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TIC TAC. ESTÁ NA MESA A POSSIBILIDADE DE PAULO SER CANDIDATO A DEPUTADO POR GASPAR. É O CAMINHÃO DE MELANCIAS SE AJEITANDO EM PLENA VIAGEM

Corrigido e modificado às 10h44min deste 04.08.2025. Em qualquer canto da cidade já se sabe que a fatiota de prefeito de Gaspar não caiu bem, até agora, para Paulo Norberto Koerich, PL, apesar de bem lá no início da sua carreira profissional ele ter sido o chefe de gabinete de Francisco Hostins (1989/92), PDC – mas, oriundo do PDS, hoje PP -, o qual pegou uma cidade em frangalhos, deixada por Tarcísio Deschamps e Luiz Carlos Spengler (1983/88), ambos, também, do então PDS. Com um grupo de técnicos, Hostins transformou a cidade em menos de dois anos. Ao final, entregou-a aos ardilosos políticos do MDB. Com esse erro fatal, não só manchou à sua fama, mas, também encurtou a sua promissora carreira política.

Ou seja, Paulo nunca se deu muito bem desde cedo no ambiente político-administrativo. Daí a sua escolha por novo ambiente depois desta experiência. Está retratada no seu currículo de policial bem-sucedido.

Depois de uma carreira na qual ocupou todos os cargos na Polícia Civil, inclusive ao equivalente ao que é hoje de secretário de Segurança Pública, ao tempo do conturbado (caso dos respiradores da Covid que não chegaram e que levaram à tentativas de impeachments na Assembleia) governo de Carlos Moisés da Silva, ex-Republicanos, eleito pelo PSL, rotulado pelos bolsonaristas como traidor e hoje está sem partido, Paulo só pensava em aposentadoria.

Foi convencido a adiá-la. Agora, está concluindo que ao vencer a corrida da prefeitura de Gaspar “ganhou”, também, foi um fardo. E constrói, silenciosamente, com grupos mais chegados a ele, uma saída política e honrosa para tudo isso.

E nesta “saída honrosa”, não se descarta à candidatura dele a deputado estadual. E por que? É que para isso, ele terá que renunciar – se a legislação não mudar – até seis meses antes da eleição (art. 14, § 6º, da Constituição; art. 1º, § 1º, da LC nº 64/90). E mesmo assim, o seu nome continuará lá na galeria de ex-prefeitos eleitos de Gaspar.

Paulo – e os seus, nas contas que fazem – olha para o seu passado e até à sua atuação como representante de classe dos policiais onde o seu nome é estadualizado por conta do que fez, a capilaridade e influência da corporação. Os votos que mira, são os do espectro conservador e da corporação espalhados por todo o estado, além, é claro, os de Gaspar com os das composições regional. E a volta ao palanque começou ontem longe daqui, em Blumenau.

Ser candidato a deputado, rompe com o desgaste a que está submetido e não enxerga muitas saídas. Cria fatos novos. Mexerá com o xadrez político, administrativo. Virará notícia. E gerará polêmica devido a múltiplos interesses conflitantes, regionaliza sob outro foco e o tira dos problemas de Gaspar. Se vencer a deputado estadual, Paulo continuará na política, fiel à causas e a grupos, por mais um tempo e será o segundo deputado eleito na história de Gaspar.

O primeiro deputado por Gaspar foi Francisco Mastella, PDC, Constituinte (1987/89 quando morreu), a quem Paulo ajudou a elege-lo. Ah, mas Pedro Celso Zuchi, PT já foi deputado. Não! Foi suplente e que assumiu, de favor partidário, por breves períodos, a cadeira na Alesc. E Álvaro Correia, MDB, o cidadão honorário daqui, não tinha domicílio eleitoral em Gaspar, mas, em Blumenau.

Se perder as eleições do ano que vem, Paulo sai da política pela porta da frente, combatendo, aposenta-se de tudo e vai “olhar a maré”. Se ganhar, continua nela, mas, sem o fardo que carrega a contragosto, por falta equipe, articulação, liderança e resultados para a sua Gaspar. Elas geram muitas cobranças e poucas perspectivas. Mais do que isso, Paulo está correndo riscos – dos quais parece não ter controle – sobre a própria sua biografia.

Não é à toa, que o vice Rodrigo Boeing Althoff, PL, foto ao lado, saiu de cena. Nas manifestações de ontem, por exemplo, ninguém o viu em lugar nenhum. Rodrigo concorria acintosamente com Paulo como se prefeito fosse. “Canarinho na muda, não canta“, diz o velho ditado. E Rodrigo está na muda.

Se o que o que se arquiteta for adiante, Rodrigo assumiria seis meses antes das eleições de outubro do ano que vem, estaria obrigado a trabalhar por Paulo e abriria o caminho para uma reeleição, se se alinhar com os “donos” de Gaspar há décadas e se entregar o mínimo que a cidade pede há anos.

Quem perde se os planos de bastidores para levar Paulo a candidato a deputado estadual caminharem para este desfecho? Alexsandro Burnier, PL, foto ao lado. Ele está vestido de candidato a deputado estadual desde que se tornou “campeão de votos” para a Câmara de vereadores.

Recentemente, Alexsandro tirou e publicou fotos (ao lado) no plenário da Alesc, como deputado fosse (veja a placa que fez para a pose e teatro) e repetindo gestos de agouro. Eles, em outros tempos, já deixaram os candidatos só nas fotos e estórias. Aprendizado, zero. Ontem, inflamado, esteve no palanque pela anistia a Jair Messias Bolsonaro, PL, se apresentando aos convertidos de Blumenau.

Aliás, Alexsandro contava como certa a indicação do governador Jorginho, no quinto constitucional da OAB para desembargador do Tribunal de Justiça, do deputado Ivan Naatz, PL de Blumenau, e com isso, herdar, parte deste espólio de votos (?) aqui e alhures. 

Mas, a possível lista tríplice do quinto constitucional do OAB poderá ter outro nome do agrado de Jorginho: Márcio Vicari. Ele acaba deixar a procuradoria Geral do Estado com esta intenção e não está apostando na reeleição de Jorginho, pelo jeito. As inscrições dos candidatos no quinto do TJSC pela OAB terminam neta quarta-feira. Agora são quatro com ligação direta com Jorginho. E a lista é tríplice dos seis mais votados na OAB para a escolha de um pelo governador.

De qualquer forma, o que parecia confuso, sem perspectivas e cheio de nomes – incluindo os ligados ao ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB e ao ex-vice Marcelo de Souza Brick, PP, ou Ciro André Quintino, MDB, que está se inventando candidato – mais, uma vez numa corrida sem fôlego – numa dobradinha com Jerry Comper, MDB, para federal, pode estar começando a ter novos contornos para Gaspar e o Vale do Itajaí.

No fundo, este movimento de Paulo e seu grupo pode ser lido de três formas: um rearranjo; uma saída e no fundo um ganha tempo, pois com o debate público tão antecipado, cria nós em algumas pontas soltas; e não deixa de ser, ao mesmo tempo, mais uma nova cortina de fumaça. E ela desvia, mais uma vez, as atenções daquilo que precisa ser sinalizado e realizado urgentemente por Paulo na prefeitura de Gaspar para os gasparenses – incluindo mudanças de nomes na sua equipe de pouca resolutividade.

Enquanto se pensa em outubro de 2026, a cidade de 2025, e sete meses do “novo” governo, continua com o Hospital sob intervenção municipal, sugando uma dinheirama sem tamanho e sem retorno para as pessoas mais vulneráveis; continua com a insegurança jurídica para investimentos aos investidores devido à puxadinhos e não atualização do Plano Diretor, à falta de há perspectivas para a solução do saneamento básico; com os postinhos de saúde à meia boca e sob a mira das reiteradas reclamação da população; isto sem falar na construção de se dobrar o preço da recolha de lixo e de uma CPI para apurar o que já estava apurado pela Polícia.

É uma longa lista de problemas e dúvidas… Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Mais um requerimento que está na pauta da Câmara e cujos dados solicitados deveriam estar no Portal Transparência, algo quase inacessível, até para um experimentado hacker. Outra parte está no Orçamento (LDO, LOA e LOM) aprovado pelos próprios vereadores no ano passado. O vereador Giovano Borges, PSD – que aprovou o Orçamento em 2024 para este 2025 -, pediu a relação de precatórios pagos em 2023, 2024 e o montante previsto para ser pago este ano.

O vereador alega no requerimento que é para “promover a fiscalização dos gastos públicos e o acompanhamento da execução orçamentária no tocante ao cumprimento das obrigações judiciais do Município, conforme previsto na Constituição Federal e na legislação pertinente sobre o pagamento de precatórios“.

Não é bem assim. Em todas as datas base (março), a prefeitura de Gaspar tem um compromisso em pagamento de precatórios com funcionários públicos da ativa e aposentados em questões que perdeu, mas principalmente os das progressões, as quais reluta em aceitá-las. Este ano, soma algo perto dos R$17 milhões. A prefeitura quitou uma parte ínfima. E a outra está enrolando, mesmo incorrendo juros e atualização monetária.

Este assunto vai virar mais um desgaste. E junto está o Sintranspug – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Gaspar que ainda não colocou a prefeitura na parede. Os funcionários afetados, com medo de retaliação, tentaram a imprensa e não tiveram resposta que também não quer meter a mão nesta cumbuca e salvar os investimentos que recebe do poder público. Agora, tentam dar eco político à situação na Câmara de vereadores. Muda, Gaspar!

Enquanto isso, a CPI do Capim Seco na Câmara de Gaspar, gastando mais dinheiro, não avança além do que a Polícia já tinha bem apurado. A cada quinta-feira, pelos depoimentos, fica mais claro o tipo de velório que se está fazendo. O depoimento mais esperado é de Rodrigo Zanluca, ex-diretor da secretaria de Obras e Serviços Urbanos. Alguns depoentes, anteriormente, apontaram o dedo para ele.

Segundo um leitor do blog – e que os poderosos de plantão e da prefeitura dizem não tê-los -, o nome do jogo na Câmara e no Paço é “Campo Minado”. Há quem perdeu duas vezes: sendo eleito e controlado. Derrotado, estaria apenas dando explicações.

Enquanto o Samae de Gaspar faz espetáculo político com a água que levou depois de décadas a 30 moradores Rua Conceição, no Pocinho, e descobre que os canos de lá não suportam a pressão da rede de Gaspar acostumados ao de Ilhota, silenciosamente, os técnicos da autarquia olham, em pleno inverno, o nível do reservatório do Centro. É que mesmo a todo vapor na captação e tratamento, os indicadores mostram que o reservatório está em média a 45% da sua capacidade de armazenamento.

E quando chegar o verão? É a expansão populacional da cidade, principalmente para a região sul e que foi interligada ao sistema da rede distribuidora de água do Centro. Estão, mais uma vez, falando em aumentar o armazenamento, quando o gargalo está na outra ponta: o da produção de água potável para consumo.

Eu escrevi que não tocaria mais naquelas entrevistas, atrasadas e desastrosas da prestação de contas dos seis primeiros meses do governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. Mas, Paulo, nelas, anunciou “novas” ferramentas de gestão para dar celeridade a resultados.

Já vai se passar um mês daquelas entrevistas. E como tudo está tão  igual, perguntar não ofende: quais mesmo “novas” ferramentas de gestão foram implantadas e principalmente quais foram os resultados estão produzindo?

Os agricultores receberam 100 toneladas de calcário do Programa Terra Boa, da Epagri. É bom, mas é mixaria.  Dá pouco mais de seis caminhões (15 ton). Para comparar: só este ano já se distribuiu 660 toneladas.

Então, qual é o outro problema? O espalhamento. A secretaria da Agricultura e Aquicultura quer cobrar o serviço. No particular sai à base de R$750 por caminhão. Ou seja, incentivo, zero. E não se sabe direito o critério de distribuição deste material doado entre os agricultores

Um exemplo de que as coisas mais simples travam na burocracia da administração de Gaspar, inclusive no ambiente jurídico. Sete meses de governo e ainda não se preparou o leilão de materiais e equipamentos inservíveis. Eles continuam tomando lugar, deteriorando-se, quando não se gasta dinheiro bom para consertar o que não tem mais vida útil no ambiente público.

A construção da nova unidade de Saúde do bairro Santa Terezinha, com recursos disponíveis, foi paralisada por “problemas no estaqueamento”. Hum. Estaqueamento tem sido problemas para outras obras. E estão eles claros para todos dentro da prefeitura, com nome de fiscais conhecidos,. A prefeitura se enrola para botar o dedo nesta ferida de anos e que se enterra com barro para nada se apurar posteriormente.

Para comparar visões e resultados. O prefeito André Vechi, PL, de Brusque, depois de inaugurar cinco ruas pavimentadas com asfalto pelo sistema comunitário, anunciou outros 100 quilômetros até o final de 2026. Em Gaspar, estamos comprando motoniveladoras e que mesmo assim, não dão conta da rotina de manutenção das ruas e estradas de barro, que um dia tem lama e no outro poeira.

Eu exagero? Em Ilhota, o prefeito Joel Soares, MDB, acaba de anunciar que estará finalizando três quilômetros de asfalto para a melhoria da mobilidade dos bairros São João e Boa Vista.

Como na fictícia Sucupira, de Dias Gomes, em “O Bem Amado”, já temos em Gaspar um cemitério municipal decente e recuperado. Obra do suplente de vereador Eder Muller, PL. Espera-se que com este exemplo, o governo enterre lá a inanição administrativa e de resultados à vista de todos.

Há máquinas, equipamentos e gabaritos específicos. Mas, em Gaspar, a medição e pintura das vagas de estacionamento rotativo são marcadas com trenas, barbantes e pincel (foto ao lado). Pelo jeito e tempo, quando terminarem todas as marcações e pinturas, a mesma equipe terá que recomeçar o serviço no mesmo ponto do início.

Curto circuito. O preciso requerimento 102/2025, assinado no dia 22 de maio pelo suplente de vereador Antônio Carlos Dalsochio, PT, de Gaspar, à Celesc, pedindo informações sobre a autorização da troca de transformador na Arena Multiuso Francisco Hostins, já sinalizava indícios de problemas. As respostas técnicas, não deixarão dúvidas a ninguém. E o outro requerimento do vereador Giovano Borges, PSD, sobre o mesmo assunto a prefeitura é uma pegadinha para se cruzar as informações de duas fontes. Muda, Gaspar!

Se a pesquisa Datafolha estiver certa, 61% dos entrevistados rejeitam candidatos a presidência em 2026 que prometam anistiar os implicados na suposta tentativa de golpe. É representativo. É indicativo, na razão pela qual, os candidatos conservadores , como Tarcísio Gomes de Freitas, Republicanos, e Ratinho Júnior, PSD, se “conservaram” fora do palanque de ontem.

Depois que essa gente movimentou os Estados Unidos para prejudicar o Brasil, a economia e os empregos dos brasileiros, tudo é fichinha. No fundo, todos sabem, que a anistia é para os Bolsonaros. Eles estão usando as velhinhas e patriotários, pegos no vandalismo de oito de janeiro em Brasília, para se safarem de uma maluquice que não se sabe quando terá fim. Estes presos quase anônimos, estão sim, pagando com discutíveis pesadas penas aplicadas pelo ministro Alexandre de Morais e os seus da primeira turma do STF.

Por outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, falando para seu convertidos ontem, dobrou a aposta. O diálogo dele é colocar mais gasolina na fogueira. Nem ele, nem Bolsonaro, querem soluções negociadas para melhorar a vida de empresários, empreendedores, investidores e trabalhadores. No fundo, ambos são doentes por impostos, tarifas e taxas.

Divertido, se não fosse triste, o vídeo do senador Esperidião Amim Helou Fillho, PP, nas redes sociais, explicando, ontem, a um grupo de manifestantes, em Florianópolis, a tática para expor os que não assinaram o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Morais.

Quando os simples do povo lhe perguntaram se ele tinha ou podia fornecer a lista destes indecisos ou contra, Esperidião Amim Helou Filho, PP, astuto, como sempre, saiu pela tangente. Disse ao grupo que hoje estaria em Brasília e poderia ver melhor o assunto.

Desinformado Esperidião Amim Helou Filho, PP, nunca foi. E não precisava ir longe para esclarecer seus interlocutores, batava um clique no seu smartphone. Em Santa Catarina, por exemplo, a senadora Ivete Appel Silveira, ex-esposa do ex-governador, ministro e senador Luiz Henrique da Silveira, MDB, e suplente do então senador Jorginho Melo, PL, até aquele momento. não tinha assinado tal pedido de impeachment e se dizia “indecisa”. Então não faltariam cinco assinaturas, como argumentava Esperidião, para as 41 que se quer como segurança na apresentação do pedido e encurralar o presidente do Senado, David Alcolumbre, União Brasil, AP, mas, apenas quatro.

Outra oportunidade perdida. O PL, Paulo Norberto Koerich e a direita de Gaspar não foram capazes de organizar uma manifestação pró anistia dos bolsonaros em Gaspar. Alguns poucos foram para Blumenau (Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho e Alexandro Burnier, ambos do PL) de onde estamos emancipados desde 18 de março de 1934 (91 anos) e graças um gasparense que foi maltratado pelo gesto que fez como interventor de lá, Jacob Alexandre Schmitt, e continua maltratado pelos historiadores daqui.

Já a líder do governo de Gaspar na Câmara, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, subiu no palanque de Balneário Camboriú. É impossível que os recém eleitos com 52,98% dos votos, contra outros candidatos, não consigam liderar e se manifestar em sua própria cidade a favor da anistia do chefe Jair Messias Bolsonaro, PL. Ou estão com medo do precoce esvaziamento diante do que prometeram e não realizaram nestes sete meses? Muda, Gaspar!

Abaixo, á área de comentários eu publico um artigo do advogado Aurélio Marcos de Souza, sobre a Lei Magnitsky. Quanto mais leio sobre ela, por gente que a defende e a entende, fico com a impressão de que ela está sendo aplicada erradamente. Ela deveria alcançar e sancionar quem acabou escandalosamente, alegando problemas processuais, todos sanáveis na jurisdição, com a Lava Jato que roubou bilhões de dólares dos impostos dos brasileiros. É uma lei essencialmente contra a corrupção endêmica na relação governo, políticos e setor privado.

Nos discursos de ontem, todos diziam estar defendendo do direito de liberdade de expressão. Será? Se isto for verdade, qual a razão dessa gente para praguejar tanto contra este espaço?

Aos leitores e leitoras que não existem. Esta semana será de ócio. A não ser que os políticos me tirem dele. Atualizarei os comentários. Obrigado e boa semana.

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19 comentários em “TIC TAC. ESTÁ NA MESA A POSSIBILIDADE DE PAULO SER CANDIDATO A DEPUTADO POR GASPAR. É O CAMINHÃO DE MELANCIAS SE AJEITANDO EM PLENA VIAGEM”

  1. Pingback: TIC. TAC. PARA QUE SERVE UMA OUVIDORIA, SE ELA NÃO OUVE E NÃO DÁ RETORNO AOS QUE ACREDITAM NELA COMO UM CANAL DE INTERLOCUÇÃO E SOLUÇÃO ENTRE O CIDADÃO, A CIDADÃ E O GOVERNO? TRANSPARÊNCIA AQUI EM GASPAR SÓ NO DISCURSO POLÍTICO JÁ ESVAZIADO -

  2. LULA PODE PERDER O DISCURSO E O TIMMING, por Vera Magalhães, no jornal O Globo

    Uma situação inédita e desprovida de racionalidade, como o tarifaço enfiado goela abaixo do Brasil por Donald Trump, testa a acurácia, a capacidade de reação e o timing político do governo federal. Estes quase três anos de Lula 3 não têm sido pródigos em bons exemplos de todos esses atributos, que ameaçam falhar de novo numa hora crucial.

    Depois de prometer uma resposta imediata e à altura da agressão, o governo patina e demora em anunciar o pacote em sua totalidade, algo essencial aos setores perdidos diante da falta de canais claros com que negociar situações que, em muitos casos, significam manter ou fechar negócios que geram empregos e sustentam famílias em todo o país.

    A indefinição não se justifica: a ameaça estava posta desde julho, as datas foram também anunciadas, e há “jurisprudência” de momentos de gravidade nacional que exigiram planos de contingência, muitas vezes sem aviso prévio, como a pandemia e a catástrofe do Rio Grande do Sul.

    Com a mobilização de todas as pastas e o comando de um administrador testado como o vice-presidente Geraldo Alckmin, todas as instruções de Lula deveriam ser no sentido de não titubear nem abrir espaço para as conhecidas disputas de rumos que existem em qualquer equipe, bastante conhecidas na sua.

    Há sinais trocados dados pelo próprio Lula, cujo “instinto de animal político”, expressão usada por um auxiliar atuante na gestão da crise do tarifaço, seria responder a Trump no campo da política e, se possível, usar os mecanismos de retaliação presentes na Lei da Reciprocidade, aprovada neste ano.

    Seria o equivalente a se dispor a jogar xadrez com um pombo o Brasil revidar as arbitrariedades americanas achando que pode fazê-lo na mesma moeda, com consequências similares. Os ministros envolvidos na resposta ao tarifaço têm feito de tudo para deixar a palavra retaliação fora do cardápio de medidas, mesmo depois do anúncio do já demorado plano de contingência.

    Fernando Haddad demonstra maturidade e responsabilidade ao procurar circunscrever as medidas ao campo dos empréstimos subsidiados aos setores afetados com o tarifaço. Mas é preciso que essas linhas sejam anunciadas o mais rapidamente possível, para que os produtores e empresários que navegam em águas turbulentas sem bússola saibam que o governo está empenhado em guiá-los.

    A delonga abre brecha para manifestações do mais puro cinismo político, como a vista nesta quinta-feira por parte dos governadores de oposição reunidos em Brasília. Falseando os fatos sem sequer ruborizar, esses políticos cobraram Lula por “imprudência” ao, segundo eles, adotar uma postura de agressão aos Estados Unidos que levou Trump, pobrezinho, a praticamente ser obrigado a impor a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

    Ao esconder o óbvio — o trabalho diligente da família Bolsonaro para obter as sanções ao Brasil no plano comercial e também na perseguição ao Judiciário — ,esses governadores faltam com respeito aos empresários e trabalhadores dos estados que governam, fortemente afetados por uma decisão que nada teve a ver com qualquer infração do Brasil às boas práticas comerciais ou com alguma burla a acordos previamente estabelecidos com os Estados Unidos.

    Evocar falas de Lula de que deveria haver alternativa ao dólar no comércio global como razão para o tarifaço é achar que o público é idiota. Mas a dificuldade de pronta resposta que existe desde sempre no governo abre o flanco para esse jogo diversionista da oposição. Ela inverte o ônus da responsabilidade pelo tarifaço ao mesmo tempo que paralisa o Congresso num momento de tamanha gravidade para sair em defesa de uma única pessoa — a mesma que tramou contra o Brasil.

  3. NÃO HÁ ALTERNATIVAS À DEPENDÊNCIA DE FERTILIZANTES RUSSOS, editorial do jornal O Globo

    As tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos indianos acenderam um alerta no Brasil. Trump impôs a sobretaxa como forma de pressão para a Índia parar de comprar petróleo da Rússia. Dado o caráter mercurial da política tarifária americana, o receio é que, na tentativa de asfixiar a economia russa para forçar Vladimir Putin a assinar a paz com a Ucrânia, Trump mais uma vez volte os olhos ao Brasil. Estamos expostos em dois setores: transporte e agropecuária. Três em 10 litros de óleo diesel vendidos aqui são importados (a Rússia responde por 60%). Nos fertilizantes químicos, matéria-prima do agronegócio, a dependência é crítica: o Brasil importa 90%, tendo a Rússia como maior fornecedor, com 30%.

    Com o estouro da guerra na Ucrânia em 2022, os russos foram alvo de sanções e passaram a vender diesel e petróleo com desconto. Importadores brasileiros não foram os únicos a aproveitar. Se Trump impuser restrições ao diesel russo, não faltam fornecedores alternativos. “O risco de desabastecimento no Brasil é próximo de zero”, diz o consultor de energia Adriano Pires. O maior problema será o custo alto e o impacto inexorável na inflação de um país onde o transporte rodoviário predomina.

    A questão mais preocupante são os fertilizantes. A demanda brasileira tem crescido acima da global. A Rússia é um dos dois maiores produtores, e há poucos fornecedores alternativos. No curto prazo, uma saída seria importar mais de China, Canadá, Marrocos ou Egito. Mas, num momento em que outros países serão forçados a fazer o mesmo, haverá escassez e preços altos. O próprio agronegócio americano está preocupado. Quase metade do nitrato de ureia e amônio usado nos Estados Unidos vem da Rússia. No ano passado, o país importou mais fertilizantes russos que antes da guerra na Ucrânia.

    A produção de fertilizantes exige uso intensivo de energia. Além de contar com reservas minerais, os russos têm gás barato para queimar. No curto e no médio prazos, não há saída: não só o Brasil, mas o mundo todo depende da Rússia para produzir alimentos. Mesmo que o Brasil explorasse o potássio que tem (em áreas de risco ambiental), dificilmente seria autossuficiente no médio prazo (foi esse, vale lembrar, o argumento usado pelo governo Jair Bolsonaro para fazer acenos a Putin quando o conflito eclodiu na Ucrânia). Para fábricas de fertilizantes se tornarem viáveis, o preço do gás teria de cair à metade. “Para diminuir a dependência, só com subsídio”, diz José Carlos Hausknecht, sócio da MB Agro Consultoria. “Mas até isso é difícil. Que empresa privada poria bilhões numa fábrica se a sobrevivência do negócio depende de vários governos honrarem o compromisso de manter gás barato?”

    O governo até tem tentado incentivar o setor. A Petrobras anunciou investimentos de R$ 6 bilhões no segmento até o fim da década, e uma de suas subsidiárias deu o primeiro passo para retomar a produção de fertilizantes. Mas ainda são iniciativas tímidas.

    Em três das quatro principais classes de fertilizantes, o Brasil depende de importações para suprir 90% da demanda. Não seria problema se o mundo não estivesse sujeito ao temperamento volátil de Trump. Não haverá solução rápida nem fácil, mas a relevância estratégica do agronegócio exige uma política consistente para fertilizantes. Tal desafio está claro desde o início da guerra na Ucrânia. A volta de Trump o torna mais urgente.

  4. SUPREMO FORTE É O QUE RESPEITA LIMITES, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O Supremo Tribunal Federal (STF) tem a oportunidade e os meios para, se quiser, promover uma mais que bem-vinda correção de rumos em meio à enorme tensão institucional que se instalou no Brasil. O que está em jogo é muito mais importante do que a sorte do réu Jair Bolsonaro. Trata-se da própria imagem da Corte e de sua legitimidade para se afirmar aos olhos da sociedade brasileira como a guardiã maior do Estado Democrático de Direito no País.

    Inegavelmente, há decisões do ministro Alexandre de Moraes que atingem Bolsonaro e alguns de seus apoiadores que são flagrantes abusos, em tudo incompatíveis com a ordem constitucional vigente. Com espantosa facilidade, considerando que o Brasil é um país democrático, passou-se a cassar a palavra de cidadãos, restringir a liberdade de imprensa e punir o mero exercício da crítica em nome de uma alegada “defesa da democracia”.

    Diante de alguns excessos de Moraes na condução dos inquéritos sem fim envolvendo bolsonaristas e do julgamento da tentativa de golpe, o STF deve ao País – e à sua própria história republicana – uma urgente inflexão ao leito da normalidade jurídico-institucional. Isso não significa, por óbvio, condescender com o mais grave atentado à democracia na Nova República nem muito menos ceder à chantagem dos que, entre o Brasil e o clã Bolsonaro, escolheram cerrar fileiras ao lado desses traidores. Contudo, é do colegiado do Supremo, seja por meio da Primeira Turma – da qual Moraes faz parte –, seja por meio do plenário, a missão de promover esse ajuste fino.

    Muito ao contrário do que alguns possam pensar, essa tão ansiada correção – ou “modulação”, para usar o jargão da Corte – de medidas extravagantes tomadas por Moraes atestaria a força institucional do Supremo, e não sua fraqueza. Fortaleceria sua autoridade. Engrandeceria a mais alta instância do Judiciário pátrio. Ademais, se assim proceder, o STF sinalizaria à sociedade que não tem compromisso com o erro, e sim com o bom Direito.

    A força institucional de um tribunal colegiado não está na obstinação individual de seus membros, muito menos na recalcitrância. Está na corajosa disposição coletiva de revisar medidas que, ao fim e ao cabo, desvelam-se incompatíveis com o Estado de Direito. Reconhecer abusos e remediá-los a tempo engrandeceria a instituição, reafirmaria seu compromisso com a legalidade e mostraria aos cidadãos que o Supremo não se curva às conveniências políticas, às emoções de momento ou às veleidades pessoais de alguns de seus integrantes.

    Não se trata aqui, deveria ser ocioso dizer, de deslegitimar a resposta judicial à tentativa de golpe de Estado que teria sido liderada por Bolsonaro e aos infames ataques do 8 de Janeiro. Os fatos são o que são e estão vastamente documentados. O julgamento dos envolvidos na sedição não apenas é legítimo, como fundamental para a higidez da democracia no Brasil. A força das instituições republicanas, sobretudo do STF, foi colocada à prova pelo bolsonarismo e mostrou vigor – robustecida, em grande parte, pela atuação firme da STF no momento certo. Isso não se discute, como este jornal já sublinhou um sem-número de vezes. O problema começa quando, em nome da “defesa da democracia”, admite-se qualquer coisa, tolera-se a relativização de direitos e garantias individuais a depender do sujeito desses direitos e garantias.

    A escalada da violência e do golpismo promovida por deputados e senadores ligados ao bolsonarismo é evidente. A ocupação das Mesas do Congresso para sequestrar a agenda legislativa em nome de barganhas espúrias e inaceitáveis, como a anistia aos golpistas, é reprovável sob todos os aspectos. Mas os abusos dos liberticidas não justificam os abusos de quem serve à lei. A firmeza na genuína defesa da democracia não pode se converter em pretexto para práticas que afrontam justamente os princípios democráticos que se pretende proteger.

    O Brasil vive um momento de grande tensão institucional. O Supremo certamente está à altura do papel que a Constituição lhe conferiu. É exatamente por isso que tem o dever de agir com rigor diante de ataques antidemocráticos, mas também com humildade diante de seus próprios erros.

  5. ELITE ECONÔMICA É CONIVENTE COM AGRESSÃO DE TRUMP E DOS BOLSONAROS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

    Vamos supor que Donald Trump decida agredir o Brasil um tanto mais, como acaba de fazer com a Índia e como o faz com o Canadá: por política imperial. Suponha-se que impostos de importação aumentassem para níveis de embargo caso o Brasil continuasse a comprar diesel ou fertilizante russos.

    O que fazer? Dar o comércio com os Estados Unidos como perdido (o que também afetaria investimentos aqui) e manter as compras russas? O que diriam empresas que exportam para os EUA? Aceitariam o custo de o Brasil manter as importações críticas de fertilizantes? Essas são as ameaças de hoje. Mas o mundo de Trump e suas sequelas vão durar.

    Sendo Trump quem é, pode dar em nada. E se der? Os empresários disputarão o favor de uma decisão comercial do governo brasileiro, que ficaria entre perder dedos ou anéis, colares ou pescoço? Se o país escapar desse risco drástico, novos virão.
    Fernando Haddad disse que empresários e governadores de direita têm de parar de fingir de mortos e fazer pressão sobre os Bolsonaro, que atiçam Trump contra o Brasil. É, teriam de acordar, embora no curto prazo isso não desse em nada.

    Os Bolsonaro não vão desistir de seu projeto de destruição da democracia, da razão, da decência e da economia —fazem qualquer negócio por eles mesmos. Na hipótese fantástica de que se comovessem, dificilmente demoveriam Trump. Empresários não têm tal influência política imediata, de resto. As direitas não vão abrir mão de votos bolsonaristas.

    Isto posto, a elite que não quer dar trela para a destruição tem de pensar na vida. Parte dela o fez em agosto de 2022, em manifestações contra o golpe bolsonarista. Essa elite culpa o governo Lula por não se preparar para a agressão trumpista (o que é verdade), por fazer política “Sul Global”, por ser amigo de Brics etc. Podem achar o quiserem, embora o fator preponderante da agressão tenha sido a conspiração dos Bolsonaro. Mais importante, porém, não é essa conversa circunstancial, embora grave.

    Primeiro, tiranos não têm limites, bidu. O empresário deveria pensar que o ditador e sua gangue podem tomar o dinheiro dele, ou chantageá-lo. Vide Rússia, Venezuela, Hungria, a ditadura de 1964-1985. Se não tiverem motivo decente, pensem: os Bolsonaro e seus cúmplices não têm limite mesmo sem poder formal. Segundo, na hipótese de destruição institucional e democrática, esperam o quê? Um regime chinês, de máfias “liberais”, “autocracia” húngara?

    Terceiro, decerto o Brasil está mal preparado para enfrentar Trump e o ainda mais detestável mundo novo que virá. Não conseguimos arrumar nem coisas elementares como política macroeconômica; estamos mal preparados das relações exteriores à economia. Não temos política de desenvolvimento (regulação, ciência, pesquisa, formação, intervenções comedidas e viáveis) em minérios, energia, novas tecnologias, produtividade em serviços etc. Mesmo no caso do agro, corremos risco de ficar sem fertilizantes ou mercados invadidos na base do porrete de Trump.

    O despreparo tem a conivência da elite econômica. Parte dessa elite vive de favor estatal, estragou parte da reforma tributária, contribui para a baderna do setor elétrico, adora protecionismo. É conivente com a elite política bucaneira e negocista; acha que, para se livrar de Lula, vale a pena bancar essa ficção do bolsonarismo moderado.

    Acordem.

  6. TRUMP VENERA O DEUS DA GUERRA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    Às 6h30 de 6 de agosto de 1945, o coronel Paul Tibbets, pilotando o bombardeiro Enola Gay, avisou aos tripulantes: “Estamos transportando a primeira bomba atômica.” Às 8h15, a barriga do avião soltou o artefato, e Tibbets afastou-se da cena.

    A bomba explodiu 43 segundos depois sobre Hiroshima, uma cidade plana, com milhares de casas de madeira. Produziu um clarão, carbonizando as pessoas que saíam para o trabalho. Ainda hoje pode-se ver no museu da cidade, impressa num degrau de granito do banco Sumitomo, a sombra de uma pessoa que estava sentada ali. Foi o que restou dela.

    Isso foi o que aconteceu há 80 anos. Passado o tempo, uma fotografia da explosão, autografada por cinco tripulantes do bombardeiro, valia menos que outra, com um simples autógrafo do almirante que comandava a frota americana do Pacífico.

    — Essa foto da bomba é politicamente incorreta — explicava o gerente da loja de Nova York.

    Esse tempo também passou. O politicamente incorreto dominou. Há dias, o presidente Donald Trump mandou submarinos com ogivas nucleares para o litoral da Rússia. Se isso fosse pouco, um hierarca avisou que Moscou pode responder a um ataque com seu programa “Mão Morta”, graças ao qual as ogivas serão disparadas automaticamente. A cena de um bípede apertando um botão pode ser coisa do passado. Na guerra da Ucrânia, Vladimir Putin já insinuou que pode usar artefatos nucleares com objetivos táticos. Seriam bombas menos potentes que a de Hiroshima.

    Em outubro do ano passado, o jornalista americano George Will escreveu que a Terceira Guerra Mundial já havia começado. Ele argumentava que a Segunda Guerra começou muito antes de setembro de 1939, quando Adolf Hitler invadiu a Polônia. O Japão invadiu a China em 1931, os alemães anexaram a Áustria e tomaram um pedaço da Tchecoslováquia em 1938.

    Até aí, poderia ser conversa de jornalista, mas o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, já tratou do assunto em pelo menos três ocasiões. Em março, o porta-voz da diplomacia chinesa anunciou que seu país está pronto para “qualquer tipo de guerra”.

    Noutra ponta da encrenca está Donald Trump. Seus conhecimentos de História são primitivos, porém inquietantes. Seu herói tarifário é William McKinley. Em 1898 ele dobrou a Espanha, tomou as Filipinas, transformou Cuba num protetorado e anexou o Havaí.

    Generais e presidentes americanos que vencem guerras em geral se dão bem. Os Estados Unidos foram presididos por seis generais, todos saídos de eleições livres. (O Brasil teve nove, com apenas dois saídos de eleições livres.) A Segunda Guerra deu a Franklin Roosevelt dois de seus quatro mandatos e ao general Dwight Eisenhower, que comandou as tropas aliadas, mais dois. Theodore Roosevelt, sucessor de McKinley, ganhou fama tomando uma colina em Cuba. (Trump costuma posar na frente de um retrato dele, com farda feita na casa Brooks Brothers.)

    Seguindo essa escrita, George Bush I e Lyndon Johnson cavalgaram as guerras do Iraque e do Vietnã, mas caíram do cavalo em 1992 e em 1968.

    Trump já levou o mundo a uma guerra tarifária e pode estar namorando outra, que lhe permita batalhar por um terceiro mandato.

  7. Vivemos na era dos especialistas de 60 segundos. Mas quem estuda de verdade sabe: quanto mais se aprende, mais se percebe o quanto ainda não se sabe… (Um desabafo sobre a falsa maestria e o valor da humildade.)

    A FALSA MAESTRIA E A VERDADEIRA HUMILDADE: UM DESABAFO SOBRE O TEMPO EM QUE VIVEMOS, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, procurador geral de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc. Texto originalmente publicado nas redes sociais do autor.

    Às vezes, DÓI ver o que está acontecendo ao nosso redor — e digo isso com sinceridade, porque me vejo no meio disso também.

    Estamos vivendo uma época estranha, em que falar com confiança virou sinônimo de saber. E o mais curioso (ou triste) é que, nesse cenário, quem tem humildade e reconhece que não sabe tudo é logo visto como fraco, como alguém “sem opinião”. Parece que, hoje, duvidar virou defeito. E ter certeza de tudo, mesmo sem saber quase nada, virou virtude.

    Lembro de quando conheci o EFEITO DUNNING-KRUGER — aquele estudo que mostra como pessoas com pouco conhecimento tendem a superestimar suas habilidades. Na época, achei interessante. Hoje, vejo isso acontecer todos os dias. Basta abrir uma rede social, e lá estão os “especialistas” de plantão. Com base em um vídeo curto, um post isolado ou uma manchete mal lida, já saem dando aula sobre tudo: política, saúde, economia, educação, religião… tudo. Com uma certeza assustadora.

    Mas o problema vai além da vaidade. Essa CONFIANÇA VAZIA É PERIGOSA. Ela alimenta a desinformação, destrói diálogos e aprofunda divisões. Porque quem não sabe, mas acredita que sabe, não escuta — só impõe. E quem estuda, quem duvida, quem tenta entender de verdade, muitas vezes se cala. Fica no seu canto, refletindo. Como se não houvesse mais espaço para o pensamento profundo, para a pausa, para a pergunta sincera.

    Falo isso porque sinto na pele. Eu estudo. Me esforço. Leio, erro, aprendo. Me dedico ao DIREITO, à ADMINISTRAÇÃO, à EDUCAÇÃO FÍSICA e à ENGENHARIA CIVIL. E quanto mais aprendo, mais percebo o quanto ainda falta. Cada tema tem tantas camadas, tantos detalhes, tantas incertezas… E, justamente por isso, às vezes “hesito”. Não porque não sei nada, mas porque sei que não é simples.

    Só que, no mundo de hoje, quem pondera é visto como fraco. Quem diz “não sei” é descartado. E isso machuca. Porque parece que perdemos a capacidade de admirar a humildade verdadeira — aquela que vem de quem realmente sabe o valor do conhecimento.

    Minha intenção com esse texto não é me colocar acima de ninguém. Muito pelo contrário. É um apelo. Um convite. Que a gente volte a VALORIZAR O ESTUDO, a escuta, a DÚVIDA HONESTA. Que a gente pare de aplaudir a arrogância travestida de sabedoria. Que a gente volte a enxergar beleza em quem aprende devagar, em quem pergunta com respeito, em quem não tem vergonha de dizer: “ainda não sei, mas quero entender”.

    O mundo já tem barulho demais. O que falta é espaço para a voz serena de quem pensa antes de falar. O que falta é respeito por quem aprende — SEMPRE. E, no fundo, é isso que eu acredito: o verdadeiro sábio não é aquele que tem todas as respostas, mas aquele que nunca para de perguntar.

    E CONFESSO ALGO MAIS: às vezes eu não pergunto. Não por falta de coragem, mas por MEDO DE OUVIR AQUILO QUE, NO FUNDO, já sei que está errado, frágil, mentiroso. Calo-me não por omissão, mas por não querer entrar em um embate inútil, ou mesmo por receio de perder o amigo. Porque, infelizmente, vivemos tempos em que até “A DÚVIDA PODE SER VISTA COMO AMEAÇA”.

  8. É PRECISO INTERROMPER A MARCHA DA INSENSATEZ, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, ordenada em caráter preventivo pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, é o ponto mais dramático a que chegamos até aqui no que se pode classificar como uma espiral de imprudências que colocou o Brasil numa rota extremamente perigosa.

    A esta altura, só os cidadãos inebriados pela devoção inconteste ao “mito” são incapazes de alcançar a gravidade das acusações e dos elementos de culpabilidade que pesam sobre Bolsonaro no julgamento em que o ex-presidente é réu no STF. Mas, mesmo entre os que compreendem exatamente o que Bolsonaro tentou fazer para se aferrar ao poder em 2022, decerto não são poucos os que enxergam em algumas decisões do Supremo, em particular de Moraes, mais do que meros erros judiciais, que de resto podem ser corrigidos. Estamos falando de abusos de poder que, ainda que tenham sido cometidos em nome da “salvação da democracia” ou coisa que o valha, não deixam de ser abusos intoleráveis à luz do Estado Democrático de Direito consagrado desde o preâmbulo da Constituição.

    Está em movimento, portanto, um círculo vicioso que ora paralisa o País no sentido de impedir a discussão e a construção de consensos mínimos em torno de temas diversos ao destino jurídico de um desqualificado como Bolsonaro, essas, sim, questões relevantíssimas para os interesses gerais da Nação. A cada abuso dos radicais bolsonaristas – como, por exemplo, o conluio com o governo dos EUA a fim de subjugar o Judiciário brasileiro e o pedido de anistia para os golpistas, além do impeachment de ministros do STF – parece corresponder uma reação de Moraes no sentido diametralmente oposto, mas igualmente figadal. Ninguém parece disposto a serenar os ânimos e pensar no que é melhor para o País.

    A articulação entre os interesses bolsonaristas e os interesses do presidente americano Donald Trump para forçar uma anistia a Bolsonaro é, por si só, aviltante. Trata-se de uma chantagem disfarçada sob o manto de uma suposta “pacificação nacional”, que nada mais é do que um pedido de impunidade generalizada. Bolsonaro não é perseguido político. É réu por crimes graves, entre eles uma tentativa de golpe de Estado. Sua inelegibilidade, decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é resultado de um devido processo legal. Não há que se falar em revanchismo quando há, como há, provas e indícios robustos de tentativa de violação da ordem constitucional democrática.

    Mas a resposta a esse golpismo continuado deve ser mais prudência, e não menos, o que não se confunde com falta de firmeza. A resposta institucional a essa marcha da insensatez deve ser, sim, firme – mas também moderada, transparente e muito bem fundamentada. Moderação não é capitulação à chantagem e ao golpismo. Defender a legalidade e a temperança das decisões do STF não equivale a ceder aos que desejam sabotar a democracia em nome da liberdade de um golpista inveterado como Bolsonaro. Do mesmo modo, resguardar a autoridade do STF não implica endossar sem reservas decisões de Moraes que contrariam a jurisprudência da própria Corte e, pior, abastardam direitos e garantias individuais assegurados pela mesma Constituição que o STF tem o dever de defender.

    Essa escalada da radicalização não é destino. Não se pode legitimar o comportamento de liberticidas que não dão a mínima para o que vai acontecer com o País amanhã. Assim como não se pode admitir uma espécie de vale-tudo judicial em nome do combate aos inimigos da democracia. É mais do que hora de o STF, a cúpula do Congresso, os líderes dos partidos ainda comprometidos com a democracia liberal e o presidente Lula da Silva jogarem água nessa fogueira, e não mais gasolina. Às mais altas autoridades da República cabe agir com responsabilidade institucional nesta hora grave.

    O País clama por serenidade. É tempo de recusar maniqueísmos e restaurar canais de diálogo, o que nem remotamente significa fazer concessões a liberticidas. Significa lembrar que, numa democracia liberal digna do nome, o respeito às leis e à Constituição é a única diferença entre o Estado de Direito e o arbítrio – sobretudo quando este aparece mascarado como virtude.

  9. BOLSONARO TEM DIREITO À LIVRE EXPRESSÃO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Na eleição de 2018 e enquanto esteve na Presidência, Jair Bolsonaro (PL) atacou a imprensa profissional, e esta Folha em particular, covarde, insistente e brutalmente. Incitou a massa de seus apoiadores extremistas contra jornalistas e veículos, liderou campanhas de boicote e perseguiu a asfixia financeira das empresas.

    Imprecou dia sim, outro também, contra a independência dos Poderes democraticamente constituídos, alvejando sobretudo juízes do Supremo Tribunal Federal. Fez campanha contra o sistema de votação e arregimentou assessores e ministros do governo para tentar sabotá-lo.

    Inconformado com a derrota nas urnas, insuflou hordas de fanáticos que se aglomeravam defronte a quartéis e bloqueavam rodovias pelo país. Tramou a subversão do regime democrático com oficiais das Forças Armadas e, não obtendo apoio, fugiu do Brasil para, quem sabe, esperar um vento favorável do destino.

    Assistiu da Flórida às depredações de 8 de janeiro de 2023, postou mensagem encorajadora aos vândalos e logo depois a apagou, temendo ser enquadrado pela lei. Dois anos e meio depois, denunciado e processado por tentativa de golpe, associou-se ao presidente dos Estados Unidos numa chantagem abjeta contra a economia e a soberania do Brasil.

    Jair Bolsonaro é um inimigo da Constituição de 1988 e das liberdades civis. Se não tivesse sido parado pela intransigência democrática da sociedade e das instituições brasileiras, teria se convertido em ditador e hoje estaria censurando, reprimindo e violentando cidadãos e organizações.

    Com a mesma firmeza que impôs o império da lei a esse aventureiro do autoritarismo, o Brasil deve reconhecer que Jair Bolsonaro detém ampla liberdade de se defender na Justiça e de se expressar onde quer que seja, inclusive nas redes sociais. Democratas não se transformam em tiranos para combater a tirania.

    A pretexto de enfrentar a ameaça autoritária, o ministro Alexandre de Moraes, apoiado pela maioria dos colegas, desenvolveu teoria e prática estranhas à Carta. As ordens de censura, muitas vezes exaradas em despachos secretos que não permitem defesa, tornaram-se lugar-comum.

    Moraes errou ao pretender silenciar Bolsonaro numa ordenação kafkiana, impossível de cumprir. Moraes erra ao mandar prender o ex-presidente por ter se comunicado com apoiadores em atos organizados pela direita.

    A liberdade de expressão é direito que não abandona nem sequer quem cumpre pena —lição que o ministro Luiz Fux, que no passado censurou a Folha numa tentativa de entrevistar o então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no cárcere, parece agora ter aprendido com Bolsonaro.

    A maioria dos colegas de Alexandre de Moraes precisa reinstituir esse princípio basilar da ordem democrática. O espírito de corpo ou de defesa contra assédio estrangeiro não justifica relativizar garantias constitucionais.

  10. DUAS OBSERVAÇÕES

    A ´primeira. Estava escrito, porque é da sua característica desde a caserna, que Jair Messias Bolsonaro, PL, desafiaria as restrições judiciais para continuar uma vítima do Judiciário. Estava escrito que o ministro Alexandre de Morais, sancionado pela Lei Magnistky, não amoleceria. Deu no que deu. Estamos e vamos pagar caros por dois teimosos e radicais nas suas posições.

    A segunda. É constatar que gente que intimida, constrange e quer calar os que revelam os bastidores da política de Gaspar, subir em carro de som para defender a liberdade de expressão. Credo

  11. AUMENTOU O CUSTO DE DEFENDER OS BOLSONAROS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O Datafolha acaba de estimar o elevado custo político com que um candidato de direita terá de arcar caso prometa oferecer indulto presidencial ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2026. Mais de seis em cada dez entrevistados afirmam que deixariam de votar num postulante que fizesse tal promessa.

    O fardo poderá recair sobre os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Minas, Romeu Zema (Novo), e Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Os três, cogitados para o Planalto, defendem o uso desse poder que a Carta faculta ao presidente da República para livrar Bolsonaro da cadeia, se ele for em breve condenado, como é provável, por tentativa de golpe.

    As hipóteses da anistia —lei que teria de ser aprovada no Congresso Nacional para isentar de punição os condenados por subversão— e do perdão presidencial já enfrentavam dificuldades mesmo antes de Eduardo e Jair Bolsonaro se associarem à chantagem do presidente dos EUA, Donald Trump, contra as instituições brasileiras.

    Havia a incompatibilidade no tempo, pois não cabe eximir de culpa quem ainda não foi condenado de forma inapelável, como é o caso de vários réus, incluindo o ex-presidente, processados no Supremo Tribunal Federal (STF). Havia o precedente da própria corte constitucional, que já invalidou indulto presidencial em situação semelhante.

    Havia também o desgaste político de desmoralizar a legislação votada pelo Congresso, e sancionada por Jair Bolsonaro, destinada a proteger o Estado democrático de Direito de seus violadores.

    A vilania de Eduardo e Jair de aliarem-se a um agressor estrangeiro que causará danos multibilionários à renda e aos empregos no Brasil fez diminuir ainda mais as chances de a pauta da impunidade progredir. Os presidentes da Câmara e do Senado tomaram mais distância da família tóxica.

    O constrangimento penetrou a centro-direita. Nenhum dos governadores que já defenderam o indulto a Bolsonaro compareceu às lamentáveis manifestações de endosso ao achaque trumpista neste domingo (3). Tarcísio e Zema, cujas reações iniciais ao tarifaço haviam sido abomináveis, parece que aprenderam algo.

    Registre-se, a propósito, a boa condução do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), nesse tema. Também cotado para a disputa presidencial no ano que vem, não se comprometeu com o perdão a Bolsonaro nem derrapou na reação ao tarifaço. O Datafolha mostrou que é tão competitivo quanto Tarcísio contra Lula.

    Se a crise com os EUA servir para isolar de vez o cancro representado pelo radicalismo bolsonarista no Brasil, terá produzido ao menos um desfecho positivo.

    Não é necessário ler resultados de pesquisa para avaliar a impostura que é se aproximar de alguém que não tem prurido de tramar contra o próprio país. Entre uma família de postulantes a tiranetes autocentrados e o Brasil, a escolha deveria ser fácil e clara.

  12. PRENDE-SOLTA REVELA A INCAPACIDADE DO PAÍS DE DETER O CICLO PERVERSO DA VIOLÊNCIA, editorial do jornal O Globo

    A história do jovem Patrick Rocha Maciel expõe um triste retrato do Brasil. Aos 21 anos, ele acumula nada menos que 86 passagens pela polícia — praticamente uma a cada três meses de vida. Sua folha corrida revela, de forma contundente, a incapacidade do país de amparar suas crianças e deter o ciclo perverso da criminalidade. Como mostrou reportagem do GLOBO, ele tinha apenas 10 anos quando entrou pela primeira vez numa delegacia, flagrado numa bicicleta de aluguel furtada (à época, era inimputável). Voltou dezenas de vezes, acusado por delitos como roubo, lesão corporal, invasão de domicílio ou ameaça.

    Patrick morava no Morro da Providência, comunidade do Rio dominada pelo Comando Vermelho, e costumava vender balas nas ruas de Copacabana, quando deveria estar numa escola. A delinquência é uma trágica herança. Sua mãe, segundo a polícia, somava sete anotações criminais, além de ter sido investigada por maus-tratos, abandono de incapaz e por submeter criança ou adolescente a vexame ou constrangimento. Ela morreu em 2023.

    É provável que, na adolescência, Patrick tenha passado mais tempo em unidades socioeducativas que em salas de aula. Quando precisa informar a escolaridade, costuma dizer que não concluiu o ensino fundamental. Nos processos judiciais, assina o primeiro nome, com caligrafia que revela pouca familiaridade com a escrita.

    Unidades socioeducativas deveriam recuperar adolescentes para o convívio em sociedade. Mas pouco serviram a Patrick. Entre os 10 e os 17 anos, ele foi levado ao menos 12 vezes a instalações do Departamento Geral de Ações Socioeducativas do Rio, onde se envolveu em diversas confusões. Aos 17, foi acusado de lesão corporal e participação num motim de internos.

    Com a maioridade, vieram os presídios e o interminável prende-solta propiciado pela labiríntica legislação penal brasileira. Em abril de 2022, menos de uma semana depois de deixar o presídio José Frederico Marques, voltou a ser preso, acusado de assaltar uma casa em Ipanema. Desde que completou 18 anos, já esteve pelo menos sete vezes no sistema penitenciário. Neste ano, depois de sair da prisão, se envolveu em quatro delitos em 24 dias. “Quando ele chegou à delegacia, nós já o reconhecemos. E sabíamos que, em breve, o veríamos de novo”, disse o delegado Ângelo Lages, da 12ª DP (Copacabana).

    Os delitos em série de Patrick são um resultado eloquente das falhas em série do Estado e do fracasso das políticas públicas de combate à criminalidade. Prisões reiteradas não evitam os crimes; unidades socioeducativas não educam; e os presídios — controlados por mais de 70 facções criminosas — não funcionam como espaços de ressocialização, mas como fornecedores de mão de obra ao crime organizado. Por fim, a legislação leniente favorece a reincidência e o eterno vaivém no sistema penal. Governos não podem fingir não ver tamanha tragédia. Ou adotam políticas comprovadas, capazes de reparar cada elo dessa cadeia de falhas, ou então o país continuará a conviver com mais e mais casos como Patrick.

    1. Observador Incansável

      Só avisando…
      Gaspar ficará sem água no próximo verão. Em função da falta de interesse do atual alpinista político e atual prefeito e da incapacidade do atual diretor presidente da SAMAE a previsão é pura realidade. O sucateamento das instalações, a falta de renovação de equipamentos e total descaso das autoridades em geral garantem esse futuro próximo. Infelizmente estas situações não chegam aos cidadãos, que não tem a mínima noção da realidade.
      Enquanto alguns trabalham no limite das condições precárias oferecidas, outros surfam na falta de honestidade e se aproveitam dos poucos recursos para benefício próprio. Acorda Gaspar!! É do seu bolso que a conta é paga!!!

      1. Este blog já anunciou este desastre. Os técnicos, os mesmos que orientam o presidente do Samae, Cicero Giovani Amaro, PL, já o alertaram. Ele, até agora,m está com cara de paisagem. Bem diferente, do tempo em que foi atuante vereador, e tinha fundadas preocupações neste sentido. Estava na oposição. O tempo passou e tudo se agravou. E Cícero, na no poder e com a caneta na mão, ficou situação e se calou

  13. Herculano

    Se a Celesc responder, duvido que fará ( Pedro tem muito contato lá)

    Não restará a Câmara exigir a punição dos responsáveis…

    Todo mundo na prefeitura sabe que Dr. Delegado Paulo trata os servidores aos gritos.

    Se explicitada aos vereadores o que comprovado está, que houve fraude em licitação. A não punição dos responsáveis, pode levar a instalação de uma comissão processante com devido afastamento do prefeito.

    A Câmara está quieta, a imprensa de Gaspar idem. Será que estão apostando em postura similar do MP???

  14. CADA UM POR SI NO CONFRONTO COM TRUMP, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    O tarifaço de Trump não apenas desarruma o comércio mundial — como se isso fosse pouco. Há um outro efeito, geopolítico: desalinha os países, desmonta associações. Não há grupo de nações negociando coletivamente com o governo americano. Trump deixa cada um por si.

    Pois a China, a maior economia do Brics, negocia diretamente com os Estados Unidos. Não consta que defenda os interesses de seus pares. Ao contrário, age como potência emergente.

    O Brics é um grupo que estabeleceu como objetivo o estreitamento das relações políticas e econômicas, formando o Sul Global, para falar alto no cenário mundial, especialmente com o Ocidente.

    A Índia, a segunda economia do grupo, também se virou por conta própria. Ao contrário de Lula, o primeiro-ministro Narendra Modi foi a Washington, apertou as mãos de Trump.

    Conseguiu pouco. Na primeira lista de Trump, a Índia aparecia com uma tarifa de 26% para colocar seus produtos nos Estados Unidos. Na última lista, 25% — circunstância que gerou críticas a Modi. Tanta conversa por tão pouco?

    Já o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, integrante recente do Brics, conseguiu mais. Conversou pessoalmente com Trump e reduziu o seu tarifaço de 32% para 19%. Rússia e Irã, outros dois integrantes do Brics, estão sob sanções impostas pelo Ocidente. Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são aliados estratégicos dos Estados Unidos no Oriente Médio, mas também aderiram recentemente ao Brics. Valeu mais a aliança com Washington. Os três países ficaram com a tarifa mínima de 10%.

    Já o Brasil ficou com a maior tarifa, os 50% — excetuada uma lista de produtos especialmente importantes para a economia americana.

    Lula é a voz mais insistente do Brics. É ele que mais fala em substituir o dólar como moeda global. Já o primeiro-ministro da Índia, questionado sobre o tema, disse que não tem o menor interesse nisso. A China tem, mas quer negociar com sua própria moeda.

    De todo modo, ninguém, nem o Brasil, colocou o tema nas negociações mais ou menos diretas com os Estados Unidos. Nenhum dos membros tentou uma negociação coletiva e abrangente.

    Foi cada um por si, situação que Trump impõe com seu modo autoritário sem limites e sem escrúpulos, baseado no imenso poderio econômico, militar e político. Vale para todos, amigos ou não, todos colocados na posição de aceitar as “ofertas” americanas ou pegar o pior.

    Só a China parece ter condições de falar quase de igual para igual. Mesmo a União Europeia, a segunda economia mundial quando somados os PIBs de todos os seus integrantes, foi obrigada a aceitar as condições de Trump.

    E como ficará o mundo quando o tarifaço estiver totalmente implantado? Pior para todos. Levará a uma redução do comércio global, cuja expansão em décadas recentes foi base do crescimento da maior parte dos países.

    Será ruim para os Estados Unidos, que, aliás, já começam a perceber os efeitos de mais inflação e menos crescimento. Os últimos dados de geração de empregos mostram uma queda acentuada, como se as empresas já estivessem se preparando para um ritmo menor dos negócios.

    O que os países deixam de exportar faz falta para os dois lados. O exportador perde mercados e, pois, produção e empregos. As empresas e os consumidores americanos ficam sem os produtos ou têm de pagar muito mais caro — tudo levando a uma queda da atividade nos exportadores e no importador.

    Pode ocorrer uma reorganização global do comércio?

    Será uma tarefa necessária, porém difícil. Nenhum país pode substituir o tamanho do mercado americano. A China é grande importadora, mas principalmente de commodities, alimentos e alta tecnologia.

    Os países emergentes têm comércios parecidos — exportam mais commodities e importam mais produtos industrializados e tecnologia. Fica difícil, se não impossível, encontrar complementaridade entre eles. Mesmo porque todos os que deixam de vender para os Estados Unidos buscarão outros mercados. A competição será dura.

    Mas não há outra opção. Para o Brasil, a atitude mais sábia seria fazer o contrário do que fazem os Estados Unidos. Abrir a economia, buscar uma industrialização competitiva globalmente. O problema é que ideologias não costumam ser sábias.

  15. UMA TRUPE DE HIPÓCRITAS, por Lygia Maria, no jornal Folha de S. Paulo

    A acepção moderna da palavra “hipócrita” é pejorativa: a pessoa finge possuir virtudes e crenças que não tem ou exige que os outros façam aquilo que ela não faz.

    Sua origem é “hupokrités”, usada na Antiguidade grega para designar quem trabalha com interpretação (ator). O termo não era adequado para se referir a oradores e autoridades, já que a arte do disfarce não combina com a honestidade exigida na esfera pública.

    O noticiário político na última semana, porém, foi dominado por hipócritas. Virou teatro político.
    A começar por Donald Trump, que vestiu a fantasia de cavaleiro da liberdade em defesa da democracia. Dos 69 países sobretaxados na sua cruzada comercial, o Brasil foi o mais impactado porque, segundo o americano, o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo é perseguição ideológica.

    Ora, na Venezuela o que mais tem é preso político, mas sua tarifa ficou em 10%, ante 50% no Brasil —e a petroleira Chevron ainda foi liberada para firmar parceria com estatal da ditadura chavista.

    A Casa Branca também impôs sanções financeiras a Alexandre de Moraes, ministro do STF. Para isso, valeu-se da Lei Magnitsky, norma aplicada contra graves infrações de direitos humanos que nunca foi usada contra juízes cujas decisões violam a liberdade de expressão —motivo alegado para enquadrar Moraes.

    Trata-se de interpretação elástica que só serve para reduzir a credibilidade da Magnitsky.

    Se Trump está tão preocupado com direitos humanos, por que não usa a lei contra Nayib Bukele, que desde 2022 governa El Salvador sob estado de exceção e viola liberdades civis? Em vez disso, deporta imigrantes para um megapresídio de Bukele e recebe visita do caudilho no Salão Oval.

    Enquanto isso, bolsonaristas aplaudem as medidas, incitadas pela família Bolsonaro, mesmo que o ex-presidente e muitos de seus apoiadores sejam saudosistas da ditadura militar.

    Já petistas, que se arvoram a epítome da defesa da democracia e do Estado de Direito, respaldam abusos cometidos por Moraes contra a liberdade de expressão e o devido processo legal.

    Um espetáculo de hipocrisia.

  16. VOCÊ SABIA? A LEI MAGNITSKY: UMA HISTÓRIA DE CORAGEM, INJUSTIÇA E IMPACTO GLOBAL, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública, pela Udesc. Este artigo, originalmente, foi publicado nas redes sociais do autor.

    Nos últimos dias, muito se tem falado sobre a LEI MAGNITSKY. O nome apareceu em manchetes, rodas de conversa, nas redes sociais… Mas a verdade é que pouca gente conhece a história por trás dessa lei. Uma história real, marcada por coragem, injustiça e um desejo profundo de justiça que ultrapassou fronteiras.

    Assim como temos no Brasil leis que nasceram de tragédias pessoais — como A LEI MARIA DA PENHA, em defesa das mulheres vítimas de violência doméstica, ou a LEI CAROLINA DIECKMANN, que trata da violação de dados e da exposição indevida de imagens íntimas — a Lei Magnitsky também carrega um nome, uma história e uma dor muito específica.

    E foi exatamente isso que me motivou. Como operador do Direito e inquieto por conhecimento, não me contentei em apenas ouvir opiniões rasas ou manchetes soltas. Fui buscar entender de onde veio essa lei, o que ela significa, e por que ela tem sido citada em discussões tão importantes — inclusive envolvendo autoridades do nosso país. E por acreditar que o conhecimento precisa ser compartilhado, especialmente com quem confia em mim, decidi trazer essa história aos meus eleitores, simpatizantes e a todos que prezam pela verdade e pela justiça.

    Tudo começou com ““SERGEI MAGNITSKY””, um ADVOGADO e CONTADOR RUSSO. Ele trabalhava para uma empresa de investimentos estrangeira na Rússia e, em 2007, “descobriu que autoridades do governo haviam roubado cerca de 230 milhões de dólares em impostos pagos pela empresa.” Um escândalo bilionário.

    E o que ele fez? DENUNCIOU!!!!!. Apresentou provas, seguiu os trâmites legais, acreditando que a justiça seria feita.

    Mas em vez de ser protegido, Sergei foi preso pelos mesmos que ele havia denunciado. Ficou quase um ano na cadeia, sem julgamento, em condições desumanas. E ali, morreu, com apenas 37 anos. Sua morte gerou indignação internacional.

    Em resposta, os Estados Unidos criaram, em 2012, a Lei Magnitsky, em sua homenagem. Essa lei permite que o governo americano sancione cidadãos estrangeiros envolvidos em corrupção ou graves violações de direitos humanos, mesmo que esses crimes tenham ocorrido fora do território americano. Isso inclui congelamento de bens, proibição de entrada no país e outras penalidades econômicas e diplomáticas.

    EM 2016, a lei FOI AMPLIADA e se tornou a Lei Global Magnitsky, válida para indivíduos de qualquer país. Desde então, ela tem sido usada como instrumento internacional de pressão e responsabilização, principalmente quando o próprio país da pessoa acusada se recusa a investigar ou punir abusos.

    E agora, essa lei está no centro de um debate aqui no Brasil.

    Nos últimos dias, o governo dos Estados Unidos teria aplicado sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, com base justamente na Lei Global Magnitsky. Segundo fontes da imprensa internacional, os motivos alegados incluem:

    •     Suposta violação da liberdade de expressão, com bloqueio de contas de críticos do governo brasileiro em plataformas como X (antigo Twitter) e Rumble — inclusive contas de cidadãos americanos;

    •     Detenções consideradas arbitrárias, como prisões preventivas vistas como desproporcionais ou sem o devido processo legal;

    •     E processos vistos como politicamente motivados, incluindo o que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar promover um golpe de Estado.

    Essa decisão provocou reações imediatas e dividiu opiniões no Brasil. De um lado, DEFENSORES DO MINISTRO consideram a medida uma interferência na soberania nacional e veem as ações do STF como defesa da ordem democrática e do Estado de Direito. Do outro, CRÍTICOS DO SUPREMO E APOIADORES DE BOLSONARO comemoraram, alegando que a sanção americana seria um “alerta internacional” contra abusos cometidos sob o pretexto de combater a desinformação.

    Mas mais do que um debate político ou jurídico, esse episódio nos convida a refletir sobre o verdadeiro alcance da Lei Magnitsky. Uma lei que nasceu da luta por justiça diante de uma tragédia pessoal, e que hoje serve como ferramenta diplomática poderosa — mas que também levanta questões delicadas sobre soberania, seletividade e uso político de instrumentos legais internacionais.

    A história de SERGEI MAGNITSKY nos ensina que leis importantes podem surgir da dor, mas também nos lembra que seu uso precisa ser sempre guiado pela verdade, pela responsabilidade e pelo respeito mútuo entre as nações.

    Como cidadão, como operador do direito e como alguém que acredita na FORÇA DA INFORMAÇÃO CORRETA, sigo comprometido com a missão de entender o presente, sem esquecer do passado — e sempre pensando no futuro.

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