Ato um. A CPI do Capim Seco visa, a princípio, apurar à extraordinária multiplicação irreal de áreas roçadas, ou limpas em Gaspar, principalmente pela curitibana Ecossystem, e depois, pela contida e ressabiada Sanitary. A Ecossystem supostamente cobrou, por anos afio, milhares de reais daquilo que ela não se fez para Gaspar e os gasparenses. Mas, tinha gente no governo passado e que conhece bem a cidade e os locais roçados ou limpos que fechou o olho. Pior. Toda a papelada passou por gente que tinha no dever funcional – efetivos e comissionados – de fiscaliza-la.
Agora, parem e pasmem: a CPI do Capim Seco – com estes designados fiscais pela própria prefeitura, em depoimento juram não saber sequer fazer uma simples conta de somar – começou a dar tiros nos próprios pés do governo de Paulo Norberto Koerich, um policial calejado em investigações, e Rodrigo Boeing Althoff, um engenheiro que passou por várias provas de cálculos – e complexos – para se graduar, ambos do PL. No comando do erro, a líder do governo e relatora da CPI, outra policial, Alyne Karla Serafim Nicolettti, também do PL. Impressionante.
Ato dois. “A esperteza quando é demais”, dizia o ex-primeiro ministro do Brasil, Tancredo de Almeida Neves, “come o dono”. Bingo! A CPI do Capim Seco, sem meias palavras, e se desculpando pelo chulo, está gozando com o pau dos outros. Tudo o que se ouviu nela até agora, está sendo usado a partir do que a polícia já apurou e estava na investigação feita pela Delegacia Especializada em Anticorrupção, de Blumenau.
Este inquérito, já concluído no âmbito policial, devia, na verdade, era estar no Ministério Público e na Justiça, ouvindo implicados, testemunhas, analisando e agregando documentos ao processo, julgando e sentenciando. Mas, não. Está travado para o espetáculo da CPI.
E por quê a CPI do Capim Seco, sem poder de polícia – e ela própria já esclareceu à cidade sobre isso -, precisa criar esta cortina de fumaça? É que o governo de Paulo, Rodrigo, PL, União Brasil e bolsonaristas radicais devido à inércia, falta de transparência e incapacidade deles, ainda não conseguiram entregar à cidade, resultados diferenciais nestes sete meses de governo.
Resumindo: prometeram e não só estão devendo, mas sinalizando, ao mesmo tempo que não possuem capacidade realizadora a curto e médio prazo. É só ver o caso caótico do Hospital e da Saúde Pública. E apostando na sorte grande, o governo e parte da CPI – pois a maioria trabalha para que nada vá adiante – acham que poderão descobrir fatos novos nesta CPI. E naquilo que já está malhado para ser punido, ou colocado, mais uma vez, para debaixo do tapete. É esperança, ou ingenuidade, ou esperteza demais.
Ato três. Este caso da roçada apareceu na Câmara de vereadores pelo ex-funcionário de carreira da secretaria de Obras e Serviços Urbanos, o ex-vereador Amauri Bornhausen, PDT, foto de abertura do artigo, mas oriundo do PP, e dissidente na Bancada do Amém (MDB, PP, PSD, PDT e PSDB), a que deu maioria incondicional e cega na Câmara no governo passado. Ela tapou o sol com a peneira contra a cidade, cidadãos e cidadãs, como se revelou na eleição de outubro do ano passado.
Então é bom recordar. Foi o falecido vereador Amauri quem começou a pedir os documentos das roçadas, pois conhecia este assunto nas entranhas como poucos. Com esta atitude, Amauri deixou o antigo governo furioso e temeroso. E não teve dúvidas: apertou Amauri na perseguição, agravando ainda mais a sua doença (era cardíaco crônico e diabético).
Qual o problema causado por Amauri aos poderosos da barrosa? Ele na secretaria de Obras e Serviços Urbanos, com acessos a documentos e os contatos, também sabia ler e somar. Conhecia o rolo de cor e salteado. E não concordava. Amauri era um dos fiscais e se negava a assinar os documentos. E silenciosamente se arma a vingança, ampla, geral e irrestrita.
Amauri morreu. Alexsandro Burnier, PL, apoderou-se da pauta. Mas, nunca concluiu nada com a documentação incompleta que recebeu da prefeitura depois de longa espera. A Polícia, que foi municiada por Amauri, por outro lado, silenciosamente, avançou. Agora, Alexsandro se tornou o pai dessa criança. E Amauri? Se a família não se cuidar, Amauri vai ser o único culpado da metragem aumentada. É que Amauri não pode mais ser ouvido, falar ou se defender. E o ex-governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Marcelo de Souza Brick, PP e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, mesmo implicados até o nariz, quer este assunto esquecido e se não for possível, vingança contra Amauri. E a CPI do Capim Seco está pronta para entregar a cabeça dele na bandeja aos políticos do antigo governo. Incrível!
Ato quatro. Paulo e Rodrigo, ao permitirem que Alexsandro se tornasse presidente da Câmara, aceitaram também ficarem em minoria nela. Paulo, Rodrigo, PL, União Brasil – se quiserem virar o jogo que está em terreno pantanoso – dependem dos velhos jogos combinados de trocas do PP – que tem mando no governo de Paulo e Rodrigo -, MDB – mais discreto – e PSD. E se a CPI do Capim Seco for feita corretamente, ela vai avançar sobre quem? O antigo governo, principalmente. E o PP, MDB e PSD – pelos movimentos que já fazem – estão prontos para impedir isso. Ou alguém em Gaspar desconhece que este assunto implica gente que está na coxia que vai desde Jean Alexandre dos Santos, PSD a Jorge Luiz Prucino Pereira, PSDB, passando or Roni Jean Muller, MDB, hoje vereador?
Paulo e Rodrigo dependem em tudo na Câmara feita com maioria do velho governo a CPI do Capim Seco. E por isso, ela vai sendo devidamente ensacada por tudo o que já escrevi e esclareci até aqui,
Ato cinco. Como pode um governo – recheado de investigadores policiais eleitos e tantos outros que o rodeiam -, em minoria na Câmara, requentar uma apuração policial conclusa, só para dizer à cidade que está mexendo em alguma coisa – de tantas outras dúvidas tão ou mais cabeludas – que há e precisam vir à tona? Qual o propósito? Esconder à falta de resultados em sete meses de governo e não tocar nas outras feridas que a Polícia não tocou e nem vai tocar, pelo jeito?
Ato final e que os cidadãos e cidadãs ficaram atônitos na última quinta-feira.
E se este jogo de esconde-esconde fosse pouco no deboche com os com um tico e um teco, como pode um governo que disse que mudaria tudo o que o outro deixou de dúvidas, aceitar que o gerente e o homem relacionamento da “nova” empresa que contratou para a roçada e a limpeza das ruas, praças e outros logradouros públicos, em substituição a Ecossystem e a Sanitary, fosse o mesmo que tocou este assunto cheio de dúvidas por quase dez anos em nossa cidade? Meu Deus!
E um Habeas Corpus dado pela Justiça, a Adão Marafigo de Figueiredo não deixou ele próprio se incriminar, mas principalmente, incriminar ninguém desta trama contra os pesados impostos dos gasparenses. É um arquivo vivo e agora, calado. E depois sou eu quem exagero.
Então. Estão apurando o que mesmo, se tendo a oportunidade, não fizeram a mínima lição de casa, quando depois de longo tempo e fazendo mutirão de roçadas espetáculo para encobrir inércia administrativa, não olharam para quem iria ser o elo de relação entre a “nova” empresa e a “nova” administração? Muda, Gaspar!
TRAPICHE

Paulo Norberto Koerich, PL, pressionado pela realidade e não apenas à falta de resultados, mas perspectivas que não são boas, aliado às cobranças, avalia trocar ou diminuir o peso dos alguns de seus conselheiros próximos. Por outro lado, está se aproximando, com ajuda de terceiros, de quem ele se afastou porque tentaram lhe influenciar na composição do governo e não conseguiram. Esta transição, se mal feita, vai ser tão danosa quanto o erro que cometeu nas primeiras erráticas escolhas.
Pergunta da semana: o que mesmo vai ser feito daquele terreno, na foto ao lado, tomado pelo mato, que o ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, comprou quase à vista para salvar o caixa da Furb e da prefeitura de Blumenau por R$14 milhões para ser um Centro Cívico?
Estrada Boa Rural I. Como o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, como revelou – e está gravado – o próprio Paulo na entrevista a Paulo Flores e Joel Reinert na 89 FM – não possui projetos. Então, neste final de semana, o secretário de Infraestrutura e Mobilidade do Estado, o deputado estadual de Ibirama, Jerry Comper, MDB, anunciou, descompromissadamente, verbas – não disse quanto em Reais, extensão em quilômetros e contrapartidas municipais para quem jura não ter dinheiro nos cofres – do Programa Estrada Boa Rural. É para pavimentar a ligação parte do Gasparinho ao Gaspar Mirim.
Estrada Boa Rural II. Primeiro e bem claro: ofertas de recursos do governo do estado não devem ser desprezadas. Mas, perguntar, não ofende: pode o secretário de estado indicar a obra com o dinheiro que diz que vai liberar? É esta a prioridade rural para Gaspar? Nem eu mesmo sei, diante de tanta falta de transparência, liderança e desprezo há anos, pelo planejamento na nossa cidade na área de infraestrutura. É certo que a cidade está avançando para aquele lado do município (Santa Terezinha, Gaspar Mirim, Macucos, Bateias e Gaspar Mirim).
Estrada Rural III. A boa vontade – pois as eleições do ano que vem se aproximam – do secretário Jerry Comper, MDB, com Gaspar, não pode ser confundida com prioridades. Por que? É de se reconhecer que a Rota das Águas e Lazer, no Distrito do Belchior, está com um gargalo daqueles na mobilidade para quem apostou e investiu lá. E se isto fosse pouco, como diz a propaganda de Jorginho Melo, PL, Estrada Boa Rural é para escoamento e mobilidade intermunicipal ou facilitar escoamentos. E neste aspecto, a ligação via o Gaspar Grande, Garuba e Blumenau, se torna também uma prioridade. Muda, Gaspar!
O Conselho Tutelar de Gaspar continua com problemas de preenchimento das cinco vagas dos titulares. Não seria o caso de fazer uma eleição intermediária para resolver este problema, inclusive, com uma lista de suplência mais consistente?
Mijando para traz. O governador Jorginho Melo, PL, pela primeira vez e só após intensos desgastes, deu sinais de que o sobrenome Bolsonaro pode ser mais tóxico do que benéfico para a sua campanha à reeleição a governador – ele até tentou se inserir entre os presidenciáveis da direita e desistiu. A imposição da família Bolsonaro pelo vereador carioca Carlos PL como candidato a senador por Santa Catarina, disfarçadamente, já não é mais uma questão fechada por Jorginho, segundo se noticiou neste final de semana na imprensa brasileira, tirando com isso, uma vaga de alguém identificado com o estado.
Por outro lado, Jorginho Melo, PL, governador de um estado essencialmente exportador, vem mantendo um silêncio público que incomoda os bolsonaristas radicais e que não importam com a degradação da economia e desemprego de pessoas na chantagem do outro filho de Jair Messias Bolsonaro, PL, Eduardo. O deputado licenciado por São Paulo se auto exilou nos Estados Unidos. E de de lá, passou a hostilizar bolsonaristas que não concordem com ele. Eduardo estimula o clima de guerra e tarifas contra os produtos brasileiros. O objetivo disso? Chantagear o STF para não punir Jair e assim deixá-lo elegível no ano que vem. E se der, anistiar os implicados no barraco de oito de janeiro em Brasília.
Transparência. Já se passaram mais de três semanas e nada de prestação de contas da Expo Gaspar. Outra. Neste final de semana, aconteceu a Festa do Colono em Itajaí. A Expofeira deles. Parte do pessoal daqui esteve lá, menos, é claro, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo, Nelson Mário Küstner. Talvez, os daqui que foram lá tenham perguntado e notado que lá se cobrou R$2,5mil pelo espaço disputado na exposição do gado. Aqui, R$10 mil e sobrou espaço…Então…
A diferença para o mesmo assunto e legislação. E está no Instragam. Polícia Militar de Indaial, cumprindo a legislação, notificou mais de 200 motociclistas e motoristas por excesso de barulho e buzinaço na procissão de São Cristóvão. Já em Gaspar… Nada. Nas redes sociais, a deputada Federal Júlia Zanata, PL, armou o barraco, para punir o policial de Indaial. Ela alegou suposta perseguição da Polícia Militar as festas religiosas. Credo.
11 comentários em “TIC TAC. A MEDIDA QUE A CPI DO CAPIM SECO AVANÇA PARA ESPETÁCULO DOS VEREADORES NAS REDES SOCIAIS NAQUILO QUE A POLÍCIA ESPECIALIZADA DE BLUMENAU JÁ TINHA BEM APURADO, O GOVERNO DE PAULO E RODRIGO DÃO TIROS NOS PRÓPRIOS PÉS COM AJUDA DO FOGO AMIGO”
Os lobos estão, finalmente, tirando as suas vestes de cordeiro. Ainda bem. As da esquerda do atraso já se foram há muito. Uma mentira pode durar muito, mas não por tempo eterno.
QUEM SÃO OS RADICAIS? por Vera Magalhães, no jornal O Globo
A contagem regressiva da chantagem do governo Donald Trump contra o Brasil, combinada com as ameaças cada vez mais coléricas de Eduardo Bolsonaro e seus acólitos a um número cada vez maior de autoridades brasileiras, representa a chance mais efetiva que Lula teve até aqui de recompor os canais de diálogo com setores que integraram a chamada frente ampla em 2022, e até com franjas da direita simpáticas ao bolsonarismo.
Na sua febre de relevância, o filho Zero Três de Jair Bolsonaro está se sentindo onipotente. Diz que fará o máximo para evitar que senadores — vários deles simpatizantes do seu campo político — obtenham êxito em tentar negociar que o tarifaço não atinja o Brasil. Acredita que possa regatear mudança de votos de ministros do Supremo negociando com a Casa Branca quais deles devem ser alvo de sanções por parte dos Estados Unidos. Não se vexa em estender as ameaças que fazia ao Supremo também ao Congresso, do qual faz parte. E acha que é chefe dos governadores bolsonaristas.
Nada nesse surto autoritário — que sabe-se lá de quem ele herdou, não é mesmo? — ajuda o pai, que também não consegue parar quieto em casa e fica apelando a repetições tristes de seus eventos do passado, como as fatídicas motociatas.
É pueril imaginar que os votos de ministros como Luís Roberto Barroso ou Gilmar Mendes (que nem integram a Primeira Turma do Supremo, diga-se) seriam condicionados a uma “mãozinha” do deputado expatriado para que não fossem atingidos pela tal Lei Magnitsky. Também é ingênua a crença arraigada de que Trump vai com Jair até o fim.
Basta que a pressão da sociedade e do empresariado americanos cresça, a inflação dispare, a escassez de produtos comece para que a brincadeira de tarifaço seja revista ou mitigada. Não sem antes causar imensos prejuízos concretos aos países envolvidos. No caso do Brasil, esses prejuízos recairão fortemente sobre setores que até ontem torciam sem disfarces pela volta de um nome de direita com a bênção de Bolsonaro ao poder.
Se Lula mantiver o manejo firme, técnico, desapaixonado e altivo dessa crise — pela qual nem na tentativa mais fanática ele pode ser responsabilizado —, tem sua melhor chance de superar a maré braba na popularidade e o descolamento de setores do eleitorado e dos agentes econômicos que vinha enfrentando. Muito mais consistente que aquele discurso de sucesso incerto do “nós contra eles”.
Agora, o governo tem instrumentos, inclusive uma nova flexibilização das amarras fiscais, que já está sendo negociada, para colocar de pé um plano de contingência para mitigar os prejuízos do consórcio BolsoTrump que pode reaproximá-lo de segmentos com os quais estava com canal de comunicação obstruído havia anos, como o agronegócio.
Mais: a chantagem explícita ao Brasil, coadunada com esse discurso escancarado por parte dos filhos do ex-presidente — e pelo próprio Jair— de que só importa livrar o pai da prisão, e mais nada, tira de Lula a pecha de radical que vinha sendo levantada por aqueles que, por exemplo, tentavam evitar qualquer discussão de redistribuição tributária.
Quer dizer que é radical defender que quem ganhe mais pague mais impostos, mas é aceitável defender que um país inteiro sucumba a uma ameaça à sua própria soberania, e que custará empregos, crescimento e lucro para amplos segmentos do setor produtivo?
As pesquisas já mostram que, a não ser nas bolhas mais fanatizadas, Bolsonaro perdeu apoio ao rasgar a fantasia patriótica e deixar claro que seu verdadeiro lema é “eu acima de tudo, os meus acima de todos”.
Se não ceder à tentação — sempre existente, dado o seu perfil — de enveredar pela bravata trocada, Lula tem chance de se mostrar, como em 2022, um antídoto contra um radical que, depois de mergulhar o país num pesadelo sanitário numa pandemia e tentar um golpe de Estado, agora quer subjugar as instituições soberanas e democráticas para se salvar da cadeia. Não é pouca coisa.
Só para lembrar: o mais que sesquicentenário (4.01.1875) jornal O Estado de S. Paulo é rotulado como liberal conservador. Se ele se expressa assim…
EDUARDO BOLSONARO TEM QUE SER CASSADO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Diante das barbaridades protagonizadas pelo então deputado federal Jair Bolsonaro, este jornal pediu a sua cassação em janeiro de 2000, classificando-o pelo que ele era – um dejeto da democracia, alguém desqualificado que se servia das mesmas liberdades democráticas que sempre desejou eliminar. Passados pouco mais de 25 anos, é preciso dizer o mesmo sobre seu filho Eduardo Bolsonaro. Por atuar deliberada e sistematicamente para prejudicar o Brasil, em nome dos interesses particulares de sua família, Eduardo Bolsonaro precisa ter cassado seu mandato de deputado federal. Trata-se da única reação cabível por parte de uma democracia digna do nome.
Eduardo já fez de tudo, mas não há afronta à democracia que não possa ser superada por outra maior. Não lhe pareceu suficiente, por exemplo, regozijar-se do lobby que fez junto ao governo dos EUA como forma de pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a desistir dos processos contra seu pai, tornando-se responsável, em grande medida, pelo tarifaço convertido em chantagem explícita do presidente americano, Donald Trump, contra o Brasil e a favor de Jair Bolsonaro. Também não lhe bastou arvorar-se em negociador diplomático e pedir sanções contra autoridades brasileiras, entre as quais os presidentes da Câmara e do Senado, o ministro do STF Alexandre de Moraes e o presidente Lula da Silva. Era preciso, como fez o pai durante as décadas que passou no Congresso, enxovalhar a instituição parlamentar que ele mesmo integra: nesta semana, o deputado admitiu na caradura que está sabotando o esforço da comitiva de senadores brasileiros que viajou aos EUA para tentar abrir algum canal de diálogo com o Congresso e o governo americanos a fim de evitar as tarifas impostas por Trump.
Dias antes, reclamou dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do Paraná, Ratinho Junior (PSD), por se pronunciarem sobre o tarifaço sem mencionar o que realmente importa para os Bolsonaros – a liberdade de Jair Bolsonaro. Ainda acusou Tarcísio de tê-lo desrespeitado por dialogar com empresários paulistas e com o encarregado de negócios dos EUA no Brasil, Gabriel Escobar, para discutir a crise. Segundo a cartilha bolsonarista, qualquer ação que se afaste da defesa direta da impunidade para o ex-presidente e outros golpistas equivale a uma declaração de guerra.
A lista de suas imposturas também envolveu uma live nas redes sociais, na qual o irascível “Zero Três” não só manteve o diapasão alto nos ataques ao STF como recorreu a uma intimidação de fazer corar vítimas de gângsteres, milicianos e contraventores do gênero. Ao mencionar a Polícia Federal e citar o delegado responsável pelos principais inquéritos contra Bolsonaro, subiu alguns graus do “jus sperniandi” de quem se enxerga um injustiçado para fazer ameaça explícita: “Vai lá, cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não”, avisou. “Se eu ficar sabendo quem é você, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor (que investigou Bolsonaro em diversos inquéritos) se ele conhece a gente”. Um assombro.
Com o prazo expirado da licença que o deputado tirou para sabotar o Brasil em solo americano, e sem planos imediatos de retornar ao País, esperava-se que ele renunciasse ao mandato que os paulistas infelizmente lhe deram. Nos últimos dias, difundiu-se na imprensa a possibilidade de a Câmara adotar o mesmo artifício usado no caso do deputado Chiquinho Brazão, réu pelo assassinato da vereadora carioca Marielle Franco: deixar que as faltas às sessões cumprissem a função da perda do mandato. Será um erro gravíssimo. A fim de cuidar da própria imagem, não bastará ao Legislativo federal recorrer a essa solução. Afinal, Eduardo Bolsonaro passou dos limites e merece não a inércia corporativista da Casa, mas uma punição dura, real e imediata.
Há 25 anos, quando poupou o então deputado Jair Bolsonaro, a Câmara escolheu desmoralizar-se. Que não repita esse erro agora com Eduardo Bolsonaro
Esse governo é réplica do anterior….
Vice, completamente isolado.
Vereadores, mais uma bancada do Amém e recebendo (quando recebem) a conta gotas.
Secretários, nas poucas reuniões, não falam por medo.
Presidente do partido, querendo largar o barco, afinal o usaram pra chegar no governo estadual.
O problema não é orçamento, o problema é o chefe e não é um, é dois.
Pedro é manda chuva e inteligente, Paulo é linha dura e não volta atras nas poucas decisões.
Vou começar a ser mais assíduo no blog…
Uma palhinha….. Kleber vai ao PSD, a desculpa (ou a mentira da vez) é falar que Ciro Quintino não deu espaço pra ele.
Muito obrigado e Boa noite.
Pois é
Se você não é leitor deste espaço, você está repetindo o que sempre escrevi
E se você não é leitor daqui e está repetindo o que escrevo há meses aqui, é porque estou de alma lavada, mais uma vez.
Eu apenas olho a maré. E a maré é a cidade. Todos em Gaspar, sabem que o que eu escrevo e você repete é a realidade
E se é a realidade, qual a razão dos políticos teimosos não ouvirem a cidade, da mesma forma que ouviram para vencer as eleições com 52,98% dos votos válidos? Muda, Gaspar. Mas, quando isso vai acontecer mesmo e de verdade?
NINGUÉM TIRA O PÉ, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
A semana começa como começara a anterior, submetido o Brasil a um grau de imprevisibilidade alto até para os nossos padrões de instabilidade. Nosso padrão de instabilidade: o de um País cuja suprema corte – um juiz sozinho – declara a constitucionalidade do uso de imposto regulatório para fins de arrecadação. Nunca é fácil se planejar aqui. Nunca foi tão difícil. Ninguém tira o pé.
A semana começa acossada pela perspectiva de os EUA aplicarem a Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e bancada. Sanção que equivale a um banimento. Donald Trump não tira o pé. Ninguém tira. Os Bolsonaro não tiram, exclusivamente interessados em salvar o mito da cadeia – a agenda que sequestrou a direita. Ninguém tira o pé.
A semana passada acabaria com Xandão, dublê de tributarista, investindo contra a própria natureza da representação democrática, determinada a prisão de um deputado – que armara barraca e mantinha a boca tapada por um esparadrapo – caso insistisse em permanecer acampado defronte ao STF. Um parlamentar só pode ser preso em flagrante de crime inafiançável. Não é o caso de “resistência ou desobediência ao ato de autoridade pública”.
Não é? Cria-se. Ninguém tira o pé.
O custo da insegurança jurídica entre nós será sempre muito mais elevado do que aquele, qualquer que seja, a derivar do tarifaço. Não se avista horizonte, donde a impossibilidade racional de dar passos. Não no Brasil. Ainda que incerto o chão e, pois, temerária a progressão, aqui nos lançamos à correria dos voluntariosos. Sempre termina em briga de rua.
Está tudo muito acelerado. Todos, acelerados. Ninguém pondera; isso significando também restringir os atos de coragem aos limites legais do poder. Todos se espalham. Temos muitos valentes. Em termos de ação institucional, considerados os marcos da República, valentes não raro serão os irresponsáveis. Temos muitos heróis salvadores. Faltam os salvos.
Não será exagero denunciar a escassez de agentes políticos – homens públicos com poder decisório – preocupados com o brasileiro ferrado, o que deveria ser a prioridade. Aqui, uma certeza: o brasileiro ferrado pagará a conta. Trump não se preocupa com ele. Quem se preocupa?
O horizonte que interessa à turma e em função do qual Brasília se organiza é o eleitoral; o dos impactos das sanções sobre o voto. O oportunista Lula se animou. Avalia ter encontrado, ao preço do tecido social, um texto dentro do qual desenvolver – incluindo o império ianque – o “eles contra nós”.
Não há horizonte. Nem negociação. Haverá o primeiro de agosto, a próxima sexta-feira, dia a partir do qual – tudo o mais constante – pagaremos a conta na forma de quebra na produção, desemprego e inflação. Essa fatura hoje é carga no lombo dos Bolsonaro, facção cuja atividade consiste em conservar-proteger a lucrativa empresa familiar. Essa fatura ainda será de Lula, o incumbente. Não há horizonte. Ninguém tira o pé. Pode não dar pé.
PRESSIONADO PELOS EUA, LULA TAMBÉM ENFRENTA O FOGO AMIGO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colhe os frutos da armadura nacionalista que envergou quando Donald Trump escolheu o Brasil como alvo de sua mais recente agressão externa.
Irracional do ponto de vista econômico, as sobretaxas de 50% sobre importações brasileiras, que entram em vigor a partir de 1º de agosto, são justificadas pelo republicano a partir da política.
Se é evidente o desgosto com o antiamericanismo pueril do governo Lula e os interesses contrariados das big techs, o selo do tarifaço tem nome: Jair Bolsonaro (PL). Trump conectou sua ação com o discurso de que o ex-presidente é um perseguido por ser julgado pela trama golpista.
O presente retórico para o petista não poderia ser maior, ainda que esteja claro o risco do impacto de longo prazo das medidas sobre a economia.
Ademais, vêm da banda ideológica do lulismo novos lembretes acerca de problemas para a busca pela reeleição em 2026.
Na sexta (25), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) completou uma invasão coordenada a sedes do Incra, órgão responsável por gerenciar a reforma agrária, que mobilizou 17 mil pessoas ao longo da semana.
As imagens reprisavam um filme em cartaz desde os anos 1990, quando o campo vivia em outra era geológica em termos de estrutura produtiva. Gente de vermelho invadindo prédio público é um prato cheio para a propaganda da direita nas redes sociais.
Algo similar havia acontecido quando o governo lançou o “nós contra eles” na crise com o Congresso acerca do IOF e um grupo de sem-teto invadiu um prédio do banco Itaú em São Paulo.
Ali, o sinal amarelo acendeu. O ato apoiado por Guilherme Boulos (PSOL-SP) custou ao deputado federal um cargo no Planalto —outra situação na qual a radicalidade do político lhe tolhe pretensões, como em duas eleições para prefeito na capital paulista.
Com os sem-terra, Lula buscou conter danos, chamando lideranças para conversar. No entanto o sinal de descontrole das franjas de sua base é evidente.
Algo também visto na relação com a antiga aliada Venezuela. Desde que vetou a entrada do país no Brics, em 2024, Lula passou a ser tratado como adversário pela ditadura de Nicolás Maduro.
O azedume se intensificou na sexta, quando venezuelanos imitaram Trump e taxaram importações do Brasil, rompendo tratado de 2014. Confrontado, o país diz ter voltado atrás e deu como desculpa um problema técnico. Mas só foram reforçadas as dificuldades de Lula mesmo na esquerda.
Penso que este veículo de comunicação existe para denegrir a imagem de quem está fazendo o certo pela cidade.
Conheço você Herculano a muitos anos atrás, e fostes sempre assim, nunca constrói nada, só destrói.
Carregas contigo além da ignorância, extrema arrogância e pouca inteligência, também o ódio contra a nossa Gaspar.
Este governo que ai está, veio para governar e cuidar da cidade para todos, independente de sigla partidária, isso está muito claro nesses 7 meses de governo.
Tente Herculano mostrar alguma coisa de bom que você fez pela nossa cidade.
Nada , você só critica e suga o que temos de bom.
Lamentável !!!
Respeito e não vou desqualificá-lo, até porque lhe conheço bem, e há anos.
Como você é um dos mentores do atual governo, está na hora também de mostrar o que realmente o “novo” governo para mim e a cidade está mudando e revertendo
Entre eles, o buraco sem fim do Hospital de Gaspar, o péssimo atendimento do povo mais vulnerável na área de saúde pública, a desorganização no setor de Obras e Serviços Urbanos (tanto que depois de muito tempo e provas trocou de titular), à falta de transpaqrência em todos os ambientes, à falta de planejamento devido a um Plano Diretor defasado (não só pela lei há mais de dez anos, mas pela realidade das prioridades regionais e da cidade) ou à falta de saneamento público onde se comemora a abertura de valas de esgotos.
Tudo varejinho, cortina de fumaças e tão igual aquilo que já foi condenado por ampla maioria dos gasparenses no ano passado nas urnas. As entrevistas do próprio amigo seu e prefeito, não deixaram nenhuma dúvida. Perdeu oportunidades de ouro. Escute-as. Aliás, a comunicação do governo é outro ponto lastimável. Não se sabe se é por falta de produto para mostrar ou por falta de foco e competência.
Basta olhar a sua observação feita no lugar da área especializada para este esclarecimento e queixa. Desperdiçou tempo e espaço. Deveria me atacar com realizações, não estas óbvias, atrasadas, da simples manutenção da cidade. Passaram-se sete meses, sem contar a malfadada transição. Daqui a pouco, faltará discurso e resultados para a campanha de 2026. Eu não critico. Eu cobro resultados e coerência. São coisas bem diferentes
Por fim, dois pontos. O primeiro deles: eu não entendo como você pode estar preocupado com este espaço – que não é um veículo de comunicação – sem sustentação econômica de quem quer seja, se você mesmo, sempre julgou este espaço não ser lido e não ter influência na cidade; não seria o caso de ignorar? E outro ponto: e mesmo assim, sempre estive e estarei aberto ao diálogo pelo bem da comunidade e não de pessoas e poderosos, que vivem ao redor do poder de plantão para salvar ou criar de interesses muito particulares para si e os seus. Obrigado pela leitura e um bom dia.
A ILUSÃO DO AGRO, por Diogo Schelp, no jornal O Estado de S. Paulo
O sentimento antipetista predominante entre empresários do campo é perfeitamente compreensível. Os tempos das frequentes invasões de propriedades por movimentos sem-terra, apoiados pelo PT, estão vivos na memória de produtores rurais e alimentam a sensação de insegurança que muitos sentem até hoje.
As primeiras gestões petistas também ficaram no imaginário de agricultores e pecuaristas como o ápice da “indústria da multa”. Cada um deles tem pelo menos uma história para contar sobre algum excesso cometido pelos órgãos fiscalizadores ambientais.
A retórica petista sempre endossou essas percepções, ao tratar o pessoal do agro em geral como latifundiário, improdutivo, desmatador e reacionário. Não é preciso ir muito longe no tempo. Em 2022, na qualidade de candidato, e em 2023, já como presidente, Lula usou a palavra “fascista” para se referir a integrantes do agronegócio.
À parte o cacoete ideológico e da militância radical, contudo, Lula e o PT não rasgam dinheiro. Eles sabem que o agro é a locomotiva da economia brasileira, responsável pela entrada de divisas e pela geração de empregos. Por isso, nunca faltaram estímulos ao setor nos governos petistas.
O ex-presidente Jair Bolsonaro sempre foi hábil em capitalizar para si o sentimento antipetista, mas nunca fez nada de muito extraordinário em favor do agro. O número de invasões de terra, por exemplo, já havia caído para menos de 15 no último ano do governo de Michel Temer – e manteve-se nesse patamar ao longo do mandato de Bolsonaro. O total de crédito rural concedido no Brasil em 2023, por sua vez, superou em mais de 13% o montante que foi disponibilizado para os produtores em qualquer ano durante a gestão Bolsonaro.
Também houve grande fanfarra em relação às multas ambientais, além de toda a conversa sobre “passar a boiada”, mas as verdadeiras dores dos ruralistas nunca foram efetivamente enfrentadas. Quem se beneficiou, mesmo, foram os poucos que andavam fora da linha, como os madeireiros ilegais. Afinal, a esmagadora maioria dos produtores rurais respeita as leis ambientais. No ano passado, por exemplo, todo o desmatamento ilegal registrado no País ocorreu em apenas 1% das propriedades.
A ideia de que Bolsonaro é o campeão do agro é uma ilusão. Agora que sua família está em campanha para que os exportadores brasileiros sejam punidos com sanções americanas, fica claro que os interesses dos homens e das mulheres do campo nunca estiveram no centro das suas preocupações.
PRECISAMOS DE UM OBSERVATÓRIO NACIONAL DE SUPERSALÁRIOS, por Bruno Carazza, no jornal Valor Econômico
Neste país dos privilégios, cansa repisar o mesmo tópico semana a semana, mas, diante da relutância dos políticos de incluírem a temática dos supersalários nas discussões da reforma administrativa, peço licença ao leitor para voltar com o meu samba de uma nota só.
Os dados mais atualizados do Conselho Nacional de Justiça revelam que 18.269 juízes e desembargadores brasileiros receberam em média R$ 77.874,56 por mês em 2025, já descontados os impostos e as contribuições previdenciárias. Para os aposentados, o valor é um pouco mais baixo – R$ 63.613,56 líquidos por mês.
Projetando a média de pagamentos para o ano inteiro, só no Poder Judiciário a despesa acima do teto representará R$ 8,4 bilhões em 2025 – mas esse valor certamente será maior, pois a grande farra dos pagamentos extras se dá nos últimos meses do ano, consumindo as sobras orçamentárias.
No Ministério Público, cujo Conselho Nacional reluta em publicar os contracheques de todos os membros de forma consolidada, é de se esperar que a média seja equivalente, dada a paridade entre as carreiras de promotores e procuradores com a magistratura. Assim, numa regra de três simples com os contingentes das carreiras (são 13.600 membros do MP), teríamos um gasto extrateto de R$ 6,4 bilhões.
De janeiro a julho deste ano, a União transferiu R$ 2,8 bilhões para o conselho que administra os honorários dos advogados públicos. A se manter a média de pagamentos, até dezembro serão R$ 4,8 bilhões – dinheiro que, mais dia menos dia, engordará as contas bancárias de menos de 12 mil advogados públicos (que já recebem em média mais de R$ 30 mil mensais).
Vamos contar então: R$ 8,4 bilhões dos juízes, R$ 6,4 bilhões no Ministério Público e R$ 4,8 bilhões dos advogados públicos federais. São R$ 19,6 bilhões apropriados por uma casta de pouco mais de 40 mil doutas excelências – por ano!
Isso equivale a um decreto do aumento do IOF (previsão de R$ 20 bilhões por ano), que onerará milhões de empresas e cidadãos que tomam empréstimo. Ou a mais de três vezes o valor desviado das contas de milhões de velhinhos na fraude do INSS (R$ 6,3 bilhões em cinco anos, segundo as investigações).
Mas isso é apenas o que temos mapeado. Diante da conveniente e conivente inoperância dos órgãos de controle federal, estadual e municipal (incluídas aí as controladorias gerais, os tribunais de contas e os ministérios públicos) em dar um panorama geral sobre a remuneração de servidores no Brasil, passa de hora de algum órgão da imprensa ou entidade da sociedade civil – de preferência um convênio entre eles – se habilitar a fazer um Observatório Nacional dos Supersalários.
As lacunas a serem preenchidas são inúmeras.
Além da caixa-preta dos ministérios públicos, desde janeiro, por exemplo, o Portal da Transparência do governo federal não publica quanto os servidores que atuam no exterior recebem em dólares – uma bolada que beneficia, sobretudo, diplomatas e militares. Há também pouquíssima transparência sobre a remuneração das estatais, dado o entendimento (a meu ver equivocado) de que seu regime jurídico privado as preserva do alcance das exigências de transparência e dos limites remuneratórios próprios do direito administrativo.
O Senado não publica a remuneração individualizada de seus servidores, desrespeitando há anos a Lei de Acesso à Informação. Tampouco o Tribunal de Contas da União tem um painel de dados abertos que permita baixar em bloco a remuneração de seus integrantes.
Nos âmbitos estadual e municipal, então, o cenário é ainda pior. Levantamento feito pelo Sindifisco, o sindicato dos auditores da Receita Federal, mostra que seus colegas nos Estados têm remuneração bruta que chega a R$ 79.216,36 (Pará) e R$ 102.809,90 (Amazonas). Sem ampla transparência, não se pode identificar quanto desses valores é pago acima do teto.
Também paira grande dúvida sobre as formas de cálculo e os valores efetivamente pagos em honorários para advogados públicos e procuradores estaduais e municipais. E navegamos no escuro em relação às folhas de pagamento das Assembleias estaduais, Câmaras municipais e tribunais de contas país adentro.
Somente com um amplo painel detalhado de todas as remunerações do setor público, em todos os níveis e Poderes, teremos condições de barrar as constantes tentativas de captura do orçamento público por essas carreiras poderosas.
É inacreditável como a pauta dos supersalários não é apropriada por nenhum partido político brasileiro. A indignação contra os pagamentos astronômicos para certas categorias dos três Poderes tem a capacidade de unir eleitores de esquerda – pelo lado da desigualdade – e de direita – pela dimensão dos gastos públicos. No entanto, ninguém se habilita a enfrentar os poderosos “membros de Poder” e as “carreiras típicas de Estado”.
Da minha parte, prometo aos leitores que darei um tempo na temática dos supersalários. Existem muitas outras fontes de privilégios no Brasil, e minha intenção agora é explorar os benefícios indevidos do mundo empresarial.
BRASIL PODE TIRAR PROVEITO DE CRISE COM TRUMP, editorial do jornal O Globo
Autoridades brasileiras na busca por soluções para a crise com os Estados Unidos devem lembrar que podem existir vantagens para o país se Donald Trump der início a negociações com ênfase em questões comerciais. Confirmado esse cenário, o fato de os americanos serem superavitários nas trocas com o Brasil não deve ser usado para encerrar a questão. O governo Lula precisa aproveitar a oportunidade para promover a abertura da economia brasileira, uma das mais fechadas do mundo. O ganho imediato será encerrar a celeuma com Trump. Mas é essencial lembrar que ceder, neste caso, não significa perder. Pelo contrário. Ao facilitar a entrada de produtos importados, o Brasil poderá destravar o potencial de crescimento.
Os brasileiros conhecem como poucos as consequências nefastas do protecionismo. Há décadas, a economia cresce num ritmo medíocre. Na corrida global, o país não para de ser ultrapassado. Como revelou o jornal Valor Econômico, o Brasil ocupava em 1980 o 48º lugar no ranking do Produto Interno Bruto (PIB) per capita calculado levando em conta o poder de compra. No ano passado, ficou na 85ª posição. Pelas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), chegará à 89ª até 2030. A cada ano que passa, está mais próximo da metade mais pobre do planeta.
Uma das explicações para a lentidão na produção de riqueza é a baixa competição de importados no mercado doméstico. Sem muita concorrência, as empresas locais têm muito incentivo para vender produtos caros e pouco estímulo para inovar. Num ambiente complacente, a busca pela produtividade acaba desincentivada. Por isso ela cresce a passos lentos, muito abaixo das principais economias. Em 1980, eram necessários dois brasileiros para produzir o mesmo que um americano. Hoje é preciso juntar um grupo de quatro. A situação só piora.
“Existem evidências abundantes de que uma maior integração comercial teria efeitos positivos sobre a produtividade e contribuiria para a redução dos preços ao consumidor”, diz Fernando Veloso, diretor de pesquisa do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) e um dos autores do livro recém-lançado “Integração comercial internacional do Brasil”.
Embora o saldo para a sociedade seja positivo, os que saem perdendo com a abertura precisam de algum apoio para buscar atividades alternativas. Mas tal desafio não deve ser usado como desculpa para manter o Brasil preso numa situação de baixo crescimento perpétuo. Por certo, o desenvolvimento econômico depende de outras dimensões, entre elas a infraestrutura. A consultoria Inter.B estima que para o Brasil modernizar esse setor de forma adequada seria necessário mais que dobrar os investimentos por 20 anos. Avanços em capital humano são igualmente essenciais. Todos esses objetivos devem ser perseguidos ao mesmo tempo.
Se Trump abandonar demandas absurdas, como a ingerência no Judiciário, e concentrar a negociação no comércio poderá estar fazendo um favor ao Brasil. Tudo dependerá dos detalhes finais de um futuro acordo. É verdade que Trump acredita no protecionismo. Mas isso é um problema dos americanos.