Os maus exemplos de Brasília, acordos de gabinetes entre poderosos e a continuada falta de transparência que estão sendo combatidos nas campanhas eleitorais, estão espelhados aqui.
Eu esperei duas semanas. Nem na imprensa – e se entende -, nem as redes sociais, nem os aplicativos de mensagens, mas principalmente nas entidades que dizem “fiscais” e “representantes” da sociedade organizada de Gaspar – incluindo o impressionante decorativo Observatório Social – NÃO foram capazes de questionar – e dar números aos bois – do grande “acordão” de bastidores que está em curso no ambiente político-administrativo de Gaspar. Ele, e sou testemunha de décadas, nunca tinha sido visto antes com tamanha proporção e ardilosa desfaçatez.
Este “acordão” entre o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, a Câmara e quem se diz oposição, pode formalizar e autorizar um aumento de gastos na estrutura político-administrativo do município. Na ponta do lápis, ele pode chegar – se não passar -, a R$15 milhões por ano de gastos com novas ou redesenhadas estruturas e pessoas.
Os impactos orçamentários oferecidos para a tramitação das matérias na Câmara também podem estar subdimensionados, segundo a avaliação de alguns técnicos de dentro da própria prefeitura e de ensaios feitos por quem vinha “torcendo o nariz” dentro da Câmara e que já começa desentortá-lo. E a suposta distorção que afetará o limite de gastos com pessoal (60% da Receita Corrente Líquida) levará dois anos para o Tribunal de Contas perceber o verdadeiro tamanho na criação de novas despesas, todas, neste caso, autorizadas pela Câmara. Ulalá!
O SILÊNCIO, É NO FUNDO, UM GESTO DE APROVAÇÃO
Repito: é algo nada visto anteriormente. Ah, mas aonde está a tímida oposição ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL? Sendo enquadrada e se ajustando, alegando que é minoria, não faz verão e não adianta se desgastar perante os servidores. Eles em Gaspar como os políticos pensam nos servidores como decisivos nas eleições deles. No fundo, de verdade, esta mesma “tímida oposição” sabe que será beneficiária; talvez não agora, contudo, mais adiante quando mudar o governo, ou quando ela precisar negociar as contrapartidas com o atual governo, como faz agora.
E o vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, servidor público Federal, rompido com Paulo Norberto Koerich, PL, servidor público estadual? Está calado. Ou seja, está aprovando. Sabe que não vai contra os servidores em tempo de eleições. E em caso de algum acidente de percurso, vai ganhar um prato cheio que não preparou, mas vai saborear.
Resumindo: serão mais cargos para se ocupar, negociar e distribuir entre nos nacos de poder e negociações do toma lá, dá cá. Pouco importa a capacidade – e até a idoneidade – dos ocupantes. Tanto que recentemente importaram de Blumenau e arredores, para empregarem aqui, comissionados por supostamente não “existirem” aqui. Apesar das entrevistas feitas pessoalmente pelos empregadores daqui – como eles próprios relataram à imprensa -, sobram escândalos – em apuração – que foram dar na Polícia, Ministério Público e Justiça não pelo praticaram aqui, mas pela folha pregressa.
MAIS VAGAS NA PREFEITURA E CÂMARA, REMUNERAÇÕES MAIORES E MAIS VEREADORES
Retomando.
A operação para favorecer à enfraquecida – e que não tinha número para aprovar sozinha – base do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, está sendo orquestrada pelo mais longevo dos vereadores – oito mandatos – José Hilário Melato, PP e o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, PP – quatro mandatos, tanto no colocar os assuntos na prateleira momentaneamente, dar encaminhamento no futuro, bem como no voto minerva, se houver necessidade.
Esta terceirização aconteceu para o PP e parte do MDB depois que o governo de Paulo viu que ele teria dificuldades e perigosos novos desgastes para passar a tal “Reforma Administrativa” – que cozinhou em estudos caros por quase um ano e meio – depois que a relatoria, por sorteio, acabou caindo nas mãos do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Com as entranhas expostas, entrou em campo a turma que sabe fazer como passar coisas difíceis e estranhas na Câmara como o PLC 53/2026, o da “Reforma Administrativa”.
Este “acordão” para aprovar a milionária “Reforma Administrativa” inclui, no mesmo bololô de desgastes dos políticos perante a cidade, cidadãos e cidadãs -, os que sustentam tudo isso com seus pesados e cada vez mais alto impostos on line – os candidatos e cabos eleitorais dos paraquedistas neste ano. E já está, ao mesmo tempo, olhando-se, claramente, às eleições de 2028.
E por quê? Em 2028 – quando vai se eleger prefeito e vereadores -, juram os “bruxos” daqui, os desgastes do debate e consequências da “Reforma Administrativa” já terão sido esquecidos pelos distintos eleitores e eleitoras, como acontece em Brasília atualmente e que ninguém sabe quais os parlamentares aumentaram impostos e repassaram a conta do desastroso governo para o povo.
Estes são os dois pulos do gato, segundo os que manobram este “acordão” para “esconder”, ou estar na mesma balaia de desgastes da “Reforma Administrativa” e outros PLCs, o aumento das verbas (salários) dos vereadores para os eleitos de 2028, mais assessores (de forma escalonadas já a partir deste ano) e até, o aumento de 13 para 15 vereadores (permitido para cidades com até 80 mil habitantes) e válido, também para a partir de 2028.
O “ACORDÃO”

Há duas terças-feiras (quatro de agosto) veio o primeiro sinal explícito na Câmara de Vereadores do “acordão“. Pressionado, o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, vinha dizendo que não iria colocar para a votação tão rapidamente como queria o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, o PLC 53/2026, o projeto da “Reforma Administrativa”.
Naquela sessão Dionísio pediu 90 dias para disponibilizar o relatório da “Reforma Administrativa”. Ele diz que fará isso bem antes destes 90 dias e enfrentou uma articulação nas redes sociais que o pressionava, incluindo vereadores do PP em campanha eleitoral como candidato. Naquela sessão, quase que em nome do governo, apesar da líder ser Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, José Hilário Melato, PP (foto acima), endossou solenemente o pedido de Dionísio. No mesmo tom ameno e conciliador, seguiu-se a ponderação de aprovação de outros vereadores governistas e da suposta oposição. Estava dada a senha que pouco se percebeu na cidade.
Diante da falta de reação nos meios de comunicação ao que se segredava nos bastidores da Câmara e da prefeitura, na sessão de onze de agosto, outros PLCs com o mesmo viés de fatiamento da “Reforma Administrativa” – técnica que vinha sendo usada para menor impacto na cidade contra os políticos na discussão do PLC 53/2026 – foram suspensas por 90 dias os pareceres dos PLCs 04, 07,08 e 09/2026. Ou seja, cada um cumpriu a sua parte.
Exemplo. Na sessão do dia quatro foi aprovada o PL 49/2026. Ele ampliou 22 vagas no Samae – Serviço Autônomo de Águas e Esgotos -, entre elas, a de uma telefonista, em plena era da Inteligência Artificial, de uma cidade que se orgulha em dizer que está na era digital etc e tal. Anteriormente, PLs deste tipo, incluindo ajustes de remuneração, já tinham sido aprovados para outras áreas sob as mais variadas alegações. Na verdade, foi uma tática para não sobrecarregar o tal PLC 53/2026 da “Reforma Administrativa”.
Encerrando. O que significa esta trégua de 90 dias armada no “acordão” entre o Executivo e o Legislativo para tudo passar onde as polêmicas não afetem supostamente a cabala de votos deste outubro?
Primeiro, que Paulo Norberto Koerich, PL, sentiu que poderia ter surpresas na votação na Câmara e resolveu não correr mais este risco como aconteceu na sessão extraordinária perto do Natal do ano, desastrosamente conduzida por Alexsandro Burnier, PL. Nela, ele amargou a derrota na imposição da taxa do lixo sem base legal e que agora, ratificada pelo Ministério Público no pulo do gato que tentou sem votos para tal.
Segundo, como adiou a batalha e abriu espaço para acordos, ao mesmo tempo, Paulo Norberto Koerich, PL, encaminhou o enterro da CPI das dúvidas da recuperação da barranca do Rio Itajaí Açú, alí no Figueira. Este “enterro” tirou gente como seu ex-secretário de Planejamento Territorial, o “dono de Blumenau”, o organizador das reuniões do cartel de empreiteiras na “pedreira” aqui em Gaspar, e vestido como o novo “dono de Gaspar”, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, temporariamente das suas costas.
Terceiro: 90 dias, é exatamente, noves fora, o tempo para se passar as eleições deste outubro – incluindo o segundo turno – e favorecer um discurso falso de mudanças, de economia, de uma gestão pública mais enxuta, mais produtiva e transparente para o cidadão e cidadã. Tanto os PLs já aprovados na Câmara de Gaspar ao longo do 2025 e 2026, bem como os PLCs na fila, desmontam esta versão. Ela combina mais com a gastança do PT, da esquerda do atraso e de Luiz Inácio Lula da Silva, o Senado e a Câmara Federal que levam empregadores, investidores e trabalhadores ao buraco. Ou seja, este discurso, no fundo não combina com palanque o PL, Flávio Bolsonaro e Jorginho Mello que Paulo Noberto Koerich, PL e sua turma – incluindo as entidades empresariais locais -dizem defender.
E o “acordão” entre a prefeitura e a Câmara de Gaspar como foi montado e é articulado pelo PL, PP e MDB – estes dois os esteios do governo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos e que Paulo Norberto Koerich, PL, jurou mudar -, vai impedir discussões e ao final – incluindo as entidades empresariais do município – todos serão cumplices do inchamento tanto na prefeitura de Gaspar como na própria Câmara. Desta vez, todavia, José Hilário Melato, PP, estará com as regras e a bola debaixo do braço. Ciro André Quintino, MDB é quem fará o serviço desta vez. Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, será a passageira silenciosa para não estragar o que já está combinado. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Novamente não tenho mais obrigação de votar. Não tinha, e votei. Não tenho, e votarei. Aos que me cobram declarações a candidatos, digo-lhes, é claro que como cidadão tenho escolhas. Entretanto, aqui neste espaço não é lugar de se apontar preferências por pessoas, candidatos ou partidos. Expresso conceitos, opiniões e críticas. Não farei campanha eleitoral para ninguém. Vou apenas olhar a maré e torcer para mudanças, principalmente ao futuro dos jovens.
O PL 57/2026 que pede autorização da Câmara de Gaspar para o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, contrair R$100 milhões em empréstimos, está parado. Em quatro páginas, o governo não foi capaz de explicar até agora para os vereadores e a cidade, principalmente, o que vai fazer com esta dinherama toda. O relator da matéria, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, aguarda a resposta ao ofício que pediu explicações para colocar para votação.
Está na Câmara mais um exagero com a cara de Paulo Norberto Koerich, PL, um funcionário público com mais de 30 anos na Polícia Civil. Os cinco membros da Comissão do PAD – Processo Administrativo Disciplinar – vão sair de R$700,00 por mês (o membro) e R$1.800,00 por mês (presidente) para R$5.500,00 por mês de gratificação, além do salário deles próprios (daqui a pouco vem outra lei propondo a diferenciação para o presidente da Comissão, como ardilosamente se fez no tempo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos). Credo!
Uma breve corrida as prefeituras muito maiores e mais importantes ao nosso redor feita pelo relator deste PL, Giovane Borges, PSD, mostra que nenhuma delas chega perto disso. Qual a justifica para este extra de uma Comissão que se reúne, quando se reúne, em média uma vez por semana? O desgaste e a periculosidade da função. Ora se é tão perigoso assim esta função, o funcionário avaliado pelo PAD já não deveria mais estar na prefeitura. É caso de polícia e não de PAD. Segundo. Aumentando a gratificação não diminui o desgaste e nem a suposta periculosidade. Muda, Gaspar!
Perguntar não ofende: afinal quem manda no RH da prefeitura de Gaspar. É o Sintraspug – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público de Gaspar? Todas as matérias nesta área, nos discursos dos vereadores, é citado que o inchamento, abonos, gratificações, diminuições de cargas horárias ou aumento salarial tem o aval do Sintraspug, que parece ter mais valor do que a própria justificativa da prefeitura e do relator da matéria na Câmara.
Duas observações sintomáticas. Ao encaminhar o PL 59/2026 do Executivo para o trâmite interno na Câmara e que doa veículos e equipamentos ao Bombeiro Militar de Gaspar e que não especifica valores, o presidente da Casa, Ciro André Quintino, MDB, estranhamente, deixou escapar: “mais uma vez os Bombeiros…”. Outra queixa de mesmo sentido tinha sido expressa quando foi abordado o tema das gratificações de R$5.500,00 dos membros do PAD: “…e os vereadores são sempre os sacrificados”, referindo-se as verbas de representação dos vereadores que são muito próximas a esta gratificação que está sendo proposta a uns poucos escolhidos pelo poder de plantão.
A cidade I. Os acidentes naquele trevo da Parolli são hoje, incrivelmente, fatos normais. Eu pessoalmente, que passo por ele com frequência, bem como no do supermercado Otto, no Santa Terezinha, ou com a Francisco Mastella, no Sete de Setembro, ou no acesso a Ponte do Vale, acho serem os acidentes poucos, diante do improviso da engenharia de tráfego e da má sinalização que estes trevos contém.
A cidade II. Na semana passada mais acidentes. E as redes sociais foram tomadas pela indignação da população contra a prefeitura, o prefeito, os secretários e a Ditran. Qual as solução proposta até hoje. Nenhuma! Então o desgaste continuará. Vidas expostas também. Na prefeitura, há quem diga que a “Reforma Administrativa” dará solução. Incrível a falta de miolo e iniciativa resolutiva dessa gente no passado e no presente.
A cidade III. Na falta de assunto melhor, Paulo Norberto Koerich, PL, no velho estilo policial foi indignado às redes sociais denunciar o vandalismo de duas lixeiras num ponto de ônibus, praticamente novo aqui perto do Centro. Sem o vândalo não há como aparecer, criar cortina de fumaça e esconder o que deveria ser prioridade na administração. Ou Paulo está denunciando a falha da polícia de Gaspar? Aliás, os vídeos mostram a fragilidade do equipamento, o que não perdoa o mau cidadão. Apenas sinaliza que a prefeitura precisa cobrar mais qualidade ao fornecedor. Já fez isto?
A cidade IV. Começou a campanha política. Façam os “bolões” de quantos votos os candidatos com domicílio em Gaspar farão aqui e no estado. Não me mandem. Guardem estes “bolões”. E confiram em quatro de outubro depois de abertas as urnas às 17h. E se liguem. Aí começará uma nova história: a eleição de 2028 para Gaspar.
A cidade V. Bastou poucas horas de chuva contínua para o velho problema de Gaspar voltar a tomar conta das redes sociais: os buracos no asfalto das nossas principais vias. Em Blumenau, onde outro delegado é prefeito o desastre é igual. Sintomático. E porque? Mesmo depois de igual chuva você neste final de semana driblando os buracos daqui e Blumenau, não precisou fazer igual malabarismo nas principais vias de Pomerode, Brusque, Itajaí e Balneário Camboriú. Muda, Gaspar!
A cidade VI. O secretário de Obras e Serviços Urbanos de Gaspar, Leandro Rafael Melo, que não é daqui, não mora aqui, mas também não é político e veio do meio empresarial, já percebeu como cair nas graças dos políticos de Gaspar e não resolver os verdadeiros problemas da cidade – como a buraqueira de asfalto vencido ou mal feito, ou mal consertado, com base em prioridades, programação e planejamento. Ele atende as queixas dos vereadores para receber elogios na tribuna da Câmara.
A velha raposa não perdeu o faro. O lançamento da candidatura a quarta eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, PT, no berço do sindicalismo dos tempos de ouro dele em São Bernardo do Campo, em São Paulo, foi de longe o mais expressivo e arquitetado. Centenas de ônibus para se ter plateia e a socióloga Rosângela (Janja) da Silva, “homenageando a ex-mulher de Lula, Marisa Letícia Lula da Silva, e vestida a caráter, se tornou uma cantora gospel para um público que vê Lula um grande problema. Já Flávio Bolsonaro, PL, ficou exposto em Copacabana, na sua cidade do Rio de Janeiro. E dos nanicos, o jovem Renan Santos, do seu Missão, por ser a única saída de sobrevivência, foi o mais claro e agressivo de todos.
Em Santa Catarina, Jorginho Mello, PL, lutará para ganhar no primeiro turno, pois o segundo – com senadores e deputados eleitos – a margem de traição aumenta muito. Ele e sua turma que no segundo turno as chances de repetir o que ele fez contra Carlos Moisés da Silva, União Brasil, tende a se repetir a favor e desta vez a favor João Rodrigues, PSD. Jorginho carrega um problema consigo: a candidatura ao Senado, do inexpressivo vereador carioca, Carlos Bolsonaro, PL.
Gente sem noção. O ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, PL, vira e mexe está metido em dúvidas por seus subordinados e que ele sempre faz questão de dizer que não foi arrolado, indiciado ou condenado até agora nestas dúvidas. Mário tentou, desesperadamente, à última hora, uma aliança com o ex-prefeito de Gaspar, Adilson Luiz Schmitt, sem partido (nasceu no MDB e estava no PL, de onde saiu depois e fazer o serviço para a eleição de Paulo Norberto Koerich, PL, e ser devidamente desacreditado pelo time do Paulo e do MDB).
Adilson Luiz Schmitt não quis nenhuma aproximação com Mário Hildebrandt, PL. E por que? É que Adilson já trilhou outro caminho nestas eleições. E não quer associação com as dúvidas de Mário, mesmo que ele não tenha nada com os assuntos que se apuram nas delegacias e Ministério Público. E principalmente, porque o cabo eleitoral de Mário por aqui é Paulo Norberto Koerich, PL, e que pelo jeito, vai lhe deixar na mão. Normal.

A não reforma da Barragem de José Boiteaux ainda vai tragar os votos e a campanha de Jorginho Mello, PL. Na semana passada, a Justiça Federal, finalmente, mandou os índios desocuparem a barragem e deixarem os empreiteiros fazerem as obras de reparos do sistema de controle das comportas. Poderá ser tarde demais. As chuvas deste final de semana mostraram como poderá ser daqui para frente: na barragem e aqui no Vale. A ilustração é de um artigo de Aurélio Marcos de Souza, que publico na área de comentários.
Encerro o artigo de hoje com um recorte de Otávio Guedes, na Globonews. O retrato dele é do Brasil de 2026. Mostra como nós estamos pagando a pesada conta e os políticos se safando cada vez mais com artimanhas e confrarias na Justiça contra expressa letra da Lei. E eles só são políticos, porque votamos neles. A reeleição deles – e estudos mostram que 70% deles serão reeleitos pela máquina em que estão inseridos – é uma doença venérea incurável. Assista e reflita. Aí não tem ideologia, partido ou lado. É crime organizado aos nossos olhos, mas com o nosso referendo pelos nossos votos livres, em algo que chamamos de democracia.
8 comentários em “GOVERNO DE PAULO NORBERTO KOERICH, PL, E A CÂMARA ESCONDEM POR 90 DIAS – EXATAMENTE PARA DEPOIS DAS ELEIÇÕES – APROVAÇÃO DA MILIONÁRIA “REFORMA ADMINISTRATIVA”, BEM COMO AS FATIAS DOS VEREADORES NESTE EXAGERADO BOLO. ELE ESTÁ FERMENTADO CONTRA A DISCUSSÃO NACIONAL NESTAS ELEIÇÕES: COMBATE AO INCHAMENTO, O EMPREGUISMO, A INEFICÁCIA DA MÁQUINA PÚBLICA, A CRIAÇÃO DE PRIVILÉGIOS E PENDURICALHOS. OS “MÁGICOS” ILUDEM A SOCIEDADE, A QUE PAGA TUDO ISTO”
CAMINHOS TORTUOSOS, por Merval Pereira, no jornal O Globo
O presidente da República visitou o Amapá para ver de perto o local onde a Petrobras descobriu indícios de petróleo na Foz do Rio Amazonas. A seu lado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que até há poucos dias estava rompido com Lula, mas se acertou com ele após um encontro de reconciliação promovido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Mas, advertem seus assessores, fez a viagem não na qualidade de candidato à reeleição, mas com o chapéu (literalmente) de presidente.
Mas o que um ministro do STF tem a ver com a relação entre o presidente da República e o presidente do Senado, perguntará o arguto leitor ou leitora. Pois é, nada. Há muito tempo se discute a participação do presidente do Supremo nos acordos políticos entre os três Poderes. Sempre que estivemos em situações críticas, já aconteceram vários dos chamados “pactos federativos”, e sempre se colocou em dúvida se o presidente do Supremo deveria fazer esse tipo de acordo. É presidente de um dos Poderes da República, é certo, mas também julga os crimes dos que têm o chamado “foro privilegiado”. Pactos têm natureza política, e os juízes não deveriam fazer acordos políticos.
Mas agora é diferente. Não é o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, quem está costurando um suposto acordo, mas um ministro, em caráter, digamos assim, “monocrático”. É inacreditável que um ministro do STF possa servir de mediador de um encontro político. É assustador, muito perigoso, não é possível o juiz ser julgador de inquéritos criminais envolvendo políticos e ser intermediário de um acordo político. Agora mesmo, Alcolumbre pode ser investigado no Supremo sobre a aplicação de verba do governo de seu estado no Banco Master. Com que autoridade Moraes está intermediando esses acordos? Por que está intermediando?
É difícil explicar uma atuação desse tipo. Hoje em dia, o STF virou um player político, instituição onde se tomam decisões fundamentais para o país. Participar de acordos políticos, ou opinar sobre questões políticas, indica uma vontade de ser mais um elemento nessa transação política que não devia ser objetivo de ministros, ou do próprio STF. Com o gesto de intermediação, Moraes dá a impressão de que toma partido da campanha de Lula, isso depois de o presidente-candidato tê-lo convidado para tomar “um cafezinho”. É difícil armar um sistema democrático em que freios e contrapesos se contraponham para equilibrar a relação entre os Poderes, se um deles adere a outro e passa a ser intermediário de acordos.
Essa não é uma discussão nova. O então ministro Luís Roberto Barroso já havia proposto, numa discussão sobre o tema numa reunião plenária transmitida pela televisão, que o STF se limitasse a ser um guardião constitucional, de análise da Constituição, e que os casos de crimes de pessoas que tenham foro privilegiado fossem levados a um outro tribunal a ser criado. Houve uma reação muito grande dos ministros, dizendo que esse novo tribunal seria mais importante do que o STF, numa admissão velada de que julgar crimes políticos dá a eles um poder de que não querem abrir mão.
Sabe-se que o Senado é onde se dá a discussão eventual de um impeachment de ministros do Supremo. Há ameaça da oposição de que tentará pelo menos impedir um dos ministros, e Alexandre de Moraes é um dos alvos preferenciais. Alcolumbre, para se reeleger presidente do Senado, precisará do apoio do PT. Estará nas mãos do futuro presidente o destino de ministros do STF. Em momentos como uma campanha eleitoral, seria necessário que os Poderes da República tomassem cuidado com os caminhos que escolhem.
O VÍCIO ALCOLÚMBRICO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Davi Alcolumbre preside o Senado desde 2019, considerados os anos em que teve Rodrigo Pacheco por fachada, período em que dirigiu a Casa a partir da Comissão de Constituição e Justiça. Entre aquele 19 e este 26, o imperador do Congresso movimentaria mais de R$ 1,2 bilhão em emendas parlamentares para o Amapá, Estado de cujo governo tem o guidão. Imperador do Congresso porque um dos controladores-distribuidores dos dinheiros do orçamento secreto, ferramenta autoritária – fundo eleitoral paralelo – por meio da qual exerce poder e impõe desequilíbrios. Não será auspicioso lhe ter como inimigo. É um querido. Irresistível.
Comandante do orçamento secreto e do governo amapaense, teme as investigações da Polícia Federal. Ou melhor: o aparelhamento da corporação. Teme, claro, a criminalização da atividade política e do Parlamento. Em fevereiro, a PF foi bater à porta da Amprev, o fundo previdenciário dos servidores do Amapá, que despejara R$ 400 milhões no Master e era então comandada pelo ex-tesoureiro de campanha do senador. Em abril, Alcolumbre lideraria a articulação pela rejeição do indicado de Lula ao Supremo. Chumbos trocados e forças exibidas, não estará o presidente do Senado entre os que guardam mágoas – sentimento que transforma em oportunidades. É um prático. Instrumentaliza a desconfiança. Precifica a paz.
Por isso, para se proteger, reaproxima-se do presidente da República. Também porque, na hipótese em que reeleito Lula, precisará dele como base segura de onde construir a sua tentativa de reeleição à presidência do Senado. Não se sabe quão mais bolsonarista será a Casa em 2027 – e Alcolumbre tem medo de ser o que foi Renan Calheiros em 19, a “velha política” com a qual romper. Não pode mais encarnar a “renovação”; aqui explicitado (provado) não ser renovação valor positivo por si.
Alcolumbre se acerca de Lula graças sobretudo a Alexandre de Moraes, dublê de ministro do Supremo e articulador político, juiz em cujo tribunal têm foro por prerrogativa de função Lula e Alcolumbre. São amigos – e em comum terão a amizade de Daniel Vorcaro: aquele cuja casa Xandão frequentava; aquele que chegava à residência oficial da presidência do Senado sem avisar. Moraes precisa de Alcolumbre forte, aquele que barra CPIs da Toga e do Master. “Semanalmente, os dois se encontram e conversam desde amenidades a costuras delicadas (…)” – escreveu a repórter Victoria Azevedo no excelente perfil sobre o presidente do Senado, publicado no Globo.
Fazem “costuras delicadas” o político, senhor do orçamento secreto, e o ministro do Supremo em cuja bancada forma o senador-togado Flávio Dino, gestor xandônico dos inquéritos sobre o orçamento secreto. Amizades sinceras à parte, Alcolumbre também precisa de Moraes forte. Inimizades sinceras à parte, Alcolumbre nunca perdeu – nem com a rejeição a Jorge Messias – as suas codevasfs no governo Lula. Irresistível.
GRANDES MARCAS DO VAREJO EXPÕEM O SUFOCO DOS JUROS, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Os pedidos de recuperação judicial de Casas Bahia, uma gigante do varejo, e Lojas Marabraz, muito conhecida do público, expõem estragos que os atuais juros sufocantes podem provocar mesmo com níveis recordes de emprego na economia —dois fenômenos alimentados pela escalada de gastos do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Causou impacto a multiplicação do prejuízo da Casas Bahia, empresa que vem de recuperações e reestruturações desde 2024, ao menos. No caso da rede Marabraz, conflitos no comando da empresa dificultaram ainda mais seu acesso a crédito.
Pioras no ambiente econômico, como inflação, altas de juros, inadimplência e desemprego, não bastam para explicar dificuldades de negócios específicos. Nem mesmo crises extensas, como a grande recessão de 2014-16, selam o destino de companhias.
No entanto certos setores do varejo brasileiro passaram a enfrentar obstáculos com taxas de financiamento perto de proibitivas, restrições de crédito e a desaceleração do ritmo de crescimento da atividade geral.
O ambiente é de adversidades variadas para pessoas físicas e jurídicas. Famílias endividadas foram expostas à alta enorme e prolongada das taxas de juros, o que causa limitação do consumo e alta da inadimplência. Isso é ainda mais ameaçador para companhias em má situação.
O varejo apresenta desempenhos díspares. Vestuário para clientes de renda menor e lojas tradicionais de eletrônicos, eletrodomésticos e móveis são mais afetados; redes de farmácia, ora conhecidas como de saúde e bem-estar, saem-se bem.
Firmas com redes grandes de lojas físicas, mais dependentes de crédito para consumidor de renda média ou baixa e já endividadas, passam por apuros maiores.
Há anos, grandes empresas de supermercados passam por recuperações extrajudiciais e judiciais, além de reestruturações profundas. Muitas enfrentam a concorrência do comércio eletrônico e da chegada das plataformas chinesas. O caso escabroso da Americanas, em 2023, aumentou a cautela dos bancos.
As transformações do mercado, bem como deficiências de gestão ou estratégia comercial e disputas societárias, têm papel relevante nas crises. Mas os danos causados por tais fatores são maiores, obviamente, quando se enfrentam desequilíbrios macroeconômicos graves.
É o que ocorre hoje no Brasil, onde o governo forçou o crescimento do PIB acima do seu potencial por meio da alta contínua dos gastos do Tesouro, provocando, ao lado da melhora do emprego, pressões inflacionárias e disparada de juros e de dívidas públicas e privadas.
A desaceleração econômica, já em curso, terá custos maiores em um ambiente de endividamento elevado, ainda mais quando o mercado de trabalho começar a perder vigor. O ano de 2027 será difícil; sem um expressivo ajuste fiscal, os seguintes serão piores.
Homem sempre foi falho desde sua criação, por isso caiu diante de DEUS, foi colocado para fora do paraíso, por isso que até um Padre comete equívocos ou desvio de Moral. Mas isso cada um tem a sua percepção. O que fica da minha perspectiva é:
1) Gaspar, nada e diferente, mais um custo para contribuinte;
2) Partidos políticos, alguns são bilionários;
3) Entre Flavio Bolsonaro e Lula a diferença é apenas 1 dedo, caráter e moral, sem comentários;
4) El ninho, foi avisado, resultado já está batendo a porta;
5) Vereadores, todos, por mim nem existiriam.
O MITO DA LIMPEZA DE VALAS E O POPULISMO DO DESASTRE: POR TRÁS DO RUÍDO DIGITAL NO AUGE DO SUPER EL NIÑO DE 2026, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc e graduando de Engenharia Civil e Engenharia Ambiental e Sanitária
Assistimos, atônitos, ao espetáculo digital que antecede e acompanha os impactos do “Super El Niño” em pleno segundo semestre de 2026. Em questão de segundos, redes sociais, perfis de agentes políticos e fóruns comunitários convertem-se em palcos de uma encenação perigosa. O roteiro repete-se com precisão milimétrica: um gestor público ou um influenciador posta-se à beira de um córrego lamacento, armado com uma retroescavadeira e um discurso inflamado, prometendo que “o problema das enchentes está sendo resolvido com a limpeza de valas e o desassoreamento”.
Para o cidadão exausto, NO QUAL ME INCLUO, acuado pelo trauma histórico de 1983, 1992, 2008 ou 2023, a cena traz um falso alívio reconfortante. Parece óbvio: se o canal está cheio de mato e sedimentos, basta raspar o fundo, alargar o leito e a água passará.
Para quem decifra a hidrologia e a engenharia com rigor científico, contudo, esse espetáculo é um insulto à física dos fluidos e um atestado de incompetência técnica travestido de populismo. As redes sociais propagam a ilusão de que catástrofes climáticas de macroescala, moduladas por anomalias térmicas globais no Oceano Pacífico, podem ser contidas com manobras de terraplanagem rudimentar e discursos de conveniência.
a) A Desonestidade Conceitual: Quando o Erro de Termo Gera o Erro de Obra
Como pesquisador e acadêmico que transita pelas ciências exatas, ambientais e jurídicas, afirmo sem hesitação: o erro conceitual precede e financia o erro estrutural.
Quando a mídia e a classe política tratam enchente, inundação, alagamento e enxurrada como sinônimos intercambiáveis, criam-se as condições perfeitas para o desperdício criminoso de dinheiro público e a exposição deliberada de vidas humanas. O leitor precisa entender a fronteira intransponível entre esses fenômenos:
1. O ALAGAMENTO É UM COLAPSO DA MICRODRENAGEM URBANA: Quando a chuva torrencial cai sobre o asfalto impermeabilizado do centro da cidade e as ruas viram piscinas, o rio pode estar a quilômetros de distância e em nível perfeitamente normal. O problema ali não é o rio; é a incapacidade da galeria subterrânea, o bueiro entupido por lixo doméstico e o solo asfixiado pelo concreto. Meter uma escavadeira no rio principal não baixará em um centímetro a água acumulada sobre o asfalto da avenida central.
2. A ENCHENTE e a INUNDAÇÃO SÃO DINÂMICAS DE BACIA: O rio transborda porque o volume afluente precipitado em toda a bacia hidrográfica supera a capacidade geométrica do canal (enchente) e invade a planície de inundação (inundação). É um processo macro. Tentar resolver isso apenas raspando o fundo do rio com uma draga é como tentar conter uma banheira transbordando com um canudinho. Se a cidade foi construída na cota de inundação natural (a várzea), a água apenas retomará o que é dela por direito físico e topográfico.
3. A ENXURRADA é a VIOLÊNCIA DA DECLIVIDADE: É o escoamento superficial concentrado que desce os morros em alta velocidade, arrancando o asfalto e solapando fundações. A solução não é o desassoreamento do rio lá embaixo; é a contenção geotécnica e o manejo de encostas na crista dos morros.
b) A Exceção Técnica: A Defesa Civil e a Lucidez no Sertão Verde
Em meio ao barulho ensurdecedor do populismo digital, a atuação da Defesa Civil de Gaspar, sob a coordenação técnica do superintendente Rafael Araújo de Freitas, destaca-se como uma verdadeira sombra de esperança neste momento de escuridão e imprecisões quanto ao futuro. Ao detalhar com sobriedade os serviços e vistorias executados na localidade do Sertão Verde, no bairro Margem Esquerda, a instituição prova que é possível aliar planejamento, vistorias preventivas e transparência sem cair na armadilha do improviso político.
Nessa oportunidade, a manifestação técnica foi exemplar, lúcida e coerente ao esclarecer a realidade sobre a limpeza de valas e a desobstrução do sistema de drenagem, desmistificando soluções mágicas. Com igual propriedade, o superintendente enfatizou o alerta macro: o grande fator de risco estrutural reside na elevação expressiva do nível do Rio Itajaí-Açu, que poderá afetar severamente a região. O rigor técnico na condução de respostas operacionais e no mapeamento de riscos é o único caminho seguro para preparar Gaspar frente aos desafios do clima.
c) O Efeito Bumerangue das Intervenções Empíricas
O que acontece quando o poder público cede à pressão das redes sociais e executa limpezas de valas sem projeto, sem licenciamento ambiental e sem estudo hidrológico? O resultado é um “tiro no pé” com efeitos devastadores a médio e longo prazo:
• DESESTABILIZAÇÃO DE TALUDES e EROSÃO REGRESSIVA: Passar uma retroescavadeira raspando e alargando as margens de um córrego de forma empírica remove a vegetação ripária (matas ciliares), que funciona como a “cola” biológica do solo. O canal perde sua estabilidade natural. Na primeira cabeça d’água do El Niño, a velocidade do fluxo aumenta pela falta de rugosidade marginal, gerando processos erosivos violentos que solapam pontes, derrubam muros e destroem estradas rurais.
• ACELERAÇÃO DA ONDA DE CHEIA (Efeito Funil): Retificar e aprofundar canais de forma desordenada faz com que a água desça mais rápido do alto da bacia. O que se ganha escoando a água mais depressa em um trecho urbano joga-se de forma amplificada e catastrófica sobre o município vizinho a jusante, transformando a intervenção local em um agravamento regional do desastre.
d) O DIAGNÓSTICO e a COBRANÇA: A ENGENHARIA e o BOM SENSO CONTRA O POPULISMO:O Super El Niño de 2026 não é uma surpresa apocalíptica, mas sim a manifestação previsível de um “EVENTO CLIMÁTICO CÍCLICO E RECORRENTE NA HISTÓRIA DO PLANETA”. Sabendo que o fenômeno se repetirá invariavelmente, torna-se imperativo compreender que soluções pontuais e “PUXADINHOS” midiáticos, além de representarem um verdadeiro desperdício de dinheiro público, mostram-se completamente ineficazes frente à magnitude das forças naturais.
Enquanto a política depender de curtidas, vídeos de máquinas trabalhando em caráter puramente paliativo e respostas emocionais para aplacar a opinião pública nas redes sociais, continuaremos enterrando recursos financeiros na lama e contando vítimas nas estatísticas da Defesa Civil.
A verdadeira engenharia não oferece milagres instantâneos. Ela exige um PLANO DIRETOR rigoroso (com proibição de adensamento em várzeas), INFRAESTRUTURA VERDE (piscinões de amortecimento, pavimentos permeáveis, jardins de chuva), OBRAS ESTRUTURAIS dimensionadas para tempos de retorno compatíveis com as mudanças climáticas e sistemas de alerta antecipado integrados à ciência.
O leitor/ELEITOR precisa entender: “a natureza não negocia com discursos eleitoreiros”. As leis da termodinâmica, da conservação da massa e da hidrologia não se importam com o engajamento de uma postagem no Instagram.
MAIS DO QUE NUNCA, a comunidade precisa realizar um pacto consigo mesma e exigir uma política de Estado a longo prazo, superando de vez os paliativos eleitoreiros de quem está ocasionalmente no governo.
“Ou transformamos a gestão pública em um exercício de rigor técnico-científico, ou continuaremos assistindo, inertes, ao ciclo trágico em que a ignorância urbana colide com a força implacável do planeta.”
STF FORA DA LEI, por Carlos Alberto Sardenberger, no jornal O Globo
“Jornalismo é imprimir aquilo que alguém não quer ver impresso. Tudo o mais é relações públicas.”
É preciso atualizar a frase conhecida nas redações. O jornalismo foi muito além do jornal impresso. Mas a prática continua a mesma: apurar e publicar informações. É verdade que há notícias boas, de que todo mundo quer saber. Por exemplo: a chegada ao mercado das injeções emagrecedoras. Nesses casos, quase não é preciso apurar. O dono dos medicamentos quer divulgá-los, e o público espera ansioso. Publicar isso é quase “relações públicas”.
O jornalismo que as democracias protegem — pelo qual o público mais se interessa — é outro, aquele das notícias que incomodam os poderosos, sejam do setor público ou do privado. Ou ainda de uma junção das duas esferas, como o uso de dinheiro público para lucro privado.
Daniel Vorcaro ficou incomodado com algumas reportagens publicadas por jornalistas do GLOBO. Cogitou represálias. Quebrar os dentes de Lauro Jardim e desmoralizar Malu Gaspar, descobrindo e publicando algum podre de sua vida pessoal. Não conseguiu. Capangas não estavam disponíveis para o ataque. Quanto a Malu, seus asseclas não encontraram “nem uma multa de trânsito”, como um deles explicou ao chefe numa mensagem de celular, também obtida por jornalistas. Houve ilegalidades aí, embora as tentativas tenham sido frustradas.
O ministro Flávio Dino, do STF, sentiu-se incomodado com a publicação de uma reportagem publicada no blog do jornalista Luís Pablo. A rigor, tratava-se de um caso simples. O blogueiro havia obtido fotos que mostravam o ministro e familiares circulando por São Luís em carro oficial cedido pelo Tribunal de Justiça do Maranhão. Quantas vezes já não vimos reportagens assim? De autoridades surpreendidas usando veículos oficiais em atividades privadas? Quase sempre nem é crime, apenas, digamos, uma prática errada. Mas, se o ministro se sentiu vigiado e, por isso, ofendido, poderia recorrer aos meios legais: contratar advogado e processar o jornalista.
Sim, jornalistas podem ser levados aos tribunais. Por calúnia, injúria ou difamação — casos mais frequentes. Ou porque a reportagem seja considerada caluniosa, ofendendo a moral de alguém ou causando prejuízos materiais. Pode dar em sentença condenatória ou indenização. Já aconteceu muitas vezes, até com jornalistas processando colegas. A Constituição assegura a liberdade de imprensa. O jornalista pode veicular o que quiser, sem qualquer tipo de censura prévia. Mas essa garantia não o exime de eventual processo pela prática de crimes.
Dino poderia, pois, ter processado Luís Pablo num tribunal de primeira instância de São Luís, já que o jornalista não tem foro privilegiado. Em vez disso, recorreu a seu colega, ministro Alexandre de Moraes, titular do sempre inacabado inquérito das fake news. Seguiram-se atos ilegais em sequência — que violaram a Constituição. Um caso que seria de primeira instância foi levado ao STF. A Polícia Federal recolheu na casa do jornalista seus celulares e computadores. Da análise desse material, a PF chegou à fonte da reportagem, o ex-secretário de estado Raimundo Cutrim, que responderá a processo.
Uma clara violação da Constituição, que garante o sigilo da fonte. Essa garantia é a base do jornalismo investigativo, aquele que publica o que alguém não quer ver publicado. Insistindo: o jornalista não é obrigado a revelar suas fontes.
Para ficar dentro da lei, a polícia poderia ter investigado o uso do veículo oficial, se permitido ou não. De sua parte, Dino poderia ter processado o jornalista. E a Justiça de primeira instância decidiria se ele havia, ou não, cometido algum crime.
Em vez disso, Dino recorreu à Corte a que pertence. O STF assumiu o caso, invadiu a atividade do jornalista e foi atrás da fonte. Foi também um ataque à liberdade de imprensa, que não existe se jornalistas não puderem recorrer a fontes, especialmente as fontes sigilosas. Como os jornalistas, os poderosos também estão submetidos às regras da Constituição. Ou deveriam estar.
PARTIDO POLÍTICO É NEGÓCIO DA CHINA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O sistema político-partidário brasileiro produz situações difíceis de explicar ao contribuinte. Por exemplo, ficamos sabendo há poucos dias que uma legenda sem representação no Congresso, sem prefeitos e governadores e que faz apenas figuração em disputas eleitorais recebe R$ 3,3 milhões de dinheiro público para financiar suas atividades irrelevantes. E só ficamos sabendo porque Rui Costa Pimenta, o dono da tal legenda, o Partido da Causa Operária (PCO), virou alvo de investigação da Polícia Federal sob suspeita de desvio dos recursos públicos que o partido recebe – o dinheiro teria circulado entre integrantes da própria sigla e seus familiares.
Fundado em 1995, o PCO, apesar de ter lançado centenas de candidatos ao longo das últimas três décadas, teve apenas uma vitória nas urnas, ao eleger um vereador, em 2004, no interior do Amazonas. Insistente, o sr. Rui Costa Pimenta disputa a Presidência da República pela quarta vez – e em todas as anteriores terminou na última colocação. Na mais recente, em 2014, obteve 0,01% dos votos válidos.
No entanto, nada disso impede o PCO de receber dinheiro do Fundo Eleitoral. Pela lei, 2% de toda a verba é dividida igualmente entre os partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, independentemente do tamanho de suas bancadas. Como nos últimos anos esse bolo cresceu vertiginosamente, inflado pelo Congresso, até mesmo uma legenda sem representação parlamentar fica com alguns milhões de reais.
Esse financiamento público das campanhas foi criado em 2017, depois que o Supremo Tribunal Federal proibiu as doações empresariais. A intenção foi colocar um fim à captura do processo político pelo poder econômico. Desde então, porém, políticos transformaram o fundo em uma conta cada vez mais salgada para o contribuinte e com menos regras de controle. Do R$ 1,7 bilhão distribuído em 2018, chegamos a R$ 5 bilhões em 2026.
Tudo isso sob o argumento de que “a democracia custa caro”, na definição do deputado Vicente Cândido (PT-SP) ao apresentar seu relatório sobre a emenda constitucional que criou o financiamento público de campanhas. Ora, nada disso justifica que o contribuinte seja obrigado a bancar partidos com os quais não têm nenhuma afinidade, mas é exatamente o que acontece hoje. E é nesse festim que entram partidos como o PCO, uma empresa privada criada para sustentar seu dono. O pretexto de “defender um programa revolucionário e socialista”, que se lê no manifesto do partido, serve apenas como diversão. Na prática, o partido existe só para receber dinheiro público, rigidamente controlado pelo centralismo democrático do sr. Pimenta.
Quem abre uma firma precisa investir, pagar impostos, contratar funcionários e disputar mercado com a concorrência – e mesmo assim não sabe se terá algum lucro. Já quem abre um partido político – seja ele comunista revolucionário ou capitalista selvagem – não precisa nem ganhar eleição para garantir sua prosperidade. É um negócio da China.
Bom dia.
O mesmo que acontece com os partidos políticos, acontece com as igrejas.
Por exemplo: aqui na região sul tem uma UBS, uma farmácia, duas creches, duas escolas e umas trinta igrejas, cada uma defendendo o $eu Deu$.
Elas ocupam a segunda maior bancada do Congresso Nacional, estão isentas de qualquer tributação, seja municipal, estadual ou federal, com cnpj aberto para arrecadar dízimos, mesmo sem nenhuma contrapartida a sociedade ou aos seus devotos.
Quando questiono as religiões não é por desacreditar na grandeza do criador do universo, é por não confiar nas intenções dos homens.