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RODRIGO DÁ MAIS UM PASSO EM FALSO. ELE ESTÁ BRIGANDO COM A SORTE HÁ ANOS. ESTÁ SEM CAUSAS. FORJA UMA MARCA POLÍTICA PERIGOSA E SEM VOLTA NA SUA IMAGEM DE POLÍTICO

O engenheiro civil Rodrigo Boeing Althoff, super titulado (gestão pública, geografia, ambiental, gestão de cidades, segurança do trabalho e até técnico em transações imobiliárias), professor, empresário, funcionário público e agora vice-prefeito de Gaspar, tem colhido tropeços na vida política e pública. E não é de hoje. 

O atual vice-prefeito de Gaspar politicamente acaba de dar mais num passo em falso, na minha opinião, ao sair do PL – porque lá não tinha mais espaços e foi engolido pelas circunstâncias que as teve nas suas mãos e não as dominou – e ir de supetão para o Republicanos, o puxadinho do PL em Santa Catarina criado pelo governador Jorginho Melo, e gerenciado pelo deputado Federal de Rio do Sul, também egresso do PL onde estava sendo questionado pelos bolsonaristas, Jorge Goetten de Lima. 

Isto aconteceu semana passada, numa comemoração do Republicanos e cheio de pompas, entretanto, bem longe daqui: Florianópolis. Ainda bem que foi por lá. Aqui faltaria público. E por quê?

Em Gaspar, este “novo” passo de Rodrigo, aparentemente não bem calculado e diante da falta de outra alternativa, não repercutiu muito bem. As redes sociais – cada vez mais corajosas diante do tempo que concederam para se aprumarem às queixas dos políticos que pegaram uma herança maldita – e os aplicativos de mensagens, majoritariamente, não o perdoaram, mais uma vez a jogada política dos políticos. Ninguém é mais tão bobo assim.

Agora, Rodrigo e Goetten estão desafiados a se arrumarem, mais uma vez, neste caminhão de melancias em pleno movimento se não quiserem passar vergonha nas eleições de quatro e 25 de outubro do ano que vem. Há tempo. Há oportunidades. Há desafios. Mas, precisam mudar comportamentos, narrativas e se desapegarem ao velho rito político oportunista.

O AUTO SUFICIENTE

Político que se acha auto suficiente e não é líder para isso (causas e encantos) se estrepa. Político que não forma equipes e redes de proteção, não estreita relacionamentos, não possui uma marca, ou não é apenas a cara visível de um processo que ele não comanda (a maioria dos casos de Gaspar), a tendência dele é penar, desgastar-se e até sumir. 

E Rodrigo se acha um político luz. E o amplo conhecimento acadêmico que ele realmente possui, mas não diz nada para o resultado político. Diz muito, para o profissional, ou para o burocrata.

Na única vez que conversamos a sós e olhando um para o outro, foi no escritório dele. Ele era candidato. De cara, achou que eu tinha interesse neste assunto porque eu fui levado até ele, por quem tinha interesse na eleição dele. Confundiu-me com alguém que estava ali para interferir, orientá-lo e lhe pedir vantagens seja na campanha como numa antecipada difícil vitória que ele próprio admitia (entre cinco candidatos, ficou em segundo lugar com 22,21% dos votos válidos contra os 65,60% do reeleito Kleber Edson Wan Dall, MDB). 

Deixo essa impressão de lado. Superada. É um registro. Mas, tem tudo a ver com o que ele fez na semana passada e as observações a seguir.

O próprio Rodrigo tinha dúvidas da capacidade dele de fazer frente ao sistema de poder da cidade que ungia, mais uma vez, em 2020, Kleber Edson Wan Dall, MDB – sem entregar o que prometera no primeiro mandato (2017/20) ao sistema e o PT, do qual, Rodrigo já tinha participado no governo Pedro Celso Zuchi, com algo assemelhado ao que é hoje a Secretaria de Planejamento Territorial. Ou seja, tinha um carimbo da esquerda, pois foi a esta condição de secretário como vereador do PV.

A IDEOLOGIA E O PRAGMATISMO

A ideologia move as pessoas e as ondas eleitorais. Somos, como país, ainda com uma maioria de conservadores. Santa Catarina e Gaspar isto é mais expressivo. Houve ondas. E a eleição de Zuchi é a prova disso num universo conservador divido e marcado por dúvidas em 2000, amparado pelo movimento sindical centralizado em Blumenau. O pragmatismo daquele governo a guerra que Adilson Luiz Schmitt, eleito pelo MDB na aliança do então arquirrival PP, Clarindo Fantoni (2005/08), abertamente fez contra o sistema, o sistema, mais uma vez, apostou em Zuchi (2009/16). Isto é história.

O conservadorismo voltou a Gaspar com Kleber. O pragmatismo, não. Faltaram resultados no âmbito político (desastroso) e na melhoria e inserção da cidade competitivamente (outro desastre) E o bolsonarismo criou a maior onda conservadora – com tons radicais – de que se tem notícia no cenário político pós os governos militares.

Pelos descaminhos da política, nesta época do meu encontro com Rodrigo, ele estava no PL, sem ser exatamente um conservador e um bolsonarista. Então ele sabia como era complicado se meter em algo que lhe parecia desconfortável, incoerente (ser de direita e bolsonarista), ou que tinha afinidades, a esquerda (nasceu no PV e passou pelo PDT) e de empresário da construção civil que precisava do governo Kleber, ainda abençoado pelo sistema e com boas chances para o segundo mandato. 

Rodrigo estava fragilizado por todos os lados que se olhasse, mesmo a cidade à procura de uma saída. Ao mesmo tempo não era confiável ao sistema que há décadas domina a cidade. Na minha conversa isto esteve presente em flashes, fragmentações e percepções.

OS MAUS PASSOS

Quando Rodrigo deu o primeiro mal passo? 

Quando na crista da onda da esquerda e no governo de Zuchi, Rodrigo deixou a oportunidade passar. Quando se permitiu cair no esquecimento. Quando na volta ao cenário político – agora na direita -, pelas mãos do seu padrinho de política, o deputado Ivan Naatz, também de iguais batalhas e partidos na esquerda, resolveu desafiá-lo. Quando tendo uma experiência com resultados surpreendentes na eleição 2020 (foto ao lado) não tomou conta do PL – que era o presidente – e do jogo para si, exatamente porque o sistema resistia. 

Rodrigo foi passageiro. E o sistema o rifou Rodrigo, bem na cara dura, sem cerimônias, no PL de Gaspar. Ele estava na fila para ser candidato natural a prefeito do partido. Primeiro, Jorginho Melo, PL, escolheu um emedebista de origem e sem expressão e capacidade de articulação, para comandar o PL, Bernardo de Leonardo Spengler Filho. No ato seguinte, Jorginho plantou um pepista roxo, que serviu a Carlos Moisés da Silva, expurgado do PL e alojado no Republicanos, Paulo Norberto Koerich, como o candidato a prefeito do PL e do sistema.

Foi neste ponto que os saltos e passos  de Rodrigo e dos seus ficaram atolados. Ele devia ter pulado fora lá quando começou o ensacamento dele. Agora, está desgastado e humilhado. 

A saída honrosa e rápida da semana passada Rodrigo do PL é, na verdade, uma suprema desonra. Vice é peça decorativa na legislação, se não houver juras diferentes entre eles. O vice está ali para substituir titular em casos extremos. Nada mais. Rodrigo não entendeu nada sobre esta lição básica.

Diplomado pela Justiça Eleitoral, Rodrigo quis rivalizar com Paulo ou desconhecia como tudo isso foi armado e ele não fazia parte dos planos. Era apenas um consolo. Os que estão com Paulo e o sistema, trataram de proteger Paulo. Sobrou para o Rodrigo. Eu tinha escrito de que isto aconteceria. E aconteceu.

OS NOVOS PASSOS

Rodrigo está na chuva, sem guarda chuvas. E por quê? Ficou sem espaços. O PP com José Hilário Melato e parte do MDB, com Ciro André Quintino, que morde e assopra – os mesmos da Bancada do Amém de Kleber, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick -, ocuparam o que seria dele e do seu vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil. Neste mau passo, todos que estavam ou estão  com Rodrigo se tornaram decorativos. Perderam até os mecanismos de barganha.

Encerrando. Rodrigo voltou ao início da carreira política de muitos anos atrás quando era vereador da base e secretário de Zuchi. Neste momento, ele está em terreno pantanoso. Nem lá. Nem cá. E ele sabe.

Devido aos maus passos e escolhas, tornou-se dispensável. Agora há três alternativas: a do conforto, o qual aconteceu lá no início político dele e esperar o cavalo encilhado passar; continuar ser um cabo eleitoral – a cada dois anos – de gente que lhe deixa na mão na hora agá; ou se tornar um rival do seu próprio governo que não disse ainda a que veio, que repete erros tão básicos como o dos governo que criticou para que eles não sejam os seus. Que sinuca de bico, heim!

Rodrigo, e só ele fez estas escolhas e deu estes passos. Revelador. Principalmente, que lhe falta e parece rejeitar apoios, conselheiros e equipes. Rodrigo, pelos gestos recentes, apenas está revigorando uma imagem que já tinha e que jurava ter sido do mau passo político do passado. No Republicanos, o puxadinho do PL, Rodrigo está desautorizado a qualquer queixa e crítica contra Paulo, sem passar pelo julgamento da traição, do jogo duplo, dos interesses contrariados. Rodrigo, está fora do governo, mas sendo punido e do ponto de vista ético, sem liberdade para espernear. Credo!

Hoje, a melhor crítica ao governo de Paulo e Rodrigo, e que pega nas redes sociais, vem de Blumenau de onde se exporta para cá gente de comando do governo gasparense e que não serviu por lá, de um militante de direita, do Novo, Halley Edson da Silva. 

E quem se ensaia por aqui – e é preciso cautela -, mas já repercute em toda a cidade contra Paulo vejam só, é Giovano Borges, PSD, o criador de Marcelo candidato a prefeito, o que foi durante todos esses anos, mesmo em contenda partidária, um parceiro dos governos de Zuchi e Kleber. Giovano pode ser adversário da reeleição de Jorginho Melo, PL, se o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, PSD, vestir a carapuça de candidato a governador no campo conservador e bolsonarista. O sistema em Gaspar não é para fracos. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

O sistema em Gaspar não é para fracos I. Tão logo Rodrigo Boeing Althoff, anunciou a mudança de supetão do PL para o Republicanos, os que cercam Paulo Norberto Koerich, os do PL melancia, os do MDB antigo e principalmente o sistema, logo trataram de colocar o alinhamento de Rodrigo com o médico veterinário e ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt (foto acima, no meio, extraída da sua rede social, ladeado a esquerda por Rodrigo e à direita por Paulo), sem partido. Esse pessoal é bom em fofoca e muito ruim de comunicação institucional. O governo de Paulo está mais uma vez no meio de uma incoerência que vai lhe desgastar e lhe marcar, como marcou sem antecessor.

O sistema de Gaspar não é para fracos II. Nada mais esquisito, se bem que em política, o esquisito é essencial e a quase totalidade. Coerências, zero. Adilson Luiz Schmitt eleito pelo MDB (2005/08) e ao confrontá-lo, logo foi expurgado sob duras penas pelo sistema. Nunca mais se reergueu em carreira solo. Em 2020, apoiou expressamente a candidatura de Rodrigo Boeing Althoff pelo PL. Rodrigo escondia Adilson, mas queria os supostos votos de Adilson.

O sistema de Gaspar não é para fracos III. Em 2020, filiado ao PL, Adilson Luiz Schmitt apoiou Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos PL (foto acima). O sistema, MDB e Paulo expurgaram Adilson antes mesmos das eleições, quando fizeram de tudo para ele desistir da candidatura a vereador. De Adilson, só queriam, nos bastidores, a influência e os votos. Depois de eleito, Paulo isolou Adilson. O sistema aplaudiu. Adilson se desligou do PL. Apoia o governo de Paulo (“eu sou gasparense e torço para que a cidade vá cada vez melhor“). Mas, Adilson está vigilante e cobrando. E isto incomoda Paulo, que o quer manso e calado.

O sistema de Gaspar não é para fracos IV. Nas redes sociais, Adilson Luiz Schmitt, ao seu estilo, foi duro na contestação a esta montada conspiração com a participação de Rodrigo Boeing Althofff, Republicanos. “Sou um homem de ação e compromisso. O sucesso para mim não é uma meta vaga. É mergulhar de cabeça e honrar a palavra. Fui a milhares de casas pelo Projeto 22“, ao revelar, mais uma vez, clara e publicamente, um sentimento de frustação.

O sistema de Gaspar não é para fracos IV. Esta frustação está expressa quando Adilson Luiz Schmitt, sem partido, escreve de que não quer mais ser mais coadjuvante de quem tem vergonha dele, mas quer os votos e influência dele para se eleger e depois descartá-lo sem cerimônias e ainda comemorando tal façanha de ingratidão. Resta saber se o sistema vai permitir que Adilson ou outro com apoio dele renasça. Se não corrigir a rota de frustações e incoerências, o sistema vai ser surpreendido como foi em 2000 com Pedro Celso Zuchi, PT. A cidade está se cansando muito rapidamente do que está assistindo.

O sistema de Gaspar não é para fracos IV. Onde está escrito de que Adilson Luiz Schmitt, sem partido, provocado, está procurando caminhos próprios? Nas suas últimas postagens nas redes sociais, com ampla repercussão na cidade e desdém do sistema, Paulo Norberto Koerich e os que o cercam Paulo vindos de Blumenau ou do PP gasparense que tomou conta da prefeitura de Gaspar onde está o prefeito de fato, Pedro Inácio Bornhausen, que já foi chefe de gabinete de Kleber Edson Wan Dall, MDB.

O sistema de Gaspar não é para fracos V. “Agora encerrei um ciclo. Mas, a jornada não termina. Com a mesma dedicação e experiência que adquirimos, já estamos (será que montou equipe para isso?) com o olhar fixo em 2026 e 2028″. Uau! Já montamos projetos e eles estão a caminho com o mesmo alicerce: escuta ativa, o trabalho árduo e a garantia de que cada promessa será cumprida, agora, por mim Adilson (Luiz Schmitt)”.

O sistema de Gaspar não é para fracos VI. “Podem até me vincular a este rótulo de intempestivo. Aceito o debate sobre o meu estilo de liderança”, diz Adilson Luiz Schmitt, sem partido, para arrematar. “Contudo, o que jamais poderão me vincular é à falta de caráter ou à omissão. Não podem me chamar de malandro, ladrão, incompetente, lerdo, sonolento, passivo e medroso”. É Adilson sendo Adilson, mas com uma diferença, carregando anos de pau no lombo. Muda, Gaspar.

Ingratidão I. Não poderia encerrar este ciclo de comentários deste final de semana sobre a Rodrigo Boeing Althoff, na troca do PL pelo Republicanos, sem colocar nesta roda, o que limpou financeiramente o Republicanos de Gaspar, trouxe centenas de filiados para o Republicanos de Gaspar, bancou a campanha sozinho e que parecia ir bem, até Jorginho Melo, PL, mandar anular o partido por aqui e com ele a candidatura do empresário Oberdan Barni, que não se curvou as chantagens, pressões e tratativas de acordos que o excluíam da disputa. Custou-lhe muito caro. É o sistema.

Ingratidão II. O pau que Rodrigo Boieng Althoff, Republicanos, levou nas redes sociais, pode estar ligado a essa esperteza de aproveitamento de um partido que foi tomado de Oberdan Barni, sem aviso, sem cerimônias, sem uma normalidade, ainda mais para quem apoia o atual governo, e sendo Rodrigo, em tese do governo, como revelaram muitos dos comentários. Mas, parte está relacionada à traição, à surdina e o mau desempenho de Paulo Norberto Koerich, PL, até aqui.

As pulgas, o retrato I. No prédio da secretaria de Obras e Serviços (lá também está a secretaria de Agricultura e Aquicultura, arquivo morto da secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, e Ecoponto do Samae) estão albergados quatro cães “adotados” (foto ao lado).

As pulgas, o retrato II. E esta semana constatou-se uma infestação braba de pulgas nos cachorros, ambientes e pessoas. Todos correndo atrás do que fazer. Estas pulgas são contrariam o ditado popular: são de cachorros bem nutridos.

As pulgas, o retrato III. Se as pulgas surgiram, é porque não trataram preventiva e rotineiramente do assunto nos cães e no ambiente (sujeira, poeira…) eles estão ou andam e se contaminam. É um retrato de governo. E o assunto rodou a cidade. Agora, o governo ao invés de combater as pulgas e salvar os bichanos, está preocupado em que vazou este assunto tão importante e crucial para o município. Credo!

As pulgas, o retrato IV. Não é á toa, que a quantidade de buracos virou motivo de reportagem regional no NSC Notícias. E Paulo Norberto Koerich, PL, por outro lado, dando exemplos de cata cachorros perdidos (foto abaixo, no Morro da Fumaça, apropriado). Primeiro, naturalmente, o exemplo vem de casa. E está faltando, por enquanto. Aliás, onde está a área que cuida do Bem Estar Animal que olha muito (e está certa) para os animais dos outros e não para os seus?

A saída de Claudionor da Cruz Souza, do governo onde estava como sub da supersecretaria da Fazenda e Gestão Administrativa, é outro retrato de como o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, ainda não se acertou. 

Há muitas cortinas de fumaça. Todas, para encobrir o verdadeiro motivo: o enrosco do Hospital de Gaspar. Claudionor estava desconfortável em colocar as digitais dele nesse papelório que ainda pode dar panos para mangas.

A forte declaração do ex-controlador geral do município de Gaspar ao tempo final do segundo mandato de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Ernesto Hostin de que ele temia pela vida dele, de ampla repercussão na cidade, e escondida da imprensa, está relacionada às coisas bem cabeludas que ele falou em “off” e não estão oficialmente no depoimento transmitido na CPI do Capim Seco.

Se levadas a termo, e confirmadas no Ministério Público, provadas e comprovadas e inquéritos e jurisdição, como diz um samba popular, “não sobra um meu irmão”. Daí o medo. E o recado.

No final do governo Kleber Edson Wan Dall, MDB, ninguém mais queria ser o seu líder de governo. O desgaste coube então ao ex-vereador que não tinha mais pretensões políticas na reeleição, Francisco Solano Anhaia, MDB. A primeira legislatura está chegando ao fim, e Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, não vê a hora que o ano termine.

Continua a novel e o impasse para que se complete definitivamente as cinco vagas titulares do Conselho Tutelar de Gaspar. E numa cidade dormitório, de forte migração e comprovadamente  de graves problemas de vulnerabilidades sociais. Incrível!

Bom final de semana. Assuntos não faltam e que não estão na imprensa, mas transbordam nos aplicativos de mensagens e já começam a transitar nas redes sociais, mostrando que se perdeu o medo. E só se perdeu porque não há resultados, há perseguições como antes e o sistema leva os gestores à incoerência e desmanchar os discursos de desrupção feitos na campanha eleitoral. Muda, Gaspar!

Mas, não quero cansá-los. Afinal hoje é dia das bruxas, e elas estão soltas. Ainda bem, que logo virá o tempo sagrado, como o de Todos os Santos, o do respeito aos mortos, inclusive que doaram as terras do Hospital e estão esquecidos, o Advento, o Natal…

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11 comentários em “RODRIGO DÁ MAIS UM PASSO EM FALSO. ELE ESTÁ BRIGANDO COM A SORTE HÁ ANOS. ESTÁ SEM CAUSAS. FORJA UMA MARCA POLÍTICA PERIGOSA E SEM VOLTA NA SUA IMAGEM DE POLÍTICO”

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  2. O JUGO DAS NARCOMILÍCIAS AGRIDE OS DIREITOS HUMANOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Não se sabe o que o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), quis dizer ao qualificar de bem-sucedida a operação policial em favelas cariocas que na terça-feira (28) causou 121 mortes. Mas a maioria da população da capital concorda com ele.

    Segundo o Datafolha, que ouviu amostra representativa dos moradores da metrópole fluminense, 57% consideram a incursão ao menos parcialmente exitosa. Questionados sobre quem teria morrido na ação, 81% disseram tratar-se na maioria (50%) ou na totalidade (31%) de bandidos.

    O resultado pode surpreender pelo contraste com a visão estereotipada da defesa dos direitos humanos e jamais deveria servir de pretexto para o abuso do poder de polícia. Ainda assim, ele é compreensível se for levado em conta o grau de sofrimento e insegurança que essas narcomilícias sanguinárias impõem à população que convive com elas.

    Para quem está próximo, em comunidades dominadas por grupos de rapazes armados com aparato de guerra, isso implica correr risco diário de morte, de o filho ser recrutado pela jagunçagem do asfalto, de a filha ver-se obrigada a prestar favores sexuais a tiranetes, de extorsões e justiçamentos cruéis como apenas sob a lei da selva se concebe.

    Para quem vive mais afastado dos centros da narcobandidagem, trata-se de adaptar a rotina aos perigos dos tiroteios constantes, dos bloqueios de vias e do encontro fortuito com pelotões atarantados de fuzileiros do crime.

    Ora, é a essência mesma dos direitos humanos de maiorias maciças da população que está sendo esmagada cotidianamente pelo narcotráfico do modo como ele se instalou no Rio de Janeiro, notadamente, mas não apenas lá.

    Quando a crítica responsável cobra plano, inteligência e cooperação das agências do Estado para combater esse flagelo contemporâneo, ela não prega o pacifismo nesse enfrentamento. É preciso ingenuidade e desconhecimento para achar que se poderá deixar de empregar força letal contra milícias armadas até os dentes, dispostas a matar e morrer para assegurar o território de cujo domínio tiram o sustento.

    A questão, obviamente, é minimizar danos e mortes —prender os criminosos e anular as lideranças é o objetivo, não matá-los— e encaixar operações estrepitosas como a de terça numa sequência de ações de outras naturezas que, associadas, possam ensejar o desmantelamento das quadrilhas e a liberação dos

    Essa deveria ser a métrica para aferir o sucesso da operação, não a politicagem dos governos. As primeiras informações —poucos mandados executados, líderes fugitivos, comandos para a reação vindos diretamente de presídios— dão margem a ceticismo sobre o saldo da ação, a mais letal do tipo já registrada.

    Mas esse saldo poderá ser menos ruim caso as autoridades se engajem nas melhores práticas para a sequência do combate ao totalitarismo criminoso.

  3. PESQUISAS DERAM SINAIS

    O olhar deste domingo aos ler a maioria dos artigos chorosos. A maior parte da dita grande mídia, cujas redações são infestadas do pensamento único da esquerda festiva – a que se expõe trazendo “especialistas” ridículos para dar aval em nome dela, a academia como um todo, intelectuais, artistas, partidos da esquerda do atraso, Ongs e grupos que usam a violência para discursos contra policiais, a repressão ao crime e endurecimento penal, bem como instituições que colaboram para esta encenação – pois sem elas não haveria o constrangimento e o medo de se discutir abertamente soluções para este grave assunto que sufoca a sociedade -, foram surpreendidas pela divulgação de várias pesquisas neste final de semana. Nelas, sem recortes, mostra-se a aprovação ou simpatia de uma maioria nada desprezível à ação policial no Rio de Janeiro, na qual resultou, até agora, na morte de 121 pessoas, entre elas, 117 supostamente criminosos ligados ao tráfico e obedientes ao grupo narcoterrorista do Comando Vermelho.

    Estas pesquisas mostram que estão esses arautos da apologia ao crime organizado sob vários disfarces de defesa direitos humanos – que deve ser uma premissa de uma sociedade civilizada – com o discurso errado para exatamente gente cruel, à margem da lei e do estado, do estado de direito onde se insere os direitos humanos que nunca praticam quando no domínio e conquista de territórios.

    Segundo lugar, estas pesquisas dizem que a população extorquida, marginalizada e usada pelos políticos, governantes, e criminosos-traficantes está cansada da insegurança. Não querem paz. Querem o mínimo: a vida no seu espaço de habitação; o direito de ir e vir, de empreender e de fazer escolhas.

    Terceiro lugar, o mais importante, é que o espaço de poder desses políticos movidos pela ideologia de proteção aos bandidos sob o disfarce de proteção aos pretos e pobres (as verdadeiras vítimas do banditismo cruel organizado, pois são escudos e miseravelmente constrangidos e extorquidos), está ameaçado, silenciosamente, à beira de uma eleição geral. E ela será decisiva para o PT, Lula e a esquerda do atraso consolidar este papel de passar a mão na cabeça de bandidos, livrá-los de penas e do pagamento de impostos que o governo do PT impõe, cada vez mais alto e on line aos cidadãos comuns e ordeiros, por conta da gestão errática que faz com o dinheiro público e da Lei que se aplica com rigor a uma maioria e a mesma lei e fiscalização punitiva não abrange a uma minoria, cruel e delinquente.

    As pesquisas deram sinais. E toda a esquerda ficou arrepiada. Sidônio Palmeira está obrigado, novamente ao cavalo de pau a favor do PT, Lula e a esquerda do atraso para que até cinco de outubro do ano que vem, o espidio do Rio de Janeiro seja página virada. Será?

  4. RESPOSTAS MIDIÁTICAS À CRIMINALIDADE, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo

    A chacina de israelenses em outubro de 2023, as execuções sumárias de palestinos pelo Hamas, a campanha militar de Israel na Faixa de Gaza, o bombardeio americano de embarcações no Caribe e no Pacífico e a operação da polícia no Rio de Janeiro têm um propósito político comum: saciar a sede de sangue do público.

    Desde a Antiguidade, quando imperadores romanos punham gladiadores para lutar, os políticos lançam mão desse truque: entreter o povo com violência explícita. O Taleban promovia execuções nos intervalos das partidas de futebol. Pessoas agitadas pelo medo e pela raiva são fáceis de manipular.

    Vídeos dos bombardeios de lanchas no Caribe, que já mataram dezenas, são publicados no X pelo secretário da Guerra americano, Pete Hegseth. Assassinatos feitos para serem exibidos. Sua eficácia policial é nula.

    A forma correta de conter o narcotráfico é abordar as embarcações com lanchas da Guarda Costeira, confiscar e examinar a droga, deter e interrogar os traficantes, para investigar a complexa cadeia que vai da sua produção à venda. Mas esse é um trabalho sigiloso, que não produz imagens semelhantes a videogame.

    Em 2002, a Comuna 13 de Medellín era ocupada por traficantes, paramilitares e guerrilheiros. Em outubro daquele ano, o então presidente Álvaro Uribe ordenou a Operação Orión, que resultou na morte de 17 pessoas pela Polícia Nacional e 71 pelos paramilitares, equivalentes colombianos dos milicianos cariocas.

    Diante do caos, moradores de Medellín criaram o Comitê Universidade-Empresa-Estado, que passou a discutir soluções para a cidade. Cada um saía da reunião com uma tarefa. Daí nasceram planos integrados de segurança, transporte, urbanismo, meio ambiente, empreendedorismo, empregabilidade e inovação.

    A taxa de homicídios por 100 mil habitantes caiu de 160 em 2000 para 85 em 2010 e 14 em 2020. Fui a Medellín em 2006 e 2017 fazer reportagens sobre a transformação. Sucessivos prefeitos deram continuidade aos planos, vinculados a consensos construídos na cidade, não a disputas políticas.

    A lógica binária faz pensar que ou se fica de braços cruzados ou se parte para a violência indiscriminada. O uso tecnicamente incorreto de “guerra” e “terrorismo” para definir o crime organizado é parte do ilusionismo. Passei a vida cobrindo guerra e terrorismo de verdade, assim como a criminalidade no Brasil. São fenômenos diferentes, que precisam ser combatidos de formas diferentes. É fácil recorrer à violência. Dá trabalho construir soluções efetivas. Mas vale a pena.

  5. NOVOS VENTOS (E MORTOS) NA POLÍTICA, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

    Com as 121 mortes na operação policial do Rio, acusada de chacina pela esquerda, aplaudida pela direita e, segundo as pesquisas, apoiada pela sociedade, a oposição se realinhou e ganhou novo ânimo e nova bandeira para superar a dependência de Jair Bolsonaro e enfrentar o favoritismo de Lula para 2026. O ambiente político, já tão instável, sofreu mais um solavanco.

    Lula, que vinha deslizando na pista eleitoral praticamente como candidato único, deve se preparar para fortes obstáculos no Congresso, onde não se fala mais de anistia ou dosimetria para Bolsonaro, mas a pauta saiu da economia, prioritária para o governo, e desabou na segurança, solo fértil para a direita.

    Lula está no palanque, mas pode terminar 2025 com a derrota acachapante da PEC da Segurança no Congresso e entrar no ano eleitoral enfrentando a CPI das organizações criminosas, comandada pela oposição e focada em martelar que a esquerda “defende bandido”, é “contra a polícia” e “conivente com o tráfico”. Esquecendo, aliás, que os Bolsonaro deram a principal comenda da Alerj a um miliciano preso e depois morto pela polícia.

    Segundo o ministro Ricardo Lewandowski, o ponto central da PEC é dar maior cobertura legal para a atuação federal contra o crime organizado e garantir o compartilhamento de informações e o esforço conjunto de União, Estados e municípios.

    Não é essa, porém, a percepção dos governadores de oposição nem do próprio relator da PEC na Câmara, deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE).

    Para ele, a proposta concentra o comando da Segurança Pública em Brasília e precisa de “mudanças profundas”. Com essa posição do relator, uma base precária, o centrão dando as cartas, a direita e boa parte da sociedade querendo sangue, a PEC tende a virar do avesso. Do outro lado, o governo parece tonto, sem saber o que dizer e como reagir.

    Na CPI, que vai correr em paralelo, o que menos interessa é que a escalada espantosa da violência é uma derrota de décadas, da direita e da esquerda e dos governos, um atrás do outro. Os únicos vitoriosos são o PCC, o CV e seus filhotes. A verdade, porem, não importa. CPIs sempre miram no governo de plantão, principalmente, se ele está em vantagem para a eleição seguinte.

    Os governadores que aplaudiram Cláudio Castro e a centena de mortes no Rio criaram um consórcio que pode ser tudo, menos “da paz”, e serão decisivos para os rumos da PEC, da CPI e da eleição. E o governo? Está às voltas com um dilema: como compatibilizar o discurso histórico de Lula e do PT com a posição majoritária do eleitorado na prioritária e explosiva área da segurança pública?

  6. A prova de crime e criminosos sempre estão na frente do estado e o estado atrasado depois do território tomado pelos bandidos, mesmo avisado de que seria assim, corre para enxugar gelo. As Bets regularizada tomaram o dinheiro da economia formal, mas ainda, repassam uma pequena parte em tributos. Mas, as ilegais, são maioria, criminosas sob todos os aspectos e parecem sem controle algum. E o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, PT, continua com o discursinho de que é preciso sufocar os bandidos pelo dinheiro que arrecadam, se é o próprio sistema governamental que não consegue pegá-los, mas está armado até os dentes para pegar quem não é bandido ou sonegador, no aumento desenfreado dos impostos on line cada vez mais altos.

    O CADEADO NA PORTA ARROMBADA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A autorregulação da Febraban que facilita o encerramento de contas de bets irregulares e de contas de laranjas usadas em fraudes e golpes é a mais recente ação de combate à lavagem de dinheiro e outros ilícitos financeiros que explodiram após a canhestra regulação do mercado de apostas online no País. Um processo que deixou largas brechas que os órgãos oficiais – e agora os bancos – tentam vedar.

    A operações policiais deflagradas simultaneamente há cerca de dois meses – Carbono Oculto, Quasar e Tank –, e que revelaram a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em negócios formais, expuseram o emaranhado do crime cuja atuação no mercado financeiro é a prova contundente de que a regulação dos jogos online foi mal feita. Como o único objetivo do governo era aumentar a arrecadação de impostos a partir da liberação das bets, ninguém em Brasília pareceu se preocupar com a possibilidade de infiltração do crime organizado.

    Recentemente, no 15.º Congresso de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, deixou clara a convicção de que foi um processo precipitado. “O Estado errou bem a mão ao legalizar os jogos online”, disse Sidney no evento, do qual participava também o delegado federal Ricardo Saadi, que admitiu ter assumido em julho a presidência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) justamente para conter a atuação do crime organizado no sistema financeiro.

    No mesmo dia, em entrevista à GloboNews, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu a preocupação com as bets, menos de um ano após a regulação ter sido concluída. “Esse tema está trazendo muitos danos, inclusive de saúde, para a sociedade brasileira”, afirmou o ministro, que tenta elevar o tributo de 12% instituído no ano passado e que as bets passaram a pagar neste ano.

    O esforço para fechar as contas de 2024 incluiu o processo de regulamentação, com o bônus de outorga de R$ 30 milhões para cada operadora. Pelos dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, 82 empresas estão autorizadas a operar. Os R$ 2,46 bilhões das outorgas, confirma-se agora, foi um preço baixo para uma operação cercada de riscos, tanto para a saúde pública quanto para o sistema financeiro.

    Com a autorregulação, os bancos tentam coibir e punir eventuais práticas criminosas. As fintechs, que não são bancos, mas estão autorizadas a operar serviços de contas digitais, deveriam adotar medidas semelhantes. Até porque foi esse o caminho mais acessível encontrado pelo crime para operações de lavagem de dinheiro.

    Com lobby poderoso no Congresso, a bancada das bets é encabeçada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), defensor declarado da legalização dos jogos. Os parlamentares avalizaram o avanço firme da jogatina e protagonizaram espetáculos constrangedores, como a rejeição integral do relatório da CPI que investigava possíveis ligações das casas de apostas com organizações criminosas e a promoção irregular por influenciadores digitais. Influenciadores foram tietados, 16 pedidos de indiciamento, desprezados, e o jogo, liberado

  7. A GUERRA JÁ ESTÁ INSTALADA, MAS É OUTRA, por Augusto Franco no X

    O movimento dos governadores que não são capachos do lulopetismo (alguns bolsonaristas, outros somente antipetistas, ditos “de direita”) está correto, embora o conteúdo do que estão falando (como essa história de combate ao “narcoterrorismo” como guerra) esteja errado.

    A iniciativa está correta porque Lula e o PT no governo, em parte por razões ideológicas anacrônicas, não têm condições de resolver o problema. Todavia, diante da polarização e já em plena campanha eleitoral antecipada, nada vai surtir efeito no curto prazo.

    Na verdade, a guerra que alguns querem não é contra as facções criminosas e sim contra seus concorrentes nas urnas de 2026 – e essa guerra (ou a prática da política como continuação da guerra por outros meios) já está instalada.

    Por sua vez, os que estão no governo e não querem guerra contra as facções criminosas também estão em guerra, mas contra as oposições. Aliás, o PT – que introduziu o “nós contra eles” na política recente do país – sempre atuou no modo guerra (ainda que sem derramamento de sangue, como Mao definia a política). Os adversários são inimigos. É preciso destruí-los.

  8. O MUNDO BANDIDO QUE NOS SUFOCA

    Está muito difícil, nestes dias, escolher na grande imprensa, artigos para replicar aqui à reflexão e plurais, os quais podem retratar o medo das pessoas comuns, a crueldade sem fim dos bandidos urbanos e seus tribunais de execução, a dinheirama que rola nos negócios e sem qualquer tributação que atola e empobrece ao cidadão, a economia e o empreendedorismo formal que são vigiados pelo estado, pegos como sonegadores bandidos e pagam on line, sem direito a reclamação na restituição a erros de cálculos que cometem por não terem caras assessorias.

    De um lado, está a narrativa romântica das vítimas da sociedade.

    De outro, gente que no fundo, quer revanche com a mesma crueldade. Isto não resolve. Acirra.

    Não há solução fácil – e não pode ser só a partir da repressão e alguns casos começa apenas com uma família presente estruturada – para um passo atrás de todos.

    Sem concessões, os bandidos devem ser tratados como tal, inclusive na linguagem jornalística que hesita, inventa expressões ou até os transforma em heróis da resistência. Como bandidos, eles devem ser indiciados, julgados e penalizados pela lei vigente. Os próprios tribunais falham, clamorosamente na aplicação na multiplicidade de leis já existentes. Começa na audiência de custória. Passa pelas decisões monocráticas dos plantões dos tribunais e até as colegiadas, desqualificado provas e a forma do procedimento de enquadramento penal aos endinheirados.

    Mas, o pior nem é isto. Parece, sem pudor, que até no Congresso (e nas igrejas), nosso representante legislativo, esse estado paralelo possui vozes dominantes, os quais, por interesses, ideologia e votos de currais, julgam os cidadãos e cidadãs de bem como revanchistas e os bandidos, vítimas dessa sociedade perversa. Então tudo tende a vai piorar

  9. A MAIOR FACÇÃO CRIMINOSA do Brasil não usa FUZIL, usa a CANETA.

    Pra mudar essa realidade dependemos de alteração nas leis lá no congresso nacional, aquele que legisla em causa própria…

    1. Bom dia. Permita-me discordar, ou então acrescentar. A maior facção criminosa do Brasil não usa fuzil, encastelada em palácios e instituições caras, eleita ou escolhida por nossos representantes, feitas para regular e proteger a sociedade que corre contra o tempo nos avanços de negócios e de tecnologia, trama por lobistas do mal atrás de computadores pela fragilidade das leis, exatamente para proteger o mal e punir os de bens

  10. UM DEBATE CRUCIAL PARA O PAÍS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A operação policial que provocou mais de cem mortes nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio, colocou o País diante de um debate inadiável. O Brasil precisa decidir se o avanço do poder bélico e financeiro das grandes organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), ainda pode ser enfrentado como uma questão ordinária de segurança pública, ou se já estaríamos numa situação de “conflito armado não internacional” – que em alguns casos pode ser chamado também de guerra civil –, o que demandaria uma abordagem substancialmente diferente da atual.

    Esse debate precisa ser travado sem embaraços ideológicos ou políticos, porque o resultado afetará a todos. E, sobretudo, seja qual for a escolha democrática que se faça, roga-se que a violência do crime organizado não sirva de pretexto para a supressão de direitos e a adoção de medidas de caráter excepcional, ao arrepio das leis e da Constituição. Mesmo as guerras – se decidirmos que estamos em uma – têm regras.

    A confusão conceitual que envolve o combate ao crime organizado ficou evidente. O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), por exemplo, afirmou que a polícia não enfrenta mais traficantes comuns, e sim “narcoterroristas”, e as autoridades de segurança dizem que a polícia está lutando uma “guerra irregular”. A nomenclatura não é acidental: na prática, se o Rio está em “guerra” e se o inimigo é “terrorista”, o uso da força para matar, e não para prender, estaria justificado – o que tiraria a questão do terreno da segurança pública e a transformaria num problema militar.

    Considerando a percepção crescente de que o Estado perdeu o controle sobre largas porções de seu território, nas quais vigora a lei das facções, e que estas constituem hoje verdadeiros exércitos não raro mais bem armados que a polícia, as leis atuais e o ferramental à disposição das autoridades para o enfrentamento desse fenômeno são claramente insuficientes.

    Eis por que uma pergunta crucial para o futuro do País se impõe: PCC e CV são problemas de polícia ou se tornaram um ataque à soberania nacional? A resposta definirá tanto o tipo de técnica operacional que o Estado deve adotar, como, sobretudo, o arcabouço jurídico apto a legitimá-la. Se se trata de segurança pública, operações policiais como a que houve no Rio são inúteis. É preciso mudar os métodos de ação e adequar as leis ao avanço do crime, sempre considerando que os criminosos devem ser prioritariamente presos, e não eliminados.

    Se, ao contrário, o País reconhece que está diante de um conflito entre forças estatais e grupos organizados com estrutura hierárquica e capacidade militar, então a questão muda de natureza. Será preciso aprovar um novo marco legal, instrumentos operacionais específicos e protocolos compatíveis com a legislação internacional em vigor sobre esse tipo de combate. Hoje, o Brasil não dispõe desse arcabouço. Do ponto de vista operacional, o emprego das Forças Armadas em operações de Garantia da Lei e da Ordem para prover segurança pública urbana é sabidamente ineficaz há décadas.

    A premência desse debate impõe mais responsabilidade. As discussões não podem se orientar pelas paixões ideológicas nem serem instrumentalizadas por conveniências políticas de ocasião. A disputa eleitoral que se avizinha é terreno fértil para o populismo de viés autoritário nessa seara. O discurso da “guerra ao crime” seduz uma sociedade esgotada pelo medo, mas é perigoso. No limite, pode levar a excessos e ilegalidades que agravam a violência que se pretende combater, sem que o problema se resolva. Por outro lado, a recusa em reconhecer as reais dimensões do CV e do PCC – tratando as facções como mera questão de segurança pública – pode retardar a adoção de medidas que, de fato, tenham o condão de resolver o problema de uma vez por todas. Entre o belicismo exacerbado e a tibieza, há uma via racional e republicana que o País precisa encontrar.

    O Estado deve agir com firmeza, mas também com legitimidade. E, para isso, precisa primeiro saber com clareza o que está enfrentando. O combate ao crime organizado exige estratégia, coordenação e propósito – e isso deve ser pactuado por todos, como nação.

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