Pesquisar
Close this search box.

ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXXXI

Esta charge e mote são mais velhos do que andar para frente, mas vale a pena republicá-los nestes dias de folga e folia, para a boa reflexão. Pois tão velho entre nós, é andar para trás na gestão, eficiência e entrega atualizada de conteúdos da escola pública aos seus, sem opções. Nos gabinetes de políticos e gestores públicos se perde tempo com tantas fantasias…

Compartilhe esse post:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
LinkedIn
Email

67 comentários em “ANOTAÇÕES DE MIGUEL TEIXEIRA CCCCXXXI”

  1. Miguel José Teixeira

    A “Loura Blu” na fita!

    “Concurso de cervejas de Blumenau terá 175 estilos, incluindo novidade do Brasil”
    – Manipueira selvagem, fermentada a partir da mandioca, será julgada pela 1ª vez.
    – Evento vê crescimento em estilos como sem glúten e zero álcool.
    (Sandro Macedo, FSP, 19/02/26)

    Uma das principais competições cervejeiras (1) do país, o Concurso Brasileiro de Cervejas (2), que acontece em Blumenau (3), já recebeu mais de 2.700 rótulos inscritos, em 175 estilos diferentes.

    No melhor estilo olímpico, as premiadas com medalhas de ouro, prata e bronze serão conhecidas no dia 3 de março, dentro do Festival Brasileiro da Cerveja, que ocorre mais uma vez no Parque Vila Germânica — palco da principal Oktoberfest (4) do Brasil.

    Nesta 14ª edição do evento, o CBC avalia cervejas de 20 estados brasileiros, além do Distrito Federal. As categorias mais disputadas são novamente a american IPA, com 112 amostras inscritas, e a brasileiríssima catharina sour, com 98.

    Um dos destaques do concurso neste ano será um novo estilo nacional, a manipueira selvagem, cerveja fermentada a partir da mandioca. A nova versão tenta seguir os passos da catharina sour, que surgiu há dez anos e hoje é reconhecida no BJCP (Beer Judge Certification Program), um guia de estilos que rege dez entre dez concursos cervejeiros.

    Chama a atenção também o aumento significativo na categoria sem glúten, que teve apenas duas cervejas inscritas em 2025 e chega a 14 nesta edição (aumento de 600%). Entre as cervejas sem álcool, são 49 amostras na disputa.

    “Temos, por um lado, a ampliação muito rápida das opções de cerveja que estão alinhadas com uma vida mais saudável, que está sendo buscada pelos consumidores”, diz Carlo Bressiani, fundador da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) e coorganizador do CBC. “Por outro, uma valorização do terroir, de criações brasileiras, ao mesmo tempo em que os próprios cervejeiros estão dedicados a inovar dentro da brasilidade”, completa.

    Degusta Brasil
    Depois de tanta medalha, chega a melhor parte, pelo menos, para o consumidor. Entre os dias 4 e 7 de março, no mesmo Parque Vila Germânica, acontece o Degusta Brasil, com cerca de 200 cervejarias e quase mil rótulos, incluindo muitos dos premiados, para degustação no estilo open bar.

    O valor único para experimentar as cervejas livremente é de R$ 259. Quem quiser fazer um pacote para os quatro dias, paga R$ 689 (ou R$ 172,25 por dia).

    Entre as cervejarias já confirmadas estão Cerveja Avós (SP), Dádiva (SP), Japas (SP), Juan Caloto (SP), 3 Orelhas (MG), 5 Elementos (CE), Alem Bier (RS), Salvador Brewing (RS), Cervejaria Blumenau (SC), Stannis (SC) e Grecco (ES). As marcas sem álcool Luci e Sim também estão confirmadas.

    Degusta Brasil – Parque Vila Germânica – setor 2 (r. Alberto Stein, 199, Velha, Blumenau). De 4/3 a 7/3, das 19h às 23h. Ingr.: R$ 259 (1 dia) a R$ 689 (4 dias), no site Pensa no Evento (5).

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/copo-cheio/2026/02/concurso-de-cervejas-de-blumenau-tera-175-estilos-incluindo-novidade-do-brasil.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

    (Vídeo a História da Cerveja em: https://www1.folha.uol.com.br/webstories/comida/2020/11/a-historia-da-cerveja/)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/cerveja/
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/blogs/copo-cheio/2025/03/concurso-de-blumenau-elege-cervejaria-de-orleans-como-a-melhor-do-brasil.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/blumenau/
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/oktoberfest/
    (5) https://www.pensanoevento.com.br/sitev2/eventos/87061/degusta

  2. Miguel José Teixeira

    “Tragédia anunciada”
    – Uma supercarga de plutônio pode penetrar o Himalaia e contaminar as nascentes do rio Ganges.
    – Mahatma Gandhi, George Harrison, Charles Mingus e outros tiveram suas cinzas despejadas nele.
    (Ruy Castro, FSP, 19/02/26)

    Deu no The New York Times (1). Em 1965, alpinistas americanos a cargo da CIA chegaram a metros do cume de uma das montanhas mais altas do Himalaia, na Índia (2), levando equipamento destinado à exploração do oceano e do espaço. Só que, nesse caso, com outras intenções: vigiar a China (3), que acabara de entrar no clube nuclear detonando uma bomba atômica. Iam plantar um espião no topo do mundo.

    Mas o inesperado fez uma surpresa. Uma tremenda tempestade de neve provocou invisibilidade total do terreno — era impossível completar a subida. O comandante da expedição ordenou a volta antes que também ficasse impraticável e, com isso, o abandono do material. E assim foi feito: esconderam-no numa caverna de gelo, na esperança de que, quando retomada a subida, ele fosse recuperado.

    Um ano depois, voltaram para continuar a missão, mas, para surpresa geral, não acharam o equipamento. O próprio entorno em que ele fora depositado desaparecera. E pior: dele fazia parte um gerador alimentado por um combustível radioativo, o SNAP 19-C, contendo quase um terço do plutônio usado na bomba que destruiu Nagasaki em 1945. O calor do gerador o levara para as profundas. Todo o material radioativo estava agora inalcançável.

    Isso foi há 60 anos, mas só há pouco a abertura de arquivos alertou para a possibilidade de uma tragédia. Com o derretimento das geleiras pelo aquecimento do planeta, o dispositivo nuclear pode deslizar para o interior da montanha e despejar o plutônio nas nascentes do Ganges, o rio sagrado da Índia (4), de que dependem milhões de pessoas. E se a radiação chegar às suas águas?

    Se acontecer, pense nas pessoas que tiveram suas cinzas despejadas no Ganges: o líder espiritual Mahatma Gandhi (5), os roqueiros George Harrison (6) e Jerry Garcia (7), os governantes Jawaharlal Nehru e sua filha Indira Gandhi, o jazzista Charles Mingus e possivelmente John Coltrane (8), o citarista Ravi Shankar (9) e muitos mais. Que fatalidade, não? Vera Fischer (10) também se banhou no Ganges, mas, por sorte, há muito tempo.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/02/tragedia-anunciada.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

    (1) https://www.nytimes.com/interactive/2025/12/13/world/asia/cia-nuclear-device-himalayas-nanda-devi.html
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/india/
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/china/
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/turismo/2017/08/1908473-fe-e-rio-ganges-sao-as-estrelas-da-sagrada-varanasi-na-india.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/mahatma-gandhi/
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2024/08/george-harrison-oscila-entre-o-mistico-e-o-desprezivel-na-biografia-o-beatle-relutante.shtml
    (7) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1995/8/11/ilustrada/4.html
    (8) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/06/1895466-saxofonista-john-coltrane-e-homenageado-na-colecao-folha.shtml
    (9) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/04/discos-de-ravi-shankar-que-mudaram-o-pop-ocidental-ganham-versao-digital.shtml
    (10) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/vera-fischer/

  3. Miguel José Teixeira

    Ex operário cai no conto do mulungu!

    “Lula cavou um ônus desnecessário”
    – A escola de Niterói não perdeu por causa do presidente, mas ele ficou com o gosto amargo da derrota.
    – O equívoco do governo foi ter se associado a uma festa que não deve satisfações aos deveres da política.
    (Dora Kramer, FSP, 19/02/26)

    A Acadêmicos de Niterói não foi rebaixada porque homenageou o presidente Luiz Inácio da Silva (PT). Recebeu as menores notas dos jurados do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro porque apresentou desempenho inferior às concorrentes do Grupo Especial.

    É do jogo e não há desonra nisso. Acontece com a maioria das agremiações de menor porte. Sobem num ano, descem no seguinte; algumas ganham força e conseguem se firmar, como a campeã Unidos do Viradouro, ex-integrante do segundo escalão.

    O gosto amargo de derrota política ficou na conta do governo por falta de tirocínio político, ausência de senso de oportunidade e excesso de confiança num apelo popular que Lula e o PT já não atraem. Natural, também. Efeito da passagem do tempo, da concorrência de oposição ativa e da existência de novas demandas na sociedade. Os danos de um desfile mediano teriam ficado circunscritos à escola e não ultrapassariam as fronteiras do Carnaval se o presidente e o partido não tivessem cometido o equívoco de sentar praça num campo minado.

    Sim, o enredo foi escolha da Niterói, e as verbas públicas distribuídas igualmente entre todas. Mas a coisa não parou por aí. Poderia ter parado se o governo não tivesse resolvido assumir como sua a causa da escola.

    A mulher do presidente ensaiou e por pouco não desfilou. Antes disso, partiu dela o convite para o artista que representou o marido na Sapucaí. Ministros foram com Lula ao sambódromo e, junto com dirigentes petistas, passaram dias negando o inegável caráter panfletário do evento, com argumentos que confirmavam a intenção eleitoral.

    E tudo isso para nada, além de se associar a zombarias naturais na folia, mas contraproducentes na atividade de quem precisa agregar apoiadores ao seu projeto de poder.

    A escola volta para Niterói, preparando-se para o próximo Carnaval. Já o governo fica com o ônus ter-se indisposto com um eleitorado com o qual o samba não tem compromisso, mas que a sagacidade política do candidato deveria ter a perícia de preservar.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/dora-kramer/2026/02/lula-cavou-um-onus-desnecessario.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

  4. Miguel José Teixeira

    Mapa do poder (4)
    – O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
    (Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 19/02/26)

    Na Esplanada…
    O Ministério da Saúde deu início nesta semana a uma ação emergencial no território yanomami , em Roraima, depois de três crianças do povo indígena morrerem por coqueluche. A pasta investiga o que está por trás do possível surto da doença, uma infecção respiratória evitável por vacinação. Os últimos boletins sobre a emergência em saúde pública na terra yanomami não mencionam a incidência de coqueluche na área ao longo de 2025.

    (TRPCE)

    +em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/02/tres-criancas-yanomamis-morrem-por-coqueluche-e-saude-manda-equipe-de-emergencia-ao-territorio.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

  5. Miguel José Teixeira

    Mapa do poder (3)
    – O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
    (Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 19/02/26)

    Aliados do presidente Lula (PT) avaliam que o governo passou para a defensiva nas redes sociais , enquanto a direita recuperou a iniciativa depois da repercussão do desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao petista. Eles acreditam que o desgaste poderá ser materializado no Congresso na forma de requerimentos de informação e tentativas de levar ministros ao Legislativo para falar sobre a apresentação, que ironizou conservadores e Jair Bolsonaro (PL).

    (TRPCE)

    +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/desfile-pro-lula-alimenta-direita-e-aliados-veem-governo-na-defensiva-em-estrategia-nas-redes-sociais.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

  6. Miguel José Teixeira

    Mapa do poder (2)
    – O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
    (Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 19/02/26)

    A agente administrativa da Receita Federal Ruth Machado dos Santos negou ter vazado dados de ministros do STF e afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que estava em um atendimento presencial no momento em que as informações foram acessadas. Alvo de operação da PF, ela é investigada sob suspeita de tido acesso a dados fiscais de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

    (TRPCE)

    +em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/02/servidora-da-receita-nega-ter-vazado-de-dados-de-ministros-do-stf.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

  7. Miguel José Teixeira

    Mapa do poder (1)
    – O que acontece nos poderes em Brasília e você precisa saber.
    (Bruno Boghossian, Brasília Hoje, FSP, 19/02/26)

    A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS adiantou o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para esta segunda-feira (23). A Folha apurou que a mudança pode estar relacionada a uma disputa de protagonismo com a Comissão de Assuntos Econômicos, que vai receber o banqueiro na terça (24). Até agora, Vorcaro tem demonstrado disposição para depor ao Congresso e não pretende ficar calado na CPI do INSS.

    (TRPCE)

    +em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/cpi-do-inss-adianta-depoimento-de-vorcaro-para-segunda-23-na-1a-oitiva-do-ex-banqueiro-no-congresso.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsbsb

  8. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (I)
    (Por Gabriel Cariello, 19/02/26)

    FREIO AOS SUPERSALÁRIOS

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, proibiu a criação de leis ou atos (1) que instituam pagamento de benefícios que ultrapassem o teto salarial, de R$ 46,3 mil mensais, em todos os órgãos públicos. Também proibiu novos repasses mesmo sob o argumento de serem pagamentos retroativos (2), ampliando o alcance de sua decisão anterior, que deu aos Poderes 60 dias para suspender os benefícios não previstos em lei.

    ► Dino cobrou do Congresso (3) a regulamentação do teto remuneratório, afirmando que, sem a aprovação de lei nacional, caberá ao STF definir um regime transitório para o tema.

    ► Análise: Dino deu um nó tático nos lobbies (4) do funcionalismo, afirma Fabio Graner: “Decisão aperta o cerco contra a estrutura de privilégios que drena os recursos públicos”.

    (TRPCE)

    (1) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/19/em-nova-decisao-dino-reforca-bloqueio-a-penduricalhos-e-veda-criacao-de-novas-parcelas-acima-do-teto.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (2) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/19/dino-proibe-reconhecimento-de-novos-retroativos-acima-do-teto-e-amplia-bloqueio-a-penduricalhos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (3) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/19/em-recado-ao-congresso-dino-diz-que-cabera-apenas-ao-stf-regular-penduricalhos-caso-lei-nao-seja-aprovada.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (4) https://oglobo.globo.com/economia/fabio-graner/post/2026/02/dino-da-no-tatico-nos-lobbies-do-funcionalismo-e-amplia-alcance-de-decisao-sobre-penduricalhos.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  9. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (II)
    (Por Gabriel Cariello, 19/02/26)

    PRÍNCIPE NA PRISÃO

    A polícia britânica prendeu o ex-príncipe Andrew (1), suspeito de má conduta em cargo público enquanto atuava como enviado comercial do Reino Unido. A acusação não foi detalhada. Andrew, irmão do Rei Charles III, foi citado em documentos (2) do caso Jeffrey Epstein. Ele mantinha relação próxima com o criminoso norte-americano e é suspeito de envolvimento em crimes sexuais (3). O Rei Charles apoiou a investigação: “A lei deve seguir seu curso” (4).

    ► Andrew é o primeiro membro da família real britânica preso em 400 anos. Ele ficou detido por cerca de 11 horas e foi liberado.

    (TRPCE)

    (1) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/02/19/principe-andrew-e-preso-apos-investigacao-ligada-ao-caso-epstein.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (2) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/02/19/tudo-o-que-se-sabe-sobre-a-prisao-do-principe-andrew-no-dia-em-que-completaria-66-anos-em-investigacao-ligada-a-epstein.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (3) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/02/19/familia-de-virginia-giuffre-americana-que-denunciou-andrew-reage-a-prisao-ele-nunca-foi-um-principe.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (4) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/02/19/rei-charles-iii-se-pronuncia-apos-prisao-do-irmao-mais-novo-e-ex-principe-andrew-a-lei-deve-seguir-seu-curso.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  10. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (III)
    (Por Gabriel Cariello, 19/02/26)

    DADOS FISCAIS DE MINISTROS

    Servidores da Receita Federal suspeitos de vazar dados de ministros do STF prestaram depoimento à Polícia Federal. Ruth Machado dos Santos disse que atendia presencialmente (*) no momento em que supostamente teria acessado informações de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Segundo representante de auditores-fiscais, Ricardo Mansano admitiu ter acessado dados da enteada do ministro Gilmar Mendes, mas alegou que as informações não foram vazadas. “Caiu de gaiato”.

    (TRPCE)

    (*) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/19/em-depoimento-a-pf-servidora-da-receita-diz-que-atendia-outra-pessoa-no-momento-que-houve-acesso-a-dados-de-mulher-de-moraes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (**) https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/19/burrice-e-atendimento-no-momento-em-que-houve-acesso-a-dados-o-que-os-servidores-suspeitos-de-vazamento-da-receita-alegaram.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  11. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (IV)
    (Por Gabriel Cariello, 19/02/26)

    DISPUTA ELEITORAL

    A ofensiva da oposição (*) após o desfile em homenagem ao presidente Lula incomodou o governo. O ministro Sidônio Palmeira (Comunicação Social) afirmou que há impulsionamento de postagens (**), criando um “debate falso”. O PT avalia ingressar com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral. Partidos e parlamentares têm explorado nas redes sociais imagens da ala que colocou famílias conservadoras em latas de conserva.

    (TRPCE)

    (*) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/18/familia-em-conserva-evangelicos-reagem-a-ala-de-escola-que-homenageou-lula-e-cria-novo-desgaste-entre-petista-e-segmento.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (**) https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/19/governo-reage-a-ofensiva-contra-desfile-de-escola-que-homenageou-lula-e-pt-avalia-ir-ao-tse.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  12. Miguel José Teixeira

    “Resumão, O Globo” (V)
    (Por Gabriel Cariello, 19/02/26)

    Após a queda do Mulungu. . .

    “Resumão, O Globo” (V)
    (Por Gabriel Cariello, 19/02/26)

    LULA PELO MUNDO

    O presidente Lula defendeu a regulação das grandes empresas de tecnologia, durante participação em cúpula sobre inteligência artificial na Índia. Lula afirmou que a IA coloca o mundo em uma “encruzilhada” (*), ressaltando o avanço tecnológico em meio à crise do multilateralismo. No encontro, Lula foi convidado pelo presidente da França, Emmanuel Macron, para a próxima cúpula do G7 (**), em junho.

    (TRPCE)

    (*) https://oglobo.globo.com/blogs/marcelo-ninio/coluna/2026/02/na-india-lula-faz-coro-com-modi-e-macron-em-defesa-da-regulacao-da-ia.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde
    (**) https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/02/19/em-encontro-na-india-macron-convida-lula-para-cupula-do-g7.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  13. Miguel José Teixeira

    “Visto, lido e ouvido”

    “Fantasmas”
    (Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade, Blog do Ari Cunha, Correio Braziliense, 19/02/26)

    Não são poucos os historiadores que concordam com a máxima de que “o povo, em história, é uma porção de ninguém”. No livro The phantom public (O público imaginário), do jornalista Walter Lippmann, publicado em 1925 e que se firmou como uma obra clássica, esse tema volta com força total. No livro, Lippmann afirma que o público, nas democracias de massas, é não só uma ilusão, como é um mito e um fantasma. O motivo, segundo ele, é que o cidadão comum não consegue compreender a complexidade dos eventos políticos, vivendo em um “pseudo-ambiente de narrativas fabricadas”. Da mesma forma, a capacidade do público de vir a intervir diretamente na gestão pública é, para o autor, bastante questionável. “O público vê o governo como um problema técnico-administrativo, não como uma deliberação democrática constante”. Mesmo o eleitor é visto como uma espécie de espectador impotente.

    Apesar da visão pessimista, o livro se tornou um pilar da teoria política e, mais incrível, parece descrever a sociedade atual, hiperconectada e, ao mesmo tempo, longe da realidade. De fato, o diagnóstico formulado por Walter Lippmann permanece inquietantemente nos dias atuais. O que parecia um alerta teórico do início do século 20 tornou-se, no século 21, uma descrição empírica do cotidiano político global. A premissa de Lippmann não é que o povo seja irrelevante, mas que sua participação efetiva é mediada por filtros que condensam complexidades em símbolos manejáveis. Em seu tempo, esses filtros eram jornais, líderes partidários e campanhas impressas; hoje, são plataformas digitais, algoritmos e máquinas de comunicação política capazes de segmentar audiências com precisão cirúrgica.

    A promessa de hiperconexão ampliou o acesso à informação, mas não eliminou a assimetria cognitiva entre a complexidade dos sistemas políticos e a capacidade individual de compreendê-los em profundidade. Ao contrário, a multiplicação de estímulos e a velocidade da circulação de conteúdos intensificaram o fenômeno que Lippmann descreveu: a opinião pública formada por imagens e slogans.

    Essa dinâmica não é neutra. Governos, movimentos e corporações aprenderam a operar no nível simbólico com notável eficácia. O caso da britânica Cambridge Analytica tornou-se emblemático ao revelar o potencial de microssegmentação comportamental no direcionamento de mensagens políticas. A lógica é simples e poderosa: em vez de persuadir um público homogêneo, molda-se a narrativa para perfis psicológicos específicos, reforçando predisposições e atenuando dissonâncias. O cidadão deixa de ser interpelado como participante de uma esfera pública comum e passa a ser tratado como um conjunto de traços comportamentais, suscetível a estímulos personalizados. O resultado é uma opinião pública fragmentada, na qual consensos são mais difíceis, e percepções divergentes coexistem sem diálogo efetivo.

    Temos exemplos eloquentes de lideranças que exploram esse terreno simbólico. A comunicação direta por redes sociais, adotada por figuras da política, redefiniu a mediação tradicional da imprensa. Ao falar “sem intermediários”, o líder parece reduzir a distância entre governante e governado. Na prática, porém, estabelece um circuito de mensagens de alto impacto emocional, com forte capacidade de mobilização identitária. A política torna-se espetáculo contínuo, no qual a verificação factual perde espaço para a adesão afetiva. O público, nesse cenário, oscila entre plateia e tropa, reagindo a estímulos que organizam o mundo em narrativas morais simples.

    No Brasil, essa lógica encontra terreno fértil em um histórico de desconfiança institucional e desigualdades informacionais. Quando a realidade administrativa, complexa por natureza, é traduzida em enredos de fácil assimilação, a deliberação pública tende a ceder lugar à performance política. O debate sobre políticas públicas passa a ser substituído por disputas de enquadramento: quem define a narrativa, define o campo do possível. A consequência é a redução do cidadão a um papel reativo, convocado a aplaudir ou rejeitar, raramente a deliberar com base em informações completas.

    O “fantasma” de Lippmann não é a ausência do povo, mas sua presença esvaziada de agência substantiva. Obras posteriores aprofundaram esse diagnóstico. A tradição crítica que analisa propaganda, fabricação do consenso e economia da atenção converge para a ideia de que a esfera pública é um espaço disputado por atores com capacidades desiguais de produzir visibilidade. Em ambientes digitais, essa disputa é intensificada por métricas de engajamento que privilegiam o conteúdo mais polarizador. A arquitetura das plataformas incentiva a simplificação e a dramatização, reforçando bolhas de percepção. Assim, o pseudo-ambiente não é apenas um subproduto da mediação; ele se torna um ecossistema autônomo, com regras próprias de relevância e circulação.

    Governos que dominam essa gramática simbólica conseguem governar também no plano das percepções. Políticas complexas podem ser apresentadas como soluções instantâneas; fracassos podem ser reconfigurados como vitórias narrativas; opositores podem ser reduzidos a caricaturas. O risco, como advertia Lippmann, é que a política deixe de ser um processo de deliberação informada para se tornar um teatro de representações no qual o público participa como espectador mobilizado. Isso não implica fatalismo. Onde a realidade é substituída por imagens convenientes, a cidadania torna-se um simulacro. Recuperar sua densidade é o imperativo que define o futuro das democracias.

    A frase que foi pronunciada:
    “Eu não troco a justiça pela soberba. Eu não deixo o direito pela força. Eu não esqueço a fraternidade pela tolerância. Eu não substituo a fé pela superstição, a realidade pelo ídolo.” (Rui Barbosa)

    (Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/aricunha/fantasmas/)

  14. Miguel José Teixeira

    “Nas Entrelinhas: Desfile armou uma casa de caboclo para Lula candidato”
    – O risco político não está apenas no Judiciário. O episódio fornece munição à oposição e, sobretudo, às forças de centro que articulam uma alternativa eleitoral fora da polarização.
    (Luiz Carlos Azedo, Correio Braziliense, 19/02/26)

    Petistas e juristas alinhados ao governo minimizam o impacto do desfile da Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, sob o argumento de que não houve violação explícita da legislação eleitoral. É mesmo o que precisam fazer. Formalmente, de fato, a decisão da presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, ao liberar a apresentação, respeitou o princípio constitucional da liberdade de expressão artística — impedir o desfile configuraria censura prévia. Mas a política, como se sabe, raramente se resolve apenas na esfera formal. E é justamente aí que os estrategistas da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm razões de sobra para pôr as barbas de molho.

    O problema não é no gesto isolado, mas na cadeia que se projeta no tempo. “As consequências vêm depois”, advertia o Conselheiro Acácio. O desfile não entrará para a história por seus méritos estéticos, mas pode entrar como jogada de marketing eleitoral e jurisprudência eleitoral, pela controvérsia jurídica que provocou: a suspeita de propaganda eleitoral antecipada e de abuso de poder político. Trata-se de um prato cheio para a oposição, que já protocolou umas 10 representações no TSE pedindo a inelegibilidade de Lula, e evocou precedentes recentes, como a condenação de Jair Bolsonaro pela reunião com diplomatas estrangeiros em que atacou a confiabilidade das urnas eletrônicas.

    O contexto institucional torna o episódio ainda mais delicado. Em junho, Cármen Lúcia deixará a presidência do TSE e os ministros Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados por Bolsonaro, assumirão, respectivamente, a presidência e a vice-presidência da Corte Eleitoral. Ainda que não se projete, hoje, uma condenação capaz de tornar Lula inelegível — sobretudo sendo o favorito na disputa —, a judicialização do episódio já produz desgaste político, ruído institucional e incerteza estratégica. E pode custar uma multa milionária.

    A favor de Lula pesam alguns cuidados adotados de última hora: a decisão de impedir que a primeira-dama, Janja Lula da Silva, desfilasse no último carro alegórico, como inicialmente previsto, e a opção por permanecer no camarote do prefeito Eduardo Paes, aliado político, limitando-se a gestos protocolares e os beijos às bandeiras das demais agremiações. Contra ele, contudo, fala o conteúdo do desfile em si, que recorreu ostensivamente a símbolos clássicos de campanha: o refrão “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, o número 13 do PT e a exaltação direta de políticas públicas do atual governo, compondo um quadro difícil de dissociar do calendário eleitoral. Sem falar nos ataques aos que foram chamados “neoconservadores em conserva”, onde Lula sempre enfrenta dificuldades eleitorais, como o agronegócio e os evangélicos.

    Do ponto de vista estritamente jurídico, o TSE agiu corretamente ao não barrar o desfile. Mas isso não equivale a um salvo-conduto. A própria ministra Cármen Lúcia advertiu para o “risco concreto e plausível” de ocorrência de ilícitos, a serem avaliados posteriormente. O Carnaval, por definição, é espaço de transgressão simbólica, sátira e crítica ao poder, mas não eleitoral. Ao optar por homenagear um presidente vivo, no exercício do cargo e candidato à reeleição, às vésperas do pleito, a Acadêmicos de Niterói subverteu essa lógica e tensionou deliberadamente os limites entre manifestação cultural e propaganda política.

    Onde mora o perigo
    O risco político não está apenas no Judiciário. O episódio fornece munição narrativa à oposição e, sobretudo, às forças de centro que articulam uma alternativa eleitoral fora da polarização tradicional. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, trabalha para viabilizar uma candidatura competitiva, tendo como principal aposta o governador do Paraná, Ratinho Junior, sem descartar outros nomes, como Eduardo Leite e Ronaldo Caiado. Nesse cenário, cada desgaste simbólico do presidente fortalece o discurso de que Lula representa um ciclo em esgotamento.

    Não por acaso, editoriais dos principais jornais apontaram o desfile como um exemplo de campanha antecipada disfarçada de festa popular. No mercado financeiro, a chamada Faria Lima não esconde seu crescente entusiasmo com uma candidatura do PSD, vista como mais previsível e menos polarizadora. Kassab avança na montagem de palanques estaduais onde Lula enfrenta maior rejeição, como Rio Grande do Sul, Paraná, Rondônia, ou tem palanques fortes, como Pernambuco e Sergipe. Num ambiente em que a desaprovação ao governo ainda permanece elevada, apesar da melhora recente dos indicadores econômicos.

    A conjuntura econômica, porém, joga a favor do presidente: inflação sob controle, desemprego baixo, renda em recuperação e expectativas mais positivas quanto ao crescimento podem reduzir a rejeição e ampliar sua aprovação. Ainda assim, mesmo para o marqueteiro de Lula, o secretário de Comunicação Social do Governo, Sidônio Palmeira, o episódio da Sapucaí foi um erro de cálculo político, um tiro no próprio pé. O eleitor que rejeita Lula não mudou de opinião por causa do desfile; o eleitor fiel ganhou, no máximo, um jingle reciclado; e o eleitor volátil, aquele que decide eleições, teve mais motivos para irritação do que para reconciliação.

    Ao permitir que a maior festa popular do país fosse atravessada por símbolos explícitos da disputa eleitoral e comparecer ao desfile da Acadêmicos de Niterói, Lula armou, para si mesmo, uma casa de caboclo: entrou confiante, mas saiu deixando rastros para adversários, juristas e candidatos alternativos explorarem. Na política, em ano eleitoral, nem tudo que é permitido é aconselhável e o aplauso não é sinônimo de voto.

    (Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2026/02/7357839-nas-entrelinhas-desfile-armou-uma-casa-de-caboclo-para-lula-candidato.html)

  15. Miguel José Teixeira

    “Enredo pró-Lula teve R$ 9,6 milhões e reuniões no Palácio do Planalto”
    – Primeira-dama Janja e ministras Gleisi e Anielle cumpriram agendas com a escola Acadêmicos de Niterói, que acabou rebaixada.
    (Andre Shalders e Andreza Matais, Metrópoles, 19/02/26)

    A escola de samba Acadêmicos de Niterói recebeu R$ 9,6 milhões em verba pública para realizar seu desfile deste ano, que homenageou o presidente Lula (PT). Os pagamentos vieram da Prefeitura de Niterói (RJ), do governo do estado do Rio de Janeiro, do governo federal, por meio da Embratur, e da Prefeitura do Rio de Janeiro, via Riotur.

    O governo federal se envolveu diretamente com o desfile. A primeira-dama Janja da Silva esteve duas vezes na escola, nos dias 7 de outubro de 2025 e 7 de fevereiro deste ano. Os deslocamentos de Janja são pagos com recursos públicos, assim como todo o staff de seguranças e assessores que a acompanham.

    Na visita de fevereiro, Janja estava com uma ministra de Lula. Anielle Franco (Igualdade Racial) destinou sua agenda a acompanhar o último ensaio da escola.

    Em vídeos postados nas redes sociais da ministra, Janja e Anielle aparecem ao lado do presidente da escola, Wallace Palhares, fazendo o “L” com os dedos. Anielle utiliza a mesma rede social para divulgar as ações de seu ministério.

    O presidente da Acadêmicos de Niterói foi recebido pelo menos duas vezes no Palácio do Planalto, nos dias 16 e 2 de outubro de 2025. As agendas oficiais mostram encontros de Wallace Palhares com a ministra Gleisi Hoffmann, no 4º andar do Palácio. Como secretária de Relações Institucionais, o cargo de Gleisi não tem qualquer relação com atividades culturais.

    A reunião do dia 16 teve ainda a presença de André Ceciliano, número dois da ministra. Ele é responsável por tratar com deputados e senadores sobre liberação de emendas e indicações para cargos. Também participaram do encontro, o namorado de Gleisi, o deputado Lindbergh Faria (PT-RJ), e o vereador petista Anderson Pipico, de Niterói.

    Intitulado “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o enredo conquistou apenas 264,6 pontos, a menor nota entre todas as escolas do Grupo Especial do Carnaval carioca, e resultou no rebaixamento da Acadêmicos de Niterói.

    Pagamentos da Embratur, da prefeitura e do governo do estado
    Autarquia federal, a Embratur depositou R$ 1 milhão para o desfile da Acadêmicos de Niterói — o mesmo montante das outras 11 integrantes do Grupo Especial. A Embratur é comandada, desde janeiro de 2023, pelo ex-deputado Marcelo Freixo (PT), que construiu sua carreira política em Niterói.

    Do governo do Rio vieram mais R$ 2,5 milhões. O montante faz parte de um contrato maior, de R$ 40 milhões, entre o governo estadual e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), para patrocinar o Grupo Especial.

    Pela parte da Liesa, o contrato é assinado por João Felipe Drumond. Ele é diretor-tesoureiro da entidade e neto do bicheiro Luizinho Drummond.

    Acesse aqui o contrato do governo do Rio com a Liesa.

    O maior pagamento foi o da Prefeitura de Niterói, que contribuiu com R$ 4 milhões. À coluna, o prefeito Rodrigo Neves (PDT) disse que o mesmo valor foi destinado à outra representante niteroiense no Grupo Especial, a Viradouro, que se sagrou campeã neste ano.

    Por fim, a empresa municipal de turismo do Rio de Janeiro, a Riotur, contribuiu com mais R$ 2,15 milhões.

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/andreza-matais/enredo-pro-lula-teve-r-96-milhoes-e-reunioes-no-palacio-do-planalto)

  16. Miguel José Teixeira

    “O rebaixamento apoteótico de Lula”
    – Parecia o plano perfeito, mas o showmício carnavalesco da rebaixada Acadêmicos de Niterói virou dor de cabeça para o petista e o TSE.
    (Rodolfo Borges, O Antagonista, 19/02/26)

    Parecia o plano perfeito: o cambaleante presidente seria cantado em samba e verso no maior showmício da história do Brasil (1), a um investimento módico de 1 milhão de reais — com os patrocínios municipais e estadual, o valor se aproximou de 10 milhões de reais —, tudo transmitido em horário nobre, sem custo adicional. Deu tudo errado.

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou a censura (2) e permitiu a realização do desfile, mas avisou que os envolvidos poderiam ter problemas com a propaganda em ano eleitoral para um presidente da República que é pré-candidato à reeleição.

    Os ministros do governo foram mais discretos, a primeira-dama Janja desistiu de desfilar, para “evitar perseguições” (3), mas a propaganda foi feita, seguindo o script do desfile da Acadêmicos de Niterói, detalhado no livro Abre Alas do Carnaval do Rio de Janeiro deste ano:

    “Dentro de um regime democrático, a popularidade é movida por altos e baixos. Mas, ao contrário do pensamento estoico, nem toda vida política caminha para um final fracassado. E, atualmente, existe apenas um líder no planeta que pode reivindicar tal fama: Luiz Inácio da Silva – o ex-operário que voltou à presidência do Brasil para cumprir um terceiro mandato. Goste dele ou não, é preciso aceitar: Lula é o político mais bem-sucedido de seu tempo. A combinação de uma personalidade carismática com sensibilidade social são trunfos sublimes do homenageado da Acadêmicos de Niterói para o Carnaval 2026.”

    Mitificação e campanha
    O samba-enredo reproduziu toda a mitificação lulista, e nem sequer tentou esconder isso. Pelo contrário, está tudo explícito na justificativa do enredo:

    “O legado político de Lula está diretamente associado a políticas de combate à fome, ampliação do acesso à educação, fortalecimento das universidades, inclusão social e reconhecimento da diversidade do povo brasileiro. Esses temas dialogam profundamente com os valores que o samba carrega. Transformar esse legado em enredo é traduzir políticas públicas em poesia, ritmo e imagem, tornando compreensível, sensível e emocionante aquilo que marcou a vida de milhões de brasileiros.”

    Pior: o desfile não se limitou a exaltar o pré-candidato Lula, mas atacou seus adversários (4) e endossou também suas bandeiras atuais, com as quais pretende se reeleger, como a defesa da “soberania nacional”, o fim da escala de trabalho 6×1 e a “taxação BBB” (bilionário, bancos e bets).

    “A Acadêmicos de Niterói encerra o desfile dialogando com o que o país vive hoje. Em seu terceiro mandato como presidente da República, Lula volta a encarnar pautas voltadas ao trabalhador, ao mesmo tempo em que enfrenta uma extrema direita raivosa. O fim da nossa apresentação é uma ode à soberania nacional, através da figura de Lula”, diz a explicação de um dos “setores do desfile”.

    Bandeira para a oposição
    A propaganda foi tão explícita, com menções ao PT, ao número 13 e a programas sociais do governo Lula, como o Luz Para Todos e o Minha Casa, Minha Vida, que a Justiça Eleitoral foi inundada de questionamentos (5).

    Os julgamentos dessas ações poderão levar até à inelegibilidade de Lula, já que há dinheiro público da Embratur (6) envolvido no desfile, e o presidente participou da festa, inclusive convidando um humorista para interpretá-lo (7) na Marquês de Sapucaí.

    Além de tudo isso, o desfile entregou no colo da oposição, de maneira totalmente gratuita, a bandeira da defesa da família (8), bastante cara aos evangélicos, que Lula nunca conseguiu conquistar.

    Para coroar a tragédia carnavalesca, a Acadêmico de Niterói foi rebaixada (9), puxando junto Lula, cuja popularidade só caiu ao longo deste ano, como aponta o Lulômetro (10).

    A ressaca desse Carnaval será grande para Lula.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/o-rebaixamento-apoteotico-de-lula/)

    (1) “O maior showmício de todos os tempos”
    – Desfile teve cardápio eleitoral completo: mito de origem, resgate emocional, frase de efeito, assinatura de marca, inimigo sugerido e um refrão que funciona como aqueles jingles que grudam na memória.
    +em: https://crusoe.com.br/diario/o-maior-showmicio-de-todos-os-tempos/

    (2) “O veneno eleitoral de Moraes”
    – Os remédios aplicados pelo ministro do STF na eleição de 2022 se revelaram um veneno que, hoje, contamina as decisões do TSE.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/o-veneno-eleitoral-de-moraes/

    (3) “Janja diz que não desfilou para “evitar perseguições”
    – Escola Acadêmicos de Niterói fez um desfile eleitoreiro para Lula; caso vai parar no Tribunal Superior Eleitoral.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/janja-diz-que-nao-desfilou-no-rio-para-evitar-perseguicoes/#google_vignette

    (4) “Desfile de Lula na Sapucaí retrata Bolsonaro como palhaço”
    – Evento foi mantido apesar de ação por propaganda antecipada na Justiça Eleitoral.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/desfile-de-lula-na-sapucai-retrata-bolsonaro-como-palhaco/

    (5) “Desfile pró-Lula na Sapucaí vira alvo de ação no TSE”
    – Partido Missão acusa propaganda antecipada; Liminar mira presidente, PT e Escola de Niterói.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/desfile-pro-lula-na-sapucai-vira-alvo-de-acao-no-tse/#google_vignette

    (6) “Embratur firmou convênio inédito em ano de desfile eleitoreiro de Lula”
    – Último contrato do Ministério do Turismo para a Liesa foi firmado em 1998, e em valor bem inferior ao atual: R$ 875 mil em valores atuais.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/embratur-firmou-convenio-inedito-em-ano-de-desfile-eleitoreiro-de-lula/

    (7) “Paulo Vieira aceita convite de Lula para desfilar na Sapucaí”
    – Humorista vai interpretar o presidente no desfile da Acadêmicos de Niterói, que abre o grupo especial do Carnaval do Rio.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/paulo-vieira-aceita-convite-de-lula-para-desfilar-na-sapucai/#google_vignette

    (8) “Damares critica ala com “evangélicos em lata de conserva” em desfile pró-Lula”
    – Senadora afirma que apresentação ridicularizou cristãos e promete ações judiciais; “acabou a tolerância”.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/damares-critica-ala-com-evangelicos-em-lata-de-conserva-em-desfile-pro-lula/#google_vignette

    (9) “Escola que homenageou Lula é rebaixada no RJ”
    – Acadêmicos de Niterói, estreante na elite do carnaval carioca, vem encerrando a apuração com a menor pontuação entre as 12 agremiações.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/escola-que-homenageou-lula-e-rebaixada-no-rj/

    (10) “Reprovação de Lula sobe, e a Escola desce”
    – Atualização do Lulômetro mostra índice “ruim” ou “péssimo” atingir 45%.
    +em: https://oantagonista.com.br/videos/reprovacao-de-lula-sobe-e-a-escola-desce/#google_vignette

    Huuummm. . .
    O (10) é dez mesmo!!!

  17. Miguel José Teixeira

    Pensando bem…
    (Coluna CH, DP, 19/02/26)

    …o rebaixamento faz todo sentido, escola nunca foi o forte de Lula.

    Matutando bem…
    (Matutildo, aqui e agora)

    Mas a universidade de corrupções do lula, vai muito bem, obrigado!

  18. Miguel José Teixeira

    Da série:
    “Não por acaso, soltaram o maior corruPTo
    que a Nação já tece e o colocaram na
    Presidência da República.”

    “Números falam alto”
    Moraes desconfiou de vazamento da Receita após o furo espetacular de Lauro Jardim, do Globo, apontado que o patrimônio de sua esposa subiu de R$24 milhões para R$79,7 milhões em um ano, entre 2023 e 2024.
    (Coluna CH, DP, 19/02/26)

    E agora, planejadamente, planejado,
    nos oferecem como opção,
    um canalha do mesmo naipe!

  19. Miguel José Teixeira

    Diz o Cláudio Humberto que:

    “Lula (PT) recebeu vários sinais dos deuses do carnaval e, supersticioso como é, deve estar com as barbas de molho: seu boneco caiu e perdeu a cabeça, que foi arrastada pelas ruas, não sem antes de alguém da própria escola defecar sobre a alegoria. E a escola, a pior, foi rebaixada.”

    Só pra PenTelhar. . .

    “A Índia fui em férias passear
    Tornar realidade um sonho meu
    Jamais eu poderia imaginar
    E explicar o que me aconteceu”
    . . .
    Nilton Cesar: https://www.youtube.com/watch?v=gv1oflT7w6k

  20. Miguel José Teixeira

    “STF entre medo de Moraes e o conforto da proteção”
    (Coluna CH, DP, 19/02/26)

    Declarações de ministros do Supremo Tribunal Federal, sob a condição do anonimato, recém-divulgadas, revelam uma queixa comum: o medo de Alexandre de Moraes. Até eles. Mas, se há esse temor, evidenciado por decisões jamais contestadas, a maioria do STF se sente “confortável”, para dizer o mínimo, com o temor maior imposto a críticos da Corte e ao jornalismo investigativo, que, em larga medida, tem feito o que deveria ser investigado pela Procuradoria Geral da República (PGR).

    Viva o jornalismo
    O jornalismo investigativo revelou do contrato milionário do Master com a esposa advogada de Moraes e o espantoso caso do resort Tayayá.

    Só nos cochichos
    O inquérito na Receita acabou trincando a sensação de medo e conforto dentro e fora do STF, e Moraes passou a ser criticado, mas, em off.

    Saindo da toca
    Vários juristas disseram ao Estadão que inquérito de Moraes na Receita viola o devido processo legal e usurpa a competência da 1ª instância.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/tse-se-omite-e-juizes-do-carnaval-rebaixam-escola-paga-para-fazer-propaganda-de-lula)

  21. Miguel José Teixeira

    “TSE se omite, e juízes do Carnaval rebaixam escola paga para fazer propaganda de Lula”
    (Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 19/02/26)

    Enquanto magistrados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os membros do Tribunal de Contas da União (TCU) ignoraram e autorizaram, por omissão, a propaganda eleitoral de Lula no desfile da escola Acadêmicos de Niterói bajulando o pré-candidato à reeleição Lula (PT) em pleno ano eleitoral, coube aos juízes do Carnaval do Rio tomar providências, batendo o martelo para rebaixar a escola que fez o pior desfile do ano.

    Papagaiada
    A escola faturou alto, mas teve problemas na dispersão, alegorias ruins e presas na saída e até atrapalhou o andamento de outras escolas.

    Foi no mérito
    Foi muito apertada a distância entre as escolas, separadas por décimos na pontuação, mas a escola de Lula, não: ficou a 3 pontos da penúltima.

    Executivo gostou
    Um dia após a apresentação, o Palácio do Planalto defendeu o desfile e lembrou que nem TSE, nem TCU viram problemas. Não quiseram ver.

    Sidônio na mira
    Além de pagar mico pela presepada, Lula ainda corre o risco de ver sua candidatura anulada na Justiça. Deve ir atrás do autor da ideia de jerico.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/tse-se-omite-e-juizes-do-carnaval-rebaixam-escola-paga-para-fazer-propaganda-de-lula)

  22. Miguel José Teixeira

    “IA em discussão”
    (Beatriz Pecinato, Mercado, FSP, 19/02/26)

    Começou nesta semana a Cúpula do Impacto da Inteligência Artificial (1) (*), em Nova Déli. O fórum reúne dez chefes de Estado e grandes empresários da área.

    Por que importa?
    Mais do que um encontro para discutir a tecnologia, o evento explicita uma queda de braço entre dois perfis de países: os que querem o avanço da IA a todo custo e os que focam os riscos causados pelas plataformas e defendem uma regulação para a tecnologia.

    Os EUA apostam na desregulamentação como forma de impulsionar o desenvolvimento do setor. O país ameaçou impor tarifas (2) a nações que adotam regras consideradas prejudiciais às big techs americanas.

    Já o Brasil (que será representado por Lula) e a União Europeia adotam uma postura mais cautelosa na discussão (3).

    Nesta quinta, Lula discursou no evento e criticou o modelo de negócios das empresas de IA (4).

    “Ele depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política”, afirmou o presidente.

    Quem está lá:
    líderes de países como Brasil, Espanha, França e Holanda.
    Trump (EUA) e Xi Jinping (China) não foram.
    Executivos de gigantes de tecnologia como Sam Altman, da OpenAI, Sundar Pichai, da Alphabet (Google), Dario Amodei, da Anthropic, e Alexandr Wang, da Meta Platforms, confirmaram presença.

    E a Índia?
    Aposta a ampliação do acesso à tecnologia no território, quer desenvolver aplicativos locais e atrair investimentos estrangeiros para o segmento.

    O país, que pretende se tornar uma potência emergente de IA, anunciou algumas medidas:

    Investimento de US$ 100 bilhões até 2035 em centros de dados

    Isenção fiscal por 20 anos a empresas que prestarem serviços de data centers

    União Lula – Narendra Modi.
    Apesar de os Estados adotarem posturas diferentes na discussão sobre inteligência artificial, ambos compartilham o objetivo de investir em soluções locais para não ficar muito dependentes dos EUA e China em relação a IA e terras raras.

    Por isso, o presidente brasileiro (5) vai usar sua passagem por Nova Déli para anunciar acordos com o governo indiano (6).

    A Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro, que deve ser comunicada no próximo fim de semana, inclui tópicos sobre cooperação em inteligência artificial, parceria em semicondutores e minerais críticos.

    Em busca de terras raras.
    Para o Brasil, o pacto é significativo por ser o primeiro acordo bilateral do país específico para terras raras. Para a Índia, é um passo para reduzir a dependência da China no setor.

    (TRPCE)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/cupula-de-ia-na-india-evidencia-disputa-entre-aceleracionistas-e-apologistas-da-seguranca.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/08/trump-ameaca-mais-tarifas-contra-paises-que-adotarem-impostos-sobre-big-techs.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/blogs/c-level-plano-brasilia/2025/09/big-techs-alertam-que-projeto-de-regulacao-do-governo-vai-repetir-erros-do-modelo-europeu.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/lula-avanca-sobre-big-techs-e-critica-modelo-de-negocio-das-empresas-em-discurso-na-india.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/viagem-de-lula-pela-asia-tera-comitiva-de-empresarios-e-foco-no-agronegocio.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/02/em-visita-a-india-lula-vai-reforcar-discurso-da-soberania-e-assinar-acordos.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newsmercado

    (*) https://impact.indiaai.gov.in/

  23. Miguel José Teixeira

    “Master: reações de Toffoli e Alexandre de Moraes expõem o fosso entre o STF e a sociedade”
    (Por Malu Gaspar, O Globo, 19/02/26)

    A maior parte do Brasil passou o carnaval pensando no que fazer na folga, na programação dos blocos de sua cidade ou na classificação das escolas de samba na Sapucaí. No Supremo Tribunal Federal (STF), foram dias de tensão sem trégua. Os ministros ainda nem tinham digerido o trauma provocado pela reunião secreta em que obrigaram Dias Toffoli a deixar a relatoria do caso Master quando Alexandre de Moraes mandou que a Polícia Federal (PF) batesse à porta de quatro servidores da Receita e do Serpro em plena Terça-feira Gorda, numa operação para combater o “possível vazamento indevido de dados sigilosos de Ministros do Supremo Tribunal Federal, do procurador-geral da República e de seus familiares”.

    Em tese, Moraes defendeu o tribunal, portanto era de esperar que a operação fosse bem recebida por seus pares. Na prática, não foi bem assim. Mesmo os que costumam apoiar suas investidas se incomodaram por não terem sido avisados de que ele mandara a Receita averiguar se houve acessos ilegais aos dados de mais de cem pessoas, entre ministros e seus parentes. Se havia suspeita de violação, por que Moraes não os avisou?

    Os mais arredios passaram a suspeitar que o ministro incluíra toda essa gente na apuração para disfarçar seu objetivo real — descobrir se alguém havia aberto a declaração de imposto de renda de sua mulher, Viviane, e vazado a informação a jornalistas. Ou pior: que buscasse informações para se proteger do avanço das investigações. Afinal, não se sabe ao certo o que o celular de Daniel Vorcaro ainda guarda sobre ele, e Moraes até agora não explicou para que, afinal, serviu o contrato de R$ 130 milhões do Master com o escritório de Viviane.

    Toda essa reação demonstra não só o tamanho do buraco em que o caso Master jogou o Supremo, mas também quão profundo se tornou o fosso entre o tribunal e a sociedade. As falas dos ministros na reunião secreta em que se decidiu pelo afastamento de Toffoli são sintomáticas.

    Em vez de discutir a essência do problema que os colocou naquela situação — a descoberta de uma pilha de indícios de que Toffoli e Vorcaro tinham uma relação promíscua e uma negociação mal explicada de R$ 35 milhões —, os ministros passaram a maior parte do tempo espinafrando a PF e especulando sobre as razões por que o diretor Andrei Rodrigues havia apresentado um relatório sobre o assunto ao STF. Pelo jeito, para os supremos, seguir o que manda a lei e comunicar a descoberta de indícios de crime a quem de direito não é motivo suficiente.

    uma das falas mais enfáticas, Flávio Dino classificou o documento da PF como “lixo jurídico”:

    — Este problema é político. O ministro pegou uma causa bilionária de R$ 55 bilhões e um negócio dele lá com um fundo de R$ 16 milhões é o problema do país? É óbvio que esse não é o problema do país. Isso é para encobrir os interesses dos grandes empresários.

    Tanta convicção sobre eventuais motivações extra-autos revela muito mais sobre o STF que sobre um relatório que ninguém, nem Toffoli, contestou publicamente. O mesmo se pode dizer sobre a descrição da reunião publicada pelo site Poder 360 ter sido tão precisa que os ministros passaram a suspeitar de que tinham sido gravados — e pelo próprio Toffoli.

    Em tese, gravar uma reunião secreta do Supremo e vazar à imprensa também configura violação do sigilo funcional, tanto quanto surrupiar uma declaração de imposto de renda para entregar a jornalistas. Mas essa suspeita nenhum dos ministros fez questão de transformar em investigação.

    Nesse contexto, não deveria ser surpresa Alexandre de Moraes recorrer ao inquérito das fake news para apurar mais um fato em que ele é ao mesmo tempo vítima, investigador e juiz. Aberto em 2019 por Toffoli para apurar outra suspeita de violação de sigilo, desta vez de suas mulheres advogadas, o inquérito já poderia ter sido encerrado quando o próprio Moraes concluiu não haver mais motivo para continuar a investigação e mandou reintegrar os servidores investigados.

    Ou, ainda, quando a então procuradora-geral da República pediu seu arquivamento, por entender que Moraes desrespeitara “o devido processo legal” ao tocar a apuração para apurar a disseminação de fake news sem consultar o Ministério Público.

    No fundo, a razão por que o inquérito das fake news continua aberto e é usado por Moraes para fazer o que bem entende é a mesma por que Tofolli julgou não haver problema em continuar comandando o caso Master. Pouco importa que a população esteja contra o Supremo, como disse Cármen Lúcia, ou que alguns de seus atos possam ser questionados à luz da Constituição. Ao que parece, conta mesmo só aquilo que Dino definiu na tal reunião vazada como “STF Futebol Clube”. O resto é confete.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/coluna/2026/02/tensao-no-stf-com-operacao-sobre-vazamento-de-dados-mostra-que-o-estrago-provocado-pelo-caso-master-e-maior-do-que-parece.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)

  24. Miguel José Teixeira

    “Fogo amigo”
    – Eleitorado evangélico pode se tornar mais arredio ainda aos apelos do presidente Lula depois do desfile.
    (Por Merval Pereira, O Globo, 19/02/26)

    Entre os vários efeitos colaterais negativos que o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói pode ter trazido para a campanha eleitoral do presidente Lula, um é explorado nas redes sociais com avidez pelos bolsonaristas: a crítica da escola aos neoconservadores, especialmente às “famílias enlatadas”, entendidas como ridicularização dos evangélicos, uma das forças eleitorais brasileiras atrás da qual os petistas correm em busca de apoio. É um eleitorado majoritariamente bolsonarista, que pode se tornar mais arredio ainda aos apelos do presidente Lula depois do desfile.

    Os petistas alegam que essa é uma prova de que o governo não interferiu no enredo da escola — um elogio ao presidente Lula, sua história de vida e seu governo. A importância dos evangélicos no jogo eleitoral foi analisada por diversos especialistas no ano passado, na expectativa do resultado do Censo Demográfico de 2022 do IBGE divulgado em junho de 2025. O crescimento dos evangélicos no país é vertiginoso e, mesmo com o ritmo tendo diminuído, eles chegaram a cerca de 27% da população.

    Entre os vários efeitos colaterais negativos que o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói pode ter trazido para a campanha eleitoral do presidente Lula, um é explorado nas redes sociais com avidez pelos bolsonaristas: a crítica da escola aos neoconservadores, especialmente às “famílias enlatadas”, entendidas como ridicularização dos evangélicos, uma das forças eleitorais brasileiras atrás da qual os petistas correm em busca de apoio. É um eleitorado majoritariamente bolsonarista, que pode se tornar mais arredio ainda aos apelos do presidente Lula depois do desfile.

    Os petistas alegam que essa é uma prova de que o governo não interferiu no enredo da escola — um elogio ao presidente Lula, sua história de vida e seu governo. A importância dos evangélicos no jogo eleitoral foi analisada por diversos especialistas no ano passado, na expectativa do resultado do Censo Demográfico de 2022 do IBGE divulgado em junho de 2025. O crescimento dos evangélicos no país é vertiginoso e, mesmo com o ritmo tendo diminuído, eles chegaram a cerca de 27% da população.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/merval-pereira/coluna/2026/02/fogo-amigo.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha)

  25. Miguel José Teixeira

    Assim como já ivemos o
    bu bu bu no ba ba ba,
    agora temos o
    bafafa no mulungú!

    “Petistas silenciam sobre rebaixamento de escola de samba que fez desfile sobre Lula”
    – Passagem da Acadêmicos de Niterói pela Sapucaí provocou ofensiva da oposição sob alegação de que presidente cometeu ilícitos que o favorecem na corrida à reeleição.
    (Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro, O Globo, 19/02/26)
    . . .
    “Petistas silenciaram sobre o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, escola de samba que homenageou Lula. A oposição alega que o desfile favoreceu o presidente na corrida à reeleição, suscitando críticas de bolsonaristas. A ala “Neoconservadores em conserva” gerou atrito com evangélicos, exigindo gestos de reconciliação do governo. Especialistas divergem sobre possíveis ilícitos, mas o TSE rejeitou pedido de censura.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/19/petistas-silenciam-sobre-rebaixamento-de-escola-de-samba-que-fez-desfile-sobre-lula.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    Li em algum lugar que
    um “çábio” PeTista afirmou
    que a “Iscola” de Niterói que
    homenageou o “cumpanhêru-mor”
    foi desclassificada porque os
    Julgadores foram muito pressionados.

    Pressionado por quem, cara pálida?

  26. Miguel José Teixeira

    “Devassa da PF na Receita Federal desperta desconfiança sobre ações de Moraes até mesmo no STF. Veja por quê”
    – Operação que mira servidores do Fisco causou clima de ‘choque’ e ‘medo’ no órgão e críticas do Senado e de juristas. Auditor reconhece que fez acesso irregular.
    (Por Malu Gaspar, Fabio Graner, Bruna Lessa, Thaís Barcellos, Vinicius Neder e Cássia Almeida — Brasília e Rio, O Globo, 19/02/26)
    . . .
    “A operação da PF na Receita Federal, ordenada por Alexandre de Moraes, gerou desconfiança no STF. A ação visa servidores acusados de vazamento de dados dos ministros. Críticas vieram do Senado e do Sindifisco, que condenou a exposição de investigados. Dois ministros consideram a medida excessiva, enquanto auditores relatam medo e tensão no órgão. O caso repercute em meio a questões políticas e jurídicas complexas.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/02/19/devassa-da-pf-na-receita-federal-desperta-desconfianca-sobre-acoes-de-moraes-ate-mesmo-no-stf-veja-por-que.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariamanha

    Pois é. . .
    Como diz o adágio popular:
    “Cocô, quanto mais se mexe, mais fede.”

  27. Miguel José Teixeira

    “Ninguém mais respeita o Carnaval. É escola de samba influenciando voto evangélico da eleição que só acontece daqui a oito meses. É Xandão acusando e mandando prender no inquérito das fakes de 2019 (é verdade esse bilhete). São as festas regadas a pu, ops, políticos do Daniel Vorcaro. É Banco Central liquidando mais um banco ligado ao Master. A República começa a Quaresma na maior ressaca, BRASEW! Estamos só no aguardo dos vazamentos. Cadê os vídeos? Se é para acabar com o Carnaval precocemente, que seja com os vídeos do Cine Vorcaro!!!!! (Sim, eu sei que já estamos nas cinzas, mas eu voto para o Carnaval só acabar no domingo.)”

    “Queremos os vídeos do Cine Vorcaro!!!!!”
    TixaNews, fev 19
    (https://substack.com/@tixanews)

    A treta é a seguinte, darling. O Sidônio, nosso publicitário-geral da República, foi lá, deu uma olhada na harmonia da Acadêmicos de Niterói e, como quem não quer nada, avisou o presidente de que talvez fosse melhor que não tivesse aquela ala da família em conserva. Não viu o que é isso? Uma ala da escola que homenageou o Lula na Sapucaí e botou uma fantasia de uma lata de conserva com fotos de famílias tradicionais.

    O Lula achou que, se ele falasse algo, seria ruim porque é uma manifestação cultural artística. De fato, daria para se falar em censura. Mas vamos aí: por que foi mesmo que primeiramente o Lula aceitou uma homenagem de uma escola de samba em ano de eleição? Segundamente, por que cogitou até mesmo desfilar na tal escola? E, terceiramente e efetivamente, por que foi lá no sambódromo receber a homenagem? Queria agora aquele meme do cachorrinho vesgo dizendo “qual a necessidade disso”.

    As reações do povo das opiniões foram as seguintes:

    O Leonardo Sakamoto acha que é só mimimi de Carnaval e, até as eleições, ninguém mais lembra, e o Lula ainda ganhou tempo de televisão dançando na Globo (vigor). Também não sabemos se dura até as eleições.

    Já o Juliano Spyer, que é aquele antropólogo que estuda os evangélicos, diz que fazer graça com a família conservadora de forma gratuita é oferecer munição para reproduzir o efeito Haddad. E o que foi o efeito Haddad? Na véspera da eleição, Haddad falou mal do Edir Macedo e daí as mulheres evangélicas que estavam angariando votos contra Bolsonaro foram silenciadas. Como assim votar em alguém que fala mal do líder supremo?

    Como temos visto, a popularidade de Lula tem andado em ondas. No ano passado começou com o tsunami do Pix, depois surfou na onda das tarifas do Trump e agora o que vai ser essa onda da família em conserva?

    O Sidônio que lute! Como fazia tempo que eu não falava isso, já estava com saudades.

    E o Xandão, hein?
    Ah, Xandão, sempre dando aquele jeitinho. O nosso xerife supremo ressuscitou o inquérito das fakes, aquele lá do primeiro ano do governo Bolsonaro, quando não tinha nem pandemia ainda, darling, para investigar funcionários da Receita Federal que teriam acessado e vazado dados dos ministros supremos. E aí, era plena terça-feira de Carnaval e a Polícia Federal foi atrás dos cidadãos. Rolou até tornozeleira eletrônica.

    Alguns ministros supremos ficaram horrorizados porque a abertura de uma investigação desse tipo deveria ser prerrogativa do presidente do Supremo, ou seja, do supremo Fachin.

    Só sei que teve até manifestação da Procuradoria-Geral da República, que disse o seguinte: “a exploração fragmentada e seletiva de informações sigilosas de autoridades públicas estaria sendo instrumentalizada para produzir suspeitas artificiais, de difícil dissipação”.

    Tenho que concordar que fica meio difícil dissipar a ideia da Vivi Barci, a esposa do Xandão, faturando 130 milhões para defender o Master e depois o Master caindo no colo do Toffoli, e depois o Toffoli enrolado com o Tayayá e depois o Toffoli saindo fora. Enfim… tudo muito difícil mesmo de se dissipar.

    Cine Vorcaro
    A Alexa Salomão, da Folha, escreveu hoje uma reportagem com riqueza de detalhes sobre as festinhas de Daniel Vorcaro, regadas a mulheres estrangeiras, em lugares como Trancoso, Lisboa e Nova York, com uísques e vinhos caríssimos. Onde celulares eram proibidos de entrar e otrascositasmas. As festas ficaram conhecidas como Cine Vorcaro porque suspeita-se que alguém gravava. E, se houve gravação, haverá vídeos, BRASEW.

    Dizem que pega o Centrão em cheio. Enfim, o Centrão, como bom Centrão, devia saber bem que, se você não está pagando o produto, o produto é você, darling.

    Parece que rolava até convescote do Vorcaro no Gilmarpalooza, com as meninas circulando por lá e as esposas ficando p. da vida.

    É proibido fazer festinha regada a pu, ops, políticos? Not. A não ser que vire moeda de troca, né, BRASEW?

    E, por falar em Vorcaro, a CPI do INSS resolveu que quer ouvi-lo na próxima segunda-feira. Gente, eu só quero saber dos vídeos.

    Mais um banco
    Estava meio que na hora de o Banco Central explicar por que raios concedeu o direito de abrir um banco para o então sócio do Vorcaro no Master, poucos meses antes de negar o salvamento do Master pelo BRB e já sabendo que o Master estava cheio de fraudes. Viu como precisa de explicação? O banco em questão era o Voiter, que mudou de nome e virou Pleno, nas mãos de Augusto Lima. Quem é Lima na fila do pão? Lima era sócio do Vorcaro e a parte amiga do PT da Bahia no arranjo geopolítico do Master.

    O BC cedeu o direito do Voiter (que virou Pleno) a Lima poucos meses antes da liquidação do Master e adivinha? Agora liquidou o banco do Lima. Qual a continha do Fundo Garantidor de Crédito? 5 bi. Sim, aquele fundo que cobre o rombo para quem aplicou até 250 mil reais em títulos do banco liquidado.

    Lula vetou
    O Lula vetou aquela festa do caqui da Câmara que não só dava reajuste para os servidores que já ganhavam bem, como permitia que o rendimento deles ultrapassasse loucamente o teto constitucional de 46 mil reais. Lula vetou apenas o que passava do teto.

    E eu só queria mais uns dias de Carnaval, BRASEW. Ah, e a Acadêmicos de Niterói ainda foi rebaixada. Vou ali comprar um pão doce e mandar para o Sidônio.

    (TRPCE)

  28. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (102)

    “Otavio Frias Filho disse que objetividade no jornalismo necessita de método”
    – ‘A rigor, escreve-se sabe-se lá o que para sabe-se lá quem ler’, escreveu o então diretor de Redação da Folha em 1984.
    – Artigo encerra seção que republica colunas de grande repercussão da história do jornal, que completa 105 anos.

    O jornalista Otavio Frias Filho (1957-2018) (1) tinha acabado de assumir a direção de Redação da Folha quando escreveu o “Antimanual de jornalismo”, em 1984. O texto era uma provocação bem-humorada, quase uma autocrítica sobre o ofício.

    Ele havia liderado a elaboração do Projeto Folha e do Manual da Redação (2), dois documentos que modernizaram o jornalismo. O “Antimanual” nascia da tensão que as inovações causaram.

    “O leitor parece não saber que dentro do jornal ninguém leu mais do que 10, 20 ou 30% daquilo que sai publicado”, começava. “O jornalista parece não saber que fora do jornal ninguém lerá mais do que 10, 20 ou 30%.” Conclusão: “A rigor, escreve-se sabe-se lá o que para sabe-se lá quem ler”.

    Sobre objetividade jornalística, escreveu: “O erro está em procurá-la na sinceridade ou no esforço, quando ela só pode estar em um método”. E completava: “Quem está atrás da objetividade deveria começar reunindo tudo o que houver de mais parcial, distorcido e tendencioso. A verdade está escrita em código na mentira.”

    Leia a seguir o texto completo, que encerra a seção 105 Colunas de Grande Repercussão (3), reunião de crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal.

    Antimanual de jornalismo (18/11/1984)

    O leitor parece não saber que dentro do jornal ninguém, individualmente, leu mais do que 10, 20 ou 30% daquilo que sai publicado no dia seguinte.

    O jornalista parece não saber que fora do jornal ninguém, individualmente, lerá mais do que 10, 20 ou 30% daquilo que sai publicado no dia seguinte.

    A rigor, escreve se sabe-se lá o que para sabe-se lá quem ler.

    Dos poucos que nos leem são poucos os que leem o texto todo; dos que leem o texto todo, poucos acompanham tudo; dos que acompanham tudo, poucos concordam; dos que concordam, poucos se animam a dizê-lo; dos que se animariam a dizê-lo, poucos nos conhecem; dos que nos conhecem, poucos nos encontram antes de esquecerem o que escrevemos; por isso somos tão sequiosos de reconhecimento.

    Seria interessante —se fosse antes possível— realizar um estudo que tomasse o universo dos leitores de cada texto publicado a fim de determinar, entre eles, qual o percentual de pessoas que conhecia o tema melhor do que o jornalista que redigiu o texto sobre ele. Tudo indica que esse percentual seria surpreendentemente alto.

    O leitor é sempre especialista em alguma coisa e leigo nas demais. Ele é arquiteto, eletricista, bancário. O jornalista também: ele é especialista em escrever no jornal.

    Embora provável que a maioria dos leitores de cada texto seja composta de especialistas (atraídos pela seção ou pelo título), é também provável que a maioria dos textos lidos por cada leitor esteja fora da sua especialidade. De uma coisa e de outra decorrem, respectivamente, falta de credibilidade e a credibilidade do jornal.

    O político ou o artista que acorda cedo, aflito para ver o que está publicado contra ele nos jornais, não age assim porque quer saber o que estará escrito ali, mas porque anseia por avaliar a extensão do estrago que aquele escrito produzirá em sua imagem ao ser lido por milhares. Dói que haja alguém para nos atacar; dói mais que haja tantos dispostos a ouvir os ataques. A malícia de quem escreve contra nós sempre nos parece detestável, mas o que é cruel é a credulidade dos que leem. Eis uma evidência de que o jornal não consiste no que é impresso, mas no que é lido e sobretudo no que é depois comentado; se bem que, pela lei dos grandes números, impresso tenda a significar, necessariamente, lido, e comentado.

    O dano causado por uma crítica leve, lida por muitos, equivale na prática ao dano causado por uma violência grave, sofrida por um só.

    Ainda a lei dos grandes números: se alguém escreve A no jornal, recebe apoios e ataques; se um outro escreve Z (o contrário de A), recebe apoios e ataques. Depois disso, como não sorrir tanto de apoios como de ataques?

    A desconfiança é um vício no mundo particular e uma virtude no mundo público. Existe maior prova de que não se pode aplicar na política a mesma ética que aplicamos nas relações pessoais?

    Ou o jornalismo elogia tudo ou crítica tudo. Ambas as atitudes são mais defensáveis do que esta, tão comum, de afirmar que o jornalismo deve criticar as coisas “ruins” e elogiar as “boas”. Com que direito pode alguém atribuir-se essa função em nome de terceiros? Não se dirá que o jornalista tem mais condições de julgar do que o leitor, já que este é ao menos especialista em alguma coisa, ao passo que aquele quase sempre não é especialista em nada, salvo escrever no jornal, especialidade que o autorizaria talvez a julgar sobre as coisas escritas ali, mas não sobre as coisas propriamente ditas. E, se o leitor julga, trata-se de um cidadão que emite um juízo com a força da sua mera voz, enquanto que o jornalista, se julga, trombeteia sua opinião com o alarido de mil vozes, tão forte que pode levar ao desespero aquele que sem defesa ouve o seu nome assim condenado ecoar toda manhã pela cidade, pelo país.

    Se julga, o cidadão exerce um direito; se julga, o jornalista rouba esse direito de milhares.

    Assim como ao julgar o jornal reproduz sua certeza milhares de vezes, ao errar ele se expõe milhares de vezes à mesma vergonha. Por isso os jornais não erram —cometem falhas técnicas.

    Uma jornalista me contou que o seu vizinho de apartamento era assinante do jornal em que ela trabalhava. Todo dia de manhã, quando saía, essa jornalista via o jornal na soleira da porta do vizinho, que ela não sabia quem era e nunca tinha visto. Ela me disse que se sentia como se aquela soleira fosse o túmulo do leitor desconhecido.

    O poder do texto não resulta apenas de ele ser impermeável à réplica. Ao ler, admitimos uma carência que o texto de alguma forma preenche e sem a qual não o leríamos. É essa a atitude em qualquer leitura; é também, por definição, a atitude que adotamos quando lemos pela primeira vez na vida.

    A autossuficiência do jornal é a insuficiência do público, a força da escrita é a fraqueza da leitura.

    Mas tudo o que vale para o jornalista vale em grau menor para o leitor, porque este, à sua maneira, também é repórter; quando lê o jornal ele observa e “ouve”, examina, apura, conclui e finalmente relata nas suas conversas.

    O leitor está para o jornalista assim como o jornalista está para a fonte.

    Um manual não muda, ao menos enquanto dura a sua vigência, e por isso pode ser usado inúmeras vezes. Um antimanual muda a cada momento e por isso é útil apenas uma vez: quando se vai contribuir para a redação de um manual.

    Um manual dá sempre a mesma solução para situações que não são as mesmas; um antimanual dá soluções que não são as mesmas para uma situação que é sempre a mesma: redigir um manual.

    Um antimanual é um manual de manuais.

    Objetivo é aquilo que existe a despeito de nós mesmos (Peirce –Charles Sander, matemático e cientista americano, pai do pragmatismo). Não é preciso que eu exista para que a água congele a zero grau. A estrutura do Édipo existe independentemente do meu ponto de vista.

    O que é objetivo só deveria ser dito de uma única maneira. Entre inúmeras maneiras técnicas de dizê-lo há uma que é sempre a melhor. Mas o melhor se transfere para novas maneiras conforme a técnica melhora. O que é objetivo hoje era subjetivo até ontem. Ser objetivo é expulsar as coisas da própria cabeça e devolvê-las ao mundo de onde vieram. Foi esse o exemplo de Copérnico e tantos outros.

    As coisas ou já são objetivas ou ainda vão ser.

    Não existe objetividade dada. O erro está em procurá-la na sinceridade ou no esforço, quando ela só pode estar em um método.

    O que não é objetivo pode objetivar-se com o tempo, o desenvolvimento de novas técnicas de verificação da verdade, novas descobertas e revelações etc. Enquanto isso não acontece, a objetividade tem de ser extraída a duras penas do conflito entre as subjetividades e da sua crítica recíproca.

    Se a imaginação mentisse sempre, falaria sempre a verdade (Pascal). Uma versão pode ser verdadeira ou falsa. Ela é tanto mais enganosa quanto mais ela puder ser verdadeira. A esperança de verificá-lo reside em colocar cada versão lado a lado com uma segunda, porque duas falsidades sobre uma mesma coisa não convivem sem que uma contradiga a outra. Se leio, a respeito de uma bandeira, que “esta bandeira é verde” e ao mesmo tempo é “azul”, tenho ao menos uma certeza: uma das duas afirmações é falsa. Se leio apenas uma versão, não tenho certeza nenhuma e fico na dúvida: aquela bandeira será verde ou não? Quanto maior o entrechoque de versões contraditórias, maior o resíduo objetivamente verificável. Quanto mais mentiras, tanto mais verdade.

    Quem está atrás da objetividade deveria começar reunindo tudo o que houver de mais parcial, distorcido e tendencioso. A verdade está escrita em código na mentira. Isto é apenas uma outra forma de dizer que a verdade é um quebra-cabeças.

    Vamos supor que estou em casa e de repente ouço o estrondo de um acidente de automóvel na esquina. Logo em seguida a rua enche de gente que veio espiar. Quando chego perto ouço o comentário de uma vizinha para outra: “A moça mora na rua de cima; vinha dirigindo como louca e atravessou o vermelho”.

    A informação pode ser verdadeira ou falsa. Se verifico que era falsa, vou pensar por um momento: aquela vizinha era fofoqueira. Mas, se a mesma falsidade aparece na notícia que o jornal deu sobre o acidente, minha indignação assume ares republicanos: escrever uma carta à redação, coisa que só não farei por preguiça, o menos republicano dos sentimentos. Mas os outros jornais poderão fazer, por concorrência e obrigação, aquilo que não fiz por preguiça.

    O que há de superior na versão jornalística, em relação à versão da vizinha, é que o jornalismo se expõe à verificação pública, ele se reivindica vassalo de algo externo a qualquer um: algo que é verificável por outros, por quem quer que seja, por todos. Nesse algo está a esperança de objetividade.

    O jornalismo de discurso recruta seus leitores não entre aqueles que desejam informar-se, mas entre aqueles que precisam reafirmar suas próprias informações. É essa expectativa de anuência mútua que esclarece as relações entre a imprensa alternativa e o seu público. Não sou leitor, sou militante; não cancelo minha assinatura: racho.

    O jornalismo de circunstância é um jornalismo que já desistiu de informar. Nele não se usa o lead, por exemplo, porque é inútil hierarquizar informações: o texto sempre será um caldo onde flutuam fragmentos selecionados pela subjetividade caprichosa do jornalista. O caldo é desordem (e a informação, pelo contrário, significa ordem) ou é uma versão deliberadamente subjetiva, legítima por ser ilegítima toda ambição de objetividade. Se os cientistas tivessem agido dessa maneira nunca teria havido ciência.

    A objetividade terá atingido a sua possibilidade mais radical apenas quando qualquer texto sobre qualquer assunto só puder ser escrito de uma única maneira, não importa por quem nem quando. Está claro que não é o jornalismo quem se revela incapaz disso; a própria linguagem humana ainda não alcançou, exceto talvez na matemática, esse nível de precisão.

    Posso escrever “‘flor lindamente amarela e branca” embora não deva. Mas, se em vez disso eu escrever margarida, ganho uma exatidão de cinema. Mostro em vez de comentar. Elimino os adjetivos e advérbios que se intrometem entre o leitor e a coisa. Se a língua fosse mais rica em substantivos e verbos, não precisaríamos usar tantos adjetivos e advérbios, que embaçam a exatidão e fazem o texto parecer chumbo em lugar de cristal.

    O que pode ser dito na forma de imagem não deve ser dito na forma de texto. Não se usa a palavra porque se quer, mas porque se necessita, e ela serve é para significar as coisas que infelizmente não podemos perceber, ao menos naquele momento, de outro modo.

    Por exemplo: se o apaixonado está longe de sua namorada, escreve dizendo que quer beijá-la e manda beijos nas letras da carta, mas se está com ela, não escreve nem fala nada, apenas beija. Passa o tempo e esse mesmo beijo está de novo ausente, agora para sempre, e então ele diz com melancolia: “Lembra daquele beijo?”. A palavra beijo substitui o beijo que desapareceu; o substantivo substitui a coisa ausente.

    Assim também a notícia substitui o fato, o texto substitui a ideia ou a imagem. Como toda escrita, o jornalismo pressupõe uma distância, entre o leitor e a coisa, que o texto vai ocupar, bem como ausências que os substantivos e verbos vão preencher. Por isso a reportagem que relata coisas é melhor do que a reportagem que relata declarações sobre coisas: naquela há menos distância entre o leitor e a coisa.

    Do mesmo modo, o que pode ser dito na forma de número não deve ser dito na forma de texto. Se não podemos aplicar números à designação de uma coisa, não há motivo para exaltar a sua “nobreza”. Há motivo para culparmos a nossa própria imperícia, que ainda não nos permite quantificar aquela coisa e nos obriga qualificá-la, forma muito mais tosca de designar.

    A objetividade não é neutra. Sua ferramenta são as associações que se formam no cérebro do leitor. Em vez de o sentido ocorrer na superfície do jornal, ele se cria na superfície da mente de quem lê. O jornalismo sempre lida com superfícies e aliás não é estranho que o jornal se apresente sob o formato de lâminas de papel, planos aos quais quase falta uma terceira dimensão. Mas ele é ainda mais superficial do que essa metáfora autorizaria a crer, pois na folha de papel resta alguma espessura, porém não na escrita, e se a tinta forma certo volume isso não passa de excrescência tecnológica, já eliminada no vídeo. Reunidas em palavras, frases, sermões, as letras de tinta ou de luz se recobrem com a imantação da ideologia, esta sim desprovida de qualquer espessura. Na impressão, o papel suporta a tinta que suporta a letra que suporta a última superfície, a ideia, na verdade a primeira de todas, anterior à própria fala.

    Depois de uma viagem longa ela se espanta: como não fez falta ler jornal!

    A objetividade é um processo que não se encerra. Se alguém quiser concluí-lo, que seja o leitor, já que é ele quem está pagando.

    Tudo é informação, até o anúncio. Tudo é serviço, até o editorial.

    Jornalismo é linha de produção. Mas se nas demais indústrias tanto a estrutura como o conteúdo da linha de produção são os mesmos, dia após dia, na indústria jornalística a estrutura da linha é a mesma, mas o seu conteúdo muda a cada 24 horas. É como se houvesse duas linhas de produção funcionando ao mesmo tempo no jornal: uma encarregada da própria produção, outra encarregada de produzir o seu conteúdo. Sem esta última, o jornal sempre se repetiria em tudo; sem aquela primeira, ele nunca se repetiria em nada.

    “Cada frase deve conter uma só ideia”. Se há mais frases do que ideias, o texto fica redundante. Se há mais ideias do que frases, ele fica enigmático. Mas seja quando as ideias são mais complicadas do que as frases, seja quando as frases são mais complicadas do que as ideias, o texto resulta obscuro — no primeiro caso, por inabilidade, e no segundo por má-fé.

    Quem pode prever, quando senta na frente da máquina, qual a forma final que o texto assumirá em cada detalhe? Isso ocorre porque ninguém escreve suficientemente bem a ponto de afastar o acaso enquanto redige, mas muitos têm o virtuosismo suficiente para colocar o acaso a serviço dos interesses do texto.

    O título está para o texto assim como a propaganda está para o seu produto.

    A personalidade da imprensa (sua mitologia, no caso) foi construída sobre a ideia de pressa. Usar ponto final no meio de títulos é uma sabotagem contra a psicologia dessa ideia. O jornalista que não tem pressa deveria dedicar-se aos anuários; o leitor que não tem pressa deveria esperar pela revista no fim de semana.

    Dizem que um grande jornal começa a morrer dez anos antes de fechar as portas. Não é menos verdade que um grande jornal começa a nascer dez anos antes de lançar a sua primeira edição.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/02/otavio-frias-filho-disse-que-objetividade-no-jornalismo-necessita-de-metodo.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/morre-aos-61-otavio-frias-filho-diretor-de-redacao-da-folha.shtml
    (2) https://temas.folha.uol.com.br/folha-projeto-editorial/manual-de-redacao-conduta/conduta.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  29. Miguel José Teixeira

    “Clichês na ponta da língua”
    – Na ponta do lápis, na ponta da faca e na verdade são expressões que não dizem nada.
    – Milhares de pessoas debaixo de um palco vendo o artista pelo telão formam um bloco de Carnaval?
    (Ruy Castro, FSP, 18/02/26)

    Outro dia, queixei-me da cacofonia provocada pelo bater dos martelos (1) na mídia. A frequência com que os jornais, sites e a turma do rádio e da televisão se referem a “bater o martelo”, para dizer que alguém tomou uma decisão, é ensurdecedora — aliás, ensurdecedora também é uma palavra de ensurdecer. Até há pouco, só os juízes e leiloeiros batiam o martelo e, mesmo assim, discretamente. Hoje, pelo bater do martelo à nossa volta, é incrível que ainda consigamos nos escutar.

    “Bater o martelo” é um clichê (2), uma expressão que nos vem à ponta da língua ou ao teclado sem que precisemos pensar. Clichês têm vida própria (3) e, quase sempre, sem razão de ser. “Na ponta do lápis”, para indicar um cálculo feito com precisão, é outro. Como usar um lápis se não for pela ponta que contém o grafite? Já “na ponta da faca” é o contrário. Quando ouço falar num picadinho feito “na ponta da faca”, pergunto-me se a lâmina, e não a ponta, não seria mais prática para o cozinheiro.

    Uma frase que comece por “Na verdade…” também me intriga. Eu próprio às vezes me distraio e a uso. Mas alguém começará uma frase por “Na mentira…”? E o que dizer de “pontuar” no sentido de garantir, afirmar, deixar claro? “Fulano pontuou que sua dieta o proíbe de comer carambola” ou coisa assim. Se temos o verbo pontuar, por que não o verbo virgular, para significar uma coisa que talvez ainda não se possa afirmar com certeza? “Fulano virgulou que…”

    Incompreensível também é chamar de “bloquinho” um megabloco (4) de Carnaval composto de 1 milhão de figurantes. Aliás, o correto seria nem chamá-lo de bloco, se por bloco entende-se historicamente um grupo de foliões em cortejo pelas ruas, cantando e dançando ao som de surdos e tamborins. Um amontoado de gente na fila do gargarejo de um palco, pulando de um pé para o outro e tentando ver o artista pelo telão, não é um bloco —é um show como outro qualquer, com ou sem Carnaval.

    Eu sei, essas ranhetices são firulas, para as quais a voz do povo não está nem aí. Pronto — virgulei.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/02/cliches-na-ponta-da-lingua.shtml?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=newscolunista)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/11/cravei-mas-nao-foquei.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/04/pouco-mais-de-muito.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2025/02/o-calor-senegalesco.shtml
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/01/novo-megabloco-com-calvin-harris-cria-disputa-pela-consolacao-e-moradores-temem-caos-no-centro-de-sp.shtml

  30. Miguel José Teixeira

    Lavando
    “terrivelmente”
    seu dinheirinho
    extra SuTriFe?

    “André Mendonça afirma que lucros de sua empresa vão para dízimo de igreja”
    – Em meio à discussão sobre a criação de um código de conduta no STF, ministro disse que 10% dos dividendos do Instituto Iter vão para instituição religiosa e os 90% restantes custeiam obras sociais.
    (Por Rafaela Gama — Rio de Janeiro, O Globo, 18/02/26)
    . . .
    “O ministro do STF, André Mendonça, declarou que os lucros de sua empresa, o Instituto Iter, são destinados a obras sociais e ao dízimo da igreja. Mendonça, também pastor, afirma que 10% dos dividendos vão para a igreja e 90% para causas sociais. O STF discute um código de conduta para maior transparência em atividades externas, em meio a críticas sobre suas relações financeiras e palestras.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/18/andre-mendonca-afirma-que-lucros-de-sua-empresa-vao-para-dizimo-de-igreja.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde

  31. Miguel José Teixeira

    A areia movediça
    não é um buraco sem fundo
    como reza o folclore.
    Mas, o SuTriFe. . .

    . . .”Esses colegas temem que Moraes use os dados sobre ministros e parentes que venham a ser obtidos na devassa da PF para se blindar do avanço das apurações sobre ele mesmo e sobre sua mulher, Viviane, que tem um contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master até hoje inexplicado.”. . .

    “Operação da PF irrita ala do STF e desperta desconfiança sobre Alexandre de Moraes”
    (Por Malu Gaspar, O Globo, 18/02/26)

    A devassa que a Polícia Federal realizou sobre funcionários da Receita acusados de vazar informações sigilosas de parentes de ministros do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira, acendeu um alerta entre os próprios colegas de Alexandre de Moraes, que determinou a ação.

    Dois ministros ouvidos sob reserva consideram a ação “absurda” e enxergam indícios de abuso de autoridade. Na ala do Supremo que não gravita em torno de Moraes, pegou mal o fato de ele não ter sequer comunicado aos colegas que havia uma suspeita de acesso indevido aos seus sigilos fiscais. Um magistrado disse ter manifestado seu descontentamento a Edson Fachin, presidente do STF.

    O fato de Moraes ter pedido à Receita que verifique se houve acesso ilegal aos dados de cerca de 100 pessoas foi encarado internamente como uma tentativa do ministro de fazer uma “fishing expedition”, ou pesca probatória, que é como o jargão jurídico define a prática ilegal de fazer buscas genéricas, sem objetivo determinado, para tentar encontrar provas de crimes. Essa era uma acusação comumente feita à força-tarefa da Lava Jato e que agora se repete à boca pequena no Supremo.

    Esses colegas temem que Moraes use os dados sobre ministros e parentes que venham a ser obtidos na devassa da PF para se blindar do avanço das apurações sobre ele mesmo e sobre sua mulher, Viviane, que tem um contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master até hoje inexplicado.

    Ainda está fresco na mente dos togados o vazamento da reunião secreta que terminou com Dias Toffoli renunciando à relatoria do caso Master, depois de o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter entregue ao presidente do STF um relatório listando motivos para a sua suspeição – como o recebimento de R$ 35 milhões pela venda de um resort ao grupo do banqueiro.

    Detalhes da reunião, incluindo trechos literais das falas de alguns magistrados, foram publicados pelo site “Poder 360”, e levaram os colegas a desconfiar que Toffoli teria gravado o encontro e feito um vazamento seletivo, privilegiando os trechos das conversas que o favoreciam. Toffoli nega qualquer gravação, mas isso não diminuiu a tensão interna, pelo contrário.

    Para alguns colegas de Supremo, com a ação de terça, Moraes teme o “efeito Orloff”, como se, ao olhar para Toffoli, ele ouvisse a voz da antiga propaganda em que um sujeito diz ao outro: “eu sou você amanhã”. E isso é tudo o que ele não quer.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/02/operacao-da-pf-irrita-ala-do-stf-e-desperta-desconfianca-sobre-alexandre-de-moraes.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)

  32. Miguel José Teixeira

    “Colhe-se apenas
    o que se planta”!

    “Desfile em homenagem a Lula foi um desastre na avaliação do PT e do Planalto”
    – Tentativa agora será de apagar o fogo junto aos evangélicos e tentar nova reaproximação.
    (Por Lauro Jardim, O Globo, 18/02/26)

    Todas as pesquisas e trackings que o Palácio do Planalto teve acesso apontam numa só direção: foi catastrófico para Lula o desfile da Acadêmicos de Niterói.

    Não só o conjunto da obra não agradou a quem a essa altura o governo deveria querer seduzir — os evangélicos. Foi pior: a ala que representou a “família tradicional” dentro de uma lata de conservas está sendo vista no próprio governo como o símbolo do desastre.

    “Todo um trabalho de aproximação com os evangélicos foi jogado fora”, diz um líder petista.

    Um ministro de Lula chega a dizer que essa ala é a “prova de que o governo não teve qualquer interferência na concepção do desfile”.

    O fato é que o PT já começou desde ontem a tentar baixar o fogo.

    Diz Edinho Silva, presidente do PT:

    — A Acadêmicos de Niterói teve e tem autonomia para definir seu enredo e suas alegorias, tentar utilizar uma construção da escola para atacar o presidente Lula chega a ser ridículo; todos sabem do respeito que ele tem pela comunidade evangélica, e pelas suas lideranças.

    (Fonte: https://oglobo.globo.com/blogs/lauro-jardim/post/2026/02/desfile-em-homenagem-a-lula-foi-um-desastre-na-avaliacao-do-pt-e-do-planalto.ghtml?utm_source=edg_newsletter_geral&utm_medium=newsletter&utm_campaign=newsdiariatarde)

    E a janjacalamidade, hein?
    Livrou-se da pecha “pé frio”, atribuída à Fafá de Belém!

    Parafraseando famosa música sua:
    . . .
    Amarelou no curral
    A ideologia do folclore amarelou
    Amarelou a paixão
    O fogo de artifício da vitória amarelou
    . . .

    Mas ainda tem a Copa. . .
    Que tal a obrigatoriedade de o número 13 preceder o número do jogador da Seleção?

  33. Miguel José Teixeira

    Se não era “o amigo do amigo do meu pai”
    seguramente era um amigo dele!

    “Festas do Master: quem seria o “p… das galáxias” do Judiciário?”
    – Era inevitável que houvesse sexo entre os ingredientes do escândalo do Master. Haveria um suposto vídeo estrelado por um personagem poderoso.
    (Mario Sabino, Metrópoles, 18/02/26)

    Era inevitável que houvesse sexo entre os ingredientes do escândalo do Banco Master.

    É o nosso destino, como diz Paulo Prado, no clássico Retrato do Brasil: ao lado da cobiça, tem-se a luxúria, ingredientes essenciais da tristeza brasileira, resultado psíquico do esgotamento moral e físico causado por ambas.

    Para não variar, a expectativa advém do celular (ou nos celulares) de Daniel Vorcaro, dispositivo que se tornou eventual Deus ex-machina.

    Escuto já faz algum tempo e leio agora nos jornais que há imagens das festinhas que o banqueiro promovia, misturando autoridades dos três poderes e moças de fino trato — de resto, bem mais fino do que o das autoridades.

    A história ganha contorno mais nítido com a representação do Ministério Público junto ao TCU que recomenda a abertura de um processo para identificar quais seriam as autoridades que participaram das festas que Vorcaro dava em uma casa em Trancoso.

    “Esses eventos, denominados Cine Trancoso, teriam contado com a presença de altas autoridades dos Três Poderes da República, incluindo integrantes do Poder Executivo do governo anterior, membros do mercado financeiro, da política e do meio jurídico”, diz a representação.

    Antes de ser adquirida por Vorcaro, ao preço de R$ 300 milhões, a casa onde ocorriam as, digamos, exibições do Cine Trancoso pertencia a uma ricaça de São Paulo, que a alugava ao banqueiro.

    Em um ocasião, a proprietária ficou furiosa com Vorcaro por causa de uma festa para lá de animada dada por ele.

    “O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu a dona da casa ao corretor responsável pelo aluguel, em 5 de outubro de 2022, véspera do aniversário de Vorcaro, como revelado pelos jornalistas Guilherme Seto e Lucas Marchisini.

    A representação feita ao TCU (não deixa de ser curioso que o Tribunal de Conta da União tenha de fiscalizar lubricidades) cita uma reportagem da revista digital Liberta.

    A revista diz ter uma fonte que afirma ter assistido a um suposto vídeo exibido na reunião do board de uma distribuidora de títulos e valores mobiliários.

    O suposto vídeo seria uma compilação de cenas das festas promovidas por Vorcaro, que contaria com moças vindas do exterior, bem mais confiáveis pelas distâncias geográfica e linguística que as separam destes tristes trópicos. Diz a revista:

    “O vídeo era estrelado por um ‘pica das galáxias’ do Poder Judiciário. Foi assim, ‘pica das galáxias’, que um dos principais executivos da Reag classificou o personagem quando o tema terminou sendo abordado na mesa de trabalhos da operadora agora em liquidação pelo Banco Central.

    O vídeo estava arquivado no celular de Daniel Vorcaro, à época banqueiro e ainda controlador do Master. Hoje, Vorcaro é ex-banqueiro, o Master não é mais banco, a Reag está em liquidação e o celular está retido pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal sob custódia do Supremo Tribunal Federal.”

    Noticias-se que houve festas em Trancoso, em Nova York e em Lisboa, um “after” para aliviar os cérebros que haviam fumegado no Gilmarpalooza.

    “No dia seguinte ao after do banqueiro, os participantes do Gilmarpalooza que circulavam na avenida da Liberdade, onde estão localizadas as grifes de luxo de Lisboa, só falavam do evento do Master, segundo três pessoas que acompanharam o seminário.

    Muitos dos participantes viajaram acompanhados por esposas ou namoradas, e a circulação de algumas das mulheres convidadas por Vorcaro em lugares públicos despertou desconfiança e gerou falatório nas rodas femininas.

    Pessoas no entorno do Master contam que algumas das mulheres frequentadoras das festas teriam se tornado próximas de Vorcaro. Recebiam mesada, moravam em hotéis de luxo em São Paulo e ajudavam a trazer amigas para participar das festas promovidas na cidade”, escrevem as repórteres Alexa Salomão e Joana Cunha.

    Quando indagada por jornalistas a respeito das bagunças de Vorcaro, a defesa do banqueiro diz que “a divulgação de conteúdos carregados de juízo moral, dissociados de qualquer relevância jurídica, contribui apenas para a criação de ilações e para a indevida invasão da esfera privada”.

    De fato, seriam ingerência indevida e moralismo fuçar e condenar festinhas privadas promovidas por adultos para adultos, em ambiente no qual o sexo é praticado de forma consensual.

    A questão é que as festas de Vorcaro teriam como peça de resistência, além do sexo, a corrupção e o tráfico de influência envolvendo autoridades e políticos. Nesse caso, a coisa se torna de interesse público e é passível de julgamento moral.

    Movido de absoluto interesse público, portanto, é que vocalizo a pergunta que não quer calar: quem seria o “pica das galáxias do Judiciário” que protagonizaria o suposto vídeo que estaria no celular de Vorcaro?

    (Fonte: https://www.metropoles.com/colunas/mario-sabino/festas-do-master-quem-seria-o-p-das-galaxias-do-judiciario)

  34. Miguel José Teixeira

    “Moradia não é tema partidário, diz secretário geral da CNBB”
    – Dom Ricardo Hoepers disse que “o Brasil vive grave crise habitacional”; declaração se deu durante lançamento da Campanha da Fraternidade.
    (Leonardo Gimenes, Poder360, 18/02/26)

    O secretário geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Ricardo Hoepers, disse nesta 4ª feira (18.fev.2026) que “a moradia não é um tema partidário” e que “o Brasil vive uma grave crise habitacional”. A declaração foi feita durante a cerimônia de lançamento da Campanha da Fraternidade de 2026, que terá como foco a habitação.
    . . .
    Celebrada nacionalmente desde 1964, a Campanha da Fraternidade, segundo a conferência, é um modo de a Igreja Católica no Brasil celebrar o período da quaresma, em preparação para a Páscoa, com atos de oração, jejum e caridade. A programação deve seguir no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP).
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-brasil/moradia-nao-e-tema-partidario-diz-secretario-geral-da-cnbb/

  35. Miguel José Teixeira

    “Papa Leão 14 deve escolher novos líderes de 4 arquidioceses brasileiras”
    – Pontífice vai definir substitutos para os arcebispos que completaram idade limite para o cargo…
    (Poder360, 18/02/26)

    O papa Leão 14 deve escolher nos próximos meses os novos líderes de 4 arquidioceses brasileiras. Haverá substituições em São Paulo e Rio de Janeiro, circunscrições mais populosas do país, em Aparecida (SP), um dos maiores centros de peregrinação do mundo, e em Manaus (AM), na Floresta Amazônica.
    . . .
    Eis os arcebispos que terão aposentadoria compulsória:

    Odilo Pedro Scherer – 76 anos, arcebispo de São Paulo desde 2007;
    Orani João Tempesta – 75 anos, arcebispo do Rio de Janeiro desde 2009;
    Orlando Brandes – 79 anos, arcebispo de Aparecida desde 2016;
    Leonardo Ulrich Steiner – 75 anos, arcebispo de Manaus desde 2019.
    . . .
    +em: https://www.poder360.com.br/poder-brasil/papa-leao-14-deve-escolher-novos-lideres-de-4-arquidioceses-brasileiras/

  36. Miguel José Teixeira

    (*) Será que já não acabou e
    restou apenas uma velha
    toga cincenta & amarrotada?

    “Supremo Xandão Federal: ministro atua no que quer, quando quer e como quer”
    – Ou o STF acaba com este miserável de coisas, ou este miserável estado de coisas acaba com o STF (*).
    (Ricardo Kertzman, O Antagonista, 18/02/26)

    Havia uma célebre frase no Brasil dos anos 1970 que, apesar de datada há mais de 200 anos, de suposta autoria do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire (1), sei lá por que, era repetida à exaustão: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”.

    O ditame serviu e serve para quase tudo: “Ou o Brasil acaba com a corrupção, ou a corrupção acaba com o Brasil”. Tomo-o emprestado para, parafraseando-o, afirmar: “Ou o STF acaba com os desmandos de Xandão, ou os desmandos de Xandão acabam com o STF”. E com o país.

    Importante: em tempos de tantos e tamanhos arbítrios, é sempre bom “desenhar”. Não estou pregando o fim ou o extermínio do ministro Alexandre de Moraes, claro. Apenas usando uma figura de linguagem para sustentar o meu pensamento a seguir.

    Supremo Xandão Federal
    Xandão – já há muito tempo – vem transformando a Suprema Corte (2) em um tribunal de exceção. A seu jeito e modo, torce e retorce a Constituição e atropela quem se opõe aos seus métodos, digamos, não convencionais. Um inquérito que já dura sete anos é só um exemplo.

    Durante o julgamento da chamada “trama golpista” (3), inúmeros juristas e especialistas apontavam a suposta ilegalidade de Moraes atuar como investigador, inquisidor e juiz, mesmo sendo diretamente interessado ou afetado pelos atos criminosos em questão.

    Lado oposto, muita gente também afirmava o contrário, dando sustentáculo à permanência do xerifão carequinha como relator. Porém, todos, ou praticamente todos, apontavam a aberração que se tornou o inquérito das Fake News (4), onde tudo cabe e nunca termina.

    Sempre eles
    Pois eis que o inquérito, aberto de ofício por ninguém menos que Dias Toffoli, “o amigo do amigo do meu pai” e agora uma espécie de parceiro comercial (5) de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e presidido por Moraes, serve de guarida para mais persecução criminal.

    Servidores da Receita Federal, segundo informou o próprio STF, agiram ilegalmente e quebraram os sigilos fiscais de parentes de ministros da Suprema Corte, notadamente os da esposa de Alexandre de Moraes e da enteada de Gilmar Mendes.

    No caso de Viviane Barci, o motivo teria sido o contrato celebrado entre ela, que é advogada, e o banqueiro – sempre ele! – Daniel Vorcaro. Um acordo de R$ 129 milhões (6), para defender os interesses do banco. E só. Nada mal, não é mesmo?

    Futuro repetindo o passado
    Lá em 2019, no nascedouro desta aberração jurídica conhecida como Inquérito das Fake News, dois servidores da Receita também foram alvos do STF. Afastados, anos depois foram reintegrados sem que provas robustas de seus delitos fossem encontradas.

    À época, dentre outros “desmandos”, Toffoli – e não Moraes – suspendeu as investigações do COAF (6) por todo o Brasil, permitindo, com isso, que Flávio Bolsonaro escapasse das investigações de rachadinha em seu gabinete na Alerj. Queiroz agradeceu muito, aliás.

    Os atos do Supremo contra a Receita e o COAF, à época, foram justificados por supostas ilegalidades de agentes públicos que estariam, sem ordem judicial, investigando as esposas de ministros do STF – a de Dias Toffoli e a de Gilmar Mendes.

    Onipresente, onipotente, onisciente
    Como no Brasil nada se cria e tudo se copia, e como vivemos numa espécie de looping temporal, eis que a mesma razão assiste aos ministros do Supremo mais uma vez (8). E dá-lhe Xandão, vítima, mandando brasa em operações contra supostos algozes.

    Quatro servidores foram alvos da canetada suprema – e merecida, diga-se de passagem. Medidas gravosas inéditas nesta fase processual, como apreensão de passaporte e uso de tornozeleira eletrônica, foram determinadas por Alexandre de Moraes.

    Se há ilegalidade em quebrar sigilos sem autorização judicial, igualmente pode haver ilegalidade em ser vítima, interessado, investigador, acusador e juiz. E, dessa vez, não apareceu tese jurídica possível em contrário, nem ameaça ao Estado Democrático de Direito como desculpa.

    STF implode STF
    Não se combate crimes passando por cima das leis. Muito menos se defende um tribunal, tentando blindar seus integrantes (8). Impessoalidade, transparência e publicidade são princípios básicos da administração pública – e do devido processo legal.

    O STF passa por uma grave crise de credibilidade e, eu diria, de identidade. Sua ruína será a ruína do próprio país. Assim, é fundamental que seus integrantes – os demais – zelem pelo que não está sendo, ao menos sob a ótica da sociedade, bem-cuidado por outros.

    Toffoli não é o STF. Moraes não é o STF. Como os demais são servidores do Judiciário, e a ele e à sociedade devem lisura e satisfação. Ou o STF acaba com este miserável de coisas, ou este miserável estado de coisas acaba com o STF. E, como eu disse, com o próprio Brasil.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/supremo-xandao-federal-ministro-atua-no-que-quer-quando-quer-e-como-quer/)

    (1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Auguste_de_Saint-Hilaire
    (2) https://portal.stf.jus.br/

    (3) “Golpe de Estado: a tese de Bolsonaro não resiste a uma simples pergunta”
    – O próprio ex-presidente, encalacrado até o pescoço por abundância de provas, alega que tudo não passa de narrativa.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/golpe-de-estado-a-tese-de-bolsonaro-nao-resiste-a-uma-simples-pergunta/

    (4) “6 anos de inquérito das fake news: conheça sua verdadeira história”
    – Motivação e outros elementos vêm sendo sistematicamente omitidos e falsificados no debate público brasileiro.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/6-anos-de-inquerito-das-fake-news-conheca-sua-verdadeira-historia/

    (5) “Não basta Toffoli ser afastado do caso Master. Tem de ser afastado do Supremo”
    – Não pensem os doutores do Olimpo da Praça dos Três Poderes, que a satisfação necessária à sociedade já foi dada.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/nao-basta-toffoli-ser-afastado-do-caso-master-tem-de-ser-afastado-do-supremo/

    (6) “Moraes, Toffoli e um Master peru de Natal”
    – Grande parte da brava gente brasileira não terá peru e não terá vinho hoje à noite, como nem mesmo um teto digno tem.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/moraes-toffoli-e-um-master-peru-de-natal/

    (7) “Toffoli suspendeu investigações a pedido de Flávio Bolsonaro”
    – Um pedido de Flávio Bolsonaro levou Dias Toffoli a suspender, hoje, todas as investigações em andamento no país abertas com base em dados repassados pela Receita ou Coaf ao Ministério Público sem autorização judicial…
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/toffoli-suspendeu-investigacoes-a-pedido-de-flavio-bolsonaro/#google_vignette

    (8) “Fez escola: depois de Moraes, é Toffoli o novo “sou tudo” do STF”
    – Por que tanto interesse nesse caso? A pergunta é meramente retórica. As conexões de Vorcaro são conhecidas por todas as pedras de Brasília.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/fez-escola-depois-de-moraes-e-toffoli-o-novo-sou-tudo-do-stf/

    (9) “Crusoé: Moraes convoca o STF Futebol Clube”
    – Investigação de ofício dentro do inquérito das fake news busca constranger funcionários da Receita, que foram punidos exemplarmente.
    +em: https://oantagonista.com.br/analise/crusoe-moraes-convoca-o-stf-futebol-clube/

    1. Se a máxima da Passarela do Samba for verdadeira, Lula, PT, esquerda do atraso e São Sidônio Marqueteiro das Causas Improváveis estão advertidos para outubro . Muito trelelê no palanque e falta de votos nas urnas

    2. Miguel José Teixeira

      +dinheiro nosso,
      pelo ralo:

      “A Acadêmicos de Niterói, escola de samba que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi punida, nesta 4ª feira (18.fev.2026), por problemas na dispersão de seu desfile na Marquês de Sapucaí. Foi multada em R$ 80 mil, mas não perderá pontos, segundo a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro). ” (Thayz Guimarães, Poder360, 18/02/26)

  37. Miguel José Teixeira

    Pensando bem…
    (Coluna CH, DP, 18/02/26)

    …propaganda eleitoral antecipada é um verdadeiro Carnaval.

    Matutando bem…
    (Matutildo, aqui e agora)

    . . .e o TrisuEl dando aval!

  38. Miguel José Teixeira

    Diz o Cláudio Humberto que. . .

    “Com direito a refrão”
    Como a Marquês de Sapucaí vaia até minuto de silêncio e é intolerante contra políticos oportunistas, não deu outra: o presidente petista foi vaiado e o povão gritou o refrão “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”.
    (Coluna CH, DP, 18/02/26)

  39. Miguel José Teixeira

    Omissão, conivência
    ou. . .
    pixuleco em ação!

    “Omissão do TSE na Sapucaí repete padrão de 2022”
    (Coluna CH, DP, 18/02/26)

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem muito a explicar, mas não fará, sobre haver fechado os olhos para o espetáculo abusivo do governo Lula (PT) na Marquês de Sapucaí. A Corte inclusive fez lembrar as decisões de 2022, acusada de censurar conteúdos da direita enquanto tolerava excessos da esquerda, em um padrão preocupante. O TSE até multou o então presidente Jair Bolsonaro por usar imagens do 7 de Setembro na TV, agora tolera propaganda pessoal de Lula paga por verbas federais.

    Agora é tarde
    Advogados eleitoralistas ingênuos acham que, na ressaca do carnaval, ministros se arrependeram da decisão unânime que avalizou o abuso.

    Decisão criativa
    Chega a ser engaçado lembrar que o TSE tornou Bolsonaro inelegível (“propaganda eleitoral antecipada”) por se reunir com embaixadores.

    Ora, credibilidade
    O TSE sabe que favorecer um lado, tornando instituições em ferramentas partidárias, arruína a credibilidade. Mas não sinaliza que luta contra isso.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/propaganda-ja-representa-50-dos-gastos-da-camara-com-dinheiro-de-impostos)

  40. Miguel José Teixeira

    A “paridade de armas” escamoteada pela toga!

    . . .”Em janeiro, mês de férias dos deputados federais, o cotão custou R$12,3 milhões aos pagadores de impostos.”. . .

    “Propaganda já representa 50% dos gastos da Câmara com dinheiro de impostos”
    (Cláudio Humberto, Coluna CH, DP, 18/02/26)

    O ano legislativo mal começou na Câmara dos Deputados, mas as despesas com a “divulgação da atividade parlamentar” já representam quase a metade dos gastos de deputados federais na cota de exercício da atividade parlamentar, o “cotão parlamentar”, em 2026. Apesar de terem voltado ao batente apenas dia 2 de fevereiro, deputados torraram R$13,2 milhões do cotão, sendo R$6,4 milhões (49%) para propaganda própria.

    Plenas férias
    Em janeiro, mês de férias dos deputados federais, o cotão custou R$12,3 milhões aos pagadores de impostos.

    Carros alugados
    Segundo maior gasto do cotão parlamentar, o aluguel de veículos de deputados federais representa cerca 19% (R$2,4 milhões) das despesas.

    Comparação
    Em 2025, deputados torraram R$240 milhões com o cotão parlamentar, pequena redução em relação aos R$251 milhões de 2024.

    Recorde absoluto
    Senadores torraram R$35,8 milhões com o cotão parlamentar no ano passado, o maior valor de todos os tempos.

    (Fonte: https://diariodopoder.com.br/coluna-claudio-humberto/propaganda-ja-representa-50-dos-gastos-da-camara-com-dinheiro-de-impostos)

    Antes que as tetas da viúva, sequem. . .
    Fim da reeleição, já!

  41. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (101)

    “Campos Neto atacou imposto sobre fortunas e alertou para fuga de milionários”
    – ‘A saída acaba sendo o aeroporto de Guarulhos’, escreveu ex-presidente do BC.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    O economista (1) e ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto (2) criticou o imposto sobre grandes fortunas (3). Em texto publicado na Folha, em 2025, listou “sete armadilhas” da tributação da riqueza: “Apesar de prometerem justiça e atraírem apoio em muitos círculos intelectuais, inclusive entre economistas, impostos sobre a riqueza são ineficazes, distorsivos e provocam danos de longo prazo”.

    O ex-presidente do BC (4) citou dados alarmantes sobre fuga de capitais. “Segundo a Henley & Partners, o Brasil deve perder cerca de 1.200 milionários em 2025 — uma saída 50% maior que a de 2024 —, retirando do país cerca de US$ 8,4 bilhões em ativos”, alertou. A conclusão era tão cortante quanto irônica: “Para os investidores que tomam risco e são o verdadeiro motor da economia, a saída acaba sendo o aeroporto de Guarulhos” (5).

    Campos Neto defendeu que taxar riqueza era “punir o sucesso” (6) e citou exemplos internacionais. A França viu “milhares de indivíduos ricos” (7) deixarem o país anualmente para fugir do Imposto de Solidariedade sobre a Fortuna, até que Macron o substituiu em 2018. A Dinamarca extinguiu seu imposto sobre riqueza entre 1989 e 1997, e estudos mostraram que isso “aumentou a acumulação de riqueza entre 20% e 30% para os mais ricos”, com reflexos positivos em investimento e produtividade.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão, que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Sete armadilhas do imposto sobre riqueza (1/11/2025)

    Em minha coluna de estreia neste espaço, examinei as transformações que remodelam a economia global e os desafios mais prementes. Mostrei, de forma panorâmica, os elementos de uma equação econômica e social insustentável. Entre os desafios, destaca-se a questão fiscal: praticamente todos os países exibem hoje déficits em suas contas públicas.

    Ajustes têm sido propostos e executados, mas com ênfase desproporcional no aumento da receita, em detrimento da contenção de despesas. Além disso, grande parte desses novos tributos recai sobre o estoque de riqueza e o estoque de capital. Nesta coluna, pretendo aprofundar essa análise, abordando as armadilhas dessa estratégia.

    Sigo aqui a linha de Thomas Sowell e Arnold Harberger, enfatizando incentivos econômicos e evidência empírica. Apesar de prometerem justiça e atraírem apoio em muitos círculos intelectuais, inclusive entre economistas, impostos sobre a riqueza são ineficazes, distorsivos e provocam danos de longo prazo. A conta de longo prazo é geralmente paga por quem a medida tenta proteger.

    A primeira armadilha é desencorajar a criação de riqueza, ao distorcer os incentivos para a tomada de riscos produtivos. A redução do retorno líquido do capital a curto prazo inibe a acumulação a longo prazo.

    A experiência da Dinamarca ilustra bem esse ponto. O país manteve um imposto sobre a riqueza por décadas, mas o reduziu até extingui-lo, entre 1989 e 1997. Estimativas sugerem que sua eliminação aumentou a acumulação de riqueza entre 20% e 30% para os mais ricos. Com isso, aumentou o investimento e a produtividade.

    Taxar riqueza é punir o sucesso: reduz a disposição para investir em startups ou expandir negócios e enfraquece a criação de prosperidade. No fim, as poupanças encolhem e acabam financiando o próprio Estado.

    A segunda armadilha é o impacto sobre o crescimento de longo prazo. Ao reduzir a formação de capital e a inovação, o imposto prejudica a criação de empregos e, paradoxalmente, atinge mais as classes mais baixas —que dependem do crescimento para ascender socialmente.

    Em artigo no Journal of Political Economy, Charles Jones estima que elevar a alíquota máxima do imposto de renda nos EUA de 50% para 75% reduziria a inovação e diminuiria o PIB (Produto Interno Bruto) per capita de longo prazo em 6%. Mesmo redistribuindo toda a arrecadação para os 50% mais pobres, a perda líquida de renda persiste. Menos inovação significa menos riqueza para todos — não apenas para os ricos.

    A terceira armadilha é a ineficiência na alocação de recursos. Ao criar distorções, o imposto leva investidores a priorizar projetos com isenções ou subsídios, não oportunidades reais de mercado. O resultado é desperdício de capital em atividades de baixa produtividade.

    Na França, o Imposto de Solidariedade sobre a Fortuna (ISF) pós-2012 fez o capital migrar para imóveis e PME isentas, enquanto investimentos em ações e startups caíram. Como sintetizou Sowell: incentivos errados geram comportamentos racionais, mas ruins. A percepção de que o ISF estava punindo o capital de risco e estimulando o acúmulo improdutivo levou Macron, em 2018, a substituí-lo pelo IFI (focado apenas em imóveis) e a introduzir o “Flat Tax”, incentivando investimentos financeiros.

    Outra armadilha é o incentivo à evasão e à elisão fiscal — comportamentos racionais, ainda que indesejáveis. Isso inclui tanto a fuga ilegal de capitais para paraísos fiscais quanto estratégias legais, como mudança de residência ou realocação de ativos. O efeito é duplo: menor arrecadação e perda de capital produtivo e talentos.

    O ISF francês produziu justamente isto — fuga de contribuintes e de recursos para países vizinhos, como Bélgica e Suíça. Estima-se que milhares de indivíduos ricos deixassem a França a cada ano para evitar o tributo. No caso brasileiro, propostas recentes de taxação de grandes fortunas geram alertas semelhantes.

    Segundo a Henley & Partners, o Brasil deve perder cerca de 1.200 milionários em 2025 — saída 50% maior que a de 2024 —, retirando do país cerca de US$ 8,4 bilhões em ativos. Para os investidores que tomam risco e são o verdadeiro motor da economia, a saída acaba sendo o aeroporto de Guarulhos.

    Há ainda os desafios administrativos. O imposto sobre riqueza é caro de cobrar e difícil de fiscalizar. Os custos administrativos e de conformidade são, em média, dez vezes maiores que os de tributos sobre renda ou consumo. Estimativas apontam custos entre 10% e 20% da própria receita arrecadada. É um imposto que consome recursos públicos para existir, gera ineficiência e alimenta a corrupção e o privilégio.

    Como temos visto recentemente, com uma mão o governo aumenta impostos e com outra cria isenções para setores privilegiados. Os empresários gastam mais tempo em Brasília do que em reuniões de estratégia em suas empresas. Essa é a típica armadilha da baixa produtividade.

    Outro ponto sensível é a mobilidade social. A redistribuição de riqueza sem ganhos de eficiência desestimula o trabalho e incentiva a dependência. Trabalhadores perdem incentivo para qualificação, e a mobilidade social estagna. A literatura econômica mostra que impostos sobre fortuna não se traduzem em maior mobilidade. O crescimento mais lento causado por eles reduz oportunidades e perpetua a pobreza.

    Por fim, há a armadilha moral e política. Impostos sobre riqueza dividem a sociedade e alimentam o discurso da inveja. Sowell lembra que eles fomentam antagonismo de classes, corroem a ética do trabalho e minam a confiança institucional. O resultado é uma sociedade polarizada, mais propensa ao intervencionismo e menos capaz de gerar oportunidades reais. O discurso separatista se esconde por trás de um governo que rouba a liberdade e inibe a tomada de risco.

    As evidências mostram que buscar o ajuste fiscal por meio desse tipo de imposto não é o caminho. O esforço deve se concentrar em reduzir gastos e tornar o Estado mais eficiente. Como lembram Sowell e Harberger, a verdadeira prosperidade nasce de incentivos alinhados à criação de riqueza —não de sua punição. O fim da linha da mediocridade econômica acontece quando subsidiamos o fracasso, regulamos em demasia o bom desempenho e taxamos o sucesso.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/02/campos-neto-atacou-imposto-sobre-fortunas-e-alertou-para-fuga-de-milionarios.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/roberto-campos-neto/
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/blogs/que-imposto-e-esse/2025/11/decisao-do-stf-sobre-imposto-de-grandes-fortunas-tem-pouco-efeito-pratico.shtml
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/banco-central/
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/aeroporto-de-guarulhos/
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2025/11/supersalarios-beneficiam-menos-de-1-dos-servidores-e-queimam-o-filme-dos-outros-99.shtml
    (7) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/09/volta-de-imposto-sobre-fortuna-na-franca-nao-causaria-debandada-de-ricos-indica-estudo.shtml
    (8) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  42. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (100)

    “Txai Suruí denunciou projeto de lei que liberaria garimpo em terras indígenas
    – ‘Legalizá-lo é institucionalizar o ecocídio, o genocídio e a violação de direitos humanos’, alertou líder indígena.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    A líder indígena Txai Suruí (1) denunciou com veemência a aprovação do PL 2903/2023 (2) na Comissão de Direitos Humanos do Senado. Em 2025, ela publicou na Folha um alerta sobre o projeto que regulamentaria exploração econômica em terras indígenas (4): “O avanço do projeto no Senado (3) é um retrocesso brutal para os direitos indígenas e para a preservação ambiental”.

    A colunista apresentou dados científicos alarmantes sobre a contaminação por mercúrio (5) em seu próprio povo. “O relatório da Fiocruz em parceria com a Associação Kanindé e Associação Metareilá detectou mercúrio em 100% das amostras de cabelo dos indígenas Paiter Suruí, com níveis preocupantes em algumas aldeias com média acima do limite seguro de 2,0 µg/g”, disse. Os impactos incluíam danos neurológicos em adultos, prejuízos ao desenvolvimento infantil (6) e degradação de ecossistemas.

    Txai desmontou o argumento desenvolvimentista usado pelos defensores do projeto: “A justificativa de ‘desenvolvimento’ é uma falácia. O garimpo ilegal (7) não gera riqueza para os indígenas, mas sim conflitos, doenças e degradação”. Ela apontou ainda a hipocrisia local, citando decreto estadual de Rondônia que proibia a destruição de equipamentos de garimpo ilegal, incentivando a impunidade.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão, que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Chega de mercúrio, chega de morte (16/8/2025)

    Nesta quarta-feira (13) foi aprovado o PL 2903/2023, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), que regulamenta a exploração econômica em terras indígenas, abrindo caminho para a extração de minerais, inclusive por meio de garimpo, de petróleo e de gás natural. O avanço do projeto no Senado é um retrocesso brutal para os direitos indígenas e para a preservação ambiental.

    O senador Márcio Bittar (União/AC) afirma que o projeto não impõe uma exploração econômica no modelo não-indígena, no entanto o texto revoga a proibição de garimpo em terras indígenas da Lei 7.805, de 1989, que criou o regime de permissão de lavra garimpeira, a exclusividade dada aos indígenas para explorar as riquezas de suas terras.

    O projeto fragiliza a proteção ambiental e abre espaço para o desmatamento e para a violência e ignora a contaminação por mercúrio, que já intoxicou comunidades como os Yanomami, Munduruku, Kayapó e Paiter Suruí.

    O relatório “Impacto do Mercúrio em Áreas Protegidas e Povos da Floresta na Amazônia”, realizado pela Fiocruz em parceria com a Associação Kanindé e Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí, revela dados alarmantes sobre os efeitos do garimpo ilegal na saúde do povo Paiter Suruí, em Rondônia. O estudo detectou mercúrio em 100% das amostras de cabelo dos indígenas, com níveis preocupantes em algumas aldeias com média acima do limite seguro de 2,0 µg/g.

    Entre os impactos já observados temos a contaminação por mercúrio, os danos neurológicos em adultos, prejuízos ao desenvolvimento infantil e degradação de ecossistemas e a perda da biodiversidade. A pesquisa revela que, embora os níveis de mercúrio na maioria das aldeias estudadas ainda estejam abaixo do limite crítico, a intensificação do garimpo na região (impulsionada por políticas que flexibilizam a exploração) ameaça agravar esse cenário.

    Enquanto isso, o PL 2903, disfarçado de “regulamentação”, além de ignorar os riscos à saúde, o mercúrio usado no garimpo que contamina rios, peixes e populações, causando doenças crônicas e irreversíveis, especialmente em crianças e gestantes, fere a Constituição, que proíbe atividades minerais em terras indígenas sem consulta prévia e estudos de impacto, além de ser uma afronta também à Convenção 169 da OIT.

    A justificativa de “desenvolvimento” é uma falácia. O garimpo ilegal não gera riqueza para os indígenas, mas sim conflitos, doenças e degradação. Em Rondônia, o decreto estadual que proíbe a destruição de equipamentos de garimpo ilegal (Lei 1511/21) já mostra como políticas locais incentivam a impunidade. Enquanto seguem com a hipocrisia do “desenvolvimento”, o garimpo beneficia poucos, mas seus custos (destruição florestal, violência contra indígenas, perda de biodiversidade) são pagos por toda a sociedade.

    É urgente barrar esse projeto. A ciência já comprovou que onde o garimpo avança, a floresta e os povos indígenas sangram. Legalizá-lo é institucionalizar o ecocídio, o genocidio e a violação de direitos humanos. O Congresso deve priorizar políticas que fortaleçam a autonomia indígena e a proteção ambiental, não a ganância de poucos em detrimento de todos. Pelo fim do PL 2903!

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/02/txai-surui-denunciou-projeto-de-lei-que-liberaria-garimpo-em-terras-indigenas.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/txai-surui/
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2023/10/ruralistas-e-ambientalistas-criticam-vetos-de-lula-ao-marco-temporal.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/senado/
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/indigenas/
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2025/09/subnotificacao-esconde-impacto-da-intoxicacao-por-mercurio-em-indigenas.shtml
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2024/07/contaminacao-por-mercurio-afeta-saude-de-mulheres-e-criancas-munduruku.shtml
    (7) https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/11/garimpo-ilegal-se-apropria-das-reservas-de-manganes-do-brasil-uma-das-maiores-do-mundo.shtml
    (8) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  43. Miguel José Teixeira

    Bem-Te-Vi “do alto do Mulungu!
    . . .
    “Cada um dos 54 (cinquenta e quatro) Julgadores do Grupo Especial receberá um prólabore no valor líquido de R$ 12.000,00 (doze mil reais) pelos 03 (três) dias de desfiles (domingo, segunda-feira e terça-feira), o qual não representa qualquer retribuição financeira, mas apenas uma maneira de agradecer pela importante participação nas atividades comprometidas com a preservação das nossas raízes culturais, o que vem contribuindo para o engrandecimento do maior espetáculo artístico popular realizado em nosso país.”. . .(Manual do Julgador LIESA 2026).
    +em: https://liesa.org.br/downloads/carnaval/Manual-do-Julgador-Carnaval-2026.pdf

    Pergunta na 4ªfeira de Cinzas:

    Será que, com um cachê baixinho desses,
    e considerando o histórico de maracutaias
    de LULAmpião & a$$ociado$,
    não heverá um “pixuleco”
    para beneficiar a escola que
    antecipou sua campanha eleitoral?

    Revisitando Eclesiastes 12:14:
    “Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau”!

  44. Miguel José Teixeira

    (*) Assim sendo,
    nenhum detentor de mandato
    poderia participar de eleição!

    “Após desfile na Sapucaí, TSE tem um dever moral: tornar Lula inelegível”
    – Desfile em homenagem a Lula afrontou princípio básico da Justiça Eleitoral: a paridade de armas (*) entre candidatos distintos.
    (Wilson Lima, O Antagonista, 16/02/26)

    Existe um princípio tácito na Justiça Eleitoral e que tem balizado várias decisões do colegiado e não é de hoje: a paridade de armas entre candidatos.

    Quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, a Corte entendeu que, apesar da derrota do ex-presidente, houve desequilíbrio na disputa (1) pelo uso da estrutura Estatal para promover a figura de um personagem político em pleno ano eleitoral.

    Naquele julgamento, o TSE entendeu que os discursos inflamados de Jair Bolsonaro no palanque após o desfile de 7 de setembro era, na realidade, uma peça de propaganda barata, embora ninguém em sã consciência possa imaginar que o então presidente tenha conquistado algum voto ao falar para uma legião de apoiadores em plena Esplanada dos Ministérios.

    O desfile em homenagem a Lula, na Marquês de Sapucaí, com o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, realizado neste domingo, teve muito mais do que um desfile e um discurso de quinta categoria (2). Teve exaltação a uma imagem de um político, propaganda negativa a adversários, um refrão e uma comissão de frente com lemas e temas de campanha.

    Lula, de fato, não participou; nem Janja. Foram aconselhados a ficarem de fora para driblar a Justiça Eleitoral. Mas nem precisava. O desfile, exibido ao vivo por aproximadamente uma hora pela TV Globo (3), com aproximadamente 11 pontos de audiência, já garante a Lula uma vantagem inicial que outros candidatos não terão. E o pior: com dinheiro público. Por mais que a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) tenha afirmado que todas as escolas da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) tenham recebido seu quinhão do governo, isso somente ocorreu – e não vamos ser bobos – porque uma das escolas, a Acadêmicos de Niterói, resolveu colocar o bloco na rua em homenagem a Lula.

    Além disso, é importante que se diga, o presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), Marcelo Freixo, participou ativamente da organização do desfile e Lula escolheu, segundo o ator Paulo Vieira, quem iria representá-lo na Marquês de Sapucaí. Ou seja, não há como dar aquela desculpa esfarrapada de que o governo federal não teve qualquer tipo de influência na homenagem.

    Diante de tantos fatos gritantes, o TSE não teria outra alternativa a não ser declarar Lula inelegível já no ato de registro de candidatura. Isso acontecerá? Pelo bem da democracia é bom que isso aconteça. Caso isso não ocorra, os desfiles de escola de samba em anos eleitorais serão transformados em peças de propaganda eleitoral. Quem sofre com isso? A democracia e o nosso Carnaval.

    (Fonte: https://oantagonista.com.br/analise/apos-desfile-na-sapucai-tse-tem-um-dever-moral-tornar-lula-inelegivel/)

    (1) “Caso Bolsonaro abre margem para inelegibilidade de Lula por desfile”
    – Jair Bolsonaro foi declarado inelegível pelo TSE em outubro de 2023, por abuso de poder político e econômico no 7 de setembro.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/caso-bolsonaro-abre-margem-para-inelegibilidade-de-lula-por-desfile/#google_vignette

    (2) “Flávio promete acionar TSE contra Lula e PT”
    – Pré-candidato à Presidência reclamou de ataques pessoais a Jair Bolsonaro e à instituição da família.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/flavio-promete-acionar-tse-contra-lula-e-pt/#google_vignette

    (3) “Desfile de Lula na Sapucaí retrata Bolsonaro como palhaço”
    – Evento foi mantido apesar de ação por propaganda antecipada na Justiça Eleitoral.
    +em: https://oantagonista.com.br/brasil/desfile-de-lula-na-sapucai-retrata-bolsonaro-como-palhaco/#google_vignette

  45. Miguel José Teixeira

    “Carnaval do ódio só funciona para bolha lulista”
    – A esquerda radical vibrou e voltou para casa feliz. Mas todos os outros devem estar perguntando: toda essa raiva foi contra mim também?
    (Duda Teixeira, Crusoé, 16/02/26)

    lulistas lavaram a alma no desfile da Acadêmicos de Niterói no domingo, 15.

    Cantaram o samba-enredo em homenagem ao presidente Lula e exorcizaram seus demônios, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, caracterizado como o palhaço Bozo.

    Foi um desfile sem meios-termos.

    Tudo o que passou pela Sapucaí ao longo de 40 minutos tinha dois objetivos: ou era para atacar, ou era para elogiar.

    Pura polarização, do jeito que Lula e Bolsonaro sempre gostaram.

    O samba-enredo já trazia o tom: “sem anistia”.

    É o Carnaval do ódio, sem misericórdia, sem perdão.

    A punição que vale para Jair Bolsonaro vale também para a Débora do batom, que pegou 14 anos por pichar uma estátua.

    O erro estratégico do governo Lula — que promoveu o desfile com verba da Embratur e participou ativamente de sua organização — foi achar que mirar em valores do bolsonarismo estaria apenas enfraquecendo seus rivais políticos.

    Escola de samba, em geral, não é palco da política, mas da arte, da cultura.

    Muitos brasileiros comuns, que não se interessam por política, assistiram ao desfile de ontem.

    E esses brasileiros viram foliões vestidos de lata de conserva com um rótulo mostrando uma família com pai, mãe, duas crianças e os dizeres: “Família em conserva”.

    Ninguém gosta de achar que está em extinção, muito menos que está sendo visto como algo do passado.

    E, embora existam hoje diversas estruturas familiares, as famílias com pai, mãe e filhos continuam existindo.

    Não é uma crítica que afeta apenas os evangélicos, mas uma parte significativa dos brasileiros.

    Policiais segurando escudos com caveiras não pega bem com quem acha que a criminalidade é o maior problema do Brasil.

    Por fim, falar mal dos Estados Unidos em um país que se encanta com os americanos também tem tudo para dar errado.

    A esquerda lulista vibrou e voltou para casa feliz.

    Mas todos os outros devem estar perguntando: todo essa raiva foi contra mim também? (*)

    (Fonte: https://crusoe.com.br/diario/carnaval-do-odio-so-funciona-para-bolha-lulista/)

    (*) Eles que são atrelados que se resolvam!!!

  46. Miguel José Teixeira

    (*) Antes porém,
    nossos penduricalhos,
    por favor!

    “Faltou o carro alegórico do sítio de Atibaia”
    – Homenagem a Lula na Marquês de Sapucaí passou muito longe da inocência e servirá de teste (*) para a Justiça Eleitoral.
    (Rodolfo Borges, Crusoé, 16/02/26)

    O senador Sergio Moro (União-PR) identificou a ausência de uma passagem em particular da vida de Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói no domingo, 15.

    “Faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia no desfile do Lula”, disse o ex-juiz da Operação Lava Jato, responsável pelas condenações que levaram Lula à cadeia após confirmação das sentenças em segunda instância.

    “Foi um deprimente espetáculo de abuso do poder, com enaltecimento de Lula, sem escândalos de corrupção, e com ataques aos adversários, tudo financiado pelo Governo. A Coréia do Norte não faria melhor”, escreveu Moro em seu perfil no X.

    Propaganda
    De fato, a homenagem a Lula na Marquês de Sapucaí passou muito longe da inocência.

    Além de omitir as passagens mais problemáticas da vida do petista, que passou meses preso pelas condenações por crimes de corrupção que viriam a ser anuladas de forma controversa, o desfile fez alusões desabonadoras gratuitas aos seus adversários e mencionou slogans do governo, como “o Brasil é dos brasileiros”, e temas de campanha, como o jingle clássico de Lula e a expressão “o amor venceu o medo”, que estão explícitos na letra do samba-enredo.

    “É, teu legado é o espelho das minhas lições sem temer tarifas e sanções, assim que se firma a soberania, mem mitos falsos, sem anistia”, diz um trecho da música, aludindo a Jair Bolsonaro, ao tarifaço de Donald Trump e às sanções da Lei Magnitsky impostas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sem se importar em deixar qualquer dúvida sobre o caráter eleitoreiro do desfile.

    Cinismo
    Os defensores mais cínicos de Lula dizem que não houve pedido expresso de voto e que isso isentaria o desfile de qualquer problema legal. Mas as coisas se tornaram um pouco mais complexas na Justiça Eleitoral nos últimos anos.

    Bolsonaro foi condenado à inelegibilidade por duas vezes sem precisar pedir um voto sequer.

    A primeira condenação ocorreu por ele colocar em dúvida o sistema eleitoral brasileiro numa reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada.

    A segunda, por usar as comemorações do Bicentenário da Independência, em 7 de setembro de 2022, para se promover.

    Nos dois casos, a maioria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou que houve desvio de finalidade no uso da estrutura da Presidência da República e de recursos públicos.

    Dinheiro público
    No caso do desfile da Acadêmicos de Niterói, o grande problema formal, para além da cara de pau de todos os envolvidos, é o patrocínio da Embratur.

    A agência estatal de promoção do turismo patrocinou todas as 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro, mas deveria tomar o cuidado de não promover uma que tem uma mensagem político-eleitoral tão explícita, e logo em ano de eleição.

    Mais do que qualquer outra coisa, esse desfile servirá de teste para a Justiça Eleitoral brasileira, que se hipertrofiou nos últimos anos, anabolizada pelo discurso de enfrentamento a Bolsonaro — que levou, inclusive, ao adiamento de um documentário do qual se sabia muito menos do que o desfile promocional do domingo.

    A depender da decisão, quem estará colocando o sistema eleitoral brasileiro em dúvida é o próprio TSE.

    (Fonte: https://crusoe.com.br/diario/faltou-o-carro-alegorico-do-sitio-de-atibaia/)

  47. Miguel José Teixeira

    “A quem pertencem as cidades? Do turismo de massa à especulação, gentrificação remodela centros urbanos em todo o mundo”
    – Trabalho remoto, locações temporárias e baixa regulação aumentam pressão sobre capitais como Cidade do México, Barcelona e Lisboa.
    (Por Amanda Scatolini, O Globo, 16/02/26)
    . . .
    “A gentrificação transforma centros urbanos globais, impulsionada por turismo de massa e especulação imobiliária. Cidades como Cidade do México e Lisboa enfrentam aumento nos aluguéis e deslocamento de moradores para periferias. A chegada de “nômades digitais” (**) agrava a situação, gerando protestos locais. Especialistas sugerem regulação e moradia social como soluções para mitigar impactos e evitar a descaracterização urbana.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/02/16/a-quem-pertencem-as-cidades-do-turismo-de-massa-a-especulacao-gentrificacao-remodela-centros-urbanos-em-todo-o-mundo.ghtml

    (*) processo de alteração do caráter de uma zona urbana causada pela mudança de pessoas com maior poder econômico para essa área, resultando em valorização imobiliária e atração de novos negócios, muitas vezes forçando a saída dos seus residentes e comerciantes originais.

    (**) profissionais que utilizam tecnologias de informação para trabalhar remotamente, sem residência fixa, viajando enquanto exercem suas funções. Eles combinam o trabalho à distância com um estilo de vida itinerante, utilizando a internet para realizar atividades profissionais de qualquer lugar do mundo.

  48. Miguel José Teixeira

    Apesar de lulalampião, janjacalamidade
    & outros desafinados, o desfile das
    Escolas de Samba do Rio de Janeiro
    continua sendo o maior espetáculo da Terra!

    “Veja as campeãs em garra, visual e emoção: Mangueira e Imperatriz se destacam na primeira noite do Grupo Especial
    – Notas são representadas por pandeiros, de um a cinco.
    (Por O GLOBO — Rio de Janeiro, 16/02/26)
    . . .
    “A primeira noite dos desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí foi marcada por apresentações de Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira. Comentaristas do GLOBO avaliaram garra, visual e emoção dos desfiles com notas de um a cinco pandeiros. Imperatriz destacou-se com 22 pandeiros em garra e visual. Acadêmicos de Niterói recebeu 17 pandeiros em emoção.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/rio/carnaval/noticia/2026/02/16/garra-visual-emocao-comentaristas-do-globo-dao-notas-aos-desfiles-da-primeira-noite-do-grupo-especial.ghtml

  49. Miguel José Teixeira

    (*) Quando sobra dinheiro para
    os amigos do rei
    falta para o mínimo necessário!

    “Criada por brasileiros, ‘IA desplugada’ na educação adapta ferramenta a salas de aula sem internet”
    – Conceito tem baseado diferente formas de aplicação em países com baixa estrutura tecnológica nas escolas, como Brasil (*), México, Peru, Filipinas, Quênia e Namíbia.
    (Por Bruno Alfano — Rio, O Globo, 16/02/26)
    . . .
    “Pesquisadores brasileiros da Ufal e Harvard desenvolveram a Inteligência Artificial Desplugada na Educação (IAED-U) para adaptar tecnologias educacionais a escolas com baixa conectividade, como no Brasil e outros países com infraestrutura limitada. Projetos-piloto, como o Tutor Desplugado, já mostram resultados promissores, oferecendo diagnósticos personalizados e relatórios que auxiliam professores. A aplicação requer equipamentos simples e pouca internet, possibilitando o uso em salas sem conexão. Modelos similares são aplicados em países da África, Ásia e América Latina.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/noticia/2026/02/16/criada-por-brasileiros-ia-desplugada-na-educacao-adapta-ferramenta-a-salas-de-aula-sem-internet.ghtml

  50. Miguel José Teixeira

    “Esta família é muito unida
    E também muito ouriçada
    Brigam por qualquer razão
    Mas acabam pedindo perdão”
    . . .
    “Michelle evita confirmar pré-candidatura e amplia lista de posições contrárias às de filhos de Bolsonaro”
    – Após enteado dizer que ex-primeira-dama vai disputar Senado, mulher de Bolsonaro alega que ‘prioridade’ é cuidar do marido.
    (Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro, O Globo, 16/02/26)
    . . .
    “Michelle Bolsonaro evita confirmar sua pré-candidatura ao Senado, priorizando o cuidado com o marido, Jair Bolsonaro, preso em Brasília, e a filha. Apesar do apoio popular no DF, ela não confirma planos políticos. Michelle já discordou de posições dos filhos de Bolsonaro, como em alianças políticas e apoios a outros candidatos, gerando tensões na família.” (Irineu)
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/16/michelle-evita-confirmar-pre-candidatura-e-amplia-lista-de-posicoes-contrarias-as-de-filhos-de-bolsonaro.ghtml

    Dudu Nobre: https://www.youtube.com/watch?v=eA1I9Jpho9A

  51. Miguel José Teixeira

    Não é só a suprema toga
    que está amarrotada e desbotada!

    “Apurações de venda de sentenças e assédio desgastam STJ em meio a debate de código de ética no Judiciário”
    – Nenhum ministro é investigado em apurações que apontaram indícios de acesso privilegiado a minutas de votos e atuação para direcionar resultados em julgamentos sensíveis.
    (Por Mariana Muniz — Brasília, O Globo, 16/02/26)
    . . .
    “O Superior Tribunal de Justiça (STJ) enfrenta uma crise sem precedentes com denúncias de assédio sexual contra o ministro Marco Buzzi e um escândalo de venda de sentenças. Enquanto o Código de Conduta do Judiciário é discutido, a pressão por respostas rápidas é intensa. O STJ afastou Buzzi, mas enfrenta debates internos sobre sua continuidade. As investigações, sem implicar ministros, destacam fragilidades no sistema judicial.”
    . . .
    +em: https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/02/16/apuracoes-de-venda-de-sentencas-e-assedio-desgastam-stj-em-meio-a-debate-de-codigo-de-etica-no-judiciario.ghtml

    E as “PenTurrricalhas!, Frrritz?
    – Viçosssas, muito viçosssas, Frrrida!

  52. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (099)

    “Ana Cristina Rosa questionou se Dia da Abolição era dia de festa”
    – ‘Promulgação da Lei Áurea institucionalizou o abismo étnico-racial entre negros e não negros no país’, disse jornalista.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    O 13 de maio pode até ter sido um dia de comemoração em 1888 — dia da promulgação da Lei Áurea (1) —, mas o dia seguinte tratou de reorganizar a exclusão.

    Sem políticas de inclusão (2) e com medidas que empurraram negros para fora de terra, escola e cidadania, a “abolição” virou também o começo de um novo abismo. Em texto publicado na Folha, em 2025, a jornalista Ana Cristina Rosa questionou (3), devido ao contraste, se a data deveria ser “dia de festa”.

    A provocação foi respondida: “não é preciso ser negro para saber (ou ao menos intuir) os motivos” que levaram parte do debate a trocar a comemoração pela reflexão (4). O alvo não é a data em si, mas o hábito de celebrar a assinatura e esquecer a estrutura que ficou.

    Ana também registra um outro 13 de maio —vivo e popular. Brasil afora a data é motivo de festa. Mas não tem nada a ver com a princesa Isabel (5), é bom ressaltar. Entre religiões de matriz africana, (6) a data é dedicada à celebração dos Pretos Velhos, entidades que representam a sabedoria ancestral.

    Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (7), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    O 13 de maio é dia de festa? (11/5/2025 )

    O 13 de maio de 1888 foi um dia de festa para milhares de pessoas à época mantidas sob o jugo da escravização no Brasil, mas o dia seguinte à promulgação da Lei Áurea (com seus apenas dois artigos) institucionalizou o abismo étnico-racial entre negros e não negros no país. Não é preciso ser negro para saber (ou ao menos intuir) os motivos que levaram à substituição da comemoração da abolição pela reflexão atual sobre o impacto pernicioso dos termos da libertação.

    Para além da inexistência de medidas de inclusão, o Estado teve ainda o cuidado de garantir a exclusão do negro com medidas como a proibição da aquisição de terras e de acesso à educação, a criminalização da “vadiagem”, e o patrocínio da imigração europeia, por exemplo.

    Apesar disso, Brasil afora o dia 13 de maio ainda é motivo de muita festa. Mas não tem nada a ver com a princesa Isabel, é bom ressaltar. Entre adeptos de religiões de matriz africana, a data é dedicada à celebração dos Pretos Velhos, entidades que representam a sabedoria ancestral dos anciões negros que sofreram os horrores da escravização.

    Além disso, há duas décadas a fundação do Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN), que se dedica ao estudo e preservação dos restos mortais de pessoas escravizadas recém-chegadas ao Brasil pelo Cais do Valongo, tornou-se um motivo a mais para comemorar a data. Em 2025, o IPN realizará atividades de 13 a 30 de maio. A programação tem roda de conversa, sarau, exposição, feira gastronômica e o primeiro Seminário de Museus Antirracistas, no Museu do Amanhã (RJ). Também será lançada a trilogia “Cemitério dos Pretos Novos do Valongo: Uma Jornada Impactante pela História da Escravidão no Brasil”, coletânea das transcrições do que restou dos Livros de Óbitos da Freguesia (da igreja) de Santa Rita, responsável pelo Cemitério do Valongo.

    Sim, o 13 de maio é dia de festa antirracista em prol da preservação da memória da escravização de africanos e seus descendentes.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/02/ana-cristina-rosa-questionou-se-dia-da-abolicao-era-dia-de-festa.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/05/brasil-decretava-o-fim-da-escravidao-em-13-de-maio-de-1888.shtml
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2023/02/negros-sao-menos-de-15-no-primeiro-escalao-dos-governos-estaduais.shtml
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ana-cristina-rosa/
    (4) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/05/entenda-o-fim-da-escravidao-no-brasil-e-as-consequencias-do-13-de-maio-de-1888.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2023/04/governo-lula-revoga-medalha-com-homenagem-a-princesa-isabel.shtml
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/06/adeptos-de-religioes-de-matriz-africana-triplicam-no-brasil-e-chegam-a-1-da-populacao-diz-censo.shtml#erramos
    (7) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/

  53. Miguel José Teixeira

    Vem aí. . .
    O carnaval de outubro,
    em que nós burros de cargas,
    poderemos tirar a fantasia
    dos que já estão no poder!

    “Tá valendo”
    Estão em disputa, este ano, 1059 vagas de deputados estaduais e distritais, 513 federais e 54 cadeiras de senadores (dois terços do total), além de 27 governos estaduais (*) e uma Presidência da República.

    “Mudança para depois”
    Apesar da movimentação política em 2025 por novas vagas na Câmara dos Deputados, na eleição de 2026 serão disputadas as 513 cadeiras de sempre. O aumento para 531 vagas ficou para 2030.

    (Coluna CH, DP, 15/02/26)

    (*) 26 estaduais e 1 distrital.

  54. Miguel José Teixeira

    Folha 105 (098)

    “Conrado Hübner Mendes escreveu que o STF agride a democracia”
    – ‘Ao se prestar a folhetim político, corte abdica de seu papel constitucional’, disse o autor.
    – Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha.

    No início de 2018, antes de o debate sobre os limites dos poderes do Supremo Tribunal Federal se aprofundar, Conrado Hübner Mendes (2), professor de direito constitucional da USP, já alertava para os excessos da corte.

    “Ao se prestar a folhetim político (3), o STF abdica de seu papel constitucional e ataca o projeto de democracia”, escreveu o colunista. O texto teve grande repercussão por apresentar de forma clara algumas distorções num período marcado por forte tensão e incerteza.

    Três semanas depois, o então ministro Luís Roberto Barroso escreveu uma réplica (4), também na Folha, dizendo que o órgão “vem tendo papel decisivo no enfrentamento da corrupção, contribuindo de forma relevante — ainda que nem sempre linear — para atender a imensa demanda por integridade, idealismo e patriotismo que germinou na sociedade brasileira”.

    Leia a seguir o texto completo de Hübner Mendes, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão (5), que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.

    Na prática, ministros do STF agridem a democracia (28/1/2018)

    O Supremo Tribunal Federal é protagonista de uma democracia em desencanto. Os lances mais sintomáticos da recente degeneração da política brasileira passam por ali. A corte está em dívida com muitas perguntas, novas e velhas, e vale lembrar algumas delas antes que os tribunais voltem do descanso anual nos próximos dias.

    Se Delcídio do Amaral (PT-MS), Eduardo Cunha (MDB-RJ), Renan Calheiros (MDB-AL) e Aécio Neves (PSDB-MG) detinham as mesmas prerrogativas parlamentares, por que, diante das evidências de crime, receberam tratamento diverso?

    Se houve desvio de finalidade no ato da presidente Dilma Rousseff (PT) em nomear Lula (PT) como ministro, por que não teria havido o mesmo na conversão, pelo presidente Michel Temer (MDB), de Moreira Franco (MDB) em ministro?

    Se o STF autorizou a prisão após condenação em segunda instância (6), por que ministros continuam a conceder habeas corpus contra a orientação do plenário, como se o precedente não existisse?

    Se a restrição ao foro privilegiado (7) já tem oito votos favoráveis, pode um ministro pedir vista sob alegação de que o Congresso se manifestará a respeito? Pode ignorar o prazo para devolução do processo?

    Se lá chegam tantos casos centrais da agenda do país, como pode um magistrado, sozinho, manipular a pauta pública ao seu sabor (por meio de pedidos de vista, de liminares engavetadas etc.)?

    Se o auxílio-moradia para juízes, criado em 2014, custa ao país mais de R$ 1 bilhão por ano, como pôde um ministro impedir que o plenário se manifestasse até aqui? Se a criminalização do porte de drogas responde por grande parte do encarceramento em massa brasileiro, como pode um pedido de vista interromper, por anos, um caso que atenuaria o colapso humanitário das prisões?

    Se um ministro afirma que Ricardo Lewandowski “não passa na prova dos 9 do jardim de infância do direito constitucional”, que Luís Roberto Barroso tem moral “muito baixinha”, que Marco Aurélio é “velhaco”, que Luiz Fux inventou o “AI-5 do Judiciário”, que Rodrigo Janot é “delinquente” e que Deltan Dallagnol é “cretino absoluto”, e além disso tem amigos espalhados entre o empresariado e a classe política julgados pelo STF, como expressará isenção nesses casos?

    Se a Lei Orgânica da Magistratura proíbe juízes de se manifestarem sobre casos da pauta, como podem ministros antecipar posições a todo momento nos jornais?

    A lista de perguntas poderia seguir, mas já basta para notar o que importa: as respostas terão menos relação com o direito e com a Constituição do que com inclinações políticas, fidelidades corporativistas, afinidades afetivas e autointeresse.

    O fio narrativo, portanto, pede a arte de um romancista, não a análise de um jurista. Ao se prestar a folhetim político, o STF abdica de seu papel constitucional e ataca o projeto de democracia.

    CHOQUE DE REALIDADE

    A separação de Poderes conferiu lugar peculiar ao Supremo. O Parlamento é eleito, o STF não. O parlamentar pode ser cobrado e punido por seus eleitores, os ministros do STF não. O presidente da República é eleito e costuma ser o primeiro alvo das ruas, os membros do STF estão longe disso. A corte suprema tem o poder de revogar decisões de representantes eleitos.

    É um tribunal que se autorregula e não responde a ninguém. O que justifica tanto poder e a imunização contra canais democráticos de controle?

    Há boas respostas teóricas para esse arranjo. Para alguns, a integridade constitucional depende de um órgão capaz de pairar acima dos conflitos partidários, praticar a imparcialidade e assumir o papel de poder moderador. Para outros, mais do que apenas moderar, caberia ao tribunal inspirar respeito por seus argumentos jurídicos, que tecem padrões decisórios e constroem jurisprudência.

    A autoimagem construída pelo STF foi ainda mais longe. Apresentou-se como a última trincheira dos cidadãos, incumbido da missão de salvar a democracia de si mesma, domesticar maiorias, amparar e incluir minorias.

    No ápice da automistificação, o ministro Barroso imaginou a corte como “vanguarda iluminista que empurre a história” na direção do progresso moral e civilizatório (Vinicius Mota descreveu a ideia (8) no dia 14/1).

    A crise política e a erosão de direitos dos últimos anos trouxeram ao Supremo a oportunidade (e o ônus) de atender a suas promessas. A resposta, porém, foi um choque de realidade.

    O desarranjo procedimental cobrou seu preço. Despreparado para a magnitude do desafio, o tribunal reagiu da forma lotérica e volátil de sempre. A prática do STF ridiculariza aquele autorretrato heroico, frustra as mais modestas expectativas e corrói sua pretensão de legitimidade.

    Por não conseguir encarnar o papel de árbitro, o tribunal tornou-se partícipe da crise. Já não é mais visto como aplicador equidistante do direito, mas como adversário ou parceiro de atores políticos diversos. Desse caminho é difícil voltar.

    Atado a uma espiral de autodegradação, o poder moderador converteu-se em poder tensionador, que multiplica incertezas e acirra conflitos. O ator que deveria apagar incêndios fez-se incendiário. Não foi vítima da conjuntura, mas da própria inépcia. A vanguarda iluminista na aspiração descobriu-se vanguarda ilusionista na ação (e na inação).

    ILUSIONISMO

    Como opera esse poder tensionador? Para decifrar a vanguarda ilusionista, precisamos olhar para além do resultado de cada decisão (se prende ou solta, se anula ou valida). Deve-se prestar mais atenção ao procedimento que gerou tal resultado e ao argumento que o justifica. É no procedimento e no argumento que mora o ilusionismo.

    A síntese do desgoverno procedimental do STF está em duas regras não escritas: quando um não quer, 11 não decidem; quando um quer, decide sozinho por liminar e sujeita o tribunal ao seu juízo de oportunidade. Praticam obstrução passiva no primeiro caso, e obstrução ativa no segundo.

    A contradição entre as duas regras é só aparente, pois a arte do ilusionismo permite sua coexistência. Manda a lógica do “cada um por si”, nas palavras de editorial da Folha (24/12) (9).

    O argumento constitucional do Supremo já não vale o quanto pesa e tornou-se embrulho opaco para escolhas de ocasião. Basta olhar com lupa as incoerências na fundamentação de casos juridicamente semelhantes que recebem decisão diversa.

    A expressão “jurisprudência do STF” sobrevive como licença poética, pois perdeu capacidade de descrever ou nortear a prática decisória do tribunal. Perdeu dignidade conceitual e até mesmo retórica.

    No âmbito da esfera pública, o ilusionismo serve para desviar a atenção, responder o que não se perguntou, jogar fumaça na controvérsia e confundir o interlocutor.

    O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, é praticante rotineiro dessa técnica. Publicou nesta Folha (17/1) artigo em defesa do habeas corpus (HC) (10). Invoca o direito abstrato à liberdade, do qual ninguém discordará, e se desvia das críticas contra suas decisões recentes.

    As críticas às quais Mendes reage nunca miraram o HC em si, mas as evidências de suspeição para julgar, de forma monocrática, pessoas do seu círculo pessoal e político. O ministro se apresenta como defensor da liberdade, mas suas decisões passam a impressão de ser defensor dos amigos. Para dissipar essa impressão, basta que se declare suspeito —o que se recusa a fazer.

    Manha ilusionista: discursar sobre o ideal revolucionário da liberdade e silenciar sobre a liberdade concedida a amigos indiciados.

    O ilusionismo, nas suas faces procedimental e argumentativa, retira das decisões do STF o selo de integridade institucional.

    Por essa razão, tem sido pouco útil aos advogados e analistas da corte perguntar se o texto da Constituição é lido de modo apropriado, se nossas categorias de análise dão conta da tarefa interpretativa e se o tribunal pratica ativismo ou deferência —questões nobres do debate constitucional.

    Mais importante é conhecer a biografia do ministro e sua capacidade de atender a ética da imparcialidade, da responsabilidade e da colegialidade.

    A ambição do Estado de Direito é produzir um “governo das leis, não dos homens”. Soa como slogan a serviço da distorção ideológica, mas o sentido da expressão não tem nada de esotérico.

    A mensagem é mais modesta: não quer dizer que o aparato institucional de interpretação e aplicação das leis deva ser composto por sujeitos sobre-humanos, imunes a afetos e interesses, mas apenas que esses sujeitos devem ter compromisso ético para decidir com maior isenção e ponderação analítica, além de gozar de garantias contra a pressão da barganha política. Não requer muito mais que isso.

    A prática do STF pede adaptação daquela máxima: a interpretação constitucional deve estar submetida ao “governo do Supremo, não dos ministros”. O tribunal, porém, tem sido governado pelo voluntarismo incontinente de seus membros. É muito poder individual de fato (e de legalidade duvidosa) para ser usado com tanta extravagância.

    Como disse José Sarney, anos atrás (11), “um dos maiores desserviços ao país é desprestigiar o Supremo Tribunal Federal”. Esse desserviço ao STF vem sendo prestado pelos seus próprios membros. Isso traz consequências.

    ARBÍTRIO

    O tempo do STF é místico. A corte pode tomar uma decisão em 20 horas ou em 20 anos (como publicou Ivar Hartmann (12), neste mesmo caderno, em 28/5 de 2017). A duração de um caso não guarda nenhuma relação com sua complexidade jurídica, sua importância política ou o excesso de trabalho do tribunal — alegações usuais de ministros.

    É fruto, sim, da idiossincrasia e do instinto de cada julgador. E, às vezes, de negociações nos bastidores palacianos e corporativos.

    Ninguém melhor que o ex-deputado Eduardo Cunha para iluminar o problema. Quando afastado de seu mandato pelo STF em 2016, ironizou com a pergunta cínica que muitos se fizeram: “Se havia urgência, por que levou seis meses?” Em outras palavras: por que agora?

    Uma ótima questão, que poderia ser aplicada a muitos casos (por exemplo, o pacote natalino (13) de liminares, todas monocráticas e abruptas, tomadas no apagar das luzes de 2017, antes de o Judiciário sair de férias).

    Lewandowski, presidente da corte em 2016, desconversou: “O tempo do Judiciário não é o tempo da política e nem é o tempo da mídia. Temos ritos, procedimentos e prazos que devemos observar”.

    A resposta é mais um artefato ilusionista. Quando diz que o tempo do Judiciário não é o tempo da política nem o da mídia, recorre a um árido lugar-comum para se esquivar do que se queria saber. A resposta também ignora a inteligência empírica que vem sendo construída ao longo dos último anos sobre o STF por um crescente grupo de estudiosos da corte.

    A definição arbitrária do seu tempo decisório é mais uma faculdade que o Supremo conferiu a si mesmo e não explicou a ninguém, um dos poderes mais antidemocráticos que um tribunal pode ter.

    INSEGURANÇA

    Pede-se a tribunais que produzam segurança jurídica e previsibilidade. Esse fim costuma ser entendido apenas como demanda de conteúdo: que pudéssemos estimar, com algum grau de certeza, à luz das decisões passadas da corte, o que decidirá em casos semelhantes no futuro.

    Não é um objetivo possível de realizar por completo, pois muitos casos, apesar de sua similaridade de superfície, suscitam variações interpretativas genuínas.

    Ainda que frustre expectativas, é desejável que a jurisprudência tenha um grau de elasticidade. Mas existe uma faceta mais básica da segurança jurídica: a expectativa de que tomará uma decisão em tempo razoável ou sabido. Trata-se de previsibilidade de segunda ordem.

    O STF, no entanto, não só tirou a credibilidade da noção de jurisprudência como também nos sonega a possibilidade de saber quando uma decisão será tomada. Em certos casos, não estamos seguros sequer de que haverá decisão, qualquer que ela seja.

    Se o STF passasse a observar, de modo criterioso e transparente, “ritos, procedimentos e prazos”, como quis Lewandowski, já seria um gesto quase revolucionário.

    Entretanto, a loteria de agenda, somada ao seu oceano de casos, prejudica a construção de uma esfera pública constitucional, de um espaço em que debates democráticos possam se desenvolver, que atores interessados possam mobilizar energia e recursos para participar. Esperam apenas que seus argumentos sejam respondidos e uma decisão seja tomada em tempo publicamente justificado.

    Vale a pena observar outras cortes no mundo. Ainda que a comparação tenha limites, pois cada tribunal tem seu próprio desenho, volume de casos e contexto, mostraria, por exemplo, que a discricionariedade com o tempo não é exclusividade do Supremo.

    Nem todo tribunal tem a disciplina com o tempo que possuem a Suprema Corte dos Estados Unidos ou a Corte Constitucional da África do Sul. Como ambas decidem poucas dezenas de casos por ano, a tarefa fica menos difícil.

    Se olharmos para as cortes espanhola ou mexicana, alemã ou argentina, indiana ou chilena, veremos um mapa muito plural de gestão do procedimento, com problemas particulares. Em nenhuma delas, porém, se consegue encontrar tamanha libertinagem de obstrução individual de ministros.

    PERDA DO RESPEITO

    Um bom observador do comportamento judicial aprende depressa que “cortes não fazem o que dizem e nem dizem o que fazem”. Pelo menos parte do tempo.

    Essa máxima é ainda mais certeira quando aplicada a um tribunal de cúpula, que precisa administrar dinamites da democracia. A crônica constitucional só perde a inocência quando está apta a detectar a dissonância entre as palavras e os atos de instituição ainda tão obscura quanto o Judiciário.

    Um bom observador do Supremo Tribunal Federal também aprende que o Supremo Tribunal Federal não existe. Pelo menos na maior parte do tempo.

    Tornou-se um tribunal de 11 bocas e 11 canetas dotadas de poder para, sozinhas, tomar decisões (ou não decisões) que geram efeitos irreversíveis. A crônica constitucional brasileira vem captando essa lição à medida que a cacofonia do STF fica mais escancarada, e seus custos sociais, mais palpáveis.

    O tribunal foi capturado por ministros que superestimam sua capacidade de serem levados a sério e subestimam a fragilidade da corte.

    Decidem (ou deixam de decidir) o que querem, quando querem, sozinhos ou em plenário; falam o que querem e quando querem, não só nos autos e nas sessões públicas de julgamento mas também nos microfones de jornalistas.

    Ausentam-se das sessões do tribunal sob pretextos pouco contestados (um congresso acadêmico ou casamento de amigo no exterior, uma honraria oferecida por câmara de vereadores de município remoto, a irritação com voto de colega etc.).

    Administram terrivelmente a dimensão simbólica (fonte de autoridade) e deixam esvair a dimensão material do poder do tribunal (a capacidade de ser obedecido). Um STF sem capital político pode ser desobedecido sem custos.

    Que tenhamos perdido a reverência pelo STF é um ganho de maturidade política. Que estejamos perdendo o respeito é um perigo que o tribunal criou para si mesmo.

    Maquiavel sugeriu, em “O Príncipe”, que um governante não deve buscar ser amado, mas respeitado. Se não for respeitado, que ao menos não seja desprezado, sentimento político mais nocivo. Um governante torna-se desprezível quando é “inconstante, leviano, irresoluto”.

    O conselho serve para as instituições democráticas, sobretudo tribunais constitucionais. O STF precisa de anti-heróis, não do contrário. Sua sobrevivência como instituição relevante tem a ver com isso.

    Às vésperas dos 30 anos da Constituição de 1988, temos um tribunal constitucional desencontrado. O STF promete mais do que deve, entrega menos do que pode, disfarça o tanto quanto consegue.

    Habituou-se à prática do ilusionismo e dela faz pouco caso. Criou uma espécie de zona franca da Constituição, onde reina a discricionariedade de conjuntura e aonde o Estado de Direito não chega.

    E não chega por obra dos próprios ministros e ministras, que não promoveram um único aperfeiçoamento digno de nota na última década: nem na forma, nem no conteúdo; nem nos ritos, nem na ética institucional.

    Não sabem conjugar a primeira pessoa do plural. Mediocrizaram a tarefa de interpretação constitucional e a própria instituição, cujo status se evapora. Com ele vai a esperança de efetividade da Constituição, a mais avançada que já tivemos.

    (Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha-105-anos/2026/02/conrado-hubner-mendes-escreveu-que-o-stf-agride-a-democracia.shtml)

    (1) https://www1.folha.uol.com.br/poder/stf/
    (2) https://www1.folha.uol.com.br/colunas/conrado-hubner-mendes/
    (3) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/06/1890232-quao-politico-pode-ser-um-julgamento-no-tribunal-superior-eleitoral.shtml
    (4)https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/02/em-artigo-ministro-do-supremo-rebate-criticas-feitas-ao-tribunal.shtml
    (5) https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/105-colunas-de-grande-repercussao/
    (6) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1953167-condenacao-de-lula-deve-levar-stf-a-rediscutir-prisao-apos-2-instancia.shtml
    (7) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/11/1937625-maioria-do-stf-vota-por-limitar-foro-a-deputados-e-senadores.shtml
    (8) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/01/1949944-luta-contra-corrupcao-sistemica-e-ardua-mas-ha-razao-para-otimismo.shtml
    (9) https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/12/1945713-cada-um-por-si.shtml
    (10) https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/01/1951039-em-defesa-do-habeas-corpus.shtml
    (11) https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0709200808.htm
    (12) https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2017/05/1887640-para-preservar-a-imparcialidade-juizes-precisam-cultivar-a-discricao.shtml
    (13) https://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1945304-garotinho-e-presidente-do-pr-deixam-a-cadeia.shtml

  55. Miguel José Teixeira

    Matutando sobre a charge. . .

    Sabem quando a nossa escola pública básica irá melhorar?
    – Quando nós eleitores/contribuintes, os burros de cargas, deixarmos de ter “políticos de estimação”!

  56. Eduquem as crianças para não punir os adultos.

    Eu tive um casal de filhos.
    O primogênito, menino.
    Aos dois anos de idade eles tinham que recolher os brinquedos;
    Aos quatro, recolher os brinquedos, a mesa e arrumar a cama;
    Aos seis anos, recolher os brinquedos, arrumar a cama, recolher a mesa e lavar a louça;
    Aos oito, além de repetir as tarefas anteriores, também aprenderam a cozinhar arroz e fritar ovo.
    Quando eles queriam alguma coisa que eu não julgava essencial, oferecia tarefas remuneradas, como virar tiras de biquíni (eu trabalhava com moda praia na época).
    O pagamento acontecia por peça e só na sexta feira.

    Acho que o problema maior acontece quando negligenciamos a educação dentro de casa.
    Ela é cansativa?
    Sim, muito.
    Mas costuma formar bons cidadãos.

    1. Legal. Sou de uma época parecida. Então…Todos os meus aprenderam sobreviver sem bússola e reconhecer o sol como parâmetro de orientação e clareza, tendo o céu como limite, dentro de princípios éticos

      1. A modernidade desfez a estrutura familiar tradicional.
        Hoje os pais saem cedo de casa pra trabalhar e só retornam ao anoitecer.
        Cansados, alguns exaustos, entram na terceira jornada: lavar roupa, preparar a janta e, se sobrar um tempinho, dormir.
        Hoje muitos filhos são órfãos de pais vivos.

        Talvez por isso as escolas Públicas se tornaram fundamentais pra mudar o destino da Nação..

        1. Miguel José Teixeira

          Parabéns, Odete!.

          Venho de educação semelhante. Minha mãe era Gasparense!
          Porém, sempre é bom lembrar que os Pais Educam. A Escola, ensina!
          E o ensino básico público é um fracasso.
          E isso interessa e muito aos donos do poder.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não é permitido essa ação.