Alexsandro Burnier, PL (22.222), que no segundo mandato se tornou o campeão com 3.429 votos, ou seja, expressivamente obteve 9,43% dos válidos do eleitorado que foi às urnas em outubro do ano passado em Gaspar, não capitalizou – nem em populismos na qual é especialista na tribuna e nas redes sociais, nem institucionalmente, nem em imagem, esta expressiva vantagem que as urnas lhes deram. Impressionante. Nem o PL pode se orgulhar disso.
Ao contrário. Alexsandro apenas usou – e mal – este “capital”, para galgar à presidência da Câmara. Pura vaidade. Certo egoísmo. E de alguma forma, caiu em armadilhas de gente bem mais experiente que ele. Não fez equipe. Não se protegeu. Não entendeu as críticas como avisos. Não separou o joio do trigo. Bancou. Deu no que deu. Ingenuidade, vaidades e teimosias numa bolha.
Alexsandro foi quem quis ser menor. Ele não olhou, como seria natural a um estrategista ou a um estadista – mesmo num município como Gaspar -, para a governabilidade do governo vencedor das mesmas urnas com Paulo Norberto Koerich, PL, e Rodrigo Boeing Althoff, o que estava no PL, divorciou-se de Paulo e foi parar, recentemente, em cerimônia realizada em Florianópolis, como a “nova” estrela do Republicanos, que aqui em Santa Catarina, o puxadinho do PL e das armações ilimitadas de seu presidente, o governador Jorginho Melo.
Um parêntesis necessário. Alexsandro não está sozinho nesta lambança.
O presidente do partido, sem comando e nenhuma liderança no ambiente político da cidade, bem como afinidade com a direita, conservadorismo e o PL – a não ser de amigo de infância dos filhos do presidente estadual do PL -, Bernardo Leonardo Spengler Filho, somando o próprio Paulo e os que lhes cercam como bruxos para as armações internas e principalmente, as externas, possuem culpa em todo este cartório.
Abertas as urnas, eles sabiam que não tinham sequer maioria simples (sete dos 13 votos). Eram cinco do PL e um do União Brasil, que agora se desgarra.
Pior de tudo. Parecia que não tinham também – e vem se confirmando cada vez mais ao longo do tempo – estratégias para lidar com esta situação; não tinham também cartas na manga e não tinham plano B.
Sabiam, porque eu não os considero ingênuos, que ao permitir a eleição de Alexsandro à presidência da Câmara de Gaspar, logo no primeiro ano, normalmente, o mais crucial de todos, lhes faltariam para a governabilidade, não apenas um voto, mas dois. Bingo!
SEM PLANOS, SEM RESULTADOS, SEM REGIMENTO
No artigo de sexta-feira passada deste blog, que não é lido por ninguém como se alega os envolvidos na política e na gestão da cidade, mas estranhamente todos nos antigos e no atual governo de Gaspar remoem e praguejam contra o que escrevo aqui, mostrei isto, mais uma vez. Isto ficou estampado na votação de um simples requerimento realizada na sessão de terça-feira da semana passada.
O ano da graça de 2025 está no fim para alguns, mas especialmente para o presidente Alexsandro. Teremos poucas sessões ordinárias. Talvez uma ou duas extraordinárias de afogadilho para o que está parado lá e o que está por vir por estes dias, como a Reforma Administrativa.
E ao final desta sua presidência, Alexsandro não é mais o herói das mídias sociais que o levou a ser o mais votado, exatamente porque se tornou, por ser governo que ainda não apresentou resultados além de desculpas como a falta de caixa, vidraça. Mais do que isso: Alexsandro, quis continuar vereador do primeiro mandato, entretanto, com status de presidente. Presidente é mais que um simples vereador. É uma qualificação. Ela impulsiona. Valoriza. Mas, enterra, também. Alexandro não traçou metas, não entendeu a importância institucional da função que quis – e ganhou pelos votos de 12 pares. Consequentemente, está sendo diminuído não como presidente, mas como vereador que continuará a ser.
Alexsandro vai ser conhecido pelo que manobrou nos bastidores como presidente da Câmara para dar o “vale marmita” aos vereadores e teve que recuar porque não liderou, não pressentiu o bafo do eleitor e eleitora, e porque na hora agá, por seus próprios pares ficou sozinho com a brocha na mão. Eles, sim, sentiram cheiro de enxofre e pularam fora. Não queriam esta marca, mas queriam a vantagem. O PL e o governo, aceitaram esta mancha.
Se não se cuidar, de como vai encaminhar a cara e atrasada Reforma Administrativa de Paulo no fechar das luzes do seu mandato como presidente, Alexsandro ainda será conhecido como o que aumentou salários de comissionados, dos vereadores e seus assessores. Tudo já está bem armado.
O PENÚLTIMO RETRATO
Eu exagero? Veja a penúltima.
Alexsandro usou a tribuna, mas principalmente a mesa diretora e a presidência – de onde não podia – para se queixar de seus pares, principalmente, do concorrente do seu bairro Bela Vista, Giovano Borges, PSD.
E foi Giovano que jogou na última sessão, mais uma casca banana bem longe e no outro lado da rua para Alexsandro atravessá-la e, para nela, escorregar feio, provando mais uma vez que não se preparou para a função, de que não consegue engolir sapos essencial aos políticos, de que não é político e sim um tiktoker atrás de likes, ou irritado com os críticos e querendo dar o troco.
Pior. Demonstrou, mais uma vez, conhecer minimamente o Regimento Interno da Câmara, regras feitas pelos próprios vereadores para dar disciplina e igualdade de condições entre os vereadores. Se conhece, faz do Regimento, letra morta quando isto bem lhe aprouver.
Alexsandro usou da prerrogativa e da cadeira de presidente da Câmara, sem que pudesse fazer isso, porque o Regimento Interno vedava naquele momento, para combater uma fala dura de Giovano da tribuna no espaço da liderança do PSD. Constrangimentos. As assessorias técnicas sem saber o que fazer e orientar.
E quem salvou e encerrou a noite? O último vereador que ainda tinha espaço de fala na tribuna naquela sessão, que veio logo a seguir da escorregada de Alexsandro e não, deixou passar em branco, em nome da normalidade e se vestiu de sensato, Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Ufa!
Não vou me estender mais neste assunto. Abaixo está a manifestação do vereador Dionísio a respeito de mais uma, entre muitas, derrapadas de Alexsandro como presidente da Câmara de Gaspar. E depois eu é que sou inconveniente, que minto, que exagero. Eu apenas não escondo o que outros, figem não ver e ouvir. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Renda e Turismo de Gaspar, Nelson Mário Küstner, já pediu para sair. Está tudo ajustado no governo, apesar do seu nome continuar no Portal da Prefeitura. Não foi indicado ainda o seu substituto. Todavia, o angu que deu origem à sua saída continua fervendo na Câmara de Vereadores.
Dois requerimentos, um de Giovano Borges, PSD, e outro de Roni Jean Muller, MDB, que algum momento do governo passado teve que fazer este tipo de aluguel, apareceram na Câmara de Gaspar, pedindo mais explicações sobre as gestões anteriores. Mas, o requerimento que baterá o martelo, será a resposta que a Celesc está devendo ao vereador, Dionísio Luiz Bertoldi, PT: quando ela interferiu lá na Arena para a instalação do transformador. E se não vier com o que se testemunhou -e se guardou provas -, vai respingar no governador Jorginho Melo, PL, com ares de notícia nacional.
Perguntar não ofende. O que é feito daqueles milionários “bueiros inteligentes” comprados na gestão de Kleber Edson Wan Dall, MDB e que foram parar estoques em almoxarifados improvisados da prefeitura de Gaspar? Vão ser “doados” como foram as floreiras para algumas escolas? O que está por detrás deste passar pano neste tipo de desperdício dos pesados impostos dos gasparenses sem que ninguém tenha sido responsabilizado até agora?
Então. Eu registrei aqui há tempos que o Clube Country Bela Vista tinha fechado uma rua e “incorporado” ela ao seu patrimônio, sem que houvesse a devida desafetação e o município sido compensado daquilo que é público. Pressão contra a minha observação. Agora, a rua está “reaberta” parcialmente. O Clube mudou as cercas. Entenderam a razão pela qual os amigos do prefeito deixam-no exposto nos objetivos pessoais deles?
Abrindo brechas pontuais. A Lei Complementar 66 de 30 de novembro de 2015 permitia, sob algumas condições, a regularização por dez anos de construções irregulares diante da Legislação da época em que foram feitas. O prazo se encerra neste final de mês.
Um Projeto de Lei complementar, o 11/2025, aportou na Câmara de Gaspar e vai esticar o prazo para 12 anos para este tipo de pedido de regularização. E abre brechas para pareceres jurídicos oficiais, inclusive os que já foram contestados na Justiça. Há muita gente de olho nesta manobra.
Uma página do Facebook que era por anos, claramente, pró PT em Gaspar, depois de uma hibernação iniciada após as eleições de outubro do ano passado, voltou à atividade. E já provocou fortes reações na cidade a ponto do ex-dono dela se explicar nas redes sociais. E por quê? Ela “voltou” como apoiadora do PL e do atual governo. E se apagou o passado. Um belo cavalo de pau e que você nunca viu, por décadas, aqui. E não verá.
Repetição do mesmo. Os projetos de ordem tributária que aportaram e estão em tramitação na Câmara de Gaspar, mostram, claramente, que quem não cumpriu nos prazos as suas obrigações com a tesouraria da prefeitura, está sendo premiado e os pagadores pontuais, sendo chamados de trouxas. Estes Projetos de Lei, estão sendo propostos, mais uma vez, segundo os argumentos da prefeitura, para promover a regularização de quem faltou com a pontualidade, muitos deles, contumazes e sempre a espera de Refis, e para aumentar a arrecadação, suprindo uma queixa de caixa baixo.
Nesta quinta-feira é feriado nacional da Consciência Negra e de Zumbi. Mas, estamos longe de vencermos os preconceitos e medos. Gaspar tem uma das mais maiores e sólidas comunidades pretas do Vale do Itajaí. E na Câmara está uma representante dela, a vereadora Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP. Quando a Câmara, a pedido do vereador Giovano Borges, PSD, pediu e teve aprovado o requerimento para a realização da audiência pública para discutir o descarte de restos de alimentos e animais mortos em locais públicos da cidade, foi fortemente contestado por Mara e que apontou preconceito no pedido de audiência contra religiões de matriz africana.
O foco era, na verdade, o Cemitério Municipal do bairro Santa Terezinha. A previsão da vereadora Mara Lúcia Xavier da Costa dos Santos, PP, não se concretizou. As organizações e entidades de pretos e religiosas com matriz africana foram ao diálogo e ao esclarecimento na referida audiência pública. Foi uma das melhores do ano. Os representantes desses grupos se disseram contrários aos tais descartes, que não os fazem e que estão interessados nos esclarecimentos tanto como os demais gasparenses. Mara ficou isolada na sua preocupação.
Foi-se o dia em que se enchia uma sala para uma entrevista coletiva do governo de Gaspar. Primeiro, os veículos não possuem mais equipes. Segundo, todos já sabem as respostas das perguntas.
Este é o único artigo da semana. As atualizações dos comentários continuará. Vou me entregar ao ócio de ler documentos. Cabeludos. Muda, Gaspar!
29 comentários em “ALEXSANDRO CHEGA AO FIM DO MANDATO DE PRESIDENTE DA CÂMARA DE GASPAR, SEM ENTENDÊ-LO NA IMPORTÂNCIA, LIDERANÇA E LITURGIA QUE ESTE CARGO REQUER DO SEU TITULAR. NÃO TERÁ A MÍNIMA INTERFERÊNCIA NA SUA SUCESSÃO. SERÁ MAIS UMA FOTO NA GALERIA DOS EX”
CURIOSIDADE PROPOSITAL, por Merval Pereira, no jornal O Globo
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro foi provocada por uma “curiosidade” infantil de saber como funcionava a tornozeleira eletrônica que carrega na perna, alegou ele. Tal “curiosidade” irresistível ocorreu na madrugada, pouco depois da meia-noite, e foi detectada pelo equipamento de recepção dos sinais da tornozeleira na Polícia Federal. Usar um ferro de solda para tal ação demonstra não sinais de que preparava uma fuga, mas talvez que tenha feito de propósito essa violação para provocar uma reação política de seus seguidores.
Não há outra explicação para tamanha irresponsabilidade, que significa uma confrontação com a decisão judicial que o colocou em prisão domiciliar. É típico de Bolsonaro essa afronta, que sempre foi seguida de um pedido de desculpas, uma alegação de que estava transtornado pela “injustiça” que estão cometendo contra ele.
Não é possível comparar a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro com o que aconteceu com o então ex-presidente Lula quando foi preso pela Polícia Federal. Naquela ocasião, ao contrário de Bolsonaro hoje, Lula não estava preso, mas era esperado o pedido de prisão quando ele foi condenado em segunda instância. Fazer vigília para proteger seu líder é atitude comum entre os seguidores dos políticos populistas, e foi o que aconteceu no Sindicato dos Metalúrgicos. Houve quem estimulasse que Lula fugisse para uma embaixada para pedir asilo, ou que resistisse à prisão nas dependências do sindicato que já presidira. Nada disso aconteceu,
Lula demorou a se entregar, mas nunca ameaçou não o fazer. Lembro que o então juiz Sérgio Moro também resistiu às sugestões de invadir o Sindicato para fazer a prisão, o que teria sido desastroso. Hoje, Bolsonaro já estando preso, reage à ordem da Justiça tentando desativar sua tornozeleira eletrônica. Claro que ele sabia que a tentativa seria detectada pela Polícia Federal, e a atitude só pode ser interpretada como proposital, para demonstrar sua indignação com as prisões. Uma atitude política que não levaria à fuga para uma embaixada próxima, mas a um alerta policial que rapidamente cercaria seu condomínio.
Não há injustiça nenhuma na decisão do ministro Alexandre de Moraes em determinar sua prisão preventiva, que logo se transformará em definitiva com o trânsito em julgado de sua condenação. Difícil vai ser conseguir uma nova prisão domiciliar, pois ele já demonstrou que não se conforma com ela e pretende continuar a tentar se safar da condenação. A vigília em frente ao seu condomínio em Brasília não difere da vigília que foi feita em Curitiba diante do prédio da Polícia Federal onde Lula ficou preso. O policiamento tem condições de limitar o transtorno causado aos vizinhos, que não deveria ter sido usado como mais um agravante para a prisão preventiva.
Se antes desse episódio já havia dificuldade para determinar a prisão domiciliar, agora ficou mais difícil defendê-la por questões de saúde. A reação dos Bolsonaro indica que não pretendem se conformar com a prisão do pai e líder. Mais uma vez estão se insubordinando contra a lei, abandonaram o caminho dos recursos judiciais para seguir na contestação pura e simples da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Dão margem aos adversários de os acusarem de estar mais uma vez tentando a solução de seus problemas fora da lei, um prosseguimento da atitude golpista que os levou para a cadeia. Agora que o grande aliado, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump os abandonou, já inteirado de que não têm poder para contestar a decisão oficial, os bolsonaristas passam a apelar a atitudes contestatórias, desafiando as normas legais.
Reafirmam, assim, que não trabalham “dentro das quatro linhas” da Constituição, mas à margem dela. E o STF não é Supremo por ser a mais alta Corte de Justiça do país, como muitos de seus membros alegam, mas por ser o guardião da Constituição, esta sim, a Lei Suprema.
ALCOLUMBRE NO ESTILO EDUARDO CUNHA, por Elio Gaspari, no jornal O Globo e Folha de S. Paulo
Duas horas depois da indicação do advogado-geral da União Jorge Messias para a cadeira vaga no Supremo Tribunal Federal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou que vai pautar um projeto que regulamenta as aposentadorias de agentes de saúde.
Aprovado, será um tiro de bilhões nas contas do governo. Segundo o deputado Antonio Brito, relator do projeto, serão gastos R$ 5 bilhões federais até 2030. Já a Confederação Nacional de Municípios estima que sejam R$ 21,2 bilhões municipais.
Sem tirar nem pôr, é uma pauta-bomba, ao estilo de Eduardo Cunha detonando Dilma Rousseff.
Alcolumbre e muitos senadores foram contrariados com a escolha de Jorge Messias para o STF. Jogando pelas regras, o Senado pode rejeitá-lo. Se não der, pode escolher uma outra vítima, expondo sua insatisfação.
Pauta-bomba, gerando despesas, é teatro ou, na pior das hipóteses, jogo sujo. Eduardo Cunha jogou-o em 2015 e quebrou as pernas de Dilma. Por outros motivos, acabou na cadeia, até que em 2013 o STF aliviou-o.
Alcolumbre e alguns senadores queriam a indicação de Rodrigo Pacheco, ex-presidente da Casa. Não deu, paciência.
O gesto de Alcolumbre tisna a pauta do Senado dando-lhe um cheiro de arma de conveniência.
Resta outro cenário. A pauta-bomba de Alcolumbre seria teatral, esperando que o Planalto lhe peça um refresco. Nesse caso, seria teatro de segunda.
UNIÃO DESUNIDA
A federação que soldaria o Partido Progressista ao União Brasil subiu no telhado.
EREMILDO NA COP
Eremildo é um idiota e encantou-se com a fala do ministro do Turismo, Celso Sabino, em Belém quando ainda se sentia o cheiro do incêndio: “Isso poderia acontecer em qualquer lugar do planeta”.
(Inclusive na casa do doutor, mas aconteceu num pavilhão da COP.)
FARIA LIMA BREGA
Daniel Vorcaro entrou pela porta dos fundos na história das fraudes financeiras de Pindorama. Pela porta da frente ele se tornou um modelo do estilo Faria Lima Brega, variante rica do Pobre-Chique.
Lá atrás, Steve Jobs, criador da Apple, inovou com seu estilo esportivo. Bilionário, como Bill Gates não tinha diploma universitário, vestia jeans e camiseta. Esse modelo azedou em 2015, com a jovem bilionária Elizabeth Holmes, criadora da empresa de análises clínicas Theranos. Ela tinha abandonado a Universidade de Stanford, vestia jeans e camiseta, mas era uma vigarista. Está na cadeia, ralando uma pena de 11 anos.
Marombado, Vorcaro tinha uma pequena academia no prédio do Master. Quase sempre de roupa esporte, mantinha jatos no hangar de Guarulhos e casa na praia de Trancoso. Namora uma empresária que vende produtos para retardar o envelhecimento.
Banqueiros podem ter estilo. Amador Aguiar (1904-1991), criador do Bradesco, não usava meias. Já seu rival, Walther Moreira Salles, criador do Unibanco e pai do cineasta, vestia-se com raro apuro.
BANDIDOS
Admitindo-se que cada um dos 121 “suspeitos” vitimados na matança da Penha fosse um bandido que movia R$ 10 milhões por ano, aqueles perigosos cidadãos traficavam R$ 1,21 bilhão por ano.
Numa de suas tacadas, o banco Master, de Daniel Vorcaro, enfiou R$ 2,6 bilhões de papéis podres na Rioprevidência.
O governo de Cláudio Castro pode se orgulhar de sua boa pontaria.
FAROFAS ILUSTRES
As farofas de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal cobraram seu preço com a liquidação do Banco Master.
O professor Conrado Hübner Mendes listou eventos patrocinados pela plutofilantropia de Daniel Vorcaro. Tudo no circuito Elizabeth Arden:
“Em 2022, no Lide Brazil Conference, de Nova York, Vorcaro financiou jantar de gala para ministros Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski e mais dezenas de pessoas. O Banco Master não estava anunciado como patrocinador oficial, mas havia dinheiro de Vorcaro.
Em 2023, no 1º Fórum Esfera Internacional, realizado em Paris, na presença de Barroso e Gilmar, Vorcaro elogiou o STF como ‘guardião da democracia’.
Em 2024, no 2º Fórum Esfera Internacional, ali perto em Roma, com Toffoli, Lewandowski, Barroso (…) no recinto, Vorcaro palestrou e alertou que o governo precisava resolver o ‘buraco das contas públicas’.
Em 2024, em Londres, por ocasião do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado pelo Grupo Voto com patrocínio do Banco Master, Gilmar, Moraes, Toffoli e Lewandowski ofereceram suas próprias ideias a esse fórum de ideias do encontro lobístico.”
Vale listar os ministros do STF que não foram a essas farofas: Edson Fachin, atual presidente da corte, Cármen Lúcia, Luiz Fux, Cristiano Zanin, André Mendonça e Nunes Marques.
BOLSONARO PEDIU PARA SER PRESO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, é a consequência jurídica de um fato objetivo: o ex-presidente tentou destruir a tornozeleira eletrônica que o mantinha em regime de prisão domiciliar. Não se trata de suposição ou interpretação criativa da lei. Bolsonaro admitiu à Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal que utilizou um ferro de solda para tentar abrir o equipamento por “curiosidade”. Ora, além de inverossímil, essa justificativa é irrelevante para o Direito. À luz do art. 312 do Código de Processo Penal, está-se diante de uma inequívoca violação de medida cautelar, ou seja, base sólida para a ordem de prisão em regime fechado expedida por Moraes.
Desde agosto passado, Bolsonaro vinha sendo monitorado permanentemente, tanto pela Polícia Federal (PF) como pelo sistema eletrônico. A prisão demonstra a eficácia do mecanismo: a tornozeleira acusou funcionamento anômalo na madrugada de sábado, o centro de monitoração comunicou o fato ao STF e Moraes pôde agir com base em um dado preciso e ao fim confessado. Sem esse sistema, decerto o mau comportamento de Bolsonaro poderia ter passado despercebido, abrindo perigosa margem para sua fuga.
A destruição do equipamento, comprovada por vídeo, ocorre a poucos dias do trânsito em julgado da Ação Penal 2.668, na qual Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes. Após a certificação do fim do processo, será expedido o mandado de prisão para início do cumprimento da pena em regime inicialmente fechado. O momento, portanto, é eloquente. Bolsonaro sabia que sua situação penal se aproximava de um ponto decisivo e, ainda assim – ou talvez por isso – violou a medida cautelar que lhe permitia permanecer em casa.
Não é a primeira vez que Bolsonaro demonstra inclinação a se esquivar da aplicação da lei penal. Recorde-se que, entre os dias 12 e 14 de fevereiro de 2024, o ex-presidente passou duas noites na Embaixada da Hungria após uma operação da PF, que à época investigava sua participação na trama golpista. A entrada sorrateira numa representação diplomática, sem justificativa de Estado plausível, só pode ser compreendida como um ensaio de fuga. Esse histórico agora pesa. Um condenado que já buscou abrigo imotivado numa embaixada no meio da noite não pode pretender que o Judiciário ignore esse precedente ao avaliar o risco de evasão.
Também não é de ignorar a coincidência entre a violação da tornozeleira e a convocação, pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de uma “vigília” no condomínio do pai, marcada para a noite do mesmo dia. Malgrado a responsabilidade pela dispersão de eventual aglomeração que atrapalhe a vigilância do local seja da polícia, não se pode condenar quem veja a combinação das atitudes de Bolsonaro e de seu primogênito como um movimento coreografado. Nesse sentido, não é irrazoável o entendimento da PF, da Procuradoria-Geral da República e de Moraes de que a tal “vigília” pudesse criar uma confusão que desse azo à fuga. A prevenção existe justamente para neutralizar a possibilidade de que o pior aconteça.
A decisão de manter o ex-presidente em sala de Estado na sede da PF em Brasília observa, ainda, sua frágil condição clínica. Moraes procedeu corretamente ao autorizar que a equipe médica que acompanha Bolsonaro tenha acesso irrestrito a ele, sem necessidade de autorização prévia do Supremo. Trata-se de medida a um só tempo prudente e coadunada com a legislação aplicável a presos em situação especial, como Bolsonaro.
A prisão preventiva de Bolsonaro, por todas as razões de fato e de direito que a consubstanciaram, não foi excessiva nem tampouco abusiva. Foi a resposta jurídica adequada a um quadro concreto de risco de fuga e reincidência. Por fim, o zelo na manutenção de Bolsonaro em sala especial à qual foi franqueado o acesso de médicos reafirma que o STF agiu com proporcionalidade, precisão técnica e respeito às garantias legais do condenado. Ao aplicar a lei com firmeza, mas sem arbitrariedades, a Justiça cumpre o papel que lhe cabe: assegurar que até mesmo um ex-presidente da República condenado por sedição responda por seus atos dentro das balizas do Estado de Direito.
BOLSONARO, A VÍTIMA DELE MESMO
Olhando o noticiário e o patético vídeo vazado pelo STF sobre inspeção da tornozeleira do capitão do Exército, ex-deputado Federal por quase infinitos mandatos sem expressão do eleitorado fluminense e ex-presidente da República com características de mando absoluto, Jair Messias Bolsonaro, PL, está claro de que, ele foi pego, mais uma vez, naquilo em que é especialista: o de violar as regras do jogo (as tais dentro das quatro linhas, mas as dele), quando ele não concorda, ou mesmo que elas, as regras, sejam injustas (e eu achava isso em até em certa medida, mas ele mesmo dá provas que precisa dessas injustiças para ser um sobrevivente à sua galera).
Há uma compulsividade de Jair Messias Bolsonaro, inclusive para ser vítima e dela tirar proveito. É indisciplinado reiterado por natureza. Foi por essa indisciplina calculada, que saíram com ele do Exército (história que gosta de esquecer ou distorcê-la, para, mais uma vez, ser produto de uma injustiça). Nas Forças Armadas, não do Brasil, como característica dela, a linha hierárquica se estabelece na disciplina sem questionamentos. Esta é a regra do jogo de quem entra nela. Não se questiona depois de entrar nela. Ponto final.
E Jair Messias Bolsonaro sabia disso, quando entrou e tentou a carreira interrompida em algo que lhe deu concessão, que quase todos, em atos iguais, nunca ganharam desse mesmo Exército. Não vou remoer este assunto por demais conhecido e explorado.
Jair Messias Bolsonaro é vítima dele mesmo, da família – seus filhos com ideias radicais, imperiais e ampliadas por dúvidas frequentes – que criou com este espírito. Jair Messias Bolsonaro viu uma onda e transformou a oportunidade em oportunismo. Ele traiu os da direita conservadores e até os liberais para se estabelecer num ambiente de poder e egoísmo familiar, com precedentes na história da presidência da República e se sabe o que aconteceu e os resultados disso.
Jair Messias Bolsonaro é um ingrato, acima de tudo.
Santa Catarina, por exemplo, proporcionalmente lhe deu mais votos que os demais estados da Federação e paga caro nesta na imagem por esta escolha e decisão majoritária do seu eleitorado. Quando presidente, ao estado de Santa Catarina que está entre os primeiros em arrecadação para a União, Jair Messias Bolsonaro deixou Santa Catarina à míngua.
Não para aí. Queria um senador para chamar de seu. Ofereceu o carioca Jorge Seif Júnior, PL. Foi eleito. Zero de identidade e defesa do estado de Santa Catarina. Uma confusão atrás da outra em defesa do bolsonarismo. É só ver o que fez com a correligionária, mas catarinense, Ana Carolina Campagnolo, PL. O pecado dela? Pensar, ter voz e luz própria.
Jair Messias Bolsonaro na sua ânsia de poder político familiar, queria nele o filho sem chances alguma na política do seu domicílio eleitoral, o Distrito Federal. Jair Renan foi eleito, vereador zero por Balneário Camboriú. Agora, Jair Messias Bolsonaro o quer em Brasília com a família. E Jair Renan está vestido de candidato a deputado Federal, para uma das 16 vagas que deveriam ser 20 pela Constituição, mas que a família Bolsonaro não mexeu um fósforo para isso, porque seu Rio de Janeiro dos milicianos, perderia quatro vagas de deputados. Santa Catarina tem 16 vagas de deputados Federais. Se Jair Renan for eleito, terá, efetivamente, em defesa das coisas catarinenses, apenas 15. Cinco a menos.
Agora, Jiar Messias Bolsonaro quer o vereador carioca zero, Carlos Bolsonaro, PL, como senador, para a defesa familiar e vingança contra o STF – que se fecharia na opinião do outro irmão Eduardo com um Jeep, um cabo e dois soldados – não pelo estado do Rio de Janeiro, onde não tem mais votos para isso e atrapalharia o outro filho senador, o Flávio, mas por Santa Catarina. Noves fora, Santa Catarina já possui um senador a menos (Seif), que arrumou em nome de Jair Messias Bolsonaro arrumou confusão e dividiu conservadorismo estadual. Agora, corre o alto risco de ter outro senador sem a identidade e prioridades com as coisas barriga-verde, tudo porque Jair Messias Bolsonaro e a sua família resolveram alugar, sem respeito e discernimento algum, como se fosse gado no brete, o eleitorado de Santa Catarina para as questões pessoais de poder.
Bolsonaro e o bolsonarismo, inclusive o catarinense, colhem o que plantou. Restou violar a tornozeleira, como passatempo contínuo para se expor como vítima de um jogo de poder que está perdendo
SENADO TEM BONS MOTIVOS PARA REJEITAR MESSIAS NO STF, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Jorge Messias ficou nacionalmente conhecido em 2016, quando foi incumbido pela ainda presidente Dilma Rousseff (PT) de entregar a Luiz Inácio Lula da Silva um termo de posse como ministro da Casa Civil. A manobra, frustrada por liminar de Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, daria a Lula, acossado por investigações de corrupção, foro especial no Judiciário.
É na mesma condição de homem de confiança que Messias recebe agora do chefe a indicação para ministro do STF —a condição que já o levou ao comando da Advocacia-Geral da União (AGU) e a diversas outras funções em gestões petistas.
Vá lá que fidelidade e alinhamento político sejam critérios aceitáveis para o preenchimento de cargos estratégicos no gabinete presidencial. Nunca o serão, porém, quando se trata de escolha para a mais alta corte do país.
Em seu terceiro mandato, Lula aprofunda uma prática funesta que aprendeu com o antecessor, Jair Bolsonaro (PL), e aprofundou. Ambos se puseram a aparelhar o Supremo com nomes de menor qualificação jurídica e maior gratidão ao padrinho, enfraquecendo uma instituição republicana essencial e a independência entre os Poderes.
Se Bolsonaro é um autoritário convicto, Lula aprendeu a lição errada e se esqueceu dos acertos de seus dois primeiros mandatos. Por mais que a corte tenha acumulado contradições ao sabor dos ventos políticos nos últimos anos, os ministros selecionados por mérito em gestões petistas anteriores mostraram maiores altivez e independência em momentos cruciais como o julgamento do Mensalão e o impeachment de Dilma.
É perfeitamente legítimo que um presidente indique para o posto alguém com quem compartilhe valores e visões de mundo —há juristas das mais diferentes inclinações à disposição. Nesses casos, a garantia de permanência no tribunal até a aposentadoria compulsória tende a fortalecer a autonomia do escolhido.
Coisa muito diferente é apontar subordinados diretos, amigos e aliados políticos de longa data, como se o STF fosse uma extensão do palácio de governo. Bolsonaro quis um evangélico, André Mendonça; Lula, seu advogado pessoal, Cristiano Zanin.
O freio a essa ambição presidencial espúria, conforme definido pela Constituição, é o Senado Federal, ao qual cabe sabatinar os indicados e deliberar sobre sua aprovação. Há bons e maus motivos para que, desta vez, tal processo não transcorra como uma mera formalidade.
De menos nobre, a cúpula da Casa legislativa já demonstrou sem maiores sutilezas a preferência por um dos seus, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que a chefiou entre 2021 e o início deste ano. Foi apenas essa pressão que retardou o anúncio oficial da indicação de Messias, há muito decidida.
Acima do corporativismo reles, compete aos senadores fazer valer a exigência de “notável saber jurídico” imposta pelo texto constitucional aos ministros do Supremo e, sobretudo, inibir novas afrontas do presidente de turno à independência da corte.
ONIPRESENÇA MASTER, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Ninguém levanta pirâmide como a que o Banco Master armou sem amigos influentes no poder. Nos poderes. No Banco Central? O BC, ainda que agindo bem afinal, demorou a agir. A propósito: o cronista não viu ministros do Supremo comentando o escândalo. Falam sobre todos os temas da República, inclusive aqueles a serem julgados no tribunal – e, desta vez, nada.
Dedicado patrocinador de eventos lobistas, o Master sempre soube contratar consultores. Só em “consultoria jurídica” foram empregados cerca de R$ 250 milhões em 2024. A banca tocada pela esposa de Alexandre de Moraes prestou-lhe serviços. Ricardo Lewandowski também, no intervalo entre sair do STF e se tornar ministro da Justiça de Lula. Outro consultor: Guido Mantega.
Ninguém levanta pirâmide como a do Master sem distribuição ecumênica dos afetos, do lulopetismo de oportunidades ao bolsonarismo de resultados. O senador Ciro Nogueira assinaria requerimento por CPI sobre a operação entre Master e BRB? E Jacques Wagner? A história de ascensão do banco passa pela Bahia petista e o governo de Rui Costa. A história da tentativa de compra do Master pelo BRB – o próprio fim do governo Ibaneis Rocha no Distrito Federal – passa por pressões que exigem investigação. O fim – o ocaso – do governo Ibaneis não pode amainar a perseguição pelos fins do esquema.
Cadê a mobilização por CPI? Quem colhe assinaturas? Teria de ser apurado o caso do fundo previdenciário do Amapá, que jogou grana de aposentadoria no Master e cujo gestor foi indicado por Davi Alcolumbre. Teria de ser apurado o caso do Rioprevidência, fundo de pensão do Estado do Rio de Janeiro, que, admite-se, despejou quase R$ 1 bilhão dos servidores em letras de crédito do banco; volume que, segundo o Tribunal de Contas do Estado, seria bem maior, mais que o dobro, num fluxo de aportes que ignoraria os vários alertas. Dinheiros sem garantia e que viraram pó.
O cronista de súbito se lembrou de Izalci Lucas, ora filiado ao bolsonarista PL, partido do governador fluminense Claudio Castro. O senador pelo DF desistiu de seu pedido por criação de CPI sob a alegação de que a compra do Master não geraria risco ao BRB. Isso foi em abril deste 2025, quando risco já era mesmo coisa do passado; o prejuízo se impondo, concretamente, de bilhão em bilhão: um banco estatal que comprava créditos inexistentes de banco privado cuja liquidez escoara desde que a casa dos CDBs fiados no FGC tinha caído; e que os compraria mesmo depois de o BC haver proibido a aquisição do Master.
O banco sem liquidez, especialmente a partir de 2024, e BRB e Rioprevidência lhe comprando – entre 2024 e 25 – carteiras de créditos fantasmas e letras de crédito. Acaso? A liquidação não pode liquidar o problema. Não serão somente crimes contra o sistema financeiro. O troço fede a corrupções ativa e passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisa, conluio de agentes públicos com o setor privado – e por aí vai. Vai?
Lembranças de uma Tragédia – 17 ANOS!!!
O Vale do Itajaí, sempre conviveu com as adversidades climáticas, desde a chegada dos primeiros Imigrantes em 1830, sejam eles Alemães e ou Italianos. Um das primeiras obras foi a construção da Estrada de Ferro, que ligaria o Alto Vale até a Foz do Rio Itajaí, a cota da grande cheia de 1911 do Rio do Itajaí Açú, serviu de referência para a referida construção e até hoje baliza os investimentos.
As cidades foram crescendo e ocupando cada vez mais áreas, mas sempre a questão da preservação ambiental esteve presente. Na década de 80 nós tivemos as duas grandes cheias, que causaram enormes prejuízos e desencadeou a realização de obras, barragens, dragagens dos Ribeirões e do Rio Itajaí Açú. Bem como as novas ocupações urbanas foram redefinidas.
Sempre a questão da Defesa Civil, foi colocada em segundo plano. As Comunidades, as Prefeituras, o Governo Estadual e o Governo Federal nunca se motivaram em se organizar, treinar e montar as Equipes para atenderem as emergências climáticas. Assim mesmo com as Matas preservadas, o solo preservado e agricultura no Vale do Itajaí em franca expansão, reflorestamentos implantados, o crescimento urbano e populacional tendo ocorrido.
Tivemos a MAIOR TRAGÉDIA CLIMÁTICA DE SC EM 2008, vale lembrar que choveu muito, nos 100 dias que antecederam os piores dias vividos, nos meses de agosto, setembro e outubro no ano 2008.
Foi uma mistura de enxurradas, enchentes, deslizamentos, escorregamentos e soterramentos com um total de 21 vítimas fatais e todos os 21 bairros atingidos. Um caos e confesso ficamos meio perdidos e atônitos nos primeiros dias.
Somado a tudo isto uma explosão da tubulação da SC Gás, seguido dq queda de um trecho da BR 470, explosão do GASODUTO TBG, na Rua Pedro Krause, bairro Belchior Alto e um grande número de desabrigados e desalojados em Gaspar, Ilhota, Luiz Alves e Blumenau. Sem esquecer que o Complexo dos Baús (Morro do Baú), Vale da Fumaça (Belchior) e Morro do Aço (Luiz Alves). Ainda tinhamos uma Torre de Telefonia, no morro do Samae, ameaçando cair na Avenida das Comunidades e muitas Vias Urbanas, Vicinais, Estadual e Federal interrompidas.
O mais importante foi a solidariedade do nosso povo, a união de esforços, doações em grande quantidade, o voluntariado e dedicação de todos para que nós pudéssemos colocar a Cidade de Gaspar e seus habitantes em segurança, claro buscando a tender a todos as solicitações e emergências. Tudo isto só foi possível com a doação de cada um dos voluntários, órgãos estaduais e federais, servidores públicos, clubes de serviços e entidades, sem esquecer a classe empresarial.
Temos os ainda muitos desafios para os próximos anos, quer seja atualizar carta de cheias e as cotas de enchentes, treinamento da população e acima de tudo continuar equipando a Defesa Civil com profissionais qualificados e com os equipamentos modernos necessários. Encerro agradecendo a cada um e a cada uma que pode colaborar naqueles 40 dias intermináveis e que até hoje ainda estão envolvidos. Também precisamos confortar quem perdeu entes queridos em 2008, que Deus os proteja.
Adilson Luis Schmitt
Ex Prefeito de Gaspar.
A pergunta é: o que mudou de lá para cá, para mitigar esta trágica lição? As mesmas áreas de riscos vão, gradativamente, com ajuda dos políticos, sendo ocupadas para desatino do destino
QUANDO A VIRTUDE CEGA, por Pablo Ortellado, no jornal O Globo
A Bienal de São Paulo anunciou o cancelamento de uma atividade que aconteceria no dia 6 de novembro, no contexto da COP30, reunindo a princesa Esmeralda da Bélgica e o fotógrafo João Farkas. Os dois fariam um debate sobre arte e conservação ambiental. João Farkas é fotógrafo, autor do livro “Amazônia ocupada”. Esmeralda de Réthy é jornalista e ativista ambiental, presidente do Fundo Rei Leopoldo III para Exploração e Conservação da Natureza.
A atividade foi cancelada por pressão do curador-geral da Bienal, o camaronês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, ele alegou que, mesmo reconhecendo o papel da princesa na defesa dos direitos humanos, seu parentesco com o rei Leopoldo II da Bélgica constrangeria 80% dos artistas da Bienal, que vêm da diáspora africana.
O rei Leopoldo II, tio-bisavô de Esmeralda, foi responsável por alguns dos piores abusos coloniais registrados na África. Sob seu domínio, milhões de congoleses foram submetidos a trabalho forçado, tortura, mutilações e execuções, num regime que empregou violência brutal para a extração de borracha e marfim.
Em nota, a Bienal informou que o cancelamento foi motivado pelo “conflito entre o trágico passado colonial belga e os temas abordados pela exposição”. É difícil saber o que preocupa mais: a decisão da Bienal ou o silêncio do meio artístico.
Chegamos a um ponto inquietante. Passamos a aceitar, quase sem escândalo, que uma instituição cultural possa estigmatizar publicamente uma ativista ambiental pelos feitos de um tio-bisavô. Em entrevista à Folha, Esmeralda precisou lembrar o óbvio:
— Não somos responsáveis por nossos ancestrais.
A discussão — legítima — sobre reparações coletivas pelo legado da escravidão acabou levando a uma distorção perigosa. Indivíduos podem ser moralmente responsabilizados pelas ações de bisavós e tataravós. Esse deslocamento, que confunde justiça histórica com vínculos genealógicos pessoais, revela a profundidade da nossa desorientação. Afinal, quem estaria disposto a vasculhar a vida dos antepassados e assumir o estigma moral correspondente?
A degradação do debate tem uma raiz clara: o medo. Vivemos num mundo regido pelas regras morais das guerras culturais. É um mundo em que queremos estar do lado certo e não queremos ser acusados de hesitar ou tergiversar.
Do lado progressista dessa batalha, queremos ser feministas, queremos ser socialmente conscientes e queremos ser antirracistas. Não se trata mais — como na velha política — de se posicionar em relação a determinadas políticas, mas de adotar uma postura de retidão moral que nos faz bons diante dos maus: os machistas, os racistas e os fascistas.
Nesse mundo moral binário, ninguém pode vacilar. A ponderação, a dúvida e a reticência são signos de fraqueza moral. Sinalizam que alguém não é bom ou não é inteiramente bom. Essa dinâmica nos transforma em reféns do radicalismo dos ativistas. Eles sabem que qualquer objeção pode resultar em excomunhão. E, uma vez marcado, o contestador não encontrará quem o defenda. Torna-se tóxico, e qualquer vínculo com ele é lido como desvio moral. É a dinâmica religiosa da caça às bruxas do século XVII.
Episódios absurdos como o da Bienal não podem mais passar em branco. Eles revelam quanto nos acostumamos a caminhar em silêncio diante de arbitrariedades travestidas de virtude. Precisamos recuperar a coragem de contestar o absurdo quando ele aparece, mesmo quando isso significa desafiar os dogmas vigentes no nosso meio social. Está na hora de mostrar que o rei está nu.
GOVERNO DO EU SOZINHO, por Vera Magalhães, no jornal O Globo
Lula resolveu testar, na reta final do terceiro mandato, um novo estilo de governar: autossuficiência na adversidade. É o tipo de opção que cai bem em filmes de ação, aqueles em que o herói se vê sozinho na mata ou num país hostil e resolve enfrentar bandidos, zumbis ou a Yakuza na base do “eu sozinho”. Para governar, não parece ser uma receita muito boa.
As coisas vão mal com a Câmara, e o Senado parece ser o último bastião de (mínima e circunstancial) governabilidade? Então vamos implodir as pontes também com o Senado. Parece ter sido esse o raciocínio a recomendar ao presidente a ideia de designar para o STF o candidato rival do preferido de Davi Alcolumbre no exato momento em que tramita na Casa presidida por ele um dos projetos mais importantes para o governo no palanque de 2026.
Como a ideia é dinamitar apoios em todos os lados, que tal confirmar a indicação de Jorge Messias, um homem branco, exatamente no Dia da Consciência Negra? Brilhante, não? Pode parecer que essas questões são filigranas. Mas, para um governo que navega pelo Congresso em franca minoria desde a largada, e viu a situação se agravar de dois anos para cá, não são.
Numa das várias reuniões em que o tema da disputa pela vaga no STF foi levantado, Lula ouviu alertas sobre o risco de comprar briga com Alcolumbre no momento em que o Senado é o único porto mais ou menos seguro para o Executivo. Perguntou, então, a ministros e líderes com quantos votos o governo conta na Casa. Ouviu uma contabilidade pseudotranquilizadora, em que PSD e MDB apareciam como partidos fechados com ele. O arauto das boas notícias só omitiu que essas bancadas seguem a liderança de Alcolumbre, não do Planalto.
Apesar disso, Lula parece ter resolvido medir forças com aquele que vem tentando ajudar sua gestão. Um aliado incrédulo se perguntava nesta quinta-feira se haveria alguma pesquisa em que o governo tem 80% de aprovação e não a estão mostrando para ninguém.
A nomeação de Messias já era esperada, e há alguns dias Lula a comunicou ao próprio Rodrigo Pacheco, o preterido para a vaga de Luís Roberto Barroso. Mas a liturgia e o timing das decisões, ainda mais quando envolvem as cada vez mais complexas relações entre Poderes, importam.
Alcolumbre acabou de dar duas mãozinhas ao governo, aprovando o projeto para compensar a derrubada da Medida Provisória 1303 e escolhendo Alessandro Vieira para relatar o PL Antifacção, que foi todo desfigurado na Câmara. Para isso, preteriu Flávio Bolsonaro e Sergio Moro, dois senadores bastante simbólicos da oposição a Lula.
Nada de importante será discutido no STF neste mês que falta para o recesso do Judiciário. Pelo contrário: todas as atenções lá estão voltadas para o início do cumprimento da pena de Jair Bolsonaro e dos demais réus da trama golpista.
Fica difícil compreender a razão do anúncio de Lula em pleno feriadão a não ser pela vontade de mostrar que quem manda é ele. Essa autossuficiência num momento em que todas as pesquisas apontam para o fim do ciclo de (leve) recuperação de sua popularidade, com uma reeleição difícil mesmo sem que se saiba quem serão os rivais e com o governo apanhando de lavada justamente no tema da segurança, parece arrogância de quem já foi louvado pelo tirocínio político.
Alcolumbre dará o troco rejeitando o nome de Messias e lavando as mãos quanto ao PL Antifacção? Ainda é cedo para cravar. Mas as primeiras reações dele foram negativas. A aliados, chegou a dizer que não demorará para pautar a sabatina e a votação do nome do atual advogado-geral da União, e que “abrirá o painel com 41 nomes registrados”. O governo que se vire para conseguir os votos.
Não custa lembrar que a recondução de Paulo Gonet obteve só 45 votos a favor. E ele não contava com um ex-presidente do Senado como adversário preterido em praça pública.
A LIÇÃO DO ALEMÃO : FEIO NÃO É BONITO, por Duda Teixeira, na revista Crusoé
Belém fede com o óleo diesel dos geradores da COP30 e com o esgoto a céu aberto. O resto é perfumaria
“Feio, não é bonito / O morro existe / Mas pede pra se acabar”, diz a letra da música Feio, não é bonito, de Carlos Lyra e Gianfrancesco Guarnieri.
A canção foi lançada no álbum “The Sound of Ipanema”, de 1964. Foi cantada por Elis Regina, Nara Leão, Jair Rodrigues e Beth Carvalho.
Seu tema caberia perfeitamente na gritaria que ganhou o país após a frase do chanceler alemão Friedrich Merz.
Após passar apenas 20 horas em Belém para participar da COP30, Merz disse aos jornalistas de seu país que estava contente em ter deixado a paisagem de Belém para trás.
“Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo”, disse Merz, referindo-se, por óbvio, à Alemanha.
“Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos.”
A reação dos patriotas foi visceral.
É como se Merz tivesse cometido uma ofensa imperdoável contra todos os brasileiros.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, foi um dos mais exaltados e chamou Merz de “filhote de Hitler vagabundo” e “nazista”.
Como escreveu Rafael Moredo em Crusoé, 80% dos dejetos são despejados in natura ou correm a céu aberto.
Bonito não é. E não há perfumaria feita com a biodiversidade amazônica que dê conta.
Mais do que o ufanismo que defende o Brasil contra a menor insinuação, é preciso tomar vergonha e mudar a realidade.
A letra de Feio, não é bonito, aliás, parece ser uma resposta a esse tipo de ideologização da pobreza.
A primeira parte é vibrante, empolgada, entusiasmada: “Salve as belezas desse meu Brasil / Com seu passado e tradição / E salve o morro cheio de glória / Com as escolas que falam no samba e da sua história”.
A segunda parte é uma constatação que não dá para viver de nacionalismo.
“Feio, não é bonito / O morro existe / Mas pede para se acabar”, diz a letra.
Ainda que se possa tirar poesia da carestia, essa situação não deve ser eternizada para o deleite dos seus espectadores. Não há felicidade em uma situação assim, ainda que os seus personagens reais possam ser resilientes e corajosos.
“Canta, mas canta triste / Porque tristeza / E só o que se tem pra contar / Chora, mas chora rindo / Porque é valente /E nunca se deixa quebrar / Ah! Ama, o morro ama / Um amor aflito, um amor bonito / Que pede outra história”, diz a letra.
Belém, assim como o morro cantado por Lyra e Guarnieri, também pede outra história.
DANIEL VOCARO E O FUNK DA SUSTENTAÇÃO, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo
Daniel Vorcaro criou um “hedge” político que consistia em levar todo mundo para a festa. Nada de novo ou original. Periodicamente alguma figura de ascensão meteórica na arte de juntar dinheiro – em geral, às custas de trouxas – garante seus negócios chamando quem está próximo do cofre e/ou da máquina pública.
O que fez o ex-banqueiro sentir-se tão à vontade foram dois fatores, um de longo prazo e o outro o resultado das novas tecnologias (leia-se redes sociais). O primeiro é o velho patrimonialismo brasileiro, na forma de agrupamentos privados apelidados de partidos que entendem como ninguém de dinheiro de trouxas (contribuintes). Tem sempre dinheiro público envolvido em manobras como as de Vorcaro e de seus antecessores.
O segundo é uma mudança antropológica, digamos, de hábitos e valores sociais em várias instâncias. É um clima de permissividade que se traduz na ausência de qualquer “barreira moral” quando se constata com que normalidade se aceita hoje a mescla entre público e privado.
Não há qualquer receio de exposição da participação de agentes públicos, inclusive do Judiciário, em farras milionárias bancadas pela figura em ascensão meteórica.
Em certa medida o fenômeno é comparável ao do funk ostentação, que sai do nicho original e vira mainstream –e conquista a Faria Lima. Esbanjar milhões em festas e eventos e garantir enorme exposição nas plataformas digitais não é feio nem causa vergonha alguma, sequer alheia. É o sentido da coisa.
Para o governo Lula, que está tentando nas próximas eleições fazer da Faria Lima a “cabeça” do crime organizado, mesmo assim o escândalo do Master e seus sócios é terreno perigoso e desconfortável.
O PT está na mesma panela dos partidos do Centrão e de direita no tráfico de influência cruzado, nas ligações pessoais perigosas. Uma parte da matriz da operação de Vorcaro vem de reduto tradicional do partido na Bahia.
O problema não é o grau de envolvimento individual deste ou daquele personagem de qual partido, mas a ideia de que vigora uma grande corrupção institucionalizada. Num ambiente de impunidade geral. É o tipo de percepção emotiva e generalizada na qual Lula e seu partido sempre são mencionados de forma negativa. Dificilmente será contraposta pelo “governo da Polícia Federal que combate o crime emanado da Faria Lima”.
Apoiado em operações da PF contra o “Grosskapital”, como se dizia antigamente, o marketing político do governo já vinha apontando nessa direção antes mesmo da liquidação do Master.
O risco para Lula é o fato de que grande parte do eleitorado só se lembra de uma frase quando ocorre escândalo desse tipo. É tudo farinha do mesmo saco.
A vergonha do Brasil e dos brasileiros. Elegem políticos como seus representantes e eles, os políticos, se tornam parceiros e sócios de picaretas e batedores de carteiras do povo. Como escolhemos mal -com bilionários fundos partidário e eleitoral sustentados por nossos pesados impostos imposto pelos próprios políticos contra nós -, a nossos representantes pelo voto direto.
CONGRESSO QUASE INTEIRO ESTÁ CALADINHO SOBRE O MASTER E O BRB, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo
O Congresso não tem vontade alguma de criar uma CPI do Master-BRB. Um deputado federal, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), tenta arrumar assinaturas para o requerimento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. “Não vai rolar”, diz uma dúzia de seus colegas da Câmara. Querem ver o assunto cair morto em um caixão.
Pelo menos desde que o BRB decidiu comprar o Master, em março, se diz que Daniel Vorcaro tinha muito amigo e contato importante em Brasília, o que em si não quer dizer nada. Banqueiros e empresários muito maiores têm ainda mais amigo e contato importante em Brasília. Não quer dizer que corrompam.
O silêncio parlamentar, no entanto, é sintomático.
Dizer que Vorcaro tinha muito amigo na política dá apenas aparência de esperteza sabichona de bastidores. O importante é inventar meios de descobrir os mandantes (quem mandou o BRB comprar o Master), quem fez pressão pela aprovação da venda (no BRB, no DF, no Congresso ou sei lá), o motivo de investimentos de fundos de pensão de servidores comprarem papéis do banco e quem ganhou com isso, de modo direto e indireto. Óbvio.
Os rabichos dessa história viriam de delação premiada, de CPI ou varreduras de outra espécie, como em auditorias em fundos de pensão, no BRB ou em outra instituição qualquer que entrou nesses negócios (há outras). Também obviamente, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários, Polícia Federal e Ministério Público Federal vão continuar a investigar. Mas até para a PF é difícil achar o rastro do dinheiro, na política ou na finança. Uma CPI dificilmente chegaria ou quereria chegar lá. Mas CPIs melhorzinhas criam oportunidade de pegar um fio de história, até por acidente. Aliás, Vorcaro pode ficar solto?
No caso Americanas, de 2023, roubança privada, houve CPI. Agora, autoridades dizem ter indícios muito fortes de roubança privada em associação com um banco estatal. A julgar pelas evidências iniciais, o Master simplesmente inventou que tinha feito empréstimos que valeriam, no total, R$ 12 bilhões e o BRB comprou essa história, esses terrenos grilados na Lua.
Além disso, pode haver discussão relevante sobre regulação. Isto é, os limites dos fundos garantidores de crédito (que cobrem alguns calotes de bancos), quem financia esse fundo (todo mundo que ganha dinheiro com operações garantidas ou na intermediação delas deveria pagar, mas não paga). Está todo mundo farto de saber dos CDBs (empréstimos tomados pelo banco) que pagavam juros insustentáveis do Master. Mas o banco aproveitou a regra. A regra é ruim? Se não é, haveria algo a fazer quanto a fiscalização, então? Se há, o BC tem gente suficiente para fazer tal coisa? Em qual situação (pois não há condição de fazer varredura permanente)? São questões.
A primeira questão da CPI, porém, é o escândalo novo e grotesco de um banco privado pegar dinheiro estatal em troca de créditos falsos, que depois sumiriam no balanço do BRB (que agasalharia o Master).
Mais do que sempre e piorando, CPIs têm dado em nada, nem mesmo em relatórios com informações relevantes. Politicamente, seu efeito midiático tem sido menor também porque essas comissões nem ao menos conseguem documentos ou depoimentos reveladores. O que sai de melhorzinho, se alguém presta atenção, é diluído pelas comissões de mentiras, cancelamentos e outras baixarias das redes. Ainda assim, valeria a tentativa. Mas, além de gatos pingados da situação, o Congresso está caladinho.
Incrível como os políticos gestores de fundos que são montados para proteger gente na velhice, de forma canalha deixam essa gente ao relento. E de forma repetida, ano após ano, seja, qual o partido que esteja no partido que esteja no poder de plantão
RUÍNA DO MASTER EXPÕE INCÚRIA DOS FUNDOS, editorial de O Globo
É fundamental que a polícia investigue com rigor os investimentos dos fundos de Previdência de estados e municípios em títulos do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada nesta semana. De outubro de 2023 a dezembro de 2024, R$ 1,9 bilhão foi aplicado em papéis do Master por 18 fundos do funcionalismo público — metade disso pelo Rioprevidência, do governo do Rio de Janeiro. As dificuldades do Master eram conhecidas, e não há justificativa plausível para tais investimentos. No fim do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado do Rio apontou irregularidades e fez um pedido para o Rioprevidência suspender novas aplicações no Master. Foi ignorado. Não há notícia de que o governador Cláudio Castro (PL-RJ) tenha se esforçado para proteger o patrimônio dos funcionários do estado.
Não é difícil mapear os fundos do funcionalismo que investiram no Master e políticos que mantinham relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal. Como revelou a colunista do GLOBO Malu Gaspar, além do Rio, também fizeram aplicações no Master fundos de Previdência do Amapá, do Amazonas e da Prefeitura de Maceió (AL) — todos sob a esfera de influência do União Brasil, cujos caciques eram próximos a Vorcaro.
Os indícios de ingerência política nesses investimentos precisam ser investigados. No total, os fundos de estados e municípios brasileiros mantêm R$ 400 bilhões sob gestão. Bancos e gestoras mal-intencionados costumam lançar mão de laços políticos e contrapartidas ilegais para atrair esse dinheiro. “Nesse setor, o criminoso fica rico. Cada um que sai incólume é estímulo para que a mesma situação se repita”, diz o economista Paulo Tafner, diretor-presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) e especialista em Previdência.
A governança na gestão dos fundos também precisa ser aperfeiçoada. Desde o final do século passado, o governo federal decidiu incentivar sistemas de capitalização nos fundos de Previdência pública, para que pudessem seguir regras semelhantes às da iniciativa privada. Mas, ao contrário dos fundos privados ou mesmo das estatais, os do funcionalismo, constituídos sob o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), não estão sujeitos à supervisão da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). É a porta aberta para ingerência política.
A relutância histórica de governadores e prefeitos em adotar práticas de transparência só faz aumentar as suspeitas. No fim de 2024, de 2.100 fundos, perto de 1.100 não haviam cumprido as regras de transparência exigidas desde 2004 (700 com ajuda de decisões judiciais e 400 sem justificativa alguma). Foi necessária uma decisão do Supremo para a regularização crescer. Para evitar que as relações pessoais interfiram na gestão do patrimônio alheio, o Congresso também deveria proibir que governadores ou prefeitos possam indicar a maioria dos conselhos supervisores de políticas de investimento. É o mínimo de proteção que a situação exige.
A ingerência política já cavou rombos bilionários nos fundos das estatais. A derrocada do Banco Master põe agora os holofotes sobre os fundos de estados e municípios. Vale lembrar: todo ano há avaliação atuarial dos resultados e, em caso de déficit, ele é coberto pelo caixa das prefeituras e dos estados — menos dinheiro para urbanização, saneamento, educação ou segurança.
Ao menos na lei assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a chamada Linguagem Neutra, ainda não é parte do nosso léxico. Uma derrota aos extremistas que deformam tudo
O ESTADO PRECISA FALAR A LÍNGUA DA POPULAÇÃO, editorial do jornal Folha de S. Paulo
É bem-vinda a lei que institui a Política Nacional de Linguagem Simples nos órgãos de todos os Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, por meio de texto sancionado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda (17).
Para seguir o princípio da transparência nas democracias modernas, não basta que o poder público apenas disponibilize dados, informações e decisões, mas que o faça por meio de comunicação acessível à população.
O projeto, apresentado pela deputada Erika Kokay (PT-DF) em 2019 e aprovado no Senado e na Câmara neste ano, estabelece que a gestão pública deve obedecer a determinadas técnicas de linguagem em textos dirigidos aos cidadãos, como redigir frases curtas em ordem direta e trocar termos técnicos e jargões por sinônimos.
Também não é permitido usar novas formas de flexão de gênero contrárias a normas gramaticais.
Esta última regra despertou controvérsia por se referir à chamada linguagem neutra, que propõe mudanças na língua para incluir pessoas que não se identificam com o gênero feminino ou masculino —o pronome “todos” vira “todes”, adjetivos como “bonito” e “bonita” viram “bonite” ou “bonitx”, e, além de “ele” e “ela”, acrescenta-se o “elu”.
A inovação é uma demanda da comunidade LGBTQIA+ para promover inclusão e diversidade na comunicação. A questão se insere na guerra cultural que entrincheira setores à esquerda e à direita em torno de valores e temas do comportamento.
Mas a lei sancionada busca apenas facilitar a compreensão de textos capazes de afetar a vida dos cidadãos num país, ressalte-se, que padece com baixos indicadores de letramento.
Por óbvio, línguas não são imutáveis, mas alterações ocorrem de forma gradual, e é a partir do uso popular generalizado que elas são incorporadas aos dicionários. Ademais, mudanças na concordância entre as palavras —uma das consequências do gênero neutro em línguas latinas, como o português— são raras.
Há um movimento em prol de maior entendimento entre Estado e sociedade. Em 2023, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples para conter o uso excessivo de termos técnicos em textos que pecam pela falta de concisão e objetividade.
Facilitar o acesso a direitos e deveres passa necessariamente por facilitar a comunicação. Nesse sentido, também é imperativo oferecer educação pública de qualidade à população, tarefa que o Estado brasileiro está longe de cumprir a contento
HÁ MUITO QUE EXPLICAR NO CASO MASTER, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
deve explicações
Dois meses após acertadamente reprovar a compra de parte do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), o Banco Central (BC) decretou ontem a liquidação extrajudicial do Master, cujo dono, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal em aparente tentativa de fuga do Brasil.
Embora a decisão do BC soe como um epílogo para o banco de Vorcaro como instituição financeira, o caso ainda vai pairar por muito tempo sobre o sistema financeiro e sobre o mundo político. Muita gente deve explicações e esclarecimentos sobre o escândalo – a começar pelo próprio Banco Central, sob cuja supervisão o Master atuou com temeridade gritante.
Outra entidade que precisa dar explicações é o BRB. Mesmo sem ter a necessária autorização da Câmara Legislativa do Distrito Federal (DF) para o negócio com o Master, o BRB anunciou a transação em março deste ano alardeando que se tratava de uma excelente oportunidade.
Somente em agosto, e por determinação da Justiça, os legisladores do DF deram seu parecer sobre um negócio estimado em R$ 2 bilhões. Àquela altura o BC já vinha, semanas a fio, avaliando a propriedade do negócio, que vetaria no mês seguinte. Notícias sobre atividades obscuras envolvendo o Master pululavam na imprensa.
Ainda assim, a Câmara do DF levou apenas uma tarde para aprovar a compra do Master pelo BRB. Consta em Brasília que Vorcaro tem excelentes relações com poderosos membros do governo local e do Congresso Nacional, como o senador Ciro Nogueira e com o deputado Arthur Lira.
Agora, a investigação da PF e do Ministério Público Federal revela que tudo é muito pior do que parecia ser. Indícios de que o Master vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB foram descobertos. Além disso, o banco de Vorcaro entregou documentos falsos ao BC, numa tentativa de tornar justificável a operação com o banco público do Distrito Federal.
Tudo sugere que a compra do Master pelo BRB faria parte de uma encenação para encobrir fraudes bilionárias do banco de Vorcaro. Como o BC vetou o negócio com o banco público, o Master tentou então uma salvação por meio de um consórcio formado pela Fictor Holding Financeira e um grupo de investidores árabes desconhecidos. O arranjo suspeitíssimo felizmente teve vida curta. Menos de um dia depois, a PF prendeu Vorcaro e o BC anunciou a liquidação do Master.
É importante reconhecer que, desde que o negócio entre BRB e Master foi anunciado, o BC vem atuando como se espera: de forma técnica e sem arroubos. Mas não foram poucas as tentativas de constranger a autarquia. Como os meses corriam e a aprovação do negócio entre BRB e Master não saía, lideranças do Centrão tentaram emplacar um projeto de lei que permitiria ao Congresso destituir presidentes e diretores do BC, prerrogativa exclusiva do presidente da República. Embora não tenha avançado, a estapafúrdia proposta dá a dimensão dos interesses nada republicanos envolvidos no caso.
O crescimento vertiginoso do Master ocorreu por meio de uma estratégia bastante temerária. O banco oferecia produtos bancários, como CDBs, com rendimentos muito superiores aos do mercado como um todo, usando o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como chamariz. Criado nos anos 90, o FGC recebe aportes de instituições financeiras para garantir estabilidade aos investidores.
Ocorre que todo e qualquer investimento, por mais seguro que seja, envolve riscos e, na prática, o que o Master fez foi usurpar o FGC. O banco de Vorcaro usava os recursos dos investidores para fazer seus negócios nebulosos contando com o apoio do fundo, como se fosse o parente que gasta o dinheiro do aluguel sabendo que os demais membros da família economizaram recursos para pagá-lo.
Foi só após o Master ter se transformado num risco excessivo para o FGC que as regras de contribuição dos associados ao fundo foram endurecidas.
Agora, só resta esperar que todo e qualquer ente público com negócios com o Master, especialmente após a negativa ao acordo com o BRB, seja investigado. E que não seja necessário outro caso como esse para que regras que garantem o bom funcionamento do sistema financeiro sejam ajustadas.
Nem vou ao material jornalístico em si. Vou ao título dele. O tema segurança pública deveria unir o Brasil, obrigado a proteção do cidadão e cidadã, contra as facções e milícias cruéis de narcotraficantes, que em estado paralelo, sonegam os caros tributos que são cobrados por este estado de todos nós, “julgam”, matam como pena e confronto, tomam território até então livres para todos nós, abusam, exploram e escravizam sexualmente pessoas, humilham e restringem o ir e vir das pessoas, e tomam patrimônio alheio com regras próprias de terror cruel.
Mas, não não reconhece que isto exista ou que deva ser combatido em nome da normalidade do Estado com leis para tornar os cidadãos iguais perante ela. O PT, Lula e a esquerda do atraso, acham que esta qualificação, fatos e imputação são narrativas intencionais da oposição e não da degradação do Brasil real à vista de todos. Só não será e parece que não é de parte do jornalismo, academia, intelectuais, artistas e políticos, se estes bandidos bandidos cruéis são brasileiros preferenciais dessa gente que está no governo para serem defendidos nas esferas institucionais, incluindo o Congresso Nacional, que foi eleito por nós, pagos carissimamente por nós, para nos representar e nos defender propondo leis específicas para isso. Lula, PT e a esquerda do atraso, não as querem
SEGURANÇA PÚBLICA UNE NOVAMENTE CENTRÃO E BOLSONARISMO NA CÂMARA CONTRA LULA, por Ranier Bragon, Victória Azevedo, Carolina Linhares e Raquel Lopes, no jornal Folha de S. Paulo
O bloco de centro-direita e de direita na Câmara se uniu novamente nesta terça-feira (18) contra a esquerda em um tema que tem se mostrado, por ora, a principal dor de cabeça de Lula na sua tentativa de se reeleger em 2026.
A Câmara aprovou o projeto de Lei Antifacção por 370 votos a favor e 110 contra, num revés ao Palácio do Planalto, que viu seu projeto ser alterado e tentou adiar a apreciação da matéria após discordar de mudanças feitas. Partidos com representantes na Esplanada dos Ministérios entregaram 60% dos votos favoráveis, em mais um sinal da fragilidade da base aliada no Congresso.
A ação ocorre após a aliança centrão-bolsonarismo ter sido abalada pela reação do governo Lula nas redes e junto à opinião pública com o discurso em defesa da justiça tributária e da soberania nacional.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 12 mostrou interrupção da recuperação da popularidade de Lula, números colhidos na esteira da repercussão da operação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro.
O tema da segurança pública passou a dominar o debate político e tem sido tratado pelo bolsonarismo e pelo centrão como uma injeção de ânimo na corrida para derrotar o PT no ano que vem. Já aliados de Lula defendem que o governo retome a discussão da agenda da justiça tributária, além de focar os programas sociais da gestão petista, para evitar maiores desgastes.
Diante da repercussão, o governo federal e aliados petistas tentam disputar espaço nesse campo, historicamente associado à direita.
O PL Antifacção era considerado prioritário pelo Executivo, além de principal aposta do presidente da República para responder à megaoperação no Rio.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a votação do projeto gera uma “crise de confiança” do governo Lula com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
“É claro que tem uma crise aqui de confiança, é claro que todo mundo sabe que o presidente [Lula] reclamou muito, é um projeto de autoria do Poder Executivo”, afirmou Lindbergh à imprensa após a votação do projeto.
A sessão desta terça da Câmara foi marcada por embates entre governistas e oposicionistas.
“Hoje é o dia da coragem. O pai dessa lei é cada um dos senhores e senhoras que tinham medo, mas que vão poder sair de casa mais tranquilos, seguros. Não contem com este governo federal, não contem com este presidente, não contem com estes partidos da esquerda porque a esquerda é negacionista na pauta da segurança pública”, discursou o deputado Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara.
“O relatório do Derrite e da direita favorece o crime organizado”, afirmou Maria do Rosário (PT-RS).
Além da disputa pela paternidade da proposta entre o governo Lula e o relator, Guilherme Derrite (PP-SP), secretário de Segurança Pública de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a votação do projeto renovou o sentimento de desconfiança do Palácio do Planalto com Motta.
Na Casa, o vaivém de relatórios apresentados por Derrite fez com que a votação, originalmente prevista na semana passada, fosse adiada, diante de críticas que o texto recebeu de governistas, oposicionistas e até mesmo do centrão.
Com minoria na Casa, aliados de Lula passaram a associar a proposta ao objetivo de enfraquecer a atuação da Polícia Federal e de blindar investigações feitas pela corporação, numa tentativa de mobilizar a opinião pública contra os textos de Derrite —resgatando estratégia usada na defesa da agenda de justiça tributária, estimulando o discurso “nós contra eles”, com críticas ao Congresso.
Já Motta e lideranças da Câmara criticaram essa postura dos parlamentares da base e classificaram como narrativas qualquer tentativa de desidratar as competências da PF.
O presidente da Câmara intensificou a participação em programas jornalísticos e escalou aliados para defender publicamente o texto, numa tentativa de frear desgastes a sua imagem e diluir as críticas que vinha recebendo.
Motta e os parlamentares insistiram em suas falas ao longo do dia que o projeto representava a “mais dura resposta da história da Câmara” no combate ao crime organizado, dando protagonismo ao Legislativo nesse processo, em detrimento do Executivo. O líder do PP, Doutor Luizinho (RJ), aliado de primeira hora de Motta, por exemplo, afirmou que a Câmara e o Congresso estavam dando a maior contribuição na história do país nesse tema.
Após divulgação do sexto relatório de Derrite, enquanto a sessão do plenário já estava acontecendo, o governo defendeu adiar a votação do projeto, por considerar que o texto descaracterizou a proposta original enviada pelo Executivo. Mas foi derrotado.
Integrantes do Planalto e parlamentares classificaram o vaivém dos pareceres como “lambança legislativa” e defenderam a retomada do texto original enviado ao Congresso. A aposta de aliados de Lula é que o Senado poderá rever pontos considerados problemáticos e que foram chancelados pelos deputados.
Eles também criticaram a condução de Motta nesse processo, desde a designação de Derrite até o que consideraram um açodamento na votação e falta de abertura ao diálogo, renovando sentimento de desconfiança com o deputado.
Há uma avaliação de que o parlamentar é oscilante, dando sinalizações dúbias. Motta foi eleito presidente da Câmara com apoio do PT ao PL e, desde o começo de sua gestão, tem feito gestos de um lado a outro, tornando-se alvo de críticas. Governistas afirmam, no entanto, que em momentos cruciais neste ano, ele esteve mais alinhado com a oposição do que com o governo.
Após a votação, Motta fez um discurso no qual afirmou que a função do Parlamento “não é carimbar um projeto e passar adiante”, numa indireta ao Executivo. “O compromisso do Parlamento é debater as matérias e entregar a melhor versão possível. Estou seguro que o texto aprovado hoje é a melhor versão para enfrentar o crime organizado”, disse.
Registro do último sábado, reencontro com a “velha guarda” da antiga Ceval/Bunge no restaurante Rauls. Sempre bom estar entre amigos e relembrar os velhos tempos de uma empresa que um dia teve forte influência na prefeitura.
Se estas empresas tiveram influência ou não, como testemunha de grande parte desta história, eu não sei. Usaram-na como expertos para fruição ou para demonizá-la.
Tanto que sempre que pode, os que estavam na prefeitura – no poder de plantão ou a fim dele -, ou estavam com o pires na mão diante dela, ou contando mentiras para passar a perna, levar vantagens, não mudar nada a favor da cidade, ou então, tramando chantagens.
Houve até prefeito, que empossado, uma das metas dele, por exemplo, era a de fechá-la, mesmo sendo ela a maior arrecadadora de impostos do município e a empregadora de maiores salários da cidade e de qualificação que se tinha na época. Eleito com o fígado, foi pego no contrapé pelo Ministério Público, e não conseguiu terminar o mandato. O único até agora. Só este fato mostra à dimensão dos nossos políticos que tomam conta da cidade ontem e hoje.
Isto não é narrativa ou versão: é História. Como aquele vestido de santo que se elegeu com apoio dela, usou todos os profissionais indicados por ela e dois anos depois de dois anos entregou a prefeitura e a cidade aos que colocaram na bancarrota, ou mesmo estado de miséria administrativa e refém de interesses de particulares – que nos leva aos dias de hoje – estado de miséria que usou no palanque para se eleger, dizer que resolveria e resolveu. Como recompensa da traição política descarada, felizmente, a cidade não permitiu que ele nunca mais se elegesse para nada naquilo que tentou se eleger.
O BRASIL CANSOU DE TIKTOKERS, texto original da conta do Instagran da Ourinho Notícias. Ourinhos, é um município de São Paulo no limite com o Paraná. Este texto, também serve para os vereadores de Gaspar. Tudo virado num alho azedo e contra eles próprios.
A geração de prefeitos de selfie está mostrando o que sempre foi: aparência, vaidade e vazio.
Tem gente confundindo prefeitura com produtora de conteúdo. O que deveria ser trabalho virou palco. E o que deveria ser gestão virou story com música triste e sorriso ensaiado.
Enquanto a população espera resultados, alguns prefeitos passam o dia gravando vídeos e editando a própria imagem. Falam de amor, mas deixam buraco na rua. Gravam promessas, mas apagam compromissos.
O afastamento do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, é só a ponta do iceberg. O Brasil está cheio de “gestores” que vivem de maquiagem política, de likes e de mentiras bem filmadas. Afinal, é fácil parecer bom com o celular na mão, difícil é ser bom quando o problema bate na porta.
O povo já entendeu: a diferença entre um prefeito e um influenciador é que um trabalha, o outro atua. E quem confunde palco com gestão, uma hora vê o público vaiar.
Não dá mais pra ser enganado por político de ring light. O Brasil precisa de seriedade, não de performance.
ONDA CONSERVADORA, por Merval Pereira, no jornal O Globo
A provável vitória do candidato de ultradireita José Antonio Kast no segundo turno do Chile, onde cerca de 70% dos votos do primeiro turno foram dados para partidos de direita, desenha-se de maneira semelhante à situação atual brasileira. A direita chegou ao segundo turno desunida, mas imediatamente passou de segunda colocada para primeira no fim do primeiro turno. A esquerda estava unida, mas não teve força para obter nem mesmo o mínimo de 30% de votos esperados, embora tenha chegado em primeiro lugar.
A prevalência do grupo direitista no Chile fecha um ciclo de renovada onda conservadora na América do Sul, já governada pela direita na Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador. Na Colômbia, existe a perspectiva de uma vitória da direita, embora o presidente Gustavo Petro, que não pode se reeleger, ainda tenha força política respeitável. Desde a reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos, há uma tendência de união em torno dele do que os críticos já chamam de “internacional reacionária”.
Além da proximidade ideológica que tem tudo a ver com o bolsonarismo brasileiro, existe uma visão comum entre eles sobre equilíbrio fiscal e contenção de gastos para garantir o desenvolvimento econômico. Essa tendência faz com que a esquerda queira se diferenciar aumentando investimentos sociais, o que pode levar a problemas econômicos em curto prazo. A confusão entre desequilíbrio fiscal e gastos sociais, como se fossem antagônicos, leva a esquerda usar o populismo fiscal para se contrapor à direita, exacerbando o perigo de descontrole.
A tendência direitista é vista como reação a crises econômicas, desemprego e à frustração com a gestão de governos anteriores, aguçando a polarização política, com visões diferentes sobre desenvolvimento, papel do Estado e relações internacionais. No caso do Brasil, mesmo com crescimento econômico razoável e taxa de desemprego no nível mais baixo, o fantasma de uma crise econômica no médio prazo, como aconteceu com o governo Dilma Rousseff, continua assustando a população. A necessidade de manter uma taxa de juros tão alta quanto a brasileira para garantir que a inflação não se desgarre das metas oficiais traz problemas para o cotidiano da população. A insegurança pública é outro fator fundamental na região, e a campanha de Trump contra o que chamam de “narcoterrorismo” fortalece a direita.
A polarização política também leva a conflitos ideológicos acirrados, especialmente quando se recorda a “onda rosa” que levou, durante o segundo governo Lula, a região a ser dominada por governos de esquerda. A pressão militar de Trump para forçar a derrubada do governo de Nicolás Maduro na Venezuela faz o debate ideológico dominar as campanhas presidenciais, com tendência favorável à direita. Uma importante alteração é quanto à inexistência de líderes personalistas nesses países, com exceção do Brasil, onde Lula e Bolsonaro continuam se contrapondo.
Uma política Sul-Sul leva, em algumas ocasiões, à tomada de decisões equivocadas, como no caso do Brics, quando o Brasil assume posições favoráveis a posturas como as da Rússia contra a Ucrânia e se coloca como simpatizante da China na disputa com os Estados Unidos. O tarifaço imposto ao Brasil pelo governo Trump obrigou o governo brasileiro a aproximar-se do americano, mas ainda não houve resultado prático.
O conceito de gestão competente, maior arma do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem prevalecido na região, notadamente com a vitória de Javier Milei na Argentina. Governos de direita na América do Sul tendem a favorecer ajustes fiscais, desregulamentação, privatização e maior alinhamento com o Ocidente, enquanto a esquerda concentra-se mais no papel do Estado, na distribuição de renda e na autonomia regional. Os prejuízos sucessivos das estatais brasileiras, reforçados pela crise dos Correios, aumentam a pressão contra o governo Lula.
BALÃO FLÁVIO, por Carlos Andreazza, no jornal O Estado de S. Paulo
Jair Bolsonaro está inelegível. Eduardo estará. Sobrou Flávio, que, tudo o mais constante, concorreria à reeleição (tranquila) ao Senado – de repente o nome da vez a testar o mercado eleitoral da direita para 2026. O novo nome do bolsonarismo puro-sangue, admitido-avalizado pelo bolsonarismo eduardista, considerada a reivindicação de hereditariedade com a qual a família se projeta-proclama.
O nome ora possível do “bolsonarismo com Bolsonaro” para presidente, reação à jogada corrente-influente por uma chapa “bolsonarista sem (um) Bolsonaro”.
Reação que explicita um pressuposto – para quem ainda tivesse dúvida: o bolsonarismo raiz, que se expressa na dissidência eduardista, não aceitará uma candidatura presidencial que não seja encabeçada por um Bolsonaro, Tarcísio de Freitas encarnando a “direita permitida”, a de Ciro Nogueira, aquela desejada pelo Supremo.
Escreveu Paulo Figueiredo no X: “Flávio ou Eduardo, pouco importa. O que importa, para começar, é uma candidatura que realmente represente o nosso movimento e não algo escolhido pelo centrão e o STF fazendo Jair Bolsonaro de refém”.
Outro pressuposto. O nome de Flávio não seria especulado sem a chancela de Jair. Flávio não é Eduardo. Só age depois de consultar o pai. Se bota o bloco na rua, o faz sob autorização, talvez mesmo estímulo, do ex-presidente. Não será por acaso.
Estamos no pós-Bolsonaro; os governadores da direita – o tal Consórcio da Paz – farejando a oportunidade de superar Jair com base na pauta da segurança pública. E então Flávio – um estamos-aqui! para lembrar os assanhados de que a empresa familiar fundada por Jair ainda não faliu.
Um Bolsonaro, um Bolsonaro diferente, aventado no momento em que a agenda político-eleitoral se desenvolve – em função do 28 de outubro – com a família nem sequer como coadjuvante. Tem método.
A bandeira do bolsonarismo puro-sangue, o raiz, o eduardista, era a da anistia. Bandeira única, sequestradora, alienada, despolitizadora, paralisadora, antieleitoral, que pregava uma anticandidatura, que acusava o sistema eleitoral de ilegítimo.
Bandeira que perdeu vigor, a partir da quebra do monopólio de acesso à Casa Branca. Bandeira queimada que tinha a cara de Eduardo, do anticandidato Eduardo, aquele que alcançou o ponto de não retorno.
E então Flávio, o Bolsonaro – como se diz? – que negocia, que tem trânsito, que é fluente com o chamado Centrão. Também o Bolsonaro – dirá o maledicente – mais medroso, ou o que mais teria a perder de súbito sem mandato.
Não importam os limites do mundo real. Importa marcar posição. Não importa ser competitivo. Importa ter-manter o controle sobre a direita.
Desculpem-me, leitores e leitoras, mas o Brasil dos políticos é feito de bestas. E nós os escolhemos, no voto livre e direto da democracia, como nossos legítimos representantes. De um lado eles, sem escrúpulos dominando, trapaceando e sugando o Estado. Do outro, cruéis bandidos narcotraficantes sonegadores, com “leis” próprias no estado paralelo e que o Estado dos políticos, que sustentamos com cada vez mais altos impostos on line e difíceis canais de contestações digitais, colocando-nos de cócoras.
NO ÁPICE DA INÉPCIA, INSS DESAMPARO VELHOS E GURIS, por Josias de Souza, no Uol (Folha de S. Paulo)
De preconceito etário o INSS não pode ser acusado, pois oferece desamparo a brasileiros de todas as idades. A investigação sobre o assalto de R$ 6 bilhões contra os velhinhos aposentados ainda nem terminou e já surge no noticiário outra perversão: o endividamento de crianças.
Adultos se endividaram até a raiz dos cabelos de guris que recebem benefícios por meio da Previdência. Contraíram 763 mil empréstimos consignados em nome de menores que deveriam proteger. Coisa de R$ 12 bilhões.
O caso da menina Clara, de sete anos, é ilustrativo. Portadora da síndrome de down, recebe auxílio de um salário mínimo (R$ 1.518). Está pendurada no consignado com uma dívida de R$ 38 mil. Os empréstimos foram contraídos por uma tia materna que detinha a guarda legal de Clara.
A contratação de empréstimos por pais, curadores, tutores ou procuradores das crianças foi autorizada pelo INSS em 2022, sob Bolsonaro. As instituições financeiras poderiam ter soado o alarme. Mas não costumam mexer no time que está perdendo no INSS.
A aberração sobreviveu à chegada de Lula. Só foi interrompida há quatro meses —não por opção do governo, mas por ordem da Justiça. A melhor maneira de prever o futuro de um país é observando o modo como trata seus velhos e suas crianças. Não é à toa que o Brasil se tornou o mais antigo país do futuro do mundo.
Então Herculano
A educadora Andreia, que talvez entenda muito de educação infantil, mas mostrou desconhecer a gestão pública irá devolver os valores perdidos pelo cofre do município quando esta resolveu antecipar pagamento de parcelas s empresário poderoso da cidade?
Concordo. Mas, o que me espanta é quem deveria entender de finanças na prefeitura de Gaspar e está nomeado para analisar este tipo de trâmite formal de pagamentos via melhor apropriação dos recursos do Orçamento, ou suportado por cláusulas contratuais, não fez isto. Ou não serve e é preciso reavaliar todos os que falharam. Ou participou de uma armadilha contra a secretária e o governo, pois não creio que ele tenha pactuado com isto tudo.
A EXTREMA ESTÁ SEMPRE NA DIREITA
Interessante como as redações brasileiras se posicionam. Escrevo sobre notícias as notícias que ela dá aos seus clientes – sim eles sustentam com acessos e assinaturas. Notícias, pelo princípio do jornalismo, deveriam conter neutralidade técnica e não julgamentos. Não escrevo sobre colunas de análises e opiniões. Elas, por suas características de pluralidade, possuem elasticidade ampla para a classificação, ao seu modo de ver e entender a conjuntura, como é o caso deste blog.
A notícia da primeira perna das eleições presidenciais do Chile ocorrida neste domingo, e que teve um gasparense como observador internacional, o advogado espeicalista na área eleitoral, João Pedro Sansão, levou para o segundo turno, a Comunista (ela se rotula assim e é candidata do Partido Comunista do Chile), Jeannette Jara e o conservador (ele se rotula assim e está no partido Republicano) José Antonio Kast.
Na imprensa brasileira, Jeannette é rotulada como de centro esquerda. Mas, perguntar não ofende: o comunismo não é uma teoria radical de esquerda? O que li, aprendi e apreendi está tudo errado, então?
Kast, por outro lado, pela mesma imprensa, na mesma notícia, é rotulado como um ultraconservador, ou seja, mais do que radical de direita. Credo. E mesmo assim, tem tudo para ganhar de uma comunista que não é radical, não é de extrema esquerda e que tem docilidades neste mundo irracionalmente polarizado e de poucos resultados práticos, por conta disso, para a sociedade.
Encerrando. E depois, o jornalismo das grandes redações brasileiras diz não entender a razão pela qual é “comido” pelas redes sociais, se ele próprio estimula este tipo de erro em simples informação. Nem todos os clientes deles são tão desinformados assim. A teimosia tem um preço na audiência e nos negócios que já não vão bem nesta área, faz tempo.
A VIDA QUEBRA O SERVIÇO DE QUEM NÃO TREINA, por Aurélio Marcos de Souza, advogado, ex-procurador geral do município de Gaspar (2005/09), graduado em Gestão Pública pela Udesc. Artigo, originalmente, publicado nas redes sociais do autor no domingo, dia 16.11.2025.
(SPOILER DO FILME KING RICHARD: CRIANDO CAMPEÃS” A História de Richard Williams, Venus E Serena)
Hoje de manhã, logo cedo, num domingo qualquer, acordei e me sentei diante da minha maquete de viga, biapoiada e parte em balanço, que preciso apresentar junto ao meu trabalho científico no final de mais um semestre da engenharia. Enquanto eu cortava, colava, media e ajustava, deixava a música preencher o silêncio da casa. No ar, vindo da janela aberta, chegava o cheiro de carne assando na casa do vizinho. Era quase um convite para abandonar tudo e aproveitar o dia como se nada me esperasse.
Por um instante, e foi um instante verdadeiro, pensei em largar. Pensei em deixar para depois, em fingir que o prazo não existia, em trocar o esforço pelo descanso fácil. Mas minha perseverança falou mais alto. E eu continuei ali, com as mãos sujas de cola, a cabeça tomada de cálculos e o coração insistindo em seguir em frente. Eu continuo porque sei, com a certeza de quem já passou por muito, que daqui a alguns meses não quero ouvir que eu tive sorte.
Depois do almoço, deitei um pouco no sofá só para fechar os olhos. Quando acordei, estava passando o filme da história de RICHARD WILLIAMS, VENUS e SERENA. Ali, sentado e ainda meio sonolento, percebi algo que vinha tentando me ensinar desde cedo.
Richard sabia que para formar campeãs era preciso mais do que talento. Ele entendia que talento sem preparo não leva ninguém longe. Moldou as filhas para além do físico. Construiu nelas caráter, disciplina e resistência emocional. Preparou cada uma para vencer antes mesmo de pisarem numa quadra.
E enquanto eu assistia, senti uma verdade pesada cair sobre mim.
Porque, ao contrário delas, existe gente que nunca se preparou. Gente que nunca treinou, nunca estudou, nunca se testou. E quando o torneio começa, quando a vida exige resposta, não consegue sequer segurar a raquete. Jogam o sujeito aos leões e ele não enfrenta. Ele simplesmente vira alimento.
E o mais cruel é perceber que ele não paga essa conta sozinho. O torcedor paga. O time paga. A cidade paga. O povo paga.
É impossível não pensar nos políticos que acabaram de ser eleitos. Alguns nunca treinaram para o cargo que agora ocupam. Nunca estudaram o suficiente para compreender a função que pediram ao povo. Nunca sentiram o peso real da responsabilidade que agora carregam. Entraram no campeonato por acaso, por conveniência, por acordos improvisados, mas não por preparo.
E então o jogo começa de verdade. A bola sobe. O debate esquenta. O problema estoura. E eles travam. Se perdem. Decepcionam. E quem sofre somos nós, que torcemos, que confiamos, que investimos esperança em quem não se esforçou para merecer estar ali.
Hoje, com minha maquete sobre a mesa e o filme ainda ecoando dentro de mim, eu entendi uma lição que vale para mim, para você e especialmente para quem tomou posse agora:
* Quem não treina no silêncio cai no vexame no dia da prova.
* Quem não constrói no anonimato fracassa diante da plateia.
* Quem não se prepara, perde e faz perder.
Eu sigo aqui, lutando, estudando e me dedicando. Porque sei onde quero chegar. E espero, de verdade, que quem nos representa também saiba. O povo não aguenta mais treinador improvisado, atleta despreparado e desculpa ensaiada.
A vida não entrega títulos para quem não trabalha.
O mundo não aplaude quem foge do esforço.
E a história não respeita quem entra no campeonato sem merecer a camisa que veste.
INSEGURANÇA TEM ALTO CUSTO, por Carlos Alberto Sardenberg, no jornal O Globo
Antigamente era o “dinheiro do ladrão”. Hoje, o “celular do assaltante”. Esse antigamente é de décadas atrás. Os mais velhos diziam que não se devia sair de casa sem algumas notas no bolso. No caso de topar com algum meliante, você teria aquela reserva para entregar e evitar um desfecho mais desagradável do episódio. Hoje não se anda mais com dinheiro. Nem os assaltantes querem dinheiro, querem um celular, de preferência desbloqueado.
Como se carrega tudo no celular, de conversas íntimas a contas bancárias, incluindo a carteira de investimentos, o roubo do aparelho tem um custo econômico que pode ser desastroso. Além dos danos morais e psicológicos. Vai daí, muitas pessoas saem com um celular mais simples, apenas com os aplicativos de comunicação e localização. Os aplicativos financeiros ficam noutro aparelho, bem guardado em casa.
Não foi uma vez que ouvi essa história. Ao contrário, tem aparecido com frequência nos diversos ambientes — no trabalho, no clube, nas reuniões sociais. Está aí, nesse, digamos, “microcomportamento”, o custo da sensação de insegurança. As pesquisas confirmam. Segundo apurado pela Quaest, a violência, ou a questão da segurança, é a maior preocupação dos brasileiros. Foram 38% os entrevistados que responderam assim. A economia? É a maior preocupação apenas para 15%.
Claro que essas avaliações mudam conforme os acontecimentos. A última pesquisa, conhecida na semana passada, seguiu a repercussão da megaoperação no Rio, nas comunidades do Alemão e da Penha. De todo modo, ampla maioria manifestou apoio à ação policial que deixou 121 mortos, mostrando que a população está cansada da percepção de insegurança.
Essa situação traz custos evidentes tanto para as famílias quanto para as empresas: contratação de seguranças com seus carros e motos, instalação de portões eletrônicos, câmeras de vigilância, veículos blindados. E o segundo celular. São os gastos operacionais, que incluem as despesas com seguro. Mesmo com tudo isso, muitos têm receio de circular pela cidade, evitam trabalhar em empresas estabelecidas em locais considerados perigosos.
Os economistas falam dos “custos ocultos” da criminalidade, especialmente quando o crime organizado atinge as proporções verificadas no Brasil. Empresas que evitam o país ou determinadas regiões, não apenas pelos gastos com segurança, mas também para não expor seus funcionários a um ambiente hostil. Não raro, são os profissionais de alta qualificação que evitam ou deixam o país. Tudo somado, isso significa menos investimentos privados, atrasando o desenvolvimento econômico.
Há também o gasto público não apenas com as forças policiais, os sistemas de segurança e os presídios. Podem-se incluir aqui os custos com saúde — ou com as vítimas de crimes. Outro custo está na corrupção do setor público. O crime organizado não vive sem comprar o silêncio e a cumplicidade de servidores, autoridades e políticos. E a desigualdade. A criminalidade atinge mais duramente a população pobre, exposta às quadrilhas nos locais onde vivem. Perdem-se jovens para o crime.
E, por falar em políticos, o Congresso passou a semana discutindo uma nova lei antifacção. Trata-se de um cacoete: diante de qualquer acontecimento dramático, deputados e senadores aprovam leis aumentando penas e definindo novos tipos de crime. É claro que se precisa de uma legislação dura. Mas se precisa mais de um sistema policial eficiente, integrado com um Judiciário que tenha um regime especial mais rápido para julgar os casos vinculados às organizações criminosas.
Essa é mais uma questão técnica que política. Há exemplos de países eficientes no combate ao crime organizado, preservando os valores da democracia. Não precisa inventar nada, muito menos politizar. Basta seguir os casos bem-sucedidos. A Itália tem o que ensinar no combate às máfias.
Quanto é o custo do crime organizado para o Brasil? Difícil calcular, variam os métodos, mas deve estar perto do que se gasta com saúde e educação. Sem resultados.
Na lista, a Docas da Bahia, a que é a gestora do porto de Itajaí.
DESCALABRO DAS ESTATAIS SOB LULA NÃO SE LIMITA AOS CORREIOS, editorial do jornal Folha de S. Paulo
Numa gestão marcada por ideologia estatista e desapreço por regras básicas de boa governança, não é surpresa que as empresas estatais federais se encontrem depauperadas.
É o que revela o 7º Relatório de Riscos Fiscais do Tesouro Nacional: nove empresas controladas pelo governo federal acumulam perdas recorrentes, o que amplia o risco de aportes bilionários por parte da União —vale dizer, do contribuinte brasileiro.
Para um universo de 27 estatais que têm receitas próprias e são consideradas no cálculo do déficit público (excluindo Petrobras e bancos oficiais), o relatório projeta déficits de R$ 6,2 bilhões neste ano e R$ 6,7 bilhões em 2026.
O caso mais grave é o dos Correios, que amargaram prejuízo de R$ 2,6 bilhões só no segundo trimestre de 2025, quase cinco vezes o do período correspondente de 2024 (R$ 553 milhões), totalizando R$ 4,4 bilhões no semestre.
Diante do descalabro, aventa-se um empréstimo à empresa de R$ 20 bilhões, com aval do Tesouro, algo que apenas adiaria o inevitável e traria ainda mais custos financeiros para a sociedade.
Outro exemplo é o da ENBPar, controladora da Eletronuclear, que demanda aporte urgente de R$ 1,4 bilhão para cumprir despesas até o final do ano. A conta ainda pode ser muito maior, dado que toda a conclusão da usina nuclear inacabada de Angra 3 demandaria cerca de R$ 20 bilhões, segundo estimativas.
Também há prejuízos e queda de receita na Infraero, na Casa da Moeda e nas Companhias Docas de Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Pará. Tardiamente, o Tribunal de Contas da União (TCU) criou uma força-tarefa para auditar essas entidades.
O desastre atual não é acidente e foi ajudado pela liminar concedida em março de 2023 por Ricardo Lewandowski, então ministro do Supremo Tribunal Federal e hoje ministro da Justiça, que suspendeu trechos da Lei das Estatais e facilitou nomeações sem qualificação técnica.
A decisão abriu as portas para que diretorias e conselhos das empresas fossem preenchidos com aliados partidários e sindicalistas. Mesmo após o STF, em maio de 2024, validar as restrições legais, os indicados durante o período de vigência da liminar foram autorizados a permanecer até o fim dos mandatos.
A administração petista repete um padrão. Luiz Inácio Lula da Silva prometeu retomada das estatais como motores de desenvolvimento, mas entrega novamente a sangria de recursos públicos.
Sem um amplo programa de recuperação, com gestão profissional e corte de benesses, não há solução —e, onde for possível, a privatização é o antídoto.
Os Correios, com sua rede obsoleta e prejuízos crônicos, já deveriam ter sido passados há mais tempo para o controle privado. O risco a essa altura é não haver interessados, e o menos custoso nessa hipótese seria fechar a estatal. Manter o modelo atual é condenar os pagadores de impostos a mais um ciclo de rombos.