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COMO PARTE DOS SERVIDORES EFETIVOS ENXERGAM OS NOVOS POLÍTICOS DE GASPAR NO PODER DE PLANTÃO, AQUELES QUE IRIAM MUDAR GESTÃO PARA RESULTADOS E PRINCIPALMENTE, TRANSPARÊNCIA AOS CIDADÃOS E CIDADÃS

Hoje, mais uma vez, vou ser ameno. Vou me repetir na preguiça. Meus leitores e leitoras – que não existem além de mim mesmo – entram no meu lugar neste espaço sem credibilidade mas, que os poderosos querem-no, estranhamente, fraco e silenciado para sempre se eu não mudar o tom para aplaudir como já fazem os outros.

Pincei um depoimento de um servidor efetivo. Entretanto, esta mesma ladainha, já ouvi e li de outros que me procuram para socorro e denúncias O depoimento sinaliza, e não é de hoje, reflete como o “novo” governo – e não me refiro apenas aos eleitos e sim a parte dos escolhidos para a composição dele e alguns já fora prematuramente do núcleo de poder -, está sem uma identidade. Isto gera medo, insegurança e instabilidade. Qual a causa? É que emprestaram sinais do governo anterior.

Retomando.

Sem dizer quem é ele ou ela, e naturalmente por motivos óbvios, até porque não tenho a devida autorização dele ou dela para assinar o que ele ou ela escreveu a um terceiro, vou, como escrevi, à preguiça. São olhares e opiniões relevantes. Elas vagam pela cidade com nuances de incredulidade. O servidor ou servidora autor ou autora desta observação é reconhecido ou reconhecida no ambiente da prestação qualificada de serviços públicos e já teve suas incursões políticas e militância partidária no passado. Hoje é um ou uma  mero ou mero integrante da cena político-administrativa. Abaixo, no depoimento, que está entre colchetes, é minha observação ampliada.

O primeiro trecho diz: “Felizmente ou infelizmente…perdeu o bonde da limpeza [colocar a casa em ordem na prefeitura]. Eles (Paulo/Rodrigo) receberam uma vassoura nova para fazer a faxina, mas [saindo do foco] preferiram contar quantas palhas tinha em cada maço. Quando terminou a contagem do primeiro [maço ou bloco dos supostamente errados], os demais já estavam unidos. Não conseguiram e não irão conseguir desfazer o nó. Aguardemos 28. Eleição de 28? Não! O berro dos 28 patrocinadores de campanha. Batata assando“.

O segundo trecho, num tom de desespero, ainda revela por esperanças, o que bem demonstra à expectativa que se tinha e está indo embora sob grossa frustação, diz: “há possibilidades, remotas, muito remotas, de virar o vento para este barco [atual governo de Gaspar]. Mas, juntos, remadores já pularam na água. Não há possibilidade de resgatá-los. Daqui prá frente… salve-se quem puder. Isto é, [para] quem tem remo/boia…

QUANDO O PODER TRAZ JUNTO A SOLIDÃO E EXCLUI A SOLIDARIEDADE

Vou excluir à tese da possibilidade da ditadura do poder. Ela sempre toma conta de quem consegue algum status de mando que deveria ser liderança e compartilhamento, mas se se nega a isto. Não vou longe. As tiranias, sob vários pretextos, estão aí para serem exemplificadas. Até as que juram defender a democracia, a justiça e a liberdade de expressão. E não precisamos ir longe nas estruturas sofisticadas de poder no ambientes políticos, administrativos e corporativos. Basta que fiquemos bem perto de nós mesmos, como num relacionamento a dois, onde em nome do domínio e mando impõe-se, machuca-se e até se mata a quem se dizemos amar. Há manchetes por todos os cantos. Há sussurros de fatos tão monstruosos e que se escondem em histórias íntimas.

Então, para não me delongar vou à solidão do poder. Esta eu conheço. E bem.

Uma das minhas tarefas profissionais era ( ou é…) a de enfrentar estes solitários no poder, furar a bolha deles, descontruir verdades deles – as vezes corretas, mas mal gerenciadas -, os múltiplos fantasmas que criam por conta disso – algo freudiano no espanto que nos acompanha – e minimamente, integrá-los à realidade. Alguns queriam este exercício de equilíbrio. A maioria temia, uns relutavam e havia até, os que entravam em estado de negação completo diante de fatos e provas expostos.

Estes emergidos na solidão do poder sabiam o que precisavam entregar à sua corporação, equipe e grupo social. Todavia, quando no poder, por vários aspectos emocionais, sociais, profissionais – e inconcebivelmente até familiares – se perdiam na missão de entregar ou gerar resultados para os quais foram contratados, escolhidos ou investidos. No caso concreto de Gaspar, há a investidura dos votos diante de expectativas, promessas com contratos sociais tácitos.

A BOLHA E OS QUE A INFLAM

No centro de tudo isso, nos casos concretos com que trabalhei, para essa perplexidade para os do outro lado do balcão e que esperavam reações, mudanças, confiança e resultados diferenciais, havia por parte dos contratados, escolhidos ou investidos um misto de êxtase, frustação e o medo da submissão. Preferia, então, eles, ouvir o que queriam ouvir: s ressonância do próprio eco. E aí, neste vácuo, entravam ou entram os aproveitadores de sempre. Eles fazem acreditar ao contratado, escolhido ou investido está certo; o mundo é que está errado. E num mundo todo particular, cegam-se à qualquer mínima e obrigatória revisão de sinais, comportamentos e entregas de resultados.

O que acontece em Gaspar não é novo neste ambiente de análise, muito menos um ponto fora da curva. Não se pode olhar os críticos apenas como um problema – e as vezes são – a ser eliminado. E sim, como uma séria advertência a ser considerada e até descartada, quando bem avaliada. 

Não vou a Florianópolis e o exercício que eu fiz no TRAPICHE onde o próprio governador Jorginho Melo, PL, o herói de muitos por aqui, surpreendeu-nos jurando que a Central do Corpo de Bombeiros de uma parte do Vale do Itajaí não estaria em Balneário Camboriú, vou a Brasília. Está na cara de todos, quase sem exceção, a não ser para uma pequena claque palaciana – o retrato da solidão do poder que lhes relatei anteriormente – de que o governo Federal vai mal.

Não se trata uma invenção. Diferente de Gaspar, o caso de Brasília está delineado sob vários ângulos nas sucessivas pesquisas pesquisas públicas tanto nas minudências como nas análises macros. Mas, todos do PT, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e na esquerda do atraso, estão dobrando a aposta no erro, o que faz não apenas desandar a economia, mas a que sacrifica o povo com o surrado mote que não para mais de pé: que está se está salvando os pobres, cada vez mais pobres, tirando dos ricos para os justificar os cada vez mais altos impostos que vão para privilégios, desperdícios e corrupção desenfreada.

Como disse o(a) nosso(a) servidor(a) efetivo(a) na prefeitura de Gaspar e personagem oculto deste comentário:  Mas, juntos, remadores já pularam na água. Não há possibilidade de resgatá-los. Daqui prá frente… salve-se quem puder. Isto é, [para] quem tem remo/boia… E a maioria não possui sequer porto, ou margem ou resgate à vista, mesmo que tivesse remo e boias em Gaspar e no Brasil. Seja qual for a ideologia, a solidão de gestores, líderes e políticos, eles se abraçam aos espertos de ocasião que o cercam devido esta solidão poder, fazem o eco do contratado, escolhido ou investido, salvam os interesses particulares ou do grupo e pouco se importam, verdadeiramente, com barco. Ele está a deriva. Está faltando além de uma bussola, comprometimento e solidariedade para os resultados prometidos para os que verdadeiramente colocaram essa gente no poder. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Se os ajeitamentos fora do Plano Diretor viraram casos para serem resolvidos no canetaço da procuradoria geral do município em substituição aos técnicos da Superintendência do Meio Ambiente, secretaria de Planejamento Territorial e até da superintendência da Defesa Civil, talvez o melhor alerta aos “espertos” daqui tenha vindo nesta semana do Ministério Público Federal. E de um caso, aparentemente, sem muita importância. A foto é meramente ilustrativa e não é da região.

Uma perita, numa ação que rola na Justiça Federal, achou estranho que um dos maiores empreiteiros de terraplanagem do município, não pudesse ajudá-la no caso concreto dela, oferecendo dados, referências reais e parâmetros para modulações de uma indenização que um outro empreiteiro terá que pagar a União (e ao proprietário de terreno) por ter extraído barro na região sem o devido licenciamento ambiental e mineral. O que o empreiteiro gasparense alegou para esta escusa? De que ele não possuía antes e agora, jazidas regulares para atender seus clientes.

O que está claro Defesa Civil, Superintendência de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, bem como secretaria de Planejamento Territorial? Que extrair barro pode crime Federal. O que está claro? Que extrair barro hoje em dia em Gaspar é uma atividade regulamentada – e agora fiscalizada – que precisa de autorização Federal.

As movimentações para aterros e loteamentos que pipocaram em escala industrial precisavam estar licenciados para quem retira, de quem recebe e de quem transporta este tipo material. E isso tem um preço, tanto que as empresas de terraplanagem, cobram pelo barro que disfarçam em serviços, incluindo o transporte, a retirada e o espalhamento dele.

Mesmo que este barro fosse gratuito, ele precisa licença Federal de lavra. Ela é demorada, cara e burocrática. Ora, se uma das maiores empresas do setor daqui alega a uma perita de que não possui mina e lavra, a empresa precisa comprar de terceiros que tenha tudo legalizado. E se nem isso, poderá comprovar para o passado e o presente, o futuro está comprometido. Como tudo foi feito nos gabinetes com amparo da burocracia da prefeitura de Gaspar?

Diante deste simples acontecido desta semana, entende-se melhor o tamanho do nó desta questão. Entende-se, por outro lado, como o Ministério Público Estadual está sendo usado para criar, rapidamente, os tais Termo de Ajustamento de Condutas ao que já está irregular e pode até não estar na sua alçada de pactuação. E por quê? Não há ingenuidade. É que todos estão vendo o MPF chegar perto das coisas embrulhadas em Gaspar. E aí o buraco será em outro lugar: não terá arrego para o passado. Entenderam? Muda, Gaspar!

Jornal local, diz em uma de suas colunas, que finalmente o “delegado prefeito” Paulo Norberto Koerich e o engenheiro multititulado Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, fizeram as pazes. Primeiro: estou de alma lavada. Eu era o único que, publicamente, mostrava esta distância e era sistematicamente desmentido. Aliás, vice foi “eleito” só para esperar, para não mandar e ser mais que o titular. Segundo: não há lua de mel. Há sim, um esperando pelo outro escorregar nas cascas de bananas que jogaram no caminho deles.

Coisa mais estranha. O Hospital de Gaspar, um saco sem fundo sob intervenção municipal, anunciou que  vai se especializar em tratar e curar feridas dos outros. Nada contra. Deve ser uma oportunidade na tal busca da vocação daquela casa de saúde. Mas, o Hospital, primeiro, devia tratar das suas. As queixas não param. E não são sobre feridas. São sobre pronto atendimento lotado, socorro, fata de transparência e mortes.

A escuridão I. Na sessão da Câmara, entre tantas, teve a volta do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Ele está indignado que quase seis meses depois da posee do “delegado prefeito”, Paulo Norberto Koerich, e do engenheiro multititulado, Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, não há licitação para repor os materiais que iluminem Gaspar, mesmo depois do aumento de 40% da Taxa de Iluminação, de um empréstimo milionário aprovado pela Câmara – tudo no tempo do ex-prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB e atual chefe de gabinete, Pedro Inácio Bornhausen, PP, que ocupou igual cargo no governo passado e ter se dedicado à sua vida profissional na Celesc, a que ilumina.

A escuridão II. Na mesma sessão, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, reproduziu na telona da Câmara o vídeo do suplente de vereador em Blumenau, Halley Edson da Silva, Novo, sobre as escolhas do governo do delegado prefeito Paulo Noberto Koerich e do engenheiro multititulado Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, para as áreas de Meio Ambiente e Planejamento Territorial e que mostrei em O GOVERNO DO “DELEGADO PREFEITO” PAULO VAI TENTAR, NO SEU SEXTO MÊS DA POSSE E QUASE DEZ MESES DEPOIS DA EXPLENDOROSA VITÓRIA DE 52,98% VOTOS VÁLIDOS CONTRA A CONTINUAÇÃO DE KLEBER E A VOLTA DE UM PREFEITO DE TRÊS MANDATOS, RECOMEÇAR A PARTE QUE INCOMODA INVESTIDORES

A escuridão III. Dois fatos chamaram a atenção. A primeira delas foi a líder do governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, tão logo o vídeo foi exibido, ela se pôs a filmar com o seu celular como se aquilo fosse uma “novidade”. O vídeo entupiu os aplicativos de mensagens nestes dias por aqui. O segundo ponto, foi à enfática defesa do petista Dionísio Luiz Bertoldi, PT, para que a escolha recaísse sobre o atual vice-prefeito, o engenheiro Rodrigo Boeing Althoff, PL. Dionísio atestou competência do seu indicado. Qual a razão? Rodrigo já foi o homem de Pedro Celso Zuychi, PT, na equivalente hoje secretaria de Planejamento Territorial, quando Rodrigo militava no PV, um partido de esquerda.

A escuridão IV. Noves fora, não entrarei no mérito e qualificação do vice Rodrigo Boeing Althoff, PL, para o cargo e função sugeridos pelo vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, até porque já escrevi reiteradamente sobre este assunto aqui. Entretanto, com a indicação feita, Dionísio está obrigado dizer duas coisas à cidade: a primeira se este é o desejo do PT e assim sendo, qual a razão da demissão tão prematura de Rodrigo feita pelo ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, quando Rodrigo foi um secretário do governo petista. Muda, Gaspar!

Control C, control V. A secretaria de Agricultura e Aquicultura de Gaspar resolveu mudar o que estava supostamente errado. Na contra. Entretanto, logo de cara se soube que a escolha da titular indicava, vinda de fora, que este não era o perfil ideal para isto. Se sabia também, que o operacional da secretaria, gente daqui, aposentada, era a continuidade de tudo aquilo que se praticou até então na secretaria. Mudariam-se apenas os focos. Bingo.

Veio a tal Expofeira (de animais), o maior evento da secretaria de Agricultura e Aquicultura de Gaspar, quando no fundo, a sua função é fomento e apoio técnico aos pequenos e médios produtores agrícolas e da pecuária. Aventou-se não realizá-la. Comoção. Então se desenhou a realização fora dos padrões das anteriores. Nada contra. Um fracasso. Sabia-se o perfil de quem disse que queria mudar. Não mudou. Então não ficaria bem esse vai-e-vem do não realiza, realiza e ao final, morre a Expofeira. Começou-se por isso, pela gestão do problema. Primeiro para arrumar a casa internamente. Ela boicotava à própria iniciativa na nova forma proposta. Depois, suplicar o apoio e a participação de expositores e apoiadores daqui e de alhures.

Um servidor resume bem, mais uma vez, esta “batalha” sobre o nada. Além do preço do metro quadrado estar mais caro do que a Exposição de Esteio, no Rio Grande do Sul, cada imposição foi caindo a medida que os dias passavam e o fracasso se desenhava. Agora, tudo o que estava “proibido”, ou seria feito de forma “diferente”, está liberado como era antes e com um agravante: uma banda colocou uma nota oficial nas redes sociais de que ela está sendo anunciada e não foi contratada. Ah, é terceiro? Mas, faltou controle E se for atrás…

Faltando uma semana para a Expofeira começar as permutas estão liberada e correndo soltas (não seriam permitidas); as horas extras igualmente; vão pagar o frete das movimentações de animais (que estava fora do escopo); vão distribuir a serragem para as camas dos animais (iriam cobrar e vender por saquinhos.. credo; agora será por metro cúbico)…

Foram dois meses de discussões e desgastes para supostas mudanças. Foram dois meses de negativas e teimosias bobas e pequenas. Ao final, diante de um possível fracasso, tudo ficou tão igual ao que era antes. E perguntar não ofende: precisava disso, quando a essencialidade disso é o que Gaspar vai ganhar com este tipo de exposição e as suas picuinhas criadas em torno dela. É um retrato que vai se tornando comum por aqui. Há exceções. E boas. Mas que ficam ofuscadas por este tipo de repetição. Muda, Gaspar!

Então quer dizer que a praça Getúlio Vargas, agora, virou área de treinamento para comissionados, mas em ciclomotores? Hum

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8 comentários em “COMO PARTE DOS SERVIDORES EFETIVOS ENXERGAM OS NOVOS POLÍTICOS DE GASPAR NO PODER DE PLANTÃO, AQUELES QUE IRIAM MUDAR GESTÃO PARA RESULTADOS E PRINCIPALMENTE, TRANSPARÊNCIA AOS CIDADÃOS E CIDADÃS”

  1. MUITO GASTO, POUCA SERVENTIA, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

    Afinal de contas, a Câmara e o Senado são ou não a favor do arcabouço fiscal, de menos gastos e mais receitas, de uma economia que gere confiança e atraia investimentos? E dos interesses públicos, em geral, da segurança, do bem-estar e do futuro do distintíssimo público que garantiu os votos e a vitória de seus 513 membros do salão verde e dos 81 do salão azul?

    Seus presidentes, deputado Hugo Motta e senador Davi Alcolumbre, juram que sim, que são baluarte da defesa dos interesses nacionais e do controle das contas públicas e aliados do governo nessa direção. Só que…põem a faca no pescoço do presidente Lula e do ministro Fernando Haddad, derrubam uma proposta atrás da outra e não apresentam absolutamente nada em troca. Só sabem dizer “não” – e aumentar os próprios gastos.

    Ok, todo mundo tem arrepios ao ouvir falar em aumento de impostos e lembra de Haddad, uma, duas, mil vezes se comprometendo a não fazer isso. Mas que tal o Congresso finalmente enfrentar o problema, inclusive combatendo os supersalários, inconstitucionais e imorais, e cortando na própria carne e nas próprias emendas de valor estratosférico?

    Um bom começo seria suas excelências trabalharem, porque, até agora, só se viu, ouviu e condenou muito tititi, briguinha política, uso de comissões para perseguir adversários, defesa corporativista de réus e condenados pela Justiça, jogo sujo contra o Supremo, muxoxos contra o Executivo…

    Tudo isso ilustrado com cenas lamentáveis de marmanjos destratando a ministra Marina Silva ou de novatos (alçados a deputados federais por blogs e redes sociais) inviabilizando um debate sério sobre a questão fiscal para captar uns minutos de vídeos e editá-los ao gosto dos imbecis de internet.

    O momento mundial é grave, mas o Congresso não se comove, nem se move, com a geopolítica, o papel do Brasil ou urgências domésticas. E a internet e a responsabilidade das plataformas por conteúdos nocivos? E o pacote da segurança, para melhor sintonia entre governo federal e Estados no combate ao crime organizado e à violência?

    Ao votar urgência para votar, ou melhor, derrubar a MP fiscal que Haddad apresentou para neutralizar a lambança do IOF, a Câmara fica na obrigação de contrapor soluções, mas age na direção oposta: defende aumento do número de deputados e que parlamentares estourem o teto constitucional, acumulando salários e aposentadorias.

    PT e PL vivem em guerra, mas são irmãos siameses ao legislar em causa própria. Aliás, que tal reduzir o valor das emendas pela metade, quem sabe em 70%? Excelente ideia para a questão fiscal – e não só para ela.

  2. Se você ler até o fim, vê-se que é mentira, falácia e demagogia de Lula, Haddad, PT, Gleisi e a esquerda do atraso de que se está aumentando impostos dos mais ricos para dar aos pobres. É aumento de impostos para safar um governo populista, irresponsável, gastador e sem controle das despesas cada vez maiores por ineficiência, incompetência, corrupção e planos de poder. Os pobres é uma palavra mágica dos governantes de plantão – e dos nossos representantes no Congresso – para enganar analfabetos, ignorantes e desinformados para esconder as mazelas dos políticos contra o Brasil.

    NÃO SERVE O IOF? HÁ OUTROS IMPOSTOS, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo

    “Estes são os meus princípios. Se você não gosta deles, eu tenho outros” (Groucho Marx)

    Lembrei-me da frase quando o ministro Fernando Haddad anunciou a Medida Provisória contendo uma nova leva de aumento de impostos. Algo assim: não gostaram do IOF? Temos outros impostos.

    O ministro não nega que esteja elevando tributos, mas assegura que são justos. Trata-se, diz, de eliminar distorções do mercado financeiro e ampliar a base de pagantes, alcançando os mais ricos. O presidente Lula foi mais explícito. Na quinta-feira, numa solenidade em Minas, disse que não ganhou a eleição para beneficiar os ricos. Acrescentou um número: R$ 860 bilhões — esse seria o volume anual de isenções fiscais ou gastos tributários.

    Para Lula e Haddad, essas isenções beneficiam especialmente os mais ricos. Seriam impostos de que os ricos são dispensados por alguma legislação. De fato, há muitas pessoas, setores e atividades sobre as quais não incidem impostos, ou incidem em alíquotas reduzidas. Mas o volume citado por Lula parece exagerado, e os beneficiários não são exatamente, ou exclusivamente, os mais ricos.

    No Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2026, enviado pelo governo ao Congresso, está prevista a quantia de R$ 621 bilhões de renúncias fiscais. Menos do que disse Lula, mas muito dinheiro. Beneficia quem? Quem compra produtos da cesta básica, que é desonerada. Os microempreendedores, micro e empresas de pequeno porte do Simples Nacional. Não são propriamente os super-ricos.

    A Zona Franca de Manaus também se beneficia de isenções, e lá estão grandes empresas. Faz tempo que muitos analistas consideram essa isenção um absurdo. Mas o Congresso colocou a Zona Franca na Constituição, sob o argumento de que gera emprego e renda na pobre Região Norte. Não é para beneficiar ricos, mas para descentralizar a instalação de fábricas. Discutível, claro, mas ninguém, nem no governo, nem na oposição, fala em acabar com essa vantagem. Também ninguém fala em acabar com a isenção da caderneta de poupança.

    Mas o governo quer acabar com pelo menos uma isenção. Trata-se de investimentos que financiam o agronegócio e o setor imobiliário. O investidor que compra títulos vinculados a essas áreas recebe os juros e não paga IR. Se aprovada a nova Medida Provisória, pagará 5%. Os setores atingidos reclamam. Seu argumento: a isenção foi estabelecida justamente para atrair investimentos a negócios essenciais, como construção civil, infraestrutura e produção de alimentos. Pode-se discutir a tese, mas não se pode dizer que a isenção foi inventada só para beneficiar os mais ricos.

    Haddad diz que há aí uma distorção no mercado. Há títulos sobre os quais incidem impostos e outros isentos. Mas, ao colocar 5% de IR naqueles papéis do agro e do setor imobiliário, a distorção continua. Os demais investimentos financeiros pagarão 17,5%, conforme previsto na mesma Medida Provisória. Aliás, aqui se cria outro problema. Hoje, investimentos financeiros em títulos de curto prazo pagam IR maior. Títulos longos pagam menos — e o objetivo é justamente estimular o investidor a aplicar em prazos maiores. Unificando o IR, o governo dá um tiro no pé. O Tesouro coloca papéis na praça para financiar a dívida pública. São os títulos do Tesouro Direto. E é claro que interessa ao governo vender papéis de longo prazo.

    Tudo considerado, parece que boa parte das medidas do novo pacote fiscal resulta de um improviso para arrancar receita de onde for mais fácil e mais rápido. Com o argumento de que estão pegando os mais ricos. Sim, há aumento de impostos no setor financeiro e uma taxa maior para acionistas que emprestam dinheiro às próprias empresas. Mas isso também aumenta a carga tributária e o custo do crédito.

    Também há medidas de ajuste nas despesas, aquelas que restringem a concessão de auxílio-doença e do seguro defeso. De fato, há muitas distorções aí. Mas são pouca coisa diante do montante de gastos. E não se está falando de ricos.

  3. A IDEIA ERRADA DE TRUMP SOBRE A CHINA, por Fareed Zakaria, no Washington Post, traduzido e publicado no jornal O Estado de S. Paulo

    O acordo comercial do presidente Donald Trump com a China, anunciado esta semana, é certamente vago. Mas parece seguir o arco familiar do que um comentarista do Financial Times inteligentemente apelidou de “comércio Taco” – a visão do mercado de que “Trump Sempre se Acovarda” – com uma reviravolta. [TACO – Trump Always Chicken Out expressão que pode ser traduzida como foi anteriormente, ou sempre amarela, ou sempre volta atrás e é por isso que deixa Trump irritadíssimo]

    O acordo consiste principalmente em um retrocesso para o estado de coisas antes de Trump iniciar sua guerra comercial, exceto que os americanos ainda pagarão uma taxa tarifária de 55% sobre os bens da China (em comparação com a tarifa de 10% da China sobre os produtos americanos).

    As tarifas de Trump causarão dor, mas mais aos EUA, não à China. O economista Dean Baker observa que, à luz dessas tarifas, o Banco Mundial agora diz que o crescimento dos EUA deve desacelerar de 2,8%, no ano passado, para 1,4%. E, ainda assim, espera-se que a taxa de crescimento da China permaneça a mesma da previsão anterior. Está claro quem está pagando pelo “dia da libertação” de Trump.

    Além do teatro, há uma lição importante. A economia global é agora complexa e interdependente o suficiente para que até mesmo os EUA, liderados por um presidente disposto a usar qualquer meio, enfrentem limites reais em seu poder. Os estudiosos Henry Farrell e Abraham L. Newman observaram astutamente que a interdependência econômica pode ser armada. Os Estados podem explorar quaisquer vantagens que tenham na economia mundial e usá-las para exercer pressão coercitiva.

    Washington tem sido o usuário mais agressivo dessa estratégia, impondo sanções a países, adicionando sanções secundárias, punindo indivíduos e cortando nações dos sistemas globais. Mas agora vemos os limites reais desse poder e o custo de abusar dele.

    Nas últimas décadas, os governos dos EUA, democratas e republicanas, armaram a dominação econômica do país nas finanças globais. E, neste domínio, o poder dos EUA é inigualável. O dólar é usado em quase 90% de todas as transações de câmbio estrangeiras globais e representa cerca de 57% das reservas de câmbio estrangeiro globais.

    Mais de 60% da dívida mundial é emitida em dólares. O sistema de mensagens financeiras Swift, embora com sede na Bélgica, adere à influência dos EUA sobre sanções e, segundo uma estimativa do Tesouro americano, em 2006 facilitou cerca de US$ 5 trilhões em transações diárias. Essas ferramentas dão a Washington a capacidade de punir adversários como Irã, Rússia e Coreia do Norte e isolá-los do sistema financeiro global, sem disparar um único tiro.

    OPÇÕES.
    Mas o comércio não é como as finanças. Em um mundo confuso e multipolar, os países têm muitas opções. Quando os EUA restringiram as exportações de etano para a China, Pequim substituiu usando outros combustíveis. E a China tem sua própria alavancagem. É o maior exportador de bens do mundo, enviando cerca de US$ 3,4 trilhões em produtos em 2023. Produz quase 30% do valor adicionado à manufatura global e domina as cadeias de suprimentos em tudo, desde smartphones até painéis solares. É líder global no processamento de materiais críticos. Refina 68% do níquel mundial, 73% de cobalto, até 99,9% dos elementos de terras raras pesadas e 59% de lítio – materiais essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e semicondutores.

    Quando Washington aumentou as restrições às exportações de tecnologia avançada de fabricação de chips para a China, Pequim respondeu proibindo as exportações de alguns minerais raros, vitais para quase todos os eletrônicos e sistemas de defesa americanos. E, ao contrário de como a China respondeu às restrições de etano de Trump, os EUA tiveram pouco acesso a substitutos rápidos.

    A estratégia de Trump, se é que havia uma, estava baseada em um entendimento falho da China. Pequim estava se preparando exatamente para o tipo de pressão que Trump impôs. O Partido Comunista Chinês tem tornado sua economia menos dependente de importações americanas, procurando outros países para fazer acordos e preparando seus consumidores para estar dispostos a suportar a dor para que sua nação possa enfrentar a intimidação estrangeira.

    Muito antes de Trump, Washington usou seu poder econômico de forma promíscua. O banco de dados global de sanções mostra que, nos últimos 20 anos, o número de casos de sanções dos EUA em vigor sobre países estrangeiros disparou, mais do que quintuplicando.

    Mas Trump levou isso a um novo extremo, ameaçando tarifas e outras medidas diversas que nada têm a ver com comércio (como revogar vistos para estudantes estrangeiros). Ele soa menos como um homem representando a principal nação do mundo e mais como um chefe da máfia.

    COLATERAL.
    No final das contas, a guerra comercial de Trump foi um caso didático de uso indevido do poder duro em um domínio onde os EUA não tinham uma vantagem clara, e onde a coerção provavelmente provocaria resistência em vez de conformidade.

    Perturbou mercados, prejudicou alianças e acelerou a busca por alternativas aos sistemas dominados pelos EUA. E o maior preço de empunhar o poder duro dos EUA de forma tão brutal será a erosão do poder brando americano – a fé e a confiança no país que o tornou o definidor da agenda mundial e líder, e que lhe deu a posição central em tantas áreas, desde finanças e moeda até a política internacional.

    Os cientistas políticos Robert O. Keohane e Joseph S. Nye recentemente apontaram que Trump é obcecado pelo poder duro. Pessoas como ele podem citar a famosa linha zombeteira de Joseph Stalin: “Quantas divisões tem o papa?” Mas, como Keohane e Nye observam, oito décadas desde a 2ª Guerra, o país que Stalin governou, a União Soviética, agora está enterrado nas areias da história, enquanto o papado sobrevive e prospera, exercendo influência em todo o mundo.

  4. LULA PERDEU APROVAÇÃO E MARGEM DE MANOBRA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Neste 2025, a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) flutua em torno de um novo e baixo patamar. Na recente pesquisa do Datafolha, 40% dos brasileiros aptos a votar consideram que ele faz um governo ruim ou péssimo, enquanto 28% o qualificam como ótimo ou bom. A diferença entre os índices resulta em saldo negativo de 12 pontos percentuais.

    Desde o primeiro bimestre, o saldo médio é de 12,7 pontos negativos, ante contagens positivas de 3 pontos em 2024 e 9 em 2023.

    O prestígio do mandatário piorou de modo expressivo nos dois primeiros meses deste ano. Nesse período, a inflação reassumira uma trajetória de alta, com impulso da gastança federal e da carestia de alimentos.

    A grande cartada de Lula em busca de popularidade foi o projeto que isenta do Imposto de Renda rendimentos até R$ 5.000 mensais. A administração petista se desgastou, porém, com campanhas de notícias falsas sobre tributação do Pix, em janeiro, e com o escândalo real de descontos fraudulentos nos benefícios do INSS, mais recentemente.

    De todo modo, não se pode afirmar com certeza que tais foram os aspectos a pesar na piora dos índices do presidente. Há fatores difusos e persistentes que podem contribuir para a maior repercussão de notícias negativas.

    A aprovação de Lula 3 jamais foi elevada, em parte devido à polarização política. O PT, além disso, é minoritário no Congresso, no comando de estados e municípios e nas redes sociais.

    O efeito da ampliação dos programas de renda é agora mais marginal, tanto em termos de melhoria social quanto de impacto político. O preço relativo dos alimentos ficou em patamar mais alto desde a pandemia —e não fizeram efeito discursos e promessas demagógicas nessa seara.

    Para 50% do eleitorado, o desempenho de Lula é pior do que o de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), no controle da inflação (é melhor para apenas 29%). O petista também é mais mal avaliado em segurança pública e, notável, empata com Bolsonaro nos quesitos ambiente e saúde —nos quais o ex-presidente teve atuação objetivamente deplorável.

    O governo do PT tem melhor avaliação em geração de empregos, moradia e, por pequena margem, educação. Parece pouco diante de um brutal aumento do gasto público que começou desde antes da posse.

    Com rombo nas contas do Tesouro, juros altos e Congresso Nacional pouco amistoso, a margem para novas cartadas eleitoreiras se estreitou. Em tais condições, não há propaganda que resolva.

  5. UM ADULTO NA SALA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Em meio à disputa entre o governo Lula da Silva e o Congresso Nacional sobre quem gasta mais e pior, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, tenta resgatar o bom senso sem o qual um debate tão relevante para o País não terá qualquer chance de evoluir. “Ou nos entendemos ou afundaremos todos”, disse o empresário, por meio de nota.

    As indústrias representadas pela Fiesp podem ser afetadas pelas medidas a serem adotadas para salvar a meta fiscal, sobretudo se a proposta da equipe econômica de cortar benefícios fiscais de forma linear avançar no Legislativo. Mas, ao contrário do que se poderia esperar do presidente de uma entidade como a Fiesp, Gomes da Silva não defendeu a manutenção permanente dos subsídios. Ao contrário: reconheceu que o setor não é vítima, mas parte do problema fiscal.

    “Os setores produtivos buscam sobreviver através de desonerações e subsídios setoriais. Esses benefícios, que muitas vezes são dados em momentos justificáveis, acabam se perpetuando indefinidamente, o que afeta não só as contas públicas, mas também a eficiência econômica”, afirmou o presidente da Fiesp.

    A lucidez que Gomes da Silva demonstrou é mercadoria em falta no debate sobre as contas públicas. De um lado, Lula da Silva diz não ter sido eleito para “fazer benefício para rico”, sem jamais admitir que foi justamente nos governos petistas que o gasto tributário da União mais cresceu na proporção do Produto Interno Bruto (PIB).

    De outro, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirma que o País “não aguenta mais” aumento de impostos, como se a elevação da carga tributária não fosse consequência da recalcitrância do Legislativo em rever o gasto público, a começar pelas emendas parlamentares, que tiveram crescimento exponencial nos últimos cinco anos.

    No meio desse embate, Gomes da Silva é uma exceção que confirma a regra. A maioria do setor privado defende o ajuste fiscal, desde que não seja ele mesmo a pagar uma parte da conta. Prova disso é o documento entregue por associações dos setores produtivo e financeiro a Lula da Silva em Paris.

    Assinado pelas Confederações Nacionais das Seguradoras (CNseg), da Indústria (CNI), das Instituições Financeiras (Fin, ex-CNF), dos Transportes (CNT) e do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o documento, segundo o Broadcast/Estadão, lista uma série de medidas essencialmente corretas, mas peca pela ausência de autocrítica que Gomes da Silva soube expressar.

    Para que não sejam afetados pelo aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e pela tributação de lucros e dividendos, prevista no projeto de lei que garante a isenção do Imposto de Renda dos que ganham até R$ 5 mil mensais, os setores propõem reduzir as despesas públicas com alternativas que preservem seu status – tais como a desvinculação entre os benefícios previdenciários e assistenciais e o salário mínimo, a retomada da correção dos pisos constitucionais da Saúde e da Educação pela inflação e a imposição de um teto de R$ 24 mil anuais para a dedução de despesas com saúde no Imposto de Renda da Pessoa Física.

    Todas essas medidas, por óbvio, são razoáveis. O desafio do País não está no lado das receitas, mas no das despesas, e há muito a ser feito para trazer mais racionalidade e eficiência ao gasto público. O fato é que o tom do comunicado reforça a conveniente narrativa lulopetista segundo a qual o governo tenta heroicamente arrancar dinheiro dos ricos para dar aos mais pobres.

    Em sua nota, Gomes da Silva relembra ainda o papel do Judiciário, que tenta manter-se alheio a essa discussão, mas não perde a oportunidade de criar penduricalhos para driblar o teto remuneratório, e do setor financeiro, que lucra com ou sem ajuste fiscal. Afinal, o esforço, de fato, cabe a todos.

    “Ou seja, ou sentamos como adultos numa mesa – Executivo, Legislativo, Judiciário, empresários dos setores produtivo e financeiro, trabalhadores e representantes da sociedade civil –, em busca de entendimento para construção de um projeto para a Nação, ou afundaremos todos juntos”, adverte o empresário. Este jornal concorda em gênero, número e grau.

  6. Pedindo demais aos que nos representam no Congresso Nacional

    QUE TAL CONGRESSISTAS CORTAREM NA PRÓPRIA CARNE? por Bráulio Borges, no jornal Folha de S. Paulo

    Após uma série de idas e vindas, o governo federal publicou uma medida provisória nesta semana apresentando um conjunto de novas medidas para compensar um aumento menor do IOF (em relação à majoração anunciada por decreto há algumas semanas). A despeito disso, o Congresso sinalizou que irá pautar na semana que vem a votação de um projeto de decreto legislativo (PDL) para sustar a elevação do IOF.

    Em meio a esse clima conflagrado, vários congressistas têm justificado essa postura argumentando que não vão aceitar mais aumento de carga tributária e que o Executivo deveria “cortar na própria carne”, reduzindo despesas. Bem, é importante lembrar, em primeiro lugar, que o governo anunciou um bloqueio/congelamento de despesas bastante expressivo, de R$ 31 bilhões em maio, para viabilizar o cumprimento das metas fiscais deste ano.

    Também é importante assinalar que, embora a arrecadação bruta federal tenha subido de 2023 para 2024, atingido 22,8% do PIB, ela se situou em um nível semelhante àquele de 2006-10 (e abaixo dos 23% de 2022). Contudo, a parcela que sobra para o governo federal caiu de 19,1% em 2006-10 para 18,4% do PIB em 2024, já que os repasses para estados e municípios se elevaram na mesma magnitude (refletindo, entre outras coisas, decisões tomadas pelo Congresso de elevar as transferências para os municípios em 2007, 2014 e 2021).

    No final de 2007, o Congresso extinguiu a CPMF (que arrecadava cerca de 1,2% do PIB), mas não indicou nenhuma compensação para isso, correspondendo ao primeiro grande desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (algo que aconteceria com frequência dali em diante).

    Do lado da despesa, em 2006-10 o gasto da União foi de 17,2% do PIB, valor que saltou para 18,8% em 2024 (elevação de 1,6 p.p.). Dessa alta de 1,6 p.p., 0,2 p.p. refletiu aumentos de despesas que na verdade são transferências para os estados e municípios (sobretudo pela decisão do Congresso, em 2020, de quase triplicar os valores do Fundeb de 2021 em diante). Outro 0,4 p.p. do PIB decorreu do aumento expressivo dos gastos com emendas parlamentares (incluindo as emendas Pix, que são repasses para municípios).

    No final de 2023, contrariando o Ministério da Fazenda, o Congresso não somente prorrogou a desoneração da folha de pagamentos até 2027 como estendeu sua abrangência para municípios pequenos —medida que gerou uma renúncia de receita de cerca de R$ 30 bilhões em 2024.

    O STF determinou que o Congresso aprovasse medidas compensatórias (respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal), mas o que foi aprovado pelos congressistas levantou, pontualmente, apenas R$ 9,4 bilhões em 2024 e não irá arrecadar quase nada em 2025-27 (período ao longo do qual essa medida deverá custar cerca de R$ 35 bilhões).

    O governo federal tentou encerrar o Perse em 2024, já que essa desoneração emergencial criada na pandemia para o setor de eventos não fazia mais sentido, mas o Congresso não aprovou isso, limitando-se apenas a reduzir a abrangência dessa renúncia (que custou R$ 18 bilhões em 2024).

    Portanto, o Congresso Nacional brasileiro também tem grande responsabilidade pelo atual quadro ainda estruturalmente deficitário das contas públicas. Já que os congressistas vêm dizendo que não aceitam mais aumento da carga tributária e que apoiam um ajuste fiscal estrutural, que tal também cortarem na “própria carne”? Reduzir os gastos com emendas parlamentares, dos atuais R$ 50 bilhões por ano para o nível médio real observado em 2015-19 (R$ 9,3 bilhões, ou quase R$ 16 milhões por deputado/senador), geraria uma economia anual de mais de R$ 40 bilhões. Não resolve, mas ajuda bastante, muito mais do que uma reforma administrativa (que também é necessária).

  7. SE GOVERNO FINGE NÃO HAVER CRISE FISCAL, CONGRESSO DEVE AGIR, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Diante da inércia do Executivo em tomar as medidas necessárias para ajustar as contas públicas, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou ter passado da hora de discutir cortes em despesas obrigatórias: “O Brasil caminha para a ingovernabilidade completa para quem quer que venha a ser presidente”. Ele tem razão. E faria bem em se adiantar. A questão não diz respeito só ao Executivo, mas também à Câmara e ao Senado. Todo mundo está cansado de saber as medidas necessárias para conter a explosão da dívida — e, definitivamente, aumentar impostos não está entre elas.

    O pacote frustrante ensaiado pelo governo é mais uma ofensa ao brasileiro. Depois de muito suspense, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com os presidentes da Câmara, do Senado e líderes partidários para discutir alternativas à alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) rechaçada pela classe política e pelo setor produtivo. O próprio Haddad falara em medidas de longo prazo. O que se viu foi a enganação de sempre: o avanço sobre o contribuinte para tapar o rombo de um governo perdulário.

    Pela Medida Provisória editada ontem, o governo volta atrás na alta do IOF em algumas operações e muda regras ou alíquotas noutras. Ainda tenta compensar a perda de arrecadação aumentando a taxação sobre as bets (de 12% para 18%) — além da insegurança jurídica, isso empurra empresas de apostas à ilegalidade, depois de todo o esforço pela regulamentação. Por fim, aumenta a contribuição sobre lucros, unifica a alíquota de Imposto de Renda sobre aplicações financeiras e acaba com a isenção para títulos como LCIs e LCAs — medida com impacto nos dois setores, ensejando aumento no preço de alimentos e construção civil.

    Ninguém aguenta mais a voracidade sobre o bolso do brasileiro para compensar a inépcia e a gastança do setor público. Ou o governo entende que precisa cortar gastos, ou a situação só piorará. Motta deixou claro que o Congresso não tem compromisso em aprovar um pacote que desagrade a todos. Até União Brasil e Progressistas, partidos com cargos no Planalto, são contra. Um alvo óbvio dos cortes são as emendas parlamentares, uma das distorções mais escandalosas do Orçamento, foco de desperdício e corrupção.

    Já que o Executivo continua fingindo que não há crise fiscal, o Congresso tem o dever de conter a explosão inexorável das despesas. Se a intenção é buscar uma trajetória sustentável para a dívida pública, é fundamental desvincular do salário mínimo o reajuste de aposentadorias e benefícios previdenciários. Não adianta se iludir. Sem isso, o rombo só crescerá. Outra medida necessária é acabar com a vinculação das despesas de saúde e educação à arrecadação, restaurada pelo arcabouço fiscal. Sem isso, as despesas obrigatórias consumirão espaço cada vez maior no Orçamento. E o caos será inevitável.

    O governo deveria saber que qualquer nova taxação afugenta investimentos, pressiona a inflação, os juros e contribui para puxar o freio da economia. Em dois anos e meio de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deu sinais de que esteja preocupado com o ajuste fiscal. Tudo o que faz é lançar programas populistas sem respaldo no Orçamento. Mais uma razão para que o Congresso assuma suas responsabilidades. Executivo e Legislativo precisam enfrentar as questões estruturais e cortar despesas. Ninguém tolera mais aumento de imposto.

  8. BOLSONARO E A HISTÓRIA, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    No exercício de sua autodefesa no julgamento do STF, o ex-presidente Jair Bolsonaro fez jus à fama de “autêntico”. Deixou claro que chegou à Presidência sem saber muito bem como, governou no improviso sem saber muito bem como e agora tenta se livrar da cadeia sem saber muito bem como.

    Surge desse interrogatório como um personagem quase literário. Para usar a imagem do filme do mesmo nome, um Macunaíma parido com farda em vez de fralda. Nas entrelinhas reconhece ter sido o pior adversário de si mesmo. A ponto de se desculpar.

    Espera-se que seja “técnico” o julgamento de Bolsonaro. Esperança inútil, pois o que se julgam são atos políticos, derivados de contexto histórico político, no qual uma crescente e relevante parcela da sociedade enxerga o julgador como uma das instâncias políticas participantes no embate – portanto, com “lado”.

    Por óbvio Bolsonaro esboçou uma defesa política frente a acusações de caráter criminal. Parte delas não só seus advogados consideram carentes de provas, assim como contestam o foro (deveria ser o plenário do STF), e o papel do ministro Alexandre de Moraes, ao mesmo tempo vítima, investigador e juiz.

    O curioso é que essa defesa “política” passou longe de esgrimir argumentos sobre a legitimidade do processo, a consistência das decisões enquanto presidente da República, a natureza das suas convicções ideológicas, como os fatos se encadearam na linha do tempo. Bolsonaro nem de longe ensaiou um discurso do tipo “a História me julgará e absolverá”, capaz de transformar um tribunal em tribuna.

    O que ele defendeu foi a causa própria e, sobretudo, pessoal. Tudo na figura do líder populista (não importa se direita ou esquerda) gira em torno de sua pessoa, na qual se fundem interesses de nação, Estado, povo ou o que seja. Assim como a direita brasileira, gostem ou não, no momento gira em torno de sua pessoa.

    Bolsonaro se exibiu no interrogatório como personagem muito mais reativo às circunstâncias da luta política do que capaz de conduzi-las. E, quando tentou, tropeçou no próprio temperamento (“minha retórica”), nas alterações de ânimo, na falta de convicções claras que lhe dessem rumo, na ausência de qualquer estratégia até quando admitiu ter procurado “alternativas” diante da vitória eleitoral do adversário.

    Sua “piada” dirigida a Moraes, convidando-o para ser vice numa chapa para concorrer novamente à Presidência, é um brilhante momento cinematográfico. Moraes riu do que não deveria. O convite sugere que o autêntico Bolsonaro viu no algoz qualidades que tanto admira em quem manda segundo os próprios limites.

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