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UM TEXTO AUTO-EXPLICATIVO. TODOS FALHAM E ERRAM, INCLUSIVE EU. A MAIORIA BUSCA A REMISSÃO E O APERFEIÇOAMENTO. SÓ OS CEGOS, SURDOS E FRAGILIZADOS TEIMAM E CULPAM OS OUTROS POR SUAS PRÓPRIAS FALHAS E ERROS

Era para ser um texto curto. Mas, extrapolei mais uma vez. Incorrigível, reconheço.  Vamos lá. Ouço – por onde ando – e leio – naqueles que tenho contato e naeueles que interagem com a área de comentários do blog – observações quase diárias de que tenho parte de culpa no desastre chamado Paulo Norberto Koerich, PL, o qual eu mesmo, relato em muitos artigos aqui, nesse mar de faz-de-conta, expectativas e medo. Afinal, ninguém é perfeito. E não seria eu, o portador de tal ansiedade: a perfeição.

A aposta que fiz nele – como gestor de uma cidade e líder de um processo de mudanças -, não era porque um dia fui amigo dele – ou tinha, como outros, um acordo com ele -, mas porque, no meu imaginário, Paulo, de todos, depois do derretimento de Oberdan Barni, Republicanos – que agora é um aliado incondicional -, era, aparentemente, repito, aparentemente, o mais qualificado para virar a chave da mesmice do atraso, das coisas escondidas e das dúvidas que pairavam na cidade.

Afinal, Paulo carregava uma fama de uma carreira bem sucedida e por ela, teria, em tese, as mínimas condições para colocar o dedo nas nossas feridas. E foi assim que se vendeu. E é assim que é cobrado. E agora se incomoda com as observações, as críticas e cobranças, todas respeitosas e feitas para melhorar e pedir a entrega que prometeu em campanha aos gasparenses.

FALHOU NAS EXPECTATIVAS E NAS ENTREGAS

Resumindo e encurtando: errei. Mas, quem falhou não só contra a minha expectativa, mas principalmente a de 52,98% dos votos úteis e contra a continuidade de Kleber Edson Wan Dall, MDB – hoje está no Podemos e quase se braços dados com Paulo por Jorginho Mello, PL -, a volta de Pedro Celso Zuchi, PT, três vezes prefeito e outro entrante do mesmo núcleo conservador, foi Paulo. Só ele.

E pior: Paulo ainda dá sinais claros de que não reconhece estas falhas e faltas.

Há, por outro lado, reconhece-se, tempo de corrigi-las. A cada dia que passa, todavia, não bastará mais um cavalo-de-pau, e sim, claramente, um coice. Inclusive para passar menos vergonha na eleição deste outubro. Paulo está como na foto acima: passivo olhando um buraco entupido e não de agora, mas de antes de assumir o governo e que prometeu desentupir. E ele não entendeu que a crítica é a advertência, como está sendo o tal do “El Niño”.

Antes, Paulo tivesse ido para casa – como ensaiava com mimimis depois de ter assinado a ficha no PL e negado, por várias vezes isto, em público, bem como apalavrado com o governador Jorginho, na Casa da Agronômica. Em casa teria curtido a aposentadoria, os amigos de sempre, os charutos, os vinhos, o clube, os shows,  as viagens, mas principalmente, mantida intacta a fama do imaginário popular que o consagrava como um investigador implacável, delegado de todas as instâncias até ser o equivalente a secretário de Segurança Pública de Santa Catarina, no governo de Carlos Moisés da Silva, União Brasil, o bolsonarista que o bolsonarismo catarinense, na continuada sina, enterrou como traidor.

EVITOU O ROMPIMENTO DO PASSADO COM O PRESENTE PARA TER UM FUTURO

O que deveria ser um rompimento com o passado e os donos de Gaspar de sempre para consagrá-lo como o vetor da mudança, preferiu a armadilha – ainda acredito nisto – e se tornou refém do mesmo e de um perigoso embrulho que veio de Blumenau. Tudo parou. Escolheu mal seu secretariado, sob severas advertências. Não liderou. Não gerenciou. E está apostando em gente trazida por quem já se foi. Escudou-se na suposta herança maldita de Kleber, não foi atrás das dúvidas, da virada e de uma marca de governo.

Falsamente está com a bengala do Hospital. É cedo demais. Os postinhos que não funcionam para a maioria da população e entope da emergência do Hospital, a montanha de exame, Paulo não poderá terceirizá-las para outros municípios darem conta, como fez com o Hospital.

Retornando. Paulo acabou caindo numa cilada que o deixou sem chão exatamente naquilo que tinha de mais precioso: a fama de investigador e policial contra a corrupção.

Seu secretário de Planejamento Territorial, uma secretaria para lá de complicada e metida em dúvidas há anos, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, importado de Blumenau, aonde era conhecido pela alcunha de “dono de Blumenau” e líder das reuniões em Gaspar na tal “pedreira”, foi pego numa operação pelo Gaeco e Ministério Público contra a corrupção praticada em Blumenau por longos anos. E precisava disso?

SURPREENDIDO? HUM!

E Paulo, em sua própria defesa e que não colou na cidade inteira, disse que foi “surpreendido”, mesmo diante de tanta evidência que se tinha e se espalhava antes da tal Operação do Gaeco. Eu errei, sim. Mas, quem falhou não fui eu. Não estou transferindo culpas, tanto que  nunca escondi o que ainda se tenta esconder sobre o que não anda e não muda em Gaspar e a favor dos mesmos de décadas. Estou na minha trincheira. Não dei refresco a pessoas. Tudo por Gaspar e os gasparenses. E pago caro por isso.

Por outro lado, há sinais claros de que ainda será surpreendido mais uma vez. Recentemente, Paulo ocupou a rede social para dizer que sua área de Comunicação o advertiu de que ele deveria aprender a se comunicar na linguagem dos jovens.

Errado. Ele não é jovem. E a Comunicação tik-tok que trocou três vezes em um ano, falha. Paulo deveria ser o Paulo da fama, resolvedor, solucionador. Ele deveria ser o líder inspirador dos jovens, exatamente pela capacidade transformadora. Esta é a verdadeira linguagem dos mais idosos aos mais jovens. Espelho.

E estes sinais pioram muito mais quando se descobre que Paulo e os seus, querem voluntários para toda a deficiência do poder público ou emergência que se apresenta na cidade, mas oriunda exatamente naquilo que é da responsabilidade do Executivo. Ou alguém se esqueceu do teatro das roçadas?

Agora virá o do “El Niño”. Quem não ouve a comunidade, não pode, ou não possui autoridade para pedir ajuda voluntária para si e o governo. Paulo, não está nem ouvindo os seus. E esta é a linguagem de verdade que rola na cidade. Então… Quem está nadando de braçadas, é o vice, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, o alijado. Eu errei. Mas, não tenho tinta na caneta dada pelo povo pelos votos de expressiva parcela dos eleitores e eleitoras para virar a página do atraso, das dúvidas e da falta de transparência. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

A internet é um arquivo imperdoável. A reprodução ao lado é um achado que diz muito sobre encontros e oportunidades perdidas, em Gaspar e para Gaspar e os gasparenses. Esta perda não são de hoje. É continuada. É uma longa tradição entre nós. Muito está relacionado ao nosso imediatismo. A outra, e para a falta de planejamento. E por último, achamos que que tudo é uma questão de sorte, milagres e relações inesperadas.

Esta publicação é de sete de julho de 2017. Ou seja, tem exatamente nove anos. Lê-la, é ficar estarrecido e brigar contra realidades e falta de verdadeira liderança local. É um salve-se quem puder. E ao mesmo tempo mostra um pouco de como e porquê todos estamos atrasados.

A Havan até ergueu a loja no bairro Bela Vista aqui, mas a Gaspar de Kleber Edson Wan Dall, MDB (hoje no Podemos), acabou com a imagem de audácia de Luciano Hang. Algo quase inédito. A Loja da Havan, finalmente, foi desmanchada e antes que ps escombros dela machucasse alguém.

E os personagens dessa história triste? Luciano contabilizou o prejuízo para lucrar em outro lugar, como Blumenau. Foi o único que recebeu o castigo (palmatória). A Stein desistiu de Gaspar. E os da pedreira se expandiram. formaram carteis, segundo revelaram investigadores especializados. E agora, estão dando explicações para as diversas operações em curso em Santa Catarina. Já o vereador Giovano Borges, PSD, pelo jeito, continua com o chapéu. Não é fácil tirá-lo para alguém do meio político em Gaspar e principalmente a um empreendedor de visão.

Narrativas perigosas I. A recuperação da Barragem Norte, em José Boiteaux, essencial para deixar o nível do Rio Itajaí Açú em dois metros a menos nas grandes enchentes em Indaial, Timbó, Blumenau e Gaspar, independente de se ter “El Niño” ou não. E estas obras entraram numa disputa de narrativas pré-eleitorais. Se não feitas e vierem as enchentes antes de quatro de outubro, os votos dos políticos também estarão afogados na mesma proporção dos estragos emocionais e materiais.

Narrativas perigosas II. O governador Jorginho Mello, PL, acuado, resolveu ele mesmo ir na barragem e tirar a limpo o diz-que-me-disse. Fez bem. Ele já sabe o que está pegando. Foi desrespeitado e desrespeitou também.

Narrativas perigosas III. Os povos originários, todos eles alimentados nas suas reinvindicações por movimentos da esquerda do atraso e que pedem os votos dos eleitores e eleitoras de Indaial, Timbó, Blumenau e Gaspar, não perderam a oportunidade para enfrentá-lo. Eles vivem em permanente chantagem diante da sabida vulnerabilidade dos que moram e produzem, arrecadando pesados impostos no Médio Vale do Itajaí, ou Europeu, para se produzir soluções e compensações como as da Barragem e os donos das terras indigínas.

Narrativas perigosas IV. Se o número de casas dobrou ao acordado, os acessos em tempos de cheias, continua comprometido. E sobre a barragem funcionar de verdade como prometem os políticos, ou não, a prova dos noves, infelizmente, teremos que esperar. Jorginho Melo, PL, irritado com as cobranças e manifestações, colocou em dúvida a existência do “El Niño”. Mas, na comunicação dele, está gastando montanhas de dinheiro. E até contratou um meteorologista de fama para a propaganda. Se não acredita, está jogando dinheiro bom dos catarinenses fora. E previsão não é precisão. Previsão é para prevenção.

Parte do nervosismo do mais longevo dos vereadores de Gaspar, José Hilário Melato, PP, contra parte do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, a quem emprestou apoio de governabilidade, pode ter endereço. Como na Rua Antônio Weiggenannt. Nada como um dia após o outro. E depois deles, se descobre de quem coloca defeito em imóveis dos outros, tem os mesmos para acertar nos seus.

De Brusque vem a seguinte manchete: “drones sobrevoam Brusque por dez dias para mapear terreno e embasar projeto de esgoto“. Em Gaspar, a manchete é da precariedade. Esgoto se misturam a valas, ribeirões e contaminam o Rio Itajaí Açú. Já a drenagem pluvial, está entupida. E a culpa é a quantidade de chuvas.

Pouco se fala em público. Internamente na secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, há disputas que travam e não conciliam interesses econômicos e prioridade para o setor turístico. Impressionante. O Conselho e iniciativas empresariais são colidentes ou para grupos de interesses. Não é à toa que cada um tenta se salvar a própria pele e não se contaminar pelo debate.

O MDB de Gaspar já não é mais o mesmo. Saiu das pomposas reuniões mensais na Sociedade Alvorada, aqui no Centro, para a Clube Tamandaré, na Lagoa.

Compare. O prefeito de Camboriú, Leonel Arcanjo Pavan, PSD, está entupindo as redes sociais, com obras e asfaltamento para ampliar a mobilidade urbana da cidade dormitório de Balneário Camboriú, onde a sua filha, Juliana Pavan Von Borstel, PSD, governa. Leonel jura que tudo é feito com recursos próprios. Já em Gaspar…

De um experimentado gestor público fazendo uma análise do governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Na gestão pública ninguém planta e colhe resultados com tantos interinos, trocas de titulares e gente sem identificação com o dia-a-dia da cidade e seus cidadãos e cidadãs. Interessante ou óbvio?

Os políticos e gestores públicos usam os desastres para cometerem abuso contra parte da sociedade. Em Gaspar, um dos pontos essenciais e referenciais para socorrer os possíveis desabrigados pelos eventos climáticos severos, é o local de abrigo temporário das pessoas e guarda de móveis, utensílios e até animais.

No rol estão as escolas municipais. Entretanto, a prioridade, normalmente, é dada para as “comunidade” da Igreja Católica espalhadas pelos todos os cantos dos municípios e algumas sociedades, ou clubes particulares, estes sumindo aos poucos. Em Gaspar, até a Expo-feira foi cancelada para que o suposto R$1,7 milhão do Orçamento fosse redistribuído nas ações preventivas entre várias secretarias e a Defesa Civil. A relação de 28 abrigos está no aplicativo “Alerta Gaspar”.

O que não se sabe é quanto disso vai para estas entidades, que compulsoriamente, cedem seus locais para os abrigos temporários. Há casos relatados de prejuízos e depredação nesses locais de abrigos quando se usou no passado. Há casos em que a entidade, depois do poder público lavar as mãos na negociação, precisou fazer acordos e pagá-los, depois de meses, para eles saírem de lá.

Por que o poder público evita o uso de escolas, normalmente m ais bem equipadas com banheiros, chuveiros, cozinha e até mantimentos para refeições emergenciais? Exatamente, pela complicada saída de alguns e a depredação de outros ao bem público. E qual a razão para entidades particulares e comunitárias terem que arcar com tal prejuízo, se a obrigação é pública e há – ou deveria haver – Orçamento para isto tanto na Defesa Civil quanto na secretaria de Assistência Social, a que coordena este processo? Muda, Gaspar!

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3 comentários em “UM TEXTO AUTO-EXPLICATIVO. TODOS FALHAM E ERRAM, INCLUSIVE EU. A MAIORIA BUSCA A REMISSÃO E O APERFEIÇOAMENTO. SÓ OS CEGOS, SURDOS E FRAGILIZADOS TEIMAM E CULPAM OS OUTROS POR SUAS PRÓPRIAS FALHAS E ERROS”

  1. ELIAS MARTINS DA SILVA NETO

    Pré campanha e campanha da na mesma, rola solto tudo, a justiça nem sabe, tapa os olhos.

    Quanto pedir desculpas em apoiar na época Paulo Roberto Koerich não é crime, e nem erro, não tem que pedir desculpas, a culpa foi de muitos acreditarem em um estelionado eleitoral com 52% dos votos.

    Gaspar é uma aldeia, tem 70 mil habitantes onde 35 mil votam, é compreensível em acreditar que alguém poderia quebrar o sistema dos poderosos, fechando a questão Paulo Roberto Koerich é um engodo e povo gasparense errou e cometeu estelionato para a cidade, eleitoral.

    A cidade está aos trapos com escandalos de corrupção dentro do governo com secretários vindo de Blumenau, é chover no molhado dizer que temos muito material humano qualificado na cidade e íntegros, a culpa é de quem? resposta é simples de quem nomeou……

    Finalizando, gasparense tem que ter mais lógica e pragmatismo para eleger seus representantes, e muitos vão nas redes sociais e se acham de salvadores….. vixe..

  2. ONDE FALTA CAIR A FICHA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    No futebol a ficha para o Brasil caiu logo, pois é impossível ignorar mais uma desclassificação. É consenso que o mau resultado na Copa não foi produto de questões fortuitas. A decadência do futebol brasileiro vem de muito tempo, mas agora a ficha caiu sobre nossa mediocridade.

    Falta muito para que isso aconteça também na política. Talvez nem aconteça, apesar da mediocridade da disputa em torno de eleições que prometem tornar ainda mais difíceis os grandes problemas. O mais crítico e imediato é o da crise político-institucional, cujo risco está subindo.

    Antes se associava corrupção (dos valores, das condutas, da moral, fora o roubo) aos “políticos”. Em todos os níveis no Executivo e, especialmente, no Legislativo. Hoje a percepção, nada subjetiva, é a de que o topo do Judiciário também não merece mais confiança.

    É importante notar que, em conversas privadas, integrantes tanto do governo quanto de várias correntes de oposição convergem em dizer que “o Supremo, entregando dois ministros” (está subentendido que são os nomes envolvidos no escândalo Master), a coisa se resolve. Que coisa? A profunda dissolução da legitimidade das instituições? O destrutivo desequilíbrio na relação entre os Poderes? Como ganhar causas via parentes de integrantes de tribunais superiores?

    A complexidade da situação que o País enfrenta se dá sobretudo por fatores que os agentes políticos já não controlam ou apenas em parte. Eles são demografia (impacta Previdência), estagnação na produtividade (impacta crescimento econômico), crime organizado (impacta não só autoridade do Estado) e vulnerabilidade externa (impacta defesa e potencializa choques geopolíticos).

    Mas é um país beneficiado pela posição geográfica, pela extraordinária abundância de todo tipo de recursos, por um apreciável mercado interno, por capital humano que realizou a revolução da agricultura tropical e produziu excelentes resultados de inovação tecnológica na extração de petróleo e indústria aeronáutica, por exemplo. Por isso mesmo, paradoxalmente beneficiado por alguns aspectos da destruição da ordem internacional.

    O debate público eleitoral, constrangido pela enfadonha polarização, não contempla nada disso – nem os dilemas nem as oportunidades. Ao contrário, não parece haver saída do confronto entre um governo desarticulado e com prazo de validade há muito vencido (sobretudo no campo das ideias) e um tipo de oposição comandada por um clã familiar de notável incompetência – para nem se falar de problemas morais.

    Mas não caiu ainda a ficha de como é medíocre um tipo de populismo enfrentando o outro.

  3. A FICÇÃO DA “PRÉ-CAMPANHA”, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Ao chamar de “papagaiada desgraçada” as restrições impostas pela legislação eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou expondo uma contradição que vai muito além de seu incômodo pessoal. O problema não é o defeso eleitoral, mas a ficção da chamada “pré-campanha”. A política brasileira já entrou em campanha há muito tempo. Só a legislação e os próprios atores políticos, quando lhes convêm, continuam sustentando essa ficção.

    Não há mais nada de “pré” na disputa presidencial de 2026. Lula percorre o País anunciando obras e investimentos. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) organiza viagens, mobiliza apoiadores e constrói seu palanque nacional. Partidos articulam alianças, testam discursos e ajustam estratégias. O noticiário acompanha diariamente pesquisas, movimentos eleitorais e cenários para outubro. Os tribunais já acumulam ações típicas de uma campanha em pleno andamento. Ainda assim, todos insistem em tratar seus protagonistas como “pré-candidatos”, como se a corrida eleitoral permanecesse apenas em fase de preparação.

    As restrições previstas na legislação eleitoral continuam sendo indispensáveis. Democracias precisam impedir que governantes utilizem a máquina pública em benefício próprio. Precisam estabelecer uma fronteira clara entre Estado, governo e campanha, limitar o uso da publicidade institucional e evitar que quem ocupa o poder transforme a estrutura administrativa em vantagem eleitoral. O objetivo dessas normas permanece correto. O problema é que o conceito de pré-campanha deixou de corresponder à realidade política.

    Os últimos dias demonstraram isso com clareza. Antes do início das restrições eleitorais, Lula participou de 19 agendas públicas em sete Estados, acelerou anúncios de investimentos, inaugurou um canteiro de obras e até um túnel ainda sem água. Em seguida, anunciou que, embora não pudesse mais inaugurar obras, continuaria visitando aquelas que ainda pretendia conhecer. “Nós temos agora o período de defeso. O defeso é para pesca. Você não pode pescar na época da desova. E agora a gente não pode inaugurar mais nada até as eleições”, queixou-se Lula. Mas não se deu por vencido: “Embora não possa inaugurar, eu vou visitar muitas coisas que ainda tenho de visitar”.

    Não se trata de uma característica exclusiva do atual presidente. Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) percorreu o País em motociatas e grandes eventos públicos muito antes da campanha oficial, suscitando exatamente o mesmo debate. Agora, na Paraíba, a Justiça Eleitoral determinou a retirada de vídeos de Wesley Safadão após o cantor fazer, durante um show do São João de Campina Grande, um gesto associado à pré-candidatura do senador Efraim Filho (PL-PB) ao governo do Estado. Em ambos os casos, a controvérsia não girou em torno de pedidos explícitos de voto, mas da tentativa de definir onde termina a manifestação política e onde começa a campanha.

    Os números confirmam a distorção. Antes mesmo da abertura oficial da campanha, as equipes jurídicas de Lula e Flávio Bolsonaro já haviam levado ao Tribunal Superior Eleitoral mais de uma centena de representações. Ora, se a campanha ainda não começou segundo o calendário legal, como pode já ocupar tanto os tribunais, mobilizar partidos e dominar a agenda política nacional?

    É preciso discutir de forma realista como impedir que quem exerce o poder utilize a máquina pública para perpetuá-lo. Essa é a fronteira que merece proteção rigorosa. É ela que assegura igualdade entre os concorrentes e preserva as instituições acima dos interesses eleitorais de ocasião.

    Não faz sentido abandonar as regras. Faz sentido abandonar a ilusão de que elas ainda regulam a realidade. A democracia continuará precisando de limites rigorosos ao uso da máquina pública e de uma fronteira inequívoca entre Estado, governo e campanha. Mas insistir em tratar como “pré-campanha” um período em que todos já fazem campanha apenas transforma a legislação num exercício de faz de conta. O Brasil precisa de regras mais realistas, claras e eficazes.

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