Boa tarde. Caro leitor e leitora – se é que existem, pois todos juram que escrevo para mim mesmo. Não vou tratar, como assunto principal, a CPI do Capim Seco. Ela se tornou mais uma necessária cortina de fumaça para desviar a atenção das pessoas de Gaspar para encobrir à falta de mudanças e resultados dos “novos” governantes para a cidade, cidadãos e cidadãs. Igualmente, não vou tratar do requerimento de informações que o vereador Giovano Borges, PDS, fez à prefeitura de Gaspar. Assunto assemelhado tratado por ele está no Ministério Público. Giovano questiona à forma como o governo contratou o empréstimo de um transformador para suportar uma demanda maior de energia elétrica na rica festança privada feita na Arena Multiuso, recentemente. Giovano joga a favor do ex-vice prefeito Marcelo de Souza Brick, PP.
Estes dois assuntos que devem ser manchetes, penso, e prioritários também da grande imprensa gasparense. Tem gente anunciando, vejam só, que os depoimentos confirmam o que a Polícia já apurou. Bingo. E precisava dessa duplicidade? Então, não vou concorrer com a imprensa, até porque, como juram os antigos e os “novos” poderosos de plantão, eu não sou lido por ninguém. Se não sou lido, não também não haveria, suponho, razão para tanta preocupação para me calar, repulsa e perseguição.
Vamos as novidades laterais e que a imprensa daqui e alhures, quando acionada, não explica. Ou os poderosos, usam suas armas para tudo passar batido.
O governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, vem sendo surpreendido, todos os dias, exatamente pela inércia dele em mostrar à cidade, cidadãos e cidadãs as mudanças que prometeu. Aliás, esta cobrança só existe, porque foi com este palanque, que Paulo e Rodrigo venceram de lavada – com 52,98% dos votos válidos – outros quatros candidatos, entre eles, o Marcelo de Souza Brick, PP. Ele se apresentava como a continuidade de dois mandatos seguidos de Kleber Edson Wan Dall, MDB. E Pedro Celso Zuchi, PT, dono de um recorde: três vezes prefeito por aqui.

Também informo, de que encerrei os meus comentários sobre a desastrosa prestação de contas de Paulo dos seus seis primeiros meses de governo. Continuar era entediante naquilo que a cidade inteira já percebia. O próprio atual governo gasparense já está convencido da falta de conteúdo, do erro tático e da ré que levou com estas entrevistas feitas na corrida-reação depois de cobrados pela sociedade nas redes sociais. Mas, ao mesmo tempo, parece que não aprendeu nada com mais esta lição. Continua procurando culpados fora do governo para se justificar no injustificável. Se continuar assim…
O que é fato? É que este bate-cabeça dentro do governo de Paulo e Rodrigo continua. E sem controle. Um governo que perde tempo e dá valor à fofoca, o aconchego de amigos sem competência na ilusão de devolver à cidade os resultados pedidos, necessários, esperados e extraordinários. Prioriza gastar tempo com enrolações e vinganças. Noves fora, afunda-se cada vez mais em contradições e por conta disso, falta-lhe hábeis e tempo para fazer, apresentar, negociar e executar projetos. Resultado? Amplia-se à ansiedade da comunidade por resoluções. A comunidade não quer saber de brigas. Ela quer soluções diferentes às dadas do passado. Os eleitores e eleitoras votaram para virar a página para frente deste livro. Entretanto…
O próprio Paulo disse nestas entrevistas – e uso como referência a que foi dada a Paulo Flores e Joel Reinert, na 89 FM – que se o governo dele não resolver logo a intervenção marota da Hospital de Gaspar, afundam os dois: Hospital e o governo que depois de seis meses ainda não disse a que veio. Bingo. Esta afirmação, forte, diz respeito de que ele está bem consciente. Mas, não está transformando-a em resultados.
HABILIDADE NOS BASTIDORES X AGONIA SECRETA DOS APRENDIZES

Por conta disso e na comparação apenas deste item, já mostrei como a habilidosa prefeita da rica Balneário Camboriú, Juliana Pavan von Borstel, PSD, mesmo não sendo “apadrinhada” e nem do mesmo time político do governo Jorginho Melo, PL – pois se não se cuidar o PSD poderá o adversário que baterá o PL e Jorginho -, resolveu o problema do Hospital de lá, o Ruth Cardoso. Estadualizou ele. Muita negociação, relacionamentos e barganha. Mostrei, igualmente, como seu pai Leonel Arcanjo Pavan, PSD, prefeito da vizinha Camboriú, usando caminhos de relacionamentos em Brasília, diminuiu e pagou as dívidas tributárias do Hospital de lá.
Enquanto isso aqui, o tempo passa, o tempo voa. Tic, tac. E as oportunidades – inclusive de comunicação – se perdem.
E por quê? Orientado não sei por quem, foi o próprio Paulo quem disse à cidade que tudo o que faz para resolver na gravíssima situação do Hospital de Gaspar, além de pedir mais 90 dias, é um “segredo”. E se é “segredo”, também deu a senha e abriu as portas não só para o oportunismo, como também se estabelecer numa sinuca de bico. Ela compromete à sua imagem e liderança neste assunto. Impressionante.
Olha só o que aconteceu esta semana e ganhou as redes sociais, colocando Paulo, Rodrigo e seus bruxos como passageiros de mais um trem da agonia que tem insistido em passar e estacionar no governo deles.
Nada mais, nada menos do que o inventor da intervenção do Hospital de Gaspar – e para justificar a intervenção dizia que precisava apurar quem roubava lá o que se enviava da prefeitura, uma mixaria comparada aos quase R$50 milhões de hoje -: o PT, popôs a estadualização dele. Credo! O PT nunca apontou os supostos ladrões desde que interviu e tinha acessos irrestritos para isso. E naquilo que está no seu DNA, na verdade, foi o intervencionismo estatal em tudo que alimentou esta intervenção no Hospital de Gaspar.

O PT de Zuchi abriu uma porta que nunca deveria ter aberto. E aberta, não a fechou quando perdeu as eleições em 2016. E tudo desandou de vez, quando Kleber Edson Wan Dall, MDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, assumiram. E tudo continuou a piorar ainda mais no segundo mandato com Marcelo.
Explico. Ao sair do governo, no entanto, Zuchi, o PT e sua turma que tomou o Hospital, abriu uma brecha para Kleber não só se estabelecer na intervenção que jurou na campanha eleitoral vencedora dele ser necessária terminar, como foi mais longe: encalacrou o Hospital com dívidas, reclamações, problemas e processos, tudo sob o manto da falta de transparência, trocas sucessivas de administradores, interventores, empresas gestoras e secretários da Saúde. A falta de transparência continua no atual governo.
Como decorrência desse descontrole, apesar dos milhões de Reais injetados lá mensalmente por Kleber, essa dinharama toda não foi capaz de estancar ou mitigar o mau funcionamento de todo o sistema de saúde público da cidade – como mostra à reprodução ao lado o teor das reclamações que inundam as redes sociais locais e que o atual governo não consegue nem mais controlá-las com intimidações -, isto sem falar que, parte desse dinheiro bom, deveria ter ido para outras ações na cidade.
Joga-se com a memória curta das pessoas, eleitores e da imprensa incapaz de ver seus arquivos no próprio Google. O mesmo PT que propõe a estadualização do Hospital de Gaspar em insinuação já feita por Paulo nas entrevistas de prestação de contas dos seis primeiros meses de governo como sendo uma das possibilidades, é o autor de todo este caos no Hospital e saúde pública gasparense. Nem mais, nem menos.
A ESTADUALIZAÇÃO DO HOSPITAL VIROU BANDEIRA DO PT
Entenderam o oportunismo? Entenderam como Paulo e Rodrigo foram engolidos pela inanição de ambos e os seus “conselheiros”, quase todos do governo de Kleber e que tem o domínio de interesses da cidade por décadas? Entenderam como os “novos” governantes estão mal assessorados pelos velhos pitaqueiros de sempre e os metidos donos da cidade por décadas?
Encerrando
Agora, Paulo e Rodrigo estão assim. Se não vier a tal estadualização – ou outra mágica que tire a obrigação do município de despejar fortunas para funcioná-lo com problemas, eles ficam pendurados no pincel. Se a estadualização vier com Jorginho, o PT e o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, presidente municipal do partido, são sócios e partes desta conquista. Que sinuca de bico, hein?
Perguntar, mais uma vez, não ofende: quem são mesmo, os bruxos que cuidam da comunicação, da situação jurídica, do planejamento, do financeira, dos relacionamentos institucionais nos núcleos de decisão política e burocrática em Florianópolis e Brasília, bem como as estratégias do governo de Paulo e Rodrigo? Muda, Gaspar!
TRAPICHE

Depois de décadas pedindo e sendo prometido, finalmente o pessoal morador da Rua Conceição (cerca de 30 moradores), localidade de Pocinho [Poço Grande], na parte mais leste da cidade e que faz divisa com Ilhota, passou a receber água tratada e encanada do Samae de Gaspar. O pessoal de lá, em parte, dependia de água poço e principalmente, da água de Ilhota. Faltava porque o que se produz em Ilhota mal dá para Ilhota. E com um agravante: é salina.
Paulo Norberto Koerich, PL, com o presidente do Samae, Cicero Giovani Amaro, PL, foram lá para receber o afago da comunidade e contrabalançar as críticas que recebem a toda hora nas redes sociais, na tal, porteira aberta, onde passa um boi, passa uma boiada. Com eles, estava a líder do governo, vereadora Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Ela, em campanha, apresentou-se como “madrinha das águas da Rua Conceição”.
Um mal estar danado. Primeiro, este problema e pedido são antigos e coletivo. É só olhar o que está na imprensa de Gaspar e por anos. E a solução, pelo que se apresentou, de uma vereadora e de gente que nem do Samae é. Pelo jeito não foi de um governo. A Associação dos Moradores do Poço Grande, presidida por Thiago Junio, sequer recebeu resposta do Ofício que por mais uma vez reforçou o pedido e à necessidade desta troca de fornecedores de água no Pocinho. Pior. Thiago sequer foi comunicado, ou convidado, para o ato “festivo de ontem”. Impressionante, como sucessivamente, erra-se no básico no atual governo. Ao mesmo tempo o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, desprezam as lideranças que a conheciam muito bem quando pediam votos durante a campanha.

No mesmo dia, Paulo Norberto Koerich, PL, vestido de repórter – sem o menor cacoete – e ainda mais portador da má notícia, anunciou sob penumbra do início da noite, o fechamento pela enésima vez da pinguela que liga o Beco com a Coloninha. É para reparos. Paulo deveria estar ali para anunciar a abertura dela, ou então, no espírito de mudança, a troca da pinguela (ponte pênsil, seria a nominação mais adequada) por uma ponte de verdade, que contribuísse com a melhoria da mobilidade da região. Quem mesmo orienta-o? É uma em cima da outra. Impressionante!
Quer ver como o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, possui um discurso fantasia, não possui controles de seus auxiliares, somadas às práticas bem diferentes contra gasparenses e atividades rurais. A Expo Gaspar saiu por milagres – e não vou me estender neste jogo dos sete erros -, na última hora e improvisos. Um produtor rural gasparense foi contatado e forneceu a silagem (comida do gado). Na hora de cobrar o produto, levou a prefeitura a sua Nota Rural sobre a sua produção. A secretária de Agricultura e Aquicultura, Karine Aline Mateus, sem identificação com Gaspar, não a aceitou. Quer uma nota avulsa, cujos impostos podem chegar a mais 30% dela.
Meu Deus. É um relaxo e deboche. Primeiro, para que serve a Nota Rural se não consegue legalizar o comércio dos produtores rurais de seus próprios produtos? Ela está proibida na prefeitura de Gaspar? Onde está isto regulado diferente do que foi feito e aceito até aqui?
Segundo. Na hora da negociação de fornecimento da silagem, em situação de emergência, ressalte-se, o produtor não foi avisado de que sua Nota Rural não teria valor na burocracia da prefeitura de Gaspar, vejam bem, numa exposição agropecuária, organizada pela secretaria da Agricultura, secretaria criada exatamente, para proteger os pequenos produtores rurais do nosso município. Se tivesse sido avisado, o produtor rural teria feito outra negociação (incluindo os impostos, pois é um custo do produto), ou muito provavelmente, não aceitaria vender o seu produto para passar por todo esse perrengue. Agora, o produtor está sem dinheiro e com dívidas.
O que esperar de uma secretaria que depois de eventos abandona seus equipamentos de anos de conservação ao relento, como já detalhei aqui anteriormente? De que, prefere transformar em lixo e ao apodrecimento a serragem usada para cama de animais durante a exposição, do que distribuir como material inservível ao município – mas utilizável para os produtores rurais para diminuir seus custos de produção a título de incentivo? Muda, Gaspar!
Congestionamento I. O partido Novo de Gaspar, anunciou a empresária Bernadete de Souza, como pré-candidata a deputada Federal. Ela foi vice na chapa liderada por Ednei de Souza, presidente do Partido, derrotada à prefeitura de Gaspar em outubro do ano passado. Isto significa que Ednei estará fora das disputas municipais de 2028, apesar de oficialmente desconversar. “Estou recrutando e fortalecendo lideranças“, justificou ao informar que está empenhado em criar o partido em Ilhota.
Congestionamento I. Quem também se anunciou como pré-candidato, mas a deputado estadual pelo Novo daqui, foi o advogado Ivens Debortolli Duarte. Então…

Boca fechada I. Eu escrevi que quase não escreveria hoje sobre a CPI do Capim Seco. Pinço algo que se esconde da cidade no noticiário que tive acesso até o momento. Adão Marafigo de Figueiredo obteve na Justiça, um Habeas Corpus para ficar calado na CPI nos depoimentos de quinta-feira na Câmara. Ele é o encarregado da atual empresa que presta serviços de roçagem e limpeza para Gaspar no governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, a Kraieski Serviços de Conservação, sediada em São Cristóvão do Sul, na região serrana. Adão é o elo de ligação entre as duas partes: empresa e prefeitura. Nem mais, nem menos.
Boca fechada II. Adão Marafigo de Figueiredo era encarregado da Ecossystem, de Curitiba – a que é a principal alvo das investigações da CPI, que usa o que foi bem apurado pela Polícia Civil de Blumenau, especializada em corrupção. A CPI do Capim Seco – com tantos outros indícios de problemas graves do antigo governo – resolveu gastar tempo, requentar e atrasar os trâmites deste cabuloso assunto no Ministério Público e na Justiça. Mais. Adão, pasmem, é apenas o encarregado, mas pasmem, desde o início em que se instalou por aqui a Ecossystem, bem como a sucessora dela, a Sanitary ao tempo final do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, com Marcelo de Souza Brick, PP.
Boca fechada III. Então, Adão Marafigo de Figueiredo deve ter suas fortes razões para ficar de boca fechada, à base de um Habeas Corpus, na CPI do Capim Seco – pois a Ecossystem, se olhar bem os contratos, veio desde a época do governo de Pedro Celso Zuchi, PT (Lovído Carlos Bertoldi, PT). E como no caso do Hospital, tudo se degringolou no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP.
Boca fechada IV. Outra coincidência. Q quase todos os depoentes, fiscais, parecem ser analfabetos. Houve até um que disse em sua defesa nem somar sabia. Credo! Pode estar aí, a razão pela qual, a cidade se atrasa. Na prefeitura, quando apertados para assumirem suas responsabilidades, funcionários e comissionados, dizem serem funcionalmente analfabetos. Adão tem quase dez anos de experiência desse assunto do trato e relacionamento com as pessoas desse tipo com a nossa barrosa, sabido, colaborou ficando mudo. Analfabeto não é e não quis se humilhar a isso para salvar a sua pele.
Boca fechada IV. O que não se compreende, todavia, é como o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, sabedor, e se não sabia, deveria ter pesquisado, não vetou junto a Kraieski o nome de Adão Marafigo de Figueiredo para continuar coordenador da roçada, se ele estava enrolado com o que se constatou na Ecossystem, nas apurações policiais?

Bocha fechada V . E tanto Paulo Norberto Koerich, PL como a relatora da CPI, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, são policiais e não podem alegar que não sabiam disso sejam pelos autos, sejam pelos que gravitam no seu entorno político-administrativo. Quem mesmo protege e orienta o “novo” governo? Cada vez mais ele fica parecido com o anterior e exatamente naquilo que precisa provar que é diferente. Muda, Gaspar!
Hoje é dia de São Cristóvão e o Dia do Colono. O bairro Gaspar Grande se preparou para o tradicional grande festão do padroeiro dos motoristas. E a prefeitura para não passar vergonha ainda na manutenção precária do município, mandou um batalhão para lá roçar e limpar as ruas do bairro. Já os moradores do Gaspar Grande – e não é de hoje -, reclamam da confusão no trânsito, buzinaço e foguetório, mesmo diante de tantas leis aprovadas na Câmara para colocar sob controle os exageros. Inclusive os que ferem a legislação de trânsito.
Uma cena emblemática. Paulo Norberto Koerich, PL, inspecionando à manutenção da cidade. Nela, por óbvio, ele deveria estar com o seu chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP, agora investido e acumulando a titularidade da secretaria de Obras e Serviços Urbanos. Mas, não. Estava acompanhado do presidente da Fundação Municipal de Esporte e Lazer, Haroldo Medeiros, PL, o Suca, ex-MDB. E Suca com as mãos no bolsos. Sintomático. Muda, Gaspar!
Ufa. Tem muito mais, mas… Um bom final de semana! Semana que vem haverá menos artigos.
16 comentários em “TIC TAC. A INÉRCIA DO GOVERNO DE PAULO E RODRIGO PERMITIU QUE ATÉ O PT – O INVENTOR DA INTERVENÇÃO DO HOSPITAL DE GASPAR – TOMASSE PARA SI, A BANDEIRA DA ESTADUALIZAÇÃO. COLOCOU O JORGINHO, OS BOLSONARISTAS, PREFEITO E O PL SE EXPLICANDO. INCRÍVEL”
PASSOU DA HORA DA CÂMARA CORTAR OS SEUS PRÓPRIOS GASTOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Como presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) tem insistido na necessidade de o governo resolver os problemas fiscais do país por meio do corte de gastos, não do aumento de impostos. É um discurso correto; suas práticas, contudo, passam longe de seguir o mesmo caminho.
Ao contrário: quando se trata de zelar pelas verbas ao seu alcance, Motta parece considerar que os cofres públicos podem ser utilizados sem limites.
Tome-se o caso de seu gabinete, irrigado por R$ 133 mil mensais para a contratação de 5 a 25 pessoas em cargo de assessoria. Pois o que faz o parlamentar para otimizar o uso desse dinheiro? Ao que tudo indica, pouco.
Conforme revelou reportagem da Folha, Motta empregou na Câmara ao menos três funcionárias com rotinas incompatíveis com suas funções no Legislativo.
As três foram contratadas para o cargo de secretário parlamentar, com jornada de 40 horas semanais e proibição de exercer outra função pública. Nenhuma delas cumpre todos esses requisitos, assim como nenhuma delas soube explicar em que consiste o trabalho no gabinete de Motta.
Em outras palavras, são funcionárias fantasmas —e, somadas, elas já consumiram R$ 112 mil somente neste ano, considerando salários, auxílios e gratificações.
O presidente da Casa tentou se explicar, sem muito êxito. Disse que preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações de quem atua em seu gabinete, mas não conseguiu comprovar a afirmação nem citou os casos concretos; em contrapartida, demitiu duas das funcionárias fantasmas.
É pouco para alguém que, sendo o presidente da Câmara mais jovem da história, foi apresentado por aliados como o rosto da renovação no Legislativo. No que diz respeito ao patrimonialismo —uso de recursos públicos como se fossem privados—, Motta reitera os mesmos comportamentos aviltantes de sempre.
Ele simboliza, isto sim, o descaso dos deputados com os impostos pagos no Brasil. Não fosse assim, jamais permitiriam que a Câmara gastasse R$ 1 bilhão por ano com funcionários cuja jornada não é controlada nem fiscalizada —pode-se imaginar quantos fantasmas entram nessa farra.
Tudo isso sem contar os cerca de R$ 50 bilhões destinados às emendas parlamentares, uma despesa de caráter obrigatório que é executada sem monitoramento nem plano estratégico.
Diante de tanto descalabro, não surpreende que, segundo pesquisa Datafolha, quase 60% dos brasileiros tenham vergonha dos atuais congressistas —índice que não difere muito do registrado em relação aos demais Poderes.
O que surpreende é a desfaçatez do Congresso ao aprovar projeto de lei para aumentar o número de deputados. Como se vê com o exemplo do esquema de Motta, o Legislativo precisa cortar cargos e enxugar gastos, não ampliá-los. Daí que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acertou ao vetar a iniciativa.
DESCONTROLE DO ALÉM, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a qualidade dos dados do Sistema Nacional de Informações de Registro Civil (Sirc) revelou um escândalo grotesco: entre 2016 e 2025, o governo federal gastou R$ 4,4 bilhões com o pagamento de benefícios e salários a pessoas mortas. O mais alarmante é que esse descalabro está em curso. Segundo o TCU, R$ 28,5 milhões continuam sendo pagos mensalmente em nome de beneficiários que já não estão vivos. Ou seja, o Estado brasileiro gasta com os mortos enquanto nega dignidade a milhões de vivos. Não há imagem mais cruel da inépcia da máquina pública.
O relatório da Corte de Contas escancara a precariedade de um controle administrativo dos mais básicos no País. No período analisado, aproximadamente 275 mil pessoas mortas “receberam”, por assim dizer, os valores correspondentes a benefícios sociais, como o Bolsa Família, previdenciários e trabalhistas. Entre os mortos, há até funcionários públicos que continuam na folha de pagamento da União. Das duas, uma: ou tamanho descontrole é deliberado, vale dizer, uma fraude para desviar recursos públicos, ou se trata de incúria pura e simplesmente. Seja qual for o caso, está-se diante de um profundo desrespeito com os contribuintes.
Toda essa caríssima bagunça expõe um problema que insiste em aferrar o Brasil ao atraso: a ausência de sistemas confiáveis de verificação de elegibilidade de benefícios e o colapso da articulação entre bases de dados federais, estaduais e municipais. Mais do que um problema técnico, é uma falência política. Como é possível que, em plena era da informação, o Estado brasileiro não consiga saber nem sequer quem está vivo ou morto?
É evidente que, à luz do período analisado, a responsabilidade por essa falha inadmissível não recai apenas sobre um governo. É uma sucessão de mandatos que, por inépcia, desleixo ou cumplicidade, mantiveram operante um sistema que permite desvios grosseiros como os revelados pelo TCU, malgrado silenciosos. Enquanto ainda se gasta bilhões de reais com mortos, o País segue convivendo com a vergonhosa deficiência na oferta de saneamento básico, a precariedade da saúde pública e a crônica deficiência da educação básica. O Orçamento da União, que deveria ser um instrumento de democracia social por excelência, acaba capturado por uma estrutura disfuncional, clientelista e, em muitos aspectos, irresponsável.
Em uma república que se pretende democrática, a transparência e a eficiência no gasto dos recursos públicos não são virtudes, mas deveres. A saúde fiscal do Estado exige escolhas inteligentes e republicanas na definição de prioridades, mas também impõe o desenvolvimento de mecanismos eficazes de controle e correção de desvios. Sem isso, não há planejamento que pare de pé, condenando milhões de brasileiros a uma vida indigna em pleno século 21.
Em números absolutos, a bem da verdade, nem se trata de tanto dinheiro. Mas o que o TCU encontrou decerto é só uma ínfima parte da miríade de dutos por onde escoam outros bilhões de reais à toa, no melhor cenário, ou para enriquecer ilicitamente gente hábil em explorar as deficiências administrativas de um Estado mastodôntico, no pior.
O PAÍS DOS INCAPAZES? por Fernando Schüler, na edição de 26/07/2025) da revista Veja
“Cheguei às 23h e dormi na calçada”, diz a moça, resignada. A fila era na frente de um sindicato na área de logística, em uma dessas zonas duras de São Paulo. Gente com cadeiras de praia, outros sem nada, encostados por ali, pedindo para ir ao banheiro em alguma loja nos arredores. O motivo? Escrever uma cartinha dizendo que não quer pagar ao sindicato. A “contribuição assistencial”, cuja lógica foi extinta na reforma trabalhista, mas ressurgiu das cinzas, dois anos atrás. Não sei se pelo país de Getúlio ou pela retórica malandra da “importância dos sindicatos”. Ou as duas coisas. A reforma votada pelo Congresso extinguiu; nosso STF foi lá e reinventou. Na prática, recriou um imposto sindical disfarçado. Em vez de o sindicato ter que obter a autorização do trabalhador, virou o contrário. É o trabalhador que tem que dizer que não quer pagar. E daí aquela fila, a complicação. O truque de ganhar no cansaço daquelas pessoas, que, apesar de tudo, não parecem dispostas a desistir.
A lógica é banal. A ideia de que o trabalhador não tem, lá no fundo, capacidade para decidir por conta própria se quer ou não contribuir para seu sindicato. E por isso precisam do Estado dando um empurrão. O caso me ficou na cabeça. A síntese quase perfeita do problema brasileiro. A indiferença retórica dos “de cima”, em Brasília; a fila na madrugada dos “de baixo”, em algum canto de São Paulo. Na essência, nossa velha e recorrente ideia da hipossuficiência dos cidadãos. Com um toque de ativismo judicial. O Supremo que vai lá e muda o que o Congresso decidiu na reforma. Isso e nosso vezo patrimonialista: a mão amiga do Estado protegendo a corporação sindical. Nos livros, lemos que isso vem do Estado Novo. Mas é só prestar atenção para ver que está mais vivo do que nunca. Está no debate infinito sobre a “pejotização”, porque não temos maturidade para definir contratos de trabalho; no “voto obrigatório”, porque não sabemos se devemos ou não votar; no “fundão eleitoral”, já que somos incapazes de decidir se doamos ou não para partidos e candidatos.
Ainda agora se discute, pela enésima vez, a liberação dos cassinos. Desde 1946, dizem que por obra de Dona Santinha, mulher do presidente Dutra, somos proibidos de jogar em um cassino, dada nossa ancestral incapacidade de manter o controle. Nesse caso, com uma ponta de cinismo, visto que apostamos em bets, o tempo inteiro, e no bicho, a cada esquina do Rio. Mas no mundo paralelo de Brasília a religião da hipossuficiência segue intacta. Vale o mesmo para o FGTS. Ainda agora vivemos a experiência curiosíssima de o governo autorizar que você utilize seu dinheiro, trancado pelo próprio governo em uma conta na Caixa, como garantia para que você tome um empréstimo nos bancos a um juro médio de 3,75% ao mês. A pergunta óbvia: por que não permitir simplesmente que as pessoas usem os 10% ou mais de seu fundo? Perguntei isso a um burocrata do governo. Resposta: “Iriam torrar o dinheiro”. Essa gente irresponsável, incapaz de usar, vejam só, seu próprio dinheiro. Na reforma da Previdência foi parecido. Surgiu a ideia de permitir a capitalização. As pessoas poderiam optar pelo sistema comandado pelo governo ou por uma conta individualizada em um fundo gerido no mercado. Nem pensar. O brasileiro seria cognitivamente incapaz de fazer essa escolha.
É o mesmo princípio que sempre impediu que se tivesse uma política de voucher educação. Se as famílias com maior renda podem escolher a escola dos filhos, no mercado, por que não tratamos de dar o mesmíssimo direito aos mais pobres? Por que obrigamos que matriculem os filhos nas escolas do governo, que, na média, terminam sistematicamente nas últimas posições do Pisa? Isso não é sequer um estado do bem-estar social. É basicamente uma condenação. Uma privação compulsória de futuro, que atinge as famílias mais pobres. Argumento? O mesmo de sempre. As pessoas não saberiam escolher, o “mercado” tomaria conta e coisas do tipo. O curioso é nos esquecermos do ProUni. Esse milagre brasileiro que rompeu com a teoria da hipossuficiência. E funciona perfeitamente bem, silenciosamente.
Nos últimos anos, foi no tema das liberdades individuais, e em especial da liberdade de expressão, que o truque da hipossuficiência mais funcionou. O ministro Lewandowski disse que sofremos de “desordem informacional”. Diante do excesso de informação, na era digital, nós, “eleitores ordinários”, seríamos incapazes de discernir entre o falso e o verdadeiro, escutar ideias de todos os lados e formar sua própria maneira de pensar. O foco, na época, era censurar um vídeo sobre a corrupção dos governos de Lula. Mas a tese é genérica. A ministra Cármen Lúcia achou por bem censurar um documentário sobre a facada em Bolsonaro e a censura passou a correr solta no país. Ainda agora, a AGU processou uma produtora de vídeos por “distorcer” informações sobre um episódio histórico, o julgamento de Maria da Penha. A mesma lógica da condenação de Léo Lins. Quem seríamos nós, brasileiros ordinários, para decidir por conta própria ir ou não a um show humorístico? Todo o debate sobre a liberdade de expressão, lá no fundo, repousa nesta dúvida bastante simples: somos capazes, afinal de contas, de pensar com a própria cabeça?
O argumento da hipossuficiência é uma espécie de ideologia nacional. E no geral é um truque. Ele não serve aos mais pobres e vulneráveis. Serve a quem concede. E, ao conceder, controla, dita as regras do jogo, impõe aos demais sua visão de mundo e um modo de viver. Ou vejamos: forçar as pessoas a pagar aos sindicatos é bom para o trabalhador ou para a burocracia sindical? Capturar 8% do salário e remunerar abaixo do mercado é bom para os assalariados ou para o governo, que administra o FGTS? Obrigar os pais a matricularem os filhos na escola do governo é bom para as crianças ou para as corporações da educação estatal? E praticar a censura, de documentários, piadas ou opiniões políticas, é bom para a sociedade ou para quem controla o aparelho de Estado, os tribunais, e não se envergonha de usar o poder para impor aos demais sua visão de mundo? Daria para ir longe nisso. Não vou. A cultura da hipossuficiência é produto de um país profundamente desigual. Foi a imagem que aquela fila gigante, à frente daquele sindicato, nos deu de bandeja. “É uma humilhação”, disse uma mulher negra, ainda jovem, numa indignação calma. Disse e sentou naquela calçada, onde passou a madrugada fria. Ela não fazia ideia de que foi a decisão fácil de uma Suprema Corte, numa tarde qualquer de Brasília, que fez com que ela tivesse que passar por aquilo. No fundo é isso que surpreende. A resignação que vem da assimetria. A ausência de poder, na base da sociedade. O desprestígio ancestral de nossa ideia de cidadania.
TARIFAÇO PEDE MENOS BRAVATA E MAIS NEGOCIAÇÃO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
Os próprios parlamentares têm oferecido motivos de sobra para a desmoralização do Legislativo brasileiro. O mais recente é a omissão — ou conivência — de suas lideranças diante da situação de Eduardo Bolsonaro. Deputado federal por São Paulo, Eduardo está fora do país desde 18 de março, nos Estados Unidos. Desde então, deixou de cumprir suas funções parlamentares e, pior, tem atuado ativamente contra os interesses nacionais. Em um Legislativo sério, comprometido com seus ritos e deveres institucionais, Eduardo já teria perdido o mandato.
Segundo o próprio, ele se mudou para os Estados Unidos para se dedicar em tempo integral a convencer o governo Donald Trump a apoiar a absurda anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, no Brasil, e a pressionar por sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Para isso, pediu uma licença de 120 dias, que expirou no domingo, 20 de julho. Ele afirma que não renunciará ao cargo. De acordo com o artigo 240 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, está sujeito à perda de mandato por ausência injustificada ao exercício das funções parlamentares após o fim da licença.
Mas Eduardo também deveria estar sujeito à cassação por quebra de decoro, conforme o artigo 9º do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados e do artigo 55, inciso II, da Constituição Federal. Em mais de uma ocasião, declarou ter sido responsável pelo tarifaço de 50% imposto ao Brasil pelo governo Trump. No episódio mais recente, atacou a comitiva de senadores brasileiros que será enviada aos Estados Unidos para negociar com autoridades americanas em defesa do setor produtivo. Trata-se de um comportamento que beira o crime de lesa-pátria: Eduardo está colocando os interesses de sua família e de um governo estrangeiro acima dos interesses do país que jurou representar.
A possibilidade, articulada por seus aliados, de que ele assuma um cargo de secretário em algum estado ou município é igualmente escandalosa. Nesse cenário, Eduardo se licenciaria novamente do mandato, fingiria ocupar o cargo de secretário — enquanto segue nos Estados Unidos — e retornaria ao cargo de deputado quando bem entendesse. É um escárnio com a função pública e com o eleitorado que ele tanto afirma representar.
O silêncio da Câmara dos Deputados, que nem sequer pautou o tema, apenas reforça a percepção de que regras e princípios fundamentais da vida democrática são ignorados quando dizem respeito aos seus próprios integrantes. O Legislativo brasileiro já enfrenta níveis alarmantemente baixos de confiança pública. Se continuar nesse caminho, corre o risco de comprometer de forma irreversível sua legitimidade para tomar decisões em nome do país.
É URGENTE CASSAR O MANDATO DE EDUARDO BOLSONARO, por Beatriz Rey, doutora em ciência política e pesquisadora associada à Fundação POPVOX, nos Estados Unidos, para o jornal O Globo
Os próprios parlamentares têm oferecido motivos de sobra para a desmoralização do Legislativo brasileiro. O mais recente é a omissão — ou conivência — de suas lideranças diante da situação de Eduardo Bolsonaro. Deputado federal por São Paulo, Eduardo está fora do país desde 18 de março, nos Estados Unidos. Desde então, deixou de cumprir suas funções parlamentares e, pior, tem atuado ativamente contra os interesses nacionais. Em um Legislativo sério, comprometido com seus ritos e deveres institucionais, Eduardo já teria perdido o mandato.
Segundo o próprio, ele se mudou para os Estados Unidos para se dedicar em tempo integral a convencer o governo Donald Trump a apoiar a absurda anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, no Brasil, e a pressionar por sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Para isso, pediu uma licença de 120 dias, que expirou no domingo, 20 de julho. Ele afirma que não renunciará ao cargo. De acordo com o artigo 240 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, está sujeito à perda de mandato por ausência injustificada ao exercício das funções parlamentares após o fim da licença.
Mas Eduardo também deveria estar sujeito à cassação por quebra de decoro, conforme o artigo 9º do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados e do artigo 55, inciso II, da Constituição Federal. Em mais de uma ocasião, declarou ter sido responsável pelo tarifaço de 50% imposto ao Brasil pelo governo Trump. No episódio mais recente, atacou a comitiva de senadores brasileiros que será enviada aos Estados Unidos para negociar com autoridades americanas em defesa do setor produtivo. Trata-se de um comportamento que beira o crime de lesa-pátria: Eduardo está colocando os interesses de sua família e de um governo estrangeiro acima dos interesses do país que jurou representar.
A possibilidade, articulada por seus aliados, de que ele assuma um cargo de secretário em algum estado ou município é igualmente escandalosa. Nesse cenário, Eduardo se licenciaria novamente do mandato, fingiria ocupar o cargo de secretário — enquanto segue nos Estados Unidos — e retornaria ao cargo de deputado quando bem entendesse. É um escárnio com a função pública e com o eleitorado que ele tanto afirma representar.
O silêncio da Câmara dos Deputados, que nem sequer pautou o tema, apenas reforça a percepção de que regras e princípios fundamentais da vida democrática são ignorados quando dizem respeito aos seus próprios integrantes. O Legislativo brasileiro já enfrenta níveis alarmantemente baixos de confiança pública. Se continuar nesse caminho, corre o risco de comprometer de forma irreversível sua legitimidade para tomar decisões em nome do país.
UMA DECISÃO KAFKIANA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes tinha o dever de ser claro ao impor medidas cautelares a Jair Bolsonaro, sobretudo no que concerne à presença do ex-presidente nas redes sociais. No Estado de Direito, ao réu é dado saber precisamente o teor das acusações que pesam contra si e, ademais, como deve se comportar. Mas Moraes foi vago e confuso, o que decerto levou Bolsonaro a se sentir autorizado a conceder entrevista após um ato político havido na Câmara, no dia 21 passado, ocasião em que se deixou filmar e fotografar usando tornozeleira eletrônica – registros que, por óbvio, foram parar nas redes sociais.
Ato contínuo, o ministro intimou os advogados de Bolsonaro, na noite daquele mesmo dia, a prestar esclarecimentos sobre o comportamento do réu, sob ameaça de o ex-presidente ser preso preventivamente. Prudentes, os defensores de Bolsonaro não só prestaram as explicações exigidas, como pediram que Moraes fosse mais explícito acerca do alcance da proibição de uso das redes sociais pelo ex-presidente. Afinal, Bolsonaro não controla tudo o que sai publicado em seu nome.
Em sua resposta, divulgada anteontem, Moraes conseguiu a proeza de soar ainda mais atabalhoado e, desse modo, aumentar a insegurança jurídica que deveria ter sanado. Se a decisão original que impôs as restrições a Bolsonaro já não era um primor de redação, em que pese ter sido correta no mérito, a nova decisão do ministro é uma aberração na forma e no conteúdo.
Moraes considerou que, ao protagonizar o ato no Congresso, Bolsonaro cometeu uma “irregularidade isolada”. Mas, a despeito de ter reconhecido a violação da medida cautelar – e juridicamente não importa se ela foi “isolada” –, o ministro descartou a prisão preventiva do ex-presidente, o que pode ser interpretado como uma decisão política. Na decisão, o ministro esclareceu que “em momento algum” proibiu o réu de conceder entrevistas ou discursar em eventos públicos ou privados, desde que respeitado o horário de recolhimento domiciliar, outra medida cautelar à qual Bolsonaro está submetido. Pudera. Ao que consta, as liberdades de imprensa e de expressão são garantias constitucionais em vigor no País.
Contudo, Moraes enfatizou que não admitirá a “instrumentalização de entrevistas ou discursos públicos como ‘material pré-fabricado’ para posterior postagem nas redes sociais de terceiros previamente coordenados”. O que isso significa, só o próprio ministro é capaz de dizer. Ao que parece, essa foi a fórmula mágica que Moraes encontrou para garantir formalmente a Bolsonaro seu direito de se expressar – e, à imprensa profissional, seu dever de informar a sociedade – enquanto, na prática, censura previamente a palavra do ex-presidente por meio de uma decisão tão obscura que os padrões de obediência decerto só existem na sua cabeça, e não na letra da lei.
Não se pode condenar quem veja nessa obscuridade uma tentativa de Moraes de manter Bolsonaro sob um controle abusivo. Com a espada da ameaça de prisão preventiva sobre sua cabeça, Bolsonaro decerto não emitirá palavra. E jornalistas deixarão de obter informações de interesse público. A lei será o que Sua Excelência achar que é. Evidentemente, não é assim que se exerce a judicatura num Estado Democrático de Direito digno do nome.
É certo que Bolsonaro é suspeito de ter cometido gravíssimos crimes contra a ordem constitucional democrática e, por isso, é réu em ação penal que tramita no STF. Mas justamente pela gravidade dos fatos e pelo ineditismo do processo, a Corte – e Moraes em particular – deve ser e parecer ainda mais imparcial, técnica, clara e contida em seus atos. O papel de um ministro do STF, deveria ser ocioso dizer, é o de zelar pela Constituição, protegendo direitos e garantias fundamentais dos cidadãos e servindo de baliza para a estabilidade institucional do País.
Uma decisão judicial escrita de forma tão truncada, que precisa ser explicada várias vezes por quem a exarou, demonstra que pode ter sido fruto de qualquer coisa, menos da boa técnica e da temperança.
TRUMP, SEGUNDO UM CIENTISTA, por Demétrio Magnoli, no jornal Folha de S. Paulo
“A meta do governo Trump é destruir e, no fim, substituir a elite nos EUA.” O diagnóstico emanou de um bioquímico, não de um sociólogo ou historiador: Thomas Sudhof, de Stanford, Nobel de Medicina em 2013. A frase, precisa, surgiu como resposta a uma pergunta sobre os ataques da Casa Branca às universidades, em entrevista a Der Spiegel.
Sudhof avalia que, no horizonte mais extenso, o resultado do conflito dependerá da sobrevivência do Estado de Direito nos EUA. “Se o império da lei for permanentemente afetado, a ciência será profundamente enfraquecida a longo prazo.”
Tais conclusões representam quase um consenso na elite acadêmica. Originais, porém, são as duas pistas que ele oferece sobre as raízes político-culturais do retorno de Trump ao poder. Suspeito que suas hipóteses estendam-se para além dos EUA, iluminando também a potência da extrema direita na Europa e na América Latina.
A primeira: os equívocos dos governos na reação à pandemia de Covid propiciaram a escalada da desconfiança na ciência. Os cientistas têm culpa nesse cartório –e Sudhof inclui-se no time. “Alguns cientistas caíram numa espécie de pânico. O medo da morte de milhões conduziu a medidas nem sempre bem fundamentadas, do ponto de vista científico. Eis porque as camadas sociais vulneráveis, que sofreram mais, tornaram-se crescentemente céticas.”
A radical restrição das liberdades públicas nutriu os ressentimentos contra as autoridades e as elites em geral. Trancadas em casa, as pessoas sucumbiram às redes sociais, ou seja, aos discursos conspiratórios, anticiência, do extremismo político. Os partidos democráticos emergiram mais fracos dos dois anos de trauma mundial.
A segunda: a difusão das políticas identitárias produziu uma implacável reação social. “Os democratas promoveram a DEI [‘diversidade, equidade e inclusão’] nas universidades. Aparentemente, não era evidente para eles a dimensão da rejeição a esses programas na população em geral.”
Os sinais aparecem à luz do dia. Trump perde popularidade quando viola direitos civis, persegue ferozmente imigrantes ou engaja-se em guerras tarifárias, mas ganha pontos ao cortar e ao penalizar as universidades que simbolizam os programas de DEI. O ritual de responsabilizar “brancos” ou “ricos” não funciona: a reação espraia-se igualmente entre latinos e negros.
A Universidade Columbia acaba de humilhar-se perante a Casa Branca, firmando uma rendição judicial. A capitulação abrange a renúncia a admissões e contratações em bases raciais, ao lado de medidas abjetas como o fornecimento de informações sobre estudantes estrangeiros à agência de imigração. Eliminando os critérios de raça, a instituição faz o certo, mas apenas sob a pressão de Trump, o que equivale a uma confissão de delinquência ideológica.
Sudhof concorda em “distribuir de modo mais justo” as oportunidades, mas pondera que a ênfase precisa recair no “componente econômico” das desigualdades. “Acho muito problemático dividir as pessoas de acordo com raças alegadas.” Na sua análise, a sensação de discriminação associada às políticas identitárias provocou “repulsa” popular: “Penso que essa foi a mais importante razão pela qual as pessoas votaram em Trump”.
O bioquímico Sudhof é uma figura rara. Trump tem a sorte de que, nas ciências humanas, quase ninguém aceita ouvi-lo.
O poder de plantão agradece que você não comenta o caso da Expofeira.
Aí, vão criar mais cortinas de fumaça, falar dos problemas do passado para não ter que explicar toda incompetência,
O que mais fizeram, para não ter que adiar a festa, foi atropelar os processos….
vão aparecer muito mais coisas contratadas sem empenho nesta festa…
anota aí… vão fazer na próxima semana mais barulho com falhas do passado, para disfarçar seus maus feitos…
A cidade elegeu um delegado, mas ele acha que foi ungido imperador…
Apenas mais um servidor…..
Ao que se disse ser Mário Sérgio
Primeiro, eu não escrevi que não escreveria sobre o transformador arrumado para os riquinhos se divertirem na Arena Multiuso. Apenas, escrevi que não era o foco prioritário, no artigo desta sexta-feira.
Segundo. Penso, que este assunto está em boas mãos na Câmara e no Ministério Público. Assim, não poderão os poderosos de plantão me acusar de ser bisbilhoteiro, de inventar assuntos ou de ser um perseguidor dos mesmos de sempre. Tanto a Câmara e o MP possuem autoridade e legitimidade para esclarecer a cidade e instruir processos na Jurisdição. Eles são mais relevantes do que eu que escrevo para mim mesmo ler o que escrevo.
Terceiro. O caso, que eu saiba, não aconteceu na Expofeira, mas Rodeio.
Quarto. Na Expofeira, além de muita confusão, como escrevi várias vezes, a prefeitura e a secretária – esta bem apadrinhada e que mal conhece o município -, mostrou de que quer é o couro dos próprios produtores rurais, a quem ela deveria protegê-los. A ação dela naquilo que menionei no TRAPICHE, torna risível, o teor da entrevista do prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, ao Paulo Flores e ao Joel Reinert na FM 89 FM, ou seja, de que esta secretaria seria de suma importância para deixar os produtores rurais no campo e eles não virem para a cidade e criarem problemas sociais. Ai, ai, ai. Pelo visto, os produtores rurais de Gaspar não podem vir para a cidade cobrarem o que venderam para a prefeitura, respaldado técnica e fiscalmente com Nota de Produtor Rural, que é aceita em todo o lugar do Brasil. Menos aqui. Vergonha!
Quinto e por último. Este espaço está sendo lido além de mim? Isto, sim, é extremamente perigosos aos que sempre mandaram na cidade. Obrigado pela leitura.
A mesma expo do improviso é a que levou a contratação ilegal do transformador.
Se comprovado, através da resposta ao requerimento do Dalçoquio, vai ficar comprovado fraude a licitação e outros crimes…. E não se trata do valor, mas sim da fraude….
O PIB fraudou a licitação p ajudar empresa da Família o delegado sabe…. E ai ? Vai fazer o que?
Enquanto isso, pau no lombo com pesados impostos do próprio agricultor que vendeuseu produto para o evento. Credo
Boa tarde.
Essa história do “novo governo” manter contratado na mesma função um funcionário enrolado em duas investigações sobre DESFALQUE nas metragens, lá na minha terra a gente chama de um nome bem feio 👀
😱
Essa gente não está mais preocupada, pelo jeito, com nomes feios. Feio para ela, é outra coisa… Obrigado pela leitura, num blog que segundo essa mesma gente, do passado e do presente, não é lida por ninguém
Boa noite.
Até estaria tudo certo se não estivéssemos pagando a preço de ouro quem, até agora, só nos entregou um saco de batatas…
LULA DEVERIA FALAR COM TRUMP, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Logo que o presidente dos EUA, Donald Trump, divulgou sua desaforada carta anunciando um tarifaço contra o Brasil, o presidente Lula da Silva deveria ter assumido o papel de negociador-chefe, dispondo-se a falar diretamente com Trump para discutir os termos do ultimato.
A razão é muito simples: a esta altura, está claro que apenas Trump fala por Trump. Negociação de subalternos de Lula com subalternos do presidente americano é perda de tempo, pois Trump só faz o que lhe dá na veneta – inclusive castigar o Brasil em razão dos processos que correm contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e das decisões do Judiciário contra as big techs, empresas de tecnologia que administram redes sociais.
Lula deveria ter telefonado para Trump no instante em que recebeu a carta do presidente americano e pedido esclarecimentos. Seria uma oportunidade para dizer a Trump que o governo não tem como interferir nem nos processos contra Bolsonaro nem nos veredictos do Supremo Tribunal Federal contra as big techs, pois aqui vigora a separação constitucional dos Poderes. No mesmo telefonema, por outro lado, Lula poderia se mostrar disposto a conversar sobre as demais demandas de Trump a respeito das relações comerciais dos EUA com o Brasil, que segundo o presidente americano são prejudiciais a seu país. Seria a ocasião oportuna para o chefe de Estado brasileiro apresentar à sua contraparte os dados que desmentem essa percepção
É pouco provável que Trump sequer fosse atender o telefonema de Lula ou mesmo que fosse ceder ao presidente brasileiro em qualquer desses pontos, mas isso não importa. O que interessa, neste momento, é demonstrar verdadeiro interesse em preservar as relações com os EUA. E isso só será possível se Lula liderar ele mesmo o diálogo com os americanos, mostrando espírito aberto para ouvir o que Washington tem a dizer.
É isso o que faria um estadista. Lula fez o certo ao deixar claro que a soberania brasileira não era negociável, mas o passo seguinte deveria ser a construção de um canal de diálogo de alto nível nos EUA, o que até agora não aconteceu. E não aconteceu, como bem sabemos, porque Lula decidiu, em seu terceiro mandato, fazer do antiamericanismo a própria razão de ser de sua política externa.
Para Lula, o distanciamento do País com os EUA é até desejável, para deixar claro que o Brasil não depende nem precisa dos americanos. A truculência de Trump em relação ao Brasil, nesse ponto, funciona como o argumento que Lula e o PT precisavam para justificar a aproximação com a China e a Rússia, líderes do bloco antiamericano. Assim, faz sentido que Lula não pareça muito preocupado com a ofensiva dos EUA contra o Brasil. Ao contrário, o tarifaço veio em boa hora para Lula, não só para reforçar os laços com chineses e russos, como ele sempre quis, mas também para lhe dar um discurso nacionalista e patrioteiro que pode render pontos preciosos na campanha pela reeleição.
Por isso tudo, fica difícil esperar que Lula dispa a roupa de candidato e vista a de presidente da República, a quem cabe liderar o País neste momento crítico e fazer de tudo para estabelecer pontes com a Casa Branca.
Estadistas de verdade não têm fígado. Quaisquer divergências pessoais ou ideológicas que Lula possa vir a ter com Donald Trump devem ser deixadas de lado em nome do interesse nacional. Desde o anúncio do tarifaço, no entanto, Lula já disse que Trump quer ser “imperador do mundo”, já declarou que “a guerra tarifária vai começar na hora em que eu der uma resposta ao Trump, se ele não mudar de opinião”, e já afirmou que as democracias latino-americanas (de esquerda, por suposto) devem se unir contra o “extremismo intervencionista”. Não são frases de alguém que deseja genuinamente conversar com Trump.
Está ficando claro, infelizmente, que para Lula não importam muito os prejuízos do Brasil com o tarifaço ou com outras sanções americanas, desde que o caso todo mantenha acesa a chama da indignação de parte dos eleitores com Trump e com o bolsonarismo.
COMO É FÁCIL DESMONTAR UM PAÍS, por Ruth de Aquino, no jornal O Globo
O tarifaço de Trump é apenas a ponta internacional do iceberg. As taxas são chantagens comerciais e políticas, ao Brasil e outros. Mas a tragédia, hoje, dentro dos EUA, é o fracasso da democracia americana, nas mãos de um tirano eleito legitimamente.
Muitos fatores levam alguém a escolher um presidente. Quem votou em Trump levou em conta que tipo de pessoa ele é? O que acontece ao longo de um mandato presidencial é, muitas vezes, imprevisível. Tem bastante a ver com a personalidade do político. Essa é a visão de um ex-juiz da Suprema Corte britânica, Jonathan Sumption.
“Mesmo que eu fosse americano e concordasse inteiramente com as políticas de Trump, não votaria nele. Porque é desonesto, narcisista, ignorante e inexperiente. Suas tendências autocráticas eram óbvias na campanha. Essa escolha dos eleitores pode levar ao fracasso da democracia americana”.
É didático e assustador acompanhar a destruição cotidiana dos valores democráticos nos EUA. São tantas guerras abertas hoje por Trump internamente que já se fala em estado de exceção. A primeira guerra, mais visível, é contra imigrantes e estrangeiros, com ou sem papéis, com ou sem visto.
Os funcionários do Ice (Immigration and Customs Enforcement), muitos de máscara, detêm imigrantes na rua, em casa, no mercado, no estacionamento de igrejas. Separam famílias. Enviam a prisões em condições desumanas. O Ice não é uma polícia convencional. Não se identifica. Não explica o motivo da detenção. Não comunica à família. Não usa câmeras corporais.
A Embaixada dos EUA no Brasil afirmou que visto é privilégio, não é direito. Pode ser revogado a qualquer momento. O Departamento de Justiça poderá deportar naturalizados americanos e anular sua cidadania. Irregularidades podem ser fabricadas para “desnaturalizar” cidadãos americanos que não se enquadrem.
A guerra às universidades como centros independentes de pensamento é outra violência. A perseguição a quem discorda do trumpismo já produz autocensura e medo em instituições de ensino. Trump quer controlar também os museus. A bancada do presidente no Congresso ameaça cortar os fundos federais do Kennedy Center caso a Opera House não seja rebatizada como “Primeira-Dama Melania Trump”.
Alguns estados conservadores, como Montana, ameaçam com até cinco anos de prisão mulheres que forem para estados mais liberais, em busca de um aborto legal. Elas seriam “traficantes de fetos”. É a tradução contemporânea do Conto da Aia, que se passa na República de Gilead, a distopia de Margaret Atwood.
Nada mais distópico do que um presidente publicar em sua rede um post fake, criado por IA, e que “revela” a prisão de Barack Obama no Salão Oval por tramar um golpe. Trump ri, enquanto agentes do FBI algemam Obama e o jogam ao chão. Obama chamou de “bizarras e ridículas” as acusações de Trump.
Mais uma vez, os EUA foram retirados da Unesco. Porque a instituição apoia diversidade, igualdade e sustentabilidade. E tem uma agenda a favor do desenvolvimento internacional. Isso vai contra a “America first”.
A saída da Unesco será concretizada em dezembro de 2026. Mas, quem sabe, até lá, os arquivos de Epstein denunciem Trump como um dos clientes da rede de tráfico sexual de menores do bilionário. É o que vem prometendo o Wall Street Journal. Trump foi avisado em maio de que seu nome está lá, na lista do criminoso, morto na prisão.
Não se pode dizer que os eleitores de Trump desconhecessem sua personalidade. Talvez poucos conheçam o conteúdo do Projeto 2025. Uma “lista de desejos” ultraconservadores de 900 páginas, financiada pela Heritage Foundation. Reveladora para quem quiser entender para onde Trump quer conduzir os EUA.
Os delírios estão todos ali. São um alerta de como é fácil desmontar um país.