O artigo de hoje é uma exaltação ao meu ócio. É também, ao mesmo tempo, uma homenagem aos meus leitores e leitoras que os poderosos de plantão da aldeia, juram que eu não tenho nenhum, além de mim mesmo e que por isso, como um idoso ranzinza, passo o resto da minha vida lendo eu mesmo (e me enganando). Esta publicação abaixo, é, na verdade, uma exceção, para um texto criativo, muito melhor – na minha própria avaliação – do que meus sérios e longos textões.
Na quarta-feira, diante de uma emergência, diante do silêncio da cidade, da imprensa, até então igualmente, das próprias redes sociais desatentas, dos políticos – de oposição inclusive -, escrevi O PRIMEIRO ATO DE CIRO COMO PRESIDENTE DA CÂMARA DE GASPAR ESTE ANO FOI AUMENTAR AS DIÁRIAS DOS VEREADORES ENTRE 34 E 61 POR CENTO. O REAJUSTE AUTOMÁTICO SERIA PELO INPC DO PERÍODO. E DARIA EM TORNO DE 4 POR CENTO. COM SE VÊ EM BRASÍLIA E AQUI, OS POLÍTICOS ESTÃO DISSOCIADOS DA REALIDADE DOS SEUS ELEITORES E ELEITORAS. ZOMBAM E NEM DISFARÇAM ISTO!

Em decorrência dele, apareceram vários comentários, incluindo do ex-presidente da Câmara, Alexsandro Burnier, PL – que um dia quis criar um jabuti no reajuste dos servidores e vereadores, no tal Vale Marmita só para os vereadores. Uma confusão. Revolta na cidade. Voltou atrás. Alex, inconformado com o meu artigo desta quarta-feira – porque o normal é todos ficarem quietos – me chamou, mais uma vez, de mentiroso.
Entretanto, esta não é a questão, porque tudo está instruído nos artigos e tabelas da Resolução. Bata pegar os números e calcular o tamanho da facada.
Antes de ir adiante. Até agora, nenhum vereador, de qualquer partido contestou o aumento em público e oficialmente. Ou seja, estava tudo combinado ou estão gostando. É um aumento disfarçado e sem Imposto de Renda. É um penduricalho.
Um leitor me passou a tabela dos hotéis usados normalmente pelos gestores, políticos e funcionários tanto da prefeitura como da Câmara de Gaspar em Brasília, gira entre R$400 e R$700 o pernoite. A diária não precisa comprovar o gasto, mas apenas que viajou com o horário de saída e chegada. Você pode viajar e se hospedar na apartamento funcional do deputado, do amigo, do parente, ou então, comer no restaurante da Assembleia Legislativa na cota do deputado. Sorte sua. A diária será paga. E assim vai…
Voltando. É que entre todos os comentários, surpreendentemente, logo apareceu este texto abaixo, com o título acima. No meu privado, muitos curiosos apareceram para saber se eu tinha me fantasiado de Cornélius Faria, ou então, por dissimulação ou de cara limpa, estavam tentando saber quem é este gasparense, sob pseudônimo, não exatamente para parabenizá-lo na fácil e clara escrita, com fina ironia. Mas, para enquadrá-lo, calá-lo. Para alguns, ele parece ser “tão perigoso” quanto este escriba. Então é melhor negociar, assustar e não deixar se criar.
Os vereadores sabem muito bem o que estão fazendo. Tanto que o bolsonarista Carlos Eduardo Schmidt Sobrinho, PL, foi às redes sociais se indignar contra o vexaminoso reajuste dos professores concedido pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, PT. Fez bem. Até desenhou para que não houvesse dúvida e reproduzo acima, o meme que ele criou para as redes sociais dele. Calinho, como gosta de ser chamado, com isso, por exemplo, sabe – ou deveria saber – que beira ao pornográfico, o aumento de 34 a 61 por cento nas diárias dos vereadores, e dos servidores da Câmara de Gaspar como determinou no canetaço, de uma só vez, a Resolução 01/2026, do presidente Ciro André Quintino, MDB.
Mas, deixamos o lero que já foi explicado no artigo de quarta-feira e deixar o Cornélius Faria nos divertir. A tradicional foto de abertura, também foi substituída por uma charge de um colaborador genuinamente gasparense.
“Li a coluna Olhando a Maré e confesso que fiquei espantado com a implicância do Herculano com o nosso Vereador Ciro Quintino.
TOTALMENTE INJUSTA! O homem mal sentou na cadeira de presidente da Câmara e já mostrou serviço.
Aumentar as diárias dos vereadores é um gesto de sensibilidade rara.
Pensar primeiro nos seus exige caráter.
Ou, no mínimo, método.
PARABÉNS, CIRO. Elogio sincero.
Em tempos difíceis, proteger o próprio grupo é sinal de liderança.
Um verdadeiro soldado em campo, garantindo moral alta da tropa.
Sim, a guerra é paga com dinheiro público, imposto suado, mas não vamos estragar o elogio com detalhes contábeis.
Quando digo no título, que ele já é nosso deputado, não é cargo, é postura.
É a escola de Brasília aplicada em escala municipal.
Alguém já viu deputado criando lei para facilitar a vida de quem produz, trabalha e paga imposto? Pois é.
Ciro não inventou nada. Apenas seguiu o manual.
Se o benefício ficar restrito aos vereadores, é porque alguém precisa ser prioridade. E nunca foi o cidadão comum.
O exemplo de Brasília ajuda. Nunca se arrecadou tanto.
Imposto subindo, Estado engordando, e ainda tem trabalhador defendendo isso com entusiasmo.
E não para por aí. Tem empresário aplaudindo. Empresários no plural. Gente que vive de mercado, mas pensa como sindicato.
O melhor exemplo é o vereador Dionísio, do PT. Empreendedor, articulado, discurso afiado.
Só não larga as velhas narrativas da esquerda, nem os vícios de sempre.
Vive do mercado, mas defende ideologia como se o lucro fosse pecado. Claro, só para os outros.
Então está tudo em ordem. As pessoas certas, nos lugares certos, legislando para os interesses certos.
Ciro cumpre com excelência o papel de vereador-presidente que entende o jogo e joga para vencer.
Não é sobre cargo maior. É o mesmo comportamento pequeno, só bem treinado.
Gaspar não vive uma crise política.
Vive um plano de carreira”
Retomando para encerrar. A Câmara de Gaspar, com Ciro e o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, que articula tudo isso nos bastidores na primeira Resolução do ano, já deu uma amostra de como ela será: vai entregar o mínimo ao governo de plantão acuado, deixá-lo parceiros de barbeiragens, tudo em ano eleitoral, depois de uma escolha mal sucedida do tiktoker Alexsandro Burnier, PL, para ser presidente, o pai do Vale Marmita.
TRAPICHE

Quem passa ali pela ponte da Sociedade Alvorada no encontro das ruas Itajaí, Aristiliano Ramos e Industrial Beduschi fica impressionado com as obras emergenciais de reparo de uma das suas cabeceiras. O susto é ver o tamanho do problema e que não sensibilizou a área técnica de manutenção do governo de Paulo Norberto Koerich, PL.
O atual está há um ano na gestão da cidade. E não era uma área escondida. É bem no Centro da cidade com movimentação intensa. Talvez, por que não seja caminho dos comissionados que trabalham na prefeitura e moram Blumenau. O acesso foi criado para resolver outro problema embargado por decisão das autoridades ambientais ao que queria a Sociedade Alvorada. A Defesa Civil vai substituir a autoridade e alegar que se trata de recuperação do acesso. Resta saber se isto está combinado com os russos. Muda, Gaspar!
O ex-candidato a prefeito de Gaspar, o serventuárioda justiça estadual, Ednei de Souza, Novo (1.051 votos, ou 2,83% dos votos válidos) aos poucos vai saindo da muda a que se impôs depois da derrota e em respeito ao vencedor Paulo Norberto Koerich, PL com 52,98% dos votos válidos.
Ednei de Souza, Novo, cita como exemplo a administração de Joinville com Adriano Silva, Novo. Foi com uma administração profissional que ele superou as divergências partidárias, a falta de maioria na Câmara e as desconfianças de parte das lideranças entregando resultados, a tal ponto de hoje ser citado para migrar a outros partidos para emoldurar campanhas de governador, como a do PSD de João Rodrigues, prefeito de Chapecó.
Para Ednei de Souza, Novo,”viramos [Gaspar] puxadinho de Blumenau [referindo-se ao empreguismo de quem manda e desmanda na prefeitura]”. Pode até não ser, mas é isto que rola por todos os cantos de Gaspar. E percepção é de coisa que não se muda, até porque o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, até aqui, está tratando ou entregando miudezas miúdas.
As coisas grandes estão cada vez mais concentradas, burocratizadas, lentas e sem transparência com total aval da chefia de gabinete, tocada por Pedro Inácio Bornhausen, PP, que já foi também chefe de gabinete no tempo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, na secretária da Fazenda e Gestão Administrativa, Ana Karina Schramm Matuchaski Cunha – tão igual apesar de mais técnica, como foi com Carlos Roberto Pereira, MDB, e Jorge Luiz Prucino Pereira, PSDB, nos quase oito anos de Kleber; na secretaria de Planejamento Territorial, com o engenheiro florestal Michael Jackson Schoenfelder Maiochi, e o procuradoria geral, com Júlio Augusto Souza Filho. Os quatro estão em todas. Inclusive quando deixam gente pendurado no pincel. O que mudou mesmo?
Diferença I. Quer comparar duas administrações de prefeito de primeiro mandato com um mesmo problema? Os hospitais de Balneário Camboriú e o de Gaspar. Juliana Pavan Von Borstel, PSD, portanto, adversária do governador Jorginho Melo, PL, colocou o Ruth Cardoso no colo do estado com a desculpa de atender a região. O hospital de Gaspar, de Paulo Norberto Koerich, PL, político criado por Jorginho, até hoje ninguém sabe o que é feito da tal desapropriação de R$27 milhões anunciada com festa por aqui em setembro do ano passado. É algo que beira a velório.
Diferença II. Esta semana, Juliana Pavan Van Borstel, PSD, chamou o secretário estadual de Saúde, Diogo Demarchi da Silva e foi clara: “quero transparência“. Para ela, o hospital é do estado – e regional – mas, as reclamações e o atendimento são para a cidade que ela administra e passou para o estado de atender melhor. No discurso, saíram afinados da reunião. E aqui, alguém sabe dizer o que está acontecendo com o Hospital além das rotineiras queixas, incluindo as goteiras neste dias de chuva? Se valer o que continua sendo publicado nas redes sociais – porque a imprensa ignora as queixas -, nada mudou.

O empreendedorismo I. Quando vi esta foto ao lado, pensei que que Paulo Norberto Koerich, PL, tinha terminado e entregue, finalmente, aos riquinhos da cidade, o “parque náutico” iniciado por Kleber Edson Wan Dall, MDB, ali perto da Ponte do Vale. Que nada! A iniciativa diferencial, é privada. O ancoradouro (atracadouro, ou pièr, seja o nome que queiram dar) na margem direita do Rio Itajaí Açú é, na verdade, uma das “entradas” do Restaurante Beira Rio, para quem possui moto aquáticas. Não enfrenta as filas da Aristiliano Ramos e nem paga Zona Azul aqui no Centro. Chique, heim?
O empreendedorismo II. O que prova isto? Que o poder público é uma falácia nos seus objetivos, promessas, execução e resultados. Um empresário resolveu o problema seu e do seu negócio fácil e quase da noite para o dia. E Paulo Norberto Koerich, PL, foi lá como convidado para ser fotografado como sendo mais uma conquista da cidade no tempo dele. Nada mais falso. Já os da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo – uma grande parte veio do litoral -, bem como a Fundação Municipal de Esportes e Lazer, nem na barranca do rio estavam. Mais uma vez, um “belo trabalho de equipe” da prefeitura de Gaspar. Muda, Gaspar!
Adalberto Luiz Demmer, finalmente, saiu da toca e deixou alguns próceres do atual governo de Paulo Norberto Koerich, PL, arrepiados. No outro lado, um dos que saiu em socorro do governo, foi o também advogado, Renato Luiz Nicoletti, PL, Eles já estiveram juntos no PSDB daqui. Nicoletti é marido da vereadora e ex-líder de governo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, ex-PSD. Explica-se.
A intervenção de Adalberto Luiz Demmer, que já esteve no governo de Paulo Norberto Koerich, PL por oito meses – não aguentou à falta de propósitos e saiu -, é uma sinalização da falta de comando partidário do PL em Gaspar – que está nas mãos do escolhido por afinidades de adolescência dos filhos do governador Jorginho Melo, PL, que já morou por aqui quando gerente do falecido BESC, Bernardo Leonardo Spengler Filho – e à forma como se quer tampar o sol com a peneira, diante de tanta falta de resultados, mas principalmente perspectivas. As eleições de outubro estão chegando. E Jorginho criador do político Paulo Norberto Koerich, PL, aos poucos vai descobrindo que ele apenas é um burocrata. E burocrata não lidera causas e votos.
O que Adalberto Luiz Demmer provocou na sua rede social, com amplo debate, e de gente que estava em silêncio, por várias razões, é da série, nada como um dia após o outro. O debate prova que eu não exagero, só não escondo, o que os outros fazem segredo, até em salas secretas, mas a cidade inteira sabe de tudo, ainda mais no silêncio dos aplicativos de mensagens. Agora, este silêncio começa a ganhar provocações nas redes sociais. Um perigo.
Voltarei outro dia para abrir ainda mais esta ferida. Imprestavelmente, os nossos gestores e políticos se negam em tratá-la, para o bem da cidade e penso, deles próprios se possuem propósito político e querem realmente mudar sua cidade para melhor. Bom final de semana a todos. Muda, Gaspar!
17 comentários em ““CIRO JÁ É NOSSO DEPUTADO 2026!””
Pingback: QUEM ESTÁ FALTANDO NESTA FOTO "CORTADA" PARA MOSTRAR O ATUAL NÚCLEO DE PODER EM GASPAR NA ASSINATURA DE UM PAPELINHO E QUE ENVOLVE CONHECIMENTO DE ENGENHARIA? O VICE-PREFEITO RODRIGO BOEING ALTHOFF, REPUBLICANOS. ELE É ENGENHEIRO. MAS, SUAS A
ÊXITOS E FRACASSOS DOS EUA NO MUNDO, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo
A Sociedade dos Historiadores da Política Externa dos EUA realizou uma pesquisa para tabular as dez piores e dez melhores decisões políticas e diplomáticas tomadas ao longo de 250 anos. Foram ouvidos 331 historiadores. Eis os resultados:
As dez piores decisões
1) Iraque, 2003
A invasão do Iraque foi considerada a pior decisão da política externa dos Estados Unidos. Deu tudo errado.
2) Vietnã, 1965
No dia 8 de março, 3.500 fuzileiros navais americanos desembarcaram em Da Nang, no Vietnã do Sul.
3) 1838, EUA x Cherokees
O presidente Andrew Jackson conseguiu aprovar a lei que permitia a remoção dos nativos de suas terras. O Exército levou 100 mil Cherokees para as terras a Oeste do Rio Mississippi.
4) Irã, 1953
A CIA organizou um golpe e depôs o primeiro-ministro iraniano Mohammad Mosaddeq, um politico carismático e nacionalista. (Por outros motivos o rolo iraniano dura até hoje.)
5) 1920, saída do Tratado de Versalhes
Entre 1919 e 1920, o Senado dos EUA recusou-se a ratificar o Tratado de Versalhes, criado depois da Primeira Guerra Mundial. Com a saída dos EUA, a Liga das Nações, criada pelo tratado, perdeu relevância.
6) 1830, EUA x Indígenas
O presidente americano Andrew Jackson atropelou uma decisão da Corte Suprema e autorizou a tomada de terras dos nativos. Dezesseis mil pessoas tiveram que migrar e quatro mil morreram.
7) 2017, saída do Acordo de Paris
Em 2017, durante o primeiro mandato de Donald Trump, os Estados Unidos abandonaram o Acordo de Paris de defesa do meio ambiente, no qual se comprometiam a reduzir as emissões de gases como o dióxido de carbono.
8) 1939, barreiras para judeus
Apesar de leis e ações antissemitas da Alemanha nazista, em 1939, o governo de Franklin Roosevelt resolveu manter o limite para a admissão de judeus alemães nos Estados Unidos.
9) Vietnã, 1964
Em agosto de 1964, navios do Vietnã do Norte atacaram barcos americanos, e o presidente Lyndon bombardeou o país. Em menos de três dias, o Congresso aprovou a Resolução do Golfo de Tonkin. Estava ampliada a Guerra do Vietnã.
10) Nagasaki, 1945
No dia 9 de agosto, os EUA jogaram sua segunda bomba atômica sobre a cidade japonesa de Nagasaki, matando 74 mil pessoas. Três dias antes havia sido bombardeada Hiroshima. Não haveria necessidade do segundo ataque.
As dez melhores decisões
1) 1948, Plano Marshall
O presidente Harry Truman criou o plano de recuperação econômica da Europa. A iniciativa partiu do seu secretário de Estado, general George Marshall. Os EUA jogaram US$ 13,2 bilhões na Europa, salvando vários países da bancarrota.
2) 1945, criada a ONU
Os EUA e as demais nações aliadas criaram a Organização das Nações Unidas.
3) 1778, aliança com a França
Os Estados Unidos aliaram-se à França contra a Inglaterra e receberam considerável ajuda na sua luta pela independência.
4) 1803, compra da Luiziânia
O presidente Thomas Jefferson comprou da França de Napoleão Bonaparte a Louisiana por US$ 15 milhões, dobrando a extensão dos Estados Unidos.
5) 1940, ajuda econômica
O primeiro-ministro inglês Winston Churchill negociou com o presidente Franklin Roosevelt um mecanismo de empréstimos e arrendamentos que seguraria a economia da Grã-Bretanha. Estendido a 50 países, o mecanismo injetou US$ 50 bilhões nas economias aliadas.
6) 1949, nasce a Otan
O presidente Harry Truman patrocinou a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Entidade militar, bloqueou o expansionismo da União Soviética.
7) 1944, Bretton Woods
Em julho, o presidente Franklin Roosevelt patrocinou uma reunião de 44 países que procuraram cuidar da ordem econômica do mundo depois da guerra que estava terminando. A reunião, realizada em Bretton Woods, produziu a criação do Banco Mundial e o FMI.
8) 1807, proibido o tráfico
O presidente Thomas Jefferson pediu e obteve do Congresso uma lei proibindo a importação de africanos escravizados. (O Brasil só fez isso a sério em 1850.)
9) 1823, surge a Doutrina Monroe
O presidente James Monroe afastou as potências europeias do continente americano.
10) 1962, crise dos mísseis
Em outubro, o presidente John Kennedy foi avisado pela CIA de que a União Soviética estava colocando mísseis com bombas atômicas em Cuba.
Kennedy rejeitou um ataque a Cuba e aceitou a sugestão de bloquear a ilha.
O primeiro-ministro soviético piscou e retirou os mísseis. Nunca o mundo esteve tão perto de uma nova guerra.
Serviço: Mais detalhes dessa pesquisa estão no site do Council in Foreign Relations.
A VIDA DURA DO REI DOS REIS
Em janeiro de 1979, uma revolta popular depôs o Xá do Irã. Reza Pahlavi era o Rei dos Reis e Luz dos Arianos. Ele partiu para exílio no Egito com dois Boeings carregados de objetos pessoais.
Durante o voo, o Rei dos Reis teve fome e serviu-se de um ensopado. Teve que comer em pratos de papelão porque haviam roubado suas porcelanas e talheres de prata.
Quando o Xá partiu, acreditava-se que o Irã teria um futuro democrático e que o aiatolá Khomeini seria um governante benevolente.
Em fevereiro começaram os fuzilamentos de generais. Os julgamentos duravam cerca de dez minutos.
Em abril, o poderoso ministro da Fazenda do Xá, Amir Hoveyda, foi levado ao tribunal e condenado à morte. Na cadeia era mantido nu. Antes dela, circulava pelo mundo com uma orquídea na lapela.
Tomou um tiro na nuca. Suas últimas palavras foram: “Não era para acabar assim”.
A CHINA TOMOU CONTA
O ranking Leiden das universidades mais produtivas do mundo destronou Harvard, tirando-a do primeiro lugar e passando-a para o terceiro. O primeiro lugar foi para a universidade de Zhejiang; e o segundo, para a de Shanghai. A China capturou oito dos dez melhores lugares.
A Universidade de São Paulo ficou em 17º lugar.
MESSIAS A PERIGO
Lula foi lembrado de que é prerrogativa do presidente nomear os ministros do Supremo Tribunal e também é prerrogativa do Senado aceitá-los ou rejeitá-los.
Foi uma maneira elegante de avisar que a indicação de Jorge Messias corre sério perigo.
STF MANTERÁ SUA CONDUTA
Fez água a ideia do ministro Edson Fachin de criar um código de conduta para seus pares.
A proposta precisava da aprovação pela maioria da Corte e ela não se formou.
Assim, os ministros resolveram preservar as condutas de cada um.
Este sistema de corrupção, com abafamento escandaloso no devido processo legal aos envolvidos, não é só em Brasília. Ele atinge também os municípios, na maioria dos casos, ainda “mais protegidos” pelos esquemas dos amigos dos amigos nas instituições locais. E quando vaza se torna um escândalo nacional, e mesmo assim, os amigos dos amigos não solta a mão dos corruptos. Veja o caso de Turilândia, 33 mil habitantes segundo o Censo do IBGE e um orçamento de R$156 milhões (LOA) para lá suspeito, no estado mais pobre do Brasil e com maior integrantes do Bolsa Família.
Pegos desviando R$56 milhões em emendas e outras verbas públicas, prefeito – que é médico, jovem, ou seja, não é nenhum tolinho – vice, contador, todos os vereadores de partidos A a Z, foram parar na cadeia. Quem pediu à Justiça para soltá-los pois não representavam perigo para a sociedade? O próprio manda chuva do Ministério Público estadual, que devia pedir para eles continuarem presos e apertar o cerco nas investigações e pedido de devolução e punições. Então ler este artigo abaixo, é didático. Ainda mais este ano, onde estamos escolhendo os representantes nossos no Congresso nacional (Câmara e Senado) e Assembleia Legislativa. É ali que os amigos dos amigos estão amasiados. O último parágrafo deste artigo é por demais esclarecedor.
TOFFOLI, ACORDÕES, CENTRÕES E O NOVO SISTEMA DE CORRUPÇÃO INSTITUCIONAL DO BRASIL, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo
Quem é o juiz final quando está todo mundo no rolo, da roubança à exorbitância de poder?
Queda de Dilma e ascensão de Bolsonaro levaram corruptos sistemáticos ao centro do poder
Quem ainda se preocupa com a República está a se perguntar o que fazer, por exemplo, de Dias Toffoli. Esse ministro do STF toma decisões que encrencam a investigação do Master e da roubança do INSS; tenta meter medo em instituições que procuram esclarecer mutretas, como o Banco Central e a Polícia Federal.
As decisões de Toffoli chegam à fronteira nebulosa do que seria legal. Esticar a lei até esse limite de névoa de guerra tem sido a maneira mundial de avacalhar instituições republicanas, seja jogando duro a fim de usar as normas contra desafetos ou amolecendo a divisão de poderes a fim de se aboletar indevidamente em outras cadeiras do sistema de governo.
Nessa zona nebulosa, é difícil apitar falta e dar cartão amarelo ou vermelho a Toffoli ou a um ministro do STF que se dê a exorbitâncias. De resto, o juiz supremo do Supremo é o Congresso. Mas o grosso dos parlamentares que se incomoda com o STF quer apenas libertar a gangue golpista de Jair Bolsonaro ou fugir da polícia, preocupado em especial com os inquéritos de roubança das emendas.
É fácil perceber que estamos diante de um sistema de corrupção, ordem que vai além de permitir com facilidade o roubo direto de dinheiro público. O Congresso se torna corporação dedicada à captura irresponsável do Orçamento, via emendas e similares. É atividade eivada de roubo mas, no fundo, instrumento de perpetuação no poder por meio da criação de currais eleitorais e de feudos políticos, o uso de dinheiro público cada vez maior para reduzir a competição eleitoral e financiar negócio privado. Não é novo, mas profundamente pior.
Com mais dinheiro, mais independentes do Executivo, têm mais poder para barganhar mais pedaços do Estado, como agências em tese autônomas, “reguladoras” ou outras, como está para acontecer com a Comissão de Valores Mobiliários, a CVM.
A Reag, gestora da mumunha do Master, era central financeira do crime, de PCC e combustíveis a organizadores de mutretas societárias e engenharia financeira podre, esquema com muitos amigos no mundo político e do poder, que quer abafar o caso. Onde estava a CVM, que deveria cuidar disso e de outras possíveis Reags? Já desaparelhada e inepta, vai cuidar ainda menos se politizada de vez pelo Congresso supremo em desfaçatez.
Quem fala de corrupção se arrisca a ser engolido pela demagogia, muita vez de direita, da UDN contra Getúlio Vargas à Lava Jato contra o PT.
Claro que existe corrupção de esquerda, mas relevante aqui é que o moralismo histriônico leva ao poder beneficiários ou futuros promotores de corrupção sistêmica.
O MDB liderou a deposição de Dilma Rousseff, assumiu o poder com Michel Temer e ganhou imunidade com a promessa de “reformas liberais” para elites econômicas cúmplices. O comando do semiparlamentarismo de avacalhação sob Bolsonaro era de PL e PP, entre outros lambuzados de mensalão e petrolão.
Nessas empreitadas (derrubada de Dilma, apoio a Bolsonaro), centrões e direitões deixaram de ser coadjuvantes para assumir o poder, degradando de vez o sistema institucional, de resto alimentando a reação e o golpismo.
O que têm a ver Toffoli, a multiplicação de focos de desvio de dinheiro ou a financeirização do crime com isso? São resultado dessa história de criação de um sistema em que ninguém controla ninguém, que se sustenta à base de ameaças mútuas e acordões, pois está quase todo mundo em algum rolo, da roubança à exorbitância do poder.
BLINDAR QUEM QUER QUE SEJA NA CPMI DO INSS EQUIVALE A OUTRO ESCÂNDALO, editorial do jornal O Globo
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, criada para investigar a fraude bilionária que lesou aposentados e pensionistas por meio de descontos indevidos, pode ser um instrumento importante para identificar os fraudadores, detalhar o esquema criminoso, punir os responsáveis e pedir o ressarcimento de valores, além de servir de alerta a ataques futuros ao bolso dos beneficiários. Mas esse trabalho, que complementa as investigações da Polícia Federal (PF), não deveria ser seletivo. Querer blindar cidadãos ou instituições pode comprometer a finalidade da apuração.
Fez bem a senadora e ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF), integrante da comissão, em divulgar uma lista com nomes de igrejas e pastores investigados na CPMI. A divulgação ocorreu depois de um embate com o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que a acusou de expor a ligação de religiosos com o esquema fraudulento sem citar nomes. Segundo Damares, a comissão tem sofrido pressões por ter identificado “grandes igrejas” e “grandes pastores” suspeitos de desvios (a igreja de Malafaia não foi citada, e nenhum dos citados é ligado a ela).
Desde a instalação, a CPMI tenta se equilibrar entre o objetivo de contribuir para apurar o escândalo, convocando para depor cidadãos que podem ajudar a esclarecer os fatos, e as concessões políticas intrínsecas a qualquer comissão parlamentar de inquérito. Em outubro, governistas conseguiram barrar a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) e irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entidade é uma das investigadas no caso, e seu depoimento seria importante.
Governistas também obtiveram sucesso ao rejeitar a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Embora não haja acusação formal contra ele, seu nome é citado em investigações da PF. Em representação revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a PF afirma que ele “em tese poderia atuar como sócio oculto” do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como figura central no esquema. O próprio Lula já defendeu publicamente a investigação. “Se tiver filho meu envolvido nisso, será investigado”, afirmou.
Além de lesar aposentados e pensionistas, a fraude causou prejuízo bilionário ao Estado (o governo já pagou R$ 2,84 bilhões a 4,1 milhões de beneficiários que fizeram acordo para receber o ressarcimento). Sob a vista do INSS, sindicatos e associações forjavam autorizações para promover descontos maciços em folha. Enquanto os idosos — muitos recebendo salário mínimo — eram saqueados, as entidades enriqueciam. É fundamental apurar esse esquema, que cresceu no governo Lula, embora acontecesse pelo menos desde 2019. A investigação não deve excluir ninguém, ou o país estará diante de outro escândalo.
O MAL QUE A IDEOLOGIA FAZ, por Thaís Oyama, no jornal O Globo
Em 2021, na Olimpíada de Tóquio, a halterofilista neozelandesa Laurel Hubbard acabou sem medalhas, mas recebeu honras de estrela por ser a primeira mulher trans a participar do torneio. Na entrevista coletiva com as levantadoras de peso que subiram ao pódio — a chinesa Li Wenwen, medalha de ouro; a britânica Emily Campbell, prata; e a americana Sarah Robles, bronze —, um repórter americano pediu-lhes para dizer como se sentiam naquela “noite histórica” em que uma atleta trans estreava numa Olimpíada, e na modalidade delas. Nenhuma das três abriu a boca. Nove segundos de silêncio depois, Sarah tomou um gole de água, pegou o microfone e disse “Não, obrigada”. A frase viralizou nas redes sociais como um meme aplicável a situações em que se dá uma resposta polida para evitar o preço de proferir uma sincera.
Estudos recentes mostraram que atletas nascidas com sexo masculino mantêm vantagens físicas permanentes sobre mulheres biológicas mesmo depois da transição de gênero. Em outras palavras: bloqueadores hormonais não apagam totalmente os rastros da natureza, sobretudo se ministrados depois da puberdade, caso de Hubbard. Com base nesses estudos, o Comitê Olímpico Internacional prometeu anunciar nos próximos meses novas regras para a participação de atletas trans no torneio. Kirsty Coventry, ex-nadadora olímpica que assumiu a liderança do COI em 2025, tem defendido que as novas normas priorizem a “proteção da categoria feminina” — a seu ver, prejudicada nas competições com adversárias trans. É uma constatação que chega com atraso olímpico, dado que a vantagem competitiva de atletas nascidas homens sobre mulheres biológicas é, em muitos casos, observável a olho nu.
O exemplo mais gritante, fora das Olimpíadas, é a nadadora americana trans Lia Thomas, que, de 554ª colocada quando competia numa liga masculina de nado livre, virou sensação do esporte ao passar a competir no circuito feminino universitário pela Universidade da Pensilvânia. A Pensilvânia não tem leis estaduais proibindo a entrada de mulheres trans em times femininos, ao contrário de outros 25 estados americanos — quadro que pode mudar dependendo da decisão da Suprema Corte, que voltou ao tema na última terça-feira. Celebrada como primeira mulher trans a conquistar um título no principal circuito do esporte universitário dos Estados Unidos, Thomas começou sua transição aos 20 anos — a maior parte do seu desenvolvimento físico se deu como homem.
Da mesma forma, no Brasil, a jogadora de vôlei Tifanny Abreu iniciou sua transição aos 28 anos — até essa fase, jogava em quadras masculinas. Tiffany — desde o ano passado, primeira mulher trans campeã da Superliga, com o Osasco — é, para simpatizantes e ativistas da causa trans, um ícone de superação, exemplo de resiliência e da “luta contra a transfobia no esporte”. O fato de só ter batido recordes e conquistado relevância depois que começou a jogar em quadras femininas não vem ao caso — e mencioná-lo é interpretado como mais pura expressão de transfobia.
Mas não dá para falar de esporte sem falar em desempenho físico — e é por isso que o sexo biológico importa na discussão. Nem terraplanistas de gênero negam as razões por que existem as categorias esportivas masculina e feminina. Pela mesma lógica, separar mulheres trans de atletas do sexo feminino não é “projeto de apagamento social”, mas uma questão a debater no terreno da fisiologia do desempenho — as diferenças corporais que pesam no resultado. Transformar o assunto em disputa ideológica é a melhor forma de empurrar o problema para longe da solução: evitar que atletas do sexo feminino sejam obrigadas não só a competir com rivais detentoras de vantagens intransponíveis, como ainda achar isso bonito.
TOFFOLI AGE COMO NOVO DELEGADO NO STF, por Roseann Kennedy, no jornal Folha de S. Paulo
A pressa é inimiga da perfeição. O ditado popular se encaixa nas decisões que o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), está tomando à frente da relatoria do caso Master. Nesta sexta-feira, 16, a novidade foi ele limitar o tempo que os investigadores terão para tomar todos os depoimentos. Apenas dois dias consecutivos.
Delegados e peritos estão desconfortáveis com a situação. Dizem que a medida pode prejudicar a lógica das oitivas e a técnica adotada. Afinal, é preciso analisar previamente o material apreendido e muitas vezes revisitar o conteúdo após um interrogatório, o que pode demandar mais tempo e remanejamentos.
Antes, a previsão era ouvir novamente o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, além de outros investigados, num período de seis dias.
Em tom de desabafo, um dos delegados afirmou à Coluna que nem sequer eles têm certeza se a equipe da PF terá total autonomia para a elaboração das perguntas ou se o roteiro de indagações também será encaminhado por Toffoli.
Circula inclusive na cúpula da PF a reclamação de que o magistrado passou a agir como delegado de polícia. Toffoli avocou para si tanto poder que integrantes da Polícia Federal dizem nunca terem visto nem o ministro Alexandre de Moraes, em tantas atuações polêmicas, agir assim em relação aos procedimentos investigatórios.
O comum seria a Polícia solicitar autorização ao juiz para fazer as operações, adotar cautelares e quebrar sigilos, por exemplo, como previsto no artigo 102 da Constituição. Mas, a partir daí, a polícia é quem define a parte logística, datas e equipe.
Toffoli, entretanto, pouco tem se importado em seguir padrões. Talvez seja esse um dos motivos de tanta resistência no STF para criar um código de ética.
Ele determinou prazo de 24 horas para a PF fazer a segunda fase da Operação Compliance Zero. E chegou ao ponto de impedir a Polícia Federal de periciar o material apreendido. Depois, ao autorizar acesso ao conteúdo, foi ele quem determinou quais peritos poderiam fazer a perícia.
Com a atitude, Dias Toffoli expõe seus medos. Fica evidente que o ministro teme o vazamento de dados da megaoperação. O principal é a análise dos celulares e computadores apreendidos. Entre eles, aparelhos que pertencem ao pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
Como revelou o Estadão, Zettel é o dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná.
TOFOLI DEVE SE AFASTAR DO CASO MASTER, editorial do jornal Folha de S. Paulo
O ministro Dias Toffoli perdeu todas as condições necessárias para arbitrar com imparcialidade e diligência técnica o estrepitoso escândalo do banco Master e por isso deveria se afastar do caso.
Não há razão para a investigação ter subido para o Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo invocado, o fato de um deputado federal ter feito negociação imobiliária com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, serviu de pretexto para um desaforamento que interessa apenas à máfia que se implantou naquela organização financeira.
Os infratores decerto se regozijaram com a decretação do sigilo sobre o inquérito, um dos primeiros atos do magistrado que poucos dias antes viajara num jato particular com o advogado de um diretor investigado do Master.
O circuito dos saqueadores terá festejado a “acareação”, ordenada por Toffoli ao arrepio dos protocolos, entre suspeitos de orquestrar uma fraude bancária de proporções inauditas na história do Brasil e um diretor do Banco Central, órgão responsável por investigar as falcatruas.
O recuo parcial e a revelação, por esta Folha, de conexões de negócios entre irmãos e primo do ministro com um fundo envolvido nos desvios não demoveram Toffoli de seguir com determinações abstrusas. Ele custou a assentir ao pedido da Polícia Federal, abonado pela Procuradoria, de novas diligências.
Em uma nova decisão despropositada e incomum, mandou a polícia depositar as provas colhidas no Supremo Tribunal Federal. Contraditado, fez mais um de seus recuos parciais e ordenou que o material migrasse para a Procuradoria-Geral da República (PGR), quando deveria seguir diretamente para as perícias da PF.
O resultado visível do comportamento do ministro é tão somente abafar notícias incômodas, controlar as informações que o público recebe e prejudicar e intimidar os agentes do Estado encarregados da investigação. A República ganharia com o seu afastamento do inquérito.
Causa espécie, por falar em inquéritos, a abertura de mais uma apuração sigilosa de ofício pelo ministro Alexandre de Moraes, desta vez contra a Receita Federal e o Coaf —serviço de monitoramento de transações financeiras. Ele estaria contrariado com um suposto vazamento de dados pessoais de integrantes da corte.
Com a sua atitude, Moraes reincide na prática heterodoxa de colocar-se ele próprio, um julgador, na posição de investigador e de potencial vítima. Seu movimento e os de Tofffoli pavimentam um caminho errado de reagir ao noticiário sobre as fraudes financeiras bilionárias e as teias de corrupção em torno do Master.
Que a corte não se feche em copas corporativistas para defender o indefensável. A democracia não corre risco nenhum a não ser o de varrer corrupção para debaixo do tapete. A sociedade tem o direito à plena informação e exige a responsabilização dos que delinquiram nesse enorme escândalo, sejam quem forem.
Em 2024, o vereador mais barulhento da oposição construiu fama gritando contra tudo e todos. Deu certo: foi o mais votado. Embriagado pela própria narrativa, quis a presidência do Legislativo e ali mostrou que coragem de discurso não é sinônimo de caráter na prática. Tentou criar regalias e fracassou.
Agora, com outro presidente aumentando as diárias, o antigo “fiscal do povo” está em silêncio. Curioso. Ontem berrava contra privilégios; hoje, parece ter descoberto que vidraça também quebra — especialmente quando se pisa em chão de poder.
No fim, confirmou o velho clichê: oposição é valentia; situação exige silêncio.
Não só silêncio, mas, usufruto
Alegou que a decisão foi da “mesa diretora”.
Mas não nega-se, no ano de 2025 não houve reajuste no valor das diárias.
Engraçado que tratam esse assunto das diárias (de modo geral), como se fosse algo proibido, os vereadores fazendo algo ilegal.
Mas sim, alguns, não todos, esbanjam-se com esses gordos valores. E segue o baile…
Ao que se identificou como Josué
Em momento algum, eu, e até mesmo os meus leitores e leitoras que entraram neste espaço para comentar este lamentável episódio, alegaram que a diária – não só dos vereadores, mas como dos servidores da Câmara também, saliente-se – foram aumentadas de forma ilegal. Nem mesmo sobre a imoralidade que beira ao pornográfico. E só beira, porque mas o aumento (de 34 a 61%), não reajuste, foi forma abusiva em comparação com os reajustes e aumentos de quem consegue os elegeram Ciro e os beneficiários das diárias.
além de abusiva, sabe-se agora que foi de forma arbitrária, pois isto saiu – se ele não se explicar e se explicar podem complicar o corporativismo – exclusivamente da cabeça do presidente da Câmara de Gaspar, Ciro André Quintino, MDB. Esta resolução, a primeira da presidência dele e da atual legislatura, deveria ser da mesa diretora, se o colegiado fosse respeitado e o regimento interno seguido à risca.
Uma vereadora da mesa diretora, Elisete Amorim Antunes, PL, quando viu que a coisa pegava na cidade, foi a primeira a se explicar num grupo de mensagens, de que ela foi tomada de surpresa pela resolução. Nada teria sido discutida. E colocou uma outra sobre a “ouvidoria” da Câmara que também no canetaço de Ciro, saiu da secretaria e foi parar na presidência. Nada disso, sai da cabeça de uma pessoa, mesmo com a experiência de Ciro, pois ele sabe que tudo isso daria repercussão que deu e que eu estaria vigilante diante do silêncio da imprensa e das entidades da sociedade organização, incluindo o tal Observatório Social. São coisas pensadas. Ainda num grupo reservado onde está o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP.
Continuando. Sandra Mara Hostins, PL, outra membro da “mesa diretora”, está quieta e atrasada neste quesito de apoio ou de explicações. Sobrou para articulador da candidatura e vice-presidente de Ciro. Ele está acostumado a este tipo de rompante corporativo. Melato também está quieto. A verdade, é que hoje, o barco está fazendo água. Não porque este espaço alertou a cidade, mas porque todos foram surpreendidos e isto sinaliza a cidade, cidadãos e cidadãs de que vem mais coisas desse tipo contra os pagadores de cada vez mais altos pesados impostos on line, isto sem falar na Reforma Administrativa, revisão do “Plano Diretor”. A derrota da taxa do lixo já tinha sido um aviso a esta turma. E mesmo assim, ela resolveu esticar a corda ainda mais. Paulo Norberto Koerich, PL, dependente desse pessoal, está sendo embrulhado no mesmo pacote. Valha-me Deus
Brasília não está longe. Está em Gaspar. E esse mesmo pessoal já está na rua ensaiando o pedido de votos para seus candidatos a deputados (estadual e federal) movidos por bilhões de reais dos fundos eleitorais e partidário, que prioritariamente deveriam estar em infraestrutura, saúde, educação, moradia e assistência social. É muita coragem e cara de pau. Obrigado pela leitura e opinião.
PSEUDÔNIMO NA MIRA. CONTEÚDO EM SILÊNCIO.
Abro o Olhando a Maré como faço desde os tempos do Cruzeiro do Vale impresso e dou de cara com uma coluna dedicada a um comentário meu. Quando um comentário vira coluna, não é acaso. É incômodo bem colocado.
Aí vem a parte cômica.
Em vez de responderem o conteúdo, começaram a caçar CPF de pseudônimo.
Como se a crítica só valesse quando vem com certidão de nascimento e foto 3×4. Política de aldeia é isso.
Quando falta resposta, sobra detetive.
Eu acompanho o Herculano faz tempo. Gosto de texto que cutuca. E aprendi cedo que aqui a crítica incomoda mais do que o problema.
Teve época em que comentar virava convite para dor de cabeça. Pressão, patrulha, ameaça velada, esse kit padrão de quem prega “tolerância” mas treme quando lê um “por quê?”.
Quando um certo grupo (PT) mandava na cidade, isso era quase método.
Controle disfarçado de cuidado, gasto sem lastro vendido como virtude, e qualquer discordância tratada como pecado.
Por isso o pseudônimo não é teatro. É higiene.
E também é espelho. Cornélius é o nome que aparece quando a pergunta é maior que a coragem de responder.
E já aviso. Meu problema não é com etiqueta. É com vício.
Tem gente que mudou o slogan, mudou a cor, mudou o tom.
Só não mudou o hábito. O hábito de prometer fácil, inflar estrutura, fazer acordão, enfeitar decisão impopular com linguagem bonita e depois pedir silêncio “pelo bem de todos”.
Esquerda faz isso por convicção em suas narrativas. O pior é ver imitador de Direita fazendo por conveniência.
Se alguém acha que a coluna mentiu, faça o simples. Mostre o documento. Explique os números. Conte o que aconteceu.
Negar por birra é coisa de quem quer plateia, não prestação de contas.
Então parem de brincar de adivinhação. Foquem no que está sendo dito.
Pseudônimo não governa.
Quem governa é que precisa explicar.
No fim, é sempre assim: quando a crítica acerta, o alvo muda de assunto.
Caro leitor, demais leitores e leitoras
É bem por aí. Pseudônimo em Gaspar é daquelas pomadas de barreira, a que se passa em acamado para ele não criar feridas na pele, exatamente porque sempre está na mesma posição na cama. Os gestores estão precisando delas. Estão na mesma posição. E isto é trágico para a irrigação cutânea
Os que se aboletaram do poder pelo voto e os seus agregados agarrados – e aí que mora o perigo -, quiseram ser governo. Se quiseram, no pacote vem também a obrigação de se explicar aos eleitores e eleitoras, a cidade de um modo geral e igualmente, de contestar, mas como salienta Cornélius, com documentos, é claro.
Boa missa, bom culto, muitas rezas e orações neste final de semana, de altas temperaturas mesmo em ar das salas com ar condicionado dos poderosos, pois a periferia nem ventilador possui. Gaspar precisa de milagres. E já. E Bom Findi para todos
STF, NÃO MATE O MENSAGEIRO! por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo
Não há uma campanha contra o Supremo ou o Judiciário, como parte dos ministros responde à avalanche de críticas a cada nova decisão surpreendente de um deles que é apontada, não só por adversários do mundo político, mas no próprio ambiente jurídico, como “autodefesa”, “atuação em causa própria”, “corporativismo” e “abuso de poder”.
O que há são boas razões para perplexidade e desaprovação diante, por exemplo, do inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes para investigar o suposto vazamento de dados de familiares dele e de outros ministros por parte da Receita Federal e do Coaf.
A decisão de Moraes, sigilosa, foi “de ofício”, sem provocação da Polícia Federal ou da PGR, e remete aos tempos em que o então presidente Jair Bolsonaro interferia na PF, na Receita e no Coaf, contra revelações sobre seus filhos.
As “rachadinhas” do filho 01, Flávio, hoje senador e précandidato à Presidência pelo PL, vieram a público quando o Coaf identificou “operações financeiras atípicas” em suas contas. Papai Jair reagiu exigindo que os investigadores é que fossem investigados, até demitir o diretor-geral da PF.
Alexandre de Moraes e Jair Bolsonaro são opostos. Um foi relator do STF e o outro foi o mais notório réu no julgamento que condenou e prendeu Bolsonaro por tentativa de golpe contra a democracia e as instituições. Como achar natural que o juiz possa fazer algo como o réu, mesmo que em circunstâncias tão diferentes?
Moraes quer saber como a mídia teve acesso aos contratos milionários do Banco Master com o escritório de advocacia de sua mulher. Talvez queira também saber como “vazaram” o voo de Dias Toffoli com um advogado do banco e as ligações de irmãos dele com um fundo do caso Master – entre outras coisas. O que se esperava é que os ministros desmentissem ou explicassem essas relações, não que fossem investigar, em sigilo, e usando o próprio STF, quem contou tudo. Não matem o(s) mensageiro(s)!
Como relator do caso Master, Toffoli decretou sigilo, depois recuou e vem deixando uma nuvem de suspeitas no ar, tal como o ministro do TCU Jonathan de Jesus, que abriu uma crise, foi e voltou ao tentar investigar o Banco Central depois da liquidação do Master.
Aparentemente, o foco do STF e do ministro do TCU (braço do Legislativo) não são os bilhões desviados pelo Master, mas quem investigou e tomou medidas. Tem algo errado aí. Aliás, o Senado vai ter de decidir: investigar o Master, ou deixar Daniel Vorcaro e seus cúmplices em paz e pedir impeachment de ministros do STF? Típico caso em que todos brigam e ninguém tem razão. Poderosos, esse Master e esse Vorcaro…
PERDER GANHANDO, por Merval Pereira, no jornal O Globo
Em política, muitas vezes é melhor perder do que ganhar. É preciso saber contra quem lutar, e a favor de quem. O que parece bom para a maioria dos eleitores pode não ser para os desígnios de seu líder. Parece ser o que acontece com a escolha, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, de seu filho Flávio para substituí-lo na disputa presidencial deste ano. As indicações das pesquisas de opinião favorecem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que fica em empate técnico com o presidente Lula num hipotético segundo turno.
Dificilmente Bolsonaro mudará de ideia, porque está convencido de que é melhor perder com seu filho do que ganhar com Tarcísio. O raciocínio é simples, ou simplório: um candidato vitorioso que ele não possa controlar criará um líder de direita que, se exitoso no governo, deixará o bolsonarismo a ver poeira da estrada. Um presidente de direita não precisa ser radical para satisfazer ao eleitorado antipetista. Precisa ser um bom administrador. Por isso a frase de que o país precisa de um CEO é uma crítica indireta a Jair ou a Flávio, que não têm esse perfil.
A vantagem de Tarcísio é agradar mais ao eleitorado de centro, justamente o que decide a eleição nestes momentos de polarização extremada. Foi assim que Lula ganhou em 2022, pela pequena diferença dada pelos eleitores que gostaram da oferta de um governo de coalizão nacional. Mesmo não tendo se transformado em realidade palpável, o espírito de um governo mais arejado do ponto de vista democrático persiste no ar, especialmente porque o bolsonarismo carrega uma dose de radicalismo insuportável.
É preciso ser antipetista radical para mergulhar na luta insana proposta pelo bolsonarismo. Não que o petismo não tenha seus radicais, nem que seja uma saída para superar essa polarização, mas sabe fazer política com mais habilidade que o bolsonarismo. Por isso mesmo, a candidatura de Tarcísio não tem futuro, pois ele representa uma direita tida como civilizada, e Bolsonaro não confia em sua lealdade. A mais recente pesquisa Genial/Quaest mostra que a maioria da direita preferiria que o candidato a presidente não fosse alguém da família Bolsonaro.
Flávio tem avançado e conseguido marcar uma posição importante desde que foi indicado pelo pai. Mas, no segundo turno, Tarcísio é mais forte, quase em empate técnico com Lula, mostrando que a escolha de um nome da família não é a melhor para o eleitorado de direita; mas também que Bolsonaro tem capacidade muito forte de influenciar e de convencer a população de que sua escolha é a mais adequada. O apoio vai aumentando à medida que o nome de Flávio vai sendo anunciado e negociado nas coligações. Dá impressão de que ele será realmente o candidato da direita. Mas a chance de vitória no segundo turno é bem menor.
O bolsonarismo está escolhendo o caminho mais difícil. Será uma luta forte engajar a direita e a centro-direita na campanha de Flávio. A disputa nas urnas será apertada, mas a escolha de Flávio favorece Lula. Flávio quer montar uma campanha para mostrar a promessa de um bolsonarismo não tão radical quanto o eleitorado moderado teme. Mas é mais fácil convencer esse grupo de que Tarcísio é uma melhora do bolsonarismo em termos de ideologia radical. Paradoxalmente, isso o faz perder força no círculo bolsonarista. Por isso também Bolsonaro quer Flávio candidato. Ele teme que Tarcísio não seja tão fiel quanto precisa que seja, que faça composições que não lhe agradem. É uma escolha que tirará muito voto do bolsonarismo, e mais uma vez favorecerá Lula. Mas Bolsonaro prefere perder com qualquer um a ganhar com qualquer um.
Bom final de semana pro senhor e sua família também 🌟
E muito obrigada por tudo!
O senhor faz a diferença em Gaspar.
Fiquem com Deus 🙌
Amém