itajaienses – e os cofres da prefeitura – não gastarão nada. E os dois anos serão reduzidos à seis meses. Uau! Ganha-se tempo para levar este projeto à burocracia para licitá-lo e executá-lo em benefício da cidade.
Quando a Via Mar que se projeta eleitoralmente – mas, outra necessidade logística de longo curso real e urgente – no governo de Jorginho Melo, PL, sair do papel, o Contorno Oeste já poderá até já estar pronto, inclusive para ser interligado a Via Mar.
CHORAMINGANDO EM VÍDEOS SEM ALMA NUMA ALDEIA ISOLADA
Por que este Contorno Oeste é importante para Itajaí e muito mais, para quem circula no litoral?
A BR-101 e suas marginais estão estranguladas. Os portos (Itajaí e Navegantes) e os armazéns de suporte – fontes de rendas relevantes para o município, incluindo empregos e geração de tributos – que estão no entorno da BR 101, Antônio Heil e Jorge Lacerda, estão cada vez mais comprometidos. Isto sem falar de que haverá expansão da ocupação imobiliária por onde se abrirá o Contorno (valorização imobiliária, mais IPTU, mais ITBI e possivelmente mais ISS.
Gaspar – a tal Capital Nacional da Moda Infantil que nenhum passante tem acesso – já possui, um “Instituto Mais Gaspar”, ligado núcleo da Construção e Engenharia Civil da Ampe – Associação das Médias e Pequenas Empresas de Gaspar e Ilhota, que se reúne sempre as primeiras quarta-feira de cada mês. E ele foi criado para ficar de olho na revisão do Plano Diretor e que ali, nada saia do controle do grupo.
Retomando.
Se houver, como já houve, um colapso da Rua Anfilóquio Nunes Pires (antiga Jorge Lacerda) no bairro Figueira, Gaspar não fica isolada por causa da BR-470, mas a região desorganizada e comprometida, como já ficou. Nem vou mencionar o tal Contorno de Gaspar. Um sonho. Uma promessa. Virou um pesadelo
Aquele binário na Rua Nereu Ramos, defronte a Círculo e o Tupi, é algo que compromete a circulação de longo curso. Frequentemente se vê caminhões longos, devido as múltiplas curvas fechadas, na contramão.
Sobre a rota alternativa com Blumenau, Gabiruba e Brusque via o Gaspar Grande e Garuba, nem um pio. O trevo da Parolli, da Policlínica, do Supermercado Koch e do pasto do Jacaré, são milagres não se terem mais acidentes, inclusive no acesso a ponte do Vale pela Francisco Mastella. Isto sem falar que a milionária interligação (R$12 milhões há três anos) de menos de um quilômetro está comprometida e a Frei Godofredo, no trecho municipalizado, uma buraqueira só.
Como se vê, o tal “Instituto Mais Gaspar” está desafiado a se estabelecer mais em soluções da realidade do que ficar apenas de olho na “atualização” do defasado Plano Diretor para que ele não contrarie os interesses dos poderosos de plantão e ainda traga prejuízos para os críticos daquilo que será enfiado goela abaixo nas audiências públicas.
Por quê? A prática e a realidade não mudaram. Elas estão bem distante, por exemplo, daquilo que acaba de fazer o “Instituto Mais Itajaí”.
Enquanto isso, os políticos daqui, olhando votos e não exatamente a cidade, e está nas redes sociais como ganhos, estão ciceroneando os empresários a todas as instâncias de poder administrativo para arrumar jeitinhos naquilo que eles – com aval do poder público, diga-se – fizeram contra a legislação ambiental para ter mais sucesso e lucro em seus empreendimentos, ou investimentos imobiliários. E de coisa que já está julgada na Justiça.
Alheio a tudo isso que leva à transformação de Gaspar e a integra num círculo de desenvolvimento regional, o prefeito Paulo, correndo contra o sucesso de outros prefeitos e vai à rede social, com o secretário da Saúde, sintomaticamente mudo, dizer que os médicos dos postinhos de saúde daqui, estão emitindo atestado de afastamento do trabalho de modo responsável. E perguntar, não ofende? Deveria ser diferente? É preciso isto? Quem mesmo o orienta? Mesmo assim, há empregadores reclamando do farto emprego desses atestados.
Enquanto a preocupação do governo for minudências, a Gaspar integrada ao que avança no Vale Europeu como em Brusque, Blumenau, Timbó e Indaial é um discurso de campanha eleitoral cada vez mais distante. Ele está seriamente comprometido. E se agrava. Itajaí, o prefeito de lá, os empresários de lá, o Instituto Mais Itajaí acabam de nos ensacar no exemplo e iniciativa de resultados práticos para a sociedade como um todo e o futuro de Itajaí. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
O prefeito de Gaspar, Paulo Norberto Koerich, PL, continua na prática dele de bloquear quem expõe ponto diverso, críticas ou sugestões e todas, com polidez. Isto não é normal e diz muito sobre ele, a área de comunicação, os influenciadores externos. É avestruz que o corpo todo exposto, mas com a cabeça enterrada na areia se achando protegida.
A função de prefeito é pública. O prefeito é, por isto, um ente exposto. Há os que pensam diferente. Há, há também os que não conseguem enxergar virtudes. Há, os que na crítica, querem ajudá-lo, pois foram eleitores dele. E ele está fechado a todos. O prefeito não deveria usar as redes sociais se não a quer como uma via de mão dupla.
Muitos de cabelo em pé. A ex-vereadora, ex-secretária da Saúde, ex-candidata a prefeita, Teresa da Trindade, com passagens pelo PT, PP e hoje no PL, lotada na Policlínica, está vestida de futura secretária da Saúde. Esta é a nota.
Não importa se é filho de rico ou de pobre. O município não pode negar a vaga de creche. Tem que cumprir o Estatuto da Criança e Adolescência. Foi isso que o Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu numa apelação sobre uma vaga creche negada aqui em Gaspar. Mandou abrir uma vaga em meio-período e dar ônibus para a criança chegar a creche, se a creche não for a mais próxima da residência da criança.
Está cada vez mais complicada a vida no secretário de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo de Gaspar, o empresário Nelson Mário Küstner. Ontem, na Câmara, ouvido na Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização, por iniciativa do vereador Giovano Borges, PSD, que dizia estar sendo enrolado nas respostas dos seus requerimentos, trouxe a Comissão presidida pelo mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP.
Enrola daqui, explica de lá, tanto que há muita documentação complementar para ser enviada, conforme de acordou durante a audiência, pela voz dos assessores técnicos, o secretário Nelson Mário Küstner caiu numa armadilha fatal diante de uma simples de Giovano Borges, PSD: “quando foi instalado o transformador na Arena Multiuso [ Francisco Hostins]?”, perguntou o vereador Giovano Borges, PSD. “Dia 15 de maio deste ano“.
Pronto. Diante desta respostas, os demais documentos serão secundários e só poderão agravar. E por isso, experimentado Giovano Borges, PSD, ficou em silêncio. Por quê? A licitação do referido transformador só ocorreu no dia 20 de maio deste ano, quando ele já estava instalado e funcionando na Arena Multiuso. E quem ganhou a licitação? A empresa que já tinha instalado. É de se perguntar, o que mesmo mudou de um governo para o outro? Pelo menos agora, os vereadores estão mais atentos. Até porque o atual prometeu caçar as bruxas. Mas, pelo jeito, elas estão soltas e voando.
Este assunto, coloca no olho do furacão, o chefe de gabinete Pedro Inácio Bornhausen, PP, que já foi chefe de gabinete de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e que acaba de sair completamente chamuscado na CPI do Capim Seco. Perguntar, não ofende: isto não ia mudar? A gravação da reunião da Comissão já está disponibilizada no site da Câmara. https://youtu.be/RMPU4I–n50

O silêncio dos bolsonaristas de Gaspar. Eles estão olhando a maré para surfar a melhor onda, diante do ciclone extra-tropical que se formou com a imposição do vereador carioca zero, Carlos Bolsonaro (foto ao lado com o pai Jair), ao senado por Santa Catarina. Paulo Norberto Koerich, PL, está quieto. Outros bolsonaristas radicais, também.
A verdade. Jair Messias Bolsonaro, PL, quando presidente da República deixou à míngua Santa Catarina. Gostava de vir passear aqui e isto é fato amplamente registrado.
Quanto aos números, é só olhar o Portal Transparência do Governo Federal e comparar os investimentos com outros governos que adianto, a bem da verdade, sempre foram carrascos no retorno da montanha de impostos que enviamos para Brasília.
Outra observação: não valem quando “pescarem” números no Portal as transferências constitucionais obrigatórias, como já fez malandramente para engabelar os incautos, o PT. Carlos Moisés da Silva (o Comandante Moisés), eleito na onda Bolsonaro pelo PSL, por não se ajoelhar, foi taxado de traíra – e isto é uma recorrência doentia do bolsonarismo – e os catarinenses sofreram por conta disso. Esta semana esta palavra traição foi a mais usada aos que querem debater esta situação dentro de Santa Catarina e do PL catarinense com os barões de Bolsonaro.
Mas, se não fosse Carlos Moisés da Silva, hoje sem partido, e que esteve exilado no Republicanos (o prefeito de Gaspar Paulo Norberto Koerich, PL, participou de quase todo o governo dele), as rodovias federais estariam piores do que estão hoje. A nossa economia estaria pior posicionada do que está hoje Carlos Moisés, corajosamente, por exemplo, colocou R$450 milhões dos catarinenses nelas, com aprovação da Assembleia, inclusive na duplicação da nossa BR-470. Se não fosse isso, e o governo Federal não quer devolver este investimento catarinense, o colapso logístico e de mobilidade, seria inimaginável nos dias de hoje com a BR-101 e as marginais congestionadas todos os dias.
Os erros estratégicos, o autoritarismo, o negacionismo e as armações ilimitadas de vinganças, muitas delas, unicamente para a proteção familiar, levaram Jair Messias Bolsonaro, PL, perder uma reeleição que ele tinha nas mãos. A prova disso foi o crescimento do PL no Congresso e nos estados. A humilhação que ele e a família impôs ao seu ministro Sérgio Moro, apenas para salvar a pele de seu filho Flávio, senador pelo Rio de Janeiro, diz muito e já está em livros de história. Bolsonaro acabou com a Lava Jato. E abriu o caminho para as bilionárias Emendas parlamentares que hoje amarram o governo central e são portas abertas para a mais descarada corrupção por todos os cantos do país.

Está certa, não apenas pela coragem, mas porque este debate se faz necessário, a deputada estadual itajaiense, Ana Caroline Campagnolo, PL (foto ao lado), dar a cara ao tapa e abrir o debate. E está apanhando como poucos do seu próprio partido. Está sendo discriminada e desqualificada, vejam só, por ter alçado a política por ser uma simples professora, como a acusou em plenário o carioca senador por Santa Catarina, Jorge Seif Júnior, PL, inventado por Jair Messias Bolsonaro, PL.
Em outro recado direto, mas perigoso porque pode ser lido de que o julgamento do STF está certo, o deputado Federal paulista Eduardo Bolsonaro, PL, autoexilado nos Estados Unidos onde trama contra o Brasil e os brasileiros para salvar a pele da família, diz que todos devem seguir as ordens do “comandante”, numa reprimenda aos questionamentos de parte do PL catarinense e vocalizado pela coragem de Ana Caroline Campagnolo. Na verdade, a campanha bolsonarista de impor a família e os seus para garimpar votos caixão dos catarinenses conservadores, está atingindo o coração da reeleição de Jorginho Melo, PL. Ele precisa de outros conservadores e centristas para algo que aparentemente não será tão fácil assim.
Voltando. Os Bolsonaros querem o vereador carioca zero Carlos Bolsonaro, PL, candidato a senador por Santa Catarina. Nem vou entrar na confusão partidária arrumada por aqui e parcialmente relatada acima, que ferveu durante toda a semana e de repercussão nacional. Vou aos exemplos que já temos. O então presidente Jair Messias Bolsonaro, PL, queria o carioca Jorge Seif Júnior, PL, senador. Era de confiança dele. E teve. Mas, de fato o que Jorge fez por Santa Catarina? Esta semana, caiu de pau nos próprios bolsonaristas catarinenses que querem, ao menos discutir esta esdrúxula ideia intervencionista. Foi radical. Estúpido. Incoerente. Misógino. O desespero autoritário da sua fala se tornou um alerta e um tiro n’água.
Jair Messias Bolsonaro, PL, e os bolsonaristas queriam que o filho Jair Renan entrasse na política. E ele se tornou um irrelevante vereador em Balneário Camboriú. Agora, Jair Renan quer voltar a morar em Brasília no seio da família, mas empregado pelos catarinenses. E os seus planos é ser um dos 16 deputados Federais “catarinenses”. Desperdício de uma vaga. Até porque, pela Constituição, Santa Catarina tem direito a 20 vagas na Câmara.
Perguntar não ofende. O que fizeram os Bolsonaros por esse direito constitucional de representação proporcional dos catarinenses? Nada! E nem podiam. O Rio de Janeiro, onde está identificada a família de origem paulista, aplicada a mesma lei e a Constituição, faria o Rio de janeiro onde Carlos Bolsonaro não se elege, perder quatro deputados Federais, número que iria bater em prejuízo também na Assembleia do Rio e da imagem dos Bolsonaros. Entenderam como Santa Catarina está sendo usada e mal tratada na sua representação congressual para salvar um projeto familiar e quiçá, ideológico?
A cota dos Bolsonaros com Santa Catarina está além do razoável. Os Bolsonaros já possuem um senador, agora querem dois dos três, para defender os interesses familiares? Vão anular uma vaga de Santa Catarina na Câmara, estado que já está sub representado? E estão ferozes, humilhando, sob todas as formas, não só os catarinenses, mas os próprios bolsonaristas que estão pedindo razoabilidade, como se isso, fizesse parte dessa camada de radicais. Para essa gente, ou se é submisso integral ou não é de direita ou bolsonarista. Simples assim. E isto assusta.
Santa Catarina não merece. Mas, tudo, afinal, estará nas mãos dos eleitores e eleitoras catarinenses para frear as armações ilimitadas de gabinetes. Em Gaspar, todos os bolsonaristas estão caladinhos esperando pelo desfecho que colocou Ana Caroline Campagnolo, PL, no centro de um furacão. O presidente do PL de Santa Catarina, é Jorginho Melo. Ele também assiste. Ele sabe o que aconteceu com Carlos Moisés da Silva e tantos outros que foram tratorados pela família Bolsonaro. Credo!
Quem está olhando a maré, é o prefeito conservador – mas, realizador – de Chapecó, João Rodrigues e o seu PSD.
13 comentários em “EMPRESÁRIOS E INVESTIDORES DA ÁREA CONSTRUÇÃO CIVIL E IMOBILIÁRIA, PRINCIPALMENTE, E OUTROS DE ITAJAÍ, DÃO EXEMPLOS DE COMO IMPULSIONAM O PODER PÚBLICO A SOLUÇÕES DE MOBILIDADE. GASPAR, PREFERE SE ESTABELECER NO ATRASO PARASITA”
Para emoldurar. A esquerda no divã carcomidoA ARTE DO CANCELAMENTO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A Bienal de São Paulo cancelou um debate com a princesa Marie-Esméralda da Bélgica. Não por suas opiniões – o que já seria constrangedoramente autoritário. Marie-Esméralda, por sinal, é ambientalista, feminista e defensora dos indígenas. Mas ela foi condenada por associação a um parente de quarta geração morto há mais de um século: Leopoldo II – o monarca responsável por atrocidades no Congo.
“Trate cada homem segundo o que merece, e quem escapará ao açoite?”, indagava o príncipe Hamlet. Imagine ser tratado segundo os deméritos do seu tio-bisavô? O que os diretores da Bienal sabem das eventuais transgressões de suas avós ou de seus tataravôs? Se o leitor tiver um tio ou irmão delinquente, deve pagar por ele? É a volta do Santo Ofício – agora de cabelo colorido e crachá de curador – castigando pessoas não por suas faltas, mas pelos pecados de fantasmas.
Nada simboliza melhor o embrutecimento de nossa cultura do que uma instituição artística que pune alguém por associação genealógica enquanto faz proselitismo do combate ao “preconceito”. A Bienal reza o credo da “diversidade e inclusão”, mas decreta que algumas vozes são impuras demais para ecoar sob suas abóbadas. Em nome da “pluralidade”, consagra a segregação; em nome da “liberdade”, o silenciamento. Nem a devoção da princesa filantropa a causas progressistas – até ao cancelamento de estátuas de seu antepassado – lhe valeu redenção. É uma caricatura do pecado original – com patrocínio estatal e curadoria “interseccional”.
A cultura do cancelamento é o confessionalismo redivivo: uma cruzada moral que persegue heresias e distribui indulgências. Os velhos inquisidores queimavam livros; os novos, reputações. As fogueiras agora ardem entre as vaidades dos conselhos de curadoria, dos diretórios acadêmicos, das redes sociais. Cada palavra deve ser purgada; todo artista, doutrinado. Os dissidentes são denunciados, silenciados, expulsos – não por crime, mas por pensamento. A condenação é multitudinária; a penitência, involuntária; o perdão, impossível.
Foi para se libertar dessa mentalidade que o liberalismo nasceu – contra o Estado confessional e suas teocracias da virtude. Spinoza, Tocqueville, Mill, Nabuco e tantos outros entenderam que a verdade floresce no dissenso, não na unanimidade. A civilização liberal é o triunfo do debate sobre o dogma. A esquerda que se dizia herdeira dessa tradição hoje a trai. Troca o debate pela excomunhão, a dúvida pela ortodoxia, a livre expressão por ostracismos performáticos. Os velhos reacionários queriam policiar corpos; os novos progressistas, consciências.
O Brasil tropicalizou a moda do cancelamento – inclusive a pauta “decolonial” importada das metrópoles, recitada com sotaque francês e marinada nas Ivy Leagues – com tintas burlescas. As elites culturais, que vivem de verbas públicas, posam de “resistência” libertária enquanto ruminam ressentimentos tribais. Universidades desconvidam palestrantes, mostras vetam artistas, editoras censuram palavras. Guerra cultural regada a caipirinha e dedução fiscal.
O caso da Bienal é mais que um vexame diplomático: é sintoma de uma decadência – com elegância – intelectual, moral e estética. A instituição que deveria ser o templo da experimentação perverteu-se em tribunal de pureza ideológica. A arte, que deveria interrogar o mundo, rebaixou-se a homilia. O curador que veda debatedores por culpa ancestral é irmão espiritual do burocrata que veda livros por blasfêmia. Juram servir à justiça – mas servem à intolerância. A submissão da imaginação ao medo e da sensibilidade à patrulha não geram engajamento, só empobrecimento.
O progressismo que prometia libertar o mundo dos dogmas fabricou seu próprio catecismo. Substituiu os sacerdotes por “militantes”, as Escrituras pelas “pautas”, o pecado pela “culpa estrutural”. E como todo moralismo sem misericórdia, produz o mesmo terror que dizia combater. O farisaísmo identitário tornou-se pior do que o que desprezava: uma seita sem Deus, mas com uma legião de inquisidores.
A Bienal não cancelou uma princesa. Cancelou a cultura. E, com ela, a liberdade: essa heresia liberal que insiste em sobreviver a regimes de pureza e seus justiçamentos travestidos de justiça.
DEMAGOGIA E EXCESSOS TIRAM DEBATE DA SEGURANÇA DO EIXO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Pelos primeiros indicativos, a Comissão Parlamentar de Inquérito instalada no Senado para investigar o crime organizado vai coroar uma quadra de intervenções populistas e infelizes de autoridades com e sem mandato nesse tópico.
Sob a presidência do governista Fabiano Contarato (PT-ES) e a relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), a comissão já se vê engolfada pelo palavrório inconsequente da direita à esquerda.
Para a gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), todo problema deveria ser explicado pela batalha mítica entre ricos desalmados e pobres indefesos. A retórica se repete para o crime organizado. Governistas querem prender os supostos barões da bandidagem, que estariam desfrutando da boa vida nas coberturas dos bairros chiques, e não nas favelas.
Uma análise das pilhas de inquéritos produzidos pelos investigadores derruba essa visão estereotipada. O líder do Comando Vermelho, riquíssimo, é um migrante paraibano, cruel a mais não poder, que responde por cem homicídios, tortura, extorsão, entre outras várias delinquências.
Do lado dos radicais de direita, a irresponsabilidade apenas muda de forma. Quem ilude a população com a ideia de que matar suspeitos vai produzir alguma melhora na situação agora pretende adotar a terminologia “narcoterrorista” para denominar as facções criminosas brasileiras.
Narcomilícias não são organizações terroristas. Não têm propósito político-ideológico, e a violência que praticam objetiva manter ou ampliar a lucratividade na sua operação ilegal, não destruir ou abalar regimes.
A escolha do ex-secretário de Segurança de São Paulo Guilherme Derrite (PP-SP) para relatar na Câmar o projeto de lei antifacções eleva o risco de a insânia terminar gravada nos códigos.
Se ocorrer, daria ao presidente dos EUA, Donald Trump, pretexto para incluir o Brasil na sua cruzada bélica contra cartéis de drogas na América do Sul. Nessa hipótese, Trump, que apoiou o governador do Rio de Janeiro pela operação que matou 121 no último dia 28, seguiria o conselho explícito do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os Bolsonaros e governadores de direita que os apoiam na parolagem do “narcoterrorismo” se especializam no entreguismo. Não bastou terem na prática incentivado o tarifaço contra o Brasil. Surgem agora como patrocinadores de uma demagogia inútil contra o crime organizado, mas com consequências potenciais danosas à soberania nacional.
Outra nota de preocupação diz respeito à participação crescente do ministro Alexandre de Moraes nesse assunto. Ele é o relator de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que versa sobre operações policiais em favelas. Suas movimentações recentes com o governador do Rio, o presidente do Senado e a Polícia Federal requerem atenção redobrada.
Não se deveria repetir, na segurança pública, a heterodoxia que se viu na condução dos inquéritos sobre manifestações políticas.
O CAOS E A LIDERANÇA: O QUE A CRISE DO RIO NOS ENSINA SOBRE A CORAGEM DE AGIR, por Paulo Camargo, ex-executivo de quatro empresas líderes de varejo no Brasil, para o UOL (Folha de S. Paulo)
Na semana passada, terça-feira, eu estava no Rio de Janeiro para palestrar sobre liderança na era digital. Fui surpreendido por um caos que paralisou a cidade. O trânsito, completamente parado. O taxista, para fugir do bloqueio, acelerou a 140 km/h na Linha Amarela. Naquele momento, em meio a um turbilhão de informações sobre a megaoperação policial que acontecia, eu não o corrigi.
A ação drástica e claramente arriscada parecia a única saída diante da paralisia total.
O que aconteceu no Rio de Janeiro naquela terça-feira não foi um evento isolado. Foi o sintoma agudo de uma ferida crônica: a omissão. Décadas de abandono da população das favelas, de governos que se recusaram a enxergar a realidade de quem vive sob o domínio do crime organizado.
Mas o que significa, de fato, viver sob esse domínio? É ver suas filhas, mal saídas da infância, expostas a situações degradantes, reduzidas a objetos sexuais nas mãos dos criminosos. É assistir aos seus filhos cooptados pelo tráfico, não por escolha, mas por sobrevivência, porque o traficante é o único símbolo de poder e ostentação que conhecem. É pagar o dobro pelo botijão de gás, ser forçado a usar TV a cabo pirata, viver sob leis paralelas impostas por quem controla o território. Essa é a realidade em vastas extensões do território nacional sobre as quais o Estado abdicou progressivamente da sua presença, abdicando, portanto, da sua soberania.
Quando a crise explode, a primeira reação de muitos é a crítica precipitada, o julgamento sem compreensão. É a liderança que prefere a polêmica à solução. Rotulam a operação de “chacina”, ignorando o contexto de um confronto com um exército de criminosos armados com fuzis, vestidos com roupas de combate. É criticar antes de ajudar, uma marca registrada da liderança reativa.
O que aconteceu no dia 28 de outubro deve ser julgado pelo contexto histórico que o gerou, não apenas pelas cenas de violência que dominaram as manchetes. Porque a verdade é clara: aquele dia não começou com o primeiro tiro. Ele começou décadas antes, com cada decisão de não agir, cada barricada ignorada, cada família abandonada à própria sorte. A tragédia não está nas imagens chocantes daquele dia, mas nos anos de omissão da liderança que as tornaram inevitáveis.
A crise também expôs um problema crônico da liderança: a dificuldade em reconhecer suas limitações. Autoridades e formadores de opinião que nunca viveram o problema se sentem à vontade para criticar sem ouvir quem o enfrenta na prática. A verdadeira liderança exige a humildade de buscar quem sabe, para que a crítica se transforme em solução, não em obstáculo.
Essa cultura da crítica reativa tem consequências. Acuado e sentindo-se isolado, o governador Cláudio Castro proferiu a frase que resume o estado de espírito de um líder em uma situação limite: “Soma ou suma”. É um grito por colaboração, uma exigência de que, na crise, ou se ajuda, ou se evita atrapalhar. Não é o ideal, mas é o sintoma de um sistema onde a confiança falhou.
A decisão do governador de ordenar uma operação dessa magnitude foi, no mínimo, corajosa. Décadas de omissão não resolveram o problema, que só cresceu. Desde o governo Brizola, quando a polícia foi proibida de subir o morro, passando por políticas como a ADPF das favelas, que na prática limitaram a ação policial, até as tentativas performáticas de aproximação simbólica com comunidades, sem enfrentar o problema de fato, nada funcionou. O que todas essas abordagens têm em comum? A ilusão de que é possível resolver um problema dessa magnitude sem enfrentá-lo de verdade, sem a coragem de tomar decisões difíceis e impopulares.
Especialistas como Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Bope, argumentam que a operação foi taticamente bem-sucedida, mas pode ter se tornado uma derrota estratégica por falta de ocupação posterior do território. Do ponto de vista da liderança, isso nos ensina que uma ação corajosa, sem planejamento e recursos para consolidação, se torna apenas um evento traumático com pouco efeito duradouro.
Essa crise é um exemplo claro da falha daquilo que chamo de Liderança Tridimensional, o equilíbrio entre três pilares essenciais:
1. Gestão (Foco nos Resultados): é ter a coragem de olhar para os dados, por mais incômodos que sejam, e agir. A omissão é, muitas vezes, a decisão mais cara que uma liderança pode tomar.
2. Liderança (Foco nas Pessoas): é estar presente onde o problema acontece (no chão de fábrica ou nos morros), não governar de longe. É entender a dor de quem vive a realidade, não apenas de quem a observa do condomínio seguro ou da sala com ar condicionado.
3. Autoliderança (Foco em Si Mesmo): é ter a humildade de reconhecer quando não se sabe e buscar quem sabe. É aceitar que a popularidade não pode vir antes da responsabilidade.
E aqui entra o simbolismo das barricadas. Elas não são apenas obstáculos físicos, mas a declaração de um estado paralelo. São a bandeira fincada pelo crime organizado dizendo: “Daqui para dentro, as leis são as minhas”. Quando a liderança ignora essas barricadas, ela entrega soberania. E isso não acontece só nos morros do Rio. Acontece também nas empresas, onde “feudos” internos minam a cultura organizacional. Acontece em qualquer lugar onde a liderança escolhe não ver o problema, esperando que ele desapareça sozinho.
Nas empresas, a lógica é a mesma. As “barricadas” são os silos entre departamentos, os processos ignorados, as culturas tóxicas conhecidas, mas nunca enfrentadas. A omissão da liderança também cobra seu preço: perda de talentos, queda de mercado, projetos que desmoronam. O custo da inação é sempre maior no final.
É hora dos nossos líderes, em todas as esferas, pararem de governar olhando para pesquisas de popularidade e começarem a tomar as decisões que, embora difíceis e por vezes impopulares, são essenciais para o futuro. A verdadeira liderança não é sobre ganhar a próxima eleição ou o próximo trimestre, é sobre garantir que haverá um país e empresas viáveis para as próximas gerações. Ou escolhemos mudar agora — com coragem e lucidez — ou continuaremos reféns do mesmo ciclo de omissões.
CORPORATIVISMO AVANÇA CONTRA REFORMA ADMINISTRATIVA, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Um aspecto positivo do maior protagonismo assumido pelo Congresso Nacional nos últimos anos foi a aprovação de reformas essenciais que ficaram empacadas por décadas, casos da trabalhista, em 2017, da previdenciária, em 2019, e da tributária, em 2023. A administrativa deveria ser a próxima da lista, mas suas chances não parecem promissoras neste momento.
Uma proposta de emenda constitucional destinada a enfrentar múltiplas distorções da gestão pública nacional, acompanhada de projetos complementares, tornou-se a aposta do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para lustrar sua passagem pelo cargo —até aqui marcada por vexames como a PEC da Blindagem, em favor de parlamentares acusados de crimes.
O texto da reforma foi apresentado em 2 de outubro pelo relator, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), mas só começou a tramitar de fato no dia 24. A demora se deveu à dificuldade de obter as 171 assinaturas de colegas necessárias para que a proposta fosse protocolada, o que exigiu o empenho pessoal de Motta.
Os apoios reunidos não se mostraram dos mais sólidos, e já se contam 16 pedidos de retirada das assinaturas. O número não chega aos 86 necessários para impedir a circulação da proposta, mas é o bastante para dimensionar os obstáculos pela frente —a aprovação de uma PEC depende dos votos de 308 dos 513 deputados e de 49 dos 81 senadores.
O motivo de tanta relutância, obviamente, é o lobby do funcionalismo público, um dos mais poderosos no Congresso. As entidades dos servidores não aceitam nem sequer uma reforma modesta, que deixa intocado o alcance descabido da estabilidade do emprego no serviço público brasileiro, anomalia no mundo.
O sindicalismo alega não mais que minudências para se opor com estridência à proposta, como a regulamentação do trabalho temporário ou os limites ao teletrabalho. Mais silenciosamente, corporações de elite, especialmente do Judiciário, atuam contra o fim de supersalários e de férias de 60 dias.
O texto da Câmara decerto não é isento de falhas e dispositivos questionáveis, como a previsão de bônus para funcionários que atinjam metas de desempenho —iniciativas assim não raro viram prêmios distribuídos a todos. Mas nada disso justifica rejeitar a reforma inteira.
O período de tramitação, a menos de um ano das eleições, tampouco é favorável. Medidas difíceis são mais adequadas a inícios de mandato, quando governantes e legisladores têm maior capital político. Do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de DNA corporativista, não se deve esperar mobilização pelo tema. De todo modo, o país ganhará se ao menos o debate avançar desde já.
Um Estado altamente deficitário e endividado não pode se dar ao luxo de preservar privilégios que agravam a concentração de renda e reduzem sua capacidade de prestar serviços à população.
Perguntar não ofende.
Ofende?
Fraude em licitação é crime ou não senhor delegado?
Ou quando favorece os amigos tá tudo certo…?
apenas uma observação:
montanha russa no pasto do jacaré em 2022 – 12 milhões
ponte que ligará araquari e guaramirim em 2025 – 12 milhões
a ponte é menor, mas terá até ciclovia e calçadas…e é uma ponte…estrutura incomparável…
Em Gaspar, depois de vários fiscais, contratou-se até uma empresa para fiscalizar a obra. O resultado está à vista de todos
Quem está FISCALIZANDO O FISCAL DAS ROÇADAS?
Será que daqui a 4 anos teremos outra CPI levando o nada a lugar algum?
Faço esse comentário analisando o comportamento da empresa ao realizar o serviço na minha rua.
Ela deve ter uns 500 metros de extensão, mas com calçada e muro em boa parte da via e com uma área de roçada talvez de uns 300 metros. Mesmo assim,
as roçadeiras entram ligadas desde o início da rua.
Será que estão cobrando SERVIÇO dos 500 metros do lado direito, mais 500 metros do lado esquerdo?
Atrás das roçadeiras vem uma máquina barulhenta pra fazer a “varrição” (tira do canto e joga pro meio da rua).
Atrás da “varrição” vem o serviço do soprador jogando o lixo do meio da rua pra beirada da estrada novamente 👀😱😱😱
Se o dinheiro usado fosse o do prefeito e dos vereadores, será que a empresa ousaria o deboche?
Boa e oportuna pergunta. Parece que o escandaloso e milionário passado não foram suficientes para abrir os olhos
Quando tudo isso vai mudar?
O eleitor gasparense sabia que não haveria mudança, estava claro com aqueles que lançaram o prefeito lá na bunge e aqueles que o acompanharam na eleição.
O que não se esperava é que os altos cargos seriam ocupados por indicados pelo JPK, tem quem até a sua casa foi alvo de tiros..
Será que teremos um novo tapete negro…
Ponte do Anel Norte, com as alças, custou em torno de R$44 milhões, sendo apenas R$2 milhões dos gasparenses. E os mesmos que fizeram o pasto do Jacaré e outras coisas, como a quer apareceu na CPI do Capim seco, fez-se um estardalhaço para resolver um simples aterro que se aconteceu em uma das cabeceiras…. Vá entender esses políticos que enrolam os eleitores, eleições após eleições.
NOVO IMPULSO À IMPUNIDADE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O processo de desmonte da responsabilização por corrupção no Brasil ganhou novo impulso. No dia 1.º de novembro, o juiz Antonio Claudio Macedo da Silva, da 10.ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, acolheu uma ação revisional movida pela J&F contra o Ministério Público Federal (MPF) e anulou a multa de R$ 10,3 bilhões fixada como contrapartida no acordo de leniência firmado pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista em 2017. A decisão contraria os fatos, afronta a inteligência alheia e insulta o bom senso ao admitir que os donos de um dos maiores conglomerados empresariais do mundo teriam assinado “sob coação” um acordo que eles próprios buscaram para escapar de punições mais severas para os crimes que confessaram ter cometido.
Em uma palavra, a tese da coação é estapafúrdia. Os irmãos Joesley e Wesley Batista não são empresários ingênuos, muito menos desassistidos. Quando firmaram o acordo de leniência, estavam acompanhados por alguns dos mais preparados e bem pagos advogados do País, com pleno acesso a todas as informações e recursos necessários para avaliar as condições propostas pelo MPF. Beira o escárnio supor que teria havido desequilíbrio de forças, intimidação ou constrangimento na assinatura daquele pacto. O que houve, isso sim, foi uma escolha livre e racional diante de um conjunto robusto de provas de corrupção ativa, muitas delas fornecidas pelos próprios colaboradores.
Em maio de 2017, convém lembrar, Joesley Batista prestou um dos depoimentos mais estarrecedores no âmbito da Operação Lava Jato. Ele confessou, com espantoso nível de detalhes, que empresas da J&F, como a gigante do setor alimentício JBS, pagavam propina a políticos de diferentes partidos em troca de favores e oportunidades para expansão de seus negócios. “Tem pagamento via oficial, caixa um, via campanha, tem via caixa dois, tem dinheiro em espécie, essa era a forma de pagar”, disse Joesley aos procuradores da República. “Os pagamentos são feitos das mais diversas maneiras, nota fiscal fria, seja dinheiro, caixa dois, até mesmo doação política oficial”, detalhou o empresário.
À luz de confissões tão explícitas e da documentação abundante reunida pela força-tarefa da Lava Jato à época, não havia margem para interpretações benevolentes sobre o papel central da J&F no maior escândalo de corrupção de que o Brasil já teve notícia. O acordo de leniência, que resultou na liberdade para os irmãos Batista e na multa de R$ 10,3 bilhões para a holding – a ser paga em suaves prestações ao longo de 25 anos – foi uma solução negociada que, ao fim e ao cabo, saiu barato. Ainda assim, oito anos depois, a J&F busca rever o compromisso, alegando, ora vejam, ter sido “coagida” pelo MPF. Pior do que a desfaçatez dessa tese, só o fato de ter encontrado guarida no Judiciário.
A sentença do juiz Antonio Macedo, que determina a revisão do valor da multa, subverte completamente a lógica da responsabilidade jurídica. Disse o magistrado que o MPF “explorou a vulnerabilidade sistêmica da empresa” e que a escolha da J&F teria sido entre “um acordo com cláusulas ilegais e a virtual aniquilação corporativa”. Ora, é difícil acreditar que uma corporação que movimenta quase meio trilhão de reais por ano e com operações em dezenas de países pudesse ser reduzida a uma vítima indefesa de supostos abusos de poder de meia dúzia de procuradores da República. É ainda mais inacreditável que a Justiça Federal tenha chancelado essa fábula. Se delatores que se beneficiaram de acordos vantajosos podem reescrever o passado e escapar de suas obrigações, nenhum acordo de leniência ou de colaboração premiada está a salvo de um reposicionamento estratégico, chamemos assim, no futuro.
O caso da J&F, desafortunadamente, não é isolado. O País assiste a uma sequência de decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli que reescrevem a história da Operação Lava Jato. Não há dúvida de que excessos ocorreram na condução da operação. O combate à corrupção não pode se sobrepor à ordem jurídica vigente. Mas uma coisa é corrigir abusos pontuais; outra é a tentativa, agora escancarada, de apagar crimes confessos e benefícios ilícitos acumulados durante anos por empresários e políticos, como se a Nação tivesse experimentado um surto coletivo.
GOVERNO “ESQUECE” QUE PODE AJUDAR NOS JUROS, por Carolina Mandl, no jornal Folha de S. Paulo
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, parece ter se esquecido que o governo, do qual faz parte, também contribui para o trabalho do Banco Central. Na terça (4), ele disse que, se fosse diretor, votaria pelo corte da taxa básica de juros. Era uma tentativa de influenciar a decisão do Comitê de Política Monetária, que se reuniria no dia seguinte.
O recado, como todo o mercado já previa, foi ignorado. Na quarta (5), o Copom votou pela manutenção da Selic em 15% ao ano, patamar mais alto em quase 20 anos. Desde fevereiro de 2022, a taxa está em dois dígitos.
No comunicado em que detalha sua decisão de não cortar os juros, o comitê explicou que os riscos para a inflação continuam a rondar, assim como as incertezas trazidas pelas tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil.
Trouxe também um lembrete a Haddad. O colegiado disse que acompanha “como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros”.
Enquanto o BC eleva os juros para desacelerar a economia e conter a inflação, o governo despeja bilhões de reais em políticas de estímulo à economia. O impacto fiscal da reforma do Imposto de Renda ainda é uma incógnita. Estudos do Senado apontam para um rombo de até cerca de R$ 4 bilhões, enquanto a Fazenda diz que a consequência é nula.
A isto somam-se os estudos para a criação de uma tarifa zero no transporte público em todo o território brasileiro, a permissão para o que governo gaste com defesa nacional R$ 5 bilhões por ano sem que sejam contabilizados no teto de gastos, a tentativa de derrubar o limite do Pé-de-Meia e tantos outros projetos.
É a política fiscal em choque com a política monetária às vésperas do ano eleitoral. Enquanto uma vai na direção restritiva e está em 15% ao ano, a outra é expansionista, na casa dos bilhões de reais. Se os diretores do BC estivessem no governo, eles provavelmente também fariam as coisas de uma forma diferente.