Bom dia. Uma enquete despretensiosa, mas necessária, da conta “Gaspar Mil Graus”, no Instagram, sobre o que os cidadãos e cidadãs locais plugados nesta rede social achavam sobre os primeiros seis meses da atual administração, elevou, tão rapidamente, a temperatura a este patamar e colocou o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, no caldeirão numa fervura tão elevada quanto. E escaldado, Paulo está se explicando. E Rodrigo, escondendo-se. Espertamente, numa crise dessas, Rodrigo, finalmente, assumiu que vice não manda em nada e por isso não pode ser responsabilizado pela frustação coletiva dos correligionários e simpatizantes contra o governo em que é parte.
Estou de alma lavada, outra vez. E por quê? Essa gente no poder de plantão, que é uma continuidade, por enquanto, bem piorada de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, no que tange a resultados para a cidade, vive choramingando, excomungando e me ameaçando. Alega que eu estou à persegui-la a partir deste cantinho que ela própria jura não ser lido por ninguém. Ora, se “ninguém” me lê, não há razão para se preocupar, não é?
Voltando.
Mas, não foi isso que se viu nas redes sociais. Os “ninguém” que não me leem, entraram de sola nos comentários abertos das redes sociais e tiraram os “novos” políticos do conforto e também do sério. A lista é longa e hoje meu comentário é curtíssimo -e sem TRAPICHE -, para os meus padrões. Certamente, não é porque eu os influenciei, não. Não sou pretensioso – como os políticos – a este ponto. É porque os gasparenses estão vivendo o marasmo administrativo dos poderosos de plantão contra a cidade. Estão esses mesmos gasparenses, sentindo na pele as agruras, à falta de perspectivas à anunciada mudanças e sabem, pelo cotidiano, que quase tudo está empacado, tão igual ou pior como era antes como na simples manutenção da cidade, na saúde…
Os únicos que não conseguem ver isso, com a clareza que o povo enxerga, os eleitores, eleitoras e eu olham, são os eleitos, todos gasparenses, e seus protegidos daqui, o que eles importaram no arranjo político-partidário e não exatamente para resultados diferenciais. Meu Deus. Vai faltar gente e tempo para termos circunstanciados e processos contra o povo.
SE EXPLICANDO SOBRE O PASSADO E SEM FUTURO
A encalacrada assessoria de comunicação – e só obrigada pelas circunstâncias mais que previsíveis – se movimentou emergencialmente. E os seis meses que iriam passar despercebidos, repentinamente se tornaram mote de artigos e entrevistas em jornais, portais, “influenciadores” e rádios. Resumidamente e desembrulhando tudo isso? Faltou conteúdo, sobraram justificativas e decididamente, Paulo, o centralizador e dono da verdade, não é o comunicador para virar este jogo. Ele não é um catalizador como Jair Messias Bolsonaro, PL, ou Luiz Inácio Lula da Silva, PT – e que com todas habilidades já está em descredito total por exatamente nos levar para o buraco.
As entrevistas ao vivo de Paulo não deixam dúvidas quanto a isso. E a assessoria de imprensa já deveria ter percebido isso. Penso, que deveria ser preservado. E se não se cuida, tudo piora mais e contra a imagem dele. Mania que essa gente subalterna possui de reinventar heróis de uma função em outra! Ele é um personagem talhado para mostrar a cabeça da cobra e não explicar a razão pela qual ela escapou do pau dele.
Se não tem nada de relevante para mostrar, Paulo, ao mesmo tempo, não conseguiu em seis meses construir projetos para o futuro da cidade. Não mostrou que plantou árvores. Não prometeu frutos dela. Está reclamando das mudas, do barro, do plantadores e mais do que isso, do olho gordo dos vizinhos da plantação do nada. Impressionante.
Para encerrar, pois os comentários do povo nas redes sociais mostram, na verdade, mais do que simples queixas e exercício da provocação para se sair da estagnação. Os comentários mostram que o povo perdeu, além da paciência e o medo, também testou e furou a “bolha” do “delegado” que ainda não se vestiu de prefeito, o que se apresentou para ser o da mudança. Paulo e Rodrigo, finalmente estão batizados além deste espaço. E testemunharam como os próprios olhos naquilo que leram e ouviram. É o que eu vejo e ouço nos quase silenciosos aplicativos de mensagens individualmente e grupos
Mais. Está na hora de parar de culpar o governo passado pelo estado lastimável do presente. Primeiro, quem quis ser prefeito foi Paulo e para mudar. E se queria mudar, sabia que tudo, ou quase tudo, estava torto. Era preciso de arrumação e Paulo disse que tinha capacidade, articulação e liderança para isso. Segundo: todos estão percebendo (e percepção é algo perigoso e mais forte do que constatação) que além de não mudar, há a kleberização do governo de Paulo.
E uma das últimas notícias postadas oficialmente pela prefeitura de Gaspar, repete o que Kleber mais fazia quando governava: trocava de secretários a todo momento, fazia outros acumularem funções e na falta de alguém melhor ou para compor interesses de poder, inventava interinidade. Pois o antigo chefe de gabinete de Kleber, que é o atual chefe de gabinete de Paulo, o engenheiro eletricista Pedro Inácio Bornhausen, PP, e de onde se estabelecem as fraquezas do atual governo, acaba de ser nomeado interina e cumulativamente, secretário de Obras e Serviços Urbanos.
Paulo, sob desgaste não só da cidade, mas da própria equipe, seis meses depois, descobriu que Vanderlei Schmitz não lhe servia. Credo. E depois sou eu o exagerado que precisa ser calado. Muda, Gaspar!
5 comentários em “OS GASPARENSES SE DERAM CONTA QUE JÁ SE PASSARAM SEIS MESES DO “NOVO” GOVERNO. DE MÃOS VAZIAS ELE ESTÁ SE EXPLICANDO”
DE PEDRO II@EDU PARA LULA@GOV, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
Estimado presidente, a última vez que escrevi a vosmecê, em fevereiro, disse-lhe que as reformas ministeriais são um pesadelo inútil. Foi o que sucedeu com a sua. Escrevo-lhe agora porque almocei ontem com meus confrades republicanos, e veio à mesa a fala do presidente Trump defendendo o capitão Bolsonaro. Coisa rara, concordamos em que, na sua primeira fala, vosmecê fez muito bem ao dizer que tem assuntos mais importantes a tratar. (O Figueiredo ficou calado porque seu neto Paulo está metido com o Trump.)
Getúlio Vargas e Ernesto Geisel falaram dos sapos que engoliram lidando com presidentes americanos. O Getúlio reconheceu que o Franklin Roosevelt estava certo ao querer que o Brasil declarasse guerra aos alemães. Afinal, no início de 1939, antes que começasse a Segunda Guerra Mundial, os americanos olhavam para o Saliente Nordestino, essencial para que suas tropas atravessassem o Oceano Atlântico. O Geisel disse que só deu o troco ao Jimmy Carter depois que ambos haviam deixado o governo. Negou-se a recebê-lo e não atendeu o telefone quando ele ligou.
Em minha relação com os americanos tive no Rio um embaixador impertinente e mandei-o embora. Fui valente, mas meu sapo veio em 1864. Os Estados Unidos viviam uma guerra civil com o Sul lutando pela sua liberdade. Mantive-me neutro, mas um vapor sulista perseguido por um navio do Norte entrou na Baía de Salvador. Foi atacado, subjugado, rebocado e posto a pique nos Estados Unidos. Fiz um protesto e engoli o sapo.
Anos depois, fui aos Estados Unidos e visitei o presidente Grant, que havia comandado as tropas do Norte. Sujeito de aspecto grosseiro, com uma mulher feia e vesga, porém amável.
O Trump defendeu Bolsonaro, réu num processo que corre no Supremo Tribunal, mas vosmecê visitou a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que está em prisão domiciliar, cumprindo sentença da Justiça. Seis por meia dúzia. Nunca defendi meu primo Maximiliano, que era grão-duque da Áustria, aceitou ser imperador do México. Foi capturado, julgado e fuzilado.
Trump, como o senhor, é um palanqueiro, mas os senhores têm estilos e defeitos diferentes. Ele é um mentiroso compulsivo, enquanto vosmecê às vezes diz apenas puras tolices. Escale uma tropa de choque para incomodá-lo e não bata boca com ele. Não posso lhe dar detalhes, mas sei que o presidente da França e o primeiro-ministro inglês lidam assim com Trump. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, tinha tudo para virar antagonista verbal de Trump, mas evitou o papel.
O Juscelino Kubitschek disse que Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e provável candidato de Bolsonaro em 2026, já vestiu um boné de Trump e compartilhou sua mensagem. JK acha que esse é um prato cheio para vosmecê. Amigos dele já haviam admitido que essa aproximação é tóxica, mas o governador insistiu. Até o pleito de 2026, Trump terá deportado uns mil brasileiros e destruído os empregos de outros milhares. Mais um motivo para não bater boca.
Despeço-me desejando-lhe sucesso no silêncio e no governo de nossa pátria.
Seu patrício,
Pedro de Alcântara.
A TRADUÇÃO DO “NÓS CONTRA ELES”, por Vera Rosa, no jornal O Estado de S. Paulo
O governo Lula e o PT lançam hoje a segunda fase da campanha sobre a reforma da renda, desta vez para fazer a ligação direta entre o discurso de combate aos privilégios e a vida real. A primeira etapa jogou os holofotes sobre o conceito de justiça tributária, na esteira do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), rejeitado pelo Congresso. Agora, vídeos que serão postados nas redes sociais vão investir em comparações.
A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT vai tentar reduzir o ruído provocado pela estratégia do “nós contra eles”. Um dos vídeos mostra que o custo do programa Bolsa Família, no Orçamento de 2025, é de R$ 158 bilhões. “É o mesmo valor que o governo dá de isenção tributária para os mil maiores produtores rurais”, afirmou o publicitário Otávio Antunes, que faz a campanha do PT. “Mas não se trata de um enfrentamento com o Congresso nem de ‘nós contra eles’. A não ser que o ‘nós contra eles’ seja 99% contra 1%.”
Em uma estratégia combinada, a bancada petista na Câmara vai apresentar um novo projeto de lei para limitar os supersalários. Embora uma proposta sobre o mesmo assunto esteja parada no Senado, após ter sido aprovada por deputados, um relatório da Transparência Brasil constatou que o texto abre brecha para o pagamento de penduricalhos a magistrados, fora do teto de R$ 46.366,19.
Na prática, ao tratar da reforma da renda, Lula busca não só um mote para seu terceiro mandato como também se reposicionar no jogo para a campanha de 2026, após sucessivas quedas de popularidade.
Lula trava um embate com o Congresso por causa do IOF, mas avalia que o governo saiu das cordas ao reagir. No seu diagnóstico, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes jogou uma boia na direção do governo ao marcar audiência de conciliação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para o dia 15.
“A partir da discussão do IOF, nós conseguimos fazer com que esse assunto do combate aos privilégios entrasse no cotidiano das pessoas”, disse o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).
Petistas recorrem agora até ao ex-ministro da Economia Paulo Guedes, o Posto Ipiranga de Jair Bolsonaro, na tentativa de provar que o governo está certo ao propor o aumento do IOF. Circula em grupos de WhatsApp trecho de uma entrevista antiga de Guedes, defendendo a taxação dos super-ricos.
“Sessenta mil pessoas receberam R$ 300 bilhões e pagaram zero. Estamos falando de megabilionários. É o que eu sempre disse: ‘Você não tem de ter vergonha de ser rico; você tem de ter vergonha de não pagar imposto’”, disse o então ministro ao podcast Flow.
Motta está irritado com o ataque de aliados de Lula à Câmara, mas o personagem “Hugo Nem Se Importa”, criado pela esquerda, dá gargalhada nas redes e parece levar tudo numa boa. Resta saber quando virá o troco.
APOIO DE TRUMP A BOLSONARO REFLETE PRESIDÊNCIA CONTAMINADA POR IDEOLOGIA, editorial do jornal O Globo
Não têm cabimento as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Trump afirmou que o Brasil “está fazendo uma coisa terrível” contra Bolsonaro ao processá-lo por tentativa de golpe. “Ele não tem culpa de nada, exceto de ter lutado pelo povo”, escreveu numa rede social. Afirmou ainda que acompanhará de perto a “caça às bruxas” e disse que o único julgamento que importa é a eleição.
O Brasil é uma democracia com Poder Judiciário independente. Não cabe a Trump nem a nenhum outro mandatário criticar suas decisões. Bolsonaro não pode ser julgado pelos eleitores porque está inelegível, tampouco é vítima de caça às bruxas. É réu em processo no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de ser o líder de uma tentativa de golpe de Estado com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Em depoimento no mês passado, confirmou os fatos comprometedores apurados na investigação exaustiva da Polícia Federal. Tudo tem corrido dentro das regras democráticas – ou das “quatro linhas” da Constituição, como o próprio Bolsonaro costuma dizer. Não faz nenhum sentido insinuar perseguição política.
As declarações de Trump refletem o tipo de líder que ele é: alguém guiado por preferências pessoais e ideologia, em vez de por preocupações institucionais e pelos interesses de seu país. Nisso não é diferente do próprio Bolsonaro, tantas vezes acusado de usar o Estado e seus braços em benefício próprio. Nem de Lula que, embora tenha criticado Trump com veemência, comete erros semelhantes quando se trata de agradar aos “companheiros” com quem tem afinidade ideológica.
O episódio mais recente dessa faceta de Lula foi sua visita, na semana passada, à ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, que cumpre pena de prisão domiciliar depois de ser condenada por corrupção. Como a mensagem de Trump, a visita em si já era um desrespeito à Justiça argentina. Mas Lula foi além. Ao lado do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, posou para foto com um cartaz “Cristina libre”. Uma lógica torta semelhante rege o apoio de Trump a Bolsonaro.
Para além de inflamar a militância, na prática as declarações de Trump são inócuas. Integrantes do STF ouvidos pelo GLOBO disseram que fazem parte de uma agenda política e não terão nenhum impacto no julgamento de Bolsonaro. Todas as regras do processo legal têm sido cumpridas à risca. Bolsonaro e demais réus têm tido direito a ampla defesa. Nem poderia ser diferente. Trump pode falar o que quiser, mas o Brasil é um país soberano, e as instituições brasileiras têm se mostrado consistentes na defesa da Constituição. O julgamento de Bolsonaro e outros réus seguirá seu rumo, para além de qualquer opinião estapafúrdia de quem quer que seja. Como deve ser numa democracia.
Resolvi republicar este texto, para mostrar que passados 12 meses, nada mudou e pior poucos indícios que teremos mudanças. Se bem que eu ainda continuo acreditando em nossa Gaspar, Cidade Coração do Vale!
PARA ONDE NOSSA GASPAR, CIDADE CORAÇÃO DO VALE, DESEJA IR?
Gaspar, Cidade Coração do Vale, pulsa cada dia mais forte. Forte no empreendedorismo, no crescimento sem grandes preocupações com o futuro, uso indevido do solo, sem respeito as normas gerais de organização legal de seu Plano Diretor, respeitando o Estatuto das Cidades.
Mas os desrespeitos às lições históricas continuam desafiando as boas normas de exemplos clássicos de aproveitar os erros e acertos dos anos vividos como Norte.
Hoje gostaria de expor e exemplificar inúmeras situações de mobilidade que ao longo dos anos já tivemos, temos e poderemos vir a ter. Desde o século dezenove com o estabelecimento das colônias de imigrantes usamos os recursos disponíveis. O Caudaloso Rio Itajaí Açú serviu de caminho para a ocupação do nosso Vale a partir de Itajaí, além das inúmeras enchentes que sempre são desafiadoras. Mas por limitações de navegabilidade houve necessidade dos desbravadores implantarem vias carroçáveis para permitir melhor agilidade e rapidez da ocupação. Já no século vinte tivemos a implantação da saudosa Estrada de Ferro Santa Catarina entre Itajaí e Barra do Trombudo, hoje Trombudo Central, no Alto Vale do Itajaí. Infelizmente o Brasil optou por centrar a sua mobilidade na indústria automobilista, resultando no abandono dos meios iniciais implantados. Gaspar, já se disse inúmeras vezes ocupa uma posição geográfica invejável. Rio a cortá-la, Estradas carroçáveis transformadas em opções para a nova modalidade de transporte, vide os exemplos da Rodovia Jorge Lacerda e Ivo Silveira, além de outras que nos unem as cidades deste Vale. Hoje vivemos a saga da implantação da BR 470 na sua já duplicação tão lenta e custosa.
Vamos parar um pouco para refletir. Vamos olhar Gaspar num tempo em que Gaspar não dispunha de pontes para vencer a travessia no Rio Itajaí. De usarmos e compartilharmos a nossa histórica Rua Coronel Aristiliano Ramos, com todos para servir de passagem entre o Oeste e Leste de Santa Catarina. A transformação das Rodovias Ivo Silveira SC 108 e Jorge Lacerda SC 412, em pistas simples, mas asfaltadas e retificadas.
Infelizmente ou felizmente as modificações tiveram e deveriam ter a opinião de seus representantes. A população deve ser sempre orientada a opinar nas vantagens e desvantagens de progressos oferecidos. Mas parece que a História não serve de balizamento para decisões necessárias e impactantes. Vamos abordar algumas.
A implantação da famosa duplicação da BR-470 não está a merecer, exceção a algumas entidades de classe, dos devidos cuidados de planejamento. Não se vê uma discussão séria sobre a ocupação séria dos solos limítrofes, seu uso como atividades econômicas, ocupação por moradias e a própria mobilidade desta nova realidade a ser implantada. Não se vê um Plano de implantação de redes de águas pluviais e de esgoto, captação, tratamento e distribuição de águas para a nova realidade. Hoje, infelizmente só se aborda o tempo interminável da implantação e suas consequências.
Outro exemplo atual é a discussão da mobilidade de Gaspar entre seus diversos Bairros, cidades do Vale e além de nosso Estado. Graças a visão de alguns Ex-Prefeitos, tivemos a ousadia de começar opções de liberação da referida Rua Coronel Aristiliano Ramos em etapas iniciadas nos longínquos anos setenta. Infelizmente, mais alguns cuidados, não foram tomados, há exceções, com o dimensionamento dos espaços necessários para implantar novos vetores de deslocamento. Hoje existe, graças a visão do Plano Diretor de 2006, feito a luz do Estatuto das Cidades, Lei Municipal 2.803 de 2006, projeto de construção de opções entre Bairros e cidades já referidas. O tempo está fluindo, graças a visão de alguns poucos cidadãos estamos vendo a necessidade de sempre iniciar sua consolidação. Mas, sempre o mas, não sensibilizou as autoridades de plantão escolhidas pelo voto e sua Assessoria continuam a pensar o hoje e desconsiderar o amanhã.
Implantar um pequeno e caro trecho em solução de pista simples é no mínimo um desrespeito as boas e recomendáveis normas de Planejamento. Se hoje servirá o tempo dirá, mas certamente estamos determinando, com consequências danosas, o enorme custo de corrigirmos as necessidades do amanhã.
Como uma necessidade puxa e mostra outras começamos a viver e escutar uma nova polemica, que certamente deverá ocupar o tempo de muitos, a chamada e oferecida duplicação da hoje pista simples da Rodovia Ivo Silveira SC 108 (Gaspar a Brusque). Gaspar tem que perder a mania teimosa e burra de querer pagar a conta no mínimo duas vezes. Se pagamos e honramos a carga tributária temos o dever e o direito de reivindicar que o Estado de SC e o governo federal façam e nos devolvam parte do que recolhemos.
Volto a lembrar a história. Quando Gaspar soube conviver com as autoridades estaduais e federais tivemos ganhos consideráveis. Cito tão somente dois: Ponte Hercílio Deeke com a visão futurista do Prefeito Dorval, inaugurada em 19/06/1960 e a Ponte do Vale Prefeito Dorval Rodolfo Pamplona, inaugurada em dezembro de 2016, preparando Gaspar para usufruir das vantagens da duplicação da BR 470 tão esperada e difícil de termos a entrega definitiva.
Exemplos teríamos aos montes. Mas alguns saltam aos olhos de todos e por teimosia e ou desconhecimento teimam em desafiar o bom Planejamento. Que São Pedro do alto da colina inspire e aconselhe os de plantão eleitos e pagos pelo Povo. Gaspar continuará com erros e acertos. O amanhã a nós pertence, basta querer e usar o bom senso e o passado histórico de realizações para seguirmos em frente. Os Agentes Públicos eleitos, em 06/10/24, terão vida definida pelo mandato, o povo o poder de mudar pelo Voto. Em julho de 2021, tivemos a inauguração do Trecho 02 do Contorno Urbano de Gaspar, com 1 km de extensão, obra importante e necessária. Vai ajudar a melhorar em muito a Mobilidade Urbana de Gaspar e Região. Mas de novo fica um questionamento, uma obra estruturante desta importância, tendo sido implantada em uma Via com duas pistas (simples), a um custo de aproximadamente R$ 12.000.000,00. Não dá para acreditar, pois nos anos setenta o então Prefeito Osvaldo Schneider planejou e executou a atual Avenida das Comunidades, com duas Vias e quatro Pistas (dupla). Assim como podemos entender e aceitar que quase 50 anos depois os Agentes Públicos, insistem em pista simples, lembrando a tempo que os recursos para a execução da referida obra, são recursos do FINISA ou seja financiamento junto a Caixa Econômica Federal. Sem falar que a Ponte do Vale Prefeito Dorval Rodolfo Pamplona também tem duas Vias com quatro Pistas (dupla). Até hoje não existe uma placa registrando esta importante obra de infraestrutura.
Chega de Planejamento meia boca, interesses atendidos de alguns poucos protegidos e pensar numa Gaspar global, usando como exemplos os trabalhos coletivos das comunidades. Vamos pensar grande, olhar regionalmente, pensando numa Gaspar, Cidade de Futuro.
Gaspar, 08 de julho de 2025
Adilson Luis Schmitt
Ex Prefeito de Gaspar
Gestão 2005 a 2008
ATAQUE DE TRUMP, POR ORA, AJUDA MAIS LULA DO QUE BOLSONARO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro, Donald Trump vinha ignorando solenemente a relação com o Brasil, para onde nem embaixador plenipotenciário o americano indicou até agora.
Fora breve citação em que disse que o país de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa muito mais dos EUA do que vice-versa, um truísmo temperado com soberba, a relação entre Brasília e Washington era de distante a ausente.
Melhor para o petista: até por presidir um superávit comercial com o Brasil, até aqui Trump não criou grandes embaraços para o país em sua guerra tarifária. Mesmo no delicado tema da imigração ilegal, os entrechoques foram bem absorvidos pelo Itamaraty.
Deu-se assim até um hiato de 12 horas entre duas postagens do republicano. Na primeira, na noite do domingo (6), ele ameaçou nações que se alinhassem às “políticas antiamericanas” do Brics com uma sobretaxa de 10% às exportações para os EUA.
Na segunda, Trump publicou um pequeno libelo contra o sistema judicial brasileiro para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no seu entender um alvo de “caça às bruxas” que deveria ser deixado “em paz”.
Ambas as manifestações podem ser colocadas no escaninho das falas ao vento do republicano, dado à busca de alarido com pouca substância prática, que mais servem para energizar a direita populista que o segue.
O caso do Brics nem sequer é inédito. Trump já havia ameaçado com tarifas de 100% caso membros do grupo adotassem mecanismos excluindo o dólar de suas transações. Nada ocorreu.
O novo ruído se deu, porém, no momento em que o Brasil sediava a 17ª cúpula do bloco criado nos anos 2000, numa edição esvaziada que expôs sua baixa eficácia na organização de demandas do mundo emergente.
A ameaça veio em boa hora para Lula, permitindo-o sustentar que “os Brics estão incomodando”. Para a política externa que claudica na busca por relevância, não deixa de ser um respiro.
Já a defesa de Bolsonaro, descabida intromissão em tema das instituições de outro país, não irá evitar a provável condenação por tentativa de golpe de Estado, mas pode ter implicações mais sérias na relação bilateral.
A família do ex-presidente trabalha para que o governo americano crie constrangimentos ao ministro Alexandre de Moraes, que comanda o julgamento do patriarca no Supremo Tribunal Federal. A caudalosa postagem de Trump pode criar a expectativa de novos movimentos.
Apesar do risco, de imediato Lula agradece. Não menos que três de seus ministros correram a responder ao americano, e o mandatário, que já se meteu em assuntos de outras nações, pôde rechaçar a ingerência externa.
Com isso, galvaniza também sua base e acena à fatia da população que tem ojeriza a Trump. Se a descoberta do Brasil pelo americano irá além do efêmero das redes, isso ainda é incerto.