Acrescentada a charge de abertura do artigo às 12h08min deste 03.02.26. Tiraram-me da semana e terça-feira de ócio. Os meus canais privados estão entupidos de reportagens – ainda incompletas, mas principalmente vindas de fora daqui e isto é impressionante – e informações privilegiadas. Não vou fazer o papel de repórter e da imprensa informativa de Gaspar. Ela sabe o que está perdendo.
Voltando. Estas reportagens e informações dão conta que sob a coordenação da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro, os policiais do Departamento de Investigações Criminais de Blumenau foram às ruas lá e aqui. Os aplicativos de mensagens bombam. Nas redes sociais a coisa está esquentando.
Lá é algo repetido: rachadinha na Câmara. Aqui, é a montanha de horas máquinas e materiais contratados pela prefeitura e que foram tragados em três meses na secretaria de Obras e Serviços Urbanos – ela mais uma vez -, a secretaria de Agricultura e Aquicultura – ela mais uma vez – e o Samae – ele mais uma vez – no fechar do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB (oito anos), e Marcelo de Souza Brick, PP (quatro anos). Todos quietos. em boca fechada não entra mosca. O espaço está curioso e aberto às explicações dos implicados. A transparência é a melhor arma dos inocentes. Sempre foi.
Vou esperar. Vou olhar a maré como sempre fiz. Os assuntos de lá não me interessam, mas são claros sinais vermelhos os para Gaspar. Os daqui, eram tidos como lenda, zombava-se no suposto corpo fechado etecétera e tal. Neste rolo está faltando incluir a secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa e a secretaria de Planejamento Territorial, as fazedoras de negócios. Obras, Agricultura e Samae – este menos – todos sabem, são operacionais das orientações centrais do gabinete do prefeito.
Dependendo de como se postar aos casos – não é um apenas – e for orientado – e está mal cercado, é teimoso e por isso patina -, o governo de Paulo Norberto Koerich, PL, pode com esta cortina de fumaça nova – diferente da reinventada pela Câmara da roçada que não deu em nada e que a polícia de Blumenau já tinha bem apurada. Ela é real. E Paulo, repito com inteligência tática, não com o fígado e ouvindo amigos com multipolos interesses, incluindo os de vinganças que nada tem a ver com o governo – pode ressurgir das cinzas, ou então virar pó político-administrativo em ano de eleições que precisará de discurso.
E por quê? Os implicados no ambiente empresarial, direta ou indiretamente, influenciam no governo mesmo já tendo reveses na Justiça aqui em Florianópolis em suas ambições contra a legislação e a favor de seus empreendimentos. Os implicados no ambiente politico, por sua vez, acabaram de lançar uma tábua de salvação na Câmara ao governo de Paulo. Quem pelo jeito está precisando de boias são eles.
É um jogo para profissionais e que virou uma pelada com chutões. Mesmo assim, vou assisti-la e comentar mais tarde. Muda, Gaspar!
TRAPICHE
Hoje começa de fato o ano legislativo em Gaspar com a primeira sessão. Os vereadores mandões da “nova” direção estavam preparados para mandar recados e encurralar quem os expôs no aumento grosseiro e injustificado da merenda deles nas tais diárias de restaurante de ricos.
Com a poliçada, especialista em espertos comidos pelas esperteza, pelas ruas esta manhã, estão todos tontos. Ninguém quer falar por aplicativos ou telefone. Só pessoalmente. Todos querem saber de ondem estão vindos os tiros. E juram que houve traição a pactos. Credo.
Aliás, é de se perguntar qual a razão do ex-presidente da CPI do Capim Seco, Ciro André Quintino, MDB, e atual presidente da Câmara, ter engavetado, mais uma vez, monocraticamente, o pedido de explicações, feitas pelo vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, das supostas irregularidades na contratação da empresa de auditoria para a CPI. Há quem jure que vão ressuscitar mais um morto.
Hoje é dia de São Braz. Neste final de semana será a festa ao Santo – protetor da garganta e da voz – padroeiro da Capela do bairro Lagoa, em Gaspar. Quem for lá pela Estrada Geral da Lagoa, poderá apreciar como ficou a refação da galeria Irineu Theiss, levada pela enxurrada de janeiro do ano passado e que a Defesa Civil daqui fez em parceria com a Nacional. Se Paulo Norberto Koerich, PL, ouvisse apenas a voz dos seus “conselheiros” que criam confusão e afundam o seu governo,, esta refação só se daria depois da festa, mesmo tendo as verbas liberadas para a conclusão da obra. Muda, Gaspar!
4 comentários em “A POLÍCIA TOMOU CONTA DAS RUAS, DOMICÍLIOS, CÂMARA E ESCRITÓRIOS EM BLUMENAU E GASPAR. EU VOU APENAS OLHAR À MARÉ. ONDE HÁ FUMAÇA, HÁ FOGO. E PARA INTOXICAR A ALMA DOS DESALMADOS”
EX-PREFEITO ADILSON, INCONFORMADO
Realmente a Cidade de Gaspar, mais uma vez na página policial. Uma vergonha!
Reportagem do Bom Dia SC, sobre a Operação Hora – Máquina da DEIC e da DIC em Gaspar, em 03/02.
Havia uma licitação, realizada em setembro de 2024, para aquisição de macadame que iria atender a demanda por 12 meses. Mas curiosamente foram utilizados em menos de 3 meses, ainda em 2024.
Quantas licitação das horas máquinas, também existem discordâncias….
A população de Gaspar, torce para que os envolvidos sejam identificados, punidos e claro que a justiça determine a devolução dos recursos públicos possivelmente desviados. O que se chama de “vantagens indevidas “.
Só para lembrar os recursos são oriundos do bolso do Contribuinte!
Adilson Luis Schmitt
Ex Prefeito de Gaspar (2005/08)
DESTA VEZ, FACHIN TERÁ A OPINIÃO PÚBLICA AO SEU LADO, editorial do jornal Folha de S. Paulo.
Na abertura do ano judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, fez um discurso à altura da crise de credibilidade vivida pela instituição.
Fachin deixou de lado o surrado recurso corporativista de atribuir qualquer questionamento ao Supremo a tentativas de sabotar a ordem democrática. “A crítica republicana não é mesmo ameaça à democracia”, disse.
Mais que isso, reconheceu que a corte deve respostas e atitudes. “A questão é a de saber se já chegou a hora de o Tribunal sinalizar, por seus próprios atos, que o momento é outro. Minha convicção é que esse momento chegou.”
Era desnecessário mencionar as relações vexatórias de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o escândalo do Master, que puseram o tribunal em xeque. Bastou dizer que “os ministros respondem pelas escolhas que fazem”.
De mais prático, Fachin anunciou ter encarregado a colega Carmén Lúcia de relatar um código de conduta para a corte —objeto de resistências anônimas, mas poderosas, entre os togados.
Não será simples a missão de impor limites a práticas viciosas com as quais boa parte dos ministros tem se refestelado. Elas incluem de manifestações públicas fora dos autos a participações em eventos luxuosos bancados por potenciais litigantes, do recebimento de favores à contratação a peso de ouro de escritórios de advocacia de familiares.
Neste último caso, recorde-se que o próprio STF derrubou, há pouco mais de dois anos, uma norma moralizadora do Código de Processo Civil. Por 7 votos a 4, julgou-se inconstitucional texto que vedava a um magistrado participar de processo em que uma das partes fosse cliente de escritório de advocacia de seu cônjuge ou de parente até terceiro grau, mesmo que representada por profissional de outra sociedade.
Apoiaram a derrubada do dispositivo moralizador Toffoli, Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. A favor do código de conduta, votaram Fachin, Cármen, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso.
Relator do processo na época, Fachin e outros seis ministros têm hoje parentes na advocacia que podem se beneficiar dessa condição —e o caso mais notório a esta altura envolve Moraes, cuja esposa firmou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.
À diferença de 2023, quando passou quase despercebida a decisão corporativa da corte, que se mostraria um divisor de águas do desmando que se seguiu, hoje esse é um dos temas que mais mobilizam a opinião pública brasileira.
Apontado o caminho reformista, resta percorrê-lo. Atenção a limites e às prerrogativas de cada Poder, transparência e colegialidade são diretrizes que não precisam esperar um código de ética, que por sua vez não precisa esperar o desfecho das eleições ou outro marco temporal ou político. Como também afirmou Fachin, “momentos de adversidade exigem mais do que discursos”.
O MUNDO MARAVILHOSO DO TST, editorial do jornal O Estado de S. Paulo
Enquanto os Correios agonizavam no fim do ano passado sem dinheiro algum em caixa, os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) acharam justo aumentar ainda mais os gastos da empresa pública, impondo-lhe uma série de obrigações trabalhistas nada razoáveis. Para a cúpula da Justiça do Trabalho, os empregados da estatal – que, se fosse uma companhia privada, já teria ido à falência – são merecedores de um bônus natalino de R$ 2,5 mil, um plano de saúde turbinado, um adicional de hora extra de 200% nos dias de repouso e uma gratificação de férias de 70%.
Coube ao Supremo Tribunal Federal (STF) felizmente barrar a iniciativa do TST, que ignora a realidade – e a Constituição. Por força de uma decisão liminar de janeiro do presidente em exercício do STF, ministro Alexandre de Moraes, essas benesses, com custo estimado em quase R$ 2 bilhões, estão suspensas.
Sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, os Correios acumulam rombos astronômicos. Até setembro de 2025, último dado disponível, seu prejuízo acumulado era de R$ 6 bilhões. Tal cenário de penúria forçou a estatal a recorrer a um empréstimo de R$ 12 bilhões, concedido por um consórcio formado por cinco bancos, e com aval da União. E, para que saia do atoleiro no curto prazo, os Correios ainda precisam de mais R$ 8 bilhões.
Mesmo diante desse quadro, os empregados da estatal, que sempre tiveram benefícios em excesso em seus acordos coletivos de trabalho, decidiram dobrar a aposta na defesa de seus privilégios. Depois de iniciada a negociação coletiva na data-base da categoria, os líderes sindicais deflagraram uma greve intempestiva, durante as festas do Natal e do Ano-Novo, e ajuizaram o dissídio coletivo no TST.
Os ministros da Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST parecem ter escolhido um lado. Nenhuma das benesses foi conquistada por meio da negociação coletiva, o que já seria inaceitável, haja vista que dificilmente encontra paralelos no setor privado.
Além de declarar a greve não abusiva, o TST decidiu reeditar cláusulas do acordo anterior, renovando esses privilégios, chamados de “direitos”, numa sentença normativa. Ocorre que o STF já declarou a inconstitucionalidade do chamado princípio da ultratividade, que consiste justamente na repetição de cláusulas de um acordo coletivo vencido. No julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 323, em 2022, o STF derrubou uma súmula do TST que estendia a vigência das cláusulas já expiradas. Diante disso, aos Correios não restou alternativa a não ser apelar ao STF, num evidente pedido de socorro.
No recurso apresentado durante o recesso do Poder Judiciário, a estatal alegou, com razão, que a decisão do TST causa “grave lesão à ordem pública e à ordem econômica”. Como bem afirmou o ministro Alexandre de Moraes em sua decisão, a sentença normativa que cria essas obrigações indica uma “indevida extrapolação do poder normativo da Justiça do Trabalho”.
O TST pretendia tirar recursos de uma estatal quebrada para distribuir benefícios extravagantes a empregados que gozam de uma realidade trabalhista bem distinta daquela vivida pela maioria dos brasileiros. Ao desrespeitar os precedentes obrigatórios do STF, a Justiça do Trabalho prova que não se emenda.
Não cabe aos magistrados do Trabalho interferirem na gestão das empresas, fazer distribuição de renda às avessas nem promover uma pretensa justiça social. Seu dever constitucional é processar e julgar as ações oriundas das relações de trabalho, com distanciamento, imparcialidade e respeito à Constituição, às leis e à jurisprudência. A recalcitrância da Justiça do Trabalho amplia a insegurança jurídica, abala sua credibilidade e prejudica o ambiente de negócios. Oxalá os ministros do STF confirmem a decisão de Moraes e derrubem todos esses benefícios, que, a bem da verdade, são cláusulas leoninas.
Paulo pode usar a crise com inteligência política para se reerguer ou, se agir mal orientado, afundar de vez em ano eleitoral—>>> Não será capaz para isso, esse prefeito fo um erro político. Cidade paga as contas.