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TIC, TAC. EM BLUMENAU, SOCIEDADE E PRINCIPALMENTE AS ENTIDADES – DESDE AS CONSERVADORAS, CORPORATIVAS E ATÉ AS DE FISCALIZAÇÃO – REAGIRAM E TIRARAM DO CONFORTO O PREFEITO DE LÁ. E ELE PERCEBEU QUE ERA HORA DE DAR UM CAVALO DE PAU NO CASO DO ESGOTO

 Hoje é sábado. E voltei, numa palhinha, em artigo extraordinário, curto, comparativo.

Havia prometido uns dias de ócio. Não tenho férias como os normais. E os dias de ócio – para as coisas da família e particulares – não terminaram. Mas, estão sendo esclarecedores.

Este espaço – sem subsídio financeiro, favores de susbsistência, ideológicos ou  fanatismo de ninguém – supostamente só é lido por mim mesmo como afirmam os que se incomodam com os temas abordados aqui. Mas, ausente poucos dias, estranhamente, ficou cheio de recados.

Eles cobram à minha volta. Alguns, até, insinuando que me acertei com os poderosos de plantão de sempre de Gaspar. Alguns temem que meu silêncio, sempre tentado de todas as formas e há décadas, finalmente chegou. Credo!

EGÍDIO FICOU NUM BECO SEM SAÍDA

Abaixo está um vídeo postado ontem nas redes sociais pelo prefeito de Blumenau, Egídio Maciel Ferrari, PL. Ele jogou a tolha no caso do aumento espetacular – sob o disfarce de ajustes – da taxa de esgoto cobrado pela permissionária do serviço de lá a BRK Ambiental ao povo de Blumenau.

E se este disfarce mal contado fosse pouco, há embutido nele, um claro novo contrato de prolongamento, por muito mais anos do que não foi cumprido, num tal marqueteiro “Saneia Blu”. Só esta jogada ensejaria uma nova licitação. Nela, naturalmente, a BRK teria que disputar e não levar de mão beijada o que não entregou à cidade, ao meio ambiente e à população até hoje.

Resumindo: ao invés de implantar redes coletoras, estações elevatórias e de tratamento, a BRK para conseguir chegar perto dos índices de coleta e tratamento de esgotos que prometeu atingir e não atingiu que se comprometeu, tanto no contrato original como nos aditivos, inventou uma intrincada, burocrática, sem controle, uma rede de caminhões limpa-fossas terceirizada, sob a desculpa do relevo da cidade, que ela conheceu muito bem – ou devia –  antes de aceitar o que aceitou fazer.

Não vou adiante no detalhamento deste assunto, pois isso tudo está na imprensa e nas redes sociais há semanas.

E o prefeito de lá, Egídio, fingindo que não era bem com ele, estava, silenciosamente, resistindo. Até chegar a uma CPI, numa Câmara que lhe é amplamente favorável – todavia, não disposta a coisas que não se explicam aos eleitores e eleitoras -, o Ministério Público e a Justiça. E a imprensa resolveu fazer festa, separando as verbas publicitárias do silêncio parceiro ao erro ou à dúvida.

Egídio que foi um reconhecido investigador de primeira e delegado bem cioso do que fazia. Quando viu a proporção e o rumo das coisas, que cada vez mais ficavam sem explicações razoáveis e o que tinha explicação não convencia os pagadores dessa conta – a população, na maior parte, sua eleitora -, pulou fora do barco, coincidente ou não, na mesma semana em que a manchete da cidade por lá é de que ele está jogando fora uma policlínica, vejam só, porque a prefeitura não tem um terreninho público – ou por desapropriação – para disponibilizar para a obra Federal. Ou seja, estava virando figurinha fácil.

Voltando ao caso do esgoto.

No fundo, ouvindo gente de lá que está há anos neste assunto, estavam fazendo Egídio de tolo. Os senhores das manhas e artimanhas, especialistas em contratos e regulação, esperaram Egídio sentar na cadeira de prefeito e – induzido ou mal assessorado – ele assinou o papelório da discórdia preparado no governo de Mário Hildebrandt, PL e aprovado pela antiga Câmara.

E Egídio se tornou o culpado e cada vez mais culpado diante de cada penimbas que se descobria e se questionava. Até que, na sexta-feira, Egídio, tardiamente, não teve dúvidas. Deixou a teimosia e a presunção do certo de lado, e chutou o balde.

Por ele, ou ouvindo gente sensata, inventou uma auditoria – que deveria ser feita exatamente antes dele assinar o que assinou e de voltou com os dois pés atrás, antes de que lhe colocassem de joelhos no prejuízo da sua imagem de investigador, suas pretensões políticas futuras e sua liderança regional no palanque das eleições de outubro do ano que vem.

Vejam o vídeo e concluam. Volto mais adiante para comparar e encerrar

Aonde eu quero comparar com o governo de Paulo Norberto Koerich, também um ex-investigador afamado e delegado de polícia e Rodrigo Beoig Althoff, ambos do PL?

Em Gaspar, a Câmara da ala governista está gastando tempo e dinheiro- e não é pouco – para fazer uma cortina de fumaça para algo que já foi bem apurado na própria polícia de Blumenau que lida contra a corrupção no ambiente pública. A CPI do Capim seco, reapura, sem fatos novos, só exposição, a mágia das metragens multiplicadas da roçada feitas pela Ecossystem e Sanitary, por anos, com a convivência de servidores públicos efetivos e comissionados.

Enquanto isso, todas as outras supostas sujeiradas, dúvidas e desperdícios do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho, PP e Marcelo de Souza Brick, PP, vão entrando, naturalmente, no esquecimento. Parece ser um jogo de comadres. Uma distração. Colocaram um boi morto para as piranhas, para passsar a boiada dos bois vivos pelo rio infestado.

Enquanto isso, o governo de Paulo e Rodrigo, já no oitavo mês de governo, ainda não disse a que veio. Está comemorando limpeza de valas. Em Blumenau, ao menos, o governo de lá, também do PL, e de um policial investigador e ex-delegado, pressionado pela tal sociedade organizada e à minoritária oposição, com atraso, resolveu pular fora do rio de dúvidas e não ser o boi de piranha. Quem vai ter que se explicar, parece, ser a BRK Ambiental se não quiser perder a permissão do serviço diante da ameaça de nova licitação. Egídio mudou o foco que trazia ele como sócio das dúvidas. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Bafo I. Era para ser apenas um encontro para assinar e marcar as comemorações da Agricultura Familiar em Gaspar. Mas, Paulo Norberto Koerich, PL, sentiu, outra vez, como está desinformado e desprotegido, não só nesta área. Na solenidade, estava presente o ex-secretário, pecuarista e médico veterinário Renato Beduschi, MDB. Aberta a palavra, sempre polido, Renato descascou contra a gestão da secretaria de Agricultura e Aquicultura, de Gaspar no governo de Paulo. Um constrangimento sem igual. E Paulo teve que ouvir mais queixas, em tom mais ameno. Avidado, ele estava. Mas, insistiu no casulo…

Bafo II. Paulo Norberto Koerich, PL, deveria sair de lá e ir fazer a lição de casa ou pela ação, buscar conciliações, com quem sempre diz ser seu amigo, o médico veterinário Renato Beduschi. Como sempre, ficou remoendo. E sobrou para os antigos servidores da secretaria. Num outro encontro, este de lazer, o porta-voz da insatisfação, mais uma fez foi Haroldo Medeiros, PL, ex-MDB, que está presidente da Fundação Municipal de Esportes e Lazer. E a coisa só não chegou a agressão física porque houve contendores de ambos os lados. Tudo isso, são sinais perigosos para quem disse que iria mudar.

Fedor do lixo I. Se o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, não tomarem cuidado, vão ser engolidos pelos caminhões compactadores de lixo nesta disputa em que estão se metendo. É jogo pesado, antigo e de quem não mais medo de cadeia para conseguir o que quer. Paulo como investigador e delegado afamados que foi, precisa revisitar os arquivos policiais e as entranhas do Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público Estadual e as decisões da própria Justiça de Santa Catarina. Neles encontrará pistas e respostas.

Fedor do lixo II. Então quer dizer que para as escolas de Gaspar receberam a titulação de “Escola Lixo Zero” elas precisam pagar por isso, ou seja, dinheiro dos impostos que estão faltando para outras prioridades no âmbito escolar, o de maior orçamento municipal? Lixo zero, que eu saiba, não tem preço, mas atitude cidadã.

Ensaio I. A ACIG – Associação Empresarial de Gaspar – marcou para terça-feira entre as 14h e 15h desta terça-feira uma reunião com tema exclusivo do Núcleo de Parque Aquáticos. Entre os temas estão asfaltamento das estradas do Distrito do Belchior onde estão quase todos os parques, bem como a parte ambiental do Plano Diretor.

Ensaio II. O que começou como uma exploração de riquezas naturais, tornou-se um negócio elaborado e lucrativo, que parte dos próprios gasparenses desconhecem. Acesso se tornou um problema. A manutenção das estradas é precária. Por outro lado, a sobrevivência deste negócio, está ligada diretamente à proteção do manancial da região, tanto em quantidade como na qualidade de água. Sem ela, não há rota das águas. E se não se precaverem…

Este final de semana é dia de Festa na Comunidade Santa Clara, no Poço Grande. O tempo melhorou e o frio está convidativo. Amanhã, lá, haverá o tradicional churrasco do Dia dos Pais em família.

Tem gente preocupada com o desempenho do secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, Nelson Mário Küstner. E não é de hoje. E isso se tornou a marca do governo que foi eleito para mudar. Muda, Gaspar!

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7 comentários em “TIC, TAC. EM BLUMENAU, SOCIEDADE E PRINCIPALMENTE AS ENTIDADES – DESDE AS CONSERVADORAS, CORPORATIVAS E ATÉ AS DE FISCALIZAÇÃO – REAGIRAM E TIRARAM DO CONFORTO O PREFEITO DE LÁ. E ELE PERCEBEU QUE ERA HORA DE DAR UM CAVALO DE PAU NO CASO DO ESGOTO”

  1. A FERROGRÃO COMPLETA DOIS ANOS DE VIDA SÓ NO PAPEL, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    Completam-se amanhã dois anos do lançamento do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), joia da coroa do governo Lula 3.0. Previa R$ 1,8 trilhão de investimentos. Na cumbuca, entrou o projeto da Ferrogrão. Trata-se de uma ferrovia com mil quilômetros de extensão, ligando as cidades de Sinop (MT) e Miritituba (PA). Pelo andar da carruagem, era fake news, pois nenhuma folha de papel saiu do lugar para permitir a discussão ou a realização da obra, prevista no Novo PAC para ser concluída em 2030.

    Na melhor das hipóteses, a Ferrogrão ficou no ar por conta de um governo que não se mexe. Na pior, ela entrou no PAC para enganar a turma do agro.

    A ferrovia — paralela à rodovia BR-163 já existente e asfaltada —, permitirá o escoamento de 50 milhões de toneladas de grãos anuais, com o frete estimado em R$ 150 por tonelada, metade do custo do mesmo frete por transporte rodoviário.

    Admitindo-se que não se tratou de uma brincadeira, em dois anos Lula 3.0 não mexeu um só papel, nem discutiu um só tema relacionado com essa obra.

    São muitos e dormentes os interesses contra a abertura de qualquer ferrovia. Se o governo teve de fato algum interesse na obra, nada melhor que abrir a discussão do projeto. Como se sabe, a luz do Sol é o melhor detergente.

    Numa época em que tanto se fala das sentenças condenatórias do ministro Alexandre de Moraes, o governo fez que não ouviu sua decisão, autorizando-o a começar o processo de licitação da ferrovia.

    Como parte das comemorações do segundo ano da inclusão da Ferrogrão no Novo PAC, o governo poderia lançar o Anti-PAC, destinado a explicar por que seus projetos não andam.

    A SENTENÇA DE BOLSONARO

    É improvável que o julgamento de Bolsonaro termine em setembro e é possível que ele entre pelos primeiros meses de 2026.

    Admita-se que em setembro ele entre na reta final. São fortes os sinais de que o ministro Luiz Fux vá pedir vista. Pelo regimento do tribunal, um ministro tem 90 dias para devolver o processo. Por hipótese, passam-se assim os meses de outubro, novembro e dezembro. Começa o recesso, e o tribunal só retoma suas atividades em fevereiro. Basta uma pequena espichada para que se chegue a março de 2026.

    Essa demora haverá de acavalar o julgamento do ex-presidente com a apreciação dos recursos relacionados à sua inelegibilidade, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com uma nova composição. 2026 virá com fortes emoções.

    UMA TUNGA CRUEL

    No tempo em que os bichos falavam, a Eletrobras criou um corpo técnico qualificado e protegeu-o com um regime que oferecia uma confortável aposentadoria, gerido pelo fundo de pensão da estatal. Essa era a teoria.

    Na prática, o fundo foi rapinado por gestores e a reserva virou pó. Nenhum gestor foi responsabilizado. A conta foi para os servidores que sobreviveram. Eles são uns 600, quase todos com mais de 80 anos.

    Produziu-se a seguinte gracinha: um servidor recebeu o contracheque de julho, com proventos de R$ 34.441 e descontos de R$ 34.395. Restaria ao servidor viver com R$ 46.

    Isso não basta. O servidor é informado que será tungado até 2035 e, regularmente, é avisado que está devendo “contribuições extraordinárias em atraso”. Em julho, quando ele deveria viver com R$ 46, devia R$ 6.711.

    Essa maluquice é explicada matematicamente pelos eletrotecas. O que ninguém explica é que os gestores ficaram numa boa e os servidores estão obrigados a quitar suas leviandades.

    O BRASIL ESTÁ NEGOCIANDO NA VITRINE

    Desde 9 de julho, quando o presidente Trump anunciou suas sanções contra o Brasil, Lula, seu governo e alguns personagens periféricos adotaram a pior forma de negociação. Foram para a vitrine, anunciando providências conflitantes com posturas heroicas. Elas dão 15 minutos de fama aos interessados e servem para nada.

    Jogando com as pretas, Trump está blindado falando só o que lhe interessa. Do jeito que estão as coisas, a margem de negociação é curta, mas nada impede que nos próximos meses surjam brechas, desde que os negociadores saiam da vitrine.

    O HOMEM DA CADEIRA

    Depois da Senhora do Batom, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal produziu o Homem da Cadeira. O mecânico Fábio de Oliveira foi condenado a 17 anos de prisão por ter sentado na cadeira do ministro Alexandre de Moraes durante os distúrbios de 8 de janeiro.

    Além de sentar-se na cadeira, Oliveira gravou-se dizendo bobagens. Moraes enquadrou-o em cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada.

    Oliveira não invadiu o plenário do tribunal, ele sentou-se na cadeira do ministro depois que ela foi levada para fora do prédio.

    HOSPÍCIO PARLAMENTAR

    Parlamentares acorrentaram-se no Congresso, obstruindo seu trabalho. Felizmente, a muvuca serviu para que o repórter Octavio Guedes resgatasse a resposta dada por Ulysses Guimarães, diante de um episódio semelhante:

    “Eu sou o presidente da Constituinte, não de um hospício.”

    BELÉM X TRUMP

    A Câmara Municipal de Belém declarou Donald Trump persona non grata para a reunião da COP30, de novembro. Direito dela.

    As labaredas que ameaçam a reunião podem estar recebendo um reforço, permitindo que o presidente americano, com seus dotes teatrais, resolva ser um personagem ausente, empenhado em avacalhar o evento.

    O ALCANCE DE KRUGMAN

    O economista Paul Krugman tornou-se um dos principais críticos do tarifaço de Donald Trump. Incomoda porque mastiga números.

    Em 1994, os Estados Unidos passavam por uma crise de competitividade, surgiu um bordão, segundo o qual o país deixaria de ser um exportador de semicondutores (chips) para vender batatas fritas (potato chips).

    Krugman era um economista de 41 anos e explicou, com dados, que o valor agregado das batatas fritas era superior ao dos semicondutores. Matou a piada.

    À época, o professor Delfim Netto, seu leitor constante, previu: “Ele vai ganhar o prêmio Nobel de Economia”. Ganhou-o em 2008.

    HIROSHIMA, 1945

    Efemérides são datas petrificadas que geralmente escondem detalhes relevantes. Todo mundo lembrou os 80 anos da bomba de Hiroshima.

    Hoje, há 80 anos, o comandante americano no Japão apertou os parafusos da censura dos efeitos da bomba. Proibiu a entrada de jornalistas em Hiroshima e Nagasaki e confinou os jornalistas em Yokohama. Apreendeu filmes e cassou a credencial do repórter australiano Wilfred Burchett, que havia burlado a censura.

    Não adiantou. Em setembro a revista “Life” fez seu serviço. Em agosto de 1946, a “New Yorker” publicou a histórica reportagem de John Hersey.

  2. TRUMP JÁ ATINGIU SEU OBJETIVO NO BRASIL, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo

    O governo americano não prepara novas sanções contra o Brasil. Donald Trump já atingiu o objetivo principal, de rebater para a esquerda o estigma autoritário. Diante disso, Lula e o grupo de Jair Bolsonaro voltaram a fomentar a escalada que interessa a ambos.

    De acordo com minha apuração, o Departamento de Estado não tinha planos, até sexta-feira, de adotar novas medidas contra autoridades do STF e do Planalto. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA também não recebeu instruções de estudar tarifa adicional contra o Brasil por importar da Rússia, como fez com a Índia.

    A aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, último movimento concreto do governo americano, no dia 30, foi seguida pelo ministro do STF com a ordem de prisão domiciliar de Bolsonaro. A medida foi bastante contestada por juristas e até por colegas de Moraes no Supremo.

    Os filhos do ex-presidente externaram sua dor de ver o pai preso injustamente. A indignação dos bolsonaristas foi acompanhada de acusações de abuso de poder por parte do ministro do STF por especialistas e pela opinião pública não capturada pela narrativa da esquerda. Esse é o ponto ótimo do ambiente informacional, do ponto de vista de Trump.

    Se os EUA adotassem novas medidas, as críticas se voltariam contra o governo americano, por tentativa de ingerência nos assuntos internos do Brasil. Daí o desinteresse em escalar, neste momento. O máximo a que os EUA chegaram foi uma ameaça na conta da embaixada americana no X.

    Mas como a tensão interessa politicamente a Lula – ou ele e seus assessores parecem acreditar nisso –, o presidente voltou à carga contra Trump. Em entrevista à Reuters, disse que não procuraria o americano agora, para não se humilhar. Em ligação ao premiê indiano, Narendra Modi, buscou mobilizar o Brics contra os EUA.

    Lula quis aproveitar o desconforto de Modi com a imposição de mais 25% de tarifa contra a Índia, em razão das importações da Rússia, elevando a alíquota a 50%. Trump não impôs, e até a semana passada não pretendia impor, essa sobretaxa ao Brasil. Até porque os produtos brasileiros já estão com 50%. E nem contra os chineses, com quem negocia acordo comercial, de forma profissional e sigilosa, como deve ser.

    Segundo apuração da jornalista Débora Bergamasco, da CNN Brasil, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo articulam reunião com funcionários do governo americano para “atualizar a situação política e jurídica do Brasil”. Os dois lados no Brasil trabalham pela escalada com os EUA.

  3. ANTIDEMOCRÁTICOS SÃO OS OUTROS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Em seus Diários da Presidência, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso descreveu, com indignação, os golpes abaixo da linha de cintura desferidos ao seu governo pela oposição, então liderada por Lula da Silva e o PT. Eram tempos em que os morubixabas petistas e seu exército de militantes se apresentavam como detentores exclusivos da virtude pública, como ainda hoje o fazem, e se mancomunavam com procuradores para vazar investigações em curso, transformar meros indícios em crime, prejulgar e tentar desestabilizar a gestão tucana. Um dia, escreveu FHC, Lula e o PT haveriam de provar do veneno do denuncismo que fabricavam. Anos depois, a Lava Jato confirmaria o prognóstico sombrio do ex-presidente, transformando antigos algozes em vítimas.

    Esse paradoxo ilustra uma doença crônica de que padecem as principais forças políticas e partidárias do País, especialmente aquelas que, desde 2018, realizam um duelo asfixiante para conquistar votos à custa da destruição do adversário. O lulopetismo e o bolsonarismo vêm demonstrando que, quando a moderação é atributo escasso e lideranças e partidos se desacostumam a raciocinar com bom senso, o efeito imediato é passar a enxergar o Brasil e os brasileiros como mera extensão de seus interesses e preferências. As consequências são perturbadoras e conhecidas: a polarização violenta, a conversão de adversários em inimigos a eliminar, o populismo desavergonhado e o contínuo desapego à realidade.

    Como os dois principais líderes do período, Lula e Jair Bolsonaro, cada um a seu modo, jamais tiveram real compromisso com a democracia – que pressupõe respeito a quem tem opinião divergente, para que seja possível o consenso –, e também nunca reconheceram a legitimidade de nenhum governo que não fosse o seu e de seus títeres. Não à toa, ambos não só cresceram fuzilando ideias e lideranças adversárias, como, no governo ou na oposição, apresentaram-se como vítimas de um complô antidemocrático e antipopular. Para o lulopetismo, a origem de tal complô sempre esteve nas “elites”. Para o bolsonarismo, no PT e no Supremo Tribunal Federal. Para ambos, na imprensa.

    Num país em que a Constituição consagra a liberdade política e o pluripartidarismo, esses radicalismos mútuos resultam num mal ainda maior: com irresponsabilidade e espírito autoritário, os dois líderes e seus devotos têm dificuldade em aceitar a democracia quando sofrem reveses – seja na forma do voto na urna, seja na forma de julgamento pela Justiça.

    Um estudo recente da Universidade Federal do Paraná, com entrevistas feitas pelo Ipsos-Ipec, mostrou que essa cultura se espalha também pelos seus eleitores. Segundo a pesquisa, a maioria dos brasileiros diz estar disposta a aceitar que regras democráticas sejam flexibilizadas de acordo com suas preferências políticas e partidárias e qual grupo está no poder em determinado momento. Mais de 60% dos eleitores de Lula e Bolsonaro no primeiro turno (portanto, mais convictos) disseram concordar, total ou parcialmente, que o presidente deve ignorar o Congresso Nacional “se ele atrapalhar o trabalho do governo” e também “decisões judiciais consideradas politicamente tendenciosas”.

    Essa constatação se repete dos dois lados (com inclinação ainda maior entre os eleitores de Lula), mostrando que o apoio a princípios democráticos pode ter menos a ver com defesa de fato da democracia e muito mais com o que pesquisadores chamam de “autoritarismo situacional”. É como se nos deparássemos com uma espécie de apoio condicional à democracia, em que há uma disposição de parte do eleitorado a relativizar as regras do jogo democrático quando elas ameaçam suas preferências. O Brasil não está sozinho nessa tendência. Há pesquisas internacionais que confrontam interesses partidários e apoio à democracia e descrevem como líderes populistas exploram essas preocupações potencialmente conflitantes.

    Em suma, a aceitação ao governo de ocasião e às regras do jogo parece condicionada ao contexto de quem a observa. Na disputa pelo monopólio da virtude ou na denúncia de quem se sente inconformado com a democracia, “nós” nos vemos como democratas. Ocorre que, aos olhos de outros, “nós” não passamos de antidemocratas a serviço de autoritários. E o vilão de ontem vira o herói de hoje.

  4. Herculano

    Enquanto isto?
    Vereadores quietinhos com história do transformador.

    Enquanto Chefe PIB estiver protegido, todo mundo tem seus carguinhos garantidos e a imprensa suas verbinhas.

    Estranhamente não apareceu por aí a resposta da Celesc informando a data que ligou o transformador.

    Curioso não?

    1. Não devemos cobrar da imprensa, pois quando ela embarriga o que deveria expor, na verdade ela se autoprejudica naquilo que é sagrado para ela: o leitor, o ouvinte, o…

      O que deve funcionar antes da imprensa é o funcionamento ético e transparente dos órgãos tocados pelos políticos e gestores públicos, bem como pelos organismos pagos pela sociedade que estão obrigados à fiscalização como a Câmara, Ministério Público, Tribunal de Contas.

      Aliás, perguntar não ofende: onde está e para que serve o tal Observatório Social de Gaspar?

  5. ALARMISMO COMERCIAL DE TRUMP DEVE SER IGNORADO, por Fareed Zakaria, traduzido e publicado no jornal O Estado de S. Paulo

    Enquanto um mundo horrorizado assiste à derrocada de uma ordem econômica que lhe trouxe estabilidade e prosperidade por décadas, a pergunta que ouço em cada país é a mesma: por que os EUA, a nação que floresceu tão poderosamente sob este sistema, o está destruindo?

    Quando explico que muitos americanos – incluindo o presidente – acreditam que os EUA foram vítimas deste sistema de livre-comércio, a resposta é perplexidade. “Como eles podem não ver o que é óbvio: que eles são os grandes vencedores?”, disse um alto funcionário estrangeiro.

    O presidente Trump e o movimento trumpista moldaram essa narrativa com grande sucesso. Mesmo aqueles que se opõem a Trump tendem a admitir que, embora os americanos mais ricos e as maiores empresas tenham tido sucesso nas últimas décadas, a maioria da população viu sua renda estagnar, empregos serem transferidos para o exterior e os padrões de vida declinarem.

    Mas nada disso conta a história certa. Mudanças massivas nas políticas públicas que estão transformando o mundo estão sendo feitas com base em uma série de suposições que são anedotas, exageros e mentiras.

    O número básico a ter em mente é a “renda mediana”. A “renda média” ( média aritmética de todas as rendas somadas e divididas pelo número de pessoas) é menos reveladora porque as rendas de Elon Musk, Bill Gates e Jeff Bezos elevam essa média. A “renda mediana” é a renda do americano no meio da distribuição de renda: metade do país ganha mais, metade ganha menos.

    DISTORÇÕES. A medida da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para a renda familiar mediana disponível nos EUA era maior do que em todas as economias industriais avançadas, exceto uma, em 2021 – maior do que Suíça, Alemanha, Reino Unido e Japão. A exceção é o pequeno Luxemburgo. De fato, a renda familiar mediana disponível nos EUA é cerca do dobro da do Japão.

    E, como Noah Smith aponta Os americanos raramente se mudam de lugares onde a economia entrou em colapso em um excelente ensaio, a renda mediana dos EUA não está estagnada, como nos diz a sabedoria popular; ela tem crescido rapidamente ao longo das décadas. Smith observa que a renda pessoal mediana real aumentou 50% desde a década de 1970. Os salários por hora, ajustados pela inflação, aumentaram desde a década de 1990. E os salários por hora do terço mais pobre dos americanos aumentaram ainda mais: cerca de 40%.

    Sem dúvida, houve rupturas nas últimas décadas. Essa é a natureza do capitalismo. David Autor e outros descreveram um “choque chinês”, no qual cerca de 2 milhões de empregos foram perdidos, entre 1999 e 2011, como resultado da ascensão da China na indústria manufatureira.

    O secretário do Tesouro, Scott Bessent, recentemente inflou esse número para 3,7 milhões. Um ensaio para o centro de estudos conservador American Enterprise Institute contesta esse número e lança dúvidas até mesmo sobre os números mais baixos da pesquisa de Autor.

    TRANSIÇÃO. Mas o ponto principal é que a rotatividade no mercado de trabalho americano é enorme. Hoje em dia, em média, cerca de 30 milhões de trabalhadores do setor privado perdem seus empregos anualmente, e um número semelhante ganha empregos a cada ano. Durante os anos do choque chinês, os EUA ganharam mais de 2 milhões de empregos no total. E esses não eram empregos de baixa remuneração em fastfood.

    Veja Flint, em Michigan, e Greensboro, na Carolina do Norte – frequentemente vistas como cidades clássicas devastadas pela perda da indústria. Nas últimas duas décadas e meia, o crescimento real dos salários dos mais pobres aumentou mais de 40% em Flint e mais de 26% em Greensboro.

    Isso não é brincadeira. Em 2018, a Brookings Institution analisou 185 condados industriais urbanos que tinham muitos empregos no setor, em 1970, e descobriu que 115 haviam conseguido fazer a transição da indústria, melhorando o bem-estar dos moradores. Apenas 14 dessas comunidades industriais ainda poderiam ser definidas como “vulneráveis”. Lembre-se de que o desemprego nos EUA está próximo do menor nível em 50 anos há mais de três anos.

    Em uma economia tão grande e diversa como a dos EUA, sempre haverá lugares em dificuldades. Parte do que torna esse problema mais urgente é que os americanos agora raramente se mudam de lugares onde a economia entrou em colapso em busca de melhores perspectivas.

    Como Yoni Appelbaum observa em seu livro Stuck, os americanos costumavam ter alta mobilidade, sempre em busca de melhores oportunidades. Mas, nas últimas décadas, eles permaneceram no mesmo lugar, na esperança de que melhores perspectivas econômicas chegassem até eles.

    Appelbaum observa uma estatística impressionante sobre a corrida presidencial de 2016: “Entre os eleitores brancos que se mudaram a mais de duas horas de sua cidade natal, Hillary Clinton teve uma sólida vantagem de 6 pontos porcentuais. Aqueles que moravam a menos de duas horas de carro, no entanto, apoiaram Trump por 9 pontos. E aqueles que nunca haviam saído de sua cidade natal o apoiaram por impressionantes 26 pontos.”

    FUTURO. Esses números pintam um quadro diferente da natureza da turbulência política nos EUA. Mudanças e rupturas – causadas pelo capitalismo, pela globalização, pela tecnologia ou, crucialmente, por uma cultura em transformação – produziram enorme ansiedade entre muitos. Há aqueles que consideram essas ansiedades insuportáveis e desejam que o mundo volte a ser o que era antes. Mas – com ou sem tarifas – isso não acontecerá.

  6. A BANCADA DOS ESPERTOS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Uma máxima que circula há décadas nos corredores e no plenário do Congresso informa que ali tem de tudo, só não tem bobo – uma lembrança providencial das virtudes e dos vícios do Legislativo federal ao constatarmos razões subjacentes que justificam a recente insurreição de parlamentares bolsonaristas. Não restam dúvidas de que a principal bandeira do minigolpe tentado pelos vândalos radicais nesta semana era livrar Jair Bolsonaro da cadeia. Mas existem sinais suficientes mostrando que à defesa da anistia ao ex-presidente e outros golpistas se soma o desejo de sobrevivência de congressistas potencialmente encalacrados.

    É sintomático que, em meio à pregação pela anistia e à ameaça aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), surja uma espécie de operação de blindagem dos deputados suspeitos de desviar emendas parlamentares – alvos, como se sabe, da ação do STF. Há hoje mais de 80 inquéritos sobre malversação de verbas federais por meio de emendas distribuídas sem qualquer transparência – um verdadeiro festim. O País tenta, com muito custo, conflito e tensão, impor um controle mínimo sobre a distribuição desse dinheiro no âmbito do Orçamento da União, que desde 2015 está cada vez mais à mercê dos interesses paroquiais dos parlamentares.

    Se o bolsonarismo deseja tirar Bolsonaro do STF, parte do Centrão, em especial, parece querer segurar um escudo de proteção que garanta a impunidade de sempre. O projeto que acaba com o chamado foro especial, extinguindo a prerrogativa para todas as autoridades, exceto os chefes dos Três Poderes, também teria essa serventia. Hoje, o foro privilegiado garante que crimes cometidos no exercício do mandato sejam julgados por tribunais superiores. Pelo entendimento mais recente, se o crime estiver ligado à função, o processo permanece na Corte mesmo após o fim do mandato. Mudar o foro abriria caminho para que ações comecem em instâncias inferiores, em trajeto mais longo até o STF. Há ainda quem queira colocar em tramitação um projeto que impeça a investigação judicial de parlamentares a não ser com autorização do próprio Congresso.

    Um dos líderes do levante, o deputado alagoano Sóstenes Cavalcante, do PL de Bolsonaro, garantiu que a súcia de radicais só desocupou a Mesa Diretora da Câmara porque o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria se comprometido a pautar a proposta do fim do foro especial e o projeto de anistia, o que Motta negou. Se, por ora, não há certeza do que acontecerá nas próximas semanas, não deixa de ser preocupante ver sinais perturbadores. A começar pela tibieza com que Hugo Motta tratou o motim – vendo-se na humilhante situação de só conseguir reassumir a cadeira de presidente depois de permissão dos golpistas.

    Se não teve pulso para pôr a casa em ordem naquela noite, Hugo Motta precisará demonstrar que pode agir diferente daqui para a frente e provar que está à altura do desafio em suas mãos. No Brasil, o presidente da Câmara pode muito. Tem o poder de definir a pauta de votações, acelerar ou deixar em banho-maria projetos de lei, medidas provisórias ou quaisquer propostas legislativas, administrar o colégio de líderes (grupo formado pelas lideranças dos partidos com assento na Casa) e dirigir as discussões entre os deputados no plenário. E ainda tem o poder de vocalizar os interesses diretos, grandes ou pequenos, dos parlamentares. E aí que mora o perigo: sua ascensão, como se sabe, ocorreu em grande parte porque, por trás de seu nome, havia grupos políticos bem articulados, interessados na perpetuação de um modelo de exercício do poder fora de qualquer tipo de controle.

    Só ingênuos ignorariam o fato de que é da natureza do cargo representar interesses dos parlamentares que o elegeram praticamente por aclamação. Mas convém lembrar que, acima de tudo, há interesses maiores a serem atendidos – da sociedade, da Federação e da preservação da imagem de um Congresso que parece cada vez mais divorciado dos eleitores.

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