Se eu vou repetir de que estou de alma lavada, mais uma vez? É claro. Miserável e infelizmente! E quem a lavou, outra vez? Os vereadores de Gaspar. Alguns deles, até me acusam de exagerar naquilo que opino ou informo – porque não tenho rabo preso com eles e outros. Estranho mesmo de que esta reclamação parta de quem jura de que eu não sou lido por ninguém.
Retomando. Na sessão da Câmara da terça-feira, a da ressaca eleitoral, a ficha do desastre de gestão e prioridades em que está metida a administração de Paulo Norberto Koerich, PL, e Rodrigo Boeing Althoff, Republicamos, caiu por inteiro. E outra vez. Só faltaram dizer claramente que parte do insucesso deles nas urnas foi por causa de Paulo, o que tem aval deles próprios.
Ufa! Não é mais preciso esconder, disfarçar e encontrar fora do governo de Paulo para o insucesso até aqui – inclusive de comunicação. Eu não sou. Eu retrato. E por quê das queixas e queixumes? Porque acabou, por enquanto, o tempo de catar votos. Os mesmos que faltaram aos candidatos daqui e os de fora. Eles levaram uma surra nas urnas por conta deste desastre anunciado não aqui. Estava nos gabinete, tifas e reuniões de amigos e famílias. Todos os cabos eleitorais, sabem o quanto engoliram de reclamações dos gasparenses e de como os da base do governo Paulo – candidatos ou cabos eleitorais dos paraquedistas – cobrados, estavam impotentes nas respostas.
E por isso mesmo, também já sabiam que estavam em maus lençóis. Bingo!
A lista de sinais é longa. Faltaram resultados. Não basta causa. Numa cidade de pouco mais de 51 mil votos, é como o condomínio. É o cotidiano que lhe afeta. Limpeza de bueiro, é o mínimo do mínimo que se deveria fazer e não se faz. Importa-se gente estranha ao condomínio e que não produz nada de diferente. E para piorar, a cara reforma Administrativa é um embrulho com selo petista e sindical de inchar a máquina, contra a causa que quer, justamente, eleger Flávio Bolsonaro, PL, vendendo transformações, menos despesas, privatizações e enxugamento da cara máquina estatal.
A REALIDADE E O DISCURSO
Voltando. Mas, duas queixas e crucificações chamaram muita a atenção de todos os cabos eleitorais – como os vereadores – que percorreram locais chiques, secretos e os cantões da cidade no trelelê de convencimento para os votos para si ou seus candidatos.
A primeira é o amontoado de queixas contra o ex-vereador, então ativo por apontar erros na cidade – foi engolido então como relator numa CPI da Drenagem da Rua Frei Solano ao tempo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos -, funcionário de carreira da autarquia e que foi levado a presidência do Samae de Gaspar, Cícero Giovane Amaro, PL.
A outra é para a falta de resposta do time que Paulo Norberto Koerich, PL, montou para dar resolutividade naquilo que estava travado, ou enrolado, com Kleber, mas que, explicavelmente e isto passou muitas vezes por aqui, piorou muito ao tempo de Paulo com a importação em massa, de gente de outras cidades.
Os próprios vereadores da base de Paulo não escondem mais de que estão “pendurados no pincel” neste dilema: expor Paulo ou dar chances ao tempo que foi longo e voou contra eles próprios. Agora, sem pudor, estes mesmos vereadores acusam essa gente de fora – alguns já foram embora, mas só por conta dos escândalos revelados pela polícia – de apenas cumprir burocrático expediente por aqui. Tão logo dá 17 horas, feriados, sábados e domingo, desligam-se – inclusive os celulares – e vão para suas casas e lazer em Blumenau e litoral, deixando os vereadores moradores daqui expostos às queixas – e falta de soluções, ou simples respostas – aos gasparenses razão de ser do governo de plantão.
Sobre Cícero, que é gasparense, morador de Gaspar, já anotei aqui, só não caiu do pé, porque as opções para substituí-lo são complicadas, tanto na amarra política, bem como na necessidade técnica e gerencial de uma instituição. Ela é de alta importância e complexidade para a cidade. Vai da produção e distribuição de água potável (sem planos vigorosos de expansão e redundâncias), coleta e destinação de lixos (uma confusão, pois nem se sabe o que se recolhe), bem como a implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto (inexistente e em implantação precária). Tudo muito complicado, muita grana e autonomia, bem como sujeito a questionamentos muito além do técnico. Há cobiça. E se tudo isso fosse pouco, a equipe não é equipe e justamente por falta de liderança.
Por outro lado, a queixa contra a equipe em si de governo é uma demonstração clara de que Paulo Norberto Koerich, PL, e seus apoiadores, não se prepararam adequadamente para uma vitória. Ela, se sabia desde setembro de 2024, como praticamente certa. Fez-se um péssimo plano de transição e se descobriu mais tarde que não se tinha projeto reais para a prometida mudança. E isto ficou claro, na condução política que levou a presidência da Câmara, Alexsandro Burnier, PL. E se patinou ainda mais.
Paulo e seus bruxos, deixaram-se levar por interferências do PL de Blumenau, Indaial e de Florianópolis, tornando-se a prefetura de Gaspar um cabide de emprego de gente, como se viu pelo amplo noticiário, que tinha uma longa lista de problemas na polícia e no Ministério Publico. Para complicar, o vice Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos, quis o espaço que não tinha. Era vice. Sem votos. Remou contra. Foi isolado. Desgastes. Boicotou.
Na terça-feira, achando que não parte do problema, ouvindo tudo, mais uma vez, estava o chefe de gabinete, André de Moura Cunha Ele não mora aqui. Ouve, mas não reage. E já está perdendo a suposta autoridade da função. Por quê? Parece que nem serve para garoto de recados neste e nos assuntos que lhe compete gerir, entre eles o de fazer a ponte com Paulo e secretários, apagar incêndios e convencer o governo em não afrontar na falta ou má respostas aos requerimentos essenciais às funções dos vereadores, os cabos eleitorais, que agora, estão mordidos pela surra que levaram nas urnas.
ESTÃO DE OLHO NAS URNAS DE 2028
Para concluir. Neste novo momento, há uma corrida maluca contra o tempo diante do recado duro, doído e insofismável das urnas de Gaspar em quatro de outubro, mas que os candidatos daqui e dezenas, repito, dezenas, cabos eleitorais vereadores já tinham claramente um mau pressentimento para este desfecho ruim nas andanças deles pela cabala de votos na cidade.
A primeira coisa que se quer – nos buchichos e discursos – é a de gerar à ruptura de algo que não está funcionando. Não se trata de crítica. E sim, unicamente um ato de sobrevivência política desses políticos derrotados. A segunda, a de criar espaços para eles próprios – e não exatamente para algo estruturado para a cidade, cidadãos e cidadãs. Estão se aproveitando da desorganização, fragilidades e à priorização de resultados, a qualquer preço. Estão olhando apenas os votos aos interesses individuais deles próprios na busca da reeleição. A terceira, é a de interferir e criar fatias de poder para se ter prioridades, parcerias para se orgulharem e discursos em outubro de 2028. Nem mais. Nem menos.
Avisado, todos estavam. E desde antes da posse em primeiro de janeiro de 2025. Ela foi feita à noite para que todos pudessem aproveitar a sombra dela, o dia de praia e lazer daquele verão enquanto aqui o que se sabia que precisava botar a mão na massa desde a madrugado do dia primeiro de janeiro de 2025. Já era um mau sinal num ambiente que se sabia arrasado e deixado por Kleber e Marcelo de Souza Brick, PP, mote da campanha de Paulo e Rodrigo.
Contudo, dobraram a aposta na indulgência dos gasparenses. E por quê? Continuaram com as providenciais cortinas de fumaças. Lembram-se dos tais mutirões de roçadas? Ou seja, preferiram a propaganda da vitimização naquilo que sabiam que tinham a obrigação de mudar. Pois toda a campanha foi a de mostrar vícios e problemas que juravam ter capacidade para transformar a favor da cidade e de suas pessoas.
Mais. Se Flávio Bolsonaro, PL, ganhar e não deslanchar, a campanha local dependerá exclusivamente do que fez – e principalmente do que não fez, do que escondeu no condomínio (a cidade, que vai a debate) – Paulo Norberto Koerich, PL, pelos gasparenses e sua Gaspar. Além disso, não devemos nos esquecer que as urnas mostraram claramente de que estamos experimentando trocas geracionais e até de gênero que do nada ganham fama, urnas e poder. Tempos malucos. E os políticos gasparenses – tanto os vereadores do governo e os que aderiram a ele e estão sendo prejudicados na imagem – já sentiram cheiro de primavera no ar. Então… Muda, Gaspar!
TRAPICHE
A sessão – a única semanal deliberativa da Câmara de Vereadores de Gaspar – do dia 29 de setembro, semana das eleições. Duração: 25 minutos. Não seria o caso de cancelá-la para evitar este tipo de desgaste perante a cidade, em tempo de cata votos, agravada com sucessivas saídas antecipadas e participação a meia boca on line, algumas delas, de dentro dos seus carros?. O Congresso Nacional fez isso.
O carimbo de “Regime de Urgência” para qualquer Projeto de Lei do Executivo mereceu a tardia, muito tardia, revolta e duras críticas do mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP e pêndulo de governabilidade de Paulo Norberto Koerich, PL. E teve o endosso de outros vereadores da própria base parlamentar diante do próprio chefe de gabinete que criva e manda esses projetos para a Câmara.
O Projeto de Lei Complementar nº10 que passava a estrutura de Diretoria de Bem Estar Animal e a diretoria da de Habitação da secretaria de Planejamento Territorial para a de Bem Estar Social, teve seu regime de urgência quebrado na Câmara na sessão da semana passada, a da ressaca eleitoral. Ela, afinal, já está, igualzinha, na cara e inchada sindical Reforma Administrativa em trâmite na Casa.
Esta duplicidade deu o que falar nas Comissões temáticas da Câmara. A vitória foi da líder de governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. Quem fez o serviço, todavia, foi a oposição por meio do vereador Roni Jean Muller, MDB. Quem teve que enfiar a sacola no saco, foi a secretária Neuza Pasta Fillizetti, vinda de Blumenau e também era cabo eleitoral ativa de candidatos de fora de Gaspar.
O vereador Ciro André Quintino, MDB, presidente da Câmara é o campeão disparado de diárias no Legislativo gasparense: até agora R$16.025,00. A penúltima, foi para ir a Florianópolis no dia seis de outubro, dois dias depois da eleição e dia de sessão na Câmara. A justificativa? Manjada. “Angariar recursos para Gaspar”.
Até agora a Câmara de Gaspar gastou R$132.195,00 em diárias para vereadores e funcionários. Um recorde. Em segundo que mais pegou diárias entre os vereadores foi o estreante Roni Jean Muller, MDB, com R$10.080,00 e em terceiro, Alexsandro Burnier, PRD, com R$9.360,00.
A comunicação inventiva. Cabo eleitoral levou dono de rede social daqui para Blumenau. Fingindo casualidade, ele o registrou como papagaio de pirata e proximidade do seu candidato eleito nos desfiles da Oktoberfest. É intencional e está olhando as eleições de 2028.
A comunicação contraceptiva. É incrível a insistência de se colocar Paulo Norberto Koerich, PL, como o porta-voz do seu governo. Há tantos erros técnicos nisso que se duvida que isto esteja sendo feito por alguém especializado, ou com a intenção de realmente produzir efeitos positivos ou benefícios políticos para ele e seu entorno. Credo!
Paulo Norberto Koerich, PL, precisa urgentemente trocar de santos protetores, se não quiser trocar de conselheiros. Ficou na defensiva nestas eleições. E a ingratidão, é um dos piores companheiros de uma pessoa e uma sinal de morte para um político. Paulo é cria de apoios que fingiu não ter obrigação da reciprocidade na primeira eleição após a sua vitória. É um sinal claro de que não quer ser reeleito?
Entretanto, nada se compara a dois erros que teve nas aposta que fez. A primeira delas foi no ex-prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, PL, cuja proximidade deixou manchas no seu próprio governo diante de operações policiais vindas de Blumenau. A segunda aposta que terceirizou a secretários e os deixou ao Deus dará para ter culpas nos resultados, foi na tentativa de reeleição de Ivan Naatz, PL, adversário de Mário dentro do próprio PL. Não deu certo. Estava escrito. Quem serve a dois senhores, engana os dois e passa vergonha. Bingo.

A prefeitura de Gaspar mandou informar – e só para acalmar nas cobranças contra ela – de que a obra de proteção da barranca do Rio Itajaí Açú (foto acima), na Rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueiras, vai ser retomada. Não se sabe quando. Falaram com a polícia, Ministério Público e Justiça. O problema da Engeplan com eles, não estaria nesta obra. E a Engeplan garantiu a prefeitura de Gaspar, que por conta das operações policiais que congelou parte do seu caixa, teria desistido para obra. A prefeitura diz que vai prosseguir por via própria, ou nova licitação.
Mas, o que a cidade quer saber e esta foi a razão da obra de ter sido parada, além do embrulho de quem a inventou, o ex-secretário de Planejamento Territorial, Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, vindo de Blumenau: o superdimensionamento na compra de materiais.
Foi isto que gerou o pedido de uma CPI que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, manobrou para enterrá-la, incluindo o voto do caçador do coisas mal explicadas do governo de Kleber Edson Wan Dall, Podemos, para se tornar assim o “campeão de votos” na reeleição, Alexsandro Burnier, PRD. Segundo se alegou à época para tudo abafar, estava em curso Processo Administrativo Disciplinar na prefeitura e que ele esclareceria tudo.
Ora, se Paulo Norberto Koerich, PL, e o seu governo não possuem nada a ver com a trama como sempre jurou, está mais do que na hora de antes de recomeçar as obras prestar contas a cidade, cidadãos, cidadãs e à própria Câmara. Além da obrigação, foi o próprio governo e sua base na Câmara que prometeu a cidade para abafar a CPI, com medo de mais uma vez se desgastar às vésperas das eleições.
Aliás, diante das chuvas, parte do material comprado e colocado no canteiro de obras já se foi. A areia é um deles. Blocos de concreto, se a água do Rio Itajaí Açú subir, serão outros. Desperdício com o dinheiro público que se diz escasso. A obra é aqui, mas o dinheiro é de Jorginho Mello, PL. Quem se responsabilizará por isso, além do que falta explicar e já levantado em várias ocasiões pelos vereadores Giovano Borges, PSD e Thimoti Thiago Deschamps, União Brasil, este ligado ao vice Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos.
O certo é que o local está um perigo – para veículos e pessoas -, com sinalização deficiente, está cedendo progressivamente e poderá isolar a região, isto sem falar de que no local passa a canalização de gás. Antes do desvio, não se podia passar sobre ela por ameaça de rompimento e explosão. E agora pode? Humm!
Este artigo, a princípio será o único da semana, apesar da montanha de temas no meu arquivo.
4 comentários em “QUASE DOIS ANOS DEPOIS DO GOVERNO PAULO GANHAR COM 52,98% DOS VOTOS VÁLIDOS E ASSUMIR COM A PROMESSA DE MUDANÇAS “PROFUNDAS” NO JEITO DE GOVERNAR E ENTREGAR RESULTADOS À CIDADE, A SUA BASE NA CÂMARA E OS AGREGADOS DELA JÁ ADMITEM QUE É PRECISO PEGAR LOGO NO TRANCO PARA SE TER SUCESSO EM 2028”
KASSIO PRECISA PROTEGER A JUSTIÇA DA MÁ FAMA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo
O Judiciário brasileiro nunca esteve com a má fama de hoje. Não precisa piorar. Depois do vexame da censura contra o “Exército de Lula”, o ministro Kassio Nunes Marques terá aprendido que sua caneta não tem tanta tinta quanto gostariam os bolsonaristas.
Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mandou calar o canal de propaganda “Exército de Lula” (4 milhões de seguidores). Atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusava o canal de divulgar notícias falsas.
O ministro viu-se contrariado pelo corregedor do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva, um magistrado que atravessa incólume o annus horribilis do Judiciário brasileiro. Derrubada a censura, Nunes Marques pediu à área técnica do TSE que examinasse as postagens da plataforma.
Ontem, ele dobrou a aposta: voltou a censurar o canal e, horas depois, liberou o funcionamento num prazo de 48 horas. O presidente do TSE dispõe de canais e de normas capazes de evitar semelhantes fuzuês.
A escalada do ministro ocorreu quando ele era acusado de fraquezas mais graves, mais vulgares e muito mais impróprias. A serem notícias falsas, seriam muito mais tóxicas que as do canal censurado.
Corre a lenda de que ele entrou no Palácio da Alvorada pedindo para ser indicado ao Superior Tribunal de Justiça e saiu escolhido para o Supremo Tribunal Federal (STF). Usufrui a amizade e as doçuras de milionários. É uma espécie de Zagallo (“Vocês vão ter que me engolir”).
O contravapor tomado pelo presidente do TSE mostra que esse tribunal tem a musculatura que escasseia no STF. Faltam menos de duas semanas para o fim da temporada eleitoral. Deixado para trás o primeiro turno, vê-se que a censura ao “Exército de Lula” foi a primeira grande escorregada do ministro.
Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro fez um apelo aos seus seguidores:
— Ninguém está tomando mais risco do que eu nessas eleições. Então, você toma um pouquinho de risco também. Estou te pedindo. Eu sei que você fica preocupado às vezes de postar sua opinião aqui nas redes sociais, de ser bloqueado, de ser banido, mas a gente tem que correr esse risco. Vamos defender aquilo em que a gente acredita — disse.
Nunes Marques não tomou risco, comprou uma parada perdida. Censurou notícias falsas, mas não sabia quais eram. Para ser justo, pediu o apoio da área técnica do tribunal; ela veio e contrariou-o. Alguém vendeu gato por lebre ao presidente do TSE, e ele correu para atender a um dos lados da contenda eleitoral.
A campanha de Flávio mostrou as notícias falsas. Por enquanto, o TSE já calou uma patranha, da campanha de Flávio, em que se acusava uma mulher de consumir cocaína durante a manifestação lulista de domingo na Avenida Paulista.
A campanha de 2018, que levou Jair Bolsonaro ao Planalto, nadou de braçadas nas notícias falsas. Quem não se lembra do “kit gay”, que seria distribuído nas escolas?
O tempo passou, e todo mundo ficou mais esperto.
Pode ser uma explicação à razão pela qual o governo do PT, da esquerda do atraso e do populista sem pudor algum, o que tenta comprar votos com mais de R$354 bilhões (segundo levantamento publicado hoje no jornal O Estado de S. Paulo) dos pesados impostos e cada vez mais altos, cobrados on line, quase sem mecanismos de contestações, de todos os brasileiros, sob o aval da Justiça e Congresso, mas as pesquisas, teimosamente, continuam até esta quarta-feira, mostrando que esta manobra à margem da lei eleitoral expressa que da isonomia aos candidatos, não está sendo efetiva para os criminosos no poder de plantão e ideológicos radicais, que defendem a democracia, mas não admitem a simples alternância de poder, contra o futuro da economia e do próprio povo, o único pagador das contas dos políticos, partidos e candidados irresponsáveis.
COMO VIRAR VOTOS QUANDO NINGUÉM QUER MUDAR DE LADO? por Wilson Gomes, no jornal Folha de S. Paulo
Se conquistá-los já é difícil, imagine virar votos. Ainda mais em certas circunstâncias que se empilham nesta eleição.
Primeiro, quando o voto e o veto se equivalem. Quer dizer, quando há praticamente um empate entre o percentual de votos obtido por um lado e o de rejeição do adversário. E vice-versa. Assim, quem tentar mudar um voto vai ter que lidar com algo muito profundo: a decisão do eleitor de não votar naquele candidato de jeito nenhum.
Quando as pessoas escolhem com base nas características dos candidatos ou nas políticas públicas que oferecem, há sempre a possibilidade de mudar uma ponderação por conta da propaganda, de informações novas, da conversa política cotidiana. Mas quando se vota em um candidato para evitar que o outro ganhe, a perspectiva de mudança é mais complicada.
Segundo, quando o voto se baseia na identificação com um lado e na hostilidade ao outro, deixa de expressar uma mera preferência para se tornar a reafirmação de pertencimento e lealdade ao grupo. Há muito mais em jogo que escolher simplesmente um candidato entre vários: reafirmar vínculos e crenças, demonstrar fidelidade e coerência. Mudar de voto significa abandonar os seus, romper solidariedades, trair valores. Afinal, se já desconfiamos do caráter de quem muda de lado no infortúnio, o que pensar de quem troca de campo quando a vitória está a um passo?
Há, além disso, um custo psicológico. Mudar de voto pode significar admitir, perante si mesmo, que se estava errado o tempo todo. Quanto mais investimos em uma escolha, mais difícil reconhecer o erro. Para preservar a imagem que fazemos de nós mesmos como pessoas lúcidas e coerentes, tendemos a minimizar as falhas do nosso candidato, desculpar seus erros e justificar suas contradições. Queremos evitar o desconforto de descobrir que nossas convicções podem não ser tão sólidas quanto imaginávamos. Não é para qualquer um pagar o preço emocional de uma decisão que contradiz tudo aquilo em que acreditou e que defendeu durante anos.
Tampouco se deve subestimar o papel do histórico de rancor e ressentimentos contra o outro lado. São oito anos —e três eleições— de hostilidades construídas sobre bases morais. A convicção de que o outro lado é vil, estúpido e fanatizado é alimentada pela lista das atrocidades que dizem e fazem os seus membros e pela memória de humilhações e ofensas. A identidade do grupo foi erguida sobre a crença na superioridade moral e cognitiva, em contraste com a maldade e a burrice dos inimigos. Como esperar que anos de rancor cedam, de repente, diante de argumentos, evidências e apelos vindos do outro lado?
Pode-se sempre argumentar que não teríamos tido a alternância em 2022 e no primeiro turno de 2026 se votos não pudessem ser revertidos. É fato. Lula agora perdeu votos que provavelmente foram seus na eleição passada. Mas o ponto não é que votos não podem ser virados —eles podem. É que certas circunstâncias desta eleição tornam isso particularmente difícil. Ao longo de um mandato, o eleitor acumula experiências, frustrações, informações e avaliações que podem levá-lo a mudar gradualmente de preferência, sem um momento específico de conversão. O que não sabemos é se aquilo que levou quatro anos para se materializar nas urnas pode acontecer novamente em 15 dias.
Admitamos que esses sejam os votos de uma fração dos chamados “independentes”, que não votam por identificação com lulistas ou bolsonaristas e, portanto, não estariam submetidos aos mesmos engessamentos identitários. Supõe-se que sejam o fiel da balança que inclina a eleição para um lado ou outro. Nesse caso, o que poderia levá-los a reverter o voto dado no primeiro turno? Ou o que poderia motivá-los a votar agora, quando não o fizeram no primeiro, ou a dar um voto válido, quando se negaram a fazê-lo em 4 de outubro?
Na verdade, ninguém sabe como fazer isso porque ninguém conseguiu até agora reverter uma derrota no primeiro turno de uma eleição presidencial. A militância certamente não o fará, pois o militante identificado com o lulismo nem sequer reconhece a existência de eleitores independentes, tratando-os como bolsonaristas envergonhados que só podem ser desprezados ou intelectualmente corrigidos.
E a campanha, que já deveria ter-se dado conta de que tudo será decidido por aqueles 3% de votos errantes que não são de ninguém, o que fará a respeito disso? Vai focar em convertê-los ao lulismo em vez de apenas convencê-los a dar o voto que negaram no primeiro turno? Teremos duas semanas para ver como resolvem esse dilema.
LULA, PT E A ESQUERDA DO ATRASO ENDURECERAM O JOGO, by Herculano
O octagenário Luiz Inácio Lula da Silva aceitou ser tiktoker. Escorregou, mas vale tudo. Mais parece a cobra perdendo a pele do que um camaleão se camuflando e se adaptando ao novo cenário desafiador. Antes muito tarde do que nunca. Em Gaspar temos a prova viva de que paquiderme político e redes sociais não combinem e nem convencem. É outro mundo.
O PT virou plural. Em 2022, no segundo turno se elegeu com amplo arco do Centrão. Depois, mandou bananas para todos. Botou os seus. E radicais. O resultado está aí. Desespero. Está mentindo e fazendo uma falsa “mea culpa”. Enganará mais uma vez. É do ramo. É história.
A esquerda do atraso (academia, artistas, estudantes universitários, sindicatos, jornalistas, a expressiva maioria de funcionários públicos estáveis e os cheios de penduricalhos e privilégios etc…) estava em silêncio. Saiu do conforto. E mostra tão ogra e violenta como sempre foi.
Os Institutos de Pesquisas, desmoralizados no primeiro turno, voltaram esta semana. Sinalizam virada. O mercado ainda não engoliu.
A grande imprensa, parece cabo eleitoral e tem um candidato. Serão 13 dias para testar nervos e se conhecer a podridão, os radicalismos, as mentiras, o jogo sujo e os blefes. E de ambos os lados. Não há santos nesta história. Flávio, parece que sentiu. Está respondendo. E quem responde, não propõe, não encurrala, não esclarece, não convence, não avança e sequer protege o que já conquistou. Admite, dessa forma, que tem culpa no cartório e que não é diferente de quem está no mesmo ringue desafiando-o com golpes baixos. Pior, manjados. Não se preparou, então. Se vencer, tempos piores, muito piores virão.
O constrangimento promovido pelo PT, Lula e a esquerda do atraso – como num animal selvagem ferido lutando pela própria sobrevivência -, todavia leva ao silêncio de parte dos que estão na cena e serão decisivos no desenlace deste luta onde não há bozinhos.
Este silêncio pode ser o trunfo mais eficaz até aqui da direita, do liberalismo e do conservadorismo que não são bolsonaristas (os barulhentos e pecadores). Eles também não votam, ou parte significativa não quer a vitória de Lula. Foram eles, os não bolsonaristas, que enganaram as pesquisas. São eles, que não enfrentam o Exército de Lula no campo de batalha aberta. Apenas votam. Lula, PT e a esquerda do atraso sabem disso, mas não sabem lidar com isto, para além do enfrentamento e constrangimento. E perdem, por causa do velho cacoete jurássico.
O CHICOTE MUDOU DE MÃOS, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
O presidente do TSE mandou derrubar o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado por André Janones. O deputado aplica contra o bolsonarismo aquilo que o bolsonarismo sempre aplicou contra os adversários: a difusão em massa de comandos para espalhamento de informações frequentemente mentirosas.
Lula reclamou do presidente do TSE: “Estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra nossa campanha. Não é possível que o presidente da Justiça Eleitoral não tenha um compromisso civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça”. A fala poderia ser de Jair Bolsonaro, em 2022.
O presidente do TSE mandou derrubar o canal lulista em consonância com a doutrina gilmarmendista: ignorando o juiz natural e atropelando determinação do relator. Flávio Bolsonaro, insatisfeito com as providências ordenadas pelo ministro Cueva, decidiu escolher o juiz. Escolheu Nunes Marques, que então abriria a constituição – o Direito Eleitoral Xandônico – que a jurisprudência do TSE, chancelada pelo STF, escrevera.
Flávio elogiou a decisão e pediu mais: “Espero que a Justiça Eleitoral continue. Seja mais ágil, inclusive. Porque os caras criaram um canal de divulgação de mentiras em massa. É um absurdo”. A fala poderia ser de Lula, em 2022.
O ato censor – sim, censura, também prévia – de Nunes Marques presta todas as homenagens à obra de Alexandre de Moraes. É uma ode a Xandão. O legado da Presidência que, em defesa da democracia, outorgou-se o poder de resolver casos omissos. Casos omissos, para solução individual do togado, serão aqueles que o xandão da vez quiser.
A resolução xandônica 23.714/2022/TSE contempla – banaliza – a suspensão temporária de perfis, contas ou canais mantidos em mídias sociais. Ao validála, o Supremo assentou que a censura prévia não seria censura prévia “em caso de produção sistemática de desinformação sobre o processo eleitoral”. Censura prévia, baixada sob conceitos vagos.
Também a Segunda Turma fora expressa a respeito das garantias para a atividade do arbítrio à baciada: “determinação de indisponibilidade de perfis mantidos em plataforma social em caso de grave ofensa ao processo eleitoral” não caracterizaria censura prévia. É por onde avançam André Mendonça e Nunes Marques, autorizados pelo plenário do STF, consagrador do mantra xandônico segundo o qual a liberdade de expressão seria balizada pelo binômio liberdade e responsabilidade, e que o seu exercício “não pode ser utilizado como verdadeiro escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”.
O ministro Cueva, desta vez, mais uma vez, removeu a censura de arrastamento. A tendência – tendência do STF – é à censura, desconsiderada a repressão individual a conteúdos ilícitos. A balança do Supremo – distorcidos os pesos da Constituição – pende à restrição integral ao funcionamento de meios de comunicação. É a regra.