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TIC- TAC. GASPAR “GANHOU” R$10 MILHÕES DO GOVERNO DE JORGINHO PARA “OBRAS ESTRUTURANTES”. O DINHEIRO ESTÁ PARADO. FALTAM PROJETOS

Texto atualizado, alterado e revisado às 11h34min deste 23.07.2025. Já estamos no sétimo mês do “novo” governo gasparense de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL bolsonarista que prometeu mudar tudo por aqui. No entanto… Surpreendido, há 15 dias, Paulo viu em uma necessária e despretensiosa enquete numa conta do Instagram local, desaguar numa torrente de queixas que não estava no calendário, mas no radar. Sem filtros da propaganda oficial, o governo de Paulo e Rodrigo viu que parte da população está bem insatisfeita pela falta de resultados da atual administração à cidade. Restou a alguns paus mandados, revidar quem se expos e cobrou, incrivelmente, sob o silêncio dos gestores municipais. Sintomático.

Devido a esta surpresa tão volumosa das opiniões que suportaram a enquete, não teve jeito. Paulo foi catapultado a sair do confortável isolamento ao qual não dava explicação alguma à cidade. E mesmo assim, Paulo não se deu por derrotado. Fez-se de vítima. Isto também, pelas reações nas redes sociais, mais uma vez, “pegou” mal. E a errática escolha e tática fez abrir uma perigos porteira. Onde passa um  boi, está já passando uma boiada. Segura peão. Talvez, seja autoexplicativo tantas festas nas últimas semanas na Arena Multiuso Francisco Hostins. Mas, não foi ninguém, além Paulo, Rodrigo e a sua turma que deram sopa para o azar.

Orientado pela turma de bruxos, Paulo correu para fechar a porteira e dar entrevistas. Já era tarde. Pior. Não se preparou adequadamente. E se se preparou, deu-se mal. Todas [entrevistas e respostas] foram genéricas. Algumas enfadonhas como a da 89 FM. Mesmo sabendo que respondia – e precisava prestar contas – à uma inesperada “revolta” expressa numa enquete despretensiosa em rede social, Paulo estava nas entrevistas sem estratégia, sem foco, sem números, mas, principalmente, sem resultados e sem perspectivas de cravá-las a favor da cidade.

OBRAS NEM NO PAPELINHO

E mesmo depois de tanto tempo [sete meses, sem contar os três de transição] gerenciando Gaspar ao seu modo e aos dos seus, Paulo ainda está lançando culpa da sua inércia e da falta de resultados ao que o governo do, também bolsonarista Kleber Edson Wan Dall, MDB, lhe deixou ou não fez por Gaspar. Aliás, Paulo e Rodrigo derrotaram Kleber por ampla margem de votos, prometendo, vejam bem, eliminar o suposto quadro caótico que eles juravam conhecê-lo na dimensão com soluções.

Pinço aqui neste artigo, uma resposta que Paulo deu na entrevista a 89 FM – a qual estou usando-a para meus comentários, sem diminuir o valor das demais – ao repórter Paulo Flores e ao dono na emissora, Joel Reinert. Paulo estufou o peito sobre os R$10 milhões que recebeu do governador Jorginho Melo, PL, seu padrinho, para “projetos estruturantes”, corredores de serviços e acessos em Gaspar. 

Não vou comentar de que estes R$10 milhões (os menos de um quilômetro do Pasto do Jacaré saiu por R$12 milhões há quatro anos). Eles são migalhas se comparados ao que o governador Jorginho destinou com a mesma pretensão aos nossos vizinhos. Entretanto, por outro lado, e ao mesmo tempo, é muito. E por quê? Na mesma entrevista, e está gravado, o próprio Paulo admite que não possui projetos prontos para usar estes R$10 milhões. Credo!

Como alguém vai pedir dinheiro em Brasília, Florianópolis e até outras parcerias comunitárias, se não possui projetos prontos, críveis, detalhados – inclusive nos prazos executivos – e viáveis? E em sete meses, Paulo, Rodrigo e seus bruxos não foram capazes de eleger prioridades e focos para tornar o tal “sistema estruturante”, corredores de serviços e acessos a Gaspar em um grande canteiro de Obras? Meu Deus! É um pesadelo que mistura falta de liderança e de equipe, a começar para fazer e apresentar projetos em uma cidade cheia de problemas estruturantes.

Normal para quem nem possui Plano Diretor atualizado como pede a lei; como isso é usado para atender amigos e ferir adversários ou críticos e deixar a burocracia municipal, por conta deste vácuo, ser prevalente aos interesses da cidade, cidadãos e cidadãs, como relatou a Ampe de Gaspar e Ilhota e que por conta disso ia sendo usada na Câmara como instrumento político de manobra?.

Ou alguém ignora o caos do binário da Coloninha, da fila indiana na avenida das Comunidades e na Duque de Caxias, o isolamento da Figueira com o Bela Vista em caso de interrupção da Rua Anfilóquio Nunes Pires, ou o caótico e perigoso trevo da Parolli…A lista é longa e inclui o Contorno de Gaspar, os perigosos trevos do Pasto do Jacaré, do acesso à Ponte do Vale, Rua Itajaí e Ginásio João dos Santos… Desde que assumiu, o atual mandatário está tocando tudo como fazia Kleber. E o resultado disso? Toda a cidade, inclusive os eleitos, sabem e colhem em críticas. E estão reclamando dos gasparenses. Paulo, Rodrigo e os seus, inconformados. E sem razão, pelo jeito. Afinal, eleitos, são expostos servidores do povo.

E quais as obras que Paulo está tocando, como ele mesmo relatou na entrevista à FM 89? A pavimentação da Rua Frei Solano, no Gasparinho; a pavimentação de um trecho da rua Vidal Flávio Dias, no Belchior Baixo, Distrito do Belchior, e os dez quilômetros de pavimentação da Estrada Geral do Macucos. Todas elas obras projetadas e aprovadas no governo Kleber. Algumas delas, com empréstimos arrumados por Kleber e que Paulo vai pagá-los. Outra parte dos recursos é de emendas parlamentares. E Paulo está reclamando de Kleber? Se não fossem estes projetos prontos para serem executados, nem isto ele teria para mostrar à cidade nas entrevistas dos seis primeiros meses do governo dele e de Rodrigo. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Não há nada mais emblemático do governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, do que se descobrir depois de seis meses que, o secretário de Obras e Serviços Urbanos, Vanderlei Schmitz, não servia para a função. Não se trata de falta de competência profissional, e sim de velocidade e enxergar as prioridades em ambientes extremamente exigentes e mutáveis. Há uma dinâmica neste setor que foge da simples burocracia.

Não há nada mais emblemático no governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, do que se constatar que o que se condenava e piorou o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, virou continuidade. Os novos poderosos de plantão estão queimando a língua deles cedo demais. O acúmulo de funções do chefe de gabinete Pedro Inácio Bornhausen, PP, como secretário de Obras e Serviços Urbanos é um deboche ao bom funcionamento das duas fundamentais e distintas áreas do governo. É uma amostra que se faltam nomes, também não querem novos nomes. E ainda se dizem arautos das mudanças.

De cara, este improviso da chefia de gabinete com a secretaria de Obras e Serviços Urbanos quebra o discurso de Paulo Norberto Koerich, PL, para justificar à necessidade da divisão – na cara reforma administrativa que vai propor – da hoje, ainda poderoso, secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa. Ela foi criada na também cara reforma administrativa de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Tudo para dar superpoderes ao então coordenador de campanha e presidente do MDB de Gaspar, Carlos Roberto Pereira.

Se não acumula poderes formalmente como o caso da Fazenda e Gestão Administrativa, mas a nova reforma administrativa do governo de Paulo, estará voltada para o discurso bolsonarista da segurança e do qual Paulo manja, mesmo com tantos outros problemas prioritários essenciais da sua competência como gestor municipal como o Planejamento, Saneamento, Obras e principalmente Saúde. Se pelo lado formal não há acúmulo, no aspecto informal da chefia de gabinete com o Obras é tão naquilo que a secretaria da Fazenda é e Paulo condena e rotula como sendo um perigoso entrelaço do ordenamento, execução e liquidação financeiros que precisam ser desfeitos.

Aliás, esta separação apareceu esta semana, ao menos, no Hospital motivo dos meus últimos comentários que ninguém leu na prefeitura e na cidade, como juram os novos donos dela. E mais uma vez de forma estranha. Em janeiro um decreto nomeou o novo conselho interventor do Hospital, e o subsecretário de Fazenda e Gestão Administrativa, Claudionor de Souza Cruz, sem estar formalizado, apareceu em todo lugar (entrevista, exposições e prestações de contas, inclusive na Câmara) como sendo o bambam desta intervenção e até prestando contas.

Agora, um decreto tirou da Comissão Interventora do Hospital de Gaspar, a diretora dele, Aline Cristiane Deichmann da Cruz e no lugar dela colocaram o secretário de Saúde, Arnaldo Gonçalvez Munhoz da Cruz. E que é presidente da Comissão? Sandro Sandri. Claudionor ficou, mas sem poderes e não vai assinar ou responder por nada. E também se desfaz os possíveis entrelaço do ordenamento, execução e liquidação.

Sucata. Todos da prefeitura de Gaspar, devidamente aparelhados com gente para fazer vídeos para ocupar mais uma vez as redes sociais rumaram para a limpeza de uma vala. A retroescavadeira New Holland deu três pegadas e pifou o giro. Está lá, esperando que a levem a oficina onde ficará parada por meses. Assim estava. Assim está outras. Em sete meses, nem um leilão de sucatas, ao menos, para fazer caixa e limpar pátios foi feito em Gaspar.

Kleber Edson Wan Dall, MDB, fez do seu vice, o funcionário público concursado na Ditran – Diretoria de Trânsito – e ex-vereador, Luiz Carlos Spengler Filho, PP, secretário de Obras e Serviços Urbanos. Deu no que deu.

Vai começar tudo de novo? I Ao ser cobrado na entrevista da 89 FM, devido à forte pressão da comunidade, Paulo Norberto Koerich, PL, avisou que o atraso da refação da galeria sob a Estrada Geral da Lagoa e que ruiu com uma tempestade no início do ano, deveu-se à uma manobra feita pela Defesa Civil. Ela conseguiu que esta obra fosse paga por Brasília, e não totalmente pelo município como se ensaiava. 

Vai começar tudo de novo ? II. Paulo Norberto Koerich, PL, todavia, anunciou que esta e outras obras dependiam de uma tal “Licitação por Ata de Registro de Preços” para a compra dessas galerias. Como é que é? Este tipo de licitação não foi barrada pelo Tribunal de Contas? Mudou? Pois foi este tipo de licitação que deu xabú, entre tantas outras dúvidas, na drenagem da rua Frei Solano, no Gasparinho, ao tempo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, bem como de Jean Alexandre dos Santos, então no MDB e hoje no PSD, secretário de Obras e Serviços Urbanos, e do presidente do Samae, o vereador licenciado José Hilário Melato, PP.

Vai começar tudo de novo? III As dúvidas procedimentais do “novo” governo já começaram a pipocar. Uma denúncia de suposta compra irregular de um transformador para a Arena Multiuso Francisco Hostins, que nem do município é, foi dar no Ministério Público e na Câmara. Ela foi publicada no espaço do leitor do artigo anterior: TIC-TAC. O PRÓPRIO TEMPO, À FALTA DE TRANSPARÊNCIA E A COMUNICAÇÃO TORTA TRABALHAM CONTRA O DISCURSO DO GOVERNO DE GASPAR E A EXPECTATIVA DE MUDANÇAS QUE PAULO CANDIDATO, GEROU PARA CONVENCER E VENCER EM OUTUBRO DO ANO PASSADO

Vai começar tudo de novo? IV Avisado por aqui, o “novo” governo foi. Preferiu desqualificar e constranger arrogantemente o mensageiro. Segui em frente. Tem um dito popular que diz: “diga-me com quem andas, que te direi quem és”. Se era para mudar, era para mudar também de companhias e fazer diferente do que se fazia. Está aberta a porteira. Os policiais Paulo Norberto Koerich e Alyne Karla Serafim Nicoletti, ambos do PL, sabem muito bem como isso começa. Não sabem, como na política isso é usado. Muda, Gaspar!

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12 comentários em “TIC- TAC. GASPAR “GANHOU” R$10 MILHÕES DO GOVERNO DE JORGINHO PARA “OBRAS ESTRUTURANTES”. O DINHEIRO ESTÁ PARADO. FALTAM PROJETOS”

  1. O SUPREMO E A ARMADILHA DE TRUMP, por Malu Gaspar, no jornal O Globo

    Quando Eduardo Bolsonaro (PL-SP) começou a bradar por sanções financeiras dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes e os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros reagiram com ironia. “Qualquer coisa, é só ir para Nova York. Só que a do Maranhão”, disse Flávio Dino.

    Naquele momento, as falas do filho Zero Três de Jair Bolsonaro pareciam bravatas megalômanas. Vieram o tarifaço de Donald Trump, a colocação da tornozeleira no ex-presidente e a revogação dos vistos de Moraes, de outros sete ministros do Supremo e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a atitude dos magistrados continuou a mesma.

    “Sempre teremos Paris”, disse um deles. “O Mickey precisará superar a minha ausência”, caçoou outro.

    O tom de “não estou nem aí” só começou a mudar nos últimos dias, depois que Moraes proibiu Bolsonaro de dar entrevistas e esteve perto de mandar prender o ex-presidente por suas falas de protesto ao exibir a tornozeleira eletrônica no Congresso Nacional.

    Diante da possibilidade de novas retaliações do governo Trump, os ministros começaram a recomendar “prudência” e a dizer reservadamente que, embora apoiassem a restrição ao uso de redes sociais, não endossavam nenhuma censura.

    O ministro ainda não se manifestou sobre o assunto, mas está claro que seus colegas perceberam o óbvio: ao responder com o fígado a provocações que deveriam ser tratadas de forma técnica, ele caiu na cilada montada por Trump e Bolsonaro. Deu argumento a quem o acusa de agir politicamente e ainda ajudou o bolsonarismo a se vender como vítima de perseguição — e não como vetor de uma guerra comercial que pode resultar em prejuízos bilionários à nossa economia.

    Ainda que com atraso, a ala mais pragmática da Corte entendeu que não era desprezível o risco de a crise se agravar por causa de uma prisão intempestiva de Bolsonaro e a culpa cair na conta do Supremo.

    A questão é que Moraes não entrou nessa armadilha sozinho. Desde bem antes do início do processo da trama golpista, quase todo o tribunal, tão vocal em algumas situações, ou se cala ou o apoia incondicionalmente, mesmo que cometa erros ou exageros — como quando, a pretexto de impedir o funcionamento do X no Brasil, ordenou que as lojas virtuais da Apple e do Google bloqueassem o acesso a aplicativos do tipo VPN, que poderiam ser usados para driblar a proibição.

    Como esses sistemas são essenciais para o funcionamento de muitos negócios, bloqueá-los no Brasil é simplesmente inviável. Assim, a ordem não foi cumprida, e Moraes acabou por revogá-la sem maiores explicações.

    Nenhum ministro disse nada, tampouco, quando Moraes determinou busca, apreensão e quebra de sigilo bancário e digital de oito empresários que trocaram mensagens privadas num grupo de WhatsApp defendendo um golpe de Estado caso Lula ganhasse a eleição. Apesar do tom golpista, as mensagens, tornadas públicas numa reportagem, não tinham nenhuma consequência prática. Moraes, porém, escreveu:

    “Essas condutas, de elevado grau de periculosidade, se revelam não apenas como meros ‘crimes de opinião’, eis que os investigados, no contexto da organização criminosa sob análise, funcionam como líderes, incitando a prática de diversos crimes e influenciando diversas outras pessoas, ainda que não integrantes da organização, a praticarem delitos”.

    Um ano depois, o próprio ministro arquivou o processo, anotando que “a suspeita carece de elementos indiciários mínimos”. E ficou por isso mesmo.

    Nem esse nem outros deslizes apagam o fato de que o Brasil esteve à beira de um golpe de Estado por obra de Jair Bolsonaro e um grupo de militares toscos e felizmente incompetentes, nem a importância do processo contra os participantes da trama golpista.

    Toda a sequência de fatos que redundou no 8 de Janeiro é por si tão absurda e criminosa que não há necessidade de nenhum duplo twist carpado judicial para que se chegue à condenação dos golpistas. A conclusão do processo, aliás, é prevista para setembro ou outubro, o que deve levar Bolsonaro a ser preso antes do fim do ano. Antecipar esse momento com decisões irrefletidas não é atitude de uma Corte que se pretende empenhada na defesa da democracia e da Constituição.

    Compreende-se que o trauma do 8 de Janeiro tenha feito os ministros reforçarem ainda mais a blindagem mútua, típica de qualquer instituição. Mas o desafio que se coloca agora, a Moraes e a todo o Supremo, é provar que são capazes de preservar a democracia e o Estado de Direito sem se deixar levar pela onipotência ou por vendetas pessoais.

    A beleza da democracia está justamente no fato de que, nela, ninguém está acima da lei. Quem toma decisões ilógicas apenas “porque pode” são autoritários como Donald Trump.

  2. ESCOLHA SENDO FEITA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Representantes de setores da economia que já tiveram conversas nos Estados Unidos em torno do tarifaço têm feito relatos coincidentes. Os americanos não conseguem dizer exatamente até onde querem chegar. E a China é a formidável sombra pairando sobre a crise.

    Até onde já se chegou é um bom exemplo da falta de senso estratégico por parte de Donald Trump. Seu ataque a instituições brasileiras equivale a propor “regime change”. Trazendo até aqui benefícios políticos ao incumbente Lula, além de rachar e isolar setores da oposição ao governo brasileiro.

    Os entes privados brasileiros que conversaram em Washington – o governo não tem conseguido falar com ninguém – colocam no topo da motivação da conduta americana a rivalidade com a China. O componente ideológico (leia-se salvar Bolsonaro) também está subordinado a essa prioridade, por ser uma ferramenta de pressão, via tarifas e sanções, sobre um “regime” (o brasileiro) que, aos olhos de Washington, age em conjunto com a China.

    Nesse sentido, o primitivismo estratégico de Trump é contraproducente. O presidente americano conseguiu fazer a China parecer um parceiro muito mais confiável e estável do que os Estados Unidos. E isso vale em escala ainda maior para o Brasil, dado o componente altamente ideologizado da política externa de Lula.

    Desde o tarifaço há evidências de que a China aumentou sua ofensiva de charme no Brasil. O governo chinês está oferecendo a figuras representativas do agro, por exemplo, garantia de compra de exportações brasileiras e investimentos nos gargalos de logística do setor. Os chineses voltaram a falar na possibilidade de o Brasil aderir à Rota da Seda.

    No delicado campo da defesa os chineses oferecem ao Exército brasileiro a compra de armamento pesado, abrindo até mesmo a possibilidade de adquirir tecnologias de emprego de inteligência artificial em veículos de combate. O grande conglomerado industrial de defesa chinês, a Norinco, tem planos para produzir na Bahia, de onde vem o ministro-chefe da Casa Civil.

    Ocorre que o Exército acaba de adquirir helicópteros Black Hawk e mísseis antitanque Javelin dos Estados Unidos, país com o qual em breve haverá exercícios de treinamento conjunto com a presença de tropas americanas no território brasileiro. Oficiais-generais brasileiros literalmente perderam o sono com a possibilidade de que a crise com os Estados Unidos se espalhe para esse setor – evita-se sequer conversar com Lula a respeito.

    Por desígnio ou por incapacidade, o governo Lula não tem canais institucionais abertos com os Estados Unidos num momento crucial para os interesses nacionais. Acha que a crise o reelege. Não percebe que o Brasil está sendo empurrado, também com a ajuda do clã Bolsonaro, para uma escolha de Sofia da qual é fundamental escapar.

  3. A LIBERAÇÃO DE GASTOS IMPÕE A INCÚRIA FISCAL DO GOVERNO, editorial do jornal O Globo

    A decisão do governo de liberar o gasto de R$ 20,7 bilhões que estavam congelados é uma chance perdida — mais uma — de buscar o equilíbrio das contas públicas. Com a medida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comprova não dar a devida atenção à gravidade da situação fiscal.

    De normal, o endividamento brasileiro nada tem. Mantido o rumo atual, a dívida bruta deverá crescer 10 pontos percentuais no atual mandato e chegar, pelos cálculos oficiais, a 82% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, bem acima da média dos países emergentes (65%). Preocupado em se reeleger, o presidente prioriza o curto prazo, com mais dinheiro sendo usado para manter a economia aquecida. Mas não é tão difícil entender por que tal situação é insustentável e desastrosa. Uma hora a conta do endividamento descontrolado chega, com investimentos inibidos e queda na criação de postos de trabalho de qualidade.

    A ilusão de que tudo está no seu lugar se manifesta na insistência de fechar ano após ano no vermelho. Pelas regras do arcabouço fiscal concebidas pela equipe econômica, a meta pode ser considerada cumprida se ficar dentro de uma faixa equivalente a 0,25 ponto percentual do PIB, tanto para cima como para baixo. Na teoria, a banda serviria para acomodar choques inesperados. Na prática, o governo tem sempre mirado o piso.

    Em 2024, o centro da meta era o equilíbrio entre receitas e despesas, mas o ano fechou com déficit. Em 2025, o objetivo continua o mesmo, e, após a liberação de gasto anunciada nesta semana, o consenso é que o governo repetirá o erro, deixando que a trajetória da dívida pública siga em alta.

    Um agravante é o roteiro trágico das decisões. Entre as justificativas para o descongelamento, uma não é recorrente (a injeção de receita de leilão do pré-sal previsto para novembro), e a outra é prejudicial para o ambiente de negócios (o aumento de arrecadação causado em parte pela alta da tributação).

    Nada de avanço em reformas estruturais capazes de gerar dinâmicas positivas e duradouras. Nenhum sinal do debate sobre a necessidade de desvincular o mecanismo de reajuste do salário mínimo dos benefícios previdenciários, situação que eleva os gastos do INSS e implode as despesas obrigatórias.

    A inação é catastrófica, mas o governo consegue ir além. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66/2023 é um pacotão de leniência fiscal. Aprovada na Câmara na semana passada, voltou ao Senado, onde deveria ser esquecida. O texto impõe limite anual ao pagamento de dívidas de estados e municípios reconhecidas pela Justiça sem possibilidade de recurso — os precatórios. A lógica do “devo, não nego, um dia eu pago” é um incentivo à irresponsabilidade fiscal.

    Para o governo federal, a PEC permite o envio ao BNDES de recursos presos em fundos públicos. Como ressalta o economista Marcos Mendes, em vez de reduzir o endividamento, esse dinheiro será emprestado de forma subsidiada pelo Tesouro. Tem mais. A PEC abre espaço no teto fiscal para gastos extras de R$ 12 bilhões. É evidente a falta de compromisso do Executivo e do Congresso na busca por soluções de um problema que só aumenta.

  4. Despesa sem prévio empenho é improbidade….

    governo Paulo é conivente e liberou … …

    Não tem desculpa.

    Parece que este pessoal acostumado com delegacia sabe que roubar pouco não dá nada..

    Caso do transformador tem nome e qualificação penal….

    Improbidade

      1. Carlos Nascimento

        Sério? Como esperar mais de alguém que foi responsável por blindar o Governador Moisés?

        Este caso mostra que os governos feitos para bolsonions só pensam em narrativas… de prático não tem nenhum compromisso com a ética….

        PK vai fazer igual no caso dos respiradores.

        Proteger os seus…. Ainda mais com a total e irrestrita conivência da Câmara de vereadores…

    1. Impressionante. Bingo. E ainda acham que os que os elegeram ingratos por estarem inconformados e expressando este legítimo desespero

  5. O MISTÉRIO DO DÓLAR DE 9 DE JULHO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    O ministro Alexandre de Moraes atendeu ao pedido da Advocacia-Geral da União para que se investigue o que aconteceu com o dólar no dia 9 de julho passado. O caso tramitará sob segredo de Justiça.

    Parte do que aconteceu, todo mundo sabe: o presidente Donald Trump anunciou, às 16h17, uma sobretaxa de 50% para as exportações brasileiras.

    O que nem todo mundo sabia, e o Jornal Nacional mostrou, era que, às 13h30, alguém comprou entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões cotados a R$ 5,46. Poucos minutos depois do anúncio das sanções, esse alguém (ou alguéns) vendeu o ervanário comprado três horas antes, com dólar cotado a R$ 5,60. A 14 centavos para cada dólar comprado e vendido (diferença entre as duas cotações), alguém ganhou R$ 140 milhões para cada bilhão operado às 13h30m. Grande tacada, das maiores já vistas. Em tese, quem a armou poderia não ter desembolsado um só real. Pelos mecanismos existentes, um operador pode comprar dólares num dia para pagar só no dia seguinte.

    Foi coisa de quem sabia que as sanções seriam impostas no dia 9. Com o anúncio das sanções, a cotação do dólar no mercado brasileiro teria uma alta imediata. Ainda não se sabe quem comprou os dólares a R$ 5,46 e quem os vendeu a R$ 5,60. Também não se sabe a nacionalidade dos felizardos. Sabe-se apenas que há gato nessa tuba.

    É possível que haja mais de um operador nessas transações, e não se sabe se eles são os mesmos. O primeiro movimento seria razoável; o segundo, inesperado. Pelo cheiro da brilhantina, existe a possibilidade de ter sido feita uma operação de amadores ambiciosos. Tomara, porque nesse caso será mais fácil rastreá-los.

    Esse tipo de coisa acontece. Em janeiro de 1999, Fernando Henrique, reeleito, tinha acabado de tomar posse. Com fuga de capitais, o valor do real e dos papéis da dívida brasileira caindo, instalou-se um clima de barata-voa no governo e no mercado. Gustavo Franco, presidente do Banco Central, estava frito.

    O presidente da Argentina, Carlos Menem, e um burocrata do FMI sugeriram que o Brasil adotasse um plano de conversibilidade da moeda. No dia 20, numa newsletter do banco Chase, um de seus analistas propôs que se fizesse uma renegociação da dívida interna (leia-se calote). Os papéis da dívida externa, que no dia 20 valiam 58,75% do seu valor de face, caíram para 50,25%.

    Apesar da turbulência, Fernando Henrique Cardoso segurou o leme. Seis dias depois, os papéis voltaram a valer 58%. Quem os comprou na baixa, ganhou 15% em uma semana. Poucos espertalhões ganharam tanto dinheiro em tão pouco tempo.

    Havia gato naquela tuba, mas o caso nunca foi sequer investigado.

    Os espertalhões de 1999 foram superados pelos operadores do dólar de 9 de julho, mas desta vez há investigação.

    Em 1999, Alexandre de Moraes tinha 30 anos e era apenas um promissor promotor de Justiça em São Paulo. Se o caso dos papéis da dívida caísse na sua mesa, talvez o resultado tivesse sido outro. Felizmente, passados 26 anos, a solução do mistério do dólar de 9 de julho ficou com ele.

  6. UM CASO ESCANDALOSO DE CENSURA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A missão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes, é histórica. A um só tempo, ela é jurídica e político-institucional. Ao fim da Ação Penal (AP) 2.668, caberá à Corte punir com o rigor da lei todos os que, comprovadamente, atentaram contra a ordem constitucional democrática, na exata medida de suas responsabilidades. Mas é igualmente vital que o faça com absoluto respeito ao princípio do devido processo legal e aos direitos e garantias fundamentais protegidos pela mesma Constituição que os golpistas tentaram rasgar. Se assim o fizer, o STF transmitirá ao Brasil e ao mundo um potente recado: o Estado Democrático de Direito dispõe de meios plenamente capazes de lidar com seus inimigos.

    Esse cuidado é tão óbvio que chega a ser espantoso para este jornal ter de relembrar o que, de fato, está em jogo no julgamento de Bolsonaro a cada abuso cometido pelo aparentemente todo-poderoso ministro Alexandre de Moraes, relator da AP 2.668 e dos inquéritos infinitos que têm bolsonaristas como alvos principais.

    No dia 21 passado, no horário autorizado para sair de casa, Bolsonaro esteve na Câmara para se reunir com correligionários do PL. Evidentemente, o ex-presidente não perderia a oportunidade de usar a ida ao Congresso para explorar politicamente o uso da tornozeleira eletrônica, nem tampouco para se vitimizar perante a imprensa ao deixar o local. Aos jornalistas, Bolsonaro voltou a dizer que o uso do equipamento era uma “máxima humilhação”, recorrendo à manjada tática do martírio, tão banal entre populistas autoritários como ele.

    As imagens, é claro, chegaram às redes sociais. E isso bastou para que Moraes, naquela mesma noite, intimasse os advogados de Bolsonaro para que explicassem, no prazo de 24 horas, a suposta violação da proibição de uso das redes sociais pelo ex-presidente – medida cautelar que, entre outras, em boa hora foi imposta a ele em razão de suas ações públicas para obstruir o curso da AP 2.668. No despacho, Moraes não descartou a decretação da prisão preventiva de Bolsonaro caso a resposta de seus defensores não fosse convincente. Ora, se é para alijá-lo do debate público, melhor prendê-lo de uma vez.

    Moraes cometeu um abuso. As medidas cautelares foram impostas a Bolsonaro, e não a terceiros que, por dever de ofício ou apreço pelo ex-presidente, transmitem suas declarações públicas em veículos de imprensa ou nas redes sociais. Na prática, o STF proibiu Bolsonaro de conceder entrevistas, pois não há mais conteúdo jornalístico que deixe de circular pelas redes sociais hoje em dia. O que é isso senão censura prévia? O que é isso senão uma afronta gritante à garantia constitucional da liberdade de imprensa?

    Agindo assim, irônica e talvez involuntariamente, Moraes ainda soprou as brasas da própria retórica de “perseguição política” que Bolsonaro tão bem explora para escamotear a justeza da persecução criminal ora em curso contra ele. E, de quebra, ainda rasgou a jurisprudência do próprio STF.

    Lembremos que, em 2019, nem a Lula da Silva, na época preso por corrupção em Curitiba, foi vedado conceder entrevista. Na ocasião, o então ministro do STF Ricardo Lewandowski afirmou que não era lícito negar ao apenado o “direito de manter contato com o mundo exterior”. Lewandowski ainda afirmou que “a plena liberdade de imprensa é categoria jurídica proibitiva de qualquer tipo de censura prévia”. Ressalte-se: Lula estava preso, e não meramente submetido a restrições cautelares, como Bolsonaro.

    É lastimável que os padrões do STF mudem a depender de quem esteja sob julgamento. À Corte, como já sublinhamos nesta página, não basta ser imparcial – ela precisa parecer imparcial. Sobretudo no julgamento de Bolsonaro. Num ambiente político já corroído pela polarização, decisões abusivas como a do sr. Moraes só reforçam a percepção, já instalada em grande parte da sociedade, de que o STF age por motivações políticas. Isso mina a autoridade institucional da Corte, que não pode incorrer no erro crasso de combater o autoritarismo com decisões autoritárias.

  7. PROIBIR ENTREVISTA É INDEVIDO E INOPORTUNO, editorial do jornal O Globo

    Réu por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro é julgado em meio à indevida pressão de Donald Trump sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de tarifas sobre as exportações brasileiras e ameaças aos ministros da Corte. Desde o início das investigações, são notórias as tentativas de obstrução de Justiça perpetradas pelo ex-presidente e seu filho Eduardo Bolsonaro nas plataformas digitais. Dado o histórico de desprezo pelas instituições democráticas, é alto o risco de fuga ou pedido de asilo. Ciente disso, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou na semana passada o uso de tornozeleira eletrônica e proibiu a aproximação do ex-presidente a postos diplomáticos. Também o impediu de usar redes sociais, “diretamente ou por intermédio de terceiros”.

    É compreensível a preocupação do ministro. O bolsonarismo já demonstrou diversas vezes sua capacidade de divulgar notícias falsas, a fim de manipular a opinião pública. Porém, em despacho redigido na segunda-feira para esclarecer as decisões da semana passada, Moraes foi além. No texto, diz que “a medida cautelar de proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, imposta a Jair Messias Bolsonaro inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas das redes sociais de terceiro”.

    Há sérios problemas aqui. O primeiro deles é que a imprensa deve ser livre e não pode trabalhar sob cerceamento. O segundo é que, antes de qualquer condenação, Bolsonaro deve ser livre para dar entrevistas. Medidas cautelares anunciadas para garantir o julgamento de ações penais não podem atropelar outros direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.

    Bolsonaro é um notório manipulador, da casta dos piores populistas sul-americanos. Isso não justifica que seja impedido de se manifestar sobre seu próprio julgamento. Em abril de 2019, Luiz Inácio Lula da Silva, então condenado, deu entrevista quando estava preso na sede da Polícia Federal em Curitiba com a permissão do STF. A decisão de Moraes sobre Bolsonaro é extravagante nesse aspecto.

    Sabendo que correrá o risco de ser preso se uma entrevista sua circular nas redes sociais, dificilmente falará com jornalistas. Com essa interpretação, Moraes nega à sociedade informações a que ela tem direito para formar suas convicções. Uma entrevista coletiva com o ex-presidente convocada por parlamentares da oposição para a segunda-feira foi cancelada.

    Aplicada sem restrição, a decisão de Moraes equivale a proibir Bolsonaro de falar com quem quer que seja. Ele não tem como garantir que um desconhecido não usará o celular para gravar a conversa e publicá-la numa rede social. O ex-presidente precisa ser julgado por seus atos, e é descabida qualquer tentativa de intimidar o STF. Mas esse julgamento e todos os acontecimentos que o cercam, por suas profundas consequências políticas, têm de ocorrer de forma pública e acessível a toda a sociedade. Essa transparência será benéfica para o próprio STF.

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