Não faltava mais nada. Cansado de ver uma enxurrada de Projetos de Lei assinada pelo governo Paulo Norberto Koerich, PL, para ampliar despesas e inchar a máquina pública municipal em tempos digitais e da Inteligência Artificial- como nunca se viu antes na gestão municipal local -, criando novas vagas, aumentando salários de uns, equiparando outros, diminuindo a carga horária de alguns, mesmo antes da aprovação e em discussão quase secreta da cara – tanto no custo de fazê-la, quanto para mantê-la – da Reforma Administrativa quando e se aprovada pela Câmara -, o vereador da própria base do governo, Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, gravou um vídeo. Para ele, tudo isto iria custar mais de R$100 milhões aos cofres municipais colocando em risco o equilíbrio financeiro e orçamentário do município de Gaspar.
Thimoti fez com sua fala nas redes sociais – e até em esparsadas intervenções nas suas falas na tribuna da Câmara Municipal – a festa. Surpreendeu até a frágil e suposta oposição. Thimoti se tornou a voz dos “silenciosos” que apoiam o governo, mas não querem colocar a cara a tapa para não se desgastar e enfrentá-lo com os questionamentos, explicações, perseguições e vinganças.
Esta ação de inchamento permanente da máquina pública no governo de Paulo Norberto Koerich, PL, foi toda ela avaliada pelo Sindicado dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal em documentos que sempre enviou à Câmara. Uau!
O Sintraspug não se identifica com nenhum partido da base do atual governo. Ao contrário. É essencialmente de esquerda. E estes projetos, segundo especialistas consultados pelo blog, isoladamente, como estão sendo propostos, num claro fatiamento, e antes da votação da Reforma Administrativa, podem gerar, perigosamente, várias futuras reclamações por isonomia [igualdade de condições] de várias categorias do funcionalismo público municipal. E isto sim, implicará em mais custos, obrigações, despesas, indenizações contra o Orçamento do atual, mas principalmente, de outros governos diante da judicialização.
Veja parte do vídeo. Volto mais adiante.
Antes de prosseguir, uma necessária observação. O vereador Thimoti pode estar certo, bem intencionado e no papel dele de denunciar o que se trama contra a cidade, a sua população e seu futuro. Espera-se que Thimoti esteja bem assessorado nas contas que lhes deram o número “mágico” de R$100 milhões para o espetáculo dele das redes sociais.
A cara Reforma Administrativa, por exemplo, o seu relator Dionísio Luiz Bertoldi, PT, estima, e por falta de informações e elementos mais concretos um crescimento entre R$10 a 15 milhões por ano. Sobre os outros projetos que o governo mandou, aprovou ou estão em trâmite, que mal explicou e até mesmo quando calculou sobre os impactos financeiros no Orçamento, há dúvidas concretas sobre os números apresentados pela prefeitura. Mas, somados e capazes de chegar a R$100 milhões, é algo assustador. E sendo real, é um escândalo nacional e a atual administração deveria urgentemente ser interditada por meios legais, incluindo uma CPI.
Retomando.
Esta preocupação não é só de Thimoti. Ela está nos corredores da Câmara Municipal de Gaspar, de quase todos os vereadores. Entretanto, poucos se expressam sobre isto em público, até porque pode-se ser contra a criação de cargos, mudanças de funções, corte de horas com perpetuação da remuneração original, penduricalhos – como a escandalosa gratificação para os integrantes da Comissão de Processo Administrativo e Disciplinar e que está sendo devidamente congelada diante de tanto acinte. Por outro lado, fala-se mais alto na sobrevivência desses mesmos políticos. É que não se pode ser contra a poderosa máquina de votos dos servidores. E esta máquina sabe que estes benefícios ganhos ou negados hoje terão reflexos e ganhos remuneratórios no futuro para os atuais servidores.
Além disso, este tema é áspero e desinteressante para a rara mídia local. Este assunto também não sensibiliza as associações de classe, entidades da dita sociedade organizada, muito menos um tal sonolento Observatório Social. Todos os pagadores dessa conta.
THIMOTI É O PORTA-VOZ DO VICE SEM VOZ E ISOLADO NO GOVERNO DE PAULO

O que se estranha neste vídeo de Thimoti? É que ele seja, exatamente, o porta-voz do vice-prefeito, Rodrigo Boeing Althoff, um engenheiro, funcionário público, professor, bem estudado, acostumado a números e contas complicadas. Ele foi rifado no PL e está acomodado no Republicanos. E ambos, nas escolhas que fizeram, foram os grandes derrotados nas eleições deste outubro. Nem mais, nem menos.
Desde a posse, Rodrigo está sem voz no atual governo de Paulo Norberto Koerich, PL. E está estocando Paulo via Thimoti para tentar recuperar espaços, sem que tenha que ele tenha se desgastar ou posar de vítima perante a cidade. E Paulo, por outro lado, está apanhando e se desgastando por conta da conhecida teimosia e senso de vingança, bem como, em decorrência da tática errática de comunicação tantas vezes descritas aqui. Ou, então, porque não tem nada a explicar mesmo. Resumindo: Thimoti e Rodrigo, se este for o caso, estão com a razão e quem assina isto é o próprio Paulo.
Ao acusar o governo Paulo Norberto Koerich, PL, de sonegar reiteradamente, informações, desde simples explicações, esclarecer e à mínima transparência não só a cidade, mas aos próprios vereadores feitos de bobos a todo momento pelo gabinete do governo, apesar do garoto de recado que ele transformou o chefe de gabinete, André de Moura Cunha – agora, sem experiência, o responsável pela Comunicação no quarto titular em menos de dois anos -, Paulo Norberto Koerich, PL, assume o que o vereador sugere: o aumento absurdo das despesas contra os gasparenses, a quebradeira da prefeitura e uma herança maldita para o próximo governo. E de quebra, lava as mãos do seu vice.
Até a postagem deste artigo, não houve qualquer contestação oficial ao que explicitou o vereador Thimoti Thiago Deschamps, PL.
Thimoti não é uma oposição de verdade. Ele busca, desesperadamente, inserir-se no suposto espaço cativo no atual governoem que pensava estar automaticamente inserido quando eleito em outubro de 2024. Ele achava ser este espaço dele por afinidades ideológicas e amarras daquela campanha. Contudo, diante do isolamento do seu cacique Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, da falta de resultados do atual governo que teria que defender, Thimoti assumiu, por orientação de Rodrigo e aos interesses contrariados de Rodrigo, um frágil e inautêntico papel de oposição.
Com isso, Tanto Rodrigo como Thimoti, pensam que vão criar narrativas e com elas se salvarem nas eleições de 2028. Parece que não aprenderam nada com este outubro de 2026. Saíram chamuscados tanto quanto Paulo. Ao mesmo tempo, Thimoti alimenta e faz a festa da suposta oposição como Giovano Borges, PSD, Roni Jean Muller, MDB e Dionísio Luiz Bertoldi, PT, com quem ainda não está alinhado.
GASPAR SERÁ UMA NOVA INDAIAL?
Enquanto Gaspar vai inchando a máquina pública municipal e criando uma bomba para os futuros governantes, na semana passada, o prefeito de Indaial, Sílvio César da Silva, PL, surpreendeu e anunciou o corte de 12 para sete secretarias. Tudo, segundo anunciou, para conter um suposto rombo de R$300 milhões acumulados em 20 anos. O antecessor de Silvio, Sérgio Almir dos Santos, o Serginho, MDB, rebolou para dizer que não era bem assim.
Não vou entrar no mérito da briga de lá. O certo é que há um fato. O certo é que aqui a Reforma Administrativa ainda não aprovada cria mais despesas. O certo é que lá em Indaial, chegou-se a um ponto desesperador de se cortar na carne a tal ponto de prejudicar a própria população. E quem era o que cuidava de tudo isso lá antes de Sílvio chegar? Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha, a mesma que Paulo Norberto Koerich, PL, contratou para tocar o mesmo assunto por aqui. E ela está inchando, não está se explicando, nem mesmo na apresentação obrigatória quadrimestral do Orçamento. Sintomático. Preocupante. Muda, Gaspar!
O vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, pode virar um herói, ou então se tornar um bravateiro que vai perder toda a credibilidade de fiscal, como um credenciado vereador que ele tenta construir perante a cidade, cidadãos e cidadãs. Falta-lhe, como anuncie acima, validar os seus espetaculares números. Transparência é essencial nestes casos.
UM NÚMERO ESPETACULAR E DE FALIR QUALQUER UM
Mas, para isso, Thimoti não pode ser uma mero testa de ferro aos interesses de um acadêmico que tem de ficar em casa esperando um acontecimento excepcional para assumir a vaga de prefeito, que tentou em 2020 e não conseguiu. Como vice, se não houve nenhum acordo político quando se montou a chapa -e precisa denunciar a cidade se isto aconteceu – que está sendo descumprido tem que ficar na dele. Rodrigo é, no fundo, então, um esquenta banco na área da reserva por mais dois anos.
Aumento de despesas – não é exatamente de investimentos – de R$100 milhões é muito, muito mesmo num Orçamento para o ano que vem de R$700 milhões. E piora tudo, quando a Câmara emendou um financiamento genérico de R$100 milhões para ser tomado no Banco do Brasil. Thimoti está falando num suposto rombo de R$100 milhões – e que penso ser anual ou até o final do governo, pois não explicou até agora – nos cofres de Gaspar. O alerta que ele faz é importantíssimo. Está no papel dele. Mais do que isso, deveria sair das redes sociais e estar afundando o caminho do Tribunal de Contas e do Ministério Público. Faria melhor por si, pela cidade, por seu vice de estimação e até mesmo pelo atual governo conservador que se acha solto e sem ninguém a auditá-lo tecnicamente. No máximo, se acha perseguido por uma minoria política. Uma desculpa vazia para continuar no suposto erro contra si e a cidade.
Este rombo estaria sendo construído pelas ações de Paulo Norberto Koerich, PL, contra a administração, a cidade e seus futuro. Sinais – se não for da teimosia e da reiterada falta de diálogo e da transparência de Paulo Norberto Koerich, PL, ele claramente sinalizou quando pediu – e ganhou – o cheque em branco aos vereadores para este empréstimo de R$100 milhões. Ele e os vereadores – com raras exceções – passarem vergonha ao terem que voltar nesta matéria. Numa corrida contra o tempo, a mando do Banco do Brasil que não aceitou o Projeto de Lei originalmente aprovado pela Câmara sem a indicação de como seria usado estes R$100 milhões, fizeram uma emenda, acrescentando um artigo, com indicações genéricas por área, incluindo a manutenção da máquina pública. Credo.
Espantosa mesmo, foi que a experimentada Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha participou desta patacoada. Ou seja, tanto Paulo, Ana Karina, a área jurídica da prefeitura e o chefia de gabinete foram os que alimentaram o “rebelde” Thimoti, orientado por Rodrigo. Incrível é a sucessão de erros, teimosias dessa gente depois de quase dois anos de governo. Aprendizado até aqui zero. E a Gaspar, por isso, continua nas manchetes erradas. E diante dos desgastes, para o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, os culpados são todos, menos eles mesmos. Inacreditável. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
O fiscal concursado Pablo Adriano Ribeiro Costa da Silva, lotado originalmente na Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da secretaria de Planejamento Territorial de Gaspar, já estava num exílio como fiscal de posturas na secretaria de Obras e Serviços Urbanos. Fiscalizava os loteamentos, empresas do ramo e começou a enquadrar as glebas que não estavam regularizadas como loteamentos, mas pareciam estar na prefeitura por erros e interesses. Na sexta-feira foi o seu último dia na função. Agora ele está afastado e sem funções na prefeitura de Gaspar.
Pablo Adriano Ribeiro Costa da Silva desde o primeiro dia – há mais de oito anos e 25 de serviço público – em que assumiu as suas funções originais na SUMADS se tornou um problema para a administração de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, e agora, para Paulo Norberto Koerich, PL. Queriam Pablo Adriano um burocrata de quinta categoria de olhos fechados e aos interesses dos poderosos empreendedores, loteadores e as irregularidades fundiárias no município, tratadas aos interesses político e da proximidade dos no poder de plantão.
Diante de tanta pressão, abusos e “magias” departamentais na prefeitura de Gaspar, não restou a ele próprio, Pablo Adriano Ribeiro Costa da Silva denunciar e insistir, com provas robustas – algumas das quais apareceram aqui – ao Ministério Público ou até mesmo recorrer à Justiça diante de julgamentos controversos para não se dar ele a pecha de prevaricador. Em todas, até aqui, Pablo Adriano foi vencedor. Sintomático. Previsível desfecho. Diante disso, e por isso, a prefeitura de Gaspar estava e está inconformada com tudo isso. Aos empresários, não restou outra alternativa a de pressionar nos bastidores e pedir a cabeça de Adriano. E os políticos no poder de plantão a deram.
Na semana passada, um servidor da comissão de Processo Administrativo e Disciplinar apareceu dizer a Pablo Adriano Ribeiro Costa da Silva de que ele estava afastado por reiteradamente ter denunciado o município ao Ministério Público – uma obrigação funcional dele como servidor público concursado que é -, que ele estava gerando problemas para a administração pública por seguir a legislação em vigor e com isso desagradando os empreendedores particulares, bem como, o de assediar servidores, deixando-lhes com medo no ambiente de trabalho entre a pressão e se cumprir a legislação.
O que a prefeitura de Gaspar classificou como assédio de Pablo Adriano Ribeiro Costa da Silva? A de instruir – ou esclarecer – os servidores quanto às normas legais em vigor e que contrariavam a orientação de superiores para burlá-la. A redução a termo de todas as irregularidades encontradas por Pablo Adriano, ou realmente praticadas no âmbito fundiário e imobiliário a mando de políticos, empresários e comissionados.
O afastamento de Pablo Adriano Ribeiro Costa da Silva mostra que a cara e demorada revisão do Plano Diretor é para inglês ver, atende a uma pressão da legislação e os interesses dos poderosos de plantão de sempre nesta área. Pode ter havido um erro de cálculo. Com o afastamento do servidor e fiscal Pablo Adriano ele, com o conhecimento técnico acumulado e o domínio dos problemas de Gaspar, no fundo, ele ficou bem mais solto para continuar, com mais experiência, o que sempre fez: apontar solidamente ao MP e à Justiça os truques e seus mágicos nesta área na prefeitura de Gaspar.
Por fim, a reintegração do servidor Pablo Adriano Ribeiro Costa e Silva, que já procurou advogado especializado, à função será questão de tempo e custará caro aos cofres municipais sustentados pelos gasparenses. O que resta saber? Qual é a boiada que se quer passar durante o afastamento temporário do fiscal Pablo Adriano.
Coincidentemente, tal ato contra Pablo Adriano Ribeiro Costa da Silva, veio logo após uma mega empresa local ter reformado um acórdão na segunda instância, ou seja, no Tribunal de Justiça. E já comemorava esta liberação. Não restou na reunião da dita pedreira, a pedir urgência pela guilhotina contra o fiscal competente, mas intrometido, persistente e quase sempre vencedor somente pelo uso da legislação em vigor. Muda, Gaspar!.

O vereador Alexsandro Burnier, PRD – que não se sabe se “voltará” para o PL e antes que alguém exija esta vaga -, ainda não se deu conta de que as eleições de 2026 já terminaram e que o bolsonarismo foi o grande derrotado. Foi o bolsonarismo que levou a direita e conservadorismo para o buraco no Brasil. Ele armou uma tal Moção de Repúdio contra o IFSC por questões políticas, na sessão passada na Câmara. E se deu mal. É um aviso. Alexsandro ficou, praticamente, isolado na esperteza.
O vereador tictocker, está atrás de factoides, para ser continuar em evidência já que não pode, por enquanto, defender o atual governo de Paulo Norberto Koerich, PL, no qual mendiga diariamente capinação, roçagem, limpeza de bueiro e valas, fechamento de buracos e limpeza de terrenos públicos como se fosse um mero vereador de oposição e esquecido, propositalmente, pelo prefeito de plantão.
Credo. Tem gente que foi infiel ao seu partido a vida toda. Agora, viu os votos sumirem das urnas para si e por causa da sua prática. E qual a explicação dele? De infidelidade partidária do seu partido que tratou sempre como uma mera sigla de aluguel e oportunismo. Valha-me Deus!
Agora vai. Depois de ter sido barrada em dezembro na sessão embrulho, a única extraordinária do ano passado, a nova taxa de lixo em Gaspar vai pela segunda vez a Câmara e no final do ano. Desta vez o relator é o mais longevo dos vereadores, ex-presidente do SAMAE e como tal centro de uma CPI, José Hilário Melato, PP. Melato, depois de manobras que faz há várias legislaturas para sempre estar com o governo de plantão, Melato assegurou governabilidade e abertura da porteira ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL.
O ex-procurador geral do município de Gaspar, Aurélio Marcos de Souza (2005/08), para usar as próprias palavras do vereador, está “debruçado” sobre a matéria com uma cabeluda denúncia no Ministério Público. As entidades de classe, mais uma vez, caladas. Hum!
É incrível como Gaspar cultua o atraso I. Não é que andaram fazendo uma reunião – e tiveram coragem de divulgar -, com aval do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, para ressuscitar mais uma obra de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, que nunca deu certo e que foi articulada pelo MDB nacional? A Capital Nacional da Moda Infantil, que ninguém sabe aonde ela foi ou está. Enquanto isso, em Blumenau, projetam mais um polo de inovação…
É incrível como Gaspar cultua o atraso II. Foram a reunião, alguns gatos pingados, como aqueles reencontros de formaturas para colocar o papo em dia sobre a saudade do passado que não volta mais.
É incrível como Gaspar cultua o atraso II. No final da semana passada, um grande e pioneiro empreendimento de cascatas em Gaspar – que se tornou assim pela visão dos seus empreendedores – fez a sua abertura oficial de temporada. Legal. Repercutiu. Mas, perguntar não ofende. Qual a razão para a secretaria de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo não fazer algo que englobe todas e criar esta marca da tal Rota da Águas para a cidade? Muda, Gaspar!
2 comentários em “MENOS DE DOIS ANOS DA POSSE. A DEPENDER DA FALTA DE EXPLICAÇÕES, CONTESTAÇÕES E TRANSPARÊNCIA DOS GOVERNANTES DE PLANTÃO, DOS DISCURSOS DOS VEREADORES DA PRÓPRIA BASE DO GOVERNO, DOS MILIONÁRIOS EMPRÉSTIMOS SEM FINALIDADES ESPECÍFICAS APROVADOS NA CÂMARA, VEREADOR DA BASE ACUSA ESTAR A PREFEITURA DE GASPAR QUEBRADA, SEM CONTROLE NA GASTANÇA, INCHANDO E COM ISSO, VAI DEIXAR UMA SUPOSTA HERANÇA MALDITA PARA O PRÓXIMO PREFEITO”
A OPOSIÇÃO DE QUE O BRASIL PRECISA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Como em 2022, as eleições de 2026 comprovaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é maior que a esquerda e o ex-presidente Jair Bolsonaro é menor que a direita. Flávio Bolsonaro, filho de Jair, foi derrotado na eleição presidencial, mas a direita saiu fortalecida no Congresso: o Partido Liberal terá as maiores bancadas da Câmara e do Senado. Assim, Lula recebeu autoridade para governar, e seus opositores, instrumentos para fiscalizá-lo e propor reformas. Apenas protestar contra as decisões do presidente será insuficiente. A direita terá de responder também pelas suas.
O primeiro obstáculo está na própria direita. O bolsonarismo conserva capital eleitoral e defende bandeiras populares. Mas uma oposição parlamentar não pode se resumir a uma bancada em defesa dos interesses do clã Bolsonaro. O personalismo e a tolerância com discursos golpistas estreitam o horizonte de uma direita que precisa oferecer ao País algo melhor que a fidelidade a um sobrenome.
A economia oferece razões de sobra para uma oposição firme. Lula chega ao quarto mandato com gastos em expansão e relutância em enfrentar os interesses beneficiados por eles. Projeções do mercado apontam dívida bruta próxima de 87% do PIB e déficit nominal de 8,5% em 2027. O novo Imposto sobre Valor Agregado, na casa dos 30% a 34%, será, de longe, o maior do mundo. O governo insiste em procurar novas receitas e confiar em intervenções estatais, enquanto despesas permanentes comprimem a margem para investir e reagir a crises. Escolhas são inevitáveis, e adiar o ajuste só as encarecerá.
Uma alternativa liberal precisa mobilizar a sociedade para romper essa trajetória. Rever despesas exige avaliar resultados e enfrentar privilégios entranhados no Orçamento. Reduzir subsídios e proteções seletivas abriria espaço para a concorrência e para empresas que prosperem por atender consumidores, em vez de cultivar relações em Brasília. Essas reformas atingem grupos organizados e exigem transições para proteger quem depende de serviços e benefícios legítimos. Exigem coragem política, em vez de promessas milagrosas.
O parlamentar que condena a prodigalidade petista enquanto protege emendas opacas ou vantagens próprias cobra de Lula uma disciplina que se recusa a praticar. Há emendas que atendem a necessidades reais e há acordos indispensáveis para aprovar reformas. Ninguém fabrica maiorias apenas com convicções: a política envolve interesses, trocas e concessões. A negociação pode reduzir o alcance de uma reforma, mas não deve servir para preservar os privilégios que ela pretendia combater.
No Senado, em especial, há uma tarefa igualmente urgente, mas que exige menos flexibilidade e mais firmeza: o Estado de exceção judicial tem de acabar. Os poderes concentrados no Supremo têm de ser distribuídos, e os ministros indignos do cargo, punidos. O Senado contribuiu para isso ao tratar a fiscalização do Supremo como cerimonial. Precisa agora realizar sabatinas sérias e promover reformas profundas. A independência judicial protege a Justiça, sem conferir aos juízes imunidade à crítica ou ao controle constitucional. Mas esse controle perderá legitimidade se servir à revanche pessoal.
A força parlamentar conferida pelo eleitor também terá de produzir resultados próprios. A direita pode tomar a iniciativa de reformas que ampliem oportunidades, melhorem serviços e destravem investimentos. Para aprová-las, terá de negociar com o Centrão e reunir maiorias. Emendas constitucionais, por exemplo, independem de sanção presidencial – em contrapartida, exigem 3/5 de cada Casa. Nem toda concessão será bonita; algumas serão o preço legítimo de uma lei melhor que a existente. E, se Lula encaminhar uma iniciativa útil – no combate às facções, por exemplo –, caberá aperfeiçoá-la e, se for o caso, aprová-la. Os eventuais dividendos políticos do presidente serão um custo aceitável diante do benefício para a população. Negociações só se convertem em fisiologismo se os benefícios ficarem sobretudo com os negociadores.
As urnas não confiaram à direita o governo, mas lhe deram poder suficiente para provar que saberia exercê-lo. Lula responderá pelo quarto mandato. Seus adversários responderão pelas escolhas que fizerem no Congresso. A alternativa que garantem ter para o Brasil já está sendo posta à prova.
REFORMA EXPLICITA O GIGANTISMO DA CARGA TRIBUTÁRIA, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Não chega a ser uma surpresa que a alíquota proposta para a nova Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), criada pela reforma tributária, tenha ficado em pesados 11,3%, acima das projeções anteriores do Ministério da Fazenda, que rondavam 9,2%.
A cifra calculada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a ser referendada pelo Senado, começa a expor o tamanho real da escorchante carga de impostos sobre o consumo no país —e o custo das supostas bondades do Congresso Nacional ao distribuir benefícios fiscais durante a reforma.
A mudança, que começa a ser implementada de modo gradual, é no geral louvável, com a racionalização tardia de um sistema caótico de tributos incidentes sobre a venda de mercadorias e serviços. A CBS, federal, assume o lugar do PIS/Pasep e da Cofins. Já o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado por estados e municípios, absorverá o ICMS e o ISS até 2033.
Haverá ainda o Imposto Seletivo, também federal, cobrança adicional com o objetivo de desestimular o consumo de artigos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Por fim, o IPI terá suas alíquotas reduzidas a zero, salvo para certos produtos oriundos da Zona Franca de Manaus.
Quando o IBS atingir a plena vigência, a soma das alíquotas de referência dos dois tributos principais pode superar 30%, entre os maiores percentuais do mundo.
A taxa nas alturas tem mais de um motivo. No caso da CBS, o cálculo busca preservar a arrecadação média de 2012 a 2021 dos tributos substituídos (4,99% do Produto Interno Bruto), embora, nos últimos anos, a receita tenha sido menor que isso.
Numerosas exceções e regimes diferenciados, resultantes de pressões setoriais no Congresso, também elevam a carga sobre o conjunto dos contribuintes.
Ainda assim, o novo sistema é superior ao atual: desfaz a cumulatividade dos tributos e adota como base o valor agregado. A alíquota conjunta torna explícita a carga que já existe de forma pulverizada e pouco transparente. Se a arrecadação efetiva superar o teto de referência, a legislação prevê calibragem periódica.
A premissa de igualdade de arrecadação não implica neutralidade por setor. Serviços, especialmente os intensivos em mão de obra e com menor geração de créditos tributários, tendem a enfrentar carga maior; a indústria, com cadeias mais longas de produção, pode se beneficiar.
O efeito líquido sobre a economia deve ser positivo. O principal avanço é a incidência dos impostos no destino dos produtos, o que elimina a concessão abusiva de incentivos fiscais para atração de empresas. Esperam-se, com o tempo, ganhos de produtividade e simplificação operacional.
As alíquotas elevadas não resultam da reforma, mas da alta do gasto público, que exige mais e mais arrecadação. Os percentuais também seriam menores se houvesse menos setores agraciados com subsídios e isenções.