Texto alterado parcialmente e corrigido às 8h20min deste 05.03.26. Imagem de abertura substituída e alterada às 13h11min, de 04/03/26. Acrescentada reprodução de ilustração de autoria do vereador Thimoti apresentada na sessão da Câmara em 03/03/26, estampada no corpo do texto, estampada a partir das 13h12min de 04/03/2026. Estou, mais uma vez, e tristemente, ressalto, de alma lavada.
Os políticos são bichos incontroláveis e detestam fiscalização, prestação de contas de prestação de contas e exposição dos fatos reais, em público. E os que não eram políticos – está cheio de “virgens” – e se meteram ser, arrotavam – incluindo o policial, investigador de fama, delegado, delegado geral e ex-secretário de Segurança de Santa Catarina, Paulo Norberto Koerich, PL, o vencedor com 52,98% dos votos válidos contra outros quatro candidatos – o da continuidade e outro de três mandatos -, juraram que seriam diferentes. Paulo, infelizmente, está se comportando tão igual ou pior aos políticos de combateu. Associa-se à gente manchada, gente criticada pela inércia ou derrotada nas urnas como as do PP e do MDB do antigo governo, e por isso, mal vista pelo povo como a continuidade daquilo que a maioria não queria mais. Pior, é ver tudo isso tão cedo exposto e sendo percebido como um problema sem controle. É uma vergonha.
E sobre ontem a noite (03.03.26, na Câmara), à imprensa local e regional, convenientemente, caladinha até este momento [o da publicação inicial do artigo, com a cidade toda tomada pelas redes sociais, ela foi obrigada a se mexer e dar menos, bem menos do que está obrigada a reportar. Opinião, ela não possui mais. Não há mais articulistas. foram substituídos por notícias incompletíssimas de acidentes, assassinados, assédios, estupros… de de preferência de longe daqui]. Credo! AO FINAL DA MANHÃ, A PRÓPRIA PREFEITURA DE GASPAR – ALGO MUITO RARO ATÉ ENTÃO -, EMITIU UMA ENFADONHA NOTA OFICIAL. TRISTE. POSTEI NA ÁREA DE COMENTÁRIOS DESTE ARTIGO.
Aos fatos.
Ao final da sessão da Câmara de ontem (03.03.2020), avisado pela líder de governo, a também policial, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, que foi, coincidentemente, a relatora da CPI que apurou as grossas e grosseiras irregularidades do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e que por causa disso – devido à CPI, à excelente apuração polícia especializada em corrupção de Blumenau, bem como o medo dos envolvidos -, suponha-se de que não se repetiriam os fatos até porque todos – e principalmente o atual governo liderado por Paulo Norberto Koerich, PL, um experiente investigador e policial delegado – estariam vigilantes. Que nada. O que se viu e se desnudou, é que o feitiço virou contra o feiticeiro na sua própria sala de estar, se não estiver dormindo com o inimigo.
Sem prevenção, sem cuidado, sem escolher e vigiar seus próprios parceiros, restou ao governo de Paulo reagir, mal e tardiamente, no óbvio. Tornou-se cômico: jurou, que vai correr atrás do prejuízos naquilo que não preveniu, não vigiou e que não criou mecanismos para a não repetição contra os cofres da prefeitura, contra, meu deus, o seu governo e principalmente os gasparenses. Uau!
Mas, perguntar não ofende: Mas, de verdade, Paulo foi surpreendido? Credo! É difícil de acreditar.
Paulo era um famosos policial investigador. É improvável que ele tenha perdido este o faro e enterrado a fama? Inacreditável. Eu mesmo me surpreendo com esta trama toda, que não parece ser uma exceção e vai se tornando uma rotina. Impressionante.
De verdade? Paulo está mal cercado, incluindo os próprios bolsonaristas, Ele precisa, urgentemente, ser mais seletivo. Para mim, me parece impossível de que Paulo, por seus 30 anos de experiência e de condecoração recente que o deixou todo faceiro, lá em Blumenau, não conseguiu enxergar à enganação que plantaram na cara dele, contra ele, nas secretarias e esconderam dele no gabinete dele, numa desmoralização sem par. E quem fez a denúncia, fartamente amparada por provas? O vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, que era, vejam só, da frágil base do governo ao tempo em que o vice Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, e Paulo, ainda fumavam o mesmo cachimbo da paz.
UMA EQUIPE QUE NÃO É EQUIPE, MAS EMPREGUISMO
De verdade? Faz tempo que Paulo – e meus leitores e leitoras – que não os tenho, como jura por aí Paulo e seus asseclas de conveniência, numa ladainha tão igual a de Pedro Celso Zuchi, PT, e Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Paulo o beneficiado da hora por minha clareza, sabe no que deu – está mal acompanhado. Escrevi sobre isto várias vezes aqui.
Foi Paulo – e só ele – quem escolheu mal a sua equipe. Ela é fraca, burocrática, tem medo dele, e os mais autônomos, despertam desconfianças não pelo que fazem agora – e parecem se assanhar -, mas pelo que fizeram no passado e que já deu muito bafafá em Blumenau, por exemplo. Paulo teve que engolir gente de Blumenau, a mando do ex-prefeito de lá e candidato a deputado estadual, Mário Hildebrandt, PL. O prefeito de lá, um também jovem experimentado policial, Egídio Maciel Ferrari, PL, não quis esta gente por perto dele. Então… Alguns carregam histórias estranhas. Outros fazem expediente de visita de médico em enfermaria, reclamam do trânsito e como é incômodo chegar ao local de trabalho.
No fundo é uma troca. Ficam gasparenses na estrutura da prefeitura de Blumenau e coloca-se alguns aqui que o prefeito de Blumenau não os quer por lá. Como um governo vai produzir resultados dessa forma para o seu líder, para a cidade, cidadãos e cidadãs? Meu Deus!
Pior mesmo, é saber que o chefe de gabinete de Paulo, é Pedro Inácio Bornhausen, PP – o partido que manda e desmanda no seu governo por falta de maioria confiável na Câmara a favor de Paulo, somadas às muitas barbeiragem na articulação política que Paulo deixou, incrivelmente, exatamente na mão de Pedro e José Hilário Melato, PP. É uma continuidade perversa do governo de Kleber. Aliás, Pedro foi chefe de gabinete de Kleber. Aliás, pela segunda vez, a bancada do PL vira e mexe é igual ao marido traído: o último a saber. E por Melato e Mara Lucia Xavier da Costa dos Santos, PP. O que mesmo mudou?
A TURMA DA TRENA

Ora, se alguém está surpreendido com o que Thimoti, Roni Jean Muller, MDB – envolvido até o pescoço na CPI do Capim Seco quando foi secretário de Obras e Serviços Urbanos e deixou lá o primo Douglas Muller – e Dionísio Luiz Bertoldi, PT,- que de trena na mão para simbolizar à falta de controle do governo Paulo, juraram, com documentos, ontem à noite (03.03.2020) na Câmara de Gaspar, de que, com nova empresa, contratada por Paulo, está se roçando uma coisa bem menor e cobrando o dobro, o triplo…É um atestado de que Paulo tivesse autoridade que possui pela investidura já teria colocado meia dúzia na rua. Não fez nada por enquanto. Então…
Os números não são tão escandalosos como antes, mas são escandalosos. E são escandalosos porque foi a própria relatora da CPI do Capim Seco, a policial, a governista, a bolsonarista de ocasião – pois pertencia ao governo Kleber na gestão passada -, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, quem arrumou uma empresa a peso de ouro para demonstrar e bem desmontar a farsa da medição das roçadas em Gaspar. Alyne, sem chão, está tentando se explicar. Mas, explicar, exatamente o que? Os que foram pegos no pecado de antes, estão experimentando e estão conseguindo enfiar o mesmo rolo grosso, sem vaselina, no buraco dos que diziam não terem buracos. Simples assim. I-na-cre-di-tá-vel!
E por que? O alvo é o afamado investigador Paulo. É a desmoralização da sua fama no seu estado mais puro. E não se trata de simples controle e gerência. Armou-se o baile e botou a mesma conhecida música do bordel que ele mandou parar, para ele dançar. Simples assim. Meu Deus. E volto a perguntar, sem ofender ninguém, a não ser à nossa preguiça em perceber que as moscas não foram embora: quem deixou isto acontecer? Quem orienta e protege o prefeito?
No centro disso está a secretaria de Obras e Serviços Urbanos, a secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, a procuradoria Geral, a Chefia de Gabinete e a Controladoria. Eu só olho a maré.
A não ser que Paulo esteja surdo para a cidade e continue achando que este espaço é da oposição e não um retrato de credibilidade – que não é sustentado financeiramente por ninguém, nenhum particular, nenhuma por verba pública, por nenhum político e não gasta um tostão para, falsamente, como faz todos os políticos e órgãos públicos, impulsionar redes sociais e ter os milhares de leitores e leitoras que o governo e outros políticos juram que eu não possuo, além de mim mesmo.
Em tempo: o presidente da CPI do Capim Seco foi o atual presidente da Câmara, o campeão de diárias, Ciro André Quintino, MDB. Ele sempre foi um dos homens fortes de Kleber e virou, agora, um dos políticos chaves do atual governo assoprando e arranhando ao mesmo tempo para se sair ileso. É preciso explicar mais alguma coisa de que nada mudou? De que o discurso de mudança da dupla Paulo e Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, não se sustenta até hoje no discurso, no papel e principalmente nas atitudes?
Em plena CPI do Capim Seco, cujo apuração já tinha sido bem detalhada pela polícia especializada em corrupção de Blumenau e requentada aqui na Câmara para gastar mais dinheiro público, só serviu para o espetáculo político do PL. Na falta de entrega das promessas, a CPI do Capim Seco só serviu para Paulo como cortina de fumaça ao um governo que não deslancha para a cidade. Paulo, os seus do PL, à turma de Blumenau, os do clube secreto, e da turma do charuto, do vinho, do Bela Vista, achavam de que estariam se estabelecendo na pureza. Meu Deus! Cedo demais estão metidos nos mesmos problemas que estavam obrigados a combater e retirar Gaspar da estagnação. Inacreditável, mais uma vez.
Três meses depois da CPI provar que o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Calos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, se lambuzou como poucos milionariamente na fingida roçagem das ruas e praças de Gaspar, tudo voltou como antes? Vamos ter agora a CPI do Capim Molhado? Quem mesmo está embrulhando o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, e exatamente em ano de eleições?
Com a Palavra Paulo. E só ele. Em tempo, parte da bancada do PL, tentou se livrar do problema e disse “que se deve apurar tudo, doa a quem doer“. Parece ser coisa do momento. Quem disse isso, Alyne, Carlos Eduardo Schmidt, Sobrinho e Alexsandro Burnier. Como escrevi, coisa do momento, da surpresa, da falta de como contestar quando se tem números incontestáveis, os mesmos números e regras que se usou na CPI. Hoje, já está em curso a construção de narrativas para a próxima sessão da Câmara. Pior, estão desenterrando lama, para enterrar a nova lama. O que mudou mesmo? O governo Paulo não entendeu o que é uma equipe. Nem reuniões para afinar o discurso é capaz e de fazer. Nem precisa mesmo: não é afeito a ouvir, a primeira regra de uma reunião. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
O que de verdade quer o prefeito de Gaspar, Paulo Norberto Koerich, PL, quando assina documentos oficiais e lá no cantinho do documento faz questão de estampar que o documento foi produzido ou revisado pelo procurador geral do Município, Júlio Augusto de Souza Filho (mais um vindo de Blumenau)? Se livrar de culpas na jurisdição? Ou Paulo não confia no assessor? Sendo Ordenador primário, Paulo não se livra de qualquer responsabilidade. O eleito foi ele. E como tal escolheu o assessor, como sendo o melhor.
O vereador Alexsandro Burnier, PL, está a procura de partido. Já teria sondado o Novo. Insaciável, quer ser candidato a deputado estadual. No PL, está congestionado e não está na lista de prioridades. Nada como um dia após o outro. Alexsandro, como já declarou, é um político profissional. Então…
Penduricalho gasparense. A secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, tocada por Ana Karina Schramm Matachuski Schramm, e onde está o RH, rodou folha concedendo triênio a comissionados. Eles ficaram quietinhos. Quando descoberto o equívoco, o departamento foi atrás pedindo a devolução do pagamento a mais. Está a maior bafafá. Tem gente que até concorda em devolver o que é indevido, mas em suaves e longas prestações.
Na triste e estranha falta de programação comemorativa, ensaia-se uma jogada de marketing para o dia dos 92 anos de emancipação de Gaspar de Blumenau: a troca da gestão do Hospital de Gaspar pelo Hospital Santo Antônio, de Blumenau. Mas, só lá pelo mês de junho, se tudo der certo. O que emperra? O Conselho do Hospital Santa Antônio, exemplo, não ainda deu aval para isso e ainda continua com um pé atrás. E papelinho por aqui, já foi assinado com muita festança em setembro do ano passado. Teve até a presença de Jorginho Melo, PL, dando mais de R$20 milhões, para uma tal desapropriação, que até agora, ninguém sabe, ninguém viu. Já se foram seis meses. E o povo, mais vulnerável, sofrendo. E as eleições se aproximando.
Ah. Para quem não sabe o que é nó górdio, eu esclareci isto em O NÓ GÓRDIO. O ATUAL GOVERNO DE GASPAR DESMORALIZA QUEM ELE PRÓPRIO ESCOLHEU PARA “IMPRIMIR MUDANÇAS”. E SE NÃO FOI ELE QUEM ESCOLHEU, AO MENOS ASSINOU O PAPELINHO QUE DEU O EMPREGO E PODER. A SEGUIR, QUATRO EXEMPLOS PARA REFLEXÕES. HÁ MUITOS OUTROS. Falta a Paulo Norberto Koerich, PL, entendê-lo e se livrar deles. Sim, porque não é um só nó. E a cada dia, aparece um. E a espada de Dâmocles está sob a cabeça.
Se Janja da Silva atrapalha – e como – o experiente e matreiro, bem assessorado – Luiz Inácio Lula da Silva, novatos na política arrumam as suas Janjas para complicar o que já está bem complicado. Credo.
11 comentários em “QUEM ESTÁ DESMORALIZANDO EM TÃO POUCO TEMPO O GOVERNO PAULO? ELE, OU QUEM ELE ESCOLHEU? PAULO NÃO CONHECE OU FINGE O QUE É O TAL “NÓ GÓRDIO”. JÁ PASSOU – E MUITO – DO TEMPO DE ELIMINÁ-LO. CHEGOU A HORA DA DESMORALIZAÇÃO”
Pingback: A TRANSPARÊNCIA DE FACHADA. PREFEITURA DE GASPAR FAZ "NOTA OFICIAL", SOBRE AS DÚVIDAS NAS COBRANÇAS A MAIOR DA ROÇADA NO ATUAL GOVERNO. ELE ORQUESTROU E USUFRUIU COMO TROFÉU NUMA CPI NA CÂMARA CONTRA AS MESMAS GRAVES FALHAS DE KLEBER. ONDE
O jornalismo que os poderosos não querem. A notícia trás fatos. A opinião, explicita o que os fatos escondem, sob óticas que não se que verem desenhadas ao distinto público, principalmente aos mais de 80% que possuem dificuldades de interpretações de textos, ou simplesmente ler notícias e entenderem o que está escrito no fato cru da notícia
A “ORMETÁ” DO MASTER, por Malu Gaspar, no jornal O Globo
Se ainda havia qualquer dúvida sobre o risco que Daniel Vorcaro e seu celular-bomba representam para o establishment político brasileiro, foi sepultada ontem, com as revelações contidas na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que ordenou nova prisão do banqueiro e de três cúmplices, entre eles um ex-policial federal e um estelionatário com larga experiência em crimes de todo tipo.
Os parcos diálogos que já vieram à tona revelam que Vorcaro pensava e operava na lógica da Máfia. Quem não seguisse sua cartilha, fosse uma funcionária, um jornalista ou um concorrente, estava fadado a sofrer represálias.
Como todo mafioso, Vorcaro tinha um capanga, apropriadamente apelidado “Sicário” — assassino de aluguel, na definição do Houaiss —, remunerado com R$ 1 milhão mensais para atender a todos os desejos do chefe. E, assim como sua conta bancária, também não tinha limites. As mensagens que trocava com Sicário deixam claro que, se considerasse necessário, ele não se acanharia em “moer” uma “empregada” que o ameaçava e, por tabela, dar um “sacode” no chefe de cozinha que o servia.
Em junho de 2025, quando o jornalista Lauro Jardim publicou uma nota contando que o Banco Central (BC) havia descoberto irregularidades na venda de ativos do Master ao BRB, ele se descontrolou: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
Seguindo o manual das máfias, o dono do Banco Master comprou quem pôde no aparato repressivo e regulatório, dos escrivães da PF — como seu “assessor” Marilson Roseno, preso ontem — aos chefes de supervisão do Banco Central Paulo Sérgio Souza e Belline Santana. De acordo com a investigação, os dois o avisavam dos movimentos internos do BC, revisavam seus documentos e orientavam sobre o que dizer nas reuniões com a autarquia.
Mafiosamente, o dono do Master ainda mandou invadir os sistemas internos da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal, por onde se informava quase em tempo real sobre o avanço das investigações sigilosas a seu respeito. E, para “esquentar” as informações traficadas ou promover campanhas difamatórias contra os adversários, tinha no bolso seus próprios jornalistas, a quem também pagava regularmente para divulgar notícias de seu interesse.
Todos esses detalhes descritos na decisão de Mendonça e na representação ainda sigilosa da PF jogam luz sobre uma parte da engrenagem de Vorcaro. Contudo, por mais brutal que seja o quadro já conhecido, ainda há uma ampla zona de sombra por iluminar.
Nessa penumbra estão os reais objetivos do contrato de R$ 130 milhões que ele firmou com a mulher do ministro Alexandre de Moraes; ou o que os R$ 35 milhões pagos por uma fatia do resort do ministro Dias Toffoli de fato remuneravam; a verdadeira natureza dos serviços prestados pelos ex-ministros de Lula Guido Mantega e Ricardo Lewandowski; os mecanismos pelos quais seu banco obteve acesso a quase R$ 2 bilhões dos fundos de pensão estaduais e municipais, atropelando as regras mais básicas da gestão de risco.
Falta saber, ainda, quantas e quais autoridades viajaram pelo Brasil e pelo mundo em seus aviões, beberam de seus uísques caros, desfrutaram os préstimos de garotas de programa internacionais e receberam dinheiro disfarçado de consultoria jurídica ou patrocínio para eventos. E, não menos importante, por que tanta gente se fez de cega, surda e muda no mercado financeiro, dos burocratas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aos operadores da Faria Lima que empurraram os títulos do Master a clientes incautos como se fossem ótimos negócios.
Tantas pontas soltas só comprovam que aquilo que veio à tona até agora é apenas um aperitivo do que ainda há a desvendar. A boa notícia — ou má, a depender do interesse do freguês — é que os mafiosos só se mantêm calados enquanto estiverem protegidos. Quando vestiu o uniforme de interno do sistema penitenciário paulista, ontem, Vorcaro certamente compreendeu que os escudos usados no passado haviam se tornado definitivamente inúteis.
Desta vez, não há juízes, senadores, deputados ou ministros a quem ele possa recorrer. Se quiser voltar para casa ou ao menos aliviar sua situação, ele terá de negociar o único ativo que lhe resta: seus segredos. Sua única alternativa é romper a própria lei do silêncio e jogar a omertà no lixo. As lições da História mostram, porém, que precisará agir rápido, antes que outros corram na frente e entreguem seu esquema aos pedaços. É assim que as máfias acabam, e com Vorcaro não será diferente
A BRIGA É PÚBLICA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo
O ministro André Mendonça decretou a prisão de Daniel Vorcaro e um imprevisível aprofundamento da crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que ameaça envolver também a Procuradoria-Geral da República. A Polícia Federal está à solta sob outro tipo de incentivo por parte do Supremo.
Delegados teriam dito a Mendonça que a corporação estava desanimada com a relatoria de Dias Toffoli no caso do Banco Master, e temiam o engavetamento da investigação. Animaram-se depois que, por determinação do ministro, foi bloqueado o compartilhamento de informações dos investigadores com o diretor-geral da Polícia Federal, por conta de sua excessiva proximidade com Lula, comenta-se.
Mas, ao atender ao pedido da Polícia Federal e mandar prender Vorcaro, o ministro deu uma bronca pública no procurador-geral da República, que não viu razões para conceder imediatamente o que a PF pedia. A questão extrapola em muito as tecnicalidades jurídicas. Aguarda-se com a respiração em suspenso o que a PF eventualmente trará sobre o ministro Alexandre de Moraes – alguns integrantes do Supremo consideram “injustificável” o milionário contrato do escritório de sua mulher com o Banco Master.
A atmosfera em torno dessas instâncias (Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal e Procuradoria-Geral da República) está de tal forma envenenada a ponto de integrantes delas julgarem que se corre o risco de ver relações pessoais – tanto de simpatia como de antipatia – prevalecerem sobre o “comportamento institucional”.
De um lado existe, por exemplo, uma grande proximidade pessoal entre Moraes, Gilmar Mendes e Paulo Gonet, que, pelo arranjo institucional, vai ser o personagem central caso a PF bata às portas do Supremo em relação a Moraes.
De outro lado, cresce a animosidade pessoal entre integrantes de “alas” dentro do Supremo, onde hoje parece possível a formação de uma maioria para acabar com o interminável inquérito das fake news.
Em compensação, advogados experientes acham que a recente decisão de Gilmar de suspender a quebra de sigilo de empresas ligadas a Toffoli, lançando mão de outro pr oces s o no qual a t uar a , abre uma brecha importante na relatoria de André Mendonça. Pois, pelo princípio da prevenção, novos pedidos semelhantes seriam tratados por Gilmar.
O que se poderia enxergar como um delicado jogo de peças numa trama política está assumindo os contornos de uma escancarada batalha política em público. No evento jurídico do qual participou em Frankfurt, no começo da semana, no qual integrou um painel ao lado de um ex-ministro do Supremo alemão e de Hugo Motta, o presidente da Câmara dos Deputados (o tema era os limites das relações entre Judiciário e Legislativo), Mendonça disse frases aparentemente inócuas, que ganham outra dimensão em função dos fatos.
Para ter legitimidade e reconhecimento, o Supremo precisa se aproximar da sociedade. Precisa admitir que uma não decisão do Legislativo sobre algum assunto não é omissão, é uma decisão. E que não se pode, no Supremo, decidir algo de um jeito, depois de outro, afirmou.
O participante alemão, Peter Huber, citou Fausto (o evento foi na Universidade Goethe), ao tratar das tentações da política no caso de integrantes de um Judiciário. André Mendonça, que é profundamente religioso e percebe a relatoria como um tipo de missão, pronuncia sermões em sua igreja, porém faz uso esparso de referências bíblicas em outros ambientes públicos.
Mas a parábola do Cordeiro e do Leão (Apocalipse 5:56) é uma que surge em rodas particulares. É sobre a dualidade da natureza de Cristo, que representa, a um só tempo, conquista e sacrifício.
Herculano.
O prefeito Paulo ainda não desceu do palanque. Em vez de governar, assumiu o cargo de “arqueólogo de erros alheios”, gastando o estoque de caneta apenas para apontar o dedo para os antecessores. O problema é que, de tanto jogar pedra, o telhado de vidro do atual gabinete começou a estalar. Agora, Paulo vive um dilema: não sabe se gasta o dia se defendendo, se revida as críticas ou se, por um milagre, começa a trabalhar.
Enquanto Sua Excelência se ocupa em alimentar o próprio rancor e lustrar o discurso moralista, a cidade segue o ritmo de um carro no ponto morto. Mas cuidado: o silêncio do gabinete ao lado é ensurdecedor. Se o vice Rodrigo souber conduzir as conversas certas e calibrar as promessas nos corredores da Câmara, o atual prefeito pode acabar descobrindo, da pior forma, que quem muito olha para o retrovisor acaba perdendo o volante.
Nesse ritmo, a cidade corre o risco de ter um “prefeito novo” bem antes do que o calendário eleitoral previa. Menos fígado, Paulo, ou o Rodrigo assume o pâncreas.
Perfeito, se não fossem por dois detalhes e isto está na cara de todos, inclusive a minha, um que vai ultrapassando o tempo septuagenário. Eu mesmo, estou espantado como o Paulo que conheci e avalizei para ser o chefe de gabinete do ex-prefeito Francisco Hostins, então no PDC, antes dele dar um espetacular cavalo de pau bem armado a quem o colocou lá e se render ao MDB de Bernardo Leonardo Spengler e Osvaldo Schneider, para então ser engolido e entrar no ostracismo, ou eu projetar, em alguns momentos contribuindo para a boa imagem da então a bem sucedida carreira policial. Nada de arrependimentos. O que está feito, está feito. Entretanto, este é um detalhe sinalizador preocupante. O outro, é que o vice, infelizmente, em nada contribui. O ego impede que ele enxergue a pele dos outros e que está descascando. A leitura é boa, mas o enredo preocupante. E o final? Previsível!
Se os caciques da Câmara entenderem que é melhor ter um prefeito fraco que um estagnado pelo rancor. Bye bye delegado….
Gaspar não merecia isto. Impressionante, mesmo é como sitiaram um investigador de fama, que virou delegado, delegado geral e até secretário estadual de segurança. Gaspar não é para os fracos e tolos, metidos a espertos
A sessão da Câmara de terça-feira, mostrou-se a cabeça seca da cobra que essa mesma gente criou e matou para comemorar e humilhar. Credo!
NOTA DA PREFEITURA DE GASPAR. DIFICIL DE ACHAR NO SITE DELA.
PARTE CONTEÚDOS DA ÁREA DA SECRETARIA DE OBRAS QUE TRATA DA ROÇADA, ESTÁ FORA DO AR
PORTAL TRANSPARÊNCIA DA PREFEITURA, É UM EXERCÍCIO PARA HACKER SE APRIMORAREM E UM DEBOCHE AOS QUE PAGAM PESADOS IMPOSTOS
A Prefeitura de Gaspar reafirma seu compromisso inegociável com a legalidade, a transparência e o respeito ao erário público. Não compactuamos com qualquer tipo de irregularidade na aplicação dos recursos públicos e mantemos vigilância permanente sobre todos os atos administrativos, sempre pautados pela responsabilidade e pela honestidade.
Diante das acusações de uso irregular de dinheiro público, informamos que a documentação pertinente já está sendo analisada em conjunto com a Controladoria Geral do Município. A apuração buscará esclarecer de forma técnica e criteriosa se houve eventual equívoco, identificando sua natureza — se decorrente de falha administrativa sem intenção ou se caracterizado por conduta dolosa.
Reforçamos que, caso seja constatada qualquer irregularidade, as medidas cabíveis serão adotadas com rigor, independentemente de quem esteja envolvido. Havendo dolo, as consequências legais serão aplicadas conforme determina a legislação vigente.
Esclarecemos ainda que, até o presente momento, a Prefeitura não recebeu formalmente o requerimento mencionado pelo vereador que apresentou a acusação de uso indevido de recursos públicos para a realização de roçada. Permanecemos à disposição para receber qualquer documentação oficial que contribua para o devido esclarecimento dos fatos.
A gestão municipal seguirá atuando com transparência, responsabilidade e absoluto respeito à população.”
A minha observação: se a prefeitura, a secretaria de Obras e Serviços Urbanos, a secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, a Procuradoria Geral do Município, a Chefia de Gabinete, e a Controladoria Geral do Município que é ligada diretamente ao prefeito tivesse feito o mínimo ao que estão obrigadas, não estariam passando este vexame e tentando explicar, o que ninguém mais acredita neles. Impressionante
O PESO DO FATOR LULINHA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
Os repórteres Luiz Vassallo e Aguirre Talento revelaram que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de 51 anos, reconheceu em conversas particulares que viajou em 2024 para Portugal com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Juntos visitaram uma fábrica de Cannabis para fins medicinais.
Lulinha decidiu revelar que fez essa viagem, cacifada pelo Careca, depois que a Polícia Federal pediu e o ministro André Mendonça, do STF, levantou o sigilo bancário de suas contas. O Careca do INSS está preso por causa de suas conexões com a quadrilha que roubava descontos nos contracheques de milhares de aposentados.
O filho mais velho do presidente aparentemente decidiu abandonar o silêncio que cultiva há mais de 20 anos. Beleza, poderá explicar por que se sentiu atraído pela Cannabis medicinal ou que critério o levou a acompanhar o Careca em sua prospecção portuguesa. Como a eleição presidencial será em outubro, nos próximos sete meses, se ele não fizer isso, será um personagem radioativo na campanha.
Lulinha padece na condição paradisíaca de filho do presidente. Registre-se que Lula tem cerca de 15 irmãos e meio-irmãos vivos. Poucas famílias de presidentes mantiveram-se tão longe do poder, mas coube a Lulinha o papel de para-raios.
Nos dois primeiros mandatos do pai, Lulinha conseguiu um financiamento benigno de uma telefônica. Nas fantasias da redes, ele era um milionário, dono de fazendas, vivendo numa mansão. Diplomado em biologia e tendo sido monitor do zoológico de São Paulo, diversificou suas atividades até que chegou à Cannabis medicinal e ao Careca do INSS. Isso no mundo dos fatos. Na feira de maledicências, ele seria nada menos que um sócio oculto da JBS, empresa campeã no mercado de carnes.
Um ex-funcionário do Careca contou à Polícia Federal que eles eram sócios, com Lulinha, o “filho do rapaz”, recebendo jabaculês de R$ 300 mil mensais. A defesa de Lulinha repete que suas relações com o Careca do INSS nada tinham a ver com as falcatruas contra os aposentados. Eram, segundo diz, restritas à prospecção de um negócio com Cannabis medicinal. Parece muito dinheiro.
Se Lulinha quer se livrar da condição de personalidade predileta para a disseminação de notícias falsas, o melhor que tem a fazer é livrar-se de todos os seus sigilos. Lula já disse, referindo-se às roubalheiras do INSS, que, “se tiver filho meu metido nisso, será investigado”.
Lulinha admite então que o Careca pagou as contas da viagem a Lisboa. Só? Março mal começou, e esse ectoplasma acompanhará Lulinha e Lulão com intensidade cada vez maior. Recorrer contra as decisões que determinaram a quebra de sigilo terá um efeito anestésico para çábios metidos na campanha e tóxico para o eleitorado.
Olhando pelo retrovisor, Lulinha teria feito muito melhor negócio falando no final do ano passado, quando a oposição queria ouvi-lo na CPI do INSS. Àquela altura, sua radioatividade parecia baixa.
Só pra PenTelhar. . .
Se, como diz o comercial
“51: uma boa idéia”
o apelido de lulampião, também conhecido
como D. Luiz 51″, faz sentido!
Idade do lulinha: 51
Número de irmãos: 15 (51 invertido)
GARANTISMO LA CARTE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, anulou a quebra de sigilo de uma empresa ligada à família de seu colega Dias Toffoli, determinada pela CPI do Crime Organizado, sob o argumento de que a comissão teria agido com desvio de finalidade, extrapolação do objeto e abuso de poder. É uma acusação grave. O problema é que a reação de Gilmar Mendes incorre, de maneira inequívoca, nos mesmos vícios que ele imputa ao Legislativo.
É legítimo sustentar que comissões parlamentares não são instâncias ilimitadas de investigação. O controle judicial existe para coibir abusos parlamentares e proteger direitos fundamentais. Pode-se até argumentar, numa leitura garantista levada ao extremo, que a CPI do Crime Organizado teria ampliado de forma discutível seu escopo – uma leitura que ignora a competência constitucional das CPIs de definir o alcance de seu objeto à luz de indícios novos, como, no caso, o de lavagem de dinheiro. O Supremo, de todo modo, tem competência para examinar esse ponto. Mas a forma escolhida para fazê-lo comprometeu qualquer pretensão de neutralidade.
A defesa não apresentou ação nova, sujeita a distribuição aleatória. Peticionou em um mandado de segurança de outro requerente, a propósito de outra CPI, e que foi arquivado há três anos. O processo foi desarquivado apenas para que Gilmar Mendes tomasse a decisão, sendo em seguida novamente arquivado. O pedido transformou-se num habeas corpus autônomo e retornou ao mesmo gabinete por prevenção.
Se a CPI incorreu em desvio de finalidade, o que dizer da ressurreição de um processo para assegurar relatoria específica? Se a CPI extrapolou seu objeto, o que dizer da ampliação do habeas corpus, remédio voltado à proteção da liberdade de locomoção de cidadãos, para blindar o sigilo empresarial da família de Toffoli? É no mínimo curioso que o ministro relator acuse a CPI de extrapolar o objeto da investigação um dia depois de referendar mais uma vez os inquéritos intermináveis e metamórficos conduzidos por seu colega Alexandre de Moraes.
Garantismo à la carte, mas que já não surpreende ninguém. Nos últimos anos, a Corte vem abusando de medidas expansivas a pretexto de proteger a ordem democrática. Mas quando a investigação atinge a própria Corte, a elasticidade vira “desvio”; a amplitude vira “abuso”; a urgência vira “arbitrariedade”. O Supremo tem razão ao afirmar que CPIs não podem agir sem limites. No caso concreto, é bastante discutível que a CPI tenha ultrapassado os seus. O que é indiscutível é que os mesmos limites que a Corte estabelece como intransponíveis aos outros Poderes tornam-se maleáveis para ela.
A separação de Poderes não impede o controle judicial de abusos parlamentares. Mas impede que um Poder redefina o alcance do outro. Ao bloquear antecipadamente a coleta de informações e concentrar em um único gabinete qualquer futura tentativa de investigação de ministros envolvidos em relações suspeitas com o Banco Master, o Tribunal está delimitando o terreno da fiscalização. Sempre que se vê como vítima, o Supremo assume as funções de investigador, acusador e juiz. Analogamente, vê-se agora que, quando é investigado, o próprio Supremo decide se, como e até onde o será. É a lógica de um Poder que não admite limites nem fiscalização.
Pode-se discutir se a quebra de sigilo extrapolou os limites da CPI. O que não é discutível é que a forma escolhida para anulá-la tensiona princípios elementares do Estado de Direito: a distribuição impessoal, o juiz natural, a proporcionalidade e a transparência. Defender garantias é dever do Supremo. Fazê-lo por meio de expedientes que as relativizam corrói a própria autoridade da Corte.
O Supremo não é infalível – nenhuma instituição é. Mas quanto maior o poder concentrado, maior deve ser a disciplina institucional. Um tribunal que controla a forma, o tempo, o julgador e o alcance da investigação que o atinge acumula uma prerrogativa perigosa: a de definir os próprios limites. Um Poder que define unilateralmente seus limites já não está apenas interpretando a Constituição, mas sim administrando-a – e, ao que tudo indica, nem sequer em defesa da instituição, mas sim dos interesses pessoais dos ministros.