O dia da Marmota. As três últimas Comissões Parlamentares de Inquéritos da Câmara de Gaspar possuem um personagem em comum, Jean Alexandre dos Santos, PSD (acima à direita ao lado de dois advogados que o assistiram na CPI) e dois secundários. Estes eram ao seu tempo, os verdadeiros prefeitos de fato, sejam pelo papel de articulação ou influência no governo de dois mandatos de Kleber Edson Wan Dall, MDB: Carlos Roberto Pereira, bem como Jorge Luiz Prucino Pereira, PSDB.
Os Pereiras foram os “donos” das decisões pela poderosa e espaçosa secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa – criada Roberto ao seu gosto na cara reforma administrativa da época, além de ter sido o presidente do MDB local. Ele deixou a secretaria em agosto de 2021. E Jorge assumiu e não cedeu um milímetro do poder paralelo no governo vindo desta secretaria. Ao contrário. Foi notório. Nenhum deles disfarçou e eu sempre sublinhei aqui, mesmo sob ameaças e constrangimentos para esconder o que a cidade inteira sempre soube.
As CPIs contra o governo Kleber não deram em nada até agora. Ao contrário, aliviaram. É um desafio um responsável – com punição – naquilo que se apurou. Há farta comemoração por estes desfechos. Elas ajudaram formal e oficialmente a colocar para debaixo do tapete o que se sabia na prefeitura, nas secretarias, nas alcovas e na cidade. Ou seja, tonaram fatos em fofoca, desqualificaram provas e provaram que se tratavam de brigas de interesses barbados poderosos ou gente sem noção.
A atual CPI da Roçada e que eu apelidei de Capim Seco, antevendo que dali nada sairá apesar da fumaça, está caminhando para o mesmo destino.
Esta terceira CPI contra o ex-governo de Kleber, mas já do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, delegado e investigador de boa fama até então, está em curso numa lerdeza, falta publicidade e interesse para colocar os implicados na roda e fazerem dançar. É triste e de dar dó.
Se não se cuidar, corre-se o sério risco dela desmentir o bem elaborado inquérito da Polícia Especializada em Corrupção, de Blumenau. E olha que esta CPI tem como relatora a também policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, filha de um outro afamado delegado, Ademir Serafim. Ou seja, tinha tudo para dar certo, desatar as chicanas e os nós em pingo d’água dos implicados como bem se vê nas delegacias. Mas, não é o que se constata, infelizmente. A presidência da CPI é do vereador Ciro André Quintino, MDB. Então… Sintomático.
O ELO DAS TRÊS CPIs I
Ao continuar, vou refrescar.
A primeira CPI do governo Kleber e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, aliás ele deveria depor esta semana e correu do pau alegando compromissos laborais como funcionário efetivo da Ditran onde é agente de trânsito, foi a mais emblemática, mas deverá perder de longe para a atual.
Era sobre a drenagem da Rua Frei Solano, no Gasparinho. Lembram-se? Ela “concluiu” que a qualidade e a quantidade dos serviços e tubos – jura-se que faltaram 80 – já estavam enterradas e nada mais poderia se provar.
Pergunto: quem era o secretário de Obras e Serviços Urbanos que começou a obra sem ao menos ter um projeto como se provou naquela CPI? Jean Alexandre dos Santos, PSD, mas naquela época no MDB de Kleber. Quem era o outro implicado? O mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, que deixou a Câmara e foi ser presidente do Samae e entre outras coisas, tocar esta obra de drenagem.
A coisa só não foi pior porque o Tribunal de Contas do Estado mandou a super secretaria de Fazenda e Gestão Pública, parar o tipo de licitação.
O ELO DAS TRÊS CPIs II
A segunda CPI na Câmara no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, surgiu depois que meia dúzia de áudios editados de longas conversas cabulosas entre o então secretário do Planejamento Territorial, Jean Alexandre dos Santos e o ex dessa pasta – e já vestido de secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, Jorge Luiz Prucino Pereira, PSDB, vazou e inundou a cidade. Um escândalo. E mais uma vez Odete Roitman não morreu nesse Vale Tudo.
Diante do frenesi nos aplicativos de mensagens, redes sociais e espanto na repercussão dentro do governo Kleber, era preciso dar uma satisfação. Era preciso criar cortinas de fumaça. E assim foi feito pela Bancada do Amém na Câmara, onde estavam onze dos 13 vereadores em apoio a Kleber.
Criaram uma CPI, ao tempo de José Hilário Melato, PP. Envolveram um empresário da área de terraplanagem, Mário Jorge de Souza (Pacopedra). Ele, na verdade, serviu ou se deixou servir de boi de piranha, em obra privada, em ambiente que serviria para o uso público, mas que não tinha dinheiro público envolvido, ou algo sugerido naqueles áudios cabulosos entre Jean e Jorge.
A escolha do tema e a montagem daquela CPI foi de caso pensado.
Resultado? Como eu, e só eu, antecipava em vários artigos na época e era excomungado por esta observação, a CPI micou – o que lavou a minha alma mais uma vez naquilo que escrevia. Aquela CPI, com Melato, tornou, formalmente, santos, todos os envolvidos, na papelada, incluindo Jean Alexandre dos Santos, PSD e Jorge Luiz Prucino Pereira, PSDB. No silêncio das urnas, todavia, um amplo estrago nas eleições de outubro 2024. Notaram que mais uma vez os mesmos nomes e personagens se entrelaçam.
Aonde tudo converge e se repete no suposto erro e no resultado que abençoa todos perdoando-os de supostos pecados? Nos personagens como Kleber, Luiz Carlos, Jean, Jorge, Carlos Roberto, Felipe, compras, área de licitação e fiscais de contratos.
O ELO DAS TRÊS CPIs III
Quem está novamente no olho do furacão, além naturalmente do ex-prefeito Kleber, o qual vai passando imune por seus auxiliares protetores dentro do atual governo de Paulo, Rodrigo, dos que estão na Câmara e na CPI? Jean Alexandre dos Santos, PSD. Ele até ensaia colocar na espinha de Carlos Roberto Pereira, Jorge Luiz Prucino Pereira e Felipe Juliano Braz (ex-procurador geral dos dois mandatos de Kleber), principalmente.
Tudo isso, entretanto, para quem vive a política em Gaspar e a continuidade dela no atual governo, são jogos e recados cifrados.
Desde 2017 Jean Alexandre dos Santos era o secretário de Obras e Serviços Urbanos e encerrou a carreira no governo Kleber como diretor presidente do Samae, depois de passar por outra secretaria poderosa -como revelaram os áudios vazados – a de Planejamento Territorial onde todos surfaram diante da falta de Plano Diretor atualizado, de uma Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável coalhada contra a lei de comissionados, aprovando projetos e concedendo licenciamentos ao arrepio da legislação em vigor, ou da necessária investidura por concursos públicos.
Mas, Jean, em seu depoimento, de perguntas e principalmente, contra perguntas frágeis, não viu nada. E olha que os membros da CPI tiveram três semanas para se fazer a lição de casa. Quem fez foi Jean.
Segundo Jean, quase tudo vinha pronto da procuradoria geral [ Felipe], do jurídico do Samae [ Marcos Jacobsen Filho] da secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa [ Carlos Roberto Pereira], da área de licitação, do compras, dos fiscais. Se ele assinou alguma coisa, segundo ele, é porque já tinha passado antes pelo crivo político, técnico e administrativo de gente investido para isso. E como tal, por confiar nas pessoas e nos técnicos, não enxergou nada de anormal.
CEGO, SURDO E MUDO

Está evidente que Jean se sente à vontade para fazer o que fez na quinta-feira na CPI e foi lá com dois advogados. Eswtá escolado em CPIs. E até agora, deu baile e se saiu muito bem.
E perguntar não ofende: o que os envolvidos querem apagar ou desconstituir o que a polícia bem apurou e parece que a CPI vai entrando na onda dos depoentes? Nos sérios problemas apontados pelos relatórios, como o pouco que se fez contra os milhares de metros quadrados fantasmas a mais que a Ecosystem, de Curitiba, enfiou na fatura da roçada e capinação da cidade por anos afio (desde 2017), e que a prefeitura ao tempo de Kleber pagou, pouco se avançou ou se esclareceu tanto na CPI como no depoimento de Jean. Alguém, em algum momento, aprovou esta aberração.
E todos que tinham essa obrigação fiscalizatória já deram boas desculpas na CPI, ou colocaram no lombo de outros. No fundo, os culpados são os trouxas gasparenses que votaram nessa gente, os pagam e ainda com seus pesados impostos liquidam faturas pesadamente fraudadas.
A desfavor de Jean Alexandre dos Santos, PSD, todavia, trabalha o fato de que ninguém em Gaspar desconhece a sua importância e influência no governo de Kleber, mesmo quando tentaram rifá-lo. Jean Alexandre dos Santos, PSD, tem bala na agulha. E balas mortais aos que querem coloca-lo ou deixa-lo na rua da amargura.
A seu desfavor [Jean] , trabalha o fato de ser próximo a todos no poder de plantão, de ser exímio articulador de bastidores e se isso fosse pouco, como finalmente admitiu, participava com assiduidade das reuniões semanais do colegiado de Kleber onde tudo era discutido e decidido. Então, Jean não pode alegar desconhecimento, ingenuidade ou terceirização como alegou.
A seu desfavor [Jean], há um depoimento de uma servidora da área de compras. Ela jurou que tudo vinha mastigado, incluindo as referências técnicas para as licitações, da secretaria ou do Samae, para onde este serviço foi quando contrataram emergencialmente a também curitibana Sanitary e onde Jean Alexandre dos Santos, PSD, era o seu presidente e já sabia deste riscado quando a Ecosystem – que pediu para ir embora depois que o rolo se avolumou – prestava serviço para a secretaria que ele, a de Obras e Serviços Urbanos.
JEAN DEU AS CARTAS NA CPI
Foram menos de meia hora de pura enrolação, despreparo e recados. Jean falou pouco, esclareceu pouco, mas naquilo que sinalizou, deu as cartas. Seus dedos tamborilavam nervosamente à mesa. E não usou o arsenal que preparou para envolver gente graúda do passado e do presente. Ao final do artigo está o depoimento dele. Confiram.
Agora, só falta o relatório da policial Alyne desconstituir as investigações da própria Polícia especializada. É que depoentes, até agora, deram um baile na CPI. Atrasado, este caso já está na Justiça por estar enrolado na CPI. Desmoralizado também já está o discurso de ir atrás dos erros, desperdícios e suposta corrupção do governo passado feito no palanque pelo atual governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, na campanha política para serem vencedores com 52,98% dos votos válidos e contra gente graúda, incluindo a que que se explica.
Naquilo que a polícia especializada de Blumenau já apurou, nada mais a CPI acrescentou até o momento. Ainda há tempo para a CPI dizer a que veio, e porque gasta tanto dinheiro da Câmara com ela sem acrescentar nada a mais.
E para encerrar. Hilário foi quando perguntaram a Jean Alexandre dos Santos, PSD, se ele tinha recebido algum tipo de presente ou vantagem indevida da Ecosystem ou Sanitary, a que diz ter ainda uma beirada para receber. Credo! Pediram a incriminação dele assim na cara dura? E gente com experiência em inquirição? Ai, ai, ai.
Ora, se existe esta suspeita, ela deveria ter sido apresentada como prova robusta nas fuças de Jean para ele se explicar, rebolar e se complicar. Nem nisso, o faro de policial da CPI foi capaz. Parece coisa de compadres. E depois os nossos políticos eleitos para mudar tudo isso, dizem não entenderem à indignação que ronda a cidade pelos aplicativos de mensagens. Muda, Gaspar!
Abaixo está o depoimento para quem quiser por dúvida no que eu escrevi. Depois tem mais o Trapiche
TRAPICHE
São membros desta CPI do Capim Seco na Câmara de Gaspar, Ciro André Quintino, MDB (presidente), Alyne Karla Serafim Nicoletti (relatora) e Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, ambos do PL, Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP e Thimoti Tiago Deschamps, União Brasil. Ele estava ausente na última reunião da CPI.
O PT de Gaspar não participa desta CPI. Achava que um assunto que já tinha passado pela polícia, não restaria mais dúvidas e que por isso, deveria ir para o Ministério Publico e de lá para a Justiça. Hoje, desconfia-se que tudo foi armado para não dar em nada e apenas responder o auê que os bolsonaristas montaram na campanha eleitoral.
Agora, em Blumenau, o PT entrou de cabeça no caso do esgoto com a BRK e o Samae. E tem dedo na assessoria técnica do gasparense João Pedro Sansão e seu escritório de assessoria jurídica. Está provado que este assunto por lá é um balaio de gato e que o ex-prefeito de lá, que influencia e aparelha o daqui, Mário Hildebrandt, PL, vestido de candidato a deputado estadual na secretaria de Defesa Civil e Proteção do estado, teve atos que beiram à prevaricação. Esta Agir – Agência de Regulação -além de cabide é uma piada, também.
Tanto que o prefeito de lá, Egídio Maciel Ferrari, PL, também ex-delegado, mais ágil e atento como gestor público, já pulou fora do tal aumento abusivo da taxa de esgoto; espera pela CPI e está correndo para judicializar o contrato. É, ao que parece, não se tratar de uma simples renovação, parece ser algo completamente novo, contra as regras e sem discussão com a sociedade. Lá Observatório Social, Câmara, Ministério Público, Clubes de Serviço, Acib e oposição, funcionam.
O DNA foi descoberto em 1869. A dupla hélice foi descoberta em 1953 por Francis Crick e Maurice Wilkins que em 1962 ganharam o Prêmio Nobel de medicina, por isso. Tornou-se comum, acessível e barato. Serve para apurar a paternidade, acabar com o conhecimento das provas de DNA, as discussões e fofocas das paternidades.
O governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, começa a ficar com uma perigosa pecha: basta o nomeado ser competente para ser mandato embora ou estimulado a pedir a conta. Há vários casos. O penúltimo caso emblemático desse tipo acaba de acontecer na secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda.
Outra pecha nada boa que está colando: ninguém pode contrariar o prefeito de fato Pedro Inácio Bornhausen, PP. Corre o sério risco de ser rifado. Outra. O MDB e o PP, principalmente, estão tomando conta dos postos de segundo escalão do governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. É só consultar as últimas edições do Diário Oficial dos Municípios.
Sintomático. O presidente da Câmara, Alexsandro Burnier, PL, o campeão de votos fazendo denúncias na campanha, as quais ele e o governo não conseguem por às claras em ações e CPI depois de dez meses de novo mandato, em quase todos os discursos e vídeos que faz ou publica nas suas redes sociais, diz: “o povo nos cobra e com razão“. Então, não sou eu o crítico. É a cidade que não aguenta mais tanta enrolação dos que já perderam a credibilidade de seus discursos por falta de ações ou serem tão iguais aos que prometiam mudar. Muda, Gaspar!
E a Oktoberfest, bombando nesta noite de sábado para domingo. A chuva foi embora e aconteceu o quarto desfile na Rua XV. Os pavilhões da Vila Germânica cheios. Muitos gasparenses….
8 comentários em “NA CPI DO CAPIM SECO, EX-SECRETÁRIO DIZ QUE FEZ TUDO CERTO, NÃO VIU E NÃO SABIA DE NADA, MESMO ELE ESTANDO NO GOVERNO, GERENCIANDO O CONTRATO, PARTICIPANDO DAS REUNIÕES DO COLEGIADO, SENDO UM ATIVO POLÍTICO NOS BASTIDORES DO PODER DE PLANTÃO E MORANDO NA CIDADE”
LULA TEVE UMA IDEIA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, onde pôde mais uma vez transformar a redução da fome em peça de propaganda – agora em escala global. Ressaltando a saída do Brasil do Mapa da Fome, anunciada em julho pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o petista declarou: “A fome é irmã da guerra”. Além de mencionar os conflitos armados, que “desorganizam cadeias de insumos e alimentos”, Lula denunciou o egoísmo das potências econômicas, associou o problema às “barreiras e políticas protecionistas de países ricos” que “desestruturam a produção agrícola no mundo em desenvolvimento” e exibiu o Brasil governado pelo PT como exemplo de superação moral e política.
O discurso, repleto de indignação e metáforas grandiosas, foi recebido com aplausos. Mas o melhor ainda estava por vir: Lula sugeriu a cobrança de um “imposto global” de 2% em cima dos “super-ricos”. Em suas contas, bastariam US$ 315 bilhões para que todos os famintos do mundo pudessem fazer três refeições por dia. O que Lula não contou à embevecida plateia é que o Brasil já gasta cerca de 15% desse valor por ano em Bolsa Família e em Benefício de Prestação Continuada, e, no entanto, a despeito dessa dinheirama, e mesmo tendo o equivalente a apenas 3% da população total dos países em desenvolvimento, ainda enfrenta insegurança alimentar, como mostrou recentemente o IBGE.
Os dados indicam que 24,2% dos domicílios brasileiros conviviam com algum grau de insegurança alimentar em 2024. Houve queda em relação aos 27,6% de 2023, mas mesmo assim segue sendo um número muito alto para um país que investe tanto em assistencialismo. E tudo isso mesmo com o PT na Presidência em 16 dos últimos 22 anos. Eis então que a fórmula proposta por Lula para acabar com a fome no mundo não funciona nem no Brasil que ele governa. O máximo que os governos petistas conseguiram foi estabelecer uma miríade de benefícios sociais que se prestam a apenas mitigar um problema que só será resolvido quando houver reformas profundas, capazes de reduzir o imenso custo de produzir no Brasil, gerando riqueza e oportunidades para todos. E isso, obviamente, Lula e os petistas jamais farão.
Donde se conclui que o propósito do discurso de Lula não era lançar propostas concretas e factíveis para enfrentar o problema da fome no mundo, e sim vilanizar os ricos, eleitos pelo presidente como inimigos do povo brasileiro – e mundial. Esse, como sabemos, deverá ser seu mote na campanha à reeleição no ano que vem. Recorde-se que, recentemente, depois que o Congresso derrotou, de forma acachapante, a tentativa do governo de aumentar impostos para cobrir o rombo fiscal, Lula saiu a declarar que “uma parte do Congresso Nacional votou contra a taxação que a gente queria fazer dos bilionários deste País, daqueles que ganham muito e pagam pouco”.
Ademais, é fácil discursar sobre a fome em Roma. Difícil é combatê-la na pobreza amazônica de Roraima, nos becos de Manaus, no sertão do Piauí e nas favelas do Rio de Janeiro ou outras metrópoles. Lula levou à Itália o discurso moral, mas pouco disse sobre o colapso de condições internas que poderiam tornar o Brasil menos dependente da demagogia do governo de ocasião. Em vez de um diagnóstico estrutural, preferiu o teatro diplomático. A fome é de fato irmã da guerra, mas, antes de tudo, é filha da má gestão, da improvisação política e da dependência crônica do assistencialismo.
Enquanto isso, o Estado está quase completamente capturado por interesses privados, reduzindo de forma drástica sua capacidade de investimento público, necessário para melhorar a produtividade e impulsionar o desenvolvimento de forma sustentável. Aos pobres, por quem Lula diz se interessar, restam as migalhas, com as quais até é possível reduzir a fome, mas são insuficientes para fazer com que esse enorme contingente de brasileiros deixe finalmente de viver da mão para a boca.
VERGONHA. O bolsonarismo está destruindo a identidade de Santa Catarina e a já fraca e sub (conforme a Constituição Federal) representação dos cidadãos na Câmara Federal e a do estado no Senado. Já temos um senador que entre defender Santa Catarina e os Bolsonaros, ele prefere os Bolsonaros, o carioca Jorge Seif Júnior, PL.
Agora, um do próprio clã, que não conseguiria se reeleger sequer a vereador da violenta, tomada por bicheiros e facções Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, PL, quer ser candidato a senador por Santa Catarina, tendo como meta formar uma maioria para “enquadradar” o STF. Isto sem falar, no vereador de Balneário de Camboriú, Jair Renan Bolsonaro, importado de Brasília, quer ser deputado Federal para voltar a morar na Capital Federal, tomando uma das 16 vagas da representação dos catarinenses das 20 que o estado tem direito na Câmara, ou seja, quatro roubadas pelos próprios parlamentares brasileiros numa jogada com o Supremo com a mansidão dos Bolsonaros, os quais vão usando o eleitorado bolsonarista para ocupar as vagas catarinenses não para a defesa dos interesses barriga-verdes, mas do clã Bolsonaros. Aliás, foi no governo do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, PL, que o estado experimentou a maior míngua de verbas federais, ampliando ainda mais a desproporção de retorno a montanha de impostos que se manda daqui para Brasília
Os Bolsonaros são culpados? Não! Eles podem tentar tudo. Quem vai dizer sim ou não, somos nós os catarinenses pelos votos livres. E neste caso, provando serem mal usados e contra os próprios catarinenses
ENTRADA DE CARLOS BOLSONARO COMPLICA ALIANÇAS ELEITORAIS EM SANTA CATARINA, por Raquel Landim, no UOL (jornal Folha de S.Paulo)
A entrada de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Senado por Santa Catarina complicou as alianças eleitorais no estado.
Na sexta-feira, o governador catarinense, Jorginho Mello, (PL-SC) confirmou que Carlos vai ficar com uma das vagas na disputa pelo Senado em sua chapa para a reeleição
Hoje, Carlos é vereador no Rio de Janeiro
O posicionamento criou uma disputa sobre quem fica com a segunda vaga: a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) ou o senador Esperidião Amin (PP-SC). Ambos são catarinenses.
Se optar pela deputada, o governador estreita suas alianças eleitorais, já que Carlos e Caroline são do mesmo partido, o PL.
De Toni, no entanto, tem defensores importantes de sua candidatura, como a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro.
Já Amin traria consigo a poderosa federação PP – União Brasil para o projeto de reeleição do governador.
O vice de Jorginho deve ser do MDB
Aliados de Esperidião ouvidos pela coluna não descartam migrar para a chapa opositora, de João Rodrigues (PSD), atual prefeito de Chapecó.
“Seria um baque para a reeleição do governador. Os Bolsonaro só pensam neles mesmos”, disse uma fonte, referindo-se à candidatura de Carlos.
Procurado pela coluna, Esperidião confirmou o impasse.
“Não é um problema para agora. Vamos conviver com essa incerteza”, afirmou o senador.
Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro não deram entrevista.
LULA SAIU DAS CORDAS, por Elio Gaspari nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
As pesquisas mostram que Lula saiu das cordas e voltou a ser o favorito para a eleição do ano que vem. Isso foi conseguido por dois fatores. O governo impôs uma agenda positiva com a isenção de imposto de renda para o andar de baixo. O segundo fator foi o delírio trumpista da oposição, com a espetaculosa atividade de multidão desfilando uma gigantesca bandeira dos Estados Unidos na Avenida Paulista no 7 de Setembro.
Trump e suas tarifas não produzem um só emprego no Brasil. Ao associar-se a ele, bolsonaristas como o governador Tarcísio de Freitas atravessaram a rua para escorregar na casca de banana da outra calçada.
A esquerda brasileira era conhecida pela sua capacidade de se dividir. Lula tornou-se seu fator de união. A paixão pelas divisões migrou para a direita. Tarcísio, Caiado e Romeu Zema não se entendem e ninguém sabe porquê. Como se isso fosse pouco, o deputado Eduardo Bolsonaro age como um guerrilheiro avulso.
A direita está na ilusão de que em 2026 vão se repetir as condições de 2018, quando o mapa eleitoral passou por uma maré conservadora. Em 2018, Lula estava na cadeia, o PT na lona, derrubado pelas roubalheiras confessadamente cometidas pelos burocratas e empresários apanhados pela Lava-Jato. Hoje o juiz Sergio Moro é um senador ectoplásmico que vaga pelos corredores do Congresso. Quem está em prisão domiciliar é Jair Bolsonaro.
À primeira vista, dividida, a direita não vai a lugar algum. À segunda vista, o bolsonarismo, que foi um agregador em 2018, hoje é um desagregador, uma espécie de encosto.
A BOLHA DE 2025 E A BOM BA DE 1929
Na mesma semana em que chegou às livrarias americanas o “1929”, do repórter Andrew Ross Sorkin, celebrizado pelo seu “Too Big to Fail“ (“Muito grande para quebrar”) sobre a crise financeira de 2008, Sam Altman, fundador da Open AI, disse que alguns setores do mundo da Inteligência Artificial “estão meio inflados”.
Tudo indica que há empresas de IA operando com as mágicas financeiras das bolhas.
Por via das dúvidas, revisitar a crise de 1929, com seus personagens, titãs e charlatães, é sempre uma boa aula. Sorkin fez um belo livro, simples e cronológico.
Em alguns momentos, as falas de 2025 relacionadas com a IA ecoam 1929, com uma diferença: Herbert Hoover, o então presidente dos EUA não cultivava milionários bajuladores.
Em 1929, os milionários usavam polainas e cartolas, em 2025, mostram-se joviais de jeans e camisetas.
RETÓRICA OCA
No início de 2023, Lula informou:
“Estejam certos de que vamos acabar, mais uma vez, com a vergonhosa fila do INSS, outra injustiça restabelecida nestes tempos de destruição.”
Chegou-se ao final de 2025, a fila chegou a 2,6 milhões de vítimas e acabou o programa para acabar com ela.
EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota, não acredita em mensagens eletrônicas e ainda se comunica por telegrama. Mesmo assim, o cretino não entende como os Correios tenham passado de empresa lucrativa à condição produtora de um buraco de R$ 20 bilhões.
Na opinião do cretino, antes que reapareça o coral da privataria, seria o caso de se identificar os gestores dessa ruína. Buraco em estatal, como o jabuti da forquilha, tem mão de gente.
Quebrar empresa para justificar sua privatização foi coisa comum no século passado.
ESCALA 5/2
Lula, o PT e o ministro do Trabalho farão toda a coreografia de apoio ao projeto de uma nova escala de trabalho, com dois dias de repouso.
E só.
EXAGERO NA BLINDAGEM
A bancada governista na CPI do INSS exagerou na prestação de serviços ao Planalto quando derrubou por 19 votos contra 11 a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), uma das entidades investigadas pela comissão.
Aos 83 anos, Frei Chico é um veterano sindicalista. Foi ele quem levou Lula para o movimento operário. Não precisava da blindagem que poderá transformá-lo em vidraça durante o ano vindouro.
O ESTILO DE LEÃO XIV
Feito Papa Leão XIV, o cardeal americano Robert Prevost se distanciou dos estilos de seus dois antecessores. Não tem o gosto pelas regalias do alemão Bento XVI com seus sapatos vermelhos, nem os adoráveis lances de peronismo populista de Francisco, abandonando os aposentos regalescos.
Relativamente jovem, com 70 anos, leva mais o jeito de João Paulo II.
BARDOT EM BÚZIOS
Em 1964, a atriz francesa Brigitte Bardot veio ao Brasil, com Bob Zagury, seu namorado meio marroquino, e passou uma temporada num arraial de pescadores chamado Búzios.
À época, noticiou-se que o prefeito do lugar oferecia terrenos grátis a quem aceitasse algumas condições e construísse uma casa.
Hoje, um metro quadrado de terreno em Búzios chega a valer R$ 7.500.
ELITE NO CRIME
Enquanto as forças da lei e da ordem não puserem na cadeia um diretor de grande empresa ou banco de porte médio, o andar de cima de Pindorama continuará flertando e operando com o crime organizado.
ANDREW E KATE
Depois de décadas de condutas antipáticas, picaretagens e escândalos sexuais, o príncipe Andrew, filho da falecida rainha Elizabeth, renunciou aos seus títulos.
Tudo bem, mas falta explicar porque, até agora, a burocracia da nobreza britânica não deu títulos a Carole e Michael Middleton, pais de Kate, princesa de Gales.
Pelo lado materno, Kate descende de uma legítima cepa da classe operária inglesa. Nela houve um estucador, um caloteiro preso e uma servidora que trabalhou em Bletchley Park, a central que decifrava os códigos alemães durante a Segunda Guerra.
DE OLHO EM CUBA
A escalada trumpista contra a ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela é um ensaio para o seu verdadeiro objetivo na América Latina: Cuba. Nesta fase, os EUA testam a extensão da solidariedade continental.
Marco Rubio é filho de cubanos e Donald Trump sabe que a queda do regime comunista de Cuba poderá abrir espaço para um dos grandes booms imobiliários do século.
Hoje, como em 1961, quando os EUA perfilharam uma desastrada invasão da ilha, a questão está no apoio (ou rejeição) do povo cubano ao regime.
O ARCO DE TRUMP
Donald Trump pode estar acometido de um de seus surtos de grandiloquência ao propor a construção de um arco monumental para celebrar os 250 anos da nação americana.
Uma coisa é certa, qualquer comparação com o Arco do Triunfo francês é enganosa.
Com fervor, a França comemora as vitórias de Napoleão Bonaparte, um corso que morreu na ilha de Santa Helena, prisioneiro dos ingleses, a quem se entregou para não ser morto pelos franceses.
HORA DE MOSTRAR DESTREZA E PACIÊNCIA, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo
A reaproximação entre os governos brasileiro e americano continua em curso, embora nada de substancial tenha sido negociado até aqui. O engajamento ocorre em um contexto de mudança do balanço comercial e tecnológico entre EUA e China. E de exacerbação da hostilidade do governo de Donald Trump em relação ao regime venezuelano.
O local escolhido para o encontro de uma hora entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler Mauro Vieira revela a dominância da política sobre a crise. Rubio acumula o posto de conselheiro de Segurança Nacional, e portanto tem gabinete também na Casa Branca.
Com exceção parcialmente da China e da Índia, o interesse comercial predomina na guerra tarifária lançada por Trump. Com o Brasil, a motivação é mais política – até porque os EUA sustentam superávit no comércio. As tarifas aplicadas sobre a China estão ligadas à disputa por hegemonia e, sobre a Índia, à pressão para a Rússia aceitar um cessar-fogo com a Ucrânia.
Ao anunciar a tarifa de 50% sobre o Brasil, no dia 9 de julho, Trump publicou, no Truth Social, referindo-se ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro: “Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma caça às bruxas que deveria acabar imediatamente”. Caça às bruxas é como Trump se referia ao processo criminal do qual foi réu por tentar reverter a derrota eleitoral de 2020.
As circunstâncias mudaram desde 9 de julho. Diante do alto preço político exigido por Trump – o perdão a Bolsonaro e o fim da regulação das redes sociais –, Lula se resignou à dura realidade da tarifa de 50% e se lançou à conquista de mercados e ao aprofundamento dos laços com a China. Isso retirou de Trump a iniciativa e o impacto – pilares de seu método.
A China progrediu na produção de máquinas de litografia para nanoimpressão, reduzindo sua dependência dos chips sofisticados cujas patentes os EUA controlam. Assim, restringiu as licenças para a exportação de minerais estratégicos, para pressionar pela retirada das tarifas sobre seus produtos, sem que a retaliação por Trump com a suspensão das vendas de chips tenha o mesmo impacto.
Enquanto não chegam a um acordo, a China substitui a soja americana pela brasileira e argentina. Isso incentiva Trump a mudar de estratégia e a criar uma distração na Venezuela, com bombardeios a lanchas civis e ameaças de operações terrestres.
Esse cenário eleva o valor estratégico do Brasil, detentor da segunda maior reserva de terras raras, depois da China, e oferece oportunidades para Lula se mostrar útil sem fazer concessões desvantajosas. Mas terá de agir com destreza e paciência.
Estamos influenciados por apenas 11% de barulhentos, extremistas e que dominam doentiamente as redes sociais, meios de comunicações e as nossas mentes pelo medo, interesses, negação, radicalismo e supostas verdades como defender pobres, taxar ricos, serem exclusivos defensores da pátria, Deus e família, na falta de construir um Brasil com todos
SOCIEDADE BRASILEIRA ESTÁ AFASTADA DOS EXTREMOS, editorial do jornal O Globo
À medida que se aproximam as eleições de 2026, o país se encaminha para mais uma disputa polarizada entre candidatos de esquerda e direita, cindidos por posições aparentemente inconciliáveis em temas como aborto, porte de armas, religião ou cotas raciais. Paradoxalmente, a maior parte da população brasileira fica no meio do caminho entre as posições extremas abraçadas pelos dois polos. Essa é a conclusão mais relevante da maior pesquisa sobre a polarização no Brasil, realizada pela Quaest para a ONG More in Common.
Os pesquisadores aplicaram um questionário com quase 200 questões sobre temas que polarizam a sociedade a mais de 10 mil brasileiros com mais de 16 anos. Depois empregaram técnicas estatísticas capazes de classificar a amostra de acordo com a frequência das respostas às diferentes questões e aprofundaram a análise por meio de entrevistas em grupo.
Como resultado, os brasileiros foram divididos em seis segmentos, do mais esquerdista para o mais direitista: progressistas militantes (5% da população), esquerda tradicional (14%), desengajados (27%), cautelosos (27%), conservadores tradicionais (21%) e patriotas indignados (6%). Os grupos apresentam comportamento previsível diante do questionário. Um exemplo: para 93% dos patriotas indignados, direitos humanos atrapalham o combate ao crime. Tal proporção cai a cada degrau da escada formada pelos segmentos e entre progressistas militantes é de meros 3%. A situação se repete nas demais questões.
Um fato chama a atenção: a maioria da população (54%) é formada pelos dois segmentos intermediários, classificados como “invisíveis”. Não têm posições extremas e manifestam grau menor de engajamento político. São eles que representam melhor a sociedade brasileira — e não os progressistas militantes ou patriotas indignados. Os extremos são mais estridentes e monopolizam o debate político, mas representam apenas 11% dos brasileiros.
Uma segunda conclusão ajuda a explicar o mecanismo que rege a polarização: há assimetria entre os dois polos. Os progressistas militantes se afastam bem mais da média da população brasileira que os demais segmentos. São os mais escolarizados (53% com ensino superior), mais ricos (37% com renda acima de R$ 10 mil), mais brancos (57%) e menos religiosos (41% dizem não ter fé). Também têm maior engajamento e interesse por política. Estão isolados em opiniões sobre direitos humanos, educação ou na visão sobre instituições como Igreja ou Forças Armadas. Tais características permitem entender por que são frequentemente descritos por populistas de direita como uma “elite” sem conexão com a realidade e distante das aspirações reais do “povo”, cujos valores são no fundo mais conservadores.
Ao alimentar tal imagem por meio de posições irredutíveis, os progressistas acabam por fortalecer involuntariamente os adversários e o discurso extremista que ameaça as instituições. Como escreveu no GLOBO o colunista Pablo Ortellado, diretor executivo da More in Common: “Superar a polarização não significa apagar as diferenças. Uma democracia saudável precisa de esquerda, direita e centro bem constituídos. Mas precisamos que os antagonismos entre as posições não se convertam em hostilidade moral ou desconfiança institucional que coloquem em perigo a coesão democrática”.
Sr Herculano, bom dia.
Concordo plenamente contigo, que esta CPI do ” Capim Seco” nada vai contribuir ou trazer fatos novos para a investigação. Pois é um jogo de compadres e comadres. Ficam mordendo e assoprando. Senão vejamos, porque até hoje o Departamento da Controladoria e Controle Interno não foi fazer até hoje as medições das referidas ruas, praças e demais logradouros.
Por muito menos o Governo do PT em 2009, apresentou uma denúncia contra a minha Gestão. Coube a Câmara Municipal abrir uma CPI, que levaram um ano e meio, nada provaram, nada investigaram e quando houve a acareação entre o Empresário e os 2 Secretários Municipais de Administração e Finanças. Ficou comprovado a armação feita pelo Governo que me sucedeu. Leia-se caso ” Salseiros ” em abril.de 2009.
Então fica claro que passados 10 meses, deste novo Governo, pouco ou bem pouco foi investigado, auditado e ou esclarecido. Para finalizar, daqui a pouco teremos um sem número de ‘ SANTOS PARA O PAPA CANONIZAR!”
Quanto ao dinheiro do Contribuinte, nem um pior…. Pois não é consultado.
Uma vergonha!
(Adilson Luiz Schmitt, sem partido, mas eleito pelo MDB e até poucos dias no PL para eleger o atual prefeiteo, é médico veterinário e foi prefeito de Gaspar de 2005/09)
O QUE LULA QUER NO SUPREMO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
O cronista não sabe quem Lula indicará a ministro do Supremo. Talvez já o tenha feito, no intervalo entre a entrega e a publicação deste texto. Sabe, porém, qual perfil o presidente projetou para o ocupante da cadeira a ser deixada por Barroso, a poucos dias de descansar a defesa da democracia num retiro esotérico indiano. Uma evolução, se considerarmos que aquele que nos protegeu de nós mesmos – e que quer aparecer até o final, ainda que à custa de incitar tema divisivo –, acreditara em João de Deus.
O cronista digressiona… O perfil? É o de Flávio Dino, explicitamente o de Dino, senador togado, tesoureiro de emendas parlamentares, que veio para compor e desenvolver a bancada governista na Corte constitucional, não à toa compreendida, donde explorada, como terceira casa legislativa, tribunal revisor do Congresso, ou “poder moderador” da República, segundo o maledicente.
Se Lula vai mesmo acelerar o discurso eleitoreiro em que os interesses de seu governo sejam os da população, o Parlamento como “inimigo do povo”, precisará ainda mais de tributaristas como Alexandre de Moraes para lhe garantir os IOFs necessários a financiar o programa de reeleição.
O perfil de Dino, essa referência, é também o de Jorge Messias, advogado-geral da União e braço de confiança para toda obra. Militante à esquerda, proativo, vocacionado a se mover de ofício e ascendente articulador-comentador da cena política que se desdobra nos convescotes de Brasília. O próprio Messias, havia tempo pretendente ao cargo, sacou rapidamente o espaço que deveria ocupar e, digamos, as qualidades que precisaria aprimorar e exibir. Seu comportamento em rede social – a forma como se comunica – ilustra a execução de um projeto e a adequação ao physique du rôle.
Messias encarna o perfil – perseguiu o perfil – e pôs três ou quatro corpos de frente. É verdade que Davi Alcolumbre, imperador do Congresso, trabalha muito pelo jurista Rodrigo Pacheco, decerto mais jurista que Dias Toffoli e candidato declarado – normalizado o vício – de alguns dos ministros mais influentes do STF, que “é jogo para adultos”. Verdadeiro também sendo que Alcolumbre, um grande partido, não raro instrumentaliza seus pachecos para subir o preço das negociações com o Planalto e aumentar a superfície de suas propriedades na máquina federal. Não se oporia muito mais a Messias, todo mundo sabedor de que o Senado afinal aprovará qualquer que seja o indicado.
Bessias não é criança. Pensase em matéria jurídica – em quaisquer assuntos relativos ao Direito – neste governo e logo se impõe a figura do AGU. Não a de Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça. Messias tomou o pedaço outrora preenchido por Dino e se espalhou. Não é amigo de Lula, que não quer um amigo no STF. É o advogado-geral da União no governo de um presidente que já indicara o advogado pessoal para o Supremo. Melhor um advogado – leal – que um amigo no tribunal. •
LULA, O PT E O CONGRESSO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
O governo Luiz Inácio Lula da Silva trouxe alívio à vida política e institucional do país ao pacificar as relações do Planalto com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional. Com o primeiro, a proximidade pode ter ido além da conta; com o segundo, mesmo sem maioria parlamentar segura, o petista soube manter diálogo e negociação —ao menos até há pouco.
Na quarta-feira (15), Lula achou por bem fazer uma crítica desqualificante à atual legislatura em ato público e ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). “Hugo é presidente desse Congresso e ele sabe que esse Congresso nunca teve a qualidade de baixo nível como tem agora.”
“Aquela extrema direita que se elegeu na eleição passada é o que existe de pior”, completou o presidente da República, alegrando a plateia amistosa povoada por professores, no Rio de Janeiro.
Deixe-se de lado o fato de que Motta, vaiado no evento, não preside o Congresso, o que cabe ao chefe do Senado. É difícil dizer se Lula deixou-se levar pelo entusiasmo durante o improviso ou se calculou previamente o impacto da declaração. É certo, de todo modo, que ela se deu num contexto de animosidade de seu partido contra o Legislativo.
De alguns meses para cá, o PT tem tratado as resistências de parlamentares a propostas governistas de aumento de impostos como defesa de interesses milionários ante tentativas de promover justiça social. Essa campanha, que tem muito de farsesca, foi reavivada recentemente depois da derrubada de uma medida provisória que buscava R$ 20,9 bilhões em novas receitas para 2026.
É evidente que o presidente da República tem o direito de expressar suas opiniões —a questão é quando convém fazê-lo diante das responsabilidades do cargo. A retórica de confronto anima a militância, mas é inútil, se não contraproducente, quando se precisam aprovar projetos num Parlamento onde as forças à esquerda não chegam a 25%.
Lula não questionou a legitimidade do Legislativo, mas petistas caminham em terreno perigoso ao demonizar o Congresso como “inimigo do povo” —o partido, aliás, é useiro e vezeiro em radicalizar o discurso nos momentos de adversidade.
Se pode ajudar a disputar eleições, a polarização política atrapalha sobremaneira a tarefa de governar. Resta um ano até o pleito de 2026 e haverá medidas dificílimas a tomar no quadriênio seguinte, qualquer que seja o vencedor. Da perspectiva de Lula, nada indica que a próxima legislatura vá ser mais amigável que a atual.