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ALTA ROTATIVIDADE NO PRIMEIRO ANO NO TOPO DO GOVERNO DE PAULO EM GASPAR, REVELA QUATRO FATOS INCONTESTÁVEIS: MÁS ESCOLHAS, TÁTICA EQUIVOCADA, NEGAÇÃO DO TRABALHO EM EQUIPE E CONSEQUENTEMENTE, FALTA DE RESULTADOS DIFERENCIAIS – E ATÉ MÍNIMOS – À CIDADE, ÀS PESSOAS E À PRÓPRIA BOA IMAGEM DA ADMINISTRAÇÃO

Antes do artigo, aos meus leitores e leitoras que não tenho, desejo – e agradeço os que recebi – que 2026, diante de todas as possíveis dificuldades, a superação; e que ela, seja a marca dos sonhadores e principalmente, dos realizadores. Eu escrevi de que não estava de férias – a imprensa local sim – e que “havia artigos estocados”. E hoje é o primeiro dia útil do ano. Dia de trabalho regular. Então…

Não vou escrever, ainda, sobre o que não deslancha nem com reza braba como a Saúde Pública, o Hospital, o Samae com a implantação da coleta e tratamento do esgoto, a transparência mínima, os controles, o esclarecimento das dúvidas do governo passado…

A questão neste primeiro artigo deste 2026 é outra. É o balanço daquilo que está incomodando até os apoiadores e servidores: a alta rotatividade em 2025 dos nomeados em postos chaves do governo Paulo Norberto Koerich, PL. Em tempos de comemorações, eles foram “escolhidos” a dedo para iniciar a tão prometida “mudança”. Em curto tempo, até isso se provou ter sido um problema, tanto para o resultado como para a imagem percebida do “novo” governo.

Esta alta rotatividade, em tão pouco tempo – um ano já se foi – mostra bem à razão pela qual os resultados de mudanças não vieram para os gasparenses. Até nisso, Paulo acabou sendo muito parecido com o seu antecessor Kleber Edson Wan Dall, MDB. E o resultado dessas trocas constantes de Kleber com seus secretários, superintendentes e diretores a cidade conhece. E refletiram nas urnas de outubro de 2024. Aliás, foi este discurso do uso político em funções técnicas que Paulo usou para derrotar por larga margem de votos: 52,98% dos votos válidos, quatro outros candidatos, incluindo o próprio Kleber e o progressista de três mandatos, Pedro Celso Zuchi, PT.

Restará a Paulo e seus bruxos, se tiverem vontade e consciência, corrigirem a rota errante em 2026. Mas, os sinais são tortos. Muito tortos. Estão pensando em punir e expor quem ainda funciona no governo. Incrível. Tudo para dar lugar ao que nunca saiu do poder desde os tempos de Adilson Luiz Schmitt (2005/08) e incluindo tempo do petista Pedro Celso Zuchi, o PP do mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato. 

Melato, repetindo o que já fez em outros governos, prometeu à mínima maioria na Câmara ao governo de Paulo e o desempate quando necessário pelo presidente Ciro André Quintino, MDB, depois que Paulo enxotou o vice-prefeito Rodrigo Boeing Althoff, que deixou o PL pelo Republicanos e ensaia uma candidatura a qualquer coisa este ano

É que o aliado de Rodrigo – desde os tempos em que ele era candidato a prefeito em 2020 -, o vereador Thymoti Thiago Deschamps, virou um voto magoado flutuante na Câmara e um crítico nas redes sociais daquilo que não sai do discurso e do papel na prefeitura de Paulo, ou está fora de controle resultanrte da desarticulação da própria base do governo. Um parêntesis, antes de prosseguir: desta vez, Melato assistiu o fogo no circo por um ano e sem mexer com água, extintores e mangueiras se apresentou como bombeiro

Voltando. A lista de trocas é longa. Mas, vou resumi-la em dois tópicos para não entediá-los naquilo que está óbvio para quase todos na cidade, menos para os bruxos externos, principalmente, e internos que cercam o atual governo: uma do início do ano e outra quase no final deste 2025.

O PRIMEIRO E O PENÚLTIMO

A dança das cadeiras começou logo no primeiro mês de governo quando o ex-vereador pelo Distrito do Belchior, professor, reconhecido líder na área esportiva amadora e na formação de jovens, Charles Roberto Petry, resolveu pedir as contas da Fundação Municipal de Esportes e Lazer. Acostumado a resultados comunitários, de esportes e educação física, cheirou nos primeiros dias de que seria um ente decorativo da FMEL e a ser desgastado na imagem; e deu no pé. Foi educado. Agradeceu. E disse que tinha outras prioridades que apareceram exatamente quando seus propósitos e sonhos na FMEL também desapareceram pela inércia de propósitos do governo para a FMEL.

Charles foi substituído por Haroldo Medeiros, o Suca, um então prócer do MDB – que convenientemente virou PL e bolsonarista de carteirinha – na compensação que o ex-boleiro amador teve pelo que fez para a campanha de Paulo: tirar o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, então no PL, da corrida por uma vaga à Câmara. Estava resolvido um problema de agradecimento e encaixe político. Era o que bastava. Era o sinal mais claro das escolhas do “novo” governo. E cedo demais.

Das entradas e às razões das saídas de gente do atual governo, entre outras, estão como a obrigação de assinar papelinhos naquilo que não podiam ou riscos que não queriam assumir. O caso mais clássico e que ganhou repercussão na cidade, foi a humilhação, sem dó e piedade, ao empresário de reputação acima de qualquer questionamento nos seus negócios, Nelson Mário Küstner. Coitado!

Impressionante foi o silêncio sepulcral das entidades de classe, especialmente a Acig e a Ampe, neste caso. Sintomático. Entende-se, melhor, agora, a razão pela qual, se deu apoio de última hora e de forma envergonhada, ao PL 100/2025 que autorizava o cheque em branco para o aumento da taxa de lixo.

Retomando. Nelson foi catapultado da secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda numa fritura que o deixou exposto – a partir do seu núcleo duro da chefia de gabinete, secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, bem como da Procuradoria Geral -, mas também do próprio gestor cidade com fama de ser referência em investigações complicadas como delegado. Se aplicasse a fama neste e outros casos…

Nelson, neófito em assuntos de gestão pública, coisas da politicagem e das pegadinhas da burocracia comuns aos nomeados para assento de função pública, fez o que – os ditos experimentados nisso – lhe orientam. Confiou cegamente. “Sempre foi feito assim“, alegavam para ele os que diziam que iriam mudar o que sempre foi feito errado e por isso, ganharam a confiança majoritária dos votos nas urnas. É uma advertência para outros – graúdos e bagrinhos: no governo Paulo ninguém segura a mão de ninguém na hora do enrosco que eles próprios causam.

E lá foi Nelson. Botou um transformador na Arena Multiuso Francisco Hostins para dar suporte a uma festança altamente lucrativa para particulares, antes da licitação ser feita e ela ter ganhador conhecido, mas que já tinha feito o serviço na Arena e por um preço menor do que nos anos anteriores, desprezando-se, inclusive a inflação do período. Ou seja, acharam um problema. O outro, não.

Nelson chamuscou a sua imagem, mas salvou a pele do mau orientador e dos que podem ainda ser alcançados por tal ato, no qual foi pego, aparentemente sozinho, numa insistência da Câmara via os vereadores Giovano Borges, PSD, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, e da Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização presidida por Melato, depois de muita enrolação do gabinete do prefeito nas devidas e obrigatórias explicações claras aos diversos requerimentos que recebeu.

AS ESCOLHAS E A LISTA DE DISPENSA

O erro tático (não confundir com erro estratégico, pois o tático é a execução a curto prazo e o estratégico são os objetivos de longo prazo, diferença que parece que o governo de Paulo não soube fazer até  agora) se mostrou nas primeiras escolhas

Uma delas, era a de revisar o Plano Diretor defasado em dez anos na obrigação imposta pelo Estatuto das Cidades. Quem pediu para sair foi o governo, num  reconhecimento de que escolheu quem não se dobrava aos seus desejos. E a secretária de Planejamento Territorial foi escolhida para ir embora antes da hora. Ela veio de Blumenau: a arquiteta Ana Paula Lapolli Isense Junges. O governo disse que ela pediu para sair. Na despedida aos seus daqui, registrou que foi surpreendida. Esta não seria a primeira amostra de que o governo mentia.

Foi assim, também, naquilo que é essencial para o governo: a comunicação. 

Ela nasceu torta e continua pior ainda. Não é estratégica e nem tática. Ela é centralizada em que não sabe verbalizar e convencer, amordaçada e envelhecida. Nem no meu tempo de décadas atrás, quando não se tinha o mundo digital era assim. Hoje já estamos embrulhados na Inteligência Artificial e os donos do poder e da gestão de Gaspar achando que ninguém sabe de nada pelos aplicativos de mensagens. Meu Deus! Impressionante. 

Como com Ana, foi assim que o especialista em “marketing criativo”, também vindo de Blumenau, Felipe Gabriel Rodrigues, deu no pé logo cedo para “experimentar” novos desafios. E aqui ficamos internados na Caverna de Platão, curtindo as próprias sombras como sendo elas as verdadeiras. Ora, se não se faz a comunicação básica interna para afinar a linguagem de governo, aparar arestas e criar estímulos: a essencial reunião semanal ou quinzenal dos secretários com o prefeito, como se vai ter comunicação externa coesa, mínima e estratégica? Conta-se nos dedos da mão quantas se reuniões de secretariado se fez em 2025. Se fosse uma empresa complexa como é a prefeitura, ela já estaria falida. Este tipo de gestão permite o conflito, impede a integração e o debate para o ajuste de ideias e objetivos comuns.

Voltando. E o que falar do superintendente do meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ivan Burgonovo? Ele já sabia que estava metido numa cumbuca de marimbondos de fogo.

É só olhar o que tramita na Justiça da Comarca e tudo, até agora, referendado no Tribunal de Justiça, e como comissionados, ou cargos sem habilitação, alimentados por “bruxos”, alguns vindos de Blumenau em socorro aos daqui, querem se desfazer de laudos periciais de especialistas credenciados, para no jeitinho de sempre, obter legalidade na ocupação irregular do solo, daquilo que ficou aqui na prefeitura, pois parte, prudentemente, foi parar no CIMVI – Consórcio Intermunicipal do Vale do Itajaí da Associação dos Municípios do Vale Europeu -, como se fosse a tábua de salvação a empresários, empreendedores, investidores e autoridades transitórias. E não será, pelo jeito.

Uma corrida às redes sociais – e até à imprensa nos plantões do factual e que não pode esperar – as águas deste dezembro, mostrou como determinados loteamentos ficaram sitiados e como seus vizinhos foram, mais uma vez, os sacrificados. Se aqui a “revisão” do Plano Diretor é assunto de poucos… isto ainda será tema para outro artigo…

O ERRO ESTÁ EM QUE ESCOLHE, AVALISA E LARGA A MÃO

Vamos adiante. Mas, nada foi tão atroz no erro tático (lembrem-se da diferença que lhes explique lá acima?) quanto a escolha do engenheiro Vanderlei Schmitz, para a secretaria de Obras e Serviços Urbanos

Não se tratava de competência e da qual ninguém duvida de Vanderlei, mas do perfil dele à emergência operacional. Quando as enxurradas de janeiro do ano passado pegaram o governo Paulo – e naquela época havia um engenheiro vice ativo, Rodrigo Boeing Althoff, Republicanos – de calças curtas, Vanderlei estava visitando as áreas alagadas, escorregadias e lamacentas de sapatênis. 

Nada mais simbólico de que a pasta teria problemas, numa cidade que vivia em mutirões de roçadas com simpatizantes da vitória, sem máquinas, supostamente sem dinheiro, sem planos, sem prioridades nesta área arrasada herdada do governo que sucedeu, mas sob pressão da população, a que sofria na pele o resultado dos desleixos de políticos e administradores públicos.

E Vanderlei saiu. Ele é culpado? Não! 

Quem  ganhou as eleições, sabia que ia ganhar e não se preparou adequadamente para o desafio. Culpado é quem se achou ainda estar no clube do vinho, do charuto, dos terça-feirinos do clube, vestido com a arrogância própria do poder efêmero e não fez a transição como ela deveria ter sido feita. 

Todos em Gaspar e principalmente os vencedores das eleições, sabiam que este ambiente de manutenção da cidade estava comprometido. Eu exagero? Então, qual era mesmo os discursos de campanha de todos os candidatos, inclusive o que queria a continuidade? E mesmo assim, o vencedor não foi capaz de fazer escolhas para superar tudo isso. Elas apareceram sem critérios, sem prioridades táticas (quando se tinha competentes para tal), muito menos, estratégicas. O resultado de 2025 não deixa a menor dúvida.

Plantou e colheu. Nada como um dia após o outro. Simples assim.

Minhas fontes, que estão dentro do governo de Paulo – e ele já foi uma delas quando não era governo e nem político -, outros são efetivos de longo tempo, culpam os que vêm de Blumenau, que o prefeito de lá, Egídio Maciel Ferrari, PL, outro delegado, não quis. Tratam como resto. Penso que esta análise ou queixa é injusta por dois aspectos. 

Primeiro, todos os citados neste artigo não foram empurrados por Egídio – e tem -, mas talvez, em algum momento, pelo jogo do PL do entrante Mário Hildebrandt – ex-prefeito de lá e atual secretário de estado de Defesa Civil e Proteção – que quer ser deputado estadual nas eleições deste ano. E não devemos esquecer que há gente daqui empregada lá, quietinha, mas dando pitacos aqui. Não devemos nos esquecer que ainda estamos metidos numa história mal contada do Hospital Santo Antônio, ou seja, há espaços para jogos de reciprocidades.

Segundo, porque todos que citei são competentes. Quem errou foi o governo Paulo e seus bruxos que os escolheram – ou avalizaram. Os escolhidos não tiveram tempo e ainda por cima, foram desclassificaram seus próprios escolhidos porque não foram marionetes? Foram o governo Paulo e bruxos que o cercam, por sua exclusiva concessão, que deixaram essa gente na fogueira para se queimar sozinhos. E dois emblemáticos, são gasparenses, como foi o caso de Nelson Mário Küstner e até mesmo Vanderlei Schmitz. Charles Roberto Petry, foi o mais esperto de todos e não esperou pela humilhação. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

Se a farinha é pouca, o meu pirão primeiro. Depois de descartar o vice-prefeito – que já escrevi que vice não é nada, a não ser que há um acordo prévio que deveria ser cumprido -, Rodrigo Boeing Althoff, que já pulou do PL que nunca lhe caiu bem para o Republicanos, Paulo Norberto Koerich, PL, e seus bruxos já ensaiam como vice de 2028, a vereadora Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL. E sairá da frente quem não se enquadrar.

Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, policial como Paulo Norberto Koerich, PL, foi a líder de governo na Câmara do primeiro ano do mandato de Paulo. Ela é da ala mais radical bolsonarista. Ela retruca: “sou dura e justa”. Mas, foi a sua intransigência que levou o governo de Paulo a algumas saias justas – sem qualquer trocadilho -, entre elas, a derrota do PL 100/2025, que tratava do cheque em branco para Paulo aumentar a taxa do lixo neste ano por simples canetaço.

O que é ensaio nesta história? É que Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, quer ser mais que vereadora. Quer ser, no mínimo, vice na próxima eleição. E se o ensaio der certo, será uma alternativa ao próprio Paulo Norberto Koerich, PL. Nas internas, ele vive reclamando que ser gestor de Gaspar lhe cansa e a idade que possui, segundo ele e a família, seria para curtir a vida e não para resolver problemas e conflitos com os quais não estava acostumado, não possui afinidade e nem estômago.

Dois problemas à vista. Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, não esconde de ninguém que alimentou o fogo amigo e isto terá um preço nos desejos dela de ser mais que uma vereadora. Não é à toa que se levantaram cedo demais os problemas de suposta má contratação de empresa de auditoria na CPI em que ela foi relatora. Alyne e o presidente da CPI, Ciro André Quintino, MDB, devem explicações. E estão apostando que tudo será esquecido. Pode ser uma aposta equivocada. Ao menos, neste momento.

Segundo, Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, para ir adiante, terá que dominar o diretório local do PL hoje na mão de um apadrinhado de Jorginho Melo, PL, presidente estadual do PL e governador. Há uma afinidade antiga, de infância e que antecede à própria Alyne. Então precisa antes combinar tudo isso com os russos e com o emedebista raiz Bernardo Leonardo Spengler Filho.

E por que este ensaio é cedo demais? Administrativamente a Gaspar do PL, do bolsonarismo, dos poderosos de sempre de plantão que tiveram com todos que passaram pela casa da praça Getúlio Vargas desde o tempo em que ela tinha uma frondosa figueira, e de Paulo Norberto Koerich, PL, não deslanchou. E sem isso, as armações ilimitadas estão em pleno vapor em Gaspar, Balneário Camboriú e Florianópolis podem ser um tiro no próprio pé.

Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, está fechando as portas de outras concorrentes mulheres: Sandra Mara Hostins e Andreia Symone Zimmermann Nagel, ambos no PL, mas principalmente, a de Mara Lucia Xavier da Costa dos Santos, do guloso PP de José Hilário Melato e que vai enquadrando devagarinho todos eles. Entenderam?

E a propaganda já começou na dobradinha. Vereador fiscaliza o prefeito. Em Gaspar, é parceiro. Como faltam resultados para o atual governo à cidade, aos cidadãos e as cidadãs, os que se associam com tanta antecedência e invertendo a ordem natural dos processos, apostam que de isso vai mudar. Por enquanto, estão tomando apenas riscos. Trata-se, também, de propaganda antecipada campanha. E muito antecipada. Ao menos se reconhece que há muito discurso e lava a minha alma, outra vez. E máquinas, sem pessoas, sem planos, sem resultados, sem comunicação e sem empatia elas não resolvem os problemas por si só para a comunidade, eleitores e eleitoras. Não basta estar em boas mãos. Mas, hábeis e competentes. Muda, Gaspar!

Dois toques. Para encerrar a primeiro TRAPICHE de 2026. Roderigo Boeing Althoff, Republicanos, fez um vídeo de final de ano. Foi defronte a matriz de São Pedro Apóstolo. Parecia pedir proteção.  Parecia que não era o vice-prefeito e nem se identificou como tal. E pareceu que se esqueceu dos discursos de campanha e ao mesmo tempo lavou a minha alma. Disse que em “2026 precisamos fazer diferente“. É? Hum! E depois sou eu quem exagero, invento e enxergo fantasmas. Credo.

O segundo toque é, tudo continua tão igual no Hospital de Gaspar quanto no primeiro dia do ano passado. Até nas goteiras telhado e calhas não dão conta, por falta de simples e necessária manutenção, nas chuvas fortes. O que foi feita daquela montanha de dinheiro (R$20 milhões) que o governo do estado mandou festivamente para cá e que seria para “desapropriá-lo” e entregar ao Hospital Santo Antônio de Blumenau. Passaram-se três meses. Muda, Gaspar!

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15 comentários em “ALTA ROTATIVIDADE NO PRIMEIRO ANO NO TOPO DO GOVERNO DE PAULO EM GASPAR, REVELA QUATRO FATOS INCONTESTÁVEIS: MÁS ESCOLHAS, TÁTICA EQUIVOCADA, NEGAÇÃO DO TRABALHO EM EQUIPE E CONSEQUENTEMENTE, FALTA DE RESULTADOS DIFERENCIAIS – E ATÉ MÍNIMOS – À CIDADE, ÀS PESSOAS E À PRÓPRIA BOA IMAGEM DA ADMINISTRAÇÃO”

  1. O barco vai se esvaziando……
    Saiu o Vice….
    Saiu dois vereadores……
    Saiu o presidente do partido…..

    No que envolve politica gasparense, as cobras e lagartos estão se matando…. o Vice presidente do PL de Gaspar nem tomou conhecimento que o comandante do diretório provisório do Partido Liberal da cidade largou de mão o cargo….. que foi direto para o prefeito sem o vice saber…. Goela abaixo.

    Uma pena, pensamos que iria ser diferente e no fim é igual….

  2. LEMBRAI-VOS DA “PASTA ROSA”, por Elio Gaspari, nos jornais Folha de S. Paulo e O Globo

    A “Pasta Rosa” foi achada em 1995, no gabinete do banqueiro e ex-ministro Ângelo Calmon de Sá. Com oito centímetros de espessura, ela continha a escrituração do ervanário despejado pela federação dos bancos e pelo Banco Econômico nas últimas eleições à época. Era o sonho do investigador, a clientela da banca ia de Roberto Campos a Antônio Carlos Magalhães. Cerca de 50 políticos passavam pela pagadoria do Banco Econômico.

    Onde a investigação do Banco Master tem suspeitas e indícios de uma rede de proteção política, no caso da Pasta Rosa eram certezas documentadas. Nos seus dias de fama, a Pasta Rosa parecia instruir uma faxina nas relações dos políticos com a banca. Ilusão democrática. Aos poucos, a Pasta Rosa foi sumindo do noticiário, até virar História.

    A taça foi para os advogados do banqueiro que ralavam, procurando brechas em sentenças ou erros em reportagens. Ao final, eles foram os vitoriosos.

    As investigações em torno da Pasta Rosa deram em nada. As investigações em torno dos Poderes e das conexões de Daniel Vorcaro podem aprender a lição.

    Mesmo antes de ser detonado, Vorcaro gastava centenas de milhões de reais com advogados.

    NOVO PAC

    Em ano eleitoral, Lula anunciará o PAC-3 estimando que ele movimente R$ 1,3 trilhão nos próximos 12 meses. Acredite quem quiser. Esse PAC terá obras, para felicidade dos empreiteiros.

    Todo mundo ganharia se, a cada novo pacote eleitoreiro, o presidente explicasse por que prometeu e não cumpriu, por exemplo, a Autoridade Climática, anunciada na campanha e reiterada pelo menos em duas ocasiões. Ao tomar posse, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, prometeu:

    “Até março deste ano, será formalizada a criação da Autoridade Nacional de Segurança Climática, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, além da criação de um conselho sobre mudança do clima, a ser comandado pelo próprio presidente da República”.

    Pff, palavras ao vento.

    Em setembro foi a vez de Lula:

    “Vamos estabelecer uma autoridade climática e um comitê técnico-científico que dê suporte e articule a implementação das ações do governo federal”.

    Pff, promessas ao vento.

    A trava tem nome: Marina Silva quer a Autoridade dentro do seu quadrado.

    URUCUBACA NOVA IORQUINA

    O prefeito muçulmano de Nova York, Zohran Mamdani, disse que foi eleito como democrata e socialista, essa será sua maneira de governar. Uma urucubaca persegue os prefeitos mais à esquerda na cidade. Bill de Blasio e David Dinkins (1927-2020), o primeiro negro a governar a cidade, foram uns desastres.

    A direita tem mais sorte, Michael Bloomberg e Rudolph Giuliani (antes de se dar à bebida) foram estelares.

    GOSTINHO DO PODER

    Jair Bolsonaro sentiu na quinta-feira uma volta aos bons tempos da Presidência, percorrendo as avenidas de Brasília com uma escolta de batedores.

    Os motociclistas da PM eram apenas uma papagaiada.

    FLOR DO RECESSO

    Do nada, brotou a discussão da conveniência de Lula disputar um quarto mandato.

    Vale a resposta do governador de Santa Catarina, Antônio Carlos Konder Reis (1924-2018), quando lhe fizeram pergunta semelhante:

    “Se for preciso atravessar um pântano repleto de escorpiões e aranhas peçonhentas, ainda assim eu quero”.

    FLÁVIO E A TORTURA

    O senador Flávio Bolsonaro reclama do regime carcerário a que está submetido seu pai e pergunta:

    “Até quando Moraes terá procuração para praticar a tortura?”.

    Flávio não entende nada de tortura. Poderia consultar centenas de sobreviventes do Doi.

    IRAQUE NA VENEZUELA

    Donald Trump bombardeou Caracas, capturou Nicolás Maduro e anunciou que os Estados Unidos governarão a Venezuela até a formação de um novo governo. Ou seja, meterão a mão no petróleo do país.

    Nos últimos 50 anos, os Estados Unidos controlaram o governo do Vietnã do Sul, invadiram o Iraque, enforcaram Saddam Hussein e nomearam um vice rei americano. Deu tudo errado. O mesmo aconteceu no Afeganistão.

    Contudo, nem tudo foram derrotas, como a invasão do Panamá em 1989, com a prisão do presidente Manuel Noriega. Ele passou por prisões americanas francesas e panamenhas até sua morte, em 2013.

    A intervenção americana na Venezuela está mais parecida com o desastre do Iraque do que com o sucesso do Panamá.

    PARECE QUE FOI ONTEM

    Para quem acha que o aquecimento global é uma moda recente:

    Em 2026 completam-se 130 anos do dia em que o cientista sueco Svante Arrhenius (1859-1927) avisou que a queima de combustíveis fósseis jogava dióxido de carbono na atmosfera, provocando um aquecimento global.

    CANDIDATÔMETRO

    O ano de 2025 terminou com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disposto a tentar a reeleição, com fortes chances de prevalecer.

  3. Ontem, alguns vereadores da situação em Gaspar, sem ter o que comemorar do próprio governo que estão obrigados a defenderem por ideologia ou interesses, resolveram criar cortinas de fumaças e ir para bem longe daqui e elogiar Trump e defenestrar o ditador Maduro, como se entendessem de história e tivessem parte no resultado. Se o que defendem tiver valor, eles que se cuidem, pois estão dando a senha a quem não teve votos por aqui para tomar o lugar deles na marra. Abaixo, um artigo local bem mais coerente de quem já esteve no poder, que defende liberdades e conhece história. Os nossos políticos estão apegados à narrativas e estórias para receberem elogios da sua própria bolha. Credo.

    O SÍNDICO QUE NINGUÉM CHAMOU (MAS A METADE PEDIU), por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc. Este artigo foi originalmente publicado nas redes sociais do autor.

    Sabe aquele vizinho que fica possesso com o barulho da festa ao lado? Pois é. Em vez de bater na porta e pedir para baixar o som, ele resolve chamar um “XERIFE” de fora para tomar conta da churrasqueira. É exatamente assim que o Brasil de 2026 está assistindo ao caso da Venezuela.

    Por aqui, nossa famosa “POLARIZAÇÃO DE ESTIMAÇÃO” está a todo vapor. De um lado, tem uma galera soltando rojão nos grupos de WhatsApp. Eles juram que o Trump é uma espécie de Robin Hood com topete: chegaria em Caracas, faria uma faxina na democracia, entregaria as chaves para a oposição e sairia de cena fazendo um sinal de positivo.

    É uma visão de filme de Hollywood, onde o herói coloca o mocinho no trono e volta para casa para jogar golfe. Só que o roteiro da vida real, aquele que o Trump assinou nesta manhã de 3 de janeiro, tem uma reviravolta que muita gente não se deu ao trabalho de ler no contrato.

    Na coletiva, o homem não usou metáforas. Ele foi direto ao ponto: “NÓS VAMOS ADMINISTRAR”. Note que ele ““NÃO”” disse “vamos ajudar a Maria Corina a reformar o palácio”. Ele disse que os Estados Unidos agora são os novos síndicos do prédio, e PONTO FINAL.

    E o que dói mais no bolso da esperança alheia? Ele já avisou que vai “RECUPERAR O INVESTIMENTO” usando o petróleo que está “vindo do chão”. Traduzindo do Trumpês para o nosso português: os americanos não vieram para ser padrinhos de casamento. ELES VIERAM PARA SER DONOS DO SALÃO, DO BUFFET E DE TODA A BEBIDA DA FESTA.

    Enquanto a gente se atraca nas redes sociais discutindo se isso é “LIBERTAÇÃO” ou “IMPERIALISMO”, o Trump já está lá decidindo quem vai apertar o botão das refinarias. Ele até deu um “GELO” na oposição local, dizendo que eles não têm o respeito necessário para assumir o comando agora.

    Para quem esperava uma ““FADA MADRINHA DA DEMOCRACIA””, o balde de água fria foi épico. A carruagem da liberdade virou uma refinaria da ExxonMobil em plena Caracas. E aquele sapatinho de cristal? Esquece. Foi trocado por uma bota pesada de fuzileiro naval.

    A moral da história é aquela velha lição que a gente insiste em esquecer: cuidado com o que você pede para o “PAPAI NOEL DA GEOPOLÍTICA”. Às vezes, você chama alguém para ajudar a trocar uma lâmpada e acaba com um proprietário novo instalado na sua sala de estar.

    O pior é que o novo dono ainda vai te cobrar o aluguel, e o pagamento vai ser em barris de óleo bruto.

  4. OS FINS, OS MEIOS, E O DIA SEGUINTE NA VENEZUELA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A captura de Nicolás Maduro por forças militares dos EUA não desperta lamento quanto ao destino do ditador, mas isso não equivale a endossar os meios empregados pelo presidente Donald Trump. Maduro era um governante ilegítimo, após fraudar eleições, e sustentava seu regime por meio do aparelhamento do Estado, da criminalização da oposição, da repressão violenta da sociedade civil e do colapso deliberado da economia venezuelana. Sua queda, em si, não é o problema. O problema começa quando se supõe que a Venezuela tornou-se um país democrático da noite para o dia.

    A política externa é sempre um exercício de tensão entre fins e meios, entre o poder e a legitimidade. Derrubar um tirano pode ser um objetivo defensável. Transformar operações extraterritoriais unilaterais em prática recorrente, conduzidas sem transparência institucional, à margem do Direito Internacional – a rigor, da própria ordem jurídica dos EUA – e anunciadas como espetáculo político, é outra coisa. Bons fins não dispensam prudência; exigem-na. Quando a exceção vira método, o êxito tático cobra seu preço estratégico.

    A legalidade, aqui, não é um fetiche jurídico nem um álibi progressista. É um instrumento de contenção do próprio poder. Governos que agem sem limites claros podem vencer batalhas pontuais, mas enfraquecem o sistema que afirmam proteger. A história recente oferece exemplos suficientes de como a eficiência inicial pode ocultar déficits duradouros de legitimidade, corroendo alianças e incentivando respostas oportunistas de adversários. Nesse sentido, causa espanto a intenção declarada por Trump de manter a Venezuela sob governo dos EUA “até que uma transição adequada possa ocorrer”.

    O maior teste da operação militar norte-americana está menos no que ocorreu na madrugada de hoje, e mais no que se segue. Quem governa a Venezuela no dia seguinte? Com que autoridade? Sustentado por quais instituições? A queda de um regime em grande medida personalista não dissolveu automaticamente as redes que o sustentavam: militares cooptados, milícias armadas, economias ilícitas e atores externos interessados no vácuo de poder. Libertação sem governança costuma ser apenas uma pausa entre desordens.

    Há, é verdade, um dado relevante. Diferentemente de outros colapsos recentes, a Venezuela dispõe de uma oposição com legitimidade eleitoral reconhecida e amplo apoio social. Isso é um ativo raro. Mas ativos políticos não se convertem sozinhos em estabilidade. Transições bem-sucedidas exigem pactos, previsibilidade, reconstrução institucional e justiça – não revanche. Democracias não nascem de operações especiais; nascem de regras aceitas – inclusive, e sobretudo, por quem perde.

    No plano global, a questão é ainda mais ampla. A ordem internacional não se desgasta apenas por discursos revisionistas, mas quando práticas excepcionais passam a se repetir sem critérios estáveis. O risco não é apenas erosão gradual do Direito Internacional, mas a substituição brutal de normas por decisões ad hoc, calibradas pela conveniência política do momento. Não surpreende que a primeira reação da comunidade internacional tenha sido de assombro, seguido da defesa de uma “transição pacífica e democrática, com respeito à Carta da ONU”, como pediu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

    O argumento oficial do combate ao narcotráfico e da segurança energética tampouco resolve o dilema. Quando esses critérios são aplicados de forma seletiva, conforme a conveniência política, perdem força normativa. Força usada sem coerência produz obediência momentânea, não estabilidade duradoura.

    Nada disso equivale a defender o status quo. A Venezuela precisava de uma saída. A questão é se a forma escolhida amplia ou reduz as chances de que essa saída resulte em algo melhor. De um ponto de vista democrático liberal, o juízo final recai menos sobre a audácia da ação, e mais sobre suas consequências institucionais. O que separa uma transição democrática de um novo impasse de consequências imprevisíveis não é a força empregada, mas a capacidade de transformar poder em ordem. Esse é o desafio que começa agora.

  5. É impressionante como há no Brasil uma organização política suprapartidária criminosa do colarinho branco, orquestradamente especializada – por espertezas, esquemas, pressões e relacionamentos – em botar R$ bilhões dos nossos bolsos da derrama de cada vez mais altos impostos pesados impostos dos nossos bolsos nos deles

    SOBRE A CRIMINALIZAÇÃO DO BC, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo

    O caso Master não existiria – não como o conhecemos – sem aqueles, os políticos, os eleitos, cujas atividades foram decisivas à prosperidade fraudulenta do banco. Não estamos diante apenas de empreendimento criminoso contra o sistema financeiro. Essa conta não fechará sem corrupções, sem coação – sem gestões de quem controla o poder.

    Essa conta avança desviada-distraída, com o Banco Central de repente entre os suspeitos. A desqualificação do BC é estratégia de defesa que se tornou influente. A autoridade monetária não está entre os investigados.

    É da ordem da desonestidade intelectual, observada a trama bilionária que compôs a pirâmide do Master, apregoar que o BC teria se precipitado ao liquidar o banco; que haveria solução alternativa. Tentou-se a solução de mercado – aquela por meio da qual o BRB absorveria o Master para lhe diluir as falcatruas.

    O BC – isto, sim – terá demorado a agir. O BC, mais ou menos atrasado, não é investigado. Investigadas são a fraude no Master e suas jogadas com o BRB. Esses são os objetos deste caso de polícia. Que não existiria sem as relações que Daniel Vorcaro plantou. Não haveria BRB na parada, para comprar carteiras inexistentes, não fossem os afetos que o banqueiro cultivou.

    Paulo Henrique Costa não terá se tornado presidente do BRB por graça do espírito santo. O governador do DF, Ibaneis Rocha, não é – não pode passar por – observador externo dessa barbaridade; nem se isenta de responsabilidade porque trocou o comando do banco. Não é crível que Costa tivesse autonomia para negociar bilhões em papéis do Master.

    A isso – a esse apagamento das ordens de comando, a esse deslocamento do eixo responsável – também presta serviços a criminalização do BC.

    Desapareceram do noticiário também os rolos previdenciários dos Estados com o Master, sumido da teia o Rioprevidência. Que, contra todos os alertas, botou mais de bilhão de reais dos servidores no castelo de cera, outro que ofertaria ao banco a liquidez que a exposição de sua mentira fazia escoar. Transações que jamais prosperariam somente por vontade de burocrata executivo de fundo.

    O burocrata executivo de fundo foi escolhido por alguém. Está sob influência do governador. Claudio Castro não é – não pode ser – observador externo da atrocidade. Não poderia não saber, ainda que talvez seja melhor passar por incompetente desinformado sobre o que corre no próprio governo. O mesmo serve ao padrinho – Davi Alcolumbre – do sujeito que autorizou o lançamento de milhões do fundo previdenciário do Estado do Amapá na perdição do Master.

    O Master não seria Master – não teria chegado aonde chegou, não teria contrato milionário com esposa de ministro do STF – sem as relações políticas (incluídas as consultorias de um Lewandowski) que fundamentam exotismos como os do TCU lirista contra o BC; sem as relações que fazem juiz de Corte constitucional perguntar ao fraudador sobre a qualidade do trabalho do órgão que lhe liquidou a fraude.

  6. AURÉLIO, ADILSON, MAQUIAVEL E O LIVRO DE PRESENTE

    No artigo simples, claro e lúcido escrito pelo ex-procurador geral de Gaspar, Aurélio Marcos de Souza, e republicado abaixo das suas redes sociais, ele informa que deu presente ao prefeito a quem serviu, Adilson Luiz Schmitt, o livro “O Príncipe, de Maquiavel, que eu o li pela primeira vez quando dos meus 16 ou 17 anos.

    Consta a lenda de que Adilson nunca o leu, preferiu bulas de remédios (ele é médico veterinário atuante em Gaspar). Se tivesse lido o livro, talvez Adilson tivesse entendido que não poderia dar aquela entrevista como deu ao comunicador influente da época e já falecido, Júlio Carlos Schramm, já falecido. E Gaspar teria tido outro rumo e prumo. E como leitor de bulas, por dever de ofício e mania, Adilson sabe muito bem que todo remédio gera cura, mas também efeitos colaterais. E na dose errada, pode se tornar um veneno. Adilson errou na dose, com certeza. Só tardiamente percebeu isso. E busca até hoje, o antídoto.

  7. ENTRE A COXIA E O HOLOFOTE: O QUE MAQUIAVEL AINDA NOS ENSINA EM GASPAR, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar (2005/08), graduado em Gestão Pública pela Udesc. Este artigo foi publicado originalmente nas redes sociais do autor.

    Hoje é 2 de janeiro de 2026. Enquanto o novo ano ensaia seus primeiros passos, minha mente volta-se ao “fechar das cortinas” e aos bastidores da coxia teatral da política de 2025. Como estudioso das Ciências Administrativas e alguém que serviu como Procurador de Governo, não consigo olhar para a gestão pública sem enxergar as engrenagens descritas há cinco séculos por um dos maiores analistas do poder.

    No dia da minha nomeação para a Procuradoria, fiz um gesto simbólico: presenteei com um exemplar de O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, ao então prefeito Adilson Luiz Schmitt (2005/2008). Escrita em 1513, em uma Itália fragmentada e assolada por invasões, a obra não foi um convite à maldade, mas uma tentativa de descrever a política como ela é, despida de ilusões. Maquiavel buscava entender a “VERDADE EFETIVA” das coisas: para ele, o governante não deveria focar no mundo dos sonhos, mas na técnica de conquistar e, principalmente, manter o Estado estável. Ele separou a moral privada da ética pública, criando a ciência política moderna.

    Hoje, observando o que acontece em nossa querida Gaspar e em tantas outras cidades, percebo que aquele manual de sobrevivência política nunca esteve tão vivo.

    A Estratégia da “Injúria” em Dezembro
    Maquiavel escreveu que “as injúrias devem ser feitas todas de uma vez para que ofendam menos”. Na lógica das Ciências Administrativas, o que vemos em dezembro é a aplicação cirúrgica dessa técnica. Ao enviar projetos que aumentam taxas e criam obrigações no apagar das luzes do ano, o governante busca concentrar o impacto negativo. Utiliza-se a distração das festas e a proximidade do recesso para que o “GOLPE” seja rápido; espera-se que, quando o sol de janeiro brilhar, a indignação já tenha se dissipado no tempo.

    A Raposa e o Direito
    Para Maquiavel, “o líder deve ter a força do leão e a astúcia da raposa”. Na Procuradoria, aprendi que a eficácia administrativa é necessária, mas quando ela se torna uma “RAPOSA” que evita o contraditório, ela fere o PACTO SOCIAL. No Direito Público, a transparência não é um detalhe; é o que separa a autoridade legítima do autoritarismo técnico. O príncipe que evita o debate sob o pretexto de urgência está, na verdade, fugindo do olhar do súdito.

    Minha Reflexão Final: O Palanque vs. o Holofote
    O que me inquieta neste início de 2026 não é a gestão em si, mas a incoerência. Ninguém é inerentemente contra os atos de quem governa, pois entendemos que a máquina pública exige decisões complexas. O ponto crucial é a lealdade com o eleitor: quem fala em democracia e foi eleito sob o palanque sagrado do voto popular, tem a obrigação moral de agir sob os holofotes do debate aberto, público e mútuo.

    Subir ao palanque para prometer participação e depois governar nos bastidores da coxia de dezembro, sem o devido debate, é uma escolha maquiavélica no sentido mais frio da palavra. A verdadeira “VIRTÙ” de um governante moderno não está na astúcia de esconder suas intenções, mas na capacidade de sustentá-las à luz do dia. Se uma medida é justa, que ela enfrente o holofote da opinião pública e não se esconda nas sombras do calendário.

    DICA DE LEITURA: Para quem quer ler ou gosta de se aprofundar nos clássicos do pensamento político, como eu, o livro O Príncipe é fornecido de forma gratuita pelo Senado Federal em formato PDF. Você pode acessá-lo: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/573552/001143485_O_principe.pdf

    LEMBRE-SE: para quem lê, o mundo está sempre aberto. O conhecimento é a única ferramenta capaz de iluminar as coxias e transformar súditos em cidadãos conscientes.

  8. A política não muda, Brasil dos políticos insaciável por poder e continuísmo principalmente para manter os seus à manutenção de pessoas ou grupos no poder por muito tempo, muitas vezes de forma negativa, nada diferente do resto do País. Paulo Norberto pode se candidatar e levar Alyne Karla Serafim Nicoletti como vice, mas se reelege, não com meu voto, ideologia no brasil e a polarização deixou muitos com falta de massa pensante. Precisamos sim de fazer mais, muito mais com menos, sermos eficientes ou seja, fazer as coisas da melhor maneira, com o mínimo de recursos (tempo, dinheiro, esforço), focando no processo; coisa que falta nos pessoas que perderam a massa pensante neste jogo ideológico e polarizado. Claro que devemos pensar em nossa Aldeia (Gaspar), afinal aqui que ganhamos a vida e pagamos impostos, falta muito esclarecimento dos nosso eleitores, a consequência disso foi um engano que vai custar caro a cidade 4 anos de um erro eleitoral, com já disse Prefeito atual pode ser um exímio Secretário de Segurança Pública, mas como prefeito, gestor um erro do processo eleitoral com a participação do eleitor gasparense. Creio que Muda Gaspar deveria ser acompanhada como Pensa Gaspar.

  9. Em Gaspar a política ainda é praticada como na época dos coronéis, do cabresto e do chicote.

    Talvez pelo excesso de religiosidade e subserviência da sua gente, os “coronéis” tenham se mantido e se fortalecido ao longo das décadas.

    E durante esse período, fomos EXTORQUIDOS até sangrar a alma.
    A carga tributária Municipal é um disparate quando comparada com os demais municípios brasileiros.
    Para uma reduzida amostra, começando pela alíquota do IPTU, e encerrando com a taxa dos CEMITÉRIOS.

    Tudo aqui se agiganta sobre as nossas mesas pra bancar as ORGIAS PALACIANAS DOS POLITICOS DA CIDADE.

    Veja que o salário do prefeito de Gaspar, uma cidade de 73.000 habitantes e com CARÊNCIAS MÚLTIPLAS,
    é o QUINTO MAIOR SALÁRIO DE CHEFE DO EXECUTIVO MUNICIPAL DE SC, um dos MAIORES DO BRASIL,
    maior inclusive que o salário do governador Jorginho 👀.

    INCOMPATÍVEL com a nossa triste realidade de baldes contendo goteiras…

    Mas pra ELES é POUCO.
    SÃO INSACIÁVEIS.
    QUEREM SEMPRE MAIS E MAIS.
    NÃO IMPORTA SE ESTÃO SE BANQUETEANDO COM O PUS QUE ESCORRE DAS NOSSAS FERIDAS ABERTAS; O IMPORTANTE É A QUALIDADE DO CHAMPANHE.

  10. A POLÍCIA DO DISCURSO, por Pablo Ortellado, no jornal de O Globo

    Os direitos humanos, criados para proteger os indivíduos contra o poder absoluto, têm sido usados para um novo tipo de arbítrio: decidir o que pode ou não pode ser dito no debate público. Certas políticas vêm sendo apresentadas como a própria materialização dos direitos humanos, de maneira que contestá-las põe o crítico como inimigo da humanidade. Ao bloquear o debate civilizado, as inquietações sociais sobre essas políticas passam a ter como únicos porta-vozes os radicais que não temem o estigma de inimigos dos direitos humanos.

    A estratégia consiste em cercar certas políticas com um cordão sanitário, de maneira que ultrapassá-lo para discutir sua conveniência, ou mesmo sua eficácia, passa a equivaler a pôr em questão os próprios direitos humanos. Em muitos lugares, não é mais possível discutir as cotas raciais para acesso à universidade ou ao serviço público. Cotas viraram sinônimo de luta contra o racismo — não são vistas como boa política para combatê-lo, mas como a própria materialização do antirracismo. Criticá-las, portanto, equivale a colocar-se a favor do racismo e fora da decência humana. Criticá-las tornou-se imoral.

    Essa circunstância em tese “protege” a política e a população beneficiada por ela. No médio prazo, porém, certamente a prejudica. Como se torna perigoso promover debate público sobre cotas, a insatisfação social com a política vai acumulando, sem resposta. Há muitas questões sobre as cotas — desde a noção de que comprometem o sistema de ingresso meritocrático, permitindo a alguns “furar a fila”, até a visão segundo a qual prejudicam os pardos que não são aprovados nas bancas de heteroidentificação (que buscam avaliar pelo fenótipo se alguém de fato é negro). Por esses e outros motivos, as cotas têm perdido apoio público.

    Porém, uma vez que colocar-se como crítico das cotas tem custo reputacional alto, há pouco debate. E o pouco debate que existe é feito pelos radicais que não se importam com o estigma. Interditar a discussão não elimina as questões; apenas entrega o monopólio das respostas a quem não respeita limites.

    Acontece a mesma coisa com a segurança pública. O debate sobre como combater a criminalidade está repleto de interdições. Não é possível discutir com sobriedade as “saidinhas” dos presídios ou as abordagens de suspeitos sem correr o risco de ser acusado de defender o racismo, o apartheid, o vigilantismo ou mesmo o genocídio. Ao cercar o debate da segurança pública com uma barreira moral, empurramos os insatisfeitos aos braços de quem promete ordem a qualquer custo.

    Direitos humanos são valores normativos que devem servir de parâmetro para avaliar as políticas, mas nenhuma política deveria ser considerada sua expressão pura incontestável. Estamos moralizando o debate público, criando uma religião civil em que certas políticas foram sacralizadas — e, consequentemente, discordar delas virou profanação.

    Criamos uma polícia do discurso que traça linhas e define quem são os virtuosos do lado de dentro e quem são os abjetos que devem ficar do lado de fora. Uma vez que você é empurrado para fora da fronteira, nada do que diz precisa ser ouvido, pois você perdeu o status de interlocutor respeitável, civilizado.

    Ao empregar os direitos humanos como arma de exclusão, também entregamos o microfone aos radicais. Quando o debate matizado é interditado, ele é tomado por quem não vê problema em ser vilão. O resultado é uma esfera pública abafada, onde o cidadão comum se refugia no silêncio amargurado ou na revolta ressentida. As consequências políticas desse silêncio e dessa revolta são bem conhecidas dos brasileiros.

  11. DESEMPREGO EM QUEDA, SEGURO-DESEMPREGO EM ALTA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    A taxa brasileira de desemprego caiu a 5,2% no trimestre encerrado em novembro, menor cifra registrada na série histórica do IBGE que começa em 2012. O indicador segue trajetória de queda quase ininterrupta desde o início de 2021, quando marcava 14,9% ainda sob o impacto da pandemia.

    É paradoxal que, num momento tão favorável do mercado de trabalho, os gastos públicos com seguro-desemprego estejam em alta. Segundo dados do Tesouro Nacional corrigidos pela inflação, esses desembolsos somaram R$ 57,5 bilhões nos 12 meses encerrados em novembro, ante um total de R$ 47,2 bilhões em 2022 —ano que fechou com desocupação em torno de 8%.

    Parte da explicação para a distorção está em conhecidos problemas nas regras do programa, que motivaram ajustes parciais há pouco mais de uma década. Num exemplo, trabalhadores podem considerar vantajoso passar temporariamente para a informalidade a acumular os rendimentos da nova atividade com o seguro-desemprego.

    Outro fator a inflar os gastos é a política do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de conceder reajustes acima da inflação para o salário mínimo, ao qual estão vinculados benefícios trabalhistas, previdenciários e assistenciais.

    Nos dois casos se veem ineficiências da despesa social —que, corretamente, é a prioridade do Estado num país de desigualdades vexaminosas. O gasto é elevado, mas por vezes de modo insustentável e nem sempre destinado às devidas prioridades.

    Por metodologia que permite comparações internacionais, o setor público brasileiro despende o equivalente a 16,8% do Produto Interno Bruto em proteção social. Numa amostra de países selecionados em relatório do Tesouro, a cifra supera a média das economias avançadas (15,2% do PIB) e, por larga margem, a das emergentes para as quais há dados disponíveis (8,9%).

    Entretanto nossos recursos são concentrados na terceira idade (9,1% do PIB), em razão principalmente do pagamento de aposentadorias acima dos padrões globais. Esses montantes hoje são inflados pelos aumentos reais do salário mínimo, mais caros e menos eficazes no combate à pobreza que o Bolsa Família —por sinal elevado de 0,4% para 1,4% do produto nos últimos anos.

    Por fim, crescem de forma acelerada os gastos com benefícios de prestação continuada (BPC) para idosos e deficientes de baixa renda, que em valores corrigidos chegaram a R$ 126,3 bilhões nos 12 meses encerrados em novembro, ante R$ 78,8 bilhões em 2022.

    A política social precisa de mais foco e menos redundância, pois não será possível elevar eternamente as despesas com todos os programas. Na situação atual o governo já não consegue fechar suas contas mesmo com expressiva alta das receitas, o que pressiona a inflação e obriga o Banco Central a manter juros nas alturas —prejudicando, sobretudo, os estratos mais carentes.

  12. UM MILAGRE CHAMADO EMBRAPA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    Um estudo de pesquisadores das universidades MIT, Princeton e Notre Dame, além do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), oferece o retrato mais preciso já feito sobre o papel da pesquisa e desenvolvimento na revolução agrícola brasileira. As cifras impressionam: em cinco décadas, a produtividade agrícola aumentou extraordinariamente. E o investimento público em pesquisa respondeu por mais da metade desse salto. Para cada R$ 1 investido, o retorno foi de R$ 17. O Brasil é um caso exemplar de como uma política pública pode transformar um país em desenvolvimento. E esse caso tem nome: Embrapa.

    Criada em 1973, a estatal rompeu com o padrão de burocracias ineficientes e adotou métodos que ainda hoje soam revolucionários: meritocracia radical, envio maciço de pesquisadores para doutorados no exterior, autonomia científica, cooperação internacional e uma rede descentralizada de 43 unidades espalhadas por zonas ecológicas. Os pesquisadores demonstraram que, se a Embrapa tivesse seguido o modelo centralizado típico de tantos órgãos brasileiros, teria produzido menos da metade de seus ganhos.

    A combinação desses fatores gerou algo inédito: ciência tropical de ponta, capaz de adaptar sementes, corrigir solos, fixar nitrogênio e reinventar o Cerrado, transformando o Brasil de importador crônico em potência agrícola. Em poucas décadas, o País se tornou referência mundial de produtividade em clima tropical – um feito raro, reconhecido até por concorrentes internacionais.

    Essa trajetória contrasta com a anemia da indústria nacional após décadas de protecionismo, reservas de mercado e políticas industriais erráticas. Enquanto fábricas se tornavam menos produtivas, o agro – ancorado em ciência, competição e empreendedorismo – abriu mercados, bancou a dívida externa e sustentou o crescimento do País. A lição é cristalina: quando o Estado desenha instituições racionais e se afasta da tentação dirigista, o Brasil prospera.

    Mas o estudo chega num momento desconfortável. A Embrapa vive sua década mais difícil. Há dez anos, o custeio anual ultrapassava R$ 800 milhões. Em 2023 e 2024, caiu para a casa de R$ 250 milhões. Não surpreendem os relatos de laboratórios atrasando contas de luz e pesquisadores comprando insumos do próprio bolso. Iniciativas meritórias de parcerias privadas confundem-se com ofertas de fundos pouco transparentes, que podem distorcer prioridades e submeter uma instituição de vocação pública à lógica de grupos específicos. Para um país cuja vantagem estratégica depende de ciência agrícola, essa negligência é um ato de miopia que beira a irresponsabilidade.

    Num mundo pressionado por mudanças climáticas, insegurança alimentar e tensões geopolíticas, o Brasil possui uma vantagem rara: pode expandir a produção agrícola sem expandir o desmatamento. Mas isso exige exatamente o que hoje falta: pesquisa, inovação, biotecnologia, inteligência artificial aplicada ao campo, novos cultivos tolerantes ao estresse climático. A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, alerta que, sem pelo menos R$ 500 milhões anuais de investimentos estáveis, o País sentirá os efeitos em cinco ou dez anos – quando será tarde demais.

    Felizmente, Brasília dá sinais de ter compreendido a dimensão do risco. Em 2025, os repasses federais para custeio e pesquisa subiram para R$ 370 milhões, e a previsão para 2026 é de R$ 410 milhões.

    A escolha, para o Brasil, é simples. Ou trata a Embrapa como o ativo estratégico que ela é – financiando-a com previsibilidade, blindando sua governança e permitindo que continue a produzir ciência tropical de classe mundial – ou aceita perder a liderança construída ao longo de meio século. “A necessidade faz o sapo pular”, dizia Eliseu Alves, mentor da instituição. Hoje, a necessidade é do Brasil, que depende dessa engrenagem científica para sustentar sua segurança alimentar, suas exportações e sua reputação ambiental.

    Se quisermos salvar o futuro, precisamos antes salvar a Embrapa, celebrando seu legado e garantindo os recursos para que ela continue a fazer aquilo que o Brasil, como poucos países – ou nenhum –, conseguiu: combinar produtividade, sustentabilidade e inclusão tecnológica numa das maiores histórias de sucesso do mundo em desenvolvimento.

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