Os políticos precisam de um escândalo maior a cada dia dos erros dos outros para esconder os seus. É assim em Brasília. É assim em Florianópolis. É assim em Blumenau. É assim em Gaspar. E tudo pago ou com o dinheiro dos cada vez mais altos pesados impostos on-line, que já vem calculado, embutido e embrulhado contra todos nós, proporcionalmente às dificuldades cada vez também maiores para se contestar ou compensar em algum eventual erro. Para pagar há prazo certo e cada vez mais diminuto. Para reaver ou se ter uma resposta do que se questiona, anos. Tempo proposital para você desistir. É a inteligência maléfica dos política e burocratas, associada com a Artificial contra o cidadão para sustentar a corrupção, o estado, o empreguismo e os penduricalhos estratosféricos de uma elite do serviço público nos três poderes. (By Herculano). A ilustração é do traço inconfundível de Claudio Oliveira, para o jornal Folha de S. Paulo.
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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLXVI
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Um espaço plural para debater as obscuridades e incoerências dos políticos, bem como à incompetência combinada com sacanagens dos gestores públicos com os nossos pesados impostos.
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O FEDOR DO LIXO. DEPOIS DE ONZE ANOS, JUSTIÇA DE GASPAR CANCELA A INDISPONIBILIDADE DOS BENS DE ATÉ R$1,1 MILHÃO – VALORES DA ÉPOCA – E DIZ QUE OS CINCO REAJUSTES DO LIXO DADOS POR ADILSON LUIZ SCHMITT QUANDO PREFEITO (2005/08) PARA REEQUILIBRAR O CONTRATO SAF 211/2005 COM A ANTIGA RECICLE, HOJE VEOLIA, FORAM LEGAIS. A AÇÃO PÚBLICA DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA DE 2015 FOI DO MINISTÉRIO PÚBLICO. A DECISÃO VAI EM LINHA AO QUE JÁ TINHA ESCLARECIDO O TRIBUNAL DE CONTAS. CABEM RECURSOS.
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85 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDLXVI”
Uma bagatela: R$ 10.600.000.000.000,00. . .
“Lula conduziu Brasil à maior dívida pública em 5 anos”
– Déficit primário de R$ 56,1 bilhões ajudou País a atingir a dívida bruta de R$ 10,6 trilhões, que é 81,1% do PIB.
(Davi Soares, Diário do Poder, 30/06/26)
O Banco Central divulgou, nesta terça-feira (30), que o Brasil atingiu em maio o patamar da dívida pública bruta mais alto dos últimos cinco anos, ao alcançar R$ 10,6 trilhões devidos; o que representa 81,1% do produto interno bruto (PIB) do País. A má notícia para a economia brasileira foi exposta com a divulgação do déficit primário de 56,1 bilhões para maio, no setor público consolidado, que inclui União, estados, municípios e empresas estatais.
Tal rombo que teve contribuição decisiva do governo de Lula (PT), que apresentou saldo negativo de R$ 55,2 bilhões, o maior para o mesmo mês desde 2024. Enquanto estados e municípios tiveram resultado deficitário de R$ 1,2 bilhão, e empresas estatais registraram superávit de R$ 273 milhões.
Os dados do relatório Estatísticas Fiscais do Banco Central evidenciam que o déficit primário de maio deste ano eleitoral quase duplicou o valor atingido no mesmo mês do ano passado, quando o rombo foi de R$ 33,7 bilhões.
Além disso, até maio, o o déficit primário acumulado de 12 meses ficou em R$ 149 bilhões (1,14% do PIB). E superou 0,16 ponto percentual acima do acumulado até abril.
O BC também informou que dívida líquida do setor público chegou a R$ 8,9 trilhões (67,9% do PIB) em maio. O que refletiu, segundo o relatório, “sobretudo, os impactos dos juros nominais apropriados (0,8 ponto percentual), do déficit primário (0,4 p.p.), da desvalorização cambial de 1,4% no mês (-0,1 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.)”.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/csa-brasil/lula-conduziu-brasil-a-maior-divida-publica-em-5-anos)
. . .praticamente, só o dobro da fortuna do Musk: R$ 5,5 trilhões!
“Nas entrelinhas”
. . .”Militantes-raiz fazem a blindagem tanto do presidente quanto do candidato de oposição nas redes sociais, indiferentes aos fatos negativos que surgem.”. . .
“Em meio à Copa do Mundo, Lula e Flávio absorvem desgastes com aliados”
(Luiz Carlos Azedo em seu Blog no Correio Braziliense, 30/06/26)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva absorveu o desgaste provocado pelo envolvimento do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no caso Master, enquanto seu principal adversário nas eleições, Flávio Bolsonaro (PL-RR), administrou a crise com a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, que havia gravado um vídeo se dizendo desrespeitada e humilhada pelo filho do ex-presidente Bolsonaro. Talvez porque tenham se posicionado corretamente para estancar a crise, talvez porque o foco de atenção dos eleitores tenha se deslocado para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
É o que mostra a pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nessa segunda-feira: ambos atravessaram as últimas semanas sob intenso desgaste político, mas nenhum deles sofreu abalo eleitoral significativo. Ao contrário, os números indicam que ambos permanecem sustentados por bases eleitorais altamente consolidadas, tornando a disputa cada vez mais dependente da conquista do eleitorado moderado e da transferência dos votos dos candidatos hoje situados na chamada terceira via.
No cenário principal de primeiro turno, Lula aparece com 42% das intenções de voto estimuladas, exatamente o mesmo percentual registrado na rodada anterior. Flávio Bolsonaro, por sua vez, oscila positivamente de 33% para 34%, permanecendo dentro da margem de erro. Ronaldo Caiado registra 5%, Renan Santos 4%, Romeu Zema 3%, enquanto os demais candidatos ficam em 1%. Brancos e nulos somam 5%, e 3% permanecem indecisos.
Wagner e Michelle produziram ruído, mas não deslocaram votos significativamente. O levantamento mostrou que 24% dos brasileiros são classificados como “lulistas raiz”, enquanto 26% pertencem ao grupo dos “bolsonaristas convictos”. Outros 6% enxergam Lula como alternativa preferencial e 9% fazem o mesmo em relação ao bolsonarismo. O contingente que pode decidir a eleição, porém, é de 20%, que permanecem efetivamente não polarizados, ao passo que 9% rejeitam simultaneamente Lula e Bolsonaro.
O lulismo, que o historiador Alberto Aggio associa à “economia do afeto”, continua mais forte entre 27% das mulheres, 29% dos eleitores com mais de 60 anos, 29% daqueles com ensino fundamental, 27% dos católicos, 30% dos moradores das capitais e 26% dos eleitores com renda de até um salário mínimo. Também apresentam presença elevada entre pessoas sem religião, onde chegam a 32%.
O grupo dos “bolsonaristas convictos” alcança 29% dos homens, 35% dos evangélicos, 30% dos eleitores com renda superior a cinco salários-mínimos, 30% dos trabalhadores formais, 29% dos moradores do Sul e 28% dos eleitores com renda entre dois e cinco salários-mínimos.
Segundo turno
São esses setores que fazem a blindagem tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro nas redes sociais, indiferentes aos fatos negativos que surgem na campanha, cuja maior repercussão é entre os indecisos. O cenário de segundo turno mostra isso. Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente vence por 47% a 44%, diferença de três pontos percentuais, praticamente idêntica à observada na rodada anterior, quando o placar era de 49% a 43%.
Lula vence entre as mulheres (55% a 36%), entre os idosos (62% a 33%), entre quem possui apenas ensino fundamental (60% a 33%), entre os católicos (53% a 38%), entre os eleitores sem religião (58% a 33%) e especialmente no Nordeste (61% a 30%). Também domina amplamente entre os brasileiros de menor renda: 61% a 30% entre quem recebe até um salário-mínimo e 54% a 36% entre aqueles com renda de um a dois salários-mínimos.
Flávio Bolsonaro apresenta vantagem entre os homens (53% a 39%), entre os evangélicos (60% a 32%), entre os jovens de 16 a 24 anos (52% a 34%), entre os trabalhadores formais (53% a 37%), entre os eleitores de renda superior a dois salários mínimos, especialmente acima de cinco salários (53% a 40%), além do Sul, onde lidera por expressivos 63% a 33%.
Trocando em miúdos, se não surgir um candidato de terceira via que empolgue os eleitores, o fator decisivo da eleição será a migração dos votos dos candidatos fora da polarização principal. Os eleitores de Ronaldo Caiado dividem-se praticamente ao meio, com 40% migrando para Lula e 37% para Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores de Romeu Zema, a vantagem é de Flávio (49%) contra 32% de Lula.
O eleitorado de Renan Santos também tende majoritariamente para o senador, com 46% migrando para Flávio e 35% para Lula. Já os apoiadores de Joaquim Barbosa transferem 52% de seus votos para Lula e apenas 25% para Flávio. Entre os eleitores de Augusto Cury, Lula recebe 49%, enquanto Flávio fica com 18%. O caso de Aécio Neves é ainda mais favorável ao presidente: 72% de seus eleitores migrariam para Lula, contra apenas 14% para Flávio. Os votos de Cabo Daciolo distribuem-se de forma relativamente equilibrada, com leve vantagem para Flávio.
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/em-meio-a-copa-do-mundo-lula-e-flavio-absorvem-desgastes-com-aliados/)
“Visto, lido e ouvido”
. . .”Especialistas em saúde pública têm alertado para o crescimento dos casos de ludopatia, o transtorno relacionado ao jogo compulsivo.
Enquanto pesquisadores brasileiros observam o aumento na procura por tratamento em razão das apostas online, a Organização Mundial da Saúde reconhece os transtornos comportamentais relacionados aos jogos como um problema relevante de saúde mental.”. . .
“A epidemia silenciosa das apostas online”
(Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, no Blog do Ari Cunha, Correio Braziliense, 28/06/26)
Poucos fenômenos cresceram com tanta velocidade no Brasil quanto às plataformas de apostas esportivas. Em poucos anos, elas deixaram de ocupar espaços discretos na internet para dominar transmissões esportivas, patrocinar clubes, comprar horários na televisão e invadir, de maneira permanente, celulares e redes sociais de milhões de brasileiros.
Durante a Copa do Mundo de Futebol, essa presença tornou-se ainda mais intensa. Praticamente cada intervalo de transmissão, cada vídeo nas redes sociais e cada aplicativo passou a exibir anúncios convidando o público a fazer sua primeira aposta, multiplicar ganhos ou aproveitar “oportunidades imperdíveis”. A estratégia é sofisticada. Utiliza algoritmos capazes de identificar o perfil do usuário, seus hábitos de navegação e seus interesses esportivos. A publicidade deixou de ser apenas uma mensagem genérica e transformou-se em um recado personalizado. O celular, antes instrumento de comunicação e trabalho, passou a funcionar também como uma porta de entrada permanente para um gigantesco cassino virtual instalado no bolso de cada cidadão.
Segundo dados do Banco Central, os brasileiros movimentam dezenas de bilhões de reais por mês em apostas eletrônicas. Em estudo divulgado em 2024, a autoridade monetária estimou que os gastos mensais com apostas variavam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões, evidenciando a dimensão econômica alcançada pelo setor. Esse volume impressiona não apenas pelo montante financeiro, mas por sua origem. Grande parte desse dinheiro sai diretamente do orçamento das famílias. Recursos que poderiam ser destinados à alimentação, educação, lazer, poupança ou investimento acabam sendo direcionados para plataformas cuja lógica matemática favorece, inevitavelmente, a própria casa de apostas.
A publicidade acompanha essa expansão. Influenciadores digitais, atletas, ex-jogadores, artistas e produtores de conteúdo aparecem diariamente estimulando apostas rápidas, frequentemente associando o jogo à ideia de sucesso financeiro, independência econômica ou enriquecimento fácil. A linguagem é cuidadosamente construída para transformar uma atividade de elevado risco em simples entretenimento. Especialistas em saúde pública têm alertado para o crescimento dos casos de ludopatia, o transtorno relacionado ao jogo compulsivo.
Enquanto pesquisadores brasileiros observam o aumento na procura por tratamento em razão das apostas online, a Organização Mundial da Saúde reconhece os transtornos comportamentais relacionados aos jogos como um problema relevante de saúde mental.
Outro aspecto que desperta preocupação crescente diz respeito à origem dos recursos que circulam nesse mercado. Autoridades brasileiras e organismos internacionais têm alertado para os riscos de utilização das plataformas de apostas em esquemas de lavagem de dinheiro. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Ministério da Fazenda e a Polícia Federal vêm reforçando mecanismos de fiscalização justamente porque o elevado volume financeiro e a velocidade das transações podem ser explorados por organizações criminosas. Não significa que todas as empresas do setor estejam envolvidas em práticas ilícitas. Significa, porém, que o mercado apresenta vulnerabilidades conhecidas pelas autoridades.
Relatórios produzidos por organismos internacionais, como o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), apontam que atividades de apostas e jogos podem ser utilizadas por organizações criminosas para ocultação e circulação de recursos ilícitos quando não existem controles rigorosos de identificação de usuários, rastreamento financeiro e prevenção à lavagem de dinheiro. Esse quadro amplia a responsabilidade do poder público. A discussão deixou de envolver apenas liberdade econômica ou arrecadação tributária. Passou a abranger proteção do consumidor, saúde pública, segurança financeira e combate ao crime organizado.
Também merece atenção a intensidade da publicidade dirigida ao público. Embora a legislação brasileira tenha estabelecido regras para o funcionamento das apostas de quota fixa, cresce o debate sobre a necessidade de limitar campanhas publicitárias, sobretudo aquelas direcionadas a jovens e pessoas vulneráveis. Diversos países europeus já adotaram restrições severas quanto aos horários de exibição, utilização de celebridades e divulgação em eventos esportivos. O Brasil enfrenta agora desafio semelhante.
A facilidade tecnológica transformou qualquer intervalo de poucos minutos em oportunidade comercial. Basta abrir um aplicativo, assistir a um vídeo ou consultar uma rede social para que novos anúncios apareçam oferecendo bônus, apostas gratuitas ou promessas de retorno imediato. Nenhuma sociedade elimina completamente o jogo. Trata-se de uma atividade presente há séculos. O desafio contemporâneo consiste em impedir que a tecnologia transforme uma prática recreativa em mecanismo permanente de captura da renda familiar.
O problema surge quando o espetáculo esportivo passa a funcionar principalmente como plataforma de recrutamento de novos apostadores. Num ambiente digital dominado por algoritmos, publicidade personalizada e comunicação instantânea, a proteção do consumidor exige fiscalização constante, transparência regulatória e educação financeira. Caso contrário, milhões de brasileiros continuarão cercados diariamente por incentivos cuidadosamente desenhados para estimular apostas sucessivas, enquanto parte significativa dos lucros permanecerá concentrada em um mercado cuja expansão ainda desafia a capacidade de supervisão do Estado.
A frase que foi pronunciada:
“Um jogador nunca comete o mesmo erro duas vezes. Geralmente são três ou mais vezes.”
(Terrence “VP Pappy” Murphy (*)
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/a-epidemia-silenciosa-das-apostas-online/)
(*) Terrence Murphy, mais conhecido pelo apelido “VP Pappy”, é um escritor freelancer norte-americano e jogador de pôquer amador que ficou conhecido principalmente por suas frases espirituosas sobre jogos de azar, cassinos e apostas. Ele nasceu em 1937, segundo diversas compilações biográficas de citações.
. . .
+em: https://chatgpt.com/s/t_6a44623da8488191b56072c01269c8cb
“Surfar a onda azul ao lado de Milei não é boa ideia para Flávio”
– Brasileiro não dá bola para o que acontece além das fronteiras. Mas surfar a onda azul ao lado de Milei pode fazer o inútil virar danoso.
(Mario Sabino, Metrópoles, 30/06/26)
A democracia brasileira é coisa mais bonita de ver: enquanto Lula (1) ocupa-se em quebrar (2) o país, endividando o governo (e, por tabela, os cidadãos ignaros ou não) em níveis impagáveis nos dois sentidos, Flávio Bolsonaro (3) tenta projetar uma imagem de estadista.
Estadista para brasileiro é ter interlocutor que fala outra língua.
O estadista esteve na Argentina para fazer fotinho ao lado de Javier Milei e comemorar a “onda azul”, como está sendo chamada a virada da América Latina à direita.
A virada agora inclui a Colômbia, que passou a ser governada por Abelardo de la Espriella, cuja candidatura foi apoiada por Donald Trump (4).
Milei espera entusiasticamente que o Brasil entre na onda azul pelas mãos de Flávio, como postou nas redes sociais com todas as exclamações de praxe.
Flávio aposta no momento estadista para fugir da sombra lançada por Michelle Bolsonaro (5) sobre a sua candidatura.
Antes de ir à Argentina, ele foi aos Estados Unidos para fugir do caso Dark Horse e fazer fotinho com Trump. Voltará lá para vender a imagem de que está empenhado em diminuir as tarifas impostas por seu mestre às exportações brasileiras.
Lula também está fugindo, desta vez do caso Jaques Wagner, por meio de mais gastos com o nosso dinheiro, o Desenrola adimplentes, outro troço imaginado para fazer as pessoas imaginarem que têm crédito farto.
Se tivessem algo na cabeça, os eleitores brasileiros deveriam se perguntar se vale a pena votar em candidatos que estão sempre tentando escapar de alguma coisa. Mas não adianta cultivar expectativas desmedidas às nossas ambições nacionais.
Onda azul, eu ia dizendo. Nada de novo no fronte. A América Latina oscila pendularmente entre o azul da direita e o vermelho da esquerda, sempre movida por razões imediatas. Por aqui, vive-se na urgência.
A urgência é a criminalidade rampante, que a direita promete exterminar, levando de cambulhada os direitos humanos, ao passo que a esquerda compactua com a bandidagem, levando de cambulhada os direitos humanos.
Neste momento, os direitistas, e não apenas latino-americanos, espelham-se em Nayib Bukele, o inefável presidente de El Salvador que teve a ideia bastante original de suspender o Estado de Direito para prender marginais. Como é ninguém havia pensado nisso?
O colombiano Espriella, aliás, é xerox de Bukele, com aquela barba de contornos retos à la boneco Falcon, com o perdão da referência lúdica bem de acordo com os meus 64 anos.
A onda azul na América Latina precisa do Brasil ou será marola. A joça verde-amarela representa um terço do PIB da região e, junto com o México, que permanece no vermelho com a presidente Claudia Sheinbaum, mais da metade de toda a riqueza produzida no subcontinente.
Já o contrário não é verdade. Vivemos de costas para o estrangeiro, em especial para essa gente que fala espanhol aqui ao lado, desprovida de sex appeal, a não ser a barba de boneco Falcon, mas isso parece, sei lá, um tantinho gay.
Eleitor brasileiro nunca deu bola para o que acontece além das nossas fronteiras, a não ser quando o além das nossas fronteiras resolve meter o bedelho aqui, como é o caso de Trump. Aí, a gente sobe nas tamancas da soberania. Ninguém pode dar lição aos brasileiros de como arruinar o próprio país.
Surfar a onda azul não parece, assim, boa ideia para Flávio impulsionar a sua candidatura. Especialmente, ao lado de Javier Milei, que deixou de ser bom garoto-propaganda e faz correr o risco de o inútil virar danoso.
Pois é, rapaz, eu também achava que Milei estava indo bem, mas, no máximo, ele está fazendo o possível — e o possível não é suficiente para a Argentina dopada de peronismo.
Anote aí, Sidônio: a taxa de desemprego argentina atingiu o pior nível desde a pandemia, a informalidade continua a grassar, os aposentados estão à míngua e o cálculo da inflação não bate com a realidade dos pobres.
Como a luz no fim do túnel peronista apontada por Milei parece cada vez mais longe para milhões dos seus concidadãos, é melhor o estadista Flávio não escapar para a Argentina. Vamos fugir pra outro lugar, baby.
PS: Lula está no Paraguai, em reunião do Mercosul, mandando recado a Trump para fazer graça eleitoral. O Brasil só tem estadistas.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/surfar-a-onda-azul-ao-lado-de-milei-nao-e-boa-ideia-para-flavio)
(1) “Lula diz que nunca foi esquerdista. É apenas um oportunista à esquerda”
– Na sua essência, Lula é somente um oportunista que pegou carona na convicção que lhe abria caminho naquele momento histórico dos anos 1970.
+em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/lula-diz-que-nunca-foi-esquerdista-e-apenas-um-oportunista-a-esquerda
(2) “Devagar, Durigan, que esse negócio com a China não é negócio da China”
– O ministro da Fazenda, Dario Durigan, não quer bater continência à bandeira americana. Mas vale ainda menos bater continência à chinesa.
+em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/devagar-durigan-que-esse-negocio-com-a-china-nao-e-negocio-da-china
(3) “Flávio, o mau candidato, em empate técnico com Lula, o mau presidente”
– Em relação à pesquisa BTG/Nexus anterior, feita no mês passado, a diferença entre Flávio e Lula caiu de seis para três pontos percentuais.
+em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/flavio-o-mau-candidato-em-empate-tecnico-com-lula-o-mau-presidente
(4) https://www.whitehouse.gov/administration/donald-j-trump/
(5) “Michelle Bolsonaro bateu no fígado de Flávio”
– Michelle Bolsonaro bateu no fígado de Flávio de caso pensadíssimo, e quem bate no fígado é porque quer ver o adversário fora do ringue.
+em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/michelle-bolsonaro-bateu-no-figado-de-flavio
Se vorcaro comprou “otoridades” com
salários astronômicos, imaginem o que
ele poderá propor aos agentes prisionais?
“O recado de Gonet à defesa de Vorcaro sobre nova tentativa de delação”
(Por Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura — Rio e Brasília, O Globo, 29/06/26)
Apesar das novas tentativas de reaproximação dos advogados de Daniel Vorcaro para reabrir as negociações para um acordo de colaboração premiada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, já deixou claro que “fechou as portas” para qualquer iniciativa nessa direção.
Conforme informou o blog (1), o último movimento de Vorcaro foi uma conversa reservada do advogado Sérgio Leonardo com Paulo Gonet, no salão branco do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada. No espaço, frequentado por advogados e ministros antes das sessões e em intervalos de julgamentos, Leonardo disse a Gonet que seu cliente estava disposto a fazer uma nova oferta e contar o que delegados e procuradores queriam saber, mas o procurador-geral rechaçou a ideia de bate pronto.
“A defesa tentou retomar o assunto, mas Gonet fechou as portas”, resumiu uma fonte que acompanha de perto as movimentações nos bastidores.
A iniciativa de Vorcaro é vista com desconfiança tanto pela Polícia Federal quanto pela PGR por dois motivos. O primeiro é que os investigadores avaliam que o banqueiro tenta um “truque” e segue sem disposição de fazer uma confissão real dos crimes cometidos no bilionário esquema de corrupção e fraude que veio à tona.
Também acham que “só o celular de Vorcaro já é uma delação”, ou seja, apontam que o material extraído dos aparelhos celulares do banqueiro e de outros alvos da investigação fornecem provas robustas suficientes para o avanço do caso, sem depender de um acordo de colaboração firmado com Vorcaro.
Transferência para a Papudinha
Outro sinal do congelamento das negociações foi a decisão do relator do caso Master, ministro André Mendonça, de transferir na última quinta-feira (25) Vorcaro da Superintendência da PF no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como “Papudinha”.
Na cadeia, Vorcaro está na mesma cela do ex-presidente Jair Bolsonaro (2) por um período de pelo menos 10 dias, por conta de um “isolamento sanitário” recomendado pela própria Vara de Execuções Penais. O objetivo é afastar o risco de ele eventualmente ter contraído alguma doença ou infecção que possa se espalhar na Papudinha – procedimento comum adotado com detentos que passam por esse tipo de transferência.
Além de Vorcaro, está detido na Papudinha outro potencial delator do caso Master, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, também preso no bojo das investigações de um esquema de corrupção e fraude bilionária.
Ao determinar a transferência do banqueiro para o batalhão, Mendonça determinou que o presídio adotasse as “providências necessárias para preservar a incomunicabilidade entre os custodiados presos em razão da denominada Operação Compliance Zero”.
“A medida deverá ser implementada de forma proporcional e compatível com a rotina administrativa e de segurança da unidade, sem prejuízo da observância dos direitos mínimos assegurados às pessoas privadas de liberdade”, ressaltou o ministro.
O batalhão da PM oferece aos detentos condições melhores do que o resto do complexo prisional de Brasília, com chuveiro quente, cozinha com possibilidade de preparo e armazenamento de alimentos, geladeira, armários, cama de casal e TV.
Apesar de geograficamente localizada na área da Papuda, a Papudinha é administrada pela Polícia Militar, e não pela secretaria de administração penitenciária do DF.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/06/gonet-fecha-as-portas-para-nova-delacao-de-vorcaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)
(1) “Advogados de Vorcaro ainda tentam reabrir negociações para delação”
– PGR e PF, porém, já descartaram começar tudo de novo após duas tentativas fracassadas.
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/06/advogados-de-vorcaro-ainda-tentam-reabrir-negociacoes-para-delacao.ghtml
(2) “Vorcaro é encaminhado para cela que já abrigou Bolsonaro na Papudinha”
– Presídio, administrado pela Polícia Militar, ganhou dos próprios detentos o apelido de ‘Tremembé de Brasília’.
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/06/vorcaro-e-encaminhado-para-cela-que-ja-abrigou-bolsonaro-na-papudinha.ghtml
Huuummm. . .
Ele tem a chave do cofre!
“Kassab na vice: a solução para dois problemas de Caiado”
(Por Bela Megale, O Globo, 30/06/26)
O anúncio de Gilberto Kassab, presidente do PSD, como candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado vem para resolver duas pedras no sapato do pré-candidato à Presidência pelo partido.
Primeiro, Kassab abre uma janela para que alguma aliança ainda possa avançar. O PSD vinha tentando costurar acordos com União Brasil ou PP, mas as conversas emperraram, forçando o caminho da chapa pura, conforme noticiado pelo O GLOBO. Com Kassab no posto de vice, a possibilidade de um entendimento permanece em aberto, afinal, ele poderá ser o articulador do acordo e até abrir mão da vaga se for necessário.
O segundo ponto é que Kassab ajuda a superar a resistência interna no PSD. Muitos candidatos a deputado estadual e federal ainda hesitam em apoiar Caiado publicamente, especialmente porque boa parte da base do partido demonstra inclinação por Lula ou Flávio Bolsonaro, de acordo com as circunstâncias regionais.
Mas agora, com o presidente da legenda e, consequentemente, o responsável pelo controle do fundo eleitoral, como vice na chapa, a pressão para que os candidatos abracem o projeto presidencial do próprio partido fica maior. É Kassab quem puxa a fila e mantém o controle da rede partidária.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/bela-megale/post/2026/06/kassab-na-vice-a-solucao-para-dois-problemas-de-caiado.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)
📍 “Mapa do poder”
– O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
(Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 30/06/26)
1 – O STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu o julgamento que libera parte dos penduricalhos (*) do Judiciário e do Ministério Público que haviam sido barrados em março pela própria corte. Com o voto de Cármen Lúcia, os ministros mantiveram o limite de 35% além do teto para o pagamento de verbas indenizatórias. Nesta tarde, em discurso no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o presidente da corte, Edson Fachin, ainda sugeriu rever pagamentos (**) de todo o serviço público.
+em:
(*) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/stf-conclui-julgamento-e-libera-parte-dos-penduricalhos-que-haviam-sido-barrados-pelo-tribunal.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(**) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/fachin-sugere-rever-pagamentos-do-servico-publico-inteiro-apos-polemica-com-penduricalhos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
2 – Geraldo Alckmin (PSB), que exerce a Presidência enquanto Lula está na Cúpula do Mercosul, no Paraguai, lançou a nova edição do Plano Safra, com R$ 525,1 bilhões em financiamento para a agricultura empresarial. Também haverá crédito a produtores familiares. A soma das modalidades ficará em torno de R$ 610 bilhões. O plano é considerado relevante para a campanha à reeleição de Lula, já que o agro é um dos setores mais resistentes ao governo petista.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/governo-lula-lanca-plano-safra-com-r-525-bilhoes-para-financiar-producao.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
Na Esplanada…
O governo federal anunciou uma redução gradual, a partir de quarta-feira (1º), no subsídio de R$ 0,35 por litro do diesel. O anúncio foi feito após o cessar-fogo entre EUA e Irã, que freou a alta do petróleo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a subvenção de R$ 0,44 da gasolina também deverá ser retirada nos próximos dias, de forma escalonada. Haverá ainda uma avaliação diária da segunda subvenção sobre o diesel, de R$ 1,12.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/governo-lula-vai-anunciar-reducao-gradual-de-subvencao-a-combustiveis.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(TRPCE)
De treta em treta,
“rumu au tetra”…
“A máquina da reeleição”
(Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 30/06/26)
O governo Lula (PT) aumentou as despesas em propaganda (*) e empenhou R$ 520 milhões no primeiro semestre de 2026 para custear as campanhas publicitárias da Secretaria de Comunicação Social. O valor é mais que o dobro dos gastos de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, quando o ex-presidente concorreu à reeleição e foi derrotado pelo petista. Naquele ano, Bolsonaro encaminhou R$ 213,5 milhões para ações de propaganda.
A maior parte do valor foi usada numa campanha que distribui anúncios sobre as principais bandeiras de sua gestão, com custo estimado em R$ 150 milhões. Entre elas, está a campanha a favor da PEC do fim da escala 6×1, aprovada pela Câmara e que está no Senado, que recebeu ao menos R$ 80 milhões em orçamento de propaganda. Além disso, R$ 45 milhões foram reservados para promover a nova edição do Desenrola Brasil (**), que prevê renegociação de dívidas.
A cerca de três meses da eleição, a estratégia do atual presidente de acelerar o empenho de dinheiro para propaganda ocorre porque, em anos eleitorais, a lei determina suspensão da publicidade institucional durante o período conhecido como defeso, que começa em 4 de julho. Apenas exceções são permitidas, como campanhas que a Justiça Eleitoral reconhece como de “grave e urgente necessidade pública”.
O PL do pré-candidato Flávio Bolsonaro (RJ) tenta no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) suspender as campanhas do governo ao alegar que o teto já foi gasto. O ministro André Mendonça é relator do caso.
+em:
(*) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/lula-libera-r-520-mi-para-propaganda-antes-da-eleicao-mais-que-o-dobro-de-bolsonaro-em-2022.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(**) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/novo-desenrola-pode-renegociar-ate-r-777-bilhoes-em-dividas-estimam-analistas.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(TRPCE)
“Rumu au équiça”!
Copa2026:
Newsletter FSP, 30/06/26
Edição: Paulo Passos, Vitória Pereira e Felipe Vaso
“Carlo tem um plano”
“O sofrimento é normal. Como é normal o alívio”.
Carlo Ancelotti respondeu assim à pergunta sobre o susto enfrentado pela seleção brasileira, que saiu perdendo por 1 a 0 para o Japão.
Uma conversa no vestiário, duas alterações e um time diferente no segundo tempo deram a classificação ao Brasil para as oitavas de final.
▶️Quer rever?
Aqui (1) temos os melhores momentos da partida em vídeo.
Quem é que sobe?
⬆️ Gabriel Martinelli:
Não só pelo gol decisivo. Entrou aos 21 minutos e atuou centralizado, fora de sua posição original.
⬆️ Bruno Guimarães:
deu o passe para o gol decisivo (2) e foi eficiente durante toda a partida. “Se alguém duvidava, não duvida mais”, afirmou.
Quem saiu?
Lucas Paquetá sentiu dores no primeiro tempo, foi substituído e é dúvida para as oitavas de final (3).
Um personagem:
Casemiro (4), que tomou cartão amarelo logo no início, falhou no gol japonês e se recuperou ao empatar (5) a partida.
E agora?
O próximo rival sairá do confronto entre Noruega e Costa do Marfim, hoje, às 14h.
O Brasil jogará novamente no domingo, às 17h.
Você gostou da seleção brasileira?
👍 Sim
https://www1.folha.uol.com.br/esporte/selecaobrasileira/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
👎 Não
https://www1.folha.uol.com.br/esporte/copa-do-mundo/2026/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(TRPCE)
(1) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/brasil-acorda-no-intervalo-vira-nos-acrescimos-contra-o-japao-e-sobrevive-na-copa.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(2) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/martinelli-sai-do-banco-pela-3a-vez-na-copa-marca-no-fim-e-coloca-selecao-nas-oitavas.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(3) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/paqueta-tem-problema-na-coxa-e-passara-por-exames-raphinha-ja-nao-sente-dores.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(4) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/casemiro-tranquiliza-apos-substituicao-contra-o-japao-nao-foi-nada-de-mais.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(5) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/casemiro-tem-voto-de-confianca-de-ancelotti-e-ajuda-a-evitar-novo-trauma-diante-do-japao.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
For$$a, Bra$il!
Se ambos são maus,
o que resta para nós,
burros de cargas bons?
“Flávio, o mau candidato, em empate técnico com Lula, o mau presidente”
– Em relação à pesquisa BTG/Nexus anterior, feita no mês passado, a diferença entre Flávio e Lula caiu de seis para três pontos percentuais.
(Mario Sabino, Metrópoles, 29/06/26)
Ora, veja só: de acordo com a última pesquisa BTG/Nexus, divulgada hoje, Lula, o mau presidente, e Flávio Bolsonaro, o mau candidato, voltaram ao cenário de empate técnico nas intenções de voto para o segundo turno da eleição presidencial, dentro da margem de erro: 47% a 44%.
Em relação à pesquisa anterior, feita no mês passado, quando a diferença entre ambos era o dobro, de seis pontos percentuais, Lula perdeu dois e Flávio ganhou um.
Quanto à rejeição, o chefão petista foi de 47% para 49%, e o rebento bolsonarista de 52% para 51%. A rejeição a Flávio parou de aumentar pela primeira vez desde a eclosão do caso Dark Horse.
Como os pesquisadores foram a campo depois da operação policial contra Jaques Wagner (*), no âmbito do caso Master, e da difusão dos vídeos nos quais Michelle Bolsonaro (**) acusa Flávio Bolsonaro de tê-la apunhalado, humilhado e maltratado, pode-se concluir que, no balanço dos respectivos abalroamentos, Lula sofreu mais desgaste do que o filho de Jair.
No plano geral, a verdade continua imutável: fosse um bom presidente, Lula lideraria as pesquisas com certa folga; fosse um bom candidato de oposição, Flávio teria a atual porcentagem de intenção de votos do seu adversário ou até pouco mais.
O que não lhes é base cativa de eleitores, aquela massa de cretinos doutrinados que oscila entre 25% e 30% para cada um, situa-se no campo do puro antibolsonarismo ou no do puro antipetismo.
Entre os antibolsonaristas e os antipetistas puros, há os que nutrem o que se pode chamar de aversão atávica ao que seria o seu contrário, o que lhes faz tapar o nariz e votar em Lula ou em um Bolsonaro independentemente da falta de qualidades do candidato, e os que apresentam volubilidade na rejeição: votam contra um ou outro segundo as circunstâncias. Ou melhor, a depender dos escândalos mais recentes. É algo aí em torno de 5% a 7% do eleitorado.
Há quem chame os volúveis do antieste ou antiaquele de independentes, e é esse contigente que causa as variações nas pesquisas e que, em outubro, definirá o resultado das urnas.
Muito pouco disso tem a ver com ideias de país, mas fica cada vez mais evidente que o país é o que menos importa nas eleições brasileiras, acontecimentos que ocorrem de quatro em quatro anos desprovidos de massa cinzenta e cheios de emoção.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/flavio-o-mau-candidato-em-empate-tecnico-com-lula-o-mau-presidente)
(*) “Jaques Wagner e o magnífico par de pernas”
– Jaques Wagner. Não sei se já contei essa história aqui, mas a vantagem de ter histórias esquecíveis é que você pode repeti-las.
+em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/jaques-wagner-e-o-magnifico-par-de-pernas
(**) “Michelle Bolsonaro bateu no fígado de Flávio”
– Michelle Bolsonaro bateu no fígado de Flávio de caso pensadíssimo, e quem bate no fígado é porque quer ver o adversário fora do ringue.
+em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/michelle-bolsonaro-bateu-no-figado-de-flavio
Rumu au tetra à
qualquer treta! (4)
“Governo lança Plano Safra empresarial e familiar nesta 3ª feira”
– Crédito rural e taxas de juros para ciclo 2026/2027 serão divulgados em 2 eventos separados; Lula participa de anúncio para agricultura familiar.
(Poder360, 30/06/26)
O governo federal lança nesta 3ª feira (30.jun.2026) o Plano Safra do biênio 2026/2027 para empresários e para a agricultura familiar, com novos valores de crédito rural e taxas de juros para o ciclo que começa em 1º de julho. A expectativa é que os 2 pacotes somem mais de R$ 600 bilhões, mas ainda abaixo do montante pleiteado pelo setor.
. . .
> Pacotes devem somar mais de R$ 600 bi, valor abaixo do pleiteado pelo setor.
> Agro quer medidas voltadas ao seguro rural e renegociação de dívida.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/governo-lanca-plano-safra-empresarial-e-familiar-nesta-3a-feira/
Não é nada, não é nada. . .
para quem segura a ponta
de 5 torçais dourados,
não é nada mesmo!
“Imprescritível e inafiançável”
O governador catarinense Jorginho Mello (PL) denunciou Lula (PT) à PGR por xenofobia, crime equiparado ao racismo (inafiançável e imprescritível), que pode render até 5 anos de prisão e multa ao petista. Lula ofendeu todo um povo, chamando os catarinenses de “racistas”.
“Xenofobia é racismo”
Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados no Brasil, “racismo é crime grave com penalidades severas na Lei Brasileira” e ensina: “o crime de racismo é direcionado a uma coletividade”.
“Disque 100”
O próprio governo federal oferece serviço de denúncia por violações de direitos humanos, o Disque 100, que recebe, entre outras, denúncias contra “discriminação étnica ou racial”… como xenofobia.
(Coluna CH, DP, 30/06/26)
Será que os ParasiTas aguentarão?
“Congresso só tem mais nove dias de trabalho”
(Coluna CH, DP, 30/06/26)
A partir desta terça-feira (15), a Câmara dos Deputados e o Senado têm apenas nove dias úteis de trabalho este semestre, antes do recesso parlamentar, que começa dia 18 de julho. Tanto a Copa do Mundo, quanto o São João e as festas juninas interferem no calendário do Legislativo, mas o principal empecilho é a falta de vontade dos parlamentares de aprovarem projetos importantes antes da eleição.
. . .
+em: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/ligacao-do-pt-ao-pcc-foi-denunciada-por-marcos-valerio-operador-do-mensalao
Floripa: magicamente, mágica!
“A capital que mais cresceu no Brasil em 2025 é a mesma que reúne mais de 40 praias, o ecossistema de startups mais denso do país e índices de qualidade de vida entre os melhores de todas as capitais”
– Capital do crescimento e da inovação com praias e qualidade de vida no topo.
(Redação O Antagonista, 30/06/26)
Quem chega a Florianópolis pela primeira vez estranha o ritmo. Para uma capital com quase 590 mil habitantes, a Ilha da Magia é surpreendentemente tranquila. Praias em frente a bairros residenciais, trilhas de Mata Atlântica a poucos minutos do centro e um mercado de trabalho que cresce puxado por tecnologia. Não é por acaso que famílias de todo o Brasil têm escolhido a capital catarinense como novo lar.
Por que Florianópolis se destaca entre as capitais brasileiras?
Florianópolis foi a 2ª capital que mais cresceu no Brasil em 2025, chegando a 587.486 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1). Esse crescimento não é por acaso. A cidade reúne o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,847, um dos três mais altos do país, e a Região Metropolitana de Florianópolis lidera o ranking de IDHM entre todas as regiões metropolitanas do Brasil, conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2).
Quem chega a Florianópolis pela primeira vez estranha o ritmo. Para uma capital com quase 590 mil habitantes, a Ilha da Magia é surpreendentemente tranquila. Praias em frente a bairros residenciais, trilhas de Mata Atlântica a poucos minutos do centro e um mercado de trabalho que cresce puxado por tecnologia. Não é por acaso que famílias de todo o Brasil têm escolhido a capital catarinense como novo lar.
Por que Florianópolis se destaca entre as capitais brasileiras?
Florianópolis foi a 2ª capital que mais cresceu no Brasil em 2025, chegando a 587.486 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse crescimento não é por acaso. A cidade reúne o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,847, um dos três mais altos do país, e a Região Metropolitana de Florianópolis lidera o ranking de IDHM entre todas as regiões metropolitanas do Brasil, conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
No Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 (3), Florianópolis aparece entre as 8 melhores capitais do país em qualidade de vida, em ranking que avalia 57 indicadores como saúde, moradia, educação e segurança. O estado de Santa Catarina, onde a cidade se insere, ficou em 3º lugar nacional entre todos os estados.
Capital Nacional das Startups: o que isso muda para quem mora lá?
Em 2024, Florianópolis recebeu por lei o título de Capital Nacional das Startups, tornando oficial o que o mercado já sabia. A Lei 14.955 (4), sancionada pelo presidente da República e publicada no Diário Oficial, reconhece o ecossistema mais denso de startups do país. Segundo a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação de Santa Catarina (5), a cidade abriga mais de 676 startups, com mais de 50 mil empregos no setor de tecnologia, que paga em média o dobro dos setores tradicionais.
Para famílias que chegam à cidade, isso representa um mercado de trabalho aquecido, salários acima da média e a possibilidade real de trabalhar de forma remota ou híbrida, sem abrir mão de qualidade de vida. A Câmara dos Deputados (6) também destaca que a cidade é referência nacional em incentivos fiscais e programas de apoio ao empreendedorismo.
Como é o dia a dia de quem mora em Florianópolis
Morar em Florianópolis é ter praia, trilha e cidade em um raio curto de distância. A ilha conta com mais de 40 praias, cada uma com perfil diferente: as do norte são mais calmas e boas para famílias com crianças, como Canasvieiras e Jurerê. As do sul, como Campeche, têm 4 km de areia e atraem quem pratica surfe. A Lagoa da Conceição, no leste da ilha, é ponto de encontro de quem gosta de esportes aquáticos e gastronomia.
Quem planeja viajar para a capital catarinense e quer um roteiro estruturado com dicas de custos, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal TADI viagem, que conta com mais de 35 mil visualizações, onde os apresentadores mostram as dunas da Praia da Joaquina, o charme de Santo Antônio de Lisboa e praias do norte e sul em Florianópolis – SC:
O custo de vida é mais alto do que em cidades do interior, mas menor do que em outras capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. O clima é um dos grandes atrativos: temperatura média anual de 21°C, com estações bem marcadas e chuva distribuída ao longo do ano.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo (7). Ventos do sul podem intensificar a sensação de frio no inverno.
Leia também:
A cidade que mais conquista novos moradores no litoral, graças à sua qualidade de vida e praias tranquilas (8)
Florianópolis é uma das melhores escolhas para quem quer recomeçar bem
A Ilha da Magia une o que poucas cidades brasileiras conseguem oferecer ao mesmo tempo: natureza preservada, mercado de trabalho em crescimento, segurança acima da média das capitais e um estilo de vida que respeita o ritmo de quem tem família.
Florianópolis não é só um destino de férias. Para quem busca qualidade de vida de verdade, a capital catarinense é uma das escolhas mais sólidas do país.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/ladooa/turismo/a-capital-que-mais-cresceu-no-brasil-em-2025-e-a-mesma-que-reune-mais-de-40-praias-o-ecossistema-de-startups-mais-denso-do-pais-e-indices-de-qualidade-de-vida-entre-os-melhores-de-todas-as-capitais/)
(1) https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/sc/florianopolis.html
(2) https://www.undp.org/pt/brazil/desenvolvimento-humano/painel-idhm
(3) https://ipsbrasil.org.br/
(4) “Florianópolis é declarada Capital Nacional das Startups”
+em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/09/04/florianopolis-e-declarada-capital-nacional-das-startups
(5) “Agora é lei: Florianópolis é reconhecida como a capital nacional das Startups”
+em: https://www.scti.sc.gov.br/agora-e-lei-florianopolis-e-reconhecida-como-a-capital-nacional-das-startups/
(6) “Lei concede a Florianópolis título de Capital Nacional das Startups”
– Norma teve origem em proposta da Câmara dos Deputados.
+em: https://www.camara.leg.br/noticias/1094392-lei-concede-a-florianopolis-titulo-de-capital-nacional-das-startups/
(7) https://www.climatempo.com.br/previsao-do-tempo/cidade/377/florianopolis-sc
(8)https://oantagonista.com.br/ladooa/turismo/cidade-que-mais-conquista-novos-moradores-no-litoral-gracas-a-sua-qualidade-de-vida-e-praias-tranquilas/
O que fazer em Florianópolis. . .
+em: https://youtu.be/Xh01lmbpl_E?si=Kd5VdKTVmAlb1lk6
“Rumu au tetra”
à qualquer tetra! (3)
“Contas públicas têm déficit de R$ 44,4 bi no ano até maio, pior saldo desde 2020”
– No mês passado, resultado foi negativo em R$ 53,3 bi, segundo dados do Tesouro Nacional.
– Receitas do governo crescem, mas ritmo de alta das despesas é maior e contribui para déficit.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/contas-publicas-tem-deficit-de-r-444-bi-no-ano-ate-maio-pior-saldo-desde-2020.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha
“Rumu au tetra”
à qualquer tetra! (2)
“Lula libera R$ 520 mi para propaganda antes da eleição, mais que o dobro de Bolsonaro em 2022″
– Governo diz seguir limite de gastos e que comparação com outros governos deve considerar contexto de cada ano.
– Bolsonaro empenhou R$ 213,5 mi no primeiro semestre de 2022; eleição trava despesas com propaganda a partir de julho.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/lula-libera-r-520-mi-para-propaganda-antes-da-eleicao-mais-que-o-dobro-de-bolsonaro-em-2022.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha
Ooops. . .treta!
“Casa Branca dificulta vida das empresas de IA dos EUA”
– Governo Trump decidiu que selecionará, um a um, os clientes autorizados a usar a nova versão do GPT 5.6.
(Por Pedro Doria, O Globo, 30/06/26)
Três peças importantes se moveram, na última semana, no mundo da inteligência artificial (IA). A primeira não veio de qualquer empresa, mas da Casa Branca. O governo Trump decidiu que selecionará, um a um, os clientes autorizados a usar a nova versão do GPT 5.6. O leitor não leu errado. Haverá uma equipe da burocracia americana decidindo quem pode e quem não pode usar a nova IA da OpenAI. (Em abril, 59 milhões de pessoas pagavam pelo ChatGPT em todo o mundo.) Enquanto isso, o mais conhecido modelo chinês, o DeepSeek, fechou sua primeira rodada de investidores. Levantou incríveis US$ 7,4 bilhões, e a avaliação da companhia chegou a um total de US$ 50 bilhões. E, por fim, começou a despontar outro modelo chinês no jogo, o GLM-5.2. Os resultados iniciais de teste, de acordo com o Wall Street Journal, mostram que é tão capaz de descobrir falhas de cibersegurança quanto as melhores IAs americanas.
A Casa Branca decidiu tornar mais difícil a vida das empresas dos Estados Unidos justamente quando os chineses ameaçam mostrar capacidade de concorrer no mesmo nível técnico. Para entender, é bom voltar um pouco no tempo e seguir os passos (erráticos) dados em Washington. Em dezembro do ano passado, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva, equivalente ao nosso decreto, “removendo barreiras à liderança americana em IA”. Suspendia, assim, a regulação leve do governo Biden. Prometia algo “minimamente oneroso” para o setor.
Aí começou a tensão do governo, primeiro pelo Departamento de Defesa, depois via secretário de Comércio, com a Anthropic. A empresa anunciava que seu novo modelo, batizado Mythos, seria capaz de encontrar falhas em todos os sistemas digitais. Fez um pré-lançamento apenas para as grandes companhias de tecnologia encontrarem problemas em seus sistemas. E lançou uma versão incapaz de mexer com segurança, que chamou Fable. Ficou dias no ar. A Casa Branca ordenou que só permitisse acesso a cidadãos americanos. Sem ter capacidade de filtrar por passaporte seus milhões de clientes, a Anthropic simplesmente tirou o Fable do ar.
Agora é com a OpenAI. A empresa planejava colocar na rua o novo GPT, que não tem o poder do Mythos, mas está quase lá. A Casa Branca pediu para revisar um a um quem pode entrar. Internamente, o CEO Sam Altman afirmou aos funcionários ter esperança de que essa fase de pré-lançamento dure apenas algumas semanas. Que, ao fim, o governo permita abrir para todo mundo.
Detalhe: não há regulação escrita. Não há lei. Nada passou pela Justiça. Tanto no caso da Anthropic quanto no da OpenAI, trata-se da vontade pessoal do presidente da República e só. O sujeito com assento no Salão Oval decidiu que quer estabelecer critérios, ainda não muito claros, sobre quem pode usar a tecnologia avançada criada pelos Estados Unidos.
Não custa deixar claro: ao que tudo indica, os chineses ainda estão um passo atrás dos americanos em IA generativa. O DeepSeek ainda não chega a um Gemini, do Google. E o Gemini ainda luta para alcançar os líderes, Claude e GPT, que disputam o primeiro lugar cabeça a cabeça. Esse novo modelo, o GLM-5.2, ainda não foi testado o suficiente. Os testes encomendados pelo Wall Street Journal afirmam que já encontra bugs e problemas de segurança no mesmo nível do Claude Mythos. Pode ser. São testes ainda por confirmar.
Mas há uma diferença fundamental entre a maneira como americanos e chineses escolheram encarar o negócio da IA. GPT e Claude são modelos fechados. E pagos. Faz sentido, treiná-los é muito caro, e cada uso custa meia fortuna. A China distribui seus modelos com pesos abertos. Quem quiser baixa de graça, põe no computador e roda. Ou contrata um serviço de nuvem e roda lá. São modelos, por enquanto, piores. Mas economicamente compensam. Os chineses fazem dumping (*).
É uma tecnologia em que, se uma empresa para entre três e cinco meses de avançar, os concorrentes todos a alcançam. E neste momento que a Casa Branca decidiu dar trabalho para Anthropic e OpenAI. Tirar o foco de seus executivos, mobilizar seus advogados, atraí-los todos a Washington com a missão de convencer o governo a deixá-los trabalhar em paz. Com os chineses sabe-se lá a que distância real. Talvez já no cangote. Uma hora dessas chegarão ao nível dos modelos proibidos a quem não é americano.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/opiniao/pedro-doria/coluna/2026/06/casa-branca-dificulta-vida-das-empresas-de-ia-dos-eua.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
(*) O termo dumping vem do inglês dump (que significa despejar) e possui três significados principais, dependendo do contexto em que é aplicado: economia, medicina e tecnologia.
. . .
No comércio, o dumping é uma prática predatória em que uma empresa exporta ou vende produtos por preços extraordinariamente baixos — muitas vezes abaixo do próprio custo de produção.
. . .
Na área da saúde, a Síndrome de Dumping é uma condição que ocorre principalmente em pessoas que passaram por cirurgias estomacais ou bariátricas (como o bypass gástrico).
. . .
No universo da tecnologia, “fazer um dump” refere-se ao ato de copiar, descarregar ou transferir dados de um sistema de memória para outro.
. . .
+em: https://share.google/aimode/ApnTLHgYzCBhQEqNn
“Diga a verdade: você teria tirado o Casemiro no intervalo. Eu teria tirado antes do intervalo. Estava desesperado.”. . .
“Um Brasil de amarelo, com notas de merengue”
– Os melhores times do Real de Ancelotti raramente foram perfeitos, mas carregavam a certeza de que a história nunca estava encerrada.
(Por Fernando Kallás, O Globo, 30/06/26)
. . .
“No confronto contra o Japão, o Brasil de Ancelotti reviveu a aura do Real Madrid: imperfeição, resiliência e uma reviravolta de arrepiar. Combinando pressão alta e precisão de passe, a seleção superou erros e flertou com o abismo, evocando a tradição de desafiar a lógica. Carletto, mestre em torneios complicados, reafirma que o emocional e o caos são suas armas, prometendo mais emoção na Copa.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/esportes/fernando-kallas/coluna/2026/06/um-brasil-de-amarelo-com-notas-de-merengue.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
. . . e a Copa também virou
“uma caixinha de supresas”!
“A Copa começa quando um favorito vai embora”
– Brasil e Paraguai tiveram a falta de delicadeza de tornar a felicidade mais interessante.
(Thales Machado, O Globo, 30/06/26)
. . .
“A Copa do Mundo ganha vida quando favoritos são eliminados, transformando derrotas em narrativas emocionantes. Brasil e Paraguai desafiaram expectativas, tornando a felicidade um espetáculo. A fase de grupos encanta, mas é no mata-mata que o drama se intensifica. Jogos como Alemanha vs Paraguai, mesmo mornos, revelam a essência do futebol: a incerteza e a emoção dos pênaltis. A ampliação do torneio proporciona mais encontros imprevisíveis, onde heróis inesperados surgem.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/esportes/thales-machado/coluna/2026/06/a-copa-comeca-quando-um-favorito-vai-embora.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Gegialmente, genial!
“Vik Muniz (*) expõe no Museu Nacional obras feitas de materiais recuperados do incêndio: ‘Catarse incrível'”
– Em ‘Rescaldo das memórias’, artista reúne 11 fotografias e nove esculturas representando itens perdidos do acervo, na Sala das Vigas, onde o fogo teve início, em 2018.
(Por Nelson Gobbi, O Globo, 30/06/26)
. . .
> A mostra “Rescaldo das memórias” reúne fotografias e esculturas criadas com cinzas e resíduos do acervo destruído. As obras ocupam a Sala das Vigas, local onde o fogo começou.
> A exposição faz parte das celebrações dos 208 anos da instituição científica. O público poderá visitar as mostras temporárias até o dia 30 de agosto deste ano.
> Pesquisadores e arqueólogos mapearam os escombros para recuperar os fragmentos utilizados pelo artista. A reconstrução completa do palácio histórico está prevista para ser concluída em 2029.
(Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/06/30/vik-muniz-expoe-no-museu-nacional-obras-feitas-de-materiais-recuperados-do-incendio-catarse-incrivel.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
(*) Vik Muniz Embaixador(a) da boa vontade da UNESCO OMC, nome artístico de Vicente José de Oliveira Muniz (São Paulo, 20 de dezembro de 1961) [1], é um artista plástico brasileiro radicado nos Estados Unidos. Faz experimentos com novas mídias e materiais.
. . .
+em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Vik_Muniz
Será que trump entregará
a grana que o maduro roubou
para a reconstrução da Nação?
“Análise aponta que quase 60 mil prédios foram danificados ou destruídos por terremotos na Venezuela”
– Escala dos danos prejudica esforços de resgate e torna estimativas sobre o número de vítimas incertas; EUA elevam volume de ajuda a US$ 300 milhões.
(Por O GLOBO, com agências internacionais — Caracas e Washington, 30/06/26)
. . .
“Quase 60 mil prédios foram danificados ou destruídos por terremotos na Venezuela, dificultando os resgates e tornando incertas as estimativas de vítimas. Os EUA aumentaram a ajuda financeira para US$ 300 milhões. A infraestrutura do país, já debilitada pela crise econômica, agrava a situação. Estima-se que até 100 mil pessoas possam ter morrido, enquanto 12 mil estão desabrigadas.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/06/29/analise-aponta-que-quase-60-mil-predios-foram-danificados-ou-destruidos-por-terremotos-na-venezuela.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Vorcaro nos santinhos!
“Caso Master vira arma eleitoral nos estados, e campanhas temem desgaste com novas revelações”
– Dimensão do caso ganhou tração nas disputas locais por ter alcançado os fundos de previdência estaduais e municipais.
(Por Luísa Marzullo — Brasília, O Globo, 30/06/26)
. . .
“O caso Master, envolvendo fraudes financeiras e fundos de previdência estaduais e municipais, tornou-se uma arma política nos estados brasileiros, influenciando campanhas eleitorais em locais como Bahia, Piauí, Distrito Federal, Rio, Alagoas e Paraná. Investigações da Polícia Federal revelam esquemas que ligam políticos a investimentos questionáveis, gerando ataques em propagandas e discursos eleitorais. A situação preocupa campanhas, que temem novas revelações.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/30/caso-master-vira-arma-eleitoral-nos-estados-e-campanhas-temem-desgaste-com-novas-revelacoes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Criando dificuldades
para obter bondades!
“Pauta-bomba: Alcolumbre marca votação de PEC de R$ 30 bi no Senado e põe governo em alerta”
– Alcolumbre coloca na ordem do dia proposta de emenda à Constituição já aprovada na Câmara que contraria o governo.
(Por Luísa Marzullo — Brasília, O Globo, 30/06/26)
. . .
“O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, agendou a votação de uma PEC que concede aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde, com impacto de R$ 30 bilhões em 10 anos, colocando o governo em alerta. A proposta, que já passou pela Câmara, enfrenta resistência devido ao aumento dos gastos públicos, mas deve ser aprovada com folga no Senado. A medida desafia as regras da Reforma da Previdência de 2019.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/30/pauta-bomba-alcolumbre-marca-votacao-de-pec-de-r-30-bi-no-senado-e-poe-governo-em-alerta.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Rumu au tetra”
à qualquer treta!
“Desenrola, crédito para estudantes, garantia do FGTS: Lula amplia pacote de ‘bondades’ antes do prazo eleitoral”
– Semana é decisiva para o anúncio de medidas do governo, pois a partir do dia 4 entram em vigor as restrições que impedem ocupantes de cargos públicos que vão disputar a eleição de outubro de participar desse tipo de evento.
*Por Sérgio Roxo, Bernardo Lima, João Sorima Neto, Mayra Castro, Paulo Renato Nepomuceno e Roberto Malfacini Jr. — Brasília, São Paulo e Rio, O Globo, 30/06/26)
. . .
“O governo Lula anunciou um pacote de medidas econômicas antes do período eleitoral, incluindo o programa “Desenrola Adimplentes”, que oferece renegociação de dívidas para trabalhadores informais com juros menores. Além disso, lançou uma linha de crédito para formados pelo Fies que desejam empreender e permitiu o uso do FGTS como garantia em empréstimos consignados. Especialistas veem as ações como paliativas e com potencial impacto eleitoral.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/30/desenrola-credito-para-estudantes-garantia-do-fgts-lula-amplia-pacote-de-bondades-antes-do-prazo-eleitoral.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Puxando a capivara”
– Como raramente puxo capivaras para a margem, eu não sabia o significado da expressão.
– Em breve ela se juntará a subir o sarrafo, virar o fio, ligar o sinal de alerta e outros clichês.
(Ruy Castro, FSP, 29/06/26)
Outro dia, num programa de TV sobre futebol, alguém disse várias vezes que era preciso “puxar a capivara”. A insistência com que repetia a expressão me fez pensar que estava havendo uma infestação de capivaras nos gramados. Pelo insólito da coisa, resolvi ir aos entendidos. Aprendi que “puxar a capivara” significa “puxar a ficha”, “levantar o histórico”, “analisar direito”. Tem a ver com a capivara que, quando surge à beira d’água e você decide puxá-la para a margem, não imagina como é pesada. Tem que puxá-la inteira para saber. Como raramente puxo capivaras para a margem, como eu podia adivinhar?
Não duvido de que, em breve, estaremos puxando capivaras a respeito de tudo. Certas combinações verbais são irresistíveis e, quando as aprendemos, não hesitamos em usá-las por qualquer motivo. Exemplos. Se concordo com alguém, agora tenho que dizer “Sigo o relator”. Se fico mais exigente, é porque “subi o sarrafo”. Se o fulano não deu conta do recado, é porque “não entregou”. Ninguém mais fica estático para mandar uma mensagem —está sempre “passando para”. Ficar atento é “ligar o sinal de alerta”. Mudar de atitude é “virar a chave”. E em tudo o sujeito tem de “dar o seu melhor” —ninguém se contenta em, modestamente, dar seu mais ou menos.
Já certas adiposidades verbais só acontecem por escrito. Ao ler um texto, veja quantas vezes o autor não começou a frase com “É importante notar que”, “É interessante observar que”, “É fundamental acrescentar que”, “É indispensável destacar que”, “É bom enfatizar que”, “Vale salientar que”, “Cabe lembrar que”, “Há de se ressaltar que”, “Deve-se frisar que” e um enxame de outros quês.
Sugestão: se você tropeçar numa dessas gorduras verbais, faça de conta que o sujeito não as escreveu e foi direto ao que ele achava indispensável lembrar, frisar ou destacar. Você descobrirá que essas frases não fazem falta. E terá economizado preciosos segundos de vida.
Claro que todos nós, às vezes, falamos ou escrevemos sem pensar. Periga alguém puxar a capivara (*).
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/06/puxando-a-capivara.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
Aproveitando a “deixa”. . .
Eis o GUIA DE DISCURSO PARA O USO DE TECNOCRATAS PRINCIPIANTES:
+em: https://dadosdocs.blogspot.com/2012/11/guia-de-discurso-para-o-uso-de.html
🚗”O maior corte da história”
(Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 29/06/26)
A Volkswagen avalia eliminar 100 mil postos de trabalho (1) e encerrar a produção em quatro fábricas na Alemanha (2). Se concretizada, poderá ser a maior demissão em massa da história.
Por quê?
A alemã está em processo de reestruturação (3) e quer focar no segmento automotivo, seu principal negócio. Para reduzir custos, também deve diminuir o volume de produção de carros na Alemanha.
Além dos veículos, a empresa tem outras atividades.
Fabrica motores a diesel para aplicações marítimas e industriais, sistemas de teste para o setor de mobilidade e oferece soluções financeiras.
Roubaram os holofotes.
As vendas da Volkswagen foram ofuscadas pelas montadoras elétricas chinesas (4), que oferecem preços equivalentes aos dos carros a combustão.
1 em cada 10 veículos vendidos na Europa nos primeiros cinco meses do ano foi chinês, segundo a Acea, associação da indústria automobilística europeia.
44% foi a queda no lucro líquido da alemã em 2025.
A empresa tem planos para produzir carros elétricos, mas a transição é mais lenta do que o esperado.
Em abril, lançou uma linha de elétricos mais baratos (5) para tentar rivalizar com as asiáticas.
(1) “Volkswagen planeja ampliar demissões para 100 mil em um dos maiores cortes da história”
– Montadora diz que não há previsão de demissões no Brasil.
– Demissão em massa deve atingir um a cada seis trabalhadores da empresa em todo o mundo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/volkswagen-planeja-ampliar-demissoes-para-100-mil-em-um-dos-maiores-cortes-da-historia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(2) “Volkswagen avalia ceder fábricas ociosas para montadoras chinesas”
– Montadora cogita emprestar parte da instalação em Zwickau para produção de carros elétricos.
– Medida faz parte do plano de reestruturação após redução de 44% no lucro líquido em 2025.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/05/volkswagen-avalia-ceder-fabricas-ociosas-para-montadoras-chinesas.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(3) “Volkswagen vai manter estratégia de corte de custos”
– Liderança, foco e finanças serão as três prioridades da montadora para 2026.
– Companhia quer fortalecer posição de mercado nos EUA e regiões fora da Europa.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/12/volkswagen-vai-manter-estrategia-de-corte-de-custos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(4) “BYD traz guerra de preços para hatchs elétricos na Europa”
– Tarifas da UE podem limitar descontos, mas montadoras chinesas atrairão consumidores com tecnologia avançada.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/06/byd-traz-guerra-de-precos-para-hatchs-eletricos-na-europa.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(5) “Volkswagen lança carros elétricos mais baratos para rivalizar com montadoras chinesas”
– ID.Polo é um dos quatro veículos a bateria acessíveis planejados para as marcas VW, Skoda e Cupra.
– Modelos têm quase 80% dos mesmos componentes e serão produzidos em uma única fábrica.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/volkswagen-lanca-carros-eletricos-mais-baratos-para-rivalizar-com-montadoras-chinesas.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
E falando em Alemanha. . .
O Paraguai acaba de despachá-la da Copa.
Auf Wiedersehen!
Chico Mendes, não o
saudoso líder ambientalista!
“Enquanto a Copa rola, filho de Gilmar Mendes exerce seu poder na CBF”
(Por Lauro Jardim, O Globo, 29/06/26)
A decisão do Cade determinando que a Sports Media Entertainment (SME) não crie obstáculos para a saída de clubes da liga FFU está intimamente ligada à tentativa em curso de a CBF criar uma liga única sob sua liderança.
Às 23h27 de quinta-feira, em seu último ato como superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto assinou uma medida preventiva no sentido de que a SME permita aos clubes se desfiliarem do Condomínio Forte União (CFU), entidade que reúne os clubes da FFU (*) e a SME (que abriga os investidores). O despacho atendeu a um pedido do CSA, de Alagoas.
Cerca de uma hora depois, Cruzeiro e Goiás notificaram a FFU, o CFU e a SME para que o contrato deles seja modificado nos itens que limitam a saída deles do CFU, que hoje conta com 31 clubes associados. Outros, como o Botafogo, também tomaram a mesma atitude.
Também logo após a decisão do Cade, entrou em ação Francisco Mendes, hoje o homem-forte da CBF, embora não tenha qualquer cargo executivo na entidade — exceto o de indicado do Brasil na Comissão de Disciplina da FIFA.
O filho de Gilmar Mendes e presidente do IDP (instituição de ensino superior fundada pelo ministro e que presta serviços na área de cursos à CBF) foi rápido. Telefonou para pelo menos uma dezena de presidentes de clubes, das séries A e B do Brasileirão.
Usando a autoridade de vice-presidente da ultra poderosa Federação Matogrossense de Futebol, entidade com notória influência nos destinos do futebol brasileiro desde sempre, pediu que esses presidentes se manifestassem por e-mail ao CFU mostrando preocupação com os reflexos da decisão do Cade. E assim foi feito.
Francisco, em suma, comanda a reação da CBF em várias latitudes.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/06/enquanto-a-copa-rola-filho-de-gilmar-mendes-exerce-seu-poder-na-cbf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)
(*) https://pt.wikipedia.org/wiki/Futebol_Forte_Uni%C3%A3o
(**) A SME (Sports Media Entertainment ou Sports Media Participações) é uma empresa investidora parceira do bloco comercial Futebol Forte União (FFU), formado por dezenas de clubes brasileiros para negociar direitos de transmissão e propriedades comerciais. Os investidores no futebol, como fundos e empresas (incluindo a SME) injetam capital nos times ou ligas em troca de participações nos lucros ou direitos de mídia.
De “pelha” à herói do jogo”
“Resumão, O Globo” (V)
(Por Gabriel Cariello, 29/06/26)
Ufa!
Casemiro sobe alto para marcar o primeiro gol do Brasil na vitória de virada sobre o Japão: volante, substituído com dores no segundo tempo, foi eleito o melhor em campo.
+em: https://oglobo.globo.com/esportes/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/06/29/casemiro-e-eleito-o-melhor-em-campo-em-brasil-2×1-japao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
Na minha humilde opinião,
o herói do jogo foi o
Martinelli, que entrou em
campo cônscio de que,
futebolmente, falando,
o Japão era apenas o Japão
e não um bicho papão!
“Resumão, O Globo” (I)
(Por Gabriel Cariello, 29/06/26)
O SONHO DO HEXA
De virada e com gol nos acréscimos, o Brasil venceu o Japão com emoção e avançou às oitavas de final (1) da Copa do Mundo. Casemiro, de cabeça, e Gabriel Martinelli, aos 50 minutos do segundo tempo, o gol mais tardio (2) na história do mata-mata dos Mundiais, garantiram a classificação. Agora, a seleção aguarda o vencedor do duelo entre Costa do Marfim e Noruega (3). O próximo jogo será no domingo, às 17h.
► Foi a 15ª vez que o Brasil conseguiu uma virada em Copas. Mas o feito não acontecia há 24 anos. Relembre (4).
► O Brasil já sabe quais os possíveis adversários nas próximas fases, se continuar vencendo. Confira as chaves (5).
+em:
(1) https://oglobo.globo.com/esportes/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/06/29/com-gol-de-martinelli-nos-acrescimos-brasil-vence-o-japao-e-avanca-as-oitavas-de-final-da-copa-do-mundo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(2) https://oglobo.globo.com/esportes/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/06/29/gol-da-vitoria-de-martinelli-contra-o-japao-e-o-mais-tardio-no-tempo-normal-de-mata-mata-na-historia-das-copas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(3) https://oglobo.globo.com/esportes/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/06/29/costa-do-marfim-ou-noruega-quem-e-o-melhor-adversario-para-o-brasil-no-proximo-jogo-da-copa-veja-os-numeros.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(4) https://oglobo.globo.com/esportes/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/06/29/brasil-reage-contra-o-japao-e-encerra-jejum-de-24-anos-de-viradas-mata-matas-de-copa-relembre-as-reacoes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(5) https://oglobo.globo.com/esportes/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/06/29/raio-x-do-caminho-do-brasil-ate-a-final-da-copa-fase-a-fase-os-possiveis-adversarios-quem-evitar-atalhos-e-os-craques-a-vista.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(TRPCE)
O “desenroLULA” para os que
não estão “enroLULAdos”
“se-enroLULArem-se”!
“Resumão, O Globo” (II)
(Por Gabriel Cariello, 29/06/26)
PACOTE DE CRÉDITO
O governo Lula lançou uma nova modalidade do Desenrola para trabalhadores informais (1) com dívidas em dia. O programa prevê a contratação de um novo crédito, com juros de 1,99% ao mês, para quitar o débito anterior. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), porém, avalia como baixo o potencial de adesão (2). Foi anunciada uma linha de crédito para estudantes que concluíram a faculdade com financiamento do Fies e querem, agora, financiar um negócio (3). E também a liberação do FGTS (4) como garantia para empréstimos.
► O governo enviou ao Congresso um projeto de lei que amplia o limite de faturamento anual do MEI de R$ 110 mil para R$ 140 mil.
+em:
(1) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/29/lula-novo-desenrola.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(2) https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2026/06/programa-para-endividados-adimplentes-nasce-sem-apoio-da-febraban.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(3) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/29/governo-lanca-linha-de-credito-com-taxa-de-11percent-ao-ano-para-adimplentes-do-fies-que-queiram-abrir-negocio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(4) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/29/governo-libera-uso-do-fgts-como-garantia-para-emprestimos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(5) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/29/governo-envia-ao-congresso-projeto-que-amplia-limite-de-faturamento-do-mei-para-r-140-mil.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (III)
(Por Gabriel Cariello, 29/06/26)
ELEIÇÃO NO PERU
Keiko Fujimori foi declarada presidente eleita do Peru após 22 dias de apuração. Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, ela conquistou 50,135% dos votos, uma vantagem de 49 mil votos sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez no segundo turno. A vitória de Keiko, em sua quarta tentativa, foi marcada por um processo eleitoral conturbado, com acusações de fraude.
+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/06/29/keiko-fujimori-e-eleita-presidente-do-peru-apos-longa-apuracao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(TRPCE)
“Resumão, O Globo” (IV)
(Por Gabriel Cariello, 29/06/26)
TRAGÉDIA NA VENEZUELA
Caracas e a vizinha La Guaira voltaram a tremer na réplica mais intensa (*) até o momento dos dois terremotos que devastaram a Venezuela, provocando ao menos 1.719 mortes. Equipes de resgate seguem buscando desaparecidos sob os escombros, mas a esperança diminui (**) com o fim do período de 72 horas, considerado crítico para encontrar pessoas com vida. Autoridades estimam que o número de vítimas pode disparar. Quase 60 mil prédios (***) foram danificados ou destruídos na tragédia.
+em:
(*) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/06/29/novo-tremor-atinge-capital-da-venezuela-cinco-dias-apos-terremotos-que-deixaram-quase-1500-mortos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/06/29/terremotos-na-venezuela-esperanca-de-encontrar-sobreviventes-diminui-enquanto-cresce-revolta-com-resposta-do-governo-aos-terremotos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(***) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/06/29/analise-aponta-que-quase-60-mil-predios-foram-danificados-ou-destruidos-por-terremotos-na-venezuela.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(TRPCE)
“Resumão, O Globo” (V)
(Por Gabriel Cariello, 29/06/26)
GREVE NO RIO
Cerca de 40 ônibus foram vandalizados no Rio em meio à greve dos rodoviários, iniciada à meia-noite. Passageiros tiveram dificuldades para chegar ao trabalho nas primeiras horas da manhã e relatam que o preço do transporte por aplicativo disparou. A volta para casa também gera dificuldades, com poucos coletivos, todos lotados. O Rio Ônibus afirmou que 800 veículos circulam pela cidade.
+em:
(*) https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/06/29/greve-de-onibus-no-rio-25-coletivos-sao-vandalizados-trens-e-metro-reforcam-operacao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/06/29/passageiros-relatam-dificuldades-para-chegar-ao-trabalho-em-primeiro-dia-de-greve-de-onibus-no-rio-desde-3h50-e-nada.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(***) https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/06/29/greve-de-onibus-no-rj-passageiros-enfrentam-onibus-lotados-na-volta-para-casa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
Pois é. . .
Estamos sendo devorados pelo monstro que a imprensa esportiva brasileira criou.
Mas. . .vamos nos acordar!
. . .e Martinellamos!
Enfim, partindo de quem
partiu a frase, algo de sapiência:
“Eleitor que esquece o voto é aliado do parlamentar picareta”
(Leonardo Sakamoto, Colunista do UOL)
Brasília deserta!
Foi decretado ponto facultativo nas “fábricas”. . .
For$$a, Bra$sil!
Galego do lulampião
e seu efeito âncora na
campanha rumo ao tetra!
“Lula oscila cinco pontos para baixo no Nordeste depois de denúncias contra Jaques Wagner no caso Master”
– Presidente oscilou de 66% para 61% na região, enquanto Flávio Bolsonaro subiu dois pontos.
– Vídeo de Michelle não alterou situação de filho de Jair Bolsonaro entre mulheres e evangélicos.
(Mônica Bergamo, FSP, 29/06/26)
O presidente Lula oscilou 5 pontos para baixo no Nordeste no mês de junho, revela pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda (29).
O petista tinha 66% das intenções de votos na região na simulação de segundo turno feita na pesquisa anterior, realizada entre 12 e 14 de junho. Flávio Bolsonaro tinha 28%.
Agora, Lula registrou 61% das intenções de votos entre os eleitores nordestinos, contra 30% de Flávio Bolsonaro.
A pesquisa divulgada nesta quinta ouviu 2009 eleitores, por telefone, entre os dias 26 e 28 de junho, uma semana depois da operação da PF (Polícia Federal) que atingiu o então líder do governo, Jaques Wagner, investigado por envolvimento com um dos sócios de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Wagner é uma das mais importantes lideranças nordestinas do PT. Ele já foi governador da Bahia, onde seu grupo mantém o domínio político há décadas, e hoje é senador pelo Estado.
Embora a margem de erro em grupos específicos da pesquisa seja maior —no caso das regiões, ela é de quatro pontos, para mais ou para menos —, a análise dos números já circula entre ministros do governo, que creditam a queda ao escândalo.
O movimento negativo é lamentado também pelo fato de que o presidente estava se recuperando na região. Em maio, na mesma pesquisa, ele teve 59% no nordeste. Em meados de junho, saltou para os 66%, e agora oscilou negativamente cinco pontos.
Lula oscilou negativamente também no Sul, onde teve queda de 38% para 33% dos votos, mas oscilou postiviamente no Sudeste, de 45% para 47%.
No cenário em que eleitores de todo o Brasil são considerados, Lula oscilou de 49% para 47%, e Flávio oscilou de 43% para 44%, dentro da margem de erro.
A pesquisa foi feita depois também do impacto do vídeo em que Michelle Bolsonaro atacou Flávio Bolsonaro.
Os números indicam que o senador não teve danos eleitorais neste período entre o eleitorado em que a ex-primeira-dama tem mais força: mulheres e evangélicos.
Entre as mulheres, ele oscilou de 37% para 36%, dentro, portanto, da margem de erro. E entre os evangélicos, até oscilou para cima: tinha 59% na pesquisa feita em meados do mês e passou a 60% na sondagem divulgada nesta segunda.
A pesquisa BTG/Nexus está registrada no TSE sob o número BR-08521/2026.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/06/lula-cai-cinco-pontos-no-nordeste-depois-de-denuncias-contra-jaques-wagner-no-caso-master.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsm%C3%B4nica)
Mas, como já dizia o
Adoniram Barbosa:
. . .
“Num relógio é quatro e vinte
No outro é quatro e meia
É que de um relógio pra outro
As horas vareia”
. . .
https://www.youtube.com/watch?v=9fVbkIimVjw&t=4s
“Jaques Wagner já tinha recebido relógios de luxo da Odebrecht”
+em: https://www.youtube.com/watch?v=WZ_yymnpdvw
“Rumu au équiça”!
Copa2026:
Newsletter FSP, 29/06/26
Edição: Paulo Passos, Vitória Pereira e Felipe Vaso
Agora é para valer
Como afirmou Carlo Ancelotti, hoje começa o “mata”. “Não tem partida de volta” (*), alertou o técnico italiano ao redefinir um termo brasileiro para os jogos decisivos da Copa.
No jogo contra o Japão, às 14h, a seleção deverá repetir a escalação da vitória por 3 a 0 sobre a Escócia (**), na última quarta-feira (24), com Rayan no ataque e Bruno Guimarães no meio.
O time: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães, Paquetá e Rayan; Matheus Cunha e Vinicius Junior.
E o Neymar?
Começa no banco de reservas. Sua entrada “vai depender muito do contexto do jogo” (***), disse o treinador do Brasil.
O adversário:
um Japão tido como a sua melhor versão em Copas.
Destrinchamos o rival na newsletter de sexta (leia aqui) (****).
Perdeu apenas uma de suas últimas 16 partidas.
Venceu o próprio Brasil e a Inglaterra em amistosos antes do Mundial.
O técnico Hajime Moriyasu deve escalar Zion Suzuki; Tomiyasu, Taniguchi e Hiroki Ito; Ritsu Doan, Tanaka, Kamada e Nakamura; Junya Ito e Maeda; Ueda.
Abre aspas
> “Precisamos de muitas coisas. Mente e coração também”
Carlo Ancelotti, Técnico do Brasil
> “A Copa começa agora. Esperamos que tenhamos a chance de desafiar o Brasil para sair com a vitória”
Moriyasu, Técnico do Japão
> “Sim, dá para jogar de igual para igual [com o Brasil]”
Shiogai, atacante do Japão
+em:
(*) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/brasil-enfim-com-time-definido-poe-formacao-a-prova-no-mata-mata-da-copa.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(**) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/brasil-domina-nos-dribles-e-tem-quase-o-dobro-de-chutes-no-alvo-que-a-escocia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(***) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/utilizacao-de-neymar-ante-o-japao-dependera-do-contexto-do-jogo-afirma-ancelotti.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(****) https://newsletter.folha.com.br/copa-2026/202606261200-copa-2026.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(TRPCE)
For$$a, Bra$il!
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 29/06/26
Olá,
Na edição de hoje tento aprofundar a divergência entre Flávio e Michelle Bolsonaro a partir de uma comparação feita pelo bispo evangélico Robson Rodovalho. Ele comparou Flávio Bolsonaro com o personagem bíblico Roboão, filho do rei Salomão e neto do rei Davi, que, por arrogância, acabou deixando seu reino se dividir. Mantendo a artilharia sobre a madrasta, não recuando no acordo do Ceará e bloqueando espaços na campanha, Flávio Bolsonaro terá dificuldades para unir a oposição.
Mais ainda porque o fantasma de Daniel Vorcaro se recusa a morrer. A tática de Bolsonaro de admitir detalhes da crise a conta-gotas só aumenta o risco de o fantasma nunca ser exorcizado.
Com o bolsonarismo em crise, Lula teima em não resolver o palanque de Minas Gerais por puro orgulho.
Trago ainda a resenha de um grande livro lançado nesta semana no Brasil, “1929”. É o roteiro da maior crise financeira do século 20 contada como um thriller de terror que traz lições para os tempos atuais.
Boa leitura,
TT
Nesta edição (abaixo replicadas):
1. O reino dividido
2. A crise em conta-gotas
3. Rubio e a lição de ‘Bacurau’
4. Aqui se faz
5. O silêncio dos não-inocentes
6. Crítica: ‘1929 – por dentro da maior crise da história de Wall Street e como ela abalou o mundo’
7. Fique atento
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 29/06/26 (1)
O reino dividido
Em entrevista (1) ao editor de O GLOBO Thiago Prado, o bispo da Igreja Sara Nossa Terra Robson Rodovalho comparou o candidato Flávio Bolsonaro com o personagem bíblico Roboão, filho do rei Salomão e neto do rei Davi. No primeiro Livro dos Reis, Roboão, ao assumir o trono, contraria os conselhos dos anciãos e decide manter os altos impostos sobre as dez tribos no Norte, gerando uma guerra civil que termina por dividir o reino entre Israel e Judá.
— (Roboão) presumiu que o reino já era dele sem precisar se esforçar. Flávio precisa consolidar a sua própria liderança no segmento (evangélico), ele não pode se considerar absoluto entre nós como foi o pai no passado — alertou o bispo.
A crítica de Rodovalho é perspicaz. Sem os votos, o carisma e a liderança de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro é um herdeiro que tenta comandar o antipetismo apenas pela força do sobrenome. Arrogante, ele escuta os irmãos Eduardo e Carlos, mas desdenha da madrasta Michelle e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e trata como obrigação o apoio do governador Tarcísio de Freitas e do deputado Nikolas Ferreira.
Faltando menos de 100 dias para o primeiro turno (2), a sua campanha não tem candidatos a governador viáveis em Minas Gerais e Rio de Janeiro, não obteve o apoio de nenhum partido fora o próprio PL, não arregimentou um único economista de primeira linha e perde em todas as pesquisas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os vídeos de Michelle Bolsonaro (3) divulgados na semana passada acusando o enteado de maltratá-la, desobedecer a ordens do pai e fomentar uma onda de ódio nas redes sociais são reflexos dessa crise de legitimidade. Gravados com profissionalismo, os vídeos mostram a ex-primeira-dama usando o apoio do PL do Ceará ao ex-inimigo Ciro Gomes como pretexto para se mostrar como a verdadeira bolsonarista raiz da família. Michelle está se posicionando para herdar a liderança do bolsonarismo, seja em uma eventual derrota de Flávio em outubro ou até antes, na improvável hipótese de Jair decidir trocar de candidato neste ano.
A reação do bolsonarismo aos vídeos foi pesada. Os irmãos aumentaram a artilharia sobre a madrasta, mantiveram o acordo no Ceará e concentraram ainda mais o poder na campanha. Eduardo Bolsonaro compartilhou link para um vídeo com o título: “Dossiê: Michelle — As Notícias Desmentem”, no qual um youtuber acusa a ex-primeira-dama de boicotar Flávio e de agir por interesses pessoais em vez de priorizar a derrota do PT. Eduardo republicou ainda outro vídeo do ex-deputado Alexandre Ramagem que acusa a ex-primeira-dama de “birra” por não ter aceitado a decisão do marido sobre a candidatura do enteado. O primeiro auxiliar de Eduardo, o blogueiro Paulo Figueiredo, acusou Michelle de ser “tigrona com Flávio Bolsonaro e tchutchuca com (o ministro do STF) Alexandre de Moraes”. Figueiredo critica até a forma como a ex-primeira-dama chama o marido “galego”:
— Vocês não têm vontade de cortar um pouquinho os pulsos toda vez que ela fala “meu galego”? Não soa fake? Principalmente se vocês soubessem as coisas que eu sei — insinuou Figueiredo.
Deu certo. Levantamento da AP Exata Inteligência mostrou que o episódio fez as menções positivas de Flávio nas redes sociais subirem ao melhor patamar dos últimos 45 dias.
— Para o público geral, ficou consolidada a versão de que “roupa suja se lava em casa” e que a Michelle colocou em risco a possibilidade de a oposição derrotar Lula — diz Sergio Denicolli, da AP Exata. — Mas é importante ressaltar: ela não se dirigiu ao eleitorado total. Sua intenção era falar com as mulheres e com os evangélicos, e nesse segmento a imagem dela está preservada.
Com o ex-presidente incomunicável, Flávio Bolsonaro disse ao jornalista Claudio Dantas que o pai não sabia do vídeo e que “ficou tão chateado que se recusou a assistir ao noticiário, mesmo com toda a repercussão do caso na TV”. Na sexta-feira (26), em Goiânia, Flávio Bolsonaro minimizou as críticas da madrasta e definiu o episódio como “página virada”. Acredite quem quiser.
Na quarta-feira (1º), o candidato promove em Brasília um encontro com “mulheres conservadoras”. Mesmo que Michelle participe e pose para uma foto com o enteado, o estrago está feito.
A grande vantagem do bolsonarismo sobre a esquerda era a sua organização, coesão e respeito à hierarquia. Nas redes, nas ruas e no Congresso, o bolsonarismo se consolidou como um movimento político por saber disseminar uma visão de mundo única, que dava direção, palavras de ordem e coerência para os militantes.
Essa organização manteve a base unida mesmo em momentos de contradição, como a defesa da reabertura das empresas durante a epidemia da Covid, o discurso antissistema enquanto Bolsonaro entregava metade do governo para o Centrão, a campanha de desconfiança sobre as urnas eletrônicas com o PL elegendo a maior bancada do Congresso, a tentativa de golpe dos que defendiam a democracia, a condenação do ex-presidente e o descarte de Tarcísio de Freitas para a escolha de Flávio como candidato. Qualquer um que desafiasse a hierarquia era punido, como foi o governador João Doria e o general Freire Gomes. Até os vídeos de Michelle Bolsonaro.
Os vídeos desorganizam a base, racham a coesão interna e colocam em dúvida a hierarquia. Flávio Bolsonaro não foi apenas acusado de desrespeitar a mulher que cuida de seu pai doente. Foi acusado de contrariar as ordens expressas do pai sobre o Ceará e ter incentivado os ataques à madrasta. Se a milionária relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro preso Daniel Vorcaro provocou dúvidas sobre sua ética, os vídeos de Michelle atingiram sua legitimidade como o sucessor de Jair Bolsonaro.
Na pesquisa Genial/Quaest de junho, Flávio Bolsonaro já estava perdendo votos entre mulheres e evangélicos (4), dois segmentos nos quais Michelle é mais forte que ele. Segundo a pesquisa, depois da divulgação da doação dos R$ 61 milhões de Vorcaro a Flávio, a vantagem de Lula entre as mulheres na simulação de segundo turno saltou de 5 pontos percentuais em abril para 14 pontos percentuais em junho. Entre os evangélicos, onde Lula tem seus piores números, o escândalo Vorcaro fez a vantagem de Flávio Bolsonaro cair de 36 pontos percentuais em maio para 21 pontos em junho.
O voto feminino é um conhecido problema para o bolsonarismo. Como mostra Jairo Nicolau no livro “Um país dividido”, foram as mulheres que levaram Lula de volta ao Planalto. Depois de obter 53% dos votos femininos em 2018, Jair Bolsonaro caiu para 42% em 2022 graças à sua conduta na epidemia da Covid, à defesa da liberação de armas e às seguidas posturas misóginas. Flávio, que vinha ganhando tração por se apresentar como um Bolsonaro vacinado, foi jogado pela madrasta para o mesmo nicho masculino do pai.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, percebeu a largura da fenda aberta pelo conflito. Em entrevista à repórter Kelly Mattos, da Rádio Gaúcha, no aeroporto de Miami, ele elogiou o trabalho de Michelle (“O que ela fez pelo PL Mulher não tem preço”), fez um meio elogio a Flávio (“ele tá com a eleição quase empatada com o Lula”) e colocou a eleição em outro patamar:
— Se nós não nos entendermos, nós perderemos a eleição e quem vai pagar é o Bolsonaro — disse o dirigente. A declaração é um apito de cachorro: a vitória de Flávio não é dele, mas um veículo para a liberdade de Jair.
Como sempre repete Valdemar, as chances de Flávio Bolsonaro ser eleito presidente dependem do empenho de três pessoas: o governador Tarcísio de Freitas, o deputado Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro. Os dois primeiros ficaram neutros na disputa familiar. A terceira entrou para disputar com Flávio o espólio da família no caso de derrota em outubro. O reino está dividido.
+em:
(1) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/19/jogo-politico-evangelico-perdeu-a-confianca-em-flavio-por-nao-falar-a-verdade-sobre-vorcaro-diz-robson-rodovalho.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(2) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/26/lula-e-flavio-enfrentam-desgastes-a-cem-dias-da-eleicao-com-indefinicao-de-palanques-e-abalos-de-caso-master.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(3) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/27/de-video-com-acusacoes-a-aceno-por-pacificacao-como-evoluiu-o-conflito-entre-michelle-e-flavio-bolsonaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(4) https://oglobo.globo.com/blogs/pulso/post/2026/06/com-caso-master-e-novo-tarifaco-flavio-bolsonaro-perde-apoio-entre-evangelicos-mulheres-e-jovens-aponta-pesquisa.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 29/06/26 (2)
A crise em conta-gotas
A campanha de Flávio Bolsonaro escolheu o caminho mais difícil para enfrentar o desgaste pelo patrocínio de R$ 61 milhões do banqueiro preso Daniel Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro: o de admitir a verdade aos poucos.
Em 19 de maio, dias depois da revelação do site Intercept Brasil de que havia negociado patrocínio com Vorcaro, Flávio Bolsonaro reconheceu que se encontrou com o banqueiro (*) uma última vez, em novembro de 2025, após ele ter sido preso pela primeira vez pela Polícia Federal. Disse então o candidato:
— Estive com ele mais uma vez após esse evento (a prisão), quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e ele não podia sair da cidade de São Paulo. Fui, sim, ao encontro dele para botar um ponto final nessa história (do financiamento do filme Dark Horse), dizer que, se ele tivesse me dito que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo.
Na semana passada, depois que o colunista Lauro Jardim, de O GLOBO, informou que ocorreram outros encontros (**), Flávio Bolsonaro mudou sua versão. Ao jornalista Paulo Capelli, do portal Metrópoles, ele admitiu uma nova reunião, dessa vez na mansão de Vorcaro em Brasília, já em 2026, quando o Master estava sob liquidação do Banco Central e o noticiário sobre o escândalo era manchete em todos os jornais.
Disse o candidato:
— Nada mudou, isso aí é mais do mesmo, uma forçação de barra para tentar voltar esse assunto à tona. A minha relação com ele sempre foi por causa do filme. Nas vezes em que eu falei com ele foi para tratar do filme — insistiu. Flávio Bolsonaro não explicou como poderia receber ajuda do banqueiro, que, dias depois desse encontro em Brasília, foi preso e hoje enfrenta a possibilidade de mais de 20 anos de cadeia.
O que certamente não vai ajudar a campanha é a tática de enfrentar a crise em conta-gotas.
Como revelou o repórter Reynaldo Turollo Jr., da GloboNews, a Polícia Federal vai abrir nos próximos dias três inquéritos sobre o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro:
> Os repasses de R$ 61 milhões feitos por Vorcaro a Flávio Bolsonaro;
> O eventual desvio de parte do dinheiro para bancar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; e
> A indicação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora do filme.
O fantasma de Vorcaro não será exorcizado tão cedo.
+em:
(*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/05/19/flavio-confirma-visita-a-vorcaro-em-casa-quando-ex-banqueiro-estava-em-prisao-domiciliar.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/06/uma-segunda-reuniao-entre-flavio-bolsonaro-e-daniel-vorcaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 29/06/26 (3)
Rubio e a lição de ‘Bacurau’
Em um icônico diálogo do filme “Bacurau”, os turistas norte-americanos que vão ao sertão de Pernambuco caçar pessoas conversam com os brasileiros que também se divertem atirando nos moradores locais.
— De onde vocês são? — pergunta o norte-americano.
— Viemos do Sul do Brasil, uma região muito rica, com colônias italianas e alemãs. Somos como vocês — responde o caçador brasileiro.
— Como nós? — perguntam os americanos, começando a rir — Vocês não são como nós. Nós somos brancos. Vocês não são brancos.
A cena em que os personagens brasileiros descobrem que, mesmo matando nordestinos por esporte, eles ainda não são considerados iguais pelos norte-americanos é a essência da resposta do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, à carta de Flávio Bolsonaro para suspender o novo tarifaço sobre produtos brasileiros.
Rubio deixa evidente que a vitória de Bolsonaro interessa à Casa Branca, mas daí a fazer um gesto contrário aos norte-americanos vai uma diferença gigante.
A resposta de Rubio exibe ainda a submissão de Flávio Bolsonaro, que propôs caso seja eleito criar uma equipe de transição entre o seu eventual governo e a Casa Branca. Seria inédito no mundo um governo soberano se oferecendo para receber as demandas e opiniões de uma nação estrangeira. Tudo para os Bolsonaros descobrirem que, no final, eles nunca serão considerados iguais pelos norte-americanos.
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/06/rubio-responde-carta-de-flavio-bolsonaro-e-reafirma-posicao-dos-eua-sobre-tarifaco.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 29/06/26 (4)
Aqui se faz
Quando venceu as eleições em 2022, o presidente Lula telefonou para muita gente, menos para o seu candidato derrotado em Minas Gerais, Alexandre Kalil. Quatro anos depois, o PT não tem candidato em Minas e Kalil, agora no PDT, se recusa a dar o palanque a Lula.
O presidente já tentou que o senador Rodrigo Pacheco fosse o seu candidato. Deu ruim. Pensou no empresário Josué Gomes. Também não foi para frente. Decidiu pela ex-prefeita petista Marília Campos, que recusou. Mandou vários interlocutores conversarem com Kalil, mas não adiantou.
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 29/06/26 (5)
O silêncio dos não-inocentes
De todos os atingidos pelo caso Master, o que menos pode reclamar das agruras da vida é o senador Jaques Wagner, do PT. Seus colegas senadores Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro apanham e colhem consequências políticas. Wagner teve de entregar a liderança do governo no Senado, é verdade, mas tem a sorte de disputar a reeleição ao Senado na Bahia, onde os políticos não querem saber do caso Master.
Desde a operação da Polícia Federal sobre Wagner, ACM Neto, o maior adversário do PT na Bahia, fez postagens no Instagram sobre forró, Copa do Mundo, o frio na Bahia e até uma foto antiga com o avô, Antônio Carlos Magalhães, para adiantar-se à festa do 2 de julho. Neto não tratou de Wagner nem do Master.
O silêncio não nasce de graça. Como mostraram os repórteres Victoria Azevedo, Sarah Teófilo, Dimitrius Dantas e Eduardo Gonçalves, de O GLOBO, entre dezembro de 2022 e maio de 2024, a A&M Consultoria (da qual ACM Neto e sua esposa são sócios) recebeu pagamentos que somaram R$ 3,6 milhões (sendo R$ 1,6 milhão do Master e R$ 2 milhões da Reag). ACM afirmou que os valores são referentes a “consultoria em gestão empresarial”. Na Bahia, o caso Master não existe.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/18/master-bahia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 29/06/26 (6)
Crítica: “1929 – por dentro da maior crise da história de Wall Street e como ela abalou o mundo”
Em 4 de março de 1929, uma segunda-feira nublada e chuvosa em Washington, o engenheiro Herbert Hoover (1874-1964) tomou posse como 31º presidente dos Estados Unidos com um discurso panglossiano.
— Em nenhum país, as instituições de progresso são avançadas. Em nenhum país, os frutos das realizações são mais seguros. Não tenho medo do futuro do nosso país. Ele é iluminado de esperança — disse. Era tudo mentira.
Desde o início daquele ano, a Bolsa de Nova York vivia uma montanha-russa de quedas e altas numa frenética bolha de especulação financiada por empréstimos às pessoas físicas. Com apenas 10% do preço de uma ação, quase qualquer americano poderia financiar a compra dos outros 90% e entrar num mercado que, desde 1922, crescia a inacreditáveis 20% ao ano. Era dinheiro rápido e fácil. Fácil demais.
Em 6 de fevereiro de 1929, o conselho do Federal Reserve (o banco central dos EUA) divulgou um comunicado oficial alertando para o risco da espiral especulativa. Parte do mercado ignorou a nota. Outra, iniciou uma campanha para sabotar o Fed pedindo uma intervenção direta do presidente Hoover. O presidente ouviu os argumentos dos banqueiros e nada fez. Havia um dogma de que o mercado financeiro poderia se autorregular e que o melhor que o governo poderia fazer era não interferir.
“1929 – por dentro da maior crise da história de Wall Street e como ela abalou o mundo”, do jornalista norte-americano Andrew Ross Sorkin (editora Portfolio Penguin; 488 páginas; livro: R$ 99,90; e-book: R$ 39,90) chega finalmente às livrarias do Brasil e pode ser lido como um thriller de terror. O leitor sabe que o final será trágico, mas é seduzido pela capacidade do autor de reconstruir os fatos, explicar o contexto e repartir as responsabilidades da tragédia. Com estilo abertamente inspirado no livro “Uma Noite Fatídica”, em que Walter Lord reconstruiu o naufrágio do Titanic a partir da história dos seus passageiros, Sorkin montou seu roteiro a partir dos diários de dezenas de titãs do mercado do século 20, atas inéditas do Federal Reserve, comissões parlamentares do Congresso e até plantas arquitetônicas para ambientar as mansões dos magnatas.
O livro desvenda banqueiros que ofereciam ações abaixo do preço de tabela a senadores, competidores que se aliavam para forjar altas de uma ação para lucrar milhões em um dia, políticos populistas que berravam contra a ganância de Wall Street, empresários que fraudavam balanços, magnatas tratados como celebridades, uma astróloga tratada por jornalistas como fonte para dicas de ações e um presidente inepto e medroso. Era impossível dar certo.
O grande mérito de Sorkin é mostrar que o crash de 1929 não ocorreu de uma vez e que um ano depois parte da elite achava que era uma crise passageira. Foi uma morte lenta. Em 1932, os preços das ações haviam caído 80%, 11 mil bancos faliram e um em cada quatro americanos estava desempregado. Mesmo depois, em 1933, quando Franklin Delano Roosevelt assumiu a presidência, a lei obrigando a separação de bancos de investimentos e bancos comerciais foi aprovada por quase acaso.
É natural que “1929” seja lido como um alerta para a onda especulativa atual. Os anos 1920 foram os tempos da revolução dos carros, dos LPs, do início do cinema falado e dos arranha-céus, assim como hoje vivemos a transformação da biotecnologia, das criptomoedas e da inteligência artificial. Colunista de finanças do New York Times, autor de “Too Big to Fail”, sobre o crack de 2008, e um dos roteiristas da série “Billions”, Sorkin foge da comparação fácil.
“A história de 1929 não é sobre taxas ou regulamentação, nem sobre a astúcia dos que venderam ações a descoberto, nem sobre os fracassos dos banqueiros. É sobre algo muito mais perene: a natureza humana. Por mais que alertas sejam feitos, por mais que leis sejam promulgadas, as pessoas vão sempre encontrar novos modos de acreditar que os bons tempos podem durar para sempre, travestindo esperança em certeza. A lição duradoura não é que podemos impedir os ciclos de euforia e queda da economia. É que precisamos lembrar o quão rápido nos esquecemos. Quanto mais alta for a nossa certeza, mais longa e dura será a nossa queda”, escreve Sorkin. A vida de certezas é mais confortável, mas a de dúvidas é definitivamente mais longa.
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 29/06/26 (7)
Fique atento
> Depois do sucesso do programa de refinanciamento de dívidas Desenrola, o presidente Lula lança hoje (29) o novo programa para cortar juros de quem está com dívidas em dia com os bancos.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/05/21/governo-lancara-desenrola-para-adimplentes-ate-junho-diz-ministro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Na eterna tentativa de mudar de assunto, o senador Flávio Bolsonaro se encontra hoje com o presidente argentino Javier Milei e entidades judaicas em Buenos Aires.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/28/apos-crise-com-michelle-flavio-embarca-para-argentina-para-encontro-com-milei.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Com o Brasil jogando contra o Japão hoje à tarde, os políticos ganham mais uma semana em que as atenções estarão na Copa do Mundo, e não em Brasília.
+em: https://oglobo.globo.com/esportes/copa-do-mundo-2026/noticia/2026/06/28/ancelotti-projeta-jogo-da-selecao-brasileira-contra-o-japao-na-copa-do-mundo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> O presidente Lula participa na terça-feira (30) da reunião do Mercosul, no Paraguai. O encontro deve ser dominado pela ajuda às vítimas do terremoto na Venezuela e as negociações por acordos comerciais com Canadá e Japão.
+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/06/28/venezuela-confirma-1450-mortos-em-terremotos-enquanto-equipes-de-resgate-correm-contra-o-tempo-para-encontrar-vitimas-com-vida.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> O ministro do STF André Mendonça deve autorizar o primeiro inquérito da Polícia Federal sobre o patrocínio de Daniel Vorcaro ao “Dark Horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro.
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/06/fachin-mantem-caso-dark-horse-com-andre-mendonca.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Na quarta-feira (1º), Flávio Bolsonaro tenta a foto de reconciliação com Michelle Bolsonaro em um encontro de mulheres conservadoras em Brasília.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/06/26/michelle-deixa-em-aberto-ida-a-evento-com-flavio-e-gera-incomodo-na-campanha-do-senador.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Um mês depois de a Câmara aprovar o fim da escala 6×1, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, promove a primeira reunião sobre o tema na quarta-feira (1º), na residência oficial, com líderes do governo. No ritmo de Alcolumbre, a proposta só vai à votação depois das eleições e apenas se Lula vencer. Se Bolsonaro ganhar, a proposta será enterrada.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/06/26/fim-da-6×1-alcolumbre-vai-se-reunir-com-parlamentares-governistas-para-debater-pec.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Exatamente por isto,
vivemos num eterno
Sítio do Picapau Amarelo:
> Faz-de-conta 1:
“Datafolha: maioria dos brasileiros diz não saber ou não lembrar o nome de nenhum parlamentar”
– No total, 75% afirmam não saber citar um senador, e 68%, um deputado federal.
– 2 em cada 3 eleitores dizem não lembrar em quem votaram para deputado e senador.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/datafolha-maioria-dos-brasileiros-diz-nao-saber-ou-nao-lembrar-o-nome-de-nenhum-parlamentar.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha
>> Faz-de-conta 2:
“Datafolha: 38% dizem não saber ou lembrar voto para governador em 2022”
– Já 7% afirmam não se recordar de voto para a Presidência da República na última eleição.
– Margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/datafolha-38-dizem-nao-saber-ou-lembrar-voto-para-governador-em-2022.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha
Bom pra frente
que hoje tem
mata-mata!
PeTezuela, o eterno Sítio do Picapau Amarelo:
. . .
“No país da fantasia, num estado de euforia
Cidade Polichinelo”
. . .
“Brasil finge que problemas não existem”
– No modo à brasileira, os corruptos escapam, a meta de inflação se ajeita, o buraco nas contas públicas desaparece.
(Por Carlos Alberto Sardenberg, O Globo, 29/06/26)
Tem cada vez mais gente achando que o caso Vorcaro vai dar em nada. Não porque os envolvidos sejam todos inocentes. É bem o contrário: há muitos suspeitos em todo o espectro político e nas mais altas esferas do poder. Assim, tal é a conversa em Brasília, melhor abafar o caso para não criar uma crise institucional em pleno ano eleitoral.
Dirá o leitor: mas não deveria ser o contrário? Se há tantos envolvidos, gente graúda, a crise já está instalada e precisa ser resolvida, com ampla apuração e punição dos culpados, tudo dentro da lei. Faz sentido, mas não pela lógica praticada nos Poderes de Brasília. Lá, funciona mais ou menos assim: um corrupto de esquerda anula um corrupto de direita, de modo que o resultado é zero. Problema resolvido.
Vorcaro foi bem esperto. Distribuiu dinheiro e favores com as duas mãos. Formou uma legião não de “amigos de vida”, mas de autoridades interessadas em abafar o caso, por puro instinto de sobrevivência. Mas o que fazer com o próprio? A mesma coisa que ele, Vorcaro, está fazendo. Vai enrolando. Oferece uma delação fajuta, depois outra, quem sabe uma terceira — e assim vai ganhando tempo à espera de que o caso esfrie. Daí pode receber uma pena pequena, quem sabe uma domiciliar, salvando uns trocados. Moral da história: se todos estão envolvidos, então ninguém está envolvido.
Esse tipo de lógica, que faz desaparecer o problema, vale para diversas situações. O leitor pode estranhar, mas considere o caso da taxa de juros e das metas de inflação. A inflação está em alta sob qualquer medida que se considere. As projeções também. Pela regra do regime de metas, o Banco Central deveria elevar a taxa de juros (a Selic) e não reduzi-la, como fez há duas semanas. Mas, sabe como é, a Selic já está muito alta, há bastante tempo. E se a gente olhar mais à frente, lá por 2028, a inflação se aproxima da meta de 3% ao ano. Ao adiar o cumprimento da meta, o BC está, de certo modo, mudando o alvo. E tem gente dizendo que essa meta de 3% é muito baixa. Elevando-a para, digamos, 5% ao ano, está tudo resolvido. Já estamos lá, os juros podem ser derrubados.
Não é mesmo uma manobra parecida, suprimir o problema? Se bem que, nesse caso, tem outra lógica. Como diz o próprio BC, uma causa básica da inflação está no frequente aumento de gastos do governo Lula, estimulando o consumo. O BC eleva juros para esfriar a economia e derrubar a inflação. Mas o governo acelera gastos e distribui créditos subsidiados, o que aquece a economia e pressiona a inflação. Além disso, os déficits seguidos do governo Lula elevam a dívida pública e, pois, os juros. Para os analistas de fora do governo, o déficit deste ano chegará a R$ 60 bilhões. Mas, quando se olha para as projeções do Ministério da Fazenda, lá se diz que o resultado das contas públicas será um superávit em torno de R$ 4 bilhões. E as duas aritméticas, acreditem, estão certas. Ocorre que a Fazenda tira várias despesas da contabilidade oficial, até chegar a um superávit, que é meta do arcabouço fiscal.
De novo, suprimiram o problema. Na real, tem déficit. No papel timbrado, sobra dinheiro. Vai por aí o caso dos penduricalhos. Pela Constituição, nenhum funcionário público pode receber mais de R$ 46.336,19, valor do subsídio mensal dos magistrados do Supremo Tribunal Federal. É o teto. Milhares de funcionários ganham muito mais que isso, com base em interpretações jurídicas construídas pelos próprios interessados. Surgiram assim os penduricalhos, auxílios diversos, vantagens, indenizações, que ultrapassam o teto, mas são considerados extrateto. O STF poderia simplesmente declarar que teto é teto — e ponto final. Em vez disso, está regularizando os penduricalhos. Na prática, suprimiu o teto.
E ficamos assim: na real, tem corruptos; a inflação está fora da meta; o déficit público sobe; a dívida aumenta; funcionários recebem acima do teto. No modo à brasileira, os corruptos escapam, a meta de inflação se ajeita, o buraco nas contas públicas desaparece, e o teto salarial não existe.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/opiniao/carlos-alberto-sardenberg/coluna/2026/06/brasil-finge-que-problemas-nao-existem.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
Gil: https://www.youtube.com/watch?v=i9RbBcDTRAI
Bons tempos em que
uma casca de coqueiro
e um morrinho
era um programaço!
“Entrevista: ‘As crianças brincam menos hoje por sobrecarga de tarefas e telas’, diz pesquisador especialista em brincadeiras”
– Doutor em Educação que pesquisa as tradições populares da infância brasileira afirma que ‘Atirei o pau no gato’ corre o risco de desaparecer e defende que parlendas como o ‘Uni, duni, tê’ são essenciais para as crianças.
(Por Bruno Alfano — Rio, O Globo, 29/06/26)
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“Nélio Spréa, doutor em Educação, alerta sobre a diminuição das brincadeiras infantis tradicionais devido à sobrecarga de tarefas e uso excessivo de telas. Ele destaca a importância das parlendas, como “Uni, duni, tê”, para o desenvolvimento infantil. Spréa também critica mudanças excessivas em cantigas populares, defendendo que adaptações sutis preservem sua essência e impacto cultural.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2026/06/29/entrevista-as-criancas-brincam-menos-hoje-por-sobrecarga-de-tarefas-e-telas-diz-pesquisador-especialista-em-brincadeiras.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
. . .e as belas tardes tomando “banho no rio”, então!
おはようございます!日本よ、かかってこい!
Ohayōgozaimasu! Nihon yo, kakatte koi!
Bom dia! Que venha o Japão!
“Muito além do futebol — 3” (*)
– Conquistas importantes, no futebol, na geopolítica e na vida, dependem de conhecer o terreno, lidar com as adversidades e se impor sobre adversários.
(Nuno Vasconvllos, Último Segundo, iG, 28/06/26)
Agora é para valer. A partir de amanhã, contra a equipe do Japão, a seleção brasileira decidirá, partida por partida, seu destino na Copa do Mundo. Se perder uma, estará fora. Tomara que a má impressão das duas primeiras rodadas tenha ficado definitivamente no passado e que o time treinado por Carlo Ancelotti confirme daqui por diante a evolução demonstrada no jogo contra a seleção da Escócia. E que pratique um futebol capaz de devolver ao torcedor o direito de sonhar com o título. Um sonho que, com toda sinceridade, tem sido impossível nos últimos mundiais.
Isso mesmo. O torcedor brasileiro, nas Copas mais recentes, às vezes até se deixa iludir pelo esforço marqueteiro em torno de jogadores que parecem mais preocupados com o corte de cabelo do que com a aplicação em campo. A verdade, porém, é que o respeito que alguns adversários ainda demonstram pela seleção brasileira se deve mais ao que o time já foi do que naquilo que ele ainda é. As possibilidades de vitória se sustentam apenas na tradição e nas glórias do passado — sem qualquer conexão com a realidade de um time que se mostra realmente preparado para vencer.
Isso mesmo. Os jogadores da seleção até demonstram vontade de triunfar. Eles até parecem desejar, com sinceridade, levantar o troféu e serem novamente aclamados como os melhores do mundo. Infelizmente, essa não tem sido a realidade. Nas Copas passadas, o time brasileiro não fez por merecer qualquer conquista. Na verdade, nem a CBF nem as forças que influenciam a convocação e a escolha dos 11 jogadores que entram em campo de camisas amarelas para representar o Brasil, têm se mostrado capazes de trazer dos mundiais algo que vá além das colocações secundárias, alcançadas após a conquista do pentacampeonato, em 2002.
Tomara que, sob comando de Ancelotti, a história tenha um desfecho diferente do que teve sob o comando de Carlos Alberto Parreira, em 2006, de Dunga, em 2010, de Felipão, em 2014, e de Tite, em 2018 e 2022 — treinadores que se mostraram incapazes de compreender o que se passava sob seus narizes. Em que pese a insistência do italiano em pôr em campo jogadores que dividem a opinião da torcida, o fato é que o time já demonstrou, na última partida da fase de classificação, contra o time da Escócia, uma aplicação tática que reduz a dependência crônica que o time brasileiro parece ter do talento individual dos principais craques.
É bom deixar claro o seguinte: contar com craques capazes de desequilibrar uma partida é um trunfo — e a equipe brasileira nunca deixou de ter atletas excepcionalmente talentosos entre os convocados. Mas os talentos individuais têm se mostrado insuficientes para assegurar conquistas contra adversários que, além de talentosos, se preparam para o jogo coletivo com afinco e determinação.
De amanhã em diante, não haverá mais desculpas. Uma derrota significará deixar escapar entre os dedos a possibilidade do título que marcaria fim a uma espera que já está se prolongando além do necessário. Seja como for, esse período de jejum prolongado já deixou pelo menos uma lição: nenhum trabalho jamais dará certo se for executado com base apenas no desejo de sucesso. Querer ganhar é importante, mas não é suficiente para garantir a vitória.
Como vem sendo neste espaço nas últimas semanas, a primeira condição da vitória é conhecer em profundidade o terreno em que se pisa e saber exatamente quais são os pontos fortes e os pontos fracos de cada adversário. Nas circunstâncias que têm cercado o time do Brasil, algumas soluções, ainda que sejam vendidas como ideais, jamais produzirão resultados satisfatórios.
Algumas delas, ao contrário, trazem o risco de, ao invés de solucionar uma pendência, gerar uma confusão maior do que as que se propunham a resolver. Isso simplesmente porque se baseiam em situações que dependem mais do improviso e do voluntarismo do que das condições efetivas para se chegar a um bom resultado.
Isso vale para o futebol e para situações muito mais sensíveis. Nas últimas semanas, esta coluna tem explorado as razões profundas que explicam o fracasso crônico das políticas ocidentais no Oriente Médio(*). A insistência em exportar o modelo europeu de Estado-nação para uma região de sociologia estritamente tribal gerou o caos em países artificiais como a Síria e o Iraque. Também foi dito que a única solução pragmática e viável para a região passa por respeitar essa mesma sociologia. E pela adoção do modelo de sucesso das monarquias do Golfo: a criação de emirados-cidades independentes, onde a fronteira política coincide com a autoridade orgânica dos clãs locais.
GOLPE SANGRENTO — Hoje, é preciso dar um passo adiante e enfrentar o elefante na sala, aquele dogma intocável que domina as resoluções da ONU, os discursos diplomáticos e as redações de quase toda a imprensa ocidental: a chamada “solução de dois Estados”. A premissa central desta ideia é que Gaza e a Cisjordânia podem, e devem, unir-se para formar um Estado palestino soberano, viável e pacífico. A realidade nua e crua, no entanto, sustentada pela análise implacável do doutor Mordechai Kedar e pela própria história recente, é muito mais dura: Gaza e a Cisjordânia jamais poderão constituir um país.
A “nação palestina”, nos moldes em que o Ocidente a imagina, é uma ficção política, sociológica e geográfica. Para compreender esta impossibilidade estrutural, precisamos primeiro olhar para o mapa. Não com os olhos de um burocrata em Genebra, mas com o pragmatismo de quem entende de logística e soberania. Gaza e a Cisjordânia são dois territórios separados por dezenas de quilômetros de território soberano israelense. Não há contiguidade territorial.
Tentar unir essas duas massas de terra num único Estado funcional exigiria a criação de corredores extraterritoriais, pontes ou túneis gigantescos cortando Israel ao meio — uma vulnerabilidade de segurança que nenhum país do mundo, muito menos um que vive sob ameaça existencial constante, jamais aceitaria. Mas a geografia é apenas o menor dos problemas. A verdadeira fratura é sociológica e política.
Gaza e a Cisjordânia são, na prática, dois universos distintos, habitados por populações com dinâmicas tribais diferentes e governados por entidades que se odeiam mortalmente. Em 2007, o mundo assistiu a uma demonstração brutal dessa incompatibilidade. Após a retirada unilateral de Israel de Gaza em 2005 — um teste prático da fórmula “terra por paz” que resultou num fracasso espetacular —, o grupo terrorista Hamas tomou o poder na Faixa de Gaza através de um golpe sangrento.
Militantes do Fatah, o partido que domina a Autoridade Palestina na Cisjordânia, foram atirados dos telhados dos edifícios mais altos de Gaza. Desde então, a divisão é absoluta. O Hamas governa Gaza com mão de ferro, sob uma ideologia islâmica radical, enquanto a Autoridade Palestina, liderada por Mahmoud Abbas, governa partes da Cisjordânia de forma corrupta, ineficiente e sustentada apenas pelas baionetas israelenses que impedem o Hamas de fazer em Ramallah o que fez em Gaza.
MÁFIAS CONCORRENTES — Negar essa realidade, mais do que negar a história, é acreditar numa possibilidade sem a menor chance de sucesso. Quem acompanha a situação no Oriente Médio e tenta compará-la à realidade brasileira — onde parece não haver conciliação possível entre a esquerda petista e a direita bolsonarista — não tem noção do que é uma cisão profunda entre grupos que não têm a mínima condição de coexistir no mesmo espaço.
Tentar fundir o Hamas e o Fatah num único governo nacional é uma ilusão que beira o delírio. São duas máfias políticas concorrentes, com patrocinadores internacionais diferentes (o Irã financia o Hamas; o Ocidente financia a Autoridade Palestina) e visões de mundo incompatíveis. A única coisa que os une é a retórica anti-Israel, mas, na prática, a guerra civil latente entre eles é muito mais real do que qualquer projeto de construção nacional. Aprofundando a análise sociológica, como nos ensina o doutor Kedar, esbarramos na própria gênese da identidade palestina.
A narrativa de um povo palestino ancestral, com raízes milenares e uma identidade nacional coesa, não resiste ao escrutínio histórico e demográfico. A sociedade árabe na região é, fundamentalmente, uma sociedade tribal. A lealdade primária de um indivíduo em Hebron é ao clã Jabari ou Qawasmeh; em Nablus, ao clã Masri. A identidade “palestina” foi, em grande medida, uma construção política reativa, forjada no século XX como ferramenta de oposição ao sionismo, e não como um projeto nacional orgânico.
A prova mais evidente desta construção artificial está nos próprios sobrenomes de muitas famílias palestinas, que revelam as suas origens recentes em outros países árabes. Nomes como Al-Masri (o egípcio), Al-Horani (da Síria), Al-Hijazi (da Arábia Saudita) ou Al-Mughrabi (do Magrebe/Marrocos) contam a história de uma imigração maciça. No final do século XIX e início do século XX, o formidável desenvolvimento econômico, agrícola e infraestrutural gerado pelos pioneiros judeus atraiu dezenas de milhares de trabalhadores árabes de toda a região. Eles vieram em busca de emprego e prosperidade, não para fundar um Estado.
Quando a Autoridade Palestina foi criada nos anos 90, o Ocidente cometeu o erro crasso de importar lideranças estrangeiras para governar essa população tribal. Yasser Arafat, nascido no Cairo, e a sua cúpula da OLP, que vivia exilada em Túnis, foram parachutados na Cisjordânia e em Gaza. Para os clãs locais, eles eram, e continuam a ser, forasteiros corruptos. Mahmoud Abbas, o atual presidente, cujo mandato expirou há mais de uma década, não tem qualquer legitimidade orgânica fora do seu complexo fortificado em Ramallah.
ABOMINAÇÃO INACEITÁVEL — Um Estado construído sobre alicerces tão frágeis, sem coesão tribal e liderado por elites rejeitadas pela própria população, é um Estado falido antes mesmo de nascer. Seria apenas mais um Iraque ou uma Síria, condenado à guerra civil permanente. Há ainda o vetor teológico, que torna a equação da “solução de dois Estados” insolúvel. Para o Ocidente secular, um Estado palestino ao lado de Israel seria o fim do conflito. Para a teologia islâmica radical que domina grupos como o Hamas e a Jihad Islâmica, e que permeia profundamente a sociedade palestina, a própria existência de um Estado judeu soberano em terras consideradas islâmicas (Dar al-Islam) é uma abominação inaceitável.
Nesta visão de mundo, o judaísmo é uma religião invalidada (Din Batil), e os judeus não têm direito à autodeterminação nacional. Qualquer acordo de paz, qualquer concessão territorial, é vista apenas através da lente da “Paz de Hudaybiyyah” — uma trégua tática e temporária, a ser rompida assim que houver força suficiente para aniquilar o inimigo. Portanto, a criação de um Estado palestino soberano, com controle de fronteiras, espaço aéreo e capacidade de importar armamento pesado, não seria o fim do conflito, mas sim a criação de uma plataforma de lançamento formidável para a próxima guerra de aniquilação contra Israel.
O dia 7 de outubro de 2023, quando o Hamas transformou Gaza numa base militar terrorista para massacrar civis israelenses, foi a prova definitiva e sangrenta de que a soberania, nas mãos erradas, é apenas o prelúdio para o genocídio. A comunidade internacional, presa às suas próprias ilusões e à necessidade de manter viva a indústria bilionária do “processo de paz”, recusa-se a aceitar esta realidade. Continua a financiar a Autoridade Palestina, continua a perpetuar a farsa dos refugiados hereditários através da UNRW — a agência das Nações Unidas para refugiados palestinos —, e continua a exigir que Israel faça concessões suicidas em nome de um Estado palestino que, sociológica, geográfica e teologicamente, é uma impossibilidade absoluta.
Há um aspecto econômico nesta equação que não pode ser ignorado, especialmente por quem está habituado a analisar a viabilidade de grandes projetos. A Autoridade Palestina e o Hamas operam, na prática, como modelos de negócio baseados na vitimização e na extração de rendas internacionais. Se um Estado palestino soberano fosse efetivamente criado e a paz fosse alcançada, a razão de ser dessas organizações desapareceria da noite para o dia. Os bilhões de dólares em ajuda humanitária, fundos de desenvolvimento europeus e doações de países árabes secariam.
MAPA DAS UTOPIAS — O “processo de paz” tornou-se um fim em si mesmo, uma indústria altamente lucrativa que sustenta burocratas, ONGs e lideranças corruptas que desviam fundos para contas na Suíça ou para a construção de túneis de terror. Para a elite política palestina, a resolução do conflito seria um desastre financeiro. O incentivo estrutural não é para construir um país viável, mas para manter o status quo de conflito latente e dependência crônica. Além disso, a viabilidade econômica de um Estado palestino unindo Gaza e Cisjordânia é nula. Sem a infraestrutura, a tecnologia e o mercado de trabalho israelense, a economia palestina colapsaria em semanas.
A dependência de Israel para o fornecimento de água, eletricidade, combustível e arrecadação de impostos alfandegários é total. Um Estado soberano exige autonomia econômica, algo que nem Gaza nem a Cisjordânia possuem ou têm capacidade de desenvolver a curto ou médio prazo, especialmente sob lideranças focadas na guerra e não no desenvolvimento. A ideia de que a simples declaração de independência na ONU transformaria magicamente esses territórios numa economia funcional é de uma ingenuidade atroz. No mundo dos negócios, quando um projeto se revela estruturalmente inviável, com premissas falsas, incentivos perversos e um histórico de fracassos sucessivos, a única decisão racional é cancelar o projeto, assumir as perdas e procurar uma alternativa pragmática.
Na geopolítica do Oriente Médio, a “solução de dois Estados” é esse projeto falido. Tentar unir Gaza e a Cisjordânia num país funcional é como tentar fundir água e azeite por resolução da ONU. A verdadeira paz e estabilidade para as populações árabes da região não virá da criação de mais um Estado artificial e disfuncional, governado por cleptocratas ou terroristas. Virá, como argumentamos no artigo anterior, da descentralização radical. Virá da “Solução dos Emirados”, devolvendo o poder aos clãs locais nas cidades-estados da Cisjordânia, respeitando a sociologia orgânica e aceitando a realpolitik da dissuasão.
Enquanto o Ocidente continuar a ler o Oriente Médio com o mapa das suas próprias utopias, o sangue continuará a manchar a areia. É hora de arquivar a ilusão do Estado palestino e começar a lidar com a realidade como ela é: tribal, implacável e imune a resoluções de papel.
(Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/nuno-vasconcellos/2026-06-28/muito-alem-do-futebol–3.html)
(*)
(1) https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/nuno-vasconcellos/2026-06-14/muito-alem-do-futebol.html
(2) https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/nuno-vasconcellos/2026-06-21/coluna-nuno-vasconcellos-muito-alem-do-futebol.html
> O piNçador Matutildo, piNçou:
“O “processo de paz” tornou-se um fim em si mesmo, uma indústria altamente lucrativa que sustenta burocratas, ONGs e lideranças corruptas que desviam fundos para contas na Suíça ou para a construção de túneis de terror.”
> E o Bedelhildo. . .
Qualquer semelhança com a PeTezuela, “se-excluindo-se”, aParenTemente, os “túneis de terror”, será mera coincidência?
“Nas entrelinhas”
O mundo já não vive a Guerra Fria, o Brasil é uma democracia consolidada e as relações entre Brasília e Washington são marcadas por intensa interdependência econômica. Entretanto, Flávio busca apoio de Trump contra Lula.
“De Lacerda a Flávio, Washington ronda a política brasileira”
(Luiz Carlos Azedo, no seu Blog no Correio Braziliense, 28/06/26)
Desde a crise que culminou no golpe militar de 1964, dificilmente um político brasileiro expôs de forma tão explícita sua interlocução com autoridades dos Estados Unidos durante uma disputa política interna quanto o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Entretanto, o circunstâncias históricas são distintas. O mundo já não vive a Guerra Fria, o Brasil é uma democracia consolidada e as relações entre Brasília e Washington são marcadas por intensa interdependência econômica. Ainda assim, os acontecimentos recentes recolocaram em debate a influência externa sobre os rumos da política brasileira.
O episódio ganhou dimensão eleitoral após a visita de Flávio a Washington. Ali, reuniu-se com integrantes do governo Donald Trump, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o vice-presidente J.D. Vance e o próprio presidente norte-americano. O encontro antecedeu duas decisões relevantes: a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelo governo dos EUA e a manutenção do processo que poderá resultar na imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Em carta enviada a Flávio, Rubio agradeceu o apoio recebido na classificação das facções criminosas e escreveu que os Estados Unidos reconhecem que “a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado”. Acrescentou que Washington atua para atingir “as redes financeiras, de drogas e de armas” dessas organizações.
Rubio deixou claro que permanecem “divergências substanciais” entre os dois países nas áreas de comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento ilegal e tarifas preferenciais. Mas agradeceu a Flávio pela “generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso o senhor seja eleito”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem elevado o tom com a Casa Branca: “Nós somos muito grandes, temos muita história. E nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana”. Acrescentou que “ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos” e classificou Marco Rubio como “um latino-americano frustrado”. Dias depois, reforçou o discurso de defesa da soberania nacional ao afirmar que o Brasil precisa estar preparado para um mundo mais instável: “Eu não quero guerra, mas também não quero ser pego de surpresa”.
Há algumas semanas, Lula esteve na Casa Branca. Foi uma tentativa de reconstruir a relação bilateral com Trump. O encontro foi considerado cordial pelos dois governos e procurou reduzir tensões comerciais e geopolíticas. Entretanto, a manutenção da investigação comercial conduzida pelo USTR (singla em inglês do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) e do chamado tarifaço demonstrou que a aproximação política não alterou as prioridades econômicas de Washington.
Ofensiva de direita
Figura chave nas atuais relações Brasil-EUA , Rubio é filho de imigrantes cubanos e defensor de uma política externa dura para a América Latina. Mantém intensa interlocução com lideranças de extrema-direita e conservadoras do Brasil. Entretanto, sua carta também evidencia que os governos dos EUA mudam, mas os interesses estratégicos permanecem. Ao agradecer a Flávio, confirmou a continuidade das medidas comerciais contra o Brasil.
Trump comemora a eleição de governos de direita na América Latina, na expectativa de que isso contenha a presença comercial da China. Estabeleceu-se um cinturão conservador nas fronteiras do Brasil, agora formado por Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia. A comparação com 1964 é inevitável.
Naquele contexto de radicalização ideológica provocado pela Guerra Fria, o então governador do antigo estado da Guanabara, Carlos Lacerda, o principal líder civil da oposição ao presidente João Goulart, em diversas viagens aos EUA encontrou-se com autoridades norte-americanas, empresários e formadores de opinião para denunciar o governo brasileiro como incapaz de conter o avanço do comunismo.
Sua intensa articulação internacional transformou-se num dos elementos da crise política que desembocaria no golpe militar de 31 de março de 1964. João Goulart ainda tentou neutralizar essa ofensiva. Em abril de 1962, visitou Washington e reuniu-se com o presidente John F. Kennedy. O objetivo era compatível com a democracia e preservar o apoio financeiro norte-americano, mas não eliminou a crescente desconfiança da Casa Branca em relação ao seu governo.
Documentos posteriormente desclassificados revelaram que o governo Lyndon Johnson preparou a Operação Brother Sam, um plano de apoio logístico aos militares brasileiros caso houvesse resistência ao golpe: navios com combustível, munições e equipamentos foram deslocados para a costa brasileira. A rápida queda do governo Goulart tornou desnecessário seu emprego.
O caso brasileiro não foi isolado. Ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970, a CIA também participou de golpes na Argentina, na Bolívia, no Chile, no Paraguai, no Uruguai e no Peru. A história parece querer se repetir, só não sabemos ainda se como farsa ou como tragédia.
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/de-lacerda-a-flavio-washington-ronda-a-politica-brasileira/)
Se a propaganda é a alma do negócio,
como reza a lenda, então lulampião
assim trata a Nação!
“Lula gastou R$ 178 milhões com propaganda em 2026”
– Valor investido em comerciais em todos os veículos de mídia equivale a 18% do total gasto pela Secom com publicidade em 3 anos e meio de governo.
(Ludmyla Barros, Poder360, 28/06/26)
Quem ligou a TV nas últimas semanas deve ter visto uma das inúmeras propagandas do governo federal com o slogan “governo do Brasil, do lado do povo brasileiro”. É que o valor gasto em publicidade pelo Palácio do Planalto nos 6 primeiros meses de 2026 foi de R$ 178 milhões.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-gastou-r-178-milhoes-com-propaganda-em-2026/
Agressão do bem!
“Deputada do PT é agredida por segurança de Janja no RN”
– Deputada estadual Divaneide Basílio foi agredida em evento de combate à violência contra a mulher; primeira-dama afastou segurança.
(Poder3760, 28/06/26)
A deputada estadual Divaneide Basílio (PT-RN) foi agredida por um segurança da primeira-dama, Janja da Silva, durante a dispersão do “Ato das Mulheres”, realizado na 5ª feira (25.jun.2026) em Natal. O evento é voltado ao enfrentamento da violência contra a mulher.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/deputada-do-pt-e-agredida-por-seguranca-de-janja-no-rn/
. . .PlimT, PlimT. . .
“Grupo Globo recebeu R$ 267 mi de publicidade em 3,5 anos de Lula”
– Empresa da família Marinho teve 25,6% do total investido em propaganda pelo Palácio do Planalto desde janeiro de 2023…
(Ludmyla Barros, Poder360, 28/06/26)
O Grupo Globo recebeu R$ 267 milhões em publicidade estatal federal da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) no 3º governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa cifra se refere a pagamentos pela veiculação de propaganda na empresa da família Marinho mostrando mensagens da administração petista em televisão, internet, streaming, revistas e jornais impressos.
A cifra se refere ao período de 1º de janeiro de 2023 (quando Lula assumiu o 3º mandato) a 15 de junho de 2026. Esses R$ 267 milhões equivalem a 25,6% de tudo o que a administração petista gastou no período com propaganda, mas só a partir da conta do Palácio do Planalto.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-midia/grupo-globo-recebeu-r-267-mi-de-publicidade-em-35-anos-de-lula/
“Mió” seria, calado
tivesse ficado “Pió”!
“Era uma vez Pió”
(Poder sem pudo, Coluna CH, DP, 28/06/26)
Campina Grande (PB) também vivia sob a lei marcial da Revolução de 1932 quando certa madrugada o vereador Zé Pió retornava de uma farra, em pleno blecaute, e foi interceptado por um sentinela:
– “Alto lá!”.
Zé Pió não percebeu que a advertência era para ele e continuou a andar, tateando a escuridão.
O milico engatilhou o fuzil:
– “Quem vem lá? Fale ou leva fogo!”.
Gritou o vereador:
– “É Pió! Não atira que é Pió!”
Pior para ele. O soldado achou que era uma provocação e mandou bala.
(*) Então, é a cara do governo!
“Nova no Líder do governo no Senado, Teresa Leitão nunca despachou com Lula”
(Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 28/06/26)
Sobra ceticismo na base apoiadora de Lula quanto a eventual sucesso de Teresa Leitão (PT-PE) como líder do governo no Senado. Desde que iniciou o terceiro mandato, Lula nunca recebeu a senadora pernambucana para um despacho privado. Nem o convite à senadora foi de forma presencial. O anúncio, muito menos. A assessoria de Lula só passou o informativo via rede social, enquanto o petista nem mesmo estava em Brasília. Teresa substitui Jaques Wagner (PT-BA) no posto.
Pressão baixa
Teresa não tem grande experiência no Senado, está em seu primeiro mandato e aliados sempre criticam a apatia (*) da parlamentar.
Não estou
O desprezo de Lula não é exclusividade da pernambucana. O petista não despacha com senadores ou deputados desde o ano passado.
E só
Foram dois os senadores com mais despachos privados com Lula: Wagner e Rodrigo Pacheco (PSB), ex-presidente roda presa da Casa.
Rolo Master
Jaques Wagner estava na liderança desde o início do Lula 3, caiu após batida da polícia em operação contra falcatruas do Banco Master.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/nova-no-lider-do-governo-no-senado-teresa-leitao-nunca-despachou-com-lula)
“Rumu au équiça”!
Copa2026:
Newsletter FSP, 28/06/26
Edição: Paulo Passos, Vitória Pereira e Felipe Vaso
“Semana cheia”
Chegou a hora do mata-mata, o mais inchado de todas as Copas. São 16 jogos nessa primeira rodada.
Como a semana tem só sete dias, cada um com 24 horas, é grande a chance de você não conseguir ver todas as partidas.
Na edição de hoje, indicamos cinco duelos que você não pode perder, além de Brasil e Japão, claro.
HOLANDA 🇳🇱 x 🇲🇦 MARROCOS
Segunda (29), às 22h
Usando como critério o ranking da Fifa, esse é o jogo mais parelho da primeira fase do mata-mata. Será que os marroquinos (7º no ranking) farão frente à Holanda (8º)?
COSTA DO MARFIM 🇨🇮 x 🇳🇴 NORUEGA
Terça (30), às 14h
Haaland (1) em campo já é um bom motivo para reservar um tempo da sua tarde na sexta. Mas esse jogo tem outro fator importante: pode definir o rival do Brasil nas quartas – se a seleção passar pelo Japão, claro.
FRANÇA 🇫🇷 x 🇸🇪 SUÉCIA
Terça (30), às 18h
Mbappé, Dembélé (2) e a melhor equipe da primeira fase. É “só” isso que a Suécia terá de encarar no mata-mata.
PORTUGAL 🇵🇹 x 🇭🇷 CROÁCIA
Quinta-feira (2), às 20h
Os portugueses não confirmaram o favoritismo na primeira fase, ficaram em segundo no grupo e pegaram uma pedreira já na abertura do mata-mata. Quem sairá melhor no duelo Cristiano Ronaldo (3) x Modric?
ARGENTINA 🇦🇷 x 🇨🇻 CABO VERDE
Sexta (3), às 19h
O maior astro da Copa, Messi (4), contra a história mais surpreendente, a equipe de Vozinha (5). Não é difícil encontrar argumentos para defender que é um jogo obrigatório de ver.
E o Brasil?
Pode pegar a Inglaterra nas quartas e a Argentina na semi (6) no caminho pelo hexa.
A França só aparece numa final.
Veja o chaveamento completo aqui 👇(7)
+em:
(1) https://www1.folha.uol.com.br/blogs/hashtag/2026/06/haaland-vira-princesa-do-povo-entre-fas-de-k-pop-na-copa-do-mundo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(2) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/franca-bate-noruega-com-hat-trick-de-dembele-mbappe-passa-em-branco.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/cristiano-ronaldo/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/messi/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(5) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/sera-um-sonho-jogar-contra-messi-afirma-vozinha-heroi-de-cabo-verde-na-copa.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(6) https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/caminho-do-brasil-ate-a-final-da-copa-pode-ter-inglaterra-nas-quartas-de-final-e-argentina-na-semifinal.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(7) )https://www1.folha.uol.com.br/esporte/copa-do-mundo/2026/tabela-e-classificacao/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(TRPCE)
For$$a, Bra$il!
“Fugindo para a fronteira”
– Antigamente, os bandidos americanos vinham se refugiar na South America, leia-se o Rio.
– Hoje é o contrário; nossos bandidos escapam da lei brasileira e se refugiam nos EUA.
(Ruy Castro, FSP, 27/06/26)
O cinema americano clássico tinha uma fórmula infalível para evitar que seus vilões mais simpáticos fossem presos no fim do filme e pagassem por seus crimes. Era só filmá-los atravessando um marco —a fronteira— onde se via, ao lado de um pujante cacto e de um sujeito roncando sob um sombrero, uma placa dizendo “México”. Ou seja, passando para o lado de lá, não apenas os bandidos americanos se viam livres da Justiça como se refugiavam num país habituado a abrigar bandoleiros e que os tratava muito bem. Os mexicanos, como é natural, se magoavam com aquilo.
Uma saída mais sofisticada era fazer com que os bandidos fugissem na cena final para a South America, leia-se o Rio, a única cidade que eles conheciam. Um dos primeiros e ainda o melhor filme a mostrar isso foi “O Homem que se Vendeu” (“The Great McGinty”), de 1940, de Preston Sturges. Trata de dois políticos, Brian Donlevy e Akim Tamiroff —um que nunca foi corrupto exceto por um minuto e outro que sempre foi, exceto também por um minuto—, que escapam da lei e vêm ser felizes como garçons num botequim carioca.
Referências ao Brasil como um paraíso para foragidos eram tão comuns no cinema que Ronald Biggs, autor do famoso assalto a um trem pagador inglês em 1963, acreditou nisso, veio para cá e se deu muito bem, queridíssimo em Santa Teresa. Tivemos também nazistas, mafiosos, ditadores e toda sorte de pilantras, nem tão queridos.
Mas isso foi naquele tempo. Hoje, o contrário é que não para de acontecer. Brasileiros com contas a ajustar com os tribunais, muitos já condenados, se escafedem e vão para os EUA —Flórida ou Texas—, onde vivem do dinheiro que recebem do Brasil e têm aberta proteção do governo americano. Os mais notórios, você sabe: Eduardo Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Allan dos Santos. Mas há também influencers, foragidos do 8/1 e ex-agentes da PF particular de Bolsonaro.
Hei, uma ideia: que tal filmes brasileiros sobre os nossos patriotas de araque e golpistas que vão se esconder debaixo da gravata de Trump?
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/06/fugindo-para-a-fronteira.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)
O “gazeteiro-mor” do parasitário alto!
“Flávio Bolsonaro se ausentou em 43% das votações nominais do Senado este ano”
– Presidenciável faltou a mais do que o dobro da média dos demais senadores nas 49 deliberações nominais de 2026.
– Procurado, pré-candidato à Presidência não comentou o assunto.
(Augusto Tenório, FSP, 27/06/26)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou de votar em 43% das deliberações nominais do Senado neste ano, de acordo com levantamento da Folha nos registros da Casa. O pré-candidato à Presidência é o quinto parlamentar, empatado com outros quatro, que mais deixou de registrar seu voto nas 49 matérias analisadas até o dia 22 de junho.
Votações nominais ocorrem quando os senadores precisam registrar seu voto sobre uma proposta. Foram descartadas as votações simbólicas, em que não é possível checar o voto de cada senador ou mesmo se ele efetivamente estava no plenário ou online (em sessões semipresenciais) durante a sessão.
O levantamento considera as votações nas quais os senadores marcaram presença, mas não votaram, ou nas quais não compareceram. Não entram nesse cálculo ausências justificadas por motivos de saúde, missões oficiais, atividade política, licença-paternidade ou por outros dispositivos.
Seguindo esse critério, a média de ausência de registro de voto dos 81 senadores é de 20%. Houve votações nominais em 14 sessões do Senado entre os dias 24 de fevereiro e 16 de junho.
Flávio Bolsonaro estava presente, mas não registrou voto, por exemplo, na análise da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que institui a Política Nacional de Apoio à Atividade de Transporte Rodoviário Profissional e do projeto de lei complementar que adequou o Orçamento à nova licença-paternidade.
O senador também registrou presença na sessão, mas não votou o projeto que autoriza ao governo usar verba do Funpen (Fundo Penitenciário Nacional) para a formação e capacitação continuada dos servidores do sistema penitenciário nacional e dos policiais penais.
Flávio Bolsonaro não votou em 43% das votações do Senado este ano*
(Gráfico no link da matéria, abaixo)
O pré-candidato faltou a sessão em que foram votadas indicações de diversas autoridades, como de embaixadores e do novo presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Otto Lobo. Ele também não compareceu à sessão em que foi aprovada lei que isenta entidades filantrópicas de pagar Imposto de Renda e outros tributos federais.
Desde dezembro, quando foi escolhido pré-candidato a presidente pelo pai, Jair Bolsonaro, o senador do PL-RJ tem tido uma agenda intensa de compromissos relacionado à pré-campanha. Já fez viagens aos Estados Unidos e tem percorrido o Brasil para atos com apoiadores e aliados, além de reuniões para definir palanques regionais. Ele também planeja encontro com o presidente Javier Milei na Argentina.
Flávio foi procurado por meio de sua assessoria de imprensa na sexta (26) por email e telefone, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
O senador Romário (PL-RJ) foi quem mais deixou de registrar sua posição em votações nominais em 2026. Ele se ausentou em 20 das 38 votações em que estava como titular do mandato. Seu suplente, Bruno Bonetti (PL), assumiu a titularidade de dezembro passado a abril deste ano.
O ex-jogador de futebol continua como titular do mandato, apesar de estar na América do Norte para comentar a Copa do Mundo pela CazéTV. O evento acontece no Canadá, Estados Unidos e México e vai até o dia 19 de julho. A previsão é que as votações do Senado durante esse período, se ocorrerem, aconteçam de maneira semipresencial, pelo celular.
Veja senadores que mais faltaram às votações em 2026
(Gráfico no link da matéria, abaixo)
Depois de Romário, o senador Wilder Moraes (PL-GO) aparece com o maior registro de ausências. Pré-candidato ao Governo de Goiás, ele deixou de votar em 24 deliberações nominais, 49% do total. Em seguida, há um empate no terceiro lugar: tanto Angelo Coronel (Republicanos-BA) quanto Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) não votaram em 47% das nominais.
Dessa forma, Flávio Bolsonaro está num empate quíntuplo no quinto lugar do ranking de ausências em votações. Ele não participou em 43% dessas deliberações, assim como Cleitinho (Republicanos-MG), Eduardo Gomes (PL-TO), Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO) e Wellington Fagundes (PL-MT).
O ranking dos dez mais ausentes em votações nominais é fechado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Ele faltou a 20 das 49 votações deste ano (41%). O Senado possui 81 parlamentares.
O QUE DIZEM OS SENADORES
O gabinete de Romário afirmou, diferentemente do que mostram os dados, que ele levou falta em apenas duas sessões. “Em uma ele registrou e não votou, pois voltou pro estado (15/04), e em outra ele estava fora do país (20/05)”, disse em nota.
A equipe de Dorinha Seabra afirmou que “as votações mencionadas ocorreram em dias nos quais a senadora cumpria agenda institucional previamente agendada, tanto em Brasília quanto no Tocantins”.
“A atuação parlamentar vai muito além das votações em plenário. O mandato também é exercido por meio da articulação de políticas públicas, atendimento aos municípios, reuniões institucionais, atividades que a senadora desempenha diariamente”, diz a nota.
Já Angelo Coronel disse que não registrou faltas e que as ausências foram “formalmente comunicadas e justificadas à Secretaria-Geral da Mesa, geralmente em dias em que esteve atendendo autoridades municipais em Salvador”.
A equipe do parlamentar baiano afirmou que ele votou todas as PECs e projetos de lei, se ausentando somente em indicações de autoridades. “Essas votações, portanto, não se referiam a projetos de leis, medidas provisórias ou vetos, por exemplo”, respondeu em nota.
Wellington Fagundes afirmou, por meio de sua assessoria, que “mantém uma atuação parlamentar intensa, com apresentação e relatoria de projetos, participação em comissões, audiências públicas e agendas institucionais”. Ele destacou que, como presidente da Frenlogi (Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura) e líder do bloco formado por PL e Novo, tem “funções que frequentemente envolvem compromissos institucionais em Brasília e fora da capital federal”.
Já o gabinete de Cleitinho afirma que o senador estava presente nos 177 projetos votados até maio, contando as votações simbólicas, destacando que estava no Senado mesmo quando deixou de votar.
Ele diz que, nos dias em que esteva presente, mas não votou, aconteceram as marchas dos vereadores e dos prefeitos em Brasília. Dessa forma, ele avaliou que, como Minas Gerais tem 853 municípios, deveria atender os políticos locais que estavam em seu gabinete.
Além de Flávio, as equipes dos senadores Renan Calheiros, Wilder Moraes e Eduardo Gomes foram procuradas por telefone, mas não responderam até a publicação desta reportagem. Oriovisto Guimarães afirmou que não iria comentar.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/flavio-bolsonaro-se-ausentou-em-43-das-votacoes-nominais-do-senado-este-ano.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha)
E fica a pergunta:
Para que serve mesmo o parasitário alto?
– para negociata$ mil!
A fuga do paraíso da corja vermelha!
“Cubanos vendem casas, fazem jornada amazônica por ar, terra e água e buscam permanência no Brasil”
– Folha acompanha chegada de migrantes que buscam refúgio em uma travessia feita por redes suspeitas de extorsão.
– Cubanos tentam escapar da crise na ilha e já buscam o Brasil mais do que os venezuelanos, com plano de estada fixa.
(Vinicius Sassine e Lalo de Almeida, FSP, 27/06/26)
Num mesmo espaço —a orla do rio Oiapoque, que funciona como porto e como portal para o centro da cidade de mesmo nome—, diversos grupos se misturam em um movimento cadenciado, ora mais intenso, ora menos agitado.
Na rotina da cidade no extremo norte do Brasil, uma área de amazônia atlântica e de fronteira com a Guiana Francesa (o país está do outro lado do rio), estão imersos garimpeiros ilegais, pescadores que alcançam o alto-mar, franceses que passeiam pelo município, barqueiros (conhecidos como catraieiros), “picapeiros”, taxistas e ambulantes.
Tudo e todos passam pelo porto; numa cidade de fronteira, não há silêncios ou tranquilidade.
Um novo fluxo de gente ganhou corpo no porto de Oiapoque (AP) nos últimos três anos, com pico em 2025, embora ainda passe despercebido por atrair redes criminosas de exploração, que operam a logística em zonas cinzentas e em agilidade, de forma a extorquir quem está nesse fluxo.
Migrantes cubanos passaram a buscar o Brasil como rota e como refúgio, e para isso passaram a encarar longas jornadas pela amazônia brasileira, da Guiana Francesa e do Suriname, numa travessia que inclui voos, vans, pequenas embarcações, carros com tração, barcos comerciais e ônibus.
Em 2025, pelo menos 8.400 cubanos entraram em Oiapoque. O número é referente a quem buscou o prédio da Polícia Federal na cidade para pedir refúgio no país. Não abarca jornadas feitas quase inteiramente na clandestinidade. Em 2026, até maio, foram 1.700 ingressos. Uma nova rota surgiu, por Guiana e Roraima, o que pulverizou os ingressos dos cubanos em território brasileiro.
A crise econômica e política de Cuba —a ilha se afunda em apagões, desabastecimento, perda do valor da renda e bloqueios, intensificados desde a nova ascensão de Donald Trump— gerou êxodos impensados para o Brasil, ao ponto de os pedidos de refúgio por cubanos terem superado os pedidos feitos por venezuelanos em 2025.
No ano passado, 41,9 mil cubanos pediram refúgio no Brasil. É quase o dobro das solicitações feitas por venezuelanos, 21,2 mil, conforme dados do Observatório das Migrações Internacionais, parceria entre UnB (Universidade de Brasília) e Ministério da Justiça. Em 2024, os pedidos de migrantes da ilha somaram 22,3 mil, uma quantidade inferior aos 27,1 mil pedidos de refúgio dos venezuelanos.
Solicitações de refúgio no Brasil
(Gráficos no link da matéria, abaixo)
A Folha acompanhou a chegada de migrantes cubanos ao porto de Oiapoque, conversou com quem se dispôs a contar suas histórias —a despeito da correria da travessia e do monitoramento feito por operadores da logística, investigada pela PF em razão da extorsão praticada contra os cubanos— e acompanhou parte do caminho feito, até o porto de Santana (AP), cidade colada a Macapá.
As redes que exploram os cubanos na travessia são suspeitas de organização criminosa, contrabando de migrantes, extorsão, lavagem de dinheiro e câmbio ilegal, conforme um inquérito da PF no Amapá, que já fez buscas e apreensões autorizadas pela Justiça. Parte dos suspeitos brasileiros passou a ser monitorada por tornozeleira eletrônica.
A atuação desses grupos, formados em suas bases por “picapeiros” e catraieiros, prossegue, com extorsão nos preços cobrados da marmita à passagem de barco. Um relatório da PF já descreveu essas pessoas como “fantasmas”, tamanha a discrição com que atuam. E isso é notado nos desembarques dos migrantes no porto.
O fluxo ocorre uma vez por semana, nas tardes de quintas-feiras e manhãs de sextas-feiras, em razão da existência de um voo semanal que conecta Havana a Paramaribo, capital do Suriname. Depois de um longo caminho por estradas do Suriname e da Guiana Francesa, os grupos chegam a Saint Georges de l’Oyapock, a vila visível na margem oposta do rio Oiapoque.
A travessia nas catraias, em poucos minutos, consolida a entrada dos cubanos em território brasileiro. Todos os operadores dessa logística, que envolve extorsão, tentam negar e ocultar a existência dos fluxos. Mas eles prosseguem. Num mesmo dia, cerca de 80 cubanos desembarcam no porto de Oiapoque.
Por volta das 15h do último dia 18, uma quinta-feira, as primeiras catraias com grupos de cubanos começaram a chegar, na mesma rampa do porto utilizada para o embarque e desembarque de garimpeiros e mantimentos do garimpo.
Os movimentos são todos rápidos, coordenados por duplas de brasileiros que, com listas nas mãos, ficam na beira do rio aguardando e conferindo as levas de migrantes. Os cubanos carregam pouca bagagem, desembarcam e seguem para as picapes estacionadas na rua.
A primeira embarcação visível do dia transportava sete pessoas, todos jovens. Um deles, estudante de engenharia hidráulica, disse que a situação em Cuba é “péssima” e que o Brasil “é a única via que está aberta”. O destino do grupo era Santa Catarina.
O barco seguinte, com nove cubanos, aportou minutos depois, e a dupla de brasileiros encarregada desse grupo impediu a realização de entrevistas com os refugiados. O destino final deles também era Santa Catarina.
Depois, numa mesma catraia, chegaram 15 cubanos, crianças e idosos entre eles. Um deles disse que não há comida, dinheiro, energia e internet na ilha, inclusive na capital. Uma parte pretendia seguir até Joinville (SC). Outra ainda decidiria a extensão da jornada pelo país.
A catraia seguinte aportou no fim da tarde, com 14 cubanos, e o destino do grupo era São Paulo. A situação em Cuba piorou muito, disseram, e a economia está obsoleta, o que levou a essa primeira iniciativa de emigração.
Outras levas chegaram no início da noite. Entre os refugiados estava um grupo formado por uma professora de espanhol, um técnico em eletrônica, um fotógrafo e uma bailarina. Uma parte viajaria até Goiânia, onde pretendia permanecer.
Essas pessoas são levadas para o prédio da PF em Oiapoque, onde são efetivados os pedidos de refúgio. O protocolo obtido permite que circulem pelo país de forma regular.
De onde partem os pedidos de refúgio em geral em 2026
(Gráfico no link da matéria, abaixo)
Antonio Jimenez, 40, a mulher dele, Mara Leguen, 40, e os filhos Daniel Alejandro, 14, e Diego, 11, seguiram direto para a polícia, poucos minutos após o desembarque no porto, para a formalização do pedido de refúgio.
A escolha pelo Brasil, segundo Antonio, deve-se ao bom momento da economia e ao que ele compreende como uma travessia mais em conta, apesar das longas jornadas. “Com o protocolo de refúgio, a gente pode trabalhar”, disse.
“Os Estados Unidos, hoje, são um destino impossível, tanto pelo Trump quanto pelos custos para se chegar lá”
Antonio Jimenez
Refugiado cubano no Brasi
A família é de Havana, e o destino final, segundo eles, era Joinville, onde existe uma rede de compatriotas e possibilidades de emprego. “Em Cuba não se vive, só se sobrevive. E piorou muito”, afirmou Antonio.
A rota adotada —voo até Paramaribo, vans por rodovias até o rio Oiapoque, travessia para o lado brasileiro, percurso de carro pela rodovia até Santana (AP), barco até Belém e ônibus até São Paulo e Joinville— foi uma forma de fugir das exigências mais rigorosas de visto de alguns países, segundo a família, que buscou evitar, por exemplo, o Panamá, um destino natural em escalas de voos.
Antonio estima um gasto de US$ 6.000 (cerca de R$ 31 mil) para alcançar o sul do país. Para isso, a família conta ter vendido a casa onde morava e os móveis, um relato semelhante ao feito por outros refugiados.
“Os Estados Unidos, hoje, são um destino impossível, tanto pelo Trump quanto pelos custos para se chegar lá”, afirmou Antonio. “Para nós, hoje, o Brasil tem mais oportunidades.”
Ernesto Remedios, 50, fazia sozinho a travessia. Ele é da província de Artemisa e pretendia chegar a Curitiba, onde já estão a mulher e um sobrinho, motorista de Uber, o mesmo trabalho que Ernesto almeja.
“Não há combustível, água potável, alimentos, telefone. E não se pode protestar contra isso”, afirmou Ernesto, que disse que trabalhava como motorista de ônibus escolar.
“Não há combustível, água potável, alimentos, telefone. E não se pode protestar contra isso”
Ernesto Remedios
Migrante cubano no Brasil
Antes de seguir ao Brasil, ele precisou juntar mais dinheiro, o que obrigou uma permanência prolongada no Suriname, por oito meses. Os filhos ficaram em Cuba. “As coisas não vão melhorar, não tenho fé nisso”, disse. “Tudo está pior. O que fazer sem emprego e sem dinheiro?”
A família de Antonio, Ernesto e dezenas de refugiados seguiram em picapes até o porto de Santana, um percurso de 600 km, feito por “picapeiros” que integram uma rede logística suspeita de praticar crimes, ao extorquir deliberadamente os cubanos. Isso se repete toda semana, nas quintas, sextas e sábados.
O transporte pela BR-156 custa R$ 250 para brasileiros de Oiapoque que precisam chegar a Macapá. Dos cubanos, são cobrados R$ 1.000, e a PF já detectou cobranças de até US$ 350 (cerca de R$ 1.800). A catraia de R$ 20 pode sair por R$ 100 ou US$ 100 (R$ 520). A extorsão existe ainda na venda de passagens em barcos comerciais que partem de Santana.
Na manhã de sábado (20), dezenas de cubanos —entre eles Antonio, Mara, Daniel Alejandro, Diego e Ernesto— já estavam acomodados em redes na embarcação Seamar IV, no porto de Santana. É uma dessas embarcações tradicionais que circulam pelos rios amazônicos, com diferentes andares e capacidade de transportar entre 350 e 1.000 pessoas.
Às 9h30, a Seamar IV deu partida, uma viagem de 24h até Belém. “Nenhum cubano quer deixar o país”, resume Ernesto.
Rotas amazônicas de refugiados cubanos
(Gráfico no link da matéria, abaixo)
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/cubanos-vendem-casas-fazem-jornada-amazonica-por-ar-terra-e-agua-e-buscam-permanencia-no-brasil.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha)
BalCam X CamBal
“‘Trabalhadores que ganham até R$ 15 mil não conseguem pagar aluguel’, diz prefeita de Balneário Camboriú”
– Gestora municipal diz que é Dubai que deve ser comparada à cidade catarinense.
– Plano diretor da cidade é atualizado após 19 anos para incluir possibilidade de imóveis menores.
(Por Christian Policeno, FSP, 26/06/26)
Arranha-céus com mais de 290 metros de altura em frente à orla da praia e prédios espelhados de alto padrão deram a Balneário Camboriú, cidade do litoral catarinense, o apelido de Dubai brasileira devido à semelhança com a maior cidade dos Emirados Árabes.
Juliana Pavan (PSD) (1), prefeita da cidade, discorda da comparação: “Eu não gosto quando comparam Balneário a Dubai. É Dubai que deve ser comparada a Balneário”, disse.
Com 41 anos, ela já foi vereadora na cidade durante um mandato e é filha de Leonel Pavan (PSD), atual prefeito de Camboriú, cidade vizinha separada de Balneário Camboriú pela rodovia BR-101.
Depois de 19 anos, a prefeitura atualizou o plano diretor da cidade —instrumento que define as regras de desenvolvimento urbano do município. Nele, há a lei de uso e ocupação do solo, que define o que pode ser construído e qual atividade pode funcionar em cada rua ou quadra específica.
“O plano diretor de 2006 foi responsável pela permissão dos arranha-céus. O nosso novo plano diretor quer acrescentar mudanças além dos arranha-céus. Queremos criar habitações sociais em Balneário Camboriú para que novos trabalhadores venham morar na cidade”, afirma Pavan.
O motivo é um problema imobiliário gerado pelo alto preço do metro quadrado. Segundo a prefeita, muitos trabalhadores da cidade não têm condição de pagar o financiamento de imóveis ou o aluguel em Balneário Camboriú devido ao preço dos apartamentos de alto padrão que dominam o mercado local.
“Esses trabalhadores ganham uma renda entre R$ 5.000 e R$ 15 mil e mesmo assim não têm condições de pagar aluguel ou comprar um imóvel na cidade”, disse.
Por isso, uma grande quantidade deles precisa morar em Camboriú e Itajaí (2), onde as habitações têm menor preço. Itapema, outra cidade próxima, já foi uma cidade dormitório, mas hoje seu metro quadrado também é cada vez mais caro —o segundo mais elevado do Brasil, atrás apenas de Balneário Camboriú.
As habitações sociais previstas poderão ser empreendimentos construídos por construtoras privadas (4), sem vinculação direta à prefeitura, ou com programas habitacionais vinculados, como as HIS (Habitação de Interesse Social).
“Estamos vendo a possibilidade para que todas essas construtoras possam contribuir com isso, incluindo as conhecidas pelos grandes arranha-céus, como a FG Empreendimentos (5) e o Grupo Embraed. Não se trata de imóveis mais baratos do ponto de vista do metro quadrado, mas menores, que hoje não são estimulados, mas passarão a ser. Ou seja, menores, portanto mais acessíveis”, diz Pavan.
A lei de uso e ocupação do solo definida no plano diretor precedente não permitia a construção de apartamentos com menos de dois quartos; o novo traz essa possibilidade, abrindo espaço para unidades de um quarto e, portanto, mais baratas.
“A ideia não é fazer com que o estilo de vida e o metro quadrado fiquem mais baratos, e sim construir moradias menores e com menos luxo, distantes dos prédios de alto padrão. Apesar disso, o crescimento vertical de Balneário ainda continua tendo espaço, e a Senna Tower (6) é um exemplo do que ainda será uma das marcas da nossa cidade”, diz Pavan.
Os prédios altos, no entanto, já provocaram impactos para quem frequenta a praia. Com a concentração de edifícios na orla da Praia Central, o sombreamento da faixa de areia passou a limitar a incidência de sol sobre parte da praia. Além disso, a erosão costeira levou à realização de uma obra de alargamento da faixa de areia. O novo plano diretor não prevê medidas específicas para evitar que situações semelhantes se repitam.
“O índice de construção já está consolidado e o local já está cheio de prédios, mas posso garantir que a sombra não é um problema e o povo pega bastante sol na praia”, afirma a prefeita.
O novo plano diretor toca também na questão ambiental. Há uma limitação do crescimento vertical nas áreas de agrupamento de morros e de conservação ambiental. Por exemplo, nessas zonas, os rooftops devem ter no máximo dois andares, e é proibido o uso de vidros reflexivos.
“Tivemos um estudo socioambiental em que discutimos com a construção civil para que as empresas tivessem conhecimento de quais são as áreas consolidadas e quais não são, e não houve resistência por parte das empresas”, afirma.
A prefeita diz, no entanto, que ainda há pessoas com terrenos e áreas onde a construção não é permitida, e diz que o papel da gestão é preservar os ambientes de conservação ainda existentes.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/trabalhadores-que-ganham-ate-r-15-mil-nao-conseguem-pagar-aluguel-diz-prefeita-de-balneario-camboriu.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsfolha)
(1) “Prefeita de Balneário Camboriú aposta em parceria com cidade vizinha, governada pelo pai”
– Juliana Pavan (PSD) quer ampliar número de acessos entre os dois locais; congestionamentos e condição das praias para banho são desafios.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/01/prefeita-de-balneario-camboriu-aposta-em-parceria-com-cidade-vizinha-governada-pelo-pai.shtml
(2) “Por que apartamentos de luxo de 45 m² viraram o novo ouro em Itajaí”
– Valorização acelerada, regras urbanas e foco em locação de curta temporada impulsionam o boom dos compactos premium no litoral catarinense.
– Vendas da metragem cresceram 179% no primeiro semestre de 2025, aponta estudo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/por-que-apartamentos-de-luxo-de-45-m2-viraram-o-novo-ouro-em-itajai.shtml
(3) “Itapema (SC) vai alargar praia em até 60 metros para conter erosão e expandir mercado imobiliário”
– Projeto prevê colocação de até 498 mil m³ de areia em trecho de 4,75 km da orla da Meia Praia.
– Cidade tem segundo m² mais caro do país, com R$ 15.179, atrás apenas de Balneário Camboriú.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/05/itapema-sc-vai-alargar-praia-em-ate-60-metros-para-conter-erosao-e-expandir-mercado-imobiliario.shtml
(4) “Quem são os corretores que movimentam milhões em Balneário Camboriú”
– Eles negociam coberturas de frente para o mar, lidam com clientes milionários e fecham as maiores transações imobiliárias do país.
+em: https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1839840566551323-quem-sao-os-corretores-que-movimentam-milhoes-em-balneario-camboriu
(5) “Prédio brasileiro que deve ser residencial mais alto do mundo chega ao mercado com apartamentos de R$ 300 milhões”
– Obra em Balneário Camboriú deve levar até oito anos, com R$ 3 bilhões de investimento.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/05/predio-que-deve-ser-o-residencial-mais-alto-do-mundo-chega-ao-mercado-com-apartamento-de-ate-r-300-milhoes.shtml
(6) “Senna Tower: a capacidade do Brasil de sonhar alto”
– Arranha-céu de 500 m de altura em Balneário Camboriú (SC) não é um monumento à ostentação, mas espaço para dialogar com a cidade.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2025/05/senna-tower-a-capacidade-do-brasil-de-sonhar-alto.shtml
Por via das dúvidas
transitam em abundância
nas rodovias!
“Iniciativa privada tem 5% da malha rodoviária federal e estadual do país”
– Dos 607.845 quilômetros de rodovias federais e estaduais do país, apenas 31.122 fazem parte de concessões ativas…
(Leo Garfinkel, Poder360, 27/06/26)
Pouco mais de 5% da malha rodoviária federal e estadual do Brasil são concedidos à iniciativa privada. O país tem em operação 607.845 quilômetros de rodovias associadas à União e aos Estados, dos quais 31.122 quilômetros são parte de concessões ativas, segundo dados do Panorama de Transporte Rodoviário de Cargas (*), divulgado neste mês pela Infra S.A, estatal vinculada ao Ministério dos Transportes.
. . .
> Estudo contabiliza 26 concessões federais e 51 estaduais ativas
> SP, MG e MT concentram 90,4% da malha rodoviária concedida
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-infra/iniciativa-privada-tem-5-da-malha-rodoviaria-federal-e-estadual-do-pais/
(*) https://ontl.infrasa.gov.br/publicacoes-tecnicas/relatorios/
(**) https://www.infrasa.gov.br/
“Visto, lido e ouvido”
“. . .Aristóteles observava que a finalidade da política é criar condições para uma vida boa em comunidade. Séculos depois, Winston Churchill resumiria o mesmo princípio ao afirmar que o preço da grandeza é a responsabilidade. Governos existem justamente para preparar a sociedade para enfrentar o imprevisível. “. . .
“Terremotos e governos: qual desastre deixa cicatrizes mais profundas?”
(Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, no Blog do Ari Cunha, Correio Braziliense, 27/06/26)
Poucas imagens são tão devastadoras quanto a de uma cidade destruída por um terremoto. Em poucos segundos, inocentes morrem, prédios desaparecem, estradas racham, hospitais entram em colapso e os milhares de sobreviventes têm a vida alterada para sempre. Foi exatamente esse cenário que voltou a assombrar a Venezuela após os fortes terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país nesta semana, provocando mortes, centenas de feridos e danos extensos à infraestrutura. Autoridades venezuelanas decretaram estado de emergência diante da magnitude da tragédia. Mas o que causa mais danos a uma nação, uma catástrofe natural ou um governo incapaz, corrupto ou destrutivo? Terremotos matam depressa. Maus governos costumam matar devagar. A natureza é indiferente às ideologias. Quando as placas tectônicas se movem, não perguntam quem está no poder. Não distinguem ricos de pobres, governistas de oposicionistas. Simplesmente liberam forças acumuladas durante séculos. Em poucos minutos, o trabalho de gerações pode ser reduzido a escombros.
Governos ruins operam de forma diferente. Seus efeitos são graduais. Quase imperceptíveis no início. Primeiro surgem pequenos sinais de deterioração institucional. Depois aparecem a inflação, a fuga de capitais, a perda de confiança dos investidores, o enfraquecimento dos serviços públicos, a corrupção crescente e o aumento da pobreza. Quando a população percebe a dimensão do estrago, grande parte do dano já foi produzida. A história oferece inúmeros exemplos. O terremoto de Lisboa, em 1755, destruiu boa parte da capital portuguesa e matou dezenas de milhares de pessoas. Mesmo assim, Portugal conseguiu reconstruir sua principal cidade em poucas décadas. A Alemanha saiu arrasada da Segunda Guerra Mundial. Suas cidades estavam em ruínas. Sua infraestrutura havia desaparecido. Poucos anos depois iniciava uma das mais impressionantes recuperações econômicas da história moderna. O Japão sofreu terremotos, tsunamis e duas bombas atômicas. Ainda assim transformou-se em uma das maiores economias do planeta.
Catástrofes naturais podem destruir patrimônio. Instituições sólidas permitem reconstruí-lo. O problema surge quando o desastre natural encontra um Estado enfraquecido. Nesse caso, o terremoto deixa de ser apenas um fenômeno geológico. Passa a funcionar como um teste brutal da qualidade das instituições nacionais. Hospitais não funcionam; os serviços de emergência não respondem; as estradas não resistem; as construções não obedecem normas técnicas; os recursos destinados à prevenção não chegam ao destino correto. É óbvio que cada uma dessas questões remete menos à geologia e mais à política. Países bem administrados também sofrem terremotos. A diferença é que costumam sofrer menos mortes.
Ano caso da Venezuela a tragédia chega carregando décadas de problemas econômicos, institucionais e sociais. Antes mesmo dos tremores, milhões de venezuelanos haviam deixado o país em uma das maiores crises migratórias da história recente da América Latina. A produção petrolífera caiu drasticamente ao longo dos últimos anos. Serviços públicos enfrentaram dificuldades recorrentes. A infraestrutura envelheceu. Tudo isso amplia a vulnerabilidade diante de qualquer desastre natural. O terremoto não criou esses problemas. Apenas os expôs de forma dramática. Há uma diferença importante entre um fenômeno natural e um fenômeno político. Nenhum cidadão pode impedir um terremoto. Já os erros humanos são, em teoria, evitáveis. Corrupção não é força da natureza. Má gestão não é fenômeno geológico. Desvios de recursos públicos não são inevitáveis.
Aristóteles (*) observava que a finalidade da política é criar condições para uma vida boa em comunidade. Séculos depois, Winston Churchill (**) resumiria o mesmo princípio ao afirmar que o preço da grandeza é a responsabilidade. Governos existem justamente para preparar a sociedade para enfrentar o imprevisível. Ninguém espera que um governante impeça terremotos. Espera-se, porém, que reduza seus efeitos. Por isso talvez seja inútil tentar estabelecer uma competição entre tragédias naturais e tragédias políticas. Cada uma destrói de maneira diferente. Os erros políticos podem destruir durante décadas. O caso venezuelano mostra que as duas formas de desastre podem acabar se encontrando no mesmo lugar. Quando isso ocorre, o resultado costuma ser especialmente cruel para a população comum, que perde duas vezes: primeiro para a natureza, depois para as falhas humanas.
Enquanto equipes de resgate procuram sobreviventes entre os escombros e o país tenta medir a extensão dos danos, permanece uma lição que atravessa séculos e continentes. Uma boa escolha no momento do voto frequentemente determina quantos sobreviverão quando a terra voltar a tremer.
A frase que foi pronunciada:
“Precisamos de um terremoto político, não de um terremoto geológico.”
(Davan Yahya Khalil (***)
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/terremotos-e-governos-qual-desastre-deixa-cicatrizes-mais-profundas/)
(*) Aristóteles (em grego clássico: Ἀριστοτέλης; romaniz.: Aristotélēs; Estagira, 384 a.C. – Atenas, 322 a.C.) foi um filósofo e polímata da Grécia Antiga. Ao lado de Platão, de quem foi discípulo na Academia, foi um dos pensadores mais influentes da história da civilização ocidental.[2] Aristóteles abordou quase todos os campos do conhecimento de sua época: biologia, física, metafísica, lógica, poética, política, retórica, ética e, de forma mais marginal, a economia
+em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Arist%C3%B3teles
(**) Winston Leonard Spencer Churchill (Woodstock, Oxfordshire, Inglaterra; 30 de novembro de 1874 – Londres, 24 de janeiro de 1965) foi um militar, estadista e escritor britânico que serviu como primeiro-ministro do Reino Unido de 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, e novamente de 1951 a 1955.
+em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Winston_Churchill
(***) https://www.facebook.com/davanyahyakhalilauthor/photos/
EDITORIAL DO PODER360
“Regras eleitorais obsoletas prejudicam candidatos e eleitores”
– Apesar de preocupação do TSE com temas como desinformação e IA, anacronias e excesso de burocracia fazem legislação ignorar a realidade.
. . .
Na prática, os congressistas pegaram para si as chaves do cofre que abastece a engrenagem eleitoral no país. O resultado foi uma explosão no valor do Fundo Eleitoral (*), com recursos dos pagadores de impostos indo para as campanhas sem que os candidatos precisem fazer nenhum esforço junto a seus futuros eleitores.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/editorial-do-poder360/regras-eleitorais-obsoletas-prejudicam-candidatos-e-eleitores/
(*) https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/prestacao-de-contas/fundo-especial-de-financiamento-de-campanha-fefc
Bons tempos em que
os políticos matreiros,
mesmo sendo adversários,
mantinham a compostura!
“Diálogo de raposas”
Magalhães Pinto era deputado federal e, no dia do aniversário de José Maria Alkmin, seu rival na política mineira e nos talentos de raposa, resolveu não enviar mensagem alguma.
Mas o destino colocou os dois frente a frente, naquele dia.
Magalhães fingiu contentamento:
– “Parabéns, Alkmin, muitos anos de vida! Recebeu meu telegrama?”
Alkmin foi tão insincero na resposta quanto o adversário na saudação:
– “Mas é claro, Magalhães. Aliás, de todos que eu recebi, o seu foi o que mais me emocionou”.
(Poder sem pudor, Coluna CH, DP, 27/06/26)
Hoje, só tem “fulangueiros”!
A frase do sabadão:
“Já estão roubando até facção criminosa?”
(Nikolas Ferreira (PL-MG), após investigação apontar que vereador do PT roubou o PCC, segundo o DP, hoje)
. . .e não é nada gozado!
“Rio de curiosidades”
Curioso o Rio de Janeiro: é o único estado com mais pré-candidatos confirmados ao governo (11) do que ao Senado (7).
Também é a única unidade da federação onde todos os governadores eleitos nos últimos 30 anos acabaram presos…
. . .incluindo alguns dos atuais pré-candidatos.
(Coluna CH, DP, 27/06/26)
Ô meu rei!
Nem baiano ele é.
Mas conhece bem
o estado da Bahia! (*)
“Décadas de PT” (**)
O vereador Rubinho Nunes (União-SP) não deixou passar fala de que “o único erro” de Jaques Wagner foi “cuidar dos pobres” e ironizou, “cuidou tanto dos pobres que a Bahia segue pobre, insegura e abandonada”.
(Coluna CH, DP, 27/06/26)
(*) Apesar de ser um polo econômico regional, o estado enfrenta desafios estruturais e um alto índice de pobreza (com cerca de 46% da população vulnerável), além de recentes incertezas no cenário político, geradas por investigações e articulações para as eleições de 2026.
. . .
+em: https://share.google/aimode/0l4f8MwlFVPJKOHYi
(**) Lembrando que os PeTralhas saqueiam o estado da Bahia desde 2007.
(*) É. . .mas a nossa bela e Santa Catarina tem
um representante no governico do lulampião:
adivinhem quem?
“Metade do governo Lula está entregue a SP e PE”
São Paulo e Pernambuco não têm governadores filiados ao PT, mas ocupam quase metade de todo o ministério de Lula, ou sejam, 17 dos 38 existentes. São paulistas ou fizeram carreira no Estado nove dos atuais ministros, enquanto oito deles são pernambucanos, incluindo a pernambucana Tereza Leitão, nova Líder do Governo no Senado, que tem status e mordomias de ministra. Estado governado pelo PT, a Bahia tem só dois ministros, mesmo número de cargos do Rio de Janeiro.
Os esquecidos
Não há ministros do Norte, do Centro-Oeste ou do Sul (*) no governo e ou de Estados como Alagoas, Espírito Santo e Maranhão de Flavio Dino.
Latifúndio paulista
São de SP, por exemplo, Casa Civil (Miriam Belchior), Fazenda (Dario Durigan), Saúde (Alexandre Padilha) e Trabalho (Luiz Marinho).
PE no poder
Pernambucanos, até conhecidos, têm Agricultura, Ciência e Tecnologia Comunicações, Defesa, Empreendedorismo, Previdência e AGU.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/pt-aposta-no-esquecimento-e-protela-expulsao-de-vereador-ligado-ao-pcc)
– Vou dar uma dica:
ele é o marido da lambisgóia do manquinho, coveiro do PeTê catarinense!
Mas, Matutildo, ele não foi “eleito”?
Nesse mato (*),
além de coelhos,
tem lebres & pikas (**)
“PT aposta no esquecimento e protela expulsão de vereador ligado ao PCC”
(Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 27/06/26)
Passados três dias da prisão do vereador Senival Moura (PT), o partido de Lula enrola, enrola, e não abre qualquer processo de desligamento do criminoso. O petista foi preso por integrar esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião (*). Ele mandava na empresa, mas prestava obediência ao PCC, facção classificada como terrorista pelos EUA. O caso mostra, de forma clara, por que o PT tem dificuldade de combater gangues como o PCC.
Empurra com a barriga
O PT limitou-se a anunciar que encaminharia caso à comissão de ética, mas sem presa ou qualquer sinal de ruptura clara com o ativista preso.
Mão em cumbuca
A investigação revela que o PCC condenou Senival à morte, por desviar R$15 milhões do seu indicado para presidir a Transunião.
Quem rouba ladrão…
Senival acabaria “perdoado” pela facção, em razão do seu capital e influência política. Afinal, é filiado ao partido do presidente da República.
Estabilidade no PT
Mesmo preso, Senival influi no PT. Em 2014, em escândalo semelhante, seu irmão foi expulso do PT, ele, não. Há 12 anos não era incomodado.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/pt-aposta-no-esquecimento-e-protela-expulsao-de-vereador-ligado-ao-pcc)
(**) Pikas: pequenos mamíferos de orelhas arredondadas que habitam montanhas frias, pertencem à família biológica Leporidae e à ordem Lagomorpha, assim como os coelhos e as lebres.
Imaginem a “desgraceira” que poderá ser,
caso eleito, o “seisvirato bolsonaro II”
“Bolsonaros se superam na autossabotagem”
– Membros do clã fazem ações que com frequência vão contra seus próprios interesses.
– Vídeo de Michelle, ainda que possa beneficiá-la, prejudica candidatura da família à Presidência.
(Hélio Schwartsman, FSP, 27/06/26)
Já é proverbial a capacidade dos Bolsonaros de sabotar a si mesmos.
Jair, o “pater familias”, antecipou a própria prisão ao, por alegada curiosidade, pocar a tornozeleira eletrônica que usava como alternativa menos gravosa ao encarceramento. Poderá agora perder o benefício (1) da domiciliar humanitária porque resolveu mandar consertar uma arma (2) da qual, na condição de presidiário, nem deveria ter posse. Recuando um pouco mais no tempo, vale lembrar que foi o próprio Planalto que providenciou a filmagem da reunião ministerial (3) de 22 de abril de 2020, a qual, ao escancarar a verdadeira natureza do governo Bolsonaro, marcou o início do ocaso da administração.
Eduardo, o Bananinha, tentando mobilizar seus relacionamentos internacionais para ajudar o pai, deflagrou o primeiro tarifaço de Trump (4) contra o Brasil, medida que acabou ajudando Lula a recuperar-se nas pesquisas de intenção de voto.
Flávio (5), o Primogênito, no que muitos descrevem como uma tentativa de lavar dinheiro, criou o que deve ser a única loja de chocolates do mundo cristão que fatura menos na Páscoa do que em outras épocas do ano.
Diante desse histórico, não é surpreendente que Michelle Bolsonaro, a Esposa, a pretexto de defender-se da rispidez de Flávio, tenha desferido um formidável golpe (6) contra a candidatura familiar justamente quando a campanha parecia estabilizar-se após o tsunami do caso Master.
Cabe aqui um parêntese. Robert Trivers (*) demonstrou que nem os interesses da mãe e do bebê coincidem sempre. É possível que o vídeo de Michelle (7), apesar de prejudicar os interesses do clã (ou justamente por isso), resulte em benefício pessoal para a ex-primeira-dama. Nesse caso, ela teria escapado à maldição da autossabotagem atávica, o que se explica pelo fato de ela não ser parente consanguínea de Jair. “It runs in the family”.
Não me queixo. Se os Bolsonaros fossem só um pouco menos incompetentes, Jair talvez não tivesse fracassado na tentativa de golpe, hipótese em que eu provavelmente nem estaria escrevendo estas linhas.
(Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/06/bolsonaros-se-superam-na-autossabotagem.shtml)
(1) “Moraes diz que arma de Bolsonaro pode ser falta grave e levar a revogação de prisão domiciliar”
– Ministro do STF pediu parecer da PGR em 48 horas sobre episódio de pistola apreendida.
– Bolsonaro disse em depoimento que não poderia ficar sem a arma com 3 mulheres em casa.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/moraes-diz-que-arma-de-bolsonaro-pode-ser-falta-grave-capaz-de-levar-a-cessacao-da-domiciliar.shtml
(2) “Bolsonaro presta depoimento de 5 minutos à polícia sobre arma apreendida”
– Advogado diz que ex-presidente reafirmou ter pedido conserto de pistola a segurança abordado em blitz.
– Caso pode ser determinante em decisão de Moraes sobre continuidade da prisão domiciliar de Bolsonaro.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/bolsonaro-presta-depoimento-de-cinco-minutos-a-policia-sobre-arma-apreendida.shtml
(3) “Guedes diz que governo ‘colocou granada no bolso inimigo’ na economia”
+em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/05/22/guedes-diz-que-governo-colocou-granada-no-bolso-inimigo-na-economia.htm
(4) “Governo tem reuniões semanais com autoridades dos EUA sobre tarifaço, diz ministro”
– Márcio Rosa afirma que audiência, que terá participação de Flávio Bolsonaro, é evento para sociedade civil.
– Ministro destaca que governo participa de encontro bilateral e que conversas estão ocorrendo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/governo-tem-reunioes-semanais-com-autoridades-dos-eua-sobre-tarifaco-diz-ministro.shtml
(5) “Rubio responde a carta de Flávio Bolsonaro e agradece apoio, mas mantém pressão sobre tarifaço”
– Secretário de Estado do governo Trump diz perceber otimismo do senador com as eleições.
– Sobre taxas, afirma que investigação apontou ‘diferenças substanciais’ na resolução de problemas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/rubio-responde-a-carta-de-flavio-bolsonaro-e-agradece-apoio-mas-mantem-pressao-sobre-tarifaco.shtml
(6) “Michelle critica Flávio Bolsonaro e diz que foi maltratada: ‘Entendi que não queria meu apoio’
– Ex-primeira-dama publicou vídeos em que afirma que foi desrespeitada por enteado após briga a respeito de aliança com Ciro Gomes no Ceará.
– ‘Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante’, afirmou Michelle sobre apoio a Flávio.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/michelle-critica-flavio-bolsonaro-e-diz-que-foi-maltratada-entendi-que-nao-queria-meu-apoio.shtml
(7) “Michelle Bolsonaro decidiu gravar críticas a Flávio como desabafo após série de ataques, dizem aliados”
– Irmão de ex-primeira-dama diz que ela contou ‘muito pouco diante de tudo o que tem acontecido’.
– Pessoas próximas de Michelle citam acúmulo de situações que desgastaram relação com enteados.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/michelle-bolsonaro-decidiu-gravar-criticas-a-flavio-como-desabafo-apos-serie-de-ataques-dizem-aliados.shtml
Matutando bem. . .
E. . .de tão insignificantes, as “bolsonaradas”do zero 4 não foram citadas.
Mas, caso o seisvirato bolsonaro seja eleito, será o 2º vereador federal.
O 1º foi o zero 2, hoje enfiado goela abaixo do eleitor catarinense.
Por outro lado. . .
temos a quadrilha do lulampião agindo sob a égide do toga desbotada & amarrotada!
. . .
“Disse: O prato mais caro do melhor banquete é
O que se come cabeça de gente que pensa
E os canibais de cabeça descobrem aqueles que pensam
Porque quem pensa, pensa melhor parado
Desculpe minha pressa, fingindo atrasado”
. . .
Raul Seixas e Metrô Linha 743: https://www.youtube.com/watch?v=a_sJS4vwjC0
Nós, jovens há mais tempo. . .
Muitas seleções levaram seus craques “jovens há mais tempo”.
Alguns, estão “arrebentando”.
Outros, à espera de um milagre.
O desclassificado Uruguai, está à se lamentar por não ter levado o seu: Luis Suárez.
Realmente, phutebol é uma caixinha de surpresas!
Parte deste desastre estava expresso no campo. A origem na escolha errática da gestão. Havia um chefe e não um líder para conter as vaidades de jovens e especialmente, de não tão jovens assim. Se fora do campo discutem e afrontam as ideias do técnico, o resultado será ruim para ambos. E foi, ao final, para todos os uruguaios. Assim é na política, na gestão de cidades, estados e do Brasil. Todos estamos perdendo, e há muito tempo. E queremos continuar nos afogar no caos. Esta bipolaridade doentia não nos levará à luz do final do túnel.
“Rumu au équiça”!
Copa2026:
Newsletter FSP, 27/06/26
Edição: Paulo Passos, Vitória Pereira e Felipe Vaso
“Mais jogos, mais gols”
A maior Copa em número de seleções, com 48, tem tudo para bater o recorde recente de gols (1).
Ao menos é o que mostra a primeira fase do torneio.
Até agora foram:
196 em 66 partidas
2,97 de média; foram 2,69 em 2022
Na história quase centenária das Copas, as primeiras edições foram as que tiveram as maiores médias de gols.
O ápice foi em 1954, com 5 por jogo na primeira fase.
Depois, a média foi caindo e, desde 1974, não ultrapassa dos 3 gols por jogo.
Vai passar?
Se depender dos atacantes, sim.
1,2,3…
Três conseguiram o chamado hat-trick (*) na Copa até agora:
Messi, o canadense Jonathan David e o francês Dembelé (veja aqui) (2).
(*) Glossário: o termo é associado aos truques de mágica (trick, em inglês) com cartolas ou outros tipos de chapéu (hat). (A história aqui) (3).
Desenhamos para você.
Fizemos uma ferramenta onde mostramos a posição exata e o trajeto da bola em cada gol da Copa. (Veja aqui) (4).
📊 Quer mais dados?
No FolhaStats (5), você acessa estatísticas sobre times, jogadores e partidas do torneio.
Para receber cards com dados da Copa entre no grupo de WhatsApp aqui (6).
(TRPCE)
(1) “Ampliada, Copa 2026 se torna Mundial com mais gols da história antes do mata-mata”
– Torneio com mais equipes tem primeira fase que já acumula 177 gols em 60 partidas, média de 2,95; artilheiros vão a campo nesta sexta.
– Copa do Qatar teve total de 64 jogos e 172 gols, média de 2,69 por partida.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/copa-2026-ultrapassa-total-de-gols-do-qatar-e-se-torna-o-mundial-com-mais-gols-da-historia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(2) “França goleia Noruega com hat-trick de Dembélé; Mbappé passa em branco; veja melhores momentos”
– Noruegueses podem pegar seleção brasileira nas oitavas; franceses esperam rival em chave oposta à do Brasil.
– Senegal goleia Iraque por 5 a 0 e melhora saldo para tentar classificação entre os oitos melhores terceiros colocados.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/franca-bate-noruega-com-hat-trick-de-dembele-mbappe-passa-em-branco.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(3) “Saiba a origem dos termos hat-trick, poker-trick e manita usados no futebol”
– Cristiano Ronaldo, astro português na Copa de 2026, é o jogador em atividade com mais hat-tricks.
– Expressões também são empregadas em outras modalidades esportivas.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/saiba-a-origem-dos-termos-hat-trick-poker-trick-e-manita-usados-no-futebol.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(4) “Folha lança ferramenta interativa com todos os gols da Copa do Mundo de 2026”
– Produto permite filtrar tentos marcados por seleção, por jogador e por tipo de finalização.
– É possível verificar a posição exata da finalização no gol e o trajeto da bola em campo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/05/folha-lanca-ferramenta-interativa-com-todos-os-gols-da-copa-do-mundo-de-2026.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(5) “Folha lança serviço FolhaStats, focado em estatísticas da Copa do Mundo”
– Grupo de WhatsApp trará cards com dados, curiosidades e textos de colunistas.
– Assinantes do jornal terão acesso a ferramentas como comparador de seleções e de jogadores.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/05/folha-lanca-servico-folhastats-focado-em-estatisticas-da-copa-do-mundo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026;utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026
(6) https://hotsites.folha.com.br/folhastats-cap/index.html?_gl=1&utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026;=;utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=Copa+2026*3p4wli*_gcl_au*MTUxNDk3NzU4NS4xNzgwMzIyODM4*_ga*MTc3ODY5MTM2MC4xNzcyNDU4NzQ1*_ga_RY1LTN28TR*czE3ODExMTIxMzYkbzE4JGcxJHQxNzgxMTE3ODA2JGo1NiRsMCRoMA..
For$$a, Bra$il!
PeTezuela sob a égide
das togas desbotadas e amarrotadas,
das maracutaias mil,
dos corruPTos ilesos e
agora também, das concorrentes
do cassino CEF: as BETS!
> Aposta 1:
“Debate sobre bets migra da legalização para novas restrições”
– Governo concentra esforços em reduzir impactos sociais sem desmontar um setor que rende bilhões de reais em arrecadação…
(Simone Kafruni, Poder360, 27/06/26)
O debate sobre as bets e apostas esportivas no Brasil entrou em uma nova etapa. Depois da legalização do setor, governo e Congresso agora concentram esforços em restringir a publicidade, proteger consumidores e combater empresas ilegais.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/debate-sobre-bets-migra-da-legalizacao-para-novas-restricoes/
>> Aposta 2:
“Governo quer limitar propaganda de bets na Copa do Mundo”
– Medida deve entrar em vigor já na 2ª fase do torneio após repercussões negativas nas redes sobre patrocínios nas transmissões…
(Eric Napoli, Poder360, 26/06/26)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta 6ª feira (26.jun.2026) que o governo vai anunciar nos próximos dias uma limitação de propagandas de casa de apostas em transmissões da Copa do Mundo de 2026. Em conversa com jornalistas em Pequim, Durigan declarou que a ideia é que as restrições entrem em vigor já na 2ª fase do torneio, que começa no domingo (28.jun). A partida da seleção brasileira no mata a mata será na 2ª feira (29.jun) contra o Japão
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/governo-quer-limitar-propaganda-de-bets-na-copa-do-mundo/
>>> Aposta 3:
““CazéTV” muda formato para publicidade de bets em jogos da Copa 2026”
– Canal virou alvo de investigação por suspeita de publicidade irregular de casas de apostas durante transmissões do mundial…
(Poder360, 26/06/26)
A CazéTV decidiu mudar a forma como vai divulgar seus parceiros durante as transmissões da Copa de 2026. Segundo a empresa, será adotado “um padrão mais específico e conservador para ativações de marcas de apostas” para preservar “a espontaneidade que marca o canal em todos os demais segmentos”.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-midia/cazetv-muda-formato-para-publicidade-de-bets-em-jogos-da-copa-2026/
>>>> Aposta 4:
“Leia a frase que Durigan sugeriu para usar em anúncios de bets”
– Ministro da Fazenda afirmou que o governo vai anunciar uma medida para limitar as propagandas nas transmissões da Copa…
(Eric Napoli, Poder360, 26/06/26)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta 6ª feira (26.jun.2026) que o governo vai anunciar nos próximos dias uma limitação de propagandas de bets em transmissões da Copa do Mundo de 2026.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/leia-a-frase-que-durigan-sugeriu-para-usar-em-anuncios-de-bets/
Acredite, se quiser!
Na China, querendo substituir o dólar pelo yuan, disse o DaDu:
財政部警告:賭博有害健康,也會導致收入損失。
Cáizhèng bù jǐnggào: Dǔbó yǒuhài jiànkāng, yě huì dǎozhì shōurù sǔnshī.
“O Ministério da Fazenda adverte: as bets fazem mal para a saúde e fazem você perder renda”
Braziu!!!
Rumu au équiça,
lulampião au tetra,
bolsonaros au bi
í nóis, rumu à breca!
“Galego” do lulampião
em palpos de aranha!
“PF não encontrou envelopes do Senado citados por Jaques Wagner”
– Informação obtida por O Globo com fontes ligadas à investigação contraria versão do senador petista sobre origem de dinheiro apreendido.
(Redação O Antagonista, 27/06/26)
A Polícia Federal não encontrou envelopes com “timbres” do Senado Federal no quarto de hotel onde apreendeu US$ 55 mil e 33 mil euros ligados ao senador Jaques Wagner (PT-BA), segundo fontes da corporação ouvidas por Malu Gaspar, do jornal O Globo. A informação contradiz a versão apresentada pelo parlamentar sobre a origem do dinheiro.
Em entrevista à Folha de S.Paulo (*), Wagner afirmou na última quinta-feira, 25, que “seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, botaram lá na caminha e fotografaram.”
Segundo investigadores, porém, não havia qualquer envelope da Casa no local da busca.
Operação Compliance Zero
A apreensão ocorreu em 18 de junho, durante a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de favorecimento ao Banco Master.
Desde então, o senador afirma que os dólares e euros encontrados correspondem a diárias acumuladas ao longo de viagens oficiais.
De acordo com a Polícia Federal, o valor apreendido supera o total de diárias em moeda estrangeira recebidas por Wagner desde 2019.
Questionado sobre a diferença, o senador respondeu:
“Isso é ao longo de oito, dez anos. Fui governador, também recebia diária. A pergunta deles é se eu recebi dólar de alguém. Não recebi de ninguém.”
A investigação apura suspeitas de que Wagner tenha recebido vantagens ligadas ao Banco Master por meio da empresa da nora, utilizado jatos do empresário Augusto Lima e recebido um apartamento em Salvador.
A PF também investiga a suposta atuação do senador em favor de uma emenda de interesse do banco.
Wagner deixa liderança do governo
Nesta semana, Wagner deixou a liderança do governo no Senado (**) após conversar com o presidente Lula. Segundo o parlamentar, o objetivo é concentrar esforços em sua defesa.
O senador também criticou a divulgação da foto do dinheiro apreendido pela Polícia Federal.
“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava-Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta”, afirmou.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/pf-nao-encontrou-envelopes-do-senado-citados-por-jaques-wagner/)
(*) “Jaques Wagner admite relação com ex-sócio do Master e diz que reclamou a Lula de ‘patacoada’ da PF”
– Ex-líder do governo afirma à Folha que diretor da Polícia Federal ‘tem que tomar conta’ para evitar espetacularização.
– Senador reconhece caronas e show e diz que contrato do Master com nora foi maior que os R$ 3,5 mi divulgados, mas nega irregularidades.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/jaques-wagner-admite-relacao-com-ex-socio-do-master-e-diz-que-reclamou-a-lula-de-patacoada-da-pf.shtml
(**) “Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado”
– Petista foi alvo da Operação Compliance Zero na última semana; anúncio da saída da liderança foi feito após reunião com Lula.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/jaques-wagner-deixa-lideranca-do-governo-no-senado/
Matutando bem. . .
De “PaTacoada” em “PaTacoada”,
nossas “otoridades” vão
transformando a PeTezuela
em terra arrazada!
Ooops. . .arrasada!
Ando ouvindo muitas narrativas dos corruPTos!
(*) Sem os peixes pequenos,
os tubarões não existiriam!
“PF indicia aliado de Lula por exploração ilegal de minério”
– Lucas Kallas integra o “Conselhão” de Lula e é um dos 17 investigados em operação que apura exploração ilegal na Serra do Curral, em BH.
(Redação O Antagonista, 27/06/26)
O empresário Lucas Prado Kallas (foto), presidente do conselho de administração da Cedro Mineração e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) — o chamado “Conselhão” de Lula—, foi indiciado pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Belo Horizonte.
Kallas está entre os 17 indiciados da Operação Parcours, investigação que apura a exploração irregular de minério de ferro na Mina Granja Corumi por meio da suposta fraude em planos de recuperação ambiental. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá se apresenta denúncia à Justiça.
Segundo a PF, o grupo utilizava instrumentos como o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e o Plano de Fechamento de Mina (PFM) para ocultar a continuidade da extração comercial de minério em uma área protegida por tombamento. O potencial de faturamento da atividade é estimado em até R$ 2,3 bilhões.
Papel de Kallas
Kallas atuou como gestor operacional da Mina Granja Corumi entre 2014 e 2018. A PF atribui a ele suspeitas de usurpação de matéria-prima da União, mineração ilegal, crimes ambientais, associação criminosa, lavagem de dinheiro e indícios de corrupção ativa ou tráfico de influência perante órgãos ambientais.
Também foram indiciados (*) o empresário Alan Cavalcante do Nascimento, apontado como responsável pela Fleurs Global Mineração, o advogado Luís Fernando Franceschini da Rosa, apontado como controlador do grupo econômico, além do dirigente Bruno Luciano Henriques, geólogos (*), engenheiros (*), consultores e servidores públicos (*).
A investigação afirma que geólogos e engenheiros (*) elaboravam relatórios para esconder a lavra ilegal, enquanto servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM) e integrantes de órgãos ambientais teriam favorecido a mineradora por meio de pareceres e omissões na fiscalização.
Segundo a PF, a Fleurs Global Mineração era responsável pelo beneficiamento e escoamento do minério extraído irregularmente da Mina Granja Corumi.
Prejuízo estimado
A Polícia Federal afirma que o grupo atuava desde 2014 e causou prejuízo estimado em R$ 832 milhões à União, além de danos ambientais na Serra do Curral.
Perícias da PF e auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) apontam destruição da nascente do Córrego Taquaril, abertura de cavas fora dos limites autorizados, falta de recuperação da vegetação e possível impacto sobre o lençol freático.
Os 17 investigados foram indiciados por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes ambientais e usurpação de bens da União. A Operação Parcours se conecta à Operação Rejeito, cujo relatório final também foi concluído nesta semana e indiciou outras 34 pessoas.
Elogio de Lula
Em fevereiro de 2025, pouco mais de um mês antes da deflagração da Operação Parcours, o presidente Lula elogiou Kallas durante a assinatura do contrato de concessão do porto de Itaguaí, arrematado pela Cedro Mineração.
Na ocasião, o petista afirmou:
“Desde que ele foi levado na minha sala, […] eu descobri na hora que estava conversando com o empresário sério”.
Mulher de Moraes atua na defesa
Em janeiro deste ano, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes (1), do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a atuar na defesa do empresário.
O caso envolve suposta extração ilegal de minério de ferro pela empresa Empabra, da qual Kallas se afastou em 2017.
O processo chegou ao STF por decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que apontou a necessidade de avaliar possíveis conexões com pessoas com foro privilegiado.
Kallas deu plenos poderes ao escritório da família Moraes. O empresário é acionista da Biomm, empresa de medicamentos que tem como principal investidor Daniel Vorcaro, do Banco Master.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/brasil/pf-indicia-aliado-de-lula-por-exploracao-ilegal-de-minerio/)
(1) De novo & novamente o XeXa:
“Mulher de Moraes atua na defesa de empresário de mineração no STF”
Lucas Kallas, acionista de empresa ligada a Vorcaro, já recebeu elogios de Lula durante evento público.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/mulher-de-moraes-atua-na-defesa-de-empresario-de-mineracao-no-stf/
(*) e. . .
ao fim e ao cabo os tubarões saem ricos, leves & soltos
e os peixes pequenos puxam décadas de cadeia,
como vimos no episódio dos
“incautos que caíram no conto do capitão zero zero em 08/01/23”!
“Nas entrelinhas”
“Pela primeira vez, a disputa pela liderança simbólica do bolsonarismo, protagonizada pelo senador e pela ex-primeira-dama, foi travada em praça pública.”
“Michelle demarca território, Flávio resiste; o pós-Bolsonaro já começou”
(Luiz Carlos Azedo, em seu Blog no Correio Braziliense, 26/06/26)
O conflito entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro extrapolou o terreno das relações familiares e se tornou um dos episódios mais reveladores das contradições no clã Bolsonaro nesta pré-campanha presidencial. Pela primeira vez, desde que Jair Bolsonaro escolheu o filho mais velho como sucessor, a disputa pela liderança simbólica do bolsonarismo, protagonizada por ambos, foi travada em praça pública.
À primeira vista, Michelle parecia ter produzido um enorme desgaste para a candidatura de Flávio. Principal liderança feminina da direita e responsável pela interlocução do PL com o eleitorado evangélico, acusou o enteado de tê-la “desrespeitado”, “maltratado” e “humilhado”. Gravou um vídeo muito bem produzido e de cabeça pensada, com objetivo claro de ser contundente: “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”.
Segundo Michelle, naquele momento compreendeu que sua participação na campanha de Flávio Bolsonaro era considerada irrelevante. “Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. Então eu me recolhi”. Ao exumar um episódio ocorrido há meses, durante as negociações do PL no Ceará, porém, mais do que um desabafo, fez uma afirmação de legitimidade política, de quem avalia que tem luz própria.
Michelle lembrou que Jair Bolsonaro havia determinado apoio à candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado no Ceará e disse que suas posições refletiam a vontade do marido. Ou seja, a ex-primeira-dama disputa “lugar de fala” em nome do legado político do ex-presidente. A demarcação de território, porém, até agora, teve efeito contrário nas bases bolsonaristas.
Segundo levantamento da AP Exata Inteligência, a presença de Michelle nas conversas digitais saltou de 5% para 16,4% entre os presidenciáveis em apenas quinze horas — crescimento de 228% — enquanto seus vídeos ultrapassaram milhões de visualizações. Entretanto, o aumento da exposição não foi acompanhado por melhora equivalente na percepção pública. Seu índice de confiança permaneceu praticamente estável, com pequena queda de 0,3 ponto percentual, enquanto as menções positivas recuaram para 45,5%.
Já Flávio Bolsonaro experimentou movimento inverso. Seu índice de confiança cresceu 1,2 ponto e as menções positivas avançaram 3,5 pontos, atingindo o melhor desempenho dos últimos dez dias. O fenômeno confirma uma característica recorrente das comunidades políticas altamente organizadas nas redes sociais: tendem a reagir rapidamente quando identificam um ataque dirigido ao líder escolhido pelo grupo.
Roupa suja
Sérgio Denicoli, responsável pela pesquisa, em diversos estudos sobre comportamento digital, verificou que comunidades políticas consolidadas costumam produzir um processo de “blindagem narrativa”. Quando percebem risco ao projeto coletivo, reorganizam espontaneamente suas mensagens para proteger o principal ativo político. Foi exatamente o que ocorreu.
Em poucas horas, grande parte da militância bolsonarista passou a enquadrar Flávio como vítima da exposição pública de uma divergência privada. Prevaleceu o conceito de que “roupa suja se lava em casa”. O foco deixou de ser a acusação feita por Michelle para concentrar-se na necessidade de preservar a candidatura presidencial.
Flávio Bolsonaro assimilou o golpe não somente nas redes sociais. Seu pedido de desculpas revelou uma clara intenção de redução de danos. “Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas.” Na sequência, deslocou o eixo da discussão para a disputa pela orientação da campanha: “Divergências de estratégia não significam divergências de princípios”.
Não falou para Michelle, mas para o eleitorado conservador, que tenta conquistar com uma narrativa mais moderada do que a dos irmãos Carlos e Eduardo e de Michelle: “O Brasil precisa de maturidade, serenidade e unidade”. Michelle também retrocedeu no confronto. “Não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada”, disse nas redes sociais. E acrescentou: “Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno”.
O problema é que a dimensão estratégica do confronto foi escancarada. Há duas vertentes no bolsonarismo. Flávio controla a máquina partidária, o respaldo formal do PL e a indicação feita por Jair Bolsonaro para disputar a Presidência. Michelle tem o apoio do eleitorado feminino conservador, de lideranças evangélicas e mais carisma pessoal para mobilizar emocionalmente seus apoiadores. Se Flávio vencer a eleição presidencial, Michelle provavelmente será senadora pelo Distrito Federal. Se ele perder, também. Mas ampliará sua autonomia, com mais visibilidade nacional e independência política. A herança do bolsonarismo já está em disputa.
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/michelle-demarca-territorio-flavio-resiste-o-pos-bolsonaro-ja-comecou/)
“Visto, lido e ouvido”
. . .”Polarização política, disputas judiciais, conflitos institucionais, casos escabrosos de corrupção, dificuldades econômicas e debates sobre liberdade de expressão tornaram-se temas recorrentes da cobertura internacional. Agências globais de notícias têm destacado a crescente tensão entre diferentes correntes políticas e o grau de radicalização presente em parte do debate público nacional.”. . .
“Brasil no radar de Washington”
(Com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, no Blog do Ari Cunha, Correio Braziliense, 26/06/26)
discussão geopolítica que ultrapassa as fronteiras da diplomacia tradicional. Ao afirmar que o país se tornou “politicamente perigoso” e ao classificar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma liderança “volátil”, Trump sinalizou que a maior potência do planeta acompanha com atenção redobrada os acontecimentos políticos brasileiros às vésperas das eleições presidenciais de outubro. Quando um presidente americano passa a comentar de forma recorrente a situação interna de outra nação, sobretudo de uma economia do porte brasileiro, é porque interesses estratégicos estão em jogo. O Brasil continua sendo a maior economia da América Latina, possui uma das maiores reservas de recursos naturais do planeta, exerce influência regional significativa e ocupa posição importante nos debates internacionais sobre energia, comércio, agricultura e segurança.
Declarações feitas durante a reunião do G7 revelaram uma preocupação explícita de Trump com o ambiente político brasileiro. Em entrevistas concedidas à imprensa internacional, o presidente americano afirmou que o Brasil atravessa um momento de turbulência política e demonstrou desconforto com acontecimentos ligados ao processo eleitoral e à atuação das instituições nacionais. A reação do governo brasileiro veio de forma imediata. Lula respondeu que as eleições brasileiras constituem assunto exclusivo do Brasil e advertiu que nenhum país estrangeiro deve interferir no processo político nacional. A resposta presidencial procurou reafirmar o princípio da soberania, fundamento básico das relações internacionais modernas.
Por trás da troca de declarações existe uma realidade mais ampla. A América Latina passa por um processo acelerado de transformação política. Nos últimos anos, diversos países experimentaram mudanças de orientação ideológica, alternando governos de esquerda, centro e direita. A recente eleição presidencial na Colômbia, marcada pela vitória de um candidato identificado com posições conservadoras e alinhadas ao discurso de segurança pública, foi interpretada por diversos analistas como parte desse movimento regional. Nesse contexto, Washington observa atentamente os rumos do Brasil. Não apenas por sua dimensão econômica, mas porque qualquer alteração significativa na direção política brasileira produz reflexos em toda a América do Sul. Questões relacionadas ao comércio internacional, à aproximação com a China, à participação nos BRICS, à política ambiental e ao combate ao crime organizado aparecem entre os temas que despertam interesse permanente dos formuladores da política externa americana. Outro elemento importante diz respeito à segurança pública. O debate sobre organizações criminosas brasileiras ganhou dimensão internacional nos últimos meses. A discussão sobre o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas, defendida por setores políticos próximos a Trump, ampliou a convergência entre temas domésticos brasileiros e interesses estratégicos norte-americanos.
Presidentes americanos tradicionalmente evitam comentários frequentes sobre disputas eleitorais em nações amigas. Quando isso ocorre, o gesto costuma ser interpretado como um sinal político deliberado. Também não se pode ignorar o ambiente interno brasileiro. Polarização política, disputas judiciais, conflitos institucionais, casos escabrosos de corrupção, dificuldades econômicas e debates sobre liberdade de expressão tornaram-se temas recorrentes da cobertura internacional. Agências globais de notícias têm destacado a crescente tensão entre diferentes correntes políticas e o grau de radicalização presente em parte do debate público nacional. Para os Estados Unidos, existe ainda um fator adicional. O Brasil representa um parceiro comercial relevante e uma potência agrícola estratégica. Em um cenário global marcado pela competição crescente entre Washington e Pequim, a posição adotada por Brasília possui peso muito superior ao de outras nações da região.
Nenhuma administração americana, seja democrata ou republicana, tende a permanecer indiferente ao futuro político brasileiro. Eleições nacionais sempre despertam expectativas. A troca de declarações entre Lula e Trump demonstra que o pleito brasileiro deixou de ser observado apenas por jornalistas, investidores e diplomatas. Agora ele integra, de forma explícita, o cálculo estratégico das grandes potências. Ao eleitor brasileiro cabe distinguir fatos de narrativas, interesses nacionais de interesses externos e debates legítimos de disputas geopolíticas mais amplas. Independentemente das preferências políticas de cada cidadão, permanece um princípio fundamental: a estabilidade democrática depende da confiança nas instituições e da capacidade de resolver divergências por meio do voto. Nesse aspecto, o desafio que se aproxima não pertence apenas ao governo, à oposição ou aos observadores internacionais, pertence ao próprio Brasil. As eleições de outubro serão acompanhadas atentamente dentro e fora do país. O modo como transcorrerão poderá influenciar não apenas os próximos quatro anos da política nacional, mas também o lugar que o Brasil ocupará no cenário internacional durante a próxima década.
A frase que foi pronunciada:
“Os políticos matreiros são os gatos da humanidade. Dão toda a sorte de pulos, e sabem muito bem essa história de cair de pé.”
(Monteiro Lobato (*)
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/brasil-no-radar-de-washington/)
(*) José Bento Renato Monteiro Lobato[nota 1] (Taubaté, 18 de abril de 1882 – São Paulo, 4 de julho de 1948)[nota 2] foi um escritor, intelectual e editor literário brasileiro. Participou ativamente do pré-modernismo e modernismo brasileiro e da vida política do Brasil, sendo popularmente lembrado por sua série de livros infantis Sítio do Pica Pau Amarelo.
. . .
+em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_Lobato
Pois é. . .
A frase do Monteiro Lobato, ilustra muito bem a charge acima!
📍 “Mapa do poder”
-O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
(Por Bruno Boghossina, Brasília Hoje, FSP, 26/06/26)
1 – Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes votaram em conjunto e foram acompanhados por Edson Fachin para liberar parte dos penduricalhos que haviam sido barrados na decisão sobre supersalários. Eles defenderam que fiquem autorizado adicionais como férias não usufruídas, plantões judiciais e licença-prêmio. Os valores ficaram limitados a 35% do vencimento básico do magistrado.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/06/ministros-do-stf-votam-juntos-para-autorizar-parte-dos-penduricalhos-barrados-em-decisao-sobre-supersalarios.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
Na Esplanada…
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional pretende lançar em julho uma nova plataforma para envio de avisos. O objetivo é reforçar a defesa contra ataques hackers depois de alertas falsos com as mensagens “misantropia” (que significa aversão a humanos) e “ataque alienígena” terem sido enviados na última semana a partir de credenciais de agentes da Defesa Civil no Pará. A Polícia Federal investiga o caso.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/06/defesa-civil-aumenta-seguranca-contra-hackers-e-quer-novo-sistema-apos-alertas-de-misantropia.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb
(TRPCE)
Matutando sobre. . .
E o mais explícito é a estratégia dos pulhas:
“uma mão lava a outra” e a toga enxuga todas!