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TIC. TAC. PARA QUE SERVE UMA OUVIDORIA, SE ELA NÃO OUVE E NÃO DÁ RETORNO AOS QUE ACREDITAM NELA COMO UM CANAL DE INTERLOCUÇÃO E SOLUÇÃO ENTRE O CIDADÃO, A CIDADÃ E O GOVERNO? TRANSPARÊNCIA AQUI EM GASPAR SÓ NO DISCURSO POLÍTICO JÁ ESVAZIADO

Alterado às 17h29min de 14.08.2025. O título deste artigo poderia ser este: Ministério Público manda prefeitura de Gaspar responder questionário do cidadão gasparense Adilson Luiz Schmitt, engavetado as um ano e meio, mas… Frequentemente, a cidade tem ouvido dos “novos” governantes gasparenses para que os cidadãos e cidadãs procurem a Ouvidoria da prefeitura e do Hospital e nesses canais – supostamente livres de cores políticas – encaminhar as suas queixas, ajudarem nas soluções e por respeito, ouvirem respostas e esclarecimentos. Ba-le-la! Enrolação. Burocracia.

Se até requerimentos da Câmara diretos ao gabinete do prefeito, ou seja, vindo de um poder autônomo, do qual o governo precisa dele, enrolam para respondê-los… O que esta gente – que foi eleita, ou é paga pelo povo como servidor público – faz com os comuns, o zé pequeno, os supostamente adversários é lastimável.

Então, por isso, hoje, excepcionalmente, não vou estender nas minudências e no meu tradicional textão. Os detalhes ficam para outra oportunidade. Até porque o documento que dá origem a toda a celeuma corre pela cidade, bem como a entrevista do queixoso.

TUDO IGUAL A ANTES, OU UMA CONTINUIDADE DO QUE FOI REJEITADO NAS URNAS?

Como foi no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, estes dois do PP, o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, a transparência prometida, ainda continua tão impossível e até, piorada do que não existiu no governo anterior.

O que pegou nas duas últimas semanas e que vou usar neste artigo para a ilustração não de um ponto fora da curva. É algo recorrente.

No centro da polêmica está o pedido de informações que o ex-secretário de agricultura do município, o ex-prefeito (2005/08), o médico veterinário atuante em Gaspar há 35 anos e com relações próximas aos produtores rurais, Adilson Luiz Schmitt, sem partido (estava filiado no PL até rifarem a candidatura dele a vereador depois dele ter a lançado oficialmente), fez a secretaria de Agricultura e Aquicultura.

Há um ano e meio, Adilson, ou seja, acentua-se, não foi neste governo, ouvindo as insatisfações do meio rural que frequenta, mas de outro que não é o seu foco, o setor do plantio do arroz irrigado, a principal produção agrícola de Gaspar, Adilson ouviu de que haveria supostos favores pessoais e políticos na secretaria de Agricultura e na prefeitura de Gaspar, em detrimento das escolhas técnicas, que por elas, trataria em pé igualdade os produtores nas suas necessidades.

Adilson não só ouviu, como se muniu de testemunhos, fotos e documentos. Ficou condoído. E foi atrás das provas oficiais.

Para isso, tentou por longo tempo os caminhos de esclarecimentos na secretaria de Agricultura e Aquicultura e não conseguiu.

Mofou.

No atual governo voltou à carga, acreditando no discurso e pensado que as atitudes tivessem mudado, cobrou resposta daquilo que mofava na secretaria de Agricultura, sempre manejada por políticos. Era um feudo do PP, partido, aliás que já esteve com ele formalmente (tinha o vice, o empresário Clarindo Fantoni) quando prefeito e está informalmente no atual .

Mofou, de novo.

O ASSUNTO SÓ ANDOU QUANDO O MINISTÉRIO PÚBLICO RECEBEU O MESMO PEDIDO

Injuriado, orientado, levou o assunto ao conhecimento do Ministério Público de Gaspar. E lá, na quarta promotoria a coisa andou. O MP mandou a prefeitura de Gaspar esclarecer as questões pedidas pelo Adilson a secretaria há um ano e meio e que mofava na burocracia e no jogo do empurra. E só a uma das onze questões foi respondida pelo governo de Paulo e Rodrigo, obrigado. E pediu para colocar sob sigilo. E a promotoria atendeu.

Enquanto cobrava da secretaria respostas, Adilson foi sendo isolado pelo “novo” governo de Paulo e Rodrigo. E quando promotoria resolveu meter a colher nesta cumbuca, o “novo” governo de Paulo e Rodrigo, que a princípio não tinha nada a ver com o problema, pois se tratava de coisa do governo Kleber, resolveu dobrar a aposta, numa repetida amostra de que tudo se trata de uma continuidade, disfarçada de mudanças.

Além de levarem mais de sete meses para se mexerem e responderem a uma só questão ao Ministério Público das onze pedidas por Adilson, paralelamente iniciaram uma chantagem junto aos produtores rurais de Gaspar, informando-os que, devido aos questionamentos de Adilson, havia sido apurada uma pendência financeira desses produtores. E que enquanto esses agricultores não a resolvessem, eles não teriam acesso à prestação de serviços e fomento.

ENROLAÇÃO E VINGANÇA SUBSTITUI A TRANSPARÊNCIA E A SOLUÇÃO

Foi preciso Adilson (à esquerda na foto de abertura) ir a rádio 89,7 FM e numa entrevista ao repórter Paulo Flores (à direita) contar a história e provar que focinho de porco não era tomada, provar que os agricultores foram usados nos governos passados e no presente, igualmente, para justificar o que não funciona, ou não se controla, na secretaria para dar igualdade de acesso para todos.

Uma nota, no site da prefeitura admitiu que o Ministério Público botou, finalmente, a mão nesta cumbuca.

Para finalizar. Custava abrir um PAD – Processo Administrativo Disciplinar  – apurar o que aconteceu na secretaria? Custava dar explicações a Adilson, se tudo, supostamente, está registrado – incluindo os recebíveis ressarcidos pelos agricultores – e disponível na secretaria? Custava mostrar que este era um problema do passado e que no presente havia outra conduta?

Impressionante como o governo de Paulo e Rodrigo gosta de atravessar a rua para escorregar na casca de banana que jogaram no outro lado da rua. Num piscar de olhas, passam de vítimas a vilões, além de transformar necessárias soluções em novos problemas, com cheiro de naftalina e vinganças, próprias de quem não conseguem enxergar o futuro.

Afinal, para que serve uma Ouvidoria na prefeitura e no Hospital de Gaspar? Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Atrasado, e comendo poeira depois que ela se levantou, naturalmente, contra a administração. Tudo decorrente do resultado de uma ingênua enquete que movimentou a rede social. Então Paulo Norberto Koerich, PL, orientado, mas desorientado, correu aos veículos de comunicações formais de Gaspar (e até de Blumenau) para “prestar contas” à cidade dos “seus seis primeiros meses de governo”.

Explicado à falta de iniciativa. Não tinha quase nada para mostrar no que fez e principalmente o que fará. O que por si só, explicaria à razão pela qual se escondia. No atacado, trocou gente que gravitava na linha operacional de frente do seu governo e fez gente acumular secretaria, numa imitação piorado ao que fazia o derrotado, clamorosamente nas urnas, depois de oito anos do governo, Kleber Edson Wan Dall, MDB.

Naquela oportunidade e entrevista em que quase não foi “apertado” pelo repórter Paulo Flores e o dono da 89,7 FM, Joel Reinert – que a uso como referência -, Paulo Norberto Koerich disse que em um mês teria soluções para o caso do doente, complicado e sem transparência alguma Hospital de Gaspar, um gastão de dinheiro público sem o correspondente benefício para a sociedade, principalmente à mais vulnerável.

Só para lembrar. Já se passaram 40 dias daquela entrevista. E até agora nada. Então lembra disso não é ofensa. O polêmico e desgastante pedido de autorização de empréstimo de R$40 milhões debatido ontem na Câmara é, por exemplo, menos do que o Hospital come por ano dos cofres da prefeitura. E este buraco é a desculpa de amarelo há oito meses para outras dificuldades de se ir em frente em alguma coisa para a cidade, cidadãos e cidadãs.

Esta prolongada falta de solução para algo essencial e reconhecidamente difícil, mostra por outro lado e claramente, como o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, está se comunicando muito mal com a sociedade, mesmo usado ostensivamente as redes sociais sejam as institucionais e as pessoais. Ontem, um meme retratou o que parte expressiva da população, calada, inclusive a que votou nos vencedores, está pensando do governo.

Como reverter esta difícil situação criada pelos bruxos que ainda influenciam o atual governo? Simples! Primeiro colocar a comunicação no centro do governo e de forma estratégica. Ela está nas mãos fofoqueiros, amadores e arapongas. Pior: todos, amuados e  mandados por curiosos, ou ultrapassados na área. Só para lembrar, o primeiro titular vindo de Blumenau saiu corrido daqui diante de tanto constrangimento para o trabalho dele.

Só para lembrar: Kleber Edson Wan Dall, MDB, não trocou a titularidade desta área, seja nos erros e acertos. Bancou. Foi exagerada. Mas, salvou a reeleição. A titular, engajada inclusive, o que não é  recomendável, começou já na campanha de 2016 e só largou o osso na transmissão do cargo do empregador dela. Também era de fora.

E para caminhar para os finalmentes. Não adianta um comando inteligente e estratégico na Comunicação para um líder, ou um governo, se ele em primeiro lugar não der autonomia e respeitá-la, se não inspirar a confiança, se não souber se comunicar e principalmente, se não se tenha resultados diferenciais para mostrar e serem compartilhados com a sociedade. Os 52,98% dos votos válidos querem algo para eles se orgulharem e taparem a boca dos do contra. E são os frustrados que estão ecoando os do contra. Simples assim. Impressionante.

Um sinal claro de que o governo de Paulo Norberto Koerich (foto ao lado) e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, não trabalham para buscar resultados comuns, está na própria equipe. O governo não possui equipe, mas nomeados, ajeitados. Há instrumentistas amontoados. Alguns com talentos. Outros sem noção até de partitura. E o maestro ainda não entrou na sala, sequer para afinar os instrumentos. Quantas reuniões do colegiado nestes oito meses, iniciais e sob ataques, foram promovidas por Paulo? Então, como conhecer a equipe, estabelecer prioridades e cobrar resultados, os quais dependem de conversas multidisciplinares e correção de rotas emergenciais entre as próprias secretarias do governo? Credo!

Uma empresa privada nesta situação como a que está sendo gerido o governo de Gaspar já teria falida. E olha que tenho experiência disso, não da falência, mas de como essas reuniões estratégicas de cúpula são fundamentais para se ter uma linguagem mínima, a qual deve transpassar entre as áreas, gestores e isso se transformar em resultados de equipe [e governo e da sociedade]. Se não há liderança, deus salva cada um, mas o todo se afunda. E nele, o timoneiro [o chefe, o prefeito].

Antes de encerrar outro assunto que parece distante, mas vai se mostrando um método da direita. “Quando a esperteza é demais ela come o dono”, dizia o ex-primeiro ministro do Brasil, o mineiro Tancredo de Almeida Neves. Em Gaspar inventaram a CPI do Capim Seco para “apurar” o que já estava bem apurado na polícia especializada de Blumenau em corrupção nas dúvidas das metragens exageradas e pagas das roçadas não feitas. Espetáculo. Cortina de fumaças. Mais custos para o povo pagar.

Em Blumenau, o prefeito Egídio Maciel Ferrari, também policial investigador, também ex-delegado, também do PL, resistiu. Mas, pego no contrapé, e com gente organizada de Blumenau fungando no cangote, incluindo a imprensa de lá que não confunde verba publicitária com cala boca. E ele teve que dar um cavalo de pau no caso do aditivo da BRK Ambiental. O aditivo alterava o contrato pela quinta vez e mandava quase o dobro da conta do esgoto para a ponta mais fraca dessa corda: o eleitor pagador de pesadas taxas, contribuições, emolumentos e impostos.

Para voltar atrás, o prefeito de lá alegou não conhecia direito o assunto (credo! Prá que serve o monte de gente estudada que ele tem ao redor dele?); que o assunto vinha de outro governo (o que o elegeu e vem, mas não só de Mário Hildebrandt, mas de Napoleão Bernardes, PSD e João Paulo Kleinübing, União Brasil) e que só se moveu após aparecer uma auditoria, magicamente surgida depois do quiproquó e desgastes tomaram conta da imagem de Egídio Maciel Ferrari, PL. Mais rolo.

A BRK está inconformada e foi à Justiça. E a prefeitura de Blumenau está obrigada a se explicar. E isso não vai terminar tão cedo. Ao menos, Egídio Maciel Ferrari, PL, tanta, tardiamente, lavar as mãos.

Tudo é velho nas artimanhas. Por quê. É que na Câmara de lá, a liderança de Egídio Maciel Ferrari, PL, que tem a vice do governo passado, Maria Regina Soar, PSDB, quer acabar com a CPI que está analisando tudo isso. Quer trocá-la, vejam só, por uma Comissão Permanente, com o argumento de que Egídio “já teria recusado o novo aditivo”. Por conta dessa fragilidade que corre na Justiça, o objeto (de esclarecer tudo isso, inclusive de apontar os culpados) da CPI, estaria comprometido com o cavalo de pau de Egídio. Cruzes. Tratam todos como tolos. Ora se está judicializado, mais do que nunca uma CPI se torna um ente chave nesse processo de esclarecimento. Ou não?

Jogo. Esperteza. Uma CPI – com  120 dias mais outro tempo igual – pode convocar depoentes, testemunhas, quebrar sigilos e tem poder de polícia. Os testemunhos, em tese, se não for expressamente recusado, ou sob abrigo de habeas corpus, estão sob juramento e tem valor em inquéritos.

E se for uma Comissão Permanente da Câmara como quer a turma do PL e do Egídio Maciel Ferrari? Tudo se torna apenas uma comissão política, dos políticos, sem autoridade, com mais poder de manobra regimentais para colocar tudo para debaixo do tapete e o custo de tudo isso nos bolsos dos cidadãos e cidadãs.

Ora, se não há problemas, qual é a razão do PL, prefeito Egídio Maciel Ferrari e principalmente do governo com maioria na Câmara de lá, correr do pau, da transparência e matar a CPI numa jogada marota? Conclusão: mudam os nomes na política. O que não muda são as manhas. Lá e aqui.

Uma observação necessária, antes que seja tarde. Mulheres que sobem no palanque, ganham votos e se elegem é uma coisa. Mulheres de políticos eleitos mudas na campanha e que depois dos maridos empossados mandam na administração ou nos gabinetes é outra coisa bem diferente. Veja o quanto a Rosangela da Silva, PT, prejudicou a imagem do presidente Luiz Inácio da Silva, PT. E sobre pais, irmãos, filhos, genros e noras interferirem nos governos? Sem comentários.

Gaspar sempre inovando. O campeão de diárias da Câmara de Gaspar, Ciro André Quintino, MDB, não passa uma semana sem ir a Florianópolis. Control C, Control V. É só olhar as redes sociais. E as visita dele sempre são as mesmas: o deputado estadual Jerry Comper que está secretário de Infraestrutura e Mobilidade, bem como o deputado Federal Carlos Chiodini, MDB, que está secretário de Agricultura e Abastecimento. Agora, Ciro vai a Capital percorrendo estes gabinetes acompanhado da esposa Joelma Silveira Quintino. Ela é presidente do MDB Mulher, de Gaspar.

ART preventivo I. Circula nos aplicativos de mensagens, a cópia de uma ART – Anotação  de Responsabilidade Técnica do Crea SC para obra ou serviço. É para a instalação e retirada de um transformador de Alta Tensão de 300 KVA, na Arena Multiuso Francisco Hostins. O equipamento bancado pela prefeitura de Gaspar era necessário para suportar a demanda de energia do festão e tradicional Rodeio do Vale. Quem controla a Arena é a secretaria de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, tocada por Nelson Mário Küstner. 

ART preventivo II.  Não há nada demais no documento se ele não fosse feito no dia dois de maio, 20 dias antes de ser aberta á licitação e que foi ganha por quem pediu a ART. Este assunto, insistentemente, tenta-se jogá-lo para debaixo do tapete, exatamente por quem deve explicações e transparência e é perito em investigações. No palanque fingido, político e ideológico, grita-se por “liberdade de expressão”. No gabinete, onde devia se pedir a transparência, trama-se com mão de ferro, por todos os meios, para calar os curiosos neste assunto. Credo. Muda, Gaspar!

Um quarteto que vai trincar o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL de Gaspar: Pedro Inácio Bornhausen, PP, chefe de gabinete e que está cumulativamente “secretário de Obras e Serviços Urbanos”, Ana Karina Schramm Matuchaki Cunha, titular da secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa; Maicon Michel Maiochi; e Júlio Augusto de Souza Filho, procurador geral. Ali se resiste a simples PADs – Processo Administrativo Disciplinar – mas, se arquiteta processos aos que querem esclarecimentos.

Últimas três notas de hoje e olha não cheguei a um terço das minhas anotações – aquelas que não aparecem na imprensa local – acumuladas. Uma pequena nota no TRAPICHE do artigo de quatro de agosto TIC TAC. ESTÁ NA MESA A POSSIBILIDADE DE PAULO SER CANDIDATO A DEPUTADO POR GASPAR. É O CAMINHÃO DE MELANCIAS SE AJEITANDO EM PLENA VIAGEM, dava conta que os técnicos do Samae de Gaspar estavam preocupados com o nível baixo (45%) dos reservatórios de água tratada em pleno inverno. Esses mesmos técnicos, segundo a nota, temiam pelo pior no próximo verão.

O governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, que jura não que este espaço não é lido por ninguém do círculo dele e entre os do povo, correu para desqualificar a informação. Mostrou números e planos. Credo. Gastaram, mais uma vez, tempo desmentindo gente que não possui qualquer influência na cidade?

Para concluir. Olha só o que a secretaria de Proteção e Defesa Civil do governo de Jorginho Melo, e comandada pelo ex-prefeito de Blumenau e que conhece bem a região, Mário Hildebrandt, todos do mesmo PL que manda no governo de Gaspar, atestou e foi manchete estadual: de que estamos entre as dez cidades com mais dificuldades de captação de água em Santa Catarina. Estou de alma lavada mais uma vez. As minhas fontes, também. E os meus não leitores e não leitoras, igualmente. Muda, Gaspar!

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21 comentários em “TIC. TAC. PARA QUE SERVE UMA OUVIDORIA, SE ELA NÃO OUVE E NÃO DÁ RETORNO AOS QUE ACREDITAM NELA COMO UM CANAL DE INTERLOCUÇÃO E SOLUÇÃO ENTRE O CIDADÃO, A CIDADÃ E O GOVERNO? TRANSPARÊNCIA AQUI EM GASPAR SÓ NO DISCURSO POLÍTICO JÁ ESVAZIADO”

  1. CALADO, VARGAS GANHOU A GUERRA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    Valeria a pena mandar um pesquisador aos arquivos do Itamaraty para consultar a conduta de Getulio Vargas durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Ele tinha um enorme abacaxi no colo.

    Depois da entrada dos Estados Unidos na guerra, em 1941, o Brasil corria o risco de uma invasão para assegurar o controle de pistas de pouso no Saliente Nordestino. Voando de Natal, os aviões americanos poderiam chegar à África.

    Os personagens dessa época nada tinham em comum com os da crise de hoje. O presidente americano Franklin Roosevelt era um simpático profissional, enquanto Donald Trump faz da antipatia um estilo de vida. Vargas cultivava seus silêncios, já Lula fala o que lhe vem à cabeça.

    Com a entrada do Brasil na guerra e a criação da Força Expedicionária Brasileira, Getulio fez do limão (o risco da invasão) uma limonada. O silêncio foi sua arma.

    Em 1938, um ano antes do início da guerra, os Estados Unidos já olhavam para a importância estratégica do Saliente Nordestino.

    Getulio era uma esfinge, mas os generais Eurico Dutra e Góes Monteiro eram germanófilos assumidos. Um era ministro da Guerra e o outro, chefe do Estado-Maior do Exército e condestável militar do Estado Novo.

    OS EUA MAPEARAM ATÉ A CASA DO BISPO

    Em janeiro de 1939 o chefe do Estado-Maior americano, general George Marshall, pediu o primeiro estudo de ocupação do Saliente. Em agosto, um mês antes do início da guerra na Europa, o Exército americano desenhou o Plano Rainbow (Arco-Íris). De prático, resultou o envio de um cônsul para Natal, com o objetivo de colher informações. Meses depois a cidade estava mapeada, localizando até mesmo a casa do bispo.

    Em maio 1940, Vargas escreveu:

    “As notícias da guerra são de uma verdadeira derrocada para os Aliados. O povo, por instinto, teme a vitória alemã; os germanófilos exaltam-se. Mas o que ressalta evidente é a imprevidência das chamadas democracias liberais”.

    Meses depois da tomada de Paris, o embaixador alemão no Rio achava que os militares brasileiros não aceitariam bases americanas, caso os Estados Unidos entrassem na guerra. Tudo bem, mas, na mesma semana, os americanos estavam de olho em Natal e registravam:

    “O aeroporto não é guardado por tropas ou polícia… aviões de transporte vindos da África ou Açores podem surpreender tropas terrestres e ocupar Natal e outras cidades da corcunda do Brasil”.

    Vargas se equilibrava, prometia a base, negociando armas e, se possível, uma siderúrgica. Os americanos construíram pistas de pouso com dinheiro de um fundo secreto e o logotipo da companhia PanAmerican.

    O embaixador alemão continuava convencido de que não haveria acordo. Afinal, os generais Dutra e Góes Monteiro remanchavam e queixavam-se a Vargas. Ele escrevia: “O ministro da Guerra falou-me dos planos que os americanos alimentaram, de ocupação do nosso território” (…) “Góes convencido de que os americanos querem ocupar o nosso território do Nordeste, a pretexto de nos defender contra ataques alemães”.

    Em setembro de 1941, Dutra era claro:

    “A vinda agora de elementos americanos para o Brasil acarretaria a consequência de anular nossa soberania na região”.

    Em 1993 o repórter Lauro Jardim revelou que em novembro de 1941 os Estados Unidos tinham um plano para invadir o Brasil, ocupando Natal, Recife, Belém, Salvador, São Luís, Fortaleza e a Ilha de Fernando de Noronha.

    Em dezembro os japoneses atacaram Pearl Harbor. Os EUA entraram na guerra e foram buscar o Saliente Nordestino. O então tenente-coronel Kenner Hertford contaria:

    “Para encurtar a história, os brasileiros aceitaram cem fuzileiros em Belém, outros cem em Natal e mais cem em Recife e Fortaleza. (…) Concordaram em que nosso Exército assumisse o controle das torres dos aeroportos. Inicialmente, não podiam usar uniformes.”

    A pista de Parnamirim, perto de Natal, foi uma das mais movimentadas da época.

    HADDAD CAIU NUMA ARMADILHA

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou, no dia 4 passado, que teria uma conversa virtual com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent. Com o gosto do governo brasileiro pelos holofotes, adiantou até sua agenda:

    “O Brasil pode participar mais do comércio bilateral e, sobretudo, de investimentos estratégicos. Temos minerais críticos e terras raras, os EUA não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”.

    Qualquer aluno do Instituto Rio Branco poderia aconselhá-lo a não anunciar concessões antes de conversar.

    A reunião virtual com Bessent estava marcada para quarta-feira e Haddad tinha recebido o link para o encontro. Na segunda-feira, o secretário do Tesouro desmarcou a entrevista sem maiores explicações e sem marcar nova data. Haddad atribuiu a desfeita à atividade da milícia bolsonarista acampada em Washington. É possível que seja assim, mas o estilo mercurial de Trump prevalece sobre os milicianos brasileiros. Se Haddad tivesse esperado o dia da conversa em silêncio, teria escapado do constrangimento.

    TARCÍSIO FICOU MAL NA FOTO

    O governador Tarcísio de Freitas vestiu o boné trumpista, mas ficou mal no relatório que o governo americano divulgou sobre a situação dos direitos humanos no Brasil.

    Os assassinatos da sua polícia na Baixada Santista em 2023 ganharam o primeiro parágrafo do relatório do Departamento de Estado. Foi mencionada a execução de Fábio Oliveira Ferreira, depois de rendido. Os PMs que atiraram nele foram absolvidos pela Justiça.

    A ação policial na Baixada Santista durou 40 dias e resultou na morte de 28 “suspeitos”. Diante dos protestos, Tarcísio defendeu sua polícia:

    “Sinceramente, nós temos muita tranquilidade com o que está sendo feito. E aí o pessoal pode ir na ONU, pode ir na Liga da Justiça, no raio que o parta, que eu não tô nem aí”.

    Meses depois arrependeu-se do arroubo.

    O que ninguém seria capaz de prever é que o assassinato de Fábio viesse a ilustrar um relatório do Departamento de Estado de Donald Trump.

    Sobrou também para a polícia do governador de Roraima, Antônio Denarium, outro aliado do bolsonarismo. Sua polícia é mencionada por associar-se a milicianos na proteção de garimpos ilegais.

    EMPRESÁRIOS, AUDITORES & PROPINAS

    A boa notícia é que, se o auditor Artur Gomes da Silva Neto, chefe da diretoria de fiscalização da Fazenda de São Paulo, contar o que sabe, poderá expor uma das maiores redes de propinas envolvendo empresários e fiscais da Viúva.

    O doutor teria amealhado em nome da mãe um ervanário de R$ 2 bilhões.

    A má notícia é que ele foi preso na terça-feira e no dia seguinte apareceu a informação de que estaria propenso a fechar um acordo de colaboração com o Ministério Público.

    Divulgar a possibilidade da delação antes de ela ter começado serve apenas para ajudar quem joga com as pretas, e são muitos os que estão desse lado do tabuleiro.

  2. OS INTERESSES NA CRISE EUA-BRASIL, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo

    A última semana marcou escalada na disputa entre Trump e a oposição bolsonarista, de um lado, e o governo brasileiro, de outro. Lula procurou arregimentar apoio dos principais países do Brics contra os EUA. O governo americano impôs novas sanções de vistos, estendendo sua campanha contra o programa Mais Médicos, e o deputado Eduardo Bolsonaro vinculou suas gestões em Washington à tarifa de 50% e a uma anistia para seu pai.

    Ao cancelar os vistos de dois funcionários do Ministério da Saúde, da mulher e da filha do ministro Alexandre Padilha, o Departamento de Estado abriu nova linha de ataque ao Brasil. O objetivo é caracterizá-lo como um país que explora trabalhadores estrangeiros para apoiar uma ditadura.

    A acusação se soma ao relatório que denunciou supostas violações aos direitos humanos no Brasil por causa dos processos judiciais contra Jair Bolsonaro e participantes do movimento que contestou o resultado da eleição de 2022. O relatório anual trocou a tradicional abordagem técnica por um viés ideológico.

    A iniciativa complementa a campanha para caracterizar o governo Lula como antidemocrático. O PT e Bolsonaro entram aqui como representações do Partido Democrata e de Trump, numa reencenação do drama vivido por Trump, que sofreu a abertura de dois processos de impeachment na Câmara de maioria democrata – rejeitados pelos republicanos no Senado – e foi réu em quatro processos criminais.

    Essa é a principal motivação de Trump no embate com o Brasil: limpar sua biografia do estigma de golpista e projetá-lo sobre seus rivais na esquerda americana e mundial, caracterizando a si mesmo como o líder do mundo livre. Isso ficou claro em sua entrevista à Bloomberg.

    Ele retratou o Brasil como país desleal no comércio, referindo-se à tarifa quase zero praticada até aqui pelos EUA, contra um alto protecionismo. Trump tem razão nisso. Embora os EUA tenham superávit – de US$ 7 bilhões no ano passado – no comércio bilateral, o Brasil aplica alíquotas de 20% sobre produtos plásticos americanos, 35% sobre automóveis, vestuários, calçados e brinquedos e 16% sobre autopeças, ante 6,5%, 2,5%, 16,5%, 8,5%, 0% e 2,5% impostas pelos EUA, respectivamente.

    Ao ligar para líderes de China, Rússia e Índia, Lula jogou gasolina na fogueira. Enquanto negocia com os EUA a compra de commodities agrícolas, que deixará de importar do Brasil, a China declarou apoio ao governo brasileiro “contra o protecionismo e unilateralismo”. A crise se agravará. É o que os envolvidos desejam

  3. HÁ MUITO O BRASIL RENUNCIA ÀS VANTAGENS DO COMÉRCIO GLOBAL, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Hoje vítima de uma agressão comercial por motivos políticos, o Brasil historicamente sabota seu próprio desenvolvimento com barreiras à compra de mercadorias estrangeiras que sufocam a produtividade e empobrecem sua população. Respondendo por apenas 1% do comércio global e fora das cadeias produtivas internacionais, o país colhe estagnação e atraso.

    Nunca é tarde para mudar, e as condições internacionais oferecem novas chances de integração produtiva, a despeito das tarifas impostas à maioria dos países pelos Estados Unidos.

    A situação atual é grave, como evidencia reportagem da Folha. Desde os anos 1980, estamos presos em uma armadilha de baixo crescimento econômico, em que o Produto Interno Bruto avança em média apenas 2,5% ao ano.

    A raiz do problema é a produtividade estagnada: entre 1981 e 2023, o indicador mostrou alta de apenas 0,5% ao ano, em média. A indústria amarga quedas (de 0,3% ao ano), enquanto os serviços, que representam 70% das horas trabalhadas, patinam.

    Apenas a agropecuária mostra vigor no período, com 6% de crescimento anual, e competitividade a ponto de conquistar posição de destaque no fornecimento de alimentos para o mundo.

    Na comparação com os EUA, o quadro é vergonhoso: a produtividade brasileira, que já foi equivalente a 46% da americana nos anos 1980, hoje marca só 25,6%. Esse abismo reflete a incapacidade de adotar tecnologias modernas, bloqueadas por um protecionismo comercial arcaico.

    O Brasil impõe tarifas de importação proibitivas, como as de até 11,5% sobre máquinas e equipamentos, entre as mais altas do mundo. A média de 12% para produtos industriais é o dobro da mexicana e quase o triplo da praticada na União Europeia.

    Barreiras não tarifárias, ademais, como normas técnicas muitas vezes redundantes e burocracia alfandegária, afetam 86% das importações, encarecendo produtos em até 2,4 vezes.

    É um fato curioso que as maiores multinacionais estejam presentes no país, mas servindo quase exclusivamente ao mercado interno. O país se vê isolado mesmo dispondo de base considerável de recursos humanos e técnicos.

    O que há, nesse contexto, são apenas remendos, como isenções setoriais. Até mesmo a Zona Franca de Manaus, supostamente voltada a exportações, não passa de entreposto para fluxos internos, uma grave distorção infelizmente intocável politicamente.

    Práticas macroeconômicas desastrosas, como a gastança do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), absorvem recursos, limitam o crescimento da poupança doméstica e elevam o custo de capital, dificultando investimentos.

    Num mundo que busca um reequilíbrio diante do protecionismo americano, abrem-se novas oportunidades. Para aproveitá-las é preciso reduzir tarifas, reformar a política econômica para geração de poupança e diversificar o acesso a mercados.

  4. A REUNIÃO FOI UM SUCESSO, APENAS PARA PUTIN, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo

    Plenamente ciente do que é prioritário para Trump, o líder russo começou seu pronunciamento responsabilizando Joe Biden pela guerra. Putin reclamou que nos últimos quatro anos não houve diálogo entre Rússia e Estados Unidos, embora ele tivesse tentado. E presenteou Trump com um: “Você tem razão, se você fosse o presidente a guerra não teria acontecido”.

    Por trás dessa bajulação há uma constatação macabra. A guerra não teria acontecido porque Trump teria obrigado a Ucrânia a se submeter aos desígnios de Putin. Isso fica claro na fórmula da “troca de territórios” enunciada pelos americanos antes da cúpula.

    Como a Ucrânia não ocupa território russo, com exceção de 10 km2, e a Rússia ocupa um quinto do território ucraniano (114.500 km2), essa troca significa: a Ucrânia cede áreas que a Rússia anexou ilegalmente mas não conseguiu ocupar militarmente e em troca os russos abrem mão de outras áreas que também não ocupam, mas gostaria.

    Trump havia dito antes da cúpula que só haveria negociações de acordos econômicos se as tratativas sobre a guerra na Ucrânia progredissem na direção de um cessar-fogo.

    Tanto assim que as equipes econômicas — Scott Bessent do Tesouro e Howard Lutnick do Comércio do lado americano — só se reuniriam depois da discussão política, que envolveu o secretário de Estado americano Marco Rubio e o enviado Steve Witkoff, pelos EUA, e o chanceler Seguei Lavrov e o assessor de política externa Yuri Ushakov, pela Rússia.

    Isso não aconteceu. Ao falar da guerra, Putin repetiu a fórmula que emprega desde antes de invadir a Ucrânia: É preciso endereçar as causas fundamentais do conflito”. Referiu-se à Ucrânia como “nação irmã”, que não é uma demonstração de afeto: na doutrina de Putin significa que ela pertence à Rússia.

    O ditador disse que Rússia e Estados Unidos precisam reatar as relações econômicas, e a partir daí chegar a um acordo sobre a Ucrânia. Trump não aceitou diretamente essa inversão na ordem por ele pré-estipulada. Disse que ambos tinham discordado sobre uma questão substancial, aparentemente se referindo à guerra, e que telefonaria para o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, e governantes europeus, como havia prometido.

    Entretanto, mesmo antes de consultá-los, Trump declarou que espera voltar a falar em breve com Putin, de preferência pessoalmente. O ditador russo atalhou: “Em Moscou”. Trump respondeu: “Isso seria interessante. Eu seria muito atacado por isso, mas posso ver acontecendo”.

    O almoço ampliado com a equipe econômica e de defesa, seguido de reuniões à tarde, como estava previsto, não aconteceu. Ambos os presidentes embarcaram em seus aviões. Putin, trazendo na bagagem a sua consagração como o líder que colocou a Rússia de volta ao patamar dos EUA – cujo presidente o recebeu com aplauso e uma carona em sua limusine. E sem ceder na exigência básica de Trump: o fim da guerra.

    Já Trump sai de mãos abanando, mas traz consigo sua capacidade inesgotável de reconfigurar a realidade segundo a sua autoimagem de mestre da negociação e salvador da pátria

  5. A ÍNDIA PODE SE TORNAR O PIOR ERRO DE TRUMP, por Fareed Zakaria, traduzido e publicado no jornal O Estado de S. Paulo. Fareed é jornalista americano nascido na Índia. O que pode ser lido em relação a Índia – guardadas o tamanho, as questões geopolíticas, o alinhamento diplomático de apenas 25 anos em relação aos mais de 200 do Brasil -, em parte pode também se aplicar ao Brasil. Além de imperador do mundo, Trump é um chantagista que não considera o tabuleiro do jogo como um todo e que lhe vai deixar isolado. O encontro de ontem no Alasca, apropriado numa terra gelada, depois de horas, saiu plenamente derrotado por Putin que tem nas mãos uma economia decadente, mas uma longa história de guerras e armamento nuclear para rivalizar e usar irresponsavelmente.

    Os EUA são frequentemente criticados por se orientarem para o curto prazo, por mudarem de rumo muito rápido. Na verdade, em questões importantes, Washington tem sido consistente na sua política externa. Considere-se a aproximação estratégica com a Índia, que começou durante o governo Bill Clinton e foi expandida de forma bipartidária ao longo de 25 anos – até agora.

    A hostilidade repentina e inexplicável do presidente Donald Trump em relação à Índia reverte as políticas adotadas por cinco governos, incluindo o seu próprio anterior. Se essa nova atitude se mantiver, poderá ser o maior erro estratégico de sua presidência até agora.

    Após a Guerra Fria, os EUA iniciaram uma aproximação sustentada com a Índia. A visita bem-sucedida de Clinton, em 2000, abriu a possibilidade de um novo relacionamento cordial. A mudança crucial, porém, aconteceu durante o governo de George W. Bush. Ele reconheceu que a ascensão da China estava transformando o sistema internacional e o contrapeso mais importante poderia ser a Índia, então o segundo país mais populoso do mundo, que começara a reformar sua economia. Uma relação próxima com Nova Délhi seria a chave para impedir o domínio chinês na Ásia e garantir os interesses americanos na região.

    SALTO.
    Havia um grande obstáculo: o programa nuclear da Índia. No interesse da não proliferação, Washington impôs sanções à Índia (e ao Paquistão) por realizarem testes com armas nucleares. Mas Bush, tendo decidido que a Índia deveria ser tratada como uma grande potência, ofereceu um acordo nuclear histórico que pôs fim ao isolamento indiano e foi um divisor de águas nas relações entre os dois países.

    Depois disso, Washington e Nova Délhi se aproximaram em muitos aspectos. O governo Barack Obama, considerando a Índia importante para a virada dos EUA para a Ásia, apoiou a candidatura do país a membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

    O primeiro governo Trump deu um salto ainda maior politicamente. Ele elevou o Quad – um grupo voltado para a defesa que inclui EUA, Austrália, Japão e Índia – e lhe deu mais substância. Trump também se deleitava com sua relação pessoal com o premiê, Narendra Modi. Joe Biden deu continuidade ao legado de Trump. A Índia planejava trabalhar com os EUA na fabricação de tudo, desde caças até chips.

    A Índia é um país espinhoso. Foi colonizado e dominado pelo Ocidente, governado pelo Reino Unido durante dois séculos. Após sua independência, a União Soviética a apoiou-a, enquanto os EUA deram dinheiro e armas ao seu adversário, o Paquistão. Como uma democracia grande, diversificada e confusa, a Índia sempre teve interesses internos que seus líderes não podem ignorar. Apesar de tudo, Washington conseguiu se aproximar de Nova Délhi cada vez mais.

    MARCHA A RÉ.
    Entra Trump 2.0. Sem aviso prévio, ele desfez décadas de trabalho árduo dos diplomatas americanos. Colocou a Índia na categoria mais alta das tarifas americanas, agora fixadas em 50%, enquanto estabeleceu uma taxa de 19% para o Paquistão (que agora é aliado próximo da China) e anunciou esforços conjuntos, provavelmente fúteis, para procurar petróleo lá. O presidente se reuniu com o chefe do exército do Paquistão em particular, e uma empresa apoiada pela família Trump tem laços com o Conselho de Criptografia do Paquistão – alimentando suspeitas de que acordos secretos foram realizados.

    Trump chamou a economia da Índia de “morta”. Na verdade, há vários anos, a Índia tem a economia de grande porte que mais cresce no mundo, agora a quarta maior (ela deve ultrapassar a Alemanha até 2028 e se tornar a terceira maior, atrás apenas de EUA e China). É o segundo maior importador de armas do mundo.

    A Índia há muito tempo busca permanecer não alinhada. Sob Modi, ela adotou uma variação chamada “multialinhamento”, que, teoricamente, permite ao país manter boas relações com todos os lados. A diplomacia americana persistente e a ascensão da China vinham minando essa posição, e, de forma lenta, mas segura, a Índia vinha desenvolvendo laços mais estreitos com os EUA. Não mais.

    Mesmo que Trump recue, o estrago já está feito. Os indianos acreditam que os EUA mostraram sua verdadeira face: sua falta de confiabilidade, sua disposição de tratar mal seus amigos. É compreensível que eles sintam que, para se protegerem, precisam se manter próximos da Rússia – e até mesmo fazer as pazes com a China. O país está unido em seu choque e raiva pelo comportamento insultuoso de Trump.

    Quando estou na Índia, costumo exortar os líderes locais a estreitar os laços com os EUA, argumentando que seu destino está em uma grande parceria entre a democracia mais antiga do mundo e a maior do mundo. Agora, será difícil persuadi-los a seguir esse conselho.

  6. Um editorial preciso. Ele revela o nosso atraso em relação à realidade, não apenas ao mundo. Mas, a leitura não pode apenas creditar toda esta bagunça apenas à ideologia socialista, sindical da esquerda do século XIX, Lula e PT. Quando no poder, o bolsonarismo não fez melhor. Quando no poder, o bolsonarismo em Santa Catarina – diferente de Tarcísio, por exemplo -, Blumenau e Gaspar vem dando mostras que são a outra face perversa do mesmo incomodo e condenado PT. Leiam e reflitam. As ideias, no Brasil, não estão em partidos, mas em pessoas líderes, capazes, articuladas e realizadoras, infelizmente.

    TARCÍSIO ESTÁ CERTO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    “O Brasil não aguenta mais o PT, o Brasil não aguenta mais o Lula.” O desabafo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, num encontro promovido pelo BTG Pactual com outros presidenciáveis de centro-direita, como Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, vocaliza mais que um diagnóstico político. É a expressão condensada de um esgotamento histórico, comprovado por dados e pelo cotidiano. Não se trata de mera retórica eleitoral. O sentimento popular, traduzido em índices de rejeição, ecoa uma realidade objetiva: o modelo lulopetista é fiscalmente insustentável, economicamente estagnante, institucionalmente corrosivo e diplomaticamente anacrônico.

    Na oposição, recorde-se, o PT sempre foi irresponsável, rejeitando marcos civilizacionais, a começar pela Constituição e o Plano Real. No governo, o resultado foi inequívoco: retrocesso na produtividade, deterioração fiscal, aparelhamento do Estado, corrosão da moralidade pública e uma política externa que confunde alinhamento com ditaduras e hostilidade ao Ocidente com “soberania”. Na economia, o lulopetismo substituiu reformas estruturais por expansão desenfreada do gasto corrente, subsídios distorcivos e intervencionismo improvisado. O preço está na dívida crescente, no déficit crônico, nos juros exorbitantes, na paralisia do investimento privado. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em 45 anos o Brasil despencou do 48.º para o 87.º lugar no ranking de PIB per capita, aproximando-se da metade mais pobre do planeta – e isso tem relação direta com o fato de que o Brasil foi governado pelo PT em 16 dos últimos 22 anos.

    A cultura institucional moldada pelo PT é adversa ao mérito e complacente com o clientelismo. A máquina pública foi loteada a aliados; as estatais, transformadas em cabides de emprego; o Congresso é tratado ora como inimigo, ora como balcão de negócios. Na política externa, Lula insiste em bajular autocratas e dar declarações contra o “imperialismo estadunidense”, mesmo enquanto China, Europa ou até o Vietnã negociam pragmaticamente com Washington. No campo moral, a marca é um relativismo corrosivo: o partido que reivindica o monopólio da ética capitaneou o maior escândalo de corrupção da história nacional.

    Ao dizer que o Brasil “não aguenta mais”, Tarcísio verbaliza um limite estrutural. A população sente – e as projeções confirmam – que o País não suporta mais regimes fiscais que empilham déficits e empurram a conta para o futuro. A exaustão também é geopolítica e tecnológica: enquanto o mundo corre atrás da transição energética e da economia do conhecimento, o lulopetismo insiste em reviver debates marxistas antediluvianos, preso a um saudosismo sindical e a rancores de grêmio estudantil.

    Não é preciso endossar candidaturas para reconhecer que os princípios defendidos pelos governadores durante o encontro apontam na direção certa: responsabilidade social sustentada por responsabilidade fiscal, reforma orçamentária, modernização administrativa, combate à corrupção e privilégios e uma visão de futuro conectada às oportunidades globais. É essa virada de página que importa.

    Mas, para ser completa, ela não pode omitir um dado incômodo: o Brasil não aguenta mais o bolsonarismo também. Entre os muitos males que Lula e o PT causaram ao País, um dos mais degradantes foi a ascensão de Jair Bolsonaro. O populismo bolsonarista foi um subproduto dialético do populismo lulopetista. O antipetismo viabilizou a ascensão de Bolsonaro, e o antibolsonarismo viabilizou o retorno de Lula, mantendo o País cativo de um ciclo infernal de ressentimento, radicalização e estagnação. Rompê-lo é condição para avançar. Como resumiu singelamente Ratinho Jr., basta eleger “uma pessoa normal”.

    Virar a página não é trocar um demagogo por outro. É abandonar a mentalidade retrógrada que nos prende a crises recorrentes, colocar a responsabilidade fiscal no centro da agenda, reafirmar o compromisso com instituições sólidas e abraçar o mundo como ele é, e não como o imaginário ideológico o descreve. O Brasil não aguenta mais Lula e Bolsonaro – e, se não superá-los de uma vez, estará condenado à mais profunda mediocridade.

  7. PODERES TÊM DE DAR RESPOSTA UNÍSSONA, por Vera Magalhães, em O Globo

    A sem-cerimônia com que o deputado Eduardo Bolsonaro tem feito ameaças cada vez mais explícitas a autoridades, funcionários públicos e cidadãos comuns brasileiros só é possível porque ele se sente respaldado pelo avanço autoritário vertiginoso do governo Donald Trump e duvida que receberá alguma punição por conspirar contra o próprio país.

    Uma obra recém-lançada no Brasil ajuda a entender a velocidade com que Trump — eleito para um novo mandato em 2024 depois de derrotado quatro anos antes — vem tomando de assalto as instituições e dinamitando sem dificuldade o até então hígido sistema de freios e contrapesos da democracia norte-americana.

    Trata-se de “O projeto”, livro do jornalista David A. Graham, que se debruça sobre a concepção e a implementação, na Presidência de Trump, do Projeto 2025, plano de ação tratado na campanha do ano passado pelo republicano como fantasioso, mas que vai sendo posto em prática quase ponto por ponto.

    No livro, fica claro que, a partir do diagnóstico das alas mais radicais do Partido Republicano de que Trump foi “sabotado” pelo aparato institucional no primeiro mandato, era necessário enfraquecê-lo logo na largada para que a segunda passagem pela Casa Branca não sofresse as mesmas limitações. Nesse caldo entram agências governamentais, universidades, Forças Armadas, Congresso, Judiciário, imprensa e qualquer outro grupo que ouse se interpor contra um projeto de poder que o autor chama de “imperial”.

    O Brasil entrou para valer na lista de inimigos a abater graças ao contraste óbvio entre as reações aqui e lá diante de tentativas de golpe de Estado. Os julgamentos firmes e céleres da trama golpista do governo Bolsonaro e do 8 de Janeiro são precedentes preocupantes para alguém que escapou de ser responsabilizado uma vez e não quer correr riscos caso perca uma reeleição que já não esconde pretender disputar.

    A arbitrariedade das medidas anunciadas contra o Brasil e as falsidades enunciadas por Trump e seus auxiliares mais graduados são suficientemente graves para preocupar todos os brasileiros que têm responsabilidade. Cabe aos três Poderes do Brasil se unir e adotar todo tipo de blindagem possível contra arbítrios que podem vir em qualquer área, contra qualquer um.

    Eduardo Bolsonaro não esconde o êxtase com Trump conseguir levar adiante medidas que, no governo de seu pai, foram contidas pelo Congresso e pelo Judiciário. Assim inebriado, se acha inatingível a ponto de ameaçar nominalmente o presidente da Casa de que ainda faz parte, Hugo Motta.

    Qualquer condescendência com esse comportamento inaceitável resultará na repetição, com frequência cada vez maior, de cenas como a tomada da Mesa da Câmara pela bancada bolsonarista, e o risco é a paralisia completa dos trabalhos do Legislativo justamente durante uma emergência como o tarifaço.

    Não há tempo a perder com esse tipo de chicana e de chantagem quando as ações do governo dos Estados Unidos põem em risco a economia e até a segurança nacional — uma vez que o governo Trump já não esconde a disposição de tentar até incursões militares em nações soberanas, sob pretextos os mais variados.

    Paradoxalmente, o fato de nossa Constituição, promulgada justamente depois de um longo período de ditadura, ser mais jovem que a dos Estados Unidos nos dá mais instrumentos para proteger a democracia, uma vez que os constituintes se preocuparam em colocar na Carta capítulos assegurando os direitos em praticamente todas as áreas da vida nacional.

    É com esse instrumento poderoso em mãos que todos os que põem o senso de dever acima das bajulações ideológicas têm de reagir de forma altiva, mas sem cair em provocações, à marcha da insensatez de Trump contra o Brasil.

  8. PARLAMENTO DESPREZA TRANSPARÊNCIA COM APROVAÇÃO RELÂMPAGO DE EMENDAS, editorial de O Globo

    Sai legislatura, entra legislatura, e os parlamentares continuam ignorando a necessidade de transparência no repasse de dinheiro público por meio das emendas parlamentares. Na quarta-feira, as comissões da Câmara levaram menos de um minuto para aprovar a destinação de verbas, sem deixar claro quem são os responsáveis pelas indicações, contrariando determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Na Comissão de Saúde, uma das mais bem aquinhoadas, com R$ 3,8 bilhões para distribuir, as indicações foram aprovadas em 20 segundos. Como não se tornaram públicas, o país ficou sem saber a que se destinavam, quanto cada projeto receberia e quem o patrocinou, informações fundamentais para a sociedade e para os órgãos de controle e fiscalização. Na Comissão de Integração Nacional, bastaram oito segundos para a aprovação. Nem deputados que participaram dos encontros sabiam se suas indicações haviam sido contempladas, como revelou reportagem do GLOBO.

    Antes das aprovações-relâmpago, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu com presidentes das principais comissões permanentes para discutir um plano de aceleração na destinação das emendas. O governo fixou em R$ 42,8 bilhões o limite de pagamento das emendas para este ano. Dos R$ 7,6 bilhões previstos para as comissões da Câmara, nada havia sido ainda empenhado (o pagamento não é obrigatório e costuma ser feito por meio de acordos políticos). É legítimo querer destravar os repasses, mas não se pode perder de vista que se trata de dinheiro público, por isso tudo precisa ser feito com transparência e mediante justificativas razoáveis.

    As emendas têm sido foco de embate intenso entre Legislativo e Judiciário. Mesmo com o fim das emendas do relator, julgadas inconstitucionais pelo Supremo, o “orçamento secreto” — indicações de gastos sem identificar o autor — persiste por meio das emendas de comissão. No fim do ano passado, o ministro Flávio Dino, do STF, mandou bloquear R$ 4,2 bilhões em pagamentos dessas emendas, gerando insatisfação no Congresso. Com razão, ele exigiu a documentação de todo o processo orçamentário “para atendimento das regras constitucionais de transparência e rastreabilidade”.

    Já é questionável o sequestro de parcela tão grande do Orçamento pelo Congresso por meio das emendas parlamentares, cuja destinação segue critérios políticos, em vez de técnicos — os recursos são dirigidos a quem tem padrinhos poderosos, e não a quem precisa. A situação se agrava quando esses repasses são feitos de forma obscura, abrindo espaço a casos de corrupção nem sempre fáceis de detectar. Operações da Polícia Federal já flagraram valores desviados de emendas escondidos em sapatos, gavetas de armário, jogados pela janela ou em outras situações quem envergonham a classe política. O mínimo que se espera é saber quanto é destinado, a quem, para quê e por quem. Não é favor, mas obrigação.

    1. Quando o dinheiro é pra orgias PALACIANAS, a aprovação acontece no VAPT-VUPT;
      Já quando é pra atender as demandas REPRESADAS dos seus REPRESENTADOS…👀

  9. QUANDO A LEI É RASGADA E O CIDADÃO É FORÇADO AO SILÊNCIO, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município (2005/08, portanto do governo do ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, tema central do artigo acima), graduado em Gestão Pública pela Udesc. O pedido de informações que o ex-prefeito enviou a Ouvidoria e lá mofou por mais de um ano e agora chegou ao Ministério Público e tirou o atual governo do conforto, está abaixo, publicado pelo próprio ex-prefeito)

    É inaceitável. É revoltante. A Lei Orgânica de Gaspar, no seu Artigo 82, não deixa margem para interpretações, desculpas ou enrolações:

    —–“Art. 82 – Todos têm direito a receber dos órgãos e entidades municipais informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo máximo de trinta dias, sob pena de responsabilidade da autoridade ou servidor que retardar, sonegar ou prestar informação incompleta, incorreta ou falsa.”———

    Não é preciso se apegar a legislações complementares. A própria Lei Orgânica do Município já garante o direito e define a punição. E por simetria, esse artigo reflete o que está previsto na Constituição Federal e em leis nacionais — ou seja, está alinhado ao ordenamento jurídico maior.

    O episódio concreto que ilustra a gravidade do descumprimento do Artigo 82 envolve o ex-prefeito e ex-secretário Adilson Luiz Schmitt, relatado pelo portal Olhando a Mare. Há mais de um ano e meio, Adilson apresentou onze questionamentos oficiais à Secretaria de Agricultura. Nenhuma resposta adequada foi fornecida até a intervenção do Ministério Público. Mesmo assim, apenas uma das onze perguntas teria sido respondida.

    Trinta dias. Não um ano e meio. Não “quando der tempo”. Não “se for conveniente”. 30 “trinta” dias.

    Quando o poder público ignora essa regra, não é mera falha administrativa — é afronta direta ao cidadão e ao Estado de Direito. É o gestor dizendo, na prática, que a lei vale para todos, menos para ele. É transformar a informação, que deveria ser pública, em arma política ou moeda de troca.

    A lei é clara. O próprio Artigo 82 da Lei Orgânica de Gaspar diz expressamente que a autoridade ou servidor que retardar, sonegar ou prestar informação incompleta, incorreta ou falsa responde por isso. Não é preciso recorrer a outras normas; a responsabilização já está prevista no próprio dispositivo. E ela pode ser pesada: improbidade administrativa, crime de responsabilidade, crime de desobediência. Não é “favor” do gestor — é dever.

    E aqui fica meu posicionamento: se amanhã eu — ou qualquer outro cidadão — precisar de informações públicas, não aceitarei esperar mais de 30 dias. E, se for preciso, usarei todos os meios legais: Mandado de Segurança, Ministério Público, Câmara de Vereadores, Tribunal de Contas do Estado, entre outros.

    O recado é simples: o Artigo 82 não é enfeite de lei, é escudo do cidadão e espada contra a opacidade. Quem insiste em desrespeitá-lo deve estar pronto para responder, política, administrativa e judicialmente.

    “PORQUE GOVERNO QUE TEME A TRANSPARÊNCIA PERDE LEGITIMIDADE. E POVO QUE SE CALA DIANTE DISSO PERDE A PRÓPRIA CIDADANIA.”

  10. Vira e mexe, quando se trata de corrupção, petistas e bolsonaristas ficam tão próximos nos seus medos e necessidade de proteção contra as investigações e punições.

    DINO ASSUSTA MAIS O CONGRESSO, por Carolina Brígido, no jornal O Estado de S. Paulo

    Os deputados bolsonaristas que organizaram um motim na Câmara na semana passada protestavam contra Alexandre de Moraes, mas estão preocupados mesmo é com Flávio Dino.

    Diante da plateia, os parlamentares se dizem indignados com Moraes na condução dos processos sobre a trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Chamam de absurda a prisão de Jair Bolsonaro e lutam pela anistia a quem arquitetou um golpe de Estado.

    Além da anistia e do impeachment de Moraes, o grupo abraçou uma terceira causa: o fim do foro privilegiado. A pauta não guarda qualquer relação com os julgamentos sobre o golpe ou com a conduta de Moraes. Eventual alteração na regra do foro não mudaria a vida de quem já foi sentenciado nem de quem está prestes a ser julgado.

    Na lógica da farinha pouca, meu pirão primeiro, os deputados estão mais aflitos com o próprio destino penal. Paralelamente aos processos sobre a trama golpista, tramitam no Supremo dezenas de apurações contra parlamentares por desvios de verbas destinadas a emendas.

    Ou seja: os deputados acorrentados pegaram carona na crise entre Judiciário e Legislativo para tentar retirar do Supremo processos que atingem a si mesmos.

    O cerco ao orçamento secreto é capitaneado por Flávio Dino. Além de exigir transparência e rastreabilidade nos gastos com emendas, o ministro determinou que a Controladoria-Geral da União (CGU) realizasse auditorias nessas rubricas. Foram mapeadas suspeitas de corrupção e mau uso do dinheiro público. Dino também conduz boa parte das investigações com parlamentares no alvo.

    Depois do motim, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que não há clima favorável para pautar a anistia. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), garantiu que o pedido de impeachment de Moraes continuará na gaveta, mesmo com a assinatura da maioria dos senadores.

    Resta o foro privilegiado, o que de fato importa aos parlamentares. Um grupo quer transferir as investigações para juízes da primeira instância – de preferência, perto de suas bases eleitorais. Outro defende que os inquéritos sejam remetidos a tribunais federais. Hoje, os investigados ainda não chegaram a um consenso sobre em qual foro eles preferem ser julgados.

    A ideia caminharia como Proposta de Emenda à Constituição. Mas até mesmo as PECs estão sujeitas ao controle de constitucionalidade. Logo, o próprio Supremo poderia derrubar a medida – se é que ela receberá votos suficientes no Congresso.

    No tribunal, ministros já entenderam a jogada. E não aparentam disposição para negociar com o Congresso a mudança da regra do foro agora. •

  11. CUSTO DA IMPREVIDÊNCIA, por Adriana Fernandes, no jornal Folha de S. Paulo

    O governo acerta ao lançar um pacote para socorrer as empresas que acumulam prejuízos com o tarifaço de 50%. Não havia saída para o presidente Lula nessa emergência de pressão total de Donald Trump contra o Brasil.

    No curto prazo, as empresas pediam crédito subsidiado e também adiamento de impostos. Conseguiram essa ajuda e, de quebra, a ampliação do Reintegra, benefício que prevê o ressarcimento de parte dos tributos para empresas que exportam manufaturados. A oposição bolsonarista, que critica as medidas, não teria feito muito diferente neste primeiro momento diante do tamanho do problema e da diversidade das empresas.

    O que ficou ruim foi o sinal contrário passado em relação às contas públicas e regras fiscais. Até o último momento, o governo sustentou que o custo do pacote ficaria fora do teto de despesas do arcabouço fiscal, mas dentro da meta fiscal. Uma ação que indicaria algum compromisso para conter a alta da dívida pública.

    Não foi isso que aconteceu. O senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou projeto para excluir os gastos e as renúncias fiscais da meta fiscal deste ano e também de 2026, ano de eleições.

    A verdade é que o governo propôs um arcabouço fiscal com uma banda (margem de tolerância) de 0,25% do PIB para acomodar imprevistos, como os das enchentes no Rio Grande do Sul e das queimadas, mas toda hora que eles aparecem a opção é pedir dispensa.

    Até poucos dias atrás, o governo tinha R$ 20,6 bilhões de despesas congeladas, o que permitiria acomodar a conta do pacote. Mas acabou liberando esse dinheiro no final de julho, quando já estava na mesa o tarifaço. Na época, o governo tinha deixado uma reserva de R$ 4,7 bilhões em relação ao piso da banda, mas não usou agora essa folga.

    O pacote confirma que Lula prefere usar a folga para pagar despesas ordinárias, como benefícios do INSS, do que fazer frente às surpresas. Como a disputa com Trump será longa e deve exigir novas medidas, a imprevidência cobra seu preço. Ele aparece nos juros altos, que machucam as empresas.

  12. O DIREITO DE INCOMODAR, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O procurador-geral da República, Paulo Gonet, em boa hora pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento de um recurso impetrado pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) por meio do qual a parlamentar requer a reabertura de uma ação penal contra a designer gráfica Isabella Cêpa. Gonet sustenta o pedido em questões técnicas, mas oxalá seja aceito pelo ministro Gilmar Mendes, relator do caso, porque o arquivamento, seja qual for a razão, é a única medida possível para a preservação de um dos fundamentos mais caros do Estado Democrático de Direito: a liberdade de expressão.

    Em 2020, após a divulgação do resultado das eleições municipais em São Paulo, quando Erika Hilton foi eleita vereadora, Isabella Cêpa, que se apresenta como uma “feminista radical”, publicou a seguinte mensagem em uma rede social: “Decepcionada. Com as eleições dos vereadores, óbvio. Quer dizer, candidatas verdadeiramente feministas não foram eleitas. A mulher mais votada é homem”. Foi o que bastou para a sra. Hilton iniciar uma implacável perseguição judicial contra a designer gráfica.

    Movido por representação da então vereadora, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ofereceu denúncia contra Isabella Cêpa por “crime de transfobia”. E a denúncia, pasme o leitor, foi aceita pela Justiça paulista. Temendo uma condenação a vários anos de cadeia por ter publicado um simples desabafo, Isabella Cêpa buscou refúgio no exterior – consta que ela estaria vivendo em um país do Leste Europeu, onde teria obtido asilo político –, razão pela qual a ação penal passou para o âmbito federal.

    Trazendo sensatez para onde antes só havia histeria persecutória, o Ministério Público Federal (MPF) decidiu não prosseguir com a ação penal, sob a alegação formal de que a legislação brasileira não tipifica o crime de transfobia. De fato, o texto da designer gráfica, reproduzido ipsis litteris acima, pode ser ácido ou mesmo desconfortável para quem o recebeu, mas não é criminoso. Isabella Cêpa expressou uma opinião política. Portanto, está amparada pelo artigo 5.º da Constituição, que assegura a todos os cidadãos a livre manifestação do pensamento, vedado o anonimato.

    Aquela publicação só foi considerada criminosa pelo MP-SP em razão da confusão criada pelo STF, em 2019, ao equiparar, por analogia, os crimes de homofobia e transfobia a racismo, alegando ter havido “omissão legislativa” do Congresso. O resultado disso foi a abertura de uma zona cinzenta em que livres manifestações de pensamento, mesmo sem a mais tênue incitação à violência contra a população LGBTQIA+, passaram a ser passíveis de enquadramento criminal. A ação penal contra Isabella Cêpa cabe perfeitamente como exemplo dessa brutal insegurança jurídica.

    Também é digna de registro a incoerência da atitude da sra. Hilton. Afinal, trata-se de uma parlamentar que construiu sua imagem pública na defesa dos direitos humanos e dos primados do Estado Democrático de Direito, mas que, diante de uma crítica pessoal, feita por uma mulher que se identifica com uma vertente do feminismo que sobrepõe a condição biológica feminina a outras questões, não hesitou em recorrer ao aparato judicial para punir quem apenas fez alusão à sua condição biológica masculina. Direitos fundamentais não são de gozo restrito a determinados grupos ou causas: numa democracia digna do nome, são assegurados a todos, inclusive, e sobretudo, aos que emitem opiniões incômodas.

    Não resta dúvida de que a violência contra a população LGBTQIA+, e em especial contra pessoas trans, é um problema real e gravíssimo no Brasil. Casos de agressão física ou psicológica, motivados exclusivamente pela identidade de gênero, devem ser investigados e punidos com rigor. Mas o Brasil precisa enfrentar o preconceito com políticas públicas eficazes, educação e diálogo social, e não com interpretações jurídicas que criam tipos penais por via oblíqua. Confundir violência com opinião, ainda que formulada em termos pouco amistosos, é punir a liberdade com censura. A democracia deixa de ser democracia quando um cidadão é privado de dizer coisas que outros simplesmente se incomodam ao ouvir.

  13. Impressionante é como Srs vereadores deixaram quieto esta história do transformador. Fraude comprovadamente consolidada. Bancada acalmada com carguinhos e a vida segue.

    Em Gaspar, no reino do Rei Pedro, tudo pode. .

    1. Se é para esclarecer há dois caminhos com a polícia interditada. O primeiro é o ministério público. O segundo e a própria Câmara. Há votos para instalar uma CPI, a não ser que…

  14. Boa noite.
    GASPAR beber ESGOTO coado prova que nossa evolução é questionável e que estamos de costas para o nosso maior patrimônio: as abundantementes nascentes e cursos d’água que brotam e cortam o nosso município.

    Bateias tinha uma ETA, água coletada direto das nascentes.
    Funcionou até ano passado, quando Kleber resolveu desativar.
    Priorizou as mineradoras e as lavouras de eucalipto.
    Sem a RESTAURAÇÃO da floresta pra produção de água, as nascentes SECAM.

    Agora a região sul de Gaspar também bebe esgoto coado do maltratado e poluído río Itajaí-açú 👀😥

      1. Só para registro, de como, quando e onde esta situação começou:

        Meu requerimento encaminhado a Ouvidoria da Prefeitura de Gaspar em 31/01/2024:

        Assunto: Solicitação de Informações referente, aos Serviços da Patrulha Mecanizada da Secretaria Municipal de Agricultura e Aquicultura de Gaspar.

        Venho através deste requerimento, solicitar a seguintes informações com as devidas cópias:

        1) Cópia dos protocolos de todas as solicitações de Equipamentos/Implementos e Serviços da Patrulha Mecanizada. Período dos últimos cinco anos, quer seja janeiro de 2019 a janeiro de 2024;

        2) Relação das horas trabalhadas, com os devidos comprovantes preenchidos pelo Servidor público que realizou o serviço. Período dos últimos cinco anos, quer seja janeiro de 2019 a janeiro de 2024;

        3) Relação dos Produtores Rurais atendidos, valores devidos e comprovação dos pagamentos na referida conta bancária da Secretaria Municipal de Agricultura e Aquicultura, ou então em qual conta bancária ocorre a conciliação. Arrecadação destes valores e quais despesas e ou investimentos foram realizados. Período dos últimos cinco anos, quer seja janeiro de 2019 a janeiro de 2024;

        4) Relação dos Produtores Rurais Inadimplentes, que utilizaram os serviços da Patrulha Mecanizada. Período dos últimos cinco anos, quer seja janeiro de 2019 a janeiro de 2024;

        5) Cópia do Decreto de Nomeação dos Membros do CMDR ( Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural), bem como cópia das atas da referidas reuniões e listas de presença. Período dos últimos cinco anos, quer seja janeiro de 2019 a janeiro de 2024;

        6) Relação dos Produtores Rurais que foram beneficiados pelo desconto de 0,5% (zero vírgula cinco por cento) que emitiram notas e contranotas fiscais , quando da utilização dos Serviços da Patrulha Mecanizada. Período dos últimos cinco anos, quer seja janeiro de 2019 a janeiro de 2024;

        7) Relação dos Produtores Rurais, que estão na lista de espera pelos Serviços da Patrulha Mecanizada. Período dos últimos cinco anos, quer seja janeiro de 2019 a janeiro de 2024;

        8) Relação dos Produtores Rurais que realizaram serviços de Patrulha Mecanizada de particulares e que foram atendidos, pelo Poder Municipial, em igual quantia (horas /máquina). Período dos últimos cinco anos, quer seja janeiro de 2019 a janeiro de 2024;

        9) Relação dos Produtores Rurais que tiveram atendidos as solicitações de empréstimo de Equipamentos/Implementos da Patrulha Mecanizada. Bem como cópia da legislação que permite este empréstimo;

        10) Relação dos equipamentos/Implementos, fotos e estado de conservação que compõem a Patrulha Mecanizada;

        11) Relação dos Servidores Públicos que trabalham nos Equipamentos/Implementos da Patrulha Mecanizada.

        Gaspar, 31 de janeiro de 2024.

        Adilson Luis Schmitt

        Ex Prefeito de Gaspar

        Gestão 2005 – 2008

  15. VOTAR A ANISTIA É O MELHOR REMÉDIO, por Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    Depois da muvuca bolsonarista da semana passada, parlamentares ligados ao presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, bem como alguns petistas, passaram a defender a votação de um projeto de anistia para os golpistas de 2022/23. Ele já recebeu o número suficiente de assinaturas para tramitar com rapidez. Engavetá-lo equivale a igualá-lo à tática (carnavalesca) da obstrução dos demais trabalhos da Câmara. Seriam formas distintas de interdição dos debates. Uma é legal e a outra, além de ridícula, é ilegal.

    Desde a Independência, quase todas as gerações de brasileiros viveram revoltas e 48 anistias. Algumas, como a de 1979, foram pacificadoras. Outras, como a que Juscelino Kubitschek mandou ao Congresso em 1959, perdoando os militares revoltosos de Aragarças, foram simples gambiarras. Cinco anos depois, os anistiados entraram no bloco da deposição de João Goulart, humilharam, cassaram e exilaram JK. Ele morreu em 1976 sem recuperar a plenitude de seus direitos políticos. O major Haroldo Veloso, líder da revolta, voltou à Força Aérea, chegou à patente de brigadeiro e, em 1966, elegeu-se deputado federal pelo partido do governo.

    Muito antes, em 1843, o mineiro Bernardo Pereira de Vasconcelos havia combatido o perdão aos revoltosos com um argumento fulminante:

    — A anistia ressuscitou os rebeldes.

    Fica a pergunta: a anistia aos golpistas de 2022/23 pacifica, como a de 1979, ou ressuscita rebeldes, como a de 1959? Como a História ainda está quente, cada um tem sua opinião, mas conceder ou negar anistia é atribuição do Congresso. Votá-la é o melhor remédio.

    Negociações partidárias deverão definir o alcance dessa anistia. Numa ponta, estão os 762 condenados por ter participado da mazorca do 8 de Janeiro. Alguns depredaram bens públicos, outros não. Na outra ponta, estão servidores que articularam um golpe com o objetivo expresso de anular o resultado de uma eleição vencida por Lula. Esses dois grupos confundem-se na reivindicação da anistia, mas têm pouco em comum.

    O cidadão que esteve na Praça dos Três Poderes no 8 de Janeiro, sentou-se na cadeira do ministro Alexandre de Moraes e gravou-se dizendo bobagens tomou uma pena de 17 anos de prisão. Ainda não saiu a sentença do general Mário Fernandes, ex-secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência que imprimiu o Plano Punhal Verde e Amarelo para facilitar a leitura, “sem forçar a vista”. Fica combinado assim.

    Levar o projeto a voto não significa aprová-lo. A mobilização dos defensores da anistia de hoje nada tem a ver com a campanha de 1979. Aquela foi um movimento popular e ordeiro. Esta inclui saltimbancos renitentes, que buscam a ressurreição da rebeldia condenada por Bernardo.

    A postura de alguns defensores da anistia dos golpistas é desafiadora. Perderam a eleição, viram o fracasso do golpe e jogaram-se na desordem do 8 de Janeiro. Perderam em todos os níveis e comportam-se como se tivessem prevalecido. Defendem a anistia com a desenvoltura dos vitoriosos.

    Essa postura poderá resultar na aprovação de uma anistia que atenda à infantaria do 8 de Janeiro e exclua, ou estabeleça condições para beneficiar, a turma daquilo que se pode classificar como “estado-maior” do golpismo.

  16. O TELEFONEMA QUE TARCÍSIO DEVERIA DAR, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cobrou do presidente Lula da Silva que telefone para o presidente dos EUA, Donald Trump, com o objetivo de negociar o tarifaço imposto pelos americanos ao Brasil – e que afeta particularmente o agronegócio paulista. “É isso que vai fazer a diferença”, disse Tarcísio. Este jornal defendeu e continua a defender exatamente isso, que o presidente Lula tente telefonar para Trump, mas, se o governador Tarcísio está de fato interessado em ajudar o Brasil e os paulistas, ele mesmo podia passar a mão no telefone e ligar para os EUA – para falar não com Trump, e sim com o deputado “exilado” Eduardo Bolsonaro.

    Tarcísio poderia pedir que Eduardo Bolsonaro, filho de seu padrinho político Jair Bolsonaro, pare de sabotar os esforços do governo brasileiro para estabelecer um diálogo com a administração americana. O recente cancelamento abrupto de uma reunião virtual entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, é um exemplo cristalino de como o clã Bolsonaro faz mal ao Brasil. Até a antevéspera, estava tudo pronto: agendas de ambas as autoridades alinhadas, link de acesso à plataforma de videoconferência estabelecido e interlocução formalizada entre os dois governos. Ainda assim, na undécima hora, a conversa entre Haddad e Bessent, que deveria ter ocorrido hoje, foi retirada de pauta pelo gabinete do secretário do Tesouro sob a insólita justificativa de “falta de agenda” – uma desculpa claramente esfarrapada.

    Haddad culpou “forças de extrema direita”, em referência a Eduardo Bolsonaro e ao blogueiro Paulo Figueiredo, ambos homiziados nos EUA para conspirar contra o Brasil em troca da impunidade de Jair Bolsonaro e outros golpistas. De fato, as evidências apontam para uma “coincidência”, chamemos assim, bastante reveladora: no dia do anúncio do cancelamento da reunião entre Haddad e Bessent, Eduardo concedeu entrevista ao Financial Times prevendo novas sanções da Casa Branca contra autoridades brasileiras, justamente quando o governo Lula da Silva tentava estabelecer canais de diálogo para conter a escalada punitiva deflagrada por Trump.

    Não se trata, por óbvio, de um mero desencontro diplomático. Em público, o sr. Eduardo nega, mas a interferência do filho do ex-presidente Bolsonaro para, desde o exterior, inviabilizar contatos de alto nível entre os governos das duas maiores democracias das Américas é um ato de gravidade ímpar. O fato de o deputado federal licenciado agir com esse grau de desenvoltura contra seu próprio país revela não só seu desprezo pelo decoro parlamentar, mas um desdém absoluto pelos interesses de milhões de brasileiros que são prejudicados pelo tarifaço. É espantoso que a Câmara ainda continue a lhe pagar salário e não lhe tenha cassado o mandato.

    É certo que Lula não é propriamente conhecido por sua admiração pelos EUA e vem subindo o tom com bravatas palanqueiras para capitalizar eleitoralmente sua disputa particular com Trump. Mas a ordem dos fatores, aqui, altera o produto: foi a sabotagem dos Bolsonaros que resultou no tarifaço excêntrico de Trump, e não o antiamericanismo infantil de Lula. Logo, se Tarcísio estiver genuinamente empenhado em destravar as relações com os EUA, deve deixar de lado o discurso eleitoreiro que tenta jogar toda a responsabilidade pela crise nos ombros de Lula e deve começar a cobrar dos seus caros amigos Bolsonaros que parem de atrapalhar o Brasil.

    Cabe a Tarcísio, como governador de um dos Estados mais afetados pelo tarifaço e liderança política com pretensões nacionais, exigir que cessem as manobras golpistas e irresponsáveis do clã Bolsonaro que tanto vêm prejudicando o País e, de forma particular, a economia paulista. Criticar Lula é fácil e sempre pode render dividendos políticos. Enfrentar o sabotador maior do Brasil, contudo, exige coragem e compromisso com a República, o que o sr. Tarcísio ainda precisa demonstrar com mais vigor e independência.

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