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TIC TAC. COMISSÃO DE ECONOMIA, FINANÇAS E FISCALIZAÇÃO DA CÂMARA DE GASPAR ENCURRALA O GOVERNO DE PAULO E RODRIGO EXATAMENTE PORQUE DEPOIS DE SETE MESES LHE FALTA COMUNICAÇÃO E PRINCIPALMENTE, TRANSPARÊNCIA NO MÍNIMO E ESSENCIAL À SOCIEDADE

Bom dia. Alguém acha que eu entraria em mais nova pilha do fedor do lixo em Gaspar? É preciso ter memória. Este fedor nunca deixou a cidade desde que o governo de Pedro Celso Zuchi e Mariluci Deschamps Rosa, ambos do PT, lá em 2009, inventou, com Lovídio Carlos Bertoldi, PT, a Say Muller, achando que a Recicle, licitada ao tempo do ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, hoje sem partido, tinha coisas para esconder. Tudo para punir o ex-prefeito e aumentá-lo na exposição à execração pública além da derrota. Tudo satisfazer os empresários que Adilson enfrentou e por vingança, bandearam-se para Zuchi.

Não entrarei, por enquanto, neste assunto fedorento. Ele ainda é um jogo marqueteiro e interesses do presente e do passado. Entretanto, a denúncia isolada do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, revela, outra vez, à fragilidade, erros e dúvidas sobre e do governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. E é disto – em outro assunto – que vou tratar adiante, mais uma vez, para o desespero dos que ocupam e estão no entorno da “nova” gestão da barrosa. O pessoal legitimamente alçado ao poder está inquieto com este espaço. Estranhamente, ao mesmo tempo, todos dizem que este blog não é lido e não possui nenhuma credibilidade. E se não possui…

Adiante.

É impressionante como o governo de Paulo, Rodrigo e seus bruxos, conseguem atravessar a rua e escorregar em cascas de bananas, mesmo diante de amplas advertências de que estas cascas estão lá para os ver em situação constrangedora, não exatamente como gestores gestores numa cidade em crise de identidade com a nova função. Atinge, diretamente, Paulo como reconhecido investigador policial que era. Ele deveria estar pressentindo que há gato na tuba. E se há, terá que dá explicações ao invés de tocar música para a sua cidade e administração.

Será um escândalo se a tonelagem do lixo recolhido em Gaspar sair dos atuais R$209,00 para R$416,00, em licitação que roda no Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí – o CIMVI – para atender outros 14 municípios, além de Gaspar, a que se desligou, vejam só, deste consórcio ao final do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB e Marcelo de Souza Brick, PP. O Tribunal de Contas já botou defeito nesta licitação. Mas, quem está reclamando e alimentando esta nova e desgastante controvérsia contra Paulo e Rodrigo? Os que estão fazendo o serviço e podem perdê-lo, os que querem uma viagem para mostrar vaidades, poder, força e que aqui o lixo é zero… Na outra ponta, está a passiva comunicação – e os bruxos – do governo. Estão assistindo a todo este desgaste. Muda, Gaspar!

FALTA DE TRANSPARÊNCIA ALIMENTA FOCOCA

Vejam, a seguir, este vídeo. Ele circulou antes da sessão de terça-feira da Câmara de Gaspar. Ou seja, ninguém mais surpreende. Avisa que vai malhar. E mesmo com tempo para reagir, não se faz nada.

Na sessão de terça-feira foi aprovado, por unanimidade, o requerimento da Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização da Câmara, presidida pelo mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP. A foto de abertura do artigo, registrada em outro momento em que ela se reuniu em plenário para discutir o Plano Diretor e teve que voltar atrás, mostra que o governo de `Paulo e Rodrigo está em minoria. Na foto, está faltando somente Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL. E ele não fará verão nesta comissão. É passageiro.

Giovano Borges, PSD, três mandatos, “convenceu” seus pares e pediu à presença da super secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha. Giovano e os membros da Comissão querem, que ela esclareça aos vereadores e à cidade, se é fofoca ou não, de que não há dinheiro nos cofres da prefeitura e se ela, a mando do governo, está escondendo isso. Em todo o lugar que se entra na prefeitura, segundo Giovano, a desculpa recorrente está na ponta da língua dos secretários. E por “falta de recursos” tudo fica parado, como está. É que o tempo marqueteiro da piedade e mutirão já passaram e não colam mais. Os cidadãos e cidadãs depois de sete meses querem resultados. 

Fofoca? Credo! Supremo esculacho contra o atual governo. E vindo de um vereador – que nem é tão oposição assim. Ao mesmo tempo, ao gravar o vídeo e fazer com que a Comissão de Economia levasse adiante o “convite” em requerimento aprovado por unanimidade para a secretária dar explicações a Comissão, vereadores e a cidade, revela à fragilidade de um governo no Legislativo. Estou, mais uma vez, de alma lavada.

O que Giovano deixou claro? De que o governo de Paulo e Rodrigo não é proativo para quem se vendeu na campanha eleitoral como capacitado para mudanças daquilo não se queria mais a partir dos donos da prefeitura. Está claro também, que o governo de Paulo e Rodrigo se articula e se comunica mal, ou então, está perdido, ou pior: está enganando, os cidadãos e cidadãs e os vereadores representam o povo na Câmara. Nem mais, nem Menos.

E por que estou de alma lavada? Porque 90% do que os vereadores desta Comissão querem saber para alardear à cidade nos 24 itens que listaram previamente no requerimento, são números. E este números deveriam estar disponíveis no Portal Transparência. Ele é uma vergonha. Nem Ministério Público, nem entidades cidadãs ou corporativas da cidade, nem o tal Observatório Social, muito menos o Tribunal de Contas conseguem exigir o mínimo para dispô-los à sociedade.

Já era ruim ao tempo de Kleber, agora está lastimável. E parece ser proposital. Nem um habilidoso hacker consegue extrair informações do Portal, que no fundo, são as que a secretária Ana Karina – com seus subordinados – acessa diariamente para lançamento, controle, planejamento e execução do Orçamento (PPA e LOA). São públicos. São obrigados pela Lei estar disponíveis, atualizáveis e auditáveis.

Por isso tudo, nem vou mais me alongar, naquilo que está aos olhos e ouvidos dos gasparenses: a área de comunicação – que já trocou de titular em menos de três meses do “novo” governo e neste quesito ela é bem diferente da de Kleber que aguentou a mesma titular por oito anos – é um ambiente sem qualquer senso estratégico e de autoridade. Ela não percebe o governo está se desgastando. Quando muito, ela é uma fazedora de press release do básico para as mídias sociais e que não repercutem na cidade como novidade. É uma área, por enquanto, com muita fofoca interna e metida em arapongagem.

Sobra até para os amigos de Paulo – e alguns com interesses no governo – fazerem a defesa dele e colocarem defeitos em quem não enxerga virtudes no atual governo. Só um grupo íntimo é capaz de alimentar e viver de fantasias muitas delas envoltas em segredos quando deveriam estar disponíveis, em debate ou sob esclarecimentos. Inacreditável.

Espantosa e rapidamente o que se espalha é falta de tato político, de comunicação consistente e estratégica, transparência e resultados para a cidade, cidadãos e cidadãs. Estas sim, estão virando uma marca de Paulo e Rodrigo depois de sete meses de governo. Ruim para quem ensaia continuar na política e vai depender de votos por avaliação ao que não faz até agora.

Ana Karina é uma técnica experimentada e possui todas as condições para dar a volta por cima neste assunto nas águias da Comissão que jogaram a isca. Aliás, ela nem é obrigada a ir na Câmara dar explicações se os chefes dela não quiserem. É apenas um “convite”. Todavia, se isso não acontecer, também não pegará bem, como não pegou o representante da empresa de roçada aceita por Paulo e Rodrigo se proteger com um Habeas Corpus concedido pela Justiça na CPI do Capim Seco. Como se vê, quando a coisa aperta, todos se escondem.

Onde mora o perigo? Na medida em que tudo no governo de Paulo e Rodrigo se estabeleceu como um segredo. E é justamente este suposto segredo, somada à falta de articulação, projetos, dinâmica, prioridades e resultados que desconstrói a imagem que se tinha a favor dos eleitos por ampla maioria da população. Era para mudar o que não se queria ver continuado. E está se perdendo o timming. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Aumento das despesas na Câmara de Gaspar – incluindo o funcionamento da CPI do Capim Seco que apura algo já apurado na polícia – obrigou o presidente da Câmara, Alexsandro Burnier, PL, com os demais membros da Mesa Diretora – Ciro André Quintino, MDB, Elisete Amorim Antunes, PL e Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP -, a remanejar R$800 mil do Orçamento. Ulalá. O relator do projeto que recebeu o número 50, foi Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Ele que até então era um crítico do aumento dessas despesas, mas pediu à aprovação. Silenciosamente, assim aconteceu por unanimidade.

Nunca antes, houve tamanho remanejamento no Orçamento – e tão cedo num exercício – apenas para atender o aumento do custeio interno da Casa. A justifica genérica inclui à “renovação de contratos de imóveis e veículos”, como justificou Alexsandro Burnier, PL. R$250 mil foram tirados de uma rubrica fictícia chamada de “Construção da Sede Própria”, Nem mais imóvel doado pela prefeitura existe para esta construção.

Uma reunião para não ser esquecida. A Acig – Associação Empresarial de Gaspar – teve uma boa ideia: fazer reuniões itinerantes para conhecer melhor os ambientes dos empreendedores locais. Na quarta-feira, isto aconteceu na Fundição Santa Terezinha. Entre os convidados – mediante convite e inscrição prévia – para assisti-la, estava lá o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, sem partido.

Lá pelas tantas, abriram aos presentes nesta reunião às considerações gerais. E quem a pediu a palavra e a obteve? Adilson Luiz Schmitt. E no decorrer da fala, ele não economizou nas críticas e falta de foco das lideranças políticas e união das instituições, mas principalmente, do governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL e que apoiou na eleição deles. Na plateia, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, Nelson Mário Küstner.

O papelinho I. Quer medir o tamanho atraso, de como não se avança e as críticas disso são malvistas pelo que estão no poder de plantão, na falta de melhores resultados para a cidade? Na era da Inteligência Artificial, a Área Azul em Gaspar saiu do ar no final do governo passado por falta de regulamentação. Resolvido, voltou no “novo” governo como se fosse algo espetacular, mas na base do papelinho, somada à uma dificuldade para pagar ou regularizar o estacionamento rotativo público. Ninguém se inspirou em Blumenau, Itajaí ou Brusque. Alegaram mil dificuldades. Aqui é diferente.

O papelinho II. Nesta semana, a área de comunicação do “novo” governo da prefeitura de Gaspar anunciou para fazer manchete nos veículos de comunicação, mais um grande avanço: “os monitores deixarão de emitir a tradicional guia amarela de notificação e passarão a utilizar um aplicativo que gera um código QR Code. Esse código permite que o pagamento da notificação seja feito diretamente via Pix, sem a necessidade de comparecimento presencial à sede da Ditran.” Ou seja, só avançou para cobrar multas e irregularidades. Credo

Água de lágrimas. Depois que a vereadora e líder do governo de Gaspar na Câmara, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, se tornou madrinha da água encanada do Samae de Gaspar para 30 moradores da Rua Conceição, no Pocinho, pedida por décadas pelos de lá, as lágrimas rolaram e elas as enxugou muito a contragosto. Mesmo assim, pediu que as lideranças da Associação de Moradores do Poço Grande que se contivessem nas suas queixas públicas, incluindo os meios de comunicação, como este espaço. Hum! O que mudou mesmo neste governo com os novos políticos?

Está ruim? Pode piorar. A Confederação Nacional dos Municípios fez foi aos portais de transparências do governo federal e analisou as contas. Diante disso, está assegurando que haverá uma queda de 50% no repasse no Fundo de Participação dos Municípios. De R$6,8 bilhões, ele cairá para R$3,2 bilhões. No Brasil, há centenas de municípios que dependem exclusivamente deste repasse.

Os deputados estaduais estão em recesso. A maioria, se não está viajando com as suas famílias, está percorrendo seus currais eleitorais acertando-se com cabos eleitorais para as eleições deles no ano que vem. Em Gaspar, mesmo assim, os vereadores-cabos eleitorais, com diárias, assessores e carros, continuaram nas peregrinações a Assembleia Legislativa, em Florianópolis. As fotos mostram que estão sendo recebidos pelos funcionários dos gabinetes dos deputados. Ai, ai, ai.

O ex-vice prefeito, Marcelo de Souza Brick, PP, montou em fevereiro deste ano, uma empresa para impermeabilização de obras de engenharia civil, terraplanagem e urbanização. A sede dela é no Distrito do Belchior, em Gaspar. A Mixfort Serviços, tem ainda como sócios de Marcelo, Álvaro Chiesa e Rodrigo Zanluca.

Não estou no muro I. As sanções do governo de Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no Brasil, é uma agressão perigosa e sem razão, se considerarmos que Estados Unidos e Brasil são democracias e nelas os poderes dela são autônomos. Entretanto, expõe uma ferida que está sob medo silenciada no nosso embate interno.

Não estou no muro II. O Judiciário e especialmente a cúpula dele que dá exemplos para os grotões esticou a corda e muito. É impossível aceitar penas tão duras para pessoas simples, sem antecedentes, idosas quer participaram do vandalismo de oito de janeiro – confundindo-as como subversivas, enquanto os corruptos de bilhões e bilhões de reais (e dólares) dos pesados impostos dos brasileiros, condenados, vão sendo perdoados e soltos um a um, por decisões monocráticas sem revisão ou ratificação colegiada. Isto sem falar na lentidão – menos no STF e STJ – e na cada vez mais notícias de venda de ações, não apenas na primeira instância, mas em tribunais.

Não estou no muro III. O Conselho Nacional de Justiça falhou e criou este clima estranho contra a própria instituição e que permeia o imaginário popular. E o que pega também. O extra-teto, férias de 60 dias… Todos em conivência com o Congresso Nacional (Câmara e Senado). Agora, nada disso, justifica esta interferência externa. E só aconteceu, porque internamente falhamos nos contrapesos constitucionais ou no âmbito administrativos.

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6 comentários em “TIC TAC. COMISSÃO DE ECONOMIA, FINANÇAS E FISCALIZAÇÃO DA CÂMARA DE GASPAR ENCURRALA O GOVERNO DE PAULO E RODRIGO EXATAMENTE PORQUE DEPOIS DE SETE MESES LHE FALTA COMUNICAÇÃO E PRINCIPALMENTE, TRANSPARÊNCIA NO MÍNIMO E ESSENCIAL À SOCIEDADE”

  1. O artigo para quem tiver paciência de lê-lo e os números incontestes que o suportam, mostram como fomos e somos insignificances no comercial internacional de trocas. Perdemos sucessivas oportunidades. E mesmo assim, estamos sendo penalizados por quem quer ditar as regras unilateralmente no mundo. Além de insignificante, estamos despreparados como governo – salvos, apenas pelas organizações privadas dos exportadores – e se isso fosse pouco, o PT, Lula, Amorim e a esquerda do atraso, quer enfrentar o grande urso com ideologia e sem musculatura para tal. É impressionante como estamos desinformados e somos manipulados por populistas baratos e irresponsáveis, incluindo, aí a própria família Bolsonaro.

    TRUMP ACORDO BRASIL DA FANTASIA DO ISOLAMENTO; VAMOS VOLTAR A DORMIR? por Vinícius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

    A agressão do governo de Donald Trump contra o Brasil parece nos ter acordado de um sonho tranquilo. Isto é, da fantasia de que o país fazia tempo não corria grandes riscos de sofrer ataques diretos no jogo bruto da política mundial (como em 1964).

    Sujeitos às idas e vindas da economia mundial e a ações e derivas dos países dominantes sempre estivemos, levados pelas correntes da geoconomia e geopolítica, de um modo inadvertido, para ser gentil.

    A dúvida agora é saber se vamos voltar a dormir, se é que Trump e outros fatores de conflito mundial não vão nos deixar insones. Vamos ter de pensar naquele clichê, na nossa “inserção mundial”. Temos de pensá-lo agora em marcha forçada, em situação mais perigosa, em um mundo em rápida degradação no que diz às relações políticas, de força bruta, talvez guerra, e de racionalidade econômica alguma.

    Uma medida da nossa posição na economia mundial pode ser a do total das exportações brasileiras nas exportações mundiais. É medida precária, limitada, mas serve para estas curtas e modestas colunas de jornal.

    Considere-se a participação brasileira nas exportações do mundo de 1982, desde quando há dados melhores, a 2001, quando a China entrava na Organização Mundial de Comércio e crescia como nunca se viu na história. Foi em média de 1,06% do total. Nas duas décadas seguintes, ficou em torno de 1,2%. De 2022 a 2024, pós-pandemia, a participação brasileira foi para os picos da série, para 1,44%.

    As exportações brasileiras aumentaram por causa da ascensão da China. O aumento da oferta de produtos foi possível por causa de vantagens típicas do país, desenvolvidas por meio de pesquisa científica e tecnológica —trata-se do tão sabido e excelente caso da Embrapa; depois, da Petrobras.

    De início, entre 1990 e 2000, a participação brasileira fica estagnada também porque o comércio internacional crescia em ritmo muito maior do que o do PIB mundial: 2,3 vezes. Perdemos esse bonde. Na década seguinte, essa relação cai para perto de 1,5, mas ainda é forte. De 2011 a 2023, o comércio cresce menos do que o PIB mundial: 0,9.

    Tamanho não é o único documento do comércio. Nesse período de liberalização e expansão comercial, houve deslocamento de produção para a Ásia e desenvolvimento maior das tais “cadeias globais de valor”. Isto é, fazer um produto depende da importação de insumos, partes, peças e serviços de vários lugares do mundo. No Brasil, um exemplo raro disso é o da Embraer, de início também desenvolvida por investimento em formação e ciência.

    E daí? Perdemos o bonde do aumento do comércio em um período regido por regras multilaterais. Perdemos o bonde da integração nas tais “cadeias de valor” por sermos uma economia fechada; não investimos o bastante em pesquisa (gastamos em subsídios).

    Hipóteses de industrialização ou fomento de atividades de produtividade mais alta não foram aproveitadas, um dos fatores da “reprimarização” da pauta de exportações e da baixa da indústria no PIB.

    Vamos para um mundo sob risco de guerra, de nacionalismo econômico, de política econômica internacional orientada por motivos de segurança. Perdemos oportunidades, mas isso é custo afundado.

    O que fazer, além das fantasias, como participar da coalizão para desbancar o dólar ou de abrir sem mais a economia, ou de ideias lunáticas como largar nossa produção de commodities? O que vamos ser agora que precisamos crescer?

  2. A BANDALHA DAS VOTAÇÕES REMOTAS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O prazo da licença que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tirou para conspirar contra os interesses do País nos Estados Unidos e tentar livrar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, de uma provável e merecida condenação já acabou. O parlamentar, que teme a possibilidade de ser preso se pisar em território nacional, não pretende voltar ao Brasil tão cedo. Logo, a perda do mandato por faltas é mera questão de tempo. Mas essa punição, paradoxalmente, pode levar meses para se concretizar.

    A julgar pela quantidade de sessões virtuais que a Câmara realizou neste ano, Eduardo Bolsonaro conseguiria se manter no cargo até o fim do primeiro semestre de 2026, segundo a Coluna do Estadão, sem ultrapassar o limite de 30% de ausências injustificadas. Das 64 sessões deliberativas que ocorreram na Câmara, 42% delas foram semipresenciais, nas quais qualquer deputado, onde quer que ele esteja, pode marcar presença e votar por meio de um aplicativo. Se essa média se mantiver, ele conseguirá driblar a regra neste ano, e a contagem será novamente zerada no início de 2026.

    A funcionalidade das votações remotas foi criada no início da pandemia de covid-19, em março de 2020, quando aglomerações em locais fechados eram desaconselhadas pelo alto risco de contaminação pelo coronavírus. A rapidez com que o sistema foi posto em prática garantiu o funcionamento do Legislativo em um momento crítico para o País e o mundo, protegeu a vida dos parlamentares e proporcionou a aprovação de medidas relevantes, entre elas o Auxílio Emergencial.

    Com o fim da emergência sanitária, as votações semipresenciais, lamentavelmente, passaram a ser vistas como algo normal, deturpando a natureza do Legislativo. O plenário, afinal, é um espaço para discussões, muitas vezes acaloradas, sobre temas e políticas públicas que afetam toda a população. Deliberações a distância favorecem conchavos que ocorrem longe das câmeras e que dificilmente prosperariam em plenário. Não raro, quando confrontados, parlamentares dizem não saber o teor de matérias nas quais se posicionaram e atribuem o voto à orientação de suas lideranças partidárias.

    O pretexto para as sessões virtuais, atualmente, é permitir que os parlamentares estejam mais próximos de suas bases e, consequentemente, mais ausentes em Brasília. Nada mais distante da verdade. As votações semipresenciais conferem ao presidente da Câmara um poder desmedido para definir a pauta e manejar o quórum, virtual ou presencial, conforme a necessidade, como provou Arthur Lira (PP-AL) quando esteve à frente do cargo. E, por causa delas, é possível que Eduardo Bolsonaro se torne, em breve, o primeiro deputado que atua em regime exclusivamente remoto, não apenas fora de Brasília, mas do País.

    A ideia, por si só, já seria um absurdo, mas nem se pode dizer que seja algo surpreendente. Afinal, o deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), preso desde março de 2024 sob a acusação de ter mandado matar a vereadora Marielle Franco, só teve o mandato cassado pela Mesa Diretora por excesso de faltas mais de um ano após sua detenção. Brazão certamente deve muito à cumplicidade de seus colegas, mas também ao advento das sessões remotas, que, em seu caso, fizeram a Câmara atingir o estado da arte do corporativismo.

    Às anunciadas faltas de Eduardo Bolsonaro, somam-se os efeitos deletérios de sua atuação nos Estados Unidos, sobretudo para os exportadores paulistas, muitos dos quais deram votos para o candidato e para seu pai na eleição de 2022. Enquanto ele se mantiver no cargo, Eduardo conservará o salário e todas as prerrogativas da função, como verba de gabinete e auxílio-moradia.

    A Câmara jamais deveria compactuar com esse acinte, mas conhecendo o espírito de corpo dos deputados, cabe ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encerrar essa patifaria. Para isso, basta que ele acabe, de maneira definitiva, com as sessões remotas, bandalha mantida a despeito do fim da pandemia e que já não favorece mais ninguém a não ser um deputado cuja atuação e residência estão a léguas de distância do interesse público.

  3. Bom dia.
    Hoje teve transmissão ao vivo da CPI do mato seco na Câmara de Vereadores de Gaspar, mas com uma NOVIDADE:
    RETIRARAM O ÍCONE DE COMENTÁRIOS da página oficial do Facebook.

    Quem será o AUTOR da IDEIA e PQ?
    Além de estarmos sendo ACHACADOS com metragens IRREGULARES por quase uma década,
    agora estamos sendo impossibilitados de COMENTAR as FALCATRUAS?

    Será pq os nossos questionamentos contrariam a condução das “investigações “, deixando expostos os que deverão ser “inocentados”?

    Se o funcionário IMEXIVEL pegou um hábeas corpus preventivo, e não apresentou a sua versão sobre as acusações que recaem sobre a sua cabeça,
    a impressão que temos é que a CPI do mato seco é só um copia e cola da CPI do DESCONHEÇO..

    O ex-faz-tudo do guverno krebis e hoje vereador, Roni Muller, está gostando muito dessa CPI.
    Semana passada uma testemunha afirmou que o autor da DENÚNCIA das IRREGULARIDADES nas metragens das ROÇADAS havia sido ele, Roni 👀😱

    1. Incompreensível como um candidato que jurou ser e dar transparência, consegue fazer provas contra ele mesmo, ao negar a participação popular. O que mostra isto? Que não tem mais controle das queixas por falta de resultados depois de sete meses no poder de plantão. Estão procurando fiscais do passado. Mas, os do presente, em outros setores, estão na mesma toada.

  4. MAGNISTIKY NOS OUTROS É REFRESCO, por Conrado Hübner Mendes, no jornal Folha de S. Paulo

    “Mineiro só é solidário no câncer.” A máxima brejeira era atribuída a Nelson Rodrigues, que dizia ser de Otto Lara Resende, que desmentia.

    O silêncio de Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça diante da revogação dos vistos americanos dos outros oito ministros do STF parece mostrar que ministro do STF é solidário nem no câncer, é colegial nem no colapso institucional. Pelo menos o carioca, o piauiense e o paulista. A medida abusiva do governo americano veio com requinte pré-moderno: a punição pelo suposto pecado foi aplicada não só à pessoa do pecador, mas também a familiares.

    No tribunal do cada um por si, a coesão momentânea só emergiu quando o míssil golpista e, depois soubemos, o plano de assassinato, mirava o STF. Não pareceu solidariedade nem colegialidade em nome da instituição, mas união casuística por autoproteção.

    Ministros do STF têm agora uma nova chance de questionar e falsear essas hipóteses baseadas em fatos reais. De mostrar que ali existe algum princípio forte o suficiente para levá-los a exercer o desapego individual, alguma consideração institucional. De surpreender observadores que ali só enxergam malícia e ilusionismo debaixo do linguajar jurídico e do cenho franzido.

    A nova chance veio com a punição da “Lei Magnitsky” aplicada a Alexandre de Moraes. A sanção se propõe a induzir “morte financeira” em indivíduos considerados inimigos do governo americano. Moraes teria cometido “sérios abusos de direitos humanos”, segundo o secretário Marco Rubio. Para o secretário Scott Bessent, teria promovido uma “campanha opressiva de censura”.

    Eduardo Bolsonaro, emissário da Câmara dos Deputados, que se recusa a cassá-lo por ausência ao trabalho, vem lutando por essas sanções ao Brasil: “Ninguém quer um país próspero economicamente ao custo do sofrimento de pessoas inocentes”. Que o bolsonarismo negocia o empobrecimento do país e a ruptura democrática em troca do enriquecimento familiar sempre soubemos. A novidade de hoje é a explicitação filosófica de sua malignidade.

    Paulo Figueiredo afirmou ser este “só o começo” e ameaçou Gilmar e Barroso de sanção similar se não se renderem: “Caso contrário, vamos ter que queimar a floresta inteira para pegar o bandido”.

    Patriotas contra a pátria não são só idiotas ou cínicos. Cometem crimes, produzem prova pública de seus crimes e tentam manter vivo o plano de 8 de Janeiro por outras vias.

    Cabe ao STF, como instituição acima de ministros, reagir não só performativamente. Deve agir juridicamente e ordenar a empresas americanas que atuam em solo brasileiro o cumprimento da lei nacional. Mastercard, Visa, Meta, Microsoft, PayPal etc. não podem recusar seu serviço a Alexandre de Moraes dentro do país sob pena de sanção.

    Aos que sugeriram a Lula “grandeza” de pegar no telefone e ligar para Trump faltou não só entender como funcionam telefonemas entre presidentes. O não telefonar tem nada a ver com ideologia ou vaidade, autorrespeito ou orgulho próprio, mas com estratégia pragmática de negociação com um bully que não está interessado em conversa racional.

    Enquanto isso, que Moraes faça bom uso do Pix. E que o Pix, essa façanha da engenhosidade financeira nacional, torne nossos cartões de crédito disfuncionais, caros e dispensáveis. O que é um cartão Visa para quem tem Pix? Há coisas que o dinheiro não compra.

  5. EDUARDO BOLSONARO, INIMIGO DO BRASIL, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) transformou-se em inimigo do Brasil. Perdido no labirinto de seus delírios, ele faz de tudo para defender a própria família e não se importa de mandar às favas os interesses nacionais.

    Em seu horizonte desponta um único propósito: livrar o pai da cadeia. Como se sabe, tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) o processo em que Jair Bolsonaro (PL) responde por tentativa de golpe contra as instituições democráticas, entre outros crimes.

    Eduardo não demonstra pudores nesse mister. Tal qual um bufão aos pés de trono estrangeiro, adula o presidente Donald Trump e, alheio aos abusos cometidos contra sua própria pátria, comemorou o tarifaço de 50% que o americano prometeu impor ao Brasil se o Supremo não arquivasse o julgamento de Bolsonaro.

    Após tal chantagem, que revela ignorância quanto à separação de Poderes que fundamenta as democracias modernas, o republicano decretou taxação de 50% sobre apenas parte das exportações brasileiras nesta quarta (30).

    Um tarifaço pleno ameaçaria bem mais a economia do Brasil, já que 9.500 empresas enviam produtos para os Estados Unidos e 30 setores direcionam para lá pelo menos um quarto de suas exportações —as quais, no ano passado, montaram a US$ 20,3 bilhões.

    São Paulo, estado que Eduardo deveria representar se honrasse seu mandato, sofreria de forma especial. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) estimou impacto que poderia variar de 0,3% a 2,7% do PIB, com 44 mil a 120 mil empregos a menos.

    Tarcísio, que a princípio hesitou diante da inaceitável chantagem de Trump, passou a procurar maneiras de atenuar os prejuízos. Outros governadores, como Ratinho Junior (PSD), do Paraná, também adotaram iniciativas nesse sentido —e, por óbvio, não fizeram mais que a obrigação.

    E o que fez Eduardo? Disparou críticas contra eles, como se tentar proteger a população brasileira constituísse um defeito, não uma qualidade. Logo se vê que o deputado fugitivo inverteu a escala de valores e não consegue mais distinguir o certo do errado.

    Nesse mundo de ilusões, ele considerou apropriado, por exemplo, misturar bravata com retórica miliciana para dizer que Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, podem sofrer sanções americanas se não agirem em prol de Jair Bolsonaro.

    Para piorar, disse que atuará contra a comitiva de senadores que foi aos EUA com a missão de conter a taxação de produtos brasileiros. “Eu trabalho para que eles não encontrem diálogo”, afirmou em entrevista ao SBT News.

    De todo modo, a sombra do tarifaço já afetou diversos setores. Uma crise tão complexa nunca tem um único culpado, mas ninguém está mais associado a ela do que Eduardo Bolsonaro —cuja estratégia delirante, como se evidencia a cada dia, mais atrapalha do que ajuda seu pai.

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