Pesquisar
Close this search box.

AFINAL O QUE O GOVERNO DE PAULO E RODRIGO INSISTE EM ESCONDER E MAL EXPLICAR NA TAL OPERAÇÃO DA “VENDA” POR DESAPROPRIAÇÃO E SANEAMENTO PARCIAL DAS DÍVIDAS DO HOSPITAL DE GASPAR?

Depois de ver outros municípios resolvendo problemas semelhantes – como Balneário Camboriú que nem é da base do governo estadual – com o governador Jorginho Melo, PL; surpreendido, atrasadíssimo e movido unicamente pelas saraivadas de dúvidas, incoerências, bem como desgastes internos naquilo que poderia ser um gol de placa, o governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, ambos do PL, devido as pressões, tenta sair da toca neste assunto, criar mais uma narrativa e com ela, dar uma versão mais coerente sobre a “venda”, “compra” e “desapropriação” do Hospital de Gaspar. 

Mas, ainda não cola.

A líder do governo na Câmara, a policial Alyne Karla Serafim Nicoletti, PL, acaba de ir a sua rede social e assegurar que a transparência é a melhor ação para garantir o futuro da saúde [pública] em Gaspar. Como, não explicou. Faltou o milagre.

Bingo. Estou de alma lavada, mais uma vez. Sempre escrevi que a transparência deveria ser a melhor aliada do atual governo que continua ainda num gabinete de delegacia. Mas, tudo o que Alyne classifica agora como necessária transparência, mas sonegada, ou oferecida parcialmente, resultou em versões e desinformações que circularam a cidade, arredores, alimentaram desconfianças ou viraram chacotas. Alyne vinha tentando desqualificá-las como sendo baboseiras de desinformados ou de quem não quer ver a transformação do Hospital dar certo, não exatamente para o povo, mas politicamente para o governo dela. Resultado? Produziu-se confusões e contra o próprio governo de Paulo e Rodrigo. Foi ele quem sonegou detalhes desta operação armada no escurinho, ou enrolou e se negou ao debate franco em assunto delicado e ao mesmo tempo crucial para seu governo.

O governo de Paulo, Rodrigo e Alyne, finalmente, começou correr contra o tempo. Ufa!

E por que estão se mexendo? Porque em Blumenau a “roda da fortuna do tarô” está se movendo. O prefeito de lá, o também policial, investigador e delegado Egídio Maciel Ferrari, PL, que avalizou o Hospital Santo Antônio – referência e bem saneado no âmbito administrativo e financeiro – de queridinho está se desgastando rapidamente. E também por sucessivos erros de cálculos em ações e repercussões. Agora, Egídio está numa viagem na Europa, enquanto apagam um incêndio na Câmara onde tentou peitar o envio obrigatório do Orçamento da Casa legislativa.

No tarô, o giro da roda da fortuna, segundo os praticantes e que acreditam nisso, mostra movimentos. Quem está por cima poderá ficar por baixo. E com tantos problemas por lá, Egídio não vai querer importar mais um, numa cidade em que o Ministério Público – e já teve prova disso -, o Observatório Social, várias entidades, a Acib, Câmara – e até parte da imprensa, sem contar os influenciadores digitais que faltam por aqui – fungam no pescoço e funcionam contra as coisas mal explicadas dos governantes e políticos de lá.

Alyne insiste que o que está acontecendo é “desapropriação”. Entretanto, não explica esta heterodoxia jurídica para a compreensão dos que são da área de gestão, contabilidade e jurídica. Ou seja, a falta de transparência continua, ou a transparência é opaca. E se isto fosse pouco, em Gaspar, o governo de Paulo e Rodrigo está sem interlocutor com crédito à população para este e quase todos os assuntos que precisam de convencimento. Piora tudo, quando a própria área de Comunicação da prefeitura é o maior problema nisso tudo. Ela não é estratégica, não possui liderança, interlocução e convencimento. Tanto que a Alyne tentou fazer o papel que não lhe rende crédito por isso.

AGUARDAM-SE OS DADOS

Se realmente a transparência, algo que o governo de Paulo e Rodrigo não está familiarizado, é para valer, ela deve começar no gabinete do prefeito por responder o mais rapidamente possível o requerimento do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT. Ontem, bateu mais um na Câmara de mesmo sentido: o de Roni Jean Muller, MDB, ex-faz tudo do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB e Marcelo de Souza Brick, PP, com a mesma intenção. Ou seja, é o governo que alimenta o fogaréu com silêncios e não exatamente com esclarecimentos. Não há alguém com autoridade para enfrentar os questionamentos. E Paulo, pelo jeito como trata os assuntos e a imprensa, é o menos indicado de todos, mesmo sendo, em tese, a maior autoridade do município.

O que Dionísio perguntou e aguarda respostas?

1. Houve prestação de contas do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no ano de 2025? Caso positivo, encaminhar a documentação. Caso negativo, explicar a razão. 2. Caso a resposta anterior seja positiva, houve parecer da Controladoria do Município de Gaspar? Caso positivo, encaminhar parecer. Caso negativo, explicar a razão. 3. Quanto exatamente o Município de Gaspar repassou ao Hospital no ano de 2025? Especificar os recursos destinados em cada um dos meses de 2025. 4. Qual é a dívida exata do Hospital? Encaminhar relação de credores. 5. Quem está conduzindo o processo de negociação das dívidas do Hospital? 6. Quem o Município de Gaspar considera ser o proprietário do Hospital? 7. Quem o Município de Gaspar indenizará pela desapropriação prevista pelo Decreto n. 12.559, de 18 de agosto de 2025, assinado pelo Prefeito Paulo Norberto Koerich? 8. Quanto o Município de Gaspar pagará por essa desapropriação? Foi realizada avaliação? 9. O Município de Gaspar pretende indenizar uma associação privada que teve as prestações de contas dos recursos públicos reprovadas pela Prefeitura, motivando a intervenção no Hospital? 10. O Município de Gaspar possui execuções fiscais contra o Hospital? Informar o número das ações judiciais. 11. Qual o valor total já investido e repassado pelo Município de Gaspar ao Hospital, desde a intervenção até o presente momento? Especificar o total transferido ao Hospital por ano. 12. O Município de Gaspar possui um acervo dos bens e equipamentos que compõem o patrimônio do Hospital? Destes bens, quantos e quais foram adquiridos com recursos repassados pela União Federal, Estado de Santa Catarina e Município de Gaspar? 13. Qual a duração do termo de cooperação assinado entre a Fundação Hospitalar de Blumenau (Hospital Santo Antônio) e a Prefeitura Municipal de Gaspar? Encaminhar cópia integral do documento e explicar os seguintes pontos: a) Os deveres e direitos de cada uma das partes; b) Como será feita a gestão do patrimônio do Hospital; c) As condições e a periodicidade dos repasses do Município de Gaspar. d) Quais serviços de saúde serão prestados pelo Hospital; e) Detalhamento do modelo de gestão a ser implementado.

Então, a transparência pregada pela líder do governo a obrigaria a responder estas 13 simples questões e que a cidade pergunta há semanas. Até agora, nada.

O que Roni está pedindo? 1. Cópia integral do termo de repasse dos recursos anunciados pelo Governo do Estado de Santa Catarina, no valor de R$ 20 milhões, destinados à aquisição do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no município de Gaspar. 2. Cópia do contrato ou instrumento jurídico referente à contratação do Hospital Santo Antônio para assumir a gestão do Hospital de Gaspar, contendo informações sobre vigência, responsabilidades, obrigações e valores envolvidos. Ou seja, o que Dionísio e Roni pedem é o óbvio ululante.

Por fim. O que atenuaria toda esta falta de transparência? 

A mudança real do atendimento no Hospital e nos postinhos de saúde pelos bairros. Até agora, nada mudou para os cidadãos e cidadãs, principalmente os mais vulneráveis, numa cidade dormitório e passagem de migrantes. As reclamações, continuam como antes deste espetáculo. De quem é a culpa? Do Hospital de Gaspar ou já se pode colocar na conta do Hospital Santo Antônio? O que se levantou até agora, foi o som da música para abafar os verdadeiros problemas. Muda, Gaspar!

TRAPICHE

O transformador I. O governo de Paulo Norberto Koerich e Rodrigo Boeing Althoff, PL, respondeu o requerimento do vereador Giovano Borges, PSD, e garantiu que não houve qualquer irregularidade na contratação provisória de um transformador para Arena Multiuso Francisco Hostins para suportar as festividades do Rodeio do Vale realizado lá recentemente.

O transformador II. O vereador Giovano Borges, PSD, está inconformado e voltou à carga em novo requerimento, no qual pede toda a documentação que baseou esta contratação. Em um dos questionamentos refeitos. “Na pergunta 01, foi informado que a publicação da Dispensa ocorreu no dia 15/05/2025, quando de fato consta no Diário Oficial que a data correta foi 20/05/2025, tal divergência de informação pode acarretar prejuízos aos demais interessados, especialmente no que se refere à contagem de prazos legais para manifestação, impugnação ou recurso?

A caravana da dengue I. Alguma coisa está fora da ordem mundial. Ontem Paulo Norberto Koerich, PL, foi a Joinville, conhecer o mosquito da Dengue que não tem Dengue. Isto poderia se dar aqui perto em Blumenau que iniciou a experiência, ou pedir para a empresa que vende isto, vir aqui explicar como funciona e os resultados que se conseguiu em vários municípios brasileiros onde está se experimentando esta mudança genética no mosquito.

A caravana da dengue II. Mas, não. E foi lá com uma comitiva de respeito: secretário da saúde e todo staff da primeira linha da secretaria de Agricultura e Aquicultura. O que mesmo esta área tem a ver com o combate a Dengue? E quem faltou? Os que fazem a política de combate a estas doenças como a Vigilância em Saúde, Vigilância Epidemiológica ou Vigilância Sanitária. Muda, Gaspar!

Nove meses I. Quem apareceu nas mídias sociais na semana passada para anunciar que finalmente a secretaria de Obras e Serviços Urbanos criou um caminho para dar segurança aos veículos que passam pela Estrada da Lagoa, no trecho em que uma tubulação foi levada em janeiro deste ano? Paulo Norberto Koerich, PL. Devia ter pedido desculpas e se comprometido com uma data para a finalização da obra.

Nove meses II. Este é um retrato de duas situações. A primeira da Comunicação que falha e expõe o prefeito, quando deveria proteger. O segundo, é que se não se adiantar, as chuvas de verão vão destruir o caminho improvisado que se construir, que calculado, custa tanto quanto o de arrumar o que foi danificado pelas chuvas. Tudo dentro dos conformes, se for considerado que se levou seis meses para se convencer que o titular da pasta da secretaria não servia e a cidade inteira sabia disso. Muda, Gaspar!

Compartilhe esse post:

Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
LinkedIn
Email

5 comentários em “AFINAL O QUE O GOVERNO DE PAULO E RODRIGO INSISTE EM ESCONDER E MAL EXPLICAR NA TAL OPERAÇÃO DA “VENDA” POR DESAPROPRIAÇÃO E SANEAMENTO PARCIAL DAS DÍVIDAS DO HOSPITAL DE GASPAR?”

  1. A PALAVRA DO MOMENTO, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

    Olhando para a PEC da Blindagem na Câmara pode-se argumentar se é a esculhambação na política que leva a uma perda de juízo generalizada, ou se é o contrário. O resultado permanece o mesmo. É o agravamento de uma situação em si bastante perigosa, que vem se disseminando há bastante tempo e se solidificando em vastos estratos sociais, ignorando divisões ideológicas. É a ideia de que o “sistema” está quebrado.

    Por “sistema” entende-se “tudo”, ou seja, partidos, poderes, leis, instituições, normas, regulamentos. Esse conjunto é percebido como incapaz de responder às questões mais desafiadoras (como crescimento da economia, por exemplo) ou é visto como viciado para favorecer determinada corrente política e perseguir outra.

    A crise brasileira mais abrangente pode ser descrita como a incapacidade de enfrentar os principais problemas “estruturais” (os grandes responsáveis por desigualdade, miséria e injustiça), tais como a janela demográfica, a estagnação da produtividade e os péssimos resultados em educação. A expressão mais imediata dessa grande crise é o clima de cada um por si.

    A reforma tributária (na qual quem podia garantiu o seu) e as renúncias fiscais (a exceção vira direito adquirido) são exemplos fortes desse arraigado estado de espírito. No sentido ainda mais imediato, a PEC da blindagem (ou da bandidagem, como se quiser) é mais um retrato nítido de como o corporativismo de agentes públicos opera principalmente para conquistar ou defender o que é “seu”.

    A erosão da legitimidade e a desmoralização dos poderes têm sido, nesse sentido, uma obra coletiva de longa duração. O sistema de governo colabora para desmoralizar a figura do chefe do Executivo (que nada faz sem o Legislativo). O sistema proporcional de voto colabora para tornar principalmente a Câmara uma casa de baixíssima representatividade, fracionada e dissociada de interesses nacionais abrangentes (fora todo o resto).

    Integrantes do STF têm dificuldades em reconhecer como a própria instituição está sendo desmoralizada na luta política da qual passou a fazer parte como ator. A realidade política que a Corte enfrenta é a do crescente descrédito junto a uma enorme parcela da sociedade que não pode ser designada como “adversários liberticidas bolsonaristas”.

    Os avanços incrementais que alguns operadores políticos detectam (como melhoria na legislação eleitoral, por exemplo) contrastam com um ambiente geral no qual prevalecem hoje imprevisibilidade, insegurança jurídica e a falta de lideranças abrangentes dentro ou fora da política. Cabe tudo, porém, na palavra do momento: ansiedade.

  2. A CÂMARA ESBOFETEIA O BRASIL, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

    A Câmara escreveu uma das páginas mais vergonhosas de sua história ao aprovar, no dia 16 passado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021, a chamada PEC da Blindagem. Como se sabe, pretende-se tornar deputados e senadores praticamente inimputáveis ao impedir que sejam investigados, processados e até presos em flagrante por crime inafiançável sem que para tanto haja licença prévia de suas respectivas Casas Legislativas. Há poucos dias, o Estadão revelou que entre 1988 e 2001, período em que a licença prévia vigorou no País, só uma mísera vez o Congresso autorizou que um de seus membros fosse investigado pelos crimes de que foi acusado. O que reinou foi o espírito de corpo, quando não o compadrio.

    Não satisfeitos em esbofetear a sociedade legislando escancaradamente em causa própria, mais de 340 deputados ainda violentaram a Constituição em seu princípio mais elementar – a igualdade de todos perante a lei. Até para os padrões desta legislatura é espantosa a desfaçatez com que a Câmara traiu sua missão de ser “a tribuna onde a Nação fala”, para lembrar Ruy Barbosa, um gigante do Parlamento brasileiro. Sob a falsa justificativa de proteger o mandato parlamentar de supostos “abusos” e “atropelos” que teriam sido cometidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os deputados decidiram colocar-se acima da lei, nada menos, furtando-se em responder pelos crimes que vierem a cometer.

    Nesse sentido, a PEC da Blindagem, que bem poderia ser chamada de PEC da Impunidade, deve ser vista como um ataque frontal à democracia representativa. Se promulgada, estará criado o ambiente no qual bandidos poderão ficar impunes apenas porque lograram obter um mandato eletivo. Deputados de todos os matizes ideológicos, do governo e da oposição, deram-se as mãos para escarnecer dos eleitores.

    O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), um anão diante da grandeza institucional do seu cargo, abusou da má-fé e afrontou a inteligência alheia em seu discurso em defesa da PEC da Blindagem. Em tom solene que mal escondia a desfaçatez, Motta ignorou a história da Nova República e distorceu o contexto da Assembleia Nacional Constituinte disseminando a lorota de que a Casa, ora vejam, só estaria restaurando o texto original da Carta de 1988. É preciso recordar, então, que o dispositivo da licença prévia, àquela época, era a resposta idealizada a um momento da vida nacional totalmente distinto. O Brasil mal havia saído de uma ditadura militar. Os constituintes originários buscavam proteger o mandato parlamentar de eventuais arbitrariedades em uma transição de regime ainda em andamento.

    A realidade hoje é completamente diferente. O regime democrático está consolidado. Parlamentares já têm assegurada pela Lei Maior a inviolabilidade civil e penal por suas opiniões, palavras e votos. Ademais, há quase 40 anos, o País não estava assolado pela infiltração de organizações criminosas de caráter mafioso no sistema político nem tampouco pela rapinagem de recursos bilionários do Orçamento por meio de emendas parlamentares – é contra a investigação desses desvios que os deputados querem se proteger.

    Como se nada disso bastasse, a PEC da Blindagem ainda é um convite para que membros de facções como o PCC e o Comando Vermelho entrem no Congresso pela porta da frente. Se antes as organizações criminosas já exploravam o mandato de maus parlamentares como espécie de casamata em defesa de seus interesses no Legislativo, agora têm o incentivo adicional para financiar candidaturas de seus próprios gângsteres e, assim, blindá-los do alcance da lei sem intermediários. O que a Câmara aprovou, portanto, foi um programa de fomento à criminalidade política no País.

    Agora resta torcer para que o Senado se erga como o adulto na sala desta república tão maltratada e enterre de vez a ignomínia que passou na Câmara, resgatando alguma aura de decência para o Congresso perante a opinião pública. A democracia brasileira estará novamente sob risco se a Casa Alta for cúmplice de uma delinquência política, nada menos. Não à toa, a eleição para o Senado no ano que vem tem despertado a atenção de muita gente – não necessariamente gente bem-intencionada.

  3. CÂMARA OFENDE A SOCIEDADE COM PEC DA BLINDAGEM, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    Segundo o Datafolha, 8 em cada 10 brasileiros avaliam que o Congresso Nacional atua mais em prol de seus interesses do que em favor da sociedade. Corroborando de forma inequívoca essa percepção, deputados federais aprovaram integralmente na quarta-feira (17) a chamada PEC da Blindagem.

    A nova proposta de emenda constitucional é uma ofensa aos eleitores e contribuintes, cada vez mais sequiosos de transparência no trato da coisa pública. Sobretudo quando se trata de uma estrutura parlamentar que consome R$ 15 bilhões por ano e que figura entre as mais dispendiosas do mundo.

    A PEC da Blindagem amplia o foro especial a deputados e senadores e os protegerá não apenas em relação a investigações criminais, mas abre brecha nas ações cíveis, algo inédito.

    Em decisão esdrúxula, os deputados ainda estenderam o foro especial no Supremo Tribunal Federal a presidentes de partidos políticos com representação no Congresso, mesmo que não tenham mandato parlamentar.

    O texto tem como principal objetivo dar ao Congresso o poder de barrar processos criminais no STF contra deputados e senadores ao exigir licença prévia do Legislativo. Essa autorização será deliberada pela respectiva Casa em até 90 dias, a contar do recebimento da ordem do Supremo.

    O que é pior, isso será feito em votação secreta, escondendo da sociedade quais parlamentares votarão para impedir que colegas sejam investigados.

    Esse ponto crucial da PEC havia sido derrubado por partidos de esquerda em consulta na terça (16), mas acabou voltando depois com uma manobra do centrão apoiada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), por meio de uma emenda aglutinativa que recuperou o termo “votação secreta”.

    O expediente recebeu 314 votos favoráveis e 168 contrários. O texto principal, aprovado em dois turnos um dia antes, também passou por ampla maioria, inclusive com votos de petistas.

    O propósito primordial do centrão, grupo de direita e centro-direita com maioria na Câmara, é blindar parlamentares em mais de 80 investigações no Supremo envolvendo suspeita de corrupção com verbas de emendas, que movimentam cerca de R$ 50 bilhões todos os anos.

    A PEC também prevê votação secreta para autorizar prisão em flagrante de deputados e senadores e ampliou o quórum exigido para que isso ocorra.

    A proposta agora segue para o Senado, onde precisa ser aprovada também em dois turnos para ser promulgada e entrar em vigor, não cabendo sanção ou veto do presidente da República.

    A PEC tem apoio mais envergonhado dos senadores, que avaliam desacelerar a tramitação após avalanche de críticas em redes sociais. Se tiverem decência, eles deveriam enterrar de vez o projeto para tentar recuperar um mínimo de probidade que tanto falta ao Congresso Nacional.

  4. LULA IGNORA BOMBA-REOLÓGIO DA PREVIDÊNCIA, editorial do jornal Folha de S. Paulo

    O envelhecimento da população combinado à falta de apetite por reformas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vêm armando uma bomba financeira para os próximos anos de proporção considerável —com potencial para colocar em grave risco, e em pouco tempo, a estabilidade do país.

    Os dois principais desequilíbrios têm a ver com as contas da Previdência Social, em rápida deterioração. Um é fruto da decisão de Lula de insistir, neste seu terceiro mandato, na política de valorização do salário mínimo —cujos aumentos acima da variação dos preços têm impactos diretos nas despesas do INSS.

    O presidente repete o que já havia feito em seus outros governos. Mas o faz agora em condições bem mais adversas, sem gerar superávits recorrentes nas contas governamentais para impedir que déficits previdenciários bilionários levem à rápida aceleração da dívida pública.

    Segundo cálculo do economista Fabio Giambiagi, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, a regra atual de expansão acima da inflação do salário mínimo vai adicionar um gasto de R$ 164 bilhões nas despesas públicas em seus quatro anos do governo.

    É elogiável que Lula queira elevar o poder de compra, mas desde que isso não cause desequilíbrios que obriguem o Banco Central a manter juros estratosféricos para desaquecer a economia, como é o caso hoje.

    Especialistas já sugeriram que a regra de aumento real para o mínimo ficasse limitada a quem trabalha, e que refletisse ganhos de produtividade. Aos aposentados, valeria a inflação, ou mesmo um novo índice que captasse melhor a variação de preços da terceira idade, como reajustes de remédios e planos de saúde. Lula se recusa a enfrentar o tema.

    Seu governo também é avesso a reformar a Previdência. Nos últimos 12 meses, o chamado regime geral, que exclui o funcionalismo público, apresentou déficit equivalente a 2,5% do Produto Interno Bruto, sendo de 1,7% só nos benefícios para o setor rural —com muito menos aposentados.

    Na reforma de 2019, os trabalhadores do campo tiveram mantidas as idades mínimas para aposentadoria em 55 anos para as mulheres e 60 anos para os homens, ante os atuais 62 e 65, respectivamente, para quem se aposenta nos centros urbanos.

    Assim como no caso dos déficits fiscal e externo, Lula ignora o rombo previdenciário para se autocongratular com resultados conjunturais positivos, como o baixo desemprego. Mas, sem atacar problemas de fundo, é questão de tempo para a maré virar.

  5. PEC DA BLINDAGEM ESCANCARA A POLÍTICA, SEM INTERMEDIÁRIOS, AO CRIME, por Maria Cristina Fernandes, no jornal Valor Econômico

    A aprovação da PEC da Blindagem no mesmo dia em que a Câmara franqueia a liderança da minoria ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é autoexplicativa. A proposta de emenda constitucional visa a blindar parlamentares de processos no Supremo Tribunal Federal, que só os julgaria mediante autorização de seus pares.

    Não se espere, porém, que esses pares se disponham a fazê-lo. Blindam o filho do ex-presidente com um cargo de líder para perdoar suas faltas, quando poderiam cassar seu mandato pela mais grave delas, a de traição da pátria. Não bastasse o tarifaço, o deputado endossou a ameaça da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, de uma intervenção militar americana. É ainda mais grave que um líder defenda tamanha afronta.

    As duas pautas foram amarradas na noite de segunda-feira (15). Chegava perto da meia-noite quando o deputado Cláudio Cajado (PP-BA) recebeu um telefonema do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que estava ao lado de alguns dos líderes.

    Aliado do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a ponto de ter sido por este indicado para a relatoria do arcabouço fiscal no primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Cajado foi informado de sua nova incumbência. Seria o novo relator da PEC, no lugar do deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), que não se dispunha a abrigar a principal mudança no texto: a incorporação dos presidentes de partidos ao rol de autoridades que têm foro no STF e a introdução do voto secreto na deliberação sobre a licença do Congresso ao julgamento.

    Ao longo do tempo em que esta PEC ficou na geladeira, as operações policiais que foram às ruas, para desbaratar a lavagem de dinheiro das organizações criminosas e os desvios de aposentadorias do INSS, fizeram emergir um novelo de acobertamentos comuns que contam com dirigentes partidários. Tanto essas operações quanto o inquérito que apura os desvios de emendas parlamentares passaram a contar com a reabilitação das delações premiadas, a partir daquela do coronel Mauro Cid no julgamento de Jair Bolsonaro, para seguir adiante.

    Na Casa para onde a PEC da Blindagem seguirá depois da chancela da Câmara, o senador Alessandro Vieira (MDB-ES) desenhou: “O crime organizado do fuzil e o engravatado do INSS se juntam na política”.

    Esse ajuntamento se fortalece no dia seguinte ao assassinato de um ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo que, enquanto esteve na ativa, foi um dos infatigáveis investigadores do PCC.

    O deputado Kim Kataguiri (União-SP) se uniu aos parlamentares da base do governo para alertar contra o risco de esta PEC escancarar as portas da política para chefes do crime organizado ansiosos por uma blindagem para chamar de sua. Com a inclusão de presidentes de partidos na blindagem, os chefes do crime organizado nem mesmo precisarão se dar ao trabalho de arrumar voto. Só precisam montar uma máquina para angariá-lo. Além de uma montanha de dinheiro dos fundos eleitoral e partidário, teriam acesso aos corredores e gabinetes do Poder. Decretariam, de uma vez por todas, o fim da intermediação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não é permitido essa ação.