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ELES ME APLAUDEM, FORNECEM AS INFORMAÇÕES E ME USAM NA MINHA RECONHECIDA IMPARCIALIDADE PARA A CIDADE SABER DAS MAZELAS DOS SEUS ADVERSÁRIOS NO PODER DE PLANTÃO. QUANDO ESTES MESMOS BENEFICIÁRIOS CHEGAM AO MESMO PODER, QUEREM EU MANSO, CALADO, CÚMPLICE, ESCONDENDO AS MESMAS E NOVAS MAZELAS. SE EU NÃO FIZER ISSO, CONSTRANGEM-ME, PREJUDICAM-ME E ME PROCESSAM COMO LIÇÃO E CASTIGO ETERNOS

QUAL FOI O BABADO?

Bom dia. Primeiro minhas desculpas. Este artigo apesar de ser uma prestação de contas de um exemplo entre muitos contra o meu trabalho sem contrapartida remuneratória ou benefícios de qualquer tipo – a não ser a evolução da cidade e seus habitantes -, no fundo, reconheço, é pessoal. Por isso, não tem sido recorrente por aqui. Pois se trata de uma explicação pessoal. Como o blog é meu…

Assim vou tentar ser breve. Difícil.

Qual é o babado? Os políticos e poderosos de plantão “adoram” os críticos – ainda mais quando não precisam pagá-los -, mas para expor os outros. “Adoram” muito mais quando não precisam colocar suas próprias digitais e fingem ser só as iniciativas de terceiros, como eu, vigilantes pela comunidade, como eu. 

Quando na oposição, eles próprios alimentam com informações e farta documentação – como fontes – gente como eu que tenho causas e outros que são pagos de alguma forma – benefícios, propaganda, empregos -, incluindo promessas de facilidades. Juntando tudo, usufruem disso direta e indiretamente para chegar e estar no poder. É do jogo. Eu entendo. Eu aceito. Mas, não concordo. E é aí que começam as nossas distâncias. E em algum ponto, o atrito.

Ou você leitor e leitora, para não levar ao passado distante, que além da onda conservadora e do bolsonarismo, acha que Paulo Norberto Koerich, PL, foi eleito prefeito no ano passado, apenas pelo seu currículo, se não fosse eu, corajosamente, desnudar por anos afio as incoerências do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, todos com a poderosa máquina governamental na mão, todos os três, conservadores e bolsonaristas adeptos da Deus, Pátria e Família como o eleito? A CPI do Capim Seco e outras, não me deixam órfão, apesar de tudo ter sido ou pode estar sendo colocado para debaixo do tapete. Os depoimentos – como o do ex-controlador geral de Kleber, um ex-amigo pessoal de afinidade religiosa, áudios vazados de conversas cabulosas e documentos, não deixam dúvidas.

OS MESMOS DEFEITOS E A INGRATIDÃO QUANDO NO PODER

Quando no poder, os eleitos e beneficiados pelas minhas observações críticas, juram múltiplos prejuízos, vejam só, contra quem lhes facilitou à ascensão ao poder e nunca me beneficiei particularmente disso.

É recorrente. Por exemplo, foi assim com Kleber. Ele teve claros benefícios, diante daquilo que só eu desnudei da gestão de Pedro Celso Zuchi. Não por ser Zuchi do PT, como ele me acusava. E sim, por não dar transparência à cidade, ou ter aparelhando à Administração. Fiz o meu papel de fiscal sonegado por quem deveria ter feito. Entre elas, sob pressão e ameaça, sempre denunciei à marota intervenção no Hospital de Gaspar. Antecipei o desastre. De forma bem clara. Hoje esta intervenção se mostra desastrosa para todos – cidade, cidadãos, cidadãs, vulneráveis, a Saúde Pública local e o próprio Hospital. E qual foi o legado disso? Um buraco sem fundo. Se não foi uma reiterada estúpida e continuada incompetência de gestão, ele foi benéfico, incrivelmente, pelo vício, oportunidade, falta de transparência, falta de fiscalização, exatamente para poucas pessoas no poder de plantão.

Continuo na ladainha.

Por não me dobrar, ou ter entendimento diferente e principalmente por se negaram ao debate, inclusive aqui, onde sempre lhes foi franqueado esta oportunidade (tem um espaço abaixo específico e nunca me furtei à dar versões com possibilidade de mais desnudamentos), constrangem-me, humilham-me, prejudicam até na fruição dos meus bens particulares, criando embaraços políticos, administrativos e jurídicos por longos anos, além de desonrar-me, desqualificar-me, lançando-me ao rol dos mentirosos e fofoqueiros – porque, sabem, perfeitamente, o que acontece com eles e como eu sou ou fui nestes casos, alimentado por uma rede de fontes da qual eles, ativa e sorrateiramente, já foram parte. Repito: já foram parte e estão retomando o contato à medida que voltam à sombra do poder e ninguém mais lhes dá bola, crédito e espaços. Impressionante!

Como não me calo, vão à Justiça para me intimidar, punir, causar mais dissabores e possíveis prejuízos. Um deles, entre tantos, foi Carlos Roberto Pereira, advogado, o criador do projeto de poder para o seu então MDB por pelos menos 30 anos – agora nele, nem está, nem mesmo ativamente na política – o prefeito de fato em parte do governo de Kleber. Saído da vida pública, Carlos Roberto Pereira está agora às voltas como consultor em empresas de investimentos. 

Carlos Roberto Pereira foi o cabeça, articulador e chefe da campanha da candidatura de Kleber Edson Wan Dall, MDB, a prefeito, desde a derrota dela nesta intenção em 2016. Foi presidente do cada vez menos importante MDB de Gaspar. Foi criador da cara Reforma Administrativa que lhe deu super poderes na concepção que é até hoje a secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, motivo de disputa neste legado de superpoderes no atual governo. 

E Carlos Roberto Pereira foi interinamente um dos 12 secretários de Saúde – um absurdo esta alta rotatividade em algo tão crucial para uma gestão e os mais vulneráveis dependentes de Saúde Pública – que Kleber teve em seus dois mandatos. Resumindo: Carlos Roberto Pereira, foi criador de um projeto de poder de 30 anos que durou apenas oito diante de tantos erros – e ninguém foi capaz de desmenti-lo ou enfrentá-lo como eu, o prefeito de fato do governo Kleber durante pelo menos cinco anos em que ele esteve na parceria de poder na prefeitura com Kleber.

Se faltava razão para mim, foi o próprio Carlos Roberto Pereira que me deu a carta de alforria. Ele pulou fora da barca que afundava. Ou seja, o projetoque ele comandava, é que foi a pique. E nada foi pior do que ser mal substituído, e bota mal nisso, pelo irmão de templo de Kleber, Jorge Luiz Prucino Pereira, PSDB, o terrível evangélico de confiança, que dispensa comentários e não é o foco deste artigo, mas é um retrato de tudo que hoje está sob questionamento.

EU SOU UM PROBLEMA. EU MESMO RECONHEÇO. E CONTINUAREI

Nossas vidas se transformaram. De articulista “útil” pela credibilidade e independência aos interesses dos que queriam o poder, virei um problemaço, porque não me calava e não mudava a minha linha de conduta no olhar da maré político administrativa gasparense. Aliás, não mudei. Quem vai para a vida pública entra numa redoma de vidro frágil. Está exposto, com o título de autoridade. E outra vez, estou sendo acusado de ser um problema aos poderosos de plantão que juraram por a limpo tudo o que diziam não concordar, mas que agora, aceitam-na como exceção.

E com as novas feridas do “novo” governo de Kleber, o não petista, o evangélico, o jovem, o visionário, o com equipe bem composta, sempre expostas por mim e as vezes pela rádia comunitária, era preciso me assustar. Três CPI – sendo que duas não deram em nada – e uma caminha para a mesma direção até semana passada e espero olhar o relatório, não me tiram a razão. Mesmo supondo que ele não tenha diretamente participação, indiretamente Carlos Roberto Pereira, como seu criador, articulador e administrador com a última palavra do governo Kleber – que ele fazia questão de enfatizar por gestos, articulação e determinações -, sempre assumiu as dores de um governo obrigado a defendê-lo, até porque, estava na cara, de que era ele quem mandava, desmandava em tudo e também punia.

O PROCESSO. O RESULTADO

Um dia, Roberto, como secretário da Saúde, nas férias dele viajou ao exterior. Nada contra. Era época de início de pandemia de Covid 19. Um caos no Brasil para algo bem desconhecido que se iniciava no mundo repleto de mortes e despreparo científico ao combate eficaz. Medo. 

Preventivamente, cientistas, técnicos e até mesmo o negacionista governo de Jair Messias Bolsonaro, PL, ditaram restrições aos que vinham do exterior como possíveis vetores da doença. Estavam todos obrigados à quarentena para serem monitorados e não “espalharem” a então desconhecida doença que matava aos montes. E Carlos Roberto Pereira não a fez, mesmo estando obrigado ao exemplo como secretário interino da Saúde. Registrei. Pronto: virei, mais uma vez, um inimigo dele e da administração. Precisava me frear preventivamente pelo medo. Enxergou mais uma oportunidade. Processou-me, achando que fatos anteriores com a mesma intenção lhe davam este benefício na Justiça que a tinha como “amiga”. 

Mas, o tempo é o senhor da razão. E eu sei esperar. Estou septuagenário. Como dizia o ex-primeiro ministro do Brasil, Tancredo de Almeida Neves, “quando a esperteza é demais, ela come o dono“. Quis repetir a dose. E eu não quis mais cair na mesma cilada com os que deviam me proteger na jurisdição. Mudei.

O meu advogado (e do jornal Cruzeiro do Vale, pois na época o comentário foi publicado lá [nunca na vida recebi um tostão do jornal], quando eu era líder de audiência por lá e depois que saí de lá, e aqui ninguém mais me lê) Aurélio Marcos de Souza (foto ao lado em uma das suas múltiplas graduações), trabalhando mais uma vez pro bono, conseguiu com argumentos sólidos, a lei e a razão, absolver-me, aqui na Comarca e no Tribunal de Justiça, onde fez até ementa no Acórdão: é preciso a quem acusa os outros, demonstrar o real prejuízo que o olhar crítico proporcionou ao autor.

E Carlos Roberto Pereira, o advogado, o político articulador, o estratégico de um poder para década na cidade e que não durou uma, o poderoso secretário de Kleber, não provou objetivamente no que lhe prejudiquei e com isso lhe causei danos a serem reparados. Afinal, foi ele próprio quem escolheu ser ente publicamente exposto e bem exposto, pois sempre fez questão de ressaltar a importância dele no processo político que comandou e centralizou por um longo período em Gaspar.

Era Carlos Alberto Pereira quem devia dar explicações à cidade e mais do que isso, no caso específico, eram quem precisava dar exemplos aos seus concidadãos. E o meu erro e petulância, como ente social, foi cobrá-lo, como sempre fiz com todos no poder de plantão, entes politicamente expostos. Ao me levar à Justiça, Carlos Roberto Pereira me queria apenas acuado e se vingar. E desta vez, não as teve.

Aliás, antes de prosseguir. Neste mesmo caso, Carlos Roberto Pereira, tentou, neste mesmo assunto me enquadrar na esfera criminal. Não conseguiu. Era um sinal. Preferiu desdenhar e desafiar o sinal. E o resultado seguiu o curso natural.

O QUE DISSERAM A JUÍZA E OS DESEMBARGADORES QUE JULGARAM O CASO?

No período crítico da contaminação, desconhecimento terapêutico e busca de vacinas, diante de dores, fatos, mortes as milhares e até o meu medo por estar entre os mais vulneráveis, como defensor das razões cientificas, alinhei uma série de comentários críticos aos que duvidavam, por aqui, das medidas restritivas e naquilo que o governo de Gaspar, também em tons de negacionismo, falhava. Carlos Roberto Pereira, pescou todos os meus comentários em sua defesa, como se fossem tudo contra ele, de uma única observação que lhe fiz. Não colou. Aliás, enfraqueceu-lhe na sustentação na busca da minha punição.

Ao julgar improcedente aqui na Comarca o pedido de punição feito por Carlos Alberto Pereira contra o Jornal Cruzeiro do Vale e eu, a juíza da 1ª vara, no dia 29 de julho deste ano, depois de muitos anos do processo, Maria Augusta Tonioli, por convicção, materialidade, culpa objetiva à pretensão, fundamentada na farta jurisprudência disponível e atualizada, não viu ofensa ou inverdades naquilo que observei a Carlos Roberto Pereira. Reconheceu, todavia, que tais minhas publicações, fortes, foram desconfortáveis para Carlos Roberto Pereira, um ente público, exposto às críticas, situação, ressalta-se, mais uma vez, só ele escolheu assim estar ao participar da primeira linha de frente de um projeto de poder para construir, eleger e ser parte de um governo e um partido, então dominante na cidade. Eu, por exemplo, nunca fui inscrito a qualquer partido na minha vida.

E a juíza Maria Eduarda tinha razão. Carlos Roberto Pereira, inconformado, apelou ao Tribunal de Justiça. Por unanimidade, os desembargadores Denise Volpato (a relatora), Saul Steil (presidente) e Gérson Cheren II convalidaram no dia 30 de setembro a decisão da juíza Maria Augusta Tonioli. A relatora viu críticas duras e até sacarmos, mas não ofensa e muito menos prejuízos, que a defesa e Carlos Roberto Pereira não provou para eu repará-lo na consideração do juízo e dos julgamentos. Ontem, a expirou o prazo para Carlos Roberto Pereira recorrer, questionar e ainda tentar reverter as decisões de primeiro e segundo graus.

Mais. A Ementa do Julgado no Acórdão não deixou dúvidas e premiou o doutor Aurélio. “Apelação Civil de obrigação de fazer com Indenização por Danos Morais. Veiculação de matérias jornalísticas com crítica a ocupante de cargo público. Sentença de improcedência”.

Recurso do Autor. Pleito objetivando o reconhecimento do cunho difamatório e calunioso das matérias jornalísticas produzidas e veiculadas pelos demandados, com consequente condenação ao pagamento de indenização por Danos Morais. Insubsistências. Matérias com conteúdo crítico voltadas à atuação no requerente na  qualidade de ocupante de cargo público municipal. Ausência de ataques pessoais com ofensa à honra ou à imagem do autor. “Animus Caluniandi” e “Injuriandi” inexistentes. Liberdade de manifestação e Garantia Constitucional (Art 5º, Inciso IV, Art 220, da CF). Sentença de Improcedência Mantida“.

Resumindo. Não preciso ir no detalhes do processo e do Acórdão. Juristas, por ofício, escrevem melhor do que eu neste tipo de matéria.

É MAIS UMA HISTÓRIA DE FINAL FELIZ? NÃO!

Estou de alma lavada? Não! Triste, apenas. Se fui vencedor nesta Ação, de outras, por que raramente me vangloriei aqui? Porque este temor e tentativas de me desqualificar estão presentes permanentemente como ameaça, constrangimento e humilhação desde a esquerda até a direita. Não importa. É coisa de poderosos. Basta não ser do sistema do poder plantão. Se você não se alinha automaticamente, torna-se um inimigo a ser abatido. E sua boa fé até então aferida por eles, é imediatamente ameaçada, anulada, descontruída e punida. É um rotina.

Basta se estar no poder, meu alvo preferencial das minha crônicas e observações críticas para o ganho coletivo de uma comunidade, e nele [poder, como se ilimitado fosse] se sentir ameaçado na suposta imunidade unilateral, ou injustamente perseguido pela comunidade, ou um porta-voz dela – como eu -, por simplesmente se pedir esclarecimentos, ou se apontar às claras [ com identificação, como as sempre fiz], incoerência de procedimento – como foi este caso -, ou desnudar os interesses particulares sobre os públicos, erros e posicionamentos dos poderosos de plantão. E não será surpresa, este simples relato for motivo, por birra e perseguição, de outra interpelação judicial.

Os poderosos quando no poder de plantão, acham-se também deuses e imunes. O regramento jurídico é mero detalhe. Eu ainda estou resistindo. Acorda, Gaspar!

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15 comentários em “ELES ME APLAUDEM, FORNECEM AS INFORMAÇÕES E ME USAM NA MINHA RECONHECIDA IMPARCIALIDADE PARA A CIDADE SABER DAS MAZELAS DOS SEUS ADVERSÁRIOS NO PODER DE PLANTÃO. QUANDO ESTES MESMOS BENEFICIÁRIOS CHEGAM AO MESMO PODER, QUEREM EU MANSO, CALADO, CÚMPLICE, ESCONDENDO AS MESMAS E NOVAS MAZELAS. SE EU NÃO FIZER ISSO, CONSTRANGEM-ME, PREJUDICAM-ME E ME PROCESSAM COMO LIÇÃO E CASTIGO ETERNOS”

  1. VISÃO EMBAÇADA

    Desde ontem, já li, alguns até reli para entender melhor, 29 artigos e colunas de opinião (não notícias ou reportagens com opiniões de “especialistas” e que vão na mesma direção) que foram publicados nos jornais Folha de S.Paulo, O Globo, O Estado de S. Paulo e Correio Braziliense. A ampla maioria não dá moleza: a operação policial de ontem no Rio de Janeiro que resultou na morte de 121 pessoas, incluindo quatro policiais, foi um erro brutal sob qualquer ângulo que se olhe. Um deles, eu concordo: só o enfrentamento armado não resolverá o problema por si só. As forças de segurança estão em clara desvantagem.

    Voltando. Não vou às redes sociais, sem controle e um fórum descontrolado, onde majorariamente a operação ganha aplausos. Vou aos próprios veículos de comunicação que publicaram esses artigos. E quando a área de comentários desses mesmos veículos é aberta a leitores e leitoras, esses artigos são amplamente são contestados pelos mesmos assinantes (porque quase todas só permite comentários de assinantes) desses veículos. E olha que 95% desses leitores e leitoras preferem só ler do que se expor e contrapor.

    Ou seja, há claramente, uma distância entre a ideologia que domina a academia e as redações com a realidade dos comuns, ralam para viver e mesmo ralando, estão sujeitos à insegurança ou pior, à bárbara, cruel e tribunal próprio que os tutela pelo estado paralelo, um estado, que cada vez mais contamina instituições e elegem representantes nos parlamentos das cidades, estados e no Congresso, sonegam, se enriquecem e se empoderam.

    Alguma coisa está errada nesta visão embaçada dos que publicam essas opiniões em completa dissonância com as pessoas, as cidadãs e cidadãos comuns, os que verdadeiramente, de uma forma ou de outra sustenta o estado omisso, incompetente ou conivente. A começar a rotular quem simpatiza com as operações de ontem, como extrema direita. É uma forma de estigmatizar para facilitar o domínio desse estado paralelo.

    1. a polícia foi cumprir 100 mandados de prisão…levou 2mil e poucos policiais pq sabia onde estava se metendo…foram recebidos com drones soltando bombas…isso mesmo..drones…armamento deles quase superior ao da polícia…óbvio, acabou se tornando uma guerra armada do bem contra o mal…4 policiais foram mortos (alguém sabe? pois pouco se fala)…morreram 118 bandidos (por hora)…um deles tinha nada mais nada menos que 100 homicídios, incluindo de idosos e crianças, no seu histórico…e a polícia usou força demais? foi exagerado? deveriam avisar o governo? o que devem fazer, realmente, é pegar a turma de cima, cujo “sócios” dessas organizações andam de jatinho e estão no poder em brasília…é por lá também que devem cumprir mandados de prisão..

      vamos aguradar agora o lula decretar 5 dias de luto em homenagem às vitimas dos usuários de drogas..

      e os policiais mortos? ah, deixa pra lá….

      1. Como numa ou outra organização econômica, social, de resultados coletivos e individuais, há várias camadas para que isso aconteça, se proteja, perpetue e se fortaleça.

        Realmente, os barões do narco terrorismo e crime organizado no Brasil, com ampla relação internacional, usam até gravatas, muitos são sabidinhos, estão em edifícios e condomínios de luxo, ou até no exterior, disfarçam e ostentam pouco, possuem empresas, negócios lícitos como fachada, bons contadores, advogados e gente ligada ao meio digital, incluindo a Inteligência Artificial. É um universo paralelo. E até pode estar, disfarçadamente bem perto de nós, nos usando ou nos comprometendo.

        Entre eles (os barões), e os soldados que aterrorizam o asfalto, matam, extorquem, assediam (como normalidade até pelos críticos desta indecência), aterrorizam de todas as formas, armados até os dentes, conhecedores de técnicas de guerrilhas, com narrativas e discursos prontos, inclusive como status de cultura, e morrem em combate nas periferias, comunidades, favelas e cidades menores, está uma turma poderosa e influenciadora. Ela age para normalizar e vitimizar os barões, como coitados que supostamente estariam na linha de enfrentamento social, racial e outros preconceitos.

  2. SEM SAÍDA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    O sistema político brasileiro parece viver para si mesmo sem se dar conta de que o crime organizado se transformou no fator de risco número 1 para a própria política e a governabilidade. Entende-se aqui por sistema político não só os grupos e partidos, mas também as estruturas formais do Estado, como o STF.

    A erosão do monopólio do Estado na aplicação da violência já tem mais de 40 anos e a acomodação das autoridades a essa situação idem. Em muitas das áreas sob domínio territorial do crime organizado duas gerações de brasileiros cresceram sem conhecer outro estado de coisas.

    No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, desenvolveu-se até o que se poderia chamar de “cultura própria” – que (goste-se disso ou não) são canais de integração e solidariedade dentro de comunidades, capazes de conviver com a ferocidade dos traficantes e a dos agentes do Estado, visto em boa parte simultaneamente como ausente e inimigo.

    Existe o que se poderia chamar nessas áreas até de “visão de mundo”, com nítida expressão na produção musical de grande propagação no mundo digital, por exemplo. Na qual figuras de projeção acusados de “apologia do crime” por uns simbolizam para grande parcela o sucesso a ser alcançado. O que é crime ou ilegal é coisa muito diferente dependendo de onde se anda hoje em algumas grandes cidades.

    Sem compreensão da gravidade desse contexto, o mundo político trata o fenômeno abrangente do crime organizado exclusivamente pelo cálculo eleitoral. No qual o governo federal está claramente em desvantagem – sua imagem continua associada a escândalos de corrupção e os cacoetes ideológicos o impediram durante décadas de entender que pobreza e desigualdade social não explicam necessariamente o crime (muito menos a penetração das instituições de Estado).

    Não só o governo federal parece perdido, e incapaz de propor “coisas práticas” que permitam diminuir na população (não só nas áreas sob controle do tráfico) o sentimento de que “está tudo dominado”. A questão de segurança pública hoje no Brasil é de natureza política no seu sentido mais amplo, e não há sinais convincentes de que esteja sendo enfrentada com um mínimo de estratégia e esforço comum entre os entes da Federação.

    Ao contrário. O debate sério está interditado pela polarização política. Ações como a megaoperação do Rio – independentemente da sua letalidade ou eficácia na eliminação de combatentes adversários, e de seu maior ou menor planejamento – são antes uma expressão do não se saber o que fazer.

    O crime organizado sabe.

  3. INAÇÃO CONTRA O CRIME, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Se o atual Congresso estivesse genuinamente preocupado em preservar a estabilidade econômica e social do País, teria aprovado sem demora o projeto que visa a fechar o cerco à infiltração de criminosos na economia formal. Mas não: o texto, que pune devedores contumazes – um eufemismo para designar caloteiros intencionais e reincidentes –, completa três anos tramitando sem conclusão.

    A saga remonta a setembro de 2022, quando a proposta de criação do Código de Defesa dos Contribuintes iniciou o percurso por quatro comissões diferentes do Senado até chegar ao plenário da Casa dois anos depois, onde hibernou por mais um ano até que a operação “Carbono Oculto”, deflagrada pela Receita, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de São Paulo, em agosto deste ano, revelou um grande esquema de sonegação e lavagem de dinheiro do PCC no mercado de combustíveis que atingiu o centro financeiro do País, a Faria Lima, em São Paulo.

    A investigação listou dezenas de fundos de investimentos utilizados como estruturas de ocultação de patrimônio do crime organizado, e foi preciso que a grande repercussão do caso despertasse os senadores para a urgência do projeto, votado e aprovado na semana seguinte. Daí começou a segunda etapa dessa história, com o envio do projeto à Câmara, para avaliação dos deputados.

    A operação policial que desmantelou o elo do crime na cadeia de combustíveis, com mandados de busca e apreensão em cerca de 350 alvos – pessoas físicas e jurídicas – em oito Estados, gradativamente saiu da ordem do dia, e o projeto foi voltando à gaveta. O risco de um novo período de imobilidade, considerando que nada aconteceu durante um mês, motivou o lançamento de um manifesto em que oito frentes parlamentares declaram apoio ao projeto de lei.

    Fatos como esse, além do inconformismo que provocam, atiçam a curiosidade sobre que tipo de interesse mantém medidas de reconhecida importância para o País em segundo plano no ofício legislativo. Em jantar com empresários e representantes das frentes parlamentares signatárias do manifesto, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, foi claro ao indicar quem o projeto que institui a figura do devedor contumaz pretende atingir: “Não estamos falando de contribuintes, mas de bandidos que se utilizam de estruturas empresariais para movimentar, ocultar e lavar dinheiro de atividades criminosas”. Trata-se de sonegadores, como frisou, que além disso são capazes de matar.

    Depois da pressão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou ao Estadão que irá pautar a urgência do projeto em plenário. O mínimo que se espera é que esteja realmente entre os primeiros itens da pauta da semana parlamentar, já que não há razão plausível para a demora. A não ser, é claro, que o poder de algum lobby esteja se sobrepondo ao interesse maior da sociedade que elegeu os deputados que a representam.

  4. OPERAÇÃO EXPÕE LIMITE ESTADUAL NO COMBATE AO CRIME, editorial do jornal O Globo

    A resistência feroz que a polícia fluminense encontrou na operação desta terça-feira contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio, é demonstração eloquente dos limites enfrentados pelos governos estaduais no combate às organizações criminosas. A ação reuniu 2,5 mil policiais e deixou ao menos 60 mortos, entre eles quatro policiais, 56 suspeitos, além de vários inocentes feridos. Diante da incursão, os criminosos ergueram barricadas, incendiaram veículos e fecharam vias essenciais paralisando a cidade. Usaram até drones com explosivos para intimidar a polícia.

    O secretário de Segurança do Rio, Victor Santos, reconheceu que o governo do estado não tem condição de enfrentar o tráfico. “Não dá para enfrentar sozinho”, afirmou. “É preciso que, sem ideologia, estado, União e município se sentem à mesa.” O governador Cláudio Castro cobrou “um trabalho de integração muito maior com as forças federais”. Ele disse que pediu apoio de blindados do Exército por três vezes e que os pedidos foram negados. O governo federal afirmou que não houve pedido de ajuda para a operação atual.

    A milhares de quilômetros dali, o panorama não é diferente. A cidade colombiana de Leticia, na tríplice fronteira de Brasil, Colômbia e Peru, virou reduto do CV, hegemônico na região, como mostrou reportagem do GLOBO. É lá que a facção negocia com fornecedores a compra de droga, produzida em fazendas vizinhas. Como no Rio, autoridades locais admitem que, isoladamente, não têm como combater o crime. “A gente precisa que haja ação mais incisiva das forças federais, e falo das Forças Armadas mesmo, no combate ao tráfico de drogas”, diz o secretário de Segurança do Amazonas, coronel Marcus Vinicius de Almeida.

    A incapacidade dos estados para enfrentar as organizações criminosas já deveria estar clara. Primeiro, porque as maiores, como CV e PCC, atuam em vários estados e até no exterior, dificultando as investigações. Segundo, porque em geral estão mais bem armadas que as forças locais — no Amazonas, policiais abortaram a abordagem de uma lancha ao ver uma arma capaz de derrubar pequenas aeronaves. Terceiro, porque dominam extensões significativas do território, onde as forças de segurança têm dificuldade para entrar.

    Não há outra saída a não ser combatê-las, ou elas continuarão a estender seus domínios pela economia formal e até pelas instituições da República. Mas operações letais como a do Rio expõem a vida de policiais e inocentes, com poucos resultados práticos. Daí a necessidade de atuação mais efetiva do governo federal e de maior integração entre as forças de segurança, priorizando o uso de inteligência e tecnologia para asfixiar o crime financeiramente e planejar o foco das ações da polícia.

    Executivo e Legislativo têm obrigação de se debruçar sobre o tema urgentemente. Não dá para adiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que prevê participação do governo federal e articulação entre as diversas forças, nem a legislação antifacção que o governo deve entregar ao Congresso. Eventuais divergências precisam ser superadas. Projetos aprovados recentemente são positivos, mas não resolverão o problema. O Brasil precisa de medidas capazes de tornar o Estado mais organizado que o crime. Ou governos federal e estaduais se unem para enfrentar as organizações criminosas, ou todos sairão derrotados.

  5. Carlos Nascimento

    Herculano

    O que falar então do caso esquecido de favorecimento de parente em contratação publica.

    O caso do transformador, pode até não ser enquadrado como nepotismo, mas é corrupção.
    Assim, como é prevaricação a posição dos nobres vereadores.
    Já a imprensa de Gaspar é vendida mesmo.

    1. Pois é. A sua observação revela como os “donos da cidade” que se perpetuam por governos da esquerda à direita, sob a Glória de Jesus Cristo, estão expostos, seus eleitores e eleitoras informados pelos aplicativos de mensagens, principalmente, temendo censura e perseguição quando se expõe em comentários nas redes sociais, perdem tempo para esconder, explicar, desmentir e até intimidar contra aquilo que está na cara de todos. E no imaginário.

  6. Bom dia.
    De perseguições e constrangimentos eu também entendo.
    Aqui onde moro passava um ribeirão na extrema com os vizinhos.
    No entorno do antigo ribeirão, agora com tubulação, tá repleto de novas edificações, inclusive, em cima dele.
    Já os terrenos que eu vendi em 2006 e 2012, não é permitido construir nem um galinheiro.
    Parte do meu também está interditado pela “lei ambiental” desde o governo do PT.

    No outro terreno da herança do meu avô, vizinho de porta da Caibi,
    renomado escritório de engenharia de Gaspar tentou armar um bote pra mim lá em 2019, quando apareceram na minha porta pedindo autorização pra colocar a nossa faixa de terra pra estrema da área.
    Tentou me levar na conversa com papelinhos de auto declaração.
    Como exigi tudo preto no branco e registrado no cartório, me levaram na localização ERRADA do terreno.
    E por longo período tentaram me induzir ao erro e ao prejuízo civil e criminal.
    Inclusive me recomendaram um b.o. na delegacia…
    Tenho todas as conversas, áudios guardados.
    O b.o. também.

    Já Kléber e sua trupe me mandaram pra delegacia pq eu falei que faltavam medicamentos pra combater a COVID na nossa cidade.
    Chegando na delegacia, a estagiária Aline tomou os depoimentos.
    Da delegacia pro fórum;
    suspensão da audiência,
    delegacia novamente.. Apresentei as provas pra delegada.
    Um print da página oficial do governo de SC, com datas que comprovavam o meu comentário .
    O “processo” foi arquivado.

    Se alguém investigou a suspeita de contaminação da central de oxigênio do nosso hospital durante a pandemia?
    Só o saudoso Vereador Amauri Bornhausen 😥

    1. Pois é…Os mesmos que estavam lá com Zuchi e ser armaram com Kleber, continuam com suas armações ilimitadas. Enquadramento. Histórias (com h) repetidas. Bom dia.

    2. Sem falar nos recorrentes “erros” nos valores cobrados no IPTU…
      Dona Jussara, com cadeira cativa no cargo, olhava pra mim e dizia: “Aqui quem manda sou eu e cobro o quanto eu quiser”.

      Gaspar deve ser o ÚNICO município que COBRA 1% do valor do imóvel no IPTU.
      Nas cidades vizinhas esse índice vai de 0,1% a 0,5% do valor do imóvel.
      Boa parte opera com 0,1%…

      Mais ou menos igual a TAXA DOS CEMITÉRIOS…👀

  7. Eu sempre fui contra o nepotismo. Trabalhei em empresa familiar. Fui consultor em outras tantas. Sei o que é isso a partir que ela cresce e as gerações que não a construíram propriamente dito, começam a usufruir e não exatamente priorizam em atualizá-la, transformá-la e dar competitividade. Nas empresas familiares vencedoras, os familiares conscientes e na proteção das fortunas, nomes e mercados para viverem tranquilos naquilo que não mais dominam, contratam profissionais atualizados e confiáveis para tocá-las, cobrar resultados – que não podem fazer de seus e entre parentes sem arrumar brigas eternas – e fazê-las vencedoras, com valor agregado e percebido, até mesmo para vendê-las a preço de ouro a concorrentes. No setor público, que já é uma desgraça em resultados econômicos e sociais, agora tudo piorou ainda mais. E não terei um assunto a menos para denunciar e criticar.

    COM MAIORIA FAVORÁVEL AO NEPOTISMO, STF INCENTIVA O PATRIMONIALISMO, editorial do jornal O Globo

    É lamentável que o Supremo Tribunal Federal (STF), guardião da Constituição, esteja prestes a referendar uma das práticas mais nefastas da administração pública brasileira: a nomeação de parentes. A Corte formou maioria para autorizá-la em cargos de natureza política no Executivo. Significa que será possível nomear cônjuges ou parentes até terceiro grau para funções como ministros de Estado, secretários estaduais ou municipais — é o nepotismo com chancela do STF.

    Pela tese em discussão, a permissão só valerá caso sejam preenchidos requisitos de qualificação técnica e idoneidade moral. Continuarão vedadas nomeações para cargos de comissão, postos técnicos ou a troca de favores em que autoridades nomeiam parentes umas das outras. “Não é uma carta de alforria”, disse o ministro Luiz Fux, relator do processo. Mas a ressalva não torna a decisão mais tolerável. O mínimo a exigir do escolhido para qualquer função pública é competência e ficha limpa na Justiça. É justamente nas nomeações de caráter político — para ministérios e secretarias — que o nepotismo precisa ser vedado, já que, nessas funções de confiança, formação e conhecimento técnico não são os requisitos decisivos. E, embora confiança e afinidade sejam imprescindíveis em cargos políticos, é ridículo argumentar que apenas parentes sejam confiáveis e não haja outros quadros qualificados.

    A nomeação de parentes tem sido prática corriqueira. Em pelo menos 29 de 154 municípios brasileiros com mais de 200 mil habitantes, prefeitos empregavam familiares — na maioria, o próprio cônjuge —, de acordo com levantamento do GLOBO. Tribunais de Contas estaduais viraram abrigo para parentes de políticos, com cargos vitalícios, bem remunerados e repletos de mordomias. Ainda que os beneficiados sejam capacitados e tenham ficha limpa, o parentesco deveria impedir que pleiteassem vagas. Apesar da afronta aos princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade, o entendimento do STF estipula que tais nomeações não ferem a Súmula Vinculante nº 13, que regula o nepotismo.

    O caso analisado agora diz respeito a uma lei de Tupã (SP) permitindo nomear parentes de autoridades como secretário municipal. O julgamento não terminou — portanto, os votos ainda podem mudar. Acompanharam Fux os ministros Cristiano Zanin, Nunes Marques, André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Apenas Flávio Dino divergiu, entendendo que não deveria haver exceções. Faltam votar Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o presidente do STF, Edson Fachin.

    Ainda há tempo de os ministros reverem suas posições. As normas sobre nepotismo deveriam valer para todos. Não importa se o cargo tem natureza política. O Brasil está cheio de quadros qualificados que poderiam dar enorme contribuição ao serviço público, mas que lamentavelmente acabam alijados. Se o STF der aval ao nepotismo, rapidamente secretarias estaduais, municipais e ministérios virarão feudos da família dos políticos. Ganha o velho patrimonialismo, com o interesse público atropelado pelo pessoal.

    1. O nepotismo nunca deixou de existir.
      Eles dão um “jeitinho” através dos concursos públicos, aquele onde a maioria dos aprovados nunca são chamados,
      mas onde os apadrinhados furam a fila.

      Conheço uma penca de políticos da base da hierarquia,
      vereadores,
      que empregaram até a terceira geração sem nenhum pudor ou constrangimento.
      Com estabilidade e com fidelidade partidária, servem de aliados ou adversários, conforme os interesses dos “contratantes”.

  8. É O MAGA, ESTÚPIDOS, por Eliane Cantanhede, no jornal O Estado de S. Paulo

    Com o tão esperado encontro com o presidente Lula e os avanços das negociações entre EUA e Brasil, na Malásia, e a não tão esperada assim vitória do partido de Javier Milei, La Libertad Avanza (LLA), na Argentina, Donald Trump avançou no domingo na aproximação com as duas maiores economias da América do Sul e na estratégia para tentar conter o movimento da região rumo à China.

    A conversa de Trump e Lula foi dentro do esperado, na forma e no conteúdo. Abriu espaço para a foto dos dois presidentes sorridentes, com ar amigável, para a entrega de um documento focado no que realmente interessa ao Brasil, redução de tarifas e fim de sanções políticas, e para a reta final das negociações técnicas, inclusive com reuniões ministeriais já na Malásia.

    Quanto à Argentina: vencer no domingo em 14 dos 24 distritos eleitorais, com mais de 40% dos votos em nível nacional, deu a Milei a chance de ampliar suas alianças para o centro liberal e dobrar a aposta nas suas reformas radicais. Deu a ele, principalmente, um troféu para dividir com Trump – que, de certa forma, financiou o resultado.

    A vitória veio depois de Trump despejar uma fortuna no País, dizer que a Argentina estava “morrendo”, “sem nada”, e condicionar seu apoio futuro a Milei aos votos de domingo. Agora, Milei pode respirar aliviado, convencer Trump de que a Argentina tem sobrevida e manter o apoio decisivo dos EUA.

    Mas o jogo continua. O Brasil avançou nas negociações com Trump, mas não está perfeitamente claro até onde elas vão, e a Argentina mantém sua galinha dos ovos de ouro, mas vai continuar o tempo todo sob pressão. Trump está no ataque; Brasil e Argentina, na defesa.

    A posição do Brasil parece mais confortável, por ser mais rico, maior e mais estável e pelo momento político. Milei é aliado ideológico de Trump, e Lula está longe disso, mas ele lidera as pesquisas para 2026. Já Milei foi derrotado em Buenos Aires nas eleições provinciais de 7 de setembro e enfrenta crises e protestos de rua.

    E a principal diferença é que o Brasil não pede nada demais a Trump, apenas o reconhecimento de que suas tarifas e sanções são injustas, enquanto a Argentina, entra governo, sai governo, é um saco sem fundo e custa uma fortuna a Trump, que deu, não uma mãozinha, mas US$ 20 bilhões para Milei vencer o fantasma do peronismo no domingo.

    “Você é um grande amigo”, agradeceu Milei. Trump, porém, não é amigo de ninguém e o jargão “é a economia, estúpido!” evoluiu para “é o MAGA, estúpidos!” É isso que define as relações dos EUA com Brasil e Argentina e seu impacto nas duas economias.

  9. PESOS E MEDIDAS, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    Satisfatório para o Brasil. Ótimo para Lula. Péssimo para o bolsonarismo. É como se pode resumir – sem emoções – o encontro entre os presidentes brasileiro e americano. Para o Brasil: cronograma de negociações fixado. Para Lula: uma boa fotografia. Para o bolsonarismo: a perda do monopólio de acesso à Casa Branca.

    Os negociadores brasileiros queriam – o presidente pediu a Donald Trump – a suspensão temporária das sobretaxas comerciais. Sem sucesso. O tarifaço permanece; e permanece a nave Magnitsky estacionada sobre o País. Ainda não há acordo. Há uma agenda, posta à mesa. Havia nada faz cerca de mês. Andou-se um bocado. A evolução é inegável. Agora existem senso de urgência e frequência nas comunicações, com protagonismo da diplomacia comercial e novas conversas presenciais a terem vez quiçá na semana que vem.

    Satisfatório – promissor – para o Brasil. Ótimo para o presidente do Brasil. Não são a mesma coisa, esforço de propaganda à parte, o País e Lula. Seu texto – sua versão – sobre o encontro prospera entre nós. O que circula e influencia é aquilo que fez-faz circular. Que Trump, por exemplo, teria se interessado pela sua prisão – o “vigoroso” Lula também um perseguido, né? – e o tempo em que esteve no cárcere. Haveria “cumplicidade” entre eles.

    O presidente do Brasil pondo uma mesa em que Jair Bolsonaro seria carta fora do baralho – alguém por cujo futuro, “passado da política brasileira”, não valeria a pena pelejar. Donald Trump é tão imprevisível quanto prático: tem brigas compradas com Venezuela e Colômbia – e não seria razoável deixar o país mais poderoso da região nos braços da China.

    Não se pode afirmar que esteja afastada a “questão políticoideológica” das negociações.

    Marco Rubio está na área, afinal. Pode-se especular sobre se a Trump, tendo outros problemas maiores mundo afora, não seria conveniente acomodar com o Brasil, caso em que largaria a mala Bolsonaro na estrada. Sim, Trump pode ter entendido que o país mais importante da América do Sul está no pós-Bolsonaro. Rei morto, rei posto.

    Péssimo para o bolsonarismo, cujo monopólio do acesso à Casa Branca fiava o discurso da cepa eduardista, impunha a agenda única, pela anistia, e mantinha a direita refém do futuro da família Bolsonaro. Esse muro está rachado, sobretudo desacreditado, o que significa perda de poder – o que explica as brigas entre direitistas expostas nas redes sociais. Há rebeldes. Haverá cada vez mais. Dissidentes da dissidência bolsonarista que Eduardo Bolsonaro expressa.

    A estratégia personalista, desmobilizadora de qualquer oposição, de que se deveria paralisar a atividade política, ignorar a fiscalização-proposição de políticas públicas e renunciar às articulações por 2026 – em função do jogo jogado desde os EUA – perdeu o vigor e está em xeque. É autodestrutiva, fragmentadora – a turma só agora começa a perceber.

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