O ex-prefeito de Gaspar, Kleber Edson Wan Dall, MDB, e que finalmente começa a se tornar uma figurinha fácil de se achar nos questionamentos administrativos de repercussão estadual na Justiça, mesmo em dificuldade na Câmara e sob pressão popular, no apagar das luzes do seu primeiro ano do primeiro mandato (2017) mandou 30% de aumento linear Cosip na conta e bolsos aos gasparenses. Alegava – e provava nas justificativas dos papelinhos que enviou à Câmara e por si e os seus nas suas hábeis intervenções nas redes sociais – de que havia prejuízos no caixa da prefeitura. De quebra, prometia, fantasiosamente – como se comprovou com o tempo -, melhorias no serviço de iluminação para a cidade, cidadãos e cidadãs. O atual nem conta paga de praças de lazer.
Retomando. O atual prefeito, eleito para mudar e dar transparência, o policial bolsonarista Paulo Norberto Koerich, PL, acaba de repetir, mais uma vez, o também bolsonarista Kleber. Então, não podia ser diferente.
Qual a razão disso? É que tudo é tão igual ao passado que se condenou no palanque para arrancar os 52,98% dos votos válidos em outubro do ano passado. Então, naturalmente, o mau resultado é tão previsível e mais assertivo do que as já melhoradas previsões meteorológicas.
Não vou escrever se é necessário ou não este aumento da taxa de lixo. Isto fica para outra ocasião. Ponto.
OS GESTORES DE GASPAR SE RECUSAM DEBATER OS PROBLEMAS DA CIDADE…

Contudo, vou discorrer, mais uma vez, diante das evidências, as quais correm a cidade sem pudor algum – e não é coisa de oposicionista como alguma vezes ingênua ou malandramente se alega -, como o atual poder de plantão é um poço de incoerências, cheio de argumentações frágeis, sem liderança, constituindo provas contra si em ambientes já fragilizados e está se auto desacreditando. Tudo isso, à beira de mais uma eleição que vai testá-lo em outubro do ano que vem.
Essa gente no poder de plantão se acha ungida pela superioridade dela mesma e não do reconhecimento daquilo que entrega como expectativa criada nas eleições que venceram. Parece desconhecer, por outro lado, que deve transparência à sociedade, que jurou fazê-la quando em campanha, entretanto, nega-a, renega-a e até persegue, quem a pede, como mínimo. Impressionante.
Na sexta-feira da semana passada, diante de tantas evidências e somada à minha preguiça para reescrever um texto novo sobre um tema velho e recorrente, muito velho (2009) em O FEDOR DO LIXO. COMO GASPAR É UMA CIDADE ONDE CORRE ATRÁS DO PRÓPRIO RABO E NÃO AVANÇA NO BÁSICO. AGORA, AO INVÉS DE COLOCAR ÀS CLARAS A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, NÃO. ESTÁ SE AUMENTANDO AS TAXAS, DA NOITE PARA O DIA, SEM DEBATE E TRANSPARÊNCIA, NUMA CORRIDA CONTRA O TEMPO, OS CONSUMIDORES E OS QUE QUEREM GERAR EMPREGOS. TUDO COM AVAL DOS VEREADORES, expus isto. A foto acima está o ex-prefeito Kleber, com o seu ex-faz tudo no seu segundo mandato e na presidência da Federação Catarinense de Municípios, Jorge Luis Prucino Pereira, PSDB.
… PORQUE QUEM DEVERIA FAZER ISTO NÃO POSSUE O CACOETE PARA TAL

Por que continuamos imersos em nebulosidades, rejeitamos as bússolas e consequentemente, nada poderia ser diferente?
O chefe de gabinete daquele aumento da Cosip ao tempo de Kleber em 2017 feito goela abaixo e que se escalou para dar explicações à cidade, foi o engenheiro elétrico egresso da gestão da Celesc regional de Blumenau, Pedro Inácio Bornhausen, PP. Na foto ao lado ele está com Kleber vistoriando a drenagem do Rua Frei Solano, no Gasparinho, cheia de dúvidas, e que enterrada numa CPI na Câmara, porque tudo estava coberto por barro e asfalto. Em Blumenau, no caso da BRK e o Samae de lá, se descobriu que barro e asfalto não são razões para impedir uma auditoria técnica e produyzir relatório robustos de problemas executivos.
Continuando. Pedro é o atual chefe de gabinete de Paulo. Entenderam, ou precisa se desenhar?
Quem arquitetou àquele aumento da Cosip – com os mesmos argumentos usados hoje nove anos após – depois de fazer contas, foi o ex-prefeito de fato de Kleber, então presidente do MDB, o ex-coordenador de campanha do eleito Kleber e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, Carlos Roberto Pereira, na poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa que ele criou na cara Reforma Administrativa, também aprovada pelos vereadores. Carlos Roberto sumiu desse ambiente em meados do segundo mandato de Kleber. Mas, sempre será lembrado aqui.
E quem era a aprendiz de Carlos Roberto Pereira, MDB, naquele ambiente de equilibrar contas em 2017 mandando aumentos exagerados para os bolsos dos gasparenses? A atual secretária Fazenda e Gestão Administrativa de Paulo, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha.
Então o que mudou? Nada! Entenderam, ou precisa-se desenhar? Trata-se de método. Porque todas as mudanças começam pelas pessoas – mesmo tendo a Inteligência Artificial para nos ajudar – com novos olhares, novas ideias, novas experimentos, novas habilidades, novas formas de enxergar os problemas e implementar resultados diferenciais. Se não mudam as pessoas, a tendência lógica, é de se repetir as soluções e os erros.
ATÉ QUEM PODERIA MUDAR REPETE O QUE JÁ CONDENOU

Até o presidente do Samae, o ex-vereador Cicero Giovane Amaro, então no PSD e hoje filiado ao PL, funcionário de carreira da autarquia e que combateu a iniciativa no que tocava à falta de transparência de Kleber em 2017, hoje orquestra o aumento da taxa de lixo, com o mesmo rosário e ladainha dos que estavam obrigados a defender Kleber naqueles dias. Interessante isto, não é?
Há quase um ano na presidência do Samae, ele está tão igual aos de Kleber, que ele combatia naquele aumento surpresa e exagerado de 30% da Cosip.
E não é só isto. Na outra ponta Cicero, o expert em tratamento, distribuição e redundâncias na captação, murchou. É um burocrata de plantão. Calou-se. Sumiu o antigo ferrenho crítico da tribuna da Câmara e relator de uma CPI que não deu em nada contra o próprio Samae (a drenagem da Rua Frei solano, no Gasparinho). Desapareceram discursos e entrevistas sobre à falta de implantação do sistema de coleta e tratamento de esgotos tão comuns em Cícero na época de Kleber, a qual estava atrasado por anos via um TAC no Ministério Público e que já vinha do governo petista de Pedro Celso Zuchi.
O Samae, do expert e zelozo funcionário, agora presidente e bolsonarista, não avançou nem no básico como a ampliação da captação e tratamento que torna o sistema de abastecimento de água tratada cada vez mais precário diante do crescimento da cidade e da interligação do Centro e a zona sul que ele tanto a defendeu. Estão falando, mais uma vez e isto é um artifício usado há mais de 20 anos, em ampliar reservação de água tratada. Ou seja, enxugar gelo, empurrar o problema para os outros, como acontece em Blumenau, por exemplo.
Cícero, nem mesmo está olhando para as lixeiras cheias, os coletores danificados como os da foto acima e as dúvidas da empresa que presta serviços, manchete por outras razões no estado e que passam bem longe da eficiência. Cícero, o governo de Paulo e os bruxos que interferem de fora e de dentro do governo, não foram capazes neste um ano de governo, de fazer o mínimo neste assunto: levar o que está contido em quase 100 páginas, no PL 100/2025, para a cidade conhecer e no debate com ela, torná-la parceira da solução de um problema que juram que não é deles, mas é herdado.
Será mesmo? Ou por serem tão iguais na prática e na falta de transparência estão encobrindo o governo e os desastres de Kleber? É o que já se fala por aí com o MDB e principalmente o PP dando as cartas no governo do PL de Paulo.
Quem mesmo orienta esta gente em coisas tão básicas e simples da comunicação, da gestão política e da proteção de um governo que prometeu ser diferente e construir resultados com a sociedade? Credo! Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Sobre este projeto, o 100/2025, que aumenta exageradamente as taxas da coleta de lixo em Gaspar para parcela dos geram lixo e que tem a líder de governo Aline Karla Serafim Nicoletti, PL, como relatora, tem também, ridicularmente, o carimbo de urgência. E só pode ser brincadeira, ou coisa muita séria que não pode ser esclarecida e amadurecida com o tempo e debate. “A esperteza quando é demais, ela come o dono dela“, dizia o ex-primeiro ministro do Brasil, Tancredo de Almeida Neves. E pelo jeito, já começou.
Este assunto é extremamente técnico. Só as argumentações do Samae e da Agir – Agência Intermunicipal de Regulamentação de Serviços Públicos da Associação dos Municípios do Vale Europeu – estão estampadas em 70 páginas. Ganha um doce, sem açúcar para não alterar ainda mais a alta taxa de glicemia, quem na Câmara de Gaspar, seja ele vereador ou analista da Câmara, for capaz de tornar aquelas páginas algo compreensível a algum deles próprios em primeiro lugar e aos gasparenses, a quem devem explicações, como representantes deles. Vergonha.

Este Projeto de Lei entrou na sessão de terça-feira passada. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL (foto ao lado), trabalhava com a possibilidade dele ser analisado em três comissões e com o parecer favorável da relatora para votar até amanhã, terça-feira. A pauta da sessão desta terça ainda não foi publicada, mas ele está pautado para uma sessão extraordinária do dia 16, se nada de excepcional atravessar este samba do crioulo doido.
Ora se preferiram esconder este assunto do povo, é porque do povo só querem o dinheiro para fechar o caixa da prefeitura e do Samae, o que faz serviços para a prefeitura – além do voto. Se os representantes do povo, votam para o governo, não exigem explicações e o governo não explica para seus eleitores a conta que estão repassando para eles, traem os votos que receberam do povo nas urnas. Simples assim. Nem mais; nem menos. E, ao mesmo tempo, assumem os riscos disso. E se assumem, é porque não precisam mais dos eleitores. Bananas para todos. E um dia a conta chega. Ela, por exemplo, chegou para o atual presidente do Samae quando vereador. Então ele entende disso. Mas, pelo jeito não aprendeu e nem advertiu o atual governo da sua má experiência.
É tudo embrulhado. Basta ver que algumas coisas parecem um copia e cola de outra, ou estava sendo maturado em surdina há muito tempo e longe dos holofotes da cidade, pois os envolvidos sabiam o que faziam. É só folhar a documentação e conferir os protocolos eletrônicos de cada documento. Um coladinho no outro. Estranhamente, estão caladas as entidades como Acig, Ampe, CDL e este tal de Observatório Social, que se tornou uma entidade fantasma para a projeção social a quem não tem mais um palanque de vaidade.
Já escrevi. Não estou e nem cheguei lá, diante da complexidade da matéria, de condenar à iniciativa de propor o PL 100/2025. Mas, estou apenas escrevendo sobre a forma absurda de enfiar estes aumentos goela abaixo da cidade – do povo e de empresas -, rapidamente, sob as mais diversas classificações e pressões que não colam. É algo tão complexo que os gestores insistem em não dar esclarecimentos, promover debates e conscientização sobre a necessidade do próprio PL.
E o governo de Gaspar está invocando a Agir para respaldar tudo isso, é no mínimo uma irresponsabilidade. Principalmente ao se saber que ela é madrasta da tentativa de aumentar absurdamente a taxa da coleta de esgoto em Blumenau, matreiramente respaldando à mudança de contrato, ao fim abortada, sob pressão na Câmara, sociedade, Ministério Público e com participação ativa da imprensa, pelo atual prefeito e ex delegado Egídio Maciel Ferrari, PL. A Agir está sendo acusada, naquele caso, de não não agido proativamente para fiscalizar o contrato e suas revisões, bem como, e principalmente para auditar a execução deles. Um escândalo. Então a Agir não é referência para nada aqui. É preciso questionar, no mínimo seus pareceres e dados, que podem estar todos certos.
O que está faltando na maioria dos casos, os quais parecem ser a continuidade prática da falta de transparência do governo de Kleber com a cidade, os cidadãos e cidadãs, é a ação mais apurada, como aconteceu em Blumenau, no caso da BRK Ambiental – de algo que veio da manchada Odebrecht – do Ministério Público estadual. Esta omissão acontecia no tempo do governo de Kleber. Ele e sua turma se vangloriavam de terem o “corpo fechado”. Quando o MP aparece por aqui, é porque alguma coisa foi dar na corregedoria do órgão em Florianópolis. É muito ruim. Voltarei ainda ao tema: o fedor do lixo em Gaspar.
Mudando de assunto, mas nem tanto, infelizmente. A prefeitura de Gaspar está sem dinheiro? No discurso do prefeito Paulo Norberto Koerich, PL, sim. Não mudou o disco. E no governo dele, a Saúde Pública, tocada e inchada pelo PP está comprometida e tão igual ao governo passado. Se o caso do Hospital ainda não foi resolvido, se há filas e queixas no atendimento, está se ampliando a burocracia da Secretaria de Saúde.
O que está na Câmara de Gaspar para ser aprovado vapt-vupt? Um projeto de lei que cria quatro novas vagas gratificadas, não exatamente para a atividade fim: enfermeiros, atendentes e médicos etc e tal, mas para encarregado de RH, coordenado de Transportes, encarregado de Almoxarifado e encarregado geral de Compras. O custo disso no ano que vem? R$253 mil. Muda, Gaspar!
A Câmara está repassando R$1,5 milhão e meio do seu duodécimo para fechar as contas da prefeitura de Gaspar.
A Câmara de Gaspar terá mais duas sessões ordinárias: a de amanhã e da terça-feira da semana que vem. Haverá algumas extraordinárias, pelo jeito, uma delas para este projeto do aumento da taxa de lixo (dia 16, se até lá não der zebra), para acomodar mais os projetos que estão pendurados. A cara e enfadonha reforma administrativa ainda não apareceu. Na segunda-feira, dia 22, se alguém acreditar, a Câmara de Gaspar vai trabalhar até o meio dia. Só volta, no dia nove de janeiro do ano que vem. E os vereadores em sessão deliberativa? Só na primeira semana de fevereiro. Dolce Vita.
Coisa de gente grande, que pressiona, que manda e desmanda no paço e arredores. O governo de Paulo Norberto Koerich, PL, depois de tramitar a jato na Câmara uma lei para padronizar o Imposto de Transmissões de Bens Imóveis (ITBI), ao gosto das imobiliárias, empreendedores e investidores, no dia seguinte à sanção, mandou outro Projeto de Lei, pedindo a alteração da lei. Isto dá bem a dimensão de que o atual governo está refém. Incrível. Precisava desta exposição e atestado?
O “Programa Regulariza Gaspar” se tornou a lei 4.557. Aprovada na Câmara, ela foi sancionada pelo prefeito no quatro de dezembro. Zebra na festa dos interessados. O que foi protocolado no dia cinco de dezembro, com data do dia três? Um projeto de Lei que revoga o parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 4.557. Credo!
Este parágrafo foi construído na Câmara pelos vereadores e passou pelas comissões, antes de ir a votação e aprovação unânime. Agora, os vereadores, os assessores legislativos, vão engolir a seco e tirar o que colocaram na lei como quer o prefeito para atender os interesses dos reclamões? Que atestado, heim? Se merecem na barbeiragem e imprudência.
Por fim, é de se perguntar: aonde estava a líder de governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, que deixou isto passar? E o chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP que deveria acompanha e orientar os vereadores neste assunto? Meu Deus! Este é o retrata de um governo que já passou um ano e não se aprumou. É também de se perguntar aonde estavam os empresários do ramo imobiliário, loteadores, empreendedores, investidores, entidades de classe e o vereador que os representa tecnicamente na Câmara e oriundo da secretaria de Planejamento, Carlos Francisco Bornhausen, MDB? Coisa de doidos. E depois sou em quem sempre exagero. Muda, Gaspar!
Então quer dizer que a CPI do Capim Seco poder se tornar um caso de polícia? A relatora da CPI, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, está virado num alho. Avisada do espetáculo superficial, estava.
Tem um ditado popular que diz: quem tem padrinho, não morre pagão. O deputado estadual Jerry Comper, MDB, é secretário de Infraestrutura de Santa Catarina. Está em campanha de reeleição. E anunciou verbas parlamentares para Gaspar. Entre elas, R$5 milhões para pavimentação da Rua Fausto Dagnoni e Rodolfo Vieira Pamplona. Com a notícia, um loteador já refez o preço dos lotes do seu empreendimento. E ele estava todo faceiro no anúncio. Muda, Gaspar.
6 comentários em “GASPAR É UMA INSENSATA REPETIÇÃO DO VELHO. DEZEMBRO DE 2017, NO FINAL DO PRIMEIRO ANO DO GOVERNO, KLEBER E VEREADORES AUMENTARAM EM 30% A TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. DEZEMBRO DE 2025, EM IGUAL SITUAÇÃO, PAULO E VEREADORES AUMENTAM A TAXA DE COLETA DE LIXO CONTRA A CIDADE. POR QUE? FALTOU DEBATE E TRANSPARÊNCIA. O CHEFE DE GABINETE DE AMBOS OS CASOS ERA E É O MESMO. ALGUÉM ESPERARIA QUE ALGUMA COISA MUDARIA NO ATUAL GOVERNO? A PRINCÍPIO, SIM. MAS…”
Bom dia.
Assim como estão enfiando goela abaixo o AUMENTO na TAXA DO LIXO,
dia 10/12, às 16:00,
No auditório da prefeitura,
Haverá audiência Pública pra discutir a atualização do Plano Diretor de Gaspar.
Até agora, pelo que eu percebi, só foi divulgada no story da página da prefeitura e, pelo horário,
só estarão presentes os “interessados” 👀
Pois é. Vão mudar silenciosamente e longe dos olhos da população – que diga-se, tem culpa nisso, pois não está organizada – o Plano Diretor ao sabor de quem elegeu o “novo” governo de Gaspar? Se esta não é a intenção, é o que transparece na falta completa de transparência neste e outros assuntos. E ai de quem reclama. Logo vem constrangimento e vingança
Tudo ao sabor do crescimento desordenado, acabando com a galinha dos ovos de ouro do Turismo Rural, de aventuras, de acolhimento na Colônia e de observação,
movimentando toda a cadeia de serviços da cidade.
Pomerode, ao lado, é uma referência
Mas aqui o barato é ser a capital nacional da moda infantil, com indústrias instaladas em região com com ruas de acesso de seis metros de largura,
dinamitar montanhas nas áreas de nascentes, jogar ESGOTO nos cursos d’água que alimentam as lavouras do arroz irrigado, o carro chefe da agricultura familiar da cidade.
A REPÚBLICA? ORA, A REPÚBLICA, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
Claro que é prerrogativa do presidente da República indicar nomes para o Supremo Tribunal Federal. Está na letra da lei. Mas o espírito da lei pede mais. O indicado, além do notório saber jurídico e da reputação ilibada, deve ser capaz de exercer a neutralidade e a independência para julgar até o próprio presidente que o indicou. Ingenuidade, dirão — e com razão, quando se observa a prática política de hoje. O problema está justamente aí, nesse vale-tudo — tudo mesmo — em que prevalece a mistura de interesses pessoais e partidários.
O presidente Lula exerce sua prerrogativa quando indica Jorge Messias, advogado-geral da União, a uma vaga no Supremo. Mas qual a principal credencial do indicado? Ser próximo do presidente, um quadro de sua confiança — como admitem abertamente seus colaboradores. Messias não é um estranho no mundo jurídico. Mas é, antes de tudo, um quadro do PT — tendo participado de várias gestões petistas e assessorado parlamentares do partido.
O presidente do Senado não tem a prerrogativa de indicar nomes ao Supremo. Pode sugerir, como fez, mas não pode reclamar ou ficar irritado quando “seu” nome não é contemplado. Sua função constitucional é, ao contrário, garantir que o indicado do presidente passe por uma sabatina justa e criteriosa, de modo que os senadores possam formar um juízo independente sobre o indicado.
Ingenuidade de novo, dirão. Mas esse é o espírito que forjou as instituições republicanas. E que passa muito longe de práticas como acelerar ou atrasar a sabatina, em meio a barganhas — perdão, negociações. Além disso, se o indicado é um quadro do PT, por que o presidente do Senado não poderia brigar por um quadro do Senado, um nome mais próximo a ele?
E assim estamos hoje: a quilômetros de distância dos critérios de independência e competência acima de qualquer dúvida. Não é esse o único momento em que a República e o interesse público são maltratados.
Ainda na semana passada, depois de meses de enrolação, o Congresso aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2026. Garante o pagamento de 65% das emendas parlamentares no primeiro semestre. É descarado: os atuais deputados e senadores terão milhões à disposição justamente a tempo de irrigar suas campanhas eleitorais. Lula disse que, com as emendas, os parlamentares sequestraram o Orçamento. Tem razão. Mas o governo também não respeita o Orçamento.
Para aprovar a LDO, os governistas trocaram as emendas por “espaço fiscal” — dinheiro para gastar fora da meta. A meta para 2026 é um superávit de R$ 34 bilhões. Mas, se der zero, o governo a terá legalmente cumprido, pois o Orçamento oferece uma margem de tolerância. Na verdade, a mágica vai além: se fizer um déficit de uns R$ 10 bilhões, cumprirá a meta de superávit. É que alguns gastos não entram na contabilidade oficial, como os R$ 10 bilhões que podem ser alocados para tentar salvar os Correios.
O governo gasta o dinheiro efetivamente, gasta mais que arrecada, toma emprestado e, ainda assim, cumpre meta de superávit. Se o Orçamento é assim desmoralizado, por que os parlamentares se preocupariam com isso de equilíbrio fiscal?
No Rio, toda a política foi mais uma vez desmoralizada, com a prisão do presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar. O que ele fazia com R$ 90 mil em dinheiro vivo, que guardava numa mochila?
Para coroar a semana, na sexta passada, na surdina, o Senado aprovou um reajuste salarial para servidores do Tribunal de Contas da União. A remuneração pode chegar a R$ 64 mil mensais, bem acima do teto constitucional de R$ 46.366,19. Esse extrateto, como no caso de milhares de juízes e outros funcionários, é isento de IR. Em 2026, o governo cobrará mais IR dos contribuintes que ganham mais de R$ 600 mil por ano (R$ 50 mil ao mês), para compensar a isenção dos que ganham até R$ 5 mil. Justiça tributária, explicam. Mas não para todos.
A FÁBULA DE LULA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Luiz Inácio Lula da Silva tem 80 anos e está em seu terceiro mandato presidencial. Logo, ninguém pode se dizer surpreso. Nunca houve razão para crer que Lula, mesmo com a idade avançada e a experiência, tivesse aprendido com seus inúmeros erros e pudesse ser um presidente melhor. Pelo contrário: como bom petista, Lula nunca erra. Por isso, insiste em projetos que já resultaram em imensos prejuízos para o País, na expectativa de que o resultado desta vez seja diferente. Diz a sabedoria popular que isso é sinônimo de insanidade, mas Lula de louco não tem nada. Sua missão, desde que saiu da cadeia por uma canetada do Supremo Tribunal Federal, é reescrever a História, para que toda a saga de corrupção, desmandos e incompetência do PT no poder se transforme numa fábula de superação, prosperidade e justiça contra todos os que, na visão de Lula, sabotaram o Brasil ao se opor aos petistas.
Tome-se o exemplo da Petrobras. Há poucos dias, em cerimônia para o anúncio de obras de ampliação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, Lula declarou que, durante muitos anos, dizia-se que aquele projeto era desnecessário. Segundo sua versão, seus adversários afirmavam que “a Petrobras não precisava de uma nova refinaria” e que “isso aqui era um processo de corrupção que envolvia a Petrobras, governo e empreiteiros”. E completou: “E muitos de vocês acreditaram, porque a imprensa falava disso de manhã, de tarde e de noite”.
Ou seja, Lula quer fazer o País acreditar que a Petrobras não foi tomada de assalto por uma quadrilha de corruptos ao longo dos governos petistas. Foi explícito: “Eles conseguiram criar como se fosse uma peste nas pessoas da Petrobras dizendo que havia corrupção. E a História vai provar que quem queria fazer a corrupção eram aqueles que diziam que tinha corrupção na Petrobras”.
O problema da versão de Lula é que ela não corresponde aos fatos, amplamente documentados. Do extenso cardápio de exemplos, tomemos o caso da própria Refinaria Abreu e Lima. Há exatos 20 anos, no lançamento da pedra fundamental da refinaria, Lula estava eufórico: a obra seria o símbolo da sociedade entre o Brasil petista e a Venezuela chavista, no escopo do “socialismo do século 21” então em voga na América Latina. O caudilho Hugo Chávez prometeu colocar o dinheiro da PDVSA, a estatal de petróleo venezuelana, no negócio, mas não pôs um único bolívar na refinaria, deixando todo o custo galopante para a Petrobras.
Não foi por falta de aviso. Na “sociedade” para a construção da refinaria, como alertou na ocasião o Tribunal de Contas da União, as responsabilidades da PDVSA nunca ficaram estabelecidas, ainda que o objetivo fosse refinar também o petróleo venezuelano – que, por ser de baixa qualidade, encareceu ainda mais o empreendimento. A escalada do custo foi brutal: orçada inicialmente entre US$ 2,3 bilhões e US$ 2,5 bilhões (ao câmbio atual, entre R$ 12,2 bilhões e R$ 13,3 bilhões), a obra consumiu cerca de US$ 18,5 bilhões (que hoje correspondem a mais de R$ 98 bilhões) e chegou a ser citada como a refinaria mais cara do mundo. Agora, para duplicar a capacidade, sugará mais R$ 12 bilhões, conforme a estimativa original.
São gastos que não se justificavam na época, a não ser como parte do projeto político de Lula e Chávez de usar as estatais de petróleo como poderosas alavancas populistas. Na Venezuela, como se sabe, o chavismo exauriu a PDVSA. No Brasil, felizmente, o governo petista caiu antes de destruir completamente a Petrobras, que se tornara então a empresa de petróleo mais endividada do mundo. Sob direção mais racional, a estatal reviu investimentos absurdos e saneou seu balanço.
Mas, para azar do Brasil, Lula voltou ao poder e está mais determinado do que nunca em converter a Petrobras em financiadora de sua megalomania demagógica. Já sabemos como isso acaba. A corrupção na Petrobras na época do petrolão não foi a causa da derrocada da empresa, mas a consequência lógica do gigantismo de projetos sem sentido, que criaram um oceano de oportunidades para a rapinagem. Preferir a versão de Lula aos fatos não é muito inteligente.
NÃO A FLÁVIO É SIM A TARCÍSIO, por Eliane Cantanhede, no jornal O Estado de S. Paulo
O tímido lançamento do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, por ele próprio, numa mera notinha, deixa dúvidas se é para valer ou não, racha a direita e é comemorado pelo lulismo. Tudo somado, o principal efeito foi o oposto do desejado pela família: deflagrar uma campanha de setores políticos, econômicos e financeiros a favor de Tarcísio Gomes de Freitas. O não a Flávio é o sim a Tarcísio contra Lula.
Como levar a sério um lançamento feito pelo próprio interessado, numa nota desenxabida, no fim tarde de uma sexta-feira? A primeira impressão foi natural: isso não é sério, foi só para conter a onda pró Michelle, enquanto é tempo. Ou seja, movimento preventivo.
E como reagiu a direita? Como sempre, rachada. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que nem sequer foi informado pelo “capitão Bolsonaro”, usou um tom conformado: “Flávio me disse que o nosso capitão confirmou sua précandidatura. Então, se Bolsonaro falou, está falado!” Soa assim: “Ah, tá bem”.
O Centrão não tem pressa nem bate de frente com o bolsonarismo, só espera as condições ideais de tempo e temperatura para definir o barco pular e o rumo. Neste momento, não parece ser nem o barco nem o rumo do bolsonarismo, seja com Flávio ou não. O PSD, por exemplo, topa a aventura?
O lulismo considera Flávio adversário ideal. Divide a direita e carrega a alta rejeição ao pai e os próprios “esqueletos no armário”: rachadinhas, loja de chocolate, casa milionária mal explicada. Bem, nessa seara, Lula não leva vantagem…
A partir da dúvida, do racha da direita e da comemoração na esquerda, compreende-se por que a bolsa despencou: Flávio Bolsonaro, não! Ou melhor, nenhum Bolsonaro! Quem, então? Tarcísio, que vem sendo moldado para garantir os votos bolsonaristas e ampliá-los com os do centro, particularmente da centro-direita, que fizeram a diferença pró Lula em 2022. Tarcísio teme trocar a reeleição ao Bandeirantes pela disputa ao Planalto, e se tem a base paulista e aliados como o mundo econômico, precisa combinar com os “russos”: os Bolsonaros e o eleitor refratário a Lula e Bolsonaro. Seja Flávio balão de ensaio ou não, seu pai nunca deu sinal de apoio a Tarcísio. E não é com Derrite na Segurança, Renato Feder na Educação e Valéria Bolsonaro na Secretaria das Mulheres que ele vai atrair, decisivamente, o centro e o voto órfão tucano.
Favorito, Lula continua jogando parado. Bom ou ruim para o petista? Bom para se preservar. Ruim porque quem chama a atenção, provoca emoções e instiga o debate é a direita. Campanha é isso.