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O ‘NOVO” GOVERNO DE GASPAR FOI ELEITO PARA MUDAR. SE NÃO FIZER ISSO, URGENTE E AGORA, O PICHE DO VELHO SISTEMA NÃO DESGRUDARÁ DELE COMO NÃO HAVERÁ SOLVENTE PARA LIVRÁ-LO DESTA MANCHA

Texto pontualmente revisado às 11h28min deste 10.02.2026. Na sexta-feira, no artigo EM GASPAR, A CONTROLADORIA INTERNA AINDA É UMA FAZ DE CONTA. É PARA ATENDER PRÓ-FORMA A LEI E SER, AO MESMO TEMPO, DESMORALIZADA PELOS PODEROSOS DE PLANTÃO. DESTA VEZ, AO MENOS, O MINISTÉRIO PÚBLICO ESTÁ DE OLHO NESTA CHICANA GOVERNAMENTAL HERDADA DE KLEBER E ENROLADA NO GOVERNO PAULO mostrei como o Ministério Público da Comarca interpelou o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, em algo tão mínimo, mas essencial para a governança, controle e transparência e que o próprio Paulo deveria ter sido o primeiro a dar lições como resposta aos seus 52,98% dos votos válidos dados a ele por esta causa em outubro de 2024. Foi Paulo quem prometeu e jurou que faria isso. E tinha crédito para isto.

Por mais de um ano, Paulo – como mostrou o Ministério Público – vem relutando na implantação de fato e não apenas de fachada – da obrigatória Controladoria Interna, a que por manobras inconfessáveis vindas do seu próprio gabinete – como revelou o ex-controlador, Ernesto Hostin, falhou no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Resultado? Depois de oito anos pode ser um fator decisivo naquilo que vai deixá-lo formalmente exposto. E quem mostrou isto? A CPI do Capim Seco que teve como relatora, a também policial, a vereadora e líder do atual governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Aprendizado no aviso e constatação, zero.

Há pelo menos quatro meses, venho repetindo, com fatos, como o velho esquema de apoio político do PP e MDB que afundou em dúvidas e erros o governo de Kleber – e que já ganham as manchetes policiais -, passou a reinar, enquadrar e dar as cartas no governo de Paulo, o policial referência.

Nada, todavia, iguala-se ao recado cifrado e contundente que na mesma semana passada – a do artigo sobre a controladoria interna sem tinta na caneta do governo Paulo – gravado pelo deputado estadual de Blumenau, Ivan Naatz, PL, e amplamente divulgado por ele nas rede social do parlamentar com ampla repercussão em toda a região. Não se trata de um qualquer. E no próprio ninho bolsononarista.

É outro que lavou a minha alma mais uma vez. Assista e depois eu volto.

Primeiro e de cara, vamos descontar os interesses políticos – e dentro do próprio PL – conflitantes. E isso, não é de agora, registre-se. Todavia, estão, cada vez mais, agravando-se nesta reta de acomodação de melancias, alianças e candidaturas próprios em ano de eleições. Este “nervosismo” vem de um ambiente, perigosamente, criado pelo próprio presidente estadual do PL e governador de estado, Jorginho Melo: tanto Naatz, como o alvo dele, o ex-prefeito de Blumenau e atual secretário estadual de Defesa Civil e Proteção, Mário Hildebrandt – apesar de serem diferentes entre eles – são candidatos à cata de votos no mesmo curral eleitoral de Blumenau e arredores, inclusive, aqui em Gaspar.

Segundo é como o atual prefeito de Gaspar, o ex-chefe de gabinete do ex-prefeito Francisco Hostins, nascido no PP, eleito do PDC e aninhado para o ostracismo politico e administrativo no MDB de Gaspar, o ex-assessor do gabinete do ex-secretário de Justiça, o ex-investigador, ex-delegado local, ex-delegado regional, ex-delegado geral e ex-secretário estadual de Segurança Paulo Norberto Koerich, PL, se permitiu ser encosto para aquilo que o mais jovem, também ex-investigador de fama, ex-delegado local e regional de lá e agora prefeito, Egídio Maciel Ferrari, PL, não quis perto dele, para não ver colado nele, nas coisas mal explicadas de políticos de lá no governo de seis anos Hildebrandt. Um adendo: Hildebrandt, evangélico, nasceu como vereador, secretário de Assistência Social e daí como vice de Napoleão Bernardes, PSD, herdando a prefeitura por dois anos e se reelegendo por quatro, até ser cooptado pelo PL no arranjo para fazer Egídio prefeito.

COM PIXE E SEM SOLVENTES

Neste tempo e depois, virou e mexeu, alguns dos que foram herdados, ou gravitaram no governo de Hildebrandt foram pegos ou denunciados em ações tanto do Ministério Público ou da polícia especializada em corrupção. Os desentendimentos – nos bastidores ou publicamente – entre os ex-integrantes do governo de Hildebrandt, foram os motivos, sem meias palavras, do vídeo advertência de Naatz na semana passada e reproduzido acima. Advertência para os de Gaspar e de como será a campanha nas redes sociais. Como se desnudará certos assuntos para se ter vantagens eleitorais.

Hildebrandt, contudo, e apesar dessas dúvidas no seu governo, segue ileso, inclusive na confusa e mal explicada implantação do sistema de esgotos pelo Samae e a BRK (ex-Odebrecht) que só saiu do sagrado segredo onde estava metida, porque o prefeito Egídio sancionou um abusivo aumento contra os blumenauenses. E como lá não é Gaspar, a tal sociedade organizada reagiu e exigiu explicações. Orientado, acostumado a enxergar as entrelinhas nas investigações, antes do político e prefeito, o policial Egídio cheirou enxofre. E logo recuou. Virou CPI. Percebeu de que estava sendo embrulhado por gente que queria a continuidade, principalmente da obscuridade, para facilitar a farra de governos em passar a conta do mal explicado, com agência reguladora e tudo a que se tinha direito em supostas auditorias.

Aqui, é o fedor do lixo que está reservando algumas surpresas, para quem, teimosamente, ainda não entendeu o recado dado na última votação da Câmara de Gaspar no ano passado, quando se tentou um aumento sem explicações. Sobre a não implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto aqui, é uma novela sob supervisão de um Termo de Ajustamento de Conduta de duas décadas com o Ministério Público…

Retomando.

Não vou me estender na análise para os demais que fazem o grupo do governo “funcionar” em Gaspar. Nem como o PP e parte do MDB de Kleber, derrotados nas eleições de outubro do ano passado, viraram governo em tão pouco tempo por aqui. Vou ao cerne das acusações diretas, repito, diretas, de Naatz e estampadas no vídeo dele de ampla repercussão nas redes sociais. Aliás, é contra Naatz – e mais ninguém – que o governo de Blumenau, Gaspar e os citados direta e indiretamente, incluindo o próprio Hildebrandt – devem questioná-lo.

São as afirmações do deputado Naatz que deixam o governo de Paulo exposto e nas cordas, mais uma vez, naquilo que se arruma culpa e vingança para os outros, incluindo os que tratam disso publicamente. Transparência e comunicação, zeros. Ao invés de buscar punições contra os outros, Paulo e os seus, deviam colocar um freio de arrumação em tudo isso, como fez Egídio, ao menos em casos assemelhados que se ensaiaram por lá. Egídio levou ao pé da letra o ditado popular que diz: diga-me com quem andas, que direi quem és.

O que aconteceu no início de fevereiro de 2024 e que é tratado por Naatz no vídeo? 

Michael Jackson Shoenfelder Maiochi, então secretário de Gestão Governamental de Hildebrandt, teve a sua casa e caro alvejados por tiros. Feita a apuração policial na “Operação Publicis”, sete foram arrolados e o ex-presidente do Samae de lá, Michael Schneider, foi qualificado pela polícia como mentor daquela ação, tida como uma vingança, mas até hoje mal explicada. As desavenças entre ambos começaram em outra operação policial: a “Limpeza Geral”, em agosto de 2023. Ai, ai, ai.

E onde está Michael Jackson Shoenfelder Maiochi desde janeiro de 2025, como mostra a foto de abertura deste artigo?

Em Gaspar. É secretário de Planejamento Territorial. É um peão fundamental. É uma das funções chaves entre os que vieram de Blumenau. É um cabo eleitoral de Hildebrandt. E Naatz sabe disso. Mais: considerando o histórico dessa secretaria gasparense – como mostram os áudios editados e vazados nas conversas cabulosas entre os ex-secretários, todos gasparenses, Jean Alexandre dos Santos, PSD, e Jorge Luiz Pereira de Souza, PSDB, ao tempo de Kleber – e o que se importou de Blumenau com Maiochi, é de se perguntar: qual as razão de Paulo se meter ele próprio, um experimentado policial investigador, no olho de um furacão em algo tão previsível quando a tempestade se aproximasse do solo (as eleições)?

Então tudo tende a piorar se não houver um cavalo-de-pau. E por quê? O desgaste que já é grande por falta de resultados às expectativas e está sendo potencializado por Paulo ao ressuscitar no entorno local, o PP e MDB que enterraram Kleber. E se isso fosse pouco, Paulo dobra a aposta contra ele próprio, com o pessoal indicado por Hildebrandt. Até porque, vindos de Blumenau, ainda não está fazendo a diferença por aqui a favor de Gaspar, gasparenses e do próprio governo de Paulo. 

Quem mesmo orienta esse pessoal no poder de plantão? Meu Deus! Faltará solvente para tirar esta mancha de um piche que gruda cada vez mais contra Paulo.

Michael Jackson Schoefelder Maiochi pode ser a vítima em todo este processo, mas é o bode que Hildebrandt mandou para Gaspar. Ele está vivinho mais do que qualquer outro na sala de Paulo. E quem não o quer Maiochi como vítima e Hildebrandt com vida fácil, continua atirando neles. Naatz é hábil neste aspecto. Só com um diferença: está atingindo a imagem não apenas do político Paulo, mas do policial Paulo. E Paulo está gastando munição com algo que não é exatamente o que ele deu causa, mas está apadrinhando em nome de vários acordos locais, regionais e até com repercussões em Florianópolis.

A cabeça do eleitorado, no curto9 prazo, funciona com o fato fora da curva. Naatz está requentando o fato fora da curva ao seu modo. Se Paulo e Maiochi tentarem explicar, o piche gruda cada vez mais neles, e não haverá solvente que o retire até ser apenas uma mancha, ainda mais às vésperas de eleições polarizadas e renhidas. E pelo jeito, o fogo amigo foi acesso. E os bombeiros? Estão longe, despreparados e com equipamentos de quinta. Simples assim. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Pulgueiro I. A morte por supostos maus tratos e crueldade abominável do cachorro de rua Orelha, na praia Brava, em Florianópolis, tomou conta do Brasil. Distopia. Diz um ditado que pulga se dá melhor em cachorro magro. Não é discriminação. É uma constatação físico-biológica. É darwinismo.

Pulgueiro II. É que o parasita pulga se alimenta melhor em cachorro magro. Ela percebe, mais rapidamente, as veias e com a pele fina, sem gordura, suga do sangue sem muito trabalho. Esta “estória” – a do Orelha e que querem desenterrá-lo para necrópsia – bem apurada, ainda vai desmoralizar, mais uma vez, o jornalismo ideológico que infesta as nossas redações. Inclusive as catarinenses que catapultaram por dias para além das fronteiras, algo mal apurado.

Pulgueiro III. Aqui em Gaspar, alguns “gatos” (sem ser chiste) pingados, bem tardiamente, neste domingo, ocuparam alguns degraus da Igreja Matriz de São Pedro Apóstolo, para fotos e para ainda não perder à espuma da onda que vai passando, à medida do que o verdadeiro carnaval chega e o de Brasília dá um tempo depois dos estragos da reabertura dos trabalhos do Congresso e Judiciário.

Pulgueiro IV. Quando a morte do “Orelha” chegou às redes sociais – e virou manifestações coordenadas – eram quatro adolescentes, um deles fugidio no exterior, e dois malvados adultos. Gente rica contra o pobre cão de idade avançada de comunidade. À medida que a polícia entrava mais a fundo para exatamente responder à fúria da sociedade (e das redes sociais), agora, temos apenas um “dimenó”, supostamente envolvido. E mesmo assim, advogados trabalham para desqualificá-lo da cena do crime por falta de provas. Entenderam aonde, verdadeiramente, está o problema?

Pulgueiro V. Esta morte brutal – se assim foi -, mas, até agora, mal esclarecida do cão Orelha, tem muito de esperteza, política ideológica e de menos – mas bota menos nisso – da verdadeira consciência na proteção e respeito aos animais em si pelos cidadãos e cidadãs, bem como nas referidas políticas públicas ou de estado. Inclusive as de Gaspar. Aqui, ela é puxadinho efetivo e por ser a titular ligada à causa animal em Blumenau, Neuza Pasta Fellizetti, PL. E onde estão maltratando a causa, apesar do voluntarismo e boa vontade? Na secretaria de Assistência Social. Mas, este é um lugar para resgatar pessoas vulneráveis, numa cidade dormitório, de migrantes, de empregos de baixa renda, onde a prioridade é fazer funcionar o Conselho Tutelar, que vira e mexe, está desfalcado. Não é lugar para improvisos à causa animal.

Pulgueiro VI. Voltando. Este súbito “trend” das redes sociais é, no fundo, uma cortina de fumaça, exatamente quando o Brasil é tomado por notícias de roubos envolvendo gente poderosa nos três poderes, que pode complicar nos planos de alguns de continuar se lambuzando no melaço, ou se tornar poderoso nas eleições de outubro deste ano. Tudo preparado para a elite do funcionalismo, via os nossos deputados e senadores, ganharem mais em penduricalhos do que a maioria dos brasileiros ganha em suados bons salários. Nem mais, nem menos. Os profissionais e especialistas de sempre estão fazendo uma brutal distração conosco, como fazem os mais hábeis manipuladores, mágicos e ilusionistas em seus espetáculos. O cão Orelha é vítima, sim. Antes, porém, tudo isso é fruto da nossa ingenuidade.

Pulgueiro VI. Perguntar não ofende: quem, organizada ou mesmo desorganizadamente, traiu as férias e saiu às ruas sob chuva, calor de matar e sol rachar coco, contra os ladrões dos bilhões de Reais dos brasileiros dos pesados impostos cada vez mais altos e on line que nos obrigam a pagar para sustentar toda esta bandalheira, cada vez mais, mal explicada para escondê-la debaixo do tapete para ninguém nos devolver nada, ou ao menos ser punido? Agora pelo cão… teve gente que saiu da praia, do bar, do ar condicionado, da viagem, do namoro…Credo!

Pulgueiro VII. Em Gaspar, a Agapa – Associação Gasparense de Proteção aos Animais, a de passado e história – com muito atraso, foi às escadarias da Igreja Matriz protestar. É o papel dela. E ela já foi respeitada por isso. Eu mesmo dei generosos espaços aqui. Enquanto não há exageros e politização, é uma causa, como a proteção de vulneráveis, dos com fome, do direito acesso à creche e educação, à saúde, mesmo com um hospital que come dinheiro aos montes sem dizer bem como e o porquê. Mas, o protesto devia ser pela morte cruel do cão Orelha e também, repito, e também, a favor de políticas públicas perenes, consistentes em Gaspar além do esclarecimento deste caso emblemático? O cão Orelha está entre nós. E daqui a pouco estará na pele de um dos nossos políticos que não se mexeu para organizar a atuação municipal.

Pulgueiro VIII. De verdade, o que está morto em Gaspar? É a diretoria do governo Paulo Norberto Koerich, PL, criada para a proteção animal. Ela, vejam só, é ocupada por uma ex-presidente da Agapa e que usando a causa animal, candidatou-se a vereadora na eleição passada. Obteve minguados votos. Era um aviso. Nem isso, compreendido até hoje pelo governo de Paulo. O cão Orelha não está exatamente na Praia Brava, em Florianópolis, porque supostamente o mataram cruelmente. Repito: o cão Orelha que ainda vive e nos adverte, está aqui.

Pulgueiro VIII. Entenderam como uma causa nobre, social e necessária se perde em objetivos paralelos? Ah, eu exagero? Sugiro aos incomodados de sempre com os meus comentários, olharem as redes sociais do vereador Giovano Borges, PSD. Lá estão vários casos graves, todos recentes e do atual governo, da atual diretoria e incompreensíveis, diante ausência da Agapa e da diretoria Animal. Nenhum deles mereceu um pio sequer, quanto mais, protestos na escadaria da Igreja Matriz para marcar nas redes sociais. Se não fossem o socorro de profissionais e almas condoídas… Muda, Gaspar!

Incomodados. Converso com um dos articuladores e apoiadores no meio empresarial da candidatura de Paulo Norberto Koerich, PL, a prefeito de Gaspar. Ele próprio se diz decepcionado. Então, eu continuo no meu canto, de alma lavada.

Explicando-se. É sintomático de que pegou mal e não é mentira, como costuma rotular quando desnudado. O ex-presidente da Câmara, Alexsandro Burnier, PL, ficou incomodado com os seus eleitores e eleitoras que o cobraram sobre uma nota em rede social. É que bisbilhotando as diárias dele no ano passado, descobriu-se que ele foi numa manhã a Brusque numa solenidade e cobrou uma diária de almoço a que tinha direito. Direito tinha. Mas, não caiu bem ao estômago dos eleitores e eleitoras, pelo jeito. E tardiamente provocou azia no vereador.

Explicado I. O PL parece cada vez mais com o PT nas suas incoerências. Depois do presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, escandalizar a cidade com o aumento abusivo das diárias para os vereadores de Gaspar e da polícia bater na porta de empresários, investidores, apoiadores e influenciadores no governo de Paulo Norberto Koerich, PL, qual a cortina de fumaça criada pelos donos da Câmara? A Celesc.

Explicado II. Não que a Celesc não mereça uma camaçada de pau pelo que anda em falta na prestação de serviços, não apenas em Gaspar. Mas, a Celesc é Jorginho Melo, PL. Os vereadores do PL amontoaram requerimentos e discursos. E de lambuja, aprovaram uma moção de repúdio, da oposição, liderada por Giovano Borges, PSD. Credo! 

Explicado III. Enquanto isso, o autor do aumento das diárias, Ciro André Quintino, MDB, e o mentor da mesa diretora, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, riam e agradeciam aos sopradores do fogo amigo para a mais nova cortina de fumaça. E Jorginho Melo, PL, o que quer se reeleger, no pau de arara por causa da sua Celesc que, pela capilaridade, já foi eleitora até de postes. Credo! Muda, Gaspar!

Explicado IV. Pois é. Essa gente não se emenda e não está nem aí para seus eleitores e eleitoras. A Câmara ficou fora do ar por 45 dias. Na volta das férias, na primeira sessão do ano, teve vereador que não se aguentou e teve que sair mais cedo. Inaugurando a fila estava o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato e a líder do partido, Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos. O PP que dá as cartas no governo de Paulo Norberto Koerich, PL, ficou sem voz em parte da sessão inaugural da Câmara deste ano. E precisava estar presente? Já é onipotente e onipresente no governo do PL.

O MDB I. Esta foto ao lado é da primeira “grande reunião” do MDB de Gaspar, assim considerada por seu presidente, o vereador Ciro André Quintino, ao postá-la nas redes sociais. A foto fala por si só e muito mais do que os argumentos escritos por Ciro e inclusive os meus, daqui em diante.

O MDB II. O MDB, não só o de Gaspar, mas o catarinense, está metido no pior dilema desde que Luiz Henrique da Silveira morreu (10 de maio de 2015). Nem mais, nem menos. É uma federação errática, envelhecida, sem liderança e cacife. Até Jorginho Melo, PL, acaba de zombar do poder do fantasioso MDB de hoje. E o MDB até ameaçou estufar o peito, mas já está cacarejando. É o que sempre fez. É o que pode ainda fazer para dividir as migalhas no terreiro que um dia já foi dele.

O MDB III. O MDB de Gaspar é o reflexo disso tudo. O presidente daqui é notícia por ter aumentado as diárias da merenda que pelo preço, só cobre comida de milionários. Na reunião que fez foi para aglutinar gatos pingados. Apesar de estarmos em ano de eleições de deputado a presidente, nada de animador foi tratado no campo tático ou estratégico. Tudo velho. Inclusive o tipo de velório.

O MDB IV. O MDB de Gaspar está dividido em quatro: os cansados – de esperar ou que já viram que cacho não tem mais bananas; os que viraram a página – e nesta parecem estar o ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall e ex-presidentes do partido; as vivandeiras que não têm para onde correr e o que vender- como o próprio Ciro André Quintino; e uma maioria silenciosa que quer ver o velho poderoso MDB catarinense, mas principalmente, o gasparense, em agonia. E Ciro, o cabo eleitoral de 900 votos, a cada dia está mais nervoso com tudo isso exposto aqui. Muda, Gaspar!

Neste final de semana aconteceu a Festa de São Braz, o Santo da voz. Paulo Norberto Koerich, PL, foi lá. Estava mais à vontade do que no ano passado. Mas, quase que isso não acontece. Se tivesse ouvido a voz do seu entorno de “çábios” e principalmente bruxos, não teria entregue informalmente ao tráfego a galeria Irineu Theiss, que corta da estada geral da Lagoa, levada há um ano por uma enxurrada. Todos botavam defeitos. E atrasavam o cronograma de entrega. Paulo resolveu contrariar.

E o que aconteceu? A obra bonitinha, com asfalto bem pretinho e lisinho foi o assunto da festa. Este é um exemplo de como os que estão do lado do Paulo puxam para trás o governo dele. Registre-se: a obra foi paga na maior parte com recursos da Defesa Civil Nacional, ou seja, tem assinatura do PT de Lula. E isto importa? Sim.

 A RBS saiu de Santa Catarina, mas a NSC ainda não deixou o barriga-verde ser parte dela. A NSC quer que a ilha de Florianópolis seja a única representação catarinense. Nega, recorrentemente, à diversidade que está além da ilha e que a vida que sustenta a capital está, verdadeiramente, no interior. É um estado único e multifacetado. Compreendê-lo é valorizar esta característica ímpar.

O campeonato catarinense de futebol acabou para a NSC. Num torneio à parte, ela torceu e quis cristalizar o falido Figueirense e o manco Avaí. Se tivesse olhado melhor para o que acontece neste esporte e todas as outras atividades produtivas, culturais e esportivas, perceberia que há décadas vem apostando errado em como espelhar este mosaico de diferentes Santa Catarina para os catarinenses.

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  1. O SIGILO VIROU VENENO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

    No dia 2 de dezembro, o ministro José Antonio Dias Toffoli impôs o grau máximo de sigilo às investigações sobre o escândalo do Banco Master. Má ideia, coisa de poderosos de Brasília. Em menos de um mês o ministro virou um braço das tramas do banqueiro Daniel Vorcaro e de sua rede de intere$$e$. Com um funeral de primeira, seus pares tiraram-no do caso.

    Quando Toffoli baixou o sigilo e também centralizou em seu gabinete o curso das investigações, supôs que manda quem pode e obedece quem tem juízo. Cabe uma pergunta: a armação podia ter funcionado? Só se tivessem combinado com a Polícia Federal (PF). Como a lenda atribui ao jogador Garrincha, faltou combinar com os russos. Não só faltou combinar, Toffoli desafiou a Polícia Federal.

    O presidente Lyndon Johnson, um mestre da política americana, não queria mexer com J. Edgar Hoover, o eterno diretor do FBI, a polícia federal dos EUA, e explicava: É melhor tê-lo mijando para fora do que mijando para dentro.

    Sabe-se lá o que Toffoli achava, mas o sigilo virou um veneno. Ele levou a crise para dentro do tribunal, logo nos dias em que seu presidente defende a adoção de um código de conduta.

    O sigilo tornou-se um panelão de acusações. É sabido que o recurso ao sigilo (leia-se censura) transforma-se numa usina de boatos. Por exemplo: em 1969 uma claque palaciana bloqueava detalhes sobre a saúde do presidente Costa e Silva, abatido por uma isquemia cerebral. Resultado: correu o boato segundo o qual o marechal estava morto.

    O sigilo transformou a reputação de Toffoli num terreno baldio, no qual atiram-se quaisquer coisas. Essa foi uma situação criada por ele, produto de uma onipotência irracional. Seu estilo foi o de dobrar as apostas, até que ficou sem cartas.

    Deixando-se de lado o caso do ministro, apareceram mais duas histórias de horror: escritórios de advocacia contratados pelo Master estariam lavando dinheiro e a prisão de Daniel Vorcaro teria vazado. Isso e mais a lista de poderosos de Brasília metidos de uma forma ou de outra com o afortunado banqueiro.

    Quando o caso começou, estavam na roda um banqueiro e suas pompas; passaram-se poucos meses, caiu na pista o próprio tribunal e o ministro foi levado a pedir para sair. Quem cimentou essa trama foi o maldito sigilo.

    No fundo, o erro de Toffoli foi desrespeitar um ensinamento de Tancredo Neves: no governo você não vende nem compra. Não é preciso ser vidente para prever que em pouco tempo será divulgado o preço que o fundo do cunhado de Vorcaro pagou pelo resort Tayayá.

    MENDONÇA E SUA SORTE

    A sorte, ou a falta dela, colocou o ministro André Mendonça na relatoria do caso Master. Durante a reunião que selou o destino de José Antonio Dias Toffoli, ele foi um crítico do relatório da Polícia Federal. Há elementos suficientes para se dizer que a PF investigou Toffoli sem ter a devida autorização do tribunal.

    “Não acho que isso seja aceitável, eu não gostaria disso para ninguém”, disse Mendonça durante a reunião.

    Tudo bem, nesse caso seus pares deveriam ter repelido o relatório da Polícia Federal.

    A linha que separa uma prerrogativa de um privilégio é tênue. Se a Federal não olhasse para as contas de Toffoli, poderia estar respeitando uma prerrogativa, concedendo-lhe o privilégio de contar ao Tribunal o que bem entendesse.

    FACULDADES PRIVADAS

    Depois dos resultados catastróficos dos exames de proficiência das faculdades privadas de Medicina, o MEC suspendeu o edital de 2023 que criaria até 5.900 vagas.

    Bendita providência. Muitas dessas faculdades fingem que ensinam e cobram mensalidades de mais de R$ 15 mil.

    Algum dia essas máquinas de criar médicos sairão do ar. Até lá vale o ensinamento do ministro da Educação Paulo Renato Souza — 1995-2002:

    “Se você entregar o poder de decisão para a abertura de faculdades privadas às freiras carmelitas descalças, na segunda reunião elas virão com bolsas Louis Vuitton.”

    O professor José Arthur Giannotti (1930-2021) era um dos melhores amigos do presidente Fernando Henrique e quando ia a Brasília hospedava-se no Palácio da Alvorada. Nomeado para o Conselho Federal de Educação, em 1997 preferiu pedir o boné. Ele explicava:

    “Minha demissão tem a ver com a debilidade do Estado, com a sua natureza pastosa, com a existência de pessoas qualificadas que não saem de seus nichos e com os anéis burocráticos que controlam setores do Estado. São crostas a serviço de organismos com interesses definidos.”

    PAULO GUEDES

    O PL de Valdemar Costa Neto sugerirá a Flávio Bolsonaro que faça do economista Paulo Guedes seu guru para assuntos econômicos.

    Durante a presidência do pai de Flávio, “PG” foi ministro da Economia, acumulando os ministérios da Fazenda, Planejamento, Indústria e parte da pasta do Trabalho.

    Pode-se discutir seu desempenho na superpasta, mas seu melhor momento esteve nos dias tensos da trama golpista. Com atos e palavras, Guedes afastou-se da maluquice. Depois disso tornou-se um ex-ministro exemplar, dispensando-se de virar alma penada azucrinando seus sucessores.

    DEUSES DO CARNAVAL

    Os deuses das festas fazem surpresas para ilustrar o paganismo da alegria.

    Em setembro de 1987 cerca de 15 mil latinhas de maconha bateram em praias do Rio e de São Paulo. Os meses seguintes foram conhecidos como o “Verão da Lata”. A carga estava a bordo de um navio que atracou no Rio.

    Na quarta-feira passada a Polícia Federal foi a um edifício do Balneário Camboriú. A troco de nada, do 30º andar um cidadão jogou uma mala de dinheiro com R$ 429 mil, que se espalharam numa área interna.

    ALCKMIN NA FRIGIDEIRA

    O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas levou uma ala do governo a admitir a troca do candidato a vice na eleição de novembro.

    Confirma-se a frase atribuída ao general francês Charles de Gaulle: “A ingratidão é um dever do governante”.

    LULA NA SAPUCAÍ

    Hoje à noite a arquibancada da Sapucaí mostrará se foi uma boa ideia homenagear Lula no desfile da Acadêmicos de Niterói.

    Quem passou inteiro por esse tribunal foi o presidente Juscelino Kubitschek, homenageado pela Mangueira em 1981, cinco anos depois de sua morte.

  2. SUPERSALÁRIOS INDEFENSÁVEIS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Como seria de esperar, representantes de magistrados, promotores, defensores públicos e membros de tribunais de contas assumiram a missão inglória de recorrer da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu o pagamento dos chamados penduricalhos no âmbito dos três Poderes da República.

    Dito de outra forma e sem subterfúgios, eles foram à corte defender um privilégio inaceitável: a manutenção dos supersalários que, contrariando os ditames da Constituição, têm sido pagos a integrantes dessas carreiras.

    Trata-se de manobra há muito praticada e vergonhosamente aceita. A fim de garantir contracheques acima do teto constitucional (o máximo permitido ao funcionalismo, hoje de R$ 46.366,19), a corporação inventa uma verba extra e a define como indenizatória, não remuneratória.

    Com essa prestidigitação linguística, apresenta-se como extraordinário um pagamento que, na verdade, é reiterado. Os tribunais, por sua vez, ao julgar a legalidade dessas rubricas, fingem que acreditam no truque de mágica e carimbam o dispêndio.

    Não se constrangem de validar benefícios disfarçados de gratificação por acúmulo de processos, férias e funções; nem de legitimar a redundância salarial contida no auxílio-locomoção, no auxílio-combustível e no auxílio-educação; tampouco de corroborar o escárnio do auxílio-peru e do auxílio-panetone.

    Para os membros das corporações ligadas ao sistema judicial, contudo, tudo se passa como se eles fossem alvo de injustiça, e não beneficiários de uma apropriação indevida de recursos escassos dos cofres públicos.

    Na retórica barroca e burocrática de que costumam lançar mão, a regalia incompatível com as carências do Brasil, por exemplo, se disfarça de direito, e a artimanha criada para burlar a Constituição se transforma em autorização exarada por órgão competente.

    Nada mais exemplar nesse sentido do que as palavras do desembargador Francisco Loureiro, presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Para ele, a ordem de Dino pode “comprometer irremediavelmente a administração da Justiça, produzir efeitos financeiros irreversíveis e criar insegurança jurídica sistêmica”.

    É uma inversão completa da realidade. Se existem efeitos financeiros, eles estão nos cerca de R$ 20 bilhões por ano gastos com vencimentos acima do teto; se há comprometimento da Justiça, ele se dá pela existência de uma casta que se considera merecedora de tratamento especial.

    A decisão de Dino não resolve o problema. Ela lança luz sobre o desmando institucional tal como praticado hoje em dia e interrompe uma parte da farra salarial, mas, ao fazê-lo, abre brechas para que novas verbas indenizatórias sejam criadas por leis.

    Uma solução definitiva existirá apenas quando o Congresso Nacional reiterar, sem ambiguidades, os limites impostos pela Constituição Federal.

  3. A Receita é efetiva, dinâmica, tecnológica e rapidíssima contra o pessoal informal e bagrinho do PIX. Tudo on line. Quase sem canais de esclarecimentos e de defesa. Tente falar com um atendente presencialmente numa agência ainda aberta. Se tiver sorte, ele dirá que o caso está bem longe de você, numa fila de anos, e que está impedido da dar qualquer informação. Um atropelo. Já com os tubarões, em montanhas bilionárias de transações, com padrinhos nos altos escalões dos poderes, caros advogados e escolados contadores, o leão dorme o sono dos justos. O sistema é incapaz de soar o sinal de alerta que soa para um PIX, um depósito em dinheiro de mais de R$2 mil na sua conta bancária

    BUSCA AOS TESOUROS, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

    Dias Toffoli sai da relatoria do caso Master, mas a crise no Supremo continua e tende a piorar, embolando novas revelações contra o ministro com o constrangimento de Alexandre de Moraes, a posição delicada de André Mendonça, as divisões internas, a crise com a PF e a guerra política. Tudo isso com a Corte sujeita a um comando, digamos, difuso.

    Só faltava gravarem clandestinamente a reunião fechada que selou a saída de Toffoli. Não falta mais. Os trechos entre aspas no site Poder 360 não deixam dúvida de que foram degravados. Logo, alguém gravou e vazou e esse alguém foi um dos ministros. É o escândalo dentro do escândalo.

    Pedra cantada aqui, as próximas fases das investigações passam pela “busca aos tesouros”, e as “novidades” continuam a surgir aos borbotões, claro, pela mídia tradicional e independente. No Estadão, os repórteres Aguirre Talento e Eduardo Barretto estão entre os que andam a passos largos.

    Talento informa que, segundo a PF, com base nos celulares apreendidos, Daniel Vorcaro teria repassado R$ 35 milhões para o resort Tayayá, que teve Toffoli entre seus sócios e frequentadores. Já Barretto fez uma pesquisa e uma conta que não fecha: se Toffoli é funcionário público (entre AGU e STF) há vinte anos e recebeu R$ 8 milhões nesse tempo, como virou sócio de um resort de alto luxo? Sem somar gastos com imóveis, festanças, viagens…

    Vorcaro não ganha com a crise no Supremo. Se Toffoli teve de sujar as mãos como relator, é porque a sujeira era muita, e ainda é. E, se a origem da fortuna de Toffoli está sendo esmiuçada, o destino da de Vorcaro também. Alguém acredita que ele saiu dessa sem um tostão?

    Curioso é o PP e o União Brasil, agora de mãos dadas numa federação partidária, lançarem nota a favor de Toffoli e contra o que consideram “injustiça” contra o ministro. Pois não é que a nota é assinada pelos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do UB, Antônio Rueda, sempre citados no escândalo Master? Detalhe: a nota saiu numa sexta-feira, 13. Azar de quem?

    O foco está em André Mendonça, novo relator do caso Master. Esses sorteios do Supremo sempre parecem escolha “por exclusão” e sobraram Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e Mendonça, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro. Se Zanin substituísse Toffoli, tudo que ele fizesse ou dissesse, por mais técnico e correto, seria atribuído à ligação com Lula. Como Zanin, Mendonça é discreto, cuidadoso, tem o respeito de seus pares e da PF e tentará ser impecável. É sua biografia que está em jogo.

    A expectativa, pois, é que o inquérito entre nos eixos. E o Supremo?

  4. Interessante

    EUA EMITEM ORDEM PARA QUE COMPANHIAS AÉREAS CONTRATEM PILOTOS APENAS COM BASE NO MÉRITO INDIVIDUAL, por Mateus Alves, no Aeroin

    O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean P. Duffy, anunciou que a Federal Aviation Administration (FAA) emitiu uma nova “Especificação de Operações” (OpSpec) obrigatória, exigindo que todas as companhias aéreas comerciais do país assumam formalmente o compromisso com a contratação de pilotos com base exclusivamente em mérito.

    Segundo o Departamento de Transportes, embora a FAA tenha elevado os padrões de desempenho, desmantelado estruturas e contratos relacionados a políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) e revisado diretrizes da gestão anterior, ainda persistem alegações de que companhias aéreas estariam realizando contratações com base em critérios como raça e sexo. Com a nova exigência, todas as empresas aéreas dos Estados Unidos deverão certificar formalmente que essa prática foi encerrada. O descumprimento poderá resultar em investigação federal.

    “Quando as famílias embarcam em uma aeronave, devem voar com confiança, sabendo que o piloto aos comandos é o melhor entre os melhores. O povo americano não se importa com a aparência ou o gênero do piloto, importa apenas que seja o homem ou a mulher mais qualificado para a função”, afirmou Duffy. “A segurança orienta tudo o que fazemos, e essa medida de bom senso aumentará a transparência entre passageiros e companhias aéreas.”

  5. PSTF, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S.Paulo

    O arranjo-puxadinho para a saída de Dias Toffoli é uma aberração. Se os pares defendem os atos processuais do colega, se consideram não haver razões para impedimento ou suspeição, por que ele deixou a relatoria do caso Master? Porque seguir a regra seria contratar uma epidemia de suspeições. Porque a guilda do Supremo preferiu negociar, na alcova, um acordo de compadres; assim, repare no texto dos togados, como se o ministro nos fizesse uma delicadeza ao se afastar – o cara que foi sócio, até fevereiro de 2025, de fundos geridos pelo cunhado de Daniel Vorcaro, fundos que operaram, em 2024, a transfusão artificial de liquidez para o Master. E que, ainda assim, manteve-se à frente do caso Master no STF. Por meses.

    Por meses ocultando a informação sobre a sociedade com investigado. Por meses governando – ou tentando governar – conteúdos que o implicavam. Por meses ganhando tempo; manobrando para limitar-minar o trabalho da Polícia Federal. Dias Toffoli – avalie isto sob o peso da sociedade confirmada – administrou, ou tentou administrar, o material coletado sobretudo na segunda fase da Operação Compliance Zero, a que teve por objeto Fabiano Zettel, a fachada dos fundos a que o ministro se associara.

    Sociedade que só admitiu – o timing importa – quando divulgado que a PF remetera a Fachin os “achados” no celular do banqueiro. Puxa! Em ato de generosidade, Dias Toffoli – porque quis, em nome de “altos interesses institucionais” e para “o bom andamento dos processos” – abdicou da relatoria; a jurisdição de repente transformada em bem de que o juiz pode dispor como-quando quiser. Que homem! Magnânimo abdicador, por conveniência, da relatoria de caso em que deveria – deverá – ser investigado. Cadê Gonet? Está também fechado com o acordão?

    Atenção. A PF não pediu a suspeição do ministro. A PF mandou a Fachin, porque assim exige a lei, um relatório em que lista indícios de crimes cometidos por Dias Toffoli no curso do processo que relatava. Ilícitos penais. Foi essa a sangria, incontrolável, que Fachin e seus dinos quiseram – tentaram – estancar. Resultado: temos o caso Master; tínhamos o caso MasterDias Toffoli; e agora temos também o caso Master-STF.

    O Supremo formalizou, blindando os seus fazendeiros, a constituição do PSTF – um partido político. Formalizou; porque desde há muito o tribunal constitucional toma decisões políticas para acomodar soluções corporativistas. Formalizou a sua adesão à “operação abafa”. Aquilo – aquela reunião a portas fechadas para decidir sobre matéria de ordem pública – não pode passar por natural, como se prática aceitável. (Não haveria suspeita de gravação clandestina, fosse “o diálogo” público.)

    A forma importa. O tribunal constitucional brasileiro, trancando-se, comunica que escolheu proteger – não o STF, não a instituição – os ministros, os ministros-empresários; aqueles que aparecerão nas conversas e nos pagamentos de Vorcaro e seus operadores. Teremos relatório da PF com “achados” sobre a relação entre a turma do Master e Alexandre de Moraes?

  6. UM NOTA OFICIAL PARA SALVAR A PELE EM ANO ELEITORAL. FALTA POR EXEMPLO FAZEREM O MESMO OS DIRETÓRIOS DE SANTA CATARINA, GASPAR…

    Os presidente do Progressistas (Ciro Nogueira) e União Brasil (Antônio Rueda), emitiram uma nota da Confederação partidária em apoio ao ministro José Carlos Dias Toffoli. Não preciso me estender em argumentar o quão tóxica, mas principalmente, reveladora ela foi

    A Federação União Progressista manifesta sua preocupação com as narrativas que querem colocar a opinião pública contra o ministro Dias Toffoli. É preciso ponderar que injustiças acontecem quando se tem apenas um lado de uma versão repetida inúmeras vezes sem base sólida. Uma versão caluniosa que passa a ser tratada como verdadeira justamente pela repetição.

    Por essa razão, neste momento é essencial nos atentarmos às narrativas que querem colocar a população contra o ministro Dias Toffoli e tudo o que ele fez e faz pelo país enquanto ministro no STF.

    A Justiça se fortalece quando há equilíbrio e respeito às instituições.

    Atentar contra o ministro Toffoli é enfraquecer não só um servidor da Nação ou um Poder da República, mas atacar os pilares do nosso próprio sistema democrático.

    A Federação União Progressista reitera sua confiança na integridade do ministro Dias Toffoli e acredita que a verdade vai, mais uma vez, prevalecer.

    O que você acabou de ler não não é piada ou fake news. É a prova de um sistema que trabalha coordenadamente, eleito pelo povo, pago com cada vez mais altos impostos on line do povo e que retira a circulação de parte da riqueza coletiva para o uso de poucos privilegiados, contra o povo. O Solidariedade, de Paulinho da Força, foi na mesma linha. Sintomático.

    Sabedora do estrago que fará nas suas campanhas tal nota da Federação, a bancada do PP no Senado – que é a casa segundo a Constituição que pode barrar esta esbórnia, mas está fingindo que age e na verdade, assiste tudo passivamente esperando que o povo esqueça, reagiu com a seguinte nota oficial:

    A bancada do Progressistas no Senado Federal informa que a posição expressa em nota divulgada pela Federação União Progressista não foi previamente debatida nem contou com a anuência desta bancada – portanto não pode ser interpretada como representativa dos senadores do PP.

    Brasília, 13 de Fevereiro de 2026.

    Líder Tereza Cristina (MS)
    Dr. Hiran (RR)
    Esperidião Amin (SC)
    Luis Carlos Heinze (RS)
    Margareth Buzetti (MT)

    Bom se é para valer, o PP e o União Brasil de Santa Catarina e de Gaspar (José Hilário Melato e Thimoti Thiago Deschamps), precisam fazer o mesmo. E logo.

  7. O PAVÃO EM ATRÁS

    Sobre Lula ser tema de Sambo enredo na Sapucaí, para espertamente gerar multiplicação ilegal nas redes sociais e aplicativos de mensagens como propaganda eleitoral antecipada, mas com total aprovação das instituições, todas criadas pela sociedade, exatamente para evitar este tipo de favorecimento aos poderosos de plantão, e todas elas extraordinariamente bem pagas, apesar de aparelhadas, pelos cada vez mais altos impostos on line contra esta mesma sociedade empobrecida por isso, José Fucs, fechou assim o seu artigo “A ‘RÉGUA DUPLA’ DO TSE E O SAMBA DE LULA NA SAPUCAI”, no UOL (Folha de São Paulo):

    É como disse o jurista Almir Pazzianotto, ex-presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ex-ministro do Trabalho e ex-advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campos nos tempos de Lula, nos anos 1970, ao comentar em publicação no X a tal “homenagem” ao presidente que será realizada na Marquês de Sapucaí: “O governo não passa de ruidosa fantasia. Os ministérios formam a comissão de frente. A primeira dama é a porta-bandeira e Lula o mestre-sala. O povão vem atrás. A ilusão termina na quarta-feira de cinzas”

    Cada vez mais o voto contra este tipo de esperteza do PT, Lula e da esquerda do atraso se consolida do outro lado. E Sidônio Palmeira, sabe disso. E está sem controle dos “inventores” das espertezas.

  8. ERA INSUSTENTÁVEL A RELATORIA DE TOFFOLI NO CASO MASTER, editorial do jornal O Globo

    Tornou-se insustentável a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do processo sobre o Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante de todas as revelações do relatório entregue pela Polícia Federal (PF) ao presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, Toffoli não tinha alternativa a não ser deixar o caso. No início, ele se recusou. Em nota, chamou de “ilações” os fatos usados para defender sua suspeição. Fachin pediu então parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR). Depois de reunião com os demais ministros, Toffoli cedeu e deixou a relatoria, em seguida atribuída ao ministro André Mendonça.

    Em nota conjunta, os dez outros ministros declararam não ser cabível “arguição de suspeição”. Reconheceram a validade dos atos praticados por Toffoli no processo e expressaram apoio a ele. “A presidência do STF, ouvidos todos os ministros, acolhe comunicação quanto ao envio dos feitos respectivos sob sua relatoria para que promova livre redistribuição”, afirma a nota..

    Não há até o momento ato ilegal ou criminoso que possa ser atribuído a Toffoli. No campo da ética, porém, sobram razões para seu afastamento. Mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, comprovam pagamentos de fundos ligados ao Master à Maridt, empresa que tem Toffoli entre os sócios (além de dois irmãos seus que já apareciam como gestores). Há também convite a Vorcaro para uma festa de aniversário do ministro e registro de telefonemas entre os dois. Mesmo que se sentisse capaz, com tal relação com o investigado, Toffoli jamais seria visto como isento. O conflito de interesses é evidente, e seu afastamento permite que o caso seja conduzido sem viés.

    Quando fundos de investimento administrados por Zettel compraram em 2021 participações da Maridt no resort Tayayá, no Paraná, o Master era um banco em ascensão, sem suspeitas de irregularidades. Zettel tampouco frequentava o noticiário policial. A empresa de Toffoli integrou a gestão do resort até fevereiro de 2025, ano em que todos venderam suas participações. Em nota, ele ressaltou que a Lei Orgânica da Magistratura permite a magistrado integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos. Como a Maridt é companhia fechada, não precisava revelar a identidade de todos os acionistas. Em nome da transparência, porém, Toffoli tinha a obrigação de reconhecer o vínculo e de se declarar impedido. Havia ainda o agravante de ele ter voado em jato particular na companhia do advogado de um dos implicados no inquérito, para assistir à final da Taça Libertadores da América no Peru.

    De lá para cá, Toffoli tomou diversas decisões questionáveis no processo. Aceitou a tese da defesa para manter o caso no STF, decretou altíssimo nível de sigilo e centralizou a investigação. Determinou uma insólita acareação entre Vorcaro e um diretor do Banco Central (depois cancelada), quis manter as provas recolhidas pela PF primeiro no STF, depois na PGR, onde só poderiam ser examinadas por peritos indicados por ele, e reduziu o prazo para depoimentos. Por fim, ordenou à PF que enviasse ao STF os dados dos celulares periciados, inclusive aqueles em que é citado.

    O momento exigia determinação, e o afastamento de Toffoli era o passo correto. O Master não trouxe risco ao sistema bancário. Seria uma tragédia se minasse a credibilidade do Supremo.

  9. Se não há lei que os defina como alega o próprio Tribunal para a perpetuidade dos penduricalhos qual a razão, ainda mais do judiciário, para continuar a pagá-los aos seus privilegiados membros? Cada argumentação e justificativa que fogem não só da lei, mas do razoável

    TRIBUNAL QUE CONTESTOU DECISÃO DE DINO É TIDO COMO PARAÍSO DOS “PENDURICALHOS”, editorial do jornal O Globo

    Não é razoável que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o maior do país entre os estaduais, conteste a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou suspender em até 60 dias, nos três Poderes e em todas as esferas administrativas, auxílios diversos não previstos em lei, conhecidos genericamente como “penduricalhos”. Ao recorrer da decisão, o TJ-SP escancara a defesa de privilégios, como essas verbas usadas para engordar os salários da elite do funcionalismo para além do teto constitucional.

    O tribunal argumenta que, antes da suspensão, o Congresso precisa definir regras para todo o país: “A suspensão generalizada de parcelas indenizatórias antes da lei ordinária nacional prevista na Constituição pode gerar assimetria federativa, comprometer irremediavelmente a administração da Justiça, produzir efeitos financeiros irreversíveis e criar insegurança jurídica sistêmica”. É verdade que parlamentares já deveriam ter se debruçado sobre o assunto, mas a inação do Legislativo não justifica a do Judiciário diante dos abusos.

    O TJ-SP é conhecido como uma espécie de paraíso dos “penduricalhos”. Em 2025, pagou por mês para cada juiz ou desembargador uma média de R$ 82,4 mil em verbas acima do teto constitucional do funcionalismo (R$ 46,4 mil), como revelou levantamento feito pelo GLOBO. Somadas à remuneração de R$ 38,9 mil, o valor médio dos contracheques chegou a R$ 121,4 mil, o triplo do salário e duas vezes e meia o teto.

    Por mais que se alegue que são verbas indenizatórias ou pagamentos retroativos, é inexplicável que quase todos os magistrados do TJ-SP (99,85%) tenham recebido acima do teto em dezembro do ano passado, como revelou o jornal O Estado de S.Paulo. O maior contracheque atingiu R$ 244.664 líquidos. A folha salarial dos juízes naquele mês chegou a R$ 546,3 milhões.

    Entre os “penduricalhos” adotados pelo TJ-SP, estão auxílio-saúde de juízes e desembargadores (de R$ 2.800 a R$ 4.200), auxílio-saúde de servidores (R$ 718 a R$ 1.227), auxílio-alimentação de juízes, desembargadores e servidores (R$ 80 por dia), licença-prêmio indenizada para juízes e servidores (até três meses de remuneração bruta), além de verbas para creche, pré-escola, transporte, mudança e outros auxílios.

    Ao determinar a suspensão dos “penduricalhos”, Dino ressaltou que essas verbas, tecnicamente consideradas indenizatórias, são claramente remuneratórias e não poderiam ficar fora do teto. Claro que nem todos os adicionais são injustos ou estão fora da lei. Mas deveriam ser usados para reembolso ocasional de despesas ou para auxílios justificados pelo exercício profissional. Deveriam ser exceção, e não regra, como infelizmente acontece numa tentativa torta de driblar o teto salarial.

    A proposta de reforma administrativa que tramita no Congresso procura disciplinar os “penduricalhos”. É fundamental que parlamentares deem celeridade ao projeto. A lei precisa dizer, dentro de parâmetros sensatos, o que pode ser tratado como verba indenizatória. Enquanto isso não ocorre, é saudável limitá-las às previstas em lei.

  10. A vergonha e decadência do jornalismo catarinense e que acha Florianópolis o centro de Santa Catarina. E ele continua contra fatos até agora apurados e conhecidos, para justificar a irresponsabilidade da onda que surfou das redes sociais sem filtro e de causas sem causa, a procurar cabelo em ovo, ao invés de investigar os fatos, como se tivesse condição, pois há décadas perdeu esta condição e credibilidade para tal. Restou surfar ondas para manter audiência. Saudades dos jornais A Notícia, O Estado e Santa Catarina, com redações altivas, apesar das peculiaridades dos tons políticos dos seus ex-donos.

    CÃO ORELHA É A NOVA ESCOLA DE BASE, por Pablo Ortellado, no jornal O Globo

    Em março de 1994, duas mães procuraram a polícia de São Paulo após notarem no comportamento dos filhos sinais do que parecia ser abuso sexual. O pânico moral que tomou a comunidade escolar fez aquela acusação inicial se desdobrar em acusações múltiplas aos donos da escola e a outras cinco pessoas. No final, exames e diligências não confirmaram as acusações, o laudo médico se mostrou inconclusivo, buscas não encontraram evidências, e o inquérito acabou arquivado por falta de provas. Os acusados, porém, perderam seu trabalho e seu patrimônio, sofreram enorme impacto psicológico e viveram por anos com a desconfiança pública de ter participado de um abuso atroz.

    Anos depois, o caso Escola Base passou a ser ensinado nos cursos de comunicação e Direito. Tornou-se exemplo de como imprensa, polícia e sociedade não deveriam agir em situações deste tipo. Mas parece que o aprendizado com aquela tragédia dos anos 1990 foi esquecido. Voltamos a cometer os mesmos erros no caso cão Orelha. O estrago só não foi maior devido ao excelente trabalho jornalístico realizado pelo Fantástico, da TV Globo, nos últimos dois domingos.

    O cão comunitário Orelha vivia na Praia Brava, em Florianópolis, cuidado pelos moradores. Entre a madrugada do dia 4 de janeiro e a manhã do dia 5, recebeu uma pancada contundente na cabeça. O cãozinho foi encontrado ferido no dia 5, levado ao veterinário, mas morreu em decorrência dos ferimentos. A Polícia Civil investigou um grupo de adolescentes e pediu a internação de um deles.

    O caso despertou revolta depois de uma série de boatos que deixaram efeitos persistentes, mesmo depois de desmentidos. O primeiro foi espalhado por um porteiro de condomínio que se desentendera com um grupo de adolescentes — em áudios enviados a um grupo de WhatsApp, ele sugeriu que os rapazes haviam agredido o cão. Mais tarde, declarou à polícia e à imprensa que não presenciou as agressões.

    O segundo boato foi ainda mais danoso. Uma moradora publicou nas redes sociais que o porteiro havia filmado o espancamento do cão pelos adolescentes — vídeo que jamais existiu. Ela admitiu depois à polícia que nunca viu tal gravação e baseou sua postagem no comentário de terceiros numa rede social.

    A confusão foi agravada porque, no mesmo período, outro grupo de adolescentes foi acusado de tentar afogar outro cão comunitário chamado Caramelo, na mesma praia. Por um momento, os dois casos foram tratados como se fossem um só ou como se estivessem interligados — e isso se comprovou falso. A imprensa alimentou também a hipótese, jamais confirmada, de que os atos estavam ligados a desafios violentos em plataformas como o Discord.

    O que as evidências efetivamente mostram? O cão sofreu uma pancada na cabeça e morreu na manhã do dia 5 de janeiro. Um adolescente saiu do condomínio às 5h25 e voltou às 5h58, no intervalo em que a polícia afirma ter ocorrido a agressão — e depois mentiu em depoimento alegando ter ficado na piscina. O jovem diz que o erro se deveu ao período de semanas entre os fatos e o depoimento. Não há nenhuma imagem da agressão, nenhuma testemunha ocular, nenhuma arma, enfim, não há nenhuma prova material.

    Três dias depois da conclusão do inquérito, o Ministério Público (MP) de Santa Catarina apontou “inconsistências e lacunas” e pediu diligências complementares. O promotor declarou que o pedido de internação do adolescente, pedido pela Polícia Civil, será “reavaliado”.

    Num cenário de investigação frágil, o que se viu foi um festival de pressões políticas. O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, surfou no caso e se lançou pré-candidato a deputado estadual. Deu entrevistas exclusivas ao Portal Leo Dias, adotou publicamente o cão Caramelo, defendeu a redução da maioridade penal e usou as redes sociais para ganhar seguidores. Na última semana, o MP abriu investigação contra ele por abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e improbidade administrativa.

    O governador Jorginho Mello também explorou o caso: comentou dados de procedimento sigiloso envolvendo menores, pressionou publicamente por resultados e questionou se “um jovem de 15 anos realmente não sabe o que está fazendo” — alimentando o debate sobre maioridade penal a partir de um caso em que o MP considerou as provas insuficientes.

    Nada disso, porém, se compara à irresponsabilidade do portal Leo Dias, que funcionou como motor do pânico moral: dezenas de matérias sensacionalistas, entrevistas exclusivas com o delegado-geral e a revelação do nome do adolescente apontado como autor antes da conclusão do inquérito.

    O resultado foi um linchamento contra quem não havia sido julgado — e a maioria nem sequer foi indiciado. Fotos dos adolescentes investigados circularam nas redes em violação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Seus nomes, os nomes de seus pais e de outros parentes foram expostos nas redes sociais. Todos foram perseguidos e receberam ameaças. Sua reputação ficará manchada por anos.

    Quem se opôs à turba foi o Fantástico, com duas reportagens delicadas e cuidadosas. O perfil do programa no Instagram foi atacado por não validar a fúria coletiva, mas fez exatamente o que o jornalismo deve fazer: ouviu a defesa, confrontou as evidências e revelou que todo o caso era frágil. Se o caso Escola Base ensinou algo, é que não devemos ecoar a indignação das ruas, mas resistir a ela quando os fatos exigem. No jornalismo, o Fantástico fez sua parte. A pergunta é se nós, na sociedade, faremos a nossa.

  11. ALCOLUMBRE, O FENÔMENO, por Malu Gaspar, no jornal O Globo

    Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) é um prodígio. Na política desde os 23 anos, assumiu a presidência do Senado Federal pela primeira vez aos 41, em 2019, e foi eleito para um segundo mandato no comando do Congresso em 2025 por maioria acachapante. No cargo, administra a distribuição de quase R$ 6 bilhões destinados a emendas de senadores. Indicou para o governo Lula 3.0 um ministro só dele: Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, que, embora do PDT, está na cota de seu partido, o União — coisas do Brasil. Mas o maior talento de Alcolumbre é abafar os escândalos que envolvem seu nome.

    Não têm sido poucos. Praticamente um por ano desde outubro de 2021, quando a revista Veja mostrou que seu gabinete operava um esquema de rachadinha que arrecadou R$ 2 milhões em cinco anos, coordenado por um assessor parlamentar. Diante da revelação, Alcolumbre negou tudo e acusou a imprensa e os adversários políticos de tentar intimidá-lo.

    Meses depois, em 2022, o assessor, Paulo Boudens, fechou um acordo com o Ministério Público e se comprometeu a devolver o dinheiro. Alcolumbre foi excluído do processo, mesmo assim o acordo passou pela chefia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que por lei deveria atuar apenas em casos de autoridades com foro privilegiado.

    O procurador-geral da época era Augusto Aras, grato a Alcolumbre pela força na recondução do cargo, num momento em que ele estava debaixo de chumbo grosso pela leniência com Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.

    O presidente do Senado entrou na mira de novo em 2024, quando a PF desbaratou um esquema de desvio de emendas na operação Overclean.

    Mensagens trocadas entre os investigados sugeriam que sua chefe de gabinete, Ana Paula Magalhães, os ajudara a destravar R$ 14 milhões no ministério de Waldez Góes no último dia de 2023. Alcolumbre, porém, matou no peito: “Confio plenamente nela e reajo com indignação à tentativa de relacionarem seu nome a qualquer ilegalidade”.

    O inquérito continua, mas até agora não produziu nenhuma acusação formal contra os dois.

    Em 2025, outra investigação, desta vez sobre o esquema bilionário de descontos ilegais das aposentadorias, encontrou repasses de R$ 3 milhões de uma empresa do Careca do INSS para a conta do mesmo assessor acusado de rachadinha. Alcolumbre costurou uma aliança com os lulistas para derrubar, num só pacote, a quebra de sigilo do assessor e a convocação de Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente de um dos sindicatos que mais desviaram recursos.

    E não parou aí. Meses depois, o UOL descobriu mensagens mostrando que Beto Louco, alvo da operação sobre os elos da Faria Lima com o PCC, forneceu ao presidente do Senado canetas de Mounjaro, quando o emagrecedor só entrava no Brasil por contrabando. Alcolumbre ficou quieto e fingiu que não era com ele, mas decretou sigilo de cem anos nos registros das portarias que poderiam revelar se Beto Louco ou o Careca do INSS estiveram no Senado (e com quem).

    A prioridade de Alcolumbre agora é impedir a todo custo o avanço do caso Master sobre o mundo político. Já deixou claro que, se depender dele, não haverá CPI. Na segunda-feira, tentou impedir a reunião de um grupo de trabalho que apura as fraudes, recorrendo a uma regra da época da pandemia determinando que reuniões semipresenciais dependiam de sua autorização.

    Renan Calheiros (MDB-AL), que coordena o grupo, deu de ombros e fez as reuniões, mas sabe que sua capacidade de produzir novidades nessa história é limitada, porque o grupo não tem poder para quebrar sigilo.

    O trator de Alcolumbre só não conseguiu ainda soterrar a investigação sobre os R$ 400 milhões que o fundo de pensão do Amapá enterrou em papéis do Banco Master. O presidente do fundo, Jocildo Lemos, foi tesoureiro de campanha do senador e não esconde ter sido indicado por ele ao posto. Gravações e documentos mostram que atropelou os alertas técnicos e ressalvas de outros conselheiros para atender ao Master. Logo depois do primeiro aporte de R$ 200 milhões, afirmou ter “tirado um peso das costas”.

    Alvo de uma operação da PF na sexta-feira passada, Lemos pediu exoneração do cargo, enquanto seu celular, escritório e computadores eram examinados pelos policiais. Se o nome de Alcolumbre aparecer no material, o processo terá de ser enviado ao Supremo. Nesse caso, vai para Dias Toffoli — que, no final de 2025, entregou a ele, Alcolumbre, a guarda do sigilo do celular de Vorcaro que deveria ter sido enviado à CPI do INSS. Se der ruim no Amapá, Alcolumbre tem um aliado em Brasília. O homem é mesmo um fenômeno.

  12. Um Brasil preso ao círculo vicioso do atraso

    QUAEST INDICA QUE LULA VIROU UM FARDO DE SI MESMO NA SUCESSÃO, por Josias de Souza, no UOL (Folha)

    Antevendo a consolidação de Flávio Bolsonaro como seu principal antagonista, Lula definiu a sucessão presidencial como uma guerra. Os dados da pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela Quaest indicam que o inquilino do Planalto chega ao campo de batalha com uma mochila pesada. Não consegue sair do lugar. O adversário avança.

    Lula ainda lidera todos os cenários de primeiro turno. Oscila entre 35% e 39%. Mas Flávio encurtou distâncias, consolidando-se no segundo lugar. Varia entre 29% e 33%. Roubou votos sobretudo de Ratinho Jr.. A polarização vai se petrificando. As opções de terceira via permanecem no acostamento. Num hipotético segundo turno, a vantagem de Lula sobre o filho de Bolsonaro foi reduzida para cinco pontos percentuais.

    Pesam na mochila de Lula dados duros de roer para um candidato à reeleição. Por exemplo: a menos de oito meses dad urnas, mais da metade do eleitorado (55%) acha que o Brasil está na direção errada. Quase seis em cada dez eleitores (57%) sustentam que Lula não merece mais quatro anos de mandato. A taxa de rejeição de Lula (54%) é praticamente igual à de Flávio (55%).

    A pesquisa revela que o Brasil vive uma sucessão marcada pelo medo. No momento, o índice de eleitores que têm pavor da volta da família Bolsonaro ao poder (44%) é ligeiramente maior do que a taxa dos que se temem a permanência de Lula (41).

    O que vem por aí é uma nova guerra de rejeições, a ser definida pelo minoritário grupo dos eleitores independentes, que fazem cara de nojo tanto para petismo quanto para o bolsonarismo. Nesse nicho, a soma dos eleitores que se dispõem a votar em Lula como mal menor caiu de 37% para 31%. Os que enxergam Flávio como menos pior passaram de 21% para 26%.

    Uma campanha à reeleição é sempre um plebiscito sobre a qualidade do governo. Os dados da Quaest indicam que Lula virou uma espécie de fardo de si mesmo. Já fez de tudo para retirar sua popularidade do vermelho. Mas tudo parece não querer nada com ele. Há mais de um ano que a taxa de desaprovação de Lula é maior do que o índice de aprovação. Hoje, o déficit é de quatro pontos. Para inverter esse ponteiro, Lula precisa cuidar dos minutos, porque as horas passam.

  13. LULA 3.0 É RUIM DE GESTÃO, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo

    Lula está a caminho do fim de seu terceiro mandato e arma a barraca para disputar o quarto. A sorte deu-lhe inimigos que ocuparam a agenda nacional com a punição dos responsáveis pela trama golpista de 2022/2023. A neblina do golpe embaça a percepção da má qualidade da terceira gestão do presidente. Tomem-se três casos:

    1) O escândalo do Banco Master, em que a autonomia do Banco Central (BC) serviu para manter debaixo do tapete um problema que, nas palavras do ministro Fernando Haddad, “pode ser a maior fraude bancária da História do Brasil”;

    2) A promessa, feita no discurso de posse, de zerar a fila do INSS ficou no papel;

    3) A promessa de criação de uma Autoridade Climática, feita em setembro de 2024, também ficou no papel.

    Três assuntos, todos relevantes, todos congelados por má gestão.

    Começando pelo Banco Master. O doutor Daniel Vorcaro remunerava seus CDBs a taxas absurdas. O BC, presidido por Roberto Campos Neto, fez que não viu.

    Em dezembro de 2024, o ex-ministro Guido Mantega levou Vorcaro a Lula. Segundo o Planalto, na presença de Gabriel Galípolo, o presidente nada lhe prometeu além de uma decisão técnica do BC.

    Tudo bem, mas em fevereiro o BC pediu ao Fundo Garantidor de Créditos (uma instituição privada) um empréstimo de R$ 11 bilhões para salvar o Master. Levaram R$ 5,7 bilhões. Galípolo viria a ser presidente do BC.

    Se a decisão foi técnica, podiam contar quais foram os critérios para injetar R$ 5,7 bilhões num banco quebrado. Faltou gestão para prevenir o rombo e faltou gestão para impedir que se agravasse.

    No seu discurso de posse, Lula prometeu:

    – Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de destruição.

    A fila estava em 930,6 mil vítimas e hoje passa de 3 milhões. Enquanto esteve no Ministério da Previdência, Carlos Lupi prometia mutirões, e nada aconteceu.

    De novo, o INSS só produziu o agravamento da roubalheira do dinheiro dos aposentados, iniciada no governo Bolsonaro.

    Faltou gestão para reduzir a fila.

    Finalmente, cadê a Autoridade Climática? Faltou gestão ao prometer o que não consegue entregar. Aí está um caso em que a falta de gestão confunde-se com simples empulhação. Lula sabe há anos que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, aceita a criação dessa Autoridade desde que ela fique no quadrado de sua burocracia. Assim, ela detonou a criação de um organismo com poderes transversais, sediado no Planalto, lidando com diversos ministérios.

    Se a ministra congelou a ideia quando era uma promessa de campanha, fica uma pergunta: por que Lula retomou a bandeira no segundo ano do mandato? Pior, poderia ter atendido a Marina, criando a Autoridade para servir de girafa no quadrado do Ministério do Meio Ambiente. Não fez uma coisa nem outra.

    Os três casos são diversos entre si. O Master virou o que virou porque o BC não quis mexer com a banda podre do andar de cima. A fila do INSS triplicou porque a burocracia não sabe se mexer quando precisa trabalhar pelo andar de baixo. Com a Autoridade Climática, é apenas o velho vício de prometer por prometer.

  14. SUPREMO QUE PODE TUDO NÃO É BOM PARA O PAÍS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    A hipertrofia do Supremo Tribunal Federal e do poder pessoal de seus 11 integrantes atingiu uma dimensão difícil de conciliar com a tranquilidade institucional. Se não for reformada, a corte caminhará para tornar-se uma organização de Estado imune a controle, responsabilização e limites.

    O escândalo do Banco Master expôs as entranhas e os riscos dessa anomalia que se desenvolve há décadas, favorecida pelo desenho constitucional de 1988 e moldada pelas más escolhas de agentes públicos.

    Num exemplo da latitude dos ministros para determinar individualmente as fronteiras de seu campo de atuação, Dias Toffoli ordenou a subida do caso para o STF baseando-se num negócio imobiliário que nem chegou a ser consumado entre o dono do banco fraudador e um deputado.

    Decerto já conhecia a sociedade entre parentes seus e um fundo envolvido nas falcatruas do Master, num resort frequentado pelo ministro. Não se declarou suspeito para atuar no caso nem mesmo quando esta Folha revelou aquelas ligações familiares.

    O fogo do conflito de interesses já passara perto de Toffoli sem lhe chamuscar. Duas de suas canetadas subtraíram dos cofres públicos R$ 18,8 bilhões em multas por corrupção confessada da J&F e da Odebrecht, a despeito de a empresa dos irmãos Batista manter sob contrato a então esposa do magistrado.

    Toffoli estava imune ao impedimento em razão do superpoder dos ministros de derrubar leis que imponham limites éticos a sua atuação. Foi o que ocorreu em agosto de 2023, quando sete ministros declararam inválida a norma que proibia juízes de atuar em casos de clientes de parentes, mesmo que representados por outro escritório.

    A acompanhar o voto de Gilmar Mendes contra a regra moralizadora perfilaram-se Luiz Fux, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Toffoli e Alexandre de Moraes, cuja mulher teve escritório contratado por R$ 129 milhões pelo Master.

    Por causa da decisão, Moraes está livre para julgar ações de interesse do cliente de sua cônjuge.

    A derrubada da lei escancarou o caminho para quem deseja exercer influência por fora dos autos sobre este ou aquele magistrado. Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que parentes de ministros do STF participam de 1.860 casos na corte e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

    Se o choque de descrédito sobre o Supremo recomendaria autocrítica aos seus integrantes, no caso de Moraes foram mais fortes os estímulos dos superpoderes para dobrar a aposta.

    Ele abriu mais um de seus inquéritos anômalos, sem ter sido provocado pela Procuradoria, desta feita para investigar servidores que, acredita, são os autores de vazamentos de informações sobre ele e outros ministros.

    Juízes não devem meter-se no que a polícia vai investigar nem atropelar a titularidade do Ministério Público nas ações penais. Precisam manter equidistância e desviar-se de causas em que eles mesmos são as vítimas.

    Tamanha liberdade para atuar sem freios produziu outras aberrações, como banir pessoas de redes sociais sem culpa formada, contraditório ou publicidade.

    Até hoje as liminares dos perdões bilionários de Toffoli não foram julgadas por seus pares.

    Em outra liminar monocrática, de dezembro, Gilmar tirou do bolso do colete uma regra inventada por ele mesmo para proteger ministros do Supremo de ações de impeachment no Senado. Para admitir o pedido, decretou o decano, serão necessários dois terços dos senadores, não a maioria simples da lei.

    Hoje não há norma de conduta, lei ordinária ou emenda constitucional que resista ao Supremo quando elas contrariam interesses pessoais e corporativistas dos ministros. O próprio Senado nunca fez tramitar pedido de impeachment de juiz da corte.

    O código de conduta defendido pelo presidente Edson Fachin seria um passo para reenquadrar os 11 juízes na boa prática de não conceder poder sem impor limites e cobrar responsabilidade. Urge acabar com a promiscuidade de parentes advogados, vedar a concessão de viagens e presentes por interessados em causas e disciplinar a falação fora dos autos.

    Decisões individuais precisam ser reduzidas ao mínimo emergencial e ainda assim não deveriam passar mais de 30 dias sem o crivo coletivo. Elas jamais deveriam suspender efeitos de leis aprovadas pelo Congresso. A proscrição é o melhor caminho para os inquéritos de ofício.

    Regras menos elásticas para o julgamento de autoridades com foro especial deveriam ser readotadas. O Brasil se beneficiaria se a corte julgasse poucas causas de grande relevância pública e constitucional, distanciando-se de minudências políticas e criminais de uma pequena elite.

    É um erro estratégico de alguns ministros recorrer aos poderes excessivos que amealharam para defender-se a si próprios. Desta vez não há ameaça à democracia que lhes empreste razão nem apoio social. É a democracia que exige uma corte constitucional mais equilibrada e contida.

    DECISÕES CONTROVERSAS DO SUPREMO TRIBUNAL

    Dias Toffoli suspendeu multas de R$ 18,8 bilhões por corrupção admitida de J&F e Odebrecht

    Por 7 a 4 plenário derrubou em 2023 lei que impedia juiz de atuar em caso de cliente de parente, mesmo defendido por outro escritório

    Alexandre de Moraes abriu inquéritos anômalos e intermináveis, sem pedido da PGR em que é ao mesmo tempo investigador, juiz e vítima

    Colegiado alargou em 2025 interpretação para julgar políticos mesmo depois de eles terem deixado cargo com foro especial

    Gilmar Mendes em 2025 aumentou para 2/3 o quórum de admissão no Senado de ações de impeachment de ministros do STF

    Gilmar impediu em 2016 posse de Luiz Inácio Lula da Silva como ministro de Dilma Rousseff e abriu caminho para condenação e inelegibilidade do ex-presidente em 2018

    Edson Fachin em 2021 decidiu que Curitiba não era foro para processar Lula, derrubou suas condenações e o reabilitou para disputar a eleição de 2022

    Moraes baniu pessoas de redes sociais em atos secretos e sem contraditório

    Prisão em 2ª instância foi proibida em 2009, autorizada em 2016 e novamente vetada em 2019

    1. tudo dominado entre eles…isso acaba em nada, pra variar…aliás, só precisam segurar mais essa semana, pois de sábado até quarta só carnaval e a partir de quinta todos já esqueceram…

  15. RELATOR DO TSE VOTA CONTRA CASSAÇÃO DO SENADOR JORGE SEIF, por André Richter, da agência Brasil

    O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), votou nesta terça-feira (10) contra a cassação do mandato do senador Jorge Seif (PL-SC) por abuso de poder econômico na campanha de 2022.

    O voto do ministro foi proferido durante o julgamento de um recurso protocolado pela Coligação Bora Trabalhar, formada pelo PSD, Patriota e União Brasil. Em novembro de 2023, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Santa Catarina rejeitou as acusações contra Seif (foto) e manteve o mandato.

    Para as legendas, o senador teve a candidatura beneficiada pelo empresário Luciano Hang, proprietário das lojas Havan. De acordo com o processo, foi ofertado ao senador estrutura para realização de viagens em aeronaves da empresa e transmissões nas redes sociais (lives), além do envolvimento pessoal de Hang na campanha.

    Os partidos também apontam o suposto financiamento irregular da campanha por meio da participação do senador em uma feira promovida pelo Sindicato de Indústrias de Calçados de São João Batista (SC). O uso de um helicóptero cedido pelo empresário Osni Cipriani para deslocamentos aos eventos da campanha também foi citado.

    Durante o julgamento, o relator votou contra a cassação por entender que as provas apresentadas não são suficientes para caracterização de abuso de poder e para determinar a cassação do mandato.

    “Ausente prova robusta, deve-se privilegiar o sufrágio popular”, disse o ministro.

    Após o voto do relator, o julgamento foi suspenso e será retomado na próxima quinta-feira (12). Faltam os votos de seis ministros.

    Em 2024, no início do julgamento, a defesa do senador disse que não ficou provada a prática de abuso de poder econômico e de participação expressiva de Hang na campanha.

  16. Canrobert Marcolino

    “Mamãe, não quero ser prefeito,
    Pode ser que eu seja eleito
    E alguém pode querer me ‘manipular'”…

    Adaptando o versos do grande Raulzito…

    1. Boa. Pena que Gaspar não tem passarela e carnaval. Porque tema para samba enredo sobram. E seriam didáticos e esclarecedores para a cidade, eleitores e eleitoras

      1. é que a passarela era pra ser no pasto do jacaré…mas parece que no primeiro teste, os carros alegóricos ficaram presos…e olha que os políticos nem estavam no ensaio fazendo o peso…é uma pena..pois em gaspar não faltariam bonecos de olinda…

  17. ELIAS MARTINS DA SILVA NETO

    Cara, lendo isso dá uma raiva misturada com decepção, né? A gente votou achando que o Koerich ia dar um basta nessa enrolação política de Gaspar, varrer o tapete sujo do PT e MDB, mas parece que tá grudando mais porcaria ainda. Se não mexer logo no enxame de maribondos da máquina pública, vai virar mais um governo igualzinho aos outros – promessa de mudança que vira conversa fiada. Acorda, prefeito, senão 2028 é na base do rolo compressor da oposição!

    1. Chega a ser irônico a espera de qualquer mudança deste governo, é só lembrar quem estava no convescote na Bunge natureza que fez o pré-lançamento do prefeito. Apenas alguém que tenha caído de paraquedas no dia da eleição poderia acreditar em alguma mudança.
      Mas uma coisa é certa, a surpresa está na equipe de governo, liderada pelo prefeito de fato Mario Hildebrandt, irmão de templo do Kleber, Ismael, Jorge Pereira, Jean Alexandre Santos e por aí vai.
      Fica dúvida, Gaspar também contratou a assessoria da defesa civil que o Naatz alega ser de amigos do Mário?

  18. Bom dia.
    Quando me perguntam pq não me candidato a vereadora nos pleitos de Gaspar, eu respondo:
    por causa das heranças malditas e pela subserviência irrestrita.

    A foto acima fala mais que MIL PALAVRAS 👀

    1. A foto fala, mas todos estão com tampão nos ouvidos, porque escutar, eles escutam bem, tanto que este assunto é sempre tratado sob sussurros. E isto exige ouvidos bons

  19. IGUALDADE PERANTE A LEI, SEM EXCEÇÕES, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Ao julgar a constitucionalidade do aumento de pena para crimes contra a honra (injúria, difamação e calúnia) praticados contra funcionários e autoridades públicas, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu mais do que um caso técnico de Direito Penal. Quando a Corte validou uma norma que agrava a punição caso a vítima seja agente do Estado, deu chancela a uma distinção jurídica que colide com o princípio republicano da igualdade perante a lei.

    O processo discutia a compatibilidade desse regime especial do Código Penal com a Constituição de 1988. A maioria entendeu que a norma não cria censura nem restringe a crítica política, limitando-se a proteger a honra funcional de quem exerce cargos públicos. Os votos vencidos – em especial o do ministro Edson Fachin – advertiram para o risco evidente: transformar o exercício da função pública em fundamento para privilégio penal, invertendo a lógica das democracias liberais.

    O que está em disputa não é o direito à proteção da honra das autoridades, mas a consagração de uma tutela agravada em favor de quem já dispõe de poder institucional, visibilidade e meios amplificados de resposta. Em sistemas constitucionais maduros, a regra é oposta: quanto maior a exposição pública, maior o ônus de tolerância ao dissenso, à crítica dura e até ao excesso retórico.

    Ao validar a exceção, o STF normalizou uma assimetria perigosa. A função pública não amplia direitos privados; amplia deveres republicanos. Quando o Estado decide proteger seus próprios agentes com penas mais severas do que as aplicáveis aos cidadãos comuns, desloca o Direito Penal de sua finalidade igualitária para um papel simbólico de distinção. A lei deixa de falar em nome de todos e passa a falar a partir do poder.

    Essa lógica perniciosa está enraizada na cultura política brasileira. Raymundo Faoro descreveu, em Os Donos do Poder, um estamento burocrático historicamente inclinado a confundir o público com o patrimonial. Roberto DaMatta, ao analisar o ritual do “Você sabe com quem está falando?”, mostrou como hierarquias informais sobrevivem sob a aparência da legalidade. José Murilo de Carvalho chamou esse fenômeno de “estadania”: direitos filtrados pela posição social, não pela cidadania plena.

    A decisão do STF reverbera esse imaginário. A “carteirada”, mais do que mera vulgaridade, ganha verniz normativo. O recado transmitido à sociedade é inequívoco: há cidadãos de primeira classe, cuja honra vale mais do que a dos demais.

    O voto de Fachin merece registro por romper com essa naturalização. Ao reafirmar que a igualdade perante a lei não comporta gradações baseadas em cargo ou função, ele recolocou o debate no terreno correto: o da Constituição como limite ao poder, não como instrumento de sua autoproteção. Em democracias liberais, autoridades não são figuras vulneráveis escudadas pelo Estado; são agentes submetidos a escrutínio reforçado.

    O problema não se restringe ao Judiciário – embora nele os excessos recentes (a confusão entre proteção do Estado e proteção de autoridades; as críticas tratadas como “ataques”; o uso expansivo do Direito Penal para blindar agentes públicos) sejam mais visíveis. Trata-se de um ecossistema no qual Executivo, Legislativo e corporações públicas resistem à ideia de que poder implica responsabilidade acrescida, não blindagem jurídica. Na teoria democrática, todo poder emana do povo, e funcionários e autoridades públicas são seus servidores. Na prática, eles se comportam como se fosse o inverso. O privilégio penal é apenas uma das manifestações desse padrão.

    Ao validar essa exceção, o Supremo perdeu a oportunidade de afirmar um princípio elementar da vida republicana: a lei não existe para poupar o poder de constrangimentos, mas para impedir que ele se converta em prerrogativa pessoal. Quando o Estado passa a se defender penalmente de seus próprios cidadãos, algo essencial já se deslocou.

    Democracias não morrem apenas por golpes. Muitas se deformam por decisões retoricamente revestidas de virtuosismo republicano que, na prática, reforçam hierarquias autoritárias com a força da lei. Esse julgamento pertence a essa categoria.

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