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O ÓBVIO DO ATUAL GOVERNO DE GASPAR É UMA DIFICULDADE PARA SER RECONHECIDO E IMPLANTADO POR ELE PRÓPRIO MESMO NO VAREJINHO. ENTÃO SOBRAM DECEPÇÕES. JÁ AS MUDANÇAS REAIS E NECESSÁRIAS, QUANDO E SE ELAS ACONTECEREM, DIANTE DESTE ARTRASO E RESISTÊNCIA ESTARÃO COMPROMETIDAS PELA MÁ IMAGEM NA ARRANCADA DA GESTÃO PAULO E RODRIGO

Corrigido o nome da diretora do Hospital às 7h48min, de 08.05.25 e alterado o texto na parte do lamento de Joelma Silveira Quintino. Vamos apenas a três exemplos (ou dois?), entre muitos, e que irritam o governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e o engenheiro multi-titulado Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, quando escritas aqui. Paulo e Rodrigo estão em disputa aberta entre ambos, sempre negada quando isto apareceu aqui. Mas, ficou patente, mais uma vez, nesta terça-feira, na derrubada (oito votos a quatro, o presidente não vota; vota só se houver empate) do veto ao Projeto de Lei do vereador petista Dionísio Luiz Bertoldi, queria obrigar por lei a prefeitura instalar e operar câmeras e segurança nas escolas e creches municipais. Acima o prédio da prefeitura de Gaspar.

Este não é o assunto de hoje. Volto outro dia com mais detalhes dessa incrível rabeada.

Retomando. O primeiro desses exemplos, ressaltei em algumas notas no TRAPICHE em UM GOVERNO COM MUITO FUMACÊ PARA ESCONDER A FALTA DE INICIATIVA DELE PRÓPRIO. GOVERNA PARA A GALERA IDEOLÓGICA E A DO BATE-CABEÇA DE EGO. RESULTADOS PRÁTICOS PERCEBIDOS PARA A CIDADE ATÉ AGORA? QUASE NADA

Nelas, relatei que a líder de governo Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, apontou a diretora do Hospital de Gaspar, Aline Cristiane Deichmann da Cruz, enfermeira especialista especialista em auditoria e sistemas de saúde, nomeada em novembro de 2023 (governo anterior), como a responsável por tudo o que não funciona naquela casa de saúde. Eu não vou entrar no mérito, daquilo que a Alyne com “y” não explicou sobre o que Aline com “i” trava contra o que quer o governo de Paulo, Rodrigo,  PL e União Brasil para o Hospital, cidade, mas principalmente os cidadãos e cidadãs.

Vou ao ponto do óbvio e da fragilidade do atual governo. A queixa da líder de governo no plenário da Câmara, no horário da liderança, além de um desabafo, e ser uma desculpa pública sem meias palavras para livrar da culpa quem tem culpa [o atual governo] é, no fundo, um atestado daquilo que sempre escrevo aqui e sou excomungado: o governo de Paulo e Rodrigo não está fazendo o que prometeu e o que se espera dele no poder de plantão.

É impossível que uma simples diretora de um Hospital desafie um prefeito (com 52,98% de votos válidos, foto ao lado), o conselho do Hospital, um secretário de Saúde escolhido exatamente por ser, segundo os que nomearam ele, como sendo um expert na área de saúde e no Hospital, bem como um interventor nomeado pelo prefeito para gerir o Hospital em nome do governo, na montanha de dinheiro que manda para lá, algo em torno (porque nem isto é transparente ainda) de R$4,5 milhões por mês. 

Pior. Nesta terça-feira, a mulher do eleito três vezes vereador e quatro vezes presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB – que na terça ajudou a manter o veto do “delegado prefeito” no caso das câmeras, Joelma Silveira Quintino, MDB, relatou a impossibilidade de se contatar alguém dentro do Hospital de Gaspar para uma simples transferência de um acamado grave para uma UTI já disponível em Brusque. O relato é forte. O paciente, mais um, um jovem, veio a óbito. Ela diz: “não dá mais”. Mas, há quanto tempo eu e muitos outros dizem isto? Inclusive os eleitos e agora gestores de Gaspar, Credo

E na Justiça, o Hospital, via o aparelho da prefeitura, que é interventora dele, resistindo e tentando punir quem denuncia este tipo de coisa. Do lado do Hospital um monte de explicações, para previamente se proteger. Resta ao prefeito, sem ter o que fazer, lamentar mais uma morte e se solidarizar na dor com a família. Mas, até quando? Perguntar não ofende: o Hospital vai mover uma ação contra Joelma por nos contar a realidade? Quem é o responsável por tudo isso? No fim das contas é o “delegado prefeito”. Nem mais. Nem menos. Ele é o interventor do Hospital de Gaspar.

Vamos adiante.

Perguntar não ofende. Diante do que responsabilizou a vereadora e líder Alyne da tribuna da Câmara, o que falta para demitir, ou retirar da função, a diretora Aline e colocar o Hospital no caminho do atendimento mínimo padrão aos acidentados, doentes e acamados em busca de esperança e cura? Diante do que relatou Joelma o que falta para romper este estado de coisas que acabam com a imagem do Hospital de Gaspar? Ou estão arrumaram um bode de distração nesta sala cheia de problemas onde o atual governo de Paulo e Rodrigo, mais uma vez, não consegue resolve-los? Triste, macabro e repetido espetáculo? Qual é o santo forte dessa moça? Ou, quais as incapacidades e vulnerabilidades dos que iniciaram a fritura pública da diretora? sim, ela pode não ser a culpada e há quem tem o dedo dela apontado para alguns.

ÓBVIO II

O leitor, gasparense, pagador de impostos Carlos Eduardo Bornhausen, filho do falecido do ex-vereador Amauri (cito ele apenas para referência aos leitores e leitoras) apareceu por aqui na segunda-feira à noite com este comentário

“A câmara de vereadores deveria aproveitar que um novo contrato foi firmado e exigir transparência no serviço de roçada pra acabar de vez com as chances de novas falcatruas. Primeiro ponto é divulgar quem será o fiscal (funcionário de carreira ou suplente de algum partido da coligação), depois semanalmente ou mensalmente divulgar a relação das ruas com suas respectivas metragens. Por último disponibilizar um número na secretaria de obras para denúncias caso a população do bairro “privilegiado” pela roçada identifique que o serviço não foi feito. Bem fácil de resolver, basta tornar pública a listinha que o prestador de serviços entregar no obras pra cobrar pelo serviço. Economia de tempo e dinheiro, além de não deixar margem pra falcatrua.

Como acentuou Bornhausen no texto, é “bem fácil de resolver”, mas isso, só na cabeça de todos nós; menos na cabeça e atitudes dos políticos, incluindo os novos gestores de plantão. O “novo” governo quando montou o seu staff auxiliar preferiu ficar com os velhos vícios e com quem pensa como com o que não se quer ser mudado, mas precisa quando no poder ou na burocracia municipal. Simples assim. Ainda não saímos da era Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP. 

Repito: é só olhar a votação da derrubada do veto das câmeras nas escolas e creches na terça-feira nesta semana para saber à razão disso tudo. Para continuar a governando com a mínima estabilidade, o “delegado prefeito” está amarrado ao velho sistema que domina Gaspar há décadas, que era representado por Kleber, prometido ser interrompido para vencer. Venceu e com ele, o sistema continuou protegido. Basta olhar as posições de comando na máquina pública gasparense.

Na cortina fumaça criada para não se discutir que o velho continua no novo, o “novo” governo, agora, está envolto e perdendo o foco das mudanças e dos grandes temas da cidade. Arrumou a tal CPI do capim seco. Este assunto já tinha desfecho de apuração no âmbito da polícia especializada em corrupção de Blumenau, a mesma que vai prendendo, por provas apresentadas em juízo, a rodo em Blumenau. É algo bem semelhante ao daqui. E e por aqui, vai se enrolando.

Ah, mas há fatos novos e testemunhas bombas, fazem-me chegar alguns sem dar os fatos e nomes. Tanto o “delegado prefeito”, quanto a relatora da CPI, são policiais experimentados neste assunto. E eles sabem que se há fatos e possíveis indiciados ou testenunhas novos em apuração em curso, é só apresentá-los ao dono do inquérito na Polícia ou no Ministério Público. Não precisa de CPI para isso.

ÓBVIO III

Por que escrevi que seriam três exemplos, mas poderiam, ser no fundo, apenas dois?

Ora! Uma das maiores dúvidas que a cidade possui é em relação à situação caótica do Hospital – que ninguém sabe direito quem é o dono dele – e qual a razão de ele ficar desse jeito com está, com todos que prometendo solução, mas mudando de opinião tão logo se tornam interventores dele. A dívida é cada vez maior, mesmo com a montanha de dinheiro dos pesados impostos que se coloca lá pelo atual governo.

Este “embrulho não seria uma prioridade para uma CPI, por exemplo? Qual a razão de resistir a este passo de transparência? O que se quer esconder ou quem se quer proteger? 

Há, por outro lado, outras dúvidas que gerariam CPI com o mesmo teor explosivo. Entre elas, a fiscalização de obras, o milionário (R$12 milhões conhecidos, mas pode ser mais) menos de um quilômetro da perigosa travessia pasto do jacaré, onde nela, está uma corcova de camelo que trava caminhões longos e arremessa carros a possíveis acidentes.

E as tais floreiras e bueiros “inteligentes” cujo dinheiro jogado fora pela inutilidade e serventia do que se comprou, serviu de cavalo de batalha, usando e abusando da tribuna e das redes sociais, para reeleger um vereador como campeão de votos? Esqueceram tudo? Há mais. E há também, além das CPIs que normalmente não dão em nada, as verdadeiras prioridades para um administrador de Gaspar. Entre elas, está revisão integral do Plano Diretor, a implantação da coleta e tratamento de esgoto, a expansão da coleta e tratamento de água potável, a ampliação da mobilidade urbana com os vizinhos e dar solução razoável para aquele funil-vexame que é o binário da Coloninha; a verdadeira autonomia administrativa do Distrito do Belchior. E por aí vai.

Mas, não. O “novo” governo, o da mudança, apegou-se a um inquérito policial bem forjado tecnicamente para criar uma CPI por aqui, num copia e cola. A CPI é basicamente só da turma do governo que é minoria na Câmara e como se viu na terça, gente do governo passado que não terá muito a dizer ao pessoal de Kleber, a não ser, que era minoria e não teve como influenciar no resultado. 

Só este fato de se criar uma CPI um assunto que já tinha apuração especializada, se não é para policiais desmoralizarem os próprios policiais investigadores, embaralhando e atrasar o processo tudo no âmbito judicial em favor dos implicados, é o jogo do velho sistema.  Quem ganha com esta chicana? Não sei. Mas, quem perde, mais uma vez, é a cidade, cidadãos e cidadãs ávidos por esclarecimentos e transparência.

Com isso, o atual governo de Paulo e Rodrigo, diz a população que “fez” a parte dele, naquilo que todos já sabem, já foi feita silenciosamente pela polícia. O governo de Paulo e Rodrigo lavam as mãos perante ao governo passado. Gastam tempo. E não abrem novas frentes sejam de investigação pela Câmara, por informações levadas aos órgãos de fiscalização – ao menos isto até agora não foi tema de pauta pública dos governantes, e ao mesmo tempo, não avança nos grandes projetos e mudanças que Gaspar precisa. Estamos no quinto mês de governo. em pouco tempo, será meio ano. Só velharias, picuinhas e vinganças. 

Kleber e os seus – que supostamente estavam na alça de mira durante a campanha e por isso perderam vergonhosamente nas urnas –  agradecem. Estão sendo, previamente, poupados. Qual mesmo é a razão disso? Quem orienta esta gente? Por que, sabendo que está se desgastando tanto, o atual governo de Paulo e Rodrigo insiste neste varejinho que não vai levar à mudança alguma? Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Estava guardado a quatro chaves. Não está mais. A reforma administrativa que o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e o engenheiro multi-titulado Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, pretende apresentar a Câmara começa a ganhar contornos de revolta a alguns grupos de servidores. 

O “novo” governo gastou R$249 mil, por enquanto, sem licitação, para uma empresa de Florianópolis fazer um estudo. Eu sempre escrevi, porque pelo que se ouvia nos corredores da prefeitura, que a reforma administrativa exigiria mais dinheiro para mantê-la de pé, quando todos do governo juram não ter dinheiro para nada. O prefeito sempre negou isso. A conta está chegando.

Cálculo daqui. Ensaio de lá e as simulações das realidades desejadas e as possíveis vão mostrando nos estudos já avançados que realmente a máquina municipal terá um custo bem maior do que a atual no desenho como quer o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich, PL. Está-se na fase de sondar, de saber onde cortar, para o projeto não ter tanto impacto impopular, mais uma vez, contra o próprio governo.

E para criar novas secretarias – como comunicação, meio ambiente e a tal de segurança – poderá sobrar para os próprios funcionários em várias outras. funcionários efetivos com cargos no segundo e terceiro escalão vão abrir mão dos seus salários como diretores. Vão apenas acumular o salário funcional e a função gratificada.

Olhando as quase mil indicações de vereadores neste ano, inclusive as da base do governo, registra-se um percentual elevado pedindo a simples reposição de lâmpadas ou a trocas das antigas – que iluminam menos e consomem mais energia – pelas tais de LED. O Cemitério Santa Terezinha que fecha as 17h ganhou tal benefício. Já outras praças, pontes e ruas continuam com as velhas lâmpadas ou as escuras. E iluminação pública, é antes de tudo, segurança.

Manchete do press release da prefeitura de Gaspar do dia dois de maio para o governo do “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e do engenheiro multi-titulado Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL: alerta de Fumacê: Belchior Baixo e Santa Terezinha recebem aplicação na próxima semana [esta semana, na verdade]. Manchete do press release no dia 25 de abril do mesmo governo com aval ao prefeito do secretário de Saúde, Arnaldo Gonçalvez Munhoz Júnior.

Perguntar não ofende: prefeitura alerta para fumacê no bairro Santa Terezinha? Fumacê não é feito em áreas onde se constata uma maior infestação do mosquito da dengue? Mudou o critério?

Qual o porquê destas notas? É que no vídeo do prefeito e do secretário de Saúde, justificando o passa perna no vereador da própria base, Thimoti Thiago Deschamps, União Progressista, que tinha a mesma intenção num Projeto de Lei que foi aprovado na Câmara, justificou a liberação das flores em vasos furados com pedras e areia numa brecha de uma lei já existente, diante da queda de casos de dengue no bairro Santa Terezinha. 

Mudou? O Santa Terezinha não está, então, tão livre do mosquito e das infestações da dengue contra os moradores de lá? Onde estão os focos se não se o cemitério está livre dessa possível origem do problema?

São estas incoerências, no varejinho, na “vingancinha”, nos recados que a cidade que votou pela mudança vai perdendo as esperanças e o governo construindo o seu próprio descrédito. Restou, então, entre as prioridades da nova administração, melhorar a iluminação do cemitério Santa Terezinha. Só faltava gastar dinheiro dos combalidos cofres da prefeitura, segundo os novos gestores, com iluminação diurna. Nem mais, nem menos. Muda, Gaspar!

Narrativa I. Uso o post do deputado Federal paranaense Zeca do PT, filho de José Dirceu, mas que é um repetido mantra depois que foram apanhados mais uma vez na cena do crime com a boca na botija. “Começando o dia com verdades secretas que precisam ser ditas. Sete de nove convênios envolvidos nas fraudes do INSS foram assinados sob Bolsonaro [presidente Jair Messias Bolsonaro, PL]”

Narrativa II. Não há nada secreto. Um abriu as portas e viu as portas abertas, ao invés de fechá-las, preferiu entrar e roubar exponencialmente bilhões de reais de milhões de idosos podres, doentes e analfabetos.  Ao final, pego, sem como explicar esta mania reiterada, ainda culpa quem abriu as portas, mesmo tendo a oportunidade de não entrar ou de fechá-la. Bolsonaro e Lula são iguais. Lula é pior. Ainda quer pagar os que foram roubados pelos sindicatos e entidades assistenciais, com ampla conivência do aparelho estatal (as tais portas abertas e sem controle), com os nossos, cada vez, mais altos impostos. Incrível.

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20 comentários em “O ÓBVIO DO ATUAL GOVERNO DE GASPAR É UMA DIFICULDADE PARA SER RECONHECIDO E IMPLANTADO POR ELE PRÓPRIO MESMO NO VAREJINHO. ENTÃO SOBRAM DECEPÇÕES. JÁ AS MUDANÇAS REAIS E NECESSÁRIAS, QUANDO E SE ELAS ACONTECEREM, DIANTE DESTE ARTRASO E RESISTÊNCIA ESTARÃO COMPROMETIDAS PELA MÁ IMAGEM NA ARRANCADA DA GESTÃO PAULO E RODRIGO”

  1. QUEM PAGARÁ PELOS CRIMES DO INSS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não encontrou uma resposta minimamente satisfatória para o escândalo do INSS, o que o impede de controlar a crise.

    Está claro que o instituto e o Ministério da Previdência não tomaram providências relevantes a fim de conter o roubo de parte dos benefícios de aposentados e pensionistas, mesmo depois de anos de alertas de instituições de controle e investigação e da disparada dos descontos na administração petista.

    Houve titubeio na demissão do presidente do INSS. Lula demorou a exonerar o ministro. Diante de evidências de ineficácia e negligência, a providência maior se resumiu a promover a titular da pasta o número 2 de Carlos Lupi.

    Agora, o governo se mostra desorientado quanto à medida mais elementar: a devolução do dinheiro às vítimas das fraudes.

    Como noticiou a Folha, o governo estuda fazer o ressarcimento com recursos orçamentários —ou, em bom português, tirando mais dinheiro dos contribuintes, entre os quais estão os próprios lesados sob a guarda do INSS. Mas nem sobre isso existe clareza até o momento.

    Não se sabe qual foi a dimensão precisa do roubo, como definir quais beneficiários têm direito à devolução nem o procedimento para levá-la a cabo. Está em estudo, sem detalhes conhecidos, um acordo judicial.

    É óbvio que o caminho mais correto é fazer com que os sindicatos e as entidades favorecidas pelo esquema arquem com os pagamentos, começando com os recursos já bloqueados dos suspeitos. Entretanto tal opção está cercada de dúvidas, já que não há decisão da Justiça ou certeza sobre os responsáveis pelo esbulho.

    O desconto das parcelas de empréstimos consignados para beneficiários do INSS também foi bloqueado, aparentemente por suspeita de irregularidades, dadas as milhares de queixas de aposentados e pensionistas.

    Não à toa, o caso passou a ter repercussão maior nas redes sociais. O Congresso Nacional, omisso também por anos, ameaça interferir na questão ou instalar uma CPI.

    O chefe da Casa Civil, Rui Costa, acusou o titular da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Carvalho, de não passar informações, “em nível de ministro”, que pudessem permitir uma ação preventiva.

    Espantosamente, criticou-se em público a autoridade de governo que mais se ocupou de conter o crime.
    Foi por omissão e falta de espírito reformista que o governo Lula deixou o problema explodir no seu colo. Toda a sociedade parece fadada a pagar os prejuízos.

  2. AVACALHAÇÃO TRAMITA BEM NO CONGRESSO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

    Passou o Carnaval, passou a Páscoa, passou o feriadão do Trabalho e o ano no Congresso não começa. Logo virão as folgas das festas juninas e, para o descanso da fuzarca, férias em julho. O governo viaja.

    Mas os parlamentares estiveram ocupados. Primeiro, em reaver dinheiros maiores, aqueles R$ 50 bilhões em emendas. Segundo, ao menos no caso de centrões e direitões, a sovar a massa podre da pizza de anistias.

    É o caso da anistia para Jair Bolsonaro e outros golpistas. Experimentam livrar deputados acusados de golpe, como na tentativa de sustar o processo contra Alexandre Ramagem (PL-RJ), mas não apenas. Essa resolução, votada na semana passada pela Câmara, parece um laboratório de arranjos para salvar parlamentares acusados de roubanças, como no caso de emendas. Serve também para ameaçar o STF.

    O Supremo tem telhado de vidro. Faz mais de década extrapola seus poderes. Passou ainda a fazer parte na administração de acordões que desde 2016 regulam a política federal e o comando do Executivo, com auxílio do TSE (foi assim com Dilma Rousseff, Michel Temer, Luiz Inácio Lula da Silva e Bolsonaro). O Congresso, claro, não está preocupado com o papel constitucional do STF. Mas a politização do Supremo serve de pretexto para ameaças de retaliação.

    Ainda é improvável que passe a anistia para Bolsonaro. Para a maioria dos líderes partidários, não é bom o custo-benefício de comprar essa briga com governo e Supremo e de quebra lidar com um Bolsonaro ressuscitado. Em 2027, pode interessar.

    Estamos longe de saber dos candidatos a presidente no ano que vem. Mas o próximo Congresso deve ser praticamente o mesmo. Isto é, do centrão e do direitão, dinheirista ao extremo, dono do que sobra do Orçamento, na supermaioria disposto a qualquer negócio por emendas, anistia de comparsas e jabutis rendosos para empresas.

    Emendas, além de fundos partidários e eleitorais gordos, facilitam a reeleição, a eleição dinástica de parlamentares ou a de amigos do curral, como se viu em 2022. A grande vitória do centrão e do direitão na eleição municipal de 2024 criou mais cabos eleitorais. As leis favorecem o crescimento dos partidos médios para grandes, ora do centrão-direitão. Emendas impositivas tornam esse Congresso mais indiferente ao Executivo.

    Em termos ideológicos, é o Congresso mais distante de um presidente (de centro-esquerda) desde a redemocratização, como se vê pelos dados de um trabalho de César Zucco e Timothy Power (“The Ideology of Brazilian Parties and Presidents: A Research Note on Coalitional Presidentialism Under Stress”, de fevereiro de 2024). Seria de novo dura a vida de um presidente mais à esquerda em 2027, ainda mais porque haverá crise fiscal para domar.

    A popularidade de Lula deve estar baixa em 2026, com o que não haverá nem o efeito marginal da melhora de votação parlamentar de PT e agregados —presidentes mais bem cotados ou que lideram viradas, como Lula 2002 ou Bolsonaro 2018, engordam um pouco suas bancadas.

    A esquerda não tem líderes e ideias novas. Não criou estratégia de se capilarizar no Brasil profundo (na verdade, diminuiu o que havia de atividade missionária no interior). Continua derrotada nas redes sociais.

    O governo está desnorteado; o rumo do país parece por ora o do atraso desse semipresidencialismo de avacalhação do centrão-direitão ou da esquerda velha.

  3. BRASIL NADA TEM A GANHAR COM MAIS DEPUTADOS, editorial do jornal O Globo

    As bancadas estaduais na Câmara não são redistribuídas desde 1993, quando foram estabelecidas com base no Censo de 1991. De lá para cá, variações demográficas criaram distorções. Para respeitar o princípio constitucional da proporcionalidade entre os representantes e as respectivas populações representadas, nove estados cuja população aumentou — Santa Catarina, Paraná, Pará, Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Norte — deveriam ampliar suas bancadas, enquanto sete — Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Piauí, Paraíba, Bahia, Pernambuco e Alagoas — precisariam reduzi-las.

    Embora a Constituição determine que as bancadas sejam atualizadas antes de toda eleição, isso depende do recenseamento populacional. Omisso, o Congresso aproveitou esse pretexto para deixar de ajustá-las depois dos Censos de 2000 e 2010. Agora, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), os parlamentares têm o dever de rever a distribuição segundo o Censo de 2022. Os deputados aproveitaram para tentar outra mudança, de natureza corporativista e paroquial.

    A Câmara aprovou um projeto que cria 18 novas vagas na Casa, elevando o número de 513 para 531. Dessa forma, nenhum estado perderia cadeiras, e as novas seriam usadas para reequilibrar as bancadas. A proposta seguiu para o Senado. Atualizações periódicas da bancada são cruciais para reduzir as distorções causadas pela demografia. Mas a decisão de inchar a Câmara tem como objetivo apenas acomodar o interesse de bancadas que perderiam cadeiras, de modo a mantê-las intactas.

    Noutros países, o movimento tem sido o contrário. Os Estados Unidos têm 435 representantes desde 1929. A Itália reduziu os seus de 630 para 400. A Alemanha, de 736 para 630. O Japão, de 480 para 465. França e Portugal estudam tomar medida semelhante.

    Em teoria, o cálculo do tamanho das bancadas deveria ser simples: divide-se a população brasileira pelas 513 cadeiras e chega-se ao número de brasileiros que cada deputado representa (382.449). Depois, caso o voto de cada brasileiro tivesse o mesmo peso, bastaria dividir a população de um estado por esse número para obter o tamanho justo de sua bancada. A valer tal regra, São Paulo teria 120 deputados; Acre, Amapá e Roraima, apenas dois. Para evitar tal desproporção, porém, a Constituição estabelece um mínimo de oito e um máximo de 70 por bancada. É por isso que um voto de Roraima acaba valendo oito votos paulistas. Mas a mesma Constituição não prevê nenhum aumento no total de parlamentares com as variações demográficas.

    É evidente que cada novo deputado virá com gabinete, séquito de assessores e verbas de todo tipo. O custo das novas vagas para a Câmara é estimado em R$ 64,8 milhões anuais. Sem falar nas emendas parlamentares — em 2024, cada deputado teve direito a quase R$ 38 milhões só em emendas individuais. O inchaço será reproduzido nas Assembleias estaduais, com 30 novas vagas ao custo de R$ 75 milhões por ano, como mostrou reportagem do GLOBO. Os deputados minimizam o efeito fiscal com o argumento de que tais gastos serão cobertos pelo remanejamento de verbas. Pura balela.

    O STF fez bem ao determinar que as bancadas sejam reequilibradas. Para isso, o certo seria transferir cadeiras entre os estados segundo sua representação. Aumentar o número de deputados é só gastar mais dinheiro para nada.

  4. O texto abaixo é didático. Mesmo assim, se não há “casa revisora” do STF, há na Constituição, a possibilidade de “impeachment” dos ministros da Corte, pelo Senado, se ele “enxergar” abusos. Os senadores ainda não “enxergaram”…

    NÃO EXISTE “CASA REVISORA” DO STF, editorial do jornal Correio Braziliense

    A Câmara dos Deputados, na quarta-feira, aprovou em plenário a sustação de ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada à tentativa de golpe de Estado na qual está incluído o deputado Delegado Ramagem (PL-RJ), por 315 votos a 143 e quatro abstenções. O presidente Hugo Motta (PR-PB) definiu que não haveria discussão em Plenário sobre a suspensão de ação penal, apenas a votação. Promulgada na forma da Resolução 18/25, a votação ocorreu a toque de caixa: na mesma tarde, foi apreciada de forma relâmpago na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

    Trata-se de mais uma insistência do Legislativo em impor uma agenda de choque com as prerrogativas do Judiciário. Seu texto foi elaborado com o propósito sub-reptício de contemplar os demais envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, que são réus como Ramagem, e, ainda, proteger dezenas de parlamentares que estão sendo investigados por desvio de recursos de emendas parlamentares. Devido ao espírito de corpo, teve ampla aprovação.

    O relator do pedido, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), alegou em plenário que caberia à Câmara sustar a ação porque os crimes de tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa, dos quais Ramagem é suspeito, teriam sido praticados depois de sua diplomação. A redação, porém, não especifica que a sustação do processo se refere a Ramagem, sendo que a ação engloba oito acusados, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo anterior, Ramagem é um dos réus no processo de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Foi indiciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como um dos integrantes do “núcleo crucial” da trama golpista por ter prestado suporte técnico, elaborando documentos para subsidiar ações de desinformação, especialmente em relação à segurança do sistema de votação eletrônico e à legitimidade das instituições responsáveis pelo processo eleitoral de 2022.

    O presidente da Primeira Turma do STF, ministro Cristiano Zanin, em ofício à Câmara, havia informado que a suspensão só valeria para os crimes cometidos após a diplomação como deputado eleito, em dezembro de 2022. Portanto, seria possível interromper a análise de dois crimes (dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado), por se referirem aos atos de 8 de Janeiro, que ocorreram após a diplomação. Os demais crimes, não: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Não há previsão legal de sustação para outros réus, como Jair Bolsonaro.

    Em seu relatório, Alfredo Gaspar buscou refúgio no artigo 53 da Constituição, que trata da imunidade parlamentar, prevendo que cabe à Casa do parlamentar decidir sobre o andamento de ação penal (sustação ou prosseguimento). Assim, as 34 pessoas acusadas de estimular e realizar atos contra os Três Poderes e contra o Estado Democrático de Direito, incluindo Bolsonaro e ex-ministros como os generais Braga Netto e Augusto Heleno, seriam beneficiadas na decisão. Ledo engano, a Câmara não é uma “casa revisora”. Quem faz as leis não interpreta as leis, isso é papel do Judiciário.

    Nesta sexta-feira, a Primeira Turma do STF formou maioria para derrubar parcialmente a decisão da Câmara dos Deputados. Os ministros votaram para que Ramagem continue respondendo por três dos cinco crimes imputados a ele: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa. Foram suspensos até o fim do mandato os crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, conforme determina a Constituição.

  5. EM BRASÍLIA, SÓ FUMAÇA PRETA, por Vera Magalhães, no jornal O Globo

    O dissenso parece ser o estado permanente da política brasileira em 2025. O ano já vai quase pela metade, e pouco ou nada andou. Entre os Três Poderes e as instituições adjacentes só sai fumaça preta, seja qual for o assunto em tela.

    A inflação vai se mostrando um inimigo mais difícil de abater do que o Banco Central previa. Mesmo com um choque de juros que já chega a 4,25 pontos, que elevou a Selic a 14,75% ao ano, o maior patamar nominal desde julho de 2006, a expectativa do mercado para a inflação do ano segue em 5,53%, com tendência de queda, mas ainda bem acima do teto da meta, de 4,5% ao ano.

    A trégua da ala do governo que fazia coro contra a política contracionista do BC nos tempos de Roberto Campos Neto parece prestes a acabar, até porque o governo, que agoniza sem sinal de recuperação na crise da fraude do INSS, precisa urgentemente resgatar um inimigo externo para tentar virar a página.

    Sim, Gabriel Galípolo é prata da casa e foi indicado por Lula, mas nos bastidores do governo a quarentena de críticas e a disposição de entoar o discurso de que a culpa pelos juros é apenas do antecessor diminui a cada dia.

    Na gestão do BO do INSS as coisas também só pioram, e os conflitos mostram que se está a léguas de qualquer consenso. O mais recente capítulo, revelado pela repórter Renata Agostini, mostra ministros da cozinha do presidente se digladiando para apontar culpados por um rombo que ninguém sabe como tapar.

    O maçarico que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, ligou na direção do colega da CGU, Vinícius Carvalho, veio justamente quando a oposição emplacou um vídeo com mais de 100 milhões de visualizações e grande repercussão, jogando todo o esquema fraudulento no colo de Lula, a despeito de ele ter começado no governo Jair Bolsonaro.

    Não era um segredo tão difícil de descobrir quanto o resultado de um conclave adivinhar que Nikolas Ferreira faria um vídeo viral sobre esse caso. O governo teve quase três semanas de lambuja até que o deputado saísse da toca com sua peça, bem mais tempo que na crise do Pix. Ainda assim, não houve nenhum trabalho preventivo de comunicação para dar respostas compreensíveis e em ampla escala aos segurados ainda atônitos com os descontos não autorizados em seus contracheques. Impressionante o amadorismo generalizado.

    Entre Legislativo e Judiciário, o clima também está longe do entendimento. Hugo Motta (Republicanos-PB) deixou correr solta a votação da suspensão da ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) e, a reboque, de todos os denunciados pela trama golpista no governo Jair Bolsonaro, alheio à flagrante inconstitucionalidade da medida. Motta parece ter jogado para a plateia, adotando a manjada estratégia de dar uma no cravo e outra na ferradura. Como já havia segurado o projeto da anistia aos condenados do 8 de Janeiro, achou por bem deixar passar o outro.

    Na prática, jogou a bomba para o outro lado da Praça dos Três Poderes, para que o Supremo Tribunal Federal dê a palavra final. Luís Roberto Barroso entregou a batata quente ao presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, que marcou sessão do colegiado para decidir sobre o trancamento da ação penal.

    Reservadamente, os ministros ironizam e minimizam o impacto da suspensão aprovada pela Câmara, dizendo que ela é “inócua” ou até “anedótica”. Certamente a decisão da Turma usará palavras mais polidas para desconsiderar a decisão dos deputados e seguir com a ação —no máximo aceitando suspender dois crimes menores, cometidos depois da diplomação de Ramagem, e só para o deputado, obviamente.

    Nesse quadro em que todo mundo fala e ninguém tem razão, nada de importante anda. As propostas do governo pegam pó nos escaninhos do Congresso, as “entregas” de Lula não chegam à população, e os Poderes seguem se acotovelando em cada vez mais assuntos. Nem sinal de fumaça (ou bandeira) branca.

  6. AUMENTO DE VAGAS NA CÂMARA É VELHACARIA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Por força da Constituição, o Congresso Nacional tem uma missão simples, mas nem por isso desimportante: atualizar o tamanho das bancadas estaduais na Câmara dos Deputados, para que se mantenham proporcionais à população dos respectivos estados —respeitados os limites mínimo de 8 e máximo de 70.

    Parlamentares, contudo, resistem a modificar regras pelas quais foram eleitos, razão pela qual reformas políticas costumam ser aprovadas somente após pressão da sociedade. Não é outro o motivo que explica o desprezo do Congresso pela redistribuição de cadeiras na Câmara.

    A última vez que se cumpriu esse mandamento constitucional foi em 1993. Em outras palavras, os censos de 2000 e 2010 foram solenemente ignorados pelo Poder Legislativo, e o de 2022 caminhava para o mesmo destino.

    Coube ao Supremo Tribunal Federal (STF) dar um basta na atitude mesquinha. Em 2023, a pedido do Pará, a corte determinou que o Congresso editasse lei sobre o tema até 30 de junho deste ano, resgatando a relação proporcional entre número de deputados e tamanho da população estadual.

    Agora, perto do fim do prazo, a Câmara cumpriu a decisão, mas não sem um toque de velhacaria. Em vez de apenas redistribuir as vagas existentes entre as bancadas, como seria de esperar, os deputados ampliaram a quantidade de cadeiras de nove estados.

    A artimanha lhes permite respeitar a ordem do Supremo sem precisar reduzir os postos de algumas unidades da Federação. Assim, se o projeto for aprovado também no Senado, o total de assentos na Câmara passará de 513 para 531 —sem que exista uma única boa justificativa para isso.

    Em tempo: o mandamento constitucional tem razão de ser. Trata-se de tornar mais justos os critérios de representatividade, garantindo que os votos de todos os brasileiros tenham peso aproximado. O que não tem razão de ser e não se pode aceitar é a fórmula proposta pelos deputados.

    Calcula-se que, com a criação das vagas, haverá um custo de quase R$ 65 milhões por ano, aí incluídos salários, benefícios e estrutura dos novos parlamentares.

    De acordo com o deputado Damião Feliciano (União Brasil-PB), o valor seria absorvido pelo atual orçamento da Câmara. É difícil acreditar nessa ladainha —e, se for verdade, isso significa que a Câmara tem desperdiçado pelo menos R$ 65 milhões anuais.

    Mas isso não é tudo. Ainda haveria um aumento no número de deputados estaduais, já que o cálculo dessas vagas é proporcional ao total de deputados federais de cada unidade da Federação.

    Em outras palavras, o que os deputados sugerem é que, sem nenhuma evidência de ganhos na qualidade da representação política, o país despenda mais de R$ 65 milhões por ano em assentos criados com a única finalidade de evitar a redução de postos parlamentares de alguns estados.

    O Senado, cujas cadeiras não estão em discussão, poderá impedir esse desatino.

  7. O SUPER-HERÓI NÃO VEIO, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador do município de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc. O artigo original foi publicado nas redes sociais do autor.

    Era só uma criança.
    Tinha uma bicicleta, um sorriso fácil e um mundo inteiro para descobrir.
    Caiu. Como todas as crianças caem.
    Levantou, como os pequenos sempre fazem.
    Mas algo dentro dela não estava bem.

    Foi levada ao hospital do município.
    O quadro piorou.
    Os pais, desesperados, conseguiram um leito especializado em outra cidade.
    Faltava apenas o transporte.
    Uma ambulância. Uma ajuda. Uma mão estendida.

    Eles pediram. Gritaram. Imploraram.
    Foram atrás das autoridades, dos que se dizem representantes do povo.
    Chamaram um dos “heróis” da Liga da Justiça da vida real — aquele que aperta mãos em época de eleição e promete estar sempre presente.
    Mas o herói não veio.
    A capa não apareceu.
    A resposta não chegou.

    Veio apenas o silêncio.
    E depois, a morte.

    Agora, resta um quarto vazio.
    Uma bicicleta parada.
    Um brinquedo que não será mais tocado.
    Um pai destruído.
    Uma mãe em pedaços.
    Um avô sem seu neto.
    Uma família, sem chão.

    E então surgiram os rostos indignados, as notas de pesar, os discursos emocionados.
    Mas tudo isso vem depois.
    Depois que o sangue já esfriou, depois que o corpo já foi enterrado.
    Depois que o povo já chorou.

    O jogo de empurra começa.
    Ninguém assume. Ninguém responde.
    Todos se esquivam.

    Mas você que lê, pense bem:
    E se fosse seu filho?
    Seu neto?
    Seu sobrinho?
    Seu pequeno?

    Não espere a tragédia bater na sua porta para perceber:
    Estamos à mercê da sorte.
    À espera de um herói que nunca vem.
    E no fim, tudo o que aparece…
    São apenas lamentações.

    E agora, o Dia das Mães se aproxima.
    Para muitas, será dia de flores, abraços e comemorações.
    Mas para ela… será o silêncio mais cruel.

    Porque nenhuma mãe deveria enterrar seu filho.
    Nenhuma mãe deveria implorar por socorro e ser ignorada.
    Nenhuma mãe deveria ter que sobreviver à ausência do seu pequeno.

    Ela não quer homenagens.
    Ela queria o filho de volta.

    Essa mãe vai olhar para a bicicleta parada, para os brinquedos esquecidos.
    E vai sentir a dor de um amor que continua — mesmo quando o filho já se foi.
    Não há superpoder que repare isso.
    Não há desculpa que acalente esse vazio.

    1. e o pior…ele não precisava de uma ambulância…ele precisava de um hospital saudável pra sair de lá com saúde…triste realidade…lamentável situação…

      1. E pior. Quem deveria disponibilizar um hospital capaz, saudável para recuperar o acidentado a sair de lá com saúde, se não foi zombaria, acha que está arrombando, enviando publicamente, num atestado inomiado, pelas redes sociais, pêsames aos pais da criança, como se isso fosse o máximo que uma autoridade pudesse fazer para estancar este tipo de caos de anos contra acidentados, doentes e vulneráveis. Quem mesmo orienta esa gente? E se questionar, a única coisa que sabem fazer é intimidar com recados e processos. Muda, Gaspar!

      2. odete.fantoni@gmail.com

        Exatamente isso.
        Há um ano e meio atrás a minha filha passou por um trauma semelhante.
        Foi atendida no mesmo SUS,
        mas o Hospital era o Azambuja de Brusque.
        Do ultrassom direto pra sala de cirurgia.
        Graças a Deus a hemorragia foi estancada e a minha bebê voltou com saúde pra casa! 🙌🌈🌟
        🥰

        Se lá funciona, pq aqui MATA?

        1. E hipocritamente, sempre, e de forma contínua, muda governo e gestão do Hospital, com sempre desculpas. No final, a culpa é do acidentado, do doente de quem quer apenas ser atendido. Impressionante

    2. A culpa, no final, será do motorista da ambulância ou de quem está indignado, pois são coisas da vida, dizem nossas otoridades

  8. Um artigo que todos deveriam ler. É um esclarecedor alerta que pode travar a nossa vida como competidor mundial. Falham a Justiça, os órgãos de controle e fiscalização do estado, que permitem o agigantamento do tal estado paralelo, o que não paga os pesados impostos e transfere esta conta para nós dar conta da burocracia e ineficiência estatal.

    PCC ENTRA NA AGENDA BRASIL-EUA, por Assis Moreira, no jornal Valor Econômico

    A agenda bilateral do Brasil com os EUA/Trump 2.0 inclui agora outro tema sensível: o Primeiro Comando da Capital (PCC), o mais perigoso grupo criminoso do país e que se expande globalmente.

    Donald Trump assinou ordem executiva recentemente incluindo na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) do Departamento de Estado seis cartéis de droga do México e as gangues latino-americanas MS-13, originária de El Salvador, a Tren de Aragua, originária da Venezuela, e grupos criminosos do Haiti.

    Para a Casa Branca, os cartéis internacionais são “uma ameaça à segurança nacional além daquela representada pelo crime organizado tradicional”, com atividades que abrangem “convergência com atores extra-hemisféricos, desde organizações designadas de terrorismo estrangeiro até governos estrangeiros antagônicos”, por exemplo.

    É a primeira vez que grupos puramente criminosos são qualificados por Washington de terroristas. Essa designação era até agora utilizada para grupos como Al-Qaeda e Estado Islâmico, que utilizam a violência para fins políticos.

    Essa designação tem amplas implicações para os países. Ela dá a Trump amplo poder para impor penalidades econômicas aos grupos criminosos, como também toda pessoa ou organização suspeita de fornecer apoio material, logístico ou financeiro aos cartéis será passível de punições pesadas impostas por Washington. A interpretação do que é apoio pode depender da vontade política do governo americano.

    Além disso, autoridades do vizinho México, que se dizem ciosas de sua soberania, suspeitam que a designação de cartéis como terroristas abre brecha para eventualmente legitimar intervenções militares clandestinas dos EUA em vários países em que essas organizações são ativas. Elon Musk, aliado de Trump, disse que a ordem executiva do presidente significa que os cartéis agora são elegíveis a ataques de drones.

    O PCC, a partir de sua base no Brasil, se tornou uma ameaça criminosa transnacional particularmente séria, explorando fraquezas de sistemas políticos, jurídicos e econômicos em diferentes partes do mundo.

    O PCC hoje já é classificado pelos EUA como organização criminosa internacional – mas não como terrorista. E, pelo que apurou a coluna, o governo brasileiro não quer e não acha que deveria ser classificado como grupo terrorista, como foi feito com os grupos mexicanos, haitiano e salvadorenho. Isso porque deflagraria a legislação diferente e mais complexa nos EUA com efeitos colaterais mais graves para o país.

    Por exemplo, em termos de sanções e outras ações autorizadas ao governo dos EUA, operação financeira do PCC poderia gerar sanções para o banco que processou, mesmo se o banco não soubesse que tratava com o grupo criminoso. A sanção viria se os EUA achassem que a instituição não tomou as medidas necessárias para evitar a operação.

    Não há ainda articulações específicas entre Brasília e Washington. Os relatos são de que, por enquanto, o governo brasileiro está recebendo missões americanas, mostrando o que está sendo feito para combater o crime organizado e aumentando cooperação para que os EUA não considerem necessário classificar o PCC como grupo terrorista, com os estragos que viriam em seguida.

    Quanto ao risco de o Brasil ser considerado país que abriga terrorismo, ao estilo do que Cuba é hoje, na visão trumpista, e que implicaria sanções mais graves ao país e complicaria o investimento externo, é uma hipótese que não se coloca e tem uma longa distância da realidade, segundo avaliação em Brasília.

    O fato é que o PCC está no radar internacional. Quando impôs sanções no ano passado a um operador acusado de lavagem de R$ 1,2 bilhão para o grupo, o Departamento do Tesouro americano observou a forte atuação da facção na América do Sul e presença nos EUA, Europa, África e Ásia.

    O governo do Reino Unido acaba de publicar relatório de uma missão enviada ao Brasil para estudar grupos criminosos organizados no país, que estima serem mais de 80, com domínio do PCC e do Comando Vermelho. Uma das constatações: “Existe corrupção em todos os níveis do sistema de justiça criminal e aqueles que ocupam posições estratégicas são vulneráveis à exploração por grupos criminosos. Entretanto, autoridades policiais expressam o desejo e a disposição de combater esses grupos e a corrupção”.

    França, Portugal, Espanha, Itália e outros países também têm deflagrado o sinal de alerta contra a presença local do PCC. O Instituto Australiano de Políticas Estratégicas (Aspi) publicou análise apontando “uma nova ameaça à segurança da Austrália: tráfico de cocaína por grupos brasileiros”.

    Um dos autores da nota é Rodrigo Duton, policial do Rio de Janeiro e especialista no momento no instituto australiano. Menciona a base das operações ilícitas como tráfico de drogas, contrabando de armas, corrupção, assassinatos por encomenda. E destaca que autoridades brasileiras descobriram esquemas de lavagem de dinheiro do PCC envolvendo imóveis, empresas de construção civil, postos de gasolina, coleta de lixo, igrejas, transporte público, concessionárias de veículos, mineração ilegal de ouro, fintechs, assistência médica pública, organizações não governamentais e operações de bitcoin.

    Um relatório publicado em Genebra prevê que nos próximos 15 anos o crime organizado se tornará globalmente mais difundido e poderoso do que é hoje. É que o chama de uma nova “era de ouro” para os criminosos, explorando escassez com crises climáticas, conflitos geopolíticos e avanços tecnológicos.

  9. TAPA NA CARA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Há certo consenso sobre o que se impõe a potências médias como o Brasil em meio à nova desordem mundial. Na linguagem acadêmica, trata-se de manter uma “neutralidade pragmática” em função de “inteligência estratégica”.

    Significa manter-se fora do eixo principal de conflito geopolítico entre EUA e China, evitando aderir a um dos lados. E olhar para oportunidades com um sentido estratégico, para bem além de ganhos comerciais de curto prazo – que são, no fundo, as “migalhas” que caem do tabuleiro no qual brigam os gigantes.

    É o que está em boa parte em teste na viagem de Lula a Rússia e China. Na qual, para um país como o Brasil, o “gesto” acaba virando “substância”. Colocando em risco neutralidade e estratégia.

    No caso da China, a questão da neutralidade é grave não só pela imensa importância daquele mercado para as commodities agrícolas e minerais brasileiras (que já leva os chineses a considerar o Brasil um “perigo”). Como ser um “amigo neutro”?

    E dimensão do perigo está no fato de que EUA e China disputam sobretudo a supremacia da inovação tecnológica (e militar). Não começou com Trump o esforço americano de impor um cerco à China na aquisição e desenvolvimento de chips para inteligência artificial, por exemplo. Postura que está sendo ampliada para quem Washington enxergue como aliado chinês.

    China e Rússia são hoje um bloco de grande coesão na formidável guerra fria em curso. É possível que Lula se inspire em Getúlio Vargas, o único personagem da história brasileira que considera à sua altura. Como é notório, Vargas nutria grandes simpatias pelas potências do Eixo antes da 2.ª Guerra, e extraiu um preço dos Estados Unidos para ceder o uso de bases no Nordeste.

    Mas o que Lula talvez esqueça é que Vargas entrou na guerra. Cerca de 25 mil soldados brasileiros combateram a partir de junho de 1944 na Itália contra a Wehrmacht. E o Brasil entrou do lado “certo”, isto é, do lado das potências ocidentais cujos sistemas de governo, instituições e valores são os que o Brasil considera os pilares da própria democracia.

    Não é à toa que esses países comemoram o Dia da Vitória em data diferente daqueles, como Vladimir Putin, que consideram o desaparecimento da União Soviética como um triste acontecimento. Não tem a ver com o dia no qual os generais alemães assinaram nos arredores de Berlim a capitulação incondicional (8 de maio com os aliados ocidentais, 9 de maio com o Exército Vermelho).

    Nossos soldados lutaram e morreram pela democracia. Celebrar essa vitória ao lado de Putin é dar um tapa na cara deles.

  10. A SOLIDÃO DE LULA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O governo do presidente Lula da Silva protagonizou nesta semana mais um capítulo de um enredo cada vez mais constrangedor para o atual mandato: foi esnobado até pelo PDT, que com seus 17 deputados é apenas o nono partido da Câmara. A legenda informou que deixará a base de apoio ao governo, por se considerar desrespeitada no episódio que culminou com a demissão de Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT, que estava no Ministério da Previdência – aquele sob cujas barbas ocorreu o escândalo da rapinagem dos aposentados do INSS.

    Eis aí o retrato pronto e acabado da solidão de Lula. Uma coisa é ter dificuldade para manter na base governista partidos poderosos do Centrão, que têm interesses eleitorais e políticos próprios e cuja agenda nem de longe coincide com a do PT. Outra, muito diferente, é perder o apoio de um partido de baixa estatura, portanto dependente dos holofotes do governo, e que ademais é perfeitamente alinhado com a estatolatria lulopetista. Se até o PDT ameaça abandonar Lula, é difícil saber com quem o presidente pode contar para o resto de seu mandato e para seu projeto de reeleição.

    O líder do PDT na Câmara dos Deputados, Mário Heringer (MG), disse que o problema de relacionamento com o governo “já vem de muito tempo”, e que a crise envolvendo o INSS foi a “gota d’água” que faltava para o copo da insatisfação transbordar. Afirmou também que o governo não estava oferecendo “a reciprocidade e o respeito” que o PDT “julga merecer”. Enquanto isso, integrantes da ala mais oposicionista do partido, ligada a Ciro Gomes, criticaram a troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, que, embora número 2 na pasta e também pedetista, foi escolhido, ao que parece, sem o crivo oficial da caciquia da legenda. Não obstante a relutância de Lula em demitir Lupi, mesmo com toda a crise deflagrada no INSS, o partido considerou o tratamento dado ao ministro um “extremo constrangimento”.

    Pois “constrangimento” resume bem a dificuldade de articulação política do Executivo, obrigado a lidar com uma base heterogênea, frágil, indócil e hostil, um governo impopular e sem pauta clara para o País, um presidente impaciente para recuperar a popularidade e displicente no diálogo com os partidos, além da concentração excessiva de poderes no PT, que tem 12 das 38 pastas, incluindo todos os ministérios que funcionam no Palácio do Planalto. Sem falar na evidente inclinação de Lula para acelerar as pautas da esquerda, o que torna ainda mais penosa a tarefa de manter legendas centristas, como PSD, União Brasil, PP e Republicanos, todos integrantes do governo, mas com críticos cada vez mais ferozes do lulopetismo.

    Não há ingênuos ou injustiçados nessa história. Basta lembrar que grande parte dos partidos hoje é uma soma de interesses paroquiais e ideologias distintas. Não é incomum, por exemplo, a convivência simultânea, num mesmo partido, entre alas oposicionistas e governistas. Também se tornou parte da rotina do governo enfrentar situações como a do PSD, do União Brasil e do Republicanos, que mesmo tendo ministros na Esplanada dos Ministérios não hesitam em exibir prováveis pré-candidatos em oposição a Lula em 2026 – respectivamente, os governadores Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas.

    O problema é que os reconhecidos vícios partidários são aguçados mais ainda pela disfuncionalidade do governo (com sua ineficiência crônica) e do sistema (um Executivo enfraquecido, um Legislativo com poderes exacerbados pelo controle do Orçamento e um Judiciário politizado). Pior, Lula não só não entendeu a natureza da “frente democrática” que o elegeu, como os quase 30 meses de mandato foram insuficientes para aprender com sucessivas derrotas no Congresso. Sua fragilidade na articulação política tornou ainda mais evidente a carência de novas ideias vindas dele e do PT. Tudo somado, fica claro que Lula vem perdendo o poder de sedução. Conforme a tradição da política brasileira, quando se trata de namoro entre partidos, o maior afrodisíaco é mesmo a perspectiva de poder.

    E assim vai a malaise governista, onde se misturam impopularidade, incompetência e horizonte sombrio.

  11. odete.fantoni@gmail.com

    Boa tarde.
    Sobre iluminação Pública, aqui na rua Silva, Bateias, tem TRÊS LÂMPADAS ACESAS DIA E NOITE desde fevereiro de 2024.
    Já liguei várias vezes pra Secretaria de OBRAS, mas como QUEM PAGA a conta é o POVO…💸💸💸💸💸💸

  12. A DESASTROSA GESTÃO DA CRISE DO INSS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Duas semanas após a rumorosa Operação Sem Desconto, o governo ainda parece atordoado e incapaz de reagir à altura do escândalo. À letargia em demitir Carlos Lupi do Ministério da Previdência, mesmo diante do fato óbvio de que a permanência dele era insustentável desde o primeiro dia da crise, soma-se a incompreensível escolha de seu braço direito, o então secretário-executivo Wolney Queiroz, para chefiar a pasta neste momento.

    Queiroz, quando era deputado federal por Pernambuco, foi coautor de uma proposta que adiou a necessidade de revalidar anualmente os débitos em folha de pagamento em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Como revelou o Estadão, isso se deu por meio de uma emenda a uma medida provisória de 2021, que usou a pandemia de covid-19 como pretexto para estender o prazo até o fim do ano seguinte. Depois, em 2022, outra medida provisória extinguiu qualquer exigência de controle nos descontos.

    Culpar apenas Lupi ou Queiroz pelo problema seria ingenuidade. O fato de que todas essas propostas foram aprovadas sem muita dificuldade pelo Congresso nas últimas legislaturas evidencia a existência de um acordo entre os partidos para facilitar a tramitação. O esquema não teria ganhado escala nem durado tantos anos se muitas autoridades e parlamentares não tivessem fechado os olhos e tapado os ouvidos enquanto entidades e associações arrecadavam bilhões à custa de aposentados e pensionistas.

    Diante de tudo o que já veio à tona, é seguro supor, como diz a sabedoria popular, que há mais caroço nesse angu. Ainda em junho de 2023, Lupi foi alertado sobre o aumento das denúncias de beneficiários sobre débitos sem autorização em reunião do Conselho Nacional da Previdência Social. Como presidente do colegiado, o ex-ministro alegou que o tema não estava na pauta de discussões e, em vez de convocar uma reunião extraordinária para abordá-lo de imediato, manobrou para que o assunto não fosse debatido até abril do ano seguinte.

    O detalhe é que Queiroz também participava das reuniões desse mesmo conselho e foi, no mínimo, tão omisso quanto Lupi. E é improvável que alguém no governo não soubesse disso antes de confirmá-lo no cargo, o que só mostra como Lula da Silva continua a reboque dos acontecimentos. Ao agir como um avestruz, o Executivo federal parece não entender que traz a crise para dentro do Palácio do Planalto, enquanto a oposição explora o caso no Congresso.

    Mesmo que não tenha compactuado com o esquema de descontos fraudulentos, toda a cúpula do Ministério da Previdência já deveria ter sido demitida no dia 23 de abril, quando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a operação. Era a única maneira de o governo demonstrar que é mesmo implacável com a corrupção, sobretudo quando se trata de roubo de dinheiro dos aposentados, muitos em situação de vulnerabilidade.

    Em vez disso, o Executivo convocou uma entrevista coletiva na qual um verborrágico Lupi defendeu o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, seu apadrinhado, mesmo diante das evidências de rapinagem. Depois, em vez de determinar que o então ministro se recolhesse, deixou-o livre para expor a si mesmo e ao governo, que ainda deve muitas respostas aos aposentados e pensionistas.

    Não basta suspender os descontos nem dizer que o dinheiro será devolvido. É preciso explicar quando e se o pagamento virá em uma ou mais parcelas, até mesmo para evitar que estelionatários tentem arrancar mais recursos de um público naturalmente exposto a golpes por meio de anúncios falsos nas redes sociais.

    Sob o ponto de vista fiscal, também é preciso saber se as entidades devolverão os bilhões que arrecadaram nos últimos anos ou se o rombo será assumido pela União – o que é mais provável, tendo em vista as boas relações que o governo lulopetista mantém com as entidades sindicais.

    Feitas as contas, fica claro que Lula da Silva só se preocupa com os companheiros sindicalistas e com a manutenção do apoio do PDT ao governo. Já em relação aos aposentados lesados, Lula gasta energia na exata medida de suas necessidades eleitorais, e nem uma gota de suor a mais.

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