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HÁ UMA TROCA GERACIONAL POLÍTICA. HÁ UM APARENTE AREJAMENTO VISIONÁRIO MESMO SENDO ELE CONSERVADOR. EM GASPAR, ENTRETANTO, ISTO AINDA NÃO É PERCEPTÍVEL. É O QUE MOSTRAM OS SUCESSIVOS ESCÂNDALOS DESTE CAMPO NA REGIÃO

O artigo curto de hoje e prometidos para serem alguns desta semana de ressaca eleitoral já estava pronto, quando estourou mais uma ação policial em Blumenau contra a corrupção no poder público. Não vou encompridar o artigo e tratar do assunto que está em todas as páginas policiais do estado e de gente ligada a comunicação. Meu Deus. Quanta degradação deste setor. Vou refazê-lo, sem perder à essência do que publicaria pela manhã.

O primeiro ponto. A corrupção não escolhe direita, esquerda, comunista, liberal, conservador, jovem idealista ou o coroné político, o PT e o PL. A corrupção – não apenas de dinheiros, bens e fruição do éden dos prazeres, mas a de valores – se entranha. Ela em si mesma, é um partido de vantagens, uma entidade como é a estrutura do crime organizado. Usufrui-se. Ela é social. Seus membros se organizam, se auto-protegem e perderam qualquer tipo de vergonha na cara.

A corrupção é parte do poder de quem chega lá, não apenas no comando, mas nos dividendos; não quer mais largar o osso do jeitinho, da vantagem, da riqueza, do mando, da coordenação; quer sufocar e se vingar. E quem a valida? A sociedade como um todo. Ela enfraquece a imprensa, os canais de ouvidoria, auditoria, controles e até de eleições diretas e plurais. Não vou me estender no exemplo muito além do que a banda podre do STF, a que fez Flávio Bolsonaro, PL, vencer neste domingo, e é quase certo que levará a vitória.

E perguntar é necessário: é aceitável que até códigos, leis e jurisprudências, instrumentos da expressão de uma sociedade, feitos ou aprovados pelos representantes do povo no Congresso Nacional, que nos tornam iguais perante jurisdição, sejam monocraticamente ou até em grupos, ignoradas para a humilhação e submissão de parte desta mesma sociedade? Degradação!

O segundo ponto. O que aconteceu em Blumenau diz respeito a todos nós. Já nos atingiu indiretamente. E vai ainda nos surpreender.

O terceiro ponto é o que já estava no centro do artigo de hoje. Esta eleição mostrou que os jovens, finalmente, quebraram a bolha do coronelismo político na região e em Gaspar. O Brasil já tinha indícios fortes disso. Voltando. A expressiva vitória de professora (graduada em História e pós em Língua Portuguesa, ou seja, fruto do meio acadêmico dominado pela esquerda do atraso) itajaiense Ana Caroline Campagnolo Galvão, PL, não deixa, por enquanto, a menor dúvida desse movimento auspicioso na direita e também na esquerda, como exceção, ressalte-se.

E para isso, basta olhar para traz e ver o feito do blumenauense serventuário da Justiça, Ricardo Peluso Alba, filho também do ex-professor Leonoir (Pedro II). De fenômeno da direita e mais votado deputado estadual, jovem, tornou-se um zumbi na reeleição e de todas as disputas – inclusive a de domingo passado – que teve depois que apareceu e surpreendeu aos 33 anos em 2019.

Ao contrário de Ricardo que se embriagou – ou se perdeu nas velhas práticas políticas – com a vitória, Ana surgiu e foi eleita como fruto de uma construção. E não parou no mandato nas mãos. Construiu base ideológica. E aos 35 anos se reelegeu com a maturidade de poucos, a tal ponto, como faz o deputado Federal mineiro Nicolas Ferreira, PL, foi capaz de se expressar autonomamente e não ser capacho do bolsonarismo e que acaba de se tornar o voto útil da direita, do conservadorismo e liberalismo para o dia 25 de outubro. Ao modo dela, e às convicções dela, Ana Campagnolo entendeu que ideias não se sustentam apenas em pessoas, mas em razões para resultados comuns à uma sociedade em mudanças.

Ana foi mais além. Ela enfrentou esta anomalia parasitária para Santa Catarina chamada Carlos Bolsonaro, PL, mas sabe agora, que não pode dar murro em ponta de faca, pois os objetivos dela e da sua base são os mesmos de quem vai avalizá-la no poder.

Por entender que o personalismo não é decorrência da ideia e o personalismo, por vício, bolha, teimosia e arrogância sempre replica receitas antigas de resultados, é que o PT – que nem sabe mais o que significa trabalhador no Brasil dos anos 30 do século XXI – está no modo sobrevivência. O PT está ao modo do tempo ferramenteiro Luiz Inácio Lula da Silva, o líder sindical.

É também por isso que, outros ícones da história política recente brasileira como o MDB, PP, PSD e PSDB estão mortos e não foram reconhecidos nas urnas pelo Brasil em transe. Eles fizeram perigosas, estranhas e espúrias concessões ao longo do tempo e se negaram a “mea culpa”, ou a correção, ou à adaptação. Esta gente não percebeu que o mundo mudou de mãos, mentalidade e necessidades. Ana, ao que parece, sim. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Paulo Noberto Koerich, PL, vai à sua própria rede social para dizer que o Tribunal de Contas do Estado recomendou à Câmara de Gaspar à aprovação das suas contas de 2015 na prefeitura. E faz isto em dia de más notícias pela região. Que hora, heim?

Sinceramente, o que faz a área de comunicação do governo dele, além de deixá-lo exposto? Só faltava a um policial de longo tempo de carreira exemplar, de delegado a secretário de segurança e passagens pelo Gaeco, ter suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas. Fazer propaganda daquilo que é obrigação da função e do seu próprio currículo em fim de carreira? Credo!

O candidato Flávio Bolsonaro, PL, está convencendo o seu eleitorado, além da parte desta engronha incompreensível na jurisdição a partir do STF para “salvar a democracia”, de que vai enxugar a máquina, economizar, dinamizar, desburocratizar e fazer o Brasil um canteiro de obras e oportunidades.

Alguém precisa avisar a Paulo Norberto Koerich, PL, que os sucessivos Projetos de Lei Complementar, incluindo o da cara Reforma Administrativa, bem como outros de inchamento da máquina pública gasparense, algo que nunca se viu antes em Gaspar, vai exatamente na contramão do que prega o PL e Flávio Bolsonaro para o Brasil, se eles vencerem no dia 25 de outubro.

Para encerrar. O que Luiz Inácio Lula da Silva e o PT escondem com a discussão da escala 6 x 1? A porrada do Imposto de Valor Agregado no consumo. No mundo, a média dele é de 19%. No Brasil, cálculos otimistas, giram em torno de 28%. Uma paulada para a inflação e contra a economia. E ninguém – desde o Palácio, Fazenda, deputados, senadores e coordenação de campanha – fala nada, mesmo estando rodando no Congresso Nacional o Orçamento. Ele precisa indicar este tipo de fonte de receita. É estelionato.

Outro estelionato que vai estourar ou está nas contas da Petrobrás, ou nos bolsos dos brasileiros, é o dos subsídios aos combustíveis para manter internamente os preços estáveis diante da alta internacional provocada pela guerra dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, por Donald Trump. O da Petrobrás saberemos só no dia 10 de novembro. O reajuste nas bombas, só depois do dia 25 de outubro.

Constatação. A pauta de mais mulheres na política é progressista e de esquerda. Mas, quem mais elegeu políticas mulheres e ampliou a participação delas nesta eleição – e fora da cota – foi exatamente o conservadorismo, o liberalismo e a direita. Um gosta de microfone, redes sociais e discursos. Outro, parece-me, pelos números da apuração e futura diplomação, a parte prática da coisa.

Tem gente que chora os números das urnas de domingo passado em Gaspar. Outros comemoram os números, mesmo que não sejam seus. É do jogo jogado. Todavia, escolher o cavalo encilhado não pode ser apenas uma sorte, mas uma arte que se estuda numa corrida que se assiste do camarote do hipódromo. Agora, há uma diferença fundamental entre ser um apostador astuto e um jóquei inexperiente no mesmo cavalo vencedor e no mesmo cancha do hipódromo. Duvida desta máxima? 2028 está logo ali. Muda, Gaspar!

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2 comentários em “HÁ UMA TROCA GERACIONAL POLÍTICA. HÁ UM APARENTE AREJAMENTO VISIONÁRIO MESMO SENDO ELE CONSERVADOR. EM GASPAR, ENTRETANTO, ISTO AINDA NÃO É PERCEPTÍVEL. É O QUE MOSTRAM OS SUCESSIVOS ESCÂNDALOS DESTE CAMPO NA REGIÃO”

  1. AS ILUSÕES PERDIDAS, por Marcelo Godoy, no jornal O Estado de S. Paulo

    Ao fazer o retrato inicial de Lucien Chardon, o jovem de origem modesta que aspirava à aristocracia adotando o nome da mãe – Rubempré –, Balzac escreveu que suas “belas ilusões da juventude” ainda não “haviam sido afetadas pelos desejos e pelas dificuldades da vida”. Lucien reencontrava suas recordações, suas ilusões e seus vinte anos ao voltar à sua terra. Esse parece o caso, em cada eleição, das principais forças políticas do País.

    Seria preciso um Balzac para demonstrar como a terceira via se iludiu durante quatro anos ao se juntar aos Bolsonaros em cada manifestação da Avenida Paulista em vez de lhes disputar a hegemonia na oposição? Quem passou a vida vendo a banda passar sai da urna da mesma forma que entrou. Ou pior: desempregado. Esperidião Amin que o diga. A direita tradicional pensou que trataria o bolsonarismo como o velho MDB tratava as siglas de esquerda que abrigava nos anos 1980: uma turma do barulho, mas que lhe trazia votos.

    O bolsonarismo se estabiliza no centro do poder como, nos anos 2000, nem o petismo conseguiu. E surge nova ilusão na 3.ª via: achar outra vez que esse movimento pode ser normalizado ou controlado em suas pulsões. Liberais cometeram esse erro na Europa em relação à ultradireita. Lei e ordem não eram limites para Viktor Orbán. Em vez de se preparar como alternativa aos Bolsonaros, há quem deixe a prudência e o cálculo de lado.

    Caiado, Kassab, Eduardo Leite e outros têm pouco a ver com as práticas do bolsonarismo. Pode-se perguntar: quem acredita que o entorno carioca de Flávio não estará presente em um futuro governo? Kassab é um dos que não creem, assim como Leite. Nenhum deles parece assinar um cheque em branco a quem, no passado, demonstrou o mesmo populismo fiscal que todos apontam no oponente.

    Enfim, pode-se dizer que, do outro lado, está Lula e tudo o que ele representa. Todos nesta eleição sabem o que os dois candidatos no 2.º turno são. Ninguém pode alegar desconhecimento de seus passados, de seus entornos, de suas políticas e das consequências de suas escolhas ideológicas. Quais valores éticos e morais cada um representa. Para o bem e para o mal. É difícil crer que exista alguém iludido. E nenhum colunista, por mais vaidoso, pode ter a pretensão de que seu texto tenha o mesmo efeito que os nomes para a antiga aristocracia.

    Ainda assim, Pedro Parente e Moreira Salles estão debatendo. Nenhum deles é como o jovem Lucien. Todos já perderam suas ilusões, fizeram escolhas. Ninguém deseja o destino do personagem de Balzac. O eleitor pode entregar o País a quem lhe aprouver, mas ainda é preciso lembrar que há diferença entre democracia e republicanismo.

  2. A PRECIFICAÇÃO DE LULA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A reação do mercado à possível vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República expôs o preço do discurso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra a responsabilidade fiscal. Bastou a divulgação do resultado do primeiro turno da eleição para que o Ibovespa, principal referência da Bolsa brasileira, subisse 7,7%, para 206,9 mil pontos, o dólar despencasse 4,12%, para R$ 5,0018, e a curva de juros futuros indicasse uma queda mais acentuada da Selic, próxima de 12% ao fim de 2027.

    A euforia da segunda-feira abriu espaço para a realização de lucros ontem, com a Bolsa caindo, mas ainda acima da marca de 200 mil pontos. Câmbio e juros futuros, no entanto, sustentaram os efeitos do rali eleitoral ao menos por mais uma sessão. É, em suma, o reflexo da expectativa de que o senador, uma vez eleito, fará um ajuste fiscal da ordem de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 204 bilhões, segundo têm indicado seus assessores.

    A meta é desafiadora, de modo que materializá-la exige mais que retórica. Até agora, sempre que confrontado sobre temas como o reajuste do salário mínimo, a reforma da Previdência e a desvinculação dos pisos constitucionais de Saúde e Educação, tanto o senador quanto a porta-voz econômica de sua campanha, Daniella Marques, escaparam pela tangente por receio de perder votos.

    Mas se o senador ainda pode contar com o benefício da dúvida, de Lula o investidor já sabe exatamente o que deve e o que não deve esperar. O esforço de sua equipe econômica para convencer o mercado de que um eventual quarto mandato não será uma tragédia fiscal foi jogado pela janela quando o presidente disse não estar preocupado com a dívida pública e afirmou que o governo precisa “parar com a babaquice” de fazer superávit.

    A recusa de Lula em dar qualquer aceno aos investidores revela uma incompreensão sobre o funcionamento do mercado financeiro que um presidente em busca do quarto mandato já não pode mais se dar ao luxo de ter. Neste momento, tudo que os investidores querem é um sinal de fumaça na direção de contas públicas em ordem, dívida mais comportada e alguma segurança jurídica.

    Flávio sabe disso e surfa nessa onda sabendo que a trégua tem prazo de validade. Bolsa em alta, juros civilizados e dólar mais baixo requerem propostas concretas e corajosas. Logo, não se pode condenar quem desconfie da disposição de Flávio em fazer o ajuste fiscal da ordem que o País precisa, como disseram ao Estadão o ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman e o ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do BC Henrique Meirelles.

    A submissão de medidas impopulares ao Congresso é um teste político para qualquer presidente. Ainda que disponha da força das urnas e de maioria confortável na Câmara e no Senado, a aprovação dessas propostas no Congresso depende de negociações e, sobretudo, de sua liderança e convicção pessoais sobre a importância do avanço de uma agenda econômica para o futuro do País.

    Há fundadas dúvidas de que Flávio esteja à altura desse desafio, mas, com um adversário que diz o que Lula diz, o senador pode se permitir jogar parado.

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