A Justiça não é clamor popular. A exceção, com regras claras, é o Júri Popular. O clamor popular está edificado nos códigos e nas leis feitas por representantes do povo, o Parlamento, sancionadas pelo governo de plantão. A jurisprudência as atualizam nos recorrentes julgados enquanto novos códigos e leis não sejam propostos e editados. A hermenêutica abre espaços de interpretações aos julgadores. Mas, confrontar as leis, sucessivamente, bem como o devido processo legal, não pode ser o exemplo do alto da pirâmide para o próprio sistema de Justiça e para a própria sociedade que vê nas leis, a igualdade de direitos e obrigações entre todos os cidadãos e cidadãs (by Herculano)
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ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDXLV
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51 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CDXLV”
Lembram-se do Lauro Lara,
o Confidencial,
nos bons tempos da Blu?
Pois é. . .o outro Lauro,
o Jardim,
não é nada confidencial. . .
“Na PF, Santa Catarina já é chamada de “o resort do crime organizado”.
“O ‘resort do crime organizado'”
(Por Lauro Jardim, O Globo, 06/04/26)
Na semana passada, a PF prendeu Gilmar da Hora Junior, um líder do Comando Vermelho num apartamento de alto padrão com vista para o mar em Balneário Camboriú (SC), em Santa Catarina.
Também na semana passada, a PF prendeu em Joinville (SC), um traficante internacional foragido da Justiça.
Na Operação Carbono Oculto, que mirava o PCC, investigou-se a venda de dezenas de apartamentos de luxo em Balneário Camboriú.
Na PF, Santa Catarina já é chamada de “o resort do crime organizado”.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/04/o-resort-do-crime-organizado.ghtml?li_source=LI&li_medium=news-multicontent-widget)
“Veja como a vida passa
E a solidão aumenta
E você só pensa em criticar”
. . .
Cyro Aguiar e a Crítica: https://www.youtube.com/watch?v=1SM389y0Ygo
Credo. Então…
“Dança das cadeiras”
– Cerca de 120 parlamentares aproveitaram a janela para trocar de partido, confirmando a tendência direitista do Congresso e dos governos estaduais e consolidando a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro.
(Por Merval Pereira, O Globo, 07/04/26)
O encerramento da janela partidária provocou uma reorganização do sistema político brasileiro, mantendo, porém, a predominância de partidos da direita. Houve crescimento do PL — que está com a maior bancada, próxima dos cem deputados federais —, diminuição significativa do União Brasil e crescimento, em número de parlamentares e em influência nacional, do PSD. Este cresceu no Rio Grande do Sul, no Nordeste e em estados-chave como Minas e São Paulo. Cerca de 120 parlamentares aproveitaram a janela para trocar de partido, confirmando a tendência direitista do Congresso e dos governos estaduais e consolidando a candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro.
O PT manteve-se como o principal partido de esquerda, sem perdas. Mas a esquerda perdeu parlamentares que eram do PDT. O PSB cresceu nesse espectro partidário. Além de confirmar a tendência já registrada de apoio ao candidato do PL, as trocas partidárias reafirmaram a força das siglas mais estruturadas, que têm acesso aos recursos partidários e melhores condições de enfrentar as cláusulas de barreira. O crescimento de partidos como PL e PSD tornou o Centrão menos influente, embora continue sendo um importante eixo do sistema partidário brasileiro.
A atração exercida pelo PL se explica por diversos fatores, como força eleitoral óbvia na próxima campanha presidencial e acesso a recursos dos fundos eleitoral e partidário. O partido busca ser o agregador de forças conservadoras e liberais, papel disputado com o PSD, que não por acaso tem também um candidato à Presidência de direita, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado. É um quadro de hoje, mostrando que Flávio tem uma candidatura sólida. Isso fez com que muita gente quisesse estar no partido vencedor. Mas é sinal também de que Caiado representa parte da direita e de que o PSD pode fechar acordo com Flávio para o segundo turno, se é que ele será mesmo o representante da direita — pode ser que perca força durante a campanha, quando começar a ser atacado.
A candidatura de Caiado trabalha com a possibilidade de vir a substituir Flávio durante a corrida presidencial, caso ele não resista aos ataques que certamente sofrerá, e não apenas do PT. Não foi por acaso que, ao ser anunciado candidato do PSD, Caiado fez seu primeiro pronunciamento afirmando que dará anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a todos os condenados do 8 de Janeiro. Com isso, quis se colocar diante do eleitor de direita e extrema direita como alternativa viável, caso Flávio não confirme sua liderança.
Ao mesmo tempo, embrulhou a promessa numa pretensa “união nacional”, dando ao ato que o afasta do eleitor de centro um caráter menos ideológico. Um retrato do PSD de Gilberto Kassab, que tem uma perna na canoa da direita e outra na da esquerda, mantendo ministérios no governo Lula. A ponto de alguns terem defendido que fosse o vice-presidente na chapa de Lula.
O PL já era o partido mais forte desde Bolsonaro e está se reforçando porque Flávio surpreendeu e está sólido na campanha, embora complique a situação junto aos moderados de direita quando abre a boca. Assim como disputa com o presidente Lula quem é o mais rejeitado, também disputa quem produz mais gafes. Na semana passada, Flávio deixou de jogar parado para defender posições absurdas numa reunião de conservadores e direitistas nos Estados Unidos. Voltou a levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas, afirmando que só perderá a eleição se houver fraude, e ofereceu as terras-raras, objeto de desejo de Donald Trump, em troca do apoio do governo americano à sua candidatura.
À medida que a campanha eleitoral exigir que se posicione, Flávio terá dificuldades para confirmar seu caráter moderado. A escolha do vice será um bom teste. A ex-ministra Tereza Cristina seria indicação de moderação e significaria uma inserção na comunidade do agro que abalaria Caiado. Mas o ex-governador de Minas Romeu Zema tem mais consistência política, embora tenha postura mais radicalizada.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/merval-pereira/coluna/2026/04/danca-das-cadeiras.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
O piNçador Matutildo, piNçou:
“Na semana passada, Flávio deixou de jogar parado para defender posições absurdas numa reunião de conservadores e direitistas nos Estados Unidos. Voltou a levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas, afirmando que só perderá a eleição se houver fraude (*), e ofereceu as terras-raras (**), objeto de desejo de Donald Trump, em troca do apoio do governo americano à sua candidatura.”
E o Bedelhildo. . .
(*) Estilo “papai mandou”!
(**) Estilo “rachadjinhas”!
“IAs têm emoções”
– Só não sabemos se também as sentem. Se as sentirem, teremos de repensar toda a relação.
(Por Pedro Doria, O Globo, 07/04/26)
. . .
“Um estudo da Anthropic sugere que Inteligências Artificiais (IAs) têm emoções, embora não se saiba se as sentem. O experimento testou 171 emoções, criando um dilema ético sobre a relação humano-IA. As IAs, treinadas em vastos textos, simulam emoções, influenciando suas reações. A descoberta reforça o potencial criativo das IAs, mas levanta questões sobre o alinhamento ético e emocional.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/opiniao/pedro-doria/coluna/2026/04/ias-tem-emocoes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“PL Antissemitismo propõe definição do termo no Brasil e divide o Congresso e especialistas”
– Proposta da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) virou alvo de ataques nas redes, perdeu apoio na centro-esquerda e passou a ser defendida por parlamentares da direita.
(Por Filipe Vidon e Rafael Garcia — São Paulo, O Globo, 07/04/26)
. . .
“O projeto de lei da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) para definir antissemitismo no Brasil gerou controvérsia, dividindo o Congresso e especialistas. Inicialmente apoiado por diversos partidos, o PL perdeu adesão da centro-esquerda e ganhou apoio da direita. A proposta busca orientar políticas públicas de memória e educação, mas enfrenta críticas por potencial limitação à liberdade de expressão e pela politização do tema.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/04/07/pl-antissemitismo-propoe-definicao-do-termo-no-brasil-e-divide-o-congresso-e-especialistas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Saiba quais governadores e prefeitos de capitais renunciaram aos cargos para disputar eleições; veja lista”
– Dentre os nomes estão Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, e Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, que são pré-candidatos à Presidência.
(Por Yago Godoy — Rio de Janeiro, O Globo, 07/04/26)
. . .
“Dez governadores e onze prefeitos de capitais renunciaram aos seus cargos para disputar as próximas eleições no Brasil. Entre eles, Ronaldo Caiado (PSD) de Goiás e Romeu Zema (Novo) de Minas Gerais, que são pré-candidatos à Presidência. A desincompatibilização ocorreu no fim da janela partidária. Outros nomes de destaque incluem Ibaneis Rocha (MDB) do Distrito Federal, e Cláudio Castro (PL) do Rio de Janeiro.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/07/saiba-quais-governadores-e-prefeitos-de-capitais-renunciaram-aos-cargos-para-disputar-eleicoes-veja-lista.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Desenho de candidaturas à Presidência indica primeira disputa sem mulheres desde 2002”
– Especialistas ouvidas pelo GLOBO apontam que o cenário de ausência de postulações femininas reflete estruturas partidárias que dificultam o aumento da representatividade em cargos do Executivo.
(Por Rafaela Gama — Rio de Janeiro, O Globo, 07/04/26)
. . .
“A eleição presidencial no Brasil em 2023 pode ser a primeira desde 2002 sem candidatas mulheres, refletindo estruturas partidárias que dificultam a representatividade feminina no Executivo. Especialistas apontam que, apesar de avanços em cotas de gênero, as candidaturas femininas ainda enfrentam desafios estruturais significativos, enquanto o Judiciário tenta mitigar fraudes nas cotas.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/07/desenho-de-candidaturas-a-presidencia-indica-primeira-disputa-sem-mulheres-desde-2002.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Ministério da Previdência e prefeitos se mobilizam para tentar segurar PEC que pode elevar gastos em quase R$ 30 bi”
– Proposta em discussão no Congresso cria aposentadoria especial para os agentes da saúde.
(Por Geralda Doca — Brasília, O Globo, 07/04/26)
. . .
“O governo federal e prefeitos se mobilizam contra uma PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde, com potencial de elevar gastos previdenciários em R$ 29,31 bilhões em dez anos. A proposta enfrenta resistência no Congresso devido ao impacto financeiro e risco de outras categorias buscarem benefícios semelhantes. Em ano eleitoral, o lobby dos profissionais de saúde intensifica a disputa pela aprovação.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/07/ministerio-da-previdencia-e-prefeitos-se-mobilizam-para-tentar-segurar-pec-que-pode-elevar-gastos-em-quase-r-30-bi.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“Temos uma nova Family que gosta de pagar à vista por seus imóveis: a Family do Xandão. O Estadão fez um levantamento nos cartórios brasileiros que mostra que a family do nosso supremo xerife desembolsou R$ 23,4 milhões na compra de imóveis, tudo à vista, desde que Michel Temer o indicou ao cargo supremo. Tudo comprado pela empresa patrimonial Lex Instituto de Estudos Jurídicos, em que a principal sócia é a Vivi Barci, sua esposa.”
“Xandão à vista”
“éNoiteNaCidade”, 6 abr 2026, TixaNews, ABR 7″
(https://www.tixanews.com.br/newsletter/)
Sei que você pode se perguntar que, como só a Vivi e os filhos são sócios do Lex, Xandão não tem nada a ver com isso. É que ele tem um regime de casamento que faz com que todo o patrimônio adquirido após a união pertença aos dois. Então tudo o que é de Vivi é de Xandão e tudo o que é de Xandão é de Vivi.
Obviamente, com um salário de ministro supremo, Xandão não teria como pagar tanto dinheiro por tantos imóveis. Mas a Vivi como advogada pode isso e muito mais. Se você pensar que só o contrato com o Banco Master era de R$ 3,6 milhões por mês… O escritório é tão rico que até contratou jatinhos de serviços de táxi aéreo para voar pelo Brasil. Por coincidência, os jatinhos pertenciam à Prime Aviation, que tem como acionista o nosso querido Daniel Vorcaro. Sim, aquele do Banco Master.
Por falar na Prime Aviation, não foi só Xandão que andou usando os serviços da empresa de Vorcaro. O Toffoli também já foi para o Tayayá de jatinho e a novidade do fim de semana é que o supremo Nunes Marques também viajou na Prime. E sabe o que Nunes Marques informou ao Estadão (que foi o jornal que fez a revelação deste voo)? Que sim, ele viajou, a convite de uma advogada do Master. É uma bela história, como diria a figurinha do Alckmin.
Mas voltemos aos imóveis do Xandão. Antes de virar ministro supremo, a family dele tinha 12 imóveis que foram adquiridos pelo valor de R$ 8,6 milhões. Agora são ao todo 17 imóveis. Ou seja, os mais de 20 milhões foram investidos na compra de 5 imóveis.
Master sigilo
E o Banco Central classificou os documentos da decretação da liquidação do Banco Master como sigilosos e, assim, só poderemos saber o conteúdo daqui a oito anos. Socorro, BRASEW. A CNN fez um pedido via lei de acesso à informação aos documentos e foi informada desse sigilinho master básico.
Tixa lança a conta Master
Parem as máquinas que tem lançamento na Tixa.
O Master que a gente lança não vai quebrar, não vai sumir com seu dinheiro e não vai te deixar sem explicação numa sexta à noite (a não ser que seja feriado).
É a Assinatura Master da Tixa.
Você paga. O conteúdo segue de graça para todo mundo. Ninguém some.
A proposta é absurda de boa: não tem exclusivo, não tem brinde, não tem clube VIP. E não tem jatinho. Tem só o prazer de sustentar o jornalismo que você lê toda semana sem precisar de nada em troca.
É só ir no link: https://www.tixanews.com.br/newsletter/
Tixa no Modo Eleição
A corrida começou mesmo, BRASEW. Ao todo, 11 governadores deixaram seus cargos para se candidatar em outro cargo nas próximas eleições. E não, Tarcísio não renunciou e segue governador de São Paulo. Além disso, mais de 120 deputados usaram a janela partidária para trocar de partido. Quem ficou no mesmo lugar foi o Eduardo Cunha, que cogitava deixar o Republicanos, mas decidiu seguir ali mesmo junto com o Cleitinho, com quem ele se treta. O Cleitinho é presidente do partido em Minas Gerais, candidato a governador e atualmente senador. Cleitinho foi um dos focos daquela onda que depois virou uma fake total sobre o Pix, lembra?
E a vida é assim: Eduardo Cunha, que já voltou à Câmara através da sua filha, a deputada Daniela Cunha, agora tenta ele mesmo voltar, em carne, osso e otrascositasmas.
Corrida maluca
O Lula lançou hoje um pacote para tentar conter a alta do preço dos combustíveis. Vai gastar uns bons bilhões para segurar essa bucha. A justificativa é real: a guerra do Irã fez os preços do petróleo subirem. Mas a intenção é totalmente eleitoral: não dá para ver preço de gasolina explodir em ano de eleição, né?
Em Sampa…
O Márcio França, do PSB, segue querendo ser pelo menos candidato a senador, rivalizando assim com Marina, da Rede, que se botou à disposição para ser candidata da esquerda junto com Simone Tebet.
Mas já saiu também a possibilidade de Simone Tebet ser candidata à vice de Haddad porque ela pode atrair o Centro. Não era mais fácil o PT apoiá-la para candidata a governadora mesmo, já que o Haddad nem queria esse rolê?
Não seria o único estado em que o PT abriria mão de ter candidato. Aliás, virou o novo normal. Para ter palanques para Lula nos estados, o partido está abrindo mão da cabeça de chapa e a expectativa é de que tenha candidatos a governador filiados ao partido apenas em nove estados.
E o Flavitcho Bolsonaro?
Flavitcho tem um problemão: seu irmão. Ele anda dizendo publicamente que a direita precisa se unir e coisa e tal, mas quem está descontrolado é o Dudu Bolsonaro, que segue, por exemplo, criando treta com o Nikolas. Sim, o deputado mais votado de Minas. Flavitcho confessou em podcast que tem que ficar ligando para o irmão com frequência, mas garantiu que Dudu é um cara muito preparado. Eu diria que ele é muito preparado para fazer besteira. Será que os eleitores vão lembrar que ele foi fazer lobby nos Estados Unidos para Trump botar tarifa no Brasil?
E Flavitcho também está com o Caiado dando um certo trabalho, já que o governador de Goiás é de direita, bolsonarista e bem ligado ao movimento evangélico. Flavitcho até se ajoelhou no palco da Assembleia de Deus neste finde.
E, para tentar conquistar o Tarcísio, Flavitcho está com essa de que vai apoiar uma proposta de emenda à Constituição para acabar com a reeleição e assim Tarcísio teria chances em 2030. Ahã, claro, claro.
O Caiado que lute
O Kassab lançou o Caiado para presidente, pelo PSD, mas o PSD, pelo visto, não quis saber muito do Caiado. Apenas dois governadores do partido divulgaram apoio ao Ronaldo — governador de Goiás. Caiado, fingindo que não tá nem aí que os outros cinco governadores ficaram caladinhos, disse que os principais o apoiaram: Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Só eu achei que o Leite não deu esse apoio todo?
Trumpices
A declaração do dia foi essa:
— Todo o país (Irã) poderia ser eliminado em uma noite, e essa noite pode muito bem ser amanhã (terça-feira).
Podemos terminar assim, BRASEW? Acorda, que o Trump precisa dormir.
(TRPCE)
“Resumão, O Globo” (I)
(Por Gabriel Cariello, 06/04/26)
IMPACTOS DA GUERRA
O governo Lula anunciou medidas para frear a alta dos combustíveis (*) em meio à crise internacional do petróleo. O pacote amplia o subsídio ao diesel, alcançando agora produtores brasileiros; isenta impostos federais sobre o biodiesel e o querosene de aviação; prevê uma subvenção para a importação do gás de cozinha; e cria mecanismos de socorro a empresas do setor aéreo. Também está previsto o aumento da punição para comerciantes em casos de abuso de preços. Veja as medidas (**).
(TRPCE)
(*) +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/06/governo-medidas-combustiveis.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/06/novo-pacote-do-governo-contra-alta-dos-combustiveis-tem-isencao-de-imposto-subvencao-extra-de-diesel-e-linhas-de-credito-veja-medidas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (II)
(Por Gabriel Cariello, 06/04/26)
ALTERNATIVA PARA O RIO
Ganhou força no Supremo Tribunal Federal a possibilidade de os ministros estenderem a permanência do desembargador Ricardo Couto como governador interino do Rio até a eleição de outubro e anteciparem a posse do governador eleito por voto direto, informa Lauro Jardim . A alternativa é vista como solução para evitar que o grupo político que vença eventual eleição indireta na Alerj domine a máquina do Estado e influencie o pleito do segundo semestre.
(TRPCE)
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/04/para-onde-caminha-o-stf-em-relacao-as-eleicoes-no-rio-de-janeiro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (III)
(Por Gabriel Cariello, 06/04/26)
ENTRE MÍSSEIS E AMEAÇAS
O Irã rejeitou um plano de paz apresentado pelo Paquistão (1) por prever apenas um cessar-fogo temporário, e não o fim definitivo das hostilidades e garantias de que não será novamente atacado. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a proposta é um “passo muito significativo”, mas insuficiente. Depois, ameaçou “eliminar” o Irã por inteiro (2) até a noite de terça-feira.
► Os EUA mobilizaram 155 aeronaves (3) militares na operação de resgate do piloto cujo caça foi abatido pelo Irã na semana passada.
► O Irã afirmou ter atingido o porta-aviões USS Tripoli e um navio de assalto anfíbio dos EUA, que foram forçados a recuar (4) para o Oceano Índico.
(TRPCE)
(1) +em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/04/06/trump-enaltece-plano-de-paz-com-o-ira-como-passo-significativo-apos-teera-rejeitar.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(2) +em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/04/06/ira-pode-ser-derrubado-em-uma-noite-e-essa-noite-pode-ser-amanha-diz-trump.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(3) +em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/04/06/trump-diz-que-eua-usaram-155-aeronaves-para-resgatar-pilotos-no-ira.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(4) +em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/04/06/ira-afirma-ter-atingido-navio-de-guerra-dos-eua-e-forcado-retirada-para-oceano-indico-conheca-embarcacao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (IV)
(Por Gabriel Cariello, 06/04/26)
ALÉM DO HORIZONTE
A missão Artemis II alcançou a maior distância já atingida por humanos (*), superando o recorde da Apollo 13, em 1970. Os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion entraram na esfera gravitacional lunar e devem chegar a 407 mil quilômetros da Terra. O ponto máximo da trajetória ocorrerá durante o sobrevoo do lado oculto da Lua, quando a missão ficará em completa escuridão e sem comunicação com o planeta (**).
(TRPCE)
(*) +em: https://oglobo.globo.com/mundo/clima-e-ciencia/noticia/2026/04/06/artemis-ii-missao-quebra-recorde-historico-de-distancia-da-terra-ate-entao-do-apollo-13.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
(**) +em: https://oglobo.globo.com/mundo/clima-e-ciencia/noticia/2026/04/06/artemis-ii-astronautas-vao-ficar-incomunicaveis-e-missao-tera-40-minutos-de-silencio-absoluto-saiba-quando.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Resumão, O Globo” (V)
(Por Gabriel Cariello, 06/04/26)
TROCA DE CARGOS
Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, foi indicado pelo governo para presidir o Conselho de Administração da Petrobras . Ele substituirá Bruno Moretti, que deixou o cargo para ser ministro do Planejamento. Mello era o nome do ex-ministro Fernando Haddad para assumir uma vaga na diretoria do Banco Central, movimento que gerou reações no mercado. A ida para a Petrobras distancia o economista do BC.
(TRPCE)
+em: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/04/06/governo-indica-guilherme-mello-para-presidencia-de-conselho-de-administracao-da-petrobras.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
“Deixem a IA ajudar o eleitor”
– Visão retrógrada sobre inteligência artificial despreza a capacidade de os brasileiros fazerem suas próprias escolhas.
(Duda Teixeira, Crusoé, 06/04/26)
A resolução (*) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), publicada em 2 de março deste ano, embute uma visão pessimista sobre a inteligência artificial, o que vai prejudicar os eleitores este ano na hora de escolher seus candidatos.
A normativa diz que é vedado aos provedores de aplicação que ofertem sistemas de inteligência artificial “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatas(os), campanhas, partidos políticos, federações ou coligações”.
O texto também veda “emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou realizar qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas”.
É uma pena.
Os sistemas de inteligência artificial são capazes de analisar uma quantidade de informação muito superior à que o ser humano está acostumado.
Sem essa proibição do TSE, os brasileiros poderiam perguntar para os programas de IA quais seriam os melhores candidatos, com base nos seus perfis e nas suas publicações nas redes sociais.
Também poderia solicitar para a IA comparar várias propostas e levantar o histórico dos postulantes.
As respostas nem sempre seriam as esperadas, podendo gerar dúvidas e novas perguntas por parte do eleitor.
E nada do que a IA apresentasse como resposta poderia ser considerado como uma manipulação eleitoral, uma vez que o eleitor continuaria tendo total liberdade, até mesmo para fazer a mesma pergunta para outras plataformas de IA.
É assim que acontece hoje, com as pessoas recorrendo a várias ferramentas e comparando seus resultados.
O voto, ao final, ganharia em qualidade, porque o eleitor teria a chance de testar suas ideias em várias conversas de chat.
Entender que a IA determina o voto dos usuários é menosprezar a inteligência do eleitor.
Claro, o algoritmo precisa ser isento e não pode ter viés político, pois isso poderia fazer uma eleição pender para um lado ou para o outro.
Mas uma IA com algoritmo bolsonarista seria denunciada e deixada de lado pelos lulistas, e vice-versa, o que prejudicaria financeiramente a empresa.
A credibilidade e a neutralidade são os maiores trunfos dos algoritmos, em uma dinâmica parecida com a dos veículos de comunicação.
Toda tecnologia assusta e embute riscos.
Mas nossas autoridades tomariam decisões mais acertadas se também considerassem os benefícios dessas novas tecnologias.
(Fonte: https://crusoe.com.br/diario/deixem-a-ia-ajudar-o-eleitor/)
(*) “RESOLUÇÃO Nº 23.755, DE 2 DE MARÇO DE 2026”
– Altera a Resolução nº 23.610/TSE, de 18 de dezembro de 2019, que dispõe sobre propaganda eleitoral.
+em: https://www.tse.jus.br/legislacao/compilada/res/2026/resolucao-no-23-755-de-2-de-marco-de-2026?utm_source=chatgpt.com
“Só fazendo milagre”
O então presidente do Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo, Joseph Couri, lembrou o exemplo de Jesus Cristo, que mandou pegar um peixe e retirar de sua boca uma moeda de ouro, para pagar os tributos ao coletor de impostos de Jerusalém:
– “Se, naquela época, com a carga tributária e a burocracia infinitamente menores, Jesus Cristo teve de fazer milagre para pagar impostos, imagina os pobres mortais de hoje em dia, com a carga a quase 40% do PIB!”.
(Poder sem pudor, Coluna CH, DP, 06/04/26)
“A classe média está mal representada no STF”
– Fomos informados hoje de que Moraes e a sua mulher triplicaram o patrimônio imobiliário desde que ele assumiu uma vaga no STF.
(Mario Sabino, Metrópoles, 06/04/26)
A classe média está mal representada proporcionalmente no STF. Dos atuais dez integrantes do tribunal, apenas dois parecem viver nos limites do seu atual salário, de acordo com o noticiário: Cármen Lúcia e Edson Fachin.
Os outros ministros são ricos ou flertam com a riqueza, e boa parte deles passou a sê-lo ou a fazê-lo depois de assumir uma cadeira no Supremo. Viram, uma vez empossados, aflorar um talento insuspeito para o empreendedorismo neles próprios ou nos seus familiares mais próximos.
Veja-se o caso de Alexandre de Moraes (*). Fomos informados hoje de que o ministro e a sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com quem é casado em regime de comunhão parcial de bens, triplicaram o patrimônio imobiliário desde que ele se tornou integrante do STF.
De acordo com os jornalistas Gustavo Cortês, Hugo Henud, Weslley Galzo e Aguirre Talento (**), o casal teve um “aumento de 266% do patrimônio imobiliário desde que Moraes passou a integrar a mais alta instância do Poder Judiciário, em março de 2017. Atualmente, o casal possui 17 imóveis, avaliados em R$ 31,5 milhões. Nos últimos cinco anos, ambos desembolsaram R$ 23,4 milhões na compra de imóveis em Brasília e em São Paulo, todos eles à vista, conforme os registros em cartório”.
Uma das últimas aquisições de Moraes e Viviane foi uma casa de R$ 12 milhões, na capital federal, em agosto do ano passado, segundo apurou o meu colega de Metrópoles, Igor Gadelha.
O grosso das aquisições ocorreu, portanto, depois da abertura do inquérito das fake news, em 2019, quando o ministro aumentou exponencialmente o seu poder individual na “defesa da democracia”.
Pode-se dizer que o cálculo do valor total dos 17 imóveis é conservador, ao se levar em conta que, em valores de mercado, o apartamento em que o casal mora em São Paulo não sai por menos de 15 milhões, em estimativa igualmente parcimoniosa.
O talento advocatício de Viviane Barci de Moraes é o motor de tanto sucesso. Como publicam os jornalistas, “desde que o marido se tornou ministro, o número de ações de Viviane em tribunais superiores saltou de 27 para 152. O número considera processos com tramitação no STF e no STJ”.
Não nos esqueçamos, ainda, do inesquecível — de que o escritório da doutora Viviane realizou a façanha de assinar um contrato com o Banco Master, de Daniel Vorcaro (***), no valor de R$ 129 milhões. Só não levou essa bufunfa toda porque o banco foi liquidado antes de o contrato chegar ao seu termo. Mesmo assim, o escritório conseguiu embolsar, ao menos, R$ 75,6 milhões.
Não há dúvida de que Moraes elevou bastante a média de riqueza dos ministros do STF. Não resta dúvida nenhuma.
(Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/a-classe-media-esta-mal-representada-no-stf)
(*) “Moraes nega Vorcaro três vezes antes de o galo cantar”
– Moraes negou que tenha voado em aviões de Daniel Vorcaro. É a terceira negação antes de o galo cantar. O Brasil é todo ouvidos para o galo.
+em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/moraes-nega-vorcaro-tres-vezes-antes-de-o-galo-cantar
(**) “Família de Moraes comprou R$ 23,4 milhões em imóveis nos últimos cinco anos e triplicou patrimônio”
– Levantamento feito pelo ‘Estadão’ com base em escrituras e matrículas registradas em cartório indica que ministro e a mulher são donos de R$ 31,5 milhões em imóveis; procurados, eles não se manifestaram.
+em: https://www.estadao.com.br/politica/familia-de-moraes-comprou-r-234-milhoes-em-imoveis-nos-ultimos-cinco-anos-e-triplicou-patrimonio/
(***) “Uma estrutura autoritária permitiu a Vorcaro infiltrar-se no Estado”
– A estrutura autoritária que beneficiou Vorcaro perpetrou, recentemente, o seu plano de “renascimento democrático”.
+em: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/uma-estrutura-autoritaria-permitiu-a-vorcaro-infiltrar-se-no-estado
Variando o trava línguas antigão:
“Paca, tatu e cotia, não”,
é a janjapacaassada no fogão!
“Janja posa de ‘tradwife’: recatada e do lar?”
– Para ressignificar o papel de primeira-dama, ela agora cozinha paca para o “maridão”, que não encosta em uma panela.
(Duda Teixeira, Crusoé, 06/04/26)
Logo após a vitória eleitoral de Lula, em 2022, Janja (foto) prometeu em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, que iria ressignificar o papel de primeira-dama.
No domingo, 5, ela publicou no Instagram um vídeo em que prepara carne de paca para o marido.
No vídeo, Lula chega de boné para trás e sem camisa em uma cozinha aberta.
“O que você está cozinhando?”, ele pergunta, sem encostar em nada.
“Eu estou cozinhando paca hoje para você”, responde Janja.
“O que você vai colocar nessa paca ao molho?” pergunta o presidente. Ela então discorre sobre o preparo da comida.
Sem fazer qualquer menção de ajudar, Lula avisa que só vai voltar na hora de comer a paca.
“Quando tiver pronto, que eu vou começar a comer, eu vou voltar a filmar para dizer para você hummmmm”, afirma o presidente.
Na publicação no Instagram, Janja comemorou que “o maridão gostou”.
Em novembro do ano passado, durante a COP30 em Belém, Janja gravou um vídeo dentro de um iate, em que passava a camisa (*) — já passada — do presidente Lula.
Eleição
As cenas mostram no que virou o feminismo de Janja com a aproximação das eleições presidenciais deste ano.
Para não incomodar ainda mais os brasileiros, Janja deu um passo atrás e reduziu suas intromissões na política.
Sua pauta também foi encolhida. Hoje, basicamente, ela só fala contra o feminicídio.
Em cenas privadas, produzidas para distribuir nas redes sociais, ela só aparece como uma serviçal, um apêndice do marido.
É o estilo de Marcela Temer que, quando seu marido Michel Temer era presidente, foi definida como “recatada e do lar” em uma reportagem.
A expressão pegou e Marcela virou alvo de deboche das feministas.
Tradwife
Janja hoje é a personificação de um fenômeno que cresceu nas redes há dois anos, o das ‘tradwives’, um neologismo em inglês para definir a esposa tradicional.
São mulheres conservadoras que publicam conteúdos nas redes sociais fazendo tarefas domésticas, como arrumar a cama ou trocar a fralda das crianças.
Feministas costumam criticar esses perfis, dizendo que a dependência financeira do marido não é desejável e só propaga valores machistas.
Cada mulher tem a liberdade de escolher como quer viver.
A prioridade do casal presidencial, contudo, é conseguir a reeleição de Lula.
E posar de esposa tradicional parece contentar mais os eleitores brasileiros do que se colocar como uma mulher independente e protagonista.
(Fonte: https://crusoe.com.br/diario/janja-posa-de-tradwife-recatada-e-do-lar/)
(*) “Janja passa roupa de Lula em iate na COP30”
– Quando passa a camisa do marido, Janja tenta mostrar simplicidade, mas acaba queimando a mão no machismo antiquado do presidente.
+em: https://crusoe.com.br/diario/janja-passa-roupa-de-lula-em-iate-na-cop30/
Disparidade de armas. . .
“Incentivo em ano eleitoral”
(Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 06/04/26)
A atividade econômica brasileira deverá receber em 2026 estímulos que somarão R$ 742 bilhões (*). O aporte representa um crescimento de 139% na comparação com 2025.
↳ A estimativa foi feita pela gestora ARX Investimentos.
O cálculo leva em conta apenas os gastos não obrigatórios, que incluem o consumo das famílias e os investimentos.
O que turbina?
O valor é puxado, entre outros fatores, pela concessão de mais crédito pelo BNDES, expansão do consignado privado, uso de fundos públicos e privados para impulsionar gastos e créditos, além da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para aqueles que ganham até R$ 5.000.
Sim, mas…
Os incentivos podem não gerar o efeito desejado na economia. Isso porque a taxa básica de juros segue elevada, hoje em 14,75% ao ano (***).
“O Brasil vive um momento de sobreaquecimento da economia. É muita energia no motor, mas ela não se reflete em tração na roda, porque os empresários não conseguem investir e as famílias estão endividadas pelos juros altos”, analisa o economista André Perfeito
Lembre-se:
juros altos ajudam a desestimular o consumo e controlar a inflação, porém desincentivam investimentos.
Ainda, o mercado financeiro teme que a polarização política em ano de eleição amplie o arsenal de medidas para estimular a economia.
“O governo tem buscado caminhos para transferir mais renda às famílias e manter a economia aquecida. Isso pesa o cenário para 2027. Tem muito benefício concedido e é difícil, do ponto de vista político, retirar isso depois” diz Gabriel Barros, economista-chefe da ARX.
Dentre as principais preocupações estão possíveis incentivos aos caminhoneiros por causa da alta do diesel ou eventuais ações para limitar os juros do cartão de crédito (****), medida defendida por Lula.
História repetida.
O movimento de ampliar estímulos no ano eleitoral é uma constante em anos eleitorais. Foi assim nos governos Dilma e Bolsonaro.
“Os principais custos que se tem em períodos eleitorais é que o governo costuma usar o fiscal para impedir que potenciais perdas de bem-estar cheguem aos trabalhadores”, diz Alexandre Manoel, ex-secretário nos ministérios da Fazenda e da Economia (2018-2020) e sócio na Global Intelligence and Analytics.
(TRPCE)
(*) “Estímulos à economia devem ultrapassar R$ 700 bi em 2026, ano eleitoral”
– Valor, puxado por BNDES e consignado privado, é mais que o dobro que o de 2025, estima ARX Investimentos.
– OUTRO LADO: Ministério da Fazenda diz que impulso fiscal está em conformidade com ciclo econômico e política monetária.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/estimulos-a-economia-devem-ultrapassar-r-700-bi-em-2026-ano-eleitoral.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(**) “Declaração do Imposto de Renda 2026 ainda não terá isenção para quem ganha até R$ 5.000; entenda”
– Declaração entregue neste ano considera rendimentos de 2025, antes da mudança aprovada pelo governo.
– Contribuintes também devem ter cuidado com diferença entre isenção do imposto e obrigação de declarar.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/imposto-de-renda-2026-ainda-nao-tera-isencao-para-quem-ganha-ate-r-5000-entenda.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(***) “BC reduz Selic em 0,25 ponto, a 14,75% ao ano, no primeiro corte de juros da gestão Galípolo”
– Copom confirma plano mesmo com guerra no Irã, mas evita sinalizar seus próximos passos.
– Última queda da taxa básica de juros tinha sido registrada em maio de 2024, sob Campos Neto.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/bc-reduz-selic-em-025-ponto-a-1475-ao-ano-no-primeiro-corte-de-juros-da-gestao-galipolo.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
(****) “Lula quer mudanças no crédito rotativo diante da alta do endividamento da população”
– Com popularidade em queda, governo defende mudanças nas regras para ter novos limites no cartão.
– Medidas para reduzir os juros do novo consignado privado também estão em estudo.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/lula-quer-mudancas-no-credito-rotativo-diante-da-alta-do-endividamento-da-populacao.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26
Oi, na edição de hoje trato da hipótese cada dia mais provável de que os efeitos da guerra no Irã vão se prolongar, podendo mudar o cenário da eleição de outubro. Mesmo que o conflito se encerre em breve, o nó logístico é comparável ao da guerra da Ucrânia. Com os preços do petróleo disparando, o que fará o governo Lula? Vai repetir o pacote eleitoreiro de Bolsonaro em 2022? Vai usar a impopularidade de Trump no Brasil para atingir Flávio Bolsonaro?
Além dos efeitos da guerra, escrevo sobre por que Flávio Bolsonaro não fala mal do ministro do STF Dias Toffoli, da capacidade de Eduardo Bolsonaro em gerar problemas e da difícil relação do presidente Lula com os donos do capital.
Boa leitura,
TT
Nesta edição (abaixo replicados):
1. Uma eleição em tempos de guerra
2. Lula e o capital
3. A criptonita Trump
4. O primeiro irmão
5. A dívida com Toffoli
6. O Congresso aposta em Bolsonaro
7. A cristianização, 76 anos depois
8. Siga os jatinhos
9. Fique atento
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26 (1)
Uma eleição em tempos de guerra
Com a guerra no Irã entrando na sexta semana, Donald Trump anunciando um novo deadline (1) para a reabertura do Estreito de Ormuz para amanhã (7) e o petróleo no maior ciclo de alta do século, a realidade impõe um novo cenário. Mesmo na hipótese de que a guerra se encerre em breve, o nó na cadeia logística de exportação de petróleo, gás e fertilizantes demorará meses para ser desatado. Se o conflito se prolongar, o barril do petróleo a preços 70%, 100% ou 150% mais caro do que em fevereiro será o novo normal. É um novo mundo. É uma nova eleição.
Publicamente, o governo Lula trata a guerra no Irã como um tema de curto prazo. O acordo do Ministério da Fazenda com os governos estaduais para a redução dos impostos sobre a importação de diesel vai até 31 de maio, um cenário otimista para o fim da volatilidade nos preços do óleo. É o mesmo prazo de duração para a oferta do subsídio federal para as distribuidoras, aceita pela Petrobras e recusada pelas maiores empresas privadas.
Vibra (rede de postos BR), Ipiranga e Raízen (rede Shell) descartaram o subsídio (2) porque ele implica aceitar um preço máximo para o diesel vendido nas bombas. As empresas argumentam que, com a guerra em andamento, é um risco concordar com o preço tabelado de um produto que ninguém sabe quanto vai custar na semana que vem.
Ao mesmo tempo, o governo tenta evitar que os parlamentares ligados às transportadoras mudem a medida provisória (3) que reforça a fiscalização da tabela do frete dos caminhoneiros e negocia com as empresas distribuidoras de GLP uma fórmula para manter os preços do botijão (4).
São várias as pontas soltas que o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, terá de negociar, mas todas têm o mesmo eixo, o controle de danos. O governo Lula busca ao mesmo tempo evitar que o diesel passe dos R$ 8 nos postos, que as empresas abandonem o programa vale-gás e que a ameaça de greve dos caminhoneiros volte, mas são ações para uma crise temporária. E se não for?
Se os preços do petróleo seguirem na Lua nos próximos meses, são de 99% as possibilidades de o governo Lula tomar medidas extraordinárias. Como ouvi de dois ministros, o presidente Lula “não vai deixar que o consumidor brasileiro pague o preço da guerra do Trump”. Ambos os ministros lembraram que, quatro anos atrás, em situação semelhante em função da guerra na Ucrânia, o então presidente Jair Bolsonaro conseguiu que o Congresso aprovasse a PEC do Estado de Emergência, uma farra eleitoreira que reajustou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, cortou o ICMS sobre os combustíveis e distribuiu dinheiro para taxistas e caminhoneiros.
Nada indica, por enquanto, que o governo Lula pretenda repetir Bolsonaro. É ingenuidade, no entanto, achar que o governo vai cruzar os braços se os preços de gasolina e do diesel dispararem. Mesmo um Congresso francamente oposicionista não irá peitar medidas extraordinárias para tempos extraordinários.
Fazer uma campanha sob as consequências da guerra obrigará tanto Luiz Inácio Lula da Silva quanto Flávio Bolsonaro a mudarem de tática. Discussões sobre democracia, corrupção e segurança pública perdem espaço para a escolha de quem o eleitor prefere dirigindo o país durante uma crise.
É previsível que Lula tente, novamente, encampar em si o símbolo da resistência nacional, assim como fez com sucesso no tarifaço. Ao mesmo tempo, o PT vai vincular os Bolsonaros a Donald Trump. Para a oposição, é mais simples: tudo de ruim será sempre culpa do governo. Ignorar a impopularidade de Trump, contudo, será um erro fatal.
As únicas autoridades de Brasília com cenários de efeitos prolongados da guerra estão no Banco Central. O início do ciclo de corte de juros foi de apenas 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75%. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária, a mensagem do Banco Central foi “vamos esperar para depois decidir”. Quatro semanas atrás, a média do mercado financeiro projetava que os juros cairiam para 12%. Agora, a previsão está em 12,5%. Bancos importantes já trabalham com uma queda mínima para 13,5% e até 14%. Em um mês de guerra, a previsão de inflação deste ano foi de 3,9% para 4,3%.
Na semana passada, diretores do BC distribuíram entre si uma pessimista entrevista à revista britânica “The Economist” da presidente do Banco Central Europeu, Cristine Lagarde. “Estamos enfrentando um choque real… provavelmente além do que podemos imaginar no momento. Os especialistas técnicos do banco acreditam que a infraestrutura de energia do Golfo já foi danificada demais e essa interrupção pode durar anos”. O perigo, Lagarde argumentou, é que as consequências da guerra no Irã para o mundo só surjam gradualmente, levando a uma “avaliação tardia da gravidade da crise”.
(1) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/04/04/trump-da-ao-ira-48-horas-para-chegar-a-acordo-sobre-ormuz-ou-eua-desencadearao-o-inferno-ultimato-ja-foi-adiado-duas-vezes-pelo-presidente.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(2) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/02/diesel-possivel-nao-adesao-de-distribuidoras-a-subvencao-preocupa-e-governo-esta-fiscalizando-diz-ceron.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(3) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/03/governo-enfrenta-resistencias-em-varias-frentes-a-pacote-para-conter-precos-de-gas-diesel-e-frete.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(4) https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/03/31/sindigas-cobra-revisao-de-precos-em-oficio-ao-mme-e-alerta-para-risco-ao-gas-do-povo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26 (2)
Lula e o capital
Quando for escrita a história de Lula 3, haverá um capítulo para a sua relação com empresários e o mercado financeiro. Ou a sua não-relação, para ser mais exato. Nunca um presidente iniciou uma campanha de reeleição com tanta oposição da elite, uma contradição com um governo que foi muito menos intervencionista do que a maioria dos empresários supunha em 2022.
É evidente a má vontade da Faria Lima com Lula, mas a recíproca também é verdadeira. Vitorioso com apoio de banqueiros e empresários que temiam o autoritarismo de um segundo governo Bolsonaro, Lula nunca procurou esses aliados. Iniciou o governo ameaçando rever a independência do Banco Central e a privatização da Eletrobras e mudar as regras de concessão de saneamento.
Mesmo na crise do tarifaço norte-americano, quando o governo Lula e o empresariado estavam no mesmo lado, o presidente deixou a interlocução do capital com Geraldo Alckmin. A exitosa reação brasileira foi uma sintonia de diplomacia, lobby empresarial e a tal química de Lula com Donald Trump, mas não foi suficiente para amainar a relação.
Ressentido com o apoio que os empresários deram à Operação Lava-Jato e à sua prisão em 2018, Lula fez das críticas ao mercado financeiro uma marca do terceiro mandato.
Na quarta-feira (1), na inauguração de obras da sede local do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o presidente defendeu o programa de apoio financeiro Pé-de-Meia atacando o mercado:
— A Faria Lima, lá em São Paulo, a “Avenida dos Banqueiros”, deve estar “puta” comigo. “O que esse Lula fica colocando R$ 18 bilhões para cuidar de filho de pobre na escola, se esse dinheiro poderia estar aqui no banco rendendo pra gente ficar mais rico?”
No dia seguinte, em vistoria de obras do VLT em Salvador, Lula definiu seu mandato assim:
— Você não precisa governar para os ricos e para quem ganha bem e pode se virar sozinho.
Este distanciamento é visível nesta campanha eleitoral. É mais fácil uma solução para as laterais da seleção brasileira do que um empresário que admita votar em Lula no primeiro turno. A facilidade com que o empresariado embarcou na campanha de Flávio Bolsonaro diz pouco sobre as crenças do candidato do PL no livre mercado e muito sobre a repulsa a Lula.
Numa eleição que pode ser decidida no cara ou coroa, Lula está fechando portas cedo demais.
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26 (3)
A criptonita Trump
Caso o governo Trump siga as recomendações do seu Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e baixe novas tarifas comerciais contra o Brasil contra a gratuidade do Pix, o presidente Lula terá 90% de chance de ser reeleito em outubro.
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26 (4)
O primeiro irmão
Único ministro já anunciado de um eventual governo Flávio Bolsonaro, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro arranjou no sábado (4) uma briga na plataforma X (*) com o principal cabo eleitoral do irmão em Minas Gerais, o deputado Nikolas Ferreira, criticou publicamente a madrasta Michele Bolsonaro por não apoiar a candidatura de Carlos Bolsonaro e defendeu que o governo Trump ameace intervir militarmente no Brasil com a decretação de que CV e o PCC são organizações terroristas.
Foi de Eduardo Bolsonaro a ideia para que Flávio Bolsonaro viajasse para os EUA para realizar um desastroso discurso (**) na conferência do Maga (“Make America Great Again”). Aos trumpistas, Flávio Bolsonaro apelou que os EUA “monitorem a liberdade de expressão” do povo brasileiro e “apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente”.
É uma amostra de como será Eduardo Bolsonaro como ministro das Relações Exteriores.
(*) https://oglobo.globo.com/blogs/sonar-a-escuta-das-redes/post/2026/04/eduardo-bolsonaro-bate-boca-com-nikolas-ferreira-pelas-redes-risinho-de-deboche-para-mim.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/03/28/flavio-bolsonaro-pede-monitoramento-internacional-das-eleicoes-brasileiras-em-discurso-nos-eua.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26 (5)
A dívida com Toffoli
É impagável a dívida do candidato Flávio Bolsonaro com o ministro do STF Dias Toffoli. Em julho de 2019, quando o primeiro era filho do presidente da República e o segundo presidente do Supremo, Toffoli suspendeu todas as investigações sobre corrupção de Flávio Bolsonaro (*) baseadas em dados sigilosos compartilhados pelo Coaf e pela Receita Federal com o Ministério Público sem autorização prévia da Justiça. Até aquele momento, não havia essa exigência. Quatro meses depois, o ministro Gilmar Mendes usou o argumento de Toffoli para anular os relatórios do Coaf que embasaram a denúncia contra Flávio Bolsonaro, porque não haviam sido autorizados antes pela Justiça. Pela intervenção direta de Toffoli, Flávio Bolsonaro não deve nada à Justiça.
Desconhecido fora do Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro ganhou manchetes pela primeira vez na vida em dezembro de 2018, às vésperas da posse de Jair Bolsonaro como presidente. Apurando suspeitas de lavagem de dinheiro de vários deputados estaduais do Rio de Janeiro, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) detectou movimentações financeiras atípicas de R$ 1,2 milhão nas contas do ex-policial Fabrício Queiroz, assessor de Flávio Bolsonaro como deputado estadual. O Ministério Público descobriu que Queiroz e Flávio Bolsonaro comandavam um esquema de “rachadinha”, o mais antigo esquema de corrupção da política brasileira. Consiste em contratar assessores — que trabalham ou não trabalham — para que eles devolvam parte ou todo o salário ao parlamentar que os contratou.
Queiroz é um velho amigo de Jair Bolsonaro, que o colocou no gabinete do filho. As investigações mostraram que Queiroz recolhia parte do salário dos assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro, alguns deles seus parentes. Os assessores depositavam dinheiro nas contas de Queiroz. Os dados do Coaf mostraram não só as entradas, mas também as saídas. Entre elas estava um cheque de R$ 24 mil de Queiroz para a então primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Em abril de 2020, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, deixou o cargo acusando o presidente de tentar interferir na investigação da Polícia Federal para proteger Flávio Bolsonaro. Em outubro de 2020, o Ministério Público do Rio denunciou Flávio Bolsonaro, Queiroz e mais 15 pessoas pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A investigação do esquema mostrou uma preferência dos Bolsonaros por dinheiro vivo (**). Flávio Bolsonaro era sócio de uma franquia de chocolates da Kopenhagen no shopping Via Parque, no Rio. O Ministério Público descobriu que a loja recebia grandes volumes de depósito em dinheiro em datas coincidentes com o pagamento dos assessores do gabinete de Flávio Bolsonaro. Em vários meses, esses depósitos eram maiores que o faturamento da loja. Chamou a atenção que os depósitos não cresciam na temporada da Páscoa, como ocorre em todas as lojas de chocolate do resto do mundo.
Durante a investigação, o MP descobriu que Flávio comprou dois apartamentos em Copacabana em 2012 por R$ 310 mil, pagos em cheque, e registrados em cartório por esse valor. Contudo, o MP descobriu também que, no dia da compra, o vendedor dos imóveis depositou R$ 638 mil em dinheiro vivo numa agência bancária perto do cartório.
Em 2021, Flávio comprou uma casa de 936m², num terreno de 2.400m², no Setor de Mansões Dom Bosco, em Brasília, por R$ 5,97 milhões. Pagou R$ 2,8 milhões e financiou R$ 3,1 milhões no BRB por 30 anos, com juros anuais de 3,7% mais IPCA. Além de os juros estarem abaixo dos praticados no mercado, a renda declarada de Flávio Bolsonaro à época, apenas como senador, não permitia financiar valor tão alto. Mas o empréstimo foi feito no BRB na gestão de Ibaneis Rocha, aliado dos Bolsonaro. Flávio Bolsonaro quitou o imóvel em 2024.
Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça acolheu um recurso da defesa de Flávio com base no argumento de que a investigação no Rio deveria ter sido conduzida por desembargadores do Tribunal de Justiça, não por um juiz de primeira instância.
As decisões encerraram o caso.
Toffoli tem uma relação de amizade com Jair Bolsonaro. Os dois se conheceram em viagens para a Amazônia no começo do século, quando o ministro era assessor parlamentar do PT e Bolsonaro um deputado de quarto escalão. Nos dois anos como presidente do STF, Toffoli foi o líder do governo na Corte e durante as tensas eleições de 2022 era um dos raros ministros que seguia frequentando o Palácio do Alvorada. Flávio Bolsonaro herdou a boa relação e deu sinais contraditórios sobre o envolvimento de Toffoli no escândalo Master.
Pressionado pelo PL, Flávio Bolsonaro assinou o pedido de impeachment de Toffoli, mas logo depois alertou aos autores do projeto, os senadores Magno Malta, Eduardo Girão e Damares Alves, que um impeachment agora daria ao PT mais uma vaga no STF. Flávio Bolsonaro também assinou a CPI do Master, mas ato contínuo afirmou que a CPI seria um “ato de covardia ou conveniência” contra o STF e negou que sua assinatura significasse apoio à estrutura original da investigação.
A última postagem de Flávio Bolsonaro na plataforma X sobre Dias Toffoli é de maio 2020. É um agradecimento.
(*) “Toffoli atende a pedido da defesa de Flávio Bolsonaro e suspende investigações com dados do Coaf”
– Decisão se refere a processos judiciais em que dados bancários tenham sido compartilhados sem aval prévio do Judiciário e pode beneficiar senador em ações na Justiça do Rio.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/toffoli-atende-pedido-da-defesa-de-flavio-bolsonaro-suspende-investigacoes-com-dados-do-coaf-23811291?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) “‘Rachadinha’, loja de chocolates e vigília: os casos em que Flávio Bolsonaro entrou na mira de investigações”
– Articulador político e ‘homem de negócios’ diz que foi escolhido para disputar o Planalto.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/12/05/rachadinha-loja-de-chocolates-e-vigilia-os-casos-em-que-flavio-bolsonaro-entrou-na-mira-de-investigacoes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Pois é. . .
“O amigo do amigo do meu pai” também é amigo do filho do papai!
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26 (6)
O Congresso aposta em Bolsonaro
A janela partidária é a mais importante pesquisa do primeiro semestre porque mostra quais as legendas que os deputados acham mais seguras para conseguir se reeleger. A janela deste ano mostra que o Congresso é Bolsonaro na cabeça.
Levantamento do GLOBO (*) mostra que o PL ultrapassou 100 deputados, recuperando o tamanho que tinha no início da legislatura. O saldo do mês de troca-troca na Câmara:
> A força de ter um candidato a presidente repetindo o número do partido na propaganda fez o PL ganhar 15 deputados em um mês, uma demonstração de força do bolsonarismo.
> O PT perdeu a deputada Luizianne Lins e não trouxe ninguém.
> O União Brasil, que deve ficar neutro na campanha presidente, perdeu 15 parlamentares e corre o risco de ser engolido pelo PP.
> Fracassou a intenção do PSD de se tornar a grande força do Congresso. O partido ficou com os mesmos 47 deputados.
> O PDT perdeu 10 deputados e pode não fazer a votação mínima em outubro.
> Com as filiações de Rodrigo Pacheco e Simone Tebet, o PSB pode virar o epicentro de uma frente da esquerda não-petista.
(*) +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/04/pre-campanha-de-flavio-bolsonaro-e-crise-do-uniao-brasil-turbinam-pl-que-passa-de-100-deputados-na-janela-partidaria.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26 (7)
A cristianização, 76 anos depois
Silêncios dizem muito em campanhas eleitorais. Na terça-feira (31), enquanto Ronaldo Caiado discursava no lançamento de sua pré-candidatura à Presidência (*), dois senadores do PSD esbravejavam em off para jornalistas contra a escolha. Naquele dia, quatro dos sete governadores do partido silenciaram sobre Caiado (**) em suas redes sociais. Os líderes do partido na Câmara e no Senado também emudeceram.
Dois dos quatro governadores silenciosos do PSD vão apoiar Lula da Silva e outro vai de Romeu Zema. Omar Aziz, que será candidato ao governo do Amazonas, e Eduardo Paes, ao do Rio, são próximos de Lula. Os candidatos a deputado e senador do PSD apoiarão Lula ou Flávio Bolsonaro, a depender de posturas pessoais e do cenário em seus estados.
São inúmeros os exemplos históricos de candidatos abandonados por seus partidos na campanha. O processo doloroso é chamado de cristianização, em referência a Cristiano Machado, lançado candidato à Presidência na eleição de 1950, mas abandonado pela cúpula do seu partido, que preferiu apoiar a volta de Getúlio Vargas, do PTB. Coincidência histórica, o partido que abandonou Machado também se chamava PSD. 76 anos depois, Ronaldo Caiado é cristianizado pelo PSD.
(*) “+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/05/entrada-de-caiado-na-corrida-presidencial-atrai-o-agronegocio-e-esfria-adesao-a-flavio-bolsonaro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(**) +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/01/governadores-e-candidatos-do-psd-evitam-apoio-publico-a-candidatura-de-caiado-a-presidencia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26 (8)
Siga os jatinhos
Há mais coisas no ar do que só aviões de carreira. O jornalismo não vive mais só do “siga o dinheiro”, a frase crucial do filme “Todos os Homens do Presidente”, mas também “siga os jatinhos”. Graças ao reportariado, sabe-se agora que os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques embarcaram em aviões particulares do grupo Vorcaro. A lista de convidados da “Aerovorcaro” no Senado e na Câmara é mais extensa.
+em: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/04/master-vorcaro-relatou-estar-com-alexandre-de-moraes-em-datas-proximas-a-voos-em-jatinhos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
Thomas Traumann,
Newsletter, O Globo, 06/04/26 (9)
Fique atento
> A guerra no Irã entra na sexta semana. No domingo (5), Donald Trump publicou nova ameaça de ataques a pontes e usinas de energia iranianas, caso o país não reabra o Estreito de Ormuz. “Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a porra do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar! Louvado seja Alá”, escreveu na sua rede social Truth.
+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/04/05/ira-diz-ter-abatido-tres-aeronaves-dos-eua-em-operacao-de-resgate-de-piloto-trump-afirma-que-acao-foi-das-mais-audaciosas-da-historia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Precisou passar a Páscoa para deputados e senadores voltarem a trabalhar presencialmente. Esta primeira semana será tomada pelas contas eleitorais com o troca-troca na janela partidária.
> Depois de quatro meses, chega à Comissão de Constituição e Justiça do Senado a indicação de Jorge Messias para o STF. Quanto mais rápido for o processo, maiores as chances de aprovação de Messias.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/02/messias-amplia-apoio-mas-ainda-nao-tem-votos-para-indicacao-ser-aprovada-em-comissao-do-senado-veja-placar.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> A CPI do Crime Organizado pretendia ouvir o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha na sessão de terça-feira (6). Na sexta-feira, o ministro do STF André Mendonça liberou Ibaneis de comparecer.
> O ministro da Fazenda, Dario Durigan, recebe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) as propostas para o programa de refinanciamento de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. O desenho do governo é que os bancos anulem a cobrança de juros das dívidas, refinanciem o valor principal e aceitem como garantia deste novo empréstimo um fundo federal.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/02/desconto-de-ate-80percent-foco-no-cartao-e-no-cheque-especial-o-que-governo-e-bancos-negociam-para-desenrolar-endividados.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Depois do acordo sobre a importação de diesel, o Ministério da Fazenda tenta mediar a relação da Petrobras com as companhias aéreas. A Petrobras aumentou o preço do querosene de aviação em até 56% e ofereceu um empréstimo para as companhias parcelarem o pagamento. As companhias não gostaram da oferta.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/04/01/petrobras-reajusta-preco-do-querosene-de-aviacao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> A Petrobras deve marcar novo leilão de oferta de gás de cozinha, depois de o presidente Lula ordenar o cancelamento da venda do produto 117% acima do preço da refinaria.
+em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/04/02/lula-diz-que-petrobras-vai-anular-leilao-que-elevou-preco-do-gas-de-cozinha.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Por ordem dos governadores que assinaram a redução do imposto sobre o diesel, os Procons estaduais preparam ações coordenadas de fiscalização de preços de combustíveis. O preço médio do diesel subiu 24% em um mês de guerra, segundo a Agência Nacional do Petróleo.
> Na quarta-feira (8), o plenário do STF julga duas ações que contestam regras da eleição indireta para governador do Rio de Janeiro. O Rio está sem comando há duas semanas e, por isso, foi incapaz de fechar acordo para reduzir o preço do diesel no estado.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/03/votos-de-toffoli-fux-e-fachin-devem-ser-decisivos-em-julgamento-do-stf-sobre-eleicao-para-governador-do-rio.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
> Você é político, não será candidato em outubro e quer virar ministro?
Está fácil.
Tem uma vaga na Secretaria de Relações Institucionais que o governo Lula ainda não conseguiu preencher.
Trabalho simples:
com minoria no Congresso, aprovar o fim da escala 6×1, a lei dos trabalhadores de aplicativos, a MP com multas para empresas transportadoras, a indicação do Jorge Messias para o STF…
Moleza.
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/03/sucessao-de-gleisi-na-articulacao-politica-segue-indefinida-e-sob-pressao-de-garantir-aprovacao-de-messias-no-stf.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsthomastraumann
(TRPCE)
O governico de lulampião,
janjapacaassada & a$$ociado$
é ou não o “pai, a mãe e o avô” (*)
do VORCAROço do SuTriFe?
““A história mostra que a utilização de bancos públicos para socorrer instituições privadas em apuros é uma realidade que se repete”, acrescentou, em tom premonitório.”
“Master descartou ao TCU ‘má gestão’ e ‘risco de colapso’ seis meses antes de BC liquidá-lo”
– À época, Banco Central já havia detectado a deterioração dos indicadores do banco de Vorcaro e feito uma série de alertas.
(Por Rafael Moraes Moura — Brasília, no Blog da Malu Gaspar, O Globo, 06/04/26)
Em manifestação enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU) em maio do ano passado, o Banco Master rechaçou uma crise de liquidez ou “risco sistêmico” em sua estratégia de negócios, além de refutar “insinuações sobre motivação política” na operação de R$ 12,2 bilhões com o Banco de Brasília (BRB). Esse era, na época, o diagnóstico do Ministério Público junto ao TCU, que apontava os riscos ao BRB no processo de aquisição. Seis meses depois, o Banco Central acabou decretando a liquidação do Master por conta de uma grave crise de liquidez e fraudes nas carteiras de crédito vendidas ao banco estatal de Brasília.
A petição do Master, que hoje se assemelha a uma peça de ficção, foi enviada à Corte de Contas em 28 de maio de 2025. No documento, o banco de Vorcaro pediu ao TCU o arquivamento do processo, argumentando que não havia omissão do BC e nem indícios de irregularidade no negócio. Alegou, ainda, que não cabia uma intervenção do tribunal no exame de uma operação privada que ainda estava sob análise dos órgãos reguladores.
Àquela altura, técnicos do BRB e do Banco Central já estavam mergulhados na investigação das carteiras de crédito fraudulentas, e o Master também já tinha acionado uma linha de crédito do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, para mitigar seus problemas de liquidez.
Ainda assim, o documento do banco ao TCU dizia que “não há, nos autos, qualquer evidência de insolvência do Banco Master ou elementos que indiquem risco de colapso institucional, dano ao erário federal ou iminente acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Não se apresenta também prova de má gestão, descumprimento normativo ou fragilidade estrutural da instituição requerente”.
A manifestação do Master estava sob sigilo e foi tornada pública por decisão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal no mês passado. Ao mover a representação, o procurador Júlio Marcelo de Oliveira destacou que as dificuldades enfrentadas pelo Master já eram “notórias” e pediu ao TCU para obrigar o BC a rejeitar a compra do banco de Vorcaro pelo BRB.
“A crise de liquidez é iminente, visto que o perfil dos compromissos do Banco Master, se confrontado com o de seus ativos, aponta nesse sentido. O impacto sobre o FGC [ Fundo Garantidor de Crédito] pode ser muito expressivo. Além disso, aventa-se a possibilidade de uma crise de confiança que atinja outras instituições financeiras de portes médio e pequeno”, afirmou o procurador.
“A história mostra que a utilização de bancos públicos para socorrer instituições privadas em apuros é uma realidade que se repete”, acrescentou, em tom premonitório.
Em junho do ano passado, a representação do procurador de Contas foi rejeitada por unanimidade no plenário do TCU, seguindo um entendimento da área técnica que apontou não haver “evidências concretas” de omissão do BC e concluiu que o tribunal não possuiria competência para fiscalizar o patrimônio do BRB e do FGC.
A tentativa de compra do Master pelo BRB – definida pela Polícia Federal como “pura camaradagem” – foi barrada pelo Banco Central em setembro.
Desvio de finalidade
Ao rebater o Ministério Público, o Master afirmou que a posição do procurador se baseava “exclusivamente em conjecturas, matérias jornalísticas e impressões de mercado, desprovidas de qualquer evidência concreta de ilegalidade, desvio de finalidade ou risco institucional”.
E ainda alertou o TCU de que “tentar imputar ilicitude” à operação com o BRB com “base em suposições de natureza política, sem qualquer amparo técnico ou indício concreto de desvio, configura não apenas exercício especulativo, mas também risco à estabilidade institucional de instituições regularmente supervisionadas”.
“Essas alegações, embora lançadas sem base técnica idônea, já produzem efeitos concretos sobre a reputação, estabilidade institucional e interlocução do Banco Master com o mercado, com autoridades reguladoras e com parceiros institucionais”, sustentou o Master, em petição assinada pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcus Vinícius Furtado Coêlho.
O advogado deixou de atuar no processo em 29 de dezembro do ano passado.
Afastamento
Os argumentos do Master se comprovaram frágeis.
Conforme informou o blog, o BRB decidiu afastar dos cargos todos os dirigentes que se envolveram de alguma forma na tentativa de compra do Master em 2025, com base nas constatações do relatório de auditoria encomendado pelo banco à Kroll e ao Machado Meyer Advogados. Segundo o documento, 30 dirigentes devem ser responsabilizados pela compra das carteiras fraudulentas do banco de Daniel Vorcaro.
Desses, pelo menos 10 teriam tido responsabilidade criminal e podem vir a ser processados pelo BRB – como seu antigo presidente, Paulo Henrique Costa e o diretor de Finanças e Controladoria, Dario Oswaldo Garcia Júnior.
Alertas do Banco Central
Além disso, o Banco Central já havia detectado a deterioração dos indicadores do banco de Vorcaro e feito uma série de alertas, um ano antes de o Master negar ao TCU enfrentar crise de liquidez.
Ainda no primeiro semestre de 2024, o Banco Central exigiu a adoção de medidas para a “adequação da gestão de liquidez” – primeiro por meio de ofício enviado em 28 de maio de 2024 e depois, em reunião presencial com representantes do Master, em 12 de junho.
De acordo com um monitoramento do BC, 6 de junho de 2024 foi o último dia em que o banco de Daniel Vorcaro “manteve um saldo de ativos de alta liquidez em montante suficiente para cobrir os vencimentos dos depósitos na janela de 30 dias.
Em novembro de 2024, ou seja, um ano antes da liquidação, os dirigentes do banco de Vorcaro foram comunicados pelo Banco Central que a situação do Master poderia levar à aplicação de medidas prudenciais preventivas, conforme previsto em uma resolução do Conselho Monetário Nacional de 2011.
Os alertas ao Master sobre a possibilidade de aplicar sanções por falta de liquidez se repetiram até setembro de 2025, quando o BC barrou a compra do banco pelo BRB.
Procurada, a defesa de Vorcaro não se manifestou.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/04/master-descartou-ao-tcu-ma-gestao-e-risco-de-colapso-seis-meses-antes-de-bc-liquida-lo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
(*) Raul Seixas & Gita: https://www.youtube.com/watch?v=2Xc-Yll4xc0
“Aprecie com moderação”
– Destacar apenas insatisfação com indicadores educacionais recentes é perigoso, mas celebração exagerada é também preocupante.
(Por Antônio Góis, O Globo, 06/04/26)
A trajetória de quase todos os indicadores educacionais recentes no Brasil pode ser resumida em duas palavras: avanços insuficientes. Destacar apenas o caráter insatisfatório é perigoso, entre outras razões, pois o discurso de que nada presta é um prato cheio para diagnósticos simplistas ou falsas soluções milagrosas. Mas a celebração exagerada é também preocupante, pois não retrata fielmente um quadro que não pode ser normalizado. Em ano eleitoral, governos tendem a abusar dessa segunda estratégia.
No fim de fevereiro, por exemplo, o tom do governo paulista na divulgação dos resultados do Saresp (sistema de avaliação da aprendizagem em São Paulo) foi de euforia. “RESULTADO HISTÓRICO!”. Assim mesmo, em caixa alta e com ponto de exclamação, começava um post da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo na rede social Linkedin, que em seguida informava que a rede havia “batido recordes em Matemática”. De fato, no 9º ano do ensino fundamental, a média dos alunos nessa disciplina foi a melhor da série histórica iniciada em 2011, mas segue num patamar considerado apenas básico pela escala de interpretação dos resultados. Em Língua Portuguesa, a melhoria de 2024 para 2025 também ocorreu, mas segue ainda abaixo do verificado antes da pandemia, e em nível igualmente insuficiente.
Há duas semanas, foi a vez do governo federal bater bumbo com os resultados de alfabetização no 2º ano do ensino fundamental. Em vez de chamar uma coletiva de imprensa para debater os resultados, o dado de que o Brasil havia superado a meta de crianças alfabetizadas na idade certa foi apresentado numa cerimônia comemorativa, com a presença do presidente Lula. Foi um dos últimos atos públicos do ex-ministro Camilo Santana antes de sair do cargo para se dedicar às eleições. O fato de o Brasil ter aumentado de 56% para 66% o percentual de crianças alfabetizadas entre 2023 e 2025 é sem dúvida uma boa notícia, mas o patamar é ainda muito insatisfatório. E aqui a preocupação não está apenas no fato de 34% dos alunos não estarem alfabetizados, mas, também, na constatação de que nossos instrumentos de avaliação da aprendizagem estão calibrados por baixo, o que vale tanto para os exames nacionais quanto para os estaduais.
Isso fica explícito nas avaliações internacionais das quais o Brasil participa. No Pisa, a mais conhecida delas e voltada para alunos de 15 anos de idade, nenhum estado brasileiro chega próximo do patamar de nações desenvolvidas. E mesmo redes que são destaque em avaliações nacionais têm resultados frustrantes quando aplicam o Pisa em suas escolas.
Pelas mesmas avaliações nacionais, a etapa em que o Brasil tem mais avanços é o primeiro ciclo do ensino fundamental, onde, de acordo com o Anuário Brasileiro da Educação Básica, o percentual de crianças do quinto ano com aprendizagem adequada foi de 60% em Língua Portuguesa e de 49% em Matemática (em 1995, esses percentuais eram, respectivamente, de 39% e 19%). O avanço é inegável, mas, de novo, os resultados não são nada vistosos em perspectiva internacional, como constatado através do Pirls, exame de leitura voltado a alunos do 4º ano do fundamental.
Seria ingênuo esperar que, ainda mais em ano eleitoral, governos sejam comedidos ao destacar resultados positivos. Há políticas nacionais e estaduais que parecem caminhar na direção certa e, no meio de tantas outras que se provam ineficazes, é importante dar destaque a elas, até como forma de também valorizar o esforço de alunos e professores. Mas o tom exagerado de comemoração não pode contaminar o diagnóstico público frente aos imensos desafios que ainda temos pela frente.
(Fonte: https://oglobo.globo.com/brasil/antonio-gois/coluna/2026/04/aprecie-com-moderacao.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
Parafraseando Camões. . .
“Por ares nunca dantes sobrevoados”
“Artemis II: astronautas observam ‘Grand Canyon’ da Lua e avançam para sobrevoo histórico
– Tripulação vê regiões nunca antes observadas por humanos e se aproxima da entrada na influência gravitacional lunar.
(Por AFP — Houston, O Globo, 06/04/26)
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“A missão Artemis II está em um marco histórico ao contemplar partes inéditas da Lua, como a bacia Oriental, vista pela primeira vez por olhos humanos. A tripulação, composta por Christina Koch, Reid Wiseman, Victor Glover e Jeremy Hansen, se aproxima da esfera de influência lunar, preparando-se para um sobrevoo que poderá levá-los mais longe da Terra do que qualquer outro humano. A missão visa estabelecer uma presença contínua na Lua e futuros voos a Marte.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/mundo/clima-e-ciencia/noticia/2026/04/05/artemis-ii-astronautas-observam-grand-canyon-da-lua-e-avancam-para-sobrevoo-historico.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Aqui, o diabo está explícito!
“Guerra no Irã ameaça segurança alimentar global e pode deixar mais 45 milhões de pessoas em situação de fome aguda”
– Interrupções na cadeia de suprimentos que passa pelo Estreito de Ormuz atrasa envio de suprimentos que salvam vidas e pressionam países já afetados por crises de desnutrição.
(Por Letícia Messias, O Globo, 06/04/26)
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“A guerra entre EUA, Israel e Irã ameaça a segurança alimentar global, com o fechamento do Estreito de Ormuz elevando os preços do petróleo e criando escassez de fertilizantes. Especialistas alertam que se a guerra persistir, a fome aguda poderá afetar mais 45 milhões de pessoas. As interrupções nas cadeias de suprimentos e o aumento dos custos de transporte são agravantes, potencializando uma crise alimentar mundial.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/04/06/guerra-no-ira-ameaca-seguranca-alimentar-global-e-pode-deixar-mais-45-milhoes-de-pessoas-em-situacao-de-fome-aguda.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“‘Cassino’ on-line: comunidade gamer é a primeira afetada por novas leis de proteção de jovens”
– Mecânica de loot boxes estava proliferada nos jogos on-line de todos os estilos: de tiro, fantasia, futebol.
(Por Bruno Alfano, O Globo, 06/04/26)
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“A nova legislação do ECA Digital proíbe loot boxes em jogos on-line, impactando a comunidade gamer brasileira. A medida, que visa proteger jovens, levou à revolta de jogadores de títulos populares como Roblox e League of Legends. Empresas como a Riot Games buscam adaptar seus jogos para menores de 18 anos, enquanto Free Fire eliminou as loot boxes. A mudança também afeta a classificação indicativa de jogos como EA FC, antes conhecido como Fifa.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/04/06/cassino-on-line-comunidade-gamer-e-a-primeira-afetada-por-novas-leis-de-protecao-de-jovens.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Periga a ligação ter sido feita
para o lendário Walter Mercado!
“Um mês após morte de ‘Sicário’ de Vorcaro, PF aguarda exames para fechar inquérito e tenta descobrir alvo de ligação ao ser preso”
(Por O Globo, 06/04/26)
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“Um mês após a morte de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, a Polícia Federal aguarda exames cruciais para concluir o inquérito que aponta suicídio como causa provável. Mourão, operador do banqueiro Daniel Vorcaro, faleceu após tentar tirar a própria vida na carceragem da PF em Belo Horizonte. A investigação também busca identificar uma ligação feita por Mourão após sua prisão. Resultados serão entregues ao STF ainda este mês.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/06/um-mes-apos-morte-de-sicario-de-vorcaro-pf-aguarda-exames-para-fechar-inquerito-e-tenta-descobrir-alvo-de-ligacao-ao-ser-preso.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
“E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;
¹³ E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. ”
(Mateus 21:12,13)
“De pedido de apoio a destaque em cultos, líderes evangélicos tentam impulsionar candidaturas”
– Há divergências entre especialistas do direito eleitoral sobre as condutas permitidas ou não na pré-campanha.
(Por Lauriberto Pompeu — Brasília, O Globo, 06/04/26)
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“Líderes evangélicos estão usando sua influência para impulsionar candidaturas nas eleições de outubro, através de apoio explícito e eventos religiosos que destacam os postulantes. Especialistas divergem sobre a legalidade dessas práticas na pré-campanha. Destaques incluem o apoio a Marco Feliciano e Eduardo Cunha. Com o aumento dos evangélicos no Brasil, a influência religiosa na política se intensifica.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/06/de-pedido-de-apoio-a-destaque-em-cultos-lideres-evangelicos-tentam-impulsionar-candidaturas.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)
Matutando bem. . .
O “fazendo o diabo” está unindo o “nós” ao “eles”!
O diabo é que o diabo já foi feito. . .
“Luz supera a inflação em duas décadas, e a conta pesa cada vez mais no bolso do brasileiro”
– Em pouco mais de duas décadas, tarifa de energia residencial subiu 401%, bem acima da inflação do período, e passa a preocupar mais o orçamento das famílias, até mesmo as de classe média.
(Por Bruna Lessa, O Globo, 06/04/26)
. . .
“Nos últimos 20 anos, a tarifa de energia residencial no Brasil subiu 401%, bem acima da inflação de 340%, pesando no orçamento das famílias, inclusive de classe média. Em 2023, a Aneel projeta um aumento de 8%, superando a inflação de 4,1%. O governo considera empréstimos para adiar reajustes, mas especialistas alertam para impactos futuros maiores. A alta afeta diretamente o custo de vida, elevando os preços de produtos e serviços.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/04/06/luz-supera-a-inflacao-em-duas-decadas-e-a-conta-pesa-cada-vez-mais-no-bolso-do-brasileiro.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
. . .lulampião agora, apenas poderá dourá-lo!
Fazendo o diabo. . . (2)
“Promessa é dívida: com novo programa, Lula tenta evitar fim de mandato sem ‘desenrolar’ endividados”
– Petista se comprometeu com o tema na campanha de 2022, mas Desenrola não foi suficiente. Com maior acesso ao crédito e juros altos, ‘enrolados’ têm dificuldade de sair da ‘bola de neve’.
(Por Thaís Barcellos e Lívia Mendes*, O Globo, 06/04/26)
. . .
“O governo Lula tenta cumprir a promessa de aliviar o endividamento de famílias brasileiras a seis meses das eleições. Com juros altos e crédito caro, muitos enfrentam dificuldades financeiras. O programa Desenrola, lançado em 2023, não conseguiu reduzir significativamente as dívidas. Agora, o governo planeja um novo programa de renegociação com descontos de até 80% e visa prevenir novos endividamentos.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/economia/financas/noticia/2026/04/06/promessa-e-divida-com-novo-programa-lula-tenta-evitar-fim-de-mandato-sem-desenrolar-endividados.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
. . .se em 3 anos e meio de PaTifarias 3.0 ainda não conseguiu, o fará em 6 meses?
Fazendo o diabo. . .
“Sob pressão a seis meses da eleição, PT deve ter menor número de candidatos a governador para ampliar palanques de Lula”
– Partido caminha para ter nove candidatos nos estados e abre mais espaço a alianças.
(Por Jeniffer Gularte — Brasília, O Globo, 06/04/26)
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“Sob pressão para fortalecer a campanha de reeleição de Lula, o PT deve lançar o menor número de candidatos a governador dos últimos anos, priorizando alianças com partidos de centro e centro-esquerda. Com nove candidatos próprios, a estratégia visa ampliar palanques e combater a extrema-direita. A atenção também se volta ao Senado para evitar o crescimento da oposição. Críticos temem enfraquecimento da bancada federal, enquanto defensores acreditam que Lula impulsionará votos. No Nordeste, o PT foca na reeleição de governadores, enfrentando desafios em estados como o Rio Grande do Norte. Em São Paulo, Fernando Haddad é o nome para enfrentar o atual governador, Tarcísio de Freitas.” (Irineu)
. . .
+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/06/sob-pressao-a-seis-meses-da-eleicao-pt-deve-ter-menor-numero-de-candidatos-a-governador-para-ampliar-palanques-de-lula.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
Huuummm. . .
“Ex-gestores da área de Segurança devem disputar eleições em 12 estados”
– Preocupação da população com violência incentiva candidaturas de ex-secretários e chefes da Polícia Militar e Civil nas cinco regiões do país.
(Por Paulo Assad, O Globo, 06/04/23)
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“O aumento da preocupação com a violência no Brasil impulsiona ex-gestores de segurança a se candidatarem em 12 estados nas próximas eleições. Entre eles está Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança de SP, que retorna ao cenário político com apoio de Jair Bolsonaro. Derrite e outros ex-secretários usam forte presença digital para promover suas candidaturas, refletindo uma tendência emergente de policiais entrando na política, especialmente em cargos mais altos.” (Irineu)
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+em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/04/06/ex-gestores-da-area-de-seguranca-devem-disputar-eleicoes-em-12-estados.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha
O alerta está dado!
“O Senado sob a luz dos holofotes”
– Os movimentos mais recentes mostram que o senador é muito mais do que um deputado de luxo. E o eleitor precisa ter cuidado redobrado ao escolhê-lo.
(Por Nuno Vasconcellos, Último Segundo, iG, 05/04/26)
Um fato que deveria ser óbvio, do tipo que todo brasileiro deveria estar cansado de saber, veio à tona no atual mandato parlamentar e, ao que tudo indica, influenciará as escolhas de muitos eleitores na campanha deste ano. O fato é: o Senado Federal é muito mais importante do que tem se mostrado nos últimos anos. De uma hora para outra, o país acordou para a realidade de que o senador é mais do que um deputado de safra especial. É mais do que o condestável que se dizia nos tempos da República Velha, quando a casa nada mais era do que o destino final dos “presidentes dos Estados” — como antigamente eram chamados os governadores — depois que cumpriam seus mandatos.
Um dos que, nos últimos dias, chamaram atenção para a importância do Senado foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista a uma emissora de Fortaleza, na quinta-feira da semana passada (02), Lula disse que, por ser eleito para um mandato de oito anos — enquanto todos os demais mandatos eletivos do país são de quatro anos —, o senador “pensa que é Deus”.
Exageros à parte, os senadores são, de fato, fundamentais na estrutura de poder do Brasil — embora poucos deles venham demonstrando estatura suficiente para agir como protagonistas. Parece que, agora, tudo será diferente. Pela primeira vez, desde a promulgação da Constituição de 1988, os nomes dos candidatos à chamada “Câmara Alta” do Congresso deixarão de ser vistos como coadjuvantes de luxo nas chapas dos partidos e saltarão para o centro do palco.
Outro aspecto importante, que parece ter sido descoberto agora por quem acompanha a política brasileira, também precisa ser apontado. Embora ocupe apenas o terceiro lugar na linha de sucessão da presidência da República — atrás do vice-presidente e do comandante da Câmara dos Deputados —, o presidente do Senado tem nas mãos uma das canetas mais poderosas da República. O Regimento Interno, por exemplo, dá ao senador escolhido para presidir a Mesa Diretora da Casa, por exemplo, o poder de definir as matérias que entram e as que ficam de fora da pauta de votações.
Embora o Senado seja, por definição, um espaço democrático, o poder do presidente é praticamente ditatorial. Se ele se recusar, por exemplo, a pôr em votação um projeto de lei apoiado por uma parte expressiva da sociedade, o documento acumulará poeira na prateleira sem que ninguém consiga mudar essa realidade. Na maioria das vezes, isso não é notado pelo conjunto da sociedade, mas, em momentos específicos, como o atual, pode gerar incômodos e causar discussões que prejudicam a reputação do legislativo.
Sem motivo aparente
A súbita tomada de consciência da importância do Senado e do papel de seu comandante se deve, em boa parte, à conduta do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil). Embora fosse um político veterano, com três mandatos de deputado federal por seu estado, e estivesse cumprindo seu primeiro mandato como senador, o nome dele era praticamente desconhecido fora do Amapá. Em 2019, no mandato de Jair Bolsonaro, ele saltou do anonimato para o palco principal ao ser eleito, pela primeira vez, para presidir a instituição.
Alcolumbre não foi capaz, nos dois anos de seu mandato, de fazer um único gesto que justificasse a escolha de seu nome para o posto. Uma de suas características, porém, começou a se revelar ainda na reta final do mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, cargo que ocupou depois de deixar a presidência do Senado, ele levou exatos 142 dias — ou, seja, quase cinco longos meses — para agendar a sabatina do ex-advogado-geral da União, André Mendonça, indicado para substituir o ministro Marco Aurélio Mello no Supremo Tribunal Federal.
Não havia motivo aparente para segurar a indicação — a não ser a intenção de fazer pirraça ou a pressão para trocar a sabatina por algum favor de Bolsonaro. Alcolumbre deixou a presidência do Senado com uma imagem mais do que arranhada junto à sociedade. Mesmo assim, na atual legislatura, depois de reeleito em 2022, ele foi reconduzido à presidência do Senado com uma votação surpreendente.
Depois jurar fidelidade a todas as correntes representadas no Senado, ele recebeu surpreendentes 73 dos 81 votos possíveis. O resultado é recorde em toda a história das eleições para a Mesa Diretora da Casa desde a redemocratização. Só que, depois da posse, em vez de trabalhar por todos, se pôs a agir como uma espécie de imperador. E reduziu as atribuições da Câmara Alta a seus próprios interesses.
Uma das acusações que passaram a ser feitas a Alcolumbre de algum tempo para cá é a de que, mais do que o presidente da Câmara, Hugo Motta, ter alienado o Poder Legislativo aos interesses dos outros poderes. Se uma decisão que ele possa vir a tomar oferece o risco, ainda que mínimo, de ferir os interesses do Poder Judiciário, ele simplesmente não a toma. Embora a Constituição atribua ao Senado, por exemplo, o poder de fiscalizar e, se for o caso, enquadrar os ministros do Supremo Tribunal Federal, ele não faz um único movimento que demonstre a intenção de exercer essa prerrogativa — ainda que a maioria dos senadores se mostre disposta a tomar uma atitude nesse sentido.
Sabatina
E com o Poder Executivo, como é o relacionamento? Na maioria das vezes, a conduta do presidente do Senado em relação ao Executivo também costuma ser de absoluta submissão. Mas há exceções. Quando o assunto fere os interesses mais mesquinhos do seu grupo político ou de seu estado, o Amapá, Alcolumbre, que normalmente age como um gatinho diante dos outros poderes, se transforma num leão. Empenhado, por exemplo, em instalar seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB), em uma cadeira do STF, Alcolumbre fez o que pôde para tentar convencer o presidente Lula a nomear o colega. Fracassou.
Pelo sim, pelo não, Lula preferiu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias. A escolha, que havia sido anunciada em novembro passado (1), como não poderia deixar de ser, desagradou os adversários do presidente — que passaram a negar a aptidão de Messias para o posto. Quem, no entanto, colocar lado a lado as credenciais de Messias e de Pacheco se dará conta de que o advogado-geral é muito mais capacitado do que o senador por Minas Gerais.
Pois bem. Na semana passada, o Planalto finalmente oficializou a indicação (2) de Messias para a vaga no Senado. Alcolumbre, que lutou até o último minuto para emplacar o nome de Pacheco, não terá como resistir. Ele certamente, se acertará com o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD) para agendar a sabatina. É aí que a história começa a ficar interessante e a ganhar emoção.
No passado, a aprovação dos indicados do governo a uma vaga no Supremo era uma certeza absoluta e a sabatina feita pelos senadores, uma formalidade que se reduzia à bajulação do novo ministro. O ambiente agora é outro e, embora as informações oficiais sugiram que Messias já conta com o apoio de 56 dos 81 senadores, paira no ar a expectativa de que, desta vez, a indicação seja negada.
Se Messias, por acaso, tiver menos de 41 votos, se tornará o primeiro indicado ao STF pelo presidente da República a ser rejeitado pelo Senado desde o governo Floriano Peixoto, no final do Século 19. Por todo lado, surgem indícios de que, mesmo tendo a maioria da casa, o governo já não lida com a mesma situação confortável de tempos passados. Em novembro passado, por exemplo, Paulo Gonet foi reconduzido pelo Senado ao comando da Procuradoria Geral da República com a margem apertadíssima de apenas 45 votos.
De lá para cá, o governo fez pressão sobre os senadores, reconquistou o apoio de alguns e, a menos que aconteça uma zebra fenomenal, Messias será aprovado. Com 46 anos, ele poderá ficar no STF até 2055, quando alcançará a idade limite de 75 anos. Mas, desde o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (3) pela Primeira Turma do STF, a oposição acordou para a importância de ter uma bancada forte e numerosa o suficiente para moldar o plenário do Supremo conforme seus interesses. Detalhe: este ano estarão em disputa 54 das 81 cadeiras — ou seja, dois terços da casa. Se a oposição quiser mesmo disposta a alterar esse cenário, como se diz nas aberturas dos desfiles das escolas de samba no Carnaval, “a hora é esta!”
Chances reduzidas
Desde que o processo contra Bolsonaro teve início, a oposição passou a centrar forças no Senado e está disposta, inclusive, a sacrificar alguns de seus quadros mais destacados em nome da estratégia de ter uma bancada numerosa, ruidosa e ideológica na casa. Nomes que teriam a eleição garantida para a Câmara e que têm se destacado como defensores das pautas de direita na Câmara — como o do gaúcho Marcel Van Hattem (Novo), do goiano Gustavo Gayer (PL), da fluminense Bia Kicis (PL) ou do paulista Guilherme Derrite (PP) — podem aparecer no ano que vem como senadores da República. Ou, então, ficar fora da política.
Outros nomes de destaque identificados com a direita, que no momento estão sem mandato, também têm chances de conseguir vaga na casa. São os casos, por exemplo, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), do filho de Bolsonaro, Carlos, que transferiu seu domicílio eleitoral para Santa Catarina, e do ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol (Novo), que disputará uma vaga pelo Paraná depois de ter tido o mandato de deputado federal, que conquistou nas urnas em 2022, cassado pela Justiça Eleitoral.
Políticos que tinham chances reduzidas na disputa ganharam impulso nos últimos meses depois que acontecimentos políticos recentes projetaram seus nomes. O senador por Minas Gerais, Carlos Viana (Podemos), que tinha chances diminutas na corrida pela reeleição, tornou-se favorito depois de sua atuação como presidente da CPMI que apurou as fraudes contra os aposentados do INSS (4). O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, era visto como uma carta fora do baralho até a megaoperação realizada em outubro no ano passado, contra o crime organizado nas comunidades da Penha e do Alemão. Agora é favorito.
Castro, no entanto, enfrenta problemas com a Justiça Eleitoral e pode ficar fora da chapa. Caso perca a chance de concorrer, seu lugar provavelmente será ocupado pelo atual senador Carlos Portinho (PL), que era primeiro suplente e assumiu o posto depois da morte do titular, Arolde de Oliveira, vítima da Covid-19, ainda em outubro de 2020 — ou seja, logo no início do mandato. Portinho chegou ao posto como uma figura discreta, mas, no exercício do mandato, revelou-se um político habilidoso a ponto de assumir a liderança de seu partido na casa.
A trajetória de Portinho, para quem acompanha política, é um exemplo de que o nome do suplente a uma vaga no Senado é importante, embora o eleitor nem sempre preste atenção a essa escolha. No caso de Arolde de Oliveira, a escolha foi positiva e Portinho mostrou à altura da importância do cargo que ocupa. O mesmo não pode ser dito, no entanto, do paulista Major Olímpio, que foi substituído por um certo Alexandre Giordano (Podemos) em 2021, depois de morrer, também vítima da Covid.
Como senador, Giordano foi uma nulidade e o episódio mais marcante que protagonizou aconteceu há duas semanas. Ao volante de um Land Rover preto, sem placas e com as luzes de sinalização utilizadas por carros descaracterizados da polícia, Giordano tentou fugir de uma blitz da PM. Estava com a habilitação vencida e quis dar uma carteirada nos policiais. Foi preso e só deixou a cadeia após pagamento de fiança. Ao contrário de Portinho, Giordano jogou pela janela a oportunidade de se firmar na política depois da morte do titular. Não deve se candidatar a qualquer cargo nas eleições deste ano.
Casos como esses revelam, de qualquer maneira, a importância do suplente e acabam revelando o que a política brasileira tem de melhor ou de pior. A verdade, infelizmente, é que os exemplos negativos têm superado os positivos com enorme vantagem. Na semana passada, o senador Marcelo Castro (MDB), um veterano de 76 anos de idade que está na política desde 1978 e é favorito na corrida pela reeleição, deixou clara a intenção de nomear seu filho, Marcelo Filho, com primeiro suplente. Caso algum evento o impeça de chegar ao fim do mandato, Castro legará o cargo ao filho como se ele fosse hereditário. Pode não ser ilegal. Moral também não é.
Pesos pesados
Seja como for, a oposição não estará sozinha na disputa pelo Senado e o governo também pretende arriscar nomes de destaque numa disputa que tem tudo para ser incandescente. A deputada Gleisi Hoffmann (PT), por exemplo, disputará uma das vagas no estado do Paraná. Na Bahia, Jaques Wagner deve ser reeleito, assim como o ex-ministro Humberto Costa, em Pernambuco. Helder Barbalho (MDB) deixa o governo do Pará e está praticamente eleito para uma das vagas no Senado.
No caso de São Paulo, uma das vagas na chapa governista será ocupada pela ex-ministra Simone Tebet (PSB). Sem espaço em seu estado de origem, o Mato Grosso do Sul, depois de ter feito o papelão de participar do governo depois de ter passado a campanha passada inteira não poupando o então candidato Lula das críticas mais pesadas, ela pretende se apoiar na votação expressiva que teve no estado nas eleições passadas para tentar se eleger senadora por um estado que mal conhece.
Alguns dirão que a mudança de domicílio não chega a ser um problema. Afinal, o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também caiu de paraquedas no estado nas eleições passadas e acabou chegando ao Palácio dos Bandeirantes com o apoio do ex-presidente Bolsonaro. Só que, uma vez lá, fez uma administração de primeira qualidade. Governou com a lógica, se apoiou em dados concretos e se firmou como favorito nas próximas eleições.
E quanto a Simone? Bem… na disputa pela presidência da República, Simone teve em São Paulo (onde conquistou 1,6 milhão de votos ou 6,34% do total) uma votação mais expressiva do que no conjunto do país (onde obteve 4,16%). Será que os eleitores que a apoiaram em 2022 pelo fato de ser uma alternativa a Lula e a Bolsonaro estarão dispostos a levá-la para o Senado só porque o governo a apoia?
Na divisão de funções entre as casas do Congresso Nacional, a Câmara representa a sociedade. O Senado, por sua vez, tem a obrigação de defender os interesses dos estados. É por isso que, independentemente do tamanho das populações, cada bancada tem três integrantes. Ou seja: a disputa para o Senado envolverá pesos pesados e promete grandes emoções para 2026. O eleitor, porém, não deve perder de vista um aspecto mais do que importante: o Senado não serve apenas para escolher e julgar integrantes do STF.
Em tempo: eram dois senadores por estado até as eleições de 1974, quando o partido da oposição à ditadura militar, o velho MDB, elegeu 16 entre as 22 cadeiras que foram disputadas. Para evitar que seu partido de sustentação, a Arena, perdesse maioria no Congresso, o governo do general Ernesto Geisel alterou os critérios de composição da Câmara a partir das eleições de 1978, criando a aberração representativa que prejudica os estados de maior população e vigora até hoje e aumentando de dois para três o número de senadores de cada estado.
Uma das vagas seria preenchida não pelo voto popular, mas por indicação do governo. Esses senadores, apelidados de “biônicos”, exerceram até o fim os seus mandatos e participaram até mesmo da elaboração da Constituição de 1988, que, por sinal, manteve critérios de representação e as três cadeiras no Senado impostas pelo governo militar. Tomara que, desta vez, o eleitor preste mais atenção a esse voto e esteja mais atento aos interesses reais dos estados que os elegeram.
(Fonte: https://ultimosegundo.ig.com.br/colunas/nuno-vasconcellos/2026-04-05/o-senado-sob-a-luz-dos-holofotes.html)
(1) “Lula indica Jorge Messias ao STF e frustra movimentos sociais”
– Grupos cobravam a nomeação de um ministro ou ministra negra para a vaga deixada por Barroso.
+em: https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2025-11-20/lula-indica-jorge-messias-ao-stf-e-frustra-movimentos-sociais.html#google_vignette
(2) “Senado recebe indicação presidencial de Messias a vaga no STF”
– Documento foi encaminhado nesta quarta-feira (1) a David Alcolumbre (União) e destrava o andamento do processo que se arrasta por pelo menos 4 meses.
+em: https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2026-04-01/senado-recebe-indicacao-oficial-de-messias-ao-cargo-no-stf.html
(3) “1ª Turma do STF condena Bolsonaro a 27 anos de prisão”
– Ex-presidente e os outros sete réus foram condenados pelos ministros da Suprema Corte.
+em: https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2025-09-11/quinto-dia-de-julgamento-de-jair-bolsonaro.html
(4) “CPMI do INSS derrubada na reta final: veja como cada um votou”
– Com placar de 19 votos contrários, base governista barra texto que pedia o indiciamento de Lulinha e mais de 200 pessoas; sessão durou 15 horas.
+em: https://ultimosegundo.ig.com.br/2026-03-29/cpmi-do-inss-derrubada-na-reta-final–veja-como-cada-um-votou.html
Nas entrelinhas
“O controle burocrático dos partidos, o financiamento eleitoral, as emendas impositivas ao Orçamento e a “política como negócio” ditam as regras do jogo.”
“Com trocas de partidos, Câmara confirma hegemonia conservadora”
(Por Luiz Carlos Azedo, em seu blog no Correio Braziliense, 05/04/26)
É cada vez mais evidente na política brasileira o descolamento dos partidos de projetos nacionais e sua conversão em máquinas de sobrevivência eleitoral. Esse “transformismo” é um processo político associado ao peso do fundo eleitoral, das emendas parlamentares, da densidade das legendas e às alianças na disputa à Presidência e aos governos estaduais. Esse conjunto explica o troca-troca da janela partidária. Confirma a hegemonia conservadora na Câmara e uma deriva mais à direita do sistema partidário. O PL cresce de 86 para 101 deputados (+15), tornando-se o principal polo de atração de parlamentares. Se for confirmado esse avanço nas eleições, a legenda ampliará seu acesso ao Fundo Eleitoral, ao Fundo Partidário e ao controle de emendas, relatorias e comissões, independentemente do resultado das eleições presidenciais.
Quanto maior a bancada, maior a capacidade de financiar campanhas e irrigar bases locais, num mecanismo de autorreprodução de mandatos que vicia a representação popular, blinda os mandatários e bloqueia a renovação política. O avanço da direita não se deve apenas à identidade ideológica. Decorre, sobretudo, de sua expectativa de poder, fortalecida pela competitividade da candidatura de Flávio Bolsonaro, em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse movimento foi acompanhado por ganhos do PP (+4) e do Podemos (+8), partidos que ampliam sua capacidade de financiamento e distribuição de recursos, reforçando o campo conservador.
No campo governista, a situação é mais fragmentada. O PT recua marginalmente (67 para 66, -1), mantendo sua base, mas sem capacidade de expansão. O PSB cresce (+4), enquanto PSol, PCdoB, PV e Rede avançam de forma residual. Esses ganhos melhoram a capilaridade da esquerda, mas não alteram significativamente sua força material. As perdas do União Brasil (-15), do MDB (-5), do Republicanos (-3) e, sobretudo, do PDT (-10), reduzem as possibilidades de ampliação do campo governista em direção ao centro.
PSD e MDB permanecem como peças-chave do xadrez político do Congresso. O PSD mantém 47 deputados, porém, sua força real está na densidade eleitoral e no controle de governos estaduais e estruturas locais. Trata-se de um partido fragmentado regionalmente, que responde mais aos interesses de suas lideranças estaduais do que a uma estratégia nacional. Isso torna a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado suscetível de “cristianização”, pois uma parte do partido deve apoiar Lula, enquanto outra já gravita em torno de Flávio Bolsonaro.
O MDB, mesmo reduzido a 37 deputados, mantém forte capilaridade municipal e acesso relevante a recursos. Não se orienta por ideologia, mas por expectativa de poder. Apoiará quem oferecer melhores condições eleitorais e espaço na máquina pública. Em um cenário polarizado, ambos — PSD e MDB — atuam como fiadores de maiorias, são protagonistas da barganha política em troca de governabilidade.
Política como negócio
As emendas parlamentares são decisivas nesse processo. O orçamento impositivo transformou deputados em operadores diretos de recursos, fortalecendo sua autonomia em relação ao Executivo. Isso reduz a capacidade de coordenação do governo e reforça a lógica individual: cada parlamentar busca maximizar sua entrega local. Bancadas maiores concentram mais emendas, tornando-se mais atrativas. O crescimento do PL, portanto, é também orçamentário. PL, PSD, MDB e PP convertem melhor votos em cadeiras e poder local, enquanto legendas menores têm menor eficiência competitiva. Isso explica a migração para partidos médios e grandes, capazes de sustentar campanhas robustas.
O avanço do PL indica que cresce, no sistema político, a avaliação de competitividade de Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a estabilidade do PT reflete a resiliência de Lula como candidato à reeleição. Nesse quadro, as perdas do PDT (-10), Avante (- 4), PRD (-3) e Cidadania (-2) são emblemáticas. Em crise interna, o último perdeu identidade; e Arnaldo Jardim (SP), seu parlamentar mais influente, não será candidato.
Ainda que exista uma questão ética subjacente, o “transformismo” é uma questão política. No Brasil, não existe um projeto democrático de modernização capaz de forjar um novo consenso nacional. A massa crítica intelectual e empresarial para formular essa alternativa foi alijada da política ou capturada por essa dicotomia.
Os partidos foram capturados pela “transa” política. Já não se orientam por programas, mas por interesses particulares, pesquisas eleitorais e a audiência nas redes sociais. Subalterna, a “política do bem comum” foi sufocada pelo controle burocrático dos partidos, o financiamento eleitoral, as emendas impositivas ao Orçamento e a “política como negócio”, que ditam as regras do jogo e alimentam uma “partidocracia” patrimonialista. E, assim, novas gerações perpetuam as velhas oligarquias.
(Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/azedo/com-trocas-de-partidos-camara-confirma-hegemonia-conservadora/)
Entretanto. . .
nós, eleitores/burros de cargas,
com o voto consciente,
temos o poder de acabar
com essa esbórnia!
Experimente. . .
dar férias para o seu
político de estimação!
Aberta a temporada
da caça aos votos !
“Haddad renega a taxa das blusinhas”
– Lula, agora, é o melhor amigo do Pix, e o ex-ministro da Fazenda propagandeia que nunca quis taxar as compras do exterior até US$ 50.
(Rodolfo Borges, O Antagonista, 05/04/26)
A eleição é um momento mágico no Brasil. As igrejas passam a ser frequentadas por ateus históricos e os governantes com dificuldade de se reeleger prometem de novo tudo aquilo que não conseguiram entregar. Mas é preciso respeitar minimamente a inteligência do eleitor, para não soa tão ridículo.
Depois de ter de cancelar uma instrução normativa da Receita Federal que previa maior monitoramento das transações via Pix. porque a população desconfiou (1) das intenções do governo, Lula (à esquerda na foto) posa agora de defensor da ferramenta (2) do Banco Central.
A pose foi instruída pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Sidômio Palmeira, como flagrou (3) a câmera da transmissão oficial do governo em evento na Bahia.
E os petistas vão além, afirmando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai acabar com o Pix caso venha a ser eleito presidente da República, pela proximidade com o governo Donald Trump, que manifestou incômodo com a ferramenta, pela competição imposta aos bancos americanos.
Taxa das blusinhas
Mas o maior blefe dos petistas diz respeito à famigerada taxa das blusinhas.
Agora pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (à direita na foto) está tentando convencer todo mundo de que nunca quis ver aprovada a cobrança de imposto para compras do exterior no valor de até 50 dólares.
A taxa das blusinhas é a política mais impopular do governo Lula, como indicam as pesquisas.
A medida de fato acabou aprovada pelo Congresso Nacional com apoio de vários partidos, como tem dito Haddad em entrevistas, mas foi o governo petista, que gosta muito de arrecadar e pouco de economizar, que colocou a taxação em pauta, e Lula sancionou a mudança sem vetos (4).
Taxad
É claro que o governo fez cena para tentar amortecer o impacto da medida impopular, e também que as empresas brasileiras fizeram lobby contra as chinesas, como argumenta Haddad. Lula chegou a discursar contra a taxação um dia antes de sancioná-la. Mas a fama do governo fala por si.
A primeira crise criada por Janja no terceiro mandato de Lula foi a defesa infantil da taxa das blusinhas, sob o argumento de que quem pagaria seriam as empresas (5), e não o consumidor.
Haddad vai ter de se esforçar muito para convencer seus potenciais eleitores de que não tem nada a ver com essa taxa, entre tantas outras criadas ou elevadas que lhe renderam o apelido de Taxad.
(Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/haddad-renega-a-taxa-das-blusinhas/)
(1) “O problema da crise do Pix é o próprio governo Lula”
– Debate sobre quem, como e quando errou é mais uma parte da cortina de fumaça para esconder o óbvio: ninguém confia no governo.
+em: https://oantagonista.com.br/analise/o-problema-da-crise-do-pix-e-o-proprio-governo-lula/
(2) “Lula posa de defensor do Pix”
– Petista foi orientado por Sidônio Palmeira ao pé do ouvido durante evento na Bahia.
+em: https://crusoe.com.br/diario/lula-posa-de-defensor-do-pix/
(3) https://www.youtube.com/watch?v=ofbF9C3xJ_0
(4) “Após jogo duplo, Lula sanciona taxação das blusinhas”
– A taxação será de 20% sobre as compras até 50 dólares e deve impactar, principalmente, sites estrangeiros com Shein e Shopee.
+em: https://oantagonista.com.br/brasil/taxa-das-blusinhas-lula-sanciona-taxacao-das-compras-internacionais-ate-us-50/#google_vignette
(5) “Quem paga imposto é o cliente, dizem Shein, Shopee e AliExpress”
– As três principais plataformas de comércio eletrônico que operam no Brasil —Shopee, Shein (foto) e AliExpress—afirmam que o imposto cobrado nas compras feitas no exterior não é de responsabilidade delas…
+em: https://oantagonista.com.br/economia/quem-paga-imposto-e-o-cliente-dizem-shein-shopee-e-aliexpress/#google_vignette
Para tomar
sua única arma
contra os bandidos. . .
“Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes”
Raul: https://www.youtube.com/watch?v=7VE6PNwmr9g
“Supremos ministros nas asas de jatinhos da impunidade”
(Por Wálter Maierovitch (1), Colunista do UOL, 05/04/26)
As democracias são casas de vidro, escreveu o saudoso Norberto Bobbio (2), organizador, em dois volumes e 1.300 páginas, do famoso “Dizionario di Politica” (3), obra enciclopédica fundamental da ciência política, traduzida em vários idiomas.
Para um leitor atento à imagem utilizada por Bobbio, a transparência é componente ínsito ao conceito de democracia.
O vidro dá a ideia da fragilidade deste regime do povo, para o povo e pelo povo, como definiu Abraham Lincoln (4).
SUPREMA SUJEIRA
Na suprema casa que abriga a cúpula do Poder Judiciário nacional, os vidros, aproveitada a imagem de Bobbio, ficaram sujos.
Alguns desses vidros restaram trincados, outros com aparência de corrompidos, comprometidos por ações escandalosas de três supremos ministros: Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Nunes Marques.
Não existem mais os vidros íntegros e blindados que resistiram à tentativa de golpe de estado q liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Depois da tentativa golpista, a suprema casa sofreu profunda modificação. Com isso, perdeu a confiança popular. Não é mais vista como isenta.
Os novos vidros sofrem com a pressão derivada da força interna do poder despótico.
FRACHIN
O seu presidente, Edson Fachin, é fraco e, nos escritos oficiais, diferentemente dos discursos, é conivente com os malfeitos. Nem mandou o relatório da Polícia Federal, com indícios de crime por parte do ministro Dias Toffoli, para o procurador-geral Paulo Gonet. E este, amigo de Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, ainda não tomou providência.
Para dar aparência de comprometimento com a ética, Fachin cai em leros-leros improdutivos, como a criação de um Código de ética, sem sanção aos descumpridores dos deveres.
Fachin, com o código de conduta que acredita inibidor, não percebe, pelos exemplo dado pelo desavergonhado ministro Dias Toffoli, que poder inibitório, tipo Dez Mandamentos da lei mosaica, não freia.
É pura perfumaria a tentar minimizar o odor de ilicitudes. Basta atentar pelo que já fez Toffoli sob a égide da LOMAN (Lei Orgânica da Magistratura Nacional) (5). Esta impõe sanções graves aos que violam os deveres funcionais.
NAS ASAS DOS JATINHOS
Nesta semana nada santa no STF, novos escândalos vieram a tona:
Oito voos do ministro Moraes, na companhia da esposa advogada, nas asas de jatinhos de empresas ligadas a Daniel Vorcaro e ao seu operador financeiro e cunhado;
R$18 milhões faturados pelo jovem e advogado prodígio (um ano de formado em Direito), filho do ministro Nunes Marques. Todo o faturado em consultorias a Vorcaro e aos irmão Batista da JBS. No meio jurídico, o filho de Nunes Marques já é comparado ao saudoso e brilhante jurista Pontes de Miranda (6).
Voo que levou Dias Toffoli ao resort Tayayá em jatinho de empresa ligada a Vorcaro;
Transporte de Nunes Marques e esposa para festa em táxi-aéreo da empresa ligada a Vorcaro. Os custos foram patrocinados, segundo o jornal O Estado de S.Paulo, pela advogada do banco Master, Camilla Newton Ramos.
O último escândalo envolveu, novamente, o ministro Nunes Marques. Pelo seu passado, também não cumpre e nem se incomoda com as sanções da LOMAN.
Pelo currículo, Nunes Marques é, no meio judiciário, conhecido como “o togado das boquinhas”.
Nunes Marques já escandalizou com viagens e estadas gratuitas para assistir a Champions Lague, Roland Garros, Grande Prêmio de Mônaco.
A escolha de Nunes Marques para o STF decorreu de escândalo. Bolsonaro anunciou Nunes Marques como o ministro que tomaria tubaína com o presidente. Seria um dos seus e orientado como votar.
O ministro Nunes Marques apresentou, quando da sua sabatina no Senado, currículo lattes falso. Não tinha o título que constava na italiana Universidade de Messina. Erro de digitação da secretaria, como alegou e os senadores acreditaram.
Nunes Marques era desembargador federal, sem concurso público. Buscava uma vaga no Superior Tribunal de Justiça, pela classe reservada aos oriundos da classe dos advogados. Procurou e conquistou apoio com Flávio Bolsonaro e, depois disso, virou candidato do presidente Jair Bolsonaro ao STF e não mais ao STJ.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) terá o “togado da boquinha” e pai do filho prodígio, na sua presidência nas eleições de 2026. Caberá a ele anunciar o nome do presidente da República eleito.
PANO RÁPIDO
O STF, tomada de novo por empréstimo a imagem de Bobbio, virou a casa de vidros democráticos comprometidos.
Tomara que os seus supremos togados não transformem o STF, dada a sua importância num sistema democrático, republicano, alicerçado no estado de Direito, numa casa de cooptados por potentes endinheirados.
(Fonte: https://noticias.uol.com.br/colunas/walter-maierovitch/2026/04/05/supremos-ministros-nas-asas-de-jatinhos-da-impunidade.htm)
(1) Wálter Fanganiello Maierovitch é magistrado de carreira. Aposentou-se como desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. Como juiz, especializou-se na área constitucional-processual e nos direitos penal e penitenciário. Tem inúmeros artigos publicados e no campo do direito penal dedicou-se ao tema da criminalidade organizada transnacional
(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Norberto_Bobbio
(3) https://www.amazon.com.br/dizionario-politica-Norberto-Bobbio/dp/8851125279
(4) https://pt.wikipedia.org/wiki/Abraham_Lincoln
(5) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp35.htm
(6) https://pt.wikipedia.org/wiki/Pontes_de_Miranda
Vem aí. . .
> mais uma fonte de polpudos jetons. . .
“Com EUA de olho, governo avança em conselho de minerais críticos”
– Planalto avalia a criação de um órgão ligado à Casa Civil para coordenar estratégia geopolítica do setor…
(Lara Brito, Poder360, 05/04/26)
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha no desenho final de um conselho especial vinculado à Presidência da República sobre minerais críticos. As discussões para a instalação do órgão estão avançadas e ganharam novo fôlego depois de Estados como Goiás se anteciparem à União ao fechar acordos internacionais sobre o tema.
A ideia do novo colegiado é funcionar como instância de assessoramento direto ao presidente —especialmente na dimensão geopolítica— e como ponte com o setor privado.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-governo/sob-pressao-dos-eua-conselho-de-minerais-criticos-avanca-no-planalto/
> ou mais um escoadouro de verbas públicas!
> ou mais um poderoso balcão de negócios!
> ou tudo junto e aPeTralhado!
“Todos são iguais perante a lei. . .”
exceto para os amigos dos
supremos amigos!
“STF dá 14 anos de cadeia a empresário que doou R$ 500 para 8 de Janeiro”
– Alcides Hahn fez Pix do valor para empresa de ônibus que levou manifestantes de Blumenau a Brasília; Hahn nega envolvimento com a manifestação…
(Poder360, 04/04/26)
O STF (Supremo Tribunal Federal) condenou o empresário catarinense Alcides Hahn a 14 anos de prisão em regime fechado por ter transferido R$ 500 para o pagamento de um ônibus fretado que levou manifestantes de Blumenau (SC) até Brasília para os atos do 8 de Janeiro. A decisão foi tomada em 2 de março de 2026, a partir de denúncia da Procuradoria Geral da República.
O empresário catarinense foi condenado por 5 crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa. O recurso seria julgado em 20 de março, mas foi retirado de pauta.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-justica/stf-condena-empresario-de-sc-a-14-anos-por-atos-de-8-de-janeiro/
Ou nos jatinhos da FAB
ou nos jatinhos dos enrolado$,
exceto, obviamente, em vôos comerciais
pois esses são para humildes mortais!
“‘Viciado’ em mordomias: Governo Lula já fez 279 voos em jatinhos da FAB este ano”
(Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 05/04/26)
Autoridades do governo Lula (PT) já realizaram 279 voos em jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB), regalia concedida apenas a ministros de Estado, do Supremo Tribunal Federal (STF), chefes das Forças Armadas e a presidentes dos Três Poderes. Camilo Santana (Educação) parece ter levado ao pé da letra a opinião do chefe Lula de que precisa aparecer para todo o País: se tornou, de longe, a autoridade que mais viajou nos jatinhos este ano: 52 voos. Apenas em março, foram 29 viagens.
Motta em segundo
Presidente da Câmara, Hugo Motta, que era até o mês passado o maior viajão da Esplanada, caiu para a segunda colocação: 33 voos.
Conta complexa
Quando ministros do STF pedem para usar aviões da FAB, eles são requeridos a pedido (no nome) do ministro da Defesa, que soma 32 voos.
Zero viagem
Presidente do STF, o ministro Edson Fachin não requereu jatinhos da FAB como chefe do Poder Judiciário.
FAB ocupada
Março representou o mês com mais viagens em jatinhos da FAB, este ano: 111. Em janeiro foram 87 deslocamentos e em fevereiro, 81.
(Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/viciado-em-mordomias-governo-lula-ja-fez-279-voos-em-jatinhos-da-fab-este-ano)
“Otoridade$Tur”
> “Kassio viaja em avião de advogado de Cláudio Castro que atua no TSE”
– OUTRO LADO: Ministro é amigo de Gustavo Severo e diz que se declara impedido em seus casos.
– Documentos indicam que filho do ministro também viajou com o profissional.
+em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/04/kassio-viaja-em-aviao-de-advogado-de-claudio-castro-e-que-atua-no-tse.shtml
> “Flávio Bolsonaro viajou com família para Flórida e Rio em jatinhos emprestados por empresários”
– O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez ao menos duas viagens com sua família no ano de 2025 em jatinhos emprestados por empresários, como indicam documentos e relatos colhidos pelo Estadão.
+em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/04/03/flavio-bolsonaro-viajou-com-familia-para-florida-e-rio-em-jatinhos-emprestados-por-empresarios.htm
100 comentários. . .
“A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”
A expressão é utilizada para afirmar que, em determinadas posições — especialmente as de poder, influência ou responsabilidade pública — não basta agir corretamente: é indispensável não gerar sequer a aparência de irregularidade.
Qualquer divergência com o fetiche apresentado
pelo porralouca que preside o IBGE será mera. . .(*)
“Brasil aparece em imagem da Terra vista pela Artemis 2”
– País aparece encoberto por nuvens; tripulação de 4 astronautas viaja rumo à Lua em missão de 10 dias para testar sistemas da nave…
(Poder360, 04/04/26)
O Brasil aparece em uma das fotografias da Terra capturadas pelos tripulantes da missão Artemis 2 e divulgadas na 6ª feira (3.abr.2026) pela Nasa.
. . .
A foto divulgada pela Nasa pode causar um estranhamento e uma dificuldade em reconhecer os continentes. O motivo disso é que a foto está invertida, ou seja, o polo Norte está na parte inferior, e o Sul, na superior.
. . .
+em: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/brasil-aparece-em-imagem-da-terra-vista-pela-artemis-2/
(*) https://www.youtube.com/watch?v=pB_pVXwfnbw
> Matutando sobre a charge. . .
Pelo que temos “visto, lido e ouvido”
os 11 supremos togadões,
que até agora ninguém reparou na falta de 1,
são INTOCÁVEIS!
> Matutando sobre o comentário do Herculano. . .
Como eu sou “leigo de pai e mãe” em Direito, para ilustrar, replico um artigo do Marco Antonio Cravo(*), no Jusbrasil:
“A falácia da paridade de armas”
O Princípio da Paridade de Armas nada mais é do que a igualdade de tratamento entre as partes do processo em relação ao exercício de direitos e deveres, bem como, à aplicação de sanções processuais, em outras palavras, é a necessidade da defesa e acusação terem as mesmas oportunidades para influenciar o julgador.
A paridade de armas decorre dos princípios do contraditório, ampla defesa, devido processo legal e até mesmo do direito à igualdade, assim, deveria ser respeitada, especialmente no processo penal.
Contudo, no dia a dia forense nos deparamos com algumas situações que demonstram total desrespeito ao mencionado princípio e quando usamos de tal argumento recebemos o entendimento de que “não existe nulidade se não houver prejuízo”. Ora, o fato de estar em desigualdade processual já não é prejudicial?
Como exemplo do desrespeito à paridade de armas, podemos citar a interposição de recursos. A defesa interpõe um recurso. Após, abre-se vistas à acusação para apresentar as contrarrazões. Depois disso, os autos são enviados ao Tribunal e lá mais uma vez o Ministério Público se manifesta por meio da Procuradoria de Justiça, ou seja, são duas oportunidades para a acusação tentar convencer o Poder Judiciário contra apenas uma da defesa.
Por óbvio dois argumentos tendem a convencer mais do que um, assim, o prejuízo para a defesa sempre ocorre. Tal situação é corriqueira em todos os processos recursais nas instâncias superiores.
Porém, infelizmente a violação mencionada também acontece na primeira instância, vejamos:
O Ministério Público oferece a denúncia. Depois o réu é citado para apresentar a resposta escrita. Após o juiz deve analisar a possibilidade da existência de causas de rejeição da denúncia, bem como possíveis excludentes de ilicitude ou de culpabilidade do agente e ainda a probabilidade de atipicidade do fato ou a presença de causa extintiva da punibilidade (artigo 397 do Código de Processo Penal).
Não verificada qualquer dessas hipóteses, o processo terá seguimento, com a designação da audiência de instrução e julgamento (artigo 399 do Código de Processo Penal).
Porém, o juiz ao invés de rejeitar a denúncia ou absolver sumariamente o réu, ou até mesmo receber a inicial acusatória e marcar a audiência de instrução e julgamento, comumente abre vistas ao Ministério Público para se manifestar a respeito da resposta à acusação, mesmo sem previsão legal para tal ato.
Importante mencionar que o momento para a acusação reunir o substrato probatório mínimo para analisar a tipicidade do fato ou a inexistência de excludentes é o que precede ao oferecimento da denúncia, não havendo motivo para estabelecer-se ocasião processual, onde, o órgão acusador realiza uma verdadeira tréplica, o que remataria por obrigar o juízo a oportunizar nova vista à defesa do acusado, sob pena de violação aos princípios da paridade de armas, ampla defesa e contraditório.
Além disso, a Lei 11.719/2008 alterou substancialmente o processo penal, oportunizando ao acusado a possibilidade de articular de forma mais ampla a sua defesa, permitindo, inclusive, a sua imediata absolvição sumária e não há, efetivamente, na referida regra, previsão de abertura de vistas ao Ministério Público da defesa apresentada pelo denunciado.
Por outro giro, a adoção deste procedimento equivocado, acarreta indevida dilação, com ofensa à garantia da razoável duração do processo e da celeridade de sua tramitação (artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal), a qual resulta afronta quando introduzida fase não prevista em lei e que retarda a prolação do provimento jurisdicional à defesa do acusado.
Não há como justificar que não existe ilegalidade nessa situação já que o Ministério Público tem a função de fiscal da lei (artigo 127 da Constituição Federal), pois, como tal, deveria lutar para que fosse cumprido exatamente o que está previsto na legislação processual.
Ademais, se analisarmos com mais cautela lembraremos que no processo penal, o Ministério Público é titular da ação, portanto, é parte no processo, assim, se ele foi ouvido inicialmente ao oferecer a denúncia, a parte contrária deve ser ouvida também ao apresentar a defesa e depois disso, cabe ao juiz decidir sem precisar consultar ninguém, que caminho irá tomar a ação penal.
Possivelmente tudo o que foi alegado aqui não trará mudanças, porém, como operador do direito não posso deixar de registrar meu descontentamento. Finalizando o pensamento, utilizo a frase do grande jurista Rui Barbosa: “quando as leis cessam de proteger nossos adversários, virtualmente cessam de proteger-nos”.
(Fonte: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-falacia-da-paridade-de-armas/1208432307)
(*) Advogado Criminalista. Assessor Técnico na Secretaria de Segurança Pública de Bebedouro/SP. Pós-graduado em: 1).Direito Penal e Processo Penal; 2).Ciências Criminais; 3).Direito Constitucional; 4).Direitos Humanos; 5).Direito Internacional e 6).Criminologia.
+em: https://marcoantoniocravo3114.jusbrasil.com.br/?_gl=1*13evkqi*_gcl_au*MzcxMDk3NjE3LjE3NzUzMDY3NDQ.*_ga*OTQ2MzEyMjI0LjE3NzUzMDY3NDQ.*_ga_QCSXBQ8XPZ*czE3NzUzMTQxNTMkbzIkZzEkdDE3NzUzMTQxNTQkajU5JGwwJGgw
Aproveitando o Matutildo daí, matuto por aqui. Nunca uma frase do sábio, antes de ser um jurista, Ruy Barbosa, foi tão atualizadíssima para expressar a realidade jurisdicional a que estamos sujeitos, passando e ameaçados e citada para fechar o artigo abaixo: “quando as leis cessam de proteger nossos adversários, virtualmente cessam de proteger-nos”.