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QUEM ESTÁ FALTANDO NESTA FOTO “CORTADA” PARA MOSTRAR O ATUAL NÚCLEO DE PODER EM GASPAR NA ASSINATURA DE UM PAPELINHO E QUE ENVOLVE CONHECIMENTO DE ENGENHARIA? O VICE-PREFEITO RODRIGO BOEING ALTHOFF, REPUBLICANOS. ELE É ENGENHEIRO. MAS, SUAS ARMAÇÕES POLÍTICAS SÃO DE SUCESSIVOS ERROS DE CÁLCULOS. E ELE ESTÁ SE ESFACELANDO POLITICAMENTE NO ATUAL GOVERNO

Este artigo já estava pronto há dias. Foi para a gaveta para dar lugar à jogada que o presidente da Câmara de Gaspar, Ciro André Quintino, MDB, escondia da cidade. Não deste espaço que colocou luz. E mesmo assim, os veículos de comunicação ficaram calados e surdos. No TRAPICHE de hoje, tem mais sobre o tema aumento das diárias dos vereadores.

Retomando ao assunto desta segunda-feira.

Esta foto é de uma original mais ampla e que está abaixo para conferir. Ela foi retratada no dia em que o ex-prefeito de Blumenau, atual secretário de estado da Defesa Civil e Proteção, e candidato a deputado estadual, Mário Hildebrandt, PL, veio aqui assinar uma ordem de serviço.

É para a recuperação de parte da barranca do Rio Itajaí Açú, ali no bairro Figueira, que ameaça escorregar e levar junto a Rua Anfilóquio Nunes Pires, interrompendo assim, o trânsito para o Bela Vista, pois não temos uma outra alternativa interna, apesar de debates, promessas e projetos de décadas, como o Anel de Contorno. 

Esta ameaça de desandar para o rio e a recuperação da barranca também são antigas. Sairá da promessa justamente em um ano de eleições. Sintomático. Por isso, é que deveríamos ter eleições todos os anos.

Esta foto de abertura do artigo é emblemática tanto na ordem de importância de como ela foi posada pelo protocolo – e se não havia protocolo, acentua-se mais uma vez à grave falha tática de comunicação -, “cortada” e espalhada pelos da prefeitura de Gaspar e arquitetos do jogo político dos candidatos paraquedistas “oficiais”. 

Quem está fora dela? O superintendente de Defesa Civil de Gaspar, o sargento bombeiro militar, Rafael Araújo Freitas, um profissional da área da Defesa civil. Quem está dentro? O secretário de Planejamento Territorial, engenheiro florestal Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, vindo de Blumenau e plantado aqui Hildebrandt para não apenas ser um simples cabo eleitoral do seu ex-chefe, Hildebrandt.

Quem está fora da foto que abre o artigo? O mais longevo dos vereadores José Hilário Melato, PP, que finalmente acertou a sua parceria com o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, para dar governabilidade mínima na Câmara, onde o presidente, Ciro André Quintino, MDB, que está na foto por esta condição de presidente do Legislativo, será o desempatador mor na dupla com Melato das coisas difíceis para o governo de Paulo. 

Tanto Melato como Ciro – que pode estar se metendo numa sinuca de bico se o secretário de Infraestrutura e Mobilidade, o deputado estadual Jerry Comper, MDB, quiser ir a federal – não vão trabalhar pela eleição de Hildebrandt. Melato está na foto abaixo, mas estava torcendo para não estar nela. Ele sabe que aparecer muito nestas horas só complica o que já está complicado.

O PRINCIPAL AUSENTE

Quem está, definitivamente, fora desta foto ampliada e acima? O vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos.

E Paulo Norberto Koerich, PL, desta vez não pode mais dizer que não sabe a razão pela qual Rodrigo está afastado do governo. Nem carro oficial ele possui mais. sobrou à simbólica salinha na prefeitura. Se bem, que não mudei a “minha velha opinião” de que vice não é nada, se não houver um contrato anterior na composição da chapa quando candidatos. Vice é um reserva de luxo, remunerado, sem obrigações, além da espera, para a substituição numa eventual vacância do titular. Simples assim.

Rodrigo, como mencionei no título, é engenheiro e vem errando sistematicamente nos seus cálculos e resultados políticos. E contra ele mesmo. Era para ser um líder. Um jovem, técnico e reformador de conceitos e da cidade.

Ou seja, Rodrigo é outro político fruto dos seus próprios erros e da arrogância nos seus desígnios dentro da política local e regional. Rodrigo está mais uma vez, em fase de colheitas do que mal plantou ou que não adubou e cuidou. 

Parece que Rodrigo, aparentemente um político experimentado, com uma exuberante formação acadêmica, não aprendeu nada com a mania dele de criar atalhos, agarrar as oportunidades erradas, associar-se com fracos e relegar à construção de um núcleo mínimo e coerente de proteção política para si e seu grupo. 

A antepenúltima dele é de não ser mais ninguém como vice. A penúltima é a de ter que ir para o sacrifício como candidato a deputado estadual, numa cidade coalhada de candidatos mancos, de forasteiros que levam muitos votos nossos – e com cabos plantados dentro da prefeitura, como é o caso dos de Mário Hildebrandt, PL. 

SUCESSÃO DE EQUÍVOCOS

E se isto fosse pouco, Rodrigo acaba de ir para um partido esfacelado em Gaspar.

Tudo, fruto de uma armação em plena campanha a prefeito de 2024, orquestrada pelo próprio governador e presidente estadual do PL, Jorginho Melo. Ele colocou para dirigir o Republicanos catarinense, o deputado Federal por Rio do Sul e que estava encrencado no PL, Jorge Goetten de Lima.

Foi Jorge Goetten, para quem Rodrigo foi cabo eleitoral em 2022, que na mão boba, esvaziou o Republicanos e a candidatura a prefeito de Gaspar do empresário Oberdan Barni para encher o vencedor Paulo Norberto Koerich, PL de mais votos da ala bolsonarista e conservadora.

Até agora, Oberdan não saiu do Republicanos. Na outra ponta, Rodrigo, ao seu jeito de ser, não se mexeu e não montou a “nova estrutura do Republicanos em Gaspar.

Mais. Se isto já fosse muito, Oberdan está anunciando aos quatro cantos da cidade que já tem candidato a deputado estadual pelo Republicanos. E não será Rodrigo. Isto sem falar de que Goetten sofre desgastes em todas as frentes. Desde os seus negócios até o bolsonarismo que o tem como um traidor, na ladainha manjada, mas que sepulta políticos vivos. É só olhar o que aconteceu com o ex-governador, Carlos Moises da Silva, eleito pelo PSL de Jair Messias Bolsonaro.

Entenderam o tamanho da encrenca que envolve não só Rodrigo, mas o próprio pessoal que gravita no PL de Gaspar, o União Brasil, que era a extensão de então de Rodrigo desde 2020, onde está o vereador Thimoti Thiago Deschamps, da Figueira e que está quase fora da foto ampliada do evento da recuperação da barranca do rio?

É a síndrome do galho quebrado. Tem político que é “especialista” em pular de galho em galho e se dar bem. Exemplo? Francisco Solano Anhaia: nasceu no PP com José Hilário Melato, foi para o PT de Pedro Celso Zuchi e parou no MDB de Kleber Edson Wan Dall, usufruindo de todos, o poder de alguma forma.

Outros pulam e parece que possuem fascínio para se agarrar em galho podre ou incapazes de suportarem os seus malabarismos aéreos. É o caso de Rodrigo. Primeiro ele nunca foi um conservador, de direita ou bolsonarista. Tudo fingimento. E por isso, preferiu curtir a onda da maré do momento. E diferente de Anhaia, que é o exemplo, a onda o engoliu. Rodrigo nasceu para a política no PV, com deputado de Blumenau, Ivan Naatz, outro surfista, todavia, mais habilidoso para pegar ondas melhores.

Por ser do PV, Rodrigo Foi secretário de Planejamento Territorial de Gaspar ao tempo de Pedro Celso Zuchi, PT e vereador. Mas, o PT o excluiu e o isolou desde então. Isto é outra história. Não vou ampliar o meu textão por causa disso…

Rodrigo, ensaiou o PDT para acompanhar Naatz, de quem foi distanciado, recentemente. E com trocas de farpas entre eles, depois de Rodrigo ter voltado à cena política gasparense em 2020. Naatz era o mandachuva regional do PL e fazia cena para a reeleição da turma de Kleber. Por isso, e outras, como já demonstrei anteriormente, nem mesmo Rodrigo acreditava nele próprio. E é aí que ele começou a perder, incrivelmente, a segunda oportunidade. Se tornou refém do seu próprio jogo, achando que ninguém teria cartas melhores do que ele. Mas, este baralhado já tinha cartas marcadas.

Mesmo assim, viu a sua candidatura solo pelo PL, sem estrutura, sem dinheiro, sem apoios dos que elegem e “matam” candidatos em Gaspar não “abençoadas” por eles, e sem uma comunicação eficaz, ser bem sucedida no enfrentamento da reeleição de Kleber Edson Wan Dall, MDB numa coligação ampla com o PSD, PP, PSDB e PDT (65,60% dos votos válidos). Rodrigo, sozinho, e como dizia, coligado com o povo, surpreendeu com 22,21%. Aonde Rodrigo falhou? Ao não perceber que os votos que recebeu eram de protesto contra o sistema, contra Kleber, contra o primeiro mandato de Kleber e à falta de carisma do petista José Amarildo Rampelotti e não exatamente da direita, do conservadorismo, do bolsonarismo.

“DESCOLIGADO” DO GOVERNO E DO POVO

Caminhando para o encerramento do textão. Rodrigo voltou a ser Rodrigo. Não olhou os 22,21% como um ativo. Entocou-se em casa, nas coisas particulares, na docência e na academia fazendo mais cursos. Esperou, outra vez, pela melhor onda. E ela não veio. Chegou 2024, restou a se agarrar no galho chamado Paulo Norberto Koerich, criado pelos que dominam a cidade há décadas. E agora, mais uma vez Rodrigo vê que o galho que agarrou estava podre para ele. E está no chão.

Rodrigo contrariou o próprio slogan de campanha de 2020: “chapa pura. Estamos coligados com você”. Teve três anos para continuar plugado e vender caro o ativo. Deixou-o desvalorizar ao máximo. Abriu, então, o flanco. Aberto, sabia que estava rifado. E mesmo assim apostou pela segunda vez num mesmo jogo em ser um decorativo vice. Não entendeu o papel melancólico que lhe reservaram. 

Agora está recolhendo as lágrimas de si e dos que apostaram nele, como Thimoti. Rodrigo já não está mais nas fotos oficiais para a campanha eleitoral deste ano. Rodrigo está recolhido, mais uma vez. Está “descoligado” do governo, porque antes, ele se “descoligou do povo e da coerência para ao menos posar de vítima, a matéria prima de qualquer político. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Estou de alma lavada mais uma vez. Na quarta-feira, dia 14 de janeiro, publiquei: O PRIMEIRO ATO DE CIRO COMO PRESIDENTE DA CÂMARA DE GASPAR ESTE ANO FOI AUMENTAR AS DIÁRIAS DOS VEREADORES ENTRE 34 E 61 POR CENTO. O  REAJUSTE AUTOMÁTICO SERIA PELO INPC DO PERÍODO. E DARIA EM TORNO DE 4 POR CENTO. COM SE VÊ EM BRASÍLIA E AQUI, OS POLÍTICOS ESTÃO DISSOCIADOS DA REALIDADE DOS SEUS ELEITORES E ELEITORAS. ZOMBAM E NEM DISFARÇAM ISTO!

A reação da cidade foi imediata. Dos meios de comunicação e dos políticos, nem tanto. Os meios de comunicação tosos receosos, mais uma vez, em desnudar o poder de plantão no Legislativo. E a maioria dos políticos esperando que nada disso fosse adiante. Apostavam nas férias e esquecimento dos gasparenses. 

Na sexta-feira, o assunto explodiu nas redes sociais, como no Jornal Pragas, no Facebook. E como todos os implicados insistem em jurar de que eu não sou lido por ninguém além de mim mesmo, resolvi martelar o assunto no blog na sexta-feira. E usei um comentário irônico de um leitor, daqueles leitores que não tenho: “CIRO JÁ É NOSSO DEPUTADO 2026!”.

Pronto. O que era para ser um artigo, viraram dois. Este é o terceiro. E pelo provocação dos políticos – porque eles acham que eu sou culpado, não eles -, virão mais. Vieram os memes como os aí de cima. A cidade “pegou” fogo. Os comentaristas das redes sociais perderam o medo. Saíram do conforto. Explodiram os debates nos grupos de whatsapp e telegram. Os vereadores começaram a ser cobrados. E a marcar seus eleitores “cobradores”. Credo! 

A novata Elisete Amorim Antunes, PL, membro da Mesa Diretora da Câmara, não aguentou. Foi a primeira. E apareceu num áudio vazado se dizendo “surpreendida”. Pior. Esticou a conversa. E bem atravessada num outro assunto, a Ouvidoria da Câmara. Dionísio Luiz Bertoldi, PT, disse no sábado, só no sábado, que não pegou diárias em 2025. Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, também se posicionou contra. Mas, ninguém foi mais explícito e didático, do que o ex-presidente da Câmara, Giovano Borges, PL. Melou tudo. Assista abaixo, volto adiante.

Depois disso, muita tensão entre os vereadores a favor e até contra, não exatamente pelo exagero, mas pela forma como dizem que estão sendo surpreendidos pelas atitudes de Ciro André Quintino, presidente do MDB, e que é presidente da Casa pela quarta vez (foto abaixo), num acordo com José Hilário Melato, PP, seu padrinho, nesta eleição da presidência.

Ciro André Quintino, MDB, ficou incomodado. E acha que o problema não é ele, mas quem informa na cidade e como os seus eleitores e eleitoras que pagam tudo isso, opinam contra ele. Num vídeo de ontem, visivelmente abatido, pediu para a turma dele cuidar com as “fake news”. Notícia falsa não é. Foi Ciro quem assinou a resolução sozinho. E com os pilantras. Se não nominou como deveria, colocou e mandou recado para todos. E tudo pode piorar. Na Câmara e entre alguns eleitores seus.

Os vereadores que se manifestaram até agora, por outro lado, apenas estão sendo reativos aos seus eleitores e eleitoras. é gravação para ser usada na campanha eleitoral deste ano e na reeleição deles. Mas, nenhum deles, até agora, disse claramente que vai propor uma revisão dessa resolução para algo aceitável. Então…

Ciro André Quintino, MDB, não deveria estar surpreso com a repercussão do que fez. Foi uma aposta alta e deveria estar preparado para ela. Por isso, ele passou a agir em três frentes: pedir a “união” dos vereadores naquilo que alguns não querem assumir, pois dizem que nem consultados foram; bater de frente contra os que foram para as redes sociais dar palpites; e pasmem, escalou a presidente do MDB mulher de Gaspar, Joelma Silveira, sua esposa para dar recados.

Joelma Silveira marcou os queixosos. Não se comportou apenas como uma porta-voz do político Ciro André Quintino, MDB, mas principalmente do presidente da Câmara na falta de um comunicador. Ela atuou firme para contestar e até constranger: pediu para os queixosos se exporem nas urnas e disputarem eleições como fez o marido dela e outros candidatos que não tiveram sucesso. Ora, os eleitores e eleitoras escolheram Ciro e agora pedem explicações naquilo que não concordam. Simples assim. E se Ciro parece que não as têm ou então, não quer dá-las.

“Ah, mas o Orçamento é da Câmara e ela tem que gastar todo o dinheiro reservado para ela”, justificam os que defendem a farra do aumento. Não é bem assim. O Orçamento é do município com o dinheiro dos pesados impostos de todos os gasparenses

A Câmara realmente possui a sua fatia neste Orçamento, o duodécimo. Tanto é que está na LOA – Lei Orçamentária Anual. E quando não se “gasta” tudo, o que “sobra” volta os cofres municipais no mesmo exercício, por proposição e deliberação dos vereadores, ou naquilo que fica em caixa no final do ano e vai ser apropriado pelo Orçamento Municipal no exercício seguinte.

Agora, o que se está defendendo com esta frase acima é o seguinte: gastar mal e em algo além do razoável é válido. Dos R$579,9 milhões do Orçamento de Gaspar para este ano de 2026, R$14,4 milhões estão reservados para Câmara. Agora atentem para isto: apenas duas rubricas e onde estão as diárias, consomem mais de 91% dessa rubrica, ou seja R$10,4 milhões vão para salários e encargos e R$2,7 milhões para a manutenção das atividades da Câmara.

Se Ciro André Quintino, MDB, seguiu o conselho de um terceiro, ele tem que assumir o ônus e pedir a promissória assinada do conselheiro para uma cobrança futura desta fatura invertida e doída para a sua imagem. Se seguiu o seu próprio instinto, ficar incomodado com as redes sociais é a pior decisão dele, um ente exposto quando decidiu ser político. E a participação da esposa Joelma da Silveira só vai ampliar o problema. Isto mostra que seu instinto não está tão bem apurado com tudo o que está acontecendo em Brasília e o papel que ele quer ter no protagonismo eleitoral neste ano em Gaspar. Simples assim, também.

Treta I. Qual é a outra treta que rola na cidade e que tratei no TRAPICHE no artigo de sexta-feira passada e também está relacionada com o de hoje? O “divórcio” político previsível e em ano eleitoral de Paulo Norberto Koerich, PL e Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos.Tinha escrito sobre este possível divórcio antes mesmo da eleição deles. Estava em todas as cartas dos tarôs.

Treta II. Tudo normal, ou abafado, se isto não estivesse ligado à falta de resultados da atual administração e como se escondem os principais problemas. Aliás, eles foram temas da campanha que elegeu ambos. Ou seja, tudo conhecido. Então soma-se aí à decepção, a cobrança, bem como à infiltração do ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, PL, que faz aqui, o que não consegue, por exemplo, fazer lá com outro delegado regional que se tornou prefeito, Egídio Maciel Ferrari, PL.

Treta III. Esta treta se tornou pública. Está nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens. E veio entre dois velhos amigos advogados de militância no PSDB de Gaspar que repentinamente se estranharam: Adalberto Luiz Demmer – que foi diretor na secretaria da Educação e saiu de lá depois de oito meses – e Renato Luiz Nicoletti, casado com a vereadora Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, ex-PSD. 

Treta IV. Tudo girou em torno, vejam só, da quantidade de indicações para ocupar cargos de viés político na prefeitura pelo vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, e de seu protegido, o vereador Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil. Na rearrumação de forças, estes cargos de viés político, estão passando para as mãos do PP de José Hilário Melato e até do MDB de Ciro André Quintino.

Treta V. Esta treta entre ambos e outros que entraram na onda dela – inclusive, incrivelmente, o próprio gabinete do Paulo Norberto Koerich, PL – não se tratou da discussão, em nenhum momento, por exemplo, da qualidade, da necessidade e da capacidade dos indicados deles produzirem resultados efetivos, mensuráveis ou inovadores para a administração – para ela ser finalmente reconhecida -, à cidade, os cidadãos e cidadãs. 

Treta VI. Mas, só deles – os indicados e nomeados – cumprirem um papel de ocupação nos nacos poder político, a partir da prefeitura, para os seus políticos de afinidade, ou como paga e perpetuação na função de cabos eleitorais. É no fundo, uma forma de jogar dinheiro bom fora do cidadão e cidadã sem que se tenha que exigir nada mais além do que a fidelidade e o amém ao projeto político no poder de plantão. Um alerta necessário: isto é comum em todos os ambientes políticos. A exceção, mostra, todavia, que se pode produzir resultados melhores para todos.

Treta VII. Até nisso, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, falhou. Um apoiador dele na campanha não mediu as palavras. Segundo este apoiador, no dia em que Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, e de Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, apresentaram os seus indicados, devia Paulo Norberto Koerich, PL, com a caneta na mão, ter dito claramente a eles, a razão pela qual fazia isso e que os cargos era dele Paulo, o eleito e que precisava de governabilidade. Não fez. Era tempo de festa e comemoração.

Treta VIII. Esperou um ano para se estabelecer num desgaste, naquilo que é uma prática no ambiente político, na qual a carreira de Paulo Norberto Koerich, PL foi construída na Polícia Civil. Ou alguém acha que Paulo foi apenas indicado a delegado regional, delegado geral e até secretário estadual de Segurança pelas qualidades profissionais? Elas obedeciam a um propósito político ao qual ele devia lealdade a quem o indicou e o nomeou. Simples assim.

Comunicação e marketing muito ruins. Esta semana fará um ano que a galeria Irineu Theiss, na Estrada Geral da Lagoa, foi parcialmente levada pela forte enxurrada de 17 de janeiro, num presente de grego de São Pedro para o recém empossado Paulo Norberto Koerich, PL e o morador dali, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos.

A coisa se esticou num vai-e-vem, até que a Defesa Civil Federal bateu o martelo pela refação da galeria. No primeiro dia de setembro, com imprensa e tudo, a empreiteira começou o serviço. Parecia coisa do outro mundo e que tudo terminaria na semana seguinte. Vai chegar e passar à Festa de São Braz e o governo vai perder a oportunidade de exibir a obra para os gasparenses, como marca de realização. Credo! Muda, Gaspar.

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5 comentários em “QUEM ESTÁ FALTANDO NESTA FOTO “CORTADA” PARA MOSTRAR O ATUAL NÚCLEO DE PODER EM GASPAR NA ASSINATURA DE UM PAPELINHO E QUE ENVOLVE CONHECIMENTO DE ENGENHARIA? O VICE-PREFEITO RODRIGO BOEING ALTHOFF, REPUBLICANOS. ELE É ENGENHEIRO. MAS, SUAS ARMAÇÕES POLÍTICAS SÃO DE SUCESSIVOS ERROS DE CÁLCULOS. E ELE ESTÁ SE ESFACELANDO POLITICAMENTE NO ATUAL GOVERNO”

  1. SÓ FALTA CULPAR O BC E ABSOLVER O MASTER, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    Liquidação de banco é sempre traumática. O trauma é tanto maior quão mais amplos forem os laços da instituição com o sistema financeiro. E quanto maior for o número de clientes, credores e devedores. Por aí, a liquidação do Banco Master deveria passar como episódio menor, sem qualquer abalo no sistema.

    Para comparar: há 1,6 milhão de clientes do Master habilitados a receber seu dinheiro de volta. Parece muito, mas é nada diante do tamanho do sistema bancário no Brasil. Só o Itaú tem mais de 100 milhões de clientes, segundo dados recentes do Banco Central (BC). Por isso mesmo a liquidação do Master não provocou qualquer abalo nos mercados.

    No ambiente político-institucional, parece um cataclismo. Há reações no Congresso Nacional, no Tribunal de Contas da União (TCU), no Supremo Tribunal Federal (STF) e entre políticos. Na maior parte dos casos, nota-se um movimento para proteger Daniel Vorcaro, o dono do Master, e para deixar ocultos eventuais parceiros que tiraram alguma vantagem das operações do banco liquidado. Dá para desconfiar, não é mesmo?

    Enquanto isso, os menores clientes do Master estão há dois meses na fila para receber seu dinheiro, ou parte dele, de volta. O Master se especializou em vender CDBs pagando rentabilidade bem acima do mercado. Na propaganda, salientava-se que o título tinha risco zero se o investidor aplicasse valores até R$ 250 mil. Risco zero para o investidor, mas risco total para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — uma entidade privada, constituída e financiada pelos bancos. O FGC foi criado justamente para amenizar os impactos da quebra de um banco. Protege os pequenos. O Fundo devolve aos investidores até R$ 250 mil por CPF ou por CNPJ. Por isso, é risco zero para o aplicador.

    Mesmo assim, há alguma perda. O Master foi liquidado em 18 de novembro passado. Os recursos investidos naqueles CDBs ficaram congelados nos valores daquela data. Quanto mais demora a devolução, maior o prejuízo do investidor.

    O barulho no meio político-institucional tem a ver com os maiores clientes e associados nos negócios duvidosos. No TCU, órgão auxiliar do Congresso, o ministro Jhonatan de Jesus chegou a ameaçar suspensão da liquidação, pondo o BC na berlinda, como se fosse o responsável pelos problemas do Master. De tão absurda, a coisa não andou, sem apoio no próprio TCU.

    No Congresso, há movimentos para criar uma CPI. No Senado, foi instaurada uma comissão especial para examinar o caso. Aqui, não se sabe no que vai dar. Há políticos tentando se safar das encrencas do Master e outros buscando justamente o contrário — apanhar adversários envolvidos.

    E o ministro Dias Toffoli puxou para o STF toda a investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero. E tomou atitudes bem estranhas. Exemplo: deu autorização para a PF tocar a segunda fase da operação, mas determinou que todo o material apreendido ficasse lacrado e trancado lá mesmo no Supremo. Ora, para que serve apreender material se não se pode investigá-lo? Era tão sem sentido essa ordem, que o próprio Toffoli resolveu abrir espaço para a apuração, mas com restrições. Designou quatro peritos que terão acesso aos documentos e aos celulares apreendidos, mas com o material guardado na Procuradoria-Geral da República.

    Todos os movimentos de Toffoli atrasam e atrapalham de algum modo a ação da PF — cujas investigações deram motivos ao BC para determinar a liquidação. Ele pôs tudo sob sigilo absoluto. Mesmo assim, jornalistas investigativos têm encontrado muitos negócios mais que suspeitos envolvendo o Master e associados.

    A suspensão da liquidação não é mais viável — não, pelo menos, em circunstâncias normais. Mas os obstáculos à investigação podem dar argumentos à defesa de Vorcaro. Para quê? Para processar o BC e a União, pedindo ressarcimento pelos bens perdidos. É a lambança que se forma: colocar o BC no banco dos réus.

  2. AGRO DÁ EXEMPLO RARO DE PRODUTIVIDADE NO PAÍS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Dados do IBGE divulgados na última quinta (15) mostram que a safra brasileira de grãos teve expansão de 113% entre 2012 e 2025. O percentual impressiona também porque, segundo o instituto, tal desemprenho se deve mais ao incremento da produtividade do que à ampliação das áreas cultivadas.

    Trata-se de tendência inescapável. A disponibilidade de terras para o setor hoje é menor do que na década passada, e seus preços, maiores. O uso da parcela não ocupada no período será cada vez mais limitado por proibições de importação de itens cultivados em áreas desmatadas.

    Em 2025, o total de grãos colhidos alcançou 346,1 milhões de toneladas, com impactos positivos na taxa anual de inflação (4,26% no ano passado) e na balança comercial. O IBGE aponta que a produção foi favorecida pelas boas condições climáticas e pela ampliação de áreas de cultivo de algodão, arroz, soja, milho e sorgo.

    Neste 2026, estima-se redução de 1,8%, para 339,8 milhões de toneladas. Ainda assim, uma vez confirmada, será superado o dobro da safra de grãos de 2012, que somou 162 milhões de toneladas —volume menor do que a colheita apenas de soja no ano passado (166,1 milhões de toneladas).

    O terreno plantado apresentou aumento considerável de 66,8% no período, passando de 48,9 milhões para 81,6 milhões de hectares. Pelas estatísticas do IBGE, contudo, tal evolução não acompanhou o velocidade da expansão do volume colhido de grãos.

    Investimentos privados em tecnologias mais avançadas capazes de extrair o máximo potencial produtivo das plantações foram decisivas, assim como o desenvolvimento de variedades de grãos adaptadas aos biomas do país, em especial pela Embrapa, caso raro de estatal que dá algum retorno ao dinheiro público.

    As apostas nesses dois vetores —modernização de culturas e pesquisa científica— serão ainda mais importantes nos próximos anos para elevar a colheita e a competitividade dos grãos brasileiros, principalmente diante de mudanças já antecipadas no mercado internacional, sobretudo em relação à soja.

    A pressão dos Estados Unidos para que a China aumente as importações de soja americana tende a afetar os volumes embarcados pelo Brasil a esse mercado. Em contrapartida, a implementação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, esperada para ocorrer neste ano, abre a possibilidade de ampliação das exportações de grãos ao parceiro —ainda mais de soja, que é isenta de cotas.

    Há condicionantes, porém. A UE exigirá dos exportadores a anuência a seu Regulamento para Produtos Livres de Desmatamento, conforme os termos do acordo, e o rastreamento dos produtos destinados a seu mercado até o final deste ano.

    Qualquer que seja o cenário futuro, a produção agrícola do país depende da união do aumento de produtividade com manejo ambiental sustentável.

  3. BRASIL NÃO É REFÉM DE LULA E BOLSONARO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    As primeiras pesquisas eleitorais de 2026, divulgadas nos últimos dias pelos institutos Genial/Quaest e Meio/Ideia, ajudam a organizar o debate sobre a sucessão presidencial deste ano. Lidas em conjunto, evidenciam o quanto o Brasil ainda permanece dividido e revelam, ao mesmo tempo, um presidente competitivo, alternativas moderadas sendo travadas e o avanço de uma candidatura que vive, sobretudo, da herança política do bolsonarismo. Como toda pesquisa eleitoral, esses levantamentos apenas retratam o momento. Num cenário ainda em formação, com candidaturas não oficializadas e estratégias em disputa, os ventos políticos mudam com maior rapidez.

    Feita essa ressalva, convém registrar que a Quaest confirma um ponto central já indicado pela pesquisa Ideia. Entre os nomes hoje testados, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, segue como o adversário mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno. No confronto direto, Lula aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% de Tarcísio – uma diferença estreita, dentro da margem de erro, que não se repete quando o petista enfrenta outros governadores da direita ou candidatos de menor projeção nacional. O governador do Paraná, Ratinho Junior, que acaba de se apresentar como pré-candidato à Presidência, aparece como o terceiro nome mais competitivo da direita.

    Tarcísio ainda é o nome mais capaz de ameaçar a tentativa de reeleição de Lula. No primeiro turno, contudo, o governador paulista permanece travado. Nos cenários testados pela Quaest, Lula lidera com porcentuais que variam de 40% a 35%, enquanto Tarcísio aparece em patamares mais baixos (27%, na melhor hipótese), atrás do senador Flávio Bolsonaro (32% no melhor cenário para ele). É aí que se impõe o lamento da direita democrática: uma candidatura com maior potencial eleitoral e perfil mais institucional segue desperdiçada, refém de um campo político sequestrado pelo bolsonarismo na fase pré-eleitoral. O custo dessa captura é elevado – não apenas para a direita, mas para a qualidade do debate público.

    Por outro lado, a mesma pesquisa mostra a consolidação de Flávio Bolsonaro como principal adversário de Lula no campo da direita. No primeiro turno, o “zero um” aparece com intenções de voto entre 23% e 32%, conforme o cenário, superando Tarcísio e os demais governadores da direita. No segundo turno contra Lula, o senador ainda perde – 45% a 38% –, mas com desempenho suficiente para se apresentar como candidato competitivo. Esse avanço não decorre de trajetória própria nem de um projeto nacional consistente, mas, em grande medida, da incorporação quase automática do eleitorado fiel a Jair Bolsonaro, fenômeno que este jornal já apontou (ver editorial O nome do pai, 19/12/2025).

    Com essa consolidação, torna-se difícil imaginar que Flávio desista da disputa, salvo em um cenário de racha explícito na família. O contraste é eloquente: enquanto Flávio ocupa redes sociais e espaços na mídia como candidato declarado, Tarcísio segue equilibrando pratos de forma cuidadosa, quase silenciosa, preso a um cálculo que combina cautela institucional, lealdade política e receio de confrontar o bolsonarismo mais radical.

    As pesquisas ainda acrescentam um pano de fundo decisivo: o País segue dividido sobre a permanência de Lula no poder. Segundo o Instituto Ideia, 46,9% avaliam que o presidente merece continuar no cargo, enquanto 50% defendem o contrário. Na Quaest, 56% afirmam que Lula não merece um novo mandato. A margem é estreita, e a disputa, aberta.

    Não está escrito nas estrelas que o Brasil está condenado a um duelo empobrecido e reciclado entre lulismo e bolsonarismo. O País não é prisioneiro desse cenário. A democracia brasileira é mais ampla do que essa dicotomia estéril. Há espaço – e necessidade – para lideranças que saibam disputar o poder sem sequestrar campos inteiros do espectro político, que ofereçam projetos em vez de heranças e que compreendam que vencer eleições é apenas o começo. Superar esses limites é uma urgência nacional.

  4. O VOTO NÃO DIPLOMA A IGNORÂNCIA: O DESABAFO DE QUEM CONQUISTOU O SABER NO BANCO ESCOLAR, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão pela Udesc. Este artigo foi originalmente publicado nas redes sociais do autor

    Para a Justiça Eleitoral brasileira, basta ser alfabetizado para disputar um mandato. Isso significa dominar o mínimo do código escrito, ler palavras, assinar o próprio nome e compreender frases simples. É um critério legal, mas claramente insuficiente para o exercício responsável da vida pública. Governar, legislar e fiscalizar exigem letramento. Exigem a capacidade de interpretar textos complexos, compreender contextos sociais, antecipar consequências e aplicar o conhecimento com responsabilidade.

    Quando um eleito domina apenas a técnica, mas não o entendimento, entramos no território perigoso do analfabetismo funcional institucionalizado. Ele lê a proposição sem compreender o alcance de cada palavra e, dias depois, essa mesma proposição vira lei. A lei permanece. A ignorância que a gerou também. Ler um projeto de lei não é o mesmo que entender como aquela norma se desdobra na Administração Pública, altera rotinas internas, impacta contratos administrativos, servidores, orçamento e a vida concreta da população. Muitas proposições são votadas sem que se compreenda um único reflexo administrativo do que foi aprovado.

    Em Gaspar e nas cidades vizinhas, observo esse fenômeno com um sentimento que mistura cansaço e constrangimento. Vemos pessoas que, munidas apenas dessa alfabetização básica e de um mandato, passam a se comportar como autoridades absolutas do saber. Há ainda um grupo menor, mas igualmente nocivo, formado por políticos que até possuem formação acadêmica, mas que, ao ingressarem na vida pública, abandonam o rigor da própria área. Usam o diploma como escudo para opinar sobre tudo, esquecendo que a formação não autoriza a arrogância. Ao contrário, impõe o dever permanente de reconhecer limites, especialmente quando se lida com a máquina administrativa.

    Falo a partir da experiência de quem percorreu o caminho do conhecimento por múltiplas frentes. São mais de duas décadas dedicadas à advocacia e à prática jurídica, formação em Administração Pública, onde aprendi que o Estado não funciona por improviso, mas por método, planejamento e responsabilidade, o estudo aprofundado da saúde por meio da Educação Física e, agora, os últimos semestres da Engenharia Civil. Minha trajetória foi construída com cursos, leituras, aperfeiçoamentos e até com a busca do refinamento sensorial como sommelier. Cada etapa ensinou a mesma lição, dura e honesta. O conhecimento não engrandece o ego. Ele o diminui. Quanto mais se aprende, mais clara se torna a própria insuficiência.

    Por isso confesso que fico particularmente chocado quando alguns tentam sustentar seus discursos dizendo que até conhecem o tema. Em um primeiro momento, o argumento parece caminhar com alguma sobriedade. Mas logo emendam com aquilo que não sabem, misturam no mesmo fôlego o que ouviram por alto com o que jamais estudaram, e o que poderia ser um início promissor se transforma em um soneto atravessado. Começa com ritmo, mas termina em ruído. Não por falta de voz, e sim por ausência de conhecimento.

    Na Administração Pública, essa superficialidade cobra um preço alto. Ler um parecer não é o mesmo que compreender o princípio da legalidade. Aprovar um contrato não significa entender os riscos da má gestão, da ausência de fiscalização ou do desrespeito ao interesse público. Muitos leem a planilha, mas não entendem o ciclo orçamentário, a diferença entre despesa autorizada e despesa executada, nem os efeitos de um empenho mal planejado. O resultado aparece depois em restos a pagar, serviços interrompidos e na velha justificativa de que o problema foi herdado.

    O mesmo ocorre nos projetos básicos de engenharia. Qualquer um consegue percorrer páginas que descrevem metragem, cronograma e materiais. Poucos compreendem o impacto administrativo de uma obra mal planejada, que exige aditivos, compromete o orçamento e paralisa outras políticas públicas. Um erro técnico rapidamente se converte em um problema administrativo. E um problema administrativo quase sempre se transforma em prejuízo coletivo.

    Causa revolta ver alguém tentar advogar em plenários sem nunca ter compreendido a hermenêutica que exerço há mais de 20 (vinte) anos. Causa preocupação assistir a quem se propõe a planejar e fiscalizar cidades complexas sem jamais ter resolvido um cálculo estrutural ou entendido a mecânica dos solos que sustentam cada obra pública. É ofensivo ver leigos ditarem rumos para a saúde coletiva ignorando fundamentos básicos da ciência do movimento humano. O político multitarefa acredita que intuição, discurso fácil ou visibilidade substituem ciência. Não substituem. Apenas escondem a ignorância sob uma camada de confiança artificial.

    Planejamento urbano não se faz com achismo. Exige método administrativo, estudo prévio, análise de impacto e responsabilidade fiscal. A gestão da saúde pública não se constrói com slogans. Exige planejamento, indicadores, avaliação de resultados e respeito à ciência. A confiança cega é o sintoma mais evidente do baixo letramento. Quem pouco sabe raramente duvida. Quem não estudou não teme errar, porque sequer reconhece o erro quando ele acontece.

    Letramento não é apenas ler um projeto de lei, um projeto básico ou uma planilha. É compreender o funcionamento da Administração Pública como um sistema interligado, onde uma decisão mal tomada em gabinete repercute em contratos, serviços e vidas. É saber que uma vírgula mal colocada em um contrato pode custar milhões. É entender que um erro de cálculo em uma viga não compromete apenas o concreto, mas também o orçamento, a responsabilidade administrativa e a confiança do cidadão.

    O número de votos obtidos pode garantir a cadeira e a caneta, mas não confere densidade intelectual. O voto não diploma a ignorância. O saber não nasce na urna. Ele se constrói no banco escolar, em noites mal dormidas, em livros que cansam os olhos e em dúvidas que ferem o orgulho. O poder político não substitui a capacidade técnica de quem domina o Direito, a Administração Pública, a Saúde ou a Engenharia. Por ética, deveria depender dela.

    Se alguém vier falar comigo em Gaspar ou em qualquer cidade da região, encontrará respeito e escuta. Mas não encontrará ingenuidade. Nenhuma palavra será aceita sem critério. Toda afirmação será confrontada com dados, com a lei que defendo há décadas, com os princípios da Administração Pública, com os fundamentos da saúde e com a precisão que a engenharia exige. Eu escuto, mas a retórica sempre terá que prestar contas ao estudo.

    No mundo real, a verdade não vence no grito, no cargo ou na urna. Vence na evidência. “““E NO CONHECIMENTO QUE MUITOS NEGLIGENCIARAM ENQUANTO ABRAÇAVAM A CONFORTÁVEL E PERIGOSA ILUSÃO DE SABER TUDO.””’

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