Pesquisar
Close this search box.

O FEDOR DO LIXO. VAI “EMBORA” A SAAYS E ENTRA A MECANICAPINA. E O CIMVI É O DESTINO. ENQUANTO ISSO, SEGUE NO MINISTÉRIO PÚBLICO UMA NOTÍCIA DE FATO. ELA BUSCA DADOS PARA DAR TRANSPARÊNCIA AO SUPOSTO “VOO CEGO” COMO ESTE SERVIÇO É PRECICIFADO E COBRADO DA POPULAÇÃO PELA PREFEITURA E O SAMAE DE GASPAR. DESDE 2011 HÁ UMA LEI QUE REGULA ISSO. O MP PEDIU EXPLICAÇÕES. A PREFEITURA AINDA NÃO RESPONDEU. 

Este texto foi revisado e alterado, com acréscimos para melhor compreensão, às 11h23min deste 07.04.2026. Este assunto você leitor e leitora não verá explicitado ou debatido na imprensa e nas entidades que dizem lhes representarem. Uns dirão que o tema é complexo demais para se entender e esclarecer. Na verdade, há muita preguiça, desinteresse ou, principalmente, interesses que se escondem pelos gestores responsáveis por este tipo de assunto no município. O diretor presidente do Samae, o outrora combativo vereador, inclusive relator de CPI, e funcionário de carreira da autarquia, Cícero Giovane Amaro, PL (foto abaixo), agora é garoto propaganda do “saco amarelo”.

E entender e esclarecer, parecem que hoje, passam longe dos órgãos de fiscalização. É só ver como este debate se camuflou por mais de 15 anos para simplesmente atestar que NÃO se está cumprindo uma lei em vigor entre nós, que a metodologia NÃO é a mais adequada, que se estar certo É INCERTO, que precisa DEBATER SE O QUE PRATICA É O CORRETO OU ESTÁ errado E PRECISA SER CORRIGIDO À NOVA REALIDADE DESARMANDO PREGUIÇAS E INTERESSES. Incrível.

A quem tudo interessa isto? Alguém está ganhando. Ou há outra explicação para tanta enrolação e silêncio? E a população perdendo. Lixo é dinheiro, para o bem e para o mal. Lixo até serve para prêmios e promoções  pessoais de quem deveria estar preocupado como ele é manipulado contra a saúde e os bolsos de todos nós.

O QUE ESSA GENTE ESCONDE ALÉM DO LIXO

Esclarecido, eu retorno para polemizar, exatamente pelo vácuo criado com a reiterada falta de esclarecimentos oficiais.

Este rolo e fedor da coleta, separação, destinação final, custo e formação do preço do lixo coletado em Gaspar vem de há muito tempo. Vem do final do governo de Adilson Luiz Schmitt (2005/08) sem partido atualmente, mas eleito pelo MDB, na primeira aliança do sapo com a cobra, o PP. Lá, em 2008 Adilson perdeu para Pedro Celso Zuchi, PT.

E da noite para o dia, em 2009, Zuchi com então diretor presidente do Samae, Lovídio Carlos Bertoldi, PT, “criaram” a Say Muller – com equipamentos locados em Curitiba – e os sucessivos contratos emergenciais. Tudo para barrar a Recicle, que recolhia aqui e tinha depósito em Brusque num contrato feito ao tempo de Adilson. A Say Muller até saiu da coleta daqui. Ela voltou em 2021 já como Saays Soluções Ambientais quando ficou até este domingo.

Do aprendizado e experiência aqui, onde surgiu e está a sua sede, a Saays voltou no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB,  com uma baita estrutura e um currículo de serviços prestados em vários municípios catarinenses. Já tinha fama, expertise e problemas. Tornou-se uma concorrente de peso. Hoje, nesta segunda-feira, o serviço de coleta já está sob nova direção: a Mecanicapina (foto abaixo da nova frota de caminhões para a coleta).

VOO CEGO? APARÊNCIAS. MORCEGO TAMBÉM VOA E NÃO PRECISA DE OLHOS

Mas, a Saays não é o assunto principal do artigo de hoje. É a Lei que rege este assunto entre os gasparenses, proposta pelo Executivo, e aprovada pelos vereadores do passado e que não se cumpre até hoje. É a atual gestão municipal e do Samae de Gaspar que fingem ignorá-la. É o CIMVI – Consórcio Intermunicipal dos Municípios do Médio Vale do Itajaí – com sede em Timbó, que apareceu por aqui como se fosse salvar o que está torto, mas não meteu, verdadeiramente, o dedo na ferida.

Vamos ao que é de fato bem mais problemático, complexo, profundo e fedido.

É isso que revela a “Notícia de Fato” instaurada pela quarta promotoria da Comarca de Gaspar sob a batuta de Rafaela Vieira Bergmann, baseada em denúncias feitas pelo observador e pagador desses serviços em Gaspar, Aurélio Marcos de Souza. Ele não é um zé ninguém neste assunto. É advogado experimentado, foi procurador geral do município (2005/08), é graduado em Gestão Pública pela Udesc, e está se graduando em Engenharia Civil e a Sanitária Ambiental. 

Inconformado, Aurélio Marcos de Souza, vem estudando este assunto do lixo de Gaspar há algum tempo, e sou testemunha disso. Faz isso, com uma profundidade peculiar, exatamente diante do seu conhecimento acadêmico multidisciplinar e profissional que adquiriu e possui.

Segundo Aurélio Marcos de Souza, nos argumentos que apresentou ao Ministério Público, inclusive em Florianópolis, Gaspar não fez o básico na lição de casa: não implantou a lei municipal 3.378/2011, muito menos fez as revisões do Plano Municipal da Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Ou seja, tudo para inglês ver e os gasparenses pagando o que os burocratas de plantão inventam, o prefeito assina ou até os vereadores aprovam. Há, no mínimo, segundo ele, um voo cego. Discordo: morcego não precisa de olhos para voar, e bem. A discordância de Aurélio Marcos de Souza é que estas métricas e regras, fora da lei, sem debate, sem publicidade, sem transparência é que orientam os editais e a concorrência neste assunto fedido.

A CULPA REITERADA DOS OUTROS E DO PASSADO

E Paulo Norberto Koerich, PL, não pode dizer que isso é culpa dos seus antecessores. Até é. Mas, ele foi eleito para exatamente colocar a “Casa em ordem”. Era o mote da sua campanha esmagadoramente vencedora. Ele próprio teve 15 meses para resolver estes assuntos com os iluminados vindos de Blumenau e com Cícero. E mais uma vez, não o fez mais esta necessária lição. No fundo, está repetindo Zuchi e Kleber. Agora um parêntesis: depois deste artigo pronto e publicado: Blumenau está fazendo exatamente o Aurélio Marcos de Souza quer para Gaspar. Um edital chama a população para debater este assunto a partir desta quarta-feira. Veja na área de comentários. Repliquei um press release do Samae e Prefeitura de Blumenau.

Voltando ao texto original. Como Paulo não mudou, como não desacomodou, como repetiu Zuchi – o inventor da lei – e Kleber, mas sem a devida articulação, apostou errado no velho. E perdeu espetacularmente na Câmara a votação que enfiava goela abaixo a nova tarifa do lixo. Foi na última sessão do ano, uma extraordinária e presidida por Alexsandro Burnier, então no PL, agora está no desconhecido nanico PRD.

Então restou ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL, ensacar, provisoriamente a viola da enrolação, queixar-se da infidelidade dos que supostamente deviam isto à cidade, alegar que está coletando o lixo dos gasparense com prejuízos, ameaçar impor tarifas por decreto e se fiar nas orientações do CIMVI que tanto Zuchi e Kleber rejeitaram.

APOSTA DOBRADA E FALTA DE TRANSPARÊNCIA

E se tudo isso fosse pouco, o governo Paulo Norberto Koerich, PL, dobrou a aposta. Para Aurélio, com base em diagnósticos desfasados de 2016, oriundos do CIMVI – justamente o que passou a dar as regras a partir de hoje por aqui -,  ignorou o crescimento demográfico e a alteração do perfil de consumo e consequentemente de descarte de lixo dos gasparenses. Lançou-se em novo voo cego, que já expliquei, na minha avalição, não é cego.

Na denúncia que fez e foi aceita pelo MP e que a transformou numa “Notícia de Fato” a ser apurado, Aurélio Marcos de Souza alerta para o risco iminente de uma licitação, esta sim, às cegas, em 2026 para serviços de coleta e destinação final do lixo dos gasparenses. Pois segundo ele, tudo isso estaria fundamentado em dados obsoletos, sem a tal “gravemetria” atualizada e sem a devida matriz de alocação exigidos pela lei 14.133/2021. Credo!

A derrota de Paulo Norberto Koerich, PL, em dezembro do ano passado na Câmara foi essencialmente política. Foi um aviso. E ignorado.

Ela é decorrente de seis fatores importantes que estão no DNA da nova experiência do gestor Paulo Norberto Koerich, PL: falta de articulação dentro da sua própria base – cada vez mais improvisada e descaracterizada; a perigosa e improdutiva administração por conflitos; a arrogância de quem ainda não saiu do gabinete de uma delegacia onde estava acostumado a impor a sua vontade por força do ofício; a indisposição permanente dele para o diálogo e a continuada falta de transparência, apesar dessa palavra fazer parte de todos os seus discursos e press releases da atual gestão.

Basta olhar o site da prefeitura de Gaspar para descobrir que tipo de transparência se pratica diante daquilo que minimamente é exigido, por lei, como disponível aos cidadãos e cidadãs.

FALTA ESCLARECER

E se olhar o site fosse pouco, Paulo Norberto Koerich, PL, não deu um pio sequer até agora aos questionamentos da promotora Rafaela Vieira Bergmann. E ela para não perder o passo, e para não colocar a Ouvidoria e a área técnica de Florianópolis no assunto logo de cara, deu uma chance e acaba de ampliar a apuração por mais 90 dias.

Ora, se a prefeitura de Gaspar com o seu Samae estão com a faca e o queijo na mão neste assunto, e seguros da qualidade deles, por quê não encerram logo este assunto, oferecem de bandeja tudo isso ao Ministério Público, e deixa o cidadão Aurélio Marcos de Souza falando sozinho? Birra? Não! É método. Os técnicos da prefeitura, CIMVI e do Samae sabem o que está escrito tanto na lei de 2011 como na de 2021 invocadas por Aurélio. Incrível!

Restou à marquetagem fácil, gastar dinheiro com nova cortina de fumaça, a do “saco amarelo” e mais uma vez, nada de explicação sobre como se cobra e porque se cobra dessa forma o lixo, seja na base das passadas, seja na base do consumo de água do usuário. Não se sabe sequer se quem gera mais lixo paga mais e até aonde estão misturados recicláveis e resíduos orgânicos como disfarces para os que deveriam ser classificados como comerciais e industriais.

O que a promotora Rafaela pediu ao governo de Paulo Norberto Koerich, PL, e ele não conseguiu ainda respondê-la desde o dia 26 de fevereiro, por si ou seus assessores ou o Samae?

Entenderam as cruciais simples e óbvias perguntas do Ministério Público? Agora, de tão simples, a qualquer cego, mas não um surdo. Por isso, não se consegue entender a razão pela qual a prefeitura de Gaspar, que se proclama a mais transparente de todos os tempos, bem como o Samae, continuam mudos e praguejando quem pede mudanças e esclarecimentos. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Um velho político típico I. O jovem político Alexsandro Burnier (ao lado em destaque ao lado de Ciro André Quintino, MDB) é fruto da era digital. Não exatamente pelo que pensava, mas pelo que expressava corporalmente. Giovano Borges, então vereador pelo PSD, sacrificou a reeleição dele em 2016. E espertamente fez uma jogada arriscada. Saiu do PSD, para ser vice pelo PSB, via acerto com Laércio Schüster (Timbó) do seu amigo Marcelo de Souza Brick, PSD, a prefeito em 2016. A dobradinha de amigos, fingindo uma coligação, ficaram em segundo com 25,91% dos votos válidos.

Um velho político típico II. Naquela campanha, para o seu lugar, Giovano Borges, então no PSB, escolheu como seu sucessor e representante do bairro Bela Vista, Alexsandro Burnier e o filiou no PSB. Burnier não se elegeu devido a legenda, mas foi bem (472 votos). Era um sinal promissor. E isso que Alexsandro leu também. Hoje Giovano está de volta do PSD. E aos que não sabem, o PSB – que é vice de Lula – sempre foi partido de esquerda e das brabas. Ah, hoje, só para contextualizar, Giovano e Alexsandro não se bicam.

Um velho político típico III. Na campanha de 2020, com a volta de Giovano Borges à disputa por uma vaga de vereador e o congestionamento natural na região do Bela Vista, Alexsandro Burnier se filiou ao PL a convite de Rodrigo Boeing Althoff. E foi a luta. Rodrigo vindo do PV (esquerda) ficou em segundo na reeleição de Kleber Edson Wan Dall, MDB, “casado” com Marcelo de Souza Brik, PSD, “casamento” feito pelo MDB e PP para anular Marcelo como concorrente. Rodrigo perdeu (22,21% dos votos válidos) e Alexsandro se elegeu com 844 votos. Era então o único vereador do PL e já com apadrinhamento do deputado Ivan Naatz, PL, nascido nas esquerda do PV e com passagem pelo PDT, do mesmo campo ideológico, então amigo de Rodrigo.

Um velho político típico IV. Hoje Rodrigo Boeing Althoff, que saiu do PL para ir para o satélite Republicanos e Alexsandro Burnier não se bicam. Rodrigo, o vice, e Paulo Norberto Koerich, PL, não se bicam. Rodrigo, o fiel cabo eleitoral dos tempos de vacas magras de Ivan Naatz, PL, não se bicam. Entenderam? Sintomático. Não se trata exatamente de direita ou esquerda, de partido A ou B. Trata-se de oportunidade, oportunismo e salvem-se quem puder neste jogo de poder ilimitado. Coerências zero. E depois reclamam do eleitor e eleitora esclarecidos.

Um velho político típico V. Não vou comentar sobre a forma, mas o resultado. Alexsandro Burnier, PL, o ticktoker, buscando os supostos ladrões do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Alexsandro fez o serviço de casa nas eleições de 2024: foi o campeão de votos com 3.429 pelo PL de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos então no PL, na vitória de 52,98% dos votos válidos. Usaram Bolsonaro, transformaram a administração de Kleber, um bolsonarista e evangélico em vilã e foram a caça da esquerda malvada e de uma administração cheia de questionamentos. É o jogo jogado. Resultado? Barba, cabelo, bigode e sovaco.

Um velho político típico VI. Com essa montanha de votos e sem olhar a governabilidade, Alexsandro Burnier, PL,  exigiu e ganhou a presidência da Câmara. Não vou me estender aqui sobre isto, o inferno decorrente e a confusão que isto causou no ano passado na governabilidade e com reflexos até hoje na atual administração. Paulo Norberto Koerich, PL, para estar minimamente vivo, precisou “entregar” o governo ao mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, numa ponta e na outra a Ciro André Quintino, MDB. Ou seja, Paulo deu ao governo dele a cara que prometia mudar radicalmente de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo se Souza Brick, ambos do PP. Impressionante.

Um velho político típico VII. Agora, Alexsandro Burnier, no último minuto possível da janela do calendário eleitoral deste ano para a troca de partidos, foi acomodado num nanico chamado de PRD. É trucar ou ficar elegível a qualquer coisa neste outubro. Na longa e incoerente carta-justificativa do ato, escreveu estava atendendo a um pedido do governador Jorginho Melo, PL, o que se dedica a inflar nanicos, e ao mesmo tempo, mal cuidar dos graves problemas internos do seu PL catarinense com interferências nacionais da família Bolsonaro nas escolhas dos candidatos daqui.

Um velho político típico VIII. Foram todos esses erros táticos que somados, alimentam no campo conservador, João Rodrigues, PSD. João está incorporando, aos poucos, o PP e o MDB e esse velhos partidos sentem de longe cheiro de carniça. E Jorginho Melo, PL, que não é nenhum neófito, sabe disso. Mas, parece que está com o nariz tampado. A carta de Alexsandro Burnier, agora PRD, lida e entendida, é uma rasteira no presidente do PL de Gaspar, Bernardo Leonardo Spengler Filho, um bem nascido MDB, mas amigo de infância dos filhos de Jorginho Melo, PL. Sintomático.

Um velho político típico IX. Nada é por acaso. Paulo Norberto Koerich, PL, é citado na carta por agradecimento. Então é avalista de tudo isso, no mínimo. Nas redes bolsonaristas, os radicais de Gaspar, dizem que o PRD é apenas uma passagem para Alexsandro Burnier. Uma passagem tão arriscada para quem é campeão de votos quanto para quem insinua ser o verdadeiro alvo desta lança: a suposta candidatura a deputado Federal de Ciro André Quintino, MDB. Avisado Ciro estava. Ciro foi engolido por Kleber. Agora está sendo engolido pela turma do Paulo. 

Um velho político típico X. O que quer Alexsandro Burnier, PRD, o que queria ser o pai das emendas parlamentares para os vereadores e teve que guardá-las no arquivo neste governo, o que quer o pai do vale marmita dos vereadores que teve que recuar diante da repulsa do eleitorado, o que quer o disputa com Ciro André Quintino, MDB, a fama de campeão nas diárias? É o de assustar Ciro. A segunda, se Ciro não se assustar e desistir, é provar na disputa para a cidade e os deputados padrinhos de Ciro, que Ciro não tem votos e é um cabo eleitoral caro.

Um velho político típico XI. Quem vai piscar primeiro neste jogo dos que se dizem novos na política, mas parecem ser tão velhos aos que os condenam? Outra ponto. Que estória é esta que se propaga por aí de candidatos melancias? Pelo relato acima, quem desses todos não foi ou é um melancia? Sinceramente, se eu não queimar a língua mais uma vez com ele, só Paulo Norberto Koerich, PL, o que negou Jorginho Melo, PL, como Pedro, com todos os seus defeitos, sempre esteve no campo conservador.

Uma observação enquanto é tempo. O bolsonarismo extremo – vindo das redes sociais de todos os cantos do país e do exterior – acha que os catarinenses são traidores se não elegerem o vereador carioca de péssima produção em 20 anos de mandato, senador por Santa Catarina. Cada vez que esta tese é cobrada aos gritos, xingamentos e acusações, mais excluem o próprio Carlos de alguma vitória. Cresce a possibilidade de reeleição veterano Esperidião Amim Helou Filho, PP. O problema do bolsonarismo, são os bolsonaros. E a direita sabe disso. E teme não ser compreendida nesta leitura.

O vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil (foto ao lado), deixou a presidência do partido em Gaspar. Ela ficará com o vice, o suplente de vereador e comissionado do atual governo no cemitério, Eder Carlos Muller da Silva. Thimoti, bolsonarista, foi eleito como base do governo e o União Brasil era um satélite desse projeto. Thimoti ia bem até o vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, ser defenestrado do governo por Paulo Norberto Koerich, PL. Rodrigo foi dar no satélite do PL de Jorginho Melo, PL, o Republicanos. E Thimoti não recuou na função de fiscalização de um vereador. Desconforto. E paga caro.

A saída de Thimoti Thiago Deschamps da presidência do União Brasil. de Gaspar, mostra dois caminhos possíveis: de que ele não cedeu à pressão do governo e vitória dos bolsonaristas do União Brasil daqui para o calar. Ou seja, Thimoti, “independente” vai continuar a ser um calo para o governo de Paulo Norberto Koerich, PL. É o que se deduz quando Thimoti se justifica para deixar a presidência do diretório gasparense: “para preservar a independência do mandato e evitar interpretações equivocadas quando a atuação fiscalizadora“. Eder Carlos Muller da Silva, União Brasil, agradeceu.

Hoje o Distrito do Belchior, criado sob pressão e muita polêmica por Pedro Celso Zuchi, PT, completou dez anos da sua oficial criação. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, fez um marqueteiro estardalhaço dizendo que se “mudou” hoje para lá para comemorar e atender o Distrito. Bobagens. O ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, tirou a autonomia administrativa e orçamentária do Distrito. O Distrito é um mero puxadinho da secretaria de Obras e Serviços Urbanos.

Enquanto esta autonomia administrativa e orçamentária não for reestabelecida formalmente para o Distrito do Belchior, não há nada a comemorar. Trata-se apenas de falsa propaganda, como a de hoje e cabides de empregos políticos. Aliás, esta de retomar a autonomia administrativa e orçamentária do Distrito do Belchior, foi uma promessa de campanha do vereador de lá, Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL.

Pouco se falou sobre o aumento e reajuste dos funcionários públicos de Gaspar, tanto na prefeitura, como na Câmara, a qual espelhou a prefeitura. E por quê? O Sintranspug – Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público de Gaspar – fez barba, cabelo, bigode e sovaco. Ensaiaram a dança dos contras no gabinete do prefeito, mas ao final, todos ficaram bem agarradinhos no bolerão. Afinal, é ano de eleições.

No sábado tem Café Alemão no salão da Capela São José, no Arraial do Ouro. A promoção é da Associação de Moradores de lá. Haverá apresentação da história da Imigração Alemã feita no passado por lá, teatro, grupo folclórico Badenfurt, música de gaita e para dançar, o Musical Zillertal.

Uma lembrança da Páscoa de Gaspar. Durou oito dias a encenação e a marquetagem. A área de licitação e compras, provou para a cidade que é ágil e competente, quando quer. Uma denúncia do MP pode transformar este Coelho numa Capivara…

Compartilhe esse post:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
LinkedIn
Email

11 comentários em “O FEDOR DO LIXO. VAI “EMBORA” A SAAYS E ENTRA A MECANICAPINA. E O CIMVI É O DESTINO. ENQUANTO ISSO, SEGUE NO MINISTÉRIO PÚBLICO UMA NOTÍCIA DE FATO. ELA BUSCA DADOS PARA DAR TRANSPARÊNCIA AO SUPOSTO “VOO CEGO” COMO ESTE SERVIÇO É PRECICIFADO E COBRADO DA POPULAÇÃO PELA PREFEITURA E O SAMAE DE GASPAR. DESDE 2011 HÁ UMA LEI QUE REGULA ISSO. O MP PEDIU EXPLICAÇÕES. A PREFEITURA AINDA NÃO RESPONDEU. ”

  1. Pingback: O HUMILHANTE ENTENDIMENTO DE TRANSPARÊNCIA DO GOVERNO PAULO. VEREADORES VÃO AO GABINETE EM REUNIÃO CONVOCADA, SÃO PROIBIDOS NO USO DE SMARTPHONES E DE DIVULGAREM O CONTEÚDO DO ENCONTRO, O QUAL MINUTOS DEPOIS VIRA PEÇA TORTA DE MARQUETAGEM GOVERNAMEN

  2. AEROPORTO É COISA DE POBRE, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    Nenhum maledicente profissional seria capaz de prever que o Supremo Tribunal Federal (STF) entraria numa crise por causa da evolução patrimonial de alguns de seus ministros ou da conduta de magistrados com empresários. A bem da Justiça, vale registrar que, somados, eles formam uma minoria audaciosa, onipotente e, em alguns casos, vingativa.

    Até hoje, o Supremo viveu grandes encrencas, sempre provocadas pelo que os ministros pensavam ou falavam. Agora, não importa o que pensam, mas o que fazem. Três deles — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques — encalacraram-se pelo privilégio de usar jatinhos de empresários para seu conforto. Moraes e Toffoli voavam nas asas de uma empresa do banqueiro Daniel Vorcaro. Um para sair de Brasília, o outro para descansar no resort Tayayá.

    Jatinho do amigo permite decolar à hora que se quer, com destino ao aeroporto que se escolheu, sem passar pela sala de embarque onde ralam os bípedes comuns. Aeroporto é coisa de pobre; quem é gente de bem vai a hangar privatizado.

    Jatinho é um símbolo de poder, prestígio ou patrimônio e disseminou-se nos últimos 50 anos. O primeiro jatinho público de que se tem notícia foi o do Banco Central (BC). Havia pertencido a um papeleiro quebrado, e seu advogado contaria:

    — A certa altura, negociando com os burocratas, percebi que estavam de olho no avião. Endureci a negociação, e eles levaram o jatinho, mas fizeram concessões com as quais poderiam ter comprado uma esquadrilha.

    O jatinho do BC serviu a ministros e hierarcas amigos de ministros. Perdido o poder, lá se ia o conforto. Em setembro de 1983, quem estava no gabinete paulista do poderoso ministro Delfim Netto ouviu-o falando ao telefone:

    — Quer o avião para voltar ao Rio? Diz a ele para ir de ônibus.

    Quem queria o avião do BC para voltar para sua casa, no Rio, era o economista Carlos Geraldo Langoni, que acabava de ser defenestrado da presidência do BC.

    Delfim usava seu poder como ninguém.

    O jatinho do BC talvez tenha se aposentado. Autoridade de verdade hoje em dia voa pela FAB. (O Supremo não divulga os voos de seus ministros, nem quando um presidente do tribunal vai à Argentina para um encontro de juízes paranaenses, e o jatinho fica por dias à sua espera.)

    Voando nas asas de Vorcaro, os ministros livraram-se de uma eventual curiosidade pública e acabaram na vala das conexões do banqueiro. Mau negócio. Os viciados em jatinhos dos amigos foram expostos como aproveitadores. Noves fora o conforto, o que os empurra para os hangares é o horror à convivência com os cidadãos comuns.

    Um curioso jura que no século passado viu a juíza Sandra Day O’Connor, da Suprema Corte dos Estados Unidos, na sala de embarque da ponte aérea Washington-Nova York. Coisa de país pobre; só o presidente do tribunal tem carro oficial. O STF, com 11 ministros, tem uma frota de 91 carros, 11 deles blindados.

    Mudou o Brasil e mudaram os tempos. No século passado, antes da era dos jatinhos, o jornalista Assis Chateaubriand, entrevado, mostrava seu poder fazendo num Rolls-Royce o percurso de umas centenas de metros na pista do Galeão, saindo do jato que o trazia da Europa para embarcar no bimotor que o levaria a São Paulo. Em tese, à sua custa.

  3. SENADO TEM O DEVER DE REJEITAR MESSIAS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    No dia 1.º de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Senado a mensagem que oficializa a indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) aberta após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Se Messias está “leve” pela formalização de sua escolha, como revelou a pessoas próximas, angustiada deve estar a sociedade brasileira diante da perspectiva de mais um despreparado para o cargo tomar assento na mais alta corte do País. O Senado tem o dever perante o Brasil de evitar que isso aconteça e rejeitar Messias.

    A Constituição estabelece em seu artigo 101 que os ministros do STF devem ter mais de 35 e menos de 70 anos e possuir notável saber jurídico e reputação ilibada. Se pouco pode ser dito sobre a reputação de Jorge Messias, um ilustre desconhecido até os estertores do governo Dilma Rousseff – quando se celebrizou como o “Bessias”, partícipe da artimanha para aboletar Lula na Casa Civil e, assim, conferir-lhe foro privilegiado no auge da Lava Jato –, é evidente que não há nada em sua trajetória profissional que sequer sugira que o indicado possua notável saber jurídico.

    É preciso ter respeito pelo sentido das palavras. “Notável”, na acepção do texto constitucional, significa um conhecimento profundo do Direito, que vá muito além de sua dimensão técnico-profissional. Ademais, a expressão escolhida pelo constituinte originário pressupõe uma autoridade intelectual que não pode ser meramente alegada ou vir descrita num currículo qualquer. O saber jurídico de um ministro do STF precisa ser amplamente reconhecido por toda a comunidade jurídica e acadêmica, acima de quaisquer controvérsias. É evidente que o sr. Messias não atende a esse pressuposto da Lei Maior.

    A instruir a recusa de sua indicação, cabe ainda examinar com cuidado a atuação de Messias à frente da AGU. Iniciativas como a criação da tal “Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia”, nome pomposo para um órgão de censura, atestam cabalmente que, entre a defesa dos direitos e garantias fundamentais, viga-mestra da “Constituição Cidadã”, e a defesa do interesse do governo em controlar o debate público, definindo o que é ou não “verdade”, o advogado-geral da União não hesitou ao privilegiar o voluntarismo do Palácio do Planalto.

    Outro ponto que impõe a reprovação de Messias pelos senadores é o abastardamento do processo de escolha dos ministros do STF pelo presidente da República. É verdade que a Constituição confere ao chefe do Executivo o poder de indicar nomes para compor o Supremo. Mas Lula fez dessa nobre prerrogativa um meio de premiar lealdades pessoais e garantir que seus interesses políticos imediatos estejam representados na Corte. Nesse sentido, se Messias vier a ser aprovado pelo Senado, a crise de credibilidade por que passa o Supremo – a mais grave em toda a sua história republicana – só tende a piorar com ainda mais politização das decisões judiciais e fomento à desarmonia entre os Poderes, sobretudo entre o STF e o Congresso.

    Por fim, mas não menos importante, o Senado tem de considerar a questão temporal. Messias tem apenas 46 anos. Malgrado estar no intervalo etário previsto pela Constituição, isso significa, na prática, que ele poderá permanecer no Supremo até 2055, quando completará 75 anos e atingirá a idade para aposentadoria compulsória. Ou seja, a má escolha de Lula, se corroborada pelos senadores, poderá influenciar a jurisprudência constitucional do País por longas décadas. Uma temeridade.

    Diante de tudo isso, a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e a posterior deliberação da indicação de Messias pelo plenário do Senado têm de ser norteadas pela coragem de romper com o ineditismo da reprovação na história recente e pelo espírito republicano de resguardar o melhor interesse do País. Como já sublinhamos nesta página, o Brasil precisa de um Supremo que sirva à República, não aos interesses do governo de ocasião nem muito menos aos dos atuais integrantes da Corte. Hoje, mais do que nunca.

    O Senado tem agora uma nova oportunidade de mostrar compromisso com a Constituição e o País. Se o fizer, deixará no passado décadas de leniência na aprovação de nomes claramente desqualificados para compor o STF, o árbitro maior do Estado Democrático de Direito.

  4. ONIPRESENTE INVISÍVEL, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    Alexandre de Moraes voou em avião de Daniel Vorcaro – sempre será de uma empresa de Vorcaro – e se encontrou com o banqueiro no dia seguinte, de acordo com o Estadão. Embarcou, sem a esposa, em táxi aéreo contratado pelo escritório Barci de Moraes (da esposa) para deslocamento de seus advogados.

    Xandão, que não era advogado na banca, viajou em 7 de agosto de 2025, em jato da onipresente Prime Aviation, e esteve com Vorcaro no dia 8, em São Paulo, conforme interpretação da mensagem do banqueiro à namorada: “Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro”. (Ciro seria o Nogueira, senador.) Foram algumas as viagens xandônicas nas asas da Prime, conforme levantara Monica Bergamo na Folha.

    Dias Toffoli voou em avião de Vorcaro – sempre será de uma empresa de Vorcaro – para Marília, em 4 de julho de 2025. (Marília fica a 150 quilômetros do Tayayá – um pulo, se de helicóptero.) Jato da onipresente Prime Aviation, empresa prestadora de serviços de táxi aéreo, cujas aeronaves podem ser usadas por convidados dos cotistas. Não sabemos sob quais relações viajou o ministro. Ele teria meios, outrora empresário do ramo hoteleiro, para pagar a conta.

    Moraes voou nas asas de Vorcaro graças ao escritório Barci de Moraes, que contratava os serviços da Prime (empresa, de CNPJ X, que tinha Vorcaro como sócio) abatendo a despesa dos honorários recebidos do Master (de Vorcaro, com CNPJ Y). E Dias Toffoli? Em 4 de julho, ele não era mais dono do Tayayá; que continuaria a frequentar. Vendera a sua parte, via Maridt (em fevereiro), a Paulo Humberto Barbosa, proprietário do avião em que oministro embarcou com destino a Ourinhos, em 17 de junho, cidade em que fica o aeroporto mais próximo do hotel.

    Nunes Marques e senhora voaram em avião da onipresente Prime Aviation – que já não era mais de Vorcaro – em 14 de novembro de 2025; para Maceió. Foram à festa de uma advogada, amiga de longa data, que prestava serviços ao Master no STJ – e que declarou haver custeado a viagem: “O voo citado foi particular, privado e contratado de forma pessoal pela advogada em virtude da comemoração de seu aniversário”. O ministro admitiu a viagem. (A anfitriã e o marido, desembargador no TRF-1, outrora auxiliar de Nunes Marques no tribunal, também embarcaram em Brasília.)

    A Prime Aviation é controlada pela Prime You, que recebeu aportes dos fundos Jaguar e Patrimonial Blue, “ambos sob administração da gestora Trustee, de Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro no Master” – apontou este jornal. Vorcaro foi sócio da Prime You, donde da Aviation, até setembro de 2025, quando deixou de ter participação societária direta na companhia. “Essa participação foi vendida a um fundo gerido pela Trustee, que é uma gestora de fundos também ligada ao Master, de acordo com as investigações da Polícia Federal” – informou o Estadão.

    A Prime Aviation, onipresente, expressa bem a natureza da teia vorcárica; a forma como Vorcaro – o onipresente invisível – se espalhava e enredava. Enredados, ministros do Supremo.

  5. É PRECISO INVESTIGAR OS MINISTROS DO STF, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    É dever do procurador-geral da República, Paulo Gonet, requisitar a imediata abertura de inquérito para apurar as ligações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques com Daniel Vorcaro e os negócios do Banco Master. Ainda que inédita, essa providência não seria extravagante. Ao contrário: só demonstraria que Gonet respeita o princípio da igualdade de todos perante a lei, pilar da ordem jurídica.

    Os fatos envolvendo aqueles ministros e seus familiares, trazidos à luz pelo diligente trabalho da imprensa profissional, malgrado não autorizem condenações prévias, tornam estranhíssimo o silêncio sepulcral do chefe do Ministério Público Federal.

    Para começar, Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, realizaram ao menos oito voos em jatinhos vinculados a Vorcaro. Em nota, a sra. Barci de Moraes justificou que o pagamento desses voos foi realizado por meio de “compensação de honorários advocatícios” – ou seja, o casal sabia muito bem a quem pertenciam as aeronaves nas quais embarcou.

    Sabe-se que o escritório de advocacia da família Moraes foi contratado pelo Banco Master por R$ 129 milhões, cifra que supera em muito a cobrança usual pelos mesmos serviços que a mulher do ministro diz ter prestado a Vorcaro. Mas, admitindo-se que o desempenho da advogada seja tão exuberante quanto seus honorários, por que seu marido estava a bordo? Na condição de ministro do STF, Moraes jamais deveria estar nesse voo, especialmente porque se tratava de contrapartida por serviços advocatícios prestados por alguém tão próximo como sua mulher – e a um cliente àquela altura sabidamente envolvido em obscuras transações.

    Ademais, no que concerne à família Moraes, há questões patrimoniais que também exigem esclarecimentos. Nos últimos anos, como revelado por este jornal, Moraes e sua mulher compraram imóveis que somam R$ 23,4 milhões, todos pagos à vista, elevando o patrimônio imobiliário do casal a mais do que o triplo do registrado à época da posse de Moraes no STF, em 2017. Os rendimentos conhecidos do ministro, limitados ao teto constitucional, não explicam essa notável evolução. Pode-se argumentar que a origem dos recursos seria o trabalho da sra. Barci de Moraes, mas sua atuação na advocacia era relativamente modesta até a chegada do marido à mais alta instância judicial do País.

    No caso de Toffoli, também há registro de voos em jatinhos ligados a Vorcaro e a outro empresário. Um dos destinos foi o resort Tayayá, do qual Toffoli já admitiu ter sido sócio. Novamente, a pergunta se impõe: a troco de que um ministro do STF aceita viajar a lazer às expensas de empresários decerto interessados em decisões do STF? Desde quando isso é aceitável numa república digna do nome?

    Nunes Marques, por sua vez, também embarcou em aeronave pertencente ao enrolado banqueiro para ir de Brasília a Maceió em viagem pessoal. O voo, segundo seu gabinete, foi custeado por uma advogada do Banco Master, mulher de um ex-colega do ministro no Tribunal Regional Federal da 1.ª Região que celebrou o aniversário na capital alagoana. Não nos esqueçamos de que o filho do ministro, o recém-formado advogado Kevin Marques, recebeu milhares de reais de uma empresa abastecida por recursos de Vorcaro.

    A presença regular de ministros do STF em voos custeados direta ou indiretamente por Vorcaro pode ser apenas falta de vergonha. Mas pode ser mais do que isso. A sociedade tem o direito de saber, e Gonet, o dever de apurar.

    Nada do que foi exposto, por si só, a priori configura crime. Mas os fatos, tomados em conjunto, exigem investigação. O que está em jogo são o interesse público e a força do Supremo como instituição. É precisamente por isso que Gonet não pode se omitir, sob pena de sua omissão ser interpretada como acobertamento – ainda mais quando contrastada com o ímpeto do procurador-geral para lançar o aparato persecutório do Estado contra cidadãos comuns, como o empresário condenado a 14 anos de cadeia porque doou R$ 500 para o fretamento de um ônibus de manifestantes do 8 de Janeiro, sem demonstração de seu vínculo causal com os atos golpistas.

  6. O FEDOR DO LIXO. OLHA SÓ O QUE O SAMAE DE BLUMENAU – O PROBLEMÁTICO – ESTÁ FAZENDO A PARTIR DESTA QUARTA-FEIRA? AUDIÊNCIAS PARA DISCUTIR O PLANO MUNICIPAL DE GESTÃO INEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS

    Este é o press release que está no site serviços e transparência da prefeitura de Blumenau. Ele ratifica o que denunciou Aurélio Marcos de Souza, tema do artigo desta segunda-feira, como mínimo obrigatório ao Ministério Público de Santa Catarina, e que a prefeitura se enrola até para apenas esclarecer aos questionamentos que fez

    O Samae convida a comunidade de Blumenau a participar de um momento importante para a gestão de resíduos em nossa cidade. A autarquia promove nesta semana duas audiências públicas para divulgar e discutir ações para o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) de Blumenau, que está em construção.

    A primeira audiência ocorrerá na quarta-feira, dia 8, às 19h, no plenário da Câmara de Vereadores. Já no dia seguinte, a segunda audiência será realizada na EBM Wilhelm Theodor Schurmann, no bairro Itoupava Central, no mesmo horário. Não é necessário confirmar presença, basta ir até o local.

    A participação da comunidade é essencial para que a administração municipal conheça melhor a realidade da cidade, ouça os anseios da população e, consequentemente, possa planejar melhorias de forma adequada.

  7. Carlos Nascimento

    Quando sua coluna aponta suposta “competência” da Prefeitura de Gaspar na condução da licitação da decoração de Páscoa, restam apenas duas leituras possíveis: ou há um equívoco de avaliação — o que não condiz com o seu histórico de análise crítica — ou trata-se de ironia.

    Os fatos, contudo, são objetivos. O caso já foi formalmente levado ao Ministério Público, e os elementos disponíveis indicam um cenário incompatível com a regularidade do certame. A execução praticamente imediata do objeto licitado levanta questionamentos relevantes sobre a efetiva competição — ou a ausência dela.

    Caso o requerimento atualmente em tramitação na Câmara de Vereadores (Giovano) seja devidamente respondido, é bastante provável que novos elementos venham à tona, com potencial de projetar novamente o nome de Gaspar em contextos que extrapolam o debate administrativo e alcançam a esfera policial.

    Registre-se, ainda, que situação análoga envolvendo a licitação de Páscoa no município de Blumenau também se encontra sob análise do Ministério Público, o que reforça a necessidade de apuração rigorosa e transparente desses processos.

    1. Opa. Está no Ministério Público? E o que ele fez? Pedirá explicações que a prefeitura nem dá bola, extrapola o prazo, como o caso do lixo e ele – o MPSC – se amolda aos prazos da prefeitura? Aguardemos. Agora, só falta dizer que há conexão de tudo isso com Blumenau para provar que Gaspar se tornou um puxadinho de lá, e com dois investigadores de fama no comando de ambas as prefeituras.

  8. INCAPACIDADE DE SURPREENDER, por Diogo Schelp, no jornal O Estado de S. Paulo

    Em outros tempos, o plano de reeleição de Lula não deveria parecer tão incerto. Seu terceiro mandato desfruta de estabilidade política, sem as tensões produzidas pelo Poder Executivo contra o Judiciário, o Legislativo e os governadores estaduais durante o governo de Jair Bolsonaro, e cumpriu a promessa de manter a ordem democrática no País, apesar das fragilidades que persistem. Os indicadores econômicos não são dos piores – riscos fiscais à parte. O PIB faz o seu tradicional voo de galinha, o índice de inflação em 2025 foi o mais baixo desde 2019 e a taxa de desemprego está na mínima da série histórica (a informalidade, porém, continua alta). Deveria ser o suficiente para obter a continuidade no poder.

    O que se tem verificado, contudo, é uma avaliação negativa do governo Lula que supera a positiva e uma leve tendência de queda nas pesquisas de intenção de voto. Existem explicações de todos os gostos para esse fenômeno. Há, por exemplo, abismos entre renda média e percepção de renda individual que não são captados pelos indicadores oficiais. Além disso, a segurança pública e a corrupção se consolidam como principais preocupações dos brasileiros, mas o governo do PT não conseguiu apresentar legitimidade e apetite para enfrentá-las. Por fim, programas assistencialistas agora são considerados fatos da vida. A parcela da população que precisa deles assume que o governante não faz mais do que a obrigação em mantê-los e ampliá-los.

    Essas e outras razões para a falta de entusiasmo com Lula podem ser resumidas no maior fracasso do seu terceiro mandato: a incapacidade de surpreender. Lula não foi eleito em 2022 com grandes expectativas por parte dos eleitores. Menos da metade achava que ele faria um governo bom ou ótimo, segundo pesquisa Datafolha feita após a sua posse. Seu maior mérito como candidato era ser um anti-Bolsonaro. Não havia ideias nem promessas novas. Os primeiros atos de Lula consistiram no relançamento de programas já existentes ou descontinuados pelo governo anterior.

    Lula se propôs a restaurar uma linha do tempo interrompida pelas gestões de Michel Temer e Bolsonaro – ignorando que, por muitos outros motivos, nem todos relacionados à política, o Brasil mudou. O petista passou os últimos três anos desperdiçando a chance de mostrar que tem uma visão de futuro conectada aos anseios e medos atuais. Sem isso, só lhe restará recorrer, mais uma vez, ao espantalho do bolsonarismo para vencer as eleições.

  9. LULA SE ARRISCA A AGRAVAR O ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz saber que estuda nova tentativa de aliviar o endividamento das famílias brasileiras. Identificado como um motivo de impopularidade do mandatário, em contraste com o bom desempenho do mercado de trabalho, o tema ganha urgência em ano eleitoral.

    Dados do Banco Central apontam que a dívida das famílias atingiu 49,7% da renda anual acumulada em janeiro —patamar próximo do recorde histórico de 49,9% de julho de 2022— e subiu 1,1 ponto percentual em 12 meses.

    Já o comprometimento da renda com o pagamento de juros e amortizações alcançou 29,3%, pico da série iniciada em 2011 e alta de 1,6 ponto no mesmo período.

    Em termos de fluxo de recursos, as famílias pagaram liquidamente aos bancos o equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses encerrados em janeiro, ante não mais que 0,2% um ano antes. Mesmo com a alta desses desembolsos, o estoque do passivo não para de crescer.

    Diante do quadro dramático, noticia-se que a pasta da Fazenda estuda um programa de descontos para famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 4.863 mensais), após a frustração com a iniciativa anterior, batizada de Desenrola.

    Os objetivos seriam renegociar dívidas caras (cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal sem garantia), oferecer abatimentos de até 80% e refinanciar o restante com eventual garantia da União, por meio da criação de um fundo ou do uso de parte dos R$ 10,5 bilhões em valores não procurados no BC. O modelo aventado traz riscos evidentes para as contas públicas, com provável impacto nas regras fiscais.

    A experiência recente recomenda cautela. O Desenrola, promessa de campanha de Lula em 2022, renegociou cerca de R$ 50 bilhões em dívidas. O resultado ficou muito abaixo do esperado e não resolveu o problema.

    Nem poderia, já que a raiz do mal é outra e conhecida —a estratosférica taxa básica de juros, hoje em 14,75%, base de toda a estrutura de preço do crédito no país. O patamar anômalo decorre da política de expansão desenfreada de gastos do governo e de estímulo ao crédito favorecido.

    O expansionismo petista de sempre alimentou a demanda acima da capacidade da oferta da economia, manteve em alta as pressões inflacionárias e obrigou o BC a aprofundar a política monetária contracionista.

    É verdade que há espaço para avanços regulatórios e maior concorrência no sistema financeiro, mas nada disso será suficiente sem redução duradoura do custo do capital no país.

    Lula colhe os frutos de sua própria gestão perdulária e inconsistente, iniciada mesmo antes da posse, com a emenda constitucional que elevou as despesas do Tesouro em R$ 150 bilhões anuais de modo permanente.

    Ações precipitadas agora, na busca de mais expansão de crédito com novos subsídios, podem ter o efeito contrário ao desejado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não é permitido essa ação.