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ESTA FOTO ABAIXO É A DA “NOVA” POSSE DE PAULO EM GASPAR PARA SUPERAR 2026. O MINGUADO PP DE MELATO E LU QUE DEU SUPORTE A 8 ANOS DE KLEBER, AGORA DARÁ AS TINTAS DO “RENOVADO” GOVERNO DA “MUDANÇA” QUE AINDA NÃO ACONTECEU. PAULO DIZ QUE KLEBER LHE ENTREGOU A PREFEITURA QUEBRADA, MAS O REPETE? QUANTA CONFUSÃO!

Texto ampliado no TRAPICHE às 8h58min deste 30.12.2025. Como se vê, não estou de férias; a mídia, sim. Estou entupido de artigos, temas e informações. Haverá ainda mais um artigo inédito esta semana. Definitivamente, a Gaspar dos políticos não é para observadores preguiçosos.

O maior autorreconhecimento – e tardio, apesar de todas as evidências e avisos para evitá-los – do governo de Paulo Norberto Koerich, PL, é de que ele está em minoria na Câmara de vereadores para a mínima governabilidade. E acaba de lavar, desgraçadamente, porque eu torcia para outro desfecho, a minha alma. A cidade, definitivamente, merece mais. 

Então, nada como um dia após o outro. O governo de Paulo levou um ano – e mais alguns meses – para compreender, minimamente tudo isto. Sabia disso, desde a abertura das urnas de quatro de outubro do ano passado. 

Sabe-se hoje, diante dos resultados políticos, administrativos e operacionais, que não se preparou como candidato, não fez a lição de casa na transição e no governo, preferiu recomendar o “peso da lei” aos reclamões ao invés de prestar a atenção, de se sacrificar, dar exemplos, liderar, tirar da frente os cacos e armadilhas tão próprias nas mudanças de governo – aqui e em qualquer lugar. 

O governo de Paulo preferiu esticar a corda. Quando se deu conta, já estava no apagar das luzes deste 2025, viu – e mais uma vez distribuiu culpas a esmos aos outros quando deveria ser só a ele próprio – faltarem votos para aprovar o “cheque em branco” que queria para si no aumento da taxa de lixo via o canetaço, sem dever, com isso, compromissos métricos e explicações a ninguém.

Mas, não vou repetir detalhes deste assunto já exposto em vários artigos aqui.

A foto de abertura deste artigo de final de ano, mostra claramente e em tão pouco tempo, os sete erros do governo Paulo para se chegar a este retrato. Será que agora vai? A segunda pergunta crucial é: até e para aonde vai dar isso?

A FOTO. O RETRATO. AS PRESENÇAS. AS AUSÊNCIAS. E OS SETE ERROS

Na foto ao lado, por outro lado e no fundo, retrata um governo experimental, teimoso e errático. Nesta foto prefeito, vice e seis vereadores da base), o da posse, Mara Lucia Xavier da Costa dos Santos, PP, era a intrusa, mas nem tanto, como se sabe agora. O governo que se iniciou é tão igual ao que era que preciso ser diferente como recomendaram os 52,98% votos válidos contra outros quatro candidatos, sem um deles de três mandatos [Pedro Celso Zuchi, PT] e um da continuidade [Marcelo de Souza Brick, PP].

Reparem. Todos felizes. Nas duas fotos: a da abertura do artigo e esta do lado. Mas, no retrato da abertura do artigo já não está mais o vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, que se mudou do PL para o Republicanos e se recolheu ao casulo da Lagoa; Rodrigo não é mais bem-vindo ao “novo” núcleo de poder que se estabeleceu e se fortalece pelas circunstâncias; Rodrigo, entretanto, também possui culpa neste desfecho; já expliquei em outros artigos deste blog e desde 2024. Não está o vereador Thymoti. Entenderam? Ou é preciso também desenhar?

Neste retrato de felicidade, reparem, mais uma vez, não está mais o vereador da base de Paulo e fiel de Rodrigo, um dos mais bolsonarista de todos, Thymoti Thiago Deschamps, União Brasil; sintomático; comparem; matutem.. E depois o que exagera, sou eu. Exagero é o silêncio da imprensa local. Isto sim. E Thymoti vai ou já está pagando caro. A vingança é uma das marcas tanto do bolsonarismo como atual governo gasparense. E traição é uma palavra banal na direita brasileira. Impressionante. Basta não ser gado encurralado no brete para subir ao cadafalso do matadouro.

Neste retrato estão, em compensação, para que a cidade não tenha a menor dúvida e eu não seja desmoralizado, mais uma vez, o presidente do PP de Gaspar, José Hilário Melato, o mais longevo dos vereadores – incondicional apoiador e partícipe com quatro secretarias sem resultados ou recheadas de dúvidas do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, que, vejam só, assombram até o atual governo. Melato leva para o governo Paulo o que restou do PP na Câmara – eram três vereadores e agora são dois: Melato e Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos.

SEM PRIORIDADES E ESTRATÉGIAS

Na foto da abertura do artigo está o retrato do maior erro estratégico do governo Paulo em 2024 e 2025. E quem sabe em 2026. 

Ela mostra, com clareza, de que o atual governo está sem prioridades, sem estratégia, sem equipe, sem assessoramento técnico e político, sem articulação, sem estômago, está a reboque ouvindo os seus bruxos internos e principalmente externos. Foi, por isso, que errou ao permitir que Alexsandro Burnier, PL, fosse o presidente do Legislativo.

Mais uma vez olhou para o seu próprio umbigo, para o imediato e não holisticamente para um governo de quatro anos, com uma eleição intermediária (2026) e à possível reeleição. Sucumbiu-se as vaidades pessoais extra governo. E apenas andou em círculo. Premiou que já tinha recebido o prêmio nas urnas. Um desastre anunciado. O resultado veio na falta de votos na última, decisiva, simbólica e crucial sessão do ano na Câmara.

Tudo estava desenhado por meses. Nem mitigação; nem correção de rotas. Sobrou prepotência, arrogância. Dobrou-se a aposta. Blefou-se e quando chamou-se as cartas, não as tinha para vencer o jogo. Não sobrou espaços sequer para barganhas. O pacote veio pronto. E a foto de abertura não deixa a menor dúvida. Credo!

Os outros dois erros, para completar o retrato, estão fora da foto acima: o novo presidente da Câmara e presidente do MDB gasparense, Ciro André Quintino, um alinhado de bastidores do poder – seja ele quem for, incluindo o de Kleber. Ciro, na primeira promessa feita para Paulo, não entregou o prometido: os votos dos demais vereadores da bancada, Carlos Francisco Bornhausen e Roni Jean Muller.

Quem foi outro que ficou de fora da foto? O presidente do PL de Gaspar, um autêntico MDB raiz, MDB daqui que usa o Blumenau espelho, mas lá, mingua há quase duas décadas. Ninguém sabe, ninguém viu Bernardo Leonardo Spengler Filho (foto abaixo, o último à direita), abençoado pelos filhos de Jorginho Melo, PL – e só por isso é presidente daqui. E o PL gasparense está sem rumo no governo de Gaspar.

O QUE NÃO FAZIA MAIS SENTIDO, AGORA É TÁBUA DE SALVAÇÃO

É assim que está se escolhendo gente para o “novo” preencher, empregar e mudar o governo de Gaspar em 2026 e que não se conseguiu produzir em 2025, expectativa criada na campanha 2024 para conseguir votos. Primeiro vieram os do PL de Blumenau protegidos de Mário Hildebrandt e que Egídio Maciel Ferrari, PL, não queria por lá. Agora, o que não se queria por aqui.

Caminhando para encerrar. Este experimento de voltar ao passado, já tem resultados. Ele apenas está se ampliando e confundindo a cidade, os cidadãos e as cidadãs.

Para isso, basta lembrar que Pedro Inácio Bornhausen, PP, é o chefe de gabinete de Paulo Norberto Koerich, PP, mas, Pedro foi o chefe de gabinete de Kleber. Então o que mudou? 

José Hilário Melato, PP, vereador licenciado para ser presidente do Samae, ao tempo de Kleber, foi o centro das atenções da CPI das drenagens da Rua Frei Solano, no Gasparinho. E ela não deu em nada, numa manobra regimental de composição dela. Tudo para debaixo do tapete. É que as supostas falta de qualidade e de materiais das obras já tinham sido enterradas pela terra. 

E Luiz Carlos Spengler Filho, servidor efetivo (agente da Ditran), ex-presidente do PP, ex-vice-prefeito, mas como ex-secretário de Obras e Serviços Urbanos está no centro de uma CPI onde o MDB é parte das dúvidas? Com tantas coisas para serem esclarecidas, a Câmara e o PL de Gaspar resolveram requentar o que já estava claro e adiantado em inquéritos concluídos pela polícia de Blumenau especializada em corrupção. 

Resumindo. Choveu-se no molhado. Gastou-se dinheiro da Câmara e dos gasparenses. Jogou-se para a plateia. E ainda está se correndo o alto risco de se ter a CPI da CPI. Credo. Se não foi amadorismo, é armação, é cortinha de fumaça para naquilo que não andou em um ano de governo para a cidade, cidadãos e cidadãs.

Por que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, meteu-se num beco quase sem saída em tão pouco tempo? Exatamente porque não fez a lição mínima de casa da campanha, da vitória, da transição, antes da posse e no próprio decorrer do governo quando ia se fragilizando e achava que as críticas e implicâncias da cidade só mereciam o “peso da lei”.

Como vai corrigir o rumo se agora está todinho amarrado ao passado do PP e de parte do MDB que pintaram e bordaram em dúvidas no governo Kleber, Lu e Marcelo de Souza Brick, PP? Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Hoje o Trapiche é para passar a mão na cabeça dos daqui. Na Câmara, nas redes sociais, principalmente, e nos discursos, os vereadores, em números desencontrados, falam em mil e até poucos milhões em emendas parlamentares para justificar a ida deles – com diárias – a Florianópolis ou até Brasília. Tudo com muitas selfies e vídeos.

O agora presidente da Câmara de Gaspar, Ciro André Quintino, MDB, não falha uma semana na ida à Capital, mesmo podendo ir ali na Lagoa, e falar com o deputado e secretário de Infraestrutura e Mobilidade, Jerry Comper, MDB, de quem é cabo eleitoral em Gaspar há várias eleições. 

Ciro, aliás, mais uma vez, foi o campeão de diárias em 2025: R$22.095,00, dos R$212.464,00 pagas a vereadores, comissionados e funcionários. Desta vez, a disputa foi acirrada com Alexsandro Burnier, PL: R$21.281,00, o vice-campeão.

Entretanto, hoje, este não é o ponto central do TRAPICHE. É o Brasil doente feito pelos políticos e gestores públicos que de nós, só querem os cada vez mais altos pesados impostos on line, e os caros votos vindos dos bilionários Fundo Eleitoral e Partidário, os quais poderiam estar em outras carências da sociedade, ou em investimentos para gerar competitividade, produtividade, renda e empregos aos eleitores e eleitoras.

Olhando o noticiário nacional, sabe-se, por outro lado, quanto estas viagens e propaganda excessivas dos nossos vereadores – e até prefeitos [que não é o caso específico de Paulo Norberto Koerich, PL, por enquanto], são entediantes, diante do que realmente acontece com as emendas parlamentares, sejam elas vindas de Brasília ou de Florianópolis. 

Não que elas não sejam úteis, mesmo deixando o governo central com a fortuna que arrecada de nós, sem dinheiro. Mas, estas emendas vindas para cá e anunciadas espaçadamente, são verdadeiras merrecas, algo em torno de dois a três por cento do Orçamento de Gaspar, por exemplo. 

É só compará-las com o Orçamento de Gaspar (R$510 milhões neste ano e de R$579,8 milhões para 2026). Aliás, o valor das emendas – e autores – deveriam estar bem claro no site da prefeitura. Não está. E nem números corretos podem ser apurados ou confrontados com os discursos e vídeos dos padrinhos. Parece proposital, se não for mais um sintoma da falta de transparência e confusão, é um gesto que passa longe do reconhecimento.

Agora, olhe para a notícia ao lado do site brasiliense “Metrópole”. Ela estampa o noticiário de Norte a Sul apesar do escândalo do Banco Master e a tentativa do STF, mais uma vez, de normalizar, monocraticamente, quem está impedindo que o Banco Central evite que mais brasileiros sejam roubados em operações de um “banco” feito para enganar o mercado, investidores e seus clientes.

Turilândia, no Maranhão, cujo prefeito afastado apoiou Flávio Dino para o Senado – o mesmo que agora como ministro do Supremo é o caçador de emendas parlamentares fraudadas, é a 13ª cidade mais pobre do Brasil. De 31 mil habitantes, só 915 possuem emprego formais. Mesmo assim, o prefeito – um médico e do União Brasil -, a vice e todos os vereadores se juntaram para roubar a cidade. O presidente da Câmara, cumprindo prisão domiciliar se tornou prefeito temporário.

Ministério Público de lá estima em R$26 milhões o roubo, por desvios de toda a ordem, para um município que tem Orçamento R$51,8 milhões (note, estranhamente, olhando PPL em 2017 este mesmo Orçamento era de R$151,1 milhões. Aí tem). E a maior parte dos desvios? Emendas parlamentares e repasses obrigatórios de saúde, educação e assistência social.

Agora compare. Gaspar com 73 mil habitantes, com Orçamento de R$510 milhões (2025), mal chega aos milhões de emendas federais (estou excluindo os repasses obrigatórios). Há ou não alguma coisa errada na distribuição desses R$60 bilhões de emendas parlamentares rubricadas no Orçamento de 2026 que está para ser farreada, ano de eleições e exatamente por quem arrecada on line e compulsoriamente uma maiores cargas tributárias do país – pelo trabalho, produção, comércio e serviços – e não possui o devido retorno dela para Gaspar e Santa Catarina?

Quem falha? Quem permite e azeita este mecanismo viciado. Quem falha? A bancada catarinense de senadores e deputados federais que nem conseguiu fazer valer o que diz a Constituição que devemos ter 20 e não 16 deputados na Câmara. Falham os nossos políticos em aceitar e propagar migalhas como se fossem grandes conquistas enquanto o mecanismo privilegia nas nossas barbas municípios pobres Trurilândia, que apesar dessas montanhas de dinheiro que recebem de Brasília, continuam ainda mais pobres e sem obras mínimas.. Falham porque olham as fiscalizações destas verbas como algo ruim. Falham nossos gestores que não possuem projetos prontos e exequíveis para se sobrepor aos lobbies de um sistema corrupto que dominou este mecanismo. Erram todos, com o silêncio convivente que finge não ver o roubo dos nossos cada vez mais altos pesados impostos. Eles vão para a farra de poucos. Esta é a cara do Brasil e somos parte dela.

O ano não poderia encerrar pior ou tão igual ao que começou e que o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, jurou reverter para o bem da cidade. Até agora, só pirotecnia. O Hospital de Gaspar está mais uma vez no centro de uma possível negligência técnica.

Uma mãe entrou lá em estado de parto, com histórico de complicações conhecidas, ou ao menos relatadas, de um parto anterior. E mesmo assim, ficou por horas em agonia. A criança morreu logo após o nascimento por complicações disso, segundo a família que ocupou as redes sociais para denunciar e pedir “justiça”. Muda, Gaspar!

Finalmente, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, encontrou um slogan de governo: “Menos discurso”. Antes tarde, do que muito tarde.

De um leitor quer não tenho: “que venham os fogos de artifícios… Sem barulho para não acordar o Paço Municipal. Se acordarem… …teremos probrema“.

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18 comentários em “ESTA FOTO ABAIXO É A DA “NOVA” POSSE DE PAULO EM GASPAR PARA SUPERAR 2026. O MINGUADO PP DE MELATO E LU QUE DEU SUPORTE A 8 ANOS DE KLEBER, AGORA DARÁ AS TINTAS DO “RENOVADO” GOVERNO DA “MUDANÇA” QUE AINDA NÃO ACONTECEU. PAULO DIZ QUE KLEBER LHE ENTREGOU A PREFEITURA QUEBRADA, MAS O REPETE? QUANTA CONFUSÃO!”

  1. AMANHÃ, haverá a publicação de um velho artigo novo. É o primeiro de 2026, como o prometido. Normalmente, diferente dos políticos, eu cumpro a promessa. Aguardem

  2. O SUPREMO E O ACEITÁVEL, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    O principal resultado até aqui da operação montada no STF para tratar do escândalo do Banco Master é acelerar o descrédito da instituição. Um fator que as agências de risco político internacionais já apontam como relevante para a campanha eleitoral do ano que começa.

    Nesse acentuado processo de desgaste continua sendo decisiva a “contribuição” de alguns de seus integrantes, pois é a partir da conduta deles que a instituição está sendo vista como um todo. Nesse sentido foi especialmente danoso o noticiário em torno da “acareação” de implicados no escândalo.

    Nada de relevante se obteve além do que a defesa dos investigados e esclarecimentos públicos por parte do Banco Central já haviam dito. Mas foi devastador nesse episódio específico o espetáculo de pressa, improvisação, caprichos e empenho pessoais de um ministro transformado em investigador de um setor (o financeiro) do qual ele notoriamente pouco entende. Dando ordens remotamente “de casa”, isto é, de um resort de familiares.

    O efeito foi o de levantar sobre o próprio STF uma pergunta que jamais deveria ser cogitada sobre uma Corte Suprema, sobre quais seriam no fundo seus objetivos ao se dedicar ao escândalo do Master. É aí que entra a questão políticoeleitoral: quem conseguiria “dar um jeito” – e de que maneira – nisso tudo?

    Assuntos tratados por Cortes Supremas (aborto, por exemplo) sempre fizeram parte de embates político partidários, mas o que está em disputa agora é o próprio papel e atuação do STF. A degradação da imagem do Supremo, ao contrário do que creem alguns de seus integrantes, não é mais uma questão circunscrita a “golpistas”, ou “direita extremista”.

    É um fenômeno de grande magnitude e sedimentado muito além das camadas de elites econômicas. Tornou-se um fator relevante na composição do descrédito geral, e já bem antigo, em relação a instituições como o Judiciário. É evidente que esse fator contribui diretamente para bandeiras políticas da oposição ao atual governo, cuja existência é diretamente associada ao STF.

    Qualquer marqueteiro político reconhece que nesse ambiente a bandeira da “defesa da democracia” tem menos força do que suspeitas de grandes interesses pautando o comportamento de integrantes do Supremo. Como qualquer marqueteiro político sabe, relevante aqui é a percepção pública dos acontecimentos, pois é essa percepção o verdadeiro “fato” político.

    A bandeira bolsonarista “tradicional” anti-Supremo era vista como um arroubo radical fútil e antidemocrático. O vocabulário político alemão, que alguns ministros conhecem bem, define o perigo do que está acontecendo. Essa postura virou “salonsfaehig”, ou seja, tornou-se plenamente aceitável (em tradução livre).

  3. AS ENTRANHAS DO MASTER, por Adriana Fernandes, no jornal Folha de S. Paulo

    A segunda denúncia do Banco Central ao Ministério Público Federal com indícios de irregularidades na atuação do banco Master com fundos administrados pela gestora de investimentos Reag é emblemática por apontar que as investigações estão apenas no começo.

    Vem muito mais bomba por aí. É isso que deixa Brasília e o mercado financeiro em chamas. O mundo político nem se fala. Não tem lado ideológico.

    O volume de R$ 11,5 bilhões envolvido na nova denúncia do BC é escandaloso. Mas é a data da comunicação, relatada em documentação encaminhada ao Tribunal de Contas da União, que chama atenção.

    É o mesmo dia em que Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em meio a uma tentativa de fuga do país, cujos detalhes ainda virão à tona para mostrar a teia de influência do ex-banqueiro. Novos nomes de envolvidos surgirão, muito provavelmente numa outra operação.

    A informação de mais uma denúncia é revelada no momento em que está em curso uma megaoperação da banca de advogados de defesa contratada por Vorcaro para cavar uma nulidade no processo conduzido pelo BC.

    A motivação é clara: gerar dúvidas sobre atuação do BC que identificou as fraudes do Master, que só ao Fundo Garantidor de Crédito vão custar mais de R$ 41 bilhões.

    Os advogados de Vorcaro consideraram absurda a visão de que eles buscam no STF a anulação da liquidação do Master. Devem estar certos. Eles querem é livrar Vorcaro dos crimes. Se der, de quebra, tentar alguma indenização.

    A estratégia para fragilizar o órgão regulador é apontar que houve uma coordenação indevida com o MP, BC e PF. É óbvio que atuação do BC com o MPF e a PF pode se dar a qualquer tempo.

    O circo intimidatório montado em praça pública tira o foco de quem cometeu os crimes. Deixem os investigadores fazerem o seu trabalho.

    O Brasil não pode ter um novo caso Americanas sem que todos os culpados tenham sido responsabilizados e os investidores prejudicados ressarcidos com o patrimônio dos controladores.

  4. QUANDO O PODER VENCE O DIREITO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    “O poder sem Direito é cego, mas o Direito sem poder é vazio.” Essa frase, de autoria do jurista italiano Norberto Bobbio, sintetiza a relação de interdependência entre poder e Direito nas sociedades liberais. Essa relação, porém, encontra-se desbalanceada no mundo e no Brasil de hoje. Da invasão da Ucrânia pela Rússia de Vladimir Putin às operações militares americanas no Caribe sob o governo de Donald Trump, passando pelas ações de juízes e representantes políticos brasileiros, o Direito vem sendo rebaixado à vontade desses agentes.

    A frase de Bobbio é lapidar. De um lado, o Direito fundamenta e orienta o poder: através do Direito, um poder arbitrário torna-se um poder autorizado e regulado. De outro, o poder concretiza o Direito: de nada adiantam as normas jurídicas sem um poder capaz de fazê-las serem respeitadas. Direito e poder são duas faces de uma mesma moeda, embora, no Brasil de hoje, seja fácil perceber qual dessas faces é mais visível.

    Começando pelo poder que não se preocupa sequer em simular obediência ao Direito: é o poder exercido por facções criminosas em largas porções do território nacional. Nesses locais, a ordem que vigora não é aquela governada pela Constituição federal de 1988, mas a que é ditada pelos chefes do bando local. Ali, a ordem do bandido é mais efetiva que a ordem do Estado; seu poder local encima o Direito estatal.

    Mas há também o poder que maneja o Direito para dissimular arbitrariedades de seu exercício. É o caso do inquérito das fake news conduzido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Como dito e repetido neste espaço, os méritos do Supremo no combate ao golpismo são indeléveis. Isso não apaga, porém, o fato de que Moraes assumiu um inquérito que deveria ter sido distribuído por sorteio; que o conduz há quase sete anos, sob sigilo e sem perspectivas claras de conclusão; e que acumula, em determinadas apurações, as posições de vítima e julgador – exemplos de excessos do poder sobre o Direito.

    Outro caso é o da recente decisão do ministro Gilmar Mendes sobre o impeachment de ministros do STF. O decano do tribunal acordou um processo dormente para invalidar, sozinho, disposições consolidadas de uma lei que permitia “a todo cidadão” denunciar ministros ao Senado Federal por crimes de responsabilidade. Quando a Câmara dos Deputados, com esse mesmo espírito de corpo, tentou criar uma blindagem para os parlamentares, milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar.

    No Legislativo, foi o presidente do Senado quem recentemente ensaiou um drible do poder sobre o Direito. Diante da cláusula constitucional que confere ao Senado a prerrogativa de aprovar ou rejeitar o candidato indicado pelo presidente da República para o STF, Davi Alcolumbre (União-AP) se sentiu autorizado tanto a indicar um candidato alternativo quanto a retaliar o Executivo por não atendê-lo – desdenhando o arranjo institucional que atribui exclusivamente ao presidente da República a iniciativa dessas nomeações.

    O presidente da Câmara dos Deputados também não deixou por menos. Hugo Motta (Republicanos-PB) vinha se esquivando do artigo 55, VI, da Constituição federal, segundo o qual “perderá o mandato” o deputado ou senador que “sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado”. Como se sabe, era esse o caso dos ex-deputados Carla Zambelli (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenados pelo STF, com trânsito em julgado, a penas de prisão em regime fechado. Motta submeteu a cassação de Zambelli, fundamentada nesse dispositivo, ao plenário. Mantido o mandato, o Supremo interveio. Ramagem, por sua vez, só foi cassado por faltas – e por decisão da Mesa Diretora da Câmara.

    Por fim, Executivo e Legislativo prosseguem em sua cruzada contra diversos princípios constitucionais em nome da continuidade de uma distribuição de recursos públicos não raro obscura, sigilosa, descontrolada e inefetiva – uma nova reedição do aparentemente imortal orçamento secreto.

    Essa desenvoltura dos detentores do poder diante do Direito parece ter se tornado um espírito do tempo. Pesquisas internacionais mostram que cidadãos de diversas democracias estão mais dispostos a tolerar comportamentos de viés autoritário que “resolvam os problemas”. Alguns desejariam retornar ao tempo do governo dos homens. Este jornal prefere o das leis.

  5. Aos leitores e leitoras, que os poderosos de plantão, negam tê-los, desejo um ano novo diferente, onde o mínimo lhes seja devolvido como retribuição por serem pagadores compulsórios de pesados impostos on line, impostos novos e cada vez mais altos. Vida, saúde e realizações. Ah, 2026 é ano de eleições e corrigir aquilo que falhamos por crença, ilusão e propaganda enganosa é a obrigação de que se sentiu extorquido e feito de trouxa.

    Esta semana vai ter mais um artigo inédito. Diminuirei o estoque.

  6. FUNERAL DA BARDOT, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    O ano de 2026 começará com o funeral de Brigitte Bardot, símbolo de uma libertação feminina. Bonita e irreverente, colecionou namorados (dez mais ou menos duradouros), transformou duas aldeias de pescadores (Saint-Tropez e Búzios) em pontos turísticos.

    Ao chegar ao Rio, linda, depois de 12 horas de voo, deu uma entrevista coletiva e ouviu uma pergunta do repórter Orion Neves:

    — A senhora pretende ter um filho brasileiro?

    Resposta rápida:

    — Com quem, com você?

    Bardot morreu aos 91 anos, claustrofóbica e conservadora. Com ela, foi-se mais um pedaço do século XX. Nele, viveram mais duas mulheres lindas e fantásticas: Greta Garbo (1905-1990) e Marilyn Monroe (1926-1962).

    Bardot e Garbo superaram as armadilhas da celebridade. Garbo avisou: “Quero ficar sozinha” — e conseguiu. Viveu seus últimos anos em Nova York e fazia longas caminhadas, de chapéu, vestindo suas enormes pernas em calças compridas; às vezes passava pela Park Avenue. La Garbo sofreu para ficar sozinha.

    La Bardot viveu o suficiente para não ser aporrinhada. Da Garbo à Bardot, o século XX aprendeu a conviver com mulheres famosas. No meio do caminho, Marilyn Monroe chegou ao triunfo das cocottes. Namorou o homem mais poderoso do mundo, o presidente John Kennedy, e o irmão dele, Robert. As pressões, e talvez suas ambições, levaram-na ao suicídio.

    La Bardot conseguiu ficar sozinha e esteve, à sua maneira, na Pasárgada de Manuel Bandeira. Teve os homens que quis, nas camas que escolheu.

    Essas três mulheres seguiram roteiros diversos, e hoje o mundo é outro. Outro na França, nos Estados Unidos e sabe-se lá onde mais. Menos na Inglaterra, ou, com mais precisão, na casa reinante dos Windsors.

    Lá o rei Charles III conseguiu fazer de Camilla Shand, ex-Parker Bowles, rainha consorte. Ela conseguiu o título que não passou pela cabeça de sua bisavó, Alice Keppel, namorada de fé do rei Eduardo VII.

    Conta a lenda que Camilla Shand, ao ser apresentada ao príncipe Charles, disparou:

    — Minha bisavó foi amante do seu bisavô, o que você acha disso?

    Não se sabe exatamente quando, mas Charles achou a ideia boa. Seguindo a tradição inglesa, namorou-a enquanto ela estava casada. A infidelidade de Charles envenenou seu casamento, e ele foi o primeiro príncipe de Gales a se divorciar. Seu tio-avô foi forçado a abdicar para se casar com uma divorciada.

    Quando Lady Di morreu, em 1997, nove em dez pessoas eram capazes de apostar que Camilla nunca conseguiria ser rainha. Ela conseguiu, a Inglaterra mudou, mas nem tanto.

    Em tempo: a infidelidade de Charles corroeu sua popularidade. Tudo bem, e é falta de educação lembrar que, na crônica da embaixada do Brasil em Londres, uma cama do palacete tem fama porque nela teria sido gerado o príncipe Harry. (Charles, ao ver o bebê, estranhou seu cabelo ruivo.)

    Bardot transgrediu num tempo de transgressões. Retraiu-se quando a fama começou a incomodá-la e blindou-se defendendo os animais e seguindo uma linha conservadora. De certa maneira, acompanhou o século XX.

  7. BANCO CENTRAL E A PRESSÃO DE MÃO DUPLA, por Vera Magalhães, no jornal O Globo

    A economia brasileira vai terminando 2025 demonstrando resiliência maior que a calculada e descrevendo um pouso bem mais lento que o esperado diante de um choque de juros duradouro como o praticado pelo Banco Central.

    Do ponto de vista da economia real, o governo tem muito bumbo para bater, a despeito da permanência dos juros altos. O desemprego fechará o ano na menor taxa histórica, a inflação, mesmo beirando o topo da meta, foi domada, e o PIB deverá crescer acima do projetado pelo terceiro ano consecutivo. Esses deverão ser alguns dos estandartes de Lula na campanha à reeleição, encorpando o discurso de um mandato dedicado a reduzir as desigualdades econômicas e sociais.

    Juntam-se a esses dados projetos de iniciativa do Executivo com alto potencial de impacto eleitoral, como a reforma do Imposto de Renda e o Programa Luz do Povo, que estabelece a tarifa social de energia elétrica, entrou em vigor em meados do ano e é reconhecido em pesquisas como um canhão em termos de popularidade.

    Acontece que a desaceleração mais lenta que o esperado, tanto da economia como da inflação, lança uma dúvida quanto à possibilidade de o Copom começar a baixar os juros já em janeiro, como espera o governo, e essa é uma água no chope do Planalto neste réveillon.

    A pressão pela queda dos juros, restrita a Lula, ao entorno palaciano e ao PT quando o BC estava sob o comando de Roberto Campos Neto, viveu uma trégua durante os primeiros meses da troca da guarda, mas, no último período, ganhou a adesão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e até de setores do empresariado e dos bancos.

    Se a permanência de crescimento considerável e a atividade econômica ainda mais tépida que o imaginado levarem a novo adiamento do início de queda da Selic, o tom das cobranças sobre o colegiado comandado por Gabriel Galípolo tende a subir. Isso coincide com um período em que o BC aparece no epicentro de um caso eivado de esquisitices: o inquérito que apura a suspeita de fraude na tentativa de venda do Banco Master ao BRB, que tramita no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria de Dias Toffoli.

    A forma como Toffoli tem conduzido as investigações, cercadas de cuidados, com a decretação de sigilo e decisões para lá de controversas, como o anúncio de que haveria uma acareação antes mesmo dos depoimentos individuais das partes, deixa o BC vulnerável e tem levado à hipótese de mesmo a liquidação do banco, decretada pela autoridade monetária, ser anulada pelo Supremo.

    A Febraban e outras entidades ligadas ao setor financeiro saíram em defesa da autonomia do BC e da necessidade de preservar sua independência como regulador do sistema, mas o governo, o tempo todo, tem se mantido distante da polêmica, evitando tomar parte dos lances muitas vezes confusos que têm marcado o caso.

    A depender de como o desenrolar do inqu Master deixar vulneráveis diretores ou o colegiado como um todo e tomar a agenda do BC no início de 2026, a confluência desse assunto com a necessária decisão sobre os juros poderá tornar tudo ainda mais inflamável para a instituição na largada do ano eleitoral.

    Existe intensa pressão política nos bastidores desse que já é o escândalo financeiro mais rumoroso das últimas décadas, e o cipoal de relações exposto até aqui recomenda extrema cautela por parte das autoridades que conduzem as investigações, além de responsabilidade para não fragilizar uma instituição vital como o BC.

    Se houve negligência ou avaliação incorreta dos riscos oferecidos pelo Master, isso deve ficar claro, mas carregar nas tintas nesse caminho como forma de até rever a liquidação do banco de Daniel Vorcaro pode levar a uma crise de proporções razoáveis pelo grau de incerteza que isso acarretará para todo o sistema financeiro e para a credibilidade do BC como órgão fiscalizador. E misturar esse tema com a cada vez maior pressão pela queda dos juros, então, é apostar duplamente no caos.

  8. TODOS OS FILHOS DOS PRESIDENTES, por Marcelo Godoy, no jornal O Estado de S. Paulo

    Desde 1954 a Nação não se debruçava tanto sobre o que se diz e se pensa a respeito de familiares de um presidente. A cena atual tem um complemento único na história do País: as atenções também voltadas para as confusões dos filhos de um ex-presidente.

    É notável a insistência com que os nomes da prole de Lula aparecem nas investigações da Polícia Federal. Primeiro foi o enteado, Marcos Cláudio Lula da Silva. Ele surpreendeu os agentes que bateram na porta da casa de sua ex-mulher, Carla Ariane Trindade, em Campinas, para cumprir um mandado de busca durante a Operação Coffee Break. Eram 6 horas, horário incomum para um ex-marido abrir a porta da casa da ex-mulher. Enfim, a ex-nora é suspeita de receber propinas de um empresário preso na operação, em 12 de novembro. Na mesma investigação surgiu um ex-sócio de Fábio Luís, o Lulinha.

    Lulinha escapou, por enquanto, de ser convocado a depor em outro caso, o investigado pela CPI do INSS. Mas a Operação Sem Desconto mostrou que o Careca do INSS fez repasses de R$ 300 mil a uma ricaça e encontrou mensagens que sugerem que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”. Na Coffee Break há fotos e mensagens que mostram que a máfia da Educação tinha conexões com aquela do INSS, o que sugere que malfeitores dos dois esquemas estariam juntos e misturados.

    As aparições dos familiares do presidente obrigaram Lula a dizer: “Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”. O que os petistas temem não são os inquéritos e CPIs, mas a campanha eleitoral de 2026. É nela que a oposição vai questionar os papéis dos filhos de Lula, estratégia que não deve ser diferente da que o PT deve lançar: expor os filhos de Bolsonaro.

    Flávio, o ungido pelo pai como pré-candidato à Presidência hoje vive às turras com o STF, mas, no passado, contou com decisões da Corte para paralisar as investigações sobre a rachadinha em seu gabinete. Era retratado como o “filho rico do presidente”, dono de imóveis, lojas e influente nos tribunais. E não foi o único a ocupar o noticiário em 2025. Eduardo se aboletou nos EUA, onde, além de frequentar a Disney, fez lobby para prejudicar o País com tarifas e ameaças a magistrados em razão do processo a que o pai respondia no Supremo. Conseguiu apenas perder o mandato e ganhar um processo por obstrução da Justiça no STF.

    Por fim, 2026 reserva espaço a Carlos, que pretende se candidatar ao Senado por Santa Catarina em uma manobra que promete dividir a direita e permitir à esquerda obter no Estado uma, até então, improvável vaga no Senado. Enfim, o que 2026 promete é um ano com muitos dos filhos dos presidentes.

  9. O COLETE LARANJA: SOLIDARIEDADE OU CONFISSÃO DE CULPA?, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar, graduado em gestão pública pela Udesc. Este artigo, originalmente foi publicado nas redes sociais do autor

    É importante começar sendo justo. A Defesa Civil de Santa Catarina funciona. É técnica, preparada e cumpre seu papel quando acionada. O problema não está no colete, nem em quem o veste para trabalhar. O problema começa muito antes, quando o colete passa a ser a única ação visível de quem atravessou o ano inteiro sem agir.

    Santa Catarina não é um estado imprevisível. Aqui, todo gestor sabe, ou deveria saber, que os meses finais da primavera e o verão trazem chuvas intensas. Isso não é surpresa, é histórico, é experiência vivida. Ainda assim, ano após ano, o roteiro se repete. Durante os meses secos, pouco ou nada é feito. “QUANDO A ÁGUA SOBE, APARECE O POLÍTICO DE PLANTÃO VESTINDO O COLETE LARANJA, COMO SE AQUILO FOSSE PROVA DE SENSIBILIDADE E COMPETÊNCIA.”

    O comentarista ANDERSON SILVA, colunista da NSC Total, toca em um ponto essencial ao afirmar que o COLETE LARANJA, nessas situações, “deixa de ser símbolo de prontidão e passa a representar o fracasso da prevenção”. O gestor surge como SOCORRISTA porque deixou de agir antes como administrador e planejador da cidade. Quando a água entra na casa das pessoas, não se trata apenas de um fenômeno natural, mas do resultado de escolhas políticas feitas ao longo do tempo.

    Na engenharia urbana, os problemas não começam no dia da enchente. Eles nascem no abandono silencioso do cotidiano. Bueiros entupidos, vielas sanitárias esquecidas, galerias sem manutenção, ribeirões e córregos assoreados, ocupações sem controle. Nada disso rende foto bonita, mas tudo isso define se a água vai escoar ou invadir a sala de alguém.

    Cuidar da cidade exige sensibilidade real. Sensibilidade é ouvir técnicos, planejar obras que ficam debaixo da terra, enfrentar o desgaste de mexer em ruas, limpar galerias, desassorear ribeirões e organizar o CRESCIMENTO URBANO quando ninguém está olhando. Engenharia urbana não é estética, é proteção da vida cotidiana.

    Quando esse trabalho não é feito, a tragédia se repete quase como um roteiro conhecido. A água segue o caminho que sempre seguiu, só que agora encontra menos espaço. E quem paga o preço são sempre os mesmos. Quem mora perto do ribeirão, quem vive nas áreas mais baixas, quem não tem para onde ir quando a chuva aperta.

    Prevenção não dá aplauso e não rende postagem. Mas evita perdas, deslocamentos forçados e sofrimento. O gestor verdadeiramente sensível não é o que aparece de colete no meio da enchente, é o que trabalhou o ano inteiro para que a enchente não acontecesse.

    ENQUANTO ESCREVO ESTAS LINHAS, A REALIDADE SE IMPÕE!!!!

    Começou a chover torrencialmente em Gaspar/SC, em 30 de dezembro de 2025, às 19h10. A chuva cai pesada, previsível, anunciada há dias pelos alertas meteorológicos. Nada de inesperado para uma cidade que conhece seu relevo, seus ribeirões, suas áreas baixas e sua própria história.

    A PERGUNTA surge quase automaticamente, não por ironia, mas por cansaço coletivo. ““QUANTO TEMPO VAI LEVAR PARA VERMOS, MAIS UMA VEZ, O POLÍTICO DE PLANTÃO VESTINDO O COLETE LARANJA?”’

    Não costuma demorar. Normalmente é depois que a água já entrou nas casas, depois que o sofá boiou na sala, depois que documentos, memórias e dignidade foram perdidos. É nesse momento que aparece a encenação da presença, a foto calculada, o discurso de solidariedade, como se a tragédia fosse um acidente imprevisível e não o resultado de meses ou anos de omissão.

    Talvez ainda hoje à noite. Talvez amanhã cedo. O tempo exato varia, mas o roteiro é sempre o mesmo. A chuva cai, a cidade sofre, e o gestor aparece depois, não como planejador, mas como espectador tardio de algo que poderia ter sido evitado.

    A pergunta que realmente importa não é quando ele vai aparecer. É por que não esteve presente antes, quando ainda era possível impedir que a água chegasse tão longe.

  10. OS DEUSES ESTÃO LOUCOS, por Merval Pereira, no jornal O Globo

    A maior prova de que a acareação marcada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli sobre o caso Master estava tecnicamente errada e era injustificada foi o presidente do banco, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco Regional de Brasília Paulo Henrique Costa, o pretenso comprador, terem sido convocados para um interrogatório que não estava previsto. Continuamos assistindo a um simulacro processual, pois, antes mesmo dos depoimentos oficiais dos envolvidos, pressupõe-se que haverá contradições, justificando a acareação.

    Todo o atropelo do processo, desde o momento em que foi transferido ao STF sem razão de ser, dá a impressão à sociedade de que querem acobertar alguma coisa. Não é a primeira vez que o dono de um banco liquidado pelo Banco Central (BC) reclama, alegando prejuízos provocados pela ação saneadora da instituição fiscalizadora do sistema financeiro nacional. A diferença hoje é que o Supremo entrou na briga, aparentemente a favor de Vorcaro, embora o BC tenha se livrado da subordinação aos demais Poderes e seja autônomo legalmente.

    Mesmo tendo sido indicado pelo presidente Lula, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, vem sendo criticado pela esquerda devido à manutenção dos juros altos e, agora, pela liquidação do Banco Master. Para os amigos de Vorcaro, o envolvimento dos ministros Alexandre Moraes e Dias Toffoli em denúncias envolvendo o Master deve-se a uma manobra da direita para desacreditar os dois, considerados os principais líderes do STF na defesa da democracia por ocasião da tentativa de golpe bolsonarista.

    A polarização política impede que os fatos se sobreponham à fantasia ideológica. É um estranho caso de esquerdistas defendendo um banqueiro ladrão, enquanto os direitistas querem vê-lo atrás das grades. Criticar Moraes, apesar do contrato exorbitante de sua mulher com o Master, por pressões a favor de Vorcaro; ou Dias Toffoli, pela ingerência no processo de liquidação sem que o STF tenha a ver com a questão, de exclusiva responsabilidade do BC, é automaticamente apoiar a direita em sua tentativa de desmoralizar o Supremo. As atitudes no mínimo estranhas dos ministros, que dão as costas aos mais comezinhos cuidados com potenciais conflitos de interesses, como se estivessem acima do comum dos mortais, não entram nas análises dos simpatizantes.

    O mesmo sentimento de invulnerabilidade parece tomar conta de alguns ministros, que se consideram responsáveis pela salvação da democracia brasileira e, portanto, merecedores de ser reverenciados por todos, mesmo quando exorbitam seus poderes. O mesmo sentimento que a História registra em líderes políticos ou militares que consideram saber o que é certo para suas populações e tornam-se ditadores.

    Há um ditado atribuído a Sófocles: os deuses, quando querem punir os humanos, primeiro os enlouquecem com o poder. Oscar Wilde parafraseou a ideia dizendo que, quando os deuses desejam punir os humanos, atendem a seus desejos — e isso geralmente os leva à ruína. Um bom exemplo no caso atual é a Operação Lava-Jato. Os procuradores e o então juiz Sergio Moro ganharam tanto poder e apoio popular que atravessaram a divisória entre o lícito e o ilegal. Os ministros do Supremo, depois de anos os apoiando, passaram a demonizá-los, e a sorte virou. Foi a vez de os deuses enlouquecerem os ministros do STF, que se dedicam hoje a anular todos os processos da Lava-Jato, mesmo os crimes confessados, com dinheiro devolvido e tudo.

    O empenho pessoal de alguns ministros, entre eles Gilmar Mendes e Toffoli, em fazer terra arrasada das investigações leva seus adversários a considerar que o objetivo não era conter os eventuais excessos de Curitiba, mas livrar os criminosos de colarinho branco. O problema com os nossos “deuses” do Olimpo jurídico é que eles manobram para que ninguém, ou nenhuma instituição, possa limitar seus poderes. Foi assim na criação do Conselho Nacional de Justiça, que não tem jurisdição sobre o Supremo, e é assim hoje com o código de conduta que o presidente Edson Fachin tenta criar contra a maioria silenciosa do Supremo.

  11. Bom dia.
    Vivemos tempos muito difíceis…
    Gaspar necessita de Reforma Tributária.

    Aqui, quando criaram o primeiro e único Plano Diretor da cidade, acharam por bem achacar os munícipes no IPTU.
    Pra isso, estipularam a alíquota de 1% do valor de mercado pra área com edificações e 2% pra área sem benfeitorias.

    Em boa parte dos municípios brasileiros, a cobrança do IPTU é baseado em 0,1 a 0,5% do valor do imóvel.
    De LARGADA, PAGAMOS de 10 a 20 VEZES MAIS.

    Igual a EXTORSIVA TAXA DOS CEMITÉRIOS:
    Blumenau cobra 130,00
    Brusque cobra 250,00
    Itajaí NÃO COBRA
    GAXXPÁ COBRA 790,00 😱😱😱😱😱😱😱😱🏆

    1. Bom dia. Obrigado.

      Lamento informar, que isto tende a piorar como foi com a tentativa de aumentar o lixo, não por lei, mas uma lei que dava a liberdade a decretos de um prefeito.

      Como escrevi, tudo tende a piorar. Os prefeitos, os políticos querem mais dinheiro sem dar explicações. E isto só é possível com mais pesados impostos, que a gente entende como se chega lá e outros, como o IPTU, que é feito de um emaranhado de pegadinhas, todas aprovadas pelos vereadores, nossos representantes. A discussão da revisão do Plano Diretor de Gaspar é uma oportunidade para a população, entre outras, discutir e entender minimamente isso. Mas, tudo está sendo feito para que o povo fique bem longe disso. Não interessa dos donos da cidade esse interesse. Já pensou a senhora lá numa dessas audiências fazendo perguntas e elers escondendo as respostas e amendrontados que outros sejam esclarecidos?

      O problema que agrava o IPTU, não está exatamente na alíquota genérica mencionada por você, mas tal planta genérica, que passa de tentos em tempo, em alguns casos de forma fragmentada, para melhorar ou piorar para alguns, pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano num silêncio e sem debate com a sociedade e na Câmara, vapt vut e bem longe do Ministério Público.

      Do dia para a noite, o IPTU aumenta, sem aumentar estas alíquotas, creia-me, como se vê e vem acontecendo desde 2006. Por isso, o preço do IPTU em Gaspar, em alguns pontos, surpreendem os munícipes. Não adianta ter alíquotas gerais baixas, se as plantas genéricas, por cálculos complicados ao entendimento do cidadão comum (testadas, rua calçada, abastecimento de água, de esgoto, de coleta de lixo, se é plano, livre de enchentes, aclive (morro), casa, alvenaria, madeira, apartamento, em que andar, de frente ou de trás, com que benfeitorias, local onde está etc etc), manda aumentar e extrapolar o que o imóvel vale?

      1. Sim, eu sei que depende da localização, da topografia, da testada, etc, etc.
        Também sei que em Gaspar, como disse a senhora Jussara, “aqui quem manda sou eu e COBRO o que eu quiser”.
        E fazem isso mesmo. Se não tivermos todos os comprovantes de pagamento anteriores pra CONTESTAR os abusos, com o auxílio da Ouvidoria da Prefeitura, metem a faca até o talo.
        Só que a alíquota é importante.
        Por exemplo: aqui no Bateias a prefeitura tem como valor do meu imóvel em R$ 150.000,00.
        Com a alíquota de 1%, meu IPTU chega inicialmente em R$ 1.500,00.
        Em Bombinhas, com avaliação do imóvel abaixo do valor de mercado, avaliado em R$ 250.000,00, e com alíquota de 0,1%, pago IPTU de R$ 250,00.

        Então, chego a conclusão que sim, a alíquota faz muita diferença no cálculo do IPTU.

  12. Professor Herculano, é triste saber que essa gestão atual é um engano, um erro do acaso ou cagada eleitoral, (desculpe a chula palavra). Mas não há como durante todo ano observando os sucessivos erros de gestão, troca de secretários, erros tecnico em licitações, empréstimos duvidosos e outras mazelas que se passaram ao longo desse ano. Eu não tenho rabo preso com ninguém, não sou vinculado a partido nenhum, então posso tecer alguma opinião, diante de tanta incoerência desta gestão infelizmente a gestão passada apesar das suspeitas, ainda foi melhor. Sabe o mínimo não foi feito, sequer a lição de casa. Eu não vou me delongar, mas cheguei a pedir para fecharem buracos na minha rua e na R. Ver. Reinoldo Bornhausen com a Rua Prefeito Júlio Schramm. Mas isso é apenas pequena parte do iceberg visível na cidade. Resumindo, onde tive uma conversa com meu filho de 24 anos por telefone, ele me disse: Pai não adianta nada acontecer de cima para baixo ( se referindo as mazelas do Judiciário e a gestão Governo atual), o povo tem que fazer melhor suas escolhas de baixo para cima, escolhendo melhor seus Vereadores e Prefeitos), depois da conversar fiz minhas reflexões, e pensei “Meu filho sabe mais de política que eu”. Usarei seu Largão ** Acorda Gaspar **

  13. OS NOSSOS HERÓIS DÃO TRABALHO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    Deveria ser agente perturbador nacional a percepção de que poucos ministros do Supremo estão hoje aptos – como juízes, sob a República, se houvesse uma – a tratar de qualquer questão relativa ao Master. Não me refiro à aptidão formal, decidida por eles mesmos. Podem tudo, como se mede pelas licenças que se dão, palestrantes em eventos patrocinados pelo banco, dublês de juízes e empreendedores, cujos parentes advogam livremente no tribunal em que tomam decisões monocráticas.

    Falo do que lhes dá credibilidade. Credibilidade impossível, se um, futuro relator, voa em jatinho com advogado de sujeito implicado na fraude; se o outro, salvador da pátria, frequenta a mansão do banqueiro fraudador; e se a esposa do salvador da pátria tem contrato milionário com o banco do banqueiro fraudador.

    Esse contrato existiria, não fosse a senhora esposa do poderoso? Existiria, não fosse fluente no STF a advocacia de relacionamentos?

    O contrato existe. Alexandre de Moraes o confirma quando, em uma das notas sobre as conversas com o presidente do BC, “esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”. A ver em que terá atuado, ou se seria necessário atuar. O contrato tinha como um dos objetos a defesa dos interesses do Master no BC. Não faltou, de todos os lados, quem defendesse os interesses do Master no BC.

    Faltaram registros. Nem Moraes nem Gabriel Galípolo inscreveram em suas agendas oficiais as reuniões que tiveram. Ainda que o tema das conversas tivesse sido apenas a aplicação da Lei Magnitsky, espanta que se normalize ministro do Supremo falando informalmente com o presidente da autoridade monetária, pedindo-lhe assessoramento jurídico, à margem da mais mínima institucionalidade, como se fossem compadres.

    Entre as várias lições da tão lembrada Lava Jato, um aprendizado parece seletivamente esquecido: o perigo da constituição de juiz-herói. Valia tudo pelo combate à corrupção. A causa atual – a defesa da democracia – tem autorizado as vistas grossas. Xandão só está em todo lugar porque opera o 8 de janeiro permanente; porque conseguiu fazer prosperar a crença de que o golpe está à espreita, de que toda a crítica contra si terá por intenção beneficiar o capeta.

    Estamos aqui também, sob esse ambiente de intimidação escancarada, porque o PGR Alexandre de Moraes não quis investigar a denúncia de Eduardo Tagliaferro, alguém que Alexandre de Moraes, presidente do TSE, escolhera para trabalhar consigo. Denúncia de que o ministro, delegado-geral da República, teria encampado o poder de polícia do tribunal eleitoral e o instrumentalizado para, desde seu gabinete no STF, encomendar acusações e esquentar decisões já tomadas nos inquéritos xandônicos. Imputação gravíssima. Investigado, afinal, somente o denunciante, como se os grandes escândalos de Brasil não fossem disparados por tipos delatores como Pedro Collor, Roberto Jefferson etc. •

  14. ORÇAMENTO E AMBIENTE DEVASTADOS POR EMENDAS, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Levantamento da Folha mostra efeitos nefastos do descontrole de emendas parlamentares, que desde 2015, quando sua execução tornou-se obrigatória, abocanham fatias cada vez maiores do Orçamento federal sem transparência ou critérios técnicos de aplicação.

    Nos últimos dez anos, deputados e senadores direcionaram por meio desse mecanismo mais de R$ 900 milhões para compra de ao menos 1.649 máquinas pesadas que foram entregues a 467 municípios da Amazônia Legal.

    Segundo especialistas, esse tipo de maquinário —como trator de esteira e de pneus, motoniveladora e rolo compactador— é usado em geral para remover vegetação e abrir estradas.

    Trata-se de dinheiro público aplicado em obras com potencial impacto ambiental. Assim, é necessário que sua execução siga avaliação rigorosa para evitar distorções. Mas não é o que se vê.

    Do montante total, 30% das verbas (R$ 319 milhões) e 31% das máquinas (507) foram apenas para Rondônia, que, desde 2015, teve a maior taxa de desmatamento proporcional ao território na região, com 5,1% da sua área devastada (12 mil km²), de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Em seguida, estão Mato Grosso (R$ 145,8 milhões) e Acre (R$ 117,8 milhões).

    Dos equipamentos adquiridos para Rondônia, a capital Porto Velho ficou com 329, uma discrepância notável ante as outras duas cidades que obtiveram mais máquinas pesadas na região, Cuiabá (67) e Rio Branco (30).

    Os dados levantam dúvidas sobre se os recursos foram direcionados a localidades e populações que de fato deles precisam.

    Outros problemas são o possível uso irregular das máquinas em garimpos, como aponta o Ibama, e favorecimento. O deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) usa sua fatia de verbas para regularizar a obra de uma estrada que passa por terras de sua família, aberta com desmatamento ilegal no período em que ele era prefeito de Porto Walter (AC).

    A execução impositiva de emendas abriu uma caixa de Pandora no Orçamento. De 2015 a 2024, foram empenhados R$ 220 bilhões, R$ 173 bilhões a mais do que se o montante fosse só corrigido pela inflação.

    É um volume inaudito que no geral serve a interesses políticos de congressistas por obras paroquiais, em vez de ser alocado racionalmente em áreas prioritárias.

    Interromper essa insensatez demandará um entendimento político e institucional entre os três Poderes, que por ora não está no horizonte. Ao que tudo indica, há mais escândalos pela frente.

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