Meu Deus. Por onde começo? Há uma fila de artigos – que vão na mesma linha de dúvidas, trapalhadas, de falta de transparência na cidade e no governo – que compulsoriamente foram à minha gaveta por porque os fatos paralelos a atropelaram nas prioridades. A cidade e o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, sua base de sustentabilidade, estão fraturados, desorientados politica e administrativamente, beirando à falta de crédito e esperando,. Estão ardendo, incrivelmente, em foto amigo, na falta de uma oposição coerente.
Retomando. Gaspar, onde a “causa animal é coisa para inglês ver”, cabide de emprego e palanque manjado de discurso eleitoral , por aqui o cachorro continua correndo atrás do próprio rabo. Tudo, propositadamente, para nos distrair. E todos se atrasando contra a cidade, cidadãos e cidadãs.
E por que eu volto para mostrar estas cenas repetidas, que pelo jeito, não nos ensinaram nada até aqui e muito menos ao “novo” governo? Ele ganhou com 52,98% dos votos válidos contra a continuidade e quatro candidatos, dizendo-se capaz de mudar o que não se aguentava mais por aqui. E a continuidade se expressa com retrocessos, incluindo a importação de cabos eleitorais de candidatos de fora para atuar no primeiro escalão.
MINHA ALMA LAVADA, OUTRA VEZ
Simplesmente, porque estas cenas repetidas e reafirmadas na sessão da Câmara de terça-feira passada, tristemente, lavaram à minha alma. Mais do que isso: uma maioria silenciosa assistindo as chamas no circo bem como documentos, palavras e gestos dos próprios vereadores envolvidos foi parte essencial desta encenação reveladora. Ao sabor dos acontecimentos e sem capacidade de controlar com mão de ferro como queria na insistente falta de transparência, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, vai cada vez ficando exposto, explicando-se e enfraquecido. Logo, em ano eleitoral.
Perguntar não ofende: quem mesmo o orienta?
Ou seja, meus leitores e leitoras – que não os tenho, segundo os antigos e perpetuados como “novos” poderosos de plantão, insistem em me rotular, desqualificar e constranger – não foram enganados por um “mensageiro das mentiras”, quando, na verdade, eu só mostro, esclareço, comento, ou questiono um suposto governo de mudanças, mas sem de projetos, ações, resultados e transparência. E isto incomoda tanto o governo, seus bruxos e os que verdadeiramente mandam na cidade há décadas.
Quem pronunciou “a maldade bebe a maior parte do veneno que produz“? Lúcio Aneu Sêneca (nascido em Córdoba, na Espanha c. 4 a.C. E morto em 65 d.C, em Roma, ou seja, há dois mil anos). Ele foi um dos mais importantes filósofos estoicos da Roma Antiga, além de escritor, dramaturgo e conselheiro político.
Em resumo, foi o que se viu na sessão desta terça-feira na Câmara de vereadores de Gaspar: o veneno está contaminando, cada vez mais aos inventores dele, mas tenta envenenar quem não consegue convencer, ser claro ou dialogar para eliminar as dúvidas.
DO DESCUIDO À ARMADILHA. ERRO AO AMADORISMO?
A sessão caminhava, para mais uma vez, o vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil (vídeo acima), eleito como base do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, ser o foco com as suas reiteradas – e até aqui fundamentadas – denúncias de irregularidades, na medição e pagamento das roçadas, mesmo diante da advertência implícita ao atual governo, de que este assunto era explosivo, exigia cuidado redobrado.
E por que? O governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, tinha sido alvo de uma investigação na polícia especializada – o prefeito é um policial – em corrupção de Blumenau, de um espetáculo do atual do governo na cortina de fumaça no ano passado numa CPI na própria Câmara, onde a relatora é uma policial, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL.
Isto sem mencionar o perigoso elo comum de que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Ele a a turma que o assessora – secretaria de Fazenda e Gestão, Administrativa, Controladoria, secretaria de Obras e Serviços Urbanos, Chefia de Gabinete, compras e licitações, e procuradoria Geral, aceitaram Adão Marafigo de Figueiredo, morador de Gaspar, mas que nos depoimentos da CPI, orientado por advogados, ficou sem qualquer lembrança das nossas ruas e do que fez na função.
Adão foi o responsável por apresentar os questionados relatórios de roçada da Ecosystem e Sanitary (ambas de Curitiba) nas cobranças superfaturadas. E vejam só, ele a mesma função com a Kraiesky (São Cristóvão do Sul SC), coentrada pelo governo de Paulo Norberto Koerich, PL, supostamente com os mesmos defeitos de anos, se não tiver a intenção de desmoralizar a CPI, para continuar na mesma função: fazer os relatórios com supostos erros e cobranças a maior das roçadas. Meu Deus.
UMA LÍDER OU A BUSCA DO PODER PARALELO A QUALQUER CUSTO? I

Esclarecido para retomar
Paulo Norberto Koerich, PL, não agrega, não pacifica, não gerencia. Gera conflitos permanentemente. Sua líder na Câmara, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, igualmente. E ficou exposta naquilo que todos sabiam na Casa.
O foco da sessão de terça-feira se transferiu para o vereador Giovano Borges, PSD (foto ao lado), e a líder de governo e presidente da Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL.
“Avião voa. Vento passa por baixo“, acusou Giovano. Para ele, Alyne olha onde está o vento e “embarca” nele para voar para não enfrentar as turbulências políticas cíclicas.
Os dois se conhecem muito bem e há muito. Sabem o que falam um do outro. Alyne esteve até o último minuto pelo PSD de Giovano usufruindo no governo de Kleber antes de embarcar na nova onda de poder na parceira policial de anos com Paulo. “Eu tenho áudios do senhor“, ameaçou Alyne para constranger, deixar na defensiva e calar Giovano e ao mesmo tempo de recado do “modus operandi” dela e do governo Paulo aos demais e à cidade. Creeedo! Se os possui, deveria expô-los.
E qual as razão de tudo isto? A ida do importado secretário de Obras e Serviços Urbanos, Leandro Rafael Melo, assistido pelo procurador geral Júlio Augusto de Souza Filho, à Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização. Não se discute à capacidade profissional de Leandro não experimentado no ambiente público, mas mesmo assim, ele precisava conhecer minimamente a cidade e ter ao seu redor, gente de confiança que conheça a entranha pública. Ele não os possui e é um mal desse governo, deixando expostos, incrivelmente, gente de suposta confiança e do primeiro escalão.
Alyne, de forma autoritária, segundo Giovano, e exercendo parte do papel dela de proteger o governo quando cheirou enxofre, impediu que os parâmetros usados por ela como relatora da CPI, fossem comparados na reunião da Comissão. Como assim. Pau que bate em Chico, bate em Francisco. Esta é a questão Central.
UMA LÍDER OU A BUSCA DO PODER PARALELO A QUALQUER CUSTO? I
Entretanto, o espanto é outro lado dessa moeda. E foi ele o que fez Alyne baixar a arrogância e ao mesmo dobrar a aposta.
Segundo o vereador Giovano, Alyne teria o procurado para pelo menos dificultar a vida política do vizinho de bairro na pretensão do campeão de votos de Alexsandro Burnier, PL, em ser presidente da Casa. Alexsandro, mesmo assim, foi. Apesar do erro estratégico que custa até hoje arranhões na imagem no governo e colocou o comando informal da Câmara neste ano nas mãos do mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP.
Espantosa, todavia, foi a revelação de que a líder do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, articulou com Giovano, o desgaste para a queda da educadora, ex-vereadora e ex-candidatas a prefeito, Andreia Symone Zimmermam Nagel, PL, da secretaria de Educação. Por estas e outros, entende-se o cortado por que passa a secretária nesse tiroteio construído dentro do próprio governo.
Na falta de limites, Alyne chegou a tramar o desgaste do chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP. Enquanto, ele percorria a Câmara para aprovação de um Projeto de Lei interesse do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, a líder do governo pedia a Giovano – em suposta oposição – para que adiasse à tramitação do Projeto por meio de um pedido de vistas. Jesus, Maria e José! O que mais foi ou está sendo feito no escurinho do poder de plantão para ampliar a fragilidade e o desgastes do governo de Paulo Norberto Koerich, PL?
Para que não haja dúvidas, para que mais uma vez os envolvidos não digam que eu exagero, distorço ou minto, reproduzo uma montagem rápida abaixo dessa baixaria onde o próprio governo conspira contra ele próprio. Vergonha. E por isso vai se enfraquecendo e se descredibilizando. A sessão que durou duas horas pode ser visto no Youtube da Câmara, pois até o momento que eu postava não estava anexada à sessão, apesar da cara árera de comunicação que possui.
Este é o retrato do governo de Paulo Norberto Koerich, PL. Não é este espaço que não é lido por ninguém como os próprios poderosos divulgam aos quatro cantos, o problema e o que conspira contra à falta de resultados e mudanças, mas as escaramuças dos que estão obrigados a defendê-lo e fortalecê-lo. São eles que o enfraquecem, deixam-no exposto e dão motes para comentários esclarecedores aqui. “A maldade bebe a maior parte do veneno que produz” Muda, Gaspar!
TRAPICHE

A transparência opaca I. O chefe de gabinete da prefeitura de Gaspar, Pedro Inácio Bornhausen, PP (foto ao lado), está doente e internado em Blumenau com problemas hepáticos há mais de duas semanas. Por aqui, um silêncio total como se isso fosse possível esconder. Ele está numa função pública relevante. Em qualquer lugar sério, isto já teria sido, com responsabilidade, informado à cidade.
A transparência opaca II. Fica-se a impressão de que esta função no governo de Paulo Norberto Koerich, PL, é irrelevante. E parece ser. Na ausência de Pedro Inácio Bornhausen, PP, estão batendo cabeças, provisoriamente, e complicando o que já estava complicado Denise Prebianca Schramm e André de Moura da Cunha, que no papel ainda é secretário adjunto de Fazenda e Gestão Administrativa. E depois reclamam…
Cronologia. No dia 19 o secretário de Obras e Serviços Urbanos, Leandro Rafael Melo, foi a Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização da Câmara, como relatei acima, a sentiu o bafo das dúvidas. Tentou esclarecer, deu versões e concordou em parte com as dúvidas. Escaldado, no dia seguinte, na entrevista a Joel Reinert e Paulo Flores, na 89FM mudou parte do discurso. No mesmo dia, um longo press release da prefeitura reafirmou a legitimidade das medições e do relatório pago que está sendo posto em dúvida pelo vereador até então da base, Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil.
Perguntar não ofende: se está tudo estava esclarecido, qual foi a razão para o assunto ter sido levado, com “novos achados” na sessão de terça-feira da Câmara, dia 24? A prefeitura está devendo respostas? Não. Ela está cochilando e tentando enterrar a qualquer custo o problema que ela criou para o espetáculo e cortina de fumaça naquilo que estava já bem apurado pela polícia especializada em corrupção de Blumenau.
Desprezo aos colegas. A líder do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, policial que chegou ao topo da carreira como secretário de segurança de Santa Catarina, a também policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, lotada aqui, diz que o caso da roçada no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, está na Promotoria e na Justiça, graças a CPI.
Não é totalmente verdadeiro. O que impulsiona este assunto nas esferas jurisdicionais é a apuração da polícia especializada em corrupção de Blumenau. O relatório da CPI poderá ajudar o caso e está em segundo plano. O que é verdadeiro? O caso subiu para o Tribunal de Justiça por conta do for privilegiado do ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. Parece questão amarrando uma ponta solta. Hum!
O vereador Roni Jean Muller, MDB, ex-secretário de Obras e Serviços Urbanos ao tempo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e em parte do período das supostas medição exageradas e cobranças superfaturadas das roçadas, não poderia agir para questionar, deslegitimar e embraçar as ações neste assunto da Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização na Câmara como aconteceu na quinta-feira da semana passada, motivo do comentário principal de hoje.
Quem resolveu colocar em pratos limpos isto foi o advogado gasparense, Ivens Debortoli Duarte, numa Notícia de Fato que protocolou esta semana na presidência da Cãmara. Neste caso específico, segundo o advogado, o vereador está com a função e o poder de fiscalização comprometida, exatamente por estar envolvido e ter interesses nos desfechos deste escabroso e mal esclarecido assunto.
Para Ivens Debortoli Duarte há claro e constrangedor conflito de interesses, que dizem respeito à moralidade e impessoalidade administrativa – apesar de hoje, pelas decisões recentes do próprio STF serem dispensáveis quando a hermenêutica conveniente for superveniente. Ivens pediu providências ao presidente Ciro André Quintino, MDB.
O vereador Roni Jean Muller, MDB, está inconformado. E este assunto deve parar na Justiça. Antes, deverá parar no Ministério Público. Muda, Gaspar!
Um leitor que não tenho I: “Todos perdidos (os quatro do PL). De novo o caminhão de mudanças andando em estrada de chão batido. Salvem-se quem quiser e puder. E vem mais. É só a ponta do Iceberg. E o delgado diz: teje preso; teje solto; tese preso; teje solto. Trovou uma paz (aposentadoria) por um voo mais longo ( cego e turbulento)“
Um leitor que não tenho II. “Assim caminha a humanidade gasparense: beco; beco. Quem estará em um beco sem saída? Alguns vereadores gasparenses. Na campanha eleitoral não terão escolhas para apoiar. E se não apoiar? O bicho fica feio“. E isto antes do PSD se unir ao MDB e PP, para entisicar a arrogância de Jorginho Melo, do PL, do Novo e dos bolsonaristas num governo propaganda e pouca entrega efetiva.
Perguntar não ofende: para que que serve o Vale Alimentação em Gaspar? Agora, os motoristas de ambulâncias quando vão a Blumenau estão cobrando diárias em horário de expediente.
A nova propaganda do governo que roda nas televisões regionais e redes sociais fala em crescimento, não em desenvolvimento. É uma pena. Fala em futuro, e não é capaz de citar depois de 15 meses de governo uma entrega efetiva. Propaganda do nada em ano eleitoral. Não resiste à realidade. Até nisto, os marqueteiros passam vergonha.
Desperdício e falta de planejamento. Há oito dias da Páscoa, começou a montagem da decoração no centro de Gaspar. Incrível.
Pelo jeito ser prefeito é bem diferente de ser delegado de polícia. Em Blumenau, o sumido prefeito de lá, Egídio Maciel Ferrari, PL, já está sendo chamado pelos adversários de Fela-li. Hum. Logo agora, em tempos de buscar votos e com Jorginho Melo, PL, tirado do conforto de uma provável vitória por WO?
A bancada feminina da Câmara de Gaspar fez uma moção de repúdio contra a eleição da transgênero Érica Hilton, do PSOL, para ser a presidente da Comissão da Mulher da Câmara. Dionísio Luiz Bertoldi, PT, foi contra. Tentou justificar o injustificável. Por outro lado, nestas semana o COI bateu o martelo: nas olimpíadas, as competições femininas, só quem provar por testes científicos que nasceu mulher. Alguma coisa, está retornando à realidade. Alguém já viu uma trans feminina (que virou na aparência um homem) competindo com provas masculinas?
O governo de Gaspar, na falta de notícia de verdade, propagou que melhorou score de crédito, por estar com as contas em dia. Também não está fazendo nada. Também mandou dizer na Câmara que está com R$75 milhões em superavit, sendo que R$17 milhões deles, em recursos próprios. Legal. Esta informação trabalha ainda mais contra ele. Por quê? Não pode dizer que está com os cofres vazios e não se concebe que não faz o mínimo que é tapar buracos, roçar e manter a cidade. Muda, Gaspar!
17 comentários em ““A MALDADE BEBE A MAIOR PARTE DO VENENO QUE PRODUZ”. A SESSÃO DA CÂMARA DE GASPAR DESTA SEMANA RECHEADA DE ESCARAMUÇAS, FOI O PERFEITO RETRATO DE UM GOVERNO FRATURADO, A REBOQUE DOS FATOS E QUE SE LANÇOU A PROPAGANDA PAGA DE VELHAS PROMESSAS. QUEM VAI RECOMPÔ-LO?”
Este primeiro comentário de Elio, deveria ser lido pelos bruxos – de fora e de dentro – que fazem o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, um bolinho de carne com mau aspecto e cheiro.
LULA ESTÁ TONTO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
Lula resolveu culpar os endividados pelo endividamento da população. Nas suas palavras:
“Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo.”
Culpar a população por um problema é a marca dos governantes tontos. E Lula não está tonto porque o endividamento das famílias aumentou. O que o leva a culpar o povo são as pesquisas. Segundo a Atlas/Bloomberg, a desaprovação do governo chegou a 54% e além disso, uma simulação do segundo turno da eleição mostrou-o tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro. O presidente tem 46,6% das intenções de voto e Bolsonaro II ficou com 47,6%. Diferindo de seu pai, que aproveitava qualquer oportunidade para fazer campanha, seu filho está jogando parado. Não apresentou plano de governo e mal opina sobre as questões relevantes da vida nacional. De certa maneira, alimenta-se do mau humor dos eleitores com o desempenho do governo.
Lula 3.0 completou três anos de governo sem que tenha fixado uma marca. A fila do INSS arrisca bater a marca dos 3 milhões de vítimas antes de outubro. Apesar do programa Pé de Meia, as matrículas de jovens no ensino médio encolheram 6,3%.
Pode ser que o mau humor tenha a ver com o cansaço, com os escândalos que não partiram do governo, com má marquetagem ou também com salto alto.
Um exemplo dos perigos do salto alto veio do ministro da Previdência, Wolney Queiroz, e do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Apesar das promessas do governo, a fila de vítimas aumentando, Queiroz sustentou que os segurados deverão ser atendidos “no menor tempo possível”. O doutor perdeu uma oportunidade de explicar porque três anos de promessas atolaram.
Os estrategistas do Planalto surpreenderam-se com a erosão da popularidade de Lula no andar de baixo. Não poderia ser de outra forma, os aposentados foram roubados e os segurados não conseguem atendimento. Waller Junior ofereceu um número que pode explicar a ruína: em 2022 (governo Bolsonaro) o INSS tinha 36 mil funcionários e em 2025 (governo Lula), esse número caiu para 18 mil. O presidente do INSS comporta-se como um analista que nada tem a ver com a gestão do governo.
O ministro pediu que se faça uma “boa propaganda” da Previdência. Ganha um fim de semana em Teerã quem souber como isso pode ser feito.
O CÉREBRO DE TRUMP
Algum parafuso está solto no cérebro do presidente dos Estados Unidos. No dia 6 de março, Donald Trump, disse que atacará o Irã até que ele ofereça sua “rendição incondicional”.
Três semanas depois, colocou na mesa de negociação um plano de 15 pontos, rejeitado pelos aiatolás.
Em maio de 1945, os Aliados exigiam a rendição incondicional da Alemanha. O almirante Doenitz, que assumiu o governo depois do suicídio de Hitler, mandou emissários ao general Eisenhower para negociar uma paz na frente Oeste.
Nenhum deles foi sequer recebido.
BLEFE
Com a decisão do Supremo Tribunal Federal de limitar parcialmente os penduricalhos da magistratura, ressurgiu a ameaça de provocar pedidos de aposentadoria.
É blefe. Noves fora os penduricalhos os doutores têm gabinetes, secretárias e carros com motorista.
Fora da folha de pagamento da Viúva, essa infraestrutura custa em torno de R$ 50 mil.
Aposentados, para manter o padrão de vida, os doutores ficarão com essa conta.
LULINHA
Abril vem aí e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, defende-se com o silêncio. É tudo que a oposição precisa.
Há um mês ele entrou na frigideira da CPI do INSS e já está entendido que viajou com o Careca a Portugal para prospectar um negócio. Agora sabe-se que ele prestou serviços de consultoria à Fictor, jogada na frigideira do bando Master y otras cositas más.
Enquanto o negócio do Careca do INSS em Portugal era essencialmente privado, na Fictor Lulinha era ligado ao empresário Luiz Rubini, um ex-sócio da empresa, que passou a integrar o Conselho do Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão. Este plenário tem nome comprido e atribuições nulas. Apenas enfeita os currículos dos seus integrantes.
O Planalto ainda tem tempo para desativar essa bomba relógio, armada para explodir na campanha eleitoral.
Lula tem dezenas de parentes e, desde que o marechal Deodoro encrencou-se pela parentela, ele foi um dos presidentes que menos misturaram a família com negócios do Estado.
A SUFRRESA DE FRANCISCO
Está na rede um bom livro, infelizmente em inglês. É The Election of Pope Leo XIV: The Last Surprise of Pope Francis (A Eleição do Papa Leão XIV: A Última Surpresa do Papa Francisco, dos jornalistas Gerard O’Connel e Elisabetta Piqué. Ele mostra como Francisco armou o quadro que levou à eleição do americano/peruano Robert Prevost.
O argentino Jorge Bergoglio agiu em duas direções. Numa, mudou o eleitorado, reduzindo a participação de cardeais europeus e, sobretudo, italianos. Quando morreu, tinha nomeado 80% do Colégio de Cardeais. Noutra, alavancou religiosos, principalmente o americano Robert Prevost, bispo de uma diocese peruana e quem entregou o Dicastério dos Bispos.
Pela sabedoria convencional, a sucessão de Francisco ficaria entre o secretário de Estado, o italiano Pietro Parolin e o conservador hungaro Péter Erdö (o mais votado no primeiro escrutínio). Prevost foi o segundo mais votado e Parolin o terceiro.
Prevost e Bergoglio conheceram-se em Buenos Aires, mas o encontro foi desastroso para o americano. Prevost achou que nunca chegaria a ser bispo. Feito Papa, Francisco deu-lhe uma diocese e estimulou sua carreira de pastor no Peru. Anos depois entregou-lhe o poderoso Dicastério dos Bispos, em Roma (responsável pela nomeação dos sacerdotes.)
A escolha de Leão XIV preserva o legado de Francisco mas costura uma pacificação com os cardeais conservadores. Francisco nunca deu pistas da sua preferência, mas O’Connel e Elisabetta Piqué, amigos pessoais de Bergoglio, decifraram a armação.
URUCUBACA FLUMINENSE
Em outubro os eleitores do Rio de Janeiro irão às urnas. Esse eleitorado reelegeu Sérgio Cabral e Cláudio Castro com mais de 60% dos votos.
Sete governadores do Rio deram-se mal. Moreira Franco, Sérgio Cabral, Anthony Garotinho e sua mulher Rosinha, bem como Luiz Fernando Pezão foram presos. Wilson Witzel foi impedido e seu vice, Cláudio Castro, renunciou para não ser cassado.
Neste século, todos os cidadãos eleitos para governar o Estado do Rio foram presos e/ou impedidos.
TRUMP TEM DE FAZER UMA ESCOLHA NO IRÃ, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo
O emprego de militares americanos em território iraniano se tornou bastante provável. O anúncio da mobilização dos fuzileiros navais, paraquedistas e tropas terrestres aponta para dois objetivos possíveis: pressionar o Irã a aceitar as condições americanas ou intervir para pôr fim ao bloqueio do Estreito de Ormuz.
Por definição, uma tática dissuasória só tem o efeito de modelar o comportamento do adversário se prenunciar um cenário que ele considera mais prejudicial do que a concessão exigida. Esse não parece ser o caso do Irã.
O regime não tem motivos para abrir mão do controle sobre o Estreito de Ormuz e de suas exigências, como a manutenção de seu arsenal de mísseis e de um programa nuclear para fins pacíficos, bem como o compromisso de não voltar a ser atacado, em troca de evitar o desembarque do inimigo.
Ao contrário. O cenário de guerra de guerrilha na costa montanhosa e nas ilhas do Golfo pode parecer atraente. Não porque os iranianos subestimem a capacidade dos soldados americanos. Mas pelas dificuldades inerentes à invasão.
A Guarda Revolucionária Islâmica se preparou desde o seu surgimento, em 1979, para esse confronto: na luta contra liberais e esquerdistas em seguida à revolução daquele ano; na guerra Irã-Iraque de 198088; na cooperação com o Hezbollah, os houthis e milícias xiitas no Iraque e na Síria.
Os exemplos do Vietnã, do Afeganistão e do Iraque provam que a superioridade tecnológica perde importância no corpo a corpo contra combatentes que conhecem o terreno e se protegem em túneis, trincheiras, prédios e montanhas. E não havia drones então.
A 82.ª Divisão Aerotransportada é uma força de resposta rápida treinada para descer atrás das linhas do inimigo e tomar instalações estratégicas. Os marines são uma força expedicionária capaz de proteger rotas marítimas e infraestrutura crítica.
Tropas terrestres, infantaria e veículos blindados comporiam uma terceira camada, para garantir a conquista dessas posições avançadas por mais tempo.
ESCOLHAS. Esse plano indica a compreensão política por parte do presidente Donald Trump de que o desfecho dessa campanha não pode ser o controle do Estreito de Ormuz pelo regime iraniano – algo que nunca ocorreu –, porque levaria à conclusão de derrota.
Num cenário de guerra e controle do estreito até junho, por exemplo, as projeções indicam um barril de petróleo a US$ 200 e o galão de gasolina a US$ 8 – ante US$ 70 e US$ 2,90 antes da crise.
Por outro lado, essa guerra já é impopular sem o emprego de tropas terrestres e as prováveis baixas que ele implica. Trump tem de escolher entre duas fontes de insatisfação dos americanos.
SUPREMO DÁ PÉSSIMO EXEMPLO AO PROTEGER DIAS TOFFOLI, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Por que o ministro Dias Toffoli não é formalmente investigado? Essa omissão, ante o volume de indícios que o colocam sob suspeita de ter mantido relações promíscuas com empresas interessadas em ações no Supremo Tribunal Federal, desafia o mandamento republicano da igualdade diante da lei.
No início de janeiro, esta Folha revelou a sociedade, no resort paranaense Tayayá, entre uma empresa que tinha entre os sócios dois irmãos do ministro e um fundo ligado às falcatruas do Banco Master, cujo inquérito estava sob a alçada de Toffoli na corte.
Quando a conexão foi noticiada, o ministro preferiu não esclarecer que ele também era proprietário da empresa, chamada Maridt, com os irmãos. Só o fez um mês depois, quando a Polícia Federal entregou ao presidente da corte, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas com citações comprometedoras sobre o ministro.
A pressão dos fatos levou os colegas de Toffoli a uma solução heterodoxa para tirá-lo da relatoria do inquérito do Master. O ministro se afastou “espontaneamente”, mas recebeu dos demais ministros um habeas corpus tácito, sob a forma de um comunicado afirmando o absurdo de que nada do que a PF relatara suscitava a suspeição de Toffoli no caso.
Pouco depois, o público pôde conhecer uma parte do que os ministros do Supremo leram no documento policial, mas preferiram varrer para debaixo do tapete.
A PF detectara indícios de pagamentos de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro à Maridt de Toffoli. Nas mensagens apreendidas, em maio de 2024 o dono do Master cobrava de seu comparsa Fabiano Zettel a realização dos aportes milionários ao “fundo do Tayayá”, pois estava em “situação difícil”.
Notícias de transações estranhas e vultosas com o resort não pararam por aí. O Estado de S. Paulo publicou dados do Coaf (órgão federal que monitora atividades financeiras) mostrando que, em 2025, a J&F transferiu R$ 25,9 milhões à empresa que, no mesmo ano, comprou as cotas dos irmãos Toffoli no Tayayá.
A empresa que adquiriu a sociedade no resort pertence a um advogado com serviços prestados ao conglomerado dos irmãos Batista. Outra advogada com serviços prestados ao grupo é Roberta Rangel, que era esposa do ministro Dias Toffoli quando ele suspendeu multas de R$ 10,3 bilhões por corrupção confessada da J&F.
Num Estado de Direito há presunção de inocência, portanto essas informações, conexões e coincidências envolvendo Dias Toffoli e interesses bilionários não o condenam de antemão. Mas outro princípio, o da isonomia, decreta que suspeitas de malfeitos devem ser investigadas a despeito do status da pessoa envolvida.
É péssimo o exemplo que o Supremo Tribunal Federal oferece à sociedade ao proteger um de seus colegas de uma legítima e necessária prestação de contas. Quando o órgão máximo da Justiça atua com tamanha desfaçatez, corrói o liame de confiança que constitui o seu principal ativo.
Meu comentário: Lula diz que o governo diz que fará uma campanha publicitária para os “brasileiros parar de torrarem o dinheiro…”. Credo. O primeiro que deveria parar de torrar o dinheiro dos brasileiros é o governo que vive criando e aumentando os já pesados impostos on line e quase sem canais de contestações ou compensações. E poderia começar economizando nesta campanha. E segundo, realmente o PT, Lula e a esquerda do atraso estão, com isto, mostrando que não conhecem os brasileiros, porque sempre viveram de fantasias, culpar e de jogar um contra o outro
O DESGASTE DE LULA, por Thaís Oyama, no jornal O Globo
O presidente Lula disse em Goiás que a economia vai bem, mas as pessoas gastam demais com compras pelo celular e cuidados com seus cachorros. Assim, ficam endividadas e, quando o salário acaba, elas “se zangam” e põem a culpa no governo. Lula disse até pensar em promover uma campanha na TV para ensinar o povo a gastar direito. Deve achar que, se os brasileiros pararem de torrar dinheiro com bobagens, finalmente perceberão os méritos de sua administração e votarão nele.
Lula não se conforma com o que lhe parece ser a ingratidão do eleitorado. Aliados relatam que, cada vez que recebe o resultado de uma pesquisa eleitoral, faz a mesma pergunta: por que motivo as “entregas” do governo — como ampliação do Bolsa Família, Pé-de-Meia ou isenção do IR — não mexem com os ponteiros da sua popularidade? Ou, como ele disse no discurso em Goiás, se “o time ganhou”, por que a plateia não está gostando do espetáculo?
Uma pesquisa Quaest a que a coluna teve acesso oferece algumas pistas para os dilemas presidenciais. A pesquisa foi feita com grupos focais de eleitores “independentes”, essa estreita faixa de indecisos que não são Lula nem Bolsonaro — e que, em última análise, definirão a eleição. Sobre os programas sociais cujo reconhecimento Lula reclama, os grupos pesquisados têm duas percepções. A primeira é que, ao criá-los ou ampliá-los, o governo não faz mais que sua obrigação. Trata-se menos de benefício que de dever do Estado. A segunda percepção é que as realizações do presidente podem ser boas, mas são “insuficientes”, já que Lula deixou de cumprir promessas de campanha — a “volta da picanha” é invariavelmente lembrada.
É tamanho o mau humor do eleitor independente para com o governo que até aquilo que, aos olhos do PT, parecia pauta positiva — o combate ao feminicídio — se revela um ônus para Lula. Na opinião dos eleitores ouvidos pela Quaest, “se a violência contra as mulheres está piorando, é porque o governo não está resolvendo o problema”. E lá vai mais um passivo para a conta do petista.
O eleitorado nem-nem (nem Lula nem Bolsonaro) acha que seu poder de compra nos supermercados derreteu, reclama do peso dos novos impostos e teme o avanço das facções criminosas. A essas queixas, se somam ainda a corrupção e as filas do SUS.
— O sentimento é de que Lula entrega com uma mão e retira com a outra — diz o estudo.
Ao dizer que o brasileiro gasta demais, e por isso não percebe que a economia vai bem, Lula reforça outra percepção captada pela Quaest. De que ele, pela sétima vez candidato a presidente, envelheceu — e não apenas fisicamente. A figura mítica que exercia fascínio sobre as massas hoje demonstra dificuldade de compreender os novos hábitos de consumo, as novas tecnologias, os desejos dos trabalhadores de aplicativo, dos empreendedores que não querem carteira assinada e dos jovens em geral — é no segmento de 16 a 34 anos que o governo tem sua maior desaprovação.
Lula reinou soberano e incontestado em seu partido por mais de quatro décadas, período em que trabalhou ativamente para não fazer sucessor. O fato de a esquerda, hoje, se ver novamente com o bolsonarismo nos calcanhares é consequência direta da falta de alternativas no campo que Lula salgou. Agora, com a desistência de Ratinho Junior e a provável entrada de Ronaldo Caiado no páreo, pesquisadores já admitem a hipótese de a eleição se encerrar no primeiro turno, com o campo bolsonarista forçando uma ordem unida em nome do antipetismo, e Lula partindo para o tudo ou nada. Para aumentar suas chances nessa ofensiva, porém, convém ao presidente deixar o estado de negação — culpar a plateia pela má qualidade do espetáculo não costuma aumentar a bilheteria.
LUZ BARATA NA MARRA, editorial do jornal O Estado de São Paulo
Já se pode dizer que o governo Luiz Inácio Lula da Silva entrou no modo desespero, o mesmo que caracterizou os últimos dias da administração de Jair Bolsonaro na Presidência. A meses das eleições, e na tentativa de reverter os resultados das pesquisas de intenção de voto que indicam empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o petista decidiu atuar em todas as frentes possíveis e, agora, quer encontrar uma maneira de segurar os reajustes nas tarifas de energia elétrica neste ano.
Em ofício enviado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Ministério de Minas e Energia revelou que o governo estuda ações para “mitigar os impactos dos reajustes tarifários para os consumidores” e pediu ao órgão regulador que adie decisões que possam resultar em aumentos na conta de luz.
Pelas projeções da Aneel, se nada for feito, as contas de luz subirão, em média, 8% neste ano, mas há casos em que os aumentos podem ser ainda maiores – em Roraima, por exemplo, a tarifa aumentou 24,13% em janeiro.
O documento não diz que alternativas são essas, mas tudo indica que a bondade será viabilizada por meio de um empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de R$ 7 bilhões, para limitar os reajustes à inflação, no máximo.
Segurar preços por meio de empréstimos bilionários em ano eleitoral não é algo inovador – e, justiça seja feita, nem foi Bolsonaro quem inaugurou o expediente, mas Dilma Rousseff, em 2014. Naquele ano, o alívio no bolso do consumidor foi imediato, e a presidente, diferentemente de Bolsonaro, conseguiu ser reeleita.
Assim que a ex-presidente tomou posse, no entanto, o rebote chegou, e as tarifas subiram cerca de 50% em 2015. O reajuste represado, afinal, não desaparece como num passe de mágica – volta ainda mais salgado nos anos seguintes. Como todo empréstimo, há incidência de juros, e quem paga não são as concessionárias, mas o próprio consumidor, em sua conta de luz.
Controlar preços, por si só, já é uma ideia ruim e inócua, uma vez que ataca a consequência e não a causa do problema. São momentos como esse que mostram que o País parece condenado a repetir os mesmos erros, pois nem mesmo um longo histórico de planos econômicos que falharam em conter a inflação usando desse mesmo artifício parece ter ensinado algo às autoridades.
O pior é que o reajuste a ser represado não está relacionado a um descasamento entre oferta e demanda, nem servirá para arcar com investimentos para evitar um racionamento ou para cobrir o aumento do custo da energia em razão de uma estiagem prolongada. O que tem puxado as faturas de energia elétrica para cima nos últimos anos é a explosão de subsídios escamoteados nas tarifas.
O consumidor pode até não saber, mas é ele quem banca o lucro de empresários que investem em todo o tipo de fonte de energia, seja limpa ou fóssil – de painéis fotovoltaicos, fazendas solares e eólicas a usinas a carvão, diesel e óleo combustível. O custo dessas benesses está embutido em sua conta de luz, e contra esses interesses nem o governo nem o Congresso ousam se insurgir.
Tamanha fragilidade de controles e de fiscalização saltam aos olhos, pois esperava-se o contrário de quem arrota ser um exímio investigador a 30 anos. Provou-se exatamente o contrário, igualou-se nas ameaças a quem denuncia e fiscaliza, e ainda pior acoberta os seus ou é muito fraco naquilo que deveria liderar, que os enganam facilmente com muita bajulação.
Deste modo, aponta-se para poucos culpados como este blog, e esquece de ter a mínima transparência e coragem para reconhecer os erros e mudar enquanto há tempo. Insiste nos mesmos e repetem os erros. Isto se for erro, porque já soa sacanagem bem embaixo do nariz do vareja dor que nada mais enxerga.
Impressionante. Desesperador. Triste constatação. Um áudio que circula em Gaspar desde ontem a noite (sexta-feira), viralizou, revirou a cidade e está incomodando o poder de plantão, sustentado pelos mesmos que mandam na cidade há quase meio século, estando já na segunda e terceira geração, desnuda o que se perpetua. É uma desmoralização e enfraquecimento sem dó e tamanho à fama do policial investigador de 30 anos e que chegou ao topo da carreira como secretário de segurança do estado no governo do bolsonarista Carlos Moisés da Silva, sem partido, Paulo Norberto Koerich, PL. Eu sabia, mas preferi apenas dar um toque no TRAPICHE e esperar as cinzas do circo.
Sabe o que os bruxos do governo estão fazendo neste momento? Procurando quem foi atrás do assunto, quem espalhou, quem gravou o áudio.
Tudo errado. Tudo igual ao que era antes, e se condenava, e que a cidade deu 52,98% dos votos válidos para mudar. Os fantoches do poder estão se negando a se purificar e sair da lama onde estão lhes metendo. Um dia será tarde. Quem avisa, amigo é. Bom fim de semana, aos que puderem.
Mais uma vez estão culpando o carteiro pelo conteúdo da carta que foi entregue. Credo! Muda, Gaspar!
Sorte do governo que o áudio sobre a suspeita compra do ovo de Páscoa mal circulou — o que, de quebra, evidencia que a turma da direita anda mais eficiente em fazer barulho. Do contrário, o delegado já estaria vindo a público, em versão “protocolo japonês”, pedir desculpas.
Só em Gaspar mesmo: uma licitação de fachada, como a da Páscoa, passa sem causar comoção. A cidade parece anestesiada.
O áudio circulou tanto que o whatsapp o classificou como “encaminhada com frequência” e restringiu de 20 replicações por vez, para uma só, em dados momentos da manhã
A cidade inteira sabe. E o que se vê é incredulidade total e um governo acuado pois está fraturado como bem demonstrou a líder do governo na sessão da terça-feira na Câmara de vereadores. Estão dormindo com o inimigo. Incrível. Isto auto explica, no mínimo, à falta de resultados e transparência para a cidade, cidadãos e cidadãs.
Não sei se estão falando do mesmo áudio, mas um que tem um podcast falando da compra da decoração eu recebi 20 vezes…
Gaspar e a gestão por retrovisor a espera de “milagres administrativos”
Se alguém ainda tinha dúvidas sobre o padrão das contratações públicas no município, talvez seja hora de rever o roteiro. A sequência já virou série — e daquelas repetitivas.
Começou com o episódio do transformador. Depois, veio a compra de terreno de empresário conhecido, com pagamento apressado, quase ansioso, como quem não pode perder tempo quando o interesse já está previamente decidido. Na sequência, a já conhecida licitação das “salas de aula de lata”, convenientemente vencida por empresa da cidade vizinha, em um enredo que dispensou esforço para esconder o direcionamento.
Mas nada supera o capítulo mais recente: os ovos de Páscoa.
Aqui, a administração resolveu inovar e entrar no campo do sobrenatural. Uma licitação realizada a poucos dias da Páscoa. Contrato assinado. Amostras aprovadas. Produção concluída — incluindo um “ovão” de 7 metros — tudo em tempo recorde, digno de laboratório de física quântica, não de gestão pública.
E, claro, a versão oficial exige fé: acredite quem quiser que tudo aconteceu em 24 horas, com planejamento, competição e igualdade de condições entre fornecedores. O coelhinho da Páscoa, ao que parece, agora também atua como gestor de contratos.
No fim, não é só o tamanho do ovo que chama atenção — é a casca fina da transparência. Porque quando processos públicos passam a depender de prazos impossíveis e resultados instantâneos, o problema já não é mais de eficiência. É de credibilidade.
E essa, diferente de chocolate, não derrete rápido — ela simplesmente desaparece.
Alguém aí observou o observatório social ?
Meu Deus.
1. O que mudou? No caso do transformador, levaram um empresário ingênuo e limpo ao erro, com dignidade ofereceu a cabeça, e os que armaram, saíram-se ilesos e continuaram como se nada tivesse acontecido.
2. Sobre a compra do ovo, realmente chama a atenção. E por pouco não instalam depois da Páscoa. Mas, o que chama a atenção é que quando se quer dar velocidade e quebrar os entraves burocráticos, é possível e se faz. Enquanto se dá desculpas para os mínimo essencial
3. Quanto a este Observatório Social, se tornou uma piada. É cego. É capa de proteção. E para não ficar inerte, virou a “escolinha do Professor Raimundo”. Está fazendo propaganda dele mesmo para as crianças.
Sabe o que tenho de conceito?
Vejo disputa das tetas do dinheiro público, de Verbas e oportunidades pessoais e favorecimento de grupos.
Não vejo que isso tem relação para governar para um município procurando bem estar das pessoas que vivem aqui.
É apenas jogo político em um tabuleiro que fede a merda. É isso.
Não vejo igualdade.
Boa tarde.
Será que o senhor Adão Marafigo de Figueiredo é parente do Roni Muller?
Na época do Kléber a família do Roni jogava nas quatro linhas sem nenhum contratempo. Faltava no quadro um secretário ou diretor, ou ia o Roni, ou ia um parente do Roni.
Agora no governo Paulo, trocou a terceirizada das roçadas, mas o fiscal Adão Marafigo continua no mesmo posto, onde no exercício da atividade laboral, RESPONDE PROCESSO POR IRREGULARIDADES.
Se fosse na iniciativa PRIVADA será que o Adão continuaria empregado, mesmo enrolado em dúvidas até o pescoço?
Dona Odete
A dúvida da senhora é procedente e é também, da cidade.
Entretanto, ela vai mais além.
A “nova” empresa ao contratá-lo (Adão Marafigo de Figueiredo), contratou junto, um problema.
A prefeitura de Paulo Norberto Koerich, PL; da secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski da Cunha; do ex-secretário (até por que estamos cheios de ex) de Obras e Serviços Urbanos, Vanderlei Schmitz, do chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP; do procurador geral Júlio Augusto de Souza Filho, bem como da controladora geral, Maiara Polla dos Santos, ao se certificarem de que Adão Marafigo de Figueiredo, super enrolado neste assunto não por apurações da CPI que veio a reboque no espalhafato, mas pela polícia de Blumenau especializada em corrupção, continuou com as cartas não mão neste negócio mal explicado, validaram um jogo cujas regras não tinham controles ou que precisavam fiscalizá-lo (o jogo) mais ampla e aguçadamente.
Agora, estão todos se explicando. E o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, um policial afamado como investigador e que atingiu o topo da carreira depois de 30 anos, exposto. E exatamente por quem ele contratou para protegê-lo. E todos parecem intocáveis. Ou seja, vem mais. Meu Deus.
A INFLAÇÃO MORAL PROGRESSISTA, por Pablo Ortellado, no jornal O Globo
O progressismo está no caminho errado. Convencido de que seus valores são tão evidentes que discuti-los seria rebaixar-se, trocou o convencimento pela interdição — censura nas mídias sociais, Direito Penal para os infratores. Enquanto se ocupa de purificar o mundo por meio de atos de força, as pessoas comuns seguem seu caminho influenciadas por quem ainda se dispõe a conversar com elas.
O progressismo está preso a uma armadilha moral. Sua desconexão com o mundo advém de ter sido tomado por um ativismo difuso, que vive em alarme permanente e não consegue mais enxergar gradação nas condutas, porque proporção e nuance são vistas como complacência ou como delito. O exagero é premiado, e a ponderação punida.
Essa cultura adotou diagnósticos grandiloquentes que não admitem contestação. Somos o país que mais mata travestis no mundo. Vivemos aumentos contínuos de feminicídios. Os meninos passam por surto sem precedentes de misoginia violenta motivada pelo masculinismo on-line. Não há base empírica sólida para nenhuma dessas afirmações. Carecemos de dados confiáveis sobre as mortes de travestis, não sabemos se o aumento dos feminicídios reflete crescimento real ou reclassificação melhor de homicídios, e as pesquisas são contraditórias quanto à eventual intensificação do machismo entre os mais jovens. Nenhuma dessas afirmações, porém, pode ser debatida. A mera proposição da discussão é vista como violação moral: “A quem interessa minimizar a transfobia e a misoginia?”.
A linguagem progressista também tem apagado a gradação dos problemas, fazendo uso de vocabulário que incorpora os menores aos maiores. Não conseguimos mais nomear o “machismo” — comportamentos que inferiorizam a mulher —porque a cultura política progressista passou a tratá-los como “misoginia”, o ódio às mulheres.
Hoje, no Google Trends, misoginia é oito vezes mais empregada que machismo, mesmo que comportamentos mais graves de violência contra a mulher sejam muito menos frequentes que os discriminatórios. Não temos mais vocabulário para distinguir a gravidade de fenômenos tão diferentes como mulheres assumirem mais tarefas domésticas e homens assassinarem mulheres — ambos são “misoginia”.
Mas não é só um problema de vocabulário. Também não conseguimos oferecer respostas graduadas diferentes ao fato de negros terem menor desempenho escolar e sofrerem ataques racistas nos estádios. Embora um seja efeito sistêmico e outro seja racismo explícito, um seja intencional e outro não intencional, não é mais moralmente aceitável tratá-los como ofensas de graus diferentes.
Exageros de diagnóstico e incapacidade de enxergar gradação na conduta são fruto de uma cultura militante que celebra a indignação, percebida como virtude e pureza moral, e pune a moderação, vista na melhor das hipóteses como complacência e, na pior, como envolvimento na prática delituosa.
Com diagnósticos inflados e incapacidade de ver gradação, as respostas são duras, sem nuance ou proporção. A esquerda, outrora campeã da liberdade de expressão, dedica grandes esforços para retirar da esfera pública ideias divergentes, seja porque não consegue separar violações graves de direitos humanos das violações menos graves ou porque não é capaz de distinguir as violações de direitos humanos de divergências ideológicas.
Debater a eficácia de cotas raciais na universidade passa a ser visto como racismo; defender papéis tradicionais de gênero, como fazem muitas religiões, é misoginia. Há grande pressão para esses discursos serem censurados e criminalizados. Há pouco empenho em debater e convencer.
Enquanto o progressismo segue numa espiral endógena para se tornar cada vez mais puro, o mundo segue seu caminho próprio, em parte se adaptando aos valores normativos progressistas, em parte os desprezando e se ressentindo.
Os setores populares que seguem sem entender inteiramente as novas regras morais vão acumulando o ressentimento cotidiano de ser acusados pelo progressismo de racistas, transfóbicos e misóginos. A expressão política desse ressentimento já é construída com os adversários do progressismo. A resposta não será nem nuance nem proporção. Será retrocesso.
STF OFERECE SOLUÇÃO INACEITÁVEL PARA OS PENDURICALHOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo.
Tinha tudo para ser uma agenda positiva. Os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), expediram em fevereiro decisões provisórias com as quais suspenderam o pagamento dos obscenos penduricalhos no âmbito dos três Poderes.
Para uma corte desgastada pelo escândalo do Banco Master e pelo autoritarismo do ministro Alexandre de Moraes, parecia uma maneira de reconquistar alguns pontos perante a opinião pública.
Mas não foi o que aconteceu. Quando o tema chegou ao plenário, todos os integrantes do STF se alinharam em torno de uma solução muito aquém do ideal, manchada pelo corporativismo e pelo ativismo de conveniência.
Foi como se Dino houvesse se esquecido de que prometeu dar “fim ao império dos penduricalhos”. Ou como se Gilmar já não se sentisse perplexo “quanto à desordem que vivenciamos no que diz respeito à remuneração”.
Ambos tinham razão nessas declarações. Os penduricalhos, a despeito dessa alcunha bonachona, representam uma afronta à Constituição —e, o que é mais grave, uma afronta praticada por aqueles que deveriam estar entre os primeiros a respeitá-la.
Pois são magistrados e membros do Ministério Público os principais beneficiários desse embuste nada republicano. Com o propósito de receber acima do teto constitucional (o máximo permitido ao funcionalismo, hoje em confortáveis R$ 46.366,19), essas corporações inventam verbas extras, apresentadas como se fossem pagamentos excepcionais.
Ocorre que a excepcionalidade logo se torna regra, incorporando-se aos já polpudos contracheques dessas carreiras públicas. Ou seja, sem nenhuma cerimônia, faz-se letra morta do limite inscrito em nossa Carta Magna.
O Supremo, como guardião constitucional, tinha uma linha de ação bastante óbvia pela frente. Mas, para os ministros do STF, até as maiores obviedades parecem sujeitas a interpretações.
Em vez de aplicar a lei, o plenário do Supremo criou outro limite para o Judiciário e o Ministério Público: as verbas indenizatórias (incluindo pagamento de férias não gozadas e acúmulo de jurisdição) não podem ultrapassar 35% da remuneração do servidor.
Além disso, os ministros permitiram o pagamento de um adicional por tempo de serviço, com repasse de 5% a cada cinco anos, cujo valor total tampouco poderá ultrapassar 35% do teto.
Na prática, isso significa que, tudo somado, o Supremo inventou um novo teto para magistrados e procuradores, equivalente a 70% acima do teto atual.
Não há como negar que, diante da pândega atual, a decisão constitui alguma economia de recursos do contribuinte. Mas tampouco há como ignorar que a corte construiu um puxadinho para abrigar os interesses de seus semelhantes —e o fez invadindo prerrogativas do Congresso, a quem cabe legislar. Em busca de um acerto vistoso, o Supremo cometeu dois graves erros.