Texto revisado, alterado e acrescentado às 9h09min deste sábado 25.10.2026. Eu escrevi este desfecho antes das eleições de outubro do ano passado. Em cima do laço, em jogadas tramadas em gabinetes de Brasília e Florianópolis, o Republicanos despudoradamente unindo-se ao PL deixou na mão o candidato daqui a prefeito, o empresário Oberdan Barni. A legenda queria que Oberdan, conservador, também com discursos de supostas mudanças, desistisse e apoiasse a candidatura inventada pelos bolsonaristas com Paulo Norberto Koerich no PL e que trazia à sombra o até então, o “dono” do PL, o ex-candidato a prefeito em 2020, progressista, nascido no PV com passagens pelo PDT, Rodrigo Boeing Althoff.

“Tenho vergonha na cara. Tenho palavra. Não vou tirar a minha candidatura agora para ficar com a fama de vendido. Perco, mas não me rendo”, disse Oberdan à época ao ser abordado hostilmente pelo deputado Federal por Rio do Sul, Jorge Goetten de Lima, que desgastado no PL, a pedido de Jorginho Melo, foi para o Republicanos e fez do partido de Santa Catarina, o PL do B em linha auxiliar para a eleição de Jorginho Melo, PL.
Resultado? Oberdan caiu em desgraça, as pesquisas que tinha debaixo do braço derreteram, ficou isolado, sem apoio financeiro prometido pelo Republicanos e virou problema para os conservadores.
Contados os votos, a dupla Paulo e Rodrigo (em foto acima quando ainda era possível disfarçar esta “união” ao abdicar da condição de ser o cabeça de chapa por ter sido candidato em eleição anterior) teve 52,98% válidos e Oberdan, 1,49%. Nem se elegeria vereador. Oberdan, além de perder aquela eleição, para ser candidato bancou a regularização do partido deixado endividado pelos dirigentes anteriores e como nada deu certo, está até hoje pagando as grossas contas da campanha perdedora. Hoje, Oberdan é aliado ferrenho de Paulo e até foi cotado para ser um membro da equipe do atual governo.
Retomando.
Rodrigo, com pompas em Florianópolis, acaba de se mudar de malas e cuia para o Republicanos. Apesar de tramada há tempos, foi feita repentinamente. Não houve preparação, justificativas e construção para este desenlace. Nas redes sociais, a repercussão não foi boa. E já se está na fase de explicações. quando isto é necessário, é porque a leitura da decisão, exatamente por falta de transparência – uma marca dos políticos eleitos no poder de plantão em Gaspar -, não é boa.
E para não perder a narrativa, Rodrigo está dizendo na praça que fez isso por vontade dele. Não mesmo. Foi por falta de opção a única ponte de salvação construída por Jorge Goetten de Lima (na foto abaixo com Rodrigo ao tempo da campanha do ano passado), de quem Rodrigo é cabo eleitoral por aqui há longa data. Paulo e Rodrigo estão num conflito profundo. De várias origens. Há muito era um um “noivado” e “casamento” de aparências. Toda a cidade sabia e sabe disso. A imprensa sempre soube, mas sempre evitou dar nomes aos bois. Rodrigo leva consigo o vereador Thímoti Thiago Deschamps, União Brasil e fica sob si o Podemos, com Ramon Nicolodi. Muitos partidos, pouca força. Mas, não deixa de ser um nó difícil de ser desatado.
É um rearranjo do que foi mal enjambrado lá em meados do ano passado. Para quem é leitor ou leitora deste blog, não preciso enfileirar um pilha de artigos e notas neste sentido. Por esclarecer, não ser pago por ninguém e nem ter preferências – a não ser o bem da cidade -, sempre fui desmentido e constrangido por esses mesmos protagonistas desta mais “nova mudança”. Eles ainda vão mudar de lado muito outras vezes para salvar seus interesses de poder.

A saída de Rodrigo do PL é um alívio para os bolsonaristas raízes e para o próprio Rodrigo que já não estava confortável nesta fantasia, ainda mais depois da briga com o seu padrinho político desde os tempos de PV, o deputado estadual Ivan Naatz, PL, em vias de ser nomeado pelo governador Jorginho Melo, PL, na lista tríplice da cota de advogados para o Tribunal de Justiça.
Entretanto, esta transferência abre brechas para o enfraquecimento político, bem como atrasa ainda mais o acerto do passo administrativo de Paulo na prefeitura.
Quem está agradecido – e trabalhou nos bastidores mordendo e assoprando na sua habilidade de quase 40 anos de político -, é o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, presidente do PP gasparense. Cada vez mais, com a ajuda chefe de gabinete e prefeito de fato de Gaspar, Pedro Inácio Bornhausen (foto abaixo à esquerda), o PP vai tomando conta da prefeitura mais uma vez, como fez no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, seja com Luiz Carlos Spengler Filho, seja com Marcelo de Souza Brick e saiu cuspindo marimbondos ao tempo da primeira aliança com Adilson Luiz Schmitt e Clarindo Fantoni.
Quem também joga nesse time de aproveitar brechas e oportunidades é o MDB com Ciro André Quintino, depois que a bancada governista foi fragilizada com a eleição de Alexsandro Burnier, PL, para presidente da Câmara. Com Alexsandro, na presidência, faltaram dois votos para Paulo ter a maioria.
Agora, com a fidelidade de Thimoti para com Rodrigo, e enquanto Alexsandro estiver na presidência, o governo, a rigor, está sem três votos. O PP e o MDB os darão esse votos – tal como foi a Bancada do Amém – em trocas de aparelhamentos na máquina municipal. A cara, ampliada e burocrática Reforma Administrativa já está pronta. Melato e Ciro já sinalizaram que ela pode ser levada à Câmara, para aprovação, praticamente sem discussão, na última sessão do ano.

Depois de dez meses de governo e falta de resultados, Paulo pode, finalmente, reiniciar o mandato e terá desculpas para isso: Rodrigo. E pensa-se numa mexida no secretariado. Algumas poderão ser surpreendentes e já estão em curso. A partir da semana que vem o Diário Oficial dos Municípios começa a trazer estas saída e entradas. Mas, este “reiniciar” montado em desculpas, possui prazos: abril do ano que vem. Porque depois de Abril começa a campanha eleitoral para governador, senador, presidente e deputados. Quem não marcou território, vai ser marcado nas urnas com a falta de votos. Talvez entenderá que o problema não está nos críticos, mas neles próprios, os errantes. A não ser que superdimensione os críticos.
Sobre o presidente do PL de Gaspar, pouco se sabe, a não ser que possui um relacionamento de infância com os filhos do governador Jorginho, quando ele era o gerente da agência do finado BESC. Sua liderança, ação política no partido de Gaspar e na administração é nula até aqui. Também pudera, Bernardo Leonardo Spengler Filho é MDB de berço.
E quanto a Oberdan? Está saindo do Republicanos. Está levando consigo uma penca de filiados e diz que até as eleições do ano que vem não se filiará nenhum partido. Já tem candidato a estadual viável, que né do Republicanos, comprometido em trazer verbas para Gaspar. Federal, não escolheu ainda. E não será Jorge Goetten de Lima, certamente. E que nos bastidores, Oberdan diz vai continuar a dar apoio a Paulo Norberto Koerich.
Quem mesmo orienta esta gente? A maioria delas apareceu nas fotos da assinatura da revisão do Plano Diretor – que também aconteceu esta semana -, com discurso com datas falsas e nomeado como sendo um fato histórico, quando apenas seria um ato administrativo, técnico e de cidadania, necessário, muito atrasado e cheio de interesses e interessados que olham seus umbigos e não exatamente a coletividade, a organização, a estabilidade jurídica e o futuro da cidade Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Paulo Norberto Koerich, PL, originário da Arena e hoje PP, finalmente, depois de dez meses de governo reuniu a sua turma para “começar” a traçar o tal Plano Estratégico. Lá num dos espaços do Restaurante Questão de Gosto. Na porta, todos tiveram que deixar os seus celulares numa caixinha, porque em Gaspar e na atual administração tudo é um segredo. Já o discurso é o da transparência total. Isto, no fundo, revela falta de confiança nas equipe que o próprio Paulo escolheu.
Dispensado de licitação, ato assinado pela secretária de Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matucheski Cunha, o tal Plano Estratégico, ao custo da bagatela R$338 mil, está sendo feito pela Logos Assessoria Gestão e Projetos, de Blumenau. Quem é o sócio-administrador dela? João Baptista Krein, petista e então homem forte da área de administração e finanças do ex-prefeito Décio Neri de Lima, PT, em Blumenau. Agora vai. E como pensamento da gestão petista. Muda, Gaspar!

Sobre a CPI do Capim Seco. Como escrevi em NA CPI DO CAPIM SECO, EX-SECRETÁRIO DIZ QUE FEZ TUDO CERTO, NÃO VIU E NÃO SABIA DE NADA, MESMO ELE ESTANDO NO GOVERNO, GERENCIANDO O CONTRATO, PARTICIPANDO DAS REUNIÕES DO COLEGIADO, SENDO UM ATIVO POLÍTICO NOS BASTIDORES DO PODER DE PLANTÃO E MORANDO NA CIDADE quem vai levar a culpa ainda será o terceirizado que faz o cafezinho ruim no gabinete do prefeito, na procuradoria geral do município, na controladoria geral e nas secretarias de Obras e Serviços Urbanos e a de Fazenda e Gestão Administrativa, cada vez mais no foco das desconfianças.
É isso que se deduz dos depoimentos até aqui dos que mandavam e desmandavam nos órgãos e que agora, dizem-se surpreendidos pelo papelório e evidências como os ouvidos ex-secretários Jean Alexandre dos Santos, PSD (era do MDB), Luiz Carlos Spengler Filho, PP (foto ao lado, com seu advogado), e o ex-controlador geral e assessor do ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, desde quando ele era vereador, Ernesto Hostin. Esta demorada e cara CPI está tentando provar de que as bem estruturadas apurações policiais feita em Blumenau por gente especializada em corrupção, são frágeis. De verdade: a quem interessa esta desmoralização? Muda, Gaspar!
10 comentários em “DIANTE DA BRIGA DE EGOS ENTRE OS CONSERVADORES E NA FALTA DE RESULTADOS PARA A POPULAÇÃO DEPOIS DE DEZ MESES DE GOVERNO, AS MELÂNCIAS PARTIDÁRIAS EM GASPAR ESTÃO SE AJEITANDO COM O CAMINHÃO EM MOVIMENTO PARA TER DISCURSOS E NARRATIVAS ÀS ELEIÇÕES DO ANO QUE VEM. RODRIGO SAI DO PL E ASSUME REPUBLICANOS. OBERDAN PROCURA OUTRA OPÇÃO. E O PP OCUPA CADA VEZ MAIS ESPAÇOS NA PREFEITURA”
O bolsonarismo acordou com uma lição de pragmatismo negocial. A campanha que o clã Bolsonaro faz nos Estados Unidos contra o Brasil e os brasileiros, empobrecendo-os, só para ver a Justiça acuada no julgamento do chamado tentativa golpe de estado, pode ser atenuada, como ficou alinhavado entre o encontro o conservador Republicano da extrema direita Donald Trump e o petista Luiz Inácio Lula da Silva, da extrema esquerda, na Malásia. Política e negócios são coisas que caminham juntam quando o mais forte não perde. E os Estados Unidos estava perdendo mais que o Brasil nesta punição que impôs por motivos ideológicos e mal informado que estava. Em Gaspar, tinha bolsonarista antenado. Leia.
UMA IMAGEM QUE DESTRÓI DISCURSOS [a de Lula e Trump apertando as mãos e abrindo a rodada de negociações entre ambos os países e que estampa o noticiário brasileiro deste domingo], por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc. Artigo originalmente publicado nas redes sociais do autor.
Em um domingo memorável, dia 26, em Kuala Lumpur, na Malásia, um gesto simples, mas carregado de significado, selou um encontro que ecoa a esperança de uma nova era nas relações internacionais. A imagem que capturou este momento histórico nos mostra os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, firmando um aperto de mãos que transcende o formalismo diplomático. Este encontro é particularmente relevante por surgir em um período onde as tensões e os desentendimentos pareciam dominar a narrativa global.
Para os brasileiros e para os empresários de ambos os lados, este aperto de mãos representa muito mais do que a cordialidade entre chefes de estado; ele simboliza a flexibilização de muitas das tensões relatadas e a abertura para um diálogo construtivo. Em um cenário de incertezas e de ruídos políticos, este gesto envia uma mensagem clara: os grandes parceiros históricos estão prontos para reativar suas conexões.
Que este aperto de mãos seja o ponto de partida para a restauração das relações comerciais, para o fomento de novas oportunidades de exportação para os produtos brasileiros e para a criação de um ambiente de maior confiança e estabilidade.
Aos brasileiros, este dia deve ser comemorado como o resgate de uma parceria fundamental; aos empresários, como a promessa de um horizonte mais amplo e propício para investimentos e expansão. É a prova de que, mesmo após períodos de atrito, a diplomacia e o reconhecimento de interesses mútuos prevalecem, abrindo caminho para um futuro de cooperação e prosperidade.
O FIM DE UMA ARBITRARIEDADE, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a cobrança de uma condenação trabalhista de uma empresa que não tenha participado de toda a tramitação do processo na Justiça do Trabalho. Na prática, uma empresa, mesmo que integre o grupo econômico de uma outra que tenha sido condenada numa ação trabalhista, não terá de pagar pela indenização a um trabalhador na fase de execução, que é etapa final do processo, haja vista que não foi incluída como parte desde a fase de conhecimento, a etapa inicial. Com isso, os ministros afirmaram o óbvio aos seus colegas de toga da Justiça do Trabalho: existem princípios constitucionais vigentes neste país.
No caso concreto, uma concessionária de rodovias recorreu de uma decisão que a incluíra na fase de execução de um processo trabalhista para arcar com uma indenização imposta contra uma destilaria. A concessionária alegou que não havia participado da fase de conhecimento, que é quando a reclamada pode se defender de uma acusação. A empresa, acertadamente, argumentou que houve uma evidente violação do devido processo legal. Essa arbitrariedade é que estava em discussão no recurso extraordinário com repercussão geral que foi julgado recentemente pelo STF.
Durante esse julgamento, os ministros constataram que não só o devido processo legal fora violado. Não menos importante, houve também afronta ao direito de ampla defesa e do contraditório. Isso porque a concessionária, ao não ser chamada para participar do processo, não pôde apresentar a sua defesa nem pôde contraditar tudo o que lhe fora imputado pelo trabalhador. Como afirmou o relator, o ministro Dias Toffoli, tudo isso conduz “à insegurança jurídica e ao descrédito nas leis, no Direito e no Poder Judiciário”.
Os ministros decidiram por nove votos a dois que essa medida da Justiça do Trabalho é inconstitucional, proibindo que se pratique esse ato contra qualquer empresa em todo o País. Votaram de modo divergente apenas os ministros Edson Fachin, o que não surpreende em razão de sua reiterada postura pró-Justiça do Trabalho, e Alexandre de Moraes, que, embora apresente votos mais liberais em temas empresariais e trabalhistas, parece ter mantido a coerência com a sua polêmica decisão em relação à Starlink e ao X, do bilionário Elon Musk, quando misturou as pessoas jurídicas das duas empresas para obrigar o cumprimento de uma sentença.
Agora, de acordo com o entendimento dos ministros do STF, até há exceções, mas toda alegação contra uma empresa terá de ser devidamente fundamentada para que se possa obrigar essa companhia a arcar com uma condenação imposta a uma outra. Isso poderá ocorrer quando houver sucessão empresarial – ou seja, quando uma empresa assume as atividades de outra – ou quando houver abuso de personalidade jurídica, isto é, quando há ilegalidades cometidas por sócios. Como regra, a decisão do STF pôs fim à instabilidade patrocinada pela Justiça do Trabalho. E, ao restituir a ordem constitucional para evitar excessos dessa envergadura, a Corte promoveu a pacificação social, com o estímulo a um ambiente de negócios mais seguro.
O JOGO PARA 2026, por Fernando Schüler, no jornal O Estado de S. Paulo
As pesquisas mostram que uma maioria consistente de eleitores não gostaria de ver nem Lula nem Bolsonaro em 2026. Seria ótimo uma esquerda e uma direita renovadas, no País, discutindo o futuro. Mas não irá acontecer. Por vezes me lembro de meus 20 e poucos anos. Era a primeira eleição da Nova República, em 1989, e Lula já estava lá. Agora vamos para a décima eleição, e algo soa como a reprise infinita de um velho filme.
Lula sai na frente. Das quatro reeleições que tivemos, apenas uma não funcionou: Bolsonaro, em 2022. Na América Latina, o índice de reeleição chega a 85%.
Há exatos cinco meses, o governo chegou ao fundo do poço, com cerca de 40% de aprovação. De lá para cá, vem se recuperando. Grosso modo, uma reeleição é muito improvável com aprovação abaixo de 40%, e muito provável acima de 50%. Lula sabe disso. Se o governo crescer mais 4 ou 5 pontos, é difícil perder. Se a inflação está sob controle, desemprego baixo e as gratuidades correndo soltas, o curto prazo está bem resolvido. E o curto prazo é 2026.
No mundo da direita, as coisas andam difíceis. De um líder da oposição, escutei que o Brasil teria uma faixa de eleitores “flexíveis”, que tendem à “direita” no terreno econômico, mas rejeitam o radicalismo e há muito perderam a paciência com Bolsonaro. De modo que haveria espaço para uma direita moderada, com Tarcísio ou Ratinho Jr. A tese soa plausível. Lula ganhou o centro em 2022. A direita poderia fazer algo similar agora. Lula ajuda, sob certo aspecto: empurra seu governo para a “esquerda”. A escolha de Boulos como seu ativista-chefe simboliza bem isso.
Um pouco abaixo do mise-enscène político, 2026 seguirá um padrão. Estarão frente a frente as duas turmas que se opõem, na vida brasileira, desde o início dos anos 1990. Desde as privatizações, Lei de Responsabilidade Fiscal, até a autonomia do BC e o novo marco do saneamento, passando por todas as reformas relevantes que o País fez, nas três últimas décadas. Em todas elas, sempre tivemos dois lados. Isto é apenas um dado sobre iniciativas de governos e votos, no Congresso. Lula se elegeu em 2022 dizendo que acabaria com as privatizações, reformas liberalizantes, teto de gastos. Disse que retomaria o “protagonismo do Estado” e cumpriu. Nossa situação fiscal é a prova de sua perfeita coerência.
Nada disso será diferente em 2026. Desta vez com um componente a mais: o tema institucional. A chancela à lógica da exceção que presidiu a vida brasileira nos últimos anos, em especial a partir dos inquéritos, em 2019. Ou sua rejeição. Por ora, a oposição sai atrás. Dispersa, uma parte insistindo na estratégia suicida do apoio ao tarifaço de Trump. Isso e o espectro de uma eleição sob a tutela de opinião do Sistema de Justiça, como em 2022. Quem sabe vá aí o sentido último da disputa de 2026. A dúvida sobre se teremos ou não um debate livre nas eleições. Seria, no fim do dia, ganhe quem ganhar, nossa vitória como país, em 2026. •
O TIRO PELA CULATRA NO AGRO AMERICANO, por Lourival Sant’Anna, no jornal O Estado de S. Paulo
Donald Trump está em condição mais vulnerável, do ponto de vista comercial, do que quando anunciou a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, no dia 9 de julho. A carne e o café estão caros nos EUA e não houve impacto sobre as principais exportações do agro brasileiro.
As tarifas não poderiam ter vindo em pior momento, para a carne bovina dos EUA, que vive a pior queda de produção em 70 anos. Todo setor tem os seus ciclos. Dentro de um ou dois anos a produção pode aumentar de novo. Mas a escassez levou a aumento de 14% do preço da carne americana nos 12 meses encerrados em agosto.
Para uma economia estável como a americana, é muita coisa. O churrasco de hambúrguer no fim da tarde é sagrado para a família americana. Diante das pressões, Trump falou em importar carne argentina. Provavelmente para ajudar Javier Milei nas eleições para o Congresso argentino, hoje – como fez ao condicionar o swap cambial de US$ 40 bilhões à vitória de seu aliado nas urnas.
Mas não se ajudou. A declaração causou algo raro em tempos de total domínio de Trump sobre as primárias de seu partido, ainda mais considerando as eleições para o Congresso em um ano. Republicanos de Estados produtores de carne criticaram o presidente publicamente. Chuck Grassley, do Iowa, um dos mais antigos no Senado, disse que “prejudicar a carne bovina americana não é colocar a América em primeiro lugar”, referindo-se ao slogan de Trump.
Em contrapartida, a carne bovina brasileira registrou em setembro sua maior exportação da série histórica, iniciada em 1997. A carne americana já estava tão cara que as exportações continuaram, mesmo com 50% de tarifa. Os frigoríficos brasileiros exportam para 165 países, e destinaram a carne a outros mercados. O México passou a vender mais para os EUA e a comprar mais do Brasil.
As exportações de suco de laranja e de café também não diminuíram com a tarifa de 50%. O café é tão importante para os americanos que os importadores racharam a tarifa com os exportadores. A safra foi 25% menor e os preços estão altos, o que suavizou o impacto. A China trocou a soja americana pela brasileira e argentina.
Isso não quer dizer que um acordo não interessa ao Brasil. O mercado americano paga bem e tem logística incomparável. E o efeito do tarifaço começou em setembro no setor de máquinas. Houve queda de 28%, com exceção de máquinas para construção civil, cujos contratos são anuais, e tiveram crescimento de 5%.
Mas, no que diz respeito ao agro, motor da economia brasileira, quem está com a corda no pescoço não é Lula.
É uma barbaridade. O vereador Thímoti Thiago Deschamps, União Brasil, membro da CPI do Capim Seco, acaba de publicar um vídeo na sua rede social de que a fraude na roçagem no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho e Marcelo de Souza Brick, ambos do PP, que agora compõem disfarçadamente a proteção do governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, PL, pode ter desviado R$20 milhões em oito anos, segundo uma auditoria independente que a Câmara contratou.
O que é impressionante? O mesmo vereador e a CPI não conseguem chegar aos autores desse desvio, que pouco importa ser de centavos ou de milhões. E mesmo assim, está fazendo espetáculo e achando que descobriram a pólvora. Sem nomes, sem culpados apenas estão dizendo que isso é possível, que outros poderão e vão fazer sem nada ser reposto aos gasparenses e punidos na forma da lei. E olha que a relatora da CPI é uma policial. E o prefeito, também. Vão deixar macular suas reputações de investigadores e solucionadores de casos insolúveis? Muda, Gaspar!
Abaixo, recebo uma correspondência do advogado, ex-procurador geral do município (2005/08), ou seja, entende desse riscado de fingimento de apuração, e graduado em Gestão Pública pela Udesc, ou seja, entende de como se deve zelar pelo dinheiro público, Aurélio Marcos de Souza, depois de ver e ouvir o Thimoti. Ele está passado. Para ele, a missão está incompleta e não cumprida. E vou mais além de Aurélio, além da materialidade (já supostamente descoberta), além da falta de autoria (até aqui), é preciso de punição conforme diz a lei. Leia e entenda.
A FRAUDE DA “MISSÃO CUMPRIDA”
Por Aurélio Marcos de Souza, advogado, educador físico e administrador por formação, graduando em engenharia, leitor contumaz, ouvinte atento, um ser de questionamentos e, acima de tudo, pagador de impostos que não pode se calar.
Quando um integrante de uma CPI aparece diante das câmeras dizendo que sua “““MISSÃO FOI CUMPRIDA””” porque descobriu o valor desviado e apontou as áreas afetadas, ele não está prestando um serviço ao cidadão. ESTÁ DEBOCHANDO DELE!!!!!!!!!
A função de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, bancada com o dinheiro de quem trabalha honestamente, não é ser uma CONTADORA DE PREJUÍZOS. É ser um instrumento de justiça. O cidadão comum não precisa de CPI para entender o que significa o desvio de recursos. Ele sente isso todos os dias quando chega ao hospital e falta medicamento, quando seu filho estuda em uma escola sem estrutura, quando desvia o carro dos buracos da rua que nunca são consertados.
“““A CPI que se limita a calcular o tamanho do rombo não cumpre papel algum”””. Ela apenas transforma a dor coletiva em discurso oficial. É um teatro caro e vazio, onde os atores fingem encerrar uma história que ainda não começou de verdade.
Em qualquer crime, é preciso apurar duas coisas fundamentais: a “MATERIALIDADE” e a “AUTORIA”.
* A MATERIALIDADE é o fato em si, a prova de que algo foi tirado, que o dinheiro sumiu, que o galinheiro amanheceu com menos galinhas.
* A AUTORIA é a parte essencial, é a “CORAGEM DE DAR NOMES”, de apontar quem abriu o portão e levou o que não lhe pertencia.
Pense num galinheiro. Um dia você acorda e percebe que de 20 galinhas, só 18 estão lá. A materialidade está diante dos seus olhos: 2 sumiram. Mas isso não basta. É preciso descobrir quem levou. Foi o vizinho? Foi o próprio caseiro? Foi o cachorro solto do terreno ao lado? É só quando se encontra o responsável que o problema realmente se resolve. De nada adianta você contar as galinhas que faltam, fazer uma lista e soltar um discurso dizendo que “a situação é grave”. O que o povo quer, e tem direito de querer é saber quem abriu o portão e como o roubo aconteceu.
Quando uma CPI termina sem responder quem foram os responsáveis, ela não entrega um relatório, entrega uma farsa. É o mesmo que um delegado relatar um assalto sem citar os assaltantes. É a institucionalização da impunidade. “““É O RETRATO DE UM SISTEMA QUE PREFERE MEDIR O ESTRAGO DO QUE ENFRENTAR OS CULPADOS”””
Não dá mais para aceitar isso. O povo já está cansado de aplaudir investigações que terminam em nada, de ver discursos que “““TENTAM TRANSFORMAR INCOMPETÊNCIA EM CONQUISTA”””. A verdadeira missão de uma CPI só está cumprida quando o relatório final traz nomes, provas e responsabilização.
O resto é encenação. É o mesmo ciclo repetido: o dinheiro some, o escândalo explode, os culpados se escondem, e os representantes do povo fingem satisfação.
Eu, como advogado, cidadão e pagador de impostos, não posso me calar. Porque o silêncio, diante de tamanha omissão, é uma forma de concordar. E quem paga a conta, quem vive a realidade, quem sente a falta do que foi roubado, não pode ser cúmplice da fraude.
DEPOIS DE TERMINAR COM UM “CASAMENTO” DE APARÊNCIAS DESDE O NOIVADO DE CONVENIÊNCIAS ANTES DA ELEIÇÕES COM O SEU VICE, DEPOIS DE DESAPROPRIAR UM HOSPITAL – QUE PARA A POPULAÇÃO CONTINUA COM OS MESMOS DEFEITOS – E CONFESSADAMENTE SEM SABER O TAMANHO DA DÍVIDA DELE, DEPOIS DE CONTRATAR UMA EQUIPE TÉCNICA ORIGINARIAMENTE COM O PENSAMENTO PETISTA PARA FAZER O SEU PLANO ESTRATÉGICO, O BOLSONARISTA PAULO NORBERTO KOERICH, PL, VAI, FINALMENTE, JURA, MOSTRAR DEPOIS DE DEZ MESES DE GOVERNO E TRÊS DE TRANSIÇÃO MAL FEITA, A NOVA CARA DA ADMINISTRAÇÃO QUE AINDA NÃO DISSE A QUE VEIO EM MUDANÇAS E RESULTADOS CONCRETOS PARA A CIDADE.
O DIÁRIO OFICIAL DOS MUNICÍPIOS VAI RETRATAR ESTAS MUDANÇAS EM NOMES – COMO SE ISTO FOSSE A SOLUÇÃO E NÃO A LIDERANÇA DO PROCESSO E SEUS RISCOS – A PARTIR DA SEMANA QUE VEM. TROCAR NOMES PODE SER ADIAR OS PROBLEMAS COM CORTINAS DE FUMAÇAS E DESCULPAS ESFARRAPADAS DE SEMPRE. O DIÁRIO OFICIAL ESTÁ SENDO AGUARDADO COMO ÁGUA PARA O SEDENTO. NOS BASTIDORES NÃO HÁ MAIS SEGREDOS DE QUEM NÃO SERVE, DE QUEM NÃO AGUENTA MAIS, DE QUEM MANDA – EMPREGADO OU NÃO – E QUEM ESTÁ AGARRADO, POR CONVICÇÃO DE QUE AINDA É POSSÍVEL SE DAR UMA GUINADA DE 180 GRAUS OU QUEM NÃO TEM OUTRA OPÇÃO A NÃO SER A TETA PÚBLICA. ALGUNS POR ANOS. MUDA, GASPAR!
A vergonha oficial com aval da Justiça. Ao menos a madame agora pode fingir ser secretária de Assistência Social para mandar no governo e no marido. Por enquanto ela dá palpites em tudo…
O SUPREMO NORMALIZOU O NEPOTISMO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter o entendimento que autoriza a nomeação de parentes para cargos políticos na administração pública. A decisão, embora tecnicamente apresentada pelo relator, Luiz Fux, como uma reafirmação da jurisprudência da Corte, na prática afronta princípios republicanos elementares. O Supremo pode dar quantas piruetas hermenêuticas quiser, mas a nomeação de familiares diretos para cargos temporários ou em comissão configura, sim, o velho e ilegal nepotismo.
Fux foi acompanhado por Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Para eles, não há nepotismo quando o parente indicado possui “qualificação técnica” para exercer o cargo. Beira o escárnio. Ora, o mal do nepotismo não está no currículo do parente nomeado, mas na natureza da relação que levou à sua nomeação. Quando o poder é exercido como extensão de relações familiares, toda a sociedade perde. Ao admitir exceção com base na “competência” do parente – que sabe-se lá como e se seria fiscalizada –, o Supremo abastarda a impessoalidade e a moralidade que devem nortear a administração pública.
O caso particular, de repercussão geral, trata de uma lei aprovada em Tupã (SP), em 2013, que proibia a contratação de parentes até o terceiro grau do prefeito, do vice e dos vereadores, exceto nomeações para o secretariado municipal. O Tribunal de Justiça de São Paulo declarou inconstitucional essa brecha, mas a prefeitura de Tupã recorreu ao Supremo. Agora, a Corte alterou a Súmula Vinculante n.º 13, de 2008, para excluir a nomeação de parentes para cargos políticos das hipóteses de nepotismo – decisão, por ora majoritária, tomada em nome de uma suposta “autonomia do governante” para escolher seus auxiliares diretos.
A versão original da Súmula Vinculante n.º 13 foi um marco civilizatório. Sua razão de ser era elementar: impedir que o Estado voltasse a ser tratado como propriedade privada de governantes e seus clãs. Ao relativizar a própria súmula, alguns anos depois, o STF enfraqueceu um dos instrumentos mais eficazes para combater o patrimonialismo, um traço atávico que até hoje degrada a vida pública do País.
Durante o julgamento, na quinta-feira passada, Fux afirmou que “a mensagem do Supremo é que a regra é a possibilidade (de nomeação de parentes), e a exceção é a impossibilidade”, buscando afastar a ideia de uma “carta de alforria” para o nepotismo. Mas é exatamente isso o que a decisão da Corte será, caso não seja modificada. É de uma ingenuidade desarmante supor que governadores e prefeitos das 27 unidades da Federação e dos mais de 5.570 municípios brasileiros submeterão os currículos de seus parentes a algum escrutínio técnico rigoroso. Ou que, diante de candidatos igualmente qualificados, não optarão pelo laço familiar. A experiência política brasileira demonstra que, sempre que há brechas, o interesse particular infiltra-se no poder institucional.
Até agora, o voto divergente do ministro Flávio Dino foi o único a respeitar a lei e, principalmente, o espírito republicano. Dino lembrou que a Lei n.º 14.230/21 vedou expressamente o nepotismo sem abrir exceção para cargos políticos. Ao tipificar o nepotismo como improbidade, o Congresso, esclareceu Dino, “não excepcionalizou cargos políticos”. O ministro defende a revisão da jurisprudência, porque a lei posterior prevalece sobre a interpretação anterior da Corte. É o Supremo que deve ajustar-se à lei, não o inverso.
Ao insistir na permissividade como regra, o STF ainda agrava um mal crônico do próprio Judiciário: a complacência com o conflito de interesses, seja nas relações familiares, seja nas afinidades políticas e empresariais. Nada parece constranger Suas Excelências. Ao menos são coerentes. O mesmo STF que agora flexibiliza a prática do nepotismo no Executivo afrouxou, em 2023, as regras de impedimento de juízes em processos que envolvem clientes de escritórios de parentes.
Impessoalidade não é capricho, mas sim a garantia de que o Estado não será tomado por famílias ou grupos de interesse. A decisão do Supremo – que, esperamos, seja revertida – naturaliza uma prática que o Brasil, a duras penas, tem tentado eliminar desde a redemocratização.
Primeiro era esse guloso invisível e pau nele. Segundo eram os ricos e os rentistas e pau neles. Terceiro eram os economistas conservadores e de escolas que pregam o desenvolvimento sustentável no equilíbrio fiscal; pau neles pois exalavam vieses ideológicos. Agora, é a imprensa de um modo geral. Só hoje, O Globo, O Estado de S. Paulo e a Folha de São Paulo, parecem combinadas, trataram do mesmo tempo. Só falta combinar com o Congresso, o irresponsável e que se diz representante de todos nós que na sua maior parte está validando esta farra do PT, Lula e da esquerda do atraso contra o futuro do país, economia e do seu povo
EXCEÇÕES EM SÉRIE TORNAM REGRA FISCAL UMA PEÇA DE FICÇÃO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
“Templo é dinheiro”, dizia uma máxima, décadas atrás, que ironizava a ascensão das igrejas neopentecostais, braço evangélico que emergiu a partir dos anos 1970 e 1980 e que, liderado pela Igreja Universal do Reino de Deus e outras, notabilizou-se pela força midiática de pastores, pela teologia da prosperidade e pela organização empresarial da fé. A variação da expressão atribuída a Benjamin Franklin – “tempo é dinheiro” – era fruto em grande medida do preconceito e do choque de um país de maioria católica, onde inclusive ser católico chegou a constar como precondição para votar, e que se viu estremecido com a vertiginosa ascensão e relevância dos evangélicos. Ainda que tenha contribuído para isso o vigarismo religioso que marcou a conduta de pastores desde então, não deixa de ser chocante que, depois de tantos anos de crescimento da população evangélica, o País ainda se veja às voltas com o preconceito, a desinformação e a instrumentalização da fé para fins políticos.
Atribuem-se ao segmento evangélico muitos dos males do fundamentalismo bolsonarista e do radicalismo de pastores que se misturam à política. A confusão, o preconceito e os estereótipos, afinal, se ampliaram depois que pastores influentes passaram a atuar em favor de Jair Bolsonaro, que teve alta taxa de sucesso eleitoral nas disputas de 2018 e 2022. Ao mesmo tempo, as últimas campanhas presidenciais e os institutos de pesquisa mostraram a distância que separa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT dos evangélicos. Desde então, conselheiros do presidente e estrategistas petistas não hesitam em tentar uma, vamos chamar assim, aproximação, na expectativa de fazer Lula ser visto como crente. O “aceno” petista para a população evangélica parece estar em toda parte.
Recentemente, o presidente abriu sua agenda para receber bispos no Palácio do Planalto. A possível indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal passou a incluir a condição de evangélico como atributo a ser considerado em seu favor. Com alguma frequência, Lula passou a exibir sua verve de pregador de quermesse, usando referências religiosas em discursos. Até a onipresente primeira-dama Janja da Silva tem se empenhado em participar de cultos em templos religiosos a fim de desfazer a imagem de inimiga dos evangélicos e se contrapor a Michelle Bolsonaro, a ex-primeira-dama declaradamente evangélica e conservadora. Lula e Janja também já se deixaram fotografar orando, alimentando suspeitas de que o esforço é apenas uma estratégia marqueteira. Sem contar a produção de cartilhas do PT para ensinar o comissariado e a militância a “como falar com os evangélicos”.
Essas e outras iniciativas são evidências de quem não parece ter intimidade com o segmento. São a certeza de que os evangélicos – hoje cada vez mais organizados e eleitoralmente fortes – representam uma massa ao mesmo tempo genérica e uniforme, composta por pastores e parlamentares populares, influentes e barulhentos, e uma população fiel, obediente e facilmente manipulável. Na falta de compreensão real, opta-se pela cooptação.
Esse tipo de instrumentalização da fé pela política é nociva à integridade da democracia. Primeiro, porque, quando líderes políticos se apropriam do discurso religioso para obter poder ou tentar manipular eleitores, a espiritualidade – que deveria servir à reflexão, à ética e à busca do bem comum – é reduzida a uma ferramenta de controle e persuasão. Segundo, porque, assim, o autoritarismo e o populismo se disfarçam de missão divina. Terceiro, porque a fusão entre religião e política mina o pluralismo e a liberdade de consciência, pilares fundamentais de uma sociedade democrática.
Por fim, ignora-se o elementar: ninguém é apenas evangélico. Todos têm aspirações e necessidades que passam tanto por suas crenças quanto por elementos reais do cotidiano. Como qualquer eleitor com distintos valores religiosos ou morais, preocupam-se com segurança, trabalho, renda, saúde, bem-estar e um futuro próspero. Simples assim. Quem olha para os evangélicos e vê apenas uma pilha de votos não está genuinamente interessado nem nos valores religiosos nem no exercício saudável do poder.
OS TARTUFOS PETISTAS, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
“Templo é dinheiro”, dizia uma máxima, décadas atrás, que ironizava a ascensão das igrejas neopentecostais, braço evangélico que emergiu a partir dos anos 1970 e 1980 e que, liderado pela Igreja Universal do Reino de Deus e outras, notabilizou-se pela força midiática de pastores, pela teologia da prosperidade e pela organização empresarial da fé. A variação da expressão atribuída a Benjamin Franklin – “tempo é dinheiro” – era fruto em grande medida do preconceito e do choque de um país de maioria católica, onde inclusive ser católico chegou a constar como precondição para votar, e que se viu estremecido com a vertiginosa ascensão e relevância dos evangélicos. Ainda que tenha contribuído para isso o vigarismo religioso que marcou a conduta de pastores desde então, não deixa de ser chocante que, depois de tantos anos de crescimento da população evangélica, o País ainda se veja às voltas com o preconceito, a desinformação e a instrumentalização da fé para fins políticos.
Atribuem-se ao segmento evangélico muitos dos males do fundamentalismo bolsonarista e do radicalismo de pastores que se misturam à política. A confusão, o preconceito e os estereótipos, afinal, se ampliaram depois que pastores influentes passaram a atuar em favor de Jair Bolsonaro, que teve alta taxa de sucesso eleitoral nas disputas de 2018 e 2022. Ao mesmo tempo, as últimas campanhas presidenciais e os institutos de pesquisa mostraram a distância que separa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT dos evangélicos. Desde então, conselheiros do presidente e estrategistas petistas não hesitam em tentar uma, vamos chamar assim, aproximação, na expectativa de fazer Lula ser visto como crente. O “aceno” petista para a população evangélica parece estar em toda parte.
Recentemente, o presidente abriu sua agenda para receber bispos no Palácio do Planalto. A possível indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal passou a incluir a condição de evangélico como atributo a ser considerado em seu favor. Com alguma frequência, Lula passou a exibir sua verve de pregador de quermesse, usando referências religiosas em discursos. Até a onipresente primeira-dama Janja da Silva tem se empenhado em participar de cultos em templos religiosos a fim de desfazer a imagem de inimiga dos evangélicos e se contrapor a Michelle Bolsonaro, a ex-primeira-dama declaradamente evangélica e conservadora. Lula e Janja também já se deixaram fotografar orando, alimentando suspeitas de que o esforço é apenas uma estratégia marqueteira. Sem contar a produção de cartilhas do PT para ensinar o comissariado e a militância a “como falar com os evangélicos”.
Essas e outras iniciativas são evidências de quem não parece ter intimidade com o segmento. São a certeza de que os evangélicos – hoje cada vez mais organizados e eleitoralmente fortes – representam uma massa ao mesmo tempo genérica e uniforme, composta por pastores e parlamentares populares, influentes e barulhentos, e uma população fiel, obediente e facilmente manipulável. Na falta de compreensão real, opta-se pela cooptação.
Esse tipo de instrumentalização da fé pela política é nociva à integridade da democracia. Primeiro, porque, quando líderes políticos se apropriam do discurso religioso para obter poder ou tentar manipular eleitores, a espiritualidade – que deveria servir à reflexão, à ética e à busca do bem comum – é reduzida a uma ferramenta de controle e persuasão. Segundo, porque, assim, o autoritarismo e o populismo se disfarçam de missão divina. Terceiro, porque a fusão entre religião e política mina o pluralismo e a liberdade de consciência, pilares fundamentais de uma sociedade democrática.
Por fim, ignora-se o elementar: ninguém é apenas evangélico. Todos têm aspirações e necessidades que passam tanto por suas crenças quanto por elementos reais do cotidiano. Como qualquer eleitor com distintos valores religiosos ou morais, preocupam-se com segurança, trabalho, renda, saúde, bem-estar e um futuro próspero. Simples assim. Quem olha para os evangélicos e vê apenas uma pilha de votos não está genuinamente interessado nem nos valores religiosos nem no exercício saudável do poder.
É impressionante como o PT, Lula e a esquerda do atraso flertam com a bandidagem de alta graduação (e dinheiro) e sonegação. Pegos e às vésperas de uma eleição, falam em gafe como desculpas esfarrapadas daquilo que é uma narrativa recorrente.
LÍNGUA DE LULA TIRA GAMBÁ DA CARTOLA AO VITIMIZAR TRAFICANTE, por Josias de Souza, no UOL (Folha de S. Paulo)
Se a estupidez matasse, Lula teria que colocar ponte de safena na língua. Num instante em que o petismo se esbaldava na crítica a Flávio Bolsonaro por ter sugerido ataques dos Estados Unidos contra barcos com drogas no Rio de Janeiro, Lula declarou que “traficantes são vítimas de usuários também”.
A pretexto de condenar os bombardeios americanos contra embarcações venezuelanas, Lula insinuou que Trump precisa se preocupar com o consumo de drogas nos Estados Unidos. Produziu a seguinte pérola: “Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são vítimas dos usuários também.”
Expoentes da oposição correram à internet para grudar em Lula a pecha de protetor de bandidos. Diante da péssima repercussão, o Planalto pendurou um post nas redes. Nele, Lula disse que sua frase foi “mal colocada” e que é claramente contra “os traficantes e o crime organizado.”
Não é a primeira vez que a língua de Lula ganha vida própria num improviso. A diferença é que dessa vez ela se aventurou no ramo da magia. Tirou um gambá da cartola. Ao tratar traficantes como vítimas de dependentes químicos, a língua de Lula soou como líder da oposição. Entregou aos adversários um vídeo para ser usado na propaganda eleitoral de 2026.