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DOMINGO, QUASE UM ANO DEPOIS DA ELEIÇÃO DE OUTUBRO DO ANO PASSADO COM 52,98% DOS VOTOS VÁLIDOS. UM EXEMPLO DE “COMO GASPAR ESTÁ EM BOAS MÃOS”, O SLOGAN DA CAMPANHA VENCEDORA DE PAULO E RODRIGO

Aos que reclamavam à falta de artigos na semana passada – o último foi segunda-feira -, voltei. Aos que comemoravam à minha ausência, sob às mais diversas razões, voltei. Repito. Não tenho compromisso da assiduidade. E os eventos pessoais se sobrepõem aos deste espaço de opinião livre.

Domingo, 28 de setembro de 2025. Chovia em Gaspar. Havia previsão de chuvas fortes. Elas não vieram. Em parte da manhã, ela foi o suficiente para atrapalhar muitas atividades e o trânsito que é bem legal nos domingos fora da temporada de verão, quando a cidade é parte da passagem do Vale Europeu na ligação com o Litoral. 

A prefeitura de Gaspar sabia da possibilidade de chuvas, pois tem uma Defesa Civil ativa e competente, a mesma que consultou para cancelar o desfile de Sete de Setembro aqui no Centro [no Distrito do Belchior, houve, sob garoa] no dia que sabia que não choveria. Não queria protestos. E tão cedo contra um governo que não deslancha e não dá transparência, justamente na expectativa de mudanças que criou para os eleitores e eleitoras na campanha eleitoral.

Domingo, 28 de setembro de 2025 era o dia da tradicional de Meia Maratona do Bela Vista[clube]. Diversas ruas do Centro, Coloninha e na ligação com o Bela Vista pela manhã estariam comprometidas. Tudo pré-acertado. Até porque, o presidente do Clube, Nilton César Serafim, é amigo pessoal e um dos muitos que influenciam nos bastidores Paulo Norberto Koerich, PL, tanto que, recentemente, esta relação o colocou numa saia justa dentro de um meme que ganhou as paradas de sucesso das redes sociais da cidade, clareando bem esta relação.

Então com chuva da manhã deste domingo dia 28 de setembro de 2025, o trânsito supostamente fácil se complicaria naturalmente. E com uma competição de rua, tudo se torna ainda mais desafiador. E com uma Ditran desfalcada por anos e que por isso, pouco ajuda o trânsito em Gaspar, seja no quesito engenharia ou no controle dos problemas e das anormalidades, tudo se agrava e piora. Antes de ir adiante um registro: o agente de trânsito Luiz Carlos Spengler Filho, devidamente fardado, finalmente, voltou ao trabalho das ruas. Ele foi presidente do PP, vice-prefeito, secretário de Obras e Serviços Urbanos e chefe de Gabinete no governo Kleber Edson Wan Dall, MDB.

Voltando. Entenderam o agravamento crescente na mobilidade urbana, fácil para um domingo em Gaspar? Não precisa ser inteligente, técnico e o dono de decisões para entender tudo isso, certo? É, até certo ponto, fácil desatar este nó.

Então se tudo isso fosse pouco para o domingo 28 de setembro de 2025, a prefeitura por alguém que não se sabe bem quem, autorizou a SC Gás, a fazer reparos e que não eram emergenciais, na velha Ponte Hercílio Deecke, ampliando sem necessidade, ainda mais o caos, daquilo o que seria, apenas, previsivelmente complicado,  até porque já aconteceu em outras meias-meias-maratonas com chuvas. Está na imagem acima na ligação das Rua Nereu Ramos, Aristiliano Ramos e Avenida das Comunidades. Esta interferência – com a interdição da ponte Hercílio Deecke – como se provou, poderia se dado à tarde, após sem colidir com o horário da meia-maratona.

O que demonstra isto, repetidamente, na forma – não só no trânsito – se elas são todas plenamente previsíveis, conhecidas e gerenciáveis? Falta de bom senso? Não! Falta de gestão, comunicação e liderança entre a própria equipe de governo de Paulo e Rodrigo Boeing Althoff, este engenheiro, e todos do PL. E dez meses depois das posse e em pleno domínio da gestão da cidade.

Impressionante não é o fato em si acontecido mais uma vez neste domingo dia 28 de setembro de 2025. É a repetição dele e com dez meses de governo. O que é isto, no fundo? Desprezo pela cidade, cidadãos, cidadãs e os riscos assumidos a favor da má imagem contra o próprio governo. Este é o retrato de um governo – Paulo e Rodrigo – que está atrás de culpados dos seus próprios reiterados de simples a complexos erros, incluindo os de comunicação e transparência. E já passou do prazo de mostrar a que veio. Aprendizado, até aqui, zero. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Vem aí depois de dez meses em gestação a cara Reforma Administrativa do governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. Ao invés de diminuir e qualificar a máquina ao tempo digital e da Inteligência Artificial a favor do cidadão e cidadã, o governo, pelo estudo que foi apresentado, vai ampliar gastos e burocracias. E por isso, está com um certo “medo” no que toca o impacto negativo que sofrerá na cidade no debate dela, se houver imprensa e instituições que se dizem fiscais, a desnudar isso tudo. Na Câmara o assunto deve passar facilmente como está. Todos os “cuidados” para se perpetuar o atraso já foram tomados. Explico em pílulas. E para bom entendedor, meia delas basta.

É que além da criação de mais secretarias e cargos comissionados ou de confiança, está o aumento da remuneração desses cargos. Só para lembrar, hoje o prefeito ganha bruto R$36.503,48, um dos mais altos não só de Santa Catarina, mas do Brasil; o vice R$16.847,72 para praticamente não fazer nada e esta é, a priori, a sua função, ser um reserva, bem como R$17.074,13 para cada secretário. E é aí que está o calo.

A Reforma Administrativa, sob a alegação de que está difícil atrair “talentos” para o primeiro e segundo escalões da administração de Gaspar, vai propor reajustes generosos, desmentido, mais uma vez, à fala, o argumento, à desculpa esfarrapada de que se está com problemas de caixa. E os que foram embora, em tão poucos dias que trabalharam aqui, não foi pelo bolso, mas por outras razões. Entre elas, a má contratação. Ou seja, ganhando pouco ou bem, não teriam trazidos resultados diferenciais que se espera de um contratado para determinada função.

É certo que é preciso remunerar adequadamente ao mercado de trabalho regional os que dirigem executivamente os destinos de uma cidade. Mas, é certo igualmente que antes da contratação deles, isto não se pode dar apenas apadrinhamentos, relações de proximidade, um ajeitamento político partidário ou de interesses de terceiros que sustentaram ideológica ou financeiramente a campanha eleitoral dos vencedores.

É certo também, que antes é preciso expurgar a burocracia entranhada – independente de governos – na prefeitura de Gaspar e que trava os competentes e os atualizados aos novos tempos e necessidades.

Resumindo: é esta burocracia é a que governa Gaspar hoje em dia. É a mesma como mostra a foto ao lado que estava e venceu com o PP e MDB no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Tanto que o prefeito de fato é o ex-chefe de gabinete dele, Pedro Inácio Bornhausen, PP, hoje chefe de gabinete de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL. A mesma burocracia que permitiu a queda da figueira – que está na foto de setembro de 2018 – por falta de tratamento a tempo e adequado.

O aumento das remunerações dos secretários, diretores, supervisores e coordenadores que vai ser sugerida na Reforma Administrativa prestes a aportar na Câmara – já deveria ter chegado -, leva para a própria Câmara um dilema: o aumento das verbas de representação política dos vereadores. Eles reclamam que é pouco. E o atual presidente da Câmara, Alexsandro Burnier, PL, chegou até a apresentar uma proposta de criação do Vale Refeição, que logo ganhou aqui o apelido de Vale Marmita, que pegou e foi rejeitado de pronto pela sociedade. Não exatamente pela proposta em si, mas como ela apareceu em forma de jabuti, tratando os pagadores de impostos como tolos.

Hoje um vereador de Gaspar recebe bruto mensalmente R$8.170,16. O presidente da Casa R$1 mil a mais. Ensaiam aumentar esta remuneração. Mas, se fizerem isto, só valerá para os próximos que tomarem posse em 2029. Como aconteceu nas legislaturas passadas, olhando à reeleição, muitos não quiseram propor ou tomar este risco. Nem mesmo o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, o que já bancou isso, o que aumentou de onze para 13 vereadores, o que criou esse monte de assessores e o que diz que presidente da Câmara serve aos vereadores e não ao povo.

Então, sobre este assunto todos desta vez estão se equilibrando suplementarmente nas diárias. Elas estão cada vez mais comuns entre eles e salgadas no Orçamento da Câmara entre tantas despesas bancadas pelo duodécimo. Só para se ter uma ideia, até setembro neste 2025 foram pagos R$79.858,00 em remunerações aos vereadores. E de diárias? Pasmem, praticamente o dobro dos salários dos vereadores: R$146,4 mil. 

É claro que nem todas as diárias são para os vereadores, mas indiretamente sim, quando eles levam – e isso virou mania – assessores para filmá-los em todo o lugar, para a promoção e apenas alimentar as redes sociais, a propaganda, o discurso, além do motorista, do carro de luxo (Corollas) da Câmara etc e tal. Só um desses assessores companhia tem mais de R$7 mil em seu nome em diárias.

Para encerrar este papo manjado que vai percorrer a os bares e casas da cidade quando se olha as redes sociais desses vereadores campeões em diárias e calcular como isso virou parte do ganho do próprio vereador: aumentar os salários deles não vai diminuir o uso das diárias pelos vereadores, pois esta máquina de diárias já tornou uma cultura de vantagens ou necessidade, tantos para os antigos como para os novos vereadores e seus assessores.

Exemplo? Ciro André Quintino, MDB, em meados de setembro já tinha registrado para empenho R$14.497,00 em diárias; o novato Roni Jean Muller, MDB, R$13.504,00, Alexsandro Burnier, PL, R$12.488,00, Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP, R$9.457,00; Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL, R$8.757,00… E assim vai. Para se ter um desgaste único e geral, antes das eleições, na Câmara de Gaspar, rola nos bastidores, um movimento silencioso e unânime, por aumento nos ganhos dos vereadores quando a Reforma Administrativa de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, chegar por lá. É para não haver discussões. É o zero a zero de milhões que serão pagos pelos gasparenses. Muda, Gaspar!

Pois é. O que é feito da CPI do Capim Seco, que queria escandalizar a cidade sobre fatos novos na medição exagerada da capinação de áreas públicas e paga pela prefeitura no governo de Kleber Edson Wan Dall, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP? Há semanas sem depoimento e notícias dela. Avisei, que o que a Polícia especializada de Blumenau tinha apurado estava na medida e que a CPI apenas atrasaria o processo penalização no âmbito da jurisdição. Bingo.

Alguém sabe explicar como se deu a desapropriação e a quem foi paga a montanha de dinheiro que o governo de Jorginho Melo, PL, deu para a prefeitura de Gaspar passar a administração do Hospital daqui para o Hospital Santo Antônio, de Blumenau? Transparência, por enquanto, zero. Inclusive no site da própria prefeitura de Gaspar. Nada é acessível. Muda, Gaspar!

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6 comentários em “DOMINGO, QUASE UM ANO DEPOIS DA ELEIÇÃO DE OUTUBRO DO ANO PASSADO COM 52,98% DOS VOTOS VÁLIDOS. UM EXEMPLO DE “COMO GASPAR ESTÁ EM BOAS MÃOS”, O SLOGAN DA CAMPANHA VENCEDORA DE PAULO E RODRIGO”

  1. NA MESMA TOADA: MAIS GASTOS, MAIS IMPOSTOS, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    O noticiário tem sido dominado pela política. Faz sentido. Não é todo dia que um ex-presidente é condenado a 27 anos de prisão num julgamento televisionado ao vivo. Além disso, já está na pauta a eleição nacional de 2026, com os eventuais candidatos em plena campanha.

    As questões econômicas tornam-se secundárias, e isso até ajuda o governo na busca por mais arrecadação. Mas basta olhar mais de perto, e lá está a equipe econômica naquela mesma toada: elevando os gastos e procurando impostos para fechar as contas, tanto as deste ano como as de 2026.

    Temos alguns exemplos.

    O ministro Fernando Haddad costuma reclamar dos gastos tributários. Refere-se a subsídios e isenções de impostos que cidadãos e empresas deveriam pagar e não pagam. Não se está falando de sonegação, mas de benefícios fiscais concedidos por lei. Não raro, Haddad e outros integrantes do governo associam essas vantagens a injustiças do sistema tributário. É muito dinheiro. Neste ano, o governo estima um gasto tributário de R$ 544 bilhões.

    Assim, sem surpresa, o governo anunciou um corte linear de 10% nos benefícios fiscais. Seria um extraordinário ganho para os cofres da União, nada menos que R$ 54,4 bilhões. Para ter uma ideia do tamanho: neste ano, a Fazenda espera um déficit de R$ 30,2 bilhões. Isso se tornaria um superávit folgado se o corte no gasto tributário estivesse em vigor.

    Mas a coisa saiu bem menorzinha. Pelo Projeto de Lei apresentado pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), o corte incidirá sobre benefícios que somam apenas R$ 95 bilhões. Ficam de fora gastos tributários no valor de R$ 449,2 bilhões, de acordo com dados apurados pelo jornal Valor Econômico. São justamente os benefícios mais caros.

    Por exemplo: subsídios às empresas do Simples Nacional, R$ 121 bilhões; benefícios ao sistema MEI (Microempreendedor Individual) e a pessoas físicas (deduções de educação e saúde na declaração do IR), mais R$ 126 bilhões. Também foram poupados a Zona Franca de Manaus (R$ 30 bilhões) e o agronegócio (R$ 83 bilhões).

    Por que esses e outros setores foram poupados? Primeiro, porque alguns, como a Zona Franca, estão previstos na Constituição, de alteração muito mais difícil. Outros são, digamos, politicamente sustentados, como os referentes às micro e pequenas empresas e às deduções no IR.

    Por isso o projeto inclui o aumento na tributação das empresas que declaram no sistema do lucro presumido. Isso deverá dar ao Tesouro uma receita adicional de uns R$ 10,4 bilhões. Somada aos R$ 9,5 bilhões de corte nos benefícios, já dá um bom alívio para o Orçamento de 2026.

    Também está em tramitação no Congresso uma Medida Provisória apelidada de “alternativa ao IOF”. Lembram? O governo baixou um decreto aumentando alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O Congresso barrou, o caso foi parar no STF, que deu razão ao governo. Assim, entraram já em vigor as novas alíquotas. No vaivém do decreto, o governo enviou ao Congresso uma MP que taxa títulos de crédito até aqui isentos, como os vinculados ao setor imobiliário e ao agronegócio. Era para substituir a receita perdida com a queda do IOF.

    Pois o IOF vingou, e a MP continua lá.

    Mesmo assim, o governo ainda está precisando de truques para cumprir a meta de déficit zero neste ano. Ocorre que essa meta tem margem de tolerância de 0,25% do PIB, para mais ou menos. Em dinheiro, isso corresponde a R$ 31 bilhões. O último relatório da Fazenda sobre as contas deste ano prevê déficit de R$ 30,2 bilhões — e esse é o verdadeiro objetivo do governo.

    A Fazenda diz ser obrigada a trabalhar com o piso da meta. Mas o Tribunal de Contas da União decidiu que a meta obrigatória é zero. O governo recorre dessa decisão, e a coisa ficará para o ano que vem. Assim, o truque se fecha: o governo encerra o ano com déficit de uns R$ 30 bilhões e dá por cumprida a meta de déficit zero. Os aumentos de impostos deste ano não deram conta. Por isso, a busca de novos para 2026.

  2. TRUQUE COM META FISCAL NÃO ENGANA MAIS NINGUÉM, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    O Tribunal de Contas da União (TCU) subiu o tom na semana passada ao deixar claro que a estratégia adotada pelo governo Lula da Silva de perseguir o piso em vez do centro da meta de resultado primário desrespeita as normas fiscais. O plenário da corte de contas optou por “dar ciência” à equipe econômica sobre a irregularidade dessa prática, o que é praticamente um conselho para que o procedimento seja revisto antes que os envolvidos acabem por ser responsabilizados.

    Para o TCU, a banda deveria ser utilizada para acomodar situações atípicas, como a ajuda emergencial para enfrentamento das enchentes no Rio Grande do Sul e dos incêndios no Norte e no Centro-Oeste, o auxílio aos exportadores prejudicados pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a regularização do pagamento dos precatórios.

    A meta fiscal para este ano é de déficit zero, mas o piso permite um saldo negativo de até R$ 31 bilhões. Como busca o limite inferior em vez do centro, não há espaço no Orçamento para acomodar qualquer tipo de imprevisto, e o Executivo precisa da autorização do Congresso ou da boa vontade do Supremo Tribunal Federal (STF) para contabilizar gastos adicionais fora da meta.

    A questão é que essas despesas não apenas não desaparecem como elevam a dívida bruta, o que expõe a fraqueza do arcabouço fiscal, cujo objetivo é estabilizá-la na proporção do Produto Interno Bruto (PIB), algo que os indicadores mostram que não tem acontecido nem deve ocorrer no médio prazo. Essa, aliás, é uma das razões que explicam o elevado nível de juros no País.

    O governo vai recorrer da decisão do TCU, e enquanto o recurso não for julgado, seus efeitos estão suspensos. Haddad, no entanto, não parece estar preocupado, muito embora precise convencer a corte de contas de que a meta é uma banda – e não um ponto – e que o cumprimento de uma decisão como essa pode paralisar a máquina pública.

    Caso tenha de cumpri-la, o governo terá de contingenciar R$ 30,2 bilhões em despesas, além dos R$ 12,1 bilhões já bloqueados, ou encontrar novas fontes de receitas para arrecadar esse valor ainda neste ano. E em 2026, tudo o que o Executivo quer evitar é ter de congelar gastos em um ano no qual o presidente Lula da Silva deve concorrer à reeleição.

    Haddad pretende se escorar no fato de que o Congresso recusou uma proposta do governo Lula para flexibilizar as despesas do Orçamento – e que, segundo ele, se aprovada, daria condições ao Executivo para buscar o centro da meta fiscal. É uma explicação capciosa, pois foi o próprio governo quem propôs, no texto que criou o arcabouço fiscal, que a meta seria cumprida se o piso fosse atingido.

    Não é apenas o TCU que cobra do governo que persiga o centro da meta fiscal. Essa é uma análise compartilhada pela maioria dos economistas e especialistas em contas públicas. Fato é que Haddad se aproveita da profusão de emendas constitucionais, leis complementares e leis ordinárias que envolvem a área fiscal para obter a interpretação mais favorável possível ao governo, que sabidamente resiste a cortar gastos tanto de maneira definitiva, via reformas, quanto temporária, com bloqueios e contingenciamentos.

    Por outro lado, a agenda de recuperação de receitas defendida por Haddad tem esbarrado nos limites do Congresso. O governo ainda precisa que o Legislativo aprove a medida provisória que acaba com a isenção de títulos como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e que amplia a tributação das bets, enviada em junho.

    Até o fim de novembro, quando haverá uma nova revisão bimestral do Orçamento, o País saberá se a decisão do TCU será levada a sério pelo governo ou se será apenas mais um jogo de cena às vésperas das eleições presidenciais. Enquanto isso, Haddad continuará a dizer que o governo busca o centro da meta, embora todas as suas práticas apontem para o piso. Foi por isso, afinal, que Lula da Silva engoliu o arcabouço fiscal proposto pelo ministro: porque sabia que ele funcionaria assim, na exata medida de suas necessidades eleitorais.

  3. LULA SEMEOU DESACELARAÇÃO ECONÔMICA NO FINAL DO MANDATO, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O Banco Central divulgou na quinta (25) sua estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto em 2026: crescimento de apenas 1,5%, abaixo da projeção do Ministério da Fazenda (2,4%) e mais próximo da mediana do mercado financeiro (1,8%).

    Embora desde 2022 as projeções para o PIB tenham sido muito mais equivocadas do que o esperado, a desaceleração da atividade hoje parece compatível com a expansão prevista pelo BC para o fim deste ano, perto de 2%.

    O aumento da taxa de juros produz impacto, que deverá ser maior entre o segundo semestre deste 2025 e o primeiro de 2026.

    A moderação observada no segundo trimestre, ademais, mostra que o PIB dependeu mais de indústrias extrativas, que estão menos ligadas ao ciclo econômico, e do saldo das exportações. Já a demanda doméstica arrefece.

    Tal esfriamento deverá resultar em queda do ritmo do emprego; a desocupação se mantém em níveis ainda historicamente baixos, mas a ampliação de postos de trabalho tende a ser menor. Resta saber o que acontecerá com a ainda forte alta dos salários.

    Em resumo, espera-se menos inflação e atividade econômica em 2026. A combinação desses fatores costuma influenciar humores eleitorais, embora ainda não haja expectativa de mudança maior na insatisfação geral em relação à observada agora.

    Deve-se ressaltar, contudo, que a desconfiança do consumidor tem crescido e as expectativas do eleitorado ainda são negativas, assim como o saldo da avaliação popular do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Assim, sem levar em conta reviravoltas políticas, importa saber se a gestão petista, a fim de chegar com mais prestígio às eleições, tomará providências adicionais que não raro elevam o gasto público de forma irresponsável.

    Já estão encaminhados projetos e medidas como a desoneração do Imposto de Renda, a nova faixa do Minha Casa, Minha Vida, a expansão do Vale Gás, a continuidade, com maior divulgação, do programa Pé-de-Meia e mais empréstimos do BNDES.

    Não há espaço para elevação de despesas. O governo só cumprirá as metas deste ano graças a aumento de impostos e antecipações de receitas —sem contar a contabilidade criativa que retira gastos do Orçamento.

    Em 2026, será ainda mais difícil fechar as contas, mesmo com as metas fiscais relaxadas. Dólar e juros altos tendem a se repetir, já que o ano do pleito será de tensão financeira, ainda maior caso os candidatos a presidente não apresentem planos críveis de reforma do gasto público em 2027, o petista em particular.

    Lula 3 inverteu o ciclo político-eleitoral de gastos. Em vez de botar ordem na casa no início do governo, resolveu impulsionar a economia com aumento exorbitante de despesas. Assim, na metade final do mandato, enfrentará desaceleração. Tentar insuflar outra vez a atividade pode antecipar uma crise em 2027.

  4. Boa noite.
    Sobre os VINTE MILHÕES do governo Jorginho, segundo matéria de jornal local, foi uma “promessa de repasse ao longo do ano”, sem data definida.

    Em Itajaí o governador reformou a maternidade do hospital Marieta.
    Mas na propaganda do governo do Estado, ele anuncia a entrega do prédio 15 ANDARES, “tudo para melhorar a SAÚDE da região”. 👀😥

  5. O QUE QUEREM NEGOCIAR EUA E BRASIL, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo

    A disposição de Donald Trump de se reunir com Lula segue um padrão de comportamento adotado pelo presidente americano desde o seu primeiro mandato, calcado por seu desejo de manter a iniciativa. Além disso, pesa o interesse de resolver a questão das tarifas de forma favorável aos EUA.

    A hostilidade de Trump em relação ao Brasil de Lula atingiu um ponto de esgotamento. O governo brasileiro deixou claro que não pode reverter decisões da Justiça em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro e às redes sociais. Não pode e nem quer, já que a resistência à pressão impulsionou a popularidade de Lula.

    As tarifas e sanções dos EUA se tornaram um incentivo interno e uma justificativa externa para o governo Lula fazer o que o seu instinto ideológico já o impulsiona naturalmente a fazer: estreitar a parceria com a China. Diante disso, as pressões americanas se tornaram inócuas e contraproducentes. Ao se oferecer a negociar, Trump retomou a iniciativa, voltando a ocupar o lugar de oferecer a solução.

    A que custo, no entanto? Trump certamente não abandonou a estratégia de usar o Brasil para provar que ele é o líder do mundo livre, enquanto a esquerda é autoritária e repressiva, e usa a Justiça para fins políticos contra a direita. Em um eventual encontro na Casa Branca, diante das câmeras, o risco de o presidente americano impor a Lula um constrangimento é considerável. Daí a preferência de setores do governo de realizar a reunião em um terceiro país.

    Esse aspecto político continua sendo o mais incontornável. Mas as tarifas têm uma dimensão comercial. A revelação do Estadão de que o vicepresidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, conversou no dia 11 por videoconferência com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, e o chanceler Mauro Vieira recebeu no Brasil, no dia 15, Richard Grenell, enviado de Trump para missões especiais, reforça a noção de que Washington tem interesse em negociar um acordo.

    Importadores e varejistas americanos pressionam a Casa Branca para baixar as tarifas, cujo propósito é arrecadar impostos, equilibrar a balança comercial, atrair indústrias de volta e impor a vontade dos EUA sobre outros países – não escassez e elevação de preços.

    O andamento das negociações dá ao Brasil a chance de reduzir suas tarifas, que prejudicam os consumidores, o acesso dos setores produtivos a tecnologias que impulsionam a inovação e a inserção de segmentos da indústria nas cadeias de valor.

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